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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Ensino - Entre criticismo e essencialismo\Ojetivismo



Num mundo cada vez mais complexo é cada vez mais difícil instruir as gerações futuras.

No passado, cerca de cinco, dez, vinte ou vinte e cinco séculos, educar era antes de tudo comunicar o que parecia ser a essência das coisas ou mostrar como as coisas eram em si mesmas.

No entanto, há cerca de cinco séculos, passou o Ser, a ser cada vez mais utilizado com uma finalidade lucrativa e desde então quase todas as coisas se converteram como que em meios para se obter dinheiro. Desde então as pessoas tem se interessado mais pelo uso que se faz das coisas do que pelas próprias coisas, até o ponto de certas opiniões - Ora predominantes. - certificarem que não podemos conhecer as coisas como tais e que isso é ociosidade inútil. Sempre podemos usa-las (rsrsrsrs), sai de cena a Ontologia ou a Metafísica, e entra em cena, com grande gala a Dona Economia... Senhora de nossos tristes tempos economicistas (Foi o Católico T S Elliot e não os comunas que os declararam tristes e eu concordo plenamente com ele.). 


Ao mesmo tempo em que as coisas principiaram a ser cada vez mais usadas com finalidades econômicas, também foram - As coisas. - usadas para ocultar, disfarçar ou obscurecer a realidade vivida por aqueles que ao invés de lucrar ou auferir benefícios por parte do sistema vigente, apenas trabalhavam e continuavam penando ou acumulando miséria. Na medida em que parte das coisas ou dos seres passaram a ser usados, por quem aspirava permanecer no comando, com o objetivo de alienar os mais humildes da realidade por eles vivida ou melhor dizendo de suas causas mais íntimas e remotas, foram surgindo oponentes cujo ofício passou a ser revelar ou tornar pública a grande burla que é a Sociedade liberal economicista ou capitalista, em Educação, essa vertente recebeu a alcunha de crítica.

O Educador crítico tem assumido, em maior ou menor grau a tarefa de demonstrar como a realidade das coisas tem sido manipulada pelos detentores do poder econômico, noutras palavras, tem concentrado seus esforços em expor as mentiras do capitalismo - E o capitalismo mente a não poder mais (O que não quer dizer que as Ideologias que se lhe opõem, disputando a Hegemonia, não mintam.). 

Então qual é o problema do Criticismo ou dessa Revelação a propósito da grande farsa do Capitalismo...

Que ficamos apenas na crítica ao uso que o capitalismo faz das coisas, no marketing, na instrumentalização, no engano, na aparência ou melhor dizendo nas relações existentes entre os seres, criadas pela produção. E jamais chegamos as coisas, ao ser, a verdade mais íntima e profunda... Em Geografia olvidamos por completo os fenômenos físicos... Em História colocamos de lado os personagens, fatos, datas, etc - Além de abandonar o passado mais remoto, tão interessante e fecundo... Em Arte esquecemos a fruição intuitiva do belo (Estética) ou o significado estético da produção pessoal - E tudo isso vai sendo relegado a segundo plano e deixado para trás.

A crítica é quiçá necessária, e isso é angustioso! Porém a educação ou a formação se vai mutilando e empobrecendo. A ponto de tornar-se alvo de contra criticas justamente por parte dos prestidigitadores economicistas. Não sou contra a crítica ou o criticismo, reconheço sua relevância num mundo de aparências e intencionalidades viciosas, mas quero estabelecer uma crítica honesta face a certos abusos ou excessos do Criticismo, pois temos que tornar a falar sobre as coisas e a verdade, para que a Ética não fique desamparada de seus fundamentos, passando a ser apresentada como mero discurso, como uma perspectiva, como uma interpretação ou como algo absolutamente relativo.

Quando falo na realidade da dor provocada no sujeito por um situação de injustiça tenho que aprofundar metafisicamente minha predicação, conceituar que seja dor, que seja ser humano, que seja justiça, etc e demonstrar que haja algo real, para que essa dor e essa justiça não sejam relativizadas.

Curioso falar em crítica, criticidade, criticismo, etc sem pensar I. Kant.

No qual já esta presente o grande efeito ou sintoma da brincadeira iniciada pelos sistemas modernos face ao conceito de verdade - Seja natural\racional ou Revelada, não importa... Esse sintoma doentio é a negação da Verdade ou o total desinteresse por ela. E nem se pode dizer que o positivismo, o cientificismo, e outras ideologias modernas, ainda quando impulsionaram o anarquismo e o comunismo, começaram prestando imenso serviço ao Capitalismo, pelo simples fato de negarem a Metafisica e consequentemente Ontologia, Estética e Ética (Litreé). Após a demolição da fé, precipitaram-se as mentes não no precipício da economia, com seu prosaísmo vazio, mas nos braços da Metafisica e sob os auspícios da Filosofia clássica. 

Kant prosseguiu a demolição da Verdade, pois a um tempo contemplou a burla iniciada pelo Capitalismo e a outro o significado mortal do Libre examinismo no plano religioso > Pois se haviam apenas interpretações (A expressão é de Nietzsche) não havia verdade e menor ainda Revelação divina - O único padrão de veracidade para os Evangelhos e o Novo Testamento é a Tradição alardeada pelas antigas igrejas Apostólicas, sem a qual o livro se converte num labirinto sem saída. E no entanto esse mesmo Kant forcejou por estabelecer um Ética objetiva por meio de imperativos categóricos e não podia imaginar o viver sem Ética de Litreé.

Comte, outro bravo demolidor, busca abater toda Metafísica e exaltar a Ciência empírica até imaginar uma ditadura de cientistas. Litreé põem de lado a ditadura de cientistas para conciliar-se com a democracia formal, porém 'avança' no sentido de repudiar a Ética e é claro a Estética, como emboloradas lucubrações metafísicas... E exalta até onde pode essa ciência que se deleita em deslindar aparências ou fenômenos... Após ele Durkheim e Lévy Bruhl levam adiante a batalha contra a essencialidade Ética nos domínios da Sociologia e postulam um relativismo absoluto, a partir do qual Sócrates é morto e não resta critério algum pelo qual possamos acordar em torno do certo e do errado...

Foram uns belos discursos positivos ou científicos em torno da Ética ser mero resíduo cultural, produto intragável da fé religiosa ou pura fantasia arbitrária (Metafísica) engendrada pela mente... Até que os alemães parecem te-los lido e levado bastante a sério, a ponto de produzirem duas grandes guerras mundiais nas proximidades do paraíso capitalista ou do coração da civilização, convertendo-o por duas vezes em ruínas fumegantes... E no bojo dessa cruzada contra o direito natural ou o jus naturalismo (Em que Antígone era pintada como idiota e Creonte como...) surgiu nazismo, e tortura, e assassinato, e roubo... E toda aquela carniçaria e miséria - Afinal não havia qualquer padrão objetivo ou essencial de Ética.

Recordo-me de ter lido algumas palavras escritas por alguém que viveu num desses campos de concentração - Nos quais Ética era certamente encarada como palavra vazia ou discurso sem sentido: Ali haviam diplomados e técnicos que assassinavam... e respeitáveis cientistas que praticavam tortura, exterminando crianças, grávidas e idosos com requintes de crueldade... Adquiriram com sucesso os conhecimentos de suas respectivas disciplinas, a calamidade aqui é que não aprenderam a ser bons... Essas pessoas, antes de aprender matemáticas, física, química, etc deveriam ter assimilado princípios e valores saudáveis. 

Nada que Sócrates, Jesus ou um Buda já não tenham dito antes... Esses pobrezinhos... > Segundo Litreé, Durkheim e Bruhl... não passavam de umas criaturinhas toscas, privadas de espírito positivo ou científico... Desde então teve a Europa ou o Ocidente, que aprender com a dor e que reformular seu discurso...

Após a segunda grande guerra a palavra Ética - E o velho Sócrates ou Aristóteles. - parece ter sido reabilitada, tornando-se novamente popular, ao menos aparentemente ou superficialmente, pelo simples fato de que os céticos, positivistas, relativistas, ateístas, etc servidores do Capitalismo, não podem admitir ou conceber, que a dimensão ética da pessoa seja inculcada nos mais jovens com toda seriedade a que faz jus. Problema não é o comunismo ou anarquismo repudiarem uma Ética essencial - Nada que o amiguinho querido, chamado positivismo (E o cientificismo que com ele se confunde.) já não tenha feito... Problema é o Mercado insinuar a meia boca que esta acima da Ética ou os representantes da bela ciência (Como se fossem arremedo do colégio cardinalício.) exigirem neutralidade...

Por isso digo que pior do que negar a Ética é muito menos prejudicial e danoso que brincar com ela.

Pois onde mais falta Ética em nossos dias é nas relações econômicas, cada vez mais desumanas e intoleráveis, assim nas relações políticas com essas guerras totais que envolvem a população civil de cada pais e seus animais inocentes. O mundo da economia, da política e da guerra continuam visceralmente irredutíveis a Ética...

O próprio Ch Dawson em seu inútil livro sobre Deus ou contra a existência de Deus, ainda que imbuído por um venenosa ideologia cientificista em momento algum decantou contra a Ética, limitando-se a declarar que até então o ateísmo querido tem sido de todo inútil para produzi-la i é para criar um sistema de Ética. A bem da verdade, a crítica foi injusta, pois o ateísmo ou o materialismo encontra-se na gênese do utilitarismo ou pragmatismo 'ético', com suas repercussões estéticas... E foi outro desastre clamoroso, pois por ser nulo em termos de princípios e valores, o pragmatismo (Como a ciência positiva) fica sempre sujeito a ser utilizado por qualquer ideologia ainda que oculta...

O mesmo Dawson não se lamenta menos de que no campo da estética a querida ciência nada tenha produzido de relevante, como uma peça de Teatro ou uma sinfonia.

Agora por não produzir Ética - Não produz sequer estética! - ou princípios e valores próprios, como poderia a querida ciência deixar de servir como lacaio dedicado ao Capitalismo... Como servirá o Nazismo na Alemanha e o Comunismo na URSS. Bela deusa essa que se partilha seu leito com Comunismo, Nazismo ou Capitalismo. No Ocidente é acrítica e manipulável, não devendo o homem esperar dela qualquer redenção. Descobertas, conquistas tecnológicas, verdades fenomenológicas, etc mas não a mais leve crítica ao sistema. Entre nós a ciência esta conectada aos poderes políticos e econômicos - E por isso, enquanto os europeus deploravam a desconstrução da Ética pelas beldades positivistas, os cientistas instalados nos EUA faziam o que lhes era ordenado, produzindo Bombas que seriam lançadas sobre uma população civil inocente.

Protestantismo, capitalismo, positivismo, cientificismo, ceticismo, pragmatismo, modernismo, etc se entrelaçam e misturam nessa sopa indigesta e nauseabunda. Merecendo cada qual ser criticado com toda propriedade e responsabilizado pela demolição da Ética essencial, da estética essencial e sobretudo da Metafisica, sem a qual tudo se relativiza e perde o sentido.

Comunismo e anarquismo também deveria ser julgados e criticados e julgados com toda liberalidade, enquanto reprodutores acríticos das ideologias acima citadas e de seus vícios. Não são inocentes e nem mesmo a Igreja romana ou o papismo é inocente - Embora eu a encare como a menos culpada, paradoxalmente a mais responsável (Por não ter condenado o agostinianismo.) e a menos culpada (Devido as condições históricas e sociais do Ocidente medieval.).

Por isso considero que calcar as críticas na velha igreja papalina como se fosse a principal responsável por todos os nossos transtornos e padecimentos, equivale a um erro imperdoável e tanto Engels, quanto Weber, e Tawney, Fanfani, O'brien, etc apresentaram o protestantismo como sendo o principal sustentáculo ou aliado ideológico do capitalismo.

Seja como for estabelecer uma crítica tão completa na escola é intencionalmente impossível... Digo mais: Concentrar-se numa crítica ao Capitalismo e suas mazelas tampouco é possível, e esgota-la menos ainda. 

Necessário ao professor de História apresentar a seus pupilos outros períodos em que não havia capitalismo e nos quais o poder econômico não era tão poderoso e forte. Necessário a esse educador referir a personagens, eventos, locais e datas, não apenas a processos de produção e as estratégias empregadas com o objetivo de oculta-las.

Necessário ao professor de Geografia apresentar a seus alunos não apenas a 'Guerra fria' mas antes dela a forma do planeta, os acidentes geográficos, a relação meio, homem e sociedade, etc 

Tampouco o professor de arte poderia concentrar-se apenas no uso da arte como dominação ou na contra propaganda sem apresentar as turmas a História das representações artísticas e alguma mínima noção de teoria Estética, sempre intermeada pela produção concreta da arte, quiçá seu aspecto mais relevante tendo em vista seu aspecto psicológico e formativo; o simples trato prático com a arte é humanizador e terapêutico.

