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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Os cavaleiros do apocalipse vs obscurantismo bíblico/protestante


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Já assinalamos que quase um século antes de ter sido, o heliocentrismo, condenado pelo papa romano, fora condenado, na pessoa de Copérnico, pelo pai e criador do protestantismo... Significativo que a Igreja Romana não tenha sido fundada pelo tal papa mas que o movimento protestante seja obra desse Lutero obscurantista.

Ora este Copérnico, juntamente com Darwin e Freud foi um dos responsáveis, aliás o primeiro, a atingir a megalomania humana no coração. Afinal o diácono polonês deslocou o pobre homem do centro para a extrema periferia do universo. Assim como Darwin lançou dos céus na terra ou no mundo animal a que pertencia por definição, inda que apresentado como rei... Ora ser racional não é ser rei e tampouco a racionalidade elimina a animalidade... Freud - Cujas teses meio metafísicas são bem mais duvidosas e questionáveis - por fim demonstrou que não é este homem uma unidade estável mas uma fragmentação dinâmica.

Agora se Copérnico ou heliocentrismo, cujo anátema foi levantado pela igreja luterana com vinte anos de atraso face ao papismo (Encarado por muitos como a quintessência da obscuridade), foi assim tratado pelas 'bens bíblica, imagine o amigo leitor o que estava reservado aos continuadores de Copérnico inseridos nessa cultura protestante que muitos julgam tão progressista.

O próprio Servet, mandado queimar a lenha verde pelo reformador Calvino na praça Champel sob a acusação de arianismo ou anti trinitarismo, aliás mero fruto ou resultado de seu livre exame não tão livre, não deixou de ser ridicularizado pelos fanáticos por ter defendido a circulação do sangue movido pelo coração, o que efetivamente foi demonstrado por Acquapendente e Harvey meio século depois.

Também Melanchton, ao ser confrontado por Clavius e Maestlin sobre as manchas solares, preferiu fechar obstinadamente os olhos, o que repercutiu no luteranismo, fazendo com que Ihonnes Kepler, como seu mestre Tycho Brahe seguissem em demanda da Áustria, centro do império Habsburgo, papistas. Ali foi que, sob os auspícios de uma monarquia 'católica' desenvolveram seus roteiros de pesquisa e fizeram suas descobertas, alheios à cultura protestante ou bíblica, a qual por fim abjuraram, o segundo positivamente, o primeiro presumivelmente.

Em meados do século seguinte foia vez do luterano dinamarquês Niklaus Stenius ser confrontado pelos pastores luteranos já por ter sido um dos primeiros homens modernos a estudar os fósseis - Sendo apontado por muitos como o pai da Paleontologia - já por suspeitar apenas quanto a validade da cronologia curta ou massoretica. Foi o quanto bastou para atrair o furor dos bibliolatras... Diante disto concluiu ele que a igreja papa era mais flexível e aderiu a ela, chegando a tornar-se prelado.

A seguinte vítima da intolerância científica protestante foi o astrônomo sueco Nils Celsius, cujo caso, bem mais grave do que o de Galileu, posto que ocorrido em 1679, é muito pouco conhecido e divulgado entre a gente 'culta'. Pois nesse infausto ano foi o dito cientista condenar o pela Universidade de Upsala, em nome da bíblia, já por ensinar o odiado heliocentrismo de Copérnico, já por questionar a doutrina da inspiração plenária. Disputas e edições foram proibidos e ainda em 1691, nove anos após Sir Isaac Newton ter divulgado a lei da gravitação universal, Spole e outros acadêmicos suecos, que há muito ensinavam Copérnico, tiveram de ajudar e tornar ao modelo egocêntrico, tão caro ao sectarismo bíblico...

