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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Reflexões ecológicas - O Capitalismo e o meio natural... Para onde nos encaminha o sistema vigente ou a 'desordem' estabelecida...

Já me referi ao discurso dos Aristotélicos sobre o planeta como sistema fechado e recursos necessariamente finitos ou limitados. E também ao genial J S Mill e a doutrina da economia estacionária.

Decerto que o liberalismo econômico partilha do mesmo otimismo presente no positivismo\cientificismo, e que segundo E Troeltsch A C Grayling, não passa de resíduo secularizado do Cristianismo. O que por sinal devemos ao iluminista francês Condorcet.

Condorcet porém, ao contrário de Malthus, não parece lá se ter impressionado muito com a finitude do mundo... Dando largas a imaginação e a fantasia. Para ele o progresso seria linear, continuo e infinito. 

Temo portanto que bilhões de pessoas com aspirações ambiciosas ilimitadas não estejam em sintonia com a finitude dos recursos naturais. Pois aspirações sem controle ou regulação, aspirações demasiado amplas e livres, convertem-se bastante fácil em explotação descontrolada.

E enfim, a explotação descontrolada - resultante do excesso de população e da disputa pelo espaço com um meio natural quase sempre incapaz de defender-se, conduziu-nos a beira do abismo ou da sexta extinção em massa, a qual será antrópica ou provocada pelo único animal que ousa fazer alarde de sua racionalidade.

Estamos falando portanto no suicídio da espécie, uma vez que a meta posta pelo capitalismo: O máximo possível de acúmulo, por parte de uma multidão de seres humano, num cenário de livre disputa ou concorrência, é absolutamente irracional, inda que os meios sejam perfeitamente racionais. O fim ou a meta continua sendo clamorosamente irracional num sistema fechado e finito. 

Nada de catastrofista e muito menos de utópico - Pois sucedeu-se já, se bem que em escala menor, na América, entre os Maias, os quais para erguer e decorar suas soberbas pirâmides escalonadas, esgotaram seu entorno > A cal dependia das fogueiras, as quais dependiam das madeiras, as quais dependiam da floresta, assim as plantações... Eliminadas as florestas cessaram as chuvas e, consequentemente a produção de alimentos, advindo a fome, as epidemias, as guerras e o fim desta tão avançada civilização.

Sucede, no entanto que os Maias não tinham a mínima ideia sobre o ciclo da água ou sobre a dinâmica da natureza, sendo portanto incapazes de prever, planejar e evitar. Nós no entanto estamos a par até mesmo da extensão e do peso da terra... Sendo perfeitamente capazes de prever as consequências de nossas ações.

Está nossa realidade posta de modo bastante claro: Um sistema individualista, materialista e irracionalista (Pelo que temos reproduzido aqui dois aspectos do protestantismo: O individualismo e o irracionalismo.) está conduzindo a espécie humana a extinção. 

Ao estimular a multiplicação da espécie que satura já o planeta e a satisfação das ambições desmesuradas de cada representante seu, protestantismo e capitalismo decretam a destruição do mundo natural i é a eliminação da fauna e da flora, das matas, florestas, bosques e daqueles que os povoam. 

A tendência levada a cabo pelo economicismo é cobrir o espaço como um todo i é todo solo do planeta com uma camada artificial composta por cimento e pedra, alumínio e vidro, plástico e borracha. A qual partindo do centro de cada cidade se vai estendendo, até conectar-se no que chamamos de megalópoles ou conurbações. A acelerar-se um tal ritmo em mais alguns milênios não mais restará palmo descoberto de terra em nosso planeta, ficando ele completamente encerrado numa capa fabricada por nós.

A bem da verdade, antes que tal designío seja consumado, teríamos também nós encontrado a morte certa em meio aos resíduos de nossa atividade ou dessa poluição que contamina águas, terra e ar, envenenando e, no devido tempo, matando. Pois como haveremos de respirar um ar empesteado por CO2... beber água misturada com mercúrio... ou pisar uma terra encharcada por nossos próprios dejetos... É de fato uma perspectiva terrível.

Porém os conspiracionistas não se abalam e as aspirações do liberalismo econômico se apresentam irredutíveis e inconciliáveis. 

Cada qual julgue esta dada situação a partir de seus princípios e valores e, eu, tenho os meus muito bem pontuados, oriundos já da Filosofia socrático\aristotélica, já do Evangelho de Cristo (Não dessa 'coisa' chamada bíblia.), já do Cristianismo antigo, histórico, apostólico... e coordenados pela razão, na qual com toda segurança confio.

E meu juízo é um juízo negativo e condenatório.

Não vejo como a crença em que Deus se fez carne ou assumiu nossa condição. De que Deus tenha querido encarnar-se neste mundo natural e material. De que Deus tenha santificado este mísero grão de pó com a intensidade de sua presença e que estejamos a depreda-lo. 

Poderia acrescentar ainda que malbaratar milhões de espécies viva, de animais e vegetais - Enquanto resultados de um processo evolutivo que toca centenas de milhões ou mesmo um bilhão de anos é uma atrocidade. Dada a singularidade, a utilidade e provável beleza de muitos destes seres.

Consiste por um lado em destruir as expressões ou manifestações da mente divina e por outro em extinguir um espaço visitado e santificado por aquele que chamou-as a existência por meio da Evolução. Autêntico sacrilégio.

