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sábado, 27 de outubro de 2018

O pai e o avô do Leviatã... e o Cristianismo II - A Inglaterra hobbesiana...

 


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Homem algum produz ideias a partir do nada... As ideias de um homem são resposta sua a problemas existentes no meio em que vive. E como o homem busca superar ou solucionar o problema podemos compreender as coisas em termos de 'oposição' a um dado modelo social...

Já vimos como as coisas se passaram com Platão. Cuja obra maior é por assim dizer, uma reação face a anomia produzida pela corrupção do ideal democrático. Sem querer justificar Platão ou concordar com ele podemos tentar compreende-lo e não apenas a ele mas a Hobbes, a Rousseau, a Marx, a Freud, etc Com certeza, a busca desta compreensão tornará nossa inteligência mais sólida!

No entanto se em Platão damos com alguém que delineia um possível futuro, em Hobbes damos com alguém que em certa medida ao menos reporta ao passado e a um passado não muito distante. Uma vez que Hobbes escreve cerca de 1651 mas nasce em 1588. Portanto meio século após a morte de Henrique VIII. De fato após o pequenino Portugal converteu-se a Inglaterra no primeiro Estado unificado da Europa e logo num Estado total ou absoluto, como Portugal jamais fora ou seria. Sem ter sido feudal teve Portugal seus cavaleiros a combater os Mouros, teve a Igreja romana com sua poderosa hierarquia e teme inclusive cortes e liberdades municipais. De modo que o poder do soberano luso estava longe de ser absoluto...

Willian no entanto, após conquistar aquela Ilha, exigiu juramento de submissão a cada senhor. Tampouco havia o municipalismo romano ou como querem, a Djemaa árabe, naquele pais. A velha nobreza fora em parte dizimada pela recente guerra entre as duas rosas. O quanto restava fora de controle na Inglaterra as vésperas da reforma protestante eram as universidades, as guildas e acima de tudo a toda poderosa Igreja romana, com seus mosteiros espalhados por todo pais, de modo que o poder do monarca, inda que substancioso, não era absoluto ou ilimitado. De fato por poderoso que fosse, especialmente após o fim da guerra das rosas, Henrique VII sequer podia sonhar com o poder que um dia seria acumulado por seu segundo filho.

Antes de prosseguirmos sejamos justos. Henrique VIII jamais foi protestante ou reformador como declaram ridiculamente algumas publicações romanistas. Separando-se de Roma ele jamais rompeu com a fé Católica e se mandou dissolver os mosteiros é porque eram a um tempo fiéis a Roma papal e a outro imensamente ricos. Teólogo, jamais compactuou com os princípios canonizados por Lutero ou Zwinglio os quais encarava como hereges pestilenciosos e não hesitou em remeter os luteranos e zwinglianos ou protestantes de modo geral,a fogueira. Uma anedota refere que folgava amarrar um protestantes e um romanista no mesmo poste e incendia-los juntos. Diante disto não poucos concluíram que na verdade não passava de um incrédulo, o que por sinal é bem possível. Formalmente foi o que os papistas costumam classificar como cismático, o que aproxima-o de nós Católicos Ortodoxos... Tudo quanto ele fez foi aproveitar-se das condições provocadas pela reforma para separar a Igreja inglesa da igreja Romana, sem que com isto altera-se nimiamente sua estrutura. E permaneceu não apenas Católica quanto a fé, mas episcopal e hierárquica.

Teólogo como já dissemos ele certamente estava muito bem informado a respeito de Justiniano e dos demais basileus que tentaram usurpar o poder eclesiástico em Bizâncio. Tais seus modelos. E foi mais bem sucedido que eles, obtendo do clero inglês, com algumas poucas exceções, uma submissão reverente. Submetendo a Igreja nacional converteu-a em repartição de Estado, tal e qual descreve Hobbes no Leviatã. Desde então teve sua inquisição espanhola. E pode controlar não apenas as guildas e universidade como o Parlamento, convertendo-o em quintal seu. A partir daí exerceu um poder absoluto e inconteste, e tantos quantos ousavam objetar qualquer coisa perdiam a cabeça.

Sintomático que tenha feito passar mais leis pelo Parlamento do que todos os seus predecessores. Ele de fato tudo aspirava controlar. Assim sua filha Maria, a sucessora desta Isabel e por fim Tiago I, teórico absolutista. Todos estes monarcas avançaram na direção apontada por Henrique, embora Isabel tenha mostrado mais prudência ou pudor. Seja como for, desde Henrique as leis inglesas atribuíam tal poder ao monarca.

Enquanto os reis absolutos comandaram a Inglaterra contaram com o decidido apoio da Igreja Anglicana ou Anglo Católica e com a oposição marcada de dois grupos bastante ativos: Os romanistas, representantes da antiga religião e os protestantes, já calvinistas, já anabatistas chamados de modo geral não conformistas. Ambos os partidos assacavam constantemente as fileiras anglicanas buscando desfalca-las e obter a hegemonia. Os romanistas temiam a preponderância dos sectários não conformistas e os sectários não conformistas temiam a influência dos romanistas. Os anglicanos ou realistas eram considerados aliados dos protestantes pelos papistas e dos papistas pelos protestantes embora de modo geral fossem por si mesmos. Segundo diversos autores o grupo anglicano era mais político do que religioso e muito pouco sincero e comprometido, enquanto que os extremistas - de um lado e do outro - eram movidos por convicções fortes.

O quanto de pode dizer a respeito daquele tempo e do que aconteceu é que os anglicanos, que até então formavam o Centro, foram sendo paulatinamente conquistados pelos papistas e pelos protestantes, disto resultando um profundo desequilíbrio. O rei, a corte e a alta nobreza pendiam cada vez mais ao partido do papa, a burguesia ao calvinismo e pelo menos parte dos mais pobres ao não conformismo. Até que o próprio anglicanismo viu-se cindido entre as duas correntes: Alta ou anglo Católica e baixa ou puritana, reproduzindo-se a mesma cisão fora da Igreja oficial. Cerca de 1625 achava-se a Inglaterra cindida entre as duas facções extremistas. A partir daí romanistas e anglo Católicos a um lado (realistas) e sectários ou revolucionários do outro iniciaram as hostilidades que levaram a Guerra civil ou a assim chamada Revolução, contando Hobbes com cerca de trinta e sete anos. Esta situação prolongou-se até no mínimo 1660 - i é seja por cerca de trinta e cinco anos - ou, segundo outros até 1688, ou seja, até a deposição do rei Jaime.

Foram cerca de sessenta anos de turbulência e instabilidade. Período muito semelhante aquele que fora vivenciado por Platão de 404 até sua morte, em Atenas. Até o advento da Reforma protestante achava-se a Europa espiritual ou religiosamente unificada, enquanto separava-se politicamente. Após o advento da Reforma, interpretado por muitos como a decadência do Cristianismo ou ao menos do Cristianismo ocidental ou latino, a separação entre as nações europeias tornou-se total, i é a um tempo religiosa e a outro política.

