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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O rastro - Terror brasileiro que surpreende


Assista o trailer de "O Rastro", filme de terror nacional com Leandra Leal e Rafael Cardoso 

Não havia conseguido assistir ao filme Rastro no comecinho deste ano. Circunstância esta que deixou-me bastante chateado. Afinal ao menos para mim tratava-se dum evento bastante promissor.

Curiosamente não consigo me lembrar do que aconteceu...

A bem da verdade a decepção foi tão grande que acabei ficando sem assisti-lo. Ao menos até ontem, quando por absoluta falsa de opção lembrei-me dele.

A crítica já havia lido no começo do ano.

Que o brasileiro tenha preconceito contra o cinema brasileiro é público e notório.

A bem da verdade semelhante tipo de atitude até era compreensível, ao menos até os anos 90.

Glauber Rocha e Zé do Caixão era o quanto tínhamos e nenhum deles me entusiasma...

Nem sou um Policarpo quaresma para babar nos ovos de nossos empreendedores cinematográficos...

Vez por outra aparecia alguma coisa de relevante. Dercy Gonçalves e Marieta Severo foram exceções a regra, ignoro no entanto quem tenha dirigido tanto uma quanto outra.

Terror propriamente dito não tinhamos, mas nosso cinema era um terror.

Desde Central do Brasil(1998) temos progredido bastante, os preconceitos no entanto permanecem de pé.

Especialmente nos domínios da comédia o cinema brasileiro foi muito bem sucedido e feliz. O Palhaço (Shelton Mello), Não se preocupe, nada vai dar certo (Gregorio Duvivier), De pernas pro ar (Ingrid Guimarães), Podia ser pior (Fábio Porchat), Minha mãe é uma peça (Paulo Gustavo), A cilada.com (Bruno Mazzeo), E ai... comeu? são produções que nada ficam devendo as internacionais.

O terror no entanto não deslanchou, até que foi lançado "O Rastro", de modo geral, muito mal acolhido pela crítica 'rancorosa'.

A propósito do 'rancorosa' em nossas plagas já foi o crítico literário descrito como uma galinha que sendo incapaz de por ovos, só sabe ver defeitos nos ovos postos pelas companheiras.

Sejamos justos, de modo geral nossos críticos fazem jus a esta crítica.

E isto a ponto de, entre nós, a crítica ser encarada muito negativamente. O sujeito comeu algo que não lhe assentou bem no estomago ou brigou com a mulher, pronto,destila todo seu azedume num determinado artigo de crítica, bombardeando certo livro, filme ou composição musical. Erros e defeitos é tudo quanto vê este cidadão amargurado, enfezado mesmo...

Crítico tem medo de ser benfazejo.

E no entanto criticar não é apontar apenas equívocos, falhas e senões, mas... sobretudo e antes de tudo  identificar o quanto haja de bom , de belo e de verídico numa determinada obra e, consequentemente elogia, louvar e aplaudir aquele que a produziu. Não sendo assim temos uma crítica tão mutilada e incompleta quanto nosso modelo educacional, caracterizado mais por punições do que por recompensas, mais por censuras e reprimendas do que por elogios.

Penso que a crítica da arte deva ser mais positiva do que negativa e julgo que não tenha sido justa com Rafael Cardoso (excelente ator), Leandra Leal e grande elenco, em que mesmo o sensaborão Filipe Camargo soube representar seu papel com dignidade.

Quem disse que o Rastro não assusta só pode mesmo ser fã de O massacre da serra elétrica, Sexta feira treze, Premonição ou Jogos mortais com a decorrente efusão de sangue, e corpos despedaçados, o que qualquer um de nossos ancestrais anterior a 1789 encararia como banal. O Cel Carlos Brilhante Ustra, soube ser bem mais sádico e violento do que Hannibal Lecter, Jason ou Freddy Krueger, sem ser personagem de ficção... Houve e dá um terror real no Brasil mas não nos assusta. Apenas lobisomens, vampiros, diabos, demônios e possessos, assustam-nos. É cultural...

