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domingo, 19 de outubro de 2025

Europa a sombra dos minaretes - Que fazer... II

Uma vez exposta a situação temos de considerar o que fazer.

Pois assistir passivamente esta calamidade, que é o avanço do islã (Organizado pela própria ONU) pela Europa é algo que não podemos cogitar.

Pois no momento em que o crescente arvorar sobre a acrópole de Atenas, no fórum romano ou sobre os Túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo as bases da autêntica cultura ocidental estará morta.

Pois terá deslocado a Filosofia clássica, o Direito romano e a Ética do Evangelho e destruído nossa identidade, nossas raízes e nossa tradição.

No momento que as noções de racionalidade, livre arbítrio e amor ao próximo forem deslocadas e substituídas pelo irracionalismo, o determinismo e a agressividade tornaremos a barbárie e o islã será a porta.

Antes de tudo devemos estar aptos e treinados para contestar a ideologia pós modernista, por estar ela na base dessa conjuração.

Apesar do capitalismo e de outras misérias (Que nos conduziram a beira do abismo.) temos democracia, temos direitos inerentes e portanto igualdade jurídica, temos a noção de bem como ou justiça social, etc e portanto temos sim um padrão cultural superior em comparação ao autoritarismo totalitário, a teocracia, a uma hierarquia social arbitrária, etc - Ainda que limitássemos essa superioridade ao espaço de nossa própria cultura.

A menos que considerássemos o casamento de garotas com velhos, a castração de mulheres, o enforcamento de gays, a agressão aos pequeninos, a opressão dos dissidentes religiosos, o emprego generalizado da força, etc como práticas desejáveis temos de afirmar a superioridade da cultura europeia atual e de reconhece-la como propulsora no mínimo da forma de convívio menos ruim que existe. 

Alias desconfio que certas pessoas justificam o islã justamente porque aspiram viver a sua moda e devo avaliar qualquer cidadão ocidental ou europeu que deseje tratar sua esposa ou seu vizinho cristão segundo a lei islâmica como um canalha. 

Mais, a mim me parece que tanto entre os filo protestantes fundamentalistas no Brasil quanto entre os simpatizantes do islã na Europa sobressai um perfil sinistro: O desses homens maduros, machistas, homofóbicos, tarados, etc que aspiram enforcar gays e estuprar menininhas...  

Antes de tudo devo dizer que sou a favor de que os refugiados sejam recebidos ou acolhidos de braços abertos em qualquer parte do mundo desde que não sejam eles fundamentalistas religiosos, islâmicos ou cristãos, capazes de colocar as vidas dos demais cidadãos em risco. E não posso admitir por meio algum que a segurança dos cidadãos que vivem num determinado espaço sejam privadas de paz e segurança pela introdução de qualquer outro grupo social.

Os cidadãos ou contribuintes que pagam impostos fazem jus a segurança, a proteção e a paz; sendo dever do Estado garantir essas condições sob pena de quebrar o pacto vigente, tornar-se inútil, ocioso e ser confrontado pelos cidadãos.

Portanto receber em suas fronteiras qualquer grupo composto por fanáticos, teocráticos ou fundamentalistas, os quais venham a colocar em risco as vidas e bens dos cidadãos implica traição inaceitável. 

Devem portanto os árabes e outros que aspiram instalar-se na Europa adotar a cultura local e tal preceito deve ser indiscutível. Implica essa atitude abandonar os hábitos arraigados e assumir os hábitos comuns ao grupo em que se pretende viver. Implica abdicar de qualquer atitude no sentido de introduzir hábitos ou costumes árabes. Implica sobretudo em comprometer-se a não introduzir a Sharia e implica por fim aceitar que não serão construídas novas mesquitas. 

Seria ridículo ter eu de dizer que de modo algum devem os refugiados confrontar as práticas, costumes ou tradições das populações locais, profanando seus santuários, invadindo seus locais de culto, destruindo seus símbolos ou colocando em risco suas pessoas sob pena de serem rigorosamente punidas ou castigadas na forma da Lei. 

