Mostrando postagens com marcador burguesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador burguesia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Garrett surrando o Sardinha ou deslindando a toxidade, não da democracia ou da liberdade, mas do Economicismo ou do ethos burguês.






Em apoio do quanto registramos no artigo precedente reproduzimos abaixo as profundas considerações do ilustre literato português sobre o velho estado religioso ou confessional, sem duvida deteriorado pelo estatismo e absolutismo, em comparação com o um Estado Político de trânsito ou passagem para a treva economicista e portanto contendo os germes que o haviam de fazer enfermar, agonizar e morrer no tempo presente. 

Atentem que a visão acurada de Garret, falecido em 1854, era bem mais acurada que a do Sardinha (Nascido em 1887 - Portanto mais de trinta anos depois.) o qual, preso de estranha paranoia, pouco ou nada presumia do capitalismo ou do mercado e do protestantismo - Exatamente como os neo romanos ou tortodoxos de fancaria, títeres da cultura de morte protestantes ou da sifilização norte americana.

Substituam a expressão 'barões' por 'burgueses' por 'capitalistas' e a atualidade do texto saltara as vistas:

"Frades... Frades... Não, não gosto deles. Como os temos visto neste século, como os conhecemos hoje, não gosto deles e não os quero para nada, moral ou socialmente falando.

No ponto de vista estético porém, o frade faz muita falta...

Nos campos o efeito era ainda maior: Eles caracterizavam aquela paisagem, poetizavam a situação mais prosaica do monte ou vale; e sem tais necessárias e obrigadas figuras aquele painel não é já o mesmo.

Além disso, o convento no povoado e o mosteiro no ermo, amenizavam e davam grandeza a tudo: ELES PROTEGIAM AS ÁRVORES, SANTIFICAVAM AS FONTES e enchiam a terra de poesia e solenidade.

O que não sabem, podem ou querem fazer OS BARÕES AGIOTAS que os substituíram.

É muito mais poético o frade que o barão.

O frade era, até certo ponto, o Dom Quixote da Sociedade antiga.

O barão é, sob quase todos os aspectos, o Sancho Pança da sociedade nova...

O barão é pois USURARIAMENTE revolucionário e revolucionariamente usurário...

Por isso brigamos muito tempo, afinal vencemos nós, e assentimos em que os barões corressem com os frades da terra. No que fizemos uma SANDICE como nunca se fez outra. O BARÃO MORDEU NO FRADE, DEVOROU-O E ESCOUCEOU-NOS A NÓS DEPOIS...

Sim, o frade não nos pode compreender a nós e por isso morreu, e nem nós pudemos compreender o frade, e por isso constituimos esses barões que nos conduzem a morte e fazem morrer.

São a moléstia deste século; são eles e não os jesuítas, a cólera morbus da sociedade atual são os barões. Nosso amigo Eugênio Sue errou feio em seu 'Judeu errante', o qual precisa ser refeito.

Decerto foi o frade que errou primeiro em não querer compreender a nós, a nosso século, a nossas inspirações e inspirações; com que falseou sua posição, isolou-se da vida social e fez de sua morte uma necessidade por assim dizer infalível e sem remédio.

Assustou-se com a liberdade, que era amiga sua, e que o havia de reformar, e associou-se ao despotismo, que de modo algum o amava, senão relaxado e vicioso, para dele servir-se e servido ser.

Nós também erramos em não entender o tolerável erro do frade e em lhe não dar outra direção social, e EVITAR ASSIM OS BARÕES, QUE É O MAIS DANINHO BICHO ROEDOR...

E eu que sou da liberdade e do progresso antes prefiro a oposição dos frades de ontem a dos barões de hoje...

O progresso e a liberdade perdeu, não ganhou.

Quando me lembra tudo isso, quando vejo os conventos em ruínas, os egressos a esmolar pelas ruas e os barões de berlinda, sinto saudade dos frades, não dos frades que foram mas dos que podiam ter vindo a ser."

Não era democracia ou liberdade em si mesma como fim mas, democracia de ocasião, de passagem ou trânsito para o mercado, para o acúmulo irrestrito de bens, para um novo ethos, para uma nova cultura, para uma cultura exógena, para o economicismo. E foi a ruína e transtorno do nosso universo seja ele grego, latino ou medievo - Nem o Rei e menos ainda o Povo ou os cidadãos mas o barão i é o burguês, o patrão ou o empresário > E Sim, este novo mundo saiu muito pior do que os antigos!

Já não há decerto o monstro infame das inquisições, colossalmente inchado ou engordado pelos 'liberais' ingênuos ou safados... Que nem todos os frades eram queimadores de gente (E a maioria não era!) como foram cruéis e insensíveis e assassinos os barões ou patrões do século XIX já na Inglaterra, já na Alemanha e quiçá na própria França...

A figura desse empreendedor santificado pela imprensa moderna. A figura desse empresário sem consciência. A figura do bancário avarento foi historicamente muito mais danosa que a do inquisidor, a do rei ou a dos Revolucionários, ao menos quanto a extensão do poder. Apenas a figura do empreendedor conta com advogados contratados que lhe emprestam as mais róseas tintas, e fica como um macaco maquiado... 

Porém foi ele que poluiu e polui a terra, que exterminou e extermina animais, que aniquilou e aniquila florestas não sem ter feito trabalhar a mulher grávida, o idoso e a criança de seus quatro anos em troca de um mísero naco de pão...

Essa História já foi muito bem escrita e registrada não por Marx, Engels ou Lênin ou ainda por seus embiocados seguidores mas pelo Cristão Charles Dickens - A tinta negra ou vermelha brota do cálamo de Dickens o qual nos revela o feito desses barões que prostituíam nossa democracia e nosso liberalismo puro tal e qual haviam prostituído a fé nos tempos da infeliz reforma protestante...

