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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O convidado que chegou atrasado ou dialogando com Roger Scruton (Como ser um conservador) II





Terminamos o artigo precedente considerando a ambiguidade (As vezes oportunista) do termo conservador. Termo tão vago e impreciso quanto esquerdista, socialista ou mesmo anarquista. O qual por isso mesmo suscita diversas abordagens e imprecisão.

Conservar o que do que... Quais nossos parâmetros de tempo ou espaço para manter... Qual o modelo sócio\cultural a ser escolhido...

Continuo insistindo que os termos progressista e reacionário são mais felizes e melhor cunhados.

Alias sou reacionário em certos nichos como a política (Pois sou favorável a democracia direta ou a policracia dos antigos gregos, face ao arranjo anglo saxão - Parlamentar ou representativo - feito para agradar os patrões ou pioneiros do capitalismo, em detrimento da qualidade política.) a Epistemologia, a Ética ou a Estética (Aqui caminho com os antigos gregos ou melhor com Sócrates e Aristóteles) e decididamente progressista no campo da moralidade ou do comportamento humano e consequentemente do direito, e conservador quanto a cultura pré capitalista constituída em torno da micro sociedade, alias com conotações primitivistas, etc

Afinal se alguns conservadores, pequena parte infelizmente, são na verdade reacionários voltados para as instituições pré reforma ou ante capitalistas da Idade Média ou de uma Idade Média um tanto idealizada\romantizada, a maior parte parece querer conservar outra coisa, assim o que temos, e portanto a sociedade capitalista ou mesmo americanista, sicut modelo 'Americann way of life' - E aqui não temos mínimo acordo uma vez que considero este modelo de sociedade\cultura, produzido pelos pais peregrinos, com base no individualismo e no antigo testamento, como um dos mais venenosos já produzidos, juntamente com os modelos islâmico e sionista, devido a seu conteúdo anti humanista, em oposição aos direitos essenciais, inerentes a pessoa humana, posto que sou, decididamente (Contra Kelsen e turma) jusnaturalista. 

Tudo isto é já problema quando aparece diante de nós o brasileiro deslocado ou brazundunga, assumindo justamente um modelo norte americano de sociedade e cultura que não é seu. 

Devemos cogitar em conservar o que é nosso por herança ou o que nos foi transmitido por nossos nobres e excelentes ancestrais sejam eles lusitanos, espanhóis, italianos ou mesmo franceses. Falo portanto em termos de latinidade. Embora nossos ancestrais indígenas, num segundo momento, algo nos possam ensinar, em termos de uma economia natural, voltada mais para o ser do que para o ter. Penso alias que o discurso do cacique norte americano Seattle seja tão rica em sabedoria quanto a declaração de independência dos EUA. Que muito nos tenha a ensinar. E que seja vergonhoso a um cristão leal (Refiro-me em especial aos Cristãos apostólicos - Ortodoxos ou romanos) ignora-lo.

Seja como for, quanto a nós brasileiros, é apropriado dizer que não temos quaisquer relação com esses calvinistas chamados país peregrinos. Os quais abandonaram a Inglaterra apenas porque não sabiam, queriam ou podiam conviver com os símbolos alheios> Assim com os sinos, cruzes e torres dos Bispos anglicanos, diante dos quais seus ancestrais se haviam curvado por dezenas de séculos, mas que eles, no entanto, aspiravam destruir... 

Nossa cultura, ao menos em parte, está relacionada com Cabral, Manoel; o Venturoso, Nóbrega, Anchieta, Camões, Bernardes, Vieira, Mathias Aires, José Bonifácio, Teixeira de Freitas, Góis de Vasconcellos, Cansanção Sinimbu, S Vicente, Inhomirim, Pedro II, Luiz Gama, José do Patrocínio, Rio Branco, Nabuco de Araújo, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Eduardo Prado, Quintino Bocaiuva, Evaristo de Morais, Clovis Bevillacqua, Pontes de Miranda, Sobral Pinto, Victor Mirelles, Casimiro, Castro Alves, Pedro Américo, Vicente de Carvalho, Martins Penna, Maricá, Tobias Barreto, Farias Brito, Arthur Ramos, Teodoro Sampaio, Câmara Cascudo, Darcy Ribeiro, Fernando de Azevedo, Gilberto Freire, etc Tais as nossas referências e os homens base da nossa cultura, da nossa consciência ou do nosso espírito.

E caso desejássemos referências mais remotas teríamos - Pe Juan de Mariana, Cervantes, Dante, Tasso, La Fontaine, Racine, P Corneille, La Rouchefoucauld, La Bruyére, Hugo, Daudet, Mauriac, Bernanos, Cesbron e mesmo um Dostoievsky ou um Tolstoi estão muito mais próximos de nós e de nossa cultura do que qualquer ideólogo iankee alinhado.

Isto é nosso, nossa herança comum, nossa cultura, nosso espírito, legado pelo Cristianismo antigo ou Catolicismo, pela Filosofia clássica (Socrática ou aristotélica) e enfim pelo direito romano, fontes supinamente ignoradas ou depreciadas pela república protestante do Norte.

Por via do Cristianismo apostólico ou histórico, do aristotelismo e da estrutura política do império romano herdamos as instituições preciosas da paróquia e do município e com o municipalismo e o conselho, uma democracia de base ou uma base democrática. Como explicou Moulin havia democracia nas estruturas de nossas ordens religiosas ou conventos. Assim em nossas cortes que limitavam o régio poder. E tínhamos Ordenações (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas) impregnadas de espírito comunal ou coletivo. E os rocios e terras públicas do município. Enfim toda uma riqueza de instituições sociais, infensas ao individualismo nórdico e norteadas por um espírito gregário que tendia ao equilíbrio social. 

Aqui, a chaga, ao menos no Nordeste, segundo se diz, imposta pelo meio, mas tragicamente imposta e injustificável, foi a escravidão. A qual, ao contrário dos EUA, sem efusão de sangue ou guerra fratricida, abolimos vinte anos depois deles. Pagamos, por essa instituição criminosa um preço social bastante caro até os dias de hoje e trazemos suas marcas no espírito da cultura, quiçá as cotas nos ajudem a obter alguma redenção. Quanto aos povos originários ao menos tivemos aqui conosco os padres jesuítas, graças aos quais houve certo grau ou nível de mistura, ao invés de extinção total - Executada no Oeste dos EUA em pleno século XIX, após a afirmação dos direitos essenciais da pessoa humana!

Em que pesem seus vícios e defeitos eu me orgulho de ter herdado esta cultura: Latina, ibérica, lusitana, brasileira e em parte indígena. Face a cultura de morte vigente nos EUA, cultura engendrada pelo anti humanismo protestante ou melhor calvinista, fonte também do 'Destino manifesto', da 'Identidade cristã' e do Apartheid (Este na África do sul). Assumo portanto uma cultura que desde sempre valorizou os laços sociais, o espírito comunal, a fraternidade, a solidariedade, a cooperação, o mutualismo; não o individualismo, o egoísmo ou a concorrência. 

Foi esta cultura que cunhou as expressões 'Metron ariston' e 'Aurea mediocritas' ainda antes da manifestação do Evangelho de Cristo. Isto em oposição ao acúmulo irrestrito de bens, o qual nada tem de racional mas de passional - Segundo concluíram os dois maiores escritores ingleses: Swift e Defoe, cujas obras acidamente críticas a respeito da civilização econômica então emergente, podemos com proveito ler.

Nós brasileiros herdamos tudo isto e tal herança, lealmente assumida (Em particular pelos que se dizem conservadores ou patriotas) nos deveria conduzir a uma prática social ou a um tipo modelar de convívio totalmente distinto daquilo que nos é dado pela Republica anglo saxã do Norte. 

Naturalmente que não ignoramos a principal causa de toda esta confusão dos infernos.

Deve-se ela, permita-me dizer sem peias ou rodeios é a introdução intencional e calamitosa da fé protestante entre nós (O que corresponde a um projeto político internacional que satisfaz a diversas demandas: A do sionismo, a da maçonaria, a do imperialismo iankee é claro...). Fé por meio da qual pretendem os pastores destruir nossa cultura ancestral e substitui-la pela cultura iankee. Fé por meio da qual esperam introduzir em nosso meio toda constelação cultural daquela sociedade: Individualismo, capitalismo, minimalismo, democracia formal, Estado policial, odinismo, etc E o que temos aqui é uma invasão ou guerra cultural - Tal e qual sucede na Europa atual face ao islã.