Um bom professor terá, necessariamente, que conciliar a crítica ou o criticismo com um saudável realismo ou essencialismo que reporte as coisas ou ao ser, e a pessoa. De maneira que seu criticismo não se torne árido e insípido. Ocioso dizer que por admitirmos uma justa crítica ao Capitalismo e aos danos por ele causados em praticamente todos os setores da vida humana, não endossamos qualquer apologia ao Anarquismo, ao Comunismo ou a qualquer outro sistema sócio, político e econômico em sala de aula. Compreendemos perfeitamente que todos esses sistemas devam e possam ser livremente abordados e discutidos pelas turmas e professores nas aulas de Filosofia, Sociologia ou mesmo em certos tópicos de História, mas não admitimos que as nossas aulas devam converter-se numa doutrinação catequética sistemática. 

E já declaramos que, salvo quando uma tal temática seja introduzida pelo currículo, sua discussão deve partir sempre dos alunos ou da turma e jamais do professor, a guisa de proselitismo. Salvo quando os alunos suscitarem determinadas questões - As quais sempre deveriam ser acolhidas e levadas a discussão pelo professor. - deve o docente seguir a ordenação curricular e ministrar os conteúdos estipulados. 

Exerçamos portanto um criticismo crítico, sóbrio, dosado, etc e não um criticismo cego e sectário que redunde em contra críticas maliciosas em favor da manutenção da realidade dada. 






sábado, 24 de julho de 2021

Entrevista - Parte final

01) Individualismo?

Egoísmo - O veneno do tempo.

02) Personalismo?

O ser humano recebe está condição, a condição humana. Nascemos já enquanto seres humanos, não como ou enquanto pessoas. 

Segundo Mounier nós nos tornamos pessoas por meio de um processo.

Nos tornamos pessoas quando saímos de nós mesmos e nos conectamos aos outros. 

Tornar-se pessoa é criar vínculos afetivos na dimensão do social.

03) Humanismo?

Continuação de um ideal grego ou melhor Socrático e/ou ainda platônico que afirma a essencialidade da Ética/moralidade, a livre iniciativa do agente social e a primazia da justiça enquanto princípio. 

Por via do Cristianismo ou do Evangelho, com o Dominicano Francisco de Vitória chegamos a noção da dignidade inerente do ser humano ou dos direitos humanos enquanto entidades essenciais.

Engloba atualmente uma coordenação entre valores derivados da política liberal, a forma democrática, a ética essencialista (Jusnaturalismo), os direitos humanos e a justiça social ou justicionismo. Tais os elementos que compõem. Impossível ser humanista sem ser politicamente liberal, democrata ou melhor policrata, jusnaturalista e essencialista; pois a adesão a tais princípios equivale sempre a promover ao máximo o ser humano.

04) Feminismo.

Antes que eu mesmo reconheça os abusos historicamente criados em torno deste ideal devo insistir que o abuso jamais tolhe o uso e que todas as instituições, mesmo as divinas, sofrem abuso por parte dos homens, assim o Evangelho a ser 'livre' ou 'subjetivamente' interpretado ou distorcido. Tal o caso do evolucionismo biológico, da ciência, da metafísica, do socialismo, do jusnaturalismo, da moral, etc Tudo sem exceção sofre abuso e por isso toda e qualquer solução iconoclástica torna-se inviável. Ou teríamos de abolir todas as coisas, todas as doutrinas e instituições, sem que nada restasse.

Todavia, dentro de suas medidas e pugnando por um objetivo justo é o feminismo, segundo J S Mill, amplamente libertador e poderoso aliado das instituições democráticas e liberais. Pois na medida em que nos libertamos libertamos igualmente aos outros, em especial aqueles que estão habituados a dominar, dentre todos os piores escravos enquanto escravos do ego. Ninguém liberta apenas a si mesmo, mas também aquele que o oprime. 

Assim quando a mulher cessa de permanecer presa ao fogão e a ignorância cessa de ser dominada pelo xeque, pelo rabino ou pelo pastor, assim de ser usada e manipulada por eles e de servir como espécie de arma contra as instituições democráticas. Sobretudo quando permitimos que a mulher instrua a si mesma, e que trabalhe, e que se sustente - É claro, sem abandonar de todo o lar, mas compartilhando-o com seu esposo. - e que tome suas decisões, que seja sujeito de direito, que se possa separar quando desejar, etc estamos libertando antes de tudo a prole, posto que a mulher, sendo escrava ou livre é sempre educadora. Portanto faze-la livre é como que criar um curso intensivo de liberalismo para a prole ou ainda prover uma atmosfera de liberdade tendo em vista a formação de cidadãos livres. 

Além disso reconhecer a equivalência de direitos e deveres para homens e mulheres é satisfazer uma demanda posta pela própria justiça uma vez que da parte da natureza inexistem diferenças essenciais entre os dois gêneros em termos de superioridade e inferioridade. Portanto quanto as mulheres e homens pugnam pela liberdade feminina e pela igualdade pugnam por uma causa essencialmente justa, destarte por um bem. 

Outro o caso das tais radifens, feministas fanáticas ou sectárias que postulam uma superioridade essencial para as mulheres, ora isto não passa do veneno machista invertido, o que da mesma maneira ocorre no campo do racismo ou do preconceito racial.

05) Quer dizer que há um racismo invertido?

Compreendendo uma das mais bizarras monstruosidades surgidas no curso da História humana não pode o racismo ser tolerado sob quaisquer formas ou expressões.

Temos então de falar no justo combate ao racismo por parte de um igualitarismo essencial absoluto, isto em termos de etnia, de direitos naturais e de deveres, mas não necessariamente em termos de cultura.

No entanto ao menos quando ao aspecto biológico ou natural podemos postular um igualitarismo essencial absoluto. Todos os seres humanos são absolutamente iguais em termos de direitos e deveres.

O que nos obriga a abordar o tema polêmico da inversão racial ou da reprodução do preconceito e da discriminação por parte dos africanos ou pretos.

Há inclusive uma Ideologia forjada por essa inversão, o pan africanismo. 

Aproveitando-se deste clima tóxico produzido pelo relativismo/subjetivismo os teóricos desta ideologia tem buscado demonstrar que foi o Egito antigo um espaço ocupado majoritariamente por negros ou que ao menos seus dirigentes os faraós foram praticamente todos negros. Fora de discussão a existência de uma Dinastia negra ou 'africana' procedente de Meroé e cujo principal representante foi Taharca, um grande faraó guerreiro. Dai concluir que todas as dinastias e que todos os Faraós e dirigentes egípcios foram pretos é uma desonestidade, mormente quando os egípcios sabiam perfeitamente discriminar os povos pretos do Sul sob o término de Nehesi e assim pinta-los de preto enquanto que a si mesmo pintavam de vermelho e a suas mulheres com rosa claro.

Seguem no entanto tais ideólogos adiante e quando não tentam demonstrar que também Sócrates era negro - rsrsrsrs... ousam repudiar a Sócrates e a toda Filosofia grega em bloco por não ser africana, o que denota já etnocentrismo ou racismo. 

Fato é, e lamentável, que tais discussões tem frequentemente ultrapassado o plano teórico e chegado ao plano prático da vida vivida. Eu mesmo, que por ser descendente de judeus e mediterrânicos não sou caucasiano mas moreno (Diria tipicamente semita.) ao ter questionado - Numa discussão pública! - as incoerências contidas no discurso de um negro africanista obtive a seguinte resposta por parte do Ideólogo: O Senhor não sabe de nada porque é um branco (Ora eu não sou nem negro nem branco mas semita ou mediterrânico, com uma parte de Ameríndio!) e eu não discuto ou diálogo com brancos, apenas com homens pretos.

Não hesito classificar esse tipo de resposta como racismo ou preconceito invertido. Posto que o homem insinua que os brancos e demais seres humanos sejam incapazes de compreender ou de pensar. Que sejam inferiores aos pretos quando ao aparelho cognitivo. Que seja impossível dialogar com quem não é negro! Francamente, como classificar tal tipo de atitude. A qual torna-se cada vez mais comum no Brasil... Bem, o que estamos assistindo hoje é a criação de um sectarismo étnico. Inclusive por parte de nossos povos indígenas, o que posso falar com pleno direito por ter em minha árvore uma ancestral indígena.

Não se trata portanto de pugnar pela liberdade ou por direitos iguais, e já estamos ouvindo mais uma vez e com complacência o velho e perigoso discurso da superioridade.

Da mesma forma como não há autoritarismo mau e autoritarismo bom numa sociedade avançada tampouco podemos admitir que haja racismo mau e racismo bom - Racismo algum é bom ou tolerável parta do branco, do negro ou do índio. 

Por ser favorável a igualdade, a liberdade e aos direitos de negros e índios nem por isso sou contra a totalidade da cultura branca ou européia, como se nada nela prestasse... Avaliações culturais feitas em bloco são sempre perigosas. Nada mais leviano do que lançar as favas o Cristianismo antigo junto com o capitalismo ou a Filosofia grega junto com o nazismo, ou ainda o pós modernismo com o jusnaturalismo ou a ciência. 

Uma visão equilibrada da realidade considera que cada etnia, povo ou sociedade contribuiu de alguma maneira tendo em vista a evolução do todo. Temos assim a caverna de Blombos na África do Sul como berço do progresso humano, mas também temos a Índia com os numerais arábicos, a china com a bússola, o papel, a pólvora, etc A Suméria, o Egito, a Grécia, etc como que formando uma grande simbiose social.

06) Equivalência ou igualdade cultural?

Tudo quanto faz o homem é cultura e hoje sabemos que até mesmo alguns tipos de animais produzem cultura.

O que não significa que sejamos obrigados a avaliar todas as formas de cultura como absolutamente iguais. Postular o contrário é forçar a barra e exigir submissão ao relativismo, ao relativismo ético inclusive (Nos termos de um L Levy-Bruhl.)

Tudo é cultura porém nem toda cultura tem o mesmo valor e podemos sim atribuir valores diferentes pretendendo que hajam formas superiores e inferiores de constelações culturais.

Em termos de cultura não posso deixar de afirmar algumas como superiores assim a sumeriana, a egípcia, a grega, a bizantina, a italiana da baixa Idade Média ou a francesa durante o século XVII... E o quanto temos para medi-las é considerar o que delas passou a nossa cultura ocidental contemporânea. Não posso alistar aqui a antiga cultura israelita por não acreditar que o fenômeno Cristão tenha partido dela como algo imanente, pelo contrário todas as investigações apontam para uma radical oposição entre o elemento Cristão i é o Evangelho ou Ética e aquela cultura. Eu encaro honestamente o fenômeno Cristão como algo sobrenatural ou Revelado, não como produto da cultura e jamais ocultei tal ponto de vista.

Todavia, caso tomemos por medida a imanência, Sócrates ou o socratismo se destacam em termos de Ética como algo universalmente relevante, assim a gnoseologia e a epistemologia de Aristóteles, bem como as contribuições de um Scottus ou de um Aquino, assim as de um Descartes ou de um Pascal, as de um Shakespeare ou de um Molière, as de um Dante, de um Camões, de um Klopstock ou de um Cervantes - São entidades culturais ou estéticas que não encontraríamos na Ilha de Páscoa, nas Ilhas Trobriand, entre os bosquímanos, xavantes ou anasazis. O que não quer dizer que para seus agentes tais culturas nada possuam de bom ou mesmo de belo. Efetivamente satisfazem as demandas de seus membros, sendo funcionais. Outro o caso dos exemplos acima citados, os quais satisfazem anelos universais e comuns a espécie de modo que mesmo um alacalufe, um hotentote ou um Puri deixaria de avalia-los como belos ou relevantes. Por isso é o Hecatonpedon visitado por pessoas de todas as partes do mundo, sem que seja avaliado como feio por quem quer que seja.

07) Arte moderna?

Psicologista e utilitarista.

Por ser psicologista ou meramente subjetiva admite que o artista determine suas regras, o que foge a qualquer tipo de avaliação objetiva. Partindo dela os concursos não fazem qualquer sentido, posto que toda avaliação meramente subjetiva é arbitrária. Nada mais complicado do que mensurar supostos estados de espírito ou emoções. Por isso que a arte clássica se limita a avaliar externamente as formas, as cores, etc podendo dar a público suas razões, o que num concurso qualquer é bem mais honesto. Tais razões sempre podem ser contestadas, estados de espírito ou emoções não. Alias, partindo de tais premissas qualquer pessoa poderia ser juiz em matéria de arte... E no entanto temos juízes??? Qualificados no que? Em nada que não esteja no teu ou no meu acesso.

Por ser utilitarista, pragmática ou funcionalista é esta arte filha do capitalismo com sua fabricação de objetos em larga escala, o que obviamente excluí o adorno como supérfluo por ser custoso. Nesta perspectiva, isento de adornos ou enfeites ociosos, cessam tais peças de ser obra de arte... posto que nada mais há nelas de humano ou de pessoal. A produção em massa é adversária da arte... O sapato de outrora era a um tempo um sapato ou objeto destinado ao uso e uma obra de arte por conter adornos, quase sempre feitos a mão. 