Sardinha, cego pela ideologia ou pelos amores que dedicava a anglos ou germânicos, não pode percebe-lo, mas percebeu-o o velho Garrett, que lhe dá uma aula.

O frade romano ou ortodoxo lá estava, no quadro ou contexto, do campo e da Vila em comunhão com a mãe natureza, convivendo ou comungando com animais, e árvores, e fontes - A exemplo do seráfico pai S Francisco ou de S Serafim de Sarov... E os defendiam, guardavam e protegiam... Mantendo e conservando aquele ambiente pintado pelo pincel de Millet - Em que ao por do Sol os lavradores dobravam os joelhos sobre a negra terra que os nutria e recitavam a Ave Maria a mãe de seu pobre Deus enquanto dobravam os sinos... 

Havia trabalho duro e fatigante, sim havia. Mas também havia sentido para quem era senhor de seu pequenino torrão, para aquele que em sua choupana era aguardado pela esposa devotada e pelos filhinhos saudosos... Congregados em torno de uma mesa onde havia pão cheiroso tirado do forno, azeite, queijo e vinho. E flores plantadas e torno a pequena casa. E o cão e o gato abanando suas caudas.

Parte deles não era constituída por proprietários ou donos de terra. Havia que se lhes ter dado terra e não movido a cidade. Pois já não há terra para dar... E sequer trabalho nas grandes cidades - Menos ainda trabalho digno. E menos ainda liberdade. E lhe tiraram a esposa - Que hora também trabalha como uma burra! - e os filhinhos (Postos na creche), e as flores, os animais... Tudo enfim. Até que esse homem e essa mulher, pelas mãos do barão ou do burguês, conheceram a angústia e o desespero, uma escravidão oculta ou disfarçada.

Sim, o tempo do Frade era menos ingrato.

Não nos enganemos - Não considero esse modelo ideal ou perfeito, antes muito mesquinho... Porém em comparação com o mundo urbano do assalariado é e era paraíso.

E não adianta dizer ou clamar que o capitalismo que pinto não é mais o mesmo, que transformou-se também e tornou-se mais humano e suportável, e desejável em tempos em que um governo inspirado. Tal devemos agradecer aos anarquistas, fabianistas, trabalhistas, católicos, etc que moveram céus e terras para criar uma legislação protetiva que jamais cessou de ser ameaçada pelos economicistas ou capitalistas.

Nem a concederam de bom grado, nem jamais se conformaram com ela.

Daí a atividade frenética do governo anterior, liberal economicista ou capitalista - Não fascista como quer a esquerda pós modernista desmiolada. - no sentido de destruir essa legislação e fazer o Brasil recuar ao século XIX, inglês, por sinal... Quadro social a respeito de que, diziam alguns analistas, era ainda mais cruel do que a escravidão negra em nosso país. Pois o cenário urbano na Inglaterra e na Alemanha do século XIX foi monstruoso... E o ideal economicista jamais se desprendeu dele, clamando a todo instante pela ilimitação ou pela restrição do Estado, ainda quando democrático ou popular.

Para as populações rurais de toda Europa foi o liberalismo econômico autêntica porta sobre o qual bem se poderiam fixar as memoráveis palavras: "Vós que aqui entrais perdei toda esperança de sair." 

Não, o frade jamais fora tão cruel e mesquinho quanto o patrão e os mosteiros até ofereciam escolas, enfermarias, dispensários, asilos, etc O que jamais se viu ser oferecido em larga escala pelos maravilhosos empreendedores do século XIX.

Parece-me, como a Garrett, necessária, a passagem do regime confessional ou credal ao político e laicista, de modo algum a passagem ou trânsito do Estado político ao estado Econômico, empresarial ou economicista - Como já é abertamente defendido por certos panfletários ANCAP oriundos dos EUA. No entanto se tal passagem, do puramente político ao econômico corresponde a um fenômeno inelutável, então laboramos em erro grave e devemos reconhecer que os conservadores totais ou ''católicos" atidos ao modelo medieval estariam certos. 

Pois nossa democracia, a democracia que queremos não é a dos EUA ou da Inglaterra por não ser mínima quanto a qualquer coisa mas ampla (Dentro do espaço do Bem Comum) o suficiente para proteger o trabalhador, a ecologia, a natureza, as plantas, os animais, o mar, o solo, etc Nosso projeto é tão amplo quanto ao do frade de outrora uma vez que nosso olhar político e cidadão se inspira nos mesmos valores. 





terça-feira, 29 de junho de 2021

Naturismo Luxo ou o alto custo de uma vida natural no contexto do mundo Capitalista ou o preço da ruptura - Será a ruptura naturista uma reação da consciência burguesa?




Por mais que admiremos S Bento ou S Scott Nearing temos de ceder as críticas bem fundamentadas dos críticos, em especial dos marxistas. 

Naturalizar a exemplo de S Bento ou de Nearing é utópico ou impossível no mais alto grau.

Sete, dez, três ou um bilhão de pessoas não poderiam viver separadas em seus sítios, feudos ou fazendinhas cultivando a terra.

Bento, Francisco e Nearing são o que chamamos de figuras hiperbólicas, fundamentais e preciosas por chamarem nossas atenção, mas impossíveis de serem imitadas pela totalidade dos seres humanos, justamente porque tais seres são muitos e a terra 'pequena'.

Não há na terra espaço suficiente para meio bilhão de Franciscos, Bentos ou Nearings.

Para além disto, há, e fixado está, o sacrílego sistema que especula com a terra, inclusive com a terra não usada, encarecendo seu preço. De modo que apenas uns poucos bem remediados seriam capazes de adquirir um pedaço de terra com que viver a maneira de um Nearing, ao menos aqui no Brasil a aquisição desse pedaço da terra, com que viver a parte do sistema sairia bastante caro.

