Mostrando postagens com marcador passado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador passado. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Ainda o fascismo e seus problemas

Ainda a propósito da unidade social e da cessação do conflito entre burguesia e proletariado (Não inventado por Marx mas constatado por Sismondi de Sismondi.), provocado pela ambição descontrolada dos patrões, voltou o fascismo, seu olhar - mais uma vez, para o passado.

E a ideia, advinda do Ariston Metron e da Mediocritas aurea foi tentar ampliar a classe média. O que já havia sido sugerido por Defoe e Swift na Inglaterra do século XVIII. E fica posto o ideário: Reduzir a distância entre os extremos da alta fortuna e da miséria, interferindo politicamente tendo em vista a expansão da classe média.

Como se vê, o que temos aqui, foge definitivamente ao Marxismo ou  Comunismo. O qual aposta no avanço do capitalismo, no recrudescimento do conflito e no papel heroico do proletariado tendo em vista a tomada do poder.

Aqui, a classe média é encarada como entidade pequeno burguesa, que serve como uma espécie de mola destinada a aliviar a tensão do conflito. É de fato encarada como uma vilã contra revolucionária por estar na contra partida do processo e deve ser (Talvez com um empurraozinho) engolida ou abatida por ele. 

Assim o programa fascista, que supõe a atenuação do conflito pela ampliação dessa classe por meio de intervenções restritivas (As assim chamadas Reformas.) face as ambições do mercado é avaliado como algo essencialmente maligno.

De fato avaliando o protocolo fascista (Relacionado aqui com o protocolo social democrata.) como reformista, os líderes comunistas só podem encara-lo como um retorno indesejável ao passado, como um saudosismo ou ainda como algo essencialmente reacionário em oposição a noção linear de progresso legada pelo positivismo.

É como se a orientação fascista fosse capaz de impedir ou de atrasar a tão sonhada revolução ao atenuar o conflito. Daí o ódio irascível.

O que nos ajuda a entender uma dinâmica contemporânea em que, paradoxalmente, os comunistas aliam-se aos liberais extremados contra quaisquer Reformas propostas pelos reformistas ou pelo centro, se que lhes importe a condição das pessoas, uma vez que a meta suprema é a Revolução.

E é justamente a percepção dessa cosmovisão, assustadora, devido a sua insensibilidade ou crueldade, que tem afastado o povo do comunismo e não poucas vezes aproximado-o do fascismo. Afinal se é algo que o povo não quer ou deseja é o avanço do protocolo Neo liberal. Em parte devido a cultura cristã católica, o povo aspira, em certa medida, pela paz e não por qualquer tipo de revolução.

E no entanto esse mesmo fascismo, cuja proposta no campo da economia me parece interessante, aproxima-se a outro lado desse mesmo comunismo truculento, da abominação nazista e da monstruosidade islâmica e aparta-se tanto do anarquismo quanto do liberalismo político ou da democracia, a qual chega encarar com uma corrupção.

No campo da autoridade ou do poder político é o fascismo liberticida, despótico, ditatorial, tirânico, totalitário e repressor... até estatolatria paga ou o culto cego ao líder.

É ideologicamente irracionalista e agostiniano... sem dúvida que é. Desconfia do potencial da razão, lança dúvidas quanto a liberdade e encara os humanos como 'lobos' (Sic) vorazes. O que sabe o "Leviata" de Hobbes. 

Por onde toca ao militarismo e assume um aspecto anti humanista. Assume posturas como o critério da força e a obediência cega, renovando o choque entre Trasímaco e Sócrates, este partidário de uma racionalidade crítica, que levou-o a desobedecer, ao invés de cometer uma injustiça, e eliminar Leão de Égina.

Essa resistência mecânico formal a ordem dada, em nome de  princípios éticos ou direitos inerentes é inaceitável do ponto de vista do fascismo, o que desvela parte de seu espírito.

Curioso que, partindo do fascismo, os anarquistas não se tenham dado conta que o irracionalismo, via de regra (E com a mesma intensidade que os maniqueismos.) tem servido de apoio ao despotismo. Uma vez que o exercício do livre arbítrio está conectado a capacidade racional.

Sugere o irracionalismo, que sendo o ser humano incapaz de avaliar ou refletir é, consequentemente, incapaz de deliberar/decidir. Devendo ser tutorado ou controlado pela autoridade arbitrária sancionada pela Tradição.