E a audácia dos pastores e ideólogos protestantes é tão descarada que ao tomar a expressão Cristianismo querem dar a entender que foi nossa cultura produzida pelo protestantismo ou por algo similar a ele. O que é absolutamente falso e tendencioso. A visão ou cosmovisão e projeto social das igrejas apostólicas, do Catolicismo Ortodoxo (Vide a Rússia atual que novamente se volta para os padrões de Dostoivesky, despertando o ódio do iankee.) ou do papismo é totalmente distinta da visão ou do projeto protestante calcado no antigo testamento ou no israelitismo antigo (Do que é expressão o 'Reconstrucionismo' vigente no 'Bible belt', entre as seitas fundamentalistas e na 'Identidade cristã'). São projetos opostos e inconciliáveis ainda que o projeto papista, por via do Ecumenismo moderno, tenha cada vez mais perdido sua identidade própria e até se perdido. O modelo autenticamente Cristão é o da afirmação da fraternidade e da consolidação da solidariedade tendo por referencial a Encarnação de Deus no mundo.

Perceba-se que as exóticas exigências do Mercado - Surgidas na Inglaterra do século XVIII, em torno de um status diferenciado ou superior, se estão de pleno acordo com aquele éthos individualista presente já no protestantismo, com sua insistência de uma redenção individual ou separada da comunidade dos fiéis, estão em franca contradição com a concepção cristã em torno de uma redenção social ou coletiva, relacionada com uma sociedade orgânica chamada Igreja, com a comunhão dos Santos ou ainda com o padrão social vigente em todas as culturas antigas, especialmente com o ideal grego romano da Polis.

Ociosa a ideia de buscar pela existência de um Mercado a parte da sociedade, da política ou da lei em qualquer sociedade antiga, pelo que somos autorizados a declarar que antes do século XIX jamais existiu qualquer coisa semelhante a capitalismo. Equivocado afirmar o mesmo sobre a estrutura democrática, a qual remonta, no mínimo a Clístenes (509 a C), senão, como quer Aristóteles, na Constituição, ao próprio Sólon. Pelo menos, em certo sentido (Puramente econômico) o tal comunismo de fato existiu nas culturas primitivas, por meio da posse comum da terra e dos meios de produção, de que temos exemplo, inclusive, no Genos grego. Neste sentido pode-se dizer que é o liberalismo econômico uma súbita novidade portadora de um ideal utópico.

Repito, um mercado relativamente livre e mais ou menos limitado, existe desde os tempos mais remotos ou desde os primórdios da civilização. De modo algum o conceito ou a proposta de um Mercado situado acima das instituições sociais, o que, como percebeu Pilanyi, lhe conferiria um status privilegiado ou de dominação e conferiria a sociedade um caráter economicista. Insistir sobre tal status ou superioridade implica dar início formal a construção de uma infra estrutura puramente material ou econômica nos termos postos por Marx. Com todas as implicações culturais embutidas na criação de um novo modelo totalmente distinto do modelo religioso ou do modelo metafísico. E como o ser humano possui certa tendência a arroubos místicos, o liberalismo econômico ou capitalismo presta-se a também ele a portar uma tal mística, em torno do acúmulo ou da riqueza, destinada a eletrizar almas vazias e rasteiras. E aqui fraterniza-se com os nacionalismos exaltados e sobretudo com o comunismo, com o anarquismo, com o fascismo, o nazismo, etc

Na medida em que todas as atividades da vida humana passam a ser avaliadas em termos de (Confúcio diria 'Comprar e vender') de preço ou lucro, vai esse éthos (Materialista) penetrando e transtornando todos os setores da sociedade, estabelecendo umas relações orgânicas e afirmando-se como centro totalizante. Quero dizer que todas as atividades da vida humana, antes centralizadas em torno de outros padrões, geralmente imateriais, abstratos ou metafísicos, passam a ser centralizadas em torno da produção e distribuição de bens, assumindo as características peculiares a esse padrão. A constelação cultural não gira mais em torno de deuses, do além túmulo, da estética, do conhecimento ou na lealdade, porém em torno do lucro ou do acúmulo de coisas materiais num plano, como o nosso, que é circular e portanto estável, limitado e finito.

Ainda não abordei a questão lançada por Arendt sobre a redução do espaço político ou do exercício da cidadania - Sobretudo por meio da solução representativa ou parlamentar. - e sua decorrente perda de qualidade. Mas é um dos múltiplos aspectos do economicismo. Reconhecemos o valor ou a validade das instituições democráticas, porém não damos a mínima quanto a formação do ser humano democrata, em posse de uma consciência democrática, conduzido por princípios e valores democráticos, destinado a sacrificar-se pela ordem democrática. Desdenhamos quanto a formação deste cidadão na medida em que permitimos > Em nome de interesses econômicos privados, o aumento da desigualdade social, a proliferação da miséria e, consequentemente a condensação da ignorância, enfim a criação de seres humanos mutilados, despersonalizados, desumanizados, alienados, etc com direito ao voto ou a cidadania. Por onde jamais chegamos a Democracia e sim a Oclocracia ou a uma profunda desilusão face a política. A quem este ceticismo, essa frustração, esse desleixe ou este abandono interessam...

Após tanta enrolação, passemos agora a Scruton.

Começa a pag 8 enaltecendo a 'Democracia parlamentar' e 'caridade privada'.

Bom advertir que não é esta a Democracia grega ou mesmo o landsgemeinde suíço, modelos bem mais funcionais. Via de regra (Vide Sartori) os teóricos alegam que a existência do macro estado impede a adoção do modelo direto ou da policracia (Uma vez que Atenas não passavam de uma Polis ou cidade). Penso que seja apenas uma meia verdade. Afinal existem países ou condados, aos quais cabe decidir alguma coisa... Logo, mesmo na esfera do macro estado, as demandas cantonais ou municipais sempre poderiam ser discutidas e aprovadas pela comunidade. Por outro lado o surgimento do mundo digital, da internet, da virtualidade, etc abrem novas possibilidades no que diz respeito a comunicação, e, consequentemente a vida democrática. Exemplo disto é a Democracia estendida ou Demoex criado em 2002 na Suécia.

O problema aqui, desde o surgimento do representativismo parlamentar, foi a questão do trabalho ou da economia, noutras palavras, a participação dos produtores, trabalhadores ou operários nas discussões e deliberações da vida política implicaria em algum tipo de ajuste quanto a jornada de trabalho, em termos de ausência ou rotatividade, o que implicaria por sua vez na redução do progresso, leia-se da produção e dos lucros. O que é inaceitável ainda hoje, no século XXI, imagine só no século XVII... Se em 2025 ainda há quem queira aumentar a jornada de trabalho e diminuir o tempo disponível ou ocioso dos cidadãos, imagine então os tempos pretéritos...

A acomodação, como sempre, feita foi para satisfazer os interesses dos patrões ou empreendedores, com perda da funcionalidade e o que é pior, a possibilidade de um controle maior ou digamos de sabotagem por parte dos mesmos patrões, os quais sempre poderia, de alguma maneira, influenciar a escolha dos tais representantes. Tal e qual o pastor banqueiro Vorcaro financiou a eleição de Bolsonaro ou sua propaganda com o objetivo de influenciar a vida política nacional e obter vantagens. É assim que a perniciosa indústria de armas ou bélica, por meio de gorjetas e propaganda, influencia a política norte americana, expondo os cidadãos inocentes (Que deveriam ser sempre protegidos) a constantes massacres por parte de psicopatas ou delinquentes.

Além disso, possuí o representativismo um vínculo estrutural, posto que uma transferência definitiva de poder possibilita a simples traição sob pretexto de mudança. Nada mais comum do que um candidato tal apresentar-se ao povo como seu protetor ou como defensor de seus direitos, seja a liberdade dos cidadãos ou as leis de proteção ao trabalho, até que vendo-se eleito e recebendo estipêndios criminosos muda quase que de imediato os seus princípios e valores, passando a defender o minimalismo ou a privataria. E fica tudo por isso mesmo - Posto que ninguém jamais se pergunta sobre o porquê de tão súbita mudança, investiga sua agenda ou sonda sua o saldo de sua conta bancária.