E segundo penso todas as violações acima por parte dos hóspedes deveriam ser punidas com deportação ou expulsão da comunidade em questão - Pois tratam-se de crimes contra os direitos inerentes das pessoas os quais não podem, sob quaisquer alegações, ser tolerados numa sociedade civilizada.

Vou além e opinarei que apenas as mulheres, os idosos, as crianças e os deficientes provenientes de sociedades islâmicas sejam acolhidas na Europa, e mesmo assim com a devida cautela. Quanto aos homens adultos, julgo haver precedentes graves para que deles se exija o abandono do islã ou um compromisso fundamental no sentido não tentarem impor a sharia ou construir mesquitas.

O mais recomendável no entanto é que os homens adultos do islã não sejam recebidos nos países europeus e sobretudo que clérigo ou imame sunita algum seja recebido. Naturalmente que a poligamia deve ser rigorosamente proibida nos territórios não islâmicos pois costumam ele dar o 'golpe' da barriga ou crescer pelo ventre até suplantar a população local. Também seria aconselhável a exigência de que limitem o número de filhos por casal sob pena de não serem aceitos - No caso dos homens adultos serem recebidos.

Necessário que seus filhos sejam obrigados a frequentar a escola local, de preferência pública e laica de modo a serem introduzidos na cultura vigente. Devem além disto aprender a falar a lingua local e valoriza-la. 

Outra medida de suma importância é proibi-los de formarem bairros, guetos ou pequenas comunidades fechadas e obriga-los a dispersarem entre a população 'comum', convivendo ou comunicando-se com ela, de modo a favorecer as trocas culturais.

Tais algumas sugestões concretas que já deveriam ter sido implementadas quanto esse tipo específico de população. Afinal hóspedes só podem ser acolhidos sob nossos tetos sob determinadas condições estipuladas pelos proprietários... 

Importante que tais leis sejam fixadas e que toda e qualquer violação implique na deportação ou no retorno compulsório ao local de origem. Quanto a isto não deve haver relaxação ou contemplação alguma, especialmente em se tratando de delitos inspirados pela fé e contra a fé alheia e seus símbolos. 

Deve haver todo um programa destinado a fazer com que os hóspedes assimilem os princípios, os valores, os costumes e a cultura local ou que no mínimo exerçam rigorosa tolerância face a ela, abandonando toda e qualquer hostilidade.

Super importante que a decisão de acolher essas pessoas passe pela comunidade local e que a nível nacional seja objeto de referendo ou de aprovação direta pela população e jamais uma imposição feita por órgãos internacional como a ONU ou a OTAN uma vez que são controlados por outros países e poderes. 

Importante que seja uma atitude política democrática i é sancionada pela população nacional e local e gerenciada por elas através de leis específicas destinadas a manter a cultura e promover a paz. 









terça-feira, 13 de novembro de 2018

Estabilidade civilizacional, tendências predominantes, ritmo histórico e conflito

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Não conhece nem busca a História leis gerais, pois sua tarefa consiste em identificar as causas imediatas de cada fenômeno ou evento particular. O sentido, a direção, o ritmo, as tendências, as 'leis', o processo Histórico enfim é perseguido pela Sociologia. O que os antigos chamavam providência podemos chamar de leis sócio/históricas ou melhor dizendo de tendências predominantes. Afinal tais leis não atuam de maneira estritamente mecânica ou absoluta como as leis físicas ou naturais, são flexíveis até certo ponto, conhecendo certo grau de indeterminação tendo em vista a ação livre do elemento humano ou melhor as modalidades de ação e interação que são 'infinitas'. A História ou melhor a sociedade humana, a cultura... possuem certamente um ritmo, uma dinâmica, uma frequência; mas não exata ou inelutável. Tinha plena razão W Dilthey ao substituir o paradigma da previsibilidade pelo paradigma da compreensão.