Particularmente no que diz respeito a Inglaterra, o advento da Reforma protestante propício as circunstâncias necessárias para cimentar a Unidade Política e respaldar o Absolutismo. Pois o sagaz Henrique VIII, tornando-se 'cismático' (sic) sem tornar-se protestante, logrou, pela espada ou pela força extinguir as dissenções religiosas e manter o reino espiritualmente unido em torno do trono e do anglicanismo episcopal, o que foi um golpe de mestre. A bem da verdade Henrique VIII tirou proveito da politicagem que envolvia o papado aquela época, a qual desagradava inclusive parte dos Católicos. No entanto a partir do momento em que os tutores de Eduardo introduziram os princípios protestantes no pais os próprios Católicos fossem romanos ou anglicanos tornaram-se mais comprometidos. Desde então um grupo opoz-se tenazmente ao outro.

E este estado de oposição entre consideráveis minorias Católica e Protestante amortecidas por um anglicanismo ou episcopalismo formal jamais cessou. Isabel no entanto, reeditou com sucesso a solução de compromisso de seu pai, apelando já a espada, já ao patriotismo... E mais uma vez obteve a conciliação entre os partidos, embora não na mesma medida que seu pai, alias mais intolerante. Henrique certamente encarava os extremistas papistas e protestantes como fanáticos, enquanto estes encaravam-no como um incrédulo ou oportunista, o que talvez não fuja a verdade. Izabel era do mesmo tipo, conciliatória e sagaz, quiçá descrente.

No entanto durante todo seu reinado e durante os dois que se seguiram os 'comprometidos' ou crentes foram não cessaram de concentrar-se nos 'extremos' debilitando cada vez mais aquele centrão anglicano e predispondo a sociedade ao conflito iniciado em 1620. Desde então as facções Católicas - Romana e anglicana - congregadas sob o signo do realismo, e protestantes, chegaram as vias de fato, e a Inglaterra conheceu o inferno. Praticamente todo século XVII foi isto.

Alguém que, imaginemos Th Hobbes, ama-se a paz e a tranquilidade odiaria viver na sociedade Ateniense do seculo V, na sociedade romana do século I a C ou do século V d C, na Sociedade europeia dos séculos X e XI ou na Inglaterra do século XVII... Conhecendo a fundo as causas das situações problema enfrentadas por estas Sociedades nosso homem construiria soluções na direção radicalmente oposta. E como cada uma delas remete a dissolução e ao conflito nossos críticos promoveriam a unificação e a paz, pagando tributo a autoridade.

Platão incriminou a democracia e por isso delineou um estado despótico, em que os vigilantes exercem rigoroso controle sobre os demais setores da Sociedade, comandando-os. Hobbes face a turbulência promovida pela religião chegou, muito provavelmente a uma incredulidade que a seu tempo não era prudente assumir. Recriminou não apenas o protestantismo por ter canonizado o livre exame - Método que brilhantemente relacionou com a discórdia e a confusão doutrinal - mas o próprio sentido universal ou Católico da fé Cristã, o qual encarou como uma finalidade política e anti estatal inadmissível.

Hobbes deve ter pensando do Cristianismo o que a maior parte de nós hoje pensa sobre o Mercado. Que equivale a uma espécie de besta fera a ser enjaulada. Para ele a anarquia social de seu pais era fruto de uma religiosidade ou fé que fugira ao controle. Portanto Hobbes só pode conceber o Cristianismo como uma instituição submetida ao poder estatal ou seja nos mesmos e exatos termos que Henrique VIII ou Isabel reinados cujo histórico ele bem conhecia e para os quais suas vistas estavam voltadas, como que para uma Era de ouro.

Escrupuloso Hobbes tende a desconfiar, em menor medida, de todas as comunidades ou associações não políticas ou intermediárias, dando por certo que elas debilitam o poder do soberano, ameaçando, consequentemente a paz. A existência de guildas, universidades, colegiados, etc só pode ser admitida quando estritamente necessária e a guiza de concessão ou seja enquanto algo autorizado pelo soberano. De 'per si' não teem tais comunidades direito a existir. Frente ao Estado, corporificado no soberano, existe apenas o indivíduo, nenhum outro tipo de entidade.

Agora como justificar metafisicamente tal estado de coisas?

Diante do que testemunho no curso da primeira metade do século XVII, concluí Hobbes que o homem seja um lobo, um predador, uma fera; sempre disposto a devorar o outro homem. Como o Freud da maturidade ou da velhice, o totalitário inglês, postula que o homem é dominado por um impulso de agressividade. Onde estiver mais de um indivíduo a tendência será o conflito, não mero conflito classista, como queria Marx. Para o autor do Leviatã o conflito é individual e inevitável...

E no entanto este homem, e damos com Freud novamente, agressivo, aspira pela paz e pela tranquilidade.

Como chegar até ela?

Por meio do contrato as partes, tendo em vista este bem maior, que é a paz, devem abrir mão de suas liberdades e entregar-se a tutela de um soberano forte. Uma vez que todos sejam controlados com mão de ferro pelo soberano e nivelados pela submissão, o conflito generalizado cessará.

Encarado deste modo não é o Leviatã algo mau ou indesejável, mas algo verdadeiramente bom e desejável, enquanto caminho único para a aquisição da paz social ou da estabilidade. Da submissão ou obediência ao Estado e suas leis é que advirá o equilíbrio. Da servidão voluntária resultará a harmonia. A partir da qual a pessoa humana poderá cultivar suas habilidades. Já o exercício do que chamamos liberdade produzirá inevitavelmente a discórdia ou a guerra, a qual impedirá que o homem de realizar-se enquanto tal. Aqui uma espécie de denominação comum face a Platão: Qualquer situação de liberdade ou democracia resultará, necessariamente, em anomia, anarquia ou conflito. Diante disto a alienação da liberdade e o recurso a autoridade absoluta são requisitos exigidos por uma sociedade bem ordenada.

Por ai se vê que podemos discordar de Hobbes mas de modo algum duvidar de sua sinceridade ou negar a coesão de seu pensamento.

Nem podemos estar totalmente certos de que em situações sociais semelhantes as que ele ou Platão vivenciaram discordaríamos deles. A menos que nos presumamos mais habilitados ou inteligentes...




segunda-feira, 28 de março de 2016

Profissão de fé



Há ateus que são muito mas muito religiosos só faltam mesmo compor uma profissão de fé semelhante a profissão de fé niceno-constantinopolitana.

Acreditam piamente que todo governo é igual, que democracia é igual à ditadura, coisa porque são desmentidos pela lógica e mesmo pelo senso comum, sim, o senso comum.

Acreditam no advento da anarquia como os cristãos creem no 2º advento de Cristo, acreditam que nesse mundo não haverá injustiças, nem opressão, que não haverão psicopatas. Que eliminando a autoridade tudo se seguirá de maneira magica igual a tal mão invisível do mercado. Sem guerras, sem prêmios nem castigos, o reino de Deus na Terra, ops... Deus não existe.

Neste reino não haverá mais estupros, nem assassinatos, nem ciúmes, "já não existirão nem lágrimas nem dor" na Nova Jerusalém pois já foram expurgados os seguintes males: capitalismo, propriedade privada e o pior de todos, o anticristo, a besta do Apocalipse, o Estado! :o Neste reino todo mundo viverá feliz para sempre e tudo será decidido por todos desde a educação, até à medicina mesmo que nada se entenda dos assuntos em pauta.

