sábado, 19 de setembro de 2015

A mensagem do agostinianismo e a apostasia ética e social do neo cristinaismo

O primeiro passo para superar uma situação de enfermidade é fazer um diagnóstico.

Que a civilização Ocidental esteja passando por uma terrível crise, analoga a que abateu-se sobre a Sociedade romana em meados do século V desta era (apud Berdiaeff). Esta terrível crise é para a Sociedade ou para a cultura o que a enfermidade é para o organismo vivo.

Urgem diagnóstica a fonte ou as fontes desta terrível crise para em seguida preceituar o remédio certo. Do contrário o corpo morre e vem a decompor-se... a Sociedade humana dissolve-se e sucede-lhe a anomia, tão temida por Hobbes.

Anomia em que os homens lutarão uns contra os outros como lobos vorazes, os fundamentos da civilização abalados e parte considerável da cultura aniquilada. Será um recuo até certo ponto, cujos limites ignoramos.

Os Bárbaros germânicos não destruíram o Império romano da mesma forma como vírus da gripe é incapaz de destruir um corpo saudável e vigoroso, bem nutrido e bem cuidado. A bem da verdade os povos teutônicos - que fugiam face ao terror dos Hunos - encontraram um Império enfermo e combalido, melhor dizendo: um Império agonizante. Um império que estertorava!!!

Mas porque estertorava aquele império?

Antes de tudo porque a autêntica pregação Cristã privara-o de seus fundamentos desumanos e ele não puderá achar outros. Assim sem fundamentos: sem escravos e sem guerras de pilhagem, o Império entrou em colapso. Outra não é a versão de Gibbons. O qual censura a instituição Cristã por ter se oposto a erradicação do escravismo e arvorado a doutrina semi pacifista da guerra justa.

Eliminado ou reduzido o escravismo e as guerras predatórias a crise econômica não tardou a manifestar-se desencadeando uma crise social que culminou com as invasões bárbaras.

Eram Cristãos assassinados aos montes... eram cristãos que fugiam para os desertos e cavernas prenunciando o monaquismo... eram pagãos que viviam de pão e circo, recusando-se a trabalhar... forças que fugiam as bases da vida social e tornavam-na impossível. Os bárbaros nada fizeram além de por fim a esta lenta agonia. Ficando o chão coberto de ruínas.

Além de trágico foi patético porque os romanos não tinham como identificar as causas dos males que afligiam-nos e se, caso tivessem sido capazes de identifica-las certamente não saberiam como sana-las. Substituir pelo que o escravismo e as expedições predatórias? Diocleciano deve ter pensado mil vezes sobre o assunto, no entanto, após ter feito verter rios de sangue, desesperou quanto a salvação do império e abdicou!

Outra é nossa condição. Uma vez que contamos com os préstimos não só da História mas da sociologia e da antropologia cultural. Além da psicologia, da geografia e da pedagogia... enfim de um grande número de ciências e ramos do saber humano. Pelo que estamos bem servidos e podemos tentar diagnosticar as causas dos males e problemas que assombram este nosso tempo e põem em crise a civilização. E diagnosticando podemos talvez recomendar uma terapia.

Dentre os que tentaram identificar a raiz do mal ocorrem-me: Whyndan Lewis, Guglielmo Ferrero, Otswald Spengler, Toynbee, N Berdiaeff, Guido de Rugierro, M F Sciacca, L Bloy, E Mounier, J Maritain, Unamuno, Christopher Dawson, Henri George, Hilaire Belloc, Julien Benda, Ortega Y Gasset, Julian Marias, R Jolivet, Huizinga, Fromm, etc Uma constelação invejável de sábios...

Berdiaeff por exemplo lança pedras ao Renascimento ou ao humanismo. Bloy, George, Mounier, Fromm e outros com mais acuidade apontam para o Capitalismo... Belloc, Maritain e sobretudo M Weber aprofundando ainda mais, tocam ao protestantismo. Outros ainda acrescentam o materialismo, o ateísmo, a incredulidade, o comunismo, o nazismo e o fascismo; os quais parecem ter vindo de carona com o capitalismo e sucedido todos ao protestantismo.