Justificar pertence a ideologia ou a moralidade. Prever a física ou a química. A História buscamos descrever e compreender. E através dela compreender o caminho percorrido pelas diversas Sociedades e pela cultura, em busca de alguns elementos comuns. Não se faz Sociologia geral sem História embora a Sociologia busque certo nexo genérico entre fenômenos que estão dispersos. Abstrai assim do tempo e do espaço, mas, para tanto, deve utilizar-se da História e da Geografia e alimentar-se delas.

Possui a dinâmica Social certas leis gerais desde que compreendamos o termo Lei de maneira 'lata'. Por isso recomendo o emprego do termo tendências predominantes. Claro que a natureza da cultura tem direções bem definidas, as quais podemos, com o devido cuidado esboçar.

Antes de tudo quero abordar o tema da Estabilidade civilizacional e das Crises, o qual faz-se tão premente em nossos dias. Para tanto vou socorrer-me de um Filósofo da História e de um Sociólogo aos quais atribuo o mérito de terem desvendado o segredo da Esfinge; assim Toynbee e P Sorokin, os quais juntamente com F de Coulanges, M Weber e R Nisbet, tenho em conta de geniais.

Constatou Sorokin a generalidade do conflito - quem disse que o conflito não existe ou que nada move? - envolve quase sempre culturas cujos valores antitéticos podem ser definidos como Materialista ou Idealista. Uma cultura em crise é basicamente uma cultura cindida entre valores materiais e ideais ou indefinida; bem como uma cultura fechada, seja materialista ou idealista. A Estabilidade civilizacional ou o 'brilho' corresponderia a uma síntese entre os dois 'sentidos' ou a uma equilibração. Em torno do que poderíamos chamar Realismo. O Realismo tenderia a conciliar a razão e a experiência, o psíquico e o biológico, o mental e o corporal ou físico, a religiosidade ou a fé na vida futura e a ação na vida presente, a Transcendência e a Imanência... Assim a prática da ginástica e dos esportes com o ideal da Kalokagathia, a Ciência e a Filosofia, a técnica e a ética, formando um todo harmonioso, e bem se vê o quanto este ponto de equilíbrio deva ser difícil de ser obtido. Via de regra move-se a Sociedade de um extremo a outro, tal o 'sentido' das crises.

E se o conflito de valores existe dentro da maior parte das Sociedades mais desenvolvidas, devemos considerar um outro tipo de conflito, existente entre diversos padrões de civilizações estáveis e mais ou menos estáveis ou mesmo não estáveis. Segundo Spengler o atual conflito entre o Islã e o Ocidente, remontaria a situações de conflito de conflito anteriores travadas entre a cultura persa e a cultura greco/helenística, a cultura romana e a cultura judaica, a civilização Cristã bizantina e o islã, a civilização Cristã Ocidental e o islã, enfim a civilização Ocidental contemporânea e o islã... Teríamos aqui o prolongamento de um choque milenar de culturas. Noutras palavras seria o islã herdeiro ou legatário do judaísmo antigo ou mesmo do zoroastrismo (o que é discutível - esta última assertativa) enquanto que os Catolicismos - devido ao conceito de Encarnação - seriam em parte legatários do paganismo antigo. Daí o conflito entre as duas tradições: Da transcendência pura e da Transcendência/Imanência.

Sucede no entanto que nossas construções sociais, raramente atingiram o necessário equilíbrio. A exceção do século IV, do século IX, do século XIII e do século XVII, em que conheceram-se aproximações, o ideal de civilização Católica jamais concretizou-se, frustrando-o - A queda do Império romano no século V, o advento do Islã no século VII, o advento do neo paganismo no século XIV, o advento da pseudo reforma, do capitalismo e das culturas de morte a partir do século XVI. Tais eventos tornaram o ideal de civilização Transcendente/imanente inexequível. Para além disto o próprio Catolicismo - seja Ortodoxo ou latino - deixou-se contaminar, poluir e obscurecer sucessivas vezes pelo neo platonismo sob as mais diversas formas, assim do agostinianismo, do palamismo, do zwinglianismo, etc E afastando-se do Eixo da Encarnação, perdeu sua consciência, tornando-se descarnado e confluindo para o judaísmo e o islamismo, facilitando inclusive a dispersão ou a conversão...