Não existirão leis, logo não existirão crimes mas havendo crimes quem punirá o agressor? E se não existem leis quem calará o opressor? Um criminoso não pode ser punido mesmo que seja um sujeito normal? Se existir expulsão do indivíduo, então existe autoridade e se existe autoridade a anarquia se prova uma mentira e Bakunin escreveu: "Todo indivíduo condenado pelas leis de uma sociedade qualquer, comuna, província ou nação conservará o direito de não se submeter à PENA que lhe tiver sido imposta, declarando que não quer mais fazer parte desta sociedade. Mas neste caso a sociedade terá o direito de expulsá-lo de seu seio e de declará-lo fora de sua segurança e de sua proteção".

A SOCIEDADE INTERNACIONAL REVOLUCIONÁRIA (1865)

Para os que pregam a extinção de todo e qualquer autoritarismo aí está, mesmo numa possível sociedade anarquista haverá autoridade e autoridade é autoridade, pode-se chamá-la de arbitrária ou não.

A fé é bela, a crença no Paraíso é bela e acreditar na inocência original do homem é uma fé que vai além até mesmo da fé judaica, católica, islâmica ou protestante que não acreditam que o ser humano seria bom dada certas condições e liberdade total.



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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Problemas em torno do anarquismo: anarquismo, socialismo e individualismo III

III - Os fins ou objetivo do anarquismo: estado, autoridade e poder; Sociedade ou Individuo???
SOCIALISMO OU INDIVIDUALISMO???

Chegamos agora a questão dos fins ou do objetivo do anarquismo e é questão crucial porque se define quem é anarco socialista ou socialista libertário e quem é anarco individualista; enfim quem pertence a uma ou outra destas correntes opostas, incompatíveis e rivais.

Durante das discussões entre meus amigos anarquistas não poucas vezes ouvi (por parte dos individualistas) a tese de que todos eram anarquistas e que portanto deveriam trabalhar juntos. Isto porque os individualistas parecem conhecer muito melhor suas fontes e seus objetivos do que os 'socialistas', quase sempre demasiado ingênuos ou superficiais, ou mesmo confusos.

Como o socialismo esta cindido em duas correntes: autoritária e liberal, libertária ou democrática também o anarquismo esta cindido em dois partidos: o socialista e o individualista ou stirneriano.

E tal divisão diz respeito aos fins.

Ambos declaram aspirar pela destruição do que chamam de Estado.

Agora enquanto os socialistas pretendem substitui-los (tomo por guias a Bakhunin e Kropotkin) por algum outro tipo de organização social os individualistas, tomando ESTADO POR SOCIEDADE ou GRUPO SOCIAL tenciona aniquilar o estado para transferir o poder e a autoridade para os indivíduos. Observe-se que esta diferença é radical! Para Bakhunin e Kropotkin deve ser substituído por outro tipo de modelo ou organização social, para Stirner, Rand, Rootbarth, etc será substituído por individuos ou por organizações de carater puramente econômico.

Talvez, prezado amigo anarquista voce imagine que Bakhunin e Kropotkin tomavam Estado por Sociedade ou que, a semelhança de Stirner e seus sequazes cogitavam em abolir todo e qualquer tipo de autoridade. Há em certos anarquistas uma forte tendência para hostilizar e negar todo e qualquer tipo de autoridade. Mas tal tendência não esta presente em Bakhunin ou Kropotkin nem esta de acordo com o anarquismo socialista ou 'russo'.

Os alemães legatários de Lutero e sua tara anti eclesiástica é que conceberam a ideia de abolir todo e qualquer tipo de autoridade colocando o individuo acima de todas as coisas ou acima de tudo. E negando, consequentemente a existência da Sociedade (ou proclamando sua destruição) tal e qual o despadrado alemão negava a existência da igreja visível, No entanto apesar do despadrado a igreja de Roma continuou a existir visivelmente, como existe visivel e materialmente a Sociedade.

De fato o que Bakhunin e Kropotkin aspiram por destruir é o Estado concebido como um governo arbitrário exercido por um ou vários ou como a estrutura hierárquica de um macro estado. Neste sentido buscam a fragmentação do macro estado e sua substituição por pequenas unidades, comunas ou municípios e isto por uma razão bastante compreensível: Para que o governo arbitrário de um ou vários: a monarquia, a aristocracia ou a democracia formal e indireta pudessem ser substituídas pela democracia direta ou pura a semelhança do que temos no Landsgemeine suiço. 

Logo, no pensamento de um e outro há bastante espaço para um grupo social ou sociedade em termos de COMUNA, a qual sobrepõe-se a todos os individuos e exerce autoridade com a participação de todos i é numa perspectiva democrática. E tal é o poder desta autoridade social ou democrática em sua esfera ou espaço que aqueles que negam-se a admiti-la - afirma Bakhunin - podem ser postos fora dela, abandonados a solidão ou exilados. Assim, para viver a anarquia de Bakhunin é necessário conviver ou viver em sociedade. Apenas o tamanho desta sociedade é reduzido e por uma questão funcional: permitir a participação de todos no processo decisório, segundo o modelo da democracia pura ou direta, da POLICRACIA ENFIM.

Claro que Bakhunin e outros teóricos reservam um espaço para a pessoa humana. Espaço de direito natural que encontra-se para além da forma democrática e acima dela. Eles não eram menos inteligentes que Russeau nem tinham Russeau em conta de tonto. Isto em termos de personalismo. Pois a esfera pessoal ou particular das escolhas humanas contrapunham a esfera comum ou pública do político, buscando um sadio equilíbrio. Assim o espaço da pessoa com suas garantias e direitos não implicava na inexistência ou negação de um espaço comum ou seja da Sociedade. Antes implicava a busca duma concepção harmoniosa.

Com Kropotkin (vide artigos contra Stirner e Spencer na Enciclopédia Britânica) penso que em tais termos não haja acordo possível. O ideal de Stirner é um caos de indivíduos separados, dispersos e isolados (o que nos leva necessariamente a um estado de luta ou ao darwinismo social - lei do mais forte, super homem e outros delírios) ou a anomia, império de arbitrariedades e injustiças; numa palavra o Leviatã de Hobbes. O ideal dos anarco socialistas russos é a convivência fraterna dos antigos gregos.

O fundamento da primeira cidade é o individualismo peculiar aos povos do Norte, afirmado e alimentado pela reforma protestante. A negação da Igreja, a negação da Sociedade, a negação da Comunhão e da Convivência... O fundamento da segunda cidade remonta a Clistenes e ao modelo helênico. São duas cidades não apenas distintas mas rivais. Uma busca a liberdade na convivência com as pessoas e num clima de respeito mútuo e fraternidade. A outra busca afirmar a ação descontrolada dos individuos... como se ve não há acordo possível entre as correntes individualista e socialista do anarquismo. São reinos tão distintas quanto os socialismos democráticos e o socialismo autoritário dos comunistas.