Mesmo após as advertências de Henri George sobre a relação da posse com o trabalho continua a terra a ser sacrilegamente retalhada e roubada pelos poderosos. 

O máximo que muitos de nós poderiam fazer é abdicar do consumismo crasso, diariamente instilado em nossas almas pelos meios de comunicação, com o objetivo de que tomemos por absolutamente necessário aquilo que não é. E lancemos mais lenha a este tremendo incêndio que consome o mundo.
Melhor o excesso de desapego de um Buda que este consumismo insensato que nos devora as entranhar e põem a nu a miséria da alma... Se é que tais vermes, gafanhotos ou cupins tem alma.

O máximo que muitos de nós poderiam e podem fazer é assumir um naturismo limitado dentro do próprio sistema, adquirindo apenas produtos veganos, adotando a 'lei' vegetariana, consumindo preferencialmente produtos orgânicos, etc sucede no entanto que a especulação da terra faz com que tais produtos sejam sempre mais caros e que estejam sempre acima das possibilidades das pessoas comuns ou do povo. Daí os marxistas tecerem uma crítica que deve ser considerada: A maioria dos naturistas são burgueses. Aos marxistas incomoda o fato de que parte considerável dos veganos, vegetarianos, organicistas, etc sejam o que chamam de burgueses e que nós chamamos de classe média.

Claro que a maior parte dos não marxistas pouco se preocupa com tais críticas. Não é o meu caso. Pois nossas práticas, sendo saudáveis e até redentoras deveriam ser assumidas pelo bom povo. Tenho aqui que os não marxistas mais esclarecidos atribuam muito pouco esclarecimento ao povo. Falta instrução e consciência a eles e são, em sua maior parte massas e não povo... Certo, certo, muitos dentre eles pertencem de fato a essa coisa amorfa que chamamos de massas. 

Apesar de tudo a isto folgo perguntar a mim mesmo: Se acaso um desses assalariados tomasse consciência e optasse por viver a nossa moda, poderia ele arcar com os custos?

Acaso estão nossos produtos orgânicos ou veganos, assim os moluscos e crustáceos, no acesso da gente mais humilde?

Mas é claro que não.

Os produtos orgânicos por serem mais custosos que o comum dos vegetais, o que decorre do espaço ou da terra e enfim da especulação.

Os produtos veganos porque suas massas - Doces ou salgadas - de fino sabor são feitas com agar agar, algas, cogumelos, compostos de soja, amêndoas, nozes, etc os quais dentre os vegetais são os produtos mais caros. 

O bom povo a ser vegano teria de viver de papas de batata, polvilho, amido de milho, arroz e trigo; levando uma dieta assaz monótona em termos de paladar.

Caso adotassem uma dieta a que chamo de Ética (Que é a minha) excluindo apenas o consumo de aves, mamíferos e demais seres dotados de auto consciência e sensibilidade, ainda assim seria demasiado onerosa para eles - O que sei eu por experiência. Mesmo no litoral do Brasil não podem os mais pobres e a gente simples viver de crustáceos, moluscos ou pescado, pois é caro.

Lamentavelmente temos de considerar a crítica dos marxistas e saber que querendo nós ou não o mercado dita regras, impondo não apenas o consumismo mas também o consumo de certos alimentos já nutritivos, já saborosos, a maior parte da população pelo simples fato da oferta ser maior e a amplitude da oferta determinar o preço, alias um preço mais baixo e acessível.

Triste sabe-lo mas em parte é o consumo de carne facilitado já pelo mercado já pela própria dinâmica populacional. No momento presente sete bilhões de seres humanos não se poderiam manter consumindo apenas vegetais ou frutos do mar. 

Mas e a Índia?

Como tudo faz supor nem todos os indianos são vegetarianos.

E os hindus?

De fato são eles bilhão e pouco de pessoas, cerca de um bilhão e setenta milhões aproximadamente. Um número impressionante de seres humanos.

Todavia, ao contrário do que comumente se pensa ou imagina nem todos os hindus são vegetarianos. 

Entre a fé ou a teoria e a prática vai larga diferença.

De modo que atualmente o numero de hindus vegetarianos oscila entre 23 e 37% tocando provavelmente a pouco menos de 1/3 de bilhão - Quiçá uns 350 milhões de cidadãos. 

O número ainda é impressionante.

Mais revelador ainda porém é saber que também por lá o vegetarianismo ou o veganismo saem mais caros, de modo que predominam nas castas mais elevadas. Também lá são os mais pobres párias ou harijans e sudras que consomem a carne, inclusive carne bovina, por ser sempre mais barata e acessível. O problema da alimentação é também globalizado ou global, tocando ao planejamento nacional ou internacional, assim as dinâmicas do senhor mercado, face ao qual mesmo os devotos hindus se tem curvado. Se a carne é o produto alimentício mais barato que o mercado nos oferece em oposição aos produtos veganos, aos produtos orgânicos e aos frutos do mar, é óbvio que as pessoas mais humildes serão carnívoras não vegetarianas ou adeptas a uma dieta Ética, a qual será dieta de luxo! 

Os pobre não poderão ser veganos ou vegetarianos ou adeptos de uma dieta ética mesmo que queiram em tais condições, ditadas pelo mercado ou pela economia.

E seria utópico ou desumano já força-los, já condena-los... Exigindo que façam abstenções e sacrifícios. 

Portanto se queremos pugnar por uma alimentação majoritariamente vegeta ou por um cardápio ético teremos de pensar antes de tudo na densidade populacional.

