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sábado, 25 de novembro de 2023

Reflexões sobre a perspectiva alegórica da inspiração linear. (Carta)

 Ao nobre e excelente W. R.

Graça, paz e bem no amoroso Redentor nosso Jesus Cristo.

Li com a devida atenção e o devido carinho as reflexões que tu publicaste na Comunidade X. Porém como minha resposta respeitosa foi truculentamente apaga por a reproduzi-la-ei aqui.
A meu ver o ponto de vista é equivocado.

Embora a tua perspectiva pessoal - Sobre o alegorismo. - esteja dentro da perspectiva Ortodoxa ou patrística, como uma theologumena ou opinião, é bem verdade que desde o século XIX tem sido ela, utilizada pelos companheiros e sucessores de Droysen, como uma explicação puramente naturalista sobre as origens do nosso Cristianismo, beneficiando portanto um erro fatal.
De fato muitos Historiadores helenistas alemães afirmaram que nosso Cristianismo, ao invés de ser revelado, nada tem de sobrenatural, correspondendo a uma evolução ou progresso apresentado pelo Cristianismo alexandrino. E o quanto teríamos aqui seria um judaismo helenizado ou helenizante, forjado por Aristobulos, Filon e outros.
Noutras palavras, nosso Cristianismo não passaria de uma releitura, de uma reformulação, de uma reconstrução, de uma reelaboração do judaísmo ora alegorizado. Seria um judaísmo mais refinado ou aprofundado. Mas sempre um judaísmo ou uma facção ou corrente judaica. E não há como fugir a semelhante conclusão.
E de fato caso concedamos que todos os mistérios do nosso Cristianismo se encontram simbolicamente presentes na mikra, temos de nos perguntar se não é o Cristianismo a kabalah original e se, por acaso, contém o Cristianismo histórico algo de próprio ou de original...
E temos de nos perguntar igualmente sobre que fica sendo de Jesus Cristo, e de sua condição, de seu sentido e de seu papel.. Qual a missão atribuída a nosso Jesus...
Quanto a isto devo dizer-lhe que meu pensamento Teológico é visceralmente niceno ou atanasiano, noutras palavras: Rigorosamente encarnacionista. Um sistema articulado e orgânico em que cada artigo de fé parte desse mistério central e que pretende ser uma espécie de mergulho numa Cristologia profunda.
Alias julgo cumprir um desígnio: Recuperar ou resgatar a consciência cristã não apenas face aos recuos do papismo e do Anglicanismo, a vulnerabilidade da Ortodoxia oriental e a alienação protestante, mas sobretudo face ao islamismo.
Diante disto, a mim me parece, sumamente duvidosa, a existência de uma Revelação parcial ou de elementos da Revelação Cristã anteriores à Encarnação do Verbo e que dela não procedam. Já a simples sugestão de uma Revelação integral do nosso Cristianismo, literal ou simbólica, anterior a esse mistério me parece impensável e não posso crer nela.
Nom possumus.

Nom credidimus.

Pois que ficaria sendo nosso Jesus, o Verbo encarnado?
Como poderíamos supor nosso Jesus mero porta voz de Abraão, Moisés, Caleb, Finéias, Salomão, etc... Me parece repugnante apresentar o Instrutor de todos como mero intérprete de quem quer quer seja ou como comentarista de quaisquer textos...

Não, não posso conceber o Mestre como alguém que se limita a fixar sentidos sem dizer nada de propriamente seu.

Não, não consigo nem posso ver Jesus assim, como o tipo de um exegeta que parte de textos ou livros. Tampouco posso encarar nosso abençoado Redentor como repetidor ou transmissor.
De minha parte acredito que o Cristianismo, ao contrário do judaísmo e do islamismo, parte de uma pessoa viva ou de um homem Deus. Julgo honestamente que a instituição Cristã corresponda a auto comunicação de Deus. Creio e confesso que este caminho equivale a uma intervenção direta de Deus na História dos homens. Que corresponda a manifestação do Deus vivo e portanto que corresponda não a algo antigo, velho ou trivial e sim a algo novo, único, singular ou distinto de tudo quanto existira antes. DO CONTRÁRIO NÃO SERIA VINHO NOVO OU CABERIA NOS ODRES VELHOS, porém ele nos advertiu que esse vinho não cabia naqueles odres. Não desejo salvar os odres, a Torá, a Tanak, a Mikra, etc por amor a uma opinião exótica - Da inspiração linear... E se para salvar o livro de papel devo abater ou rebaixar o homem Deus > Pereça o livro! Basta a bibliolatria! Chega de fetichismo!
Creio portanto que Nosso Senhor Jesus Cristo não se tenha manifestado para repetir lições velhas a e sabidas, mas que se tenha manifestado como Mestre e Instrutor supremo, o qual fala com autoridade própria, tudo quanto teria ouvido 'In sinu patris' i é o que trouxe dos céus.
Alias me parece bastante estranho que aqueles rudes personagens tenham enunciado os elevados mistérios do nosso Cristianismo numa linguagem alegórica tanto mais sofisticada. Parece que nesse caso seriam mestres melhores do que aquele que repetiu, em tempo futuro, as mesmas doutrinas, com expressões literais e palavras chãs. Seria o judaísmo um Cristianismo mais refinado... Não posso admiti-lo.
Creio que o Cristianismo proceda do Cristo e que nosso Cristo imutável jamais tenha orientado a moralidade baixa e vulgar da mikra. Entre a moralidade ou ética evangélica e a moralidade da Tanak vai abismo colossal e imenso.
Nem posso crer que deixaria o Verbo Jesus de corrigir, advertir e instruir os que supostamente acompanhava, e isto sob pena de omissão.
Quanto ao sentido das Sagradas Escrituras: 'Não me manifestei para cumprir a Lei.' já foi dado e fixado pelos legítimos intérpretes, os padres da igreja, e diz respeito a Lei divina e celestial do Decálogo ou dos dez mandamentos, que gravados nas tábuas de pedras foram colocados dentro da arca do pacto. Não a taurat. Não ao Pentateuco. Não a mikra. Não a Tanak como um todo. Não a totalidade do antigo testamento, como julgam as massas de protestantes iletrados, fundamentalistas e fanáticos mas apenas e tão somente ao Decálogo divino.
Por isso todas as outras partes da mikra ou tanak não é que tenham sido propriamente abolidas. Foram declaradas inválidas ou puramente humanas pelo Verbo encarnado Jesus Cristo fonte da vida.
Tanto que na parte mais nobre ou no coração mesmo do Evangelho disse nosso Jesus: 'Ouviste o que dito (Porque os judeus atribuíam a Torá uma origem oral vinculada ais anjos.) aos ancestrais... EU PORÉM VOS DIGO.'
E simplesmente negava o que era puramente natural ou resíduo da cultura.
Jamais apresentou como tal o que nunca fora sagrado ou divino.
Só os protestantes cegos são capazes de supor que Jesus Cristo revogara ou alterara instituições divinas pelo simples fato de ser Deus, posto que Deus é imutável e sem sombra de variação - Pelo simples fato de ter sua vontade perpetuamente fixada no bem ou naquilo que é perfeito. Quer dizer isto que caso uma lei seja de fato divina jamais poderá ser alterada, consertada, reformada, etc Se é Lei divina é Lei perpétua e inalteravelmente fixa pelos séculos dos séculos - TAL A LEI DO EVANGELHO!
Dedico a ti estas minhas reflexões, as quais espero que te sejam úteis. Abraço fraternal.

sábado, 23 de setembro de 2017

Cara a cara com os judaizantes - Que há de Cristão no antigo testamento?