Claro que há, no Rastro, algo de sobrenatural ou que beira a sobrenaturalidade, mas é, como deve ser, discreto. Talvez mediunidade e certamente assombração, mas sem muita apelação. Quer encontrar o Sétimo passageiro, seu filme é alien, não 'O rastro'.

A par do sobrenatural discreto a temática de 'O rastro' engloba corrupção, repressão policial, mafia e muito mais. Conectado com a vida vivida ou com a realidade 'O rastro' torna-se verdadeiramente aterrorizante.

Terror precisa ser inteligente como o italiano, o espanhol, o francês, o inglês... sem jamais perder seu vínculo com a realidade. E assim fugir a banalidade de um 'Silent Hill' ou de 'O grito'. Parte da produção terrorífica Norte americana e japonesa, feita para o consumo das massas superficiais e impressionáveis. Com o rastro o terror brasileiro adquire a maturidade do terror europeu, façanha alcançada apenas pelo terror mexicano no final dos anos 60. (1968 "O livro de pedra" Marga Lopez)


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Os primórdios do islamismo - JEAN PATRICK GRUMBERG

Texto de Jean Patrick Grumberg - Site www.dreuz.info 24/08/2014 - Traduzido do Francês pelo profo Domingos Pardal Braz articulista deste Blog

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Os primórdios da história do Islã apresentam aparentemente dificuldades insuperáveis ​​pois são em grande parte resultado do que podemos classificar como 'história oficial' elaborada, com intuitos propagandístico e proselitista a partir dos nono e décimo séculos d C pelos califas abássidas.

Este, tendo tomado posse do imenso império legado pelos Umayas, aspiravam sobretudo manter a coesão interna.

E havia uma forte razão para isto. Os milhões de seres humanos que se achavam sob seu poder não eram todos muçulmanos, mas judeus, zoroastrianos e em grande parte Cristãos. E, ao contrário do Islã tais credos achavam-se intimamente relacionados com as civilizações do passado e a cultura antiga, levando grande vantagem intelectual. Apesar de terem sido subjugados a força pelo conquistador árabe, os vencidos não estavam disposto a abrir mão de suas identidades, podiam inclusive debater com os vencedores e demonstrar a natureza primitiva e grosseira do islã.


O FIASCO MUTAZALITA 
O vencido, mesmo sem saber, quase conquistou seus conquistadores, pois a corrente da Mutazila, por muito pouco não mudou o curso da História. Professando a ideia de um Corão criado e não eterno ou imutável como o próprio Deus, alguns intelectuais muçulmanos acabaram se deixando conquistar pela Filosofia Clássica.

As obras de Platão e Aristóteles induziram alguns deles a introduzir os conceitos de racionalidade e livre arbítrio na nova fé. Evidentemente que a Mutazila não teria se afirmado não fosse a imensa miséria doutrinal e intelectual do islã a par da forte influência Cristã. Para quem estava na posse do poder era evidente que a fé islâmica estava em desvantagem, recuando-se e abandonando a arena das ideias. 
(Ao menos em algum momento houve real ameaça de helenização por via do Cristianismo, em especial do aramaico - Siríaco e Assírio; e depois pelo Bizantino) O parentético é nosso!
Da mesma forma como o vácuo antes existente foi preenchido pelo corpo das leis islâmicas ou sharia, havia a real necessidade de preencher do mesmo modo o vácuo doutrinal ou teológico e a própria estabilidade o Império o exigia. Os mutazilitas puseram-se a elencar argumentos favoráveis a tese de um Corão criado e portanto contingente e sujeito a sucessivas readaptações. Eles estavam cônscios sobre a existência de diversas versões contraditórias do Corão e estavam dispostos a discutir honestamente com seus rivais judeus e Cristãos.
Assumiram a fragilidade dos textos sagrados e demonstrando coragem e honestidade intelectual optaram por ir além da letra do livro permitindo que a razão humana fixasse um sentido melhor. No entanto este movimento de vanguarda, suscitando o pensamento crítico, não pode deixar de suscitar discussões e tumultos; o que o poder político estabelecido menos queria. O pretexto para a reação surgiu após um califa mutazila mais fervoroso ter recorrido a força para reprimir os mais arabizantes e tradicionais.