Naturalmente que um homem prudente como Locke estipulou que em tal caso, em que o interesse do eleitorado seja ameaçado e o povo sordidamente traído, deveria ser aquele parlamento dissolvido pela autoridade competente, realizando-se novas eleições. No entanto esse dispositivo importante contido nas obras do citado autor, por questão de mera conveniência, jamais foi suficientemente lavado a sério, sofrendo outra acomodação ou arranjo. De modo que após a 'transferência do poder' o povo cessa de meter o bedelho na tomada das decisões, ficando os tais senadores ou deputados firmados no cargo por três, quatro ou cinco anos i é até o fim do prazo legal determinado, façam eles o que bem quiserem, o que sucedeu entre nós nos anos noventa, durante o espetáculo das reformas e privatizações, em que o governo comprava os votos dos tais representantes a olho nu.

Quanto a caridade privada temos aqui outro erro funesto, caso a anteponhamos ao Bem comum enunciado por Aristóteles, identificado com a paz ou a concórdia, fruto enfim de uma relativa igualdade ou da justiça social. A caridade decerto, entra pelo domínio da Ética, correspondendo, até certo ponto, a uma deliberação livre. Outro o caso da justiça, cuja satisfação, pertencente a esfera das coisas impositivas, precede a caridade privada, sendo digna do cuidado e da ação política.

Scruton não fala aqui sobre o Bem comum ou a justiça social, porque talvez seja assunto alheio a sua tradição. Quanto a nós, já dissemos que a noção de Bem comum não somente remonta a Aristóteles como praticamente esgota a finalidade da ação política. A existência do Estado só se justifica enquanto meio mais eficaz para a consecução do Bem comum e da harmonia ou unidade social. Reduzido a mera estrutura policial destinada a perpetuar o status de entidades particulares, torna-se anti ético, alheio ao bem comum e não apenas inútil porém pernicioso. Assim o estado minimalista ou neo liberal, a serviço de interesses privados que perpetuam ou acentuam desigualdades. 

Alias, nem se pode separar a noção de um Estado policial que se limita a conter as possíveis tentativas de subversão por parte dos escravizados, pauperizados, miseráveis, explorados, oprimidos, etc da proposta de Kelsen em torno de um direito sem ideais abstratos ou metafísicos de comportamento i é sem aquela Ética representada pelo Direito natural. Ao qual devem se ajustar, por força da Lei, todas as instituições humanas. Pois a negação do jusnaturalismo, também ela, implica aceitar passivamente e acriticamente os decretos ou ações políticas ditadas por um determinado Estado, ou como dizem, a realidade dada, seja ela qual for. Tudo isso implica não apenas conformar-se com as situações de injustiças, como se fossem desejáveis, como consolida-las e amplia-las.

Como diz Aquino a caridade privada só pode cumprir com sua finalidade adicional ou completiva após a afirmação radical da justiça, a qual por ela não pode ser substituída sem alterar negativamente a ordem natural das coisas. 



domingo, 19 de outubro de 2025

Europa a sombra dos minaretes - Que fazer... II

Uma vez exposta a situação temos de considerar o que fazer.

Pois assistir passivamente esta calamidade, que é o avanço do islã (Organizado pela própria ONU) pela Europa é algo que não podemos cogitar.

Pois no momento em que o crescente arvorar sobre a acrópole de Atenas, no fórum romano ou sobre os Túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo as bases da autêntica cultura ocidental estará morta.

Pois terá deslocado a Filosofia clássica, o Direito romano e a Ética do Evangelho e destruído nossa identidade, nossas raízes e nossa tradição.

No momento que as noções de racionalidade, livre arbítrio e amor ao próximo forem deslocadas e substituídas pelo irracionalismo, o determinismo e a agressividade tornaremos a barbárie e o islã será a porta.

Antes de tudo devemos estar aptos e treinados para contestar a ideologia pós modernista, por estar ela na base dessa conjuração.

Apesar do capitalismo e de outras misérias (Que nos conduziram a beira do abismo.) temos democracia, temos direitos inerentes e portanto igualdade jurídica, temos a noção de bem como ou justiça social, etc e portanto temos sim um padrão cultural superior em comparação ao autoritarismo totalitário, a teocracia, a uma hierarquia social arbitrária, etc - Ainda que limitássemos essa superioridade ao espaço de nossa própria cultura.

A menos que considerássemos o casamento de garotas com velhos, a castração de mulheres, o enforcamento de gays, a agressão aos pequeninos, a opressão dos dissidentes religiosos, o emprego generalizado da força, etc como práticas desejáveis temos de afirmar a superioridade da cultura europeia atual e de reconhece-la como propulsora no mínimo da forma de convívio menos ruim que existe. 

Alias desconfio que certas pessoas justificam o islã justamente porque aspiram viver a sua moda e devo avaliar qualquer cidadão ocidental ou europeu que deseje tratar sua esposa ou seu vizinho cristão segundo a lei islâmica como um canalha. 

Mais, a mim me parece que tanto entre os filo protestantes fundamentalistas no Brasil quanto entre os simpatizantes do islã na Europa sobressai um perfil sinistro: O desses homens maduros, machistas, homofóbicos, tarados, etc que aspiram enforcar gays e estuprar menininhas...  

Antes de tudo devo dizer que sou a favor de que os refugiados sejam recebidos ou acolhidos de braços abertos em qualquer parte do mundo desde que não sejam eles fundamentalistas religiosos, islâmicos ou cristãos, capazes de colocar as vidas dos demais cidadãos em risco. E não posso admitir por meio algum que a segurança dos cidadãos que vivem num determinado espaço sejam privadas de paz e segurança pela introdução de qualquer outro grupo social.

Os cidadãos ou contribuintes que pagam impostos fazem jus a segurança, a proteção e a paz; sendo dever do Estado garantir essas condições sob pena de quebrar o pacto vigente, tornar-se inútil, ocioso e ser confrontado pelos cidadãos.

Portanto receber em suas fronteiras qualquer grupo composto por fanáticos, teocráticos ou fundamentalistas, os quais venham a colocar em risco as vidas e bens dos cidadãos implica traição inaceitável. 

Devem portanto os árabes e outros que aspiram instalar-se na Europa adotar a cultura local e tal preceito deve ser indiscutível. Implica essa atitude abandonar os hábitos arraigados e assumir os hábitos comuns ao grupo em que se pretende viver. Implica abdicar de qualquer atitude no sentido de introduzir hábitos ou costumes árabes. Implica sobretudo em comprometer-se a não introduzir a Sharia e implica por fim aceitar que não serão construídas novas mesquitas. 

Seria ridículo ter eu de dizer que de modo algum devem os refugiados confrontar as práticas, costumes ou tradições das populações locais, profanando seus santuários, invadindo seus locais de culto, destruindo seus símbolos ou colocando em risco suas pessoas sob pena de serem rigorosamente punidas ou castigadas na forma da Lei. 

E segundo penso todas as violações acima por parte dos hóspedes deveriam ser punidas com deportação ou expulsão da comunidade em questão - Pois tratam-se de crimes contra os direitos inerentes das pessoas os quais não podem, sob quaisquer alegações, ser tolerados numa sociedade civilizada.

Vou além e opinarei que apenas as mulheres, os idosos, as crianças e os deficientes provenientes de sociedades islâmicas sejam acolhidas na Europa, e mesmo assim com a devida cautela. Quanto aos homens adultos, julgo haver precedentes graves para que deles se exija o abandono do islã ou um compromisso fundamental no sentido não tentarem impor a sharia ou construir mesquitas.

O mais recomendável no entanto é que os homens adultos do islã não sejam recebidos nos países europeus e sobretudo que clérigo ou imame sunita algum seja recebido. Naturalmente que a poligamia deve ser rigorosamente proibida nos territórios não islâmicos pois costumam ele dar o 'golpe' da barriga ou crescer pelo ventre até suplantar a população local. Também seria aconselhável a exigência de que limitem o número de filhos por casal sob pena de não serem aceitos - No caso dos homens adultos serem recebidos.