Veja a maravilhosa Índia de agora com seus trezentos bilhões de vegetarianos. Trezentos e cinquenta bilhões de seres humanos, mesmo quando veganos ou vegetarianos, continuam sendo uma praga - Como uma nuvem de gafanhotos - a qual se não mata diretamente, mata e assassina indiretamente. Pois aqui preservar milhões de vacas implica sacrificar todos os tigres, rinocerontes, elefantes, etc pelo simples fato de ser necessário acabar (Literalmente) com as florestas para criar campos de arroz. Se o consumo de carne vermelha promove ativamente a destruição da natureza por demandar pastos um vegetarianismo assumido em alta escala por bilhões e bilhões não mataria menos por demandar campos de cultivo. 

Bilhões e bilhões de seres humanos será potencialmente destrutivo sejam estes bilhões carnívoros ou veganos, por uma questão de espaço. 

Tornamos assim, mais uma vez e sempre, âmago da questão, isto é ao número de seres humanos ou ao crescimento da população humana.

O Veganismo não pode proteger ou salvar a terra da destruição ou assegurar o bem estar dos animais caso ignore a questão do crescimento populacional a menos que passe a advogar um decidido retorno ao que chamamos coleta. Agora imagine o leitor sete bilhões de seres humanos abalando-se para coletar vegetais nas poucas florestas remanescentes. Só os brasileiros todos em menos de semana dariam cabo da floresta amazônica sem que sobresse um único animal ou uma única folha comestível!

Não há como tornar a coleta. Tampouco há como substituir pastos por campos de cultivos obtendo qualquer melhora significativa. O vegetarianismo ou a dieta ética só faz sentido num contexto de controle de natalidade e redução populacional. Por si só, como algo isolado, não nos beneficiará como espécie. 

Também a questão econômica precisa ser considerada, assim as liberdades do mercado, as quais nada significam além de controle. Se desejamos diminuir os preços dos vegetais teremos de considerar o preço da terra e questionar a especulação... como deveremos planejar o cultivo. Tudo isto, tornar os vegetais acessíveis ao grosso de uma população reduzida, implica decisões políticas e econômicas as quais não se pode fugir, e implica no mínimo 'questionar' o modelo liberal economicista que temos como o 'menos ruim' ou melhor. Terá isto de ser revisto, necessariamente.

Caso não cheguemos ao populacional, ao econômico e ao político; com o objetivo de tornar o vegetarianismo ou a dieta ética acessível ao povo, formaremos de fato uma seita burguesa, um grupo ou clubinho e meio a multidão de vermes rastejantes... os quais jamais nos será dado censurar com ares de superioridade.

Belo é o ideal da dieta ética ou mesmo o veganismo. Veganos, vegetarianos e adeptos de uma dieta ética devem compreender no entanto que práticas individuais ou sectárias são sempre irrelevantes em termos sociais, e compreender ainda que o sistema econômico estende seus tentáculos sobre todos os espaços, nichos, iniciativas, práticas, etc tudo contaminando e poluindo, e comprometendo. Veja por exemplo a noção de falaciosa de 'capitalismo sustentável' se é capitalismo jamais poderá ser sustentável mas sempre predatório. Em que uma liberdade absoluta em termos econômicos associada a maximização dos lucros pode estar de acordo com o respeito que se deve a fauna e a flora ou ainda com uma extração moderada, a qual por si só impõem limitação?

Lamento mas a nossa dieta, o nosso veganismo ou o nosso vegetarianismo não darão certo enquanto forem tão caros. E os produtos naturais continuarão sendo o que desgraçadamente são: Um veio de lucros dentro do mercado, mais um setor do mercado e não poucas vezes um outro móvel para o consumismo. 

A reflexão que fica - Será que estamos sendo de fato contestadores ou seremos nós colaboracionistas? 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Greve geral do dia 28 de Abril, aderir ou não?



O folheto acima me foi enviado por uma ex aluna acompanhado por um pedido de esclarecimento.

Passo ao esclarecimento solicitado.

O qual dou a público tendo em vista o benefício geral de todos.

O primeiro aspecto interessante a ser assinalado é o anonimato. Faz-se uma acusação a qual no entanto não se assume... Agora sendo verdadeira por que não se assume?

Geralmente quem publica coisas desse teor é a FIESP, o MBL e outras organizações insidiosas, terroristas, criminosas, mafiosas, etc

As quais nada fazem além de tecer calúnias com o objetivo de enganar e dividir o povo, tendo em vista seus próprios interesses sórdidos.

Prossigo:

"É greve sindical"

Aqui é coisa assume ares de supina e clamorosa idiotice.

Em português diríamos ser redundância.

A exemplo da famosa frase: "Chover no molhado."

Afinal que greve é individual? Eclesiástica? Empresarial?????

Há mais de século toda greve é sindical... Pois são os sindicatos mesmos que organizam os trabalhadores e mobilizam-nos quando há situações de risco, em que seus direitos são ameaçados.

Pois caso os trabalhadores continuassem a trabalhar como ovelhas, recusando a paralisar suas funções, não tardariam a ter seus braços e pernas envolvidos por grossos grilhões e a ter de trabalhar de sol a sol debaixo de chibata!

Tem ou não tem coisa melhor para o patrão?

Não são escravos porque tem direitos e tem direitos porque lutaram por eles.

No mínimo fazendo boicotes, paralisações e greves com o objetivo de legaliza-los e garanti-los, e isto quando fazer greve era quase proibido e criminalizado.

Sabia que aqui mesmo no Brasil não poucos trabalhadores foram assassinados por fazer greve?

No entanto eles sabiam muito bem que patrão só sente mesmo é no bolso, quando a produção e consequentemente o lucro são ameaçados. É a única arma de que dispõem o trabalhador com que defender seus direitos e por sinal, uma das melhores.

Quanto aos sindicatos são organizações ou coletivos sociais como quaisquer outros, assim como entidades políticas, empresas, igrejas, etc E como tais sujeitos a abusos. Afinal qual organização de origem humana que não sofra abuso?

