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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Ainda o fascismo e seus problemas

Ainda a propósito da unidade social e da cessação do conflito entre burguesia e proletariado (Não inventado por Marx mas constatado por Sismondi de Sismondi.), provocado pela ambição descontrolada dos patrões, voltou o fascismo, seu olhar - mais uma vez, para o passado.

E a ideia, advinda do Ariston Metron e da Mediocritas aurea foi tentar ampliar a classe média. O que já havia sido sugerido por Defoe e Swift na Inglaterra do século XVIII. E fica posto o ideário: Reduzir a distância entre os extremos da alta fortuna e da miséria, interferindo politicamente tendo em vista a expansão da classe média.

Como se vê, o que temos aqui, foge definitivamente ao Marxismo ou  Comunismo. O qual aposta no avanço do capitalismo, no recrudescimento do conflito e no papel heroico do proletariado tendo em vista a tomada do poder.

Aqui, a classe média é encarada como entidade pequeno burguesa, que serve como uma espécie de mola destinada a aliviar a tensão do conflito. É de fato encarada como uma vilã contra revolucionária por estar na contra partida do processo e deve ser (Talvez com um empurraozinho) engolida ou abatida por ele. 

Assim o programa fascista, que supõe a atenuação do conflito pela ampliação dessa classe por meio de intervenções restritivas (As assim chamadas Reformas.) face as ambições do mercado é avaliado como algo essencialmente maligno.

De fato avaliando o protocolo fascista (Relacionado aqui com o protocolo social democrata.) como reformista, os líderes comunistas só podem encara-lo como um retorno indesejável ao passado, como um saudosismo ou ainda como algo essencialmente reacionário em oposição a noção linear de progresso legada pelo positivismo.

É como se a orientação fascista fosse capaz de impedir ou de atrasar a tão sonhada revolução ao atenuar o conflito. Daí o ódio irascível.

O que nos ajuda a entender uma dinâmica contemporânea em que, paradoxalmente, os comunistas aliam-se aos liberais extremados contra quaisquer Reformas propostas pelos reformistas ou pelo centro, se que lhes importe a condição das pessoas, uma vez que a meta suprema é a Revolução.

E é justamente a percepção dessa cosmovisão, assustadora, devido a sua insensibilidade ou crueldade, que tem afastado o povo do comunismo e não poucas vezes aproximado-o do fascismo. Afinal se é algo que o povo não quer ou deseja é o avanço do protocolo Neo liberal. Em parte devido a cultura cristã católica, o povo aspira, em certa medida, pela paz e não por qualquer tipo de revolução.

E no entanto esse mesmo fascismo, cuja proposta no campo da economia me parece interessante, aproxima-se a outro lado desse mesmo comunismo truculento, da abominação nazista e da monstruosidade islâmica e aparta-se tanto do anarquismo quanto do liberalismo político ou da democracia, a qual chega encarar com uma corrupção.

No campo da autoridade ou do poder político é o fascismo liberticida, despótico, ditatorial, tirânico, totalitário e repressor... até estatolatria paga ou o culto cego ao líder.

É ideologicamente irracionalista e agostiniano... sem dúvida que é. Desconfia do potencial da razão, lança dúvidas quanto a liberdade e encara os humanos como 'lobos' (Sic) vorazes. O que sabe o "Leviata" de Hobbes. 

Por onde toca ao militarismo e assume um aspecto anti humanista. Assume posturas como o critério da força e a obediência cega, renovando o choque entre Trasímaco e Sócrates, este partidário de uma racionalidade crítica, que levou-o a desobedecer, ao invés de cometer uma injustiça, e eliminar Leão de Égina.

Essa resistência mecânico formal a ordem dada, em nome de  princípios éticos ou direitos inerentes é inaceitável do ponto de vista do fascismo, o que desvela parte de seu espírito.

Curioso que, partindo do fascismo, os anarquistas não se tenham dado conta que o irracionalismo, via de regra (E com a mesma intensidade que os maniqueismos.) tem servido de apoio ao despotismo. Uma vez que o exercício do livre arbítrio está conectado a capacidade racional.

Sugere o irracionalismo, que sendo o ser humano incapaz de avaliar ou refletir é, consequentemente, incapaz de deliberar/decidir. Devendo ser tutorado ou controlado pela autoridade arbitrária sancionada pela Tradição.

Naturalmente que os alunos de Sócrates e os seguidores de Jesus não podem concordar com os teóricos do fascismo, pelo simples fato de afirmarem decididamente tanto a capacidade racional como a vontade livre dos seres humanos.

A partir daí, forma-se uma outra cosmovisão, posta para a afirmação de direitos essenciais numa realidade democrática ou cidadã. E uma oposição marcada ao ideário fascista, o qual, em seu conjunto, só podemos classificar como mais um anti humanismo e enfim como uma cultura de morte.

Enfim não acreditamos que a Redenção social parta da submissão passiva ou acrítica a uma autoridade caprichosa e a isso damos o nome que merece: Escravidão ou servilismo. E não menos que um anarquista qualquer repudiamos a ela.

De fato não nos resta qualquer ditadura: Dos líderes religiosos (Como Calvino), dos políticos (O Diretório), do proletariado, dos cientistas, dos militares... De esquerda, de direita, de centro... Pois somos filhos daquela liberdade que tem por berço o Evangelho. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
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sábado, 27 de outubro de 2018

O pai e o avô do Leviatã... e o Cristianismo II - A Inglaterra hobbesiana...

 


Resultado de imagem para Thomas Hobbes



Homem algum produz ideias a partir do nada... As ideias de um homem são resposta sua a problemas existentes no meio em que vive. E como o homem busca superar ou solucionar o problema podemos compreender as coisas em termos de 'oposição' a um dado modelo social...

Já vimos como as coisas se passaram com Platão. Cuja obra maior é por assim dizer, uma reação face a anomia produzida pela corrupção do ideal democrático. Sem querer justificar Platão ou concordar com ele podemos tentar compreende-lo e não apenas a ele mas a Hobbes, a Rousseau, a Marx, a Freud, etc Com certeza, a busca desta compreensão tornará nossa inteligência mais sólida!

No entanto se em Platão damos com alguém que delineia um possível futuro, em Hobbes damos com alguém que em certa medida ao menos reporta ao passado e a um passado não muito distante. Uma vez que Hobbes escreve cerca de 1651 mas nasce em 1588. Portanto meio século após a morte de Henrique VIII. De fato após o pequenino Portugal converteu-se a Inglaterra no primeiro Estado unificado da Europa e logo num Estado total ou absoluto, como Portugal jamais fora ou seria. Sem ter sido feudal teve Portugal seus cavaleiros a combater os Mouros, teve a Igreja romana com sua poderosa hierarquia e teme inclusive cortes e liberdades municipais. De modo que o poder do soberano luso estava longe de ser absoluto...

Willian no entanto, após conquistar aquela Ilha, exigiu juramento de submissão a cada senhor. Tampouco havia o municipalismo romano ou como querem, a Djemaa árabe, naquele pais. A velha nobreza fora em parte dizimada pela recente guerra entre as duas rosas. O quanto restava fora de controle na Inglaterra as vésperas da reforma protestante eram as universidades, as guildas e acima de tudo a toda poderosa Igreja romana, com seus mosteiros espalhados por todo pais, de modo que o poder do monarca, inda que substancioso, não era absoluto ou ilimitado. De fato por poderoso que fosse, especialmente após o fim da guerra das rosas, Henrique VII sequer podia sonhar com o poder que um dia seria acumulado por seu segundo filho.

Antes de prosseguirmos sejamos justos. Henrique VIII jamais foi protestante ou reformador como declaram ridiculamente algumas publicações romanistas. Separando-se de Roma ele jamais rompeu com a fé Católica e se mandou dissolver os mosteiros é porque eram a um tempo fiéis a Roma papal e a outro imensamente ricos. Teólogo, jamais compactuou com os princípios canonizados por Lutero ou Zwinglio os quais encarava como hereges pestilenciosos e não hesitou em remeter os luteranos e zwinglianos ou protestantes de modo geral,a fogueira. Uma anedota refere que folgava amarrar um protestantes e um romanista no mesmo poste e incendia-los juntos. Diante disto não poucos concluíram que na verdade não passava de um incrédulo, o que por sinal é bem possível. Formalmente foi o que os papistas costumam classificar como cismático, o que aproxima-o de nós Católicos Ortodoxos... Tudo quanto ele fez foi aproveitar-se das condições provocadas pela reforma para separar a Igreja inglesa da igreja Romana, sem que com isto altera-se nimiamente sua estrutura. E permaneceu não apenas Católica quanto a fé, mas episcopal e hierárquica.