Necessário que seus filhos sejam obrigados a frequentar a escola local, de preferência pública e laica de modo a serem introduzidos na cultura vigente. Devem além disto aprender a falar a lingua local e valoriza-la. 

Outra medida de suma importância é proibi-los de formarem bairros, guetos ou pequenas comunidades fechadas e obriga-los a dispersarem entre a população 'comum', convivendo ou comunicando-se com ela, de modo a favorecer as trocas culturais.

Tais algumas sugestões concretas que já deveriam ter sido implementadas quanto esse tipo específico de população. Afinal hóspedes só podem ser acolhidos sob nossos tetos sob determinadas condições estipuladas pelos proprietários... 

Importante que tais leis sejam fixadas e que toda e qualquer violação implique na deportação ou no retorno compulsório ao local de origem. Quanto a isto não deve haver relaxação ou contemplação alguma, especialmente em se tratando de delitos inspirados pela fé e contra a fé alheia e seus símbolos. 

Deve haver todo um programa destinado a fazer com que os hóspedes assimilem os princípios, os valores, os costumes e a cultura local ou que no mínimo exerçam rigorosa tolerância face a ela, abandonando toda e qualquer hostilidade.

Super importante que a decisão de acolher essas pessoas passe pela comunidade local e que a nível nacional seja objeto de referendo ou de aprovação direta pela população e jamais uma imposição feita por órgãos internacional como a ONU ou a OTAN uma vez que são controlados por outros países e poderes. 

Importante que seja uma atitude política democrática i é sancionada pela população nacional e local e gerenciada por elas através de leis específicas destinadas a manter a cultura e promover a paz. 









quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Algumas reflexões sumárias sobre a economia yankee e sobre a doutrina social Cristã legada pela tradição apostólica.

Tais movimentos e interações culturais são sobremodo interessantes. Enquanto papismo e comunismo se digladiavam, o protestantismo e o americanismo tiravam proveito, ampliando seus poderes e influências. Curioso: O comunismo, ao debilitar a igreja papa, até certo ponto, criou, sem perceber, as condições necessárias a sua destruição. Pois a igreja neo romana do Vaticano II, atolada no ecumenismo e posta a serviço do ideário protestante, tornou o discurso anti comunista ainda mais virulento.

De fato o fogo da polêmica romana, antes disperso, i é, voltado parte para o protestantismo, parte para o liberalismo e parte para o positivismo, sob a influência do protestantismo e do americanismo voltou-se unicamente contra o comunismo. Desde então o papismo, tornou-se aliado indispensável, servo ou agente útil na guerra ideológica que levou a URSS ao colapso. Noutras palavras, pós Vaticano II, por meio do ecumenismo a igreja modernista foi lançada pelos Yankees contra o bolchevismo. 

Dez anos depois o resultado era bastante claro, tanto pujante igreja papa quanto o quase onipotente partido comunista não passavam de duas sombras opacas cujos nichos culturais estavam destinados a serem ocupados pelo americanismo, o que não todavia não se tornou realidade na Rússia graças a Ortodoxia e a Putin. Outro o caso das sociedades papistas, sempre mais e mais 'modernizadas' na direção do protestantismo, logo do americanismo, do capitalismo, da urbanização acelerada, etc

Curioso observar como o ainda hoje aclamado papa romano João Paulo II - Amigo das seitas e pastores, inimigo da Tradição e adversário do culto divino, serviu como cera quente nas mãos dos líderes D Reagan e M Tatcher, em que pese a absoluta incompatibilidade entre a postura assumida por eles - Em favor da auto regulação do Mercado e em oposição aos direitos do trabalho. - e a doutrina Social da Igreja romana, cujos fundamentos foram lançados por Von Keteller, assumidos por Leão XIII (Na Rerum Novarum) e ampliados, e desenvolvidos pelo tomista Mercier, Bispo de Malines, da escola social Belga.

Nos anos 80 toda esta rica tradição, sujos fundamentos mais remotos tocam o Evangelho, os escritos apostólicos e a herança dos mais primitivos padres da Igreja, foi praticamente jogada no lixo, em benefício de um liberalismo econômico cada vez mais radical, o qual inclusive, veio a tomar o nome de neo liberalismo.

Curioso perceber no neo 'catolicismo' ecumênico o fortalecimento da base comum agostiniana entre os neo romanos e sobretudo das tendências puritanas ou moralistas inauguradas pela dita 'contra reforma' - Que de contra, muito pouco teve... e consolidadas na Era vitoriana. Ao empobrecimento quase que imediato da Teologia protestante e sua substituição, já por mitos judaicos, já pelo moralismo puritano, já pelo fetichismo crasso e enfim, pela incredulidade manifesta, seguiu-se a queda da teologia romana pós Vaticano II, a qual deixando de concentrar-se nos Mistérios de Cristo, na Cristologia, na Encarnação, etc mergulhou de cabeça na temática sexual e repressora - E foi de fato a troca da primogenitura por lentilhas esse abandono ou troca da Metafísica por um moralismo tosco de origem judaícas e acentos maniqueístas.

Já E Westermarck alertara o público religioso de que o ápice da vida religiosa constitui-se em torno de elaborações metafísicas enquanto que seu declínio é indicado pela concentração em moralidades ou costumes. Seguindo os passos do protestantismo, por via do ecumenismo, tombou o neo romanismo na mesma miséria, e, diante disto, como admirar-se de que tenha engolido a isca da RCC, movimento marcadamente judaizante ou fundamentalista, fetichista e portador de tantos elementos da cultura norte americana, devido a sua origem exógena ou pentecostal. 

Foi a RCC que de fato introduziu a tendência pentecostal na mente dos apostólicos romanos, até então infensos a essa reedição ainda mais virulenta do montanismo. Foi uma espécie de propedêutica ou de curso de introdução ao pior tipo de protestantismo, planejado sabe-se lá por quem e com quais intenções lá nos EUA...

Claro que a ideia ou a intenção principal era contrapor algo aquele outro desvio - Infinitamente menos danoso que a RCC. - post Vaticano II chamado Teologia da libertação. A questão aqui é que enquanto a TL parte de fundamentos Cristãos, como a redenção total e ética posta pelos antigos padres e pela doutrina social da Igreja a RCC parte do que há de mais podre e deletério no protestantismo... E sequer seria possível traçar qualquer comparação - Por meio desta lograram os 'imbecis úteis' introduzir K Hagin (!!!), enquanto aquela preconizava a adoção de um vocabulário marxista completamente desnecessário e por vezes alguns métodos duvidosos. 

Por mais que os 'conservadores' acríticos (Porque sou absolutamente conservador face aos autênticos MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO ou DOGMAS DE FÉ.) movam suas mãos contra Darwin (Outro elemento comum entre esses tontos e o protestantismo.), Malthus, Freud, Marx ou Weber... o Seymour da rua Azuza nos coloca, em absoluto, noutro plano e num plano certamente mais baixo, que é o da RCC.

De fato foi ela criada pelos professores neo romanos da Universidade de Duquesne, os quais se atreveram a receber imposição de mãos dos blasfemadores pentecostais, declarando terem recebido o 'Espírito Santo' o que implica (Da parte deles.) admitir que não estava ele em posse ou no interior da igreja papa, mas, na posse daqueles que negam a presença real do Senhor na Eucaristia e a Virgindade Perpétua da Mãe de Deus, dentre outras tantas coisas... E a mensagem é suficientemente clara> Os protestantes devolveram o Espírito Santo a igreja romana... Agora veja se, para quem tem alguma massa cinzenta dentro do crânio, não equivale isto uma declaração de que o protestantismo sempre esteve correto e de que ele, e não nossas igrejas apostólicas, corresponde a religião verdadeira.

Ao introjetar semelhante heresia ou blasfêmia no seio da igreja romana, os Yankees nela introjetaram o vírus mortal da dúvida e uma convocação sutil a debandada e ao ingresso em suas seitas. 