Temos um Congresso formado por biltres que ja mereciam ter sido não apenas depostos, mas processados, punidos e encadeados a muito tempo por seus crimes de peculato, corrupção, venalidade, etc

Quer algo pior do que o Parlamento Nacional brasileiro com centenas de deputados e senadores 'respeitáveis' denunciados por certo empreiteiro???

O que nos leva por sinal ao setor empresarial... Tido por muitos em conta de Santo. Mas que representa o outro lado da moeda. Pois se há quem corrompa, há quem se deixe corromper, e se há quem se deixe corromper...

Nada mais podre do que este Congresso cuja maior parte dos membros foi eleita com recursos oferecidos pelos 'honestíssimos' empresários em troca de favores, como leis destinadas a converter os trabalhadores em escravos...

Assim se os Sindicatos defendem os direitos dos trabalhadores temos no congresso um Sindicato Maior e pior destinado a defender os interesses dos patrões e empresários em detrimentos dos interesses da população e dos trabalhadores...

Que é esse Parlamento senão um sindicado ao contrário ou sindicado as avessas composto por biltres, canalhas, salafrários, argentários, corruptos... prestes a assaltar uma população indefesa e retirar-lhes os direitos e da dignidade até converte-la numa malta de pedintes e mendigos?

Para não falarmos nessas igrejas corruptas, presididas por charlatães, os quais além de viver de dízimos e ofertas ainda se mancomunam com esses empresários e políticos com o objetivo de abater o povo trabalhador. E cometem esses crimes em nome de Cristo!!!

Certamente que os sindicatos tem lá seus defeitos, que não são perfeitos, etc NO ENTANTO TENHO CERTEZA ABSOLUTA DE QUE, em que pesem os tais defeitos e abusos, NÃO CHEGAM NEM AOS PÉS - em matéria de patifaria - DE NOSSAS CÂMARAS municipais, estaduais e federais; com seus ladrões engravatados, DESSAS EMPRESAS QUE FINANCIAM A CORRUPÇÃO E O CRIME, E MESMO DESSES 'EMPRESAS' RELIGIOSAS, A QUE CHAMAM IGREJAS.

Do contrário Serra, Alckmin, Nunes, Caiado, Maia, Malta, Fortes, FHC, Maluf, Collor, Marcelo Oldebrechet, Everaldo, Feliciano, Campos, Malafaia e outros tantos batedores de carteira, mafiosos, canalhas, ladrões, traficantes, terroristas, criminosos, larápios, argentários seriam SINDICALISTAS e não demagogos, empresários ou pastores. Prova de que o que os sindicalistas tiram por fora - Se é que tiram e quando tiram - é como se diz, simples migalha, perto do que os outros marotos tiram quando escolhem milhão e tanto na cueca!

Caso sindicalismo fosse o babado, ou vaca em que se mamar na teta grande, todos os marotos que estão a mamar nas tetas do estado, das empresas e das igrejas, já teriam migrado a muito tempo para o Sindicalismo.

Portanto como, diante de um parlamento tão imundo e sujo, alguém se atreve a levantar o dedo mindinho contra os sindicatos e os sindicalistas?

'É farsa'

Só será farsa de o povo, enganado por seus opressores, não parar e sair as ruas.

Ai será farsa pior do que a de Inês de Castro.

Tomando o Congresso mais o TEMERário golpista, o povo por andadura... Bem a gosto da FIESP, entidade sinistra responsável por ter patrocinado o golpe.

Liderada pela CUT.

Evidente, ela é a Central Unica dos Trabalhadores... Entendem ou preciso soletrar?

Central Única...

Cabendo-lhe portanto convocar uma greve de tais dimensões.

E não sou eu quem há de questionar os atos da CUT partindo de sua idoneidade. AFINAL QUEM NO BRASIL TEM QUESTIONADO OS DECRETOS E LEIS PROMULGADOS POR UM CONGRESSO LADRÃO??????????

Preocupados com a idoneidade da CUT??????

E a idoneidade de um Congresso composto por mensaleiros da Oldebrecht - Alias um enxame de PSDbestas, PMBbestas, Democratas, etc, etc ,etc Uma chusma - quem questiona???

E quem se preocupou com a idoneidade do mafioso Eduardo Cunha, promotor do golpe destinado a derrubar a presidente legitimamente eleita?

Tinha a Dilma alguma culpa??? Não o sei... Não direi que sim nem que não.

No entanto fosse culpada que direito tinha esse Congresso composto igualmente por ladrões de atirar-lhe a primeira pedra?

Que direito tem essa malta de ladrões, corruptos, venais e celerados de julgar ou condenar a quem quer que seja?

Que idoneidade tem essa malta de pilantras?

Idoneidade alguma.

Portanto se alguém ousar perguntar sobre a idoneidade da CUT, temos de aconselha-lo: VAI PROCURAR A IDONEIDADE DO CONGRESSO!

E volta só no dia de S Nunca ou no 31 de Fevereiro quando encontra-la!

Temos ai não um Parlamento, mas o coração do crime nacionalmente organizado, e ainda tem que ouse espalhar panfletos contra a CUT???

"Suas coligações são militontos do Lula."

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Mais uma vez o aspecto ou fantasma do Lula assombrando o cérebro degenerado desses homens abjetos que sequer tem um pingo de virilidade para vir a público declarar que são contra os interesses do trabalhador brasileiro.

Destarte, para que o trabalhador, fique em casa enquanto seus direitos, bem como de seus filhos e netos são espinafrados por um presidente postiço e um Congresso composto por ladrões, saem-se mais uma vez com essa do Luladrão.