 

domingo, 8 de março de 2015

Dia internacional das mulheres




Hoje é o dia internacional das mulheres não há muito o que comemorar no Brasil, este deve ser um dia para reflexão sobre a condição das mulheres neste país e em todos os outros países. Dia de reflexão porque as mulheres ainda são tratadas como seres inferiores por uma grande parcela da sociedade pois em geral ganham menos que os homens, trabalham em casa e praticamente cuidam sozinhas dos filhos, sofrem violência física e psicológica, são constrangidas a se comportar de modo "decente", não podem vestir-se à vontade, não podem ter vários namorados em seu histórico de vida, etc...

As mulheres sofrem muitos preconceitos tanto na vida real como na vida virtual, entrando no facebook é comum ver em grupos de discussão homens desqualificando as mulheres com argumentos totalmente desonestos como:


  • E a louça?
  • Já lavou a louça?
  • Tinha que ser loira.
  • É mal amada, mal comida.

Esses são apenas alguns exemplos dos absurdos difundidos nas redes sociais, mas esses pensamentos não são encontrados apenas entre os cristãos fundamentalistas e demais reacionários mas também dentro da esquerda que além de não darem espaço para as mulheres, as subjugam. Está impressionado (a)? Esse comportamento também é encontrado em grupos anarquistas virtuais e até mesmo em "anarquistas" da vida real que oprimem suas companheiras. O machismo é uma ideologia muito forte, tão forte que consegue infiltrar-se na esquerda e até mesmo nos movimentos libertários querendo ditar o que as mulheres podem e não podem fazer. As mulheres de esquerda e anarquistas até criaram termos para designar os machistas "revolucionários" e os misóginos "libertários" elas os chamam de esquerdomachos e anarcomachos.

Infelizmente nosso país tem uma tradição machista que vem de longa data e ainda nós enquanto sociedade estamos reproduzindo coisas como:


  • Mulher tem que casar virgem.
  • Esse menino parece uma menininha só chora (identificando choro como fraqueza e a fraqueza como coisa inata às mulheres). 
  • Mulher não sabe dirigir.
  • Meninas brincam com bonecas e casinhas (condicionando as meninas desde cedo a serem donas de casas, servis e obedientes, e ensinando-lhes que sua função na sociedade é a de serem reprodutoras).
  • Meninas não podem ficar de pernas abertas.Meninas não devem ser oferecidas., etc...
O triste é que também há mulheres que reproduzem o machismo não permitindo que seus filhos lavem a louça, que varram a casa, que arrumem suas próprias camas, essas mães dizem: "Vai brincar e deixa esse serviço para sua irmã". É triste mas é a realidade.

O Brasil apesar de muitos avanços, apesar de muitas ideias progressistas continua sendo um país extremamente machista e por isso as feministas tem que lutar mesmo por seus direitos. Um país onde as mulheres tem que se enquadrar num perfil de beleza proposta pela moda e pela mídia, onde são vistas como objetos, onde não podem comportar-se do mesmo modo que os homens, um país onde elas que são vítimas são culpadas pelo estupro: "Se não tivesse andando à noite sozinha com roupa curta isso não teria acontecido". Pode-se somar a isso o machismo daquele idiota o Rafinha Bastos que fez uma piada de muito mau gosto certa vez, na qual este disse que uma mulher feia devia agradecer caso fosse estuprada e também pode somar-se aqueloutro que é ainda mais idiota que o Rafinha Bastos, Danilo Gentili que zombou de uma moça que é campeã em doar leite materno no Brasil.

Para piorar temos grupos que são lesbofóbicos que ensinam e praticam o estupro corretivo de lésbicas e de mulheres bissexuais. É assustador que a sociedade como um todo encare todos esses absurdos naturalmente e diante de todos esses problemas ainda há homens que reclamam por não haver uma data internacional para os homens e há outros homens igualmente idiotas que dizem que se as mulheres querem direitos iguais que lutem pela obrigação do alistamento obrigatório das mulheres, que as gestantes fiquem em pé nos ônibus lotados, etc... Não entendem que as mulheres não querem privilégios, o que elas não querem é serem oprimidas, trabalhar mais que os homens (pois trabalham em casa) e receber menos, que não querem ser estupradas, que não querem ser forçadas a fazer sexo pelos próprios companheiros. O que as mulheres querem é a igualdade, querem ser vistas como os homens são vistos, como seres humanos e não como uma espécie de sub ser humano. Este dia não é um dia para ser comemorado mas um dia para se refletir as condições das mulheres aqui neste país e em todos os países e lutar por um mundo onde as mulheres tenham os mesmo valor que os homens. Por esses problemas e outros que o feminismo existe, o feminismo não é um machismo às avessas, não! O feminismo é a luta das mulheres por sua emancipação, nada mais.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Esquisitices - Esquerdices

Se o historiador Eric Hobsbawn fosse vivo eu recomendaria que escrevesse um novo livro: A era do mi mi mi. Sim, leitor(a), A era do mi mi mi, porque a esquerda tem umas idiossincracias que eu nunca vou entender. Eu não sei se é a esquerda do Brasil ou se isso é mundial, acho que é mundial, porque certa vez George Bernard Shaw escreveu: "Só não temos o socialismo ainda por culpa dos socialistas". Chego à conclusão que a esquerda é burra! Sim, leitor(a), a esquerda é burra, idiota, estúpida mesmo! E, olha que me considero progressista e até mesmo libertário... Mas a verdade é que a maioria dos "revolucionários" marxistas nunca leu as obras de Marx nem mesmo as obras mais curtas e fáceis e a maioria dos anarquistas que gostam de citar Bakunin pra cima e pra baixo nunca leu um livro sequer deste autor.

Mas o que espanta-me na esquerda brasileira é que eles defendem o indefensável, e ofendem-se com meras opiniões. Se você apoia o Charlie Hebdo já é motivo para esquerda emotiva e os anarco-emotivos ficarem ofendidinhos e isso é também motivo para que lhe chamem de islamófobo(a). Não se pode criticar o islã, os mulçumanos são uns coitadinhos perseguidos pelo ocidente capitalista e mau. Essa esquerda confunde religião e práticas religiosas com povo. Islã não é povo, islã é religião, assim como o budismo, o cristianismo e tantas outras religiões. Como essa esquerda doentia não quer que eu critique o islã, se vejo que o Boko Haram matou duas mil pessoas na Nigéria, se vejo o Estado islâmico praticando suas barbaridades e se vi a milícia talebã levar o Afeganistão para o século 10 antes de Cristo? E toda essa sujeira veio do islã, não veio do budismo, não veio do catolicismo, não veio do hinduísmo... Mas eles continuarão justificando o injustificável, como diz a sabedoria popular: "o pior cego é aquele que não quer ver". 

Também tive oportunidade de ver no facebook uma página dedicada a defender o pensamento negro criticando mulheres negras que desejam casar com brancos, para essa gente doente, uma mulher negra deve casar com negros, para deixar a "raça" mais pura, ao menos é o que a página dá a entender.



Uma moça negra não gostou do conteúdo da página e o(a) administrador(a) da página no anonimato chama a moça de negropeia.