O Capitalismo por meio do utilitarismo separou a arte da produção. Por meio da arte moderna separou a arte do belo ou o belo da arte, substituindo o belo por impressões psicológicas vagas e indefinidas. 

Separar o objetivo do subjetivo e priorizar um dos dois será sempre obscurecer e distorcer. Pois é o humano a um tempo objetivo e a um tempo subjetivo. Sendo apanágio da arte despertar um impacto sentimental por meio da contemplação da beleza e não despertar emoções indefinidas por meio do grotesco, ou ainda servir como meio para descarregar as emoções com exclusão da beleza.

Não posso ver a arte como estância destinada a manifestações derivadas do inconsciente. E sim como expressão do quanto haja de mais belo na realidade ou no mundo exterior, portanto a nível da consciência. Por tais razões só posso encarar a arte moderna como um desvio.

Para encerrar o assunto a arte deve ser inútil por definição como sentenciou Paul Valery, não poder ser delineada por editores com propósitos lucrativos. Via de regra o que é editável, lucrativo ou barato é lixo, isso mesmo lixo, e não arte. Não é feita a arte para ser consumida em alta escala pelas massas mas para ser degustada por almas sensíveis. 

Após ter engendrado o modernismo e a tal cultura de massas o liberalismo econômico continua a empobrecer e a ameaçar a arte. 

08) O Funk, a música contemporânea de modo geral.

Por tornar-se psicologista como a arte moderna de modo geral a música converteu-se em som ou melhor em ruído ou barulho, quando no passado era harmonia entre notas ou composição. E sequer precisava ser alta para se degustada - "O barulho jamais faz bem e o bem não faz barulho." é lema que cabe perfeitamente a música.

A música moderna enquanto barulho tanto pode significar invasão cultural ou reprodução ditada pelo ritmo das relações sociais (Líquidas segundo Z Baumann) e da produção econômica, como podería significar uma tentativa de fuga da realidade por meio da dispersão, posto que o barulho aliena e dispersa. Neste caso o barulho na música faria o mesmo papel que as micaretas religiosas do pentecostalismo (Alias tão barulhento quanto.), as drogas, a hipersexualidade, os jogos eletrônicos, etc criando uma espécie de realidade paralela. 

De um modo ou de outro o barulho sempre dispersa, aliena e afasta o homem da interiorização e da reflexão. É algo sem conteúdo por ausência de notas e composição, i é, de melodia, exceto na perspectiva da arte moderna que é, como vimos acima, psicologista e emocionalista. Ora o emocionalismo exacerbado é inimigo da reflexão.

Para além disso as mensagens divulgadas pelo funk são quase sempre perniciosas: Hipersexualismo ou erotismo deslocado até a pornografia, machismo, homofobia e até mesmo estímulo ao consumo de drogas... nada de eticamente elevado ou educativo. 

Quando embrenha-se pelos domínios da dança converte-se o Funk em calamidade, supondo que consista a dança a balançar a bunda, em balançar o peito ou em simular a cópula. Claro que um espetáculo de dança ou opera pode ter um conteúdo sexual ou erótico, outro o caso de reduzir toda trama ou todo espetáculo em atos de natureza sexual, aqui o quanto temos é um reducionismo tosco. Dança para mim é balé e música para mim é ópera, criações nas quais bem pode haver algum espaço para o erotismo mas que não se reduzem a ele situando-o num drama ou numa narrativa. Seguidamente a ópera temos os consertos ou a música instrumental, a qual também supõem uma trama ou narrativa. Também a música folclórica ou regional pode conter um repertório bastante rico. Ora música é composição, narrativa e trama, não apenas som. O simples vocal já é sinal de reducionismo ou empobrecimento ditado pelas circunstâncias acima citadas. Nada educativo.

09) Não é sua concepção de arte elitista?

Massivista é o que não é.

Porém prefiro dizer educativa, integral ou ainda essencialista.

Lamentavelmente as massas apropriaram-se do belo, da expressão artística ou a Arte, com exclusão do povo, e fizeram delas um monopólio. Estabelecendo inclusive uma segregação, por saberem que a Arte educa e humaniza.

Diante disso as esquerdas simplistas, desorientadas e iconoclásticas passaram a votar imenso ódio ao quanto seja clássico, humano e educativo por ter sido apropriado pelas elites burguesas. Já os bens materiais não querem os revolucionários iconoclásticos, apenas os culturais ou imateriais, posto que Sorel deixa bem claro que os bens econômicos devem ser conservados... Que brincadeira de mau gosto é essa? 

Julgo que a posse de tais bens culturais e das expressões clássicas da arte deva ser recuperada pelo povo, tal seu valor educativo e humano.

Alias a intencionalidade dos burgueses ao privar tais grupos do acesso a tal conteúdo foi justamente brutaliza-los ou desumaniza-los. No que foram bem sucedidos até certo ponto. Do contrário não teríamos sunitas, pentecostais, carismáticos, comunistas e anarquistas circulando por todos os lados... 


10) Alienação?

Fuga de uma realidade que nem sempre podemos viver ou transformar.

Mesmo o intelectual ou humanista precisa alienar-se em certa medida e até certo ponto da realidade ingrata a que busca transformar, nem sempre com sucesso (Ao menos imediato.) Tal a alienação saudável, destinada a abastecer e a reabastecer, representada pelo consumo moderado de licores, pelo consumo parcimonioso do fumo, pela degustação culinária, pela boa música, pela composição poética, pelo teatro, pelas exposições de arte, etc 

Há no entanto quem movido pela angústia ou pela frustração fuja a toda medida. Chegando a uma dependência insuperável.

Quanto as formas há diversas: Jogos eletrônicos, Televisão, Futebol, hipersexualidade, cigarro, álcool, entorpecentes, comida, o fanatismo religioso ou ideológico, etc Tais os assim chamados vícios - Os quais se tornam patentes quando afetam a qualidade de vida do sujeito. 

Quanto ao mais terríveis como o álcool ou as drogas, na medida em que as sensações produzidas pelas substâncias mais fracas vão se tornando costumeiras ou banais a tendência é consumir substâncias, bebidas ou drogas, mais fortes, o que subindo vai em escala até a morte ou o suicídio por overdose no último caso ou por algum tipo de enfermidade quando ao primeiro caso. 

Quanto as demais formas, tanto mais inocentes, via de regra limitam-se a reduzir ou a disfarçar a realidade dada, convertendo o sujeito em prisioneiro inconsciente. De modo que se exila no mundo da bíblia, dos romances, da novela, do futebol, da hipersexualidade, da realidade digital paralela, dos jogos eletrônicos, etc E o que temos aqui são prisões, grades ou cárceres invisíveis. 

No mais das vezes é um alienado - A peregrinar de alienação em alienação. - uma espécie de morto vivo ou zumbi...

11) Como evitar uma tal condição?

Distrair-se com as formas de alienação inocentes e episódicas. Vá ao Teatro, a exposições, a espetáculos musicais, feiras de arte, etc Ouça boa música, cante, dance, desenhe, pinte, esculpa, modele, recicle, pratique algum esporte ou faça dinástica, jogue com familiares ou amigos. Faça palavras cruzadas, pesca palavras e todo tipo de joguinhos diariamente. Reserve um tempo para isso, pois tudo isso é higiene mental que ajuda a descontrair. 

Observar a vida vivida: Passear, viajar, ler jornais e revistas, etc

Manter-se bem informado ou simplesmente cultivar um ritmo de leitura.

Busque conectar-se ao todo ou ao universo cultivando alguma forma de espiritualidade. Entre num belo templo religioso: Ortodoxo, romano, anglicano, judaico, budista, etc eleve o pensamento, faça uma prece mental, respire moderadamente, aproveite o silêncio, deguste a música religiosa, contemple as expressões artísticas do espaço, etc 

Tudo isso te ajudará a ser mais resistente, a conhecer a realidade, a suportar tal conhecimento e a lutar com objetivo de melhorar as coisas. 

12) Homofobia?

Sinal dos tempos ou de nossa profunda decadência. 

O fenômeno da homofobia é um dos mais escandalosos e incoerentes que se tem manifestado neste tempo.

Pois se trata de um elemento cultural semita ou judaico - Assim presente na abominação islâmica. - que nada tem de Cristão assumindo por parte considerável dos Cristãos e pela quase totalidade dos protestantes que se situam para além do calvinismo e do pentecostalismo. Pois eles de fato por professarem a terrível do 'corão cristão' ou da inspiração plenária, linear e verbal, são judaizantes, sectários e fundamentalistas, sempre a serviço da Torá ou da Mikrá, mesmo quando a maior parte dos judeus esclarecidos dela já se desprendeu há muito. Aqui, sem dúvida alguma, são os judeus bem mais civilizados.

Repito, perigoso, extremamente perigoso esse 'Elo de ligação' com o islamismo, há outros (Como o machismo e o adultismo.) este porém é o mais forte deles e pode servir como via de acesso...

Condenar a homo afetividade sem estar firmado em Jesus Cristo (Legislador completo e divino que jamais a condenou.) implica condenar o que mais fingimos admirar: A Cultura e civilização gregas, e dar Sócrates, Platão, Aristóteles, Parmênides, Anaxágoras, e outros gregos ilustres por degenerados e perversos! Esse mesmo Sócrates que Rousseau declarou ser pouco menos do que Jesus Cristo! Esse mesmo Platão núncio da justiça! E esse mesmo Aristóteles que serviu de modelo ao Aquino! Pois todos estes viveram numa sociedade homo afetiva ou homossexual.

E essa mesma Sociedade homossexual, que deveria ser monstruosa, legou-nos o Teatro, a História, a Filosofia, Os cânones de Polikleitos, os rudimentos da ciência... 

Mesmo os odinistas que afetam grande amor a inculta Esparta deveriam estar cientes de que eram os espartanos praticantes do homossexualismo, inclusive aquele valente Leônidas, que por mais de três dias conteve um milhão de persas, cujas flechas podiam obscurecer a luz do dia... Não era maricas ou efeminado mas era homossexual - Ponto e basta.

Assim grande número de intelectuais e cientistas que costumamos da mesma forma reverenciar, a começar por Leonardo D Vinci. 

Grosso modo é a homofobia uma forma de hipersexualidade invertida e deslocada. 

Pois implica dar por importante o que não possuí qualquer importância ou sentido. Equivalendo a um transtorno moral, pois o que devíamos considerar é se determinada pessoa é justa, compassiva, leal, veraz, etc e não qual seja sua opção sexual, o que é eticamente irrelevante.

Tomo tal afirmação ao Evangelho de Cristo onde não deparo com fartura de matéria sexual, a qual os neo cristãos emprestam tanta importância. Repito é tomar o Mestre por incompleto, insuficiente ou leviano. Quando penso em coisas espiritualmente relevantes julgo terem sido sempre abordadas por aquele cuja origem é divina. 

Daí parecer-me que o pensamento de Jesus corresponde ao oposto do pensamento farisaico, centrado no traje, no cardápio ou na dieta e enfim na sexualidade. Não observo Jesus Cristo decretando o uso de determinado traje, como não o vejo recomendando dietas ou roteiros sobre o que comer ou beber e tampouco sancionando ou condenando práticas sexuais. Parece que exterioridades ociosas e costumes não são o foco do Evangelho redentor.

Por isso não me ocupo de tais questões. Como não crio caso num restaurante pelo fato dos demais escolherem um prato diverso do meu. Tendo, a bem da verdade a uma dieta ética. Todavia nem por isso, eu, que detesto nabos, chuchu, chicória, almeirão, etc vou esmurrar os que consomem tais vegetais. Repugna-me o gosto do cação, porém de modo algum incomodam-me os que comem esse peixe. Estendo o mesmo juízo ao vestuário: Jamais usaria uma calça boca de sino, porém jamais agrediria qualquer pessoa pelo simples fato de usa-la. O fato de qualquer um de nós ser avesso a prática da pederastia não nos autoriza a cercear o gosto ou a liberdade alheia, não nos autoriza sequer a julga-la, e antes nos obriga a tolera-la.

Imagine só o ouvinte caso as pessoas começassem a agredir umas as outras devido a considerações em torno da dieta ou do vestuário... Que seria das paz social e da tranquilidade.

Uma vez que os vegetarianos, veganos, carnívoros, vitorianos, sumários, etc não nos atacam, agridem ou prejudicam fazem crédito a tolerância e ao respeito como quaisquer cidadãos. Diga-se o mesmo dos homossexuais, transsexuais, etc uma vez que a ninguém atingem ou causam dano com suas práticas fazem jus a tolerância e ao respeito, como quaisquer cidadãos da república ou contribuintes. Agredi-los ou buscar cercear suas liberdades só pode ser fruto do preconceito, o que de modo algum pode ou deve ser admitido pela Lei. 