O nó do problema - a que já fiz alusão em diversos ensaios teológicos - é que todos parecem, sob influência da igreja romana, parar aqui e supor que a reforma protestante foi uma ruptura tão brusca, tão radical, tão profunda que não teve bases ou fundamentos no passado.

É claro que os historiadores, teólogos e intelectuais buscam algum fundamento. Trata-se quase sempre no entanto de um fundamento demasiado externo e desproporcional quais sejam as 'imoralidades' da Igreja antiga (Fernando Jorge), venda de indulgências, politicagem papal, invenção da imprensa e circulação de livros, etc Tudo isto parece explicar o pôrque da reforma protestante ter se propagado tão rápido. Mas não me parece bastante orgânico, bastante profundo, bastante sério! Parece-me que falta um fundamento interno ou ideológico.

Como não acalento preconceitos, ouso declarar mais uma vez: Agostinho de Hipona não foi maniqueu por acaso! Lutero não foi um monge agostiniano por acaso! Lutero reporta a Agostinho de Hipona ou melhor ao agostinianismo e Agostinho de Hipona ao Maniqueismo. E se não é belo ao menos não deixa de ser curioso que uma doutrina forjada na antiga Pérsia tenha encontrado seus domínios no Norte da Europa após passar pelo Norte da África.

Nada tenho que acrescentar a respeito do Agostinianismo.

A recuperação de suas obras e sua divulgação após a invenção da Imprensa ou até mesmo pouco tempo antes, associada ao impacto da peste negra e a fixação do pensamento no problema da morte, fez com que aos poucos, toda uma geração fosse desgostando do mundo e desesperando de transforma-lo noutra coisa. As portas da reforma protestante parte dos Católicos já não acreditavam na possibilidade de implantar o Reino de Deus na terra. Desde o ano 1000 não poucos sonhavam com uma destruição catastrófica. O livro do Apocalipse lido numa perspectiva mística era objeto de terrores! Aquele mundo de pestes, terremotos, guerras, conflitos sociais, miséria, etc fez com que grande número de pessoas buscassem refúgio numa fé cega!

Chegamos assim a Wittenberga de 1517. Ali os fundamentos do mundo estalaram, a velha fé foi questionada - alias tinha alguns defeitos! - a igreja antiga denunciada, os Bispos desafiados, os monges anatematizados, as massas convocadas, os governantes impactados e o poder imenso do papado ameaçado! Foi a primeira das grandes Revoluções: a Inglesa, a Francesa e a Russa. Ao menos no que diz respeito aos métodos uma foi continuação da outra.

Nem podem os pastores em nome da paz lançar anatemas contra as Revoluções francesa e russa, uma vez que seus ancestrais foram os primeiros a pegar em espadas e a cingir armas, no caso contra a Igreja de Roma ao invés de terem dado a outra face ou trilhado a senda dos mártires de outrora. Os reformadores acharam por bem agir ou reagir e, destarte foram os primeiros revolucionários. Também apoiou-se esta reforma no poder dos príncipes, ávidos de por as mãos nas propriedades e bens da igreja antiga. Foi um mal começo! Uma associação suspeitosa! Uma orientação comprometedora! Nem preciso dizer que os pobres não obtiveram vantagem alguma... alias, segundo Cobbett nem puzeram suas mãos calosas em qualquer coisa, nem puderam contar doravante com o aparelho assistencial dos mosteiros e monges que até então lhes davam esmola.

Todas estas coisas e muitas outras aconteceram porque a igreja antiga, desde os tempos das invasões bárbaras, tinha servido de fundamento a organização social e nem se podia imaginar organização social sem os préstimos desta igreja. A remoção no entanto fora brusca...