Posteriormente, quando os tradicionais, favorecidos pelo clero, retomaram o poder a perseguição religiosa estourou violenta. Sob a inspiração dos imames
Achari e Gazali a mutazila foi simplesmente exterminada ao cabo de um século, e nem mesmo as ideias dos mutazilitas sobreviveram a eles. 

A crítica dos cristãos

E
sta controvérsia principiou no século VIII, cem anos após a morte de Maomé. Até então, os numerosos manuscritos cristãos que descreviam a religião dos conquistadores referem parcamente a qualquer texto sagrado. O Islam em seus primórdios não estava fundamentado em escrituras ou exegese e o conteúdo da fé não está definido.  E ele não passava duma forma sincrética em que entravam elementos do paganismo árabe, tradições talmúdicas e alguns elementos de doutrina Cristã.
Abd el Massih al Kinda (Banu Kinda) é um dos primeiros polemistas Cristãos. Floresceu pelos idos de 820 e focou sua crítica no texto do Corão alegando ter sido ele criado. Eis o que ele declarou: Após a morte de Maomé, as lutas entre Abu Bakre e Ali levou este último a vindicar seu direito a sucessão. Um dos meios que ele encontrou - Para adquirir legitimidade - foi mandar escrever os fragmentos dos oráculos ou palavras de Maomé num códice. Isto serviu de pretexto para que os demais membros da Shahaba i é os companheiros do profeta, compusessem também eles diferentes versões do Corão, a ponto de surgirem tantos corões quanto cabeças. 
Diante disto Ali angustiado, voltou-se para seu predecessor Otman rogando que pusesse fim aquele indecoroso estado de coisas. Eis a decisão de Otman: Decretou que todos aqueles códices e versões fossem levados até ele e mandou queimar todos, inclusive o de Ali  conservando apenas quatro, cujo texto canonizou. No entanto como ainda circulassem diversas cópias em versões em Madaim, Hajjaj ibn Yousuf, que era válido sanguinário, sentindo-se turbado diante de tantas controvérsias e discussões, mandou reunir todas as cópias restantes e queimar tudo. Não sem antes ter tomado as parecidas, canonizadas por Otman, e alterado diversas passagens e corrigido o texto, produzindo uma versão autorizada em seis cópias.

Diante de tais condições como demonstrar materialmente a diferença entre o conteúdo original e as versões dadas a luz posteriormente? Como rastrear um conteúdo original que foi suprimido? Como estabelecer uma crítica do livro?
(Sendo assim falar em Unidade do Corão é muito fácil não?) Parentéticos nossos!
No entanto a crítica de Al Kinda não parou por aiO conteúdo do Corão não foi poupado e o califa Mutazila Al Mamun teve de engolir da parte dele as seguintes palavras:

"Tudo quanto disse sobre o Corão são fatos e as evidências são de teu conhecimento. Para tanto demonstramos que o texto desse livro é desorganizado, confuso e incoerente. As diversas passagens são contraditórias e sem qualquer sentido. Como, sem trair sua ignorância, podes apresenta-lo como mensagem revelada e divina semelhante as de Moisés e Jesus? Certamente qualquer pessoa com um pouquinho de bom senso haverá de tirar tais conclusões a menos que ignore os rudimentos da História e da Filosofia. Eis porque não abandonamos nossa fé e não nos deixamos mover por tão falaciosos argumentos." 
Passados quase dois séculos a crítica de Al Kinda não envelheceu nem perdeu seu valor. 


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Comunismo, Capitalismo, Protestantismo - A eterna miséria dos liberais...

Sucessivamente somos acusados de fazer vista grossa ao comunismo...

