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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Reflexões ecológicas - O Capitalismo e o meio natural... Para onde nos encaminha o sistema vigente ou a 'desordem' estabelecida...

Já me referi ao discurso dos Aristotélicos sobre o planeta como sistema fechado e recursos necessariamente finitos ou limitados. E também ao genial J S Mill e a doutrina da economia estacionária.

Decerto que o liberalismo econômico partilha do mesmo otimismo presente no positivismo\cientificismo, e que segundo E Troeltsch A C Grayling, não passa de resíduo secularizado do Cristianismo. O que por sinal devemos ao iluminista francês Condorcet.

Condorcet porém, ao contrário de Malthus, não parece lá se ter impressionado muito com a finitude do mundo... Dando largas a imaginação e a fantasia. Para ele o progresso seria linear, continuo e infinito. 

Temo portanto que bilhões de pessoas com aspirações ambiciosas ilimitadas não estejam em sintonia com a finitude dos recursos naturais. Pois aspirações sem controle ou regulação, aspirações demasiado amplas e livres, convertem-se bastante fácil em explotação descontrolada.

E enfim, a explotação descontrolada - resultante do excesso de população e da disputa pelo espaço com um meio natural quase sempre incapaz de defender-se, conduziu-nos a beira do abismo ou da sexta extinção em massa, a qual será antrópica ou provocada pelo único animal que ousa fazer alarde de sua racionalidade.

Estamos falando portanto no suicídio da espécie, uma vez que a meta posta pelo capitalismo: O máximo possível de acúmulo, por parte de uma multidão de seres humano, num cenário de livre disputa ou concorrência, é absolutamente irracional, inda que os meios sejam perfeitamente racionais. O fim ou a meta continua sendo clamorosamente irracional num sistema fechado e finito. 

Nada de catastrofista e muito menos de utópico - Pois sucedeu-se já, se bem que em escala menor, na América, entre os Maias, os quais para erguer e decorar suas soberbas pirâmides escalonadas, esgotaram seu entorno > A cal dependia das fogueiras, as quais dependiam das madeiras, as quais dependiam da floresta, assim as plantações... Eliminadas as florestas cessaram as chuvas e, consequentemente a produção de alimentos, advindo a fome, as epidemias, as guerras e o fim desta tão avançada civilização.

Sucede, no entanto que os Maias não tinham a mínima ideia sobre o ciclo da água ou sobre a dinâmica da natureza, sendo portanto incapazes de prever, planejar e evitar. Nós no entanto estamos a par até mesmo da extensão e do peso da terra... Sendo perfeitamente capazes de prever as consequências de nossas ações.

Está nossa realidade posta de modo bastante claro: Um sistema individualista, materialista e irracionalista (Pelo que temos reproduzido aqui dois aspectos do protestantismo: O individualismo e o irracionalismo.) está conduzindo a espécie humana a extinção. 

Ao estimular a multiplicação da espécie que satura já o planeta e a satisfação das ambições desmesuradas de cada representante seu, protestantismo e capitalismo decretam a destruição do mundo natural i é a eliminação da fauna e da flora, das matas, florestas, bosques e daqueles que os povoam. 

A tendência levada a cabo pelo economicismo é cobrir o espaço como um todo i é todo solo do planeta com uma camada artificial composta por cimento e pedra, alumínio e vidro, plástico e borracha. A qual partindo do centro de cada cidade se vai estendendo, até conectar-se no que chamamos de megalópoles ou conurbações. A acelerar-se um tal ritmo em mais alguns milênios não mais restará palmo descoberto de terra em nosso planeta, ficando ele completamente encerrado numa capa fabricada por nós.

A bem da verdade, antes que tal designío seja consumado, teríamos também nós encontrado a morte certa em meio aos resíduos de nossa atividade ou dessa poluição que contamina águas, terra e ar, envenenando e, no devido tempo, matando. Pois como haveremos de respirar um ar empesteado por CO2... beber água misturada com mercúrio... ou pisar uma terra encharcada por nossos próprios dejetos... É de fato uma perspectiva terrível.

Porém os conspiracionistas não se abalam e as aspirações do liberalismo econômico se apresentam irredutíveis e inconciliáveis. 

Cada qual julgue esta dada situação a partir de seus princípios e valores e, eu, tenho os meus muito bem pontuados, oriundos já da Filosofia socrático\aristotélica, já do Evangelho de Cristo (Não dessa 'coisa' chamada bíblia.), já do Cristianismo antigo, histórico, apostólico... e coordenados pela razão, na qual com toda segurança confio.

E meu juízo é um juízo negativo e condenatório.

Não vejo como a crença em que Deus se fez carne ou assumiu nossa condição. De que Deus tenha querido encarnar-se neste mundo natural e material. De que Deus tenha santificado este mísero grão de pó com a intensidade de sua presença e que estejamos a depreda-lo. 

Poderia acrescentar ainda que malbaratar milhões de espécies viva, de animais e vegetais - Enquanto resultados de um processo evolutivo que toca centenas de milhões ou mesmo um bilhão de anos é uma atrocidade. Dada a singularidade, a utilidade e provável beleza de muitos destes seres.

Consiste por um lado em destruir as expressões ou manifestações da mente divina e por outro em extinguir um espaço visitado e santificado por aquele que chamou-as a existência por meio da Evolução. Autêntico sacrilégio.

Tendo em vista que cada ser existente é um projeto da mente divina e que nosso Deus assumiu uma condição material neste mundo é grave dever nosso respeitar essa mãe natureza e respeita-la como se um santuário fosse. Ao invés, de guiados pela cobiça converte-la numa imunda carcaça - Fazendo o papel nojento de vermes pululando sobre ela...

Ademais um ser não merece respeito apenas por ser racional ou livre, ou mesmo inteligente e sim porque o ser racional é capaz de perceber a totalidade das coisas, avaliar as conexões e atribuir-lhe importância segundo a posição que ocupa no conjunto. Posto que tais seres formam uma cadeia ou teia na qual estamos inseridos e a qual pertencemos.

Ainda utilitária ou pragmaticamente, tendo em vista a função voltada para o conjunto, tais seres precisam ser respeitados e nossa continuidade enquanto espécie depende sim dessa atitude ética que é o respeito. Assim aqueles que explotam ao máximo essa mesma natureza, ultrapassando os limites da prudência e visando apenas o lucro sórdido ou o vil metal, prestam um deserviço a espécie e colocam-na em risco.

É uma profanação absurda, decorrente de nossa miséria e insaciedade interior. De fato apenas o Sagrado ou o plano espiritual é capaz de satisfazer plenamente nossas aspirações, de saciar nossa sede, de preencher nosso interior, de completar nosso ser e de conduzir-nos a uma sóbria serenidade ou temperança. Somente a partir de um tal estado de espírito é que nossa consciência assoma as alturas para que foi posta, impondo equilíbrio e moderação em nosso trato com o mundo externo ou com as coisas.

Tentar substituir a fonte do ser enquanto posse do ser jamais deu ou dará certo. Nem poderia a posse de todo este universo limitado substituir a posse do ilimitado e infinito porque aspiramos ou suprir nossa vacuidade interior. O materialismo associado ao ateísmo será sempre incapaz de aliviar nossa inquietude, inquietude que nos dispersa entre os objetos materiais com a ânsia de acumular.

Todo esse burburinho em torno da acumulação ilimitada, ainda que potencializado ou mesmo ativado pela cultura, parte em última análise de nossa condição, de nosso interior ou de nós mesmos e acaba sendo alimentado pelo ateísmo, pelo materialismo, pela negação da espiritualidade, pelo fetichismo, pela ignorância e pela miséria... Tudo isso estimula nosso apetite insaciável pelo mundo e se opõe a vida média.

Deve assim o Cristão, por o dedo no fundo da chaga purulenta e condenar a totalidade deste movimento em cada uma de suas expressões.

Não podemos aceitar, batizar e abençoar um sistema como esse: Que por tirar proveito do ateísmo e da irreligiosidade, promove-os sorrateiramente por meio da mídia - Objetivando, como já foi dito, estimular ainda mais o consumo. Nobre leitor, desculpa a rude franqueza mas é o consumismo irrefletido, num mundo finito, muito mais perigoso do que o comunismo ou que o fantasma do comunismo e, é esse consumismo vulgar e grosseiro, esse desejo pelo supérfluo, esse gosto pelo excedente que está a destruir o planeta.

Não me contentando em declarar com Henry George, que o delírio em torno do consumo, e, em seguida, o excesso é que produz a carência, o desequilíbrio, a desigualdade, a injustiça e a miséria; direi que esse delírio está já a fazer buracos no mundo como vermes fazem furos num queijo.

Então não mais podemos aceitar esse estado de coisas engendrado pelo capitalismo e tributário, em última análise, do individualismo protestante.

Seremos nesse caso comunistas ou bolchevistas, como afirma essa corja de pastores protestantes 'made in EUA'... 

Julgue o leitor sensível e inteligente as nossas palavras: Precisamos transcender o individualismo, precisamos vencer o ateísmo, precisamos questionar o materialismo e seu papel, precisamos refletir sobre o consumismo e a necessidade, precisamos nos reencontrar, precisamos analisar sem preconceitos o nosso passado e as nossas tradições, precisamos cultivar uma ética não especista ou holística em torno do respeito. E avalie se semelhante pauta faz parte da ideologia comunista e quais possam ser suas fontes.

É honesto desafio que faço a cada um de vocês.

Pois sequer estamos nós em tempos de socialismo ou de malthusionismo puro porém de ecologia e ecologismo. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ainda a alienação - Formas ideais

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Dando continuidade ao elenco de alienações ideais elaborado por nós no artigo anterior, acrescentamos algumas outras formas:

1) O fixismo ou imutabilismo social.

Esta forma de ocultação da realidade consiste em imaginar ou supor que a organização social por nós vivida sempre tenha sido assim em todos os tempos e lugares, ignorando a existência de sociedades não capitalistas tanto no passado como no tempo presente.