Contavam eles ainda com a possibilidade de, no reboque da falsa profecia de Fátima sobre a conversão da Rússia, atrair - Após a queda da URSS. - aquela nação ao uniatismo para em seguida latiniza-la, ocidentaliza-la e com o adjutório da tal RCC atrai-la a órbita da cultura Norte americana e transforma-la em quintal. Eram as esperanças acalentadas nos confusos anos 90. Por sorte os russos tiveram tino suficiente para retornar a fé de seus ancestrais i é a Ortodoxia, permanecendo alheios não somente a igreja neo romana e sua RCC mas a propaganda das seitas protestante Norte americanas e enfim ao americanismo. O que no momento presente desperta a fúria dos imperialistas...

Desde então, a equilibrada e estimada doutrina social da igreja romana, como que saiu por completo de cena, seja nos EUA ou no velho mundo. E neste cenário, tanto no interior da tal RCC como até mesmo entre tradicionais, tradicionalistas e sedevacantistas, começaram a pulular adeptos do livre mercado ou mesmo do anarco capitalismo! O que no século XIX ou mesmo nos tempos de Pio XII seria algo inconcebível num papista praticante medianamente esclarecido. 

Eu mesmo tive o infortúnio de deparar com um Ortodoxo ANCAP pertencente ao grupo pré calcedoniano. Tratava-se de um chinês converso e tive de travar dura polêmica com ele - Pois Bispo fosse o teria excomungado... Eis porque conheço bastante bem o discurso do romanista Kogos, o qual, entre nós, Cristãos apostólicos brasileiros, procura vender, digo, introduzir, esse modelo econômico protestante.

Abusando da doutrina da demarcação (M N I) - Cujos fundamentos remontam a Galileu e Campanella. - alegam eles que é, a economia, uma ciência tão autônoma quanto a Física, a Química ou a Biologia e que portanto não deve estar ela atrelada a tradição ou aos julgamentos emitidos pelos padres da Igreja. 

De fato esta palinodia faria sentido caso, como quer W Pareto, fosse a economia uma ciência exata similar a matemática ou ao menos uma ciência natural, como a Biologia, o que esta bastante longe de ser verdade, uma vez que ela, a economia, refere não apenas a produtos produzidos pelo ser humano em condições humanas, mas a produtos produzidos para os seres humanos tendo em vista, inclusive, sua sobrevivência.

E embora não possamos dizer levianamente que tal seja o objeto próprio ou foco da Revelação divina, devemos afirmar, em alto e bom som, que ao menos remotamente ou de maneira elementar e sumária incide ela sobre a moralidade e sobretudo sobre aquela Ética que deve comandar todas as ações humanas realizadas em quaisquer campos. Traduzindo para o português claro: Sendo a atividade econômica uma atividade humana e não abstrata ou puramente exata, caí, ao menos em alguns pontos, sob o juízo da Revelação divina e da fé Cristã regulada pelo ensino comum dos Padres ou pela tradição eclesiástica. E nega-lo denota um espírito anti Católico ou nada Ortodoxo!

O mais escabroso aqui é que os mesmos elementos que buscam emancipar a economia, que repito é atividade ao menos em parte humana, da Revelação divina ou da tradição eclesiástica, buscam subordinar-lhe a Biologia, sustentando o mito judaico fetichista (Porque os protestantes substituíram a unidade pessoal do Cristo ou a Presença real do Senhor na Eucaristia.) do criacionismo... Isso quando - Por ser de fato um conhecimento puramente natural. - a Biologia, de fato, goze de autonomia face a Revelação divina ou a Religião. 

Observem portanto que subversão fazem as ideologias no campo da fé...

Do mesmo modo corresponde a outra aberração lógica ser liberal ou ultra liberal em economia e conservador em moralidades. Uma vez que historicamente, as alterações no campo da moralidade (Como a decomposição da organização familiar tradicional.) são produzidas ou causadas por alterações de caráter econômico, como a urbanização ou o ritmo do trabalho. Impossível ter uma economia acelerada ou descontrolada que supostamente se auto regule e uma sociedade moralmente estável ou fixa. 

Efetivamente o convívio tradicional, marcante nas civilizações agrárias ou campesinas, difere bastante do tipo de convívio com que topamos nas grandes cidades contemporâneas e mal planejadas. E difere mais acentuadamente ainda nos conglomerados carentes situados nas periferias dessas cidades, espaços insalubres em que pessoas em situação de miséria ou vulnerabilidade vivem amontoadas. Muitas vezes é a moralidade questão de espaço e o espaço em tais locais parece ser infenso as formas de moralidade oriundas dos vilarejos.

Nos vilarejos pode até faltar alimento ou fartura em algumas situações derivadas do clima. Pode-se enfrentar escassez porém jamais a fome continua. Ademais no campo tem um espaço que é seu. Tem condições mínimas de higiene. Tem contato com a natureza. Enquanto num espaço urbano mal planejado nada disto encontra... Portanto quando buscamos os inimigos da moralidade tradicional devemos identificar os responsáveis por tais condições, pelas condições que lhe são hostis - E esses responsáveis são: A miséria, a ignorância, o esgotamento físico e mental, a falta de espaço, a falta de tempo, a falta de higiene, a enfermidade... Derivadas da especulação imobiliária e da remuneração insuficiente ou seja de um sistema econômico que não é regulado externamente pela sociedade ou pelo poder político e que permite ao patrão acumular a quase totalidade dos recursos.

Necessário, de fato, disseminar a propriedade suficiente e pessoal, fruto do trabalho. Tal o preceito do distributivismo Cristão. Sem embargo disto, fica ele, o distributivismo, sendo letra morta caso o legislador não toque a questão do trabalho, valorizando-o e protegendo-o, até erradicar a miséria ou impedir sua propagação no corpo social. O que nos leva ao salário família, repouso dominical remunerado, férias, licença gestante, décimo terceiro salário, etc

O que observamos no sistema solto ou não regulado é o oposto: O acúmulo irrestrito ou ilimitado da propriedade, que leva a concentração ou monopólio por parte de uns poucos, lesando a fruição dos demais membros do corpo social ou do que chamamos Bem comum, pois bem comum supõe proximidade ou uma relativa igualdade, na diversidade. No regime individualista e descontrolado, legado pelo protestantismo, tudo conduz a uma desigualdade social demasiado grande, que compromete não somente a paz e a concórdia da republica como a própria democracia, a qual se tornando formal passa a ser apenas questão de polícia ou poder alheia ao Bem comum.

O quanto temos nessas democracias meramente formais, associadas ao liberalismo econômico é, repito um mecanismo de controle que tende a suscitar cada vez mais críticas e questionamentos na medida em que se limita a assegurar o ''status quo" de quem já o tem, ignorando por completo as aspirações dos grupos por assim dizer, mais pobres. Pelo que sequer podemos falar em real participação popular ou cidadania, uma vez que as massas se limitam a escolher que as dominará e não quem alterará significativamente as condições em que vivem.

E sequer abordamos a questão dos desempregados. Os quais, neste padrão desorganizado, são convencionalmente chamados 'mercado de reserva' cumprindo alias uma dada função, diretamente relacionada com a Lei da oferta e da procura - O que o torna desejável, embora estejamos falando sobre pessoas que, privadas de uma fonte de renda segura, bem podem estar ou ficar privadas, igualmente, da propriedade ou mesmo de suprimentos alimentares vitais, supondo a não intervenção do poder público.

Sobre essa questão - Da miséria necessária, dos extremos ou da desigualdade já nos estendemos além do desejável -

Toca, no próximo artigo ou página, chegar a Malthus e a questão do aumento da população mundial e aos problemas dele decorrentes, os quais estão diretamente relacionados com o modelo econômico desregulado e que são seríssimos. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Garrett surrando o Sardinha ou deslindando a toxidade, não da democracia ou da liberdade, mas do Economicismo ou do ethos burguês.






Em apoio do quanto registramos no artigo precedente reproduzimos abaixo as profundas considerações do ilustre literato português sobre o velho estado religioso ou confessional, sem duvida deteriorado pelo estatismo e absolutismo, em comparação com o um Estado Político de trânsito ou passagem para a treva economicista e portanto contendo os germes que o haviam de fazer enfermar, agonizar e morrer no tempo presente. 

Atentem que a visão acurada de Garret, falecido em 1854, era bem mais acurada que a do Sardinha (Nascido em 1887 - Portanto mais de trinta anos depois.) o qual, preso de estranha paranoia, pouco ou nada presumia do capitalismo ou do mercado e do protestantismo - Exatamente como os neo romanos ou tortodoxos de fancaria, títeres da cultura de morte protestantes ou da sifilização norte americana.