Tampouco posso admitir que preocupe-se Deus com tais questões, exceto se Jesus Cristo o tivesse dito. Ele no entanto silenciou. 

Considero portanto que a homofobia não passe de tolo preconceito, oriundo da antiga cultura judaíca. Irrelevante que Paulo sendo fariseu filho de fariseu e aluno do Rabino Gamaliel a tenha condenado em nome de sua cultura. Necessário seria demonstrar que Paulo estava firmado ao menos no Evangelho Oral ou na pregação ministrada pelo Redentor. Temos no entanto que Paulo em diversas situações, como prisioneiro da cultura, foge do Evangelho - Assim quando sanciona a o machismo, o adultismo, o estatismo, o escravismo... Reportando sempre a cultura hebraica e jamais a Revelação Cristã. O próprio Paulo em seus escritos teve ocasião de declarar: Digo eu, não o Senhor, o que deveria ter repetido outras tantas vezes. Como Cristão não paulinista repudio a homofobia.

13) Adultismo?

Desde o 'Emílio' de Rousseau é a criança sujeito de direitos, e assim deve se-lo, sendo-lhe garantido o direito de brincar assim como o direito de não ser explorada ou tratada como um empregado e, evidentemente o direito de jamais ser espancada.

Deve a criança ser educada pelo exemplo de seus pais, pela explicação, pela argúcia, e não pela chibata. Deve a criança ser levada a imitar o comportamento de seus pais ou a aceitar as instruções fornecidas por ele com base em sólidos vínculos de afeto construídos. É a partir do amor que deve seguir a imitação, a obediência... Como foi explicitado por Wallon e Rogers o caminho da educação se chama afeto ou amor. E nada temos a acrescentar. Seja amável para com seus filhos e a educação deles estará garantida. Por outro lado, sem afeto ou amor jamais se chegará a qualquer lugar.

14) Especismo/instinto

Está já suficientemente demonstrado que os grandes mamíferos não somente pensam como produzem cultura. Diante disso a palavra mágica instinto já não faz sentido algum.

Auto cognoscentes, inteligentes, capazes de construir relações afetivas... Não podem mais ser os animais tratados como coisas ou objetos. Pelo que se tornam sujeitos de direito. Relação que se não pode ser avaliada por eles pode ser perfeitamente avaliada por nós, criaturas racionais.

Alias não é pelo padrão deles que devemos julgar o quanto percebemos sobre eles porém a partir do nosso padrão, que é racional e ético, e é claro que uma ponderação racional baste para afirma-los como sujeitos de direito e objetos de respeito.

Tem portanto Peter Singer quando pleiteia sua libertação animal em obra já clássica.










quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Entre a realidade e a imaginação ou como fugir do mundo sem desprender-se dele...

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Enquanto o idealista crasso, o romântico e o avoado fogem do mundo a lua sem maiores problemas, ao menos mais próximos não poucas vezes o idealista crítico, que busca transformar as estruturas de um mundo que acredita serem injustas e anti éticas, entra em crise, e perde-se. E quando digo perde-se quero dizer que ocasionalmente este homem ético e de boa vontade perde a sanidade ou até mesmo a vida, o que é imensamente trágico ou patético.

Temos aqui a morte da mais um combatente, que inspirado em Sócrates, em Cristo ou mais frequentemente neste ou naquele reformador social, o\usa afrontar o sistema ou aquilo que é dado, tendo em vista o que 'Deve ser'. E Ética sempre é isto, UMA METAFÍSICA, a respeito do que deve ser... Quem se contenta com a realidade dada ou com o que é numa Sociedade como a nossa, se são, merece o título de canalha, se Cristão de fariseu hipócrita. Não há atenuante para quem declara assumir posição neutra face a injustiça apenas porque a solução não é imediatamente apreendida por seus sentidos, mas, construída pelo intelecto consciente. Por isso o Positivismo é ainda mais abjeto do que o utilitarismo remendado com retalhos do Evangelho ou do socratismo...

Quanto aos episcopais/Católicos, espíritas e deístas estão imunizados, até certa medida, pela crença sólida na sobrevivência da alma. Frustrados aqui, sabem que estão destinados a contemplar a vitória do bem e o triunfo do amor noutra existência. Não verão aqui, mas verão o que se sucederá aqui... De algum modo contemplarão o futuro deste mundo, o que equivale a colher os frutos.

Já os que duvidam ou negam são combatentes tanto mais vulneráveis. Pois caso sua esperança não se realize antes de sua pressuposta dissolução ou antes da morte física, sabem que não contemplarão o desabrochar das sementes que lançaram ou o triunfo do bem e da justiça. Disto pode decorrer, não raramente, a angústia, produzida pelas continuas resistências - Por parte do sistema que é poderoso - e frustrações.

É destas situações limite, das sucessivas derrotas, da energia dispendida nos embates, das incompreensões e frustrações que resulta a necessidade da fuga. Foge-se ou perde-se a sanidade ou mesmo a vida. Problema não é fugir, mas desprender-se... Por vezes pequenas fugas são necessárias ou terapeuticas. Problema é abandonar a causa ou desertar, desencantar-se. Fugir algumas vezes, episodicamente, faz parte da estratégia, é sabedoria e solução.

Temos assim de alternar a luta com o mundo ou nossa atividade social e mesmo nossas atividades educacionais com algumas fugas.

Sabendo que temos de fugir saberemos para onde fugir com segurança, e não nos destruiremos. Alias mesmo os que dispõem do recurso da fé devem reforça-lo fugindo.

Por fuga equivocada e destrutiva entendemos a sexualidade exacerbada, a embriagues e sobretudo o consumo de entorpecentes i é as drogas. Tudo isto é busca pelo princípio do prazer num mundo doloroso e ingrato. Quando moderada é busca honesta e necessária. A sexualidade, encarada com naturalidade, faz parte integrante da vida e é fonte de prazer revigorante. Assim a bebida espirituosa consumida dentro de certos limites. E ainda se pode fumar Narguile SEM TABACO... Juntamente com o licorzinho, o chocolate (Alfarroba é mais sadia e tão saborosa quanto!), a macarronada de Domingo e o Temaki, poderia mencionar a boa música (Não estou a falar de funk, pagode ou gospel - Experimente Ray Coniff ou o Abba), o Teatro, o Cinema, exposições, etc Claro que tudo isto tem certo custo... Mas sempre podemos passear e assim contemplar o Patrimônio Histórico ou uma paisagem vegetal, assim a flora e a fauna. Há o cultivo de algum hoby como o colecionismo ou a prática de uma atividade como o artesanato. Tanto, tanto tipo de terapia... Assim nosso Pet, seja cão ou gato, com as bençãos de Nize da Silveira...

Todo ativista social ou militante ético político deveria dar espaço a tudo isto em sua vida, ao invés de concentrar-se casmurro e assim gastar-se, endoidecendo precocemente.

Quanto aos que após o sexo buscarem o alcool e após este o consumo de entorpecentes, tendem a avançar em medida. O fim do trajeto poderá ser o craque, uma ida sem volta. Tal o princípio do prazer imoderado ou da busca por sensações cada vez mais fortes e intensas. Passa-se facilmente de um a outro e chegasse ao mais intenso que é a química. Todavia o organismo humano sabe ser mais esperto e acomodar-se, atenuando, em certo prazo, as sensações e fazendo o viciado buscar sensações mais fortes. Caso tais sensações não sejam obtidas o resultado é o vazio, o tédio, a crise ou a angústia intolerável. O derradeiro estádio desta via é empregar doses cada vez maiores das drogas mais fortes ou combina-las ou ainda associa-las ao alcool e ao fumo, do que resultam as conhecidas overdoses e mortes de astros e estrelas, os quais usufruiam de milhões e 'Tudo tinham para ser felizes'. O artista sedento pela beleza a que serve ou representa, não poucas vezes toma este caminho. O cientista, o estadista e o reformador social não menos. Querem apressar a contemplação do ideal, e caem neste erro funesto.

A maior parte busca no princípio imoderado do prazer o remédio para a frustração. Outros, ainda mais valentões, ousados, irredutíveis... chegam, ao cabo de tantos golpes, a demência, a morte ou ao suicídio.

Por isso digo - Mister se faz fugir sem desprender-se por completo ou para sempre da realidade. Abastecer-se para retornar. Viver uma vida normal, comum ou média é muitas vezes mais indicado que o ascetismo, o qual só seria mais producente em situações de conflito aberto ou armado. No mais recomendamos a via do prazer racional ou limitado, inda que em gotas homeopáticas. É necessário contemplar o que há de belo no mundo e fruir dos bens relativos com seriedade. Sim intelectual, cientista, ativista, político/ético, artista... você precisa viver sua vida e precisa também distrair-se.

Então por que raios os artistas, cientistas, revolucionários, reformadores do que é reformável (Então não estou falando dos tais reformadores protestantes!), etc tomam aquela outra via, da morte e da destruição?

Devo dizer que em certos meios, mormente materialistas e autoritários (Que tanto exigem de seus quadros!), há um forte preconceito quanto a essas fugas episódicas ou fantasias da imaginação, que seus ideólogos costumam apresentar como formas de alienação. E assumem esta posição fanática e extremista face a via mais fecunda em termos de sanidade metal e prevenção de neuroses, o recurso aos contos, mitos, fábulas, lendas, parlendas e romances sejam orais ou escritos, assim a contação ou a leitura de estórias...

Claro que esta atividade também tem servido de prisão - E assim sendo fonte de alienação - para aqueles que nela se fixam perdendo de vista o paradigma da transitoriedade. Aquele que se deixa dominar pelo romantismo, substituindo a realidade concreta do mundo a ser transformado pela fantasia das narrativas orais ou escritas perde-se... Como perde-se o extremista que abstem-se totalmente delas, inclusive como lazer, distração, fuga episódica ou terapia. A questão é a mesma quanto o saber ou a ciência, o uso. Temos de saber quando abrir e fechar as janelas, e assim transitar da realidade a fantasia e V V.

Demos palma, sem rancor, aos Psicólogos, que estudaram a personalidade e a mente humanas. Ao menos inconscientemente assumimos o papel de felizes protagonistas daquilo que ouvimos ou contamos e de algum modo nos realizamos. Ao chegar a um final feliz, mesmo que na imaginação apenas, encontramos uma válvula de escape para as frustrações colhidas da arena da vida vivida. Na medida em que temos acesso a identificação e a transferência nos curamos de fato.

Contar ou ler é sempre representar e representar a nível de inconsciência é de algum modo realizar.

Então assuma a fantasia, engane o consciente, interaja com o inconsciente e seja feliz ao menos algumas vezes, obtendo alguns momentos ou fases mais descontraídos. Ao menos subjetivamente, porque você também possui uma dimensão subjetiva, mental ou emocional, seja vitorioso ou triunfante - Um rei, um príncipe, uma princesa ou dama... Alguém que conquista algo de relevante, um herói, cavaleiro cruzado, mosqueteiro...

E se tem o privilégio de possuir uma Biblioteca reserve uma Estante ou prateleira a distração, aos gibis, revistas, anedotários e livros de paisagens, caricaturas, contos, mitos, fábulas, lendas e narrativas... Dedique um espaço a Turma da Mônica, ao Tin Tin, ao Zagor, ao Fantasma, ao Conan, a Walt Disney, a Mafalda, a Super Mãe, etc Consagre outro tanto a Esopo, Fedro, La Fontaine, Perrault, Grimm, Andersen... As mitologias indiana, grega, nórdica, asteca, peruana... A Shakespeare, Molière, Tasso, Camões, Dante, Gil Vicente, etc Se aprecia, como eu, o terror, acolha: Lovecraft, Sheridan Le Fanu, Derleth, P. Merimeé, A C Doyle, R L Stevenson, Wilde, Bram Stoker, Kipling, Henry James, E A Poe, Stephen King, A Tolstoi, etc E ajunte também - Wells, Salgari, Maine Reid, Hall Caine, C S Forester, Haggard, Verne, etc Esta sessão em sua Biblioteca não será menos necessária em sua casa do que a caixa de primeiros socorros da dispensa! Será remédio para a mente, terapia gratuita, higiene mental e relativa garantia de sanidade mental. Vá a ela quando necessitar - fadiga mental - e use sem prender-se, intercale os trabalhos e atividades rotineiras e extenuantes com a distração. Assim será um reformador social ou militante mais produtivo e seguro.

terça-feira, 17 de julho de 2018

A indecisão da Igreja face ao Nazismo e a pregação anti comunista

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QUEM COMEÇOU A FAZER ISTO E AINDA FAZ PELO BRASIL AFORA É O PROTESTANTISMO!!!