Quem lê nossos artigos sabe que esta acusação é de todo aleivosa e injusta.

Por inúmeras vezes alistamos Comunismo, Fascismo e Nazismo entre as culturas de morte produzidas pela profanidade moderna e alimentadas pelo materialismo. E já definimos tais sistemas como religiões secularizadas a exemplo do Capitalismo.

Outra coisa é concentrar todas as acusações em torno do Comunismo, como os comunistofobos; eximindo o Capitalismo, o Protestantismo, o Nazismo, o Fascismo...

Comunistofobos não somos que isto é coisa de liberais agoniados e não somos liberais (no plano da economia) ou capitalistas.

Evidentemente que nos opomos ao comunismo e pelo simples fato de ser materialista como seu 'genitor' o capitalismo. Também por ser totalitário, moralmente relativista, etc

No entanto matriculados na escola de Aristóteles aprendemos que os males devem ser atacados em suas causas, fontes ou raízes. E por isso atacamos prioritariamente o Capitalismo, a que o Comunismo não passa de reação até certo ponto justa... o comunismo apesar de seus vícios tem sentido. O Capitalismo não...

E para além do Capitalismo folgamos por inserir-se no plano religioso e atacar antes de tudo o Protestantismo, em que vemos a causa primária de todos estes males infindáveis a que chamamos crise, na medida em que pretendeu demolir o Cristianismo antigo e jamais mostrou-se socialmente apto ou capaz para suster - como reconheceu Weber na 'Ética...' - os fundamentos do humanismo.

Foi da falência do neo Cristianismo ou do protestantismo que resultou o obscurecimento do humanismo e a afirmação do materialismo economicista, a que o protestantismo falido ainda prestou adjutório.

Nem nos detemos em tecer filípicas contra o comunismo, o fascismo ou o nazismo por terem tais sistemas entrado em declínio... assim nossas críticas são quase sempre episódicas e de caráter genérico. Mas estamos de atalaia...

A mistica do capital no entanto tem se mostrado inabalável e conquistado multidões...

Reacionários cremos que o único poder capaz de aniquila-la é o humanismo embasado no Cristianismo antigo ou nos Catolicismos, cuja restauração apoiamos. Não o lixo do neo catolicismo, já mancomunado com o liberalismo a um bom tempo... mas o Catolicismo integral e consciente de sua função social enquanto esteio do Bem Comum.

Catolicismo que seja Vida e incorpore zelosamente a doutrina social da Igreja, inspirada na tradição Ortodoxa e inconciliável com o dogma liberal da ilimitação ou da auto regulação do Mercado.

Só o Catolicismo cremos nós será capaz de por ou melhor de repor todas as coisas a serviço do homem derribando o deus mercado de seu pedestal e criando uma nova ordem de coisas pautada em princípios e valores estabilizados.

Neste sentido devemos principiar criticando as instituições que por afinidade eletiva estão relacionadas com o mundo do capital, fornecendo-lhe necessário suporte cultural ou ideológico; e já sabemos que a primeira delas é o protestantismo, especialmente as seitas da prosperidade. as quais assimilaram já os objetivos do sistema convertendo-se em empresas com fins precipuamente lucrativos.

Isto a ponto dos fiéis já poderem pagar seus dízimos ou comprar as novas indulgências com cartão de débito.

Aqui de fato a religiosidade ocidental chegou a fundo do poço convertendo-se em algo bem pior do que ópio... é uma espécie de craque espiritual.

Em segundo lugar direcionamos nossas críticas ao materialismo economicista liberal pelo simples fato de ter se mostrado mais resistente do que as demais vertentes da cultura de morte quais sejam nazismo, fascismo e comunismo.

As demais vertentes ideológicas ao menos em parte tombaram no descrédito.

A ilusão do Capital permanece vive e florescente.

Eliminado o Capitalismo, o Comunismo perderia sua razão de ser.