Hoje acima de tudo acha-se o padrão de civilização Ocidental cindido entre opostos, em luta e portanto em crise. O que se sucede desde que o protestantismo e seu 'filho' adotivo, o capitalismo, assumiram a direção de nossas sociedades. No protestantismo ortodoxo ou luterano temos uma fé ou religiosidade desvinculada do mundo material e totalmente idealista. No Capitalismo uma praxis naturalista, materialista, anti ética e anti Católica. No americanismo uma síntese monstruosa entre a religiosidade descarnada ou maniqueísta e a praxis capitalista, em oposição a valores humanistas e autenticamente Cristãos ainda presentes nas antigas sociedades europeias, assim como o sentido comunitário, o ideal de bem comum e uma doutrina social normativa.

Entre os vestígios da civilização Católica ainda presentes numa Europa colapsada e os ideais da pseudo civilização Norte americana ou americanista de origem protestante ou calvinista pautada no que chamam 'bíblia' ou antigo testamento, com sua moralidade individualista, grosseira e vulgar, vai um abismo imenso. E este conflito se torna ainda mais agudo nas sociedades latino americanas, onde entram ainda outros conteúdos culturais,  que o americanismo não pode aceitar ou compreender. Pois devemos ter em conta que para os puritanos recém chegados da Inglaterra, faziam os naturais deste continente as vezes de perversos cananeus votados ao extermínio.

Se os portugueses e sobretudo os espanhóis trazem a este continente recém descoberto um ideal de Cruzadas ocidentais, desconstruído pelo clero em Valadollid 1551, os puritanos do Mayflower, em 1648, trazem para este continente um ideal sectarista construído face as permanências do Catolicismo europeu, num clima de fanatismo e ódio contra Bispos, cruzes, torres e sinos... Tal e qual os Padres do século quarto tomaram por meta ou modelo social o Evangelho ou a lei de Jesus Cristo e os teólogos medievais do Ocidente a 'Cidade de Deus' de Agostinho - e já se percebe a queda do ideal... os calvinistas tomaram a peito criar uma Sociedade bíblica nos moldes da torá ou do antigo Israel... Daí a necessidade imperativa de satanizar e de aniquilar a cultural anterior ou nativa, segundo os ensaios que já haviam feito nos cantões Católicos da Europa...

Privada de conteúdo Cristão tradicional ou Católico ou de conteúdo nativo, implementaram os puritanos no Norte um ideal de Civilização protestantes que buscam, desde então vender ao mundo como legitimamente Cristão e impor as demais partes da América, conforme a doutrina do destino manifesto. Não apenas a América latina mas agora ao mundo como um todo como forma de legitimar o sistema Capitalista do qual tornou-se colaborador ativo ou servidor, pelo simples fato de que o protestantismo ortodoxo faz muito pouco caso das obras ou da ortopraxia. Mesmo os Catolicismos, posteriormente instalados neste 'solo virgem', tem se deteriorado muito facilmente e perdido sua consciência nesta atmosfera culturalmente tóxica, e tendem inclusive a exportar este Catolicismo negociável, flexível, morno, acomodado... face as necessidades do Mercado ao mundo inteiro, como se fosse produzido por encomenda.

Por isso não temos mais uma civilização Ocidental, unida e coesa, como no século XIII, mas uma sociedade cindida em torno de valores extremistas, como um espiritualismo descarnado e um materialismo insensível e cruel, os quais não se excluem, necessariamente. Em torno de permanências representadas por valores autenticamente Católicos, mesmo quando secularizados, como o socialismo, o ecologismo, etc E em torno de rupturas dramáticas como como a centralização política, os nacionalismos, o odinismo, o capitalismo, etc Vivemos um tempo de desencontro e contradição. A "Era da incoerência."