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Dia após dia somos forçados a voltar ao tema do antigo testamento, da judaização, do fundamentalismo, do sectarismo bíblico, do calvinismo, da inspiração plenária, do 'corão cristão'... Tendo em vista a realidade social brasileira e a 'compreensão' de uma religiosidade que a um tempo apoiou ativamente um golpe de estado contra nossas instituições democráticas e que a outro busca tomar posse de nossas escolas públicas convertendo-as em máquinas de proselitismo...

Não se trata aqui de satanizar o antigo testamento.

Declarar que é o A T em sua maior parte ou quase totalidade um registro puramente humano é apenas dizer a verdade e dizer a verdade sempre será um bem.

Alias, ao contrário de alguns, nem avançaremos alegando que o A T seja mal em si mesmo. Enquanto fonte de conhecimentos históricos ou referência a uma cultura é ele bom.

Sim, caro leitor, ao contrário do que alguém poderia julgar, o antigo testamento, enquanto registro do passado humano é algo bom.

Então o que???

Não é ao antigo testamento que damos combate.

O que combatemos e denunciamos é a crença fundamentalista, protestante, pentecostal, calvinista, etc segundo a qual o A T, em sua totalidade ou em cada uma de suas partes corresponda a um registro de origem sobrenatural ou divina.

É contra a mentalidade biblicista ou judaizante que pugnamos, contra a crença supersticiosa e vã da inspiração plenária ou linear, contra s simples sugestão de que existe um 'corão' cristão de Gênesis a Apocalipse, visão predominante ou majoritária entre os protestantes brasileiros.

Para um pentecostal mediano, podemos dizer que via de regra o Novo Testamento ou o Evangelho nada é e que não há qualquer diferença significativa entre o Sermão do monte ou as Bem aventuranças e o primeiro capítulo do Gênesis ou o texto do dilúvio. É tudo uma coisa só, como que descida 'in totum' ou prontinha do alto do céu.

Claro que a consciência TRADICIONAL do Cristianismo, presa as palavras de Cristo ou ao Evangelho se rebela contra esta perspectiva grosseira e rebelar-se-a cada vez mais.

Não pode o Cristão episcopal niceno ou atanasiano admitir que as Palavras do Deus e Verbo encarnado Jesus Cristo seja em tudo igual a de quaisquer emissários, cuja condição era puramente humana. Esta doutrina da inspiração linear ou da bíblia una é boa para unitários ou arianos, para os quais Jesus é de fato um dentre muitos, mas não para atanasianos ou para os que encaram Jesus como um homem 'diferente', em que há algo a mais...

Como poderia ele ser algo a mais sem que sua palavra tivesse algo a mais?

Noutra situação social o confronto seria fastidioso e desnecessário.

Todavia num momento em que os sectários valem-se justamente do A T testamento com o objetivo de atacar ferozmente os dissidentes religiosos - Sejam papistas, espíritas ou esotéricos - além de levantar a bandeira de diversos preconceitos em pleno cenário político, a estratégia nos obriga a demolir as partes não santas ou divinas do A T e a demoli-las implacavelmente, isto pelo simples fato da 'Bíblia una' ser o coração do protestantismo e o antigo testamento a parte predileta dos sectários.

Disto decorre que o respeito supersticioso votado pela Igreja romana ao conceito acatólico de 'Bíblia una' e o endosso feito por ela em torno de tais tonterias ao invés de desarmar a crítica protestante, a tem de fato alimentado século após século. É como se a igreja de Cristo, estupidificada, colocasse ela mesmo armas a munições nas mãos de seu pior inimigo na mesma medida em que insiste a respeito da divindade do A T. Desacreditou-se apenas a Igreja e a maior prova disto é que quase toda gente simples foi conquistada pelo protestantismo e isto pelo simples fato de que ele certamente leva o antigo testamento bem mais a sério... Que o digna o iconoclasticismo...

No entanto se queremos conter este aluvião fundamentalista e teocrático temos de ir as pernas de barro do colosso e dilacera-las, temos de levar a cabo a crítica do A T, iniciada pelos próprios protestantes - liberais - e leva-la a cabo ou divulga-la. É chegado o momento em que as contemplações devem ser postas de lado e a doutrina da inspiração plenária descrita e classificada como deve ser i é como uma simples opinião teológica em nada favorável a nossa Santa fé Ortodoxa. É dogma sim, mas apenas para os protestantes na medida em que foi canonizada e santificada por seus líderes os reformadores. Nossa tradição, a tradição Católica, sendo muito mais rica e abrangente, brinda-nos com outras possibilidades bem mais condizentes com nossa fé (E nossos ícones rsrsrsrsrsrs).

Dissemos acima que o protestantismo tem levado o A T tanto mais a sério do que a igreja romana. (E a Igreja romana o tem levado tanto mais a sério do que a Igreja Ortodoxa - por isso também somos Ortodoxos). Afinal é o valhacouto das seitas judaizantes...

Onde senão no seio do protestantismo damos com as aberrações do unitarismo, sabatismo e do mortalismo???

Tal no entanto não basta, e nem de longe, para limpar a barra dos judaizantes e livra-los da justa pecha de leviandade e hipocrisia...

Pois dizer que levam o A T mais a sério do que as igrejas Católicas não equivale a dizer que o cumprem, vivem e observam em sua totalidade, como fosse uma LEI divina.

Afinal uma lei divina deve ser observada e vivida em sua totalidade.

Por isso um dos apóstolos assim se expressou: "Quem viola um dispositivo da LEI viola a lei em sua totalidade.". O que vale tanto para a lei dos antigos judeus - Caso seja tomada por lei divina - como para a LEI divina do nosso Evangelho.

Nada mais exótico do que testemunhar os comedores de carne de porco e toda este gente, escanhoada, tatuada ou com parte de seus corpos exposta, discutindo seriamente a divindade da Torá. E enquanto isso lá vai um pedaço de chouriço ou uma porção de Strogonoff guela abaixo do nosso judaizante! E come galinha a cabidela o nosso homem!
Mas cadê a refeição Kosher meu amigo???

Cadê os taliths, tefilins, franjas, túnicas, filactérios, burkas, etc???

É o protestantismo por natureza inconsequente e nem podem seus filhos discutir a validade da lei de Moisés sem que a discussão receba conotações neoplatônicas, descarnadas ou teoréticas na direção do solifideismo. Talvez devido ao inconsciente, os protestantes só se preocupem com o quanto seja teórico, descartando tudo quanto seja prático neste terreno. O que a nós Católicos sabe a conveniência ou oportunismo.

De fato mal um dissidente qualquer ousa observar que eles protestantes comem carne de porco ou ostentam seus corpos seminus na praia, já rebatem dizendo que parte da LEI de Moisés teria sido abolida.

Agora se algumas partes foram abolidas e outras não em que baseiam-se para distinguir umas das outras ou para declarar quais são e quais não são válidas??? Qual o critério ou padrão a que recorrem???

A malignidade ficará assente caso declarem que tal decisão - de distinguir as partes válidas das não válidas do A T - cabe a cada individuo, crente ou leitor da Bíblia. Dado que uma tal questão pertença a esfera da subjetividade como evitar que surjam tantas seitas quanto cabeças??? Se disser que cabe ao espírito santo não saímos do lugar e se disser que cabe a liderança da seita a que pertence só nos restará rir... O A T continuará sendo partido como um boi no açougue e cada fanático levará a peça que preferir...

Certamente a divisão foi realizada, tinha de ser realizada, mas por quem cabia, i é, pelo divino Mestre Jesus e não por qualquer outro...

Eis porque qualquer Cristão bem pode abrir as páginas do Santo Evangelho e por elas verificar que parte do A T foi reconhecida como divina por Jesus e quais foram desconsideradas.