Teólogo como já dissemos ele certamente estava muito bem informado a respeito de Justiniano e dos demais basileus que tentaram usurpar o poder eclesiástico em Bizâncio. Tais seus modelos. E foi mais bem sucedido que eles, obtendo do clero inglês, com algumas poucas exceções, uma submissão reverente. Submetendo a Igreja nacional converteu-a em repartição de Estado, tal e qual descreve Hobbes no Leviatã. Desde então teve sua inquisição espanhola. E pode controlar não apenas as guildas e universidade como o Parlamento, convertendo-o em quintal seu. A partir daí exerceu um poder absoluto e inconteste, e tantos quantos ousavam objetar qualquer coisa perdiam a cabeça.

Sintomático que tenha feito passar mais leis pelo Parlamento do que todos os seus predecessores. Ele de fato tudo aspirava controlar. Assim sua filha Maria, a sucessora desta Isabel e por fim Tiago I, teórico absolutista. Todos estes monarcas avançaram na direção apontada por Henrique, embora Isabel tenha mostrado mais prudência ou pudor. Seja como for, desde Henrique as leis inglesas atribuíam tal poder ao monarca.

Enquanto os reis absolutos comandaram a Inglaterra contaram com o decidido apoio da Igreja Anglicana ou Anglo Católica e com a oposição marcada de dois grupos bastante ativos: Os romanistas, representantes da antiga religião e os protestantes, já calvinistas, já anabatistas chamados de modo geral não conformistas. Ambos os partidos assacavam constantemente as fileiras anglicanas buscando desfalca-las e obter a hegemonia. Os romanistas temiam a preponderância dos sectários não conformistas e os sectários não conformistas temiam a influência dos romanistas. Os anglicanos ou realistas eram considerados aliados dos protestantes pelos papistas e dos papistas pelos protestantes embora de modo geral fossem por si mesmos. Segundo diversos autores o grupo anglicano era mais político do que religioso e muito pouco sincero e comprometido, enquanto que os extremistas - de um lado e do outro - eram movidos por convicções fortes.

O quanto de pode dizer a respeito daquele tempo e do que aconteceu é que os anglicanos, que até então formavam o Centro, foram sendo paulatinamente conquistados pelos papistas e pelos protestantes, disto resultando um profundo desequilíbrio. O rei, a corte e a alta nobreza pendiam cada vez mais ao partido do papa, a burguesia ao calvinismo e pelo menos parte dos mais pobres ao não conformismo. Até que o próprio anglicanismo viu-se cindido entre as duas correntes: Alta ou anglo Católica e baixa ou puritana, reproduzindo-se a mesma cisão fora da Igreja oficial. Cerca de 1625 achava-se a Inglaterra cindida entre as duas facções extremistas. A partir daí romanistas e anglo Católicos a um lado (realistas) e sectários ou revolucionários do outro iniciaram as hostilidades que levaram a Guerra civil ou a assim chamada Revolução, contando Hobbes com cerca de trinta e sete anos. Esta situação prolongou-se até no mínimo 1660 - i é seja por cerca de trinta e cinco anos - ou, segundo outros até 1688, ou seja, até a deposição do rei Jaime.

Foram cerca de sessenta anos de turbulência e instabilidade. Período muito semelhante aquele que fora vivenciado por Platão de 404 até sua morte, em Atenas. Até o advento da Reforma protestante achava-se a Europa espiritual ou religiosamente unificada, enquanto separava-se politicamente. Após o advento da Reforma, interpretado por muitos como a decadência do Cristianismo ou ao menos do Cristianismo ocidental ou latino, a separação entre as nações europeias tornou-se total, i é a um tempo religiosa e a outro política.

Particularmente no que diz respeito a Inglaterra, o advento da Reforma protestante propício as circunstâncias necessárias para cimentar a Unidade Política e respaldar o Absolutismo. Pois o sagaz Henrique VIII, tornando-se 'cismático' (sic) sem tornar-se protestante, logrou, pela espada ou pela força extinguir as dissenções religiosas e manter o reino espiritualmente unido em torno do trono e do anglicanismo episcopal, o que foi um golpe de mestre. A bem da verdade Henrique VIII tirou proveito da politicagem que envolvia o papado aquela época, a qual desagradava inclusive parte dos Católicos. No entanto a partir do momento em que os tutores de Eduardo introduziram os princípios protestantes no pais os próprios Católicos fossem romanos ou anglicanos tornaram-se mais comprometidos. Desde então um grupo opoz-se tenazmente ao outro.

E este estado de oposição entre consideráveis minorias Católica e Protestante amortecidas por um anglicanismo ou episcopalismo formal jamais cessou. Isabel no entanto, reeditou com sucesso a solução de compromisso de seu pai, apelando já a espada, já ao patriotismo... E mais uma vez obteve a conciliação entre os partidos, embora não na mesma medida que seu pai, alias mais intolerante. Henrique certamente encarava os extremistas papistas e protestantes como fanáticos, enquanto estes encaravam-no como um incrédulo ou oportunista, o que talvez não fuja a verdade. Izabel era do mesmo tipo, conciliatória e sagaz, quiçá descrente.

No entanto durante todo seu reinado e durante os dois que se seguiram os 'comprometidos' ou crentes foram não cessaram de concentrar-se nos 'extremos' debilitando cada vez mais aquele centrão anglicano e predispondo a sociedade ao conflito iniciado em 1620. Desde então as facções Católicas - Romana e anglicana - congregadas sob o signo do realismo, e protestantes, chegaram as vias de fato, e a Inglaterra conheceu o inferno. Praticamente todo século XVII foi isto.

Alguém que, imaginemos Th Hobbes, ama-se a paz e a tranquilidade odiaria viver na sociedade Ateniense do seculo V, na sociedade romana do século I a C ou do século V d C, na Sociedade europeia dos séculos X e XI ou na Inglaterra do século XVII... Conhecendo a fundo as causas das situações problema enfrentadas por estas Sociedades nosso homem construiria soluções na direção radicalmente oposta. E como cada uma delas remete a dissolução e ao conflito nossos críticos promoveriam a unificação e a paz, pagando tributo a autoridade.

Platão incriminou a democracia e por isso delineou um estado despótico, em que os vigilantes exercem rigoroso controle sobre os demais setores da Sociedade, comandando-os. Hobbes face a turbulência promovida pela religião chegou, muito provavelmente a uma incredulidade que a seu tempo não era prudente assumir. Recriminou não apenas o protestantismo por ter canonizado o livre exame - Método que brilhantemente relacionou com a discórdia e a confusão doutrinal - mas o próprio sentido universal ou Católico da fé Cristã, o qual encarou como uma finalidade política e anti estatal inadmissível.

Hobbes deve ter pensando do Cristianismo o que a maior parte de nós hoje pensa sobre o Mercado. Que equivale a uma espécie de besta fera a ser enjaulada. Para ele a anarquia social de seu pais era fruto de uma religiosidade ou fé que fugira ao controle. Portanto Hobbes só pode conceber o Cristianismo como uma instituição submetida ao poder estatal ou seja nos mesmos e exatos termos que Henrique VIII ou Isabel reinados cujo histórico ele bem conhecia e para os quais suas vistas estavam voltadas, como que para uma Era de ouro.

Escrupuloso Hobbes tende a desconfiar, em menor medida, de todas as comunidades ou associações não políticas ou intermediárias, dando por certo que elas debilitam o poder do soberano, ameaçando, consequentemente a paz. A existência de guildas, universidades, colegiados, etc só pode ser admitida quando estritamente necessária e a guiza de concessão ou seja enquanto algo autorizado pelo soberano. De 'per si' não teem tais comunidades direito a existir. Frente ao Estado, corporificado no soberano, existe apenas o indivíduo, nenhum outro tipo de entidade.

Agora como justificar metafisicamente tal estado de coisas?

Diante do que testemunho no curso da primeira metade do século XVII, concluí Hobbes que o homem seja um lobo, um predador, uma fera; sempre disposto a devorar o outro homem. Como o Freud da maturidade ou da velhice, o totalitário inglês, postula que o homem é dominado por um impulso de agressividade. Onde estiver mais de um indivíduo a tendência será o conflito, não mero conflito classista, como queria Marx. Para o autor do Leviatã o conflito é individual e inevitável...

E no entanto este homem, e damos com Freud novamente, agressivo, aspira pela paz e pela tranquilidade.

Como chegar até ela?

Por meio do contrato as partes, tendo em vista este bem maior, que é a paz, devem abrir mão de suas liberdades e entregar-se a tutela de um soberano forte. Uma vez que todos sejam controlados com mão de ferro pelo soberano e nivelados pela submissão, o conflito generalizado cessará.

Encarado deste modo não é o Leviatã algo mau ou indesejável, mas algo verdadeiramente bom e desejável, enquanto caminho único para a aquisição da paz social ou da estabilidade. Da submissão ou obediência ao Estado e suas leis é que advirá o equilíbrio. Da servidão voluntária resultará a harmonia. A partir da qual a pessoa humana poderá cultivar suas habilidades. Já o exercício do que chamamos liberdade produzirá inevitavelmente a discórdia ou a guerra, a qual impedirá que o homem de realizar-se enquanto tal. Aqui uma espécie de denominação comum face a Platão: Qualquer situação de liberdade ou democracia resultará, necessariamente, em anomia, anarquia ou conflito. Diante disto a alienação da liberdade e o recurso a autoridade absoluta são requisitos exigidos por uma sociedade bem ordenada.