Evidentemente que ela decorre de um padrão de pensamento bastante comum entre as pessoas mais simples e desinformadas, as quais sequer podem imaginar o mundo ou a vida sem os objetos e coisas que são próprios do nosso tempo. Daí nossos jovens imaginarem que os celulares ou a Internet sempre existiram. Já os que pertencem a nossa geração tem imensa dificuldade para conceber um mundo sem aviões ou automóveis; mesmo sabendo que o avião foi intentando em 1911 e o automóvel por Benz e Daimler pelos idos de 1889. Nossos bisavós nasceram e viveram um bom tempo sem automóveis e aviões (minhas bisavós nasceram em 1870 e 1875) e nossos ancestrais sem trens ou navios a vapor... E no entanto, como disse, nos comportamos todos como se tais aparelhos sempre tivessem existido.

E pensar que o fósforo, o papel, a sela, a ferradura, o vidro e a escrita... tudo teve de ser inventado. E que antes de terem sido inventados inexistiam. Sem que por isso as pessoas praticassem harakiri ou se suicidassem. Como não nos suicidaremos caso os celulares ou a internet deixem de existir. No caso da Internet sua desaparição constituiria uma tragédia em todos os sentidos, algo equivalente a desaparição da imprensa. Mas mesmo assim a maioria de nós sobreviveria a seu fim, bem como ao da TV, do rádio e da própria imprensa. A cultura declinaria certamente e passaria por maus bocados, mas não morreríamos por isto... Tempo houve em que os homens viveram ser arado, torno e roda. Como nossos ancestrais mais remotos haviam sobrevivido sem cerâmica, cabanas, roupas ou mesmo o fogo. Afinal tudo começou com uns toscos implementos de osso e madeira e em seguida de pedra lascada há alguns milhões de anos.

Também as formas de organização social precisaram ser reinventadas ou reformuladas em diversas ocasiões. A própria estrutura familiar conheceu o matriarcado, a poliandria, a poligamia, o patriarcado, a dissolubilidade, etc até chegar a constituir-se no Ocidente, por influência do judaísmo farisaico em algo como patriarcal, monogâmico e indissolúvel. Diversas civilizações e culturas no entanto jamais assumiram semelhante forma, assim entre os muçulmanos prevalece a poligamia até o tempo presente.

Diga-se o mesmo quanto a produção e distribuição de bens. Nada mais absurdo do que supor que sempre vigorou a doutrina do livre mercado. A qual principiou a impor-se no Norte da Europa Ocidental após o fim da Idade Média, espalhando-se paulatinamente por todo este continente ao cabo do século XIX, afirmando-se nos EUNA (os EUA) no final do mesmo século e a partir do século XX alastrando-se pelo mundo inteiro. Antes que esta nova ordem desse os primeiros passos pelos idos do século XVI ou XVII vigorava naquele mesmo cenário e por quase toda Europa (França, Alemanha e parte da Itália) a Ordem feudal ou estamental. Do mesmo modo como ainda hoje existem pelo mundo diversas culturas que jamais atingiram algo parecido com a ordem feudal, quanto mais a ordem liberal economicista...organizando-se economicamente doutro modo.

Os paladinos e apologistas do sistema capitalista classificarão muito facilmente todas estas culturas, sociedades e civilizações tal e qual classificam a Idade Média, como algo precipuamente atrasado ou como um palheiro de trevas... E no entanto qualquer aborígene poderia responder-lhe dizendo que ao menos eles, os primitivos, os rudimentares, os atrasados, etc não fabricavam fomes. Conheciam a calamidade da fome, mas não a manipulavam intencionalmente. Poderiam dizer ainda que se não conheciam as grandes fortunas, tampouco conheciam situações de miséria. E que se não produziam ciência tampouco vendiam ou negociavam seus resultados, excluindo considerável parte dos cidadãos quanto a sua fruição...

Tudo quanto quero dizer é que se os marxistas pecam gravemente contra a verdade na mesma medida em que tendem a encarar as Idades primitiva, antiga e média em termos de relações burguesas, continuam reproduzindo vícios, quimeras e mitologias engendradas pelo próprio liberalismo econômico, o qual não poucas vezes pretendeu afirmar-se como algo sempre presente no cenário da História. No entanto é absolutamente certo que os primitivos, os antigos e os medievais jamais conheceram a forma capitalista de produção e organização ou as categorias de classe, salário, burguesia, capital, etc enfim um ideal economicista de existência. Embora as relações econômicas existissem - o que é obviedade de minha parte - jamais lograram absorver as demais esferas da sociedade ou mesmo sobreporem-se a elas de modo tão cabal. Certamente havia exploração, opressão domínio mas não de natureza necessariamente econômica. Nas Sociedades primitivas ou antigas nem sempre o poder esteve associado ou subordinado aos interesses de ordem econômica. Havia ali outro sentido e outras formas de regulação no que tange a ordenação do poder. Castas, estamentos e outras categorias sociais do passado não podem ser encaradas como sinônimo de classe ou postas em relação direta com necessidades ou valores de natureza econômica. Cf Polanyi 'A grande transformação'

Resta-nos concluir que se a Sociedade Ocidental nem sempre foi capitalista, pode naturalmente vir a deixar de se-lo, pelo simples fato de inexistir qualquer vínculo essencial entre a organização social e os moldes capitalistas de produção, podendo esta Sociedade vir a atingir qualquer outra forma.

É exatamente esta conclusão óbvia que exaspera os adeptos do sistema, os quais não menos que os místicos comunistas encaram a própria ordem capitalista como um 'fim da História' (Fukuiama) em termos de algo definitivo e insuperável. Havendo inclusive que deplore o capitalismo e considere-o como insuperável apostando no fim da Civilização ou melhor da humanidade. Assim a evolução social nos teria conduzido a este beco sem saída. T S Elliot era um destes que associava o capitalismo ao desencanto ou a quebra da magia e que ao mesmo tempo não acreditava que era possível vence-lo. Outros como, o grande Berdiaeff, notável critico do sistema, chegaram a flertar com o catastrofismo escatológico, resíduo judaico, ainda hoje presente na maior parte do Cristianismo sectário.

Diante de tudo quando registramos no parágrafo anterior fica bastante fácil compreender o porque do apelo obstinado dos liberais ao imutabilismo. O qual conseguiu intoxicar as mentes de não poucos intelectuais ao menos até 1858, quando Ch Darwin, o sempre odiado Darwin, vibrou-lhe tremendo golpe pelo simples fato de aniquilar os fundamentos mais remotos da concepção fixista, tributários do pensamento fetichista e da mitologia judaica, assumidos até então pela generalidade do Cristianismo. No momento em que Darwin demonstra biologicamente o fato do transformismo ou do evolucionismo, impondo uma concepção a um tempo natural e a outro dinâmica em termos de botânica e zoologia, torna-se evidente que esta concepção havia de transladar-se para todas as esferas da existência humana, assim da organização social, o que de fato foi verificado e confirmado pela ciência histórica. Expurgado do seio da Biologia como fruto de uma intromissão indevida, o fixismo perdeu todos os seus créditos, inclusive nos domínios da História, passando a ser encarado com o sinônimo de estupidez.

Nem por isso parte dos apologistas dos sistema pode fugir a tentação de apresenta-lo como onipresente e imutável aos bípedes comedores de alfafa que fazem parte de seus rebanhos... Lamentavelmente as pessoas simples continuam deixando-se levar pela imaginação, na mesma medida em que não conseguem desprender-se da crença fetichista no criacionismo. Donde topamos mais uma vez com os tentáculos do fundamentalismo religioso e sectário, cujo fim é impedir as massas de pensar...

2) No entanto tal e qual se diz que dos ossos da quimera brotaram guerreiros ou que das cinzas de uma ave sai outra ave, das cinzas do criacionismo ou melhor de seu oponente que é o evolucionismo, sobretudo sob a forma acanhada do darwinismo crasso brotou nova forma de alienação, destinada mais uma vez a narcotizar os intelectuais sem consciência ética.

Claro que nos referimos ao darwinismo social, doutrina ainda hoje bastante popular entre os anarco individualistas, ANCAPs ou mesmo entre os simples liberais economicistas.

Não ignoro que o novo sedativo ideológico ou que a nova arma destinada a propaganda, tenha sido forjada por Herbert Spencer e não por Ch Darwin. A própria expressão tão exaustivamente discutida 'Sobrevivência ou triunfo do mais apto' foi cunhada pelo pensador e sociólogo de Derby. Diante disto um imenso número de cientistas darwinistas tem se esforçado para livrar a barra do santo padroeiro da Evolução... Não são apenas os papistas, os protestantes, os comunistas, os fascistas, etc que possuem hagiografia, como diz Crane Brinton. Também os cientificistas ou evolucionistas ortodoxos tem sua hagiografia e ao que parece não menos capciosa e desonesta até a manipulação. Que digo, mesmo alguém do relevo de um Kropotkin (Em sua obra clássica 'O apoio mútuo) esforçou-se por apresentar Darwin como oponente ou ao menos indiferente as fanfarronices de Spencer, em cujos braços depositava o filhote.

Sucede todavia que na ulterior edição de 'A origem das espécies' o próprio Darwin assume o polêmico termo cunhado por Spencer, o qual posteriormente será sempre compreendido como sinônimo de 'sobrevivência do mais forte'. O mais apto é o biologicamente melhor constituído fisicamente e em termos de força. Pois Darwin ao contrário de De Vries jamais concebeu o conceito chave em matéria de evolução, a saber as mutações. Ora as mutações implicam certamente desvantagem ou vantagem, mas não necessariamente em termos de força. Não se trata de competição entre seres estruturalmente iguais em termos de força física como decorre da doutrina de Malthus repisada por Darwin. A luta por alimento entre seres estruturalmente iguais, e que é muitas vezes decidida pela força mas nem sempre, nada tem a ver com a evolução, pois não é ela o objeto da seleção natural. A seleção natural seleciona mutações.

Claro que Darwin deixando-se iludir pela seleção artificial chegou a imaginar que a seleção natural por sí só entre exemplares estruturalmente idêntico produziria as variações estruturais ao cabo das quais surgiriam novas espécies. Ora este viés, que ignora o verdadeiro objeto da seleção natural, i é as mutações (Se genéticas ou radioativas não nos vem ao caso) jamais superou a visão anterior que é Lamarckista e confere a seleção natural um aspecto ou poder mágico.