Então de acordo com essa gente uma mulher negra tem que casar com um homem negro? Se ela casa com um branco, ela é racista? De quem é a vida? Não é da mulher negra? E se ela quiser casar com um branco o que essa página tem haver com isso? Agora querem obrigar as mulheres negras a casarem com negros e as que não fazem isso são racistas e traidoras a ponto de serem chamadas de negropeias. A mim não importa quais motivos levam uma mulher negra a se casar com um branco, isso diz respeito apenas à ela e a ninguém mais.

Tanto comunistas, como socialistas e também anarquistas em geral tem o péssimo gosto de cultivar o feio, alegando que o feio é popular e se alguém desdenha uma arte feia, desdenha o povo pobre. De modo que para ser "comunista autêntico", "socialista de verdade" e "anarquista verdadeiro" é preciso gostar do que o povo gosta, é preciso ser como o povo, se o camarada  ou companheiro não gosta do que gosta o povo então ele é considerado como pequeno-burguês e preconceituoso.

Ontem, eu coloquei uma charge onde Nietzsche opinou sobre o funk carioca, foi o quanto bastou para um debate acalorado e emotivo.



Algumas pessoas começaram a questionar-me porque o funk não era música e eu expliquei porque não tinha ritmo, nem harmonia e que os "cantores" nada cantam, tem vozes horríveis e suas letras são machistas isso quando não reproduzem os valores do capitalismo.

Aí um "libertário" que deve também ser analfabeto funcional escreveu que eu afirmei que funk não é cultura, o que é uma inverdade. Funk é sim cultura, tudo o que é produzido pelo ser humano e que é transmissível é cultura, isso não significa que essa cultura seja bela, boa e verdadeira, segundo a tríade de Platão.

Evidentemente que o "punk" nas entrelinhas disse que sou preconceituoso porque não gosto de funk e porque não considero funk como música, disse-lhe que  gosto de rap, porque como diz a abreviação em inglês, rap é ritmo e poesia, que surgiu na Jamaica na segunda metade do século passado. Disse-lhe que o rap é popular e belo porque bem construído, diferente do funk carioca. Não contente com minhas opiniões o "libertário", o "punk", o "anarquista" deletou-me e bloqueou-me do seu círculo de amizades. Já tive oportunidade de conversar uma ou duas vezes com o sujeito que é pós-modernista, daqueles que negam toda a verdade e toda objetividade. Ele não crê que exista a verdade a não ser aquela verdade de que a verdade não existe. Se nada tem valor absoluto, se nada é absolutamente verdadeiro por que exasperou-se? Por que bloqueou-me? A discussão para mim não foi de preconceito, mas de questão estética, nada mais que isso. Não sou obrigado a gostar de uma coisa artisticamente feia só porque é do "gueto", das comunidades. Não, mil vezes não. Isso nada tem haver com racismo ou preconceito como querem um grande número de idiotas da esquerda seja marxista, seja libertária.

Da mesma forma que eu não gosto de funk, também não gosto da arquitetura modernista (Oscar Niemayer), não gosto da literatura moderna, cito como exemplo de poeta detestável e de mau gosto, Carlos Drumond de Andrade que tem uma "poesia" que diz mais ou menos assim: "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...". Isso não é poesia nem aqui nem na China, não tem poesia, não tem significado e não provoca a catarse.  Também detesto as pinturas modernistas, detesto as esculturas modernistas que nada significam porque significam tudo, pois o que vale na contemplação não é o que o artista quis mostrar mas a subjetividade de cada um. Será que os esquerdistas acusar-me-ão de ser anti-povo agora? Mas Niemayer era proletário? Sei que era comunista, proletário nunca foi, até porque proletário não fazia arquitetura na época em que ele estudou. Será que Carlos Drumond de Andrade nasceu e viveu na periferia?

Como o(a) leitor(a) pode perceber não é o preconceito que move-me mas o amor dos cânones da boa escrita, da boa pintura, da boa escultura, da boa arquitetura... Uma arte pode ser bela ou não e isso independe de ser ou não popular. Uma arte pode ser bela ou feia independente de ter sido feita por burgueses. Em arte não se leva em questão o economicismo dos marxistas e nem o emancipacionismo das artes.

O que eu desejo ardentemente é que as classes populares tenham acesso a um teatro de qualidade, que possam ir à orquestras sinfônicas, que possam frequentar pinacotecas, museus, etc... Que essas coisas deixem de ser monopólio dos ricos e sejam patrimônio de todo o povo, mas para isso é preciso que o povo tenha educação de qualidade e não fazer o jogo da burguesia como faz essa esquerda doentia, ensinando-lhes que a cultura do gueto é a cultura do pobre e música clássica é um lixo e tem que ser detestada porque foi criada por burgueses. Quando a esquerda faz isso, priva o povo sofrido das melhores coisas já produzidas pela humanidade. Se isso é ser esquerda, então eu não sou esquerda, se ter um discurso demagógico é ser esquerda então não comungo das ideias dessa esquerda. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Por que doravante votarei nulo?




Apesar de ter lido vários textos de anarquistas contra o sufrágio universal, contra o voto, mesmo contra o voto crítico, mesmo tendo conhecimento de textos e mais textos, mesmo assim votei - o coração tem razões que a própria razão desconhece, escreveu Pascal - pois parece-me que só aprendemos a partir de nossas experiencialidades, com nossos próprios erros.

No 1º turno votei nos candidatos do PSOL e no 2º turno optei pelo "voto crítico", pelo "voto tático" com medo de eleger Aécio pois em minha ingenuidade pensei que a situação do Brasil poderia piorar e ante isso eu votei na senhora Dilma Roussef, ainda escrevi textos sobre o voto crítico bem como  textos apoiando a presidente, aquiaqui, aqui e aqui.

Eu não votei na Dilma porque pensei que o Brasil iria ter avanços mas votei para não ter retrocessos e enganei-me da forma mais estúpida possível, mais estúpida porque já tinha sido alertado por textos anarquistas. Por estes dias Dilma anunciou Joaquim Levy como ministro da fazenda, um sujeito neoliberal que não tem um pingo sequer de socialismo. A Dilma enganou seus eleitores, tudo o que disse em sua campanha eleitoreira foi desmentido  com o anúncio de um ministro da fazenda à direita, isso para não falar na indicação da Kátia Abreu para ministra da agricultura. O PT criticou tanto o PSDB para no fim fazer o mesmo que o PSDB, só por isto, o PT se mostra mais desonesto que o PSDB. O bom disso é que a máscara do PT caiu, se o partido da estrela vermelha conseguia se disfarçar como esquerda, agora o disfarce foi desfeito e todos sabem de que lado está o PT. Até a revista liberal The Economist elogiou a escolha da senhora Roussef e mais ainda a revista afirmou que a política econômica do PT é uma imitação da política do PSDB, além de toda a canalhice, o PT é também um partido plagiador, se ao menos plagiasse o que é bom...

A esquerda que votou em Dilma está revoltada e sente-se traída pela presidente que mostrou ter aprendido bem as lições de O Príncipe e agora não adianta reclamar, o voto crítico assim como todos os outros votos revelou-se uma fraude, na verdade o voto crítico/tático deveria ser chamado de voto ingênuo.