Naturalmente que os alunos de Sócrates e os seguidores de Jesus não podem concordar com os teóricos do fascismo, pelo simples fato de afirmarem decididamente tanto a capacidade racional como a vontade livre dos seres humanos.

A partir daí, forma-se uma outra cosmovisão, posta para a afirmação de direitos essenciais numa realidade democrática ou cidadã. E uma oposição marcada ao ideário fascista, o qual, em seu conjunto, só podemos classificar como mais um anti humanismo e enfim como uma cultura de morte.

Enfim não acreditamos que a Redenção social parta da submissão passiva ou acrítica a uma autoridade caprichosa e a isso damos o nome que merece: Escravidão ou servilismo. E não menos que um anarquista qualquer repudiamos a ela.

De fato não nos resta qualquer ditadura: Dos líderes religiosos (Como Calvino), dos políticos (O Diretório), do proletariado, dos cientistas, dos militares... De esquerda, de direita, de centro... Pois somos filhos daquela liberdade que tem por berço o Evangelho. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Anarquismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

O abismo pós modernista

Aqui algo de ao menos parcialmente novo.

Pois se no papismo, no protestantismo (Apesar de seu conteúdo cético!), capitalismo, comunismo, anarquismo, conservadorismo e fascismo temos a afirmação de algum conteúdo, com o pós modernismo> Ceticismo, subjetivismo e relativismo, chegamos as portas do nihilismo ou ao nada absoluto.

Até o iluminismo, empirista ou materialista, tínhamos ainda alguma fé, fosse mais forte com a ortodoxia, o episcopalismo ou o papismo, mais fraca com o protestantismo, absoluta e cega com as seitas... havia fé.

Restou-nos por pouco tempo a Filosofia ou Metafísica, de pronto abatida por Hume, na Inglaterra, por Kant (Arauto de Lutero) na Alemanha e enfim por Comte na França... Cerca de 1840\50 removeram-nos o racionalismo.

Porém, desde Condorcet restou-nos a Ciência, com suas douradas e paradisíacas promessas para o futuro. Até a explosão das duas grande guerras... E foi-se a ciência. Todavia, ao menos no Leste, restavam a velha mística em torno da ciência, associada ao comunismo e suas visões futurescas - O que perdurou até a queda do mudo de Berlim em 1989 e ao colapso da URSS no ano seguinte.

Então o nada> A negação da realidade, a pós verdade, o domínio das narrativas, o 'imaginário coletivo', a 'construção social'... 

Sucessivamente foram as ilusões (Em torno de alguma verdade) caindo, uma após outra> Fé\Religião, Filosofia (Ética e Estética), Ciência e Revolução... A ponto do insuspeito Nietzsche contemplar uma Europa coberta por escombros e ruínas.

Parece que o comunismo e o positivismo não deram cumprimento a suas promessas, tal e qual haviam falhado o capitalismo e o protestantismo antes deles. 

Mas a questão aqui não é essa...

Pois apesar das sucessivas infidelidades e desmoronamentos sempre havia alguém disposto a coletar os cacos e construir um novo castelo ou fortaleza: Smith, Marx, Condorcet, Comte, Proudhon, Bakunin, Maurras, Mussolini... 

E era a utopia levada adiante...

Até que com Stirner, Nietzsche, Derrida, Foucault, Rand, etc chegaram os demolidores.

Após os quais restaram apenas escombros e ruínas, ou mesmo algum pedaço de carne fresca que o gusano ateísta busca devorar ou consumir com voragem... Referi-mo-nos aqui ao livre arbítrio ou da livre vontade, atacada com ferocidade por Skinner, Pinker, Roth, Sapowsky... Com efeito a neurociência dos 'ateistas' opõe-se decididamente a existência do livre arbítrio por ter dificuldade de explica-lo a partir de sua ideologia ou metafísica podre.

Assim, se o livre arbítrio não se encaixa muito bem como nosso materialismo mecanicista tosco, bora repudia-lo... 

Portanto - Mesmo no escuro reino do nihilismo, expandem-se as negações, sendo a negação dada por verdade...

Nada de novo debaixo dos céus - Há dois ou três séculos os céticos encantam os idiotas ao por tudo em dúvida, exceto o ceticismo, a que se apegam como um dogma. 

Aqui, sem sermos materialistas temos de admitir que, ao menos em certa medida, a atmosfera social exerce relativa influência sobre o mundo das ideias. 