O que nos torna vulneráveis face a um islã relativamente coeso em torno do velho espírito fetichista e do padrão idealista ou descarnado de pensamento. O islã pode não ter atingido a equilibração civilizacional em termos de cultura, pelo simples fato de afirmar um deus absolutamente transcendente e apartado do universo material, mas fornece a seus adeptos, em termos de cultural, um padrão coeso ou não fragmentado. O ocidente deixou passar diversas oportunidades de equilibração e estabilidade social, até, por meio do protestantismo, do capitalismo e sucessivas culturas de morte, chegar a beira do abismo. Parte de nós zomba da fé ou da divina Revelação e da vida Ética que dela decorrer, embora nossas instituições todas e nossa cultura tenham sido postas sobre tais fundamentos desde tempos imemoriais e ante cristãos, uma vez que os Catolicismos dão continuidade a tudo quanto havia de nobre e excelente no paganismo antigo, fazendo com que remontemos a Platão, Sócrates e Aristóteles.

Ao repudiar preconcebidamente o Catolicismo estamos repudiando os fundamentos mais remotos da nossa identidade e para compreender o que estamos a fazer caberia ler - Coulanges, Dawson e Butterfield... Sociedade alguma subsiste fundamentada no ar, no vácuo ou no espaço. Uma sociedade completamente desarraigada de sua cultura ancestral não se mantém e por isto dizemos que os Catolicismos muito preservaram da cultura pagã ancestral quando o mundo antigo, por vício estrutural, ruiu fragosamente e veio abaixo. Foi um naufrágio e não fosse a presença do Cristianismo Católico experimentaríamos uma regressão tal como jamais fora vista em toda História, podendo quiçá, impugnar as constatações de V G Childe.

Quero dizer ainda que o neo paganismo, o materialismo, o ateísmo e mesmo o ceticismo ou a incredulidade, tal e qual nos tempos antigos nada produziram de relevante em termos de cultura refinada e já se disse que tais ideologias tem se mostrado estéreis nos domínios da Estética, o qual costumam depreciar. E quando se sabe o que esta tal arte moderna, psicologista... temos mais uma esfinge decifrada. Já quanto a ética bem poderíamos dizer que as mesmas causas produzem os mesmos efeitos, não por coincidência. O ateísmo e o materialismo refletidos jamais fogem ao utilitarismo, ao relativismo e ao subjetivismo... e são co relações epistemológicas necessárias. Por esta via jamais se chega a uma noção de Lei natural e assim ao essencialismo Ético em torno a alguns valores universalmente estáveis como o Bem, a Verdade e a Beleza - Digo algo a respeito deles... Para o cientificista ou positivista de nossos tempos Estética e Ética são palavras desprovidas de significados ou vazias, 'flatu vocis' enfim... Isto quando a própria razão e mesmo a própria experiencialidade não nos desamparam e encaminha ao nihilismo.

Nem fé, nem razão e nem mesmo a experiência.Nada fica restando de estável... Como construir ou manter uma civilização neste terreno? Tudo isto é resultado da dissolução, não algo positivo ou construtivo. Civilizações se constroem com afirmações fortes e ousadas em termos de princípios e valores. O protestantismo e suas sucessivas e múltiplas 'evoluções' privou-nos de tudo isto. Tornando-se o indivíduo centro da fé, e em seguida da razão e da experiencialidade, até que vieram a todas a morrer, pelas mãos do individualismo, imoladas!!!

Até aqui o conflito... Vivemos uma época de intenso conflito!