Tendo em vista que cada ser existente é um projeto da mente divina e que nosso Deus assumiu uma condição material neste mundo é grave dever nosso respeitar essa mãe natureza e respeita-la como se um santuário fosse. Ao invés, de guiados pela cobiça converte-la numa imunda carcaça - Fazendo o papel nojento de vermes pululando sobre ela...

Ademais um ser não merece respeito apenas por ser racional ou livre, ou mesmo inteligente e sim porque o ser racional é capaz de perceber a totalidade das coisas, avaliar as conexões e atribuir-lhe importância segundo a posição que ocupa no conjunto. Posto que tais seres formam uma cadeia ou teia na qual estamos inseridos e a qual pertencemos.

Ainda utilitária ou pragmaticamente, tendo em vista a função voltada para o conjunto, tais seres precisam ser respeitados e nossa continuidade enquanto espécie depende sim dessa atitude ética que é o respeito. Assim aqueles que explotam ao máximo essa mesma natureza, ultrapassando os limites da prudência e visando apenas o lucro sórdido ou o vil metal, prestam um deserviço a espécie e colocam-na em risco.

É uma profanação absurda, decorrente de nossa miséria e insaciedade interior. De fato apenas o Sagrado ou o plano espiritual é capaz de satisfazer plenamente nossas aspirações, de saciar nossa sede, de preencher nosso interior, de completar nosso ser e de conduzir-nos a uma sóbria serenidade ou temperança. Somente a partir de um tal estado de espírito é que nossa consciência assoma as alturas para que foi posta, impondo equilíbrio e moderação em nosso trato com o mundo externo ou com as coisas.

Tentar substituir a fonte do ser enquanto posse do ser jamais deu ou dará certo. Nem poderia a posse de todo este universo limitado substituir a posse do ilimitado e infinito porque aspiramos ou suprir nossa vacuidade interior. O materialismo associado ao ateísmo será sempre incapaz de aliviar nossa inquietude, inquietude que nos dispersa entre os objetos materiais com a ânsia de acumular.

Todo esse burburinho em torno da acumulação ilimitada, ainda que potencializado ou mesmo ativado pela cultura, parte em última análise de nossa condição, de nosso interior ou de nós mesmos e acaba sendo alimentado pelo ateísmo, pelo materialismo, pela negação da espiritualidade, pelo fetichismo, pela ignorância e pela miséria... Tudo isso estimula nosso apetite insaciável pelo mundo e se opõe a vida média.

Deve assim o Cristão, por o dedo no fundo da chaga purulenta e condenar a totalidade deste movimento em cada uma de suas expressões.

Não podemos aceitar, batizar e abençoar um sistema como esse: Que por tirar proveito do ateísmo e da irreligiosidade, promove-os sorrateiramente por meio da mídia - Objetivando, como já foi dito, estimular ainda mais o consumo. Nobre leitor, desculpa a rude franqueza mas é o consumismo irrefletido, num mundo finito, muito mais perigoso do que o comunismo ou que o fantasma do comunismo e, é esse consumismo vulgar e grosseiro, esse desejo pelo supérfluo, esse gosto pelo excedente que está a destruir o planeta.

Não me contentando em declarar com Henry George, que o delírio em torno do consumo, e, em seguida, o excesso é que produz a carência, o desequilíbrio, a desigualdade, a injustiça e a miséria; direi que esse delírio está já a fazer buracos no mundo como vermes fazem furos num queijo.

Então não mais podemos aceitar esse estado de coisas engendrado pelo capitalismo e tributário, em última análise, do individualismo protestante.

Seremos nesse caso comunistas ou bolchevistas, como afirma essa corja de pastores protestantes 'made in EUA'... 

Julgue o leitor sensível e inteligente as nossas palavras: Precisamos transcender o individualismo, precisamos vencer o ateísmo, precisamos questionar o materialismo e seu papel, precisamos refletir sobre o consumismo e a necessidade, precisamos nos reencontrar, precisamos analisar sem preconceitos o nosso passado e as nossas tradições, precisamos cultivar uma ética não especista ou holística em torno do respeito. E avalie se semelhante pauta faz parte da ideologia comunista e quais possam ser suas fontes.

É honesto desafio que faço a cada um de vocês.

Pois sequer estamos nós em tempos de socialismo ou de malthusionismo puro porém de ecologia e ecologismo. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Garrett surrando o Sardinha ou deslindando a toxidade, não da democracia ou da liberdade, mas do Economicismo ou do ethos burguês.






Em apoio do quanto registramos no artigo precedente reproduzimos abaixo as profundas considerações do ilustre literato português sobre o velho estado religioso ou confessional, sem duvida deteriorado pelo estatismo e absolutismo, em comparação com o um Estado Político de trânsito ou passagem para a treva economicista e portanto contendo os germes que o haviam de fazer enfermar, agonizar e morrer no tempo presente. 

Atentem que a visão acurada de Garret, falecido em 1854, era bem mais acurada que a do Sardinha (Nascido em 1887 - Portanto mais de trinta anos depois.) o qual, preso de estranha paranoia, pouco ou nada presumia do capitalismo ou do mercado e do protestantismo - Exatamente como os neo romanos ou tortodoxos de fancaria, títeres da cultura de morte protestantes ou da sifilização norte americana.

Substituam a expressão 'barões' por 'burgueses' por 'capitalistas' e a atualidade do texto saltara as vistas:

"Frades... Frades... Não, não gosto deles. Como os temos visto neste século, como os conhecemos hoje, não gosto deles e não os quero para nada, moral ou socialmente falando.