Grosso modo, Martinho Lutero, ao iniciar sua pregação não sabia onde tudo aquilo iria dar ou quais seriam os resultados mesmo a curto prazo. Assim quando foi chamado para justificar-se diante dos teólogos do papa na corte de Carlos V, tendo a tradição ROMANA, lançada contra si e não sabendo a que apelar lembrou-se da Bíblia que havia encontrado na Biblioteca do convento. Provavelmente sequer havia lido todo livro! No entanto, vendo-se acuado e não sabendo a que santo recorrer, recorreu a Bíblia, a qual da noite para o dia foi arvorada como critério ou padrão dos luteranos.

Posteriormente, diante dos estragos causados pelo livre exame e pela proliferação das seitas, Lutero, em mais de uma ocasião deu mostras de arrependimento por este improviso. Pois em ato de desespero arvorara a Bíblia como norma, para a priori vir a estuda-la e dela retirar a religião protestante. Outros no entanto julgavam estar em posse do mesmo direito; pelo que tomaram suas Bíblias e abriram suas seitas. Porque cada qual havia compreendido o mesmo livro de modo diverso.

Logo surgiram Calvino e Zwinglio. E as amargas controvérsias em torno da eucaristia. Pouco tempo depois apareceram os anabatistas de Blaurock e a controvérsia em torno do Batismo... algum tempo mais tarde outras tantas sobre o Domingo, as imagens, etc Todo um fermentar de controvérsias! Ficando a tal reforma pulverizada.

Quando Lutero, já 'nel mezzo del camin de la vita' atinou em fundar uma Igreja nos moldes da antiga para substitui-la e servir de fundamento a Sociedade européia percebeu que não era mais possível faze-lo tomando por base a Bíblia, por método o livre exame e por inspiração a teologia de Agostinho. O próprio luteranismo, sempre desmoralizado face ao papismo, o calvinismo e mesmo o anabatismo, subsistiu apenas e tão somente por obra e graça do poder temporal ou seja dos reis e senhores feudais que dele se usaram para escravizar e oprimir o povo. Uma inquisição foi criada com o apoio de cada estado, os dissidentes expulsos ou supliciados e a nova fé 'libertadora' gentilmente imposta as massas.

Tudo principiara por um exame 'livre' a partir do qual a liberdade humana foi repudiada por completo, inclusive na prática. Não sei se foi Van Paassen ou Van Loon que disse ter a reforma erradicado a liberdade onde quer que com ela tomou. De que temos vivo exemplo na Genebra de Calvino, segundo Van Paassen 'O primeiro campo de concentração da História'

Calvino, antes de Lutero é que tentara, com mais habilidade, criar uma Igreja Protestante, com o intuito de substituir a igreja romana. Lutero apenas demolirá, improvisadamente... Calvino tentou construir algo de firme e duradouro e acalentou, para tanto, restabelecer o Sacramento da ordem. Os materiais fornecidos no entanto não eram de boa qualidade... A Bíblia todos tinham e o exame todos queriam e podiam fazer. Teve o mérito de suavizar o agostinianismo no que tange a capacidade dos que recebem a fé e, na prática tudo fez para monopolizar o exame, a pondo de enviar o espanhol Servet a fogueira, queimando com ele os fundamentos de sua religião.

Ele foi quem primeiro criou uma anti igreja forte e grande. No entanto haviam também as igrejas Luteranas, haviam as seitas dos anabatistas e logo as dos unitários e outras tantas. Haviam núcleos da igreja romana espalhados por todo espaço do protestantismo! Haviam Bispos, cruzes e sinos; e com ovelhas! Havia variedade e o calvinismo por mais que tenta-se - e tentou - não podia reverter semelhante estado de coisas. Ele não estava a altura da tarefa a que se propôs. Não conseguiu substituir a igreja romana. Não foi capaz de consumar a missão que acreditava ser divina! Não logrou destruir por completo a igreja do papa e unificar as forças protestantes!