Por ai se vê que podemos discordar de Hobbes mas de modo algum duvidar de sua sinceridade ou negar a coesão de seu pensamento.

Nem podemos estar totalmente certos de que em situações sociais semelhantes as que ele ou Platão vivenciaram discordaríamos deles. A menos que nos presumamos mais habilitados ou inteligentes...




terça-feira, 23 de outubro de 2018

As mutações da Comunidade...



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Algumas Reflexões sobre Formas de comunidade, Sociedade política, Apogeu, Declínio, Crise, Anomia, Anarquia, Despotismo, Totalitarismo, Democracia, Liberalismo político, etc tomadas as diversos autores.



Muito se tem discutido em torno do termo 'político', o qual a bem da verdade, numa perspectiva mais estrita ou policrática, deveria acoplar-se ao termo 'sociedade'. Todavia é certo que o político e o social movimentaram-se separadamente por muito, muito tempo. Sempre que isto aconteceu o político ou permaneceu apenas em potência ou degradou-se. E a comunidade permaneceu militar - apesar do apelo político - ou tornou-se econômica, deixando de captar a intensidade do político. A Piccarolo e R Nisbet

Precisamente por isso - dando que o político e o social andaram separados por um bom tempo - aqueles que definem a ação política enquanto relações de poder, encaram tanto a monarquia quanto a aristocracia como entidades políticas, no sentido já explicitado, duma estrutura política que não se identifica plenamente com o que chamamos sociedade. Claro que essa política, feita a chicote e espada não pode ser a boa política, mas uma política de segunda classe ou categoria.

A política só adquire qualidade e se torna consciente de si mesma quando se faz democrática ou quando o discurso e a argumentação substituem a espada, enfim quando se busca livremente o consenso ao invés de estabelecer um acordo formal por meio da coerção externa.

Portanto, se num sentido 'lato' temos de considerar a monarquia e a aristocracia como formas políticas, num sentido mais estrito ou purista apenas a democracia o é - e quando dizemos democracia queremos dizer democracia verdadeira: Inclusiva, liberal e direta (inclusiva e liberal por nós e direta pelos gregos rsrsrs) - pelo simples fato de apenas ela comportar cidadania.

Monarcas e aristocratas tem súditos i é pessoas que aceitam submeter-se a um poder externo a si e portanto imposto. Na forma policrática o cidadão identifica-se com o governante manipulando ele mesmo, diretamente, o poder. É ele um co governante com os demais cidadãos membros do corpo social. Daí a identificação - Governo/Sociedade. É exatamente este aspecto que torna a vida democrática intensamente rica em comparação com as formas precedentes, que ressentem a militarismo, a autoritarismo, a coerção, a imposição, a arbitrariedade...

Sabido é de todos ou de quase todos que a Democracia foi criada ou inventada pelo ateniense Clístenes no ano 509 a C, uma data memorável. Claro que não se trata de nossa democracia anglo saxã, obra de John Locke.

O que poucos de nós sabem ou imaginam - e de fato é insólito - é que o conceito de cidadania ou participação política antecede o conceito de pessoa. É a democracia anterior ao que chamamos de liberalismo político. Compreendido como espaço próprio da pessoa ou privado, ou ainda como santuário inviolável da consciência. Já Fustel de Coulanges, na clássica 'Cidade antiga' referia-se a esta verdade. De que nos tempos antigos era a cidade Estado tudo e a pessoa nada... posto que as leis invadiam e regulavam todos os setores da existência humana, de modo que nada tocasse a liberdade ou a autonomia.

Além de exclusiva, no sentido de excluir o escravo, a mulher e o estrangeiro, foi a democracia grega não menos totalitária do que a monarquia ou a aristocracia, e não devemos nutrir ilusões a respeito. 
 
 De fato os gregos conceberam a ideia genial de que polis fosse governada pela totalidade dos cidadãos. O que ele jamais imaginaram é a existência de setores da vida humana que não fossem determinados ou controlados pela polis.

Para as antigas civilizações, anteriores ao advento do Cristianismo, tudo, inclusive a religiosidade, dizia respeito a família ou ao estado, a tradição ou as leis cabendo ao homem amoldar-se. Após ter absorvido a família com suas tradições a polis, por meio da lei escrita, tornou-se senhora absoluta das existências. Um dos primeiros juízos que define e restringe com precisão a esfera e o alcance do político e por ext do social, encontra-se na clássica passagem de Suarez: "O objetivo da sociedade cívil - leia-se estado, poder público, etc - é o BEM COMUM TEMPORAL."

E no entanto estes gregos, que não era tontos, puderam imaginar as decorrências da vida democrática.

Por isso, durante cero tempo, parte dos gregos pôde - ao menos quanto o foro interno da consciência - desprezar as instituições e tradições, inclusive religiosas.

E no entanto esta convenção, que separava a liberdade de pensamento da liberdade de expressão, estava longe de corresponder ao nosso Liberalismo, filho do Cristianismo e do martírio.

Pois jamais grego algum acalentou a possibilidade assumir publicamente suas negações ou ceticismo. Formal ou publicamente eram todos adoradores dos deuses, todos religiosos, todos devotos... E ofereciam sacrifícios! Os gregos mantinham as aparências ou a ficção com firme zelo, sabiam até onde podiam chegar. Um mínimo desvio, com efeito, implicava beber cicuta, ser exilado (assim Aristóteles) ou arrastado a um processo ignominioso (assim Anaxágoras)... Não havia liberdade alguma para ser diferente ou e tinha os filósofos de suportar a canga da hipocrisia.

Portanto, os refinados atenienses jamais imaginaram um setor qualquer da existência separado da polis ou privado. É justamente este setor da existência, setor pessoal ou privado -  fundamentado num direito mais alto ou natural (Lembre-se de Antígona) - que possibilita a qualquer homem apelar ao tribunal interno da consciência face as ambições totalitárias do poder público (Lembre-se de Creonte). Os antigos atenienses não tinham para onde apelar. Nós reconhecemos que a existência corresponde a duas esferas bem distintas, uma privada e regulada pela própria pessoa e outra pública, regulada pelo poder político. E admitimos que cada uma delas seja soberana em sua própria esfera. De maneira que o privado/pessoal não se sobreponha ao público na esfera do político e que o público não invada a esfera privado/pessoal. Os gregos nada conheciam neste sentido.

Assim se Locke concebe uma democracia capenga ou representativa - Inventando um processo por meio do qual o poder é transferido do povo para alguns poucos representantes - ao constatar que os produtores não podiam não podiam participar integralmente da atividade política - como na polis grega - sem causar graves danos a atividade econômica, ou que trabalhando excessivamente não podiam fazer a boa política, Platão opta pela solução radicalmente oposta. E - ao menos quanto aos viligantes - eliminando a família busca atingir a vida privada em seu coração. Desde então o estadista platônico poderá consagrar-se por completo a atividade pública ou política. 

Se o inglês, comprometido com o capitalismo emergente, restringe a esfera da coisa pública, falseando a ordem democrática (Arendt), o grego de ombros largos cogita suprimir a esfera do privado, caindo, é claro, em mais uma utopia, corrigida, posteriormente através das 'Leis', obra do Platão mais maduro e realista.

Bem, chegamos a Platão, e Platão é sempre um tema interessante.

Karl Popper na Sociedade aberta e seus inimigos, divisa em Platão o Patriarca das sociedades fechadas e busca relaciona-lo com o quimérico passado de Atenas. O equívoco salta a vista pelo simples fato da antiga sociedade ateniense ter sido do tipo familiar, enquanto que Platão, como vimos, preconizava uma Sociedade sem famílias. Acerta no entanto ao alista-lo entre os teóricos da sociedade fechada e alias como seu primeiro grande teórico. Alias Platão já foi classificado como fascista, comunista, etc

Que Platão seja decididamente social ou comunal cheira a obviedade. Apesar disto não sei se poderíamos classifica-lo como socialista. Os socialistas assumem a liberdade humana, Platão... Tampouco era ele comunista ou fascista...

Então que era ele???

Era platão totalitário e despótico, assim como os comunistas e fascistas. Nem por isso era comunista ou fascista pelo simples fato de ignorar supinamente o quanto seja característico de tais sistemas. Totalitário e despótico sim, e por isso não poucas vezes odiado... Platão de fato exaspera os liberais e os democratas. Todavia devemos tentar ser justos com ele e buscar compreende-lo, inserindo-o no quadro a que pertence. Pois compreendendo os medos de Platão estaremos aptos para diagnosticar nossa própria época.

E para compreender o homem devemos situa-lo em seu tempo e situa-lo com exatidão.

E que é este Platão senão um testemunho eloquente da decadência de Atenas e de uma democracia em colapso?