No ponto de vista estético porém, o frade faz muita falta...

Nos campos o efeito era ainda maior: Eles caracterizavam aquela paisagem, poetizavam a situação mais prosaica do monte ou vale; e sem tais necessárias e obrigadas figuras aquele painel não é já o mesmo.

Além disso, o convento no povoado e o mosteiro no ermo, amenizavam e davam grandeza a tudo: ELES PROTEGIAM AS ÁRVORES, SANTIFICAVAM AS FONTES e enchiam a terra de poesia e solenidade.

O que não sabem, podem ou querem fazer OS BARÕES AGIOTAS que os substituíram.

É muito mais poético o frade que o barão.

O frade era, até certo ponto, o Dom Quixote da Sociedade antiga.

O barão é, sob quase todos os aspectos, o Sancho Pança da sociedade nova...

O barão é pois USURARIAMENTE revolucionário e revolucionariamente usurário...

Por isso brigamos muito tempo, afinal vencemos nós, e assentimos em que os barões corressem com os frades da terra. No que fizemos uma SANDICE como nunca se fez outra. O BARÃO MORDEU NO FRADE, DEVOROU-O E ESCOUCEOU-NOS A NÓS DEPOIS...

Sim, o frade não nos pode compreender a nós e por isso morreu, e nem nós pudemos compreender o frade, e por isso constituimos esses barões que nos conduzem a morte e fazem morrer.

São a moléstia deste século; são eles e não os jesuítas, a cólera morbus da sociedade atual são os barões. Nosso amigo Eugênio Sue errou feio em seu 'Judeu errante', o qual precisa ser refeito.

Decerto foi o frade que errou primeiro em não querer compreender a nós, a nosso século, a nossas inspirações e inspirações; com que falseou sua posição, isolou-se da vida social e fez de sua morte uma necessidade por assim dizer infalível e sem remédio.

Assustou-se com a liberdade, que era amiga sua, e que o havia de reformar, e associou-se ao despotismo, que de modo algum o amava, senão relaxado e vicioso, para dele servir-se e servido ser.

Nós também erramos em não entender o tolerável erro do frade e em lhe não dar outra direção social, e EVITAR ASSIM OS BARÕES, QUE É O MAIS DANINHO BICHO ROEDOR...

E eu que sou da liberdade e do progresso antes prefiro a oposição dos frades de ontem a dos barões de hoje...

O progresso e a liberdade perdeu, não ganhou.

Quando me lembra tudo isso, quando vejo os conventos em ruínas, os egressos a esmolar pelas ruas e os barões de berlinda, sinto saudade dos frades, não dos frades que foram mas dos que podiam ter vindo a ser."

Não era democracia ou liberdade em si mesma como fim mas, democracia de ocasião, de passagem ou trânsito para o mercado, para o acúmulo irrestrito de bens, para um novo ethos, para uma nova cultura, para uma cultura exógena, para o economicismo. E foi a ruína e transtorno do nosso universo seja ele grego, latino ou medievo - Nem o Rei e menos ainda o Povo ou os cidadãos mas o barão i é o burguês, o patrão ou o empresário > E Sim, este novo mundo saiu muito pior do que os antigos!

Já não há decerto o monstro infame das inquisições, colossalmente inchado ou engordado pelos 'liberais' ingênuos ou safados... Que nem todos os frades eram queimadores de gente (E a maioria não era!) como foram cruéis e insensíveis e assassinos os barões ou patrões do século XIX já na Inglaterra, já na Alemanha e quiçá na própria França...

A figura desse empreendedor santificado pela imprensa moderna. A figura desse empresário sem consciência. A figura do bancário avarento foi historicamente muito mais danosa que a do inquisidor, a do rei ou a dos Revolucionários, ao menos quanto a extensão do poder. Apenas a figura do empreendedor conta com advogados contratados que lhe emprestam as mais róseas tintas, e fica como um macaco maquiado... 

Porém foi ele que poluiu e polui a terra, que exterminou e extermina animais, que aniquilou e aniquila florestas não sem ter feito trabalhar a mulher grávida, o idoso e a criança de seus quatro anos em troca de um mísero naco de pão...

Essa História já foi muito bem escrita e registrada não por Marx, Engels ou Lênin ou ainda por seus embiocados seguidores mas pelo Cristão Charles Dickens - A tinta negra ou vermelha brota do cálamo de Dickens o qual nos revela o feito desses barões que prostituíam nossa democracia e nosso liberalismo puro tal e qual haviam prostituído a fé nos tempos da infeliz reforma protestante...

Sardinha, cego pela ideologia ou pelos amores que dedicava a anglos ou germânicos, não pode percebe-lo, mas percebeu-o o velho Garrett, que lhe dá uma aula.

O frade romano ou ortodoxo lá estava, no quadro ou contexto, do campo e da Vila em comunhão com a mãe natureza, convivendo ou comungando com animais, e árvores, e fontes - A exemplo do seráfico pai S Francisco ou de S Serafim de Sarov... E os defendiam, guardavam e protegiam... Mantendo e conservando aquele ambiente pintado pelo pincel de Millet - Em que ao por do Sol os lavradores dobravam os joelhos sobre a negra terra que os nutria e recitavam a Ave Maria a mãe de seu pobre Deus enquanto dobravam os sinos... 