Devo dizer por fim, com Toynbee que a identificação de uma dada Sociedade com essa síntese harmoniosa e rara chamada realismo, não ocorre de qualquer maneira mais através da mimesis. Pois se faz necessário que após ter sido elaborada por uma elite intelectual, pensante ou dirigente, a solução de equilíbrio seja assumida por cada um de seus setores, inclusive pelos mais baixos ou pelas massas correspondendo a um eixo coordenador, capaz de integral todos os cidadãos, qual fossem um só corpo animado por uma só alma. Claro que essa assimilação de valores ou de cultura pressupõem antes de tudo uma organização educacional eficiente. A assimilação da cultura depende sempre da transmissão... Assim sendo uma Sociedade que aspire estabilizar-se deverá disseminar ou fixar determinados princípios e valores comuns por meio da educação, atingido verticalmente cada um de seus estamentos ou mesmo de seus membros.

Caso tais valores empolguem e inspirem os membros mais ativos e  produtivos de cada esfera, este vínculo produzirá a estabilidade e promoverá a civilização, desde que tais valores, como já dissemos, representem um são realismo em torno de necessidades espirituais e materiais ou de demandas psíquicas e biológicas de modo a contemplar o homem por inteiro. Caro que esses momentos de mimesis em torno de uma construção teóricas equilibrada ou realista serão raros e breves na História da pobre humanidade e não uma constante, pelo que conheceremos certamente mais e maiores períodos de crise. Ora também o ser humano em fase de crescimento ou o adolescente conhece períodos de crise e ambivalência... Por isso não nos devemos amedrontar, caso isto aconteça também com as diversas culturas ou com a humanidade de modo geral, apenas, como disse Guicciardini, deplorar o fato de vivermos nós em tais épocas - Como durante a eclosão da reforma protestante, a queda de Constantinopla, a expansão do islã, a queda do Império romano, os cem anos posteriores a morte de Alexandre, a Atenas conquistada pelos espartanos...

Talvez, como Platão, vossa genialidade seja estimulada pelas condições adversas... Assim enquanto prevalece a crise, procedais como os entomólogos buscando compreender e identificar cada faceta do processo histórico ou do ritmo conhecido pelas sociedades. A cada um dos que tiveram a paciência necessária para ler este artigo faço votos de boa sorte! Que possais, vós e vossos filhos, ver dias melhores!



domingo, 3 de setembro de 2017

O problema da neutralidade em Ciências humanas II

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Chegados aos domínios da História tornasse o tema da neutralidade ou da isenção ainda mais polêmico na medida em que os teóricos do positivismo, levando adiante seu ideal meramente descritivo, proíbem a introdução de todo e qualquer juízo de valor em relatórios, monografias e até mesmo artigos e livros.

E no entanto além das enfermidades Psicológicas, e das condições sociais, o Historiador ainda depara com certo resíduo ou com certa quantidade de atitudes ou comportamentos irregulares quais sejam, roubos, assassinatos, estupros, etc os quais não poucas vezes envolvem elementos humanamente frágeis e desprotegidos quais sejam animais, crianças, idosos, deficientes, etc e degeneram em pura e simples crueldade ou sadismo. Mesmo diante de cenas e situações como estas o positivismo não se abala e pede que elaboremos uma simples crônica em forma de narrativa, fugindo aos juízos de valores como o diabo foge da cruz.

Agora qual o pôrque de tudo isto???

Quais os pressupostos do positivismo???

Grosso modo os positivistas ingênuos costumam declarar que a tarefa do Historiador esgotasse ao reconstituir os fatos Históricos. Logo o que ultrapassa a simples reconstituição espraia-se pelos domínios do subjetivismo puro ou do relativismo, representando mero ponto de vista individual, a que não devemos atribuir maior valor.

Num segundo momento dirá nosso positivista que semelhante avaliação cabe a Ética e não a História, o que muitas vezes equivale a dizer que não cabe a ninguém e que devemos mesmo enquanto homens, nos conformar com aquilo que é ou com a realidade, uma vez que toda e qualquer crítica ou discordância supõem metafísica. A qual só se foge tornando-se acrítico ou conformista.