De fato se compreendemos que Atenas atingiu seu apogeu ou zênite entre 509 e 429 - assim por cerca de oito décadas - saberemos que Platão nasceu - em 427 - quando ela principiara a morrer... Lavrava a pavorosa guerra do Peloponeso, ganha em 404 pelos espartanos. Os quais impuseram a indômita Atenas 51 tiranos. A princípio Platão acreditou que eles saneariam moral e politicamente sua querida cidade... E no entanto que fizeram eles senão justiçar precisamente aquele que melhor conhecia os problemas em questão? Paradoxalmente aquele Sócrates, que criticando honestamente a democracia, poderia te-la seneado...

De fato todo caminho precorrido por Platão, da morte de Sócrates a sua própria morte foi um caminho em direção a Esparta, não a Atenas da tradição ancestral, mas a militar, belicosa, despótica e totalitária Esparta. Afinal não esmagará ela a brilhante Atenas???

Eis um evento que impactou poderosamente as mentes de todos os gregos, sem falar nos próprios atenienses.

Importa saber que Platão jamais o perdeu de vista...

Quanto a nós, esforce-mo-nos por relacionar a nova ordem policrática com o novo padrão de pensamento, racional.

Já dissemos que imperava a convenção, que as aparências deviam ser mantidas e que nem todas as tradições reconhecidas pela Polis podiam ser formalmente negadas. O equilíbrio social exigia um tal sacrifício ou uma tal restrição.

Resultou disto uma estabilidade bastante precária e posteriormente - após o fim da Idade Média - viemos, nós mesmos, a conhecer semelhante estado.

Mesmo buscando alguns compromissos a razão nem sempre podia abster-se de questionar os mitos e mesmo o surgimento da alegoria ou do simbolismo - que buscava amortece-lo - o choque chegou a ser traumático. Platão ousa clamar contra Homero e Hesíodo, educadores das gerações precedentes... Sócrates tampouco pode admitir que os deuses praticassem imoralidades e acima deles sobrepõem um Ente racional, invisível, ilimitado, etc Entidade a respeito da qual Xenófanes, Anaxágoras, Apolônio e outros já haviam insistido, inconvenientemente...

Após a religiosidade praticamente tudo foi submetido ao crivo da razão e logo, em alguns casos, a experiência. A medicina já havia ensaiado tais passos... Desde então os rios se convertem em fluxos d água e os astros em pedras flutuantes... com grande agravo de Diopeites e das massas populares que clamavam contra tais impiedades. Afinal de contas a identidade social, o sentido de pertencimento, os princípios, os valores, tudo enfim, repousava sobre tais crenças... critica-las era como golpear a raiz de uma árvore... Num determinado momento parte das pessoas sentiram-se desenraizadas, confusas, fragilizadas, desprotegidas, ameaçadas.

Em Atenas, como observamos, este movimento pode assumir uma forma marcadamente política através da democracia e desenvolver-se. Noutras cidades, onde exasperou os monarcas e tiranos, foi violentamente suprimido. Pitágoras queimado vivo em sua Escola, Zenon moído vivo numa mão de pilão, etc Como não existisse um Basileu em Atenas, esta situação de crítica se foi acentuando mais e mais... E os intelectuais se tornando cada vez mais ousados.

Por algum tempo, tempo daquele equilíbrio e são 'realismo' que caracterizam o apogeu de qualquer civilização (Sorokin), a razão e a sobriedade lograram manter-se no controle, alias respeitando a ficção ou tentando substitui-la discretamente.

Em seguida porém, cindiu-se aquela sociedade em dois grupos radicalmente opostos. E a ruptura, seja dito, não partiu dos conservadores ou tradicionais mas dos próprios filósofos ou melhor dizendo, de sua ala mais radical; os sofistas que agora voltavam-se contra o critério comum da razão. E antes que a razão substituiu-se a fé ou a tradição era já solapada por eles...

Agora veja o leitor - De um modo ou de outro lograram a razão e a experiência, inserir-se num espaço até então completamente dominado pela tradição, ensaiando os primeiros passos do pensamento naturalista e do conhecimento científico. Os sofistas no entanto, antecipando Hume e Kant, levaram o processo crítico a razão, que era o elemento comum porque os essencialistas buscavam substituir a superstição e a autoridade. E o resultado disto foi a elaboração de uma teoria subjetivista e relativista, a princípio e, em seguida totalmente cética. Isto num ambiente cujas estruturas eram totalitárias, despóticas e solidárias.

Não 'a humanidade' através do elemento comum da razão, mas o individuo isolado, converteu-se em medida de todas as coisas, produzindo sua verdade parcial, pela qual bem podia pretender guiar-se, e assim matar ou roubar, caso tivesse tais ações em conta de boas... Observe a extensão de um problema que é nosso e que hoje se exprime pela negação de uma Lei Natural, único fundamento plausível de uma Ética objetiva ou universalmente válida, para homens de todos os tempos e lugares.

Foi em oposição a esta maré individualista, subjetivista, relativista e cética que levantou-se a maré conservadora ou reação, tudo engolindo pela frente, inclusive o genial Sócrates, mesmo porque, o grande público ou a massa, alheia aos grandes temas da Filosofia, era incapaz de discernir entre uma corrente e outra. Destarte toda Filosofia, compreendida como sofística, tornou-se ameaçadora. Mesmo sem terem conhecido o liberalismo político, os gregos tiveram uma experiência de liberalismo metafísico extremo (epistemológico e ético) a qual não lhes foi nada agradável, e chegou a aterroriza-los...

Na medida em que o ensinamento dos sofistas era assimilado pelos elementos mais jovens da comunidade o pouco que restava dos laços sociais anteriores a afirmação da comunidade política principiou a dissolver-se muito rapidamente, dando lugar a uma situação de anomia, de anarquia, de caos, de conflito generalizado... face a qual parte significativa da sociedade sentiu-se nostálgica quanto a um passado já em parte idealizado.

De modo geral os atenienses do século IV a C não estavam preparados para testar aquele futuro ou para ver até onde as coisas chegariam... Sabiam intuitivamente que sem religião, fé, Deus, deuses... cada individuo converter-se-ia em padrão absoluto de bem e mal, e deduziram as consequências sociais desde individualismo crasso.

Quanto aos culpados, como já dissemos, foi bastante fácil identifica-los com a Filosofia e a Democracia, cuja relação, aos olhos eles, era bastante nítida. O elemento racional comum a ambas era o elemento por assim dizer corruptor, que envenenará a Sociedade. Não a crítica a razão ou a metafísica... Eles não sabiam distinguir racionalidade de empirismo crasso ou ceticismo...

Assim a anti comunidade de Platão é idealizada em oposição a 'comunidade caótica', anômica ou anárquica dos sofistas (Nisbet) identificada com a comunidade democrática ou como consequência dela.

O remédio aqui era olhar para a polis vitoriosa, Esparta, cidade militarista e fiel a suas tradições, que jamais se deixará desviar pelo fantasma da razão, pai filosofia e da democracia. É nesta perspectiva e em oposição ao veneno instilado pelos sofistas/filósofos que Platão escreve seu clássico. Não é a democracia que ele leva combate, mas a sua forma decadente e corrompida... A qual no entanto, para ele, é consequência dela.

Isto não foge a experiência que ora vivenciamos ou ao choque entre as diversas formas - corruptoras - de individualismo, assim: Relativismo, subjetivismo, ceticismo, anarquismo individualista ou ANCAP, liberalismo econômico, plutocracia, democracia meramente formal ou representativa, etc a um lado, e as soluções totalitárias, como nazismo, fascismo e comunismo a outro... É um dilema bastante parecido.

A Democracia perdeu seu espírito, acomodou-se estrutural ou formalmente, deixou-se dominar por outros setores (não políticos), desvinculou-se do essencialismo ético, deixou-se impregnar pelo individualismo, foi abalada pelo ceticismo, etc, etc, etc Entrando em declínio, o qual ora vivenciamos... Em que pese os arroubos de jacobinismo típicos dos EUA...

O fato é que nossa democracia por descuido educativo ou formativo quanto o espírito, não consolidou-se. Antes, colonizada pelo capitalismo, converteu-se em instrumental do poder econômico e não do bem comum, como queria Aristóteles. Tudo quanto temos hoje é demagogia, plutocracia, oclocracia... não democracia, pois não há cultura democrática, espírito, profundeza. E essa forma instrumental ou espúria é a que tem sido propagada pelo jacobinismo yankee, posto que os N Americanos como os ingleses, não distinguem um liberalismo do outro, tomando liberalismo por uma coisa só.

Destarte tem sido o liberalismo político, que é essencial a vida democrática  - juntamente com o liberalismo religioso e o liberalismo moral - sucessivamente traído pelo liberalismo econômico e sacrificado em seu benefício e já aludimos ao sacrifício primordial quando nos referimos a Locke e ao que Arendt definiu como um esvaziamento do político em benefício do econômico ou ainda do público e comum em benefício do privado.

Não atingimos ou perdemos nosso ponto de equilíbrio. A balança tem pendido decididamente para o individualismo, com as mais terríveis consequências... E os EUA alimentado doentiamente este padrão.