Havia trabalho duro e fatigante, sim havia. Mas também havia sentido para quem era senhor de seu pequenino torrão, para aquele que em sua choupana era aguardado pela esposa devotada e pelos filhinhos saudosos... Congregados em torno de uma mesa onde havia pão cheiroso tirado do forno, azeite, queijo e vinho. E flores plantadas e torno a pequena casa. E o cão e o gato abanando suas caudas.

Parte deles não era constituída por proprietários ou donos de terra. Havia que se lhes ter dado terra e não movido a cidade. Pois já não há terra para dar... E sequer trabalho nas grandes cidades - Menos ainda trabalho digno. E menos ainda liberdade. E lhe tiraram a esposa - Que hora também trabalha como uma burra! - e os filhinhos (Postos na creche), e as flores, os animais... Tudo enfim. Até que esse homem e essa mulher, pelas mãos do barão ou do burguês, conheceram a angústia e o desespero, uma escravidão oculta ou disfarçada.

Sim, o tempo do Frade era menos ingrato.

Não nos enganemos - Não considero esse modelo ideal ou perfeito, antes muito mesquinho... Porém em comparação com o mundo urbano do assalariado é e era paraíso.

E não adianta dizer ou clamar que o capitalismo que pinto não é mais o mesmo, que transformou-se também e tornou-se mais humano e suportável, e desejável em tempos em que um governo inspirado. Tal devemos agradecer aos anarquistas, fabianistas, trabalhistas, católicos, etc que moveram céus e terras para criar uma legislação protetiva que jamais cessou de ser ameaçada pelos economicistas ou capitalistas.

Nem a concederam de bom grado, nem jamais se conformaram com ela.

Daí a atividade frenética do governo anterior, liberal economicista ou capitalista - Não fascista como quer a esquerda pós modernista desmiolada. - no sentido de destruir essa legislação e fazer o Brasil recuar ao século XIX, inglês, por sinal... Quadro social a respeito de que, diziam alguns analistas, era ainda mais cruel do que a escravidão negra em nosso país. Pois o cenário urbano na Inglaterra e na Alemanha do século XIX foi monstruoso... E o ideal economicista jamais se desprendeu dele, clamando a todo instante pela ilimitação ou pela restrição do Estado, ainda quando democrático ou popular.

Para as populações rurais de toda Europa foi o liberalismo econômico autêntica porta sobre o qual bem se poderiam fixar as memoráveis palavras: "Vós que aqui entrais perdei toda esperança de sair." 

Não, o frade jamais fora tão cruel e mesquinho quanto o patrão e os mosteiros até ofereciam escolas, enfermarias, dispensários, asilos, etc O que jamais se viu ser oferecido em larga escala pelos maravilhosos empreendedores do século XIX.

Parece-me, como a Garrett, necessária, a passagem do regime confessional ou credal ao político e laicista, de modo algum a passagem ou trânsito do Estado político ao estado Econômico, empresarial ou economicista - Como já é abertamente defendido por certos panfletários ANCAP oriundos dos EUA. No entanto se tal passagem, do puramente político ao econômico corresponde a um fenômeno inelutável, então laboramos em erro grave e devemos reconhecer que os conservadores totais ou ''católicos" atidos ao modelo medieval estariam certos. 

Pois nossa democracia, a democracia que queremos não é a dos EUA ou da Inglaterra por não ser mínima quanto a qualquer coisa mas ampla (Dentro do espaço do Bem Comum) o suficiente para proteger o trabalhador, a ecologia, a natureza, as plantas, os animais, o mar, o solo, etc Nosso projeto é tão amplo quanto ao do frade de outrora uma vez que nosso olhar político e cidadão se inspira nos mesmos valores. 





segunda-feira, 26 de julho de 2021

Viagem a Marte - Para além da simplicidade Julesverniana...

Muito antes que o sr Jeff Bezos fosse chamado a luz da existência e cogitasse passear pela órbita espacial, um francês de nome Júlio Verne cogitava uma viagem até a lua. 

Enquanto alguns questionam a ida do homem a luz em 2021 Verne era capaz de imagina-la no século XIX??? - A um lado a mente idiota e a outro a mente genial...

Desde que foram os homens a lua, no final dos anos 60 ou em qualquer momento dos anos 70, muita água rolou por debaixo da ponte.

E se antes o objeto era a lua não tardou a converter-se em Vênus ou em Marte.

Vênus no entanto é demasiado quente...

Já o frio, ainda que excessivo, conseguimos burlar.

Por outro lado sempre que pensa em Marte pensa o homem em água.

Quiçá possamos criar naquele planeta uma atmosfera artificial. A água no entanto seria de grande valia caso por lá existisse em estado líquido ou ao menos em estado sólido i é congelada.

De fato há ali água sob três de seus estados, preponderando no entanto como gelo. E se é a Antártida um continente gelado é Marte um planeta gelado.

Agora por que tanto interesse no distante planeta gelado e tão pouco interesse no Planeta azul em que vivemos.

Por que buscar partículas de microscópica vida lá enquanto extinguimos onças, antas, tigres, leões, girafas, elefantes, zebras, etc  por aqui?

Serão tais formas banais apenas por estarem perto de nós ou por existirem?

E as de lá maravilhosas por existirem apenas em nossas cabeças ou estarem tão distantes?

Talvez seja o caso. 

Afinal é vezo nosso e vezo sinistro valorizar o quanto perdemos...

Ademais ainda estamos acostumados a ver leões, zebras, girafas e gorilas em quantidade, o que nos leva a conceber a existência deles como vulgar...