Algumas pessoas, decerto, acusam-nos de ser coniventes ou mansos face a igreja romana. Jamais o fomos, e quem nos conhece pessoalmente sabe muito bem disto. Não somos romanos ou papistas - Como Georges Sorel, A Comte, Ch Maurras e outros tantos, não temos temos fé na igreja romana ou papólica e tampouco morremos de amor - de modo geral - pelo papado ou pelo alto clero desta igreja. Censuramos a igreja romana por - Durante o concílio de Trento - ter acalentado o veneno agostiniano, nos opomos a assimilação da crítica puritana iniciada pela falsa reforma, abominamos os 'affaires' políticos do Vaticano ou o poder temporal dos papas, criticamos a judaização ou adesão aos mitos e fábulas do antigo testamento, reprochamos as reformas litúrgicas do Vaticano II e acima de tudo vemos com maus olhos a solução ecumênica, de que resulta a protestantização e a queda dos ideais desta comunhão, ora miserável ou desprezível.

Os neo Católicos que nos perdoem, não desejamos ofende-los. Mas temos de dizer sempre a verdade, quer agrade ou desagrade; não importa.

Então que significam nossos sucessivos e repetidos elogios a igreja romana ou ao Catolicismo de modo geral, ou ainda ao Cristianismo Católico que tanto desconsertam nossos amigos ateus e materialistas, agnósticos e deístas que conhecem nossos trabalhos e admiram nossa atividade???

Antes de tudo devo dizer que tais elogios tem uma conotação História, estão dirigidos ou voltados ao passado, ao Catolicismo antigo, anterior ao Vaticano II ou mesmo ao Vaticano I, ainda a Trento. Nosso Catolicismo é o Catolicismo anterior a 1570, o Catolicismo 'imoral' ou moralmente liberal da Idade Média, ou o Catolicismo resistente, da contra reforma irredutível, da Liga Francesa...

Admiramos diversos elementos que o Catolicismo originalmente possuía, alguns dos quais foram conservados e mantidos até o Vaticano II. Assim a doutrina social da Igreja. Assim o esplendor litúrgico. Assim o espírito franciscano. Assim a resistência sócio/cultural ao Islã. Assim o sentido de totalidade ou de lei Cristã, etc, etc, etc Como admiramos o que há de espírito Católico nos neo Católicos em especial na gente simples, e que leva-a a resistir a contaminação protestante em nome da tradição ancestral. Admiro certos elementos estéticos presentes no tradicionalismo, assim a luta pela Missa antiga, eu a aplaudo... Como admiro certos elementos presentes na Teologia da libertação, como o sentido da justiça... Lamento que todos estes elementos se tenham desagregado e se convertido em posse de correntes e seitas extremistas após o Vaticano II, como deploro e lamento essa infiltração protestante, pentecostal e fundamentalista, chamada RCC, a qual me levou a ruptura com a igreja romana...

Eu sou simpático a cultura Católica, no Ocidente identificada com o papismo e com o alto anglicanismo, por encara-la como uma espécie de continuidade, em termos de cultura clássica ou greco romana. Em termos de espírito socrático/humanista. Em termos de ética platônica. Em termos de epistemologia Aristotélica... Admiro a igreja romana por ter promovido a teologia escolástica, da qual resultou o Renascimento filosófico. Admiro a igreja romana por ter, de modo geral, sustentado a causa da razão face aos delírios do agostinianismo. Tenho motivos de sobra para admirar a velha e decadente igreja romana pelo que realizou no passado.

Quando comparo as colonizações Norte e Latino Americana, e constato, com Toynbee, o que aconteceu com nossos índios - devido aos esforços de Francisco Vitória e do Colóquio de Valadollid - e o que aconteceu com os peles vermelhas (Onde estão os peles vermelhas???). Quando comparo o rigor da escravidão Norte americana e calvinista, com a escrvidão de cá, promovida pelos países latinos e Católicos. Não posso deixar de sentir certa simpatia pela igreja romana, a qual mesmo quando comete seus erros e crimes é bem mais amena do que a igreja rival. Há sem dúvida um conteúdo de humanidade ou humanismo nos filhos da igreja romana, sempre que, com justiça, compara-mo-los com os filhos da reforma protestante, e quase sempre é esta minha perspectiva, pelo simples fato de ter nascido protestante e de ser um ex protestante.

Por onde se ve que não aprendi 'mentiras com os padres' e que tampouco fui 'envenenado pelos torpes jesuítas'. De modo algum. Nasci calvinista, inserido numa tradição que até hoje respira ódio a igreja 'paganizada' de Roma, aspirando destrui-la. E lá estaria até hoje caso não principiasse a questionar as críticas hipócritas que os pastores dirigiam a igreja mais velha. Pois como vim a saber - após aprender espanhol, italiano, francês e inglês - também o protestantismo teve sua inquisição - a qual matou muita, mas muita gente - seus autos de fé, como o de Salém; suas explosões de violência face aos descobrimentos científicos, etc Bem eu tive de ler diversos autores antigos e recentes - muitos dos quais eram judeus, ateus, materialistas, ex protestantes, etc - para descobrir tudo isto e persuadir-me de que com todos os seus vícios e defeitos a igreja romana havia sido muito menos nefasta que sua jovem cria, a reforma protestante.

E quanto mais tenho estudado mais tenho corroborado o que por mim mesmo, com ingente esforço, descobri.

Basta dizer que a igreja romana foi muito mais heroica e resistente face a culturas de morte como o liberalismo econômico ou capitalismo, o anarco individualismo e o nazismo. O protestantismo, enquanto sistema individualista que é, colaborou com o capitalismo desde o princípio, impulsionando, inclusive o acúmulo primitivo de capital. Afinal as riquezas tomadas a igreja antiga, jamais foram repartidas com o 'Bom povo' tornando-se posse dos governantes, nobres, bem nascidos e ricaços!!! Que fez a bela reforma, tendo em vista conquistar apoio político contra o Vaticano? Entregou os bens da igreja antiga - inclusive os que serviam para aliviar a miséria dos campônios mais humildes - aos poderosos... Como se chama isto??? Compra! Oportunista até nisto a reforma protestante nasceu comprando apoio aos ricos e poderosos... E por isso Lutero, que havia apregoado reformas apenas quanto a fé, é o primeiro a reprimir, em nome de seu deus, a aspiração dos camponeses por uma reforma mais cristã e mais concreta. E como a autoridade é dada por deus, os camponeses oprimidos pelos senhores convertem-se em demônios e diabos, são postos a caça e perecem em número de 25.000. Lutero assume a culpa por todas estas mortes, e solifideista que era, clama pelo sangue de Cristo, declarando-se puro, remido e lavado no dia seguinte...

A direção ou movimento futuro, nos domínios de um calvinismo cada vez mais sabotado pela incredulidade, é descrita por Weber como uma paulatina substituição das preocupações religiosas ou teológicas por preocupações financeiras. Além disso a redução da dimensão da vida religiosa pelo protestantismo só podia resultar na absorção, de parte desta vida, por objetivos ou atividades econômicas. E todo aquele capital acumulado ao invés de ser investido em boas obras, destinadas a promover a criatura viva, é investido em técnicas e depois em capitais ociosos... A marmelada esta pronta e o protestantismo foi o mestre cuca.

Quanto a colaboração com o Nazismo, recomendo ao leitor a leitura dos artigos precedentes.

A igreja romana - Se foi substituída por uma outra, mais 'aberta' ou colaboracionista - é porque foi mais heroica e resistente... Se foi mais combatida pelo nazismo... Se foi mais odiada pelos anarco individualistas... O protestantismo é no mínimo frágil face as culturas de morte que assolam nossa civilização, muitas das quais tiveram nele seu ponto de partida. Há afinidades eletivas aqui...

E no entanto, eis o puxão de orelha, reconhecemos que a igreja romana não resistiu ao máximo ou não resistiu o quanto deveria face a abominação nazista. E por que??? Temos de saber o pôrque!!!

Que foi que iludiu a igreja e impediu-a de cumprir seu papel sufocando o Hitlerismo no berço como enfrentara Bismarck em 1874???

Aqui a História se faz interessante como a trama de um pano ou de um tecido.

Por questões que não nos vem ao caso, em 1870, Bismarck estabeleceu, na recém unificada Alemanha, o sufrágio universal. Bismarck era uma raposa e tinha planos que não nos vem ao caso. Para tanto devia eliminar um adversário poderoso e secular. Refiro-me a igreja romana, chefiada pelo autocrático Pio IX. Contava esta comunhão, pelos idos de 1875, com cerca de 28% de fiéis na Alemanha e no Sul, na Bavária e nas margens do Reno, o percentual de papistas chegava a 60 ou mesmo a 85%. Sim, aquilo era um problema, pois os papistas, como sempre, viviam fazendo restrições de consciência a propósito de cada coisa - Havia dentre eles quem condenasse o aborto, o divórcio, a pena capital, a maçonaria, a agressão a outras nações (odinismo), etc, etc, etc Bismarck queria um povo obediente ou adestrado, como os camponeses protestantes, resultado de um dos sistemas feudais mais opressivos. Aqueles luteranos é que eram disciplinados e mesmo quando passavam ao ambiente urbano convertiam-se em operários disciplinados e dóceis soldados. Os malditos Católicos, como os antigos socráticos e filósofos eram dados da festejos, bebiam, dançavam e não apreciavam obedecer, ao menos tanto quanto os 'verdadeiros alemães', orgulhosos quando a sua própria servidão face a um estado quase divino (Hegel).

É 1874 e o chanceler de aço esta decidido a quebrar a espinha dos ultramontanos ou Católicos. Para ele, Bismarck, com suas escolas, jornais, cooperativas, etc os papistas formavam um estado dentro do estado e eram animados por outro espírito ou outra cultura (Bons tempos aqueles?). É necessário lutar por esta cultura alemã e protestante, construída em termos de obediência mecânica ou cega, militarismo, odinismo e expansionismo. Mais além esta a Áustria, uma nação de lingua e sangue alemães, que permanece atrelada ao papado e precisa ser 'libertada'... Por enquanto a Baviera católica servira de laboratório a Kulturkampf ou luta pela cultura. Destarte o Bundstag emite uma séria de medidas restritivas destinadas a humilhar e abater os Católicos. Mas ali esta de atalaia um pastor exemplar - Von Keteller, quiçá o mais ilustre Bispo alemão do século XIX. Von Keteller havia presidido o sínodo de Magúncia em 1848 e posto a questão trabalhista ou operária em termos de Justiça, criando um marco nos domínios do Catolicismo. Opos-se ainda a canonização da doutrina da Infalibilidade papal em 1870. Foi procurado pelo grande F Lassalle, pouco antes deste ter sido assassinado...

Von Keteller dirigiu a resistência dos Católicos alemães a ponto do velho chanceler luterano não conseguir dobra-lo como esperava. Os dias iam se passando e os Católicos ameaçavam não pagar os impostos... enquanto sua bancada mobilizava-se no Parlamento. Bismarck havia jurado não ir a Canossa sob qualquer pretexto i é não negociar com os súditos Católicos... Entrementes realiza-se a eleição de 1875, e no auge da crise os socialistas não só formam partido como elegem Bebel e enviam-no ao Parlamento. Mau prenúncio, Bismarck volta sua atenção ao novo partido, e como não pode suster duas frentes de luta, vai a Canossa ou seja, suspende as leis anti Católicas e pede perdão. Fora sua única derrota. E ele havia vencido austríacos e franceses!

Bismarck era, como dissemos, uma raposa; e como tal tinha vistas largas. Sabia o que esperar do 'maldito' partido operário e precisava revidar de algum modo, atalhando-o. É 1878, Bismarck convoca o Bunstag a votar diversas leis contra a social democracia, restringindo sua liberdade de ação. Precisa do apoio da bancada Católica e parte dela, esquecida do que acontecera alguns anos antes, colabora... E abraça o discurso anti comunista elaborado por um luterano obstinado, que até 1875, fora perseguidor da igreja! E o erro começou aqui!

Escusado dizer que cerca de 1890 as leis bismarckianas foram suspensas, podendo a social democracia alemã organizar-se e reorganizar-se livremente, o que corresponderá a uma fase de incessante expansão até a Guerra de 1914. Quando o socialismo germânico, por ter, majoritariamente, aderido ao odinismo e aderido a guerra, caíra em descrédito. Outro nuance histórico interessantíssimo - Embrulhados, os líderes alemaẽs forjam uma estratégia definitivamente absurda: Enviam o líder comunista radical, W Lênin, - num trem - a Rússia, com o objetivo de assumir a direção insurrecionista, e quiçá assumir o controle daquele pais. O objetivo era simples. Eles sabiam que Lênin, como grande parte dos comunistas era contrário a guerra e que, chegando ao poder, desmobilizaria as tropas Russas, aliviando significativamente a situação da Alemanha. E foi o sucessor deste Lênin, saído da estação Finlândia com o apoio dos Alemães, que esmagou o Fuherer Alemão em 1945!!! Assumindo o controle de parte do território alemão por quase meio século. Vejam pois como a História gira!