Guilherme Boulos percebeu que o partido dos trabalhadores não é mais dos trabalhadores, é um partido que está à direita e pouco se importa com os trabalhadores e com os pobres deste país, ademais continuarão com o seu assistencialismo barato e a gente pobre ainda verá na dupla dinâmica Lula e Dilma uma espécie de Cristo no primeiro e uma espécie de virgem Maria na última. O texto de Guilherme Boulos  é um texto irônico mostrando a verdadeira face do PT.

O PT metamorfoseou-se, de esquerda que era tornou-se direita, a sátira de George Orwell cai bem ao PT:

"Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora, olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco".  George Owell in A Revolução dos bichos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Considerações sobre o Estado





O Estado não poucas vezes constitui um dilema - O Estado sustenta a opressão e o capitalismo de Estado, mas sua implosão poderia provocar o surgimento de um novo mundo, o mundo gerido por industriários e empresários cujo poder seria mais tirânico do que o do Estado.

Margareth Thatcher - de infeliz memória - quando foi 1ª ministra do Reino Unido praticamente aboliu o salário mínimo de modo que os patrões poderiam pagar um salário mais baixo que o mínimo exigido por lei, já que o Estado não se intrometeria nos "acordos", entre o contratado e o contratante. Uma vez que esses "contratos" eram impostos o trabalhador tinha duas opções receber muito pouco ou não receber coisa alguma.


Neste ponto não deveria haver uma pressão social para que o Estado interfira na economia, uma vez que os mais pobres não tem como defender seus direitos? Penso aqui na teoria da jaula que Chomsky tomou emprestado de operários brasileiros, expandir a jaula para que o bicho feroz que é o patronato não devore os trabalhadores. Pois é, o Leviatã não é 100% mau mas também não é a maravilha que os adoradores hegelianos de esquerda ensinam.

Evidentemente gostaria que não dependêssemos do Estado, que não houvesse burocracia e que não houvesse essa representatividade burguesa, mas para isso é preciso sim organizar e educar o povo para sua emancipação mas não só em nível nacional mas em todo o mundo, pois toda e qualquer revolução ou evolução da sociedade, se for localizada está fadada a desaparecer porque a reação é internacional.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Anarquismo roteiro da libertação social




Hoje à tarde acabei de ler o livro de Edgard Leuenroth, Anarquismo roteiro da libertação social  que é uma antologia de textos libertários que versam sobre a história do anarquismo, história da imprensa anarquista, dos congressos anarquistas, que explicam o que é o anarquismo e como agem os anarquistas e também versa sobre a educação libertária. A maior parte dos textos é do próprio Leuenroth, mas também há textos de Gigi Damiani, Malatesta, José Oiticica entre outros.

O livro tem uma linguagem de fácil assimilação mas nem por isso deixa de ser profundo, de todos os livros sobre o anarquismo que li este foi o melhor, o autor e organizador da obra refutou o marxismo e suas pretensões historicistas, explicou exaustivamente que todos os problemas derivam do Estado e da propriedade privada, e que são esses entes que sustentam o capitalismo.

Edgar Leuenroth insiste por todo o livro que os anarquistas se associam livremente e praticam o apoio mútuo, sem coação, sem leis, apenas baseados na camaradagem e, o melhor o autor não faz discurso sobre o funcionamento da sociedade anárquica mas demonstra cabalmente através de fatos históricos vários episódios de anarquistas e de pessoas comum que se associaram livremente e aboliram o dinheiro e entre eles reinava a harmonia, esses fatos vieram a desmontar a tese marxista-leninista de que precisa haver uma ditadura do proletariado, a tomada do governo para se chegar ao comunismo. Leuenroth desmonta essa falácia apenas demonstrando fatos e nada mais.

Este livro é simples e não tem grandes pretensões, é a melhor iniciação ao anarquismo e é obra de brasileiro, é uma aula de filosofia, de história e de sociologia para se entender o que é de fato o anarquismo, este livro não deixa nenhuma dúvida sobre o assunto e sua linguagem além de didática é uma linguagem serena e acolhedora. Se você se interessou pelo livro pode comprá-lo mas se não puder e/ou quiser comprá-lo pode baixá-lo gratuitamente aqui. Se este texto excitou sua curiosidade a  ponto de levá-lo(a) a baixar a ler o livro dou-me por satisfeito. Quanto a mim, posso dizer que este livro me esclareceu muito.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Aumentemos a área da jaula





"Quando se destrói a única estrutura institucional da qual os indivíduos podem participar, numa certa medida - isto é, o governo - isso é entregar seu poder às tiranias privadas que não respondem por suas ações, o que é bem pior. Assim, deve-se fazer uso do Estado, reconhecendo ao mesmo tempo, e sempre, que o objetivo último é seu desaparecimento. Alguns trabalhadores brasileiros tem uma divisa interessante. Consideram que sua tarefa imediata é 'aumentar a área da jaula'. Eles sabem que estão encerrados numa jaula, mas estão conscientes de que é necessário protegê-la quando ela é atacada por predadores bem mais ferozes, que se encontram do outro lado das barras, e que é preciso estender os limites. Esses dois pontos são as preliminares essenciais que permitirão desmantelar esse sistema. Se eles atacassem diretamente a jaula, nesse momento em que estão tão vulneráveis, eles seriam exterminados".

The Common Good,
NOAM CHOMSKY, Odonian Presse, 1998.

* O texto foi extraído da Revista Libertários - Revista de expressão anarquista - São Paulo nº 2 .2º semestre de 2003, página 27

sábado, 3 de novembro de 2012

Carta aberta ao amigo Camilo Gomes Jr acerca da anarquia







Caro Camilo (Camilo Gomes Jr é blogueiro e seu blog é a "Voz da espécie"   (http://avozdaespecie.wordpress.com/  ) sei que você tem dúvidas sobre a funcionalidade do anarquismo, isso é bom porque nos permite o debate sobre este assunto.

Segundo suas dúvidas, dúvidas louváveis:

Quanto à questão do anarquismo, acho que o maior desafio para seu estabelecimento é justamente superar o desenho genético de nossos cérebros (cujo funcionamento produz nossas mentes), em especial no que tange àqueles traços de base mais instintiva ou de moral primitiva que antropólogos já registraram distribuídas em todas as sociedades humanas, nas mais diversas culturas: os chamados “universais humanos”. Acho difícil superá-los ou reduzi-los sem a presença coercitiva de alguma autoridade central (um Estado: aqui, entendido como qualquer poder centralizado numa comunidade, seja um Estado organizado como o democrático de direito contemporâneo, seja um conselho de sábios, uma cúpula de partido, um rei, um parlamento, uma liderança tribal ou um patriarcado de clã). 

Parece-me que você parte da premissa de Hobbes: "Homo homini lupus", "o homem é o lobo de outro homem", por isso é preciso ter uma autoridade externa para que o mundo não caia "na guerra de todos contra todos". 