Substituam a expressão 'barões' por 'burgueses' por 'capitalistas' e a atualidade do texto saltara as vistas:

"Frades... Frades... Não, não gosto deles. Como os temos visto neste século, como os conhecemos hoje, não gosto deles e não os quero para nada, moral ou socialmente falando.

No ponto de vista estético porém, o frade faz muita falta...

Nos campos o efeito era ainda maior: Eles caracterizavam aquela paisagem, poetizavam a situação mais prosaica do monte ou vale; e sem tais necessárias e obrigadas figuras aquele painel não é já o mesmo.

Além disso, o convento no povoado e o mosteiro no ermo, amenizavam e davam grandeza a tudo: ELES PROTEGIAM AS ÁRVORES, SANTIFICAVAM AS FONTES e enchiam a terra de poesia e solenidade.

O que não sabem, podem ou querem fazer OS BARÕES AGIOTAS que os substituíram.

É muito mais poético o frade que o barão.

O frade era, até certo ponto, o Dom Quixote da Sociedade antiga.

O barão é, sob quase todos os aspectos, o Sancho Pança da sociedade nova...

O barão é pois USURARIAMENTE revolucionário e revolucionariamente usurário...

Por isso brigamos muito tempo, afinal vencemos nós, e assentimos em que os barões corressem com os frades da terra. No que fizemos uma SANDICE como nunca se fez outra. O BARÃO MORDEU NO FRADE, DEVOROU-O E ESCOUCEOU-NOS A NÓS DEPOIS...

Sim, o frade não nos pode compreender a nós e por isso morreu, e nem nós pudemos compreender o frade, e por isso constituimos esses barões que nos conduzem a morte e fazem morrer.

São a moléstia deste século; são eles e não os jesuítas, a cólera morbus da sociedade atual são os barões. Nosso amigo Eugênio Sue errou feio em seu 'Judeu errante', o qual precisa ser refeito.

Decerto foi o frade que errou primeiro em não querer compreender a nós, a nosso século, a nossas inspirações e inspirações; com que falseou sua posição, isolou-se da vida social e fez de sua morte uma necessidade por assim dizer infalível e sem remédio.

Assustou-se com a liberdade, que era amiga sua, e que o havia de reformar, e associou-se ao despotismo, que de modo algum o amava, senão relaxado e vicioso, para dele servir-se e servido ser.

Nós também erramos em não entender o tolerável erro do frade e em lhe não dar outra direção social, e EVITAR ASSIM OS BARÕES, QUE É O MAIS DANINHO BICHO ROEDOR...

E eu que sou da liberdade e do progresso antes prefiro a oposição dos frades de ontem a dos barões de hoje...

O progresso e a liberdade perdeu, não ganhou.

Quando me lembra tudo isso, quando vejo os conventos em ruínas, os egressos a esmolar pelas ruas e os barões de berlinda, sinto saudade dos frades, não dos frades que foram mas dos que podiam ter vindo a ser."

Não era democracia ou liberdade em si mesma como fim mas, democracia de ocasião, de passagem ou trânsito para o mercado, para o acúmulo irrestrito de bens, para um novo ethos, para uma nova cultura, para uma cultura exógena, para o economicismo. E foi a ruína e transtorno do nosso universo seja ele grego, latino ou medievo - Nem o Rei e menos ainda o Povo ou os cidadãos mas o barão i é o burguês, o patrão ou o empresário > E Sim, este novo mundo saiu muito pior do que os antigos!

Já não há decerto o monstro infame das inquisições, colossalmente inchado ou engordado pelos 'liberais' ingênuos ou safados... Que nem todos os frades eram queimadores de gente (E a maioria não era!) como foram cruéis e insensíveis e assassinos os barões ou patrões do século XIX já na Inglaterra, já na Alemanha e quiçá na própria França...

A figura desse empreendedor santificado pela imprensa moderna. A figura desse empresário sem consciência. A figura do bancário avarento foi historicamente muito mais danosa que a do inquisidor, a do rei ou a dos Revolucionários, ao menos quanto a extensão do poder. Apenas a figura do empreendedor conta com advogados contratados que lhe emprestam as mais róseas tintas, e fica como um macaco maquiado... 

Porém foi ele que poluiu e polui a terra, que exterminou e extermina animais, que aniquilou e aniquila florestas não sem ter feito trabalhar a mulher grávida, o idoso e a criança de seus quatro anos em troca de um mísero naco de pão...

Essa História já foi muito bem escrita e registrada não por Marx, Engels ou Lênin ou ainda por seus embiocados seguidores mas pelo Cristão Charles Dickens - A tinta negra ou vermelha brota do cálamo de Dickens o qual nos revela o feito desses barões que prostituíam nossa democracia e nosso liberalismo puro tal e qual haviam prostituído a fé nos tempos da infeliz reforma protestante...

Sardinha, cego pela ideologia ou pelos amores que dedicava a anglos ou germânicos, não pode percebe-lo, mas percebeu-o o velho Garrett, que lhe dá uma aula.

O frade romano ou ortodoxo lá estava, no quadro ou contexto, do campo e da Vila em comunhão com a mãe natureza, convivendo ou comungando com animais, e árvores, e fontes - A exemplo do seráfico pai S Francisco ou de S Serafim de Sarov... E os defendiam, guardavam e protegiam... Mantendo e conservando aquele ambiente pintado pelo pincel de Millet - Em que ao por do Sol os lavradores dobravam os joelhos sobre a negra terra que os nutria e recitavam a Ave Maria a mãe de seu pobre Deus enquanto dobravam os sinos... 

Havia trabalho duro e fatigante, sim havia. Mas também havia sentido para quem era senhor de seu pequenino torrão, para aquele que em sua choupana era aguardado pela esposa devotada e pelos filhinhos saudosos... Congregados em torno de uma mesa onde havia pão cheiroso tirado do forno, azeite, queijo e vinho. E flores plantadas e torno a pequena casa. E o cão e o gato abanando suas caudas.

Parte deles não era constituída por proprietários ou donos de terra. Havia que se lhes ter dado terra e não movido a cidade. Pois já não há terra para dar... E sequer trabalho nas grandes cidades - Menos ainda trabalho digno. E menos ainda liberdade. E lhe tiraram a esposa - Que hora também trabalha como uma burra! - e os filhinhos (Postos na creche), e as flores, os animais... Tudo enfim. Até que esse homem e essa mulher, pelas mãos do barão ou do burguês, conheceram a angústia e o desespero, uma escravidão oculta ou disfarçada.

Sim, o tempo do Frade era menos ingrato.

Não nos enganemos - Não considero esse modelo ideal ou perfeito, antes muito mesquinho... Porém em comparação com o mundo urbano do assalariado é e era paraíso.

E não adianta dizer ou clamar que o capitalismo que pinto não é mais o mesmo, que transformou-se também e tornou-se mais humano e suportável, e desejável em tempos em que um governo inspirado. Tal devemos agradecer aos anarquistas, fabianistas, trabalhistas, católicos, etc que moveram céus e terras para criar uma legislação protetiva que jamais cessou de ser ameaçada pelos economicistas ou capitalistas.

Nem a concederam de bom grado, nem jamais se conformaram com ela.

Daí a atividade frenética do governo anterior, liberal economicista ou capitalista - Não fascista como quer a esquerda pós modernista desmiolada. - no sentido de destruir essa legislação e fazer o Brasil recuar ao século XIX, inglês, por sinal... Quadro social a respeito de que, diziam alguns analistas, era ainda mais cruel do que a escravidão negra em nosso país. Pois o cenário urbano na Inglaterra e na Alemanha do século XIX foi monstruoso... E o ideal economicista jamais se desprendeu dele, clamando a todo instante pela ilimitação ou pela restrição do Estado, ainda quando democrático ou popular.

Para as populações rurais de toda Europa foi o liberalismo econômico autêntica porta sobre o qual bem se poderiam fixar as memoráveis palavras: "Vós que aqui entrais perdei toda esperança de sair." 