Por outro lado não é menos verdade que após o apoio a guerra e o assassinato de Rosa Luxemburgo e Liebknecht a demagógica Social democracia alemã entre em crise, cedendo espaço ao extremismo leninista ou comunista. Desde então é o Comunismo que principia a crescer rivalizando com uma nova ideologia tanto mais alemã, o Nazismo. Comunismo e nazismo são rivais, mas na Alemanha luterana o Nazismo leva franca vantagem, apenas nas regiões Católicas o Comunismo empata com o Nazismo quando não o supera. Assim para os Bispos Católicos da Alemanha o supremo adversário não é o nazismo, sempre incipiente, ao menos no princípio, mas o temível bolchevismo. E o clero se borra de medo pensando já em 1875 - na Kulturkampf - já na ação dos comunistas na Rússia, a qual faria a velha kulturkampf parecer doce.

Há no entanto uma nova raposa no galinheiro. É Adolph Hitler, um austríaco, de origem Católica, que como tantos nazistas e comunistas havia perdido a fé durante a juventude. Esse Hitler conhece muito bem o imaginário Católico construído desde 1917, sabe que o bolchevique ou comunista é uma espécie de bicho papão e que a atual URSS correspondia ao Reino apocalíptico de Magog... E precisa de um espantalho. Homem sagaz ele restringe parte de seu discurso oficial e dedica parte dele a atacar o 'Comunismo' além de, como Bismarck, editar leis restritivas destinadas a conter os comunistas. Parte do clero alemão, mais uma vez, deixa-se seduzir pelo canto da sereia, e abençoa o autor de 'Mein Kampf' aquela bíblia da insanidade e evangelho maligno... Hitler se esforça um tiquinho mais - deve conseguir uma concordata para assim poder induzir os filhos da igreja ao erro - e acena com uma ataque a Moscou, invadirá a Rússia e vencerá Stalin. Assim em 1933, os Católicos, com uma candura ilimitada, assinam o pacto com o 'anti Cristo'.

Feito isto Hitler destrava a lingua e dá a seus discursos o tom anti semita, violento e insano que tanto conhecemos. De imediato os Católicos mais esclarecidos principiam, por instinto, a debandada, depois o baixo clero e enfim até mesmo parte do alto clero. Mas ele não quebra a flauta, e conhecendo muito bem a debilidade dos maus Católicos, vai intercalando seus discursos anti semitas e odinistas, e mesmo neo pagãos com o mantra anti comunista. A Rússia será invadida, farei uma cruzada contra Stalin... O que - pasme - lhe assegura o apoio de uma minoria 'Católica' até o fim!!! Embora desde 1937 o Papa Pio XI tenha publicado uma encíclica contra ele e o nazismo. O que eu quero salientar aqui é que este discurso anti comunista, destinado a seduzir os Católicos, já havia sido editado pelo Bismarck 'derrotado' em 1877/78, por essa raposa luterana que em seu coração odiava a Igreja...

Agora veja, amigo leitor, que lástima - Esse mesmo discurso é empregado com relativo sucesso pelo apóstata e neo pagão Hitler meio século depois. Havendo quem caísse no alçapão...

Temos algo de diferente em nossos dias quando pastores enviados pelos EUA forjam o mesmíssimo discurso no Brasil - visando não comunistas ou bolchevistas mas, pasme, os próprios Católicos sociais, os progressistas, os sociais democratas, os trabalhistas, etc até certo ponto mais próximos de nossa tradição e da doutrina social da igreja do que os liberais???

Que sinceridade devem esperar os Católicos ao darem com esse velho discurso, cheio de lábia, na boca de liberais ou melhor de protestantes liberais???

Quando esses mesmos protestantes, com o apoio dos liberais vendidos, criam uma bancada religiosa em nosso Parlamento com o objetivo de solapar as instituições democráticas e de instaurar uma teocracia nos moldes do antigo testamento???

Acaso os neo católicos tontos, seduzidos pela cantilena ecumênica, esperam ser poupados quando são chamados pelos pastores de politeístas e idólatras???

Leiam na Torá de Moisés, que os protestantes tanto estimam, qual deve ser o fim dos politeístas e idólatras.

Como ex protestantes temos razões de sobra para temer é uma nova Kulturkampf luterana ou protestante, desta vez nos moldes do antigo testamento, destinada a oprimir não só os Católicos mas os umbandistas, espíritas, budistas, hindus, irreligiosos, e especialmente é claro, os 'fantasmagóricos' bolchevistas...

Portanto, nas eleições que se aproximam, tomemos por critério não a qualquer postulado moral nos termos dos puritanos, mas nossa fé e sobretudo nossa Ética, a tradição e a doutrina social da igreja, votando em candidatos que se proponham a respeitar os direitos do trabalhador brasileiro e a pugnar pela qualidade de vida, mesmo que não tenham fé ou religião. Melhor votar em cidadãos irreligiosos que se postem em favor do semelhante do que em fanáticos obscurantistas que sonham com o poder. Não de seu voto a fanático algum, a fundamentalista algum, especialmente se for pastor e não vote em candidatos protestantes!!! Busque candidatos Católicos coerentes - que não sejam liberais economicistas ou capitalistas (Jamais vote DEM, PSC, PSDB ou PMDB porque os programas destes partidos então em oposição a Doutrina Social da Igreja Católica. Leiam em Rerum Novarum sobre a necessidade da intervenção social nos domínios da economia e sobre a condenação dos princípios liberais) - ou candidatos que mesmo sendo irreligiosos estejam preocupados com as condições materiais da sociedade, porque esta é a finalidade da política e não outra qualquer.

A moral é algo que se vivencia em casa e não algo que se impõem aos outros.

Reflitam sobre tudo isto para que não venham a ser agentes ou 'imbecis' uteis da propaganda protestante (americanizante).

PERMANEÇAMOS FIÉIS A NOSSA CULTURA!

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O SUPREMO PECADO DO ECUMENISMO!
OLHA SÓ QUEM ESTÁ POR TRÁS DE TUDO MANIPULANDO OS CATÓLICOS TONTOS!!!




quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Uma breve leitura sobre os 'Demônios descem do Norte' de Délcio Monteiro de Lima

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Penso ser absolutamente normal que parte das pessoas direcione
seus bens tendo em vista algo em que acreditam.

E portanto que invistam parte de seus proventos em suas respectivas religiões e seitas.

Natural que as pessoas que acreditam na INSTITUIÇÃO JUDAICA do dízimo, paguem dízimos, o contrário por sinal seria incoerência...


Até aqui nada a objetar.

Embora eu mesmo não veja nada de Cristão ou de evangélico em tal instituição. Pelo simples fato de que Jesus jamais impôs quaisquer taxas aos que abraçaram o Santo Evangelho. Dízimo, insisto eu, é dogma judaizante, pentecostal, protestante, biblicista E DE MODO ALGUM CRISTÃO.

O Cristianismo estabeleceu o sistema de colaboração livre, descrito nas Epístolas do Apóstolo Paulo.

Tal minha visão das coisas.


Seguindo esta linha de raciocínio nada mais degradante do que imaginar a Santa divindade concedendo supostas graças ou favores em troca de contribuições... Acaso não teríamos aqui um deus vendedor ou traficante de indulgências???

Diante disto fica até fácil entender porque temos uma Sociedade que se vende cada vez mais, pessoas que negociam seus próprios valores e uma política essencialmente corrupta ou venal.

Caso a Santa divindade seja pintada como corrupta ou venal que nos restará???

Isto quanto aos dizimistas e o tráfico de coisas sagradas que a tradição ancestral batizou como simonia.

Agora quanto ao simples investimento, por parte dos crentes ou fiéis, em determinada instituição religiosa, já o disse encara-lo como absolutamente natural, pelo simples fato de que as pessoas tendem a valorizar, em todos os sentidos, o quanto seja significativo para elas.

Ficando claro que para algumas destas pessoas gastar com a fé equivale a uma devoção.

O que não posso encarar como normal ou natural é que EMPRESAS MULTI NACIONAIS E MULTI MILIONÁRIAS, INDÚSTRIAS E INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, QUE LUCRAM EXPLORANDO AO MÁXIMO SEUS FUNCIONÁRIOS, financiem corporações religiosas...

Não o catolicismo, não o espiritismo, não o budismo, não o hinduísmo ou qualquer outra religião mas certamente as missões protestantes - born again ou pentecostais/fundamentalistas - nos países mais pobres...

Francamente falando, acho esse negócio muito estranho...

Instituições que vivem burlando a Ética do Evangelho, semeando a miséria e servindo a Mamon, financiando determinadas facções religiosas...

TEMOS DE REFLETIR E DE NOS PERGUNTAR SOBRE O PÔRQUE DESTE FENÔMENO...

Quais interesses ou objetivos tem levado O CAPITALISMO a patrocinar um tipo ou padrão de religiosidade predominante nos EUA, o centro mundial do capitalismo???

Por que essa aposta decidida do Mercado nas seitas protestantes???

Seria ingênua ou aleatória?

Não o creio...

Então temos de nos perguntar sobre o que tais empresas e instituições esperam deste tipo de religiosidade?

Segundo Délcio Monteiro de Lima em "Os demônios descem do Norte" a única resposta plausível implica admitir a aposta num modelo religioso que até certo ponto justifique o materialismo, o predomínio do Ser sobre o Ter ou a busca do acúmulo irrestrito de bens ou do lucro máximo num contesto 'cristão'; enfim num padrão de espiritualidade que preconize o sucesso financeiro ou o enriquecimento, as custas das exigências ou postulados éticos baixados pelo Cristo em seu Santo Evangelho, o que implica aceitar e abster-se de criticar a ordem capitalista com todas as suas mazelas suficientemente conhecidas por todos nós.

Implica pois uma adaptação ou conformação em termos de Cristianismo ou uma negociação em termos de princípios e valores. Pelo qual o Cristianismo ao invés de inoportuno torna-se conivente ou colaboracionista. 



E esta resposta sugere um segundo questionamento -

Até que ponto as seitas financiadas pelo poder econômico SÃO CONIVENTES OU MESMO FAVORÁVEIS A EXPLORAÇÃO DOS EMPREGADOS PELOS PATRÕES ou até que ponto santificam esta relação iniqua???

Até que ponto silenciam a respeito da injustiça e deixam de denunciar o poder do capital em nome do Evangelho???

Em que medida são elas mesmas compradas ou agenciadas pelo capital com o propósito de porém a favor dele e, contra o povo trabalhador?

A bem da verdade a maior parte das seitas protestantes não obedece a um programa consciente no sentido de favorecer ou beneficiar a ordem econômica vigente. Contentam-se em ser anti comunistas, embora via de regra, identifiquem toda e qualquer forma de socialismo com comunismo, bem a gosto dos EUA, cuja cultura e modelo de organização social folgam reproduzir.

Acontece que lá nos EUA a questão crucial para os Cristãos, que tais seitas costumam baralhar e disfarçar com apelos forçados ao antigo testamento, diz respeito, antes de tudo, ao imperialismo e a guerra de agressão e conquista; bem como a pena capital. A tônica lá gira em torno disto uma vez que a miśeria ainda não assomou aos índices vigentes no terceiro mundo ou nos países subdesenvolvidos, pelo simples fato de que estes não possem colônias como os EUA...

A realidade dos países latino americanos e demais repúblicas do hemisfério Sul tem sido marcada pela miśeria, agravada cada vez mais pela ingerência da política externa N Americana, cujo principal objetivo consiste em dar apoio a iniciativa privada ou a ação predatória das grandes multi nacionais.

Diante de semelhante quadro de miséria em que a malfadada luta de classes é potencializada ainda mais pelo modelo capitalista importado dos EUA e em que as lideranças nacionais inclinam-se por vontade própria ao modelo do estado mínimo enquanto as massas oprimidas clamam por intervenção, tem prevalecido um estado de tensão... Em que as democracias recentemente implantadas e manipuladas pelo poder econômico, tendem a omitir-se e o povo, em certas ocasiões a rebelar-se, e caudilhos a tomar o poder...

Prevaleceu esta situação confusa até o instante em que os panfletários anarquistas e comunistas instaram-se nos grande centros urbanos e principiaram a fazer suas propagandas arregimentando certo número e um número cada vez mais de cidadãos descontentes empenhados em criar algo como a "Comuna de Paris" ou a "URSS". De fato, a partir da segunda metade do século XIX, a maior parte das sedições operacionalizadas em países sub desenvolvidos assumiu uma orientação comunista ou socialista. O que implica um afastamento progressivo dos países da A latina quanto a órbita dos EUA e seu modelo social.

Desde então o lema "América para os (Norte) americanos" tornou-se controvertido do México para baixo...

Consideremos agora que até então, i é até meados de 1960, achava-se a igreja Romana, cindida socialmente em diversas vertentes e que a partir de 1960, todas estas vertentes, sob influxo da Teologia da Libertação, tendem a reforçar o direcionamento social pré existente e em convergir para soluções socialistas, quando não comunistas, mas, de um modo ou de outro, sempre anti imperialistas ou anti americanizantes.