Somos levados a crer que o Estado é importante, que ele é quase divino e que existe desde que o ser humano surgiu ou que é um mal menor. Sem Estado não haveria leis, não haveria organização e todos seriam individualistas tais como os homens-lobos de Hobbes. Infelizmente é isso que nos ensinam nas escolas, a história é falsificada com objetivo de querermos sempre uma autoridade, um governo. Muita gente acha que a anarquia é uma utopia e que nunca vai existir essa idade do ouro, logo a presença do Estado se faz necessária.

Acontece que tivemos sim, essa idade de ouro e foi na Idade Média que a maioria das pessoas por ignorância chama de Idade das Trevas. Foi nessa época que surgiram as comunas e as guildas que se guiavam por leis consuetudinárias ao invés de se guiar pelo direito romano. Os homens nessa época se associavam livremente, criavam fraternidades e federações.

Sobre as guildas e fraternidades diz Kropotkin: "Sob a designação de guildas, de amizades, de fraternidades, de universidades etc., pululavam as uniões para a defesa mútua; para a ofensa de vinganças recebidas por qualquer membro da união; para se solidarizarem com todos os atos que fossem levados a efeito - substituindo, assim, a estúpida vingança do olho por olho pela compensação, seguida da aceitação pura e simples do agressor na "fraternidade";para o aprendizado e exercício das profissões; para o socorro em caso de doença; para a defesa do território; para impedir as pretensões da autoridade nascente; para o comércio; para a prática da "boa vizinhança"; para a propaganda... para tudo, enfim, que o europeu educado pela Roma dos Césares e dos papas, solicita hoje ao Estado". [1]

Durante a Idade Média não existia o Estado, o Estado tal como é hoje é uma invenção moderna e não é nada daquilo que diz Hobbes, que é preciso um poder centralizador para que o homem não caia na guerra de todos contra todos.

Segundo este mesmo autor: "...Os bárbaros deixavam-se escravizar, trabalhando para os amos; mas seu espírito de ação livre e de livre entendimento não se tinha corrompido. apesar de tudo, as suas fraternidades tinham vida; e as suas cruzadas não fizeram senão despertá-las e desenvolvê-las no Ocidente. 
Então, e com grande espanto da Europa, eclodiu, nos séculos XI  e XII,  a revolução das comunas, revolução preparada desde longa data pelo espírito federativo, espírito este que saiu da união das fraternidades ajuramentadas com a comuna rural". [2]

Como bem se vê a anarquia, a acracia ou qualquer nome que se dê a isso não é uma utopia, uma ilusão de mentes românticas ou degeneradas como querem os defensores do Estado sejam conservadores sejam esquerdistas, sejam de centro. Um governo imposto, uma auto--gestão já existiu mas é claro que nossos historiadores oficiais não têm interesse em mencionar, daí que nossas gerações "educadas" nessa história se apegam ao Estado como aquela instituição que garante seus direitos e que o assiste em suas necessidades. E   diante de tal ocultação ou adulteração da história os anarquistas são odiados e insultados pelos estatólatras que não se deram ao trabalho de estudar os teóricos anarquistas.

De acordo com Kropotkin: "Em algumas regiões, o desenvolvimento destas comunas foi natural. Em outras - e foi a regra geral para a Europa ocidental - o seu desenvolvimento foi o resultado de uma revolução.
Quando os habitantes de um determinado burgo sentiam-se suficientemente protegidos por suas muralhas, formavam uma "conjuração". Voluntária e mutuamente faziam o juramento de abandonar, esquecer, mesmo, todas as questões provenientes de insultos, de lutas ou de ferimentos; e juravam também que, no futuro, não mais recorreriam, nas desavenças que porventura houvesse, a outro juiz que não fosse o síndico, ou os síndicos nomeados por eles. Em cada guilda de profissão ou de boa vizinhança, em cada fraternidade ajuramentada, este procedimento foi praticado durante um largo período de anos. E nas comunas rurais, antes do bispo ou do reizinho terem introduzido nelas para impor-se como juízes, observava-se o mesmo costume.
Mais tarde, as aldeias e as paróquias que constituíam o burgo, assim como todas as guildas ou fraternidades que se desenvolveram no seu seio, consideravam-se como uma única amizade, não só para nomear os seus juízes, como para jurar a união persistente entre todos os grupos.
Para isso redigia-se imediatamente uma carta que era aceita por unanimidade. Em caso de necessidade mandava-se copiar essa carta (espécie de constituição de que se conhecem, hoje,  centenas e centenas de exemplares) de qualquer comuna vizinha; e, assim, ficava constituída a nova comuna. Ao bispo, ou ao príncipe, que, até aquela data, tinha sido, em maior ou menor grau, o dono, o senhor, não lhe restava outro recurso senão o de aceitar o fato consumado, ou combater, por meio das armas, a nova conjuração. muitas vezes o rei, quer dizer, o príncipe que procurava dar-se ares  de superioridade sobre os outros príncipes, mas cujo cofre estava vazio, "outorgava" a carta mediante uma certa quantia. Deste modo renunciavaà imposição do seu jugo à comunidade, assumindo, depois, uma pose altiva perante os outros senhores feudais. Mas isto não era, de maneira alguma, a regra geral: centenas e centenas de comunas viviam sem outra sanção que não fosse a sua vontade, as suas muralhas e as suas lanças!". [3]

Isso porque o desafio de se conseguir, sem imposição da autoridade, a homogeneidade comportamental: o respeito para com o outro e para com o que é do outro, a compreensão da partilha necessária, de que não se pode matar, roubar, estuprar etc., ao que parece a mim e a muitos estudiosos cujos trabalhos conheço, dependeria de a mente humana ser uma tábula rasa lockiana, que fosse reprogramada numa espécie de lavagem cerebral coletiva que produzisse mentes funcionando da mesma maneira, predispostas a emitir os mesmos juízos de valor sobre as mesmas coisas. Ou seja, é basicamente a grande falha do “princípio da não agressão” dos anarcocapitalistas.

Na verdade, não, caro Camilo, somos anarquistas por natureza, muitas e muitas vezes entre amigos ajudamos e somos ajudados sem pedir algo em troca, sem inserir ideias de obrigatoriedade. Então, diante das evidências de que o ser humano é o lobo do outro homem, pensamos ser necessário um Estado policial e repressor. Agora, é fato que os detentores do poder não querem que o povo saiba a verdade, não é interessante saber que as comunas, guildas e fraternidades funcionavam sem a presença do Estado. O Estado precisa sobreviver através do medo das pessoas que se isolam e buscam conforto nessa entidade abstrata chamada Estado.

Infelizmente essas experiências começaram a acabar no século XVI com o fortalecimento dos comerciantes e apoio destes aos reis e também porque as fraternidades se emanciparam mas esqueceram de emancipar seus irmãos camponeses e esses se uniram aos senhores feudais e reis para enfraquecer e destruir as guildas e fraternidades e isso se deu simplesmente por causa de seu apoio aos reis e senhores feudais. Esta é a tese defendida por Kropotkin em seu livro: O Estado e seu papel histórico. Quanto a essa opinião do Steven Pinker penso que não se sustenta pois como já diziam os positivistas: contra fatos não há argumentos. É evidente que crimes continuarão existindo e mesmo injustiças mas numa escala bem menor, pois o que a sociedade procura é a justiça enquanto nossa sociedade só lhes dá a legalidade.