E a propósito a que vem o Luladrão sem o Aécioladrão, o Serradrão, o Nunesladrão, o Alckminladrão, o Cardosoladrão e outros tantos ladrões da oposição que ainda circulam livremente não só pelo Brasil mas no Congresso Nacional???

Serão santos os outros ladrões???

Chicaneiros e chicaneiras de plantão, é tão injusto manter um criminoso solto, quanto face a uma malta de criminosos clamar pela punição de um só, deixando os mais livres ou fingindo que não existem. Quando não cogitam em por um deles na presidência ou nele votar!!!! Sim porque votaram no ladrão Serra, votaram no ladrão Alckmin - Alias ladrão de merenda!!! - votaram no Ladrão Nunes... E ainda acobertam esses canalhas, lembrando-se apenas do Lula...

Se é mesmo para prende o Lula, não me oponham desde que prendam e encadeiem todos os ladrões do PSDB...

Nem vou eu mesmo rebater esses delírios obsessivos em torno do Lula.

Ladrão ou não, inocente ou culpado, corrupto ou virtuoso o Lula é odiado - Inclua-se a Dilma e o resto todo do PT - apenas por se opor aos interesses da FIESP e dos empresários, isto é a reforma da previdência, as privatizações, a reforma do Ensino Médio, a Terceirização, ao financiamento da propaganda política por empresas, etc. Eis o único motivo porque odeiam o PT.

Tem nada, nada a ver com corrupção.

Quem mais corrupto que FHC com seus 45 escândalos engavetados por um engavetador profissional e mega famoso por ter comprado a própria reeleição? Quem mais corrupto que o ladrão de merenda engravatado? Quem mais corrupto que o idealizador do rouboanel? Quem mais corrupto que o pentadelatado das Minas Gerais????

Corrupção é que não falta na 'oposição'...

Corrupção sobeja e sempre sobejou neste pais para lá de quase Trinta anos!

Não toca a corrupção... Apenas palavras vãs ou discurso pra 'inglês ver'.

Do contrário não conseguiriamos dormir ouvindo panelas batendo. Mas quem ouve?

A questão aqui, desde o começo, foi econômica. O golpe foi deflagrado por considerações de ordem trabalhista ou financeira: Satisfazer as aspirações acalentadas pela FIESP, a saber, a demolição da CLT e o restabelecimento da privataria... Nem mais nem menos!

Eis porque após a derrubada da presidente, elaboraram de imediado uma pauta neoliberal em tudo oposta aos interesses populares e destinada a exterminar os direitos dos trabalhadores, sabotar a educação, restringir as liberdades e garantias dos cidadãos, pilhar nossas riquezas, sujeitar o pais a dominação estrangeira, etc Nada de novo debaixo do sol... Tudo muito trivial e vulgar conforme a velha e embolorada cartilha do FHC...

A palavra de ordem aqui é fazer a República retroceder a Idade das Trevas i é aos anos 90 do século passado. E por a rés de chão tudo quanto Getúlio, Goulart, Brizola e outros heróis, legaram a esta nobre povo após tantas e tantas lutas.

Corrupção aqui foi e ainda é, como sempre, mera desculpa.

Não estão interessados nela, apenas em denegrir ou punir, como dizem o Lula.

Por isso seguem votando no PSDB, no PSDB, no DEM, no PSC e isto evidencia a falta de honestidade da parte deles.

Pois quem critica o roubo não deve roubar em ladrões.

A menos que o roubo se defina por senha: Apenas os trabalhistas roubam no Brasil, PSDB recebe doações e o Malafaia ofertas rsrsrsrsrsrs É muito cinismo! Cinismo demais!

É roubo porque PT. Quando PSDB rouba e FHC ou Aécio prevaricam, então não é nada... Nem se comenta, é como se ninguém soubesse, total indiferença. Aqui o roubo converte-se em virtude e as máscaras caem... Findou o espetáculo e começou o terror: A retirada dos direitos trabalhistas.

Passo então os verdadeiros objetivos da Greve geral de sexta feira, para que todos compreendam bem e cumpram com o dever ao invés de chorar e lamentar amanhã a desgraça dos filhos:





Ai está explicita e clara e pauta da greve.

Não Lula, mas OPOSIÇÃO CERRADA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E PRIVATIZAÇÕES!

Tal o objetivo, propósito, escopo desta greve. Nada mais necessário.


"CHEGA DE SUSTENTAR SINDICALISTA VAGABUNDO!"

Para que?

Pra sustentar empresário, patrão, chefe, industrial e banqueiro VAGABUNDO, PARASITA, CRUEL E SEM CONSCIÊNCIA???

Ai pode? Ai é bom...

E sustentar um Congresso vagabundo, cujos membros foram EXCLUÍDOS da reforma da previdência??? Para que continuem a se aposentar com trinta ou quarenta anos??? Em que pesem os privilégios, vantagens e benefícios de uma vida de parasitagem??? Sem falar nos roubos e venalidades???

Então eles ficam lá no bem bom, os marotos, locupletando-se as custas da sociedade trabalhadora, recebendo pensões e prebendas pagas pelos empresários, prevaricando... Enquanto o povo humilde paga a conta???

TROUXA DE QUEM ACEITAR PAGA-LA! TOLO AQUELE QUE NÃO CRUZAR OS BRAÇOS, SAIR AS RUAS E GRITAR A PLENOS PULMÕES CONTRA ESTE GOVERNO GOLPISTA, ILEGÍTIMO, ARBITRÁRIO E DESPÓTICO cujo único objetivo é satisfazer docilmente os interesses da FIESP e seus associados!

Infeliz de quem não sair as ruas para protestar contra esse ato criminoso e terrorista!

Vagabundos e parasitas estão ai ocupando as tribunas dos parlamentos, as mesas dos escritórios e os púlpitos das 'igrejas'. Eis onde se acham os vagabundos, canalhas, ladrões, argentários, safados, trambiqueiros, prevaricadores e corruptos!