Desde 1960 e a cabo de três décadas a igreja romana, cujo poderio na América Latina era considerável, juntou forças com os elementos descontentes ou dissonantes no sentido de denunciar as mazelas sociais legadas pelo sistema colonial que estavam a ser ampliadas e aprofundadas sob os auspícios o imperialismo Yankee e do capitalismo. Predispondo o cenário político a transformações dramáticas, de que temos exemplo no sandinismo da Nicarágua ou na guerrilha Colombiana.

Claro que os EUA não tardaram para perceber o perigo. Localizado num território que encaravam e ainda encaram como quintal seu. Relatórios foram elaborados por diversos setores da administração yankee e nenhum deles foi lisonjeiro para com a velha igreja romana, ora posta, quase que em sua totalidade, em favor da justiça social e da emancipação dos povos. A igreja romana, comprometida com uma teologia libertadora, foi classificada como não confiável no sentido de que equivalia a uma espécie de brecha feita na muralha da alienação. A cultura da opressão fora desertada culturalmente e corria um grande perigo...

Em tais conjunturas que fazer?

O governo Yankee, que desde 1940 renunciara a financiar ele mesmo as seitas bíblicas a partir o erário, em tese nada fez.

Além de é claro orientar as instituições financeiras... Convencendo-as de que a praxis cultural é via de regra, sancionada pela fé religiosa. Fazia-se mister sabotar a força da igreja romana no contexto da América latina ou de enfraquece-la substituindo-a por um modelo bem menos crítico. A sugestão das seitas protestantes, baluarte da cultura Norte americana, ficou implícita...

Basta dizer que o protestantismo fundamentalista comporta por assim dizer uma fermentação de seitas bíblicas, cada qual imaginando ter dado com a verdade eterna ignorada por todas as outras e portanto ser necessária a salvação de todos os seres humanos, ideal que em tais seitas tornasse obsessivo até a mania... Adotando moldes e assumindo necessidades empresariais - inclusive no plano financeiro - a grande prioridade de cada seita é aumentar seus quadros. Isto pelo simples fato dos protestantes acreditarem que o aumento ou sucesso numérico de determinada seita implica necessariamente no favor divino...

Adicione-se ao contexto acima descrito o elemento do individualismo, peculiar ao protestantismo. Desde Lutero, tem os protestantes negado o aspecto social, gregário ou comunitário da Redenção Cristã e apresentado uma salvação mágica e individualista ou seja sem mediação de obras éticas, que tenham por objeto o outro. Para os protestantes a salvação não passa pelo próximo ou pelo outro (o que conferiria a ela uma dimensão ética), dando-se em termos de comunhão entre o indivíduo e deus... e em termos invisíveis e espirituais de uma comunidade fantasmagórica (a igreja invisível).

Neste sentido podemos até falar numa luta pela salvação e numa vitória do mais 'bíblico', em famílias, clas, cidades, países, etc eternamente divididos por deus em réprobos e salvos... O fato é que o protestantismo jamais toma consciência social, estabelecendo vínculos espirituais e salvíficos entre todos os seres humanos. Tais laços de solidariedade é algo que não existe no contexto luterânico. Aqui seitas lutam com seitas, homens com homens e homens com anjos num combate generalizado...

Portanto o que importa aqui, ao indivíduo é escapar ele mesmo aos fogos ardentes do inferno sem cogitar em parentes, amigos ou companheiros. Importa furtar-se as chamas e torturas infernais inda que nossos filhos, pais ou amigos nelas caiam... Importa estar a salvo ou ser feliz, em que pese a eterna desgraça daqueles que amamos. Tal a exótica noção de paraíso protestante.

Neste sentido a vida só faz sentido quanto perseguimos uma única meta, a da salvação. Jamais compreendida no sentido Cristão, enquanto salvação da pessoa ou do homem todo ou ainda como verdadeira salvação do mal e do pecado. Aqui a salvação além de ser individual é maniqueísta, enquanto salvação da alma ou do espírito invisível e imortal no além túmulo. O corpo aqui jamais conta. Tampouco implica esta salvação em salvação real e efetiva do mal ou do pecado mas em salvação vicária, posto que o salvo continua sendo sempre um pecador derrotado, magicamente salvo das chamas do inferno, mesmo que venha a pecar sucessivamente... Aqui o arrependimento não significa ruptura ou transformação mas mero ato intelectual. Como se vê é um padrão de salvação precário em todos os sentidos  já por ser individual, meramente espiritual e aparente...

Seja como for, as seitas são extremamente hábeis e eficientes no sentido de comunicar este objetivo aos neófitos, i é de concentrar todos os seus esforços na salvação da alma i é no além túmulo, no outro mundo, no além no paraíso, etc em detrimento deste mundo, com o qual é sempre inútil preocupar-se, dizem eles, acrescentando que o Reino de Deus não é deste mundo, sem jamais se darem ao trabalho de perguntar se o Reino foi trazido a este mundo pelo Verbo que se fez carne ou Emanuel... O Reino, e portanto o objetivo do crente, esta sempre no paraíso o no mundo invisível, tendo por adversário o Diabo ou Demônio, um suposto anjo caído, cujo principal passatempo consiste em aliciar os seres humanos...

O fim de tudo isto é abdicar por completo da realidade do mundo material. A qual é supinamente ignorada pelas seitas salvacionistas e maniqueistas, parte das quais chegaram a reeditar o dogma farisaico do catastrofismo, ora batizado como apocalipticismo, o qual via de regra é precedido pelo dogma não menos espúrio e pessimista da apostasia. Aqui também damos com um conflito fictício entre supostos anjos caídos e a divindade e por uma vitória mágico fetichista tão a gosto dos fanáticos. Nada de concreto, nada de real... Nenhuma luta heroica contra a injustiça, o egoísmo, a maldade, a mentira, etc Apenas ideais quiméricos ou ilusórios.

Destarte o sectarismo protestante abandona o mundo real e abdica de sua transformação para alienar-se e refugiar-se nas nuvens. Inútil dar combate as situações de injustiça se deus punirá os injustos e recompensará oprimidos no além túmulo é tudo quanto sabem dizer. Quanto ao mais conformam-se com todas as situações de miséria, angústia, opressão, escravidão e sofrimento esperando por uma libertação espiritual após a morte, nos céus. Aqui na terra produzem escravos e servos conformados com seus grilhões e os quais recusam-se a lutar e a combater pela própria libertação.

Toda esperança é transportada para o além túmulo ou retirada deste mundo, no qual consolidam-se as situações de opressão, segundo a mentalidade do tal capeta, o qual para não poucos sectários é o senhor e deus que controla este mundo. Libertação verdadeira, repetem eles, só a de deus após a morte. 

Devemos portanto esperar que tais pessoas ou seus líderes contestem as situações de miséria ou de opressão aqui existentes?

Tolo seria quem esperasse por isto.

Face a realidade iniqua do mundo é o sectarismo protestante conformista ou situacionista por definição. Não menos do que o positivismo, com seu ideal meramente descritivo face a realidade, o protestantismo jamais se rebela contra aquilo que é, bem podendo conviver em paz com o racismo, com o odinismo, com o capitalismo e com o imperialismo; quando não se presta para alimentar tais ideologias.

Por isso o capitalismo empenha seus cobres nas missões protestantes, porque sabe ser o protestantismo uma fé omissa e covarde, alienada ou conformada que não costuma afrontar uma realidade social iniqua pugnando pela justiça e por um ideário de libertação integral para o homem. O capitalismo investe no protestantismo porque não o teme e porque sabe nada recear da parte dele.








sábado, 21 de outubro de 2017

O controle e a administração da líbido (especialmente da sexual) ou da fuga pelo sistema.


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Podemos negar que o sistema capitalista seja racional ou ético mas não podemos negar que seja sagaz ou esperto tendo em vista os objetivos a que se pretende. Haja visto que administra tanto diversas formas de alienação - Comercializando-as, vendendo-as e auferindo estrondosos lucros na mesma medida em que engana e escraviza aqueles que as consomem - como o acesso dos cidadãos a líbido e portanto os próprios meios através dos quais cogitamos fugir a realidade, também apossa-se deles e os convertem em fontes de lucro.

Diversas religiões e Sociedades antigas foram suficientemente perspicazes a ponto de perceberem que ao dominarem a sexualidade do homem chegam a dominar o próprio homem. Perceberam igualmente que a repressão sexual produz uma quantidade equivalente de agressividade, a qual sempre pode ser usada contra seus adversários. O capitalismo foi mais além tomando consciência de que a agressividade nem sempre pode ser manipulada ou controlada, mormente quando falta o apoio da religião.

Dai ter investido, ao cabo do século XX, em diversas pesquisas relacionadas com a sexualidade humana e seu fluxo, assim os famosos relatórios Hite sobre a sexualidade feminina e masculina. Afinal era necessário por a coisa em termos mais ou menos matemáticos no sentido de averiguar quanto em termos de repressão ou privação pode ser imposto ao trabalhador sem produzir uma agressividade excessivamente perigosa. A coisa ficou definida mais ou menos em termos de um jornada semanal, sendo o fim de semana reservado ao descanso e por ext ao lazer i é a fruição de diversos prazeres.

Calculou-se certamente que após os cinco dias efetivos de trabalho, o operário precisava 'descarregar' as energias acumuladas durante a semana dando largas aos apetites sexuais. Assim o Sábado e o Domingo seriam dias dedicados a recuperar o tempo perdido ou a fruição do prazer. Dias em que a vida noturna, a prostituição e todo tipo de evento classificado como erótico ou pornográficos tornam-se mais intensos e assumem a ponta do Mercado. Destarte os dias de descanso do proletário equivalem aos de maior trabalho no setor da indústria sexual e vice versa.

O Mercado acabou absorvendo a demanda de sexualidade acumulada produzida por ele mesmo ao criar uma indústria sexual aos feriados e fins de semana. Criou uma demanda e absorveu-a tornando-a lucrativa. Tornando-se consumidor de sexo, bebida, cigarro e dança nos fins de semana o proletário faz reverter ao Mercado parte do montante que recebeu, quebrando o paradigma da economia como fundamento da ascensão econômica. Aos olhos dos puritanos e dos darwinistas sociais os poucos trabalhadores que se tornam milionários são justamente aqueles que ao invés de consumirem tais produtos, reprimem-se ainda mais, guardando e juntando parte do salário. E no entanto esta fruição de prazer negado constitui uma demanda gerada pela própria condição humana. Em tais condições as 'pessoas de bem' que se negam ao prazer, que se controlam ou recalcam tornam-se amiúde neuróticas, mesmo quanto excepcionalmente tornam-se prósperas. Pagam o ascetismo forçado ou o sacrifício com a sanidade... Isto quando não se tornam agressivas, amargas, violentas e cruéis até o sadismo. Tal o tipo do rico sádico e insensível...

Até certo ponto o sistema conseguiu conciliar o ideal calvinista do trabalhador morigerado a austero, dos cinco dias de trabalho por semana, com o consumidor de 'vícios' ou prazeres dos fins de semana descrito por Bernard de Mandeville. O capitalismo logrou converter os vícios da semana na fonte de lucro dos feriados e fins de semana, dias destinados a fruição do prazer ou a compensação, tendo em vista a situação de recalque precedente. Passou assim a intercalar períodos de repressão e trabalho e períodos de fruição e consumo, retomando o Mercado por meio do consumo dos prazeres o pouco que os trabalhadores haviam ganho com o trabalho no período anterior.

Conciliou o trabalho e a repressão com a fruição e o consumo, mas sempre em seu benefício. Lucrando sobretudo quando o homem angustiado, buscando fugir a realidade do mundo externo, abraça furiosamente o princípio do prazer, tornando-se consumidor compulsivo. Paradoxal que este homem tenha muitas vezes plena consciência a respeito das mazelas do Mercado, e que as denuncie, critique e se oponha a elas... No entanto quando perde as esperanças de prostrar o deus Mercado por terra e entra em crise, é justamente ai que passa alimenta-lo, pelo simples fato de precisar consumir altas doses de narcótico para sobreviver. Evidentemente que tais narcóticos ou sedativos não lhe serão dados. Tem um custo e como tudo que tem custo prestam-se ainda e mais uma vez as aspirações do Mercado.

Na cultura ou sociedade de mercado inexiste realidade que não se relacione com ele. A prostituição, a pornografia, a indústria do cigarro e das bebidas, a própria indústria de preservativos e antes de tudo e acima de tudo o negócio da droga nada tem de Revolucionários ou contestatórios em si mesmos. Correspondem todos a necessidades reais existentes em quaisquer Sociedades, as quais no entanto foram ampliadas, assumidas, incorporadas e absorvidas pelo Mercado. A Sociedade de Mercado produz dependentes do prazer - justamente as pessoas que buscam fugir a ele - e transforma-os em consumidores inconscientes. Os quais por força de hábito até são capazes de imaginar tais nichos econômicos como Revolucionários, não são... O prazer é explorado pelos mesmos senhores que exploram o grande capital e esta conectado com eles formando uma só rede.