Claro que esta decisão sobre as partes do antigo testamento só pode ser decidida por Jesus i é a luz do Santo e divino Evangelho. Portanto, ao contrário do que dizem os pastores, nós Ortodoxos temos um critério e um critério externo, objetivo e divino.

Tais as palavras: "Não cuidem que vim eu abolir a LEI. Nenhum traço ou pingo da LEI será revogado, eu vim para observar a LEI e cumprir a profecia."
Há gente tarda e imbecil que faça desta passagem cavalo de batalha... embora seja ela duma simplicidade extrema.

O amigo quer dizer que a passagem acima é de fácil compreensão?

Nem mais nem menos.

Mas como?

Observe - A expressão LEI neste contexto só pode comportar dois sentidos e não mais que dois.

Lei aqui é a TORÁ ou o pentateuco i é tudo quanto a tradição judaica atribui a Moisés ou alguma parte específica dela, no dado o Decálogo.

Ou a lei irrevogável e divina é a Torá como um todo - em cada uma de suas partes e com todos os seus incisos, normas e regulamentos - ou limitasse ao código escrito sobre as tábuas de pedra, nem mais nem menos.

Se é a Torá, já o dissemos acima, devemos viver como os judeus do século VII a C.

Se parte alguma da Torá por mínima que seja, deve ser posta em vigor, estamos obrigados a adotar a dieta judaica - distinguindo entre animais puros e impuros - os trajes judaicos, as festas judaicas, etc absolutamente tudo, sem exceção.

Conclusão: Todos os judaizantes estão condenados por pecarem contra diversos incisos da lei.

Por escanhoar a barba, por tatuar, por usar lã e linho, por comer strogonoff - Não poderás cozinhas o bezerro no leite de sua mãe - por não apedrejar os idólatras, por não enforcas os blasfemadores, por não queimar bruxas, por ir a praia, etc, etc, etc, etc

Afinal nem os amishes e menonitas, lograram o milagre de viver a integralidade da Torá e estamos aguardando o aparecimento do primeiro judaizantes coerente no seio da cristandade protestante...

Ah mas Jesus revogou este ou aquele ponto da Torá! Pois permitiu que os apóstolos comecem sem lavar as mãos... Tocou os leprosos... Ficou a sós com a mulher samaritana... Falou contra a dieta, etc

Veja sr judaizante se Jesus declarou que parte alguma da Torá podia ser ABOLIDA e em seguida aboliu algumas partes você esta insinuando que Jesus entrou em contradição consigo mesmo, que mudou de opinião ou que mentiu...

Portanto se Jesus declarou que a LEI não podia ser revogada - por ser divina e portanto eterna e imutável - e em seguida, no curso de sua pregação, desconsiderou diversas partes da Torá é justamente porque para ele essa lei eterna, irrevogável e divina não era a Torá ou a totalidade da Torá.
Mas aquela parte especifica da Torá que sempre foi observada pelos Cristãos desde a Era apostólica e durante todo curso da História, o Decálogo.

A LEI a que se refere Jesus como irrevogável e divina e cujo teor jamais criticou só pode ser o Decálogo e não qualquer outra parte.

O Decálogo é de origem divina enquanto expressão de uma LEI natural, as outras partes da Torá são se origem puramente humana, de modo que sequer foram abolidas ou revogadas - jamais tiveram validade universal - mas pura e simplesmente desconsideradas por Jesus. Devendo ser igualmente desconsideradas pelos Cristãos, pelo simples fato de não serem judeus.

Nada mais fácil do que citar levianamente o Deuteronômio contra os espíritas, esotéricos e católicos; como se fosse parte do Evangelho ou tivesse sido escrito por Jesus. Acham que o Deuteronômio foi escrito por Jesus???? ENTÃO POR QUE NÃO VIVEM O DEUTERONÔMIO EM SUA INTEGRALIDADE??? Se foi escrito por Jesus por que vocês pecam selecionando algumas passagens com que agredir os dissidentes e desprezando todas as outras??? Se o Deuteronômio é tão sagrado quanto nosso Evangelho por que vocês não o colocam em prática ao invés de profana-lo selecionando o que convém e o que não convém??? Quem são vocês para partir e selecionar a palavra de Deus ou uma instituição divina??? Claro que partindo a Torá em pedaços como um boi no açougue e escolhendo com base no 'mal me quer, bem me quer' vocês demonstram que não a levam muito a sério...

Em abono ao quanto alegamos, basta dizer que em pleno ano 170 desta Era, o autor Cristão Hegesipo na Ypoummenata declarou ter verificado - após ter visitado diversas igrejas apostólicas como Corinto e Roma - que todas essas congregações tinham por norma 'A lei e os profetas' expressão tomada ao Evangelho e que certamente não podia referir-se a integralidade da Torá, uma vez que desde o ano 70 i é uma século antes, os Cristãos e judeus seguiam regras de vida diferentes, aqueles observando a LEI moral do Decálogo e o Sermão do monte e estes apenas a totalidade da Torá. Portanto o emprego da palavra LEI por Hegesipo reflete como os cristãos do ano 170 compreendiam esta passagem do Evangelho, tomando-a não pela Torá - que não observavam vivendo como judeus - mas pelo Decálogo.

A exceção dos ebionitas, que eram judeus fanáticos, os Cristãos, advertidos pelo Salvador, jamais tentaram viver a Torá e menos ainda impo-la aos conversos do paganismo.

Somente após a canonização da bíblia una por João Calvino as massas incultas da Europa moderna conceberam a opinião monstruosa segundo a qual a Torá em sua totalidade jamais fora questionada, revogada, abolida ou desconsiderada por Jesus, aventando a possibilidade de restaura-la no contexto 'cristão' ou melhor dizendo reformado. Tal a origem do sectarismo judaizante com seus ideais precipuamente teocráticos e obscurantistas.

Cumpre advertir que de nossa parte nada temos contra a religião judaica professada e praticada por judeus i é por descendentes do suposto patriarca Abraão. Nossa questão não é contra os judeus ou sua fé. Não nos cabe julgar a fé alheia mas vivera nossa. Quanto ao povo judeu nos atemos ao que já foi decretado por Alexandre, Augusto e Constantino - São cidadãos como outros quaisquer no pelo gozo de suas liberdades, sendo-lhes defeso viver segundo suas tradições e costumes ancestrais, o que neles é digno de aplauso e louvor.

Agora que Cristãos aspirem viver sobre o costume judaico, afirma-lo como cristão e aspirar impo-lo aos outros tecendo acusações sórdidas, isto não toleramos nem toleraremos estando dispostos a vindicar o nosso Cristianismo, apoiado pelas tradições. Quanto as judaizantes, isto é aos cristãos aparentes e sectários, a estes não pouparemos por um instante, denunciando-os como incoerentes, levianos e confusos. Se eles reabriram as suturas alinhavadas por Paulo não seremos nós quem haveremos de fecha-las! Afinal professando a divindade de Cristo e a Trindade Excelsa, serão idólatras e politeistas para os verdadeiros judeus e afirmando a necessidade de vivermos a moda judaica, serão supersticiosos aos olhos dos verdadeiros Cristãos, de modo que religiosamente falando, a semelhança da sogra de Pedro, não serão coisa alguma, ficando suspensos entre a sinagoga dos infiéis (a que não pertencem) e a Igreja de Cristo. (a que tampouco pertencem).

Quanto aos verdadeiros Cristãos, que se deleitam no Evangelho, satisfazem-se no Decálogo e nas profecias referentes a futura manifestação do Verbo Jesus, recebendo-as como as únicas partes divinas ou reveladas do Antigo testamento e tendo todas as outras - com suas imoralidades, crimes, mitos, fábulas, etc - em conta de puramente humanas enquanto produto natural da cultura. Destarte não regularão suas vidas segundo a cultura dos antigos judeus mas segundo as palavras e ensinamentos de Jesus, tal a Lei dos Cristãos.