Um franco realismo obriga-nos a admitir que quando uma sociedade está a progredir, avançar, a evoluir, etc Cria ou produz ideologias com um conteúdo bastante rico ou ideologias de afirmação, de certeza, de posse; enfim ideologias otimistas.

Outro o caso das sociedades quando abaladas por alguma calamidade social ou das sociedades fracas e decadentes. As quais tendem a abraçar, reproduzir ou criar ideologias de negação postas para o desespero.

O que já sucedeu mais de uma vez.

Assim os séculos IV e III a C > Período em que os planos de Aristóteles, assumidos por Alexandre, principiaram a dar errado, na medida em que Diadocos e Epígonos disputavam os restos de seu império e mergulhavam toda aquela parte do mundo num mar de fogo e sangue - Debutou o ceticismo de Pirro.

E novamente, quando o Império romano veio abaixo, tivemos o florescimento da Teurgia i é da feitiçaria ou da bruxaria (Com Jâmblico) em plena academia de Platão! E era isso o neo platonismo, ao menos em sua derradeira fase... E temos no campo da Teologia, o maniqueu Agostinho de Hipona, com seu pecado original e sua corrupção total da natureza, enquanto é Roma conquistada por Alarico e seus Godos...

Assim se Orígenes é o Teólogo otimista daquela Roma ainda forte e segura sob Aureliano, Agostinho...

Mesmo nos domínios da infidelidade islâmica, Gazail fez seu ataque a razão, aos racionalistas mutazzilas e aos escolásticos quando o califado estava já sendo estraçalhado pelos mamelucos fanáticos desde 909, culminando esses desastres com a ascensão de Al Haquim e enfim com a destruição da casa da Sabedoria de Bagdad em 1258. Foi este período um período de crise política, dissolução, violência, guerras, etc o qual resultou na consolidação definitiva do fideísmo irracionalista acharita.

Fácil compreender que para a Europa contemporânea, foram das duas grandes guerras mundiais, eventos similares aos conflitos que marcaram o período helenístico, a queda do império romano ou a dissolução do califado abássida, isto do ponto de vista do impacto psicológico. Se a guerra dos Trinta anos abalou a fé Cristã e as guerras napoleônicas atingiram a fé romana, as duas grandes guerras além de terem abalado mais uma vez a fé romana, destruíram da noite para o dia a fé positivista na ciência e ainda conseguiram respingar alguma lama sobre a fé capitalista... 

Daí a ascensão do ceticismo, do relativismo e do subjetivismo, enfim do modernismo e do pós modernismo enquanto doutrinas de negação. O quanto restava do outro lado do muro, como já sabemos, desabou pelos idos de 1989, provocando outra onda de desapontamento ou de ceticismo, entre os ocidentais.

Disto resultou, a partir dos anos 90 e nas duas primeiras décadas do terceiro milênio na afirmação do pós modernismo ou da pós verdade, etc, etc, etc

Parece que no fim das contas não havia mais sinal de esperança nos domínios da cultura ocidental. Por fim a construção das ideologias cessou, e parece que o nazismo foi a última delas. O quanto basta para demonstrar como a construção degenerou... Talvez muitos tenham concluído que era já a hora de parar. E que essas elaborações metafísicas ou racionais eram uma autêntica calamidade.

A impressão que se tem é que as grandes guerras produziram uma aversão a qualquer tipo de proposta ou ideário mesmo que suavemente reformista supostamente derivado da reflexão. Os conservadores de matriz agostiniano ou luterano tornaram a apontar a razão ou o racionalismo como sendo o vilão... Os resistentes do positivismo editaram mais uma vez o discurso em torno da 'coisa dada'... E todos os demais abraçaram o novo credo iconoclástico e vazio do pós modernismo, alegando que tudo quanto existia ou sobrevivia era o discurso, a narrativa, o imaginário coletivo ou a construção social, enfim a pós verdade...

Em seguida, o dilúvio...

Abriram-se as velhas comportas cerradas há séculos com portas de aço, e desde então, sem concorrência alguma, foram entrando os fios e as ondas do fundamentalismo religioso, espantando para a periferia do mundo.

Na conta do pós modernismo, com sua negação da verdade, seja científica, metafísica ou religiosa, devemos creditar a afirmação e expansão da treva fundamentalista no ocidente, seja ela protestante (Nos EUA e na América) ou islâmica, na Europa. 