O que estou querendo dizer com isto é que o sistema é imensamente esperto, capaz de assimilar suas próprias demandas, de converter seus pontos fracos em fontes de força, de transformar-se, de criar novas relações e de assumir novas formas cada vez mais arrojadas. O que me faz lembrar Anteu, o gingante da fábula, que recuperava suas forças ao tocar na terra sua mãe...

É um sistema que produz situações complexas.

Explorando a um lado necessidades compulsivas a que classifica como vícios e vendendo-os a certa parcela da população e ao mesmo tempo explorando o trabalho morigerado produzido durante a semana e a moderada fruição do prazer pelo operário nos fins de semana... Tudo isto, limitação e fruição, é mais ou menos gerenciado por ele.

Resta-nos dizer ainda que a própria alienação, converte-se em negócio bastante lucrativo, particularmente para o nicho midiático ou para a indústria de comunicação de massas. Afinal o sistema como um todo e cada uma de suas partes precisam recorrer a alienação para manter-se. Daí ela mesma assumir a forma de produto oferecido pela imprensa. De modo que a seleção e a distorção dos fatos apresentados é certamente paga pelos interessados. Outro aspecto da indústria midiática consiste em vender propaganda, especialmente quanto a fruição de certos prazeres moderados ou fugas autorizadas, cujo consumo cabe a ela incentivar ao máximo apelando a todos os recursos propiciados pela imaginação ou pela fantasia.

Tais as propagandas relacionadas com as bebidas alcoólicas, o cigarro ou mesmo algumas iguarias como o chocolate ou a coca cola.

Aqui a propaganda clássica criada pelo psicólogo lacaio consiste mormente na associação de ideias. Daí mostrarem ao trabalhador miserável e mal cuidado pessoas belas, ricas e elegantes em situações de poder consumindo determinados produtos. A tais cenas paradisíacas adicionam alguns jargões do tipo - Gente bonita consome chocolates Sonksen ou Beber giny cola te torna poderoso...

Neste sentido - quanto a propaganda, a prostituição parece ser bem mais recatada rsrsrsrsrsrs De qualquer modo há todo um ar de apelação sexual na mídia, quiçá tendo em vista a permanência de algumas situações de recalque e repressão, quiçá tendo em vista apenas aquecer a indústria ponográfica ou sexual que vai já se formando. Parece inevitável que a libertação sexual deixe de produzir uma demanda em termos de mercado e uma indústria sexual pelo simples fato de dar-se numa sociedade capitalista. De fato a necessidade de uma Revolução sexual foi e é inquestionável, deplorável é que ocorra num contesto capitalista. Destarte o sexo nunca tende a tornar-se simplesmente normal na medida em que o nicho do mercado que lhe é consagrado tende a estimula-lo ao máximo, a classifica-lo como o valor supremo da vida e a ignorar sua dimensão pessoal em termos de sentimento.

Nem podemos nós deixar iludir-nos quanto ao tema da liberação das drogas julgando que algo de Revolucionário virá deste balaio. Pois tudo quanto veremos será a criação de outro nicho em termos de mercado com a respectiva demanda por propaganda a menos a longo prazo. A menos que tal liberação se desse noutro tipo de sociedade até poderíamos nos deixar tomar pela ilusão de que o consumo das drogas se daria noutros termos, alias impensáveis para nós. Ocorrendo como a Revolução sexual num contexto de mercado é óbvio que sua demanda será absorvida e mercadizada como tudo. Como a religião alias, cada vez mais simoníaca...

Se após ter lido todos estes parágrafos chegou a imaginar o mercado como um polvo colossal cujos tentáculos se apossam de qualquer coisa, devo dizer que a imagem formulada por você é bem mais do que pura e simples coincidência.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As principiais formas de alienação e fuga.

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Duas são as atitudes típicas do homem diante da realidade: A de conhecimento e a de alienação ou ignorância e duas as atitudes típicas do homem face ao conhecimento de uma realidade contrária a suas aspirações: O afrontamento e a fuga.

A alienação tem sido comumente explorada por aqueles que detém o poder. De modo a possibilitar-lhes o exercício de um controle discreto da Sociedade.

Embora saibamos que as situações de miséria são comumente frutos da exploração do homem pelo homem, aqueles que tiram benefício da exploração esforçam-se por convencer os explorados de que tais situações são consequências de fatores ou de causas bem distintos.

O objetivo deste artigo não é nada ambicioso. Pois limita-se a apontar algumas explicações alienantes produzidas ou utilizadas peplos donos do poder com o auxílio da mídia ou dos meios de comunicação de massa.

Não nos prenderemos aqui ao artifício mais comum que consiste em maquiar a realidade ou em distorcer sua aparência. Passando direto aos estratagemas com que buscam ocultar os fatores verdadeiramente responsáveis pelas situações/problema, ou sejam, as causas.

Afinal de contas na mesma medida em que a Internet ampliou o acesso da população a realidade vivida, enfraquecendo a maquiagem das situações, a necessidade de ocultar as causas dos problemas tornou-se ainda maior. Hoje mais do que nunca, o sistema, para proteger-se, precisa recorrer a alienação enquanto produção de causalidades falsas ou aparentes.

Assim enquanto a maçonaria conspirava verdadeiramente em favor do neo liberalismo, os líderes de diversas nações apresentavam os judeus responsáveis por todas as crises ou problemas que acometiam a sociedade. Durante muito tempo foram os judeus vilões 'reais' fabricados pela mídia de acordo com as necessidades de Estado ditadas pelo capital. Hoje continuamos assistindo a fabricação de outros tantos supostos vilões, já de talhe irreal ou fabuloso, e no entanto não menos suficientes.

Os ciganos também chegaram a ser acusados, embora em menor escala que os judeus e de modo geral quaisquer minorias étnicas ou religiosas tendem a se-lo em determinadas circunstâncias.

De qualquer forma chegamos a primeira fonte de alienação:

1 - Teorias de conspiração. Por trás de tudo quanto nos acontece de mal. Dos juros, da inflação, do arroxo salaria, da miséria, etc existe um determinado grupo de pessoas, que não correspondem ao governo e menos ainda a 'bolsa de valores'. Em algumas situações este grupo é identificado como sendo uma unidade étnica minoritária como os judeus ou os ciganos. Noutras com uma minoria religiosa como os hindus ou siks na Inglaterra. Nem podemos deixar de admitir que no tempo presente, os próprios radicais e terroristas afiliados ao islamismo sunita, correspondam a este propósito na Europa, tal e qual os latinos correspondem a ele nos EUA. Devemos no entanto deixar bem claro que os muçulmanos sunitas, com seu ideal de arabização e de implantação da sharia correspondem perfeitamente a este desígnio. Não estamos portanto querendo dizer - como os esquerdopatas ingênuos - que o radicalismo islâmico sunita não seja de fato um problema e um problema bastante sério para a cultura européia, o que estamos dizendo é que a simples presença desses fanáticos no cenário Europeu bem pode propiciar a edição de hipóteses simplistas em torno de uma monocausalidade que oculte o papel da economia de Mercado ou do sistema capitalista. Quando na verdade um problema não exclui o outro. O Capitalismo no entanto pode muito bem manipular a realidade a ponto de esconder-se por trás do radicalismo islâmico, convertendo-o em bode expiatório.

Atualmente no entanto, a grande massa de teorias conspiracionistas que povoam o imaginário popular, parece girar em torno da mitologia. O que não as torna menos impactantes e poderosas. Referi-mo-nos obviamente as quimeras divulgadas pelo espertalhão Dan Brown com o auxilio da imprensa ou da fábula dos Iluminati, bem como a sua reedição mais recente em torno dos tais reptilianos. Havendo inclusive quem vá mais além e avançando pelo caminho da religiosidade ou da alucinação postule um controle social exercido desde um lugar chamado shambala ou mesmo por extra terrestres ou habitantes do interior da terra... No tempo oportuno escreveremos um pequeno ensaio sobre todos esses delírios habilmente explorado pelos legítimos donos do poder, i é, aqueles que vivem de juros, mais valia, especulação financeira, etc

Naturalmente que este primeiro gênero de alienação nos remete facilmente ao segundo -

2) O fundamentalismo religioso. O fundamentalismo religioso, devido a seu teor fetichista, tem o vezo de eliminar todas as causas intermediárias e identificar o sagrado ou a divindade como causa direta de todas as coisas. Outra variante consiste em culpar um poder externo ou paralelo chamado destino e nem estou interessado em saber como o vulgo concilia a ideia de destino com a ideia de divindade. Por esta variante chegamos a crença na astrologia segundo a qual nossa condição é produzida pelos astros ou por suas condições, de modo que são eles os causadores tanto de nossa felicidade quanto de nossas desgraças. Certamente que essa crença precisa ser discutida num artigo a parte.

Entre os muçulmanos é deus quem tudo decide por meio do Qadar ou de seu decreto eterno. Tudo quanto se sucede com os homens, inclusive a repartição de bens e riquezas, é resultado da vontade eterna de alá, daí a título de qualquer coisa exclamarem: Esta escrito ou seja Maktub! Alá é que causa terremotos, maremotos, epidemias, incêndios, e todas as formas de desgraça que acometem o gênero humano sendo de todo inútil rebelar-se contra elas. Tal a causa primária da resignação e apatia observáveis em tais sociedades. Assim em número maior ou menor de Cristãos prevalecem as mesmas ideias embora jamais tenha sido assumidas pela Teologia Católica e sejam cada vez mais rechaçadas como absurdas. No entanto alguns fanáticos, mesmo entre o clero, insistem em adotar semelhante ponto de vista. Bem mais comum é a crença dos protestantes na predestinação, característica dos calvinistas. Os quais por via do antigo testamento não tem sido indiferentes a crença fetichista segundo a qual Deus também seria causa imediata de todos os acontecimentos naturais e sociais, doutrina que aproxima-se deveras do fatalismo islâmico.

Ultimamente os sectários protestantes elaboraram uma versão bem mais refinada do fetichismo associando-o - pasmem - a dinâmica do Mercado e por assim dizer santificando-o ou canonizado, tal e qual o papa canoniza seus santos. Assim os pentecostais, para os quais o milagre não é apenas possível, mas absolutamente banal, conceberam a ideia segundo a qual a divindade recompensaria os contribuintes da igreja, isto é aqueles que sustentam o pastor por meio de dízimos, não apenas com saúde ou conquistas amorosas, mas sobretudo com emprego, dinheiro e fortuna; tornando-os ricos e bem sucedidos, exatamente conforme as metas e ideais da Sociedade capitalista, os quais certamente encaram acriticamente como absolutamente Cristãos. Ainda nesta perspectiva aqueles que são mal sucedidos financeiramente (i é os que não ficam milionários) pertencem ao número dos descrentes, dos pecadores ou dos que tem a fé demasiado fraca. Os que pertencem a primeira categoria não fazem jus a fortuna. Os que pertencem a segunda categoria estão sendo punidos ou castigados. Já os que pertencem a terceira categoria estão sendo provados na medida em que permanecem pobres. Importa saber que como pouquíssimos entre eles enriquecem de fato, jamais cessando de lavar banheiros, são amiúde enfiados pelo pastor numa das duas categorias acima, i é na dos pecadores ou na dos que por algum motivo tem fraca fé e estão sendo provados. Deus certamente lhes esta reservando algo, pelo que devem esperar. Assim vão vivendo de esperanças e protelando o dia da 'graça' até morrerem ou virem de fato a perder a fé. Importa terem contribuído bastante e não poderem recuperar a grana perdida.

Embora seja raro no espiritismo kardecista não é lá muito raro na umbanda e outros grupos sincréticos que além das enfermidades e problemas afetivos, também os problemas financeiros como o desemprego sejam relacionados com a doutrina do Karma, praticamente na perspectivas do Hinduísmo. Noutros cultos, no protestantismo ou mesmo no catolicismo popular o insucesso financeiro, como quaisquer outros problemas é muitas vezes relacionado com o mal feito ou seja, com a o catimbó, com a feitiçaria, com a bruxaria, com os assim chamados trabalhos ou mesmo com simples pragas ou maldições.

Bem se vê que uma pessoa simples a ponto de dar crédito a qualquer uma destas 'explicações' e cujo padrão de pensamento é mágico fetichista ou infantil, jamais poderá suspeitar quanto as verdadeiras causas dos males que a afligem como a incompetência por parte do Estado, a dinâmica do Mercado, etc Não pertence a carga de suas possibilidades a aceitação de causas comuns, naturais ou materiais, as quais ela simplesmente não percebe e por incapacidade invencível. Culpara sempre o destino, deus, o karma ou uma bruxa e jamais o regime assalariado, a usura, o lucro, etc