Segue -se o caso Rousseau. Cuja primeira edição do Emilio foi publicamente queimada em Genebra e o autor condenado, isto em pleno século das Luzes i é o décimo oitavo. Pouco faltou para Rousseau não se converter num novo Servet, com dois séculos de atraso. Diante disto transferiu se o ilustre genebrino para Neuchatel, onde apesar da proteção com que contava da parte dos homens mais ilustres e influentes da Europa foi ameaçado e perturbado pelos pastores locais, os quais queriam po-lo a ferros. Ora isto não foi obra da Igreja velha ou do papa, mas do protestantismo 'progressista' e levada a cabo no seu centro ou coração.

É verdade que a mesma obra fora condenada e queimada pouco tempo antes por ordem do Parlamento de Paris, em tese formado por bons católicos. Bravata, pois a este tempo ainda era o Parlamento de Paris, dominado, senão pelos jansenista - agostinianos fiéis e excomungados - ao menos por seu espírito, essencialmente oposto aquele que se reflete no Emílio, o qual de imediato atraiu o odio, não dos papistas - Exceto se minoria liderada pelo cardeal Morris- mas dos rebeldes filo jansenistas. Ora o que os cripto jansenistas fizeram os calvinistas suíços souberam fazer bem melhor. O primeiro campo de concentração da humanidade - segundo o insuspeito Van Paasen - (Genebra) ainda não havia abandonado suas tradições. Afinal  a pouco menos de dois séculos, o principal ícone intelectual da Europa, Erasmo (Vida Zweig ou R Bainton) havia sido igualmente ameaçado e expulso de Bale, pelos mesmos calvinistas...

Ocioso creio eu mencionar o químico inglês Joseph Prestley cujo laboratório valioso fora invadiďo e depredado por uma massa de fanáticos  (Como sempre instigada pelos pastores em nome da bíblia) protestantes as vésperas do século XIX. Ele concluiu como Celsius, que apesar das aparências, a cultura papistas era mais tolerante. Cerca dos anos 20/30 foi a vez do velho Moleschott, abandonar a querida Holanda protestante e instalar se a metros do Vaticano i é em Roma, onde pode confortavelmente professar e divulgar seu materialismo.

Quanto a Darwin, passados século e meio, o terrorismo protestante ou criacionista está longe de cessar. Nem se trata aqui de introduzir Deus como motor ou dirigente do processo evolutivo, como alegam os ateus e materialistas por ingenuidade ou má fé, mas de afirmar e impor, como dogmática e indiscutível a letra do Genesis e isto mais de quinze séculos após Agostinho de Hipona ter composto o clássico Genesis ad Literam... Do que resultou, nos anos vinte do passado séculos o infame 'Processo do macaco' contra o professor Scopps, em pleno Estados Unidos!!! Quanto aos que enchem a boca pata falar sobre o index papal temos de dizer que em pleno ano de 1860 foi vedada a entrada da 'Origem das espécies' no Trinity College... Isto sem contar o fiasco de Wilbeforce. Imaginem só o estado de tensão que desabou sobre aquela Cristã sincera chamada Emma, sem que Jesus ou o Evangelho o sugerissem i é  apenas devido a caturrice dos pastores judaizantes e a sua teologia ultrapassada da inspiração plenária ou do Corão Cristão, que ainda hoje teimam opor não apenas a Darwin mas a ciências contemporânea como um todo e isto a ponto de se terem precipitado no terraplanismo e no geo centrismo, pois querem tudo retroceder não a fase anterior a Copérnico mas ao Israel do século VII a C, a plena barbárie anti científica após todo caminho percorrido pela ciência desde Tales ou ao menos destes cinco últimos séculos. O protestantismo desconsidera tudo isto, e nem a embriologia, nem a cladística, nem o estudo comparado dos fósseis abala seus aderente.

Nos catolicismos Ortodoxo, romano ou anglicano temos - Triste é admiti-lo - criacionistas, e contumazes. Tais comunhões todavia não se apresentam como criacionistas. No protestantismo ativo de nossos dias temos a Torre de vigia e o adventismo com suas organizações e edições falaciosas, além de imenso número de divulgadores. Imagine agora a situação do pentecostalismo, cujos membros de modo geral nada sabem ou podem saber sobre ciência ou evolucionismo, por serem tais elaborações sacrílegas ou blasfemas e ponto, porque esta na bíblia ou o pastor falou, e não se questiona ou argumenta por se pecado, punido com castigos eternos. A que estão destinados todos os evolucionistas, marxistas e freudianos, a maior e melhor parte.