Afinal que poderíamos opor nós as falsas verdades alegadas pelos fanáticos de plantão... Narrativas, discursos, versões... kkkk A moeda falsificada só se pode opor com sucesso a moeda verdadeira. 

Por mais que o pós modernismo negue, é fato que o intelecto humano está posto para a verdade, que pugna por ela e que ela apenas o satisfaz. 

Inútil oferecer coisas reformadas para a contemplação do intelecto racional, como intentou o protestantismo. Verdade seja dita quem se deleitaria  com com um sapato, uma camisa, uma moto ou mesmo uma casa reformada, podendo ter uma nova?

Nem mesmo comida requentada ou refeita apreciamos, quanto mais verdades divinas requentadas ou reformadas. 

Tanto pior para nós a ausência ou negação da verdade. Naturalmente que uma bananeira ou um limoeiro não se podem sentir frustrados caso não frutifiquem ou deixem bananas ou lições.

Outro o caso da criatura, ao menos em parte racional e sensível, que desespera de obter algum conhecimento válido e consistente. Negado ao Homo Sapiência o conhecimento, tudo quanto lhe resta é a decepção. Seguida pela frustração, pela angústia e enfim, por vezes, a alienação mental e o suicídio. 

Pois não existe o ser humano para o nada ou o vazio porém para a posse. 

E sua condição não se conforma por completo com a ausência.

A posse de ao menos algumas poucas e elementares verdades certas, válidas, indubitaveis e consistentes é indispensável a sanidade mental e a construção de uma personalidade forte.

Nem é possível constatar se a proliferação das doenças mentais no mundo contemporâneo é um sintoma ou uma das causas dessa calamidade. 

O problema crucial é que a falta da verdade pode produzir compulsão. A ponto da pessoa angustiada aceitar qualquer coisa, aliás duvidosa e infundada. Como mitos religiosos de talhe fetichista, conhecimentos alegadamente reformados ou enfim ensinamentos anti éticos ou mesmo bárbaros.

Não nos surpreende portanto que um cético ou negacionista radical passe facilmente ao extremo oposto i é a aparência de uma verdade totalitária que estimule a intolerância.

Afinal todos sabem muito bem como se comportam, a maioria dos humanos após longo período de fome ou jejum...

A Europa atual, desnutrida e famélica, por conta da brincadeira pós modernista, chegou já a esse ponto... De regastelar na lavagem do fundamentalismo árabe...

Então você já sabe perfeitamente bem o que produziu o avanço e potencial triunfo do califado islâmico na Europa> O pós modernismo, com sua leviana negação da verdade e repúdio ao conhecimento.

Creio porém que ainda haja tempo para fazermos uma arqueologia dos saberes ou regressão da cultura, recuperar nossos fundamentos e por assim dizer 'salvar' este projeto de civilização que ainda se não concretizou.

E é claro que não estou me referindo a protestantismo ou capitalismo, os quais representam o desvio quase inicial e o início da 'crise' porém a nossas raízes clássicas: Socrático/Aristotélica e talvez, ao Cristianismo antigo ou episcopal. 

Reflitamos...

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Sionismo 
  • etc







quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Alturas e abismos do fascismo.

Outra tentativa ideológica sincrética elaborada na Europa, a partir de várias fontes, foi o odiado fascismo - De fasces ou feixe de graveto, símbolo da unidade social e do poder romano.

Importante conhece-lo muito bem aqui no Brasil onde a esquerda, sempre burra e alienada, classifica a teocracia capitalista - Made in EUA - bolsonárica, como fascista. Isto quando estamos diante de uma expressão derivada do americanismo. Aliás os nossos estooouuudiosos chegam inclusive a classificar Donald Trump, o calvinista, como fascista kkkkk como se seu ideário procedesse da Itália ou de Mussolini e não das tradições yankeess i é do protestantismo ou da bíblia.

A maçonaria, a imprensa, sei lá mais o que, sempre protegendo o protestantismo e o islamismo, ocultando suas m... E a esquerda pós moderna e irracionalista engolindo tais atrocidades. Ao menos neste Brasil, que Ch de Gaulle avaliou como não sério.

Vamos porém ao fascismo e sua elaboração.