No frigir dos ovos da hipotética guerra continua imaginada por Malthus em termos de disputa por alimento entre seres da mesma espécie ou de espécies diversas nada sai. Ela é por definição estéril e improdutiva. Não é a fonte da evolução.

Importa saber se ela corresponde a seleção natural, enquanto elemento que testa as mutações. Isto no entanto não é objeto de um ensaio sociológico ou filosófico.

O que desejamos saber é se Darwin apoiou ou não Spencer e se em alguma ocasião pronunciou-se sobre a ideologia social que ela seu nome.

Quanto a Spencer é bem sabido, que apesar das invectivas do citado anarquista russo, Darwin referiu-se a ele ao menos uma vez em termos mais do que lisonjeiros, alcunhando-o como 'Nosso grande filósofo'. Elogio rasgado que jamais dirigiria a alguém que tivesse falsificado sua doutrina. Claro que aqui sempre podemos permanecer nos limites da Biologia e da controvérsia amarga a respeito do sentido da expressão por ele criada... Precisamos portanto saber se Darwin alguma vez ou em algum momento aludiu ao tema do darwinismo social.

Topamos precisamente com tais alusões no livro 'A origem do homem' sobretudo a respeito da descoberta da vacina e do esforço gasto pelos Cristãos com o objetivo de assistir aos deficientes físicos e mentais. Darwin estabelece uma crítica que partindo de sua concepção de seleção natural conclui pela degeneração da raça enquanto movimento inverso ao do movimento evolutivo. Todo darwinismo social esta contido formalmente em tais premissas.

Já dissemos que o darwinismo social tem pé manco ou de barro por ter Darwin como lamarckista incorrigível que era concebido a Seleção natural em termos de força ou fator único e mágico; o que vai contra tudo quanto aprendemos em termos de genética. Daí a necessidade de De Vries ter vindo em socorro da explicação darwiniana e de que fosse elaborada uma teoria sintética que considerasse a genética e incluísse o fator estocástico das mutações, no caso o elemento criador por assim dizer. A seleção natural testa o que é produzido pelas mutações ou as diferenças estruturais aparecidas nos indivíduos de uma mesma espécie.

Já quanto ao elemento estável, que é a seleção natural, tudo quanto podemos dizer é que embora deva ser compreendida enquanto situação problema, e na natureza não faltam situações problema, ou de adaptação a um meio igualmente dinâmico e hostil, certamente não pode ser compreendida no sentido romântico proposto por Malthus ou de uma guerra animal por suprimentos, seja em termos de infra espécie ou extra espécie. Claro que tais situações, vinculadas as transformações ocorridas no meio, até podem ocorrer. O problema aqui é encara-las como únicas e dar toda a evolução como algo acionado pela apetite voraz de nossos ancestrais... ou como questão de cardápio.

Para tantos quantos aceitam esta exótica doutrina os mecanismos sociais relacionados com o acesso ao poder são como que uma continuidade da Seleção natural ou como um manifestação desta lei. A qual testaria as aptidões ou méritos dos seres humanos, compreendidos não poucas vezes em termos de força ou de esperteza. Consequentemente os indivíduos desajustados, que não conseguem, adaptar-se ao sistema ou inserir-se nele - assim tantos quantos não enriquecem, os pobres, os humildes e trabalhadores - são classificados como ineptos ou fracassados, e como é esta sentença ditada pela própria natureza não há quaisquer motivos para compadecer-se deles ou para preocupar-se com sua sorte. Devem ser abandonados as forças da natureza, assim os deficientes mentais, criminosos, drogados, alcoolatras, etc  Nem se poderia questionar a organização social que executa a Seleção ou opor-se a ela como querem os socialistas. Tal oposição faria tanto sentido como opor-se a Seleção natural em termos Biológicas, afinal selecionando os indivíduos mais fortes e atribuindo-lhes o poder, é esta seleção que faz a Sociedade evoluir. Sem ela o progresso cessaria e daria espaço a degeneração social.

Claro que deste ponto de vista sistema social algum poderia ser considerado mais desenvolvido que o liberalismo econômico ou capitalismo pelo simples fato de restringir o acesso ao poder a uns poucos e estimular ao máximo a concorrência entre os indivíduos. Como se percebe capitalismo e darwinismo social encaixam-se um no outro como a mão e a luva, o que nos leva a questionar as relações existentes entre o próprio Darwinismo biológico em sua gênese e a reação de um sistema que se viu desfalcado de seu grande trunfo: O fixismo. Compreendidas em termos de manipulação ideológica. O problema foi evidentemente levantado pelos líderes e pesquisadores da antiga URSS e certamente não é ocioso. De uma forma de outra essa relação com o capitalismo precisa sim ser considerada e ponderada. Mesmo que choque os cientificistas partidários da neutralidade ingênua.

O quanto nos resta a dizer é que a versão ingênua do darwinismo social é aquela segundo a qual o trabalhador pobre ou desempregado (que não enriqueceu) é vagabundo enquanto que o patrão é sempre um herói ou um homem esforçado e comedido que partiu de baixo ou que sendo assalariado tornou-se milionário. Já nos referimos diversas vezes a esta fábula ou manobra. E por isso esgotamos o quanto tínhamos a dizer por hoje.

Continue acompanhando esta série de artigos sobre as formas de alienação ideais e a fuga e nossos demais ensaios neste Blog e caso encontre sentido neles ou aprecie-os faça a gentileza de matricular-se entre nossos seguidores e de recomenda-lo a seus amigos, colegas e alunos. Toda colaboração e crítica ponderadas são bem vindas!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Consultório pedagógico - Como explicar a evolução das espécies a nossos alunos? II


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Após termos procurado oferecer um panorama geral sobre o caráter do Evolucionismo enquanto conhecimento humano, uma breve introdução ao vocabulário científico e finalmente as principais evidências por ele oferecidas, tentaremos explica-lo da melhor maneira possível.

Para tanto, partindo do que já fora estabelecido no artigo precedente, devemos entender o processo evolutivo como um movimento de sofisticação orgânica em que as formas mais simples de vida vão dando lugar a formas de vida cada vez mais complexas e portanto, aptas para vencer os obstáculos postos por um meio em constante transformação e não poucas vezes hostil.

Evoluir pode ser definido como aquisição de um equipamento biológico que permita a determinada forma de vida adaptar-se com sucesso ao meio em que vive. E já adiantamos que a maior parte das mutações não vantajosas eliminadas pela 'Seleção natural' não podem ser compreendidas enquanto fenômenos evolutivos pelo simples fato de que não auxiliam o indivíduo a adaptar-se e manter-se, mas prejudicam-no. Assim se não há benefício, adaptação e continuidade como podemos dizer que houve de fato evolução???? Assim o que houve foi mutação e não devemos confundir os termos mutação e evolução. A Evolução é ao menos em parte efeito da mutação, mas a mutação não é a Evolução.

É importantíssimo por a questão nestes termos devido a afirmação de um discurso polêmico e anti teísta ou ideológico segundo o qual a Evolução nem sempre seria vantajosa ou benéfica para o indivíduo. Concordamos se quer dizer que a mutação pode produzir certo desconforto quanto ao ser mudado. No entanto se apesar do possível desconforto ela propicia condições favoráveis a sua conservação e a manutenção de sua posteridade - Logo da nova espécie produzida - não vejo como possa ser absolutamente desvantajosa ou prejudicial. Não vos parece que, caso a mutação favoreça a permanência do individuo e a conservação do novo tipo seja benéfica?

Compreendi que evoluir é adquirir uma alteração estrutural (relativo a forma do corpo físico) vantajosa que possibilite ao individuo em questão triunfar das dificuldades postas pelo meio e superar os demais membros da espécie, ou seja, aqueles que não adquiriram o novo equipamento, e que doravante tenderão a extinguir-se já por serem menos capazes de obter alimento - com relação ao individuo que sofreu a mutação e seus descendentes - já por se acharem menos expostos a predação. É uma mutação corporal que oferece aos indivíduos mudados e seus descendentes uma condição de superioridade face aos elementos da espécie que não a experimentaram.

Agora a pergunta chave? ALIAS JÁ RESPONDIDA.

Qual é o fator responsável por implementar a mudança? Qual o primeiro impulso, desencadeador do processo evolutivo? Qual o elemento chave em termos de evolução Biológica.


TAL O NERVO A CONTROVÉRSIA ou o calcanhar de Aquiles em termos de compreensão.

Devido a disparidade das respostas oferecidas, a obscuridade e a confusão reinantes.

Antes de Batenson e De Vries (isto em 1904 ou há cerca de 110 anos!!! - MARQUE ISTO!) todos os cientistas, na esteira de Ch Darwin e R N Wallace - teóricos da 'Seleção natural' - estavam convencidos de que a própria Seleção natural, é que introduzia as modificações nas formas, e esta é a origem do Imbroglio na medida em que, ao menos entre os leigos (Professores, jornalistas, ensaístas, autores de livros, etc) mantiveram até nossos dias esta ideia equivocada, certamente devido ao colossal prestígio adquirido por Darwin e Wallace, os quais sem embargo, observaram e recortaram apenas uma parte do processo, e não o processo como um todo.

O que os dois pesquisadores britânicos do século XIX descobriram na verdade foi o mecanismo de controle chamado seleção natural, ao qual atribuíram toda responsabilidade pelo processo evolutivo, perpetuando assim, até certo, ponto o equívoco de J B Lamarck segundo o qual o meio externo por si só ou sua dinâmica, seria capaz de produzir alterações físicas nos seres vivos, e consequentemente - em termos de Biologia genética - de alterar-lhes os genes ou cromossomos, possibilitando a FORMAÇÃO DE CARÁTERES OU SUA TRANSMISSÃO, o que sabemos ser absolutamente falso desde os tempos de Weissman. Alteração externa alguma produzida pelo meio é transmitida a posteridade de um animal. 

Portanto a dinâmica externa da seleção natural nada pode criar ou produzir.
Darwin e Wallace não haviam descortinado toda a verdade. Pelo simples fato de ignorarem as pesquisas do abade austríaco Gregor Mendel, examinadas mais de perto, como vimos por De Vries e Batenson. 
Neste caso qual seria o elemento chave, criador ou positivo em termos de Evolução?