Que dizer agora a respeito de K Marx, homem honestamente equivocado quanto a seus pressupostos, método, reduções e propostas futurísticas ou normativas (Como o Comunismo)? Basta dizer que nos EUA é o prato principal dos pastores fabricantes de fabulas em conflito com a Lei divina. Afinal, por mais que discordamos de sua proposta - O comunismo (Não de sua análise das estruturas capitalistas ou de sua posição crítica) isto não nos autoriza a julgar sua pessoa e menos ainda a calunia-lo da forma mais vulgar, grosseria que foge não apenas ao Evangelho mas a qualquer Ética naturalista que se preze. SEGUEM no entanto os pastores que vivem de dízimo ou rápida, denunciando o trabalho intelectual desse autor ( A que chamam vagabundo diante do espelho!) ou simplesmente declarando que era um satanista ou adorador de Belzebu!!! O que só vem a relevar a natureza do sectarismo protestante...

Basta dizer que os protestantes de modo geral são ferozmente anti evolucionistas ( É não apenas anti darwinistas, nem Lamarck ou St Hilaire servem para eles), anti marxistas e anti freudianos, levando sua cruzada fundamentalista até a raiz das árvores i é até Copérnico... Equivalente disto temos somente no islamismo sunita mais virulento, de Hambal, Wahaab, etc Os nossos protestantes todavia não se acham na periferia da Civilização mas em seu bojo.

Meu objetivo aqui não foi nem é ocultar as limitações, vícios e mazelas da organização que assassinou Giordano Bruno, mas demonstrar que a consciência dos Católicos de modo geral, sempre foi mais aberta e flexível do que a mentalidade do protestante ortodoxo ou sectário de matriz calvinista ou pentecostal com seu paradigma da bibliolatria. A bem da verdade a própria cúpula da ICAR parece ter sido bem mais tolerante do que a multidão de seitas protestantes onde tiveram estas acesso ao poder político. ESTAS sempre se mostraram impermeáveis ou inacessíveis as formas mais desenvolvidas do conhecimento científico, pelo simples fato de sua religião, a bíblia, ser criticada ou sofrer restrições. ESSENCIALMENTE. Fetichista e mágico como o antigo testamento que Ad Literam idólatra e prisioneiro dessa caixa, não pode nosso sectário compreender ou aceitar o mundo natural seja nos termos de um Copérnico, de um Agrícola, de um Stenius, de um Rousseau, de um Darwin, de um Marx, de um Weber ou de um Freud... ou conceder mínimo espaço ao naturalismo, pois está fora de seus padrões mentais e exaspera-o, suscitando um furor destrutivo ou iconoclastico.

As massas que ora fabricamos não conseguem ultrapassar o padrão baixo e fetichista das partes menos nobres do Antigo Testamento. O que até mesmo os judeus modernos lograram fazer. Eles não conseguem superar os moldes ou limites da Tanak e muito se assemelham aos criticos de Anaxágoras ou Sócrates como Diopeites e Licon, homens culturalmente superados na Grécia do século V a C.

A consequência prática se tudo isto é que nossos liberais, cientificistas, comunistas, anarquistas, etc perderam o trem da História por não terem sabido aquilatar o significado e os riscos do protestantismo enquanto biblismo ou doutrina de inspiração plenária que autoriza um livro a julgar todas as coisas ou conhecimentos inapelavelmente. Até hoje desconsideram o aspecto virulento dessa fé e por isso estrategicamente tem mirado no alvo errado ou chutado cachorro morto. Comportando-se como aliados ingênuos do protestantismo teem dado sucessivos tiros nos próprios pés ou cometido suicídio.