E ficou o protestantismo disperso, fragmentado, divido e o que é pior em estado de conflito! Pois em nome da Bíblia os protestantes criavam inquisições e lutavam uns com os outros até o extermínio! Anabatistas eram lançados aos rios atados a grades de ferro, calvinistas decapitados, unitários queimados, quackeres fustigados em praça pública... E como disputavam ao infinito sobre cada texto ou versículo Bíblico no dizer de Joseph Smith fundador do mormonismo já em pleno século XIX, após a Revolução francesa!

Pasma ler as crônicas do luteranismo alemão compostas por Doellinger. E a confusão semeada pelos pastores entre a gente simples. Confusão de que resultou a incredulidade!!! Século e meio depois havia já na Inglaterra um partido oposto a religião, o partido deísta. Assim na Holanda, Alemanha e França (protestante) no século seguinte. O Catolicismo pouco crescia ou paralisara, enquanto o protestantismo minguava e a incredulidade crescia. Sinceros ou dissimulados aparecem os materialistas e ateus em meados do século XVIII.

A nível das ideias surge um elemento pretensamente unificador destinado a substituir o Catolicismo e o protestantismo: o mercado econômico e a doutrina liberal ou capitalista. Foi isto que por algum tempo - do final do século XVIII a 1848 - pretendeu substituir o Catolicismo derribado. Posteriormente foi o Reino do Capitalismo desfigurado (pelas reformas) e ameaçado pelo Reino rival do comunismo, o qual, como já tivemos ocasião de ver reproduz parte de seus vícios e defeitos.

Na mesma medida em que as igrejas nacionais - como a luterana - iam entrado em crise a fé no Cristo ou em Deus foi gradativamente substituída por uma fé secularizada ou natural na raça ou no estado, o qual no sistema de Hegel hipostasia-se com o sagrado. É a aurora dos nacionalismo e militarismos (fascismo). Por fim o Capitalismo, o Comunismo, o Nazismo e o Fascismo estes quatro cavaleiros do apocalipse semeiam golpes, revoluções, conflitos e em duas ocasiões convertem a Europa num matadouro ou melhor num mar de sangue. O fim do século XIX assiste a ruína da civilização!

Agora a pobre humanidade, cansada de tantas guerras e tanto sangue comete seu último e pior desatino. Pois fugindo a estes quatro monstros: Capitalismo, Comunismo, Nazismo e Fascismo (os quais nem por isso deixam de ter defensores e de contar com o apoio de imensas massas!) precipita-se nos tentáculos do Islã! Enquanto nossa América Latina precipita-se nos braços dessas seitas Bíblicas que tantos e tantos males trouxeram ao velho mundo!

Vou passar em revista os principais sistemas que desde 1500 tem pretendido substituir a igreja romana ou o Catolicismo na Europa e no mundo: Protestantismo! Capitalismo! Positivismo! Comunismo! Anarquismo! Fascismo! Nazismo e Islamismo!

Mesmo não fazendo parte da igreja romana (oponho-me a diversos de seus dogmas como infalibilidade papal, infernismo, agostinianismo mitigado, etc!) sou constrangido a perguntar: Qual destes sistemas fez melhor do que ela? Qual derramou menos sangue? Qual não superou-a em malignidade? Qual não reproduziu seus erros? Atire quem puder a primeira pedra!

O protestantismo da guerra dos nobres, da guerra dos camponeses e do saque de Roma? O protestantismo da Inquisição genebrina? O protestantismo que com seu fundador Lutero condenou Copérnico e que com Calvino condenou Harvey? O protestantismo da KKK, dos Withe Mans e do Apartheid? O protestantismo que apoiou ativamente o maior genocídio de toda História, a saber, o genocídio dos peles vermelhas??? O protestantismo que executou mais bruxas e sumariamente? O protestantismo de Jerry Folwes??? Com que direito este sistema essencialmente burguês, cruel e desumano ousa apontar para a Igreja de Roma, a menos que pertença a escola dos fariseus e escribas mestres em hipocrisia?