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A cruz do Cristianismo - Pensando e repensando o Antigo Testamento



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"Então Jesus teria abolido todo antigo testamento?"

Eis uma das perguntas que mais tenho ouvido nestes últimos vinte anos.

Protestantes, em sua maioria, mas também Ortodoxos, romanistas e até mesmo espíritas me tem endereçado esta pergunta, alguns por pura maldade, a maioria porém com a mais plácida boa fé. Afinal foram formados na falsa doutrina do 'Corão cristão' de Gênesis a Apocalipse e qualquer questionamento neste sentido se lhe parece inoportuno, ousado senão herético...

A própria pergunta no entanto peca por sua estrutura formal ou pelos conceitos mal empregados.

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Explico - Refiro-me aos conceitos ABOLIDO - TODO e BÍBLIA, pois é evidente que qualquer questionamento em torno da Unidade do Antigo Testamento atinge em cheio o conceito de Bíblia ou de Bíblia unitária, o qual é absolutamente precário em que pesem os esforços da Bibliolatria. É o deus de Calvino um ídolo com pés de barro.

Mas então o que é isso, então você é Cristão e questiona a Bíblia?

Justamente por ser Cristão...

O que não posso nem poderia questionar sem deixar de se-lo seria a Divindade de Cristo, a Encarnação e as palavras do Verbo Jesus assentes e consignadas no Evangelho. E eu, ao contrário de meus bons amigos espíritas, mórmons, gnósticos, etc não questiono o Evangelho. Fiel ao padrão niceno ou atanasiano, a que abraço reverentemente, encaro o Evangelho como pura e imaculada palavra de Deus... Se temos de fato um 'Corão Cristão' ele certamente vai de Mateus a João... Começando e terminando no Evangelho.

Assim o mesmíssimo fundamento que me obriga a aceitar o Evangelho como pura e imaculada palavra de Deus e do Deus encarnado Jesus Cristo, leva-me a questionar a simples sugestão de que exista qualquer outra escritura ou livro perfeitamente igual a este registro, i é ao Evangelho. E mais adiante retomaremos este raciocínio.

Por ora quero examinar os três termos da questão proposta: Abolido, todo e Bíblia ou antigo testamento.

Por abolido temos o sinônimo de revogado i é de algo cuja validade fora suspensa, mas que até então fora válido. O conceito de abolição implica a ideia de pré legalidade.

Ponto pacífico que Jesus veio ao mundo com um ideário Católico ou universal, em termos abrangentes de espécie humana, não de povo, raça, nação ou cultura. O Evangelho ou a verdade eterna transcende a questão da cultura.

Quando lemos em João que ele veio para aqueles que eram seus e que eles não o receberam devemos compreender que veio na carne dos judeus e que foi repudiado por eles e não que veio para anunciar a verdade apenas a eles... Grosso modo ele já sabia desde toda eternidade que os judeus haveriam de suspende-lo no alto da cruz e consequentemente que teria de anunciar a verdade aos pagãos i é a totalidade do gênero humano, assim se aceitou que as coisas ocorressem em tais termos foi certamente porque o desejou e quis ou porque correspondiam a sua vontade eterna que era a redenção do gênero humano e não a glorificação exclusiva de um povo, no caso os judeus.

Por isso estendeu gradativamente a sua missão aos de Shamaraim e depois aos gregos i é aos pagãos e a todos os homens, arrematando o abençoado Evangelho com a seguinte exortação: Ide em meu nome e ensinai as nações e fazendo discípulos em meu nome...

Já a parábola dos convidados da festa nupcial indicava claramente esta solução universalista, alias a única justa, perfeita e digna da excelsa divindade.

De modo que se amou o mundo a ponto de manifestar-se nele de modo a que todos fossem salvos da ignorância e da maldade pelo pleno conhecimento da verdade, devia instruí-lo antes de tudo em termos de ética promulgando uma lei universal fundamentada na própria consciência, e não uma lei étnica ou cultural.

Pois a cultura foi produzida naturalmente por cada povo no curso da História.

Assim a cultura dos judeus e suas leis, fazendo exceção ao Decálogo. Tal a lei eterna a respeito da qual o Senhor disse não ter vindo revoga-la, mas restabelece-la em sua puridade. De fato nem traço, nem pingo, nem ponto desta lei moral, natural e divina poderiam ser revogados...

Tal a origem do Sermão do monte ou das bem aventuranças, cuja natureza pode ser descrita em termo de ampliação e aprofundamento do Decálogo ou como fixação definitiva da lei moral em sua absoluta puridade e clareza.

É o Evangelho uma lei eterna, universal e irrevogável fundamentada a um tempo na própria natureza e a outro no Deus Legislador. De modo que suas exigências podem ser cumpridas por todos os homens de todos os tempos e lugares.

Temos aqui coisa totalmente diversa da lei dos judeus.

A qual jamais poderia ser imposta a todos os seres humanos sem que houvesse patente violação da dignidade deles. Afinal a que título poderiam ser obrigados a reconhecer uma dada cultura como divina ou superior a todas as outras?

Toda lei dos judeus ressente o ambiente e a época em que foi elaborada. É fenômeno imanente em termos de tempo e espaço, não universal ou transcendente como a lei natural.

Diante disto que Cristão civilizado poderá admitir que o propósito de Jesus foi impor a Torá ou a Tanak a toda igreja e a todos os seres humanos???

Podemos nós em sã consciência apresentar Jesus como apóstolo da judaização???

Com o Evangelho em nossas mãos temos o direito de responde com o solene e sonoro não. Não, não veio Jesus canonizar, santificar ou impor a lei dos hebreus a todos os crentes.

Por isso no já citado Sermão do monte ousa dizer: Isto ou aquilo foi dito aos antigos, eu porém vos digo... Jesus tinha plena consciência a respeito de sua origem, do que era e do que viera fazer aqui; por isso ao invés de repetir mecanicamente as lições da Tanak e da Torá e de concordar servilmente com ela a maneira de qualquer rabino boçal, Jesus 'Falava como quem tinha autoridade...' Mas autoridade para que? Para contestar as leis civis, penais, militares e culturais dos antigos hebreus.

Por isso toca aos leprosos com o objetivo de purifica-los, o que era proibido pela lei.
Por isso fica a conversar sozinho com a mulher do poço, o que era vedado pela lei.
Por isso permite que seus seguidores comam sem lavar as mãos, o que era contra a lei.
Por isso questiona a diferença entre os alimentos puros e impuros, o que era condenado pela lei.
Por isso Jesus confronta e lei que os judeus encaravam como santa, pura e celestial e o faz sem maiores cerimônias.

Diante disto os escribas e fariseus concluíram com maior lucidez que os judaizantes: Ele aspira revogar a Lei de Moisés. Não a lei moral ou o Decálogo, cuja perenidade reconheceu. Mas todos os demais dispositivos, normas, regulamentos, etc os quais certamente nada tinham de divinos, cristãos ou obrigatórios para nós.

Até que em determinado dia Jesus teve de reconhecer este propósito, ainda que de maneira prudente e cautelosa. Seja como for ele disse em alto e bom som que: "O VINHO NOVO não cabe nos ODRES VELHOS."

Digam que o Evangelho não cabe na Torá ou na Tanak e terão dito a mesmíssima coisa que Jesus.

Cristianismo não cabe no Judaísmo.

Cristianismo é princípio, superior, divino e vindo dos céus. Judaísmo elaboração puramente humana.

Agora que prova ou demonstração tiramos disto?

Que os Cristãos jamais levaram a sério o antigo testamento, neste sentido de que fosse um Corão Cristão em tudo igual nosso Novo Testamento ou nosso Santo e abençoado Evangelho.