Poderíamos gastar bilhões com o propósito de limpar nosso planeta, assim para descontaminar as águas, o ar ou a terra... No entanto preferimos investir em Marte ou na Lua. 

De fato enquanto alguns multi milionários parasitas colhem ovações e aplausos pelo fato de poderem excursionar em torno do planeta,vai nosso pobre planeta passando do azul translúcido ao cinza ou marrom...

Obra nossa ou melhor dos nossos excelentes industriais e empresários impulsionados pela ideia absurda de um progresso econômico e técnico ilimitado.

Por mais resistente que seja, a mãe natureza não poderá resistir indefinidamente a nossos ataques e agressões. 

E nós ou alguns de nós intensamente preocupados com Marte ou com a Lua.

Não, não é problema de sistema, embora o sistema seja abominável. É antes de tudo problema humano, antropológico, ético ou moral, o qual gira em torno da virtude. Foi o homem que concebeu, alimentou e ainda insisti em manter esse sistema abominável, julgando ser o melhor possível...

Sócrates já o havia previsto e antevisto - Divino ateniense! 

Pois ao denunciar o formalismo estrutural da democracia ateniense e postular a formação de homens leais, honestos, capazes e democráticos, teve de antepor o auto conhecimento ou o conhecimento de si próprio a todas as outras formas de saber, inclusive ao conhecimento do mundo externo e da técnica.

Do ponto de vista socrático o que aqui temos, há vinte cinco séculos é uma inversão. 

Pois iniciamos a construção do saber pelos elementos do mundo externo e não por nosso universo interior que tudo maneja. Tal nosso drama.

Aprendemos a controlar o mundo externo ou o universo, porém jamais cuidamos em controlar a nós mesmos ou nossos impulsos com seriedade.

Em seguida, já na modernidade, cuidamos planejar as mais belas instituições e estruturas, antes de cogitarmos na fruição de direitos, na justiça ou na virtude.

O fruto de tudo isto é uma sifilização formalista até o mecanicismo estrutural. Um formalismo democrático de teor fetichista, um agregado de leis formalistas, a ideia imbecil de um mercado que se regula por si mesmo, o socialismo bizarro - Mecanicista e etapista - de K Marx, o cientificismo/tecnicismo positivista... Abismo após abismo, miséria após miséria... Afora de Sócrates, Platão, Cícero, Quintiliano... de Jesus Cristo e dos Padres da Igreja, preocupação alguma com o elemento humano.

Até que a magnífica ciência levou-nos a lua e brindou-nos com bombas de destruição maciça - a uns seres pretensiosos que a bem da verdade são pouco melhores ou quem sabe até piores do que seus primos macacos... 

Podia este homem, a ser educado, civilizado e virtuoso - Segundo o propósito de um Confúcio, de um Sócrates ou de um Jesus. - ajudado pelas máquinas e por todo este excesso de tecnologia, ter convertido este nosso mundo num Paraíso. Nós no entanto continuamos engatados naquela resoluta marcha rumo ao único inferno, este que ora construímos por meio da extinção, a poluição e da sujeira...

Para que tanta tecnologia se os olhos da maior parte dos seres humanos continuam focados em Marte ou na Lua? Ignorando ou fingindo ignorar as necessidades reais deste planeta, nossa casa e nosso lar?

Por pouco uns homens loucos, escolhidos a dedo ou eleitos pelas massas, não reduziram este planeta a pó com o apertar alguns botões ou com o estralar dos dedos...

Criamos brinquedos mortais com que dar cabo não apenas de nossa espécie mas também de todas as outras e aniquilar o trabalho evolutivo de dois bilhões de anos.

Sim, brinquedos. Pois não passamos de crianças nos termos rasgados de um Freud. Crianças porque ainda não fomos curados do egoísmo, nosso pecado original.

Divinas e núncias das realidades celestiais por saberem confiar. Mas também egoístas até a crueldade. O que no entanto facilmente se cura por meio da pesquisa e da instrução.

Pesquisando sobre nós mesmos por meio da introspecção e conhecendo o defeito congênito aplicando as medicinas dos grandes Mestres citados: Buda, Confúcio, Sócrates e sobretudo Jesus de Nazaré... 

Mas é como disse: Só podemos lidar perfeitamente com aquilo que conhecemos e na medida em que melhor conhecemos.

E negligenciamos o conhecimento de nós mesmos, desse imenso universo que em parte permanece indevassado. Dispersa-mo-nos pela Via Láctea, guiados por quiméricos sonhos, porém jamais ousamos examinar a fundo nosso universo interior. Construímos bombas e foguetes, computadores e TVs, trens elétricos e automóveis capazes de guiarem a si mesmos; mas continuamos a fugir da 'Longue chaise'... Exatamente por onde deveríamos ter principiado - O Metronomo e a Longue chaise...

Triste a sorte de um mundo ou de universo controlado por um ser descontrolado, incapaz de impor limites éticos a si mesmo ou de controlar-se. 

Como pode controlar algo aquilo que não se controla?

Desde Fechner, Wundt, Freud, Jung, Frankl, Winnicott, Blowby e outros tornamos a levantar a tampa do alçapão tenebroso. Os fantasmas porém há muito que haviam escapado... sem que nos déssemos conta ou nos importássemos. 

Nós que não nos identificamos uns com os outros e que tampouco nos compadecemos dos animais ousamos produzir maquinários e parafernália capaz de aumentar milhares de vezes nosso raio de ação não poucas vezes destrutivos. 