Mas foi este protestantismo que ajudou a instaurar a nova ordem capitalista...

Agora será o capitalismo que ousará apontar seus dedos sujos de sangue para a antiga igreja e dar-lhe lições e ética???

Este Capitalismo que durante sua Era dourada foi o responsável pelas mortes de sabe-se lá quantos milhões de almas? Por negar-lhes os subsídios necessários para a manutenção da saúde e sustentação da vida... Este capitalismo das crianças de seis anos que trabalhavam por quinze ou mais horas a fio no interior de minas insalubres 364 dias ao ano? Este capitalismo as mulheres grávidas que trabalhavam nas mesmas condições aviltantes? Este capitalismo dos idosos que trabalhavam até morrer? Este capitalismo de homens famintos... de desempregados... de bêbados... Sistema em eterna crise para os mais humildes! Este capitalismo a respeito do qual foi escrito um calhamaço muito negro mas muito negro mesmo???

Este Capitalismo que semeador de duas grandes guerras mundiais??? Este capitalismo algoz das democracias populares e instigador de golpes e ditaduras? Este Capitalismo responsável pela extinção de centenas de formas de vidas? Este Capitalismo que emporcalha e suja a natureza? Este Capitalismo que sabota o clima do nosso Planeta??? É o sistema apto para denunciar as crueldades do catolicismo medieval??? Sei...

Talvez seja o positivismo com suas hostes de cientistas venais, inventores de armas de destruição maciça e de bombas capazes de aniquilar cidades inteiras com todos os seus habitantes. Alias o que se poderia esperar de um sistema anti metafísico que sempre recusou-se a reconhecer o primado da Ética??? Agora que estes lacaios de governos e empresas apontem para a igreja antiga e teçam suas críticas enquanto nos pomos a rir de sua incoerência!

Chegamos ao Comunismo tão patético com sua igreja ateia: seu Vaticano já desativado ou transferido de lugar, sua rota romana, seu papa, seus cardeis, seu index, seus guardas não suíços e é claro, sua inquisição responsável sabe lá Deus por quantas dúzias de milhões de mortos seja na antiga URSS, na Ucrânia, no antigo Kmer vermelho, etc Como os papistas fanáticos os comunistas até mentem e declaram que todas essas mortes foram inventadas pelo adversário Capitalista! Até aqui acompanham os papistas mais fanáticos ou os protestantes sustentando a ridícula doutrina da conspiração!

E este comunismo também se deleita em clamar sobre a inquisição antigas das Espanhas do século XVII... Apesar do Stalin e do Paul Pot...

O anarquismo dentre todos é o que parece ter a ficha mais limpa. No entanto parte deles como G Sorel, Ravachol, M Morral, Severino Di Giovani,  e especialmente Émile Henri. Cito estes nomes pelo fato de terem lançado bombas a esmo entre civis inocentes. Caso tivessem atacado os déspotas e tiranos com armas brancas ou de fogo seria capaz de compreender-lhes a atitude... Todavia não vejo como alguém possa ceifar a vida de civis inocentes e alienados e depois criticar as crueldades da 'santa inquisição'...

Sem dúvida alguma, dentre todos estes sistemas desumanos e cruéis o anarquismo é o que tem a ficha menos suja.

É - enquanto sujeito a contaminação do individualismo e por sua mística - problema que diz mais respeito ao plano das ideais e da intelectualidade, e certamente (o A russo) um repositório de valores. Os quais achamos ser perfeitamente possível conciliar com o espirito Católico.

Sobre fascismo e nazismo preciso dizer algo???

Direi apenas que um e outro enquanto limitações política ou étnica opõem-se cabalmente ao ideal pluralista e unificador (em termos de doutrina e ética) do Catolicismo.