Como a luta ou conflito entre capitalismo e comunismo pode ser interpretada como uma luta entre o individualismo e o coletivismo, ao humanismo convém não tomar parte nela.

O humanismo é pela pessoa, não pelo indivíduo isolado e menos ainda pela massificação...

Não nos alinhamos, mantemos a independência, somos pelo primado do espírito.

Estamos firmemente persuadidos de que a única força capaz de enjaular ou encadear o espectro do economicismo é o Reino do espírito cujo fim é o primado do Ser.

Desesperamos assim tanto da solução comunista, que nos parece artificial; quanto da manutenção do sistema vigente, responsável pela contaminação e destruição do planeta.

O Capitalismo precisa ser revisto e ao menos quanto a seu éthos destruído, ou nos destruirá a todos.

Vivemos num sistema fechado e estável face ao qual as pretensões da ilimitação são para lá de absurdas. Propor a exploração dos recursos naturais em máximo grau e sancionar o acumulo infinito de riquezas por milhares ou milhões de indivíduos toca mesmo as raias da loucura, loucura porque haveremos de pagar demasiado caro.

Sistemas fechados e estáveis dependem de limitação, controle e planificação racional em termos de necessidades humanas reais como alimento, roupa, habitação, educação e saúde. O consumo irracional do supérfluo será revisto ou comprometerá o equilíbrio do ecúmeno. A mãe natureza, que é mãe comum de todos nós, implora por moderação, mas... o capitalismo permanece completamente surdo!

Em meio as ondas tempestuosas deste mar imenso em que nos lançou o materialismo crasso precisamos mais do que nunca duma tabua de salvação e esta tabua só nos pode ser concedida pelo verdadeiro Evangelho, fiel a esta lei: Não acumularas tesouros na terra... não podeis servir a Deus e as riquezas... é mais facil uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus!

Precisamos romper com o reino do capital. Precisamos rever urgentemente a cultura do consumo. Precisamos contestar as pretensões do Mercado! Precisamos romper com a tradição humana do liberalismo crasso e tornar a tradição divina dos padres da Igreja, do Catolicismo, da Ortodoxia! Precisamos viver sobriamente, renunciando ao que é supérfluo, valorizar as pequenas coisas, contemplar a natureza, partilhar os bens, auxiliar os que precisam... Precisamos ser menos 'economistas' e mais humanos!

Há dois mil e quinhentos anos após ter dado uma voltinha pelo mercado de Atenas, Sócrates suspirou desconsolado: Eis de quantas coisas o homem não precisa!

Que diria o grande pensador caso pudesse ter contemplado o feitiço das marcas, que não passam de nomes??? Gente há que vive sem automovel próprio, celular, tablet, Whatsap, etc E NÃO MORRE. NÃO MORRE NÃO...

Ninguém jamais morreu por mingua de tablet ou falta de whatsap! Morre-se sim por falta de comida, de medicamentos, de água limpa... por falta disto se morre, mas não por falta de bugigangas ou tralhas!

Faço questão de viver sem celular como meu pai e meu avô... e aqui estou vivinho da silva. E nem por falta de telefone fixo ou lâmpada elétrica haveria se sucumbir.

Há coisa mais importante!

Tem gente a que ainda falta o necessário.

Por que então nos prendemos ao supérfluo?

Porque alguém ou melhor, alguns; alguns privilegiados, disto vivem e facilmente vivem!

A cultura do supérfluo ou do consumo acrítico, ditado pela moda, existe apenas em função do capital, para 'entreter' o mercado. Daí este novo Calendário profano que substituiu o Calendário eclesiástico enfatizar a necessidade de comprar e dar presentes... tudo com o intuito de aquecer o tal mercado!

Para assegurar a oferta de trabalho?

É o que comumente se diz!

Para assegurar o lucro dos patrões, é o que não se diz...

No entanto as massas humanas precisam ganhar a vida, precisam trabalhar.

De fato por falta de controle racional ou em função da miséria temos um mercado de reserva gigantesco... importa saber por que e para que???