Mas já se pode observar um fenômeno análogo ao observado durante o período entre guerras que é a reação totalitária e despótica ou o renascimento das diversas culturas de morte, como fascismo, comunismo e nazismo, as quais tem entrado em choque entre si, com o anarquismo, com a democracia formal e com as teocracias, disto resultando um clima próximo ao caos - EIS A ATENAS DE PLATÃO... Eis a decadência da cultura democrática e a total perda do equilíbrio... A um lado um materialismo que chega ao ateísmo, ao nihilismo e como já dissemos ao relativismo e a anomia (em termo sociais) e a outro um idealismo - não poucas vezes representado por formas primitivas e obscuras de religiosidade - tão totalitário e despótico quanto o de Platão. O ateísmo/materialismo pela anarquia absoluta e o Idealismo/fideísmo pela repressão e pelo controle absolutos. Uma Era de extremos. Quiçá a sofisticada Atenas do século IV a C tenha vislumbrado este cenário.

Agora, ao tempo de Platão não era, a solução totalitária ou despótica, tão variegada quanto a nossa mas, até certo ponto unitária e portanto tanto mais sedutora. Platão emprestou-lhe as tintas de poeta e moralista, mas não pode ver sua realização.

A um tempo a democracia estalou, veio abaixo e caiu, dando espaço ao Imperialismo de macedônico. Alexandre inspirava as melhores esperanças, pois havia sido aluno de Aristóteles... e Aristóteles, como já dissemos, ao menos quanto a política e suas estruturas não era metafísico mas empirista, realista ou relativista. Tudo quanto ele fazia era associar o ideal de 'bem comum' a determinada estrutura e assim legitima-la. Sob este aspecto era a monarquia tolerável, e até desejável, caso tivéssemos em mira a destruição do império persa. Esperava-se inclusive que Alexandre tivesse assimilado as lições do Filósofo e que inaugura-se uma nova era da ouro. Eram expectativas gerais, que malograram logo após sua morte. Sucedendo-se o inferno dos diadocos e epígonos... E a crise filosófica representada pela afirmação, ainda mais decidida, do ceticismo (cf V Brochard).

Agora como aproxima-se este Platão de Esparta se os tiranos, empossados pelo poder Espartano deram cabo de seu Mestre?

Ao tempo em que Sócrates fora condenado a beber cicuta o equilíbrio entre as facções era precário ou melhor dizendo delicado. Górgias de Leontinum e Protágoras haviam assestado golpes não apenas contra a razão mas também contra a tradição posto que eram uns iconoclastas nihilistas... Por outro lado temos o discípulo ingrato de Sócrates, Alcebíades, fazendo das suas... E sobretudo Aristófanes, que representa o sentir geral, não só ridicularizando os sofistas mas apresentando Sócrates como um deles, o que ele de modo algum era...

Já a entente conservadora precisava obter um bode expiatório e correr com ele da cidade, para dar exemplo. Em geral os Filósofos, uma vez acuados, fugiam... Era necessário fazer um deles fugir e Sócrates, em função das circunstâncias acima descritas, foi o escolhido. Ele no entanto não era o que dele pensavam. Não estava disposto a fugir, não fugiu e por isso mesmo converteu-se em mártir, não da democracia, a qual criticava positivamente, mas do pensamento crítico ou da liberdade de expressão. Ele insistiu muito nisso e podia ter aberto um 'nicho' favorável a pessoa... Disto beneficiariam-se igualmente os radicais. Portanto Sócrates tinha de ser imolado.

Em certo sentido Sócrates foi o único representante do liberalismo pessoal ou político em Atenas. Foi o dissidente, foi a objeção de consciência, foi o elemento discordante e acreditava ser direito seu portar-se assim. Certamente esta irrupção do pensamento liberal numa Atenas que sequer era democrática chocou há muitos e exasperou os ânimos. Sempre podia ser explorada pelos individualistas, anômicos, nihilistas, etc como sói ainda hoje. Mas os atenienses não estavam dispostos a arcar com o ônus social que semelhante exigência implicava.

Ainda hoje, e com plena razão, os extremistas irracionalistas, individualistas, relativistas... que tomam carona no liberalismo político ou moral, produzem escândalo entre os elementos ponderados da Sociedade e mesmo alguns distúrbios isolados. Tentem conceber a sensação que estas remoras ou sanguessugas da democracia produziram nos Atenienses há dois mil e quinhentos anos... Comprometeram e ainda comprometem as instituições democráticas esses extremistas e radicais, pelo que merecem ser ferozmente impugnados no plano das ideias.

Identificado, de um modo ou de outro, com os sofistas e portanto com o mal, foi Sócrates imolado pelo partido da ordem ou conservador. E no entanto era ele o médico... O único que criticando positivamente as falhas da democracia podia ter lhe dado vigor e vida. Pois a democracia precisa justamente de críticas construtivas e seus melhores amigos são aqueles que apontam seus defeitos. Pela que o democrata fanático ou formalista, de ontem ou de hoje recuse-se a percebe-lo.

Ainda aqui genial, Sócrates percebeu o descompasso - e como já dissemos isto é atual - entre uma boa estrutura e a falta de preparo ou de capacidade dos homens que a compõem ou que nela estão inseridos.

Não foi contra a democracia mas a favor de uma aristocracia aberta que Sócrates posicionou-se. De uma aristocracia potencialmente democrática, de uma aristocracia do saber, de uma aristocracia do mérito ou da competência, franqueada a tantos quantos buscassem dignificar-se. 

Sócrates percebeu o óbvio. Percebeu que a democracia demanda preparo por parte dos homens ou dos cidadãos de modo a não transforma-se numa oclocracia. Postulava que os juízes fossem escolhidos, dentre aqueles que conhecessem as leis... Postulava que os generais fossem escolhidos, dentre aqueles que conhecessem a arte da guerra... Postulava que aqueles que tivessem conhecimento a respeito de determinado tema ou assunto fossem levados em consideração pelos demais... Queria trazer qualidade a vida democrática. Suas críticas no entanto foram muito mal compreendidas e os democratas fanáticos jamais o perdoaram...

O próprio Platão pode ter tomado a crítica de seu Mestre noutro sentido. No entanto não há qualquer evidência de que Sócrates fosse tão totalitário ou despótico quanto seu pupilo. Seu liberalismo político coadunas-se mais com a forma democrática. De um modo ou de outro foi Sócrates um democrata lúcido ou crítico, que conhecia os defeitos ou vícios do sistema e buscava elimina-los. Por isso, ainda hoje é ele consumado modelo de polícrata para nós... Que sabemos faltar cultura ou espírito onde sobejam estruturas... prenúncio de morte.

Resta esclarecer que Atenas, quanto o passado, é o que temos mais próximo de nós. Nela podemos observar uma trajetória social bastante parecida com a nossa. Digo das sociedades 'políticas' que tendo ultrapassado o modelo romano, calcado no Digesto, tornaram-se ao menos formalmente democráticas.

Atenas surge, a exemplo das demais cidades, como uma comunidade familiar, que se faz militar e logo democrática com Clístenes, até aproximar-se por fim de algo como um mercado desregulado ou de um liberalismo econômico que sem embargo não se faz pleno. Pois os resíduos familiares, religiosos, militares e políticos o sufocaram; até que esta trajetória foi por assim dizer 'cortada' por Alexandre, seguindo outros rumos.

Atenas não nos segue ou acompanha até o fim embora a sucessão de formas comunitárias porque passou seja a que mais se aproxime da nossa. Por isso o estudo da civilização grega ou ateniense e seus problemas é tão fecundo para nós.

Roma não. Roma é outra coisa.

Associamos Roma a Grécia, porque após sua vitória em Queroneia tornou-se Roma província cultural de Atenas. E isto a ponto de tomar Platão por guia ao descrever o poder Cesáreo. Neste sentido Roma é grega, enquanto platônica no campo da política.

E nossa Renascença foi muito mais romana do que Grega ou ateniense. Aulo Gélio já o havia dito. Roma não manteve o sentido humano da coisa, descambando num eruditismo pedantesco e frio. Assim os humanistas da Renascença.

Roma, a exemplo de Atenas, começa como uma Sociedade familiar ou tradicional e militar na qual aos poucos - i é durante a República - vai se formando uma aristocracia aberta em posse de uns instrumentos semi policráticos quais sejam os plebiscitos e referendos. Tal seu elemento característico ou seu diferencial.

Roma sempre fora militar e jamais deixou de se-lo para tornar-se política.

Admitido que existiu nela uma orientação para a democracia, ao menos num determinado momento de sua trajetória, é necessário reconhecer que ela frustra a si mesma, embota-se e fica sem realizar-se. Roma jamais se tornará democrática. Através do Império Roma retorna ao ideal monárquico em termos ainda mais enfáticos e já foi sugerido (Antonio Piccarolo) que o Imperador associou-se as massas com o objetivo de suplantar aquela aristocracia senatorial que num dado instante fechou-se em si mesma.

Fato é que o impasse entre as aspirações populares e as aspirações acalentadas pela elite senatorial resultou numa pavorosa guerra civil, a qual perdurou por quase um século.