Notas: Todas as referências feitas à Kropotkin foram retiradas do livro "O Estado e seu papel histórico".

domingo, 4 de setembro de 2011

O anarquismo de Émile Henry



Émile Henry foi um anarquista e terrorista francês (1872-1894) que acreditava no espontaneísmo e em atos terroristas espalhados por indivíduos.
Émile Henry disse que se tornou terrorista porque após o atentado promovido por  August Vaillant.os anarquistas foram perseguidos indistintamente e de acordo com suas palavras:

"Eu acabara de voltar a Paris na época do caso Vallant e fora testemunha da terrível repressão que se seguiu à explosão no palácio Bourbon. Vi as medidas draconianas que o governo decidiu tomar contra os anarquistas. Havia espiões, buscas e prisões por toda parte. Um grupo de indivíduos detidos indiscriminadamente, arrancados de seus lares e jogados nas prisões. Ninguém se preocupou em saber o que aconteceria às suas esposas e filhos enquanto esses camaradas permanecessem confinados. O anarquista já não era mais considerado um ser humano, mas uma besta selvagem que devia ser caçada sem tréguas enquanto a imprensa burguesa, escrava da autoridade, exigia em altas vozes que todos eles fossem eliminados. Ao mesmo tempo, panfletos e papéis libertários eram confiscados e aboliu-se o direito de reunião. Pior do que isso: quando parecia aconselhável livrar-se de um camarada, um informante deixava no seu quarto um pacote que, segundo ele, continha tanino; no dia seguinte procedia-se a uma busca com um mandado de busca datado do dia anterior e encontrava-se uma caixa com um pó suspeito...".

Li ainda há pouco a defesa na íntegra de Émile Henry das razões que o levaram a cometer o atentado ao Hotel Terminus. Em seu discurso afirmou que mulheres trabalham muito nas indústrias para garantir um pedação de pão, são pálidas e podem considerar-se como mulheres de sorte caso não precisem se prostituir. Que a burguesia mata indistintamente crianças de fome todos os dias. Assim como eles matam inocentes, assim como eles perseguem e matam homens justos sem discriminar, ele se achava no pleno direito de matar os inimigos dos pobres, porque dentro da burguesia não há inocentes sejam homens, mulheres e mesmo crianças.

Émile Henry disse que tinha se tornado revolucionário apenas cerca de três anos e foi levado a isso observando a sociedade hipócrita e exploradora do homem e que nesse tempo tinha se tornado materialista e ateu. Ponto importante este, porque muitos ateus dizem que o ateísmo liberta o homem, que o ateísmo não produz fanáticos, que os ateus tem ética, etc... Permito-me fazer esta digressão porque os ateus adoram acusar os cristãos de serem fanáticos, loucos, assassinos e outras coisas mais. É evidente que se os ateus lerem isso dirão: "Mas ele era anarquista". Nem todo ateu é anarquista - dirá meu opositor - ao que replico nem todo cristão é fanático e não foi um anarquista cristão como Tolstói que fez atentados mas um homem descrente de tudo.

Falemos agora dos erros de Émile Henry:
1º Não existe revolução individualista, espontaneísta e organizada. Não é com bombas feitas por particulares que se destruirá o regime capitalista, pelo contrário fortalecerá esse mesmo regime, pois todo terrorismo é condenável por se matar inocentes e esses fatos contribuirão para que as classes médias A e B se unirão a burguesia;

2º Dizer que crianças e mulheres de burgueses são tão culpados quantos os burgueses é uma estupidez que nem merece comentários;

3º  O anarquista supracitado disse que estava com ódio, então seu motivo não foi a justiça e sim a vingança, não foi transformar a sociedade. Pois quem deseja transformar a sociedade não vive de pequenos atentados e sem ligações com outras pessoas ou grupos.

Enfim Émile Henry teve a morte que mereceu, (embora eu seja contra a pena capital) plantou, colheu. Viveu uma vida inútil e sem significado, não fez nada de bom, não transformou a sociedade. Seus atos não resultaram em nenhuma mudança para melhor.

Condeno e rechaço esse tipo de anarquia voluntariosa e sem princípios, pois ser sem governo não significa ser sem ética. Sou a favor da defesa, sempre. Jamais ferir civis, coisa que esses anarquistas estúpidos não fizeram e em vez de prestarem serviço à anarquia, prestaram um "belo" serviço à burguesia.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Da anarquia


A anarquia como tal surgiu na segunda metade do século XIX. A palavra vem de an (prefixo de negação) + arché (governo, autoridade), significa sem governo.
A anarquia traz em seu bojo graves problemas: antiestadismo, individualismo, antirreligiosismo, desorganização,  inúmeros cismas e a assistematização, isto é, falta de sistematização de sua teoria.

Analisemos os problemas inerentes ao movimento anarquista.

I. Antiestadismo: Os anarquistas de todas as vertentes são inimigos figadais do Estado, eles criticam os Estados socialistas com o mesmo ódio que fazem com os Estados burgueses. Pensam ingenuamente que conseguirão destruir os Estados e o capitalismo com seus coletivismos, anarco-comunismo, anarco-sindicalismo entre outros.

II. Individualismo: Os anarquistas prezam muito o individualismo, por isso, há tantos segmentos anárquicos quanto cabeças. Muitos anarquistas faziam propagandas do anarquismo por conta própria sem planejamento prévio. Um exemplo disso foi o jardineiro Louis Chavés que na primavera de 1884 assassinou a madre superiora que o tinha hospedado, mas após esse episódio teve a morte que mereceu.

III. Antireligiosismo: Com exceção de Tolstói e semelhantes, o anarquismo prega o ateísmo como dogma, e esse foi um dos motivos da expulsão de Bakhunin da I Internacional. Veja o que diz Marx em sua carta a Friedrich Bolte: O seu programa era uma misturada, apanhada superficialmente à direita e à esquerda — igualdade das classes (!), abolição do direito de herança como ponto de partida do movimento social (disparate saintsimonista), ateísmo de antemão ditado como dogma aos membros, etc, e, como dogma principal, abstenção (proudhonista) do movimento político.

IV. Desorganização: Por prezarem o individualismo os anarquistas são extremamente desorganizados e divididos em grupos e mais grupos e ideologias das mais diversas matizes. Bakhunin mesmo era adepto do espontaneísmo, isto é, que a revolução poderia surgir de um motim, sem planejamento, sem tática, sem estratégia.

V. Assistematização: Não existe um corpo doutrinário dentro do anarquismo, embora tenha havido grandes intelectuais. E não há um corpo doutrinário porque há tantos anarquismos como cabeças: prodhounianos, bakuninistas, anarco-comunistas, anarco-sindicalistas e por aí afora...

Mesmo não sendo anarquista, tenho que reconhecer que o anarquismo teve em seu seio grandes nomes como: Prodhoun, Reclus, Kropotkin, Cafiero e atualmente Noam Chomsky. Por mais que tenham algumas razões contra o capitalismo, os anarquistas tornam-se ingênuos úteis à causa da burguesia, portanto incapazes de confrontá-lo e debelá-lo.