Podemos tirar a prova?

Eu deixei de ser protestante porque via os protestantes apresentando diariamente o Antigo Testamento como divino e vivendo como 'pagãos ' - ao menos em parte - sem jamais colocarem em prática as tais instituições divinas.

Agora como podemos declarar que algo é divino sem coloca-lo em prática?

Como dizer que algo é divino e que foi abolido?

Afinal não é Deus imutável e sem sombra de variação como declara o apóstolo S Tiago na sua bendita Epístola.

Como declarar que Deus formula e estabelece leis imperfeitas, indignas e brutais?

Como admitir, e a malignidade do pensamento protestante concentra-se toda aqui, que algo possa ser divino e ao mesmo tempo precise ser reformado ou consertado?

Acaso procede o Deus perfeito como os mortais i é por acerto e erro?

Como declarar que algo foi primeiramente disposto por Deus e depois, logo em seguida, revogado pelo próprio Deus?

Jamais vi os Cristãos de qualquer seita conseguirem dar total cumprimento as leis de Moisés.

E no entanto declara o apóstolo - Se violas um inciso (isto vale para qualquer código legal, inclusive para a lei natural é Ética do Evangelho) violas toda lei...

Os próprios judeus já desistiram de cumprir sua Torá a muito tempo e não acalentam mais este ideal.

Apenas os sectários protestantes e judaizantes, por pura e simples leviandade.

Afinal teriam de não só admitir a existência de bruxas como de queimar todas as cartomantes e wicanistas em praça pública sob pena de estarem pecando gravemente, uma vez que a Torá decreta: Não podeis deixar viver uma feiticeira, mas deveis lança-la ao fogo ou seja, reascender todas as piras e fogueiras da Inquisição bíblica apagadas há quase trezentos anos.

E no entanto a simples sugestão de que hajam verdadeiras bruxas que vendem suas almas a diabos em rituais satânicos ou pior que transam com eles enquanto flutuam em torno de fogueiras durante o Sabatt é simplesmente aberrante senão vergonhosa.

Que dizer então das imagens ou representações tão caras a todos os filhos da grande e antiga igreja ou seja a todos os Cristãos episcopais ou Católicos???

Embora seja exato e certo que os primitivos israelitas possuíssem verdadeiras representações e até esculturas em grande número seja de javé, de ashera, dos terafins, dos efodes, de espíritos ou baalins, etc não é menos certo que após o advento de Elias, o vidente e principalmente do rei Joshishe dos deuteronomistas, a simples confecção das representações foi proibida sob pena de heresia. Ficando a lei dos judeus iconoclasticamente fixada nos seguintes termos: Não farás tu imagem de escultura...

Claro que este princípio foi válido até o tempo em que Deus Encarnou-se nascendo de mulher, assumindo corpo mortal, sendo crucificado, morto, sepultado, escolhendo discípulos e fundando uma igreja visível e que por isso mesmo os Cristãos, servidores do Deus encarnado não o observam confeccionando representações do Deus vivo e encarnado Jesus Cristo, de sua santa Mãe, de seus abençoados apóstolos, etc

Os judeus no entanto como repudiam a doutrina da encarnação de Deus...

Seja como for os protestantes, afetando judaísmo, não levando o mistério da Encarnação a sério e repudiando a distinção feita pelos ortodoxos recitam sem cessar a letra deste mandamento com o intuito de atacar a igreja de Cristo e de apresenta-la como idólatra.

A Igreja no entanto, fiel ao padrão da Encarnação, inaugurado por nosso Deus Jesus Cristo, não faz, por assim dizer, qualquer caso da objeção escrita contida na Torá ou pior no Decálogo, julgando-a temporal ou relativa e e vivendo como se não existisse.

E isto tipifica perfeitamente a atitude da verdadeira igreja de Cristo face a todas as outras partes do antigo testamento dos judeus - A Cristandade passa muito bem como se não existissem, comendo carne de porto, camarão, etc

Temos de reconhecer por fim que o principal motivo da controvérsia sucedida entre a Cristandade antiga e a moderna após o surgimento do protestantismo, deriva justamente do protestantismo ter levado aquele testamento mais sério do que devia, e isto a ponto de - com Calvino - iguala-lo em autoridade a nosso Santo Evangelho, sacramentando a perigosa ideia de Bíblia Una, a partir da qual o Evangelho converte-se em parte indignificante ou minoritária até perder seu sentido precipuamente Cristão i é seu sentido de excelência, superioridade ou soberania; o qual é supinamente ignorado pela maior parte dos sectários protestantes. Haja visto que realizada qualquer demonstração no plano do Evangelho não tardam a perguntar: Mas e Deuteronômio? Mas e Salmos? Mas e Provérbios?... Sugerindo que o conteúdo de tais registros seja capaz de rivalizar ou mesmo de alterar o ensinamento do Evangelho ou que Jesus Cristo deva sempre ensinar de acordo com eles...

A ideia de Bíblia uma ou de Corão Cristão transtornou por completo a consciência Cristã, desde o começo posta sobre as palavras de Cristo i é sobre o Evangelho.

Diante disto alguns, mais realistas, puseram-se a declarar que algumas partes do AT eram válidas e outras não ou que algumas haviam sido revogadas e outras não.

Foi uma solução que por falta de padrão ou critério saiu pior que o soneto.

Afinal quem deveria revogar ou fixar as tais partes do AT???

Caso atribuamos esta autoridade ao individuo estaremos perdidos, pois haverão tantas opiniões quanto cabeças. Assim no protestantismo onde há quinhentos anos cada qual escolhe o que quer do antigo testamento declarando o que lhe agrada válido e o que não lhe agrada abolido... Por as coisas nestes termos seria admitir o reinado da confusão.

Atribuir tal iniciativa a este ou aquele clérigo ou autoridade da igreja não altera significativamente este quadro. Apelar a sínodos ou concílios é igualmente inutil pois jamais examinaram a questão.

A dar esta solução por válida, Jesus é que deveria ter determinado, no Evangelho, quais parte do antigo testamento continuariam valendo e quais partes dele deveriam ser desconsideradas e não abolidas por seu povo.

O que nos cumpre então é perguntar: Fez Jesus Cristo tal distinção entre as partes válidas e irrelevantes do A T?

De nossa parte só podemos responder a esta pergunta com um enfático SIM.

Jesus já resolveu esta questão com sua autoridade divina no exato momento em que afirmou a perenidade exclusiva daquela parte da Torá gravada sobre as tábuas e posta dentro da arca i é do Decálogo. Em termos de Ética ou de Lei apenas e tão somente o Decálogo tem validade para a igreja de Cristo. Devendo ser as demais leis, normas e regulamentos dos antigos judeus encarados como elaboração de origem humana e desconsiderados.

Em termos de ética ou lei todas as demais partes do AT foram abatidas quando o Redentor fez esta distinção, a nosso ver capital.

As leis étnicas dos antigos hebreus sequer foram abolidas porque sequer tiveram uma origem divina.

A única outra possibilidade aqui seria admitir que Jesus referiu-se a toda Torá e então levada a sério e viver a moda judaica, cobrindo-se com túnicas, tendo escravos, queimando bruxas, massacrando infiéis, praticando levirato, etc Coisa que os advogados desta tese não fazem...

Nada mais fácil para os sectários do que afirmar que por Lei irrevogável Jesus teria designado toda Tanak ou no mínimo toda Torá, estamos aqui esperando para ve-los viver segundo as normas e regras da Torá, pois aqui como sempre, os protestantes ficam apenas com o que é mais fácil e conveniente, a doutrina ou a teoria, esquecendo-se da prática tão importante para os antigos judeus.

Ah mas Jesus revogou isto ou aquilo...