Não, o frade jamais fora tão cruel e mesquinho quanto o patrão e os mosteiros até ofereciam escolas, enfermarias, dispensários, asilos, etc O que jamais se viu ser oferecido em larga escala pelos maravilhosos empreendedores do século XIX.

Parece-me, como a Garrett, necessária, a passagem do regime confessional ou credal ao político e laicista, de modo algum a passagem ou trânsito do Estado político ao estado Econômico, empresarial ou economicista - Como já é abertamente defendido por certos panfletários ANCAP oriundos dos EUA. No entanto se tal passagem, do puramente político ao econômico corresponde a um fenômeno inelutável, então laboramos em erro grave e devemos reconhecer que os conservadores totais ou ''católicos" atidos ao modelo medieval estariam certos. 

Pois nossa democracia, a democracia que queremos não é a dos EUA ou da Inglaterra por não ser mínima quanto a qualquer coisa mas ampla (Dentro do espaço do Bem Comum) o suficiente para proteger o trabalhador, a ecologia, a natureza, as plantas, os animais, o mar, o solo, etc Nosso projeto é tão amplo quanto ao do frade de outrora uma vez que nosso olhar político e cidadão se inspira nos mesmos valores. 





quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O critério da boa política 'sicut' Aristóteles

Segundo o pensamento contemporâneo é a forma que dá legitimidade a política, no caso a forma democrática. Para os teóricos da modernidade a democracia corresponde a uma espécie de estrutura 'Revelada' ou sagrada e sua negação, seja por via da aristocracia ou da monarquia equivaleria a uma heresia.

Claro que os ingleses que são um povo por temperamento tradicional, em dado momento de sua História formularam um sistema eclético chamado parlamentarismo. Por essa solução mantem-se a velha forma monárquica, esvaziada do poder e implementa-se uma democracia.

As demais Sociedades optaram por soluções mais drásticas. Baniram a monarquia ou a aristocracia, como se queira, e estabeleceram o que chamamos de República mas que é na verdade o presidencialismo, se bem que mais tarde tenham se produzido um sincretismo entre a República e o Parlamentarismo.

Os EUA adotaram o modelo republicano presidencialista, organizado-o a sua moda. E endossaram a fórmula de Rousseau segundo a qual a soberania parte sempre da vontade popular ou que todo poder pertence e parte do povo, ao qual cabe escolher representantes para si, efetuando a transferência de poder por meio do voto ou das eleições, o que em suma remonta a John Locke. J J Rousseau no entanto insiste na vontade popular enquanto critério de legitimidade. Parece que o genebrino jamais cogitou que a vontade popular pudesse optar conscientemente pela tutela do Rei, e pior, que uma vontade popular desorientada pudesse optar pela guarda de um déspota, tirano ou ditador. Claro que ele sequer podia cogitar na teoria Freudiana sobre o sentimento de culpa ou o masoquismo.

As coisas de fato são assim e nossos juízos incidem quase sempre sobre as formas políticas. Até certo ponto isto não é um problema e alguns tem ensaiado justificativas interessantes. O problema e o grande problema é que em matéria de democracia nos habituamos a identificar nossas formas e nossos juízos com os dos antigos gregos, falseando a História.

Claro que não havia um juízo unitário entre eles, mas opiniões divergentes.

No entanto mesmo sem ser predominante a de Aristóteles era certamente uma das mais conhecidas e discutidas.

Grosso modo podemos dizer que Sócrates, Platão e Aristóteles não partilhavam deste nosso fervor em torno da forma democrática. Eram bem mais realistas, ao menos o primeiro e o terceiro, e todos os três, certamente, muito bem intencionados.

Sem chegar a ser um anti democrático Sócrates destacou-se como crítico da democracia leviana. Por democracia leviana queremos dizer aquela em que os cidadãos não precisam de preparo algum para participar, e que franqueava tudo a todos. Para Sócrates a escolha devia se dar entre homens dignos e as candidaturas abertas a todos que buscassem dignificar-se pelo saber, pela habilidade, pela perícia... Temos aqui uma democracia responsável ou com condições e certamente um tema bastante atual. Afinal a inserção das massas na democracia - das massas incultas e despreparadas (sic) - sempre poderia degenerar em Oclocracia.

Platão como todo sabem não acreditava nas formas democráticas, e sim o ofício do ditador/educador, tendo inclusive chegado a crer numa organização social fixa e imutável conforme o modelo das formigas ou termitas. Nesta Sociedade desigual a chave seria a colaboração entre as castas.

Aristóteles não é nem democracista nem adversário a democracia. Mas ele não acredita que qualquer modelo de política deva ser julgado pela sua forma. Homem genial ele imaginava que cada cultura, povo ou nação haveria de identificar-se como determinada forma. Melhor dizendo - Acreditava que qualquer grupo social podia tentar compor e recompor as três formas ecleticamente e assim produzir uma forma adequada a sua realidade. E desconfiava das soluções tipo bula de remédio ou receita de bolo.

Quanto a julgar as formas ou estruturas a demanda por um critério fez com que ele conceitua-se o que chamamos de 'Bem comum'. Desde então a política de modo geral foi conectada com a doutrina do bem comum, em oposição ao interesse particular. Foi Aristóteles que acenou com uma distinção mais nítida entre o objeto da política ou o que chamaríamos de público - em latim 'res publica' coisa pública - e o que chamaríamos de privado e que posteriormente seria reservado a ação pessoal.

É o BEM COMUM aquilo que é útil ou benéfico a todos os habitantes de polis i é da cidade.

Conforme a doutrina do Filósofo existiriam três formas ou estruturas, ambas politicamente admissível ou aceitável e três formas corruptas ou adulteradas que corresponderiam a um desvio por parte das formas aceitáveis. O padrão que separaria umas das outras seria, como já foi dito, o bem comum.

Segundo aduzimos de seus escritos a Monarquia corresponderia ao governo de um só homem, tendo por objetivo O BEM COMUM. E este objetivo a faria legítima. A Aristocracia corresponderia ao governo de parte ou de alguns tendo em vista O BEM COMUM. Já a Democracia corresponderia ao governo de todos ou da maioria tendo em vista o mesmo BEM COMUM.

Em oposição a estas formas teríamos a Tirania, que seria o governo de um só tendo em vista seus interesses particulares. A Oligarquia seria o governo de alguns tendo em vista os mesmos interesses particulares. A Demagogia enfim seria o governo de muitos tendo em vista o mesmo fim, a saber, interesses particulares.

Por ai se vê que Aristóteles partilhava da crença de Platão quanto a possibilidade de um monarca, absoluto inclusive, interessar-se pelo bem estar ou pela qualidade de vida dos cidadãos. Como acreditava que um grupo qualquer fosse capaz de encarnar este ideal de abnegação.

Necessário dizer que partindo de semelhante juízo fica impossível estabelecer o dogma da necessidade absoluta da democracia. O máximo é que se pode chegar dentro da linha de raciocínio de Aristóteles é que a democracia, sem ser a única forma autorizada, seria a forma mais segura, eficaz ou excelente pelo simples fato de corresponder a um maior número de cidadãos pensantes, o que nos levaria ao adágio 'várias cabeças pensam melhor do que uma.'. Segundo esta perspectiva a democracia, sem corresponder a única forma ortodoxa, seria a que nos ofereceria melhores garantias. Isto é deduzível a partir do pensamento aristotélico, o jacobinismo radical ou democraticismo, de modo algum.







domingo, 17 de junho de 2018

De vera doctrina - Fragmentos da Encíclica "Graves de communi re" por Leão XIII > Contra os monarquistas/integralistas e CAPITALISTAS

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1 - O tecnicismo nada resolve:

"As mudanças, também, que as invenções mecânicas da época introduziram, a rapidez da comunicação entre os lugares e os dispositivos de todo tipo para diminuir o trabalho e aumentar o ganho, todos adicionam amargura ao conflito." I 


2 - O remédio é a doutrina pura do Santo Evangelho:

"
Tornamos evidente que os remédios que são mais úteis para proteger a causa da religião, e para terminar a disputa entre as diferentes classes da sociedade, deveriam ser encontrados nos preceitos do EVANGELHO." II



3 - Sugestões concretas em favor dos mais humildes:

"
Na ordem de ação, muito tem sido feito em favor do proletariado, especialmente naqueles lugares onde a pobreza era pior. Muitas novas instituições foram estabelecidas a pé, aquelas que já foram estabelecidas foram aumentadas, e todas colheram o benefício de uma maior estabilidade. Tais são, por exemplo, os escritórios populares que fornecem informações aos não instruídos; os bancos rurais que fazem empréstimos a pequenos agricultores; as sociedades para ajuda mútua ou alívio; os sindicatos de operários e outras associações ou instituições do mesmo tipo. Assim, sob os auspícios da Igreja, uma medida de ação unida entre os católicos foi assegurada..." III 

4 - Se os pobres são explorados pelos ricos?