Sob o aspecto da força ou da violência e do poder, e da política, o fascismo derivada curiosamente de G. Sorel, um anarquista irracionalista e sincrético idolatrado por Mussolini. Como Marx inverteu Hegel de ponta cabeça Mussolini inverteu Sorel na direção dos militares ou do 'establishment'

Veja que os militares jamais foram cobiçados pelos comunistas e menos ainda pelos a anarquistas. E que essas preferências ou rejeições tem uma razão de ser.

Tornaremos a esse interessante assunto neste artigo ou em sua continuação.

Outro colaborador (Indireto) foi Ch Maurras, idealizador da 'Ação francesa', escritor pouco conhecido em nossos dias, porém bastante atilado. Pois principiando por um nacionalismo um tanto ingênuo e tosco, chegou, em sua fase mais madura, a compreender algo sobre a dinâmica da cultura.

A exemplo de Comte ou a partir dele, chegou Ch Maurras a reconhecer o papel das crenças religiosas (Pode ter lido "A cidade antiga" de Fustel de Coullanges) na formação da Cultura (Víde: R Graves, H Butterfield, C Dawson dentre outros) e a perceber a oposição entre romanismo ou Ortodoxia e protestantismo no plano das estruturas sociais.

Como Comte, Maurras, apesar de deseja-lo, não tinha fé religiosa. E no entanto, aspirando firmar ou fortalecer a cultura europeia, frequentava a igreja e apoiava suas ações. Do que resultou sua excomunhão pelo papa romano.

Apesar do nacionalismo ingênuo e tosco, ao menos parte dos fascistas chegou a teorias ou concepções de talhe mais ou menos culturalista. O que encaramos como um valor significativo em tempos de resistência ao relativismo cultural. Por pior que seja, um fascista jamais se associaria a jihadistas islâmicos na Europa, mesmo quando no Brasil, sempre por via do moralismo insípido, parte deles apoie a hidra bolsonarista (Derivada de uma cultura exógena e protestante!). O que significa que parte dos nossos fascistas também é burra... Aliás é o mesmo caso dos neo romanistas ecumênicos traidores da fé face a mesma impiedade.

Repito, a correta compreensão da cultura será sempre um valor.

Quanto a questão da economia, sinto ir na contra corrente e contrariar a opinião pública (Burra). A ser Mussolini ex socialista ou leitor de Marx, o fascismo sempre desconfiou do liberalismo econômico e vice versa. De modo que com grande custo chegaram a uma solução de compromisso um tanto grotesca. Forçoso dizer: Se o fascismo jamais aceitou as reivindicações do mercado em termos de liberalismo crasso, pondo-lhe limites e exercendo uma interferência ativa, temos de considera-lo, no mínimo, como a tão falava terceira via ou mesmo como um socialismo heterodoxo e 'suave' - Classifica-lo como capitalista reflete uma atrocidade do espírito.

Vamos lá.

Notória a insistência do fascismo em torno da unidade social, da concórdia, da harmonia... E sua oposição ao conflito, tolerado, senão estimulado, pelo liberalismo econômico. Como resultado esperavam eles a paz. 

E todavia, a parte que deveria ceder jamais cede de bom grado, mas, como é sabido, reivindica sempre mais e mais lucro. Enquanto que a outra parte, quando faltar-lhe o essencial  ou o pão (Como dizia Frederico Ozanam) será levada a lutar. Diante disto, deste beco sem saída, que fazer...

Face a essa antinomia ou oposição insolúvel concebeu o fascismo, o poder político ou o Estado, como um terceiro poder ou árbitro neutro, destinado a mediar as relações entre o mercado e a mão de obra i é entre a burguesia/patronato e o proletariado. A sugestão aqui é que o poder político estivesse acima do poder econômico e que não fosse dominado por ele. O que, para os comunistas e anarquistas, não faz sentido algum - Desde que a partir do século XVII o poder econômico foi, numa escalada cada vez maior, tomando as regras do poder político ou apropriando-se dele e convertendo-o em instrumento seu.

O quanto percebemos aqui é que o fascismo, tal e qual o anarquismo, voltou os olhos para o pesado, aderindo a contra corrente do processo histórico. E o modelo aqui parece ser a Itália medieval de um S Antônio de Pádua, na qual a igreja, com o suporte do Estado, julgava ou determinava os limites da ação econômica, condenando inclusive a usura.