Não levo a mal que nas obra do gênero, especialmente no prefácio, a distinção seja não só marcada mas salientada i é a distinção entre o Pesquisador que reconstrói objetivamente a História resgatando os fatos, e entre o homem que avalia. Não levo a mal o Filósofo da História, pensador ou Historiador mais comedido, que opte pela crônica ou simples narrativa deixando ao leitor a apreciação crítica ou valorativa dos fatos. Não levo a mal que no próprio livro o trabalho do Historiador e a apreciação do homem, sejam rigorosamente estabelecida.

No entanto a exigência de que o Historiador abdique de todo e qualquer juízo ético ou valorativo mesmo enquanto homem ou ser racional só pode partir de teóricos que repudiam formalmente a hipótese de uma Ética objetiva ou essencial enquanto forma de conhecimento válido ou verdadeiro, abraçando o dogma - também presente na Sociologia - do relativismo cultural. Aqui de fato é Ética encarada como pura e simples produção cultural - relativa apenas a determinada sociedade - ou mesmo subjetiva perde todo seu valor. Tal não é no entanto a perspectiva do humanismo socrático, cujo entendimento é bem outro.

Claro que nós esperamos e desejamos que cada leitor e que cada leitor faça sua opção em termos de ética, identificando-se com determinados princípios e valores, a partir dos quais julgue a realidade. Tal esperança no entanto esta longe de impedir-nos de opinar ou de manifestar nossos pontos de vista, buscando orientar o homem para uma direção ética que julgamos ser a mais acertada ou correta; não como Historiador, mas como ser humano que reflete criticamente sobre as ações e exemplos humanos oferecidos pela História.

Significa isto que não podemos ser neutros em termos de princípios e valores ou mesmo de ideologia?

Se em termos de ciências exatas uma neutralidade absoluta, do começo ao fim, é bastante questionável, em termos de ciências humanas é certamente impossível, senão indesejável.

Ser neutro diante das inquisições papista e protestante, da Jihad islâmica, das situações de miséria produzidas pelo capitalismo, das atrocidades cometidas pelos nazistas, das guerras, da tortura, etc equivaleria a ser sádico, desumano e cruel.

Enquanto historiador tudo quanto o homem visa é compreender determinada situação Histórica e podemos compreender perfeitamente bem o pôrque de cada um dos eventos acima citados, sem no entanto buscar justifica-los ou absolver as pessoas envolvidas. Não cabe ao Historiador enquanto tal justificar, apenas compreender. Enquanto homem e cidadão no entanto lhe é permitido julgar partindo de seus princípios e valores.

Neste caso que lhe é proibido e a que ponto chegamos?

Nada impede ou deve impedir um homem de avaliar determinado fato Histórico segundo suas crenças e ideias. Como nada impede ou deve impedir alguém de identificar-se com determinada visão de mundo ou ideologia.

Tanto o Sociólogo quanto o Historiador é defeso ter sua opinião, seu ponto de vista ou sua ideologia. O que ele não pode permitir é que esta ideologia interfira em seu trabalho de pesquisa social ou de reconstituição histórica, fazendo com que altere ou manipule os dados da pesquisa ou as informações tomadas as fontes históricas selecionando-as arbitrariamente seja inventando umas ou ocultando outras. Tocamos aqui ao nervo da questão ou a Honestidade cientifica.

Não pode o homem ser neutro no sentido de que seja isento de princípios e valores ou mesmo de ideologias, como uma tábua rasa. No sentido de que não traga consigo uma visão de mundo ou como diz Brinton um esquema mental preparado. No sentido de que enquanto homem não possa opinar sobre suas próprias descobertas ou que isto lhe seja vedado...

Mas deve ser disciplinado e honesto a ponto de evitar que seus pontos de vista interfiram na pesquisa científica a ponto de selecionar ou manipular os fatos.