Chegamos aqui ao FENÔMENO DA MUTAÇÃO.

Sem o auxilio do qual não se pode compreender corretamente o processo.

De modo geral ocorrem as mutações por duas vias - interna e externa. A mutação interna tem sua origem na produção de novas células a partir de erros aleatórios quanto a fabricação do DNA. A mutação externa tem sua origem na exposição do organismo a radioatividade. E como no passado distante ou nas Eras iniciais da vida os elementos radioativos achavam-se expostos a flor do solo, há que se admitir um grau de exposição muito maior caso tomamos por comparação o tempo presente.

Uma mutação bastante comum entre nós diz respeito as pessoas que nascem com seis dedos (polidactilia). Caso pessoas que portam este gene ou membros da mesma família casarem entre si, a tendência é que o número de pessoas com seis dedos vá aumentando progressivamente.

Até aqui um lado da Evolução. A mutação, que é por assim dizer um fator acidental ou estocástico, sem direção ou sentido.

Vejamos agora o outro lado da moeda. O elemento negativo, o qual embora por si mesmo nada produza, controla e direciona as mutações.

A maneira como as mutações são testadas pela natureza sob a forma da 'seleção natural' é bastante simples: Caso a mutação corresponda a uma vantagem, ajudando o indivíduo em questão a superar determinado obstáculo posto pelo meio, a suplantar os elementos que não passaram por ela e a conservar a própria existência por mais tempo a tendência é que do acasalamento entre indivíduos que herdaram tais genes surja uma população com as mesmas características. Na medida quem que tais populações sejam expostas a outras mutações vantajosas testadas pela seleção natural e acumulem equipamentos diferenciados é que se produz uma nova espécie. De modo que a especiação pode ser definida em acumulo de mutações (e equipamentos) benéficos testados pela seleção natural.

Uma vez que a aquisição de um conjunto de equipamentos vantajosos se dá por via acidental ou aleatória, supõem-se que o processo de acumulação se estenda por dezenas de milhões de anos. Afinal a maioria esmagadora das mutações é prejudicial e inoperante em termos evolutivos. Claro que as circunstâncias externas ou a condição do meio também entra em jogo. Pois a simples mudança de um meio em termos de inundações, secas, epidemias, oferta de suprimentos, migrações, etc basta para converter uma mutação ou equipamento prejudicial em equipamento vantajoso. Assim, como o meio é dinâmico e sujeito a alterações constantes... Mudam os critérios da seleção e seus resultados. O que torna o processo evolutivo impossível de ser previsto em termos de exatidão matemática.

Resta-nos agora, aludir brevemente ao caminho percorrido pela evolução dos seres vivos até o homo sapiens.

A direção da vida unicelular para a vida pluricelular, é simples obviedade.

Assim da esponja ao verme, do verme ao peixe, do peixe ao anfíbio, do anfíbio ao réptil, do réptil as aves e mamíferos.

Quanto aos mamíferos, grupo a que pertencemos, nossa filiação ao grupo dos primatas com seus cinco dedos e polegar opositor é igualmente obvia. Herança dos lêmures que se encontram na base do grupo.

Nem por isso é certo, mas absolutamente errado, afirmar que nós descendemos dos macacos ou mesmo dos macacos superiores (Antropoides). Macacos não são nossos ancestrais. Tudo quanto podemos dizer é que somos parentes muito próximos ou primos enquanto descendentes de um ancestral comum que teria vivido a cerca de uns vinte milhões de anos segundo alguns especialistas.

O homem não vem dos macacos. Mas de um primata já extinto, do mesmo modo que os macacos.

Este primata extinto foi convencionalmente chamado de 'elo perdido' pelo simples fato de seus restos ainda não terem sido encontrados. Tal lacuna, no entanto, nem de longe atinge a evidência relativa a nossa linhagem e isto pelo simples fato de podermos rastrear nossos primos e ancestrais do Homo sapiens sapiens ou Cro Magnon, até o homo erectus, o homo habilis, os australiopithecoides, o ramapithecus, etc estabelecendo as sucessões e traçando nossa árvore genealógica para mais de sete ou dez milhões de anos. Aos poucos, conforme as descobertas foram avançando a maior parte das lacunas foram sendo preenchidas e os laços de afinidade e proximidade estabelecidos com bastante exatidão. De modo que nega-los só pode constituir mesmo prova da mais absoluta ignorância ou de pura e simples desonestidade.

Via de regra o que podemos dizer que a quase totalidade daqueles que negam obstinadamente a teoria da Evolução é composta por pessoas superficiais, que não possuem devido conhecimento de causa e que jamais examinaram o assunto com atenção e profundidade. Quem acalenta alguma dúvida a respeito do que digo, interrogue nossos opugnadores peguntando-lhes sobre as mutações, a seleção natural, os principais hominídeos, etc O repto esta feito e a resposta conhece-mo-la muito bem nós mesmos e por experiência: Não precisamos estudar, conhecer ou compreender o evolucionismo (!!! Sim vocês ouvirão isto se ousarem confrontar os criacionistas!) PARA NEGA-LO!!! Basta-nos a Bíblia que é a palavra de Deus.

Vemos então que se trata de pessoas simples, rudes, grosseiras as quais nada leem além da Bíblia, mas que se julgam autorizadas a opinar sobre tudo e a tudo julgar... Como se chama isto??? O fato de alguém rejeitar uma proposta que sequer analisou??? Eu chamo de arrogância ou prepotência, e você??? E mesmo assim tais pessoas folgam apresentar-se como humildes... Chegamos ao fim do poço!







quinta-feira, 8 de junho de 2017

Consultório pedagógico - Como explicar a evolução das espécies a nossos alunos?

Resultado de imagem para evolucionismo vs criacionismo
Um, sendo humilde observa a realidade, o outro sendo cego confia em mitos indefensáveis.


Uma das tarefas mais difíceis e ao mesmo tempo mais importantes para um bom professor de Biologia ou de Ciências consiste em fazer com que seus alunos compreendam o processo evolutivo porque passaram todas as formas de vida ora existentes, ou seja, a Evolução das espécies.

Especialmente se levarmos em consideração que os fundamentalistas religiosos são habilmente treinados em suas seitas com o objetivo de fazer perguntas capciosas e desmoralizar seus professores. O que é suficiente para intimidar os educadores mais inseguros. Todo um clima de polêmica é artificialmente produzido pelos alunos fanáticos com o premeditado intuito de desestabilizar estes profissionais, o que é bastante grave.

Afinal professor algum costuma dirigir-se a qualquer conventículo religioso com o objetivo de questionar e desmoralizar o pastor. E menos ainda de treinar alunos e envia-los as reuniões religiosas com o objetivo de sabota-las. Afinal professores tem ética. Pastores não - Claro que há raras e por isso mesmo nobres exceções - e por isso estão dispostos a 'assaltar' a escola pública e laica com o objetivo de nela introduzir o querido Gênesis e o dogma criacionista. Tal a gravidade da situação!

Daí a necessidade premente de se estar muito bem preparado para enfrentar a crítica obscurantista e supersticiosa que invade nossas escolas e esmaga-la. Mesmo porque, hoje infiltram-se nos domínios da Biologia, amanhã nos da geografia, da História... De modo a instilar; 'catastrofismo geológico', História 'sagrada' (???), etc E o fim de tudo isto é substituir todas as disciplinas do currículo e o conhecimento científico como um tudo pela Bíblia ou melhor dizendo pelos mitos, fábulas e lendas do antigo testamento.

Há quem sonhe com o dia em que todos os compêndios escolares - de Química, Física, Bilogia, História, Geografia, Sociologia, etc - serão substituídos pela Torá ou pela Tanak segundo a versão JFA.

Em termos de Biologia - Que é a porta de entrada! - urge, mais do que nunca, partir para o afrontamento, afirmar em alto e bom som a veracidade do processo evolutivo e, acima de tudo, expô-lo com máxima exatidão e clareza, dirimindo todas as dúvidas.

Antes de tudo é necessário deixar bem claro que as discussões a respeito de como o processo evolutivo teria se dado, de modo algum atingem ou invalidam o processo enquanto tal.

Cientificamente não há nem existe a mínima dúvida a respeito do processo evolutivo, cuja demonstração já foi realizada por Haldane, Dobzhansky e Mair, os pais de teoria sintética a praticamente oitenta anos. As discussões dizem respeito apenas a detalhes ou quanto a certos aspectos do processo.

Do ponto de vista da ciência a evolução das espécies é um fenômeno dado ou um aspecto da realidade natural que não se discute e algo não menos verdadeiro do que o heliocentrismo ou a lei da gravidade, mesmo em se considerando que não seja um fato ou uma lei.

Comecemos portanto definindo com objetividade e precisão, os conceitos principais conceitos, os conceitos mais elementares, em termos de ciência:

  • Fato - Define-se o fato Biológico como correspondendo a menor unidade perceptível ou observável em termos de natureza. Assim o fato é percebido ou captado pelos sentidos, sem que haja, necessidade de demonstra-lo. Fatos são axiomáticos e impõem-se por si mesmos. Não preciso fazer declaração alguma com o intuito de demonstrar que o gelo seja água em estado sólido.

    Exemplos - O aspecto quadrupede do cão, o aspecto mamífero do gato, o aspecto ovíparo da galinha, os espinhos do cacto, a flor da roseira, etc

  • LEI - lei é uma relação constante de causa e efeito existente entre dois fatos (Relação constante de causa e efeito que parte da própria natureza das coisas). A relação e a constância podem ser observadas evidenciando que a Lei existe objetivamente no plano da natureza e não apenas como construção mental de caráter puramente subjetivo. No entanto sua formulação ou expressão em termos de linguagem humana, dispende certo esforço racional, o qual foge a experiencialidade pura. Não podemos pesar, contar ou medir uma Lei embora os resultados da relação possam ser quantificáveis. E sequer podemos negar que uma lei qualquer pudesse ter sido formulada ou expressa de maneira mais exata ou mais claro Exemplo - O Fototropismo > Fato um: A luz do sol. Fato dois: O crescimento dos vegetais. Relação constante ou Lei: Os vegetais crescem sempre voltados para a direção da luz.