Antes de criar todo esse mundo artificial ou cibernético por que não nos desprendemos do consumo de carne vermelha?

Aqui certamente teríamos feito algo de relevante ou uma espécie de Revolução. E nos preparado para grandes conquistas. Porém guiados pela injustiça matamos pelo prazer do sabor sem ousar refletir ou raciocinar.

Por isso nos convertemos em vermes nauseabundos que em louco festim devoram a carcaça deste pobre Planeta enquanto olham embevecidos para Marte ou para a Lua.

Sabe Deus nossas intenções perversas?

Não apenas ele porquanto a ficção científica - Acurada desde os tempos de Verne, Salgari, Reid, etc - já deslindou o segredou e colocou-o diante de nossas vistas > O cúmulo da profanação!

Não romantizemos as coisas nem nos enganemos por um instante sequer a respeito deste falso encanto falso encanto diante do universo externo. Amamos nesse universo imenso o que ele nos pode dar, o que desejamos e esperamos que haja nele.

Não foi o Cristianismo antigo ou apostólico que impulsionou a pilhagem da América. Triste - Tentou inutilmente conte-la e até conteve-a em certa medida. Coisa que não faria este neo cristianismo protestantizado e canalha, incapaz de produzir um Francisco Vitória, um Banez, um Soto, um Cano, um Las Casas, um Suarez, um Benci, um Pedro Claver, um Martinho de Porres, etc

O futuro porque aspiramos é o pior do quanto nos legou o passado, assim a explotação do Oeste pelos colonos Norte Americanos, esta não somente incontida como estimulada pelos pastores com suas bíblias ou velhos testamentos - Do que resultou o pior genocídio da História. Tal o modelo de futuro que temos...

Pois como predadores aguardam esses homens ímpios por uma nova América ou por um Novo mundo quiçá repleto de humanos, de animais ou de minerais a que pilhar, torturar e matar. Rogo aos céus que tais mundos estejam bem distantes de nós e assim a salvo. Rogo a Providência celestial que não estejam na periferia desta Via Láctea... 

Encontrado este outro Planeta com ar, água e riquezas minerais sucederá a passagem, a migração das larvas insaciáveis ou a colonização e degradação do novo espaço. 

Como disse acima, caso hajam lá outras formas de vida, racionais ou não, seguirá a catástrofe. Principiaremos a matar e a escravizar uns e outros, quiçá em nome desse novo Evangelho parceiro do darwinismo social e do mamonismo. 

A grande diferença em termos de processo histórico é que enquanto após o descobrimento da América foram as massas empobrecidas e miseráveis que para cá migraram ora teremos algo quiçá mais diabólico, posto que aqui não há mais para onde correr. Destarte premidos pela geografia ou pela imutabilidade do espaço quem se deslocará serão os multi milionários como o sr Bezos e serão eles os únicos e próprios 'deuses astronautas' a migrar para outras plagas em que não hajam pobres. Os demais vermes cá ficarão para disputar os ínfimos restos de uma carcaça nauseabunda. Num contexto em parte já sabido com falta de água, de espaço, de ar limpo... e é claro com superabundância de sujeira. 

O quadro de nosso possível futuro foi descrito qual profecia ou vaticínio no Filme Elysium (2013). Outro propósito não tem os multi milionários, ricos, empresários, industriais, banqueiros e seus títeres políticos quando ao invés de descontaminarem este nosso lar investem imensa fortuna em máquinas, foguetes e viagens inter planetárias, etc O quanto querem é encontrar um refúgio para em seguida deixar este Planeta quase irrecuperável, e multidão de miseráveis nele a formigarem como vermina. 

Tal o panorama e o significado de tais investimentos e excursões; havendo quem apoie abertamente tais desígnios. 

Movidos por insaciável ambição que jamais se contém ou reforma tais homens dão já nossa casa por  irrecuperável e perdida. E não se sensibilizam - pretendendo antes começar tudo de novo num outro local. Dando sequência a essa saga de sangue, suor e lágrimas... a esse rosário de sofrimentos e dores, previsto já pelos homens póstumos, pelos supremos representantes da espécie. O quanto posso imaginar face a esse quadro é uma chusma de ratos (Os ratos que não me levem a mal.) prestes a abandonar o navio prestes a sossobrar... 

Para piorar ainda mais o cenário já aterrador surge pergunta que não quer calar:

Terá você amigo leitor, ou algum de seus descendentes, possibilidade de morar nesse modelo de paraíso chamado "Elysium"??? 

Ou ficará abandonado com os céus numa terra convertida no pior dos pesadelos imagináveis?

Para, pense, reflita, revise suas concepções e considere não apenas cuidar do Planeta mas pressionar as autoridades para que dele cuidem.

Informe-se sobretudo a respeito da proposta realista em torno de uma 'economia estacionária'. 



domingo, 27 de junho de 2021

Como transformar vermes em homens e uma carcaça num planeta...




Estimulada já por um Mercado insaciável na dependência de um 'exército de reserva', já por instituições religiosas ambiciosas e sem consciência tem nossa espécie se multiplicado de forma irresponsável e comprometido, quiçá de maneira irreversível, a existência da vida, como um todo, em nosso planeta.

Guiada pelo espírito da avareza, aqui aberta ali dissimulada, a criatura racional, projeto grandioso, foi revertendo ao que fora em seus primórdios, assim a condição de predador.