Agora implica esta solução um problema (Ao menos em 2025) pois apesar da resistência exercida, não apenas por comunistas, mas muitas vezes por anglo católicos, romanistas, ortodoxos, humanistas e conservadores (Quem reconhece o mérito dessa resistência são k Polanyi e Hobsbawm) o capitalismo acabou por assumir o controle do Estado ou do poder político. 

É algo que deixo para os fascistas resolverem. Pois em 2025 não constato a existência de um setor neutro ou não cooptado pelo poder do dinheiro. E não faço exceção nem mesmo a nossas igrejas apostólica, mantidas pelas esmolas dos empresários ou das viúvas/beatas ricas, como já apontava G B Shaw há mais de século. Concordo todavia quanto ao passado, i é, o século XIV ou XV e quanto ao modelo, não porém quanto o que temos hoje.

Atualmente os bancos e indústrias comprariam qualquer governo, como por meio do lobby, manipulam nossos parlamentos. Vivemos hoje no império da venalidade e da corrupção, no qual os pobres não contam com proteção alguma. Sendo assim deveríamos começar indagando a nós mesmos: Quando desapossaremos a Elite econômica do poder politico, criando a tal estância neutra.

Do contrário continuaremos a ser neo liberais...

Continua 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Conservadorismo 
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Progressistas, conservadores e reacionários - três pautas distintas

Para a maior parte do público brasileiro conservadorismo e reacionarismo são uma e mesma coisa face ao progressivismo.

Este pequeno ensaio tem por fim por os pingos nos is ou distinguir uma coisa da outra, demonstrando que entre conservadorismo e reacionarismo vai uma grande distância.

Para tanto principiemos a maneira de Mestre Sócrates, ou seja, pelas definições:

  • Progressismo ou progressivismo: doutrina segundo a qual a sociedade do futuro deve ser criada ou reinventada partindo do zero ou mantendo muito pouco do quanto já exista, sendo mais ou menos 'velho'. Encara com suma suspeição tudo quanto seja antigo, tendendo ao iconoclasmo ou a eliminação sistemática de tudo quanto seja tradicional. Toda uma mística é construída em torno do novo ou das novidades. Suspeita tanto da fórmula resgatar ou restaurar quanto da conservar. Podemos de algum modo relaciona-la com futuro ou futurismo.
  • Conservadorismo: doutrina segundo a qual a Sociedade Ocidental do tempo presente - constituída em torno das formas capitalistas de produção, da democracia meramente formal e do cientificismo - deva ser mantida ou conservada exatamente como é, pelo simples fato de corresponder a forma mais próxima da perfeição. Podemos de alguma maneira defini-la como um presentismo. 
  • Reacionarismo: O reacionarismo idealista, ingênuo ou romântico pretende restaurar as estruturas sociais do passado nos mínimos detalhes, tais quais eram. Pessoa alguma que tenha estudado a História em termos evolutivos seria capaz de endossar semelhante crença. As Sociedades fazem seus caminhos e fazendo seus caminhos ou percorrendo seus trajetos incorporam outros princípios ou valores formulando novas sínteses. Como dizia Berdiaeff, um retorno integral ao passado é sempre impossível e absurdo. Assim os reacionários críticos, tal como os progressistas reconhecem a crise do tempo presente e aspiram por demolir - e com não menos fúria - certas estruturas constituintes da sociedade do tempo presente. Seus, olhos no entanto (sem que desprezem totalmente o novo) estão voltadas para a riqueza experiencial do passado e estão persuadidos de que um reaproveitamento ou uma reciclagem de valores, um resgate ou uma restauração não só é perfeitamente possível como necessário. Trata-se portanto de reintegrar certos princípios e valores a sociedade do tempo presente visando reformula-la.

    Assim aqueles homens que se depararam com as ruínas dos antigos templos pagãos, como o de Diana ou o de Juno moneta, tomaram parte daquelas pedras, colunas, esculturas, lages, etc e com as mesmas pedras ou elementos produziram novas estruturas quais fossem igrejas, muralhas, palácios, residências... a forma escolhida foi distinta, eles não puderam nem quiseram reproduzir as formas antigas, mas os elementos empregados, devido a qualidade ou valor, foram os mesmos. Assim os reacionários críticos acreditam que podem mudar, alterar esta sociedade e produzir algo de novo a partir do antigo, ou de elementos que fazem parte da cultura ancestral. Neste sentido a plataforma do reacionarismo esta mais próxima da plataforma progressista do que da plataforma conservadora. De fato muito pouco da Sociedade do tempo presente, em termos de cultura dominante, ou de americanismo, merece ser conservado e podemos sem deixar de ser reacionários proclamar a necessidade de uma demolição mais ou menos radical. 
          Nossa divergência face aos imperativos do progressismo esta mais relacionada com o que se 
          deve fazer após a demolição e limpeza, do que com qualquer outra coisa. É a respeito da recons
          trução ou do futuro que divergimos e não do presente.