  • TEORIA - De modo geral os leigos (E Até mesmo um bom número de professores e articulistas> O que é assustador) ignoram qual seja o conceito científico de TEORIA, julgando que corresponda a ideia vulgar de sugestão, opinião ou HIPÓTESE (A hipótese é algo duvidoso e provisório) e imaginando que a Evolução das Espécies ainda não tenha sido cabalmente demonstrada!

    Aproveitando-se disto os religiosos desonestos com o propósito de alegar que o relato mitológico e fetichista do gênesis (Criacionista) corresponda a uma outra teoria ou opinião tão digna quanto. O que além de desonesto é absurdo.

    Afinal não temos na Teoria evolucionista mera hipótese ou suposição questionável imaginada pelos cientistas e tampouco no criacionismo uma informação que parta da observação dos fenômenos naturais uma vez que nem os sacerdotes do antigo israel e tampouco seus professores sumerianos deram-se ao trabalho de examinar a natureza 'in situ' buscando uma resposta plausível. Limitando-se assim a imaginar ou a fantasiar a respeito de como as coisas teriam se passado, exatamente como os poetas e artistas ou como o criador do Mikey mouse ou do pato Donald.
          Neste caso que vem a ser TEORIA segundo o vocabulário científico?



Da mesma maneria como uma determinada lei busca expressar uma relação constante existente entre um determinado número de fatos, tirando-os de seu isolamento, a TEORIA busca encontrar uma explicação unitária para todas as leis ou relaciona-las todas a partir de um determinado aspecto.

Resulta disto que a formulação de uma teoria deve ser precedida por análise minuciosa de uma imensa gama de fatos para poder explica-los todos sem exceção. O que exige um grau bem maior de observação e, quanto a sua formulação - A formulação da teoria - uma dose bem maior de raciocínio lógico. Teoria é algo que não se pode formular partindo de um único fato ou le, mas que se deve inferir a partir do conjunto.

Daí os positivistas - com quem os fanáticos religiosos costumam pegar carona - e neo positivistas, apegados a um sensorialismo chão e sempre desconfiados quanto a qualquer formulação especulativa de caráter mais geral - a exemplo de K Popper - impugnarem o caráter objetivo e científico do Evolucionismo para apresentarem-no como construção filosófica ou metafísica.

Compreendem por que até o Malafaia pode sair-se bem com um manual positivista entre as mãos?Afinal para eles ciência nada mais seria do que a coleção (Descritiva) interminável de fatos imediatamente perceptíveis a qual nos autoriza a formular, com bastante cuidado, algumas Leis. Nada mais...

Felizmente encontra-se o positivismo completamente ultrapassado, especialmente após das formulações propostas por W Dilthey, Kuhn, etc Ademais, o citado Popper sequer mostrou- se fiel a mentalidade positivista, caminhando sempre na direção do Ceticismo e do Relativismo de Hume e da negação da objetividade do conhecimento científico. Os fanáticos religiosos agradecem a demolição da verdade no plano da natureza para substituírem-na por seus delírios e baboseiras!

Uma coisa no entanto é certa: Conceito de teoria não é mesmo brincadeira mas coisa séria. Do mesmo modo a teoria de Evolução das espécies enquanto produto social resultante do esforço comum empreendido por diversas gerações de cientistas a exemplo de Ch Darwin, Wallace, Mendel, Batenson, De Vries, Weissman, dentre outros, muitos outros.


         Exemplos de teorias:

         A T da gravidade geral de Newton
         A T atômica de Bohr
         A T da relatividade de Einstein
         A T uniformitária de Hutton
         A T das placas tectônicas de Wegener
         A T dinâmica da mente de Freud
         As teorias sociais de Le Play, Marx, Durkheim e Weber

         Todas sem exceção absolutamente relevantes.


Vejamos agora porque consideramos a teoria da Evolução como algo real, suficientemente demonstrado e acima de quaisquer dúvidas. Consideremos pois o rol das evidências -


  1. Evidência embriológica da Recapitulação.
    Diz respeito a existência de estádios homólogos na ontogenia dos seres vivos, ou ao desenvolvimento de um ovo até sua fase adulta. Assim o cérebro de um embrião humano com cinco semanas de vida é idêntico ao de um peixe. Já entre o cérebro de um feto com sete meses e meio de idade e o de um macaco não há diferença alguma. Não apenas nossos cérebros mas cada um de nossos órgãos refaz durante a gestação toda a história evolutiva dos seres vivos, de modo que poderiam exclamar unanimemente: Fui peixe, fui réptil, fui macaco...
    Será ociosa esta recapitulação ou pretenderá dizer-nos alguma coisa a respeito de nossa própria História?
  2. Evidência das estruturas homólogas
    "Quando estudamos um grupo de animais como, por exemplo, os vertebrados, verificamos que a estrutura dos representantes de duas espécies distintas - homem e cão ou gato - suponhamos, encarada sob um aspecto geral, apresenta relações muito estreitas entre si. Os braços de um homem e os membros anteriores de um cão ou de um gato apresentam as mesmas peças esqueléticas gerais: um osso no braço e dois ossos no ante braço, vários ossos no punho e cinco fileiras de ossos nas mãos. Semelhanças correspondentes encontram-se do mesmo modo nos músculos, nos nervos e nos vasos sanguíneos."

    De modo que até mesmo a asa de um pássaro assemelha-se bastante a uma espécie de braço.
  3. Evidência dos órgãos vestigiais.
    Órgãos vestigiais são remanescentes de órgãos que no decorrer do processo evolutivo perderam suas funções, sem que no entanto fossem suprimidos ou deixassem de existir. Com efeito, inseridos no interior do ventre da Baleia, encontram-se os ossos de suas patas traseiras, evidenciando claramente a origem terrestre - Alias mamífera, como é indicada por outros aspectos de sua morfologia - deste animal, ora marinho. Externamente desapareceram, sequer convertendo-se em nadadeiras, mas internamente... Encontram-se lá, bastando tais ossos para esmagar o criacionista. 
  4. Evidência do registro fóssil numa perspectiva comparativa.
    Para tanto basta recolher os fósseis de determinada espécie animal, como o cavalo ou urso, data-los e comparar os mais antigos com os mais recentes. O movimento será sempre o mesmo em qualquer um dos casos: Estruturas bastante simples dando lugar a estruturas cada vez mais complexas. O que por si só basta para apontar a direção tomada pelo processo, do mais simples para o mais elaborado. Os fósseis mais antigos sendo sempre mais simples e os mais evoluídos cava vez mais sofisticados.

A menos que nossos corpos almejem enganar-nos ou pregar-nos uma tremenda peça tais evidências devem ser seriamente consideradas. A natureza não conhece outra linguagem que a da evolução. Digo mais; sem a evolução no plano da biologia nada faz sentido. Destarte negar a Evolução equivale sempre a negar a própria percepção, a experiência e o raciocínio enquanto dádivas que nos foram comunicadas pelo próprio Deus. Implica negar a realidade fixada pela divindade. 


    terça-feira, 20 de outubro de 2015

    A evolução do pensamento religioso

    Há quem diga que a religião não evolui ou que o pensamento religioso, sendo tosco e primitivo, permanece estagnado para sempre.

    É a tônica de certa propaganda religiosa.

    Que conduziu-nos senão ao ateísmo ao menos ao deísmo e ao agnosticismo ou seja a indiferença credal.

    Importa saber que as sendas desta propaganda emancipada nem sempre foram honestas como deveriam ter sido.

    Afinal para nos atrevermos a corrigir a desonestidade alheia devemos ser absolutamente honestos, sob pena de sermos demagógicos.

    Não podemos soprar cisco de olho alheio tendo uma trave ou poste fincado em nossos olhos.

    Tal foi o caso da assim chamada reforma protestante. Como é ainda hoje o caso do pentecostalismo e do islã...

    Em geral esta triste sorte tem sido a sorte de quase todos os críticos da igreja romana e do espiritismo.

    A reforma por exemplo manteve e afirmou tudo de pior que havia na igreja velha: eternidade de penas, agostinianismo/gracismo, expiacionismo, conteúdo platonizante, etc além de ter principiado a torturar e assassinar em seu próprio berço, desde que os anabatistas foram mandados ao suplício pelos próprios Lutero, Melanchton e Zwinglio, trinta anos antes de Calvino ter condenado Servet a fogueira...

    E retomada ou alimentada mais uma vez a sinistra ideia de Bíblia unitária e infalível, renasce com força total a crença em bruxas e bruxarias com os decorrentes linchamentos em massa...

    Bem como a oposição ao modelo científico nascente.

    Afinal cem anos antes de ter sido julgada pela igreja papista foi o heliocentrismo condenado pelo próprio Lutero, o qual alias não poupou insultos a Nicolau Copérnico (alias clérigo papista como Nicola de Cusa, Gregor Mendel e Georges Le Maitre, dentre outros).

    Tudo isto é perfeitamente compreensível caso encaremos a reforma protestantes como um movimento de origem e caráter puramente humanos... admitido o caráter naturalista da tão alardeada reforma prescindimos de maiores explicações...

    Outro é o caso daqueles que encaram este movimento como divino ou sagrado...

    O que não é nem um pouco compreensível é a atitude demagógica assumida pelos apologistas protestantes nos últimos trezentos anos...

    É para se ver com que empenho e rapidez apontam na igreja velha os mesmos vícios tenebrosos reproduzidos por sua maravilhosa reforma!

    Sabemos no entanto que esta maravilhosa reforma foi ainda mais supersticiosa (basta dizer que propoz como dogma a BÍBLIA INTEIRA DE CAPA A CAPA!), mais inquisitorial e mais anti científica do que fora a igreja antiga em toda sua História... E PORTANTO MAIS INCOERENTE OU DEMAGÓGICA.

    Pois acenou num primeiro momento com certos princípios que quase de imediato sacrificou.

    Verdade seja dita: mesmo após a cooptação da igreja antiga pelo poder imperial em 378, damos ainda com um Ambrósio a impor penitência do Imperador 'todo poderoso', com um Crisóstomo a denunciar o escravismo e com as vozes deste ou daquele Bispo a sustentar a pureza do Santo Evangelho no decorrer de séculos!!! Não foi num passe de mágica ou da noite para o dia que a Igreja antiga abandonou seus ideais... foi um lento processo que arrastou-se até o século XII, por quase mil anos!