Enfim que reproche poderá fazer a igreja antiga um sistema que encaminhou quase duas duzias de milhão de judeus, ciganos, homossexuais, comunistas, deficientes, opositores de consciência, etc a seus campos de concentração e fornos crematórios??? Ousará a escola ideológica a que pertenceram uma Irma Grese, uma Maria Mandel, uma Elizabeth Volkenrath, uma Herta Bothe, uma Johanna Bormann, um Josef Mengele lançar reproches a escolinha do Torquemada???

A respeito do Islã e sua malignidade essencial ja escrevi diversos artigos, mas pretendo escrever ainda mais um. Supera de longe todos os precedentes pois justifica suas atrocidades apelando a vontade positiva de deus. Que este sistema inquisitorial, cruel, desumano, foco de todos os preconceitos mais toscos e absurdos, lance pretenda lançar reproches a igreja antiga enquanto castra menininhas e estupra mulheres da etnia Yazid dispensa maiores comentários.

Eu que não pertenço a igreja romana, que reconheço inclusive sua degradação após o Concílio do Vaticano II, que nem sequer sei se creio de fato no espirito do Catolicismo (catolicismos se levamos em conta as três formas Ortodoxa, romana e anglicana) ou em qualquer coisa em termos de religiosidade convencional, não posso deixar de encarar esta forma arruinada que é a igreja romana com certa simpatia e dela aproximar-me como Whyndan Lewis por considera-la bem menos nefasta ou perniciosa do que qualquer outro sistema ou ideologia pretensamente universal surgida depois.

Que a civilização ocidental ou européia careça de um elemento unificador em termos de ideologia parece-me evidente. Após criteriosa análise histórica percebo que tantas quantas instituições ou ideologias que pretenderam substituir esta igreja no cenário do mundo Ocidental falharam miseravelmente além de terem perpetrado mais males do que ela ou, ao menos males semelhantes, sem no entanto terem trazido ou mantido os mesmo benefícios em termos, por exemplo, de assistência social ou promoção humana.

A partir da analise que fiz não posso mais encarar os sucessivos apelos dos pentecostais, muçulmanos, comunistas, liberais, cientificistas, feministas, etc a respeito da Inquisição do século XVII e do Torquemada , senão como frases de eleito, destinadas a impressionar e enganar os incautos, A História moderna e contemporânea demonstram cabalmente que após esta inquisição, surgiram outras tantas inquisições muito piores, algumas das quais ainda estão em ação!

Após terem deixado de matar em nome do papa multidões continuaram a matar em nome da fé, e, posteriormente: do mercado financeiro, da extinção do mercado e da ordem capitalista, da liberdade, da pátria, da raça, etc A inquisição romana foi desmobilizada. Os homens no entanto continuaram a matar em nome de outras coisas, de outras realidades, de outros valores fossem políticos, sociais ou econômicos e semelhante estado de coisas prolonga-se até. Conheceram a Europa e o mundo duas guerras catastróficas, e não podem credita-las na conta da igreja antiga!

Concluo que após a reforma protestante o espírito do Catolicismo, enquanto fundamento da Sociedade européia, jamais foi completamente substituido por qualquer coisa, mas por um vácuo. Em torno deste vácuo instalaram-se uma dúzia de ideologias periféricas e rivais, com seus preconceitos, index, inquisições, aparelhos repressores... continuando a embeber a terra infeliz com batelões de sangue humano. Diante disto me pergunto?

Onde haveremos de buscar o elemento unificador que resultou deste vácuo?

Por vezes penso na razão, no raciocínio, no racionalismo e na ética da objetividade edificada sobre ele. Por vezes desespero. Por vezes penso numa restauração não do papado em que não creio ou da igreja romana, a qual não pertenço, mas do espírito do Catolicismo ou Cristianismo antigo. As vezes oscilo de um lado a outro, as vezes desespero.

Quando analiso o tempo presente não posso deixar de pensar na queda do Império romano e em suas consequências. Que outro mais hábil possa dar continuidade a tais reflexões. O agostinianismo conduziu-nos até aqui... que o semi pelagianismo possa resgatar nosso Cristianismo perdido e este retomar sua trajetória.







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