O objetivo desta greve é o mais nobre, excelente, salutar, virtuoso e justo!

Impedir que nossos filhos sejam escravizados, nossas riquezas pilhadas, nossas instituições profanadas... Como foi nossa legalidade e nosso estado de direito por esse malsinado golpe, fonte de todas as desgraças subsequentes que se abateram sobre esta pobre nação!

O objetivo desta greve é opor-se a malévola reforma da previdência. Reforma por meio da qual você trabalhador e trabalhadora pagarão as contas desses demagogos enquanto degustam caviar mergulhados em leite ou champanhe... Reforma que agravando a miséria, aumentará a violência e atingirá a todos nós! Abriremos os olhos e contemplaremos aterrorizados o 'faroeste' do FHC - Porque aqueles foram tempos de faroeste ou coisa pior - ressurgindo do abismo!

Por isso urgem fazer greve, apoiar a greve, aplaudir a greve!








domingo, 25 de dezembro de 2016

Burguesia, capitalismo e espírito democrático

Espírito democrático é espírito de liberdade, de opção, de escolha, de decisão.

Implica reconhecer que todos os cidadãos são responsáveis pelo governo ou administração da cidade e mão apenas um, dois, três ou alguns.

Supõem, no mínimo que as decisões da maioria sejam sempre acatadas.

Do contrário existe dominação ou concentração de poder nas mãos duma pessoa ou de um grupo em detrimento do bem comum, noutras palavras: opressão.

Até mesmo no plano da democracia impura, formal, indireta ou representativa pressupõem-se necessariamente o risco ou necessidade da alternância no poder já em termos ideológicos, já em termos meramente censitários.

Assim se nos posicionamos contra a simples possibilidade da alternância no poder é porque nos recusamos a reconhecer o povo como árbitro decisório e enfim porque negamos sua capacidade para o exercício da liberdade. Ficando a democracia morta na fonte.

No que tange a esfera do político ou das coisas comuns (que pertencem a Pólis) o democrata, policrata ou libertário reconhece que todas as decisões cabem ao povo e que a opinião contrária implica dominação.

Em termos de democracia pura ele esta firmemente persuadido que as discussões, debates e diálogos propiciarão a defesa dos mais variados pontos de vista, o exercício da argumentação, o acesso a informação, a possibilidade da comparação e a tomada da decisão mais acertada. Importa participar ativamente das discussões, exercer a cidadania e suster honestamente seus pontos de vista. Humanamente falando temos aqui o sistema que nos oferece as melhores garantias possíveis, inda que sem tornar-se infalível.

Agora em termos da democracia 'fajuta' ou precária que temos, torna-se a situação bem mais complexa. Embora as eleições quadrienais tragam ao menos uma vantagem que é justamente a possibilidade de revisarem-se certas leis na medida em que pela alternância uma outra ideologia toma posse do poder.

Quero dizer que as eleições quadrienais, ao menos em tese, propiciam a possibilidade de que ao termo de uma gestão pública mal sucedida, seis críticos e opositores venha a sucede-la trazendo propostas totalmente distintas. Eis a alternância no poder!

Agora poderá o socialista, o humanista, o social democrata, o trabalhista... admitir sinceramente este princípio, especialmente quando sua plataforma esta no poder????

Em que pese sua certeza em termos absolutos de que as soluções socialistas são quase sempre as melhores, o democrata admite que salvo seu juízo pessoal, o julgamento do governo e de todo governo pertence ao povo e não a si, a comunidade e jamais ao indivíduo, inda que de caráter nobre e esclarecido. Admite ele que gestão e administração socialista seja avaliada criticada pelos adversários, vigiada pela opinião pública e avaliada pelo povo; e como propõem-se a governar para o povo e não para castas, classes, categorias, grupos, etc não teme ser avaliado por ele embora admita que ele possa equivocar-se.

Segundo a perspectiva socialista equivocam-se as massas quando elegem um governo demagógico voltado para as necessidade do mercado e do capital. Transferir o poder a um governo inspirado nos princípios liberais economicistas constitui quase sempre uma tragédia em termos sociais e nem sempre temos como evita-la ou como impossibilita-la democraticamente falando.

No entanto a decisão mais acertada em tal conjuntura não é chutar o balde da democracia ou agir hipocritamente buscando derrubar o governo por força das armas. Aqui a melhor das soluções é - a bancada socialista - opor-se as más iniciativas do governo, estabelecer a crítica e buscar informar e conscientizar o povo preparando o clima para a próxima eleição.

Se somos democratas atribuímos ao povo o direito de errar. Afinal a possibilidade de errar faz parte do exercício da liberdade e quando negamos o direito ao erro, aniquilamos a liberdade. Claro que a liberdade não existe para o erro, mas para que o acerto seja meritório. No entanto o erro não pode ser descartado ao menos enquanto possibilidade sem que nos tornemos dominadores e totalitários.

Mesmo quando estamos convencidos de que nossos ideais são os melhores não nos é dado impo-los como quem domina.

Ou...

Revertamos agora a dinâmica e pergunte-mo-nos se a burguesia aceitou de boa fé e até o fim as exigências do espírito democrático.

Enquanto possibilidade de alternância no poder e a eleição e o reconhecimento de um governo popular ou socialista???

E como nestes tristes tempos temos de esclarecer o óbvio, é evidente que não estamos falando em comunistas, bolcheviques ou vermelhos pelo simples fato de que recorrem as pontas das baionetas e não a sufrágios! Evidente que estamos falando daquilo que o profo Everardo Beckheuser classificava como governo rosa i é ao bem esta social, trabalhismo, social democracia, democracia Cristã, keynesianismo, etc E sempre numa perspectiva democrática jamais golpista!