    Os reformadores protestantes no entanto, mal se veem apoiados pelo poder secular e já imolam 'Efigênia' aos bons ventos... questão de meses, de menos de um ano.

    E já não se fala mais em livre exame. Transformando-se ele em monopólio dos Luteros e Calvinos.

    Sequer houve liberdade para que as pessoas ou a gente do povo pudesse escolher entre os três ou quatro credos (papal, luterano, zwingliano, calvinista ou anabatista) pois era tudo decidido pelos senhores, pelos reis e pelos nobres. Era o rei ou o senado da cidade que determinavam qual seria a verdade religiosa... e ai de quem protestasse!

    Os próprios reformadores sugeriram e abençoaram a teoria monstruosa do 'Cuius regio, eius religio', pela qual a decisão sobre matéria religiosa era atribuida aos poderes políticos! E ja estamos a um passo do erastianismo ou cesaro papismo... com todas as decorrências políticas e sociais.

    Verdade seja dita: temos nos séculos XV e XVI um Renascer de humanismo patrocinado ou ao menos tolerado pelo papado e de modo geral nimbado pelas luzes do Evangelho de Cristo... contra o qual a reforma protestante vomita a bilis concentrada de seu anti humanismo agostiniano, impedindo que se desenvolva e frutifique nos rincões onde veio a afirmar-se...

    E no entanto esta pseudo reforma que foi sob todos os aspectos um desastre: desastre educacional, desastre social, desastre artístico, desastre político, desastre cultural... um revolução anti Cristão, uma assolação e catástrofe ainda atreve-se a encarar a igreja velha e a sorrir com desdem!

    Havendo quem aplauda!

    Mas direi o que foi esta malfadada reforma.

    Direi com Doellinger que foi um desastre educacional pelas universidades, escolas paroquiais, liceus e colégios que levou a falência! Direi com Cobett e O'brien que foi um desastre pelos mosteiros que fechou porquanto cada um deles mantinha diversos nichos dedicados a assistência social quais fossem dispensários, enfermarias, asilos, orfanatos, etc Elencarei com o judeu Zweig as inumeras obras de arte aniquiladas pelo delírio iconoclástico. Com Janssens descreverei o desastre do erastianismo e a condição aviltante a que ficaram reduzidos os camponeses alemães da rebelião de 1525 ao período napoleônico! Com Max Weber e Huxley poderia traçar o roteiro de um desastre cultural de que resultou a afirmação do materialismo economicista ou traçar a genealogia do fascismo, do anti semitismo, etc

    Que nos legou esta maravilhosa reforma protestante que parte da humanidade aplaude de boca aberta?

    Amigo leitor legou-nos erastianismo, anti humanismo, anti cientificismo (de que temos exemplo vivo no criacionismo), capital de reserva, materialismo economicista, crítica demolidora dos Santos Evangelhos, dilúvio de ateísmo sem ética, anarco individualismo, americanismo, KKK, apartheid, mística nacionalista alemã, anti semitismo, etc No frigir dos ovos todas as correntes acima citada tem relações estreitas - nos ousamos declarar orgânicas - com o neo cristianismo germânico ou luterano. São novos elementos presentes no caldo cultural do protestantismo!

    E não pode este novo Cristianismo deixar de ser julgado como solidário face as culturas de morte.

    Então com que méritos denuncia o Cristianismo antigo?

    O desempenho de seus sucessores, os materialismos parece que não foi assim tão deplorável.

    Mortes houveram em número astronômico.

    A causalidade no entanto foi mais dissimulada, sutil ou indireta.

    Não houve uma inquisição liberal como havia existido inquisição romana e inquisição protestante.

    Grosso modo as cenas de iconoclasmo ficaram restritas aos principais centros urbanos da França.

    Houve uma valorização da ciência. A afirmação do liberalismo político ou da democracia formal.

    Não se pode negar que houveram progressos.

    No entanto os trabalhadores ingleses e logo depois os proletários concentrados nos principais centros urbanos da Alemanha e da França conheceram o inferno sobre a terra...

    Houve um lado bastante sinistro.

    E não é preciso ser comunista para conhece-lo amiúde.

    Bastar-nos-ia ler as obras do Papa romano Leão XIII ou as de Henry George.

    Os quais nada tem de comunistas...

    Todavia os liberais, materialistas, ateus, etc continuaram não só a ridicularizar a velha igreja como a calunia-la inclusive.

    Ainda hoje não nos deparamos com ateus virtuais ou de internet jurando de pés juntos que N Copérnico foi morto pela inquisição ou que Galileu Galilei foi torturado e queimado???

    Pesquise quem o desejar...

    E dará com a desonestidade, a perfídia, a safadeza, etc perpetuadas em pleno século XXI!!!

    São os que dizem que todas as religiões são absolutamente iguais e que o pensamento religioso jamais evolui.

    Que temem eles?

    Por que preferem as formas mais primitivas e grosseiras de religiosidade como o pentecostalismo, o calvinismo e o islã?

    Por que apreciam terçar armas apenas com as fés que se refugiam nas páginas de seus livros infalíveis?

    Por que proclamam todas as formas criticas ou teológicas de religiosidade como traidoras?

    Lamento ter de implodir sem misericórdia o mundinho limitado destes senhores oportunistas.

    Para certificar que o espiritismo assumiu os pressupostos do evolucionismo biológico assim que Ch Darwin publicou a 'Origem das espécies'...

    O próprio romanismo forneceu aderentes como o Bispo de Sura. Até Pio XII reconhecer há quase setenta anos que o evolucionismo adstrito ao corpo físico do homem é perfeitamente condizente com a fé.

    No campo da igreja Ortodoxa satisfaço-me com declarar que um de seus fiéis, T Dobzhansky foi um dos arquitetos ideológicos da teoria sintética.

    Não posso deixar de mencionar A Wegener como brilhante filho da igreja romana ou Agrícola, teólogo e pai da mineralogia...

    Agora que temos do outro lado???

    Refiro-me as formas religiosas ascendentes do pentecostalismo e islamismo.

    O IMPÉRIO do criacionismo com seu padrão mágico fetichista de pensamento dogmática e intransigentemente afirmado em nome do livro!!! EM PLENO SÉCULO XXI!!!

    Diante disto como se diz que todas as religiões são absolutamente iguais e igualmente toscas, vulgares e grosseiras???

    Se algumas desligaram-se já do Criacionismo enquanto outras continuam a apegar-se fanaticamente a ele e a seus pressupostos?

    Afinal a aceitação do evolucionismo em termos biológicos por parte da igreja romana, da igreja grega, do anglicanismo, do espiritismo ou do budismo IMPLICA RECONHECER QUE ESTES SISTEMAS RELIGIOSOS ADERIRAM AO CRITÉRIO DA DEMARCAÇÃO, reconhecendo o direito da ciência fornecer explicações válidas e verdadeiras a respeito do mundo natural.

    Como negar que este passo seja um passo gigantesco face a pretensão dos fanáticos, segundo os quais a religião teria o direito de fornecer explicações a respeito do mundo natural e portanto, negando que a ciência possua um espaço seu?

    Como negar que a atitude comum a Ortodoxia, ao anglicanismo, ao papismo, ao espiritismo e ao budismo seja amplamente revolucionária e saudável em comparação com o posicionamento daqueles que continuam encarando seus códigos religiosos como fontes infalíveis em matéria de conhecimentos naturais???

    Implica admitir que algumas religiões, as mais evoluídas, conseguiram superar o falso dilema: RELIGIÃO x CIÊNCIA pelo simples fato de admitirem que não lhes cabe fornecer explicações sobre a dimensão material ou natural do universo e por concentrarem seus esforços em Deus, na Alma e no Destino da espécie humana.

    Tornaram-se tais religiões em certo sentido mais espiritualizadas alijando-se dos mitos ancestrais, das fábulas, das superstições... e concentrando-se no objeto que lhes diz respeito.

    O transcendente, o imaterial, o invisível, o sagrado, o divino, o incognoscível...

    Tornando-se invulneráveis por assim dizer aos ataques dos cientistas, cujo campo de estudo restringe-se a materialidade ou a imanência.

    Grosso modo uma religião que ensine a existência de uma Trindade ou da presença do Senhor no Sacramento, coloca-se fora do campo da ciência e para além de toda e qualquer crítica científica.

    Do ponto de vista do mais estrito agnosticismo uma religião que se concentre em seu campo torna-se intangível. Uma vez que o agnóstico declara nada saber a respeito do que fuja a dimensão material da existência...

    As religiões limitam-se a afirmar o que é gratuitamente negado pelo agnóstico: que nada podemos saber a respeito do que haja para além da condição material do ser... asseverando que podemos sabe-lo porque algo que lá se encontra quis revelar-se aos seres humanos.

    Ora toda esta questão a respeito do conhecimento, suas fronteiras ou limites já não pertence a ciência 'positiva', mas aos domínios da metafísica ou da filosofia, que são bem outros.

    Pelo que ficando a fé dentro de seus limites fica mais ou menos segura, para o desespero dos cientificistas fanáticos. Aos quais é demasiado facil ir ao antigo testamento ou ao Corão e elencar centenas de erros, equívocos e tolices em matéria de conhecimentos naturais, semeando pânico entre os fanáticos e fazendo maior ou menor estrago.

    Agora nos terrenos da filosofia ou da própria religião nosso homem sente-se desarmado por falta de conhecimentos. Nem podemos negar que o principal trunfo dos cientificistas corresponda justamente ao padrão mágico fetichista de pensamento por parte daqueles que recusam-se obstinadamente a abraçar o critério da demarcação. É justamente a pretensão absurda dos fanáticos de pontificar a respeito duma ordem de conhecimentos que não lhes pertence e de invadir o espaço da ciência, que permite aos cientificistas e cientistas estabelecer uma contra crítica demolidora...

    Resulta disto que a adesão ao critério da demarcação é util e salutar para os dois lados na medida em que permite que os discursos sejam elaborados com conhecimento de causa e propriedade; levando ambos os lados a uma trégua amistosa ou convivência pacífica, o que doutro modo seria impossível.

    Este tipo de posicionamento tende a satisfazer as exigências dos elementos mais equilibrados de ambos os partidos.