          Importa saber que os conservadores, relacionados com o mundo do capital, buscam desmoralizar ambas as frentes inimigas, a reacionária e a conservadora, empregando os mesmos meios ou as mesmas estratégias imorais. Grosso modo todo liberal é perito em publicas e denunciar os vícios do Comunismo, do Anarquismo e dos Catolicismos, e em ocultar seus próprios vícios e crimes.

          Assim sua linguagem conhece certas senhas ou lugares comuns quais sejam: absolutismo, inquisição, ignorância, miséria, expurgos, censura, partido... No entanto com quanto esforço e sacrifício seus teóricos contratados buscam desvincular as duas grandes guerras mundiais, com o saldo de quase cem milhões de mortos, da dinâmica imposta pelo mercado. Das matérias primas, dos consumidores... e precisam de fato fazer muita ginástica mental para mistificar em torno de algo tão claro ou manifesto quanto as fontes ou raízes financeiras de ambos os conflitos.

          Outro empenho dos paladinos e advogados da 'ordem' liberal consiste em ocultar, disfarçar ou esconder as desastrosas consequências sociais criadas pela adoção da plataforma liberal na Inglaterra vitoriana e bastante divulgadas no tal 'Livro negro do capitalismo', obra em que os fatos sobejam e as máscaras caem.

          Excepcionalmente bem pagos, os apologistas do liberalismo canalha procedem como certos promotores da 'causa dos santos' em Roma, escondendo todos os crimes, males ou vícios do cliente e atribuindo-lhe toda casta imaginável de bens. Para eles a Revolução francesa não cometeu excessos! Agora se cometeu-os foram os proto socialistas, com certeza! Nem houveram carbonários e outros revolucionários - todos liberais - tão sanhudos quanto nossos comunistas! E se o liberalismo jamais fez correr sangue aos borbotões é porque jamais teria matado alguém... como se não houvessem outras tantas formas sutis de abreviar a vida humana descritas com absoluta propriedade por M Nordau...

          Ainda aqui podemos estabelecer um paralelo entre o Cristianismo e as ideologias que o sucederam: Pois enquanto as igrejas romana e anglicana reconhecem os crimes do passado e pedem perdão a pobre humanidade... as seitas protestantes de modo geral, seguem negando seus crimes, 'protestando' inocência e alegando estar sofrendo perseguição por parte do diabo, do mundo, do inferno... ou seja tem o desplante de apresentarem-se como vítimas! Da mesma forma enquanto os comunistas e monárquicos principiam a reconhecer os abusos, excessos e crimes, dispondo-se talvez a pedir perdão, os liberais com a presumida arrogância de sempre continuam a apresentar o liberalismo como santo, imaculado, impecável e responsável por tudo quanto haja de bom na sociedade contemporânea.

         Eis o motivo porque os justos e os amantes da virtude vão se concentrando nos pólos do progressivismo ou do reacionarismo por terem se desesperado de conciliar os imperativos da ética e da justiça com os desmandos do Mercado. Separados pela visão do futuro, tendo em vista o que fazer, reacionários e progressistas parecem comungar em maior ou menor intensidade do mesmo sentido ético e imaterial, e transcendente, de justiça. Não eles não se contentam em ter aquilo que é ou lhes é dado, mas ousam cogitar no vir a ser ou no como deve ser, ou num ideal de virtude a ser concretizado.

        É todo um não conformar-se ou acomodar-se com o presente estado em que se acha o mundo ou a sociedade, um resistir um questionar. Uma recusa obstinada em conservar e manter aquilo que encaram como precário ou defeituoso. Uma reconhecida necessidade de mudar. As fontes podem ser distintas mas a aspiração idêntica.

        Por paradoxal que possa parecer a alguns progressivismo e reacionarismo estão mais próximos um do outro do que do conservadorismo. Pois quem deseja mudar é porque sente algum tipo de mal estar, enquanto aquele que deseja conservar nada sente, nada percebe, nada vê; enfim é um cego!