É verdade que fez crítica há algumas partes da Torá, mas não a todas as partes. Assim jamais disse que era permitido tatuar-se, raspar a barba, semear dois grãos diferentes no mesmo campo, misturar dois tecido nas roupas, etc Se a crítica feita por ele tinha de ser parte por parte, nos parece bastante limitada, muito restando do AT para nossos sectários protestantes cumprirem, como matar bruxas por exemplo... Mas eles não cumprem nada, embora afetem endeusar o AT. Aqui, no terreno judaizante, seriedade alguma...

Na hora de condenar o espiritismo vamos ao Deuteronômio... Agora na hora de esconder rigorosamente a nudez, quanta leviandade e frustração... Adeus Deuteronômio... O qual como se vê só serve mesmo para condenar os pobres espíritas e esotéricos. No mais é o Dt e toda Torá papel velho... Nem mesmo os menonitas e amishes tem coragem suficiente para queimar as bruxas e apedrejar os Católicos...

Diante de tanta incoerência tem a verdadeira igreja histórica de Jesus Cristo uma resposta simples e singela quanto ao problema do antigo testamento - A única parte do AT canonizada pelo Verbo Jesus Cristo no Evangelho é o Decálogo, além é claro das profecias ou vaticínios destinados a anunciar previamente sua manifestações entre os mortais.

Então sabemos que o antigo testamento não é desconsiderado como um todo ou em sua TOTALIDADE, mas analisado enquanto parcelas ou partes. Destarte podemos responder dizendo que ele não é de modo algum um 'Corão Cristão' ou um outro Evangelho i é, pura palavra de Deus, mas que sem embargo disto contém palavras divinas.

Chegamos assim ao problema do Canon do antigo testamento, por dizer respeito a sua totalidade ou ao que chamamos Bíblia.

E para tanto temos de analisar brevemente a questão do Antigo Testamento face a Igreja ou a fé Ortodoxa, o que será bastante elucidativo.

Quero antes de tudo fazer uma observação curiosa e que tem deixado muito ocidental - romanista e protestante - perplexo. Refiro-me ao fato da Igreja Ortodoxa jamais ter definido ou assumido um Canon do Antigo Testamento. Grosso modo podemos dizer que inexiste um Antigo Testamento Ortodoxo ou que o Canon do AT não faz parte dos dogmas da igreja Católica Ortodoxa.

Mesmo para a Igreja romana - que era, ao menos até o Vaticano II, menos judaizante do que o protestantismo - a questão do Canon do AT é bastante importante, especialmente no bojo da controvérsia com os protestantes, cujo espírito, ela assumiu ingênua e acriticamente. Não apenas no sentido de dissertar sobre os mistérios e dogmas do CRISTIANISMO, partindo dos registro JUDAICOS ANTE CRISTÃOS, como polemizando dramaticamente em torno do antigo testamento uma vez que os protestantes adotam o canon palestiniano e ela um canon alexandrino bastante limitado.

A igreja romana jamais teve audácia suficiente para contestar a ideia de uma Bíblia unitária ou de um Corão Cristão e de dizer aos protestantes que se limitassem a discutir no terreno do NT ou do Evangelho e esta foi sua suprema desventura. Pois deixou uma porta escancarada a heresia e penetrou num terreno judaizante em que não podia sustentar-se doutrinariamente. Venceria todas as vezes - os protestantes sabem muito bem disto - caso tivesse restringido a polêmica doutrinal ao NT ou ao Evangelho, avançando pelo terreno do AT, contaminou-se de judaização e forneceu contingentes de fiéis ao protestantismo mais sectário.

Por isso lemos com toda seriedade nos manuais de controvérsia papista que a primeira da controvérsia girava certamente em torno do Canon, do AT é claro, pelo simples motivo de que para demonstrar-se a doutrina Cristã, era necessário ir as fontes... Mas a que fontes??? Do NT ou do Evangelho??? Aqui a igreja romana foi categoricamente desastrosa, ao responder com os protestantes: A Bíblia e portanto também as partes do antigo testamento. Esta resposta implicava admitir que o antigo testamento era também ele uma fonte autorizada da doutrina Cristã.

Mas como se a instituição Cristã é fruto da Encarnação do Verbo Jesus?

Em certo sentido os protestantes, como parte dos papistas e em especial os agostinianos, jamais conseguiram afastar de suas mentes a ideia de que a Revelação começara com Adão, Noé, Abraão, Moisés, sei mais la eu quem e que Jesus Cristo limitou-se a completa-la, no sentido de ser apenas mais um - homem entre homens. Neste sentido o Cristianismo foi encarado como uma espécie de continuação do judaísmo ou como uma seita judaica, jamais como uma religião ou seita autônoma em estado de oposição/rebelião. Inversamente parte dos romanos e quase todos os protestantes passaram a encarar o judaismo antigo como uma espécie de igreja pré Cristã ou Igreja do antigo testamento, ou Igreja mosaica... Até certo ponto esta visão deturpada serviu para justificar a própria reforma protestante, pois os reformadores acreditaram seriamente que se a 'igreja antiga' ou dos judeus apostatara, também a Igreja Cristã e Católica, fundada pelo Deus encarnado Jesus Cristo poderia apostatar... Pois a ideia de extensão ou de continuidade judaica estava fixada em suas mentes...

Diante disto foram lavados a avançar cada vez mais e a sustentar que também o AT continha não só elementos da Lei, mas mesmo da verdade Cristã...  No que foram auxiliados poderosamente pelo inconsequente sistema exegético alegórico, sistematizado por S Orígenes de Alexandria. Grosso modo nem os judeus europeus ou alexandrinos podiam suportar a literalidade dos mitos do AT. Diante disto os rabinos mais espertos, a partir de Aristóbulo, passaram a recorrer mais e mais ao alegorismo grego com o sentido de tornar seus mitos a fábulas mais aceitáveis a clientela mais refinada. Este sistema foi estabelecido como padrão por Filon durante a própria geração de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A princípio os Cristãos judeus procedentes da Palestina não levantaram muitos problemas em torno de tais questões. No entanto na medida em que os judeus europeus ou alexandrinos e depois os pagãos medianamente instruídos foram aderindo a nova fé, tal questão foi se tornando mais e mais premente, até estourar com Marcion de Sinope no ano 130. Marcion tendo lá seus motivos, adotou uma posição rigorista, condenando o AT em bloco e portanto as profecias alusivas ao advento do Instrutor supremo e o Decálogo, o que suscitou uma reação extremista entre parte dos Cristãos, e a primeira sugestão nos termos de um Corão Cristão que englobasse um determinado Canon do AT. Isto numa época em que os próprios judeus não haviam elaborado seu canon.

Teve a igreja uma chance ou oportunidade para elaborar um Canon fixo e definido do AT e no entanto não o fez e cada padre ou elder exarou uma lista, alguns aderindo ao canon palestiniano ou menor, outros ao alexandrino e outros a soluções intermediárias, havendo mesmo quem oferecesse modelos mais amplos... Em termos positivos apenas o Canon do NT, a exceção do Apocalipse, foi esboçado.

Pouco tempo depois, cerca do ano 210, veio em socorro do AT, o já citado Orígenes, canonizando o sistema exegético de Fílon e aliviando, quanto fosse possível a consciência dos Cristãos, inclusive dos semi judaizantes e judaizantes moderados. Desde então puderam os Cristãos, com a maior boa fé, procurar, subjetiva e artificiosamente, pelas doutrinas Cristãs no antigo testamento, fugindo ao padrão histórico gramatical ou objetivo. E como o homem costuma e encontrar o que quer onde quer, apesar dos comentários rabínicos suficientemente claros, nossos ancestrais lá encontraram não só a Trindade e a Encarnação de Deus (!!!) mas até mesmo a Eucaristia, a Ordem, a Evkelaion, etc... Diante disto como deixar de crer que o AT equivalia a um manual de doutrina Cristã nos mesmos termos expostos nos manuais de controvérsia papista.