E como durante as revoluções e guerras a parte mais vulnerável é sempre a mais humilde, não nos devemos admirar de que, num determinado momento as camadas populares, fatigadas, se tenham inclinado a paz... Júlio Ceśar e Otaviano, que eram mentalidades genais, captaram muito bem esta situação propícia e buscaram explora-la em favor de si mesmos, colocando-se desde então ao lado do povo e contra o Senado.

Eles também eram lideres militares muito bem sucedidos e até mesmo estimados.

Diante disto o Senado, em situação de isolamento, apelou a ficção, passando a validar tudo quanto desejava o 'Imperador'. O Império nada mais era do que o comando supremo das forças armadas ou do exército e uma instituição belicosa... A paz augusteana foi mais uma paz interna do que externa, embora a paz externa tenha sido imposta pelas circunstâncias, assim pelo desastre de Teutburg, onde Varo perdeu suas legiões. Com Roma jamais entramos na política e jamais saímos da caserna. Assim após sua morte é Augusto divinizado, e quase nos sentimos no antigo Egito... Essa Roma que é a um tempo familiar, religiosa e militar, jamais se torna propriamente política, em termos estritos. Porque jamais se faz democrática.

Importa que todos estavam felizes: Os militares porque vigiavam as fronteiras colossais do Império em troca de soldo, a casta burocrática dos funcionários públicos, a hierarquia religiosa, o povo romano que recebia benefícios ou moedas de ouro e até mesmo o Senado que mantinha uma aparência de autoridade 'respeitada' pelo Imperador... Sendo assim Augusto tinha mesmo de ser canonizado ou divinizado. Era o arquiteto de algo mais ou menos estável trezentos anos após Alexandre. É como se todos estivessem dispostos a pagar pelo fim do conflito com o sacrifício da liberdade e dos direitos, i é com  submissão e este é o grande dilema das democracias formais parasitadas pelo capitalismo ou do estado mínimo o qual nada oferece as massas, o que torna essas democracias desinteressantes para elas e o odiado Comunismo, atrativo...

As liberdades abstratas e utópicas não atraem estômagos vazios ficando esta democracia censitária ou economicista sempre ameaçada pelos totalitarismos, desde que saibam manejar um simples prato de comida. A combinação democracia e miséria não é nada propícia aos valores democráticos.

Assim, se a jurisprudência romana coloca o Imperador acima da lei a redescoberta das Institutas ou do Digesto (Pandectas) durante a baixa Idade Média servirá para justificar ideologicamente o absolutismo ou o direito divino. Ainda aqui foi Roma uma fonte de atraso, estagnação social e inquietação para nós.

E quanto a economia?

Teria a sociedade romana atingido o mesmo grau de desregulamentação que antiga Atenas?

Talvez ao tempo de Augusto ou durante o século I, enquanto o poder Imperial ainda estava sendo construído. Pois desde o século II esse poder se vai ampliando e invadindo todas as esferas da vida humana - inclusive a religiosa, a ponto de conflitar com o Cristianismo nascente - até absorve-las por completo.

Temos assim, ao cabo do século III diversas leis destinadas a regular a atividade econômica. No entanto, por esse tempo, avança já a crise simultaneamente econômica e social, provocada pelo escravismo, pela estagnação territorial e pelo abolicionismo Cristão; dos quais resultou a inflação, o aumento de impostos, etc. O grande problema da economia romana foi o escravismo. A Grécia, de modo geral, não parece ter passado por isso...

A bem da verdade, a impressão que se tem é que na Atenas do século IV a C ou na Grécia antiga o número de pequenos ou médios empreendedores livres sempre foi maior. Assim o número de trabalhadores livres... tradição que parece prolongar-se no Império Cristão Bizantino. É uma hipótese a ser averiguada.

Em Roma temos, ao que parece, a macro empresa formada por um imenso número de escravos sob a tutela de um só homem. E um bando de homens teoricamente livres sustentados pelo imperador ou pelo poder público. Eu até ousaria dizer que Roma faz lembrar o capitalismo de Estado... não fosse a forma escravocrata. Em Atenas as coisas não se dão em tais termos...  

Seja como for, graças ao histórico do Império sabemos que não existe uma ordem fixa ou metafísica de sucessão quanto as formas de comunidade, e que nem sempre as coisas se sucederão como em Atenas.

Quanto a sociedade europeia contemporânea temos a ligeira impressão de que tendo partido de um modelo familiar/militar comum aos germânicos e análogo ao romano, tornou-se político na Inglaterra do século XVIII ou na França pós Revolucionária de 1789 para logo tornar-se econômico e dar lugar a uma terrível crise de cultura e identidade, semelhante aquela vivenciada por Platão. Karl Polanyi Resta dizer que o liberalismo político é uma construção comum, assim como o liberalismo religioso e o liberalismo moral. Há afirmações suas na Espanha, na França, nos EUA, na Inglaterra e mesmo, pasmem, na Rússia Csarista; pelo simples fato de ser um princípio Cristão.

Curiosamente a França revolucionária ou se preferirem jacobina construiu um modelo de democracia despótica - no sentido de que poderia ser imposta externamente a uma determinada sociedade -  análogo ao modelo ateniense ou ainda mais virulento ora assumido pelos EUA. Bem antes do Comunismo e do Anarquismo revolucionário, e do fascismo o jacobinismo desesperou da Educação e da Cultura i é do Espírito, assumindo um deplorável formalismo, inspirado no materialismo crasso.

Posteriormente, foi a mesma visão bizarra de uma democracia imposta por golpe ou oferecida por uma minoria, legada ao positivismo, o qual por sua vez inseriu-a em nosso pais... Onde democracia brota como Atenas da cabeça de Zeus, de um golpe militar, assumindo um viez militarista. Donde resultam todos os nossos problemas, assim os sucessivos golpes reencarnados e avatares ditatorais, filhos de uma democracia mal consolidada, meramente formal, sem espírito, consciência, cultura; numa só palavra - profundidade. Filha do jacobinismo é nossa democracia superficial.

O Comunismo percebeu a incongruência do jacobinismo, manteve o golpe, eliminou a liberdade e jamais compreendeu a dinâmica da cultura... Quanto ao liberalismo é certo que a França promulgou os direitos do homem e do cidadão, mesmo quando concedeu a doutrina da vontade geral uma abrangência tal que dificilmente encontraria apoio nos escritos daquele que a formulou e a ponto de tornar esta vontade totalitária. Numa perspectiva democrática mais direta admitimos que a 'vontade geral' seja internamente soberana em sua esfera - pública ou política  - mas não que seja totalitária, a ponto de imiscuir-se no que diga respeito ao privado... A separação entre o público é o privado é princípio de que não podemos abrir mão, assim o espaço sagrado da pessoa humana face a estatolatria. Ficamos assim entre o totalitarismo estatólatra e o individualismo, condenando veementemente a ambos, pois como declarou o Filósofo: Os extremos sempre se tocam.

Após ruminar tais pensamentos, colhidos neste ou naquele autor - Fustel de Coulanges, Crane Brinton, Hannah Arendt, K Popper, John Gray, R Nisbet, Ortega Y Gasset, P Sorokin, Victor Brochard, Alfred Weber, Antonio Piccarolo, Nicolas Berdiaeff, V G Childe, Harold J Laski, Jacques Maritain, Emanuel Mounier, etc -  entrega-mo-los ao juízo do amigo leitor...



quarta-feira, 24 de maio de 2017

Conversações amistosas com Mr Ladrofê sobre a gênese do autoritarismo e suas fontes face ao espírito do Catolicismo I

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Antes de iniciar este diálogo farei a meu interlocutor o mesmo apelo que Gulliver fez a seu amo Huynhnhms, rogando que não se ofenda com o quanto haverei de dizer, pois sou daqueles que prezam mais o dom da amizade do que as controvérsias em torno da verdade.

Por isso rogo que ouça-me com paciência, exercendo tolerância para com alguém que sendo demasiado lerdo e assaz ignorante deseja apenas aprender.

Principio esta resposta aludindo a vossa apreciação, segundo a qual minha Apologia a liberdade individual vai totalmente de encontro ao ethos essencial da Societas Christiana.





A TUA OPINIÃO NÃO É ESSENCIAL



Antes de tudo convém assinalar que caso tua assertiva fizesse parte da estrutura de nossa Santa Religião - como algo essencial - seria necessariamente Revelada e assim DOGMÁTICA, correspondendo sua negação a uma heresia.


O que de modo algum se verifica.
 

Bastando para demonstra-lo o número COLOSSAL de Católicos - incluindo teólogos, monges, clérigos, presbíteros, Bispos, arcebispos e Patriarcas - de comprovada Ortodoxia, os quais opuseram-se pública e oficialmente a ela. 