"
bem como algum planejamento na criação de agências para a proteção das massas que, de fato, são tão freqüentemente oprimidas pela astúcia e exploração de suas necessidades como por sua própria indigência e labuta." III 

5 - O nome Socialismo Cristão foi adotado pelos Católicos embora, segundo o Papa, seja ambíguo ou dúbio:

"
O nome do socialismo cristão, com seus derivados, que foi adotado por alguns, foi muito bem permitido cair em desuso." IV 

6 - O nome 'Cristãos sociais' ou 'Católicos sociais' teve voga:

"
Nos países mais preocupados com este assunto, há alguns que são conhecidos como cristãos sociais. Em outros lugares, o movimento é descrito como a Democracia Cristã e seus partidários como Democratas Cristãos, em oposição ao que os socialistas chamam de Democracia Social. Não é dada muita exceção ao primeiro desses dois nomes, isto é, cristãos sociais, mas muitos homens excelentes consideram o termo "democracia cristã" censurável." IV 


7 - O que o Papa considera equivocado no Socialismo ou na Social Democracia são o materialismo e o naturalismo:

"
O que é a social-democracia e o que a democracia cristã deve ser, certamente ninguém pode duvidar. O primeiro, com a devida consideração pela maior ou menor intemperança de seu enunciado, é levado a tal excesso por muitos a ponto de sustentar que não há realmente nada existente acima da ordem natural das coisas, e que a aquisição e desfrute de corporalidade e externa bens constituem a felicidade do homem." V


8 - A Justiça é preceito sagrado. E o direito a propriedade pessoal:

"
Portanto, para a democracia cristã, A JUSTIÇA É SAGRADA; deve sustentar que o direito de adquirir e possuir propriedade não pode ser impugnado..." VI9 - CONDENAÇÃO DO INTEGRALISMO MONÁRQUICO OU DA MONARQUIA DIVINA:

"
Pois, as leis da natureza e do Evangelho, que por direito são superiores a todas as contingências humanas, são necessariamente independentes de todas as formas particulares de governo civil, enquanto ao mesmo tempo estão em harmonia com tudo o que não é repugnante à moralidade e justiça." VII"São, portanto, e devem permanecer absolutamente livres das paixões e das vicissitudes dos partidos, de modo que, sob qualquer constituição política, os cidadãos possam e devam respeitar as leis que os ordenam a amar a Deus acima de todas as coisas, e a seus vizinhos como eles mesmos. Esta sempre foi a política da Igreja. Os Pontífices Romanos agiam de acordo com esse princípio, sempre que lidavam com países diferentes, independentemente do que pudesse ser o caráter de seus governos. Portanto, a mente e a ação dos católicos devotados a promover o bem-estar das classes trabalhadoras nunca podem ser acionadas com o propósito de favorecer e introduzir um governo no lugar de outro." VII
10 - O TRABALHISMO não pode ser condenado sob qualquer alegação:
"
que ninguém condene aquele zelo que, de acordo com as leis naturais e divinas, visa fazer a condição daqueles que trabalham mais toleráveis; permitir-lhes obter, pouco a pouco, os meios pelos quais podem prover o futuro; ajudá-los a praticar em público e em particular os deveres que a moralidade e a religião inculcam; para ajudá-los a sentir que não são animais, mas homens, não pagãos, mas cristãos, e assim capacitá-los a se esforçar mais zelosamente e mais ansiosamente pela única coisa necessária; ou seja, aquele bem final para o qual nascemos neste mundo." X11 - A questão social não é meramente econômica (ERRO POSITIVISTA) diz respeito a Ética e a Religião (conexão com a religião):

"
Nós projetamos especificamente aqui a virtude e a religião. Pois, é opinião de alguns, e o erro já é muito comum, que a questão social é meramente econômica, enquanto na verdade ela é, acima de tudo, uma questão moral e religiosa, e por essa razão deve ser estabelecido pelos princípios da moralidade e de acordo com os ditames da religião." XI12 - O mandamento do amor fraternal abarca o que é necessário para o bem estar desta vida ou para a vida do corpo físico e não apenas o espiritual - CONDENAÇÃO DO ESPIRITUALISMO MANIQUEÍSTA:

"
estar atento ao que Cristo tão amorosamente disse aos Seus:" Eu lhes dou um novo mandamento: que vocês se amem uns aos outros, como eu os amei, que vocês amem-se uns aos outros. Por isso todos os homens saberão que são meus discípulos, se vocês se amam um pelo outro. "(7) Este zelo em vir ao resgate de nossos semelhantes deve, é claro, ser solícito, primeiro para o eterno bem das almas, mas não deve negligenciar o que é bom e útil para esta vida." XIII
"
Ele declarou que levaria em conta especialmente a caridade que os homens exercitavam um para o outro. E nesse discurso há uma coisa que excita especialmente nossa surpresa, a saber, que Cristo omite aquelas obras de misericórdia que confortam a alma e se referem apenas àquelas que consolam o corpo, Ele as considera como sendo feitas a Si mesmo: estava com fome e me deste de comer, estava com sede e me deste de beber, eu era um estranho e tu me acolheste, nu e me cobriste, doente e me visitaste , estive na prisão e viestes a mim. " XIV

13 - As antigas instituições sociais criadas pelos antigos com o objetivo de aliviar o sofrimento humano obedecem a LEI da caridade:


"
Esta lei da caridade que Ele impôs a Seus Apóstolos, eles da maneira mais sagrada e zelosa colocada em prática; e depois deles aqueles que abraçaram o cristianismo originaram aquela maravilhosa variedade de instituições para aliviar todas as misérias pelas quais a humanidade é afligida. E essas instituições continuaram e aumentaram continuamente seus poderes de alívio e foram as glórias especiais do cristianismo e da civilização de que ela era a fonte, de modo que os homens de mente certa nunca deixam de admirar essas fundações, conscientes de que são da tendência dos homens se preocupar com os seus próprios e negligenciar as necessidades dos outros." XV14 - Buscar o BEM COMUM e não apenas o pessoal:

"
Assim, a justiça e a caridade estão tão ligadas umas às outras, sob a lei suave e doce de Cristo, que formam um admirável poder coesivo na sociedade humana e levam todos os seus membros a exercer uma espécie de providência em cuidar dos seus próprios e em procurar o bem comum também. XVI"Pois ninguém vive apenas por sua vantagem pessoal em uma comunidade; ele também vive para o bem comum, de modo que, quando outros não podem contribuir com sua parte para o bem geral, aqueles que podem fazê-lo são obrigados a compensar a deficiência. A própria extensão dos benefícios que eles receberam aumenta o fardo de sua responsabilidade, e um relato mais rigoroso terá que ser prestado a Deus que concedeu essas bênçãos sobre eles. O que também deve exortar todos ao cumprimento de seu dever a esse respeito é o desastre generalizado que eventualmente cairá sobre todas as classes da sociedade se sua assistência não chegar no tempo; e, portanto, é que aquele que negligencia a causa das massas angustiadas está desconsiderando seu próprio interesse, bem como o da comunidade." XIX
15 - Instituições permanentes de auxílio:


"
No que diz respeito não apenas ao auxílio temporário concedido às classes trabalhadoras, mas ao estabelecimento de instituições permanentes em seu favor, é de louvar que a caridade as realize." XVII16 - A caridade e a solidariedade não caem na esfera da liberdade, mas da ESTRITA OBRIGAÇÃO:


"
Faríamos com que eles entendam que eles não são de todo livres para cuidar ou negligenciar aqueles que estão abaixo deles, mas que é um dever estrito que os vincula." XIX

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