Na prática a experiência histórica demonstra-nos que não.

Basta para tanto apontarmos o último período do governo Vargas, que culminou com o suicídio (???) do presidente, ao governo Jango atalhado por um golpe militar, a deposição irregular e ilegal da presidenta Dilma pelo Congresso... Para nos atermos ao Brasil apenas.

Assim enquanto enganam o bom povo e governam os liberais hipócritas vivem com a boca cheia de democracia e ordem, mas... quando constitui-se livre e democraticamente pelos sufrágios do povo um governo não liberal, os bons liberais economicistas atraiçoam sordidamente o liberalismo político e recorrem a força das almas com o objetivo de aniquilar a democracia!!! Isto não interpretação ou análise são fatos e temos já três interrupções do estado de direito, não pelos rosas, mas pelos 'liberais' ou democratas de fancaria!

Implica isto um oportunismo e não um espírito democrático e a aceitação da ordem democrática apenas enquanto nos favorece e apenas até onde nos favorece. Triste realidade: os pressupostos da ordem democrática não foram aceitos até o fim pela burguesia ou pelos liberais economicistas e em suas mãos ela não passa de mais um instrumento destinado a perpetua-los no poder. É a busca sútil, disfarçada e sorrateira pela manutenção do 'status quo'. Pelo que temos aqui a manipulação, a profanação, a instrumentalização imoral da democracia. E não sua aceitação integral, como um espírito que nos deve sinceramente animar.

Aqui a simples possibilidade da alternância no poder e a formação de um governo socialista, implica pânico generalizado por parte dos eternos donos do poder e das elites parasitárias.

Não, nossa burguesia golpista e fingida ainda não esta a altura da elevação e da pureza do ideal democrático da auto determinação popular.

O que eles querem é continuar dominando o povo. Embora dando-lhe a ilusão e a mera ilusão de que governa a si mesmo e escolhe seus caminhos.

Neste caso por que derrubaram o antigo regime???

Era bem mais honesto e moralmente correto conservar o poder absoluto do rei, ao invés de construirmos uma democracia aparente ou de fachada.

Enfim até nossa democracia continua sendo apenas para 'inglês ver'.

Será que o inglês se deixa enganar - após três golpes! - a ponto de crer nela?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Idosa impede assalto à joalheria



Os telejornais da tevê aberta divulgaram o vídeo de uma velhinha idosa que impediu o assalto à uma joalheria na Inglaterra. Uma notícia comovente para uns, exótica para outros e ideológica para mim. Quando eu assisto aos telejornais eu não sou telespectador passivo, um mero receptor daquilo que a mídia burguesa quer incutir, não. Eu sou crítico, não aceito dogmas, questiono. Caso contrário, apenas estarei reproduzindo a forma de pensar das grandes mídias.

O que a mídia burguesa deseja com esse fato? Mostrar essa idosa como exemplo de coragem ao defender a propriedade privada. (Seria a sua?) Que se uma septuagenária enfrentou bandidos qualquer pessoa de bem pode e deve fazer o mesmo.

Mas por que defender uma joalheria? A joalheria não tem seguro? Por que arriscar a vida por ouro e jóias que não seus? (Suponho que os tesouros que iam ser roubados não eram dela).

Fico a pensar será que essa velhinha defenderia uma greve de trabalhadores explorados por seus patrões? Será que lutaria por operários injustamente demitidos para que voltassem às suas funções? Será que luta contra aqueles que a todo custo querem desmantelar o welfare state? Pois essas são as causa é que precisam de pessoas corajosas que as defendam.

Será que a senhorinha surraria patrões que pagam salários de fome a seus empregados? Será que essa senhora daria bolsadas nos neonazistas que crescem por toda a Europa? Não quero respostas, quero que as pessoas pensem ,reflitam e que vejam as notícias através de um outro prisma. As perguntas nem sempre são feitas para se obterem respostas, muitas vezes são feitas para provocar um incômodo, para despertar as pessoas que estão encantadas com o mundo midiático.

Não me surpreendeu a atitude da velhinha e tampouco considero uma heroína uma vez que foi defender a burguesia e não quem de fato precisa de apoio. Sei que muitas pessoas vão discordar de mim, outras ficarão melindradas, mas não posso deixar de escrever acerca das manipulações midiáticas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Porque sou socialista

Sou socialista porque desejo que todos os homens tenham condições de se desenvolverem plenamente como seres humanos. Sou socialista porque sei que todas as riquezas as maiores e melhores terras, as minas e empresas, assim como as fábricas pertencem a alguns poucos latifundiários e capitalistas privados. E não concordo que a grande massa dos trabalhadores, por um árduo trabalho, receba apenas desses latifundiários e capitalistas um parco salário para viver. O enriquecimento de um pequeno número de ociosos é o objetivo da economia atual (Rosa Luxemburgo).

Sou socialista porque acredito que todos devem ter direito à uma vida digna, a um trabalho bem remunerado, assistência médica de qualidade e uma boa educação. Sou socialista porque me revolto com a exploração do homem pelo homem. Sou socialista porque sou contra o racismo que cria no imaginários seres humanos de 1ª e 2ª classes. Sou socialista porque desejo ver a mulher emancipada desse machismo, fruto da sociedade burguesa.

Sou socialista porque luto contra as alienações midiáticas que escravizam as massas com seu ópio. Sou socialista porque não quero ser vítima de uma sociedade violenta, porque não quero ver um parente/amigo morto por causa de um celular ou par de tênis.

Sou socialista porque não creio no competitivismo mas no apoio mútuo e na camaradagem. Sou socialista porque desejo ver todos os homens libertos das ideologias nefastas. Enfim, eu Fernando, sou socialista porque sou cristão e ser cristão socialista é redundância.