Já está mais do que na hora de rever essa postura incoerente, não no sentido de blindar o papismo ou qualquer setor dos Catolicismos, mas, de trazer a luz as obras do protestantismo ao invés de ignora-las ou de oculta-las. Como ex protestante e pesquisador garanto que são mais amplas e graves. Vamos testar???

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

J J Rousseau, o pedagogo II

É como já escrevi, se procurar os fundamentos mais remotos do Escolonovismo, vai encontra-los ou topar com eles, no Emílio.

A ideia do conhecimento como etapista, concreto, empírico, etc já lá esta no pensador genebrino.

E no entanto Rousseau é maior do que tudo isto e a tudo isto ultrapassa pelo simples fato de ter, a exemplo de Quintiliano e de Vitorino da Feltre, e de Vives, enxergado a criança como pessoa, assim com necessidades, anseios e direitos.

Até então, como lemos na obra magistral de Ariés, era a criança vista como um adulto miniatura, assim alguém cuja missão era, desde a mais tenra idade, aprender a comportar-se como um adulto assimilando as maneiras do adulto e, tendo inclusive de pensar como ele. Era todo um antecipar a vida adulta ou preparar-se para elas, sem que se cogitasse na condição peculiar da criança, em seu bem estar, em sua felicidade ou em seus direitos.

Rousseau, aos modos de um Copérnico ou de um Marx, inverte este esquema falacioso de ponta cabeça. E opina que a criança tenha direito a ser o que é i é, a ser criança. E algo assim, tão simples quanto óbvio, causou escândalo imenso, como só causariam Marx, Darwin e Freud... Em tudo isto J J Rousseau foi um revolucionário, e seus livros - Queimados em diversos locais - fizeram as vezes de bombas ou carabinas, explodindo nas mentes...

Claro que aquela educação artificial, cujos ideais eram frustrados pela própria natureza, só podia ser muito raramente implementada ás custas de muita porrada ou violência, e ninguém cogitava em educar sem punir fisicamente ou melhor sem surrar. O resultado de tudo isto podemos calcular em neuroses, bloqueios, melancolia, etc Aquilo era o inferno da criança e só podia justificar-se graças a falsa religião ou melhor a uma falsa doutrina inserida no corpo da religião, assim o agostinianismo, conhecido por calvinismo ou jansenismo... Segundo esta doutrina maniqueísta era o homem um ser ontologicamente mau e corrompido desde a mais tenra idade ou melhor desde sua concepção. A natureza humana era vista por estes fanáticos e sectários como essencialmente má. Setores inteiros dentro da igreja romana endossavam esta triste opinião, para não falarmos no protestantismo, cujo criador, Lutero, era monge agostiniano e admirador confesso do Bispo de Hipona.

Devia portanto, a vontade má da criança, ser corrigida desde cedo por meio da disciplina, compreendida em termos de castigos corporais. Era um autêntico desfile de instrumentos de tortura, dos quais destacava-se a famigerada palmatória, utilizada pelos 'educadores' até cerca de meio século atrás. Para alguns pensadores da educação, com sua moralidade judaico/puritana e seu currículo anti natural. abdicar das surras era lesar o ato educativo. Pois perversas ou pervertidas eram as crianças.

Adianto já nestas linhas, que aqui não assumo a posição de Rousseau ou dos neo freudianos e psicologistas, anarquistas, etc para os quais todo e qualquer castigo deva ser abolido. Educar é e sempre será moldar, formar, alterar, etc pelo que castigos e punições ou o simples uso da autoridade, sempre será necessário. O que questiono são os castigos arbitrários, derivados de tabus sem sentido e sobretudo os castigos físicos ou surras.

A franqueza obriga-nos a esclarecer o óbvio - Educar eticamente ou formar para a convivência implica dar limites, orientar, apontar direções comuns a serem seguidas e sempre que necessário castigar ou privar de algo, como o pleno exercício da liberdade ou o convívio.