    Doravante o dilema fica cada vez mais deslocado para os extremos do cientificismo e do criacionismo ou seja daqueles que caprichosamente pretendem negar qualquer espaço a fé ou a ciência.

    A evolução do pensamento religioso tende a colocar as coisas exatamente nestes termos, uma luta entre fanáticos. Luta em que nem os cientistas nem os religiosos moderados tomarão parte.



    domingo, 11 de outubro de 2015

    Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! III

    Conclusão geral -



    O que se espera de um educador consciente é uma atitude sóbria e equilibrada.

    Que argumente honestamente buscando convencer seus alunos sobre a excelência do modelo evolucionista.

    Não se trata aqui de exigir que o educando abandone sua tradição ou fé religiosa.

    Mas que admita o critério da demarcação.

    Reservando para a ciência um espaço em sua visão de mundo.

    E admitindo que a imanência (natureza) esteja no acesso dos sentidos e da razão.

    Ao contrário da fé cega a ciência não pode pretender absorver a vida do ser humano como um tudo.

    Cumpre distinguir perfeitamente entre visão científica e mística cientificista.

    Esta pretende impor o ateísmo e o materialismo a clientela nos mesmos termos que visão fundamentalista.

    Pelo que ambas violam os direitos da pessoa humana.

    O educador humanista reconhece a seus alunos o duplo direito de cultivar uma espiritualidade e de receber uma educação científica, conciliando as duas áreas ou partes por meio do critério da demarcação.

    Não se discute aqui se tem ou não direito de apresentar-se como ateu o materialista caso seja instado por seus alunos; mas sim o direito de impor seu modo de pensar ou de exigir que seus alunos rompam com a fé.

    Importa que as partes em conflito abstenham-se de invadir o terreno alheio.

    O ideal aqui seria que as religiões se abstivessem de estabelecer dogmas como o criacionismo - em torno da origem do universo material e que os cientistas se abstivesse de apresentar suas constatações metafísicas em torno do ateísmo e do materialismo como científicas.

    No entanto o que podemos observar no plano da concretude é que ambas as ideologias: criacionista e ateística, contam com defensores fanáticos.

    Daí a praxis impositiva...

    E criminosa!

    Pois não é dado a qualquer professor seja fundamentalista ou ateu, impor sua visão de mundo ou orientação ideológica a turma.

    A questão aqui diz respeito apenas ao Criacionismo enquanto padrão mágico fetichista de pensamento e ao critério da demarcação; em torno dos quais o professor consciente deve argumentar com habilidade.

    Diz respeito a como este mundo foi constituído por Deus ou sem ele e não se Deus existe ou não existe. Uma vez que a questão da imaterialidade ou do que esta para além dos sentidos não pertencem aos domínios da ciência.

    Agora se esta ou aquela organização religiosa obstinasse em ignorar a demarcação e em invadir o terreno da ciência; a responsabilidade não é nem da ciência, nem do cientista, nem do professor...

    Nem se pode exigir que em pleno século XXI a ciência ou o magistério professoral curvem-se docilmente as exigências de líderes religiosos imbecis que jamais examinaram a fundo a questão, cedendo a pressão exercida pelo padrão mágico fetichista de pensamento.

    Tal era viável no israel do século IV ou III a C... não no contexto da civilização moderna, em cuja base esta o padrão greco romano ou científico de pensamento. Padrão a que não podemos sacrificar sem que de tal sacrifício resulte um recuo civilizacional de amplas dimensões. Uma vez que o criacionismo, correspondendo a uma crença apriorística, destrói pela base a solidez do pensamento científico.

    Quanto a este problema ou impasse não se trata de negar por completo a fé ou de romper radicalmente com  o paradigma religioso mas apenas e tão somente de substituir a fé cega por uma fé mais madura e esclarecida, que reconheça o critério da demarcação e o espaço - a imanência - que cabe por direito ao modelo científico.

    Neste sentido não há como fugir a questão. Mais cedo ou mais tarde o fundamentalista, após ter investigado honestamente todos os lados, terá de decidir se pretende de fato encarcerar a própria mente dentro das páginas de um livro ou se pretende ficar com o testemunho fornecido por seus sentidos e sua racionalidade. Ou sacrificara o fundamentalismo e aceitará o desafio de - para além da fé (que sempre poderá manter) nas coisas invisíveis - sentir e pensar o mundo em que vive; ou sacrificará a si mesmo, sua percepção, sua racionalidade, sua natureza...

    Conciliar as exigências totais e descabidas do fundamentalismo ou da fé cega com a realidade do mundo externo não poderá. Ou será forçado a negar uma ou outra...

    A tarefa do educador consciente outra não é que orientar o educando, buscando mostrar os pontos fracos do 'pensamento' mágico fetichista e argumentar habilmente sobre a excelência do padrão científico, sem no entanto exigir o sacrifício integral da espiritualidade ou da ideia de Deus. Importa como esse Deus e a espiritualidade são encarados e se concedem espaço a ciência... neste caso serão elementos irrelevantes.

    Importa que o educador científico jamais reproduza os erros ou crimes perpetrados pelo educador fundamentalista. Que jamais recorra a imposição, que jamais argumente desonestamente, que jamais impeça o outro de contra argumentar, que jamais perca o bom humor a jovialidade, que jamais recorra a qualquer tipo de violência, etc

    Deverá ser firme sim, mas dentro de sua área que é a imanência.

    Abstendo-se de pontificar sobre as demais áreas da existência.

    Deverá concentrar sua atividade em termos de processo evolutivo, buscando expor as evidência e problematizar.

    Sem jamais abordar assuntos propriamente religiosos ou metafísicos, exceto se a iniciativa partir dos educandos.

    Neste caso convém esclarecer sempre que se tratam de opiniões pessoais e permitir que os alunos contraponham suas próprias opiniões e crenças, num clima de mútua compreensão e tolerância.

    Importar lutar para por cada coisa em seu lugar: a fé na transcendência e a experiência na imanência.

    Abstendo-nos de exercer um fundamentalismo invertido e termos de irreligiosidade, materialismo e ateísmo.

    E de tornar as verdades científicas amargas e desagradáveis para as massas.

    Evitemos associações artificiais e arbitrárias. Abstendo-nos de metafisicar em torno de ideologias.

    Fixemos a atenção apenas e tão somente nos fatos e teorias verdadeiramente científicos.

    Tomando por guias as palavras do Filósofo: "Os extremos quase sempre de tocam e a verdade esta quase sempre no meio."

    Sejamos cautelosos sem ser medrosos e firmes sem ser intolerantes, exercitando a paciência com os mais jovens!







    sábado, 10 de outubro de 2015

    Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! II

    Continuação

    3 - Caso seu aluno diga: Acaso o senhor já observou a evolução acontecer?

    Poderá responder-lhe da seguinte maneira:

    Sabe quanto tempo é necessário para a formação de uma Ilha no Delta de um rio (como o Nilo, o Tigre, o Eufrates, o Prata ou o Amazonas)?

    Quatro, cinco, seis mil anos ou até mais tempo.

    De fato não podemos acompanhar o desenvolvimento da vida de uma Baleia ou de um Elefante, animais que via de regra vivem mais tempo do que nós.

    Nem por isso deixamos de saber quanto tempo vivem tais seres. Porque aquilo que observamos é completado pelas observações das gerações seguintes.

    É verdade que geração alguma de seres humanos dedicou-se a observar e relatar o crescimento das sequoias gigantes, abetos, pinheiros, carvalhos, oliveiras... sujo desenvolvimento dura séculos ou mesmo milênios.

    Basta no entanto que contemos os anéis de seus troncos para que obtenhamos a resposta...

    Humano algum poderia ter assistido a deposição salina no fundo dos Oceanos ao cabo de centenas de milhões de anos... No entanto como o sal continua sendo depositado até hoje em um ritmo mais ou menos regular a cada ano, podemos mensurar o total da deposição e dividir esse total pelo tamanho de uma faixa anual...obtendo um resultado matematicamente exato.

    Percebe como os processos que envolvem a natureza ultrapassam o limite da vida humana?

    Mas que apesar disto podemos quase sempre mensurar tais transformações em termos anuais e, consequentemente calcular a duração do processo 'in totum'?

    Não podemos ver o que acontece em centenas de milhões de anos. Mas podemos ver o que acontece em um, dois, dez ou mesmo cem anos. A partir dai podemos pesar, medir, contar e conhecer com relativa exatidão a extensão do fenômeno.

    É natural que nós, os seres humanos, tenhamos dificuldade em lidar com tais cifras numéricas, especialmente quando dizem respeito ao tempo.

    O fato de não ter podido observar o curso do processo evolutivo não me impede de perceber que o processo evolutivo interliga e relaciona centenas de fatos que por si só permaneceriam isolados, imprimindo-lhes um sentido. Este sentido posso percebe-lo perfeitamente.

    E você por acaso viu sua Bíblia - ou livro religioso - ser escrito ou seu deus produzir o mundo em seis dias?

    4 - Caso o aluno seja sincero e responda que não viu mas que alguém lhe disse ou que esta escrito, poderá responder-lhe:

    Neste caso estamos empatados pois também me disseram - e pessoas muito conceituadas  (poderá citar Dobikhaszy, Mayr, Jay Gould, etc) que os seres vivos evoluem, o que também esta registrado em nossos livros de ciência e biologia.

    5 - Se o aluno rebater:

    Acontece que a Bíblia é sagrada.

    Poderá replicar: Sagrada para você mas não para os outros, para todos ou para mim.

    Alias o fato de ser sagrada não a transforma em livro de Física, Química, Biologia, História, Geografia ou Sociologia.

    6 - Se o aluno disser:

    Sua evolução não foi testada!

    Poderá responder:

    Tampouco sua criação.

    7 - Caso o aluno pergunte:

    O senhor já viu um macaco se transformar em homem?

    Talvez seja conveniente replicar:

    E você já viu a divindade modelar um bonequinho de barro e soprar-lhe nas ventas?

    (Perceba o professor que em termos de ver ou testemunhar poderá reverter a Bíblia e a Criação todo e qualquer argumento emitido contra a evolução!)