Admitida a Ortodoxia de tua assertiva ficam todos eles sendo hereges - que por sinal passaram desapercebidamente pela Igreja e até foram canonizados 'por descuido' -  e tu e alguns poucos modernos, inovadores e introdutores de crenças alienígenas, ficam sendo os únicos Católicos e Ortodoxos da face da terra, o que é rematado absurdo, pois não podem nem os indivíduos isoladamente ou qualquer minoria estar em posse da verdade e a maior parte da igreja no erro sem que esta deixe de ser Católica para tornar-se tão sectária quanto a 'El Shaday' ou a 'Elohim rafá'. Equivaleria suster a doutrina protestante e herética da apostasia... E isto sim é herético. Além de beirar o individualismo e atentar contra o ideal comunitário da fé ou contra o que chamas de Societas, pois o fundamento da Societas ou da República Cristã é a uniformidade da fé e seu caráter universal.


Assim o argumento reverte. Se eles estão corretos, o amigo é que está em erro gravíssimo, opondo-se como de fato opõem-se ao sentir comum dos teólogos, doutores e Bispos, mestres em matéria de fé e ética. É uma posição semelhante a dos protestante e próxima a heresia, além de comportar certa presunção e arrogância. O sentido comunitário nos obriga a declarar que estais equivocados, e eles, o concerto dos teólogos, correto.

Brida-me você com uma afirmação gratuita e eu - que gratuitamente poderia descarta-la - impugna-la-ei com base nas fontes de nossa fé.




Não esta de acordo com a sunah dos primeiros Cristãos


Tecida tal conjectura, passo a tese segundo a qual sua opinião - Autoritária, despótica ou tirânica - é a que de modo algum se sustenta nos domínios da História do Cristianismo primitivo, conjuntura em que os Católicos lutaram contra o poder autocrático do César romano em nome de sua liberdade religiosa - a qual é essencial e inalienável - tornando-se mártires da fé.

De fato o Cristianismo principia sua carreira opondo-se a doutrina pagã, segundo a qual a potestade secular compete exercer juízo em matéria de fé. Noutras palavras, que concerne ao poder político julgar e regular a crença religiosa.


Nem se diga, aleivosa e falsamente, que se tratava de mera questão teórica em torno de fé ou doutrina que é resposta boa para luteranos. Os católicos resistiram ao governante em questões de ética, comportamento e ordem prática, recusando-se a compactuar com a chaga da escravidão, e a alistar-se no exército com o propósito de fazer guerra e chacinar populações inocentes. Tais censuras constam na Tradição Apostólica de Hipólito romano, seguindo a pena de excomunhão contra os renitentes...



O veredito inapelável dos Santos Padres


Diante disto nossos Mestre e doutores, presbíteros e Bispos  - Justino, Atenágoras, Teófilo, Tertuliano, Orígenes, Quadrato, Melitão de Sardes, Lactâncio, Arnóbio, Clemente de Alexandria, Hipólito, etc - compusera inúmeras APOLOGIAS NAS QUAIS SUSTENTARAM UNANIMEMENTE A LIBERDADE DA PESSOA HUMANA NO PLANO DA CONSCIÊNCIA COMO ITEM PERTENCENTE A DOUTRINA DA FÉ. 


São eles que julgam, definem e apresentam a fé Católica não tu, nem os poucos expositores posteriores citados por ti, os quais devem conformar-se em tudo com a tradição em matéria de doutrina ou ser classificados como heréticos, exatamente como os protestantes, que repudiam a tradição e exercem um liberalismo ímpio que é o livre exame; heresia é escolha, Católicos não podem escolher o que crer ou não crer, aceitam a revelação em sua integralidade ou põem-se fora da igreja com os pagãos e publicanos.

Curioso que para destruir o liberalismo legítimo sempre ensinado pela igreja assumas o liberalismo mais ímpio e hediondo de todos resistindo a tradição sagrada e imitando os protestantes e heréticos. Pois a tradição é a lei da igreja.

Basta o amigo tomar esses documentos e ler PORQUE LÍ TODOS. 

Os fatos ai estão postos e desafio-o publicamente a demonstrar que estou equivocado e que o ensinamento dos santos padres é outro.

CAINDO NO MAIS ABJETO LIBERALISMO


O ensinamento dos padres é absolutamente normativo e obrigatório, E A ÚNICA LIBERDADE QUE NÃO EXISTE, É JUSTAMENTE A DO CATÓLICO OPOR-SE A ELE, PORQUE É A TRADIÇÃO E LEI DA IGREJA, quem o diz não sou eu mas o Bossuet - Bossuet bem sabia do que estava falando porque exerceu controvérsia contra os protestantes então seu testemunho é precioso - citado por ti na obra contra Ricardo Simon - "Tolle et lege'.

Quem repudia o ensino comum dos padres e ensina coisas que não ensinaram é fautor de heresia. É o que diz Vicente de Lerins no Commonitorium,  e realmente não o que discutir - Senão por caridade e condescendência - pois todo e qualquer herege é como pagão ou publicano, estando separado de Cristo como ramo quebrado da videira, e posto ao fogo.


Apesar disto ousas declarar: E digo mais> Não troco uma linha de autores mais recentes como Joseph de Maistre, Donoso Cortés, Charles Maurras ou Carl Schmitt por todos os escritos dos santos padres.

Palavras estranhas e até impudentes na boca de um Católico!
Os protestantes alegaram exatamente a mesma coisa quanto a seus reformadores - É o mesmo espirito e o mesmo principio anti tradicional e essencialmente anti Católico.

É a mesma tática usada pelos 'católicos' do Von Mises contra a doutrina social da igreja... Peidam para os Santos padres, sínodos e concílios e se consideram bom Católicos vivendo a lá luterana, como se a Igreja, a exemplo da seita de Lutero, não tivesse uma lei.


Chama-se rebelião, sedição, subversão, apostasia. Não sou eu quem o diz mas o Concílio de Trento válido para todos os papistas e segundo os quais nada pode ser sabido ou interpretado em termos de Cristianismo sem recorrer-se aos santos Padres!

A igreja é órgão essencialmente tradicional e absolutamente imutável e citar milhões de nomes de mestres inovadores e profanos não muda absolutamente nada.


ERAM OS SS PES IDIOTAS???

No entanto continuas em tuas objurgatórias anti tradicionais: As lições dos santos padres em matéria de pensamento social e filosofia política não têm hoje qualquer aplicabilidade prática, constituindo tão somente mera curiosidade para o erudito nessa seara,

Isto porque você ou imagina que não passavam 
de capiaus ou tabaréus estúpidos e indoutos, quando a História apresenta-os como poliglotas, sagazes, eruditos, iniciados na mais profunda Filosofia, mestres consumados que deram bases a nossa teologia, conselheiros acatados de príncipes, reis e senadores, etc Havia deles que dominavam hebraico, aramaico, latim, copta, armênio, etc E que conservaram-nos praticamente tudo quando sabemos sobre os escritos perdidos dos antigos pensadores!
 
Para depois apegar-te a teólogos imperiais que não conheciam misera linha de grego e julgavam conhecer os santos Evangelhos rsrsrsrsrs Mas me poupe!

Caso sejam como foram homens geniais, excelentes, colossais, preparados, habilidosos; como eram e estando de acordo evidente que suas opiniões, no mínimo deveriam ser bem pesadas e consideradas. Não menos que as de Sócrates, Platão, Aristóteles, Zeno, Cleantes, Crísipo, Cícero, etc


É O CATOLICISMO MERA FÉ OU CRENÇA???


A outra hipótese, pior e mais grave, é a ideia segundo a qual a religião Católica resume-se a uma fé ou mística que não se estende como lei ética e projeto social a todos os setores humanos, racionais e livres da existência, abarcando-os por completo e transmudando-os em Cristo. Aqui o erro assume proporção colossal!

Neste caso esvaziar o Cristianismo ou o Catolicismo para converte-lo numa fé somente ou teoria porque somos magicamente salvos no além - Logo completamente desvinculada da imanência e do comportamento humano - é solifideísmo protestante como assevera Maritain nos 'Três reformadores' o qual por sinal admite e deplora que alguns católicos mal informados e confusos tenham adotado esta perspectiva ímpia que esta na base de nossa crise civilizacional.

Ora os papas romanos, lideres de sua religião, tal e qual os SS Padres, legislam sobre todas estas matérias, política, economia, etc e prova cabal disto é a existência de uma doutrina social da igreja alias, magistral e admirável. É prova de que a igreja revindica para si a inspiração de todas as ações humanas, tendo em vista encaminha-las para um fim ético. O contrário é naturalismo. A igreja NÃO admite que seus filhos 'cristãos' adotem QUALQUER TIPO DE  ÉTICA NATURALISTA.

Todo setor da atividade humana pertence a ética e portanto a vida da igreja, quanto aos aspectos racional e volitivo, escapando-lhe apenas o absolutamente material, estrutural ou formal. A parte humana sempre revindicou para si.





O EVANGELHO NÃO É OMISSO!

Continuas e declaras que uma vez que o Cristo não fixou códigos de conduta a serem seguidos cegamente pelos homens (muito embora o SERMÃO DA MONTANHA seja um claro esboço nesse sentido), a Igreja ao longo dos séculos assim o fez. Ao homem comum não deve ser dada qualquer liberdade de escolha, sob hipótese alguma.