Entre esta noção realista e a fé monstruosa dos agostinianistas nos castigos vai um abismo. Julgamos professar o meio termo, entre o permissivismo absoluto e o emprego da força física.

Reconhecemos no entanto o papel de Rousseau e seu grupo quanto a superação dos abusos físicos ou do terrorismo pedagógico, inda que não poucos membros do grupo tenham caído no extremo oposto, se conformado com a natureza e deixado de educar. Acompanhar ou orientar é diferente de conformar, quando nos conformamos não alteramos, e quando abdicamos de alterar não educamos.

Aplaudimos J J Rousseau por ter dado a criança um lugar ao sol, por ter apontado suas limitações estruturais/temporais, por ter afirmado seus direitos e postulado sua realização enquanto criança, salientando sua relação com o lúdico. Uma criança deve prioritariamente divertir-se, distrair-se, brincar... E não ser tratada como um adulto, assim preparada para o mundo inumano do trabalho ou para a rotina da pesquisa ou da reflexão intelectual. Há, é claro, que se chegar lá, mas ao devido tempo, sem pressa ou atropelamento... As etapas e fases físicas e psicológicas, deverão ser sempre respeitadas.

Impedir tais alegrias a criança ou remove-la precocemente deste mundo infantil é crime inexpiável contra natureza, em que pese ser frequentemente cometido e em nome da economia ou do progresso material e da civilização. Melhor seria produzirmos o lixeiro feliz de Neil ou de Masi, homem realizado e sem complexos do que o burocrata ou funcionário triste, acabrunhado e infeliz. De fato, ingrato seria sacrificar pessoas a um ideal duvidoso de civilização, fazendo com que desde jovens conformem-se com ele ou acomodam-se.

Há que alfabetizar e ensinar a ler, e a calcular; porém a seu tempo, sem violar a natureza e se possível for delicada e alegremente.

Outro aspecto importante a ser salientado, quanto ao pensamento roussoniano, é o contato da criança com o mundo natural ou ecológico i é com os animais e as plantas, com o mundo rural ou o campo. A psicologia atual só vem a confirmar este aspecto vital  da formação da pessoa humana. Neste sentido a figura do Robison Crusoé é exponencial, em que pese a utopia romântica do homem ilha isolado da espécie ou da Sociedade.

Mérito seu também insistir sobre a necessidade do recém nascido ser amamentado pela mãe e ocioso enfatizar os aspectos psicológicos e somáticos desta prática. Assim como livrar as pequeninas crianças dos cueiros ou do excesso de roupas. Afinal Rousseau não pode deixar de perceber a importância do movimento ou do aspecto motor para o desenvolvimento físico e psíquica no nascituro. Ainda aqui foi ele a um tempo profético e a outro revolucionário, convulcionando a práxis educacional até suas bases.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

J. J. Rousseau, o pedagogo.

Poucos sabem que é na verdade este Blog. O qual não passa de um Diário íntimo, bloco de anotações ou resenha de leituras. O qual escrevo antes de tudo para mim mesmo, tal e qual as madames D Stael e Swetchine.

Como um culinarista, perfumista ou decorador tudo vou misturando de modo a produzir novos pratos, coquetéis ou ambientes. Por isso vou combinando o que leio com o que já li e busco salientar os elementos comuns que existem nos diversos autores. De fato associar e comparar os componentes de toda esta bagagem é meu passa tempo predileto.

E cá vou misturando Tasso, Afrânio Peixoto, Humberto de Campos, Brito Broca, Rodó, S Hipólito, Orígenes, Diógenes Laércio, Dielz, Mondolfo, Sciacca, Bloy, Mounier, Maritain, Berdiaeff, Belloc, Laski, V G Childe, Woodlock, Gray, Kirk, Dawson, Van Paasen, R B Downs, Nisbet, Q Skinner, Papini, A Piccarollo, Munford, Ashley Montagu, Calmon, Crane Brinton, De Rugiero, etc Platão, Aristóteles, Agostinho, Erigena, Aquino, Marsiglio, Vitória, Las Casas, Erasmo, Descartes, Bodin, Cervantes, Shakespeare, Hobbes, Spinosa, Defoe, Swift, Beccaria, Moliere, Verri, Voltaire, Browson, Herbart, Mill, Spencer, Marx, Wundt, Droysen, Wellhausen, Darwin, De Vries, Freud, Jung, Otto, etc E vejam que sopa ou salada...