    De minha parte não julgo o macaco menos honroso do que o barro ou o lodo; isto pelo simples fato do macaco além de ser vivo, ser animal e mamífero estando consequentemente muito mais próximo de nós do que um pedaço de barro.

    Nem vejo como possa ser vergonhoso (para o homem, que é um animal) este laço de parentesco absolutamente natural.

    8 - Se o aluno atalhar:

    Não consigo perceber qualquer semelhança entre o homem e o macaco.

    Poderá replicar:

    Neste caso como consegue perceber qualquer semelhança entre o ser humano e um torrão de barro?

    Uma coisa é certa> há mais chances de relação entre as coisas próximas e semelhantes do que entre as distantes e diferentes...

    Por outro lado nem poderia eu ter observado qualquer macaco transformar-se em humano pelo simples fato de que o macaco não é ancestral mas colateral (primo) do ser humano. Queremos dizer com isto que descendem ambos de um mesmo ancestral comum, no caso um primata.

    Este ancestral como da classe dos primatas não era nem macaco nem homem mas alguma outra coisa.

    9 - Caso seu aluno dispare:

    Ouvi dizer que a Evolução não passa de uma teoria como a Criação.

    Convém responder-lhe:

    Seu equivoco consiste a acepção vulgar ou profana da palavra, segundo a qual teoria seria o mesmo que hipótese, opinião ou suspeita. Cientificamente no entanto 'teoria' nada tem a ver com hipótese ou opinião, muito pelo contrário, cientificamente 'teoria' refere-se a um explicação geral que liga ou unifica certo número de fatos isolados comunicando-lhes um 'sentido'.

    Órgãos vestigiais, fósseis, especiação regional são alguns dos elementos ou fatos solidamente unidos pela teoria evolucionista.

    Já a criação sequer pode ser encarada como hipótese científica e isto por uma razão bem simples: a formulação de qualquer hipótese científica é sempre posterior a investigação da natureza. A narrativa da criação mágica no entanto precede em milênios a codificação do método científica; merecendo ser classificada como uma crença 'a priori' ou seja anterior a qualquer tipo de observação. Propriamente falando a narrativa do Gênesis não passa de um mito ou duma explicação em torno da origem das coisas, tomado de empréstimo - pelos sacerdotes israelitas - a cultura dos antigos Sumérios.

    A Criação não pode a título algum ser classificada como 'teoria' hipótese rival da Evolução mas como um mito aprioristicamente construído. Resumindo: A evolução se sustenta porque parte dos fatos ou do material examinado para a explicação, a criação é totalmente furada porque parte do livro ou da narrativa para a realidade, cabendo a esta adaptar-se a narrativa contida no livro... Apesar disto a natureza não se adapta.

    10 - Aqui é possível que algum aluno questione:

    Não é melhor acreditar no testemunho de Deus no que no testemunho dos homens?

    Neste caso poderá seguir este roteiro:

    O problema aqui não é Deus.

    Jamais o vi dar entrevista na TV dizendo que criou o mundo em seis ou dez dias!

    O problema aqui é o livro ou melhor os livros. Pois diversos livros tem a pretensão de corresponder as palavras de um deus, assim os Vedas, os Gatas, a Torá e o Corão, dentre outros.

    Conclusão: Os adeptos do criacionismo estão divididos e cada qual apresenta uma narrativa diferente a respeito da tal criação.

    Neste caso por que preferir, sem mais, a narrativa escrita pelos antigos israelitas e não qualquer outra?

    Quanto ao testemunho de Deus e ao dos homens, penso que cada qual deva ter seu lugar.

    11 - Como assim professor?

    Uma vez que Deus mesmo concedeu ao homem capacidade suficiente para perceber - através de seus sentidos - e compreender - através da razão - o universo em que vive não vejo porque deveria 'revelar-lhe' qualquer coisa neste sentido.

    Parece-me que o ato de revelar esteja posto para as coisas ocultas ou seja inacessíveis aos sentidos e a razão humana.

    Neste sentido até posso compreender que o Deus invisível revelasse algo sobre seu Ser ou sua vontade; conhecimentos aos quais nós seres humanos não temos qualquer acesso.

    Quanto as questões em torno da origem do universo, da vida e das sociedade humana julgo ter concedido aos mortais a incumbência de investiga-las a partir de suas próprias capacidades, do contrário te-lo-ia constituído inepto para tanto... Apesar disto este homem sente, percebe, reflete e julga.

    Concluindo: Que Deus revele-se a si mesmo parece-me possível, agora que aspire passar por professor de cursinho universitário é perfeitamente escuso ou desnecessário.



    quarta-feira, 7 de outubro de 2015

    Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! I

    Nada mais desagradável do que um ambiente hostil. Nada mais desagradável do que ter de dizer verdades duras a uma platéia que não deseja ouvi-las. Nada mais desagradável do que ter de dialogar com fanáticos e sectários.

    São coisas que ninguém gosta de fazer.

    Mas que no entanto precisam ser feitas, devem ser feitas.

    Poucos de nós gostam de passar suas próprias roupas ou de lava-las ou ainda de preparar a própria refeição. No entanto caso não possuamos os recursos necessários teremos de faze-lo e pronto. É algo necessário, que se deve fazer...

    No curso da vida sempre nos depararemos com coisas que não gostamos de fazer.

    Mas que precisarão ser feitas.

    No curso da vida não desejaremos fazer muitas coisas.

    Mas deveremos faze-las.

    Afinal não são nossos gostos que definem a realidade ou fixam as leis.

    Quantas vezes somos incapazes de satisfazer nossos gostos e desejos...

    Menos mal...

    Coisas há no entanto as quais não nos podemos furtar.

    É imperativo categórico, dever, necessidade.

    Assim construir um mundo melhor, assim lançar os fundamentos duma sociedade mais tolerante, assim redirecionar o que esteja mal direcionado, assim auxiliar as pessoas a redefinir seus valores, e por ai vai.

    Nem sempre poderemos passar a mão da cabeça das pessoas e declarar que estão agindo corretamente.

    Nem sempre poderás concordar, aprovar e aplaudir.

    Nem sempre poderás ignorar e desculpar.

    As vezes terás de ter coragem suficiente para afrontar, denunciar, corrigir, resistir, discordar...

    Terás de ter ousadia. A ousadia de contrariar ou ser do contra.

    Especialmente no ambiente escolar.

    Onde temos mentes e carácteres sendo formados.

    Onde temos de educar em termos de reorientar, redirecionar e corrigir.

    Onde temos de afirmar certos princípios.

    Mas o que tem tudo isto a ver com o ensino do evolucionismo.

    No momento presente, em que mais e mais um certo ideário religioso importado dos EUA, consolida-se entre nós, tudo. No momento em que as religiões de caráter mágico fetichista tornam a expandir-se em níveis nacionais e globais, tudo. No momento em que o criacionismo passa da defensiva ao ataque em nossas escolas públicas, tudo!

    Raro o professor - de ciências, biologia ou mesmo de história, geografia ou filosofia - que já não foi rudemente questionado ou mesmo atacado por algum aluno em nome da tal inerrância bíblica e do criacionismo??? Quem de nós já não ouviu frases como esta:

    "Nossa professor, o senhor acha mesmo que o homem veio do macaco?"

    ou

    "Quer dizer que o senhor prefere acreditar nesse tal de Darwin a acreditar na Bíblia?"

    ou ainda:

    "Esse negócio de evolução é uma teoria de origem humana."

    Etc, etc, etc

    Não poucas vezes a abordagem dos pequeninos chega a ser insidiosa.

    Diante disto não poucos professores optam por silenciar.

    Tendo em vista uma falsa compreensão da liberdade religiosa.

    Outros até chegam a concordar, o que é pior ainda.

    Já ouvi professor acuado declamar: Cada um tem sua verdade, para mim é a ciência ou a evolução, para você a fé ou a Bíblia; e cada um fica com a sua!!!

    Nada mais especioso, nada mais venenoso...

    Diante de tantos desfalques decidimos fornecer ao educador crítico, reflexivo; que não pretende nem se omitir nem concordar, uma série de estratégias pedagógicas destinadas a ensinar a teoria da evolução em sala de aula dirimindo todas as possíveis objeções levantadas pelo fundamentalismo.

    1 - Se seu aluno perguntar: E se desejar crer na Bíblia e rejeitar a doutrina da evolução?

    De fato você pode escolher acreditar no que quiser: numa vaca voadora, no coelhinho da páscoa, no drácula, etc e nem por isso muda a realidade.

    Pode negar a existência do Sol e ele não deixará de brilhar. Sua opinião ou sua crença não incomoda o universo nem o comove.

    Milhões de pessoas creem na existência de Ganesha, mesmo assim você nega a existência desta entidade e percebe que não existe. Pois as crenças não alteram a realidade do mundo.

    Claro que você pode crer que existe um conteúdo científico na sua Bíblia, isto no entanto não torna sua crença verdadeira. E posso sempre insistir que sua fé esta equivocada!

    Clado que pode crer no mito judaico da criação, o que lhe dará um visão de mundo cientificamente inexata.

    O que você precisa fazer é investigar as coisas detidamente e sem preconceitos.

    Investigar primeiro e julgar depois.

    Assim se estudar detidamente a teoria da evolução e depois chegar a conclusão de que esta errada, merecerá ao menos o título de homem honesto!

    2 - Meu pastor disse que a evolução não é verdadeira.

    Resposta: Será que seu pastor já leu algum livro sobre evolucionismo?

    Se leu será que compreendeu?

    Ou será que limita-se a ensinar o que ouviu de outros pastores?

    Será que ele investigou o assunto?

    Do contrário a opinião dele valeria tanto quanto a de um boato.

    Fulano disse, que disse, que disse e ninguém investiga nada... vai ver e o boato é falso. Oh coisa feia.

    Para dizer que uma coisa é verdadeira ou falsa deve-se antes de tudo conhece-la.

    Se quiser poderá acrescentar: eu li diversas partes do antigo testamento e cheguei a conclusão de que aquilo não poderia ter sido real. Pode citar o exemplo dos anjos tendo relacionamento com as filhas dos homens, o dilúvio, a morte de Golias por três personagens diferentes, a fábula da burra de Balaão, a narrativa de Jonas no ventre de um peixe, etc


    CONTÍNUA