Melhor seria que não houvessem tantos seres humanos.

Mas será que seria mesmo melhor para todos nós ou será que há setores da sociedade que tiram proveito ou benefício da densidade populacional???

Quanto mais raciocinamos e refletimos nos damos conta de que as necessidades econômicas ditadas pelo tal mercado tudo contaminam e comprometem, até nada restar de são!

Agora não poderia este homem ser o que é, um consumidor acrítico, se não fosse um indigente espiritual. Tanto mais acumula tralhas, objetos e coisas materiais quanto é insensível face aos bens imateriais e imperecíveis. Tanto mais compra, adquire e junta quão grosseiro e cego é...

É justamente do éthos materialista que o Mercado tira suas maiores vantagens.

Voltemos os olhos deste homem para o reino do Espírito e veremos que ao consumo sucede a partilha.

Partilhar, eis uma tônica, que se levada a sério poderia travar o mercado, pois corresponderia a uma greve de consumo.

Tendo suas fontes ligadas novamente ao sagrado e restauradas, e equilibradas; tornar-se-iam os homens mais sóbrios, mais temperantes e mais solidários. Eis uma Revolução interna, íntima e existencial cujo impacto social seria estrondoso.

Penso que o Capitalismo esteja cônscio disto... e que talvez por isto continue denegrindo ao máximo os Catolicismos. Da mesma maneira que o Comunismo, os Catolicismos jamais foram poupados por essa crítica hipócrita financiada pelo poder do Capital... que isto corresponda a um propósito e a um propósito sinistro não tenho dúvidas.

Se alinhar-nos com o comunismo, devolvemos dia após dia os amáveis 'presentes' com que o liberalismo canalha nos mimoseia!

E reafirmamos que inexista maior adversário das verdadeiras liberdades do que o próprio liberal...


"Liberdade, liberdade; não passas para mim de um nome, quantos e quantos crimes são perpetrados em teu nome!" Mme Roland





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Resenha do livro Sócrates encontra Marx


Antes de começar a falar do livro vamos falar um pouco de seu autor. O autor é católico romano, conservador na moral e também na economia, Peter Kreeft, é phD em filosofia, é professor e palestrante dotado de um bom senso de humor.

Na série Sócrates encontra...., todos os diálogos (sim os livros são feitos em diálogos ao estilo socrático ou melhor platônico) começam no além, logo que morrer os filósofos se deparam com Sócrates e este examina seus livros bases, àqueles nortearam e norteiam os caminhos da humanidade.

O Sócrates de Kreeft é bem convincente e bem semelhante ao de Platão, irônico e investigados infatigável da verdade. Neste livro (Sócrates encontra Marx) o autor examina o livro O Manifesto do Partido Comunista e as ideias bases desse mesmo comunismo apregoado por Marx.

O intuito de Sócrates neste diálogo é demonstrar a falsidade do comunismo ensinado por Marx, então Sócrates faz uma excursão pelo Manifesto do Partido Comunista e aponta as falhas do mesmo assim como dos raciocínios de Marx. O Sócrates de Kreeft desmonstou o determinismo de Marx, aquele que diz que não são as ideias que movem o mundo, mas as estruturas sociais é que determinam o pensamento, então Sócrates demonstrou para Marx que se não existe livre-arbítrio ele não pode ter escolhido ser comunista e tampouco poderia ensinar essa doutrina pois nasceu numa sociedade burguesa e no seio de uma família burguesa, então Sócrates pergunta como ele pôde ter ensinado o comunismo se ele também era um ser determinado e não livre pelas condições históricas ao que Marx responde que ele foi escolhido para quebrar esse ciclo, foi escolhido, usando esse vocabulário bem religioso.

Depois Marx detona com o seu vocabulário relativista como justiça burguesa, liberdade burguesa e assim por diante, Sócrates tenta convencê-lo que a justiça é imutável e universal e Marx se revolta contra essa ideia, ele (Marx) diz que a justiça é apenas uma convenção humana de uma época, então Sócrates lhe pergunta se a verdade também era produto das estruturas sociais e econômicas e Marx disse que sim ao que Sócrates perguntou: Pelo menos essa verdade (a verdade que a verdade se transforma) é absoluta e universal não?