Até Calvino - o qual apesar de seus erros monstruosos teve o mérito de denunciar a futilidade do alegorismo - nossos episcopais, rivalizando com os cabalistas, deitaram e rolaram no AT dando com a doutrina ortodoxa em todas as partes. No entanto na medida em que o alegorismo foi sendo desacreditado e a exegese litero gramatical restabelecida, quem colheu os louros foi o protestantismo judaizante, pelo simples fato de não dar com a Trindade, a Encarnação, as imagens, a imortalidade da alma, o Domingo, etc lá na igreja da antiga lei ou no antigo testamento. Tal a origem das principais seitas bíblico judaizantes: Unitária, iconoclasta, anabatista, mortalista, sabatista, etc E para tanto bastou-lhes forçar ou sentido de alguns textos do NT que é um corpo menos extenso. A simples ideia de que os elementos da Ortodoxia ou do Catolicismo não se achavam literalmente no AT sugeriu a toda aquela gente que eram corrupções de origem pagã.

Disto resultou a definição do Canon do AT pela igreja romana em Trento, a qual tornou-se dogmática. Todas as seitas protestantes, desde Karlstadt, já haviam canonizado e santificado o canon judaico palestiniano. Ambas as confissões tiveram de faze-lo pelos motivos acima citados ou por questão de necessidade. Não podiam deixar de levar a sério aquele registro enquanto fonte doutrinária.

Pois se um determinado registro é encarado como fonte de doutrina Cristã, delimita-lo torna-se necessidade premente e não delimita-lo implicaria leviandade.

Tal no entanto reflete a postura da Igreja Católica Ortodoxa a respeito do antigo testamento. Ela jamais delimitou ou definiu seu Canon a exemplo das facções rivais. Isto é absolutamente certo, sendo comum que Ortodoxos e não Ortodoxos se lhe refiram como a um problema.

Assim os sínodos de Jerusalém - cujos canones lemos, traduzidos e publicamos em nossa defesa do Canon alexandrino contra os judaizantes - (presidido por Jeremias II) e de Jassy (Presidido por Dociteus, o grande) subscreveram o Canon papista dos 72 livros. Já a Igreja dos russos em seus Catecismos tem subscrito o pequeno Canon palestianiano... enquanto as igreja periféricas dos países arabes - etíope, copta, siríaca, assíria, etc - tem adotado modelos ainda maiores. Ficando a questão indefinida.

E nem por isso nossos Ortodoxos acham-se em estado de choque no sentido de que não seja possível fixar com exatidão da doutrina Cristã...

E por que?

Porque para a igreja Ortodoxa a fonte da doutrina Cristã encontra-se no Novo Testamento e sobretudo no Santo Evangelho que é a palavra de Cristo. A Igreja ortodoxa jamais perdeu este sentido ou esta consciência, exceto quanto a certas parcelas fixadas nos países árabes, onde a Bíblia local passou a ser encarada como um Corão... Aqui no entanto nada temos além duma infecção muçulmana, bastante compreensível em termos de cultura.

Justificasse nosso ponto de vista.

Caso levemos a sério o adágio 'Lex orandi lex credendi', plenamente.

Pois nossa hierurgia compreende dois aspecto: O aspecto estético da adoração e o aspecto não menos importante do ensino.

Como estou escrevendo a uma pessoa eclesiástica, direi apenas que em nossa Liturgia não empregamos uma Bíblia como os protestante e neo papistas, mas segundo mandamento apostólico um EVANGELIÁRIO i é um volume que contém apenas os Santos e divinos Evangelhos, i é as palavras do Deus encarnando Jesus Cristo. Claro que temos muitos outros livros litúrgicos importantes como menológio, horológio, etc Nenhum deles no entanto sequer aproxima-se do Evangeliário, nem mesmo de longe, pois encerrados os ofícios apenas ele deve permanecer sobre o abençoado altar com a cruz vivicante e o ícone da Mãe de Cristo.

Além disto é o Evangeliário e não a Bíblia - a qual como ente unitário INEXISTE NA VIDA LITÚRGICA ORTODOXA - é que é empregado nas cerimônias de ordenação e nos demais sacramentos como Matrimônio, Evkelaion, Enterro, etc É ele a única leitura que ouvimos de pé, significando prontidão para cumprir, que é solenemente levado em procissão, cantado, rodeado por luzes, incensado, beijado, entronizado, etc Ele, apenas ele, e não a Bíblia, é o centro de nossa vida litúrgica e espiritualidade ortodoxa e não menos que S Francisco de Assis, e com mais propriedade até nós Ortodoxos podemos bradar: Evangelho, Evangelho, Evangelho, tal a lei dos Cristãos e o instrutor suficiente e que nossas almas encontram plena satisfação.

Não menos que D Guetté, Jules Overbeck, Migne e Thurmel posso vangloriar-me de ter lido os antigos padres - tive de tornar-me poliglota para tanto - em quase sua totalidade, especialmente os ante nicenos (anteriores a Constantino César) e os de lingua grega; mas também os principais padres do século IV, em especial os capadócios e mesmo algo mais específico como literatura sacra, assíria e siríaca dos séculos V a XIV, assim o que chamamos patrologia aramaica e árabe - Mar Babawai, Thimoteos, Aretas de Cesaréia, Dionisio Bar Salibai, Mar Odeisho de Nissevan, Mar Suleiman de Bashara, Mikhail, Ishodad Marwan, Gregorios Bar Hebraeus, Elnataieb, o grande Ebed Yeshua, etc
Destarte posso dizer sem temor de errar, que padre - não me refiro aos latinos pós nicenos - algum de Clemente de Roma e Inácio Teoforo a Psellos, Ebed Yeshua, Jeremias II, Dociteus... jamais apresentou ou confundiu a Torá de Moisés com a LEI DE JESUS CRISTO, que são os Evangelhos. Os padres antigos em sua totalidade sempre apresentaram o Evangelho como lei suficiente de Jesus Cristo ou no máximo como algo completado pelo NT ou pela tradição apostólica, jamais pela Torá, ela Tanak ou pelo antigo testamento e leis judaicas, portanto se este erro prevaleceu foi por obra da Reforma protestante (João Calvino - Lutero era doutra opinião, liberal) ou talvez de Agostinho, pai de outros tantos erros anti Católicos.

É verdade que a maior parte dos padres posteriores a Orígenes, antecipando nossos esotéricos e gnósticos, laborou no sentido de encontrar 'doutrinas cristãs' ocultas no AT, servindo-se do péssimo esquema - subjetivo, caprichoso e artificial - da alegoria. Eles sabiam no entanto que deviam partir do Evangelho enquanto fonte de doutrina, para em seguida busca-la lá no AT. Hoje os sectários partem do AT enquanto fonte autonoma e suficiente, com o objetivo de alterar ou mesmo questionar o que lemos com toda simplicidade no Evangelho, julgando que o AT seja tão boa fonte de doutrina Cristã ou Católica quanto as palavras de Cristo. Quem poderá deixar de concluir que se trata de uma perversão? Afinal onde dar com o ensinamento Cristão senão em registros Cristãos? Alegar que tudo já lá estava em linguagem cifrada no AT e que os antigos hebreus - saídos das areias do deserto - podiam compreende-los é da-los por mais sábios e inteligentes que os Cristãos! Afirmar que tudo lá estava claramente exposto e acessível a todos é fazer de Cristo um turista ou repetidor que nos tenha trazido de especial...