Portanto o que esta em seu acesso e garante a objetividade de seu trabalho enquanto pesquisador não é uma suposta e absurda neutralidade valorativa ou ideológica, e sim o que chamamos de honestidade intelectual e que podemos definir como a capacidade para administrar suas opiniões preconcebidas, atendo-se antes de tudo aos fatos sejam eles biológicos, geográficos, psicológicos, sociológicos, históricos, etc Honestidade intelectual é o esforço exequível para ouvir os fatos e permitir que falem sem deixar-se cegar pelas próprias opiniões e crenças.

Tendo chegado ao término da questão devemos considerar que a neutralidade ou imparcialidade deva ser encarada como um ideal possível APENAS SE ENTENDIDAS NO SENTIDO DE NÃO INTERFERÊNCIA COM RELAÇÃO A PESQUISA HISTÓRICA, SOCIAL... e mesmo assim - ao menos na Sociologia, que lida com causas gerais - na esfera reduzida dos fatos ou leis; porquanto a dinâmica da formação de uma teoria é bem mais complexa. 

No entanto caso compreenda-mo-las no sentido corrente de isenção, no sentido do pesquisador não trazer consigo determinados princípios, valores, crenças e ideias; qual fosse uma tabua rasa, é absurda, ingênua, grosseira e tosca. Como ser humano o cientista não só trás ideias capaz de influencia-lo como é normalmente sugestionado por elas caso não passe por um treinamento bastante sério na acadêmia. Resulta disto que a imparcialidade ou neutralidade relativa - DEFINIDA EM TERMOS DE HONESTIDADE CIENTÍFICA - não seja algo fácil de ser conquistado demandando resolução, esforço e sobretudo certos pressupostos derivados da Ética.

Sobretudo não devemos compreender Neutralidade no sentido positivista de abster-se de avaliar criticamente os fatos na perspectivas da Ética da pessoa. Julgar as ações e situações sociais é natural, humano e absolutamente normal. Neutralidade relativa ou HONESTIDADE CIENTÍFICA resume-se em não fabricar ou manipular fatos ou leis tendo em vista o favorecimento de qualquer teoria que nos agrade. A desonestidade não consiste em julgar ou avaliar eticamente mas em falsear a realidade.

Conclusão: Nas ciências do homem a neutralidade absoluta ou isenção compreendida já como a pura e simples inexistência de um aparelho conceitual anterior a pesquisa, já como a necessidade de se evitar a qualquer custo juízos de natureza valorativa é pura e simples utopia.

Já uma neutralidade relativa (Imparcialidade formal) ou HONESTIDADE INTELECTUAL compreendida como a possibilidade de controlar a investigação e impedir que seja influenciada pela ideologia tal até a seleção e manipulação dos dados e distorção da realidade, julgamos ser perfeitamente exequível embora demande como já dissemos um firme ideal de ética associado a um treinamento acadêmico e a uma prática constante. Segundo julgamos esta Honestidade Intelectual é o fundamento da objetividade no terreno das ciências humanas.

Afinal as ciências humanas, fugindo tanto ao prever - seus fenômenos são mais e mais imprevisíveis na medida em que entra em jogo a qualidade humana da vontade livre - quanto aos justificar, tem por objetivo recompor e compreender um determinado aspecto da realidade, o qual, uma vez recomposto e compreendido sempre poderá ser apreciado valorativamente por qualquer homem, inclusive pelo Psicólogo, pelo Sociólogo e pelo Historiador, os quais certamente são homens. Importa distinguir bem uma coisa da outra, colocando os pingos nos is.

Por fim se a Sociologia será meramente descritiva para o Sociólogo enquanto Sociólogo, será certamente normativa para o mesmo Sociólogo enquanto pessoa ou ser humano i é numa perspectiva mais ampla. E ele, o sociólogo, sempre poderá expressar-se já quanto cientista social que investiga e descobre, já como ser humano que avalia sua descoberta e pensa a sociedade. Bastando para tanto que estabeleça a distinção.

Sobre a elaboração das teorias em ciências humanas, reservaremos um artigo a parte.