Marx nega que possam haver homens honestos e bons por si mesmos pois todos eles são frutos das estruturas sociais e tudo o que fazem e acredita é determinado pela economia ou pelo modo de produção. Mas Marx nunca explicou cientificamente como ele mesmo pôde se tornar comunista fugindo da determinação.

Sócrates também mostra para Marx que o comunismo matou de milhões de pessoas e que não realizou o sonho de  um paraíso na Terra e também que sua profecia de que a revolução iria começar  num país industrializado não se realizou.

Marx  insiste que as pessoas só mudarão se as condições sociais mudarem já que são os eventos reais é que determinam as consciências, mas Sócrates sempre solícito mostra as falhas de sua argumentação.

Sócrates ainda mostra que Marx teve um filho com sua empregada que nunca assumiu, que era plagiador barato, e argumentava mais com o fígado do que com a razão propriamente dita. Enfim, o livro merece ser lido por aqueles que concordam e por aqueles que discordam de Marx.




segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

sábado, 31 de julho de 2010

Teleshowrnalismo


O telejornalismo (como mostra a feliz tirinha acima feita por meu amigo Ravick) mostra notícias sem elo umas com as outras. Quantas vezes me peguei assistindo ao Jornal Hoje por exemplo, vendo seus apresentadores passando de notícias tristes para notícias fúteis como se maquiar depois de ter mostrado um desastre, ou após ter veiculado notícias relativos a crimes hediondos.

O Ravick foi muito feliz ao elaborar essa tirinha, pois ela carrega profundos questionamentos filosóficos.
Por que a TV nos faz chorar num momento e minutos depois nos faz rir? Por que as notícias são fragmentadas? Por que o telejornalismo fica insistindo num assunto ad nauseam? (até a náusea).

Parece-me que o telejornalismo cita as notícias tristes, primeiro para colocar medo em seus telespectadores e mostrar como o mundo é ruim, etc... O medo é um ótimo meio de se dominar a sociedade. E se os que mandam não tem aparelhos suficientes para produzir medo, então dão à TV a incumbência de fabricar o medo. Daí termos os Datenas da vida, daí os telejornais insistirem tanto num crime de modo que fique gravado no inconsciente das pessoas e criem uma sociedade medrosa, infeliz e desconfiada. Todavia para que os teledependentes (tomei a liberdade de tomar o termo emprestado de um livro pedagógico) fiquem incapacitados para refletir sobre o tema da violência, os mesmos telejornais, misturam notícias das mais diversas como: futebol, shows, modas, economia doméstica, etc... Desse modo seus escravos mentais ficarão com medo e ao mesmo tempo anestesiados pelo consumismo, frivolidades e coisas do gênero. São tantas notícias desvinculadas umas das outras que os cidadãos nem sabem o que realmente assistiram. Mas algumas mensagens ficam claras: "Tenha medo, não confie em ninguém, bandido bom é bandido morto, encastele-se" e muitas outras coisas mais.

Por outro lado a TV mostra que as pessoas da classe média baixa, são esbanjadores e vira e mexe certos telejornais contratam um economista para ensinar certas famílias a serem econômicas. Pois essas famílias gastam mais do que ganham. Sabe qual é a mensagem disso? A classe média baixa não ganha mal, ganha bem, o problema não é o salário é que as famílias da classe média desperdiçam dinheiro com o supérfluo. E os teledependentes aceitam isso sem questionar, afinal se a TV disse, então ela tá certa.

Com o atual telejornalismo as pessoas ficam informadas, saturadas de informações, o que não significa que elas foram formadas. Melhor seria ter poucas informações e ter uma visão crítica. O telejornalismo informa e deforma, porque sabe que a formação é uma ameaça para seu status quo.