Ouso perguntar que lógica há em afirmar e crer que Jesus Cristo seja superior, especial, divino; como ensinaram os padres nicenos e que suas palavras são iguais as de muitos outros homens???

Que sentido há em proclamar a origem divina de Jesus e nivelar seus ensinamentos com os de Moisés, Aarão, Josué, Davi, Salomão e todos esses bárbaros de origem mortal?

Quanta coerência há em adora-lo como Deus eterno e em apresentar revelação como a de um profeta, emissário ou representante?

Acaso a admissão de sua superioridade essencial não nos obrigaria, por coerência, lógica a admitir e postular a superioridade, a soberania e a diferença de suas palavras e ensinamentos, face as palavras de seus supostos representantes, os profetas, os quais eram antes de tudo humanos e portanto seres limitados em posse de órgãos imperfeitos???

Como imaginar a simples possibilidade de que qualquer homem, inda que iluminado ou inspirado, tenha podido expressar-se da mesma maneira, com a mesma exatidão, acuidade, habilidade e perícia do que a fonte eterna e infinita da luz? Como imaginar que qualquer profeta tenha sabido e podido comunicar-se do mesmo modo ou com a mesma perfeição que DEUS feito carne?

Que sentido faz em elevar Jesus a esfera da divindade e permitir que sua palavra e seus ensinamentos permaneçam perdidos em meio aquele cipoal chamado Bíblia??? Se suas palavras nada teem de diferente, de especial ou de superior como admitir que seja melhor do que todos estes homens? Como podem falar igual ou da mesma maneira, os homens finitos e Deus Perfeito???

Não a doutrina da inspiração plenária e linear, corrente entre os protestantes, não esta de acordo com nossa fé nicena na medida em que não honorifica sumamente a pessoa do Verbo Jesus, pondo-se no caminho do unitarismo. A partir da falsa noção de Biblia una ou de corão Cristão Jesus é apenas mais um, um dentre muitos ou vários e não o Único, Emanuel, Deus nosso feito carne.

Nós certamente repudiamos o erro extremo de Marcion e com toda a Santa Igreja Católica e Ortodoxa reconhecemos as profecias entregues aos judeus com relação a futura manifestação do Instrutor divino Jesus Cristo, como verdadeiras palavras de Deus, sagradas e inspiradas e as reverenciamos e bendizemos como deve todo o Cristão, sabendo no entanto que por meio de profecias os demais povos e culturas também foram informados sobre sua manifestação, assim os gregos e romanos por meio das Síbilas citadas pelos abençoados Tertuliano, Orígenes, Lactâncio, etc
Sem que no entanto desconsideremos por completo e de todo o teor de suas críticas até onde são justas e aceitáveis. No sentido de que não podendo fazer concordar diversos elementos da cultura hebraica contidos no Antigo Testamento com os Ensinamentos do Evangelho, a honestidade nos obriga a reconhecer sua origem puramente humana e a negar que constituam palavra de Deus, assim os mitos da criação mágica ou do dilúvio tomados aos antigos sumérios, assirios, babilônicos, etc suas leis bárbaras e carniceiras, seus genocídios e os diversos preconceitos como em especial o machismo.  Impossível fazer concordar o extermínio de idosos, mulheres e crianças ou a escravidão com os ensinamentos de Jesus Cristo. Impossível imputar a mentira ou o adultério a divindade e reportar-se ao Evangelho. Impossível considerar seriamente que o tamanho do pênis dos egícios ou sua ejaculação tenha um sentido espiritual. Impossível admitir que o Deus de Amor tenha permitido que Jéfte sacrificasse sua filha ou aplaudido os guerreiros babilônicos quebrando as cabeças dos recém nascidos nos penhascos... Buscar qualquer acomodação aqui é trair sordidamente a ética do Evangelho, é ser imoral e criar uma teologia desonesta!

É dever dos Cristãos tudo medir, avaliar e julgar segundo o padrão do S Evangelho e jamais transigir. Não posso admitir que Jesus seja o autor de todos os crimes e pecados acima citados e condenados por sua pura palavra. Implica violar o dogma da santidade divina. Deus é por definição imutável e sem sombra de variação. O mesmo hoje, ontem e sempre, logo unicamente o Deus do Evangelho, Pai do Filho Pródigo, o qual perdoa setenta vezes sete...

Portanto nem aceitamos o AT em sua totalidade como pura palavra de Deus tal e qual os fanáticos, fundamentalistas, sectários, obscurantistas e judaizantes; nem, como os marcionistas ousamos repudia-lo em bloco, ignorando ou fazendo pouco caso das profecias. O antigo testamento possui verdadeiras palavras de Deus, assim as profecias e o Decálogo. De par com um aluvião de palavras humanas que constituem seu entorno cultural.

Por fim quanto ao valor das profecias.

As profecias tem por fim encaminhar as pessoas ao Verbo Jesus por meio de um testemunho irrecusável, sobrenatural e divino. Neste sentido para aqueles que ainda não chegaram ao fim do caminho ou atingiram a meta a ser alcançada elas são como uma espécie de roteiro ou de mapa. Podemos ainda comparar os anúncios sobre a manifestação futura do Verbo com as placas dispostas numa estrada. Assim para aqueles que buscam ou procuram oferecem auxílio precioso...

Agora que proveito tem as placas, mapas e roteiros para aqueles que já atingiram a meta do Evangelho e estão postos diante do mestre Jesus? Daquele a respeito de quem disse a voz celestial: Eis meu Filho, escutai-o! Estando diante de Jesus devemos voltar os olhos para trás ou para as profecias???  Postos diante do Verbo Eterno devemos ainda buscar indicações??? Devemos viver de profecias como os que precederam no tempo a manifestação de Emanuel? Na posse da realidade plena que tantos olhos aspiraram ver e tantos ouvidos aspiraram ouvir devemos tornar as sombras e símbolos??? Por que continuar com os olhos presos em velhas profecias se elas dão testemunho e para ele apontam??? Que utilidade teem óculos para quem enxerga perfeitamente ou muletas para quem pode correr???

Coisa excelente são as profecias para os que se aproximam. No entanto infinitamente mais excelente é ter conhecimento do Evangelho que é a pura palavra de Cristo, e deleitar-se nele e abraça-lo como Instrutor suficiente, o qual tudo ouviu 'No seio do Pai' e que tudo no-lo revelou. Portanto é absolutamente natural e desejável que aqueles que encontraram o Verbo Jesus, receberam a iluminação e alistaram-se nas fileiras da igreja concentrem todos os seus esforços em estudar seriamente e em bem compreender o Evangelho auxiliados pela tradição. Afinal que fez o homem que encontrou a pérola de grande valor? Acaso não se desfez de tudo mais para poder adquiri-la? E o que é a pérola de grande valor, segundo nossos abençoados padres teóforos, senão o Evangelho, a palavra de Cristo??? Face a qual até mesmo as profecias perdem a utilidade e o valor.

Assim o valor das profecias é restrito e limitado. Mas o valor do Evangelho, que é a pura e imaculada palavra de Nosso Deus verdadeiro Jesus Cristo, intrínseco e imperecível pelos séculos.

Tendo chegado ao fim desta resposta, rogamos a vossa graça que seja indulgente perdoando nossa loquacidade e sabendo que em tais questões deve o homem ser exato, claro, franco, objetivo, etc de modo a exprimir bem as razões de sua esperança e não ser mal interpretado pelos lobos que se cobrem com pele de ovelhas. Desde já nos colocamos a disposição de vossa abençoada graça para maiores esclarecimentos.

E se algo aqui não esteja de pleno acordo com a Idjima ou consenso dos antigos padres, nossos senhores e mestres, e assim demonstrado for, abandonamos nosso ponto de vista. Que a excelsa e eterna Trindade nos guarde em sua paz!