De fato nossos ancestrais, tendo se multiplicado em demasia e atingido certa cifra, não mais podiam manter sua dieta habitual sem levar a mega fauna a extinção. 

Do que resultou a extinção de um sem número de espécies e a invenção da agricultura, resultado de uma mudança em termos de dieta imposta pela necessidade.

Em não havendo mais brioches tiveram nossos ancestrais de comer pães ou melhor plantas, folhinhas, mato, couves... A falta de mamutes e rinocerontes lanudos teve a salada de entrar no cardápio.

Nem bastavam os sobreviventes do reino animal para nutrir-nos sem os dons de Ceres e nos tornamos mais onívoros. Houve existência e sobrevivência e até mesmo algum equilíbrio.

Nós no entanto, por milênios não nos abstemos de procriar ou, melhor dizendo, não cogitamos e sequer poderíamos ter cogitado, em limitar a procriação - Que um Malthus primitivo era inimaginável. 

Não poderia um Malthus ter surgido tão precocemente. Tampouco deveria ter chegado meio atrasado.

No entanto o uso indiscriminado de madeira e a criação de bois foi restringindo cada vez mais o espaço da natureza 'in natura' i é das matas e florestas. 

Substituíram a madeira, que é orgânica, pelo plástico, pela borracha e pelo alumínio... Saindo a emenda pior do que o soneto. Do que resultou imensa sujidade até no espaço, sem falar no fundo do mar. Emporcalhamos tudo pois ou damos cabo com a madeira ou acumulamos outros tantos resíduos caso não reciclemos.

Imperativo é reciclar. Reciclar porém é paliativo que não toca o fundo da ferida ou o âmago da questão.

E nos humanos não apreciamos atingir o âmago da questão.

Como disse, afirmada a falsa segurança ou a segurança aparente, nos tornamos mais e mais carnívoros. A ponto de sermos assombrado pelos peidos dos bois.

Parece anedótico mas não é.

Somos bilhões de carnívoros ou predadores. Na dependência de centenas de milhões de cabeças de gado, ou seja de uma hoste de bovinos.

E os bovinos peidam i é excretam algo parecido com o metano. O que reflete nas condições do clima...

Imaginem então os pastos!

Imaginem em seguida quantos pastos, campos de cultivo, bosques plantados são necessários para suprir as necessidades de sete bilhões de seres humanos.

Muitos dos quais vivem já como miseráveis.

E nem estamos falando em qualidade de vida para todos mas somente em pura e simples sobrevivência.

Agora onde enfiaremos os resíduos por nós produzidos?

Mesmo fumaça ou cinzas...

Para onde irão tantas cinzas e tanta fumaça, somada alias a fumaça expelida por nossos automóveis?

Percebe que o quadro já é mais do que tenebroso?

Considere agora que ainda precisamos encontrar espaço para a natureza 'in natura'.

Então já são pastos, bosques artificiais, campos de cultivos, lugares de despejo, espaços naturais e é claro locais onde possamos viver ou morar - E são sete bilhões de pessoas... E sete bilhões. 

Quem não vê e percebe que com o aumento da população em milhões, 8, 10, 12 ou 15 a demanda por alguns destes espaços aumenta enquanto outros espaços diminuem...

É o vegetarianismo outro paliativo, como a reciclagem...

No entanto onde haveis de conseguir espaço para cultivar vegetais destinados a alimentar 12 ou 15 bilhões de seres humanos???

De modo que os campos serão tudo, e não restará espaço para mais nada.

Bem, paliativos temos, quiçá a macheia. 

Reciclagem, vegetarianismo, naturismo...

E todavia caso nosso ritmo de crescimento populacional continue sendo o mesmo paliativo algum fará a diferença.

Dezenas de milhões de veganos, recicladores, naturistas, etc dá na mesma. E não poderá a mãe terra sustenta-los.

Assim é o socialismo, bem entendido como uma economia voltada para o homem ou para a justiça social, será também um ideal instável caso não solucionemos, antes de tudo, o problema da procriação. Embora muitos sociólogos considerem que a própria miséria estimule a procriação, hipótese que nos levaria a um sinistro círculo vicioso. Pois não é menos verdade que o excesso de pessoas agrava, senão produz a miséria...

Então temos de botar o dedo lá no fundo da ferida que é um abismo.

E tornar a Malthus. 

Tudo vai em progressão aritmética, produção de alimentos, políticas públicas, tomada de consciência - Alias tomada de consciência vai a galope de lesma ou a passos de tartaruga.

A população no entanto cresce em ritmo exponencial e o pouco que cresce torna a situação mais grave.

Menos espaço para animais e vegetais, mais lixo, mais poluição, mais resíduos, mais miséria, mais fome, mais sofrimento... E mais consumo, o qual irracionalmente estimulado converte-se em pregação. Enchemos nossas bocas para falar em progresso mas, enfrentamos o mais terrível dos retrocessos ou crises já experimentadas pela espécie... Anunciamos o paraíso sobre a terra e estamos as portas do único inferno, o inferno do calor, da sujeira, da fome, da violência, da fealdade...

Pois mais que os catastrofistas (Que com isto aspiram apressar - Acredite se quiser - o retorno do divino Mestre Jesus.) vibrem e aplaudam a situação não será nada agradável, e as únicas coisas que os arrebatará a fome, a peste e a guerra...