Hoje o prato do dia é o merecidamente celebre genebrino J J Rousseau, a respeito de cujas opiniões políticas escrevemos já inúmeras vezes.

Recordo ter lido o primeiro ensaio sobre Rousseau logo após minha conversão a Igreja de Roma e portanto pelos idos de 1992 ou 93, quando tinha dezessete ou dezoito anos, curiosamente dizia respeito a Educação e ao psicologismo, assim as correntes pedagógicas contemporâneas, traçando paralelo com o freudianismo. Focava ainda no tema dos castigos e punições, assim dos castigos físicos, havendo um nítido ranço agostiniano que já me causará mal estar. A insistência no falso conceito de pecado original, em seu sentido ontológico ou metafísico era marcante e sabia aquela pedagogia jansenista descrita por Hubert na História da Educação...

Em seguida i é alguns anos depois, li um artigo sobre o mesmo tema composto por um autor espírita, este bem mais equilibrado. Seja como for não retenho mais os nomes de tais críticos ou expositores. Os demais artigos - De Nisbet, Piccarollo, Mosca, etc eram antes de tudo políticos e consagrados ao Contrato social e conceito de vontade geral, pouco havendo ali de propriamente pedagógico.

Li menos Rousseau do que Voltaire. Afinal li "Deus e os homens" em sua totalidade. De Rousseau havia lido apenas o primeiro capítulo do Contrato, o Ensaio sobre as artes as ciências e o progresso da humanidade e alguns capítulos do Emílio, isto porém em meus tempos de universitário. Desconhecendo quase que por completo as obras de Pestalozzi, Claparede, Ferriere, Piaget e outros, assim o significado do escolonovismo, como poderia avaliar tão importante obra?

E no entanto faz-se mister ler o Emílio em sua inteireza. Embora antes talvez seja bom ler um manual de História da Educação como os de Luzuriaga ou F Mayer. Isto para fazer as devidas conexões - Não é por acaso que J. Piaget e P. Viver eram suíços e Claparede e A. Ferriere eram genebrinos. O que remete a tradição pestalozziana, de Yverdon, a mesma Yverdon por onde passará Rousseau então perseguido.

Da simples leitura do Emilio ressaltam os fundamentos mais remotos do escolonovismo com sua insistência na empiria ou no modelo científico experimental.

Assim a ideia tão cara aos piagetianos de que errar faz parte do processo e que a forma ou hábito do conhecimento se da sempre por acerto e erro. Ideia está atrelada aquela segundo o qual o verdadeiro educador não deve despejar o conhecimento teórico no aluno a faze-lo decorar fórmulas ocas mas gerenciar ou produzir situações problemas, que estimulem a curiosidade do educando e o façam refletir. Aqui o papel é mais orientar do que fornecer ou discursar.

É bastante provável inclusive que este tipo de postura reflita a postura do grande Sócrates, o qual duvidava bastante da formação teórico discursiva oferecida pelos sofistas e propunha um método dialético que considerasse a bagagem do educando e sua capacidade racional para compreender. Alias Rousseau destacou se justamente por, a exemplo de Sócrates e Platão, ter compreendido o papel fundamental do processo educativo para qualquer tomada de consciência. E é claro que estamos falando duma educação ativa e não bancária (Freire).

Da mesma maneira pode Rousseau perceber que a cognitividade humana conhece determinadas fases naturais, posteriormente classificadas por Decrolly, Wallon, Piaget e Vigotsky.

Continua.