Contra uns e outros: Demagogos religiosos, fanáticos, avarentos, políticos maquiavélicos, etc temos d bradar em alto e bom som: O crescimento populacional terá de ser contido, a família planejada e a natalidade controlada. Eis o único meio capaz de converter os vermes em homens, em seres racionais, éticos e virtuosos - Dispostos a viver em comunhão com a mãe natureza.

Caso o ritmo do que chamamos progresso econômico não seja condizente com a condição do planeta teremos de adotar um postulado oposto ao de Bush e Trump: Sacrifiquemos o mercado, a economia, o ritmo do progresso técnico e salvemos o planeta, a fauna e a flora, a mãe terra, a nossa casa e nosso lar. Como Ulisses e os seus tapemos os ouvidos face ao canto falacioso das sereias...

E como lamentavelmente a consciência não avançará tão célere como gostaríamos neste direção teremos de pensar na força das leis, democraticamente sancionadas pela parte mais consciente ou sensível ao problema.

Quero dizer que é defeso a espécie e a sociedade humana, tendo chegado ao ponto a que chegamos, por meio de leis e coerção, determinar o planejamento familiar e o controle de natalidade.

Como diante de uma peste, praga ou epidemia não há que se considerar os caprichos da 'liberdade' individual. Todos os elementos da sociedade humana devem ser convocados a colaborar, tendo em vista a contenção populacional. 

Trouxe-nos a maldita pandemia uma cara lição.

Doutrinas e opiniões há que por afetarem drasticamente as vidas de milhões de pessoas não devem ser toleradas mais reprimidas, assim esse 'pensamento' conspiracionista infenso a vacina. Relacionado de perto com as pérolas do terraplanismo, do geocentrismo, etc Pois nenhuma dessas crenças imbecis é ingênua. Como não é ingênuo o criacionismo, o qual - Ao menos - já devia ter sido condenado firmemente pelas Igrejas apostólicas e históricas. e condenando por um poder espiritual, tendo em vista suas cominações aberrantes.

Neste soturno quadro encaixasse muito bem a pregação ou ideologia 'procriacionista', a qual avalio como uma das mais graves ameaças ideológicas a conservação da espécie. Multiplicando-nos, não duvidemos, pereceremos por completo.

Pondo filhos e mais filhos no mundo, irresponsavelmente, chegaremos ao colapso, pois a natureza não mais poderá suportar tal hoste de consumidores, de predadores, de vermes vorazes.

Por hora os gafanhotos somos nós e só deixaremos de se-lo quando contermos não somente nossa propagação mas também nossas aspirações financeiras e tecnológicas. Teremos de analisar e rever todo nosso modo de vida, de produção, de distribuição e sobretudo de relação com o ecúmeno. Se o Comunismo, por falacioso, não funciona, o funcionamento do capitalismo é mais do que péssimo.

Homens ilustres penaram por não terem encontrado qualquer solução para tal impasse, o problema do século, ou melhor, do milênio - Que digo - da História. 

De fato não cogitaram em Anarquismo, Comunismo, Fascismo, Nazismo, etc - Tampouco nós, que não cremos em quaisquer dessas ideologias de morte, como não cremos no capitalismo, pois estaríamos a crer no anti Cristo, no sedutor, no falso profeta, na besta imunda; filha de Lúcifer. Honremos o primado do espírito e confessemos: O Capitalismo é isto, embora alguns o cubram com vestes de anjo de luz e o disfarcem. Mas é isto e disto não passa: Pois separou os irmãos uns dos outros, instilou egoísmo e estimulou a avareza.

Onde estará então a solução?

Falemos em Ética, ou melhor, nas fontes da Ética. Olhemos para trás e façamos a verdadeira revolução, com a munição do espírito!

A solução está nas singelas lições do Evangelho e também da Memorabilia sobre Sócrates e nas obras do divino Platão a respeito deste Mestre excelente. Olhemos ainda para Aristóteles, Buda, Confúcio, Basílio, Bento, Francisco e alguns outros mestres do passado. 

Os quais nos ensinaram a não sermos acumuladores de quaisquer coisas e a não juntar tranqueiras em demasia sejam edifícios, automóveis, moedas, papéis, etc mas apenas e tão somente boas ações. Os quais nos ensinaram a pensar no outro, a colocar-nos no lugar do outro, a ajudar o outro e sobretudo a ama-lo. Os quais nos ensinaram a ser sensíveis, justos, fraternos... E a viver na dimensão do bem, da verdade e do belo, em comunhão com nossos irmãos animais e no respeito pela mãe terra - Enfim os quais nos ensinaram a viver racionalmente e a planejar o futuro!

Cada um destes homens é um Salvador ou Redentor para esta vida, para a vida social, o convívio e a sobrevivência neste mundo. Cada um deles é profeta e pregoeiro da verdade. Cada um deles nos convida a reforma da mente e a peleja do espírito.

Podemos progredir sim, mas noutras direções, que não na da matéria, da economia e da técnica apenas. Podemos estabelecer outros roteiros, mais sensatos, mais simples, mais humanos e não menos ricos. Foi para viver em comunhão com a mãe terra e em sintonia com o planeta que viemos a luz da existência. Foi para caminhar e crescer juntos que nos manifestamos não para devorar, predar, devastar e destruir - Quem compreende-lo será humano, ser racional e digno da liberdade. Quem não o compreender continuará sendo vil gusano rastejante, guiado pela fome insaciável. A partir de então teremos um planeta para nossos filhos, netos e descendentes, para que vivam bem e com qualidade de vida.