Erras. Fixou o código de conduta ética mais excelente O SERMÃO DA MONTANHA e deixou sua sunah ou exemplo a qual também é fonte de ensinamento e lei para os Ortodoxos, não menos que a vida de Maomé para os maometanos.

 
Tal a doutrina do livro sagrado ou Evangelho.

No jamais observamos o Mestre (Para com os apóstolos ou discípulos) procedendo como déspota, repressor, e arrogante - Embora fosse de fato o plasmador do Universo e Todo poderoso - mas, sempre e invariavelmente como educador compassivo e amoroso. A PONTO DE APRESENTAR-SE COMO SERVIDOR DE TODOS E LAVAR-LHES OS PÉS,  convertendo-se em modelo do homem público, servidor do Bem Comum.

 
Assim quando João, ainda demasiado jovem e ignorante, aconselha-o a fulminar a vila dos samaritanos que haviam se recusado a recebe-lo e a honorifica-lo, O SENHOR O REPREENDE E DECLARA: Não sabeis porque espírito estais tomados... Porque o espírito de Cristo não é espírito de cólera, vingança, ira ou repressão, mas de paciência, compreensão, condescendência e tolerância face aos mais frágeis.


E quando Pedro usando de coerção física, golpeia a orelha de Malchion com a espada, o Senhor determinaGuarda-a na bainha porque os que apelam a espada por ela serão destruídos  e não como um Thomas Muntzer: Corta, esmaga, pica, esquarteja...





A igreja não TEM PODER para mudar ou alterar os ensinamentos de seu divino fundador







Presumes então que a falta de boa orientação no Evangelho ou discuido da parte de Jesus e seus amanuenses que a igreja fez vigorar outras leis e estatutos.

Não procede.

Nem a igreja romana e tampouco a Ortodoxa jamais revindicaram ter poder para alterar os ensinamentos doutrinais ou práticos (Éticos) de Jesus Cristo emendando suas palavras ou corrigindo o Evangelho, pretensão que todos os Catolicismos classificam como essencialmente blasfema.

Segundo o dr Jungman em Luz e Vida a função de igreja é manter, conservar e guardar fielmente se mínima alteração o que lhe foi confiado.

Assim não esta em seu poder - E ela sempre o reconheceu contra todos os heréticos em especial contra os protestantes, que sendo iluminados revindicam para si tais pretensões - ALTERAR SUA TRADIÇÃO, A TRADIÇÃO É IMUTÁVEL E SUAS BASES ASSENTES NA MAIS REMOTA ANTIGUIDADE. Segundo Crisóstomo a mudança na fé é heresia abominável.

Por isso Waso de Liege e mesmo o agostiniano Bernardo de Clairvoux  - este no século XII !!! -sustentou em alto e bom som a Liberdade de consciência segundo a norma e regra da tradição. Ora Bernardo de Clairvoux a seu tempo era considerado o Oráculo da Europa e árbitro infalível no âmbito da sã doutrina! Isto a ponto do Papa Eugênio beijar-lhe os pés e receber-lhe o 'catecismo'!

Aqui é onde inexiste liberdade algumaPara inovar e romper com a tradição ancestral fixada para todo sempre, quem o faz é herege, quem nega a tradição PROTESTANTE, não Cristão. PROTESTANTISMO É O NOME DESSE LIBERALISMO INSIDIOSO!!!

Posteriormente (Século XVI)foi a mesma doutrina defendida por Genebrardo de Aix, F Fevardentius, Nicolas de Lisieux, Fénelon, etc até a vulgaridade. Quase todos os que defenderam a Liberdade de consciência eram controversistas anti protestantes, sintomático mais uma vez!


NÃO ELES NÃO ERAM MINORIA


Em seguida apelas as circunstâncias e declaras que em pleno ano 313 (Édito de Milão - Constantino César) eram os Cristão minoria e que por isso não podiam tomar armas e chacinar os pagãos em nome de Cristo.

Certamente te equivocas.

Não era minoria alguma, Tertuliano na Apologia, escrita em em 185, assevera que a seu tempo os Cristãos eram já larga maioria, atulhando as cidades do império e que poderiam sublevar-se pela força e conquista-lo, se assim o desejassem, acrescentado que 'No entanto não lhes era permitido fazer por força da lei divina... pois o Senhor os havia enviado pela persuasão da palavra e não com espadas, lanças e vara paus.'

Alias foi o mesmo Tertuliano, noutra parte, que declarou, em nome da Igreja Católica, que a fé não pode vir por imposição, sendo filha da liberdade. Assim Arnóbio e Lactâncio, todos doutores da igreja não opinões ou heréticos.


Declaras que nossos ancestrais, os mártires, eram desorganizados rsrsrsrsrs e por isso hesitaram em recorrer as armas e exterminar os pagãos.Erras ainda - Hesitaram em fazer porque ao contrário dos neo Católicos - Que são absolutamente levianos e incoerentes - eram conscientes, coerentes e portanto submissos a norma e regra da tradição face a qual qualquer mudança ou alteração era vista como abominavelmente ímpia.

Do contrário o amigo deveria explicar-nos (cf Hstr 
dos arianos pelo cardeal J H Newman) porque ainda no século IV (os Cristãos estúpidos estavam demorando muito para aprender com os assírios a empalar seus inimigos) os Cristão Ortodoxos, que eram maioria no Império, foram atacados pelos imperadores arianos e seus exércitos e não revidaram constituindo outro exercito fazendo guerra e massacrando seus adversários???
Optando pelo contrário por gastar resmas e mais resmas de papel e muito mas muita saliva buscando convencer seus perseguidores 

Por que S Atánasio o Grande, defensor da fé nicena, não chamou o exército em sua defesa e não armou os Católicos para que exterminassem os arianos?

Por que S Ambrósio, tendo sua basílica invadida pelo heréticos não recorreu ao gládio e exortou o povo a resistência física?

Por que Hilário e Crisóstomo ao invés de terem amargado o exílio não criaram milícias e estimularam a sedição?

 
Eram ainda minoria desorganizada em pleno século IV sob Teodósio???


ENFIM POR QUE QUANTO MAIS PRÓXIMOS DE CRISTO E DOS APÓSTOLOS MAIS IDIOTAS E IMBECIS FICAM OS CRISTÃOS, e quanto mais afastados deles mais 'organizados', pragmáticos (!!!), inteligentes, espertos ficam???? 


A ponto de especular sobre tática, estratégia, Sorel, etc??? Espertos mesmos devem ser esses reformadores protestantes, afinal quem mais afastado no tempo e no espaço desta gente beócio do que eles?

Alias se é para sacrificar capciosamente parte da fé Católica e cultivar meia infidelidade, sacrifique-mo-la por completo e nos façamos espertos, belicosos e totalitários protestantes, os quais por sinal são mestres consumados em todos estes domínios!!! Digo-o por experiência própria como ex protestante!




A IGREJA NÃO CONHECE TÁTICA, ESTRATÉGIA, PRAGMATISMO, MAQUIAVELISMO... 


Devo alertar-te ainda de que a Igreja não muda de tática ou estratégia, não negocia seus princípios, e não se adequa a circunstância - poluindo seus princípios - pelo simples fato de não ter sido fundada pelo histrião Nicolas Maquiavel e de tampouco confundir-se com o partido comunista ou a cabala de Michel Foulcaut, focos de veneno relativista.  Seus ensinamentos éticos transcendem o tempo e espaço, e equivalem a princípios eternos, imutáveis, definitivamente fixados pela tradição e inegociáveis.

O que ensinou ontem a igreja ensina hoje e ensinará amanhã, sem consideração de circunstâncias externas, oportunismo, atenuantes... Tal a força divina de sua autoridade moral.

Assim 
Sua relação com o poder, a política, a sociedade, etc foi fixada já nos primeiros séculos.



O ESSENCIAL AO ETHOS DA SOCIEDADE CRISTÃ A RESPEITO DO QUE A IGREJA E TRADIÇÃO NÃO PODEM SE PRONUNCIAR AUTORITATIVAMENTE - QUE TROÇO É ESTE?



Embora tenhas começado por apresentar tua opinião autoritária como ESSENCIAL em termos de sociedade Cristã. Dali a pouco - Quando apresento a fé normativa da Igreja em oposição a tua opinião individual e falível e muito liberal - te sais com esta: Não há como ter princípios fixos - Isto é a Igreja Católica ou a tradição rsrsrsrs -  num terreno essencialmente movediço, pautado pelo caráter errático e arbitrário da ação humana, como a fenômeno político.

NOBRE amigo, estas mais uma vez apresentando a igreja como omissa, descuidada, irresponsável. Tal princípio é naturalista e manifestação do próprio estruturalismo político. É a etern
a miséria repetida pelos liberais economicistas contra a doutrina social da igreja. Usam as exatas e mesmas palavras para declarar que a igreja não pode ser intrometer na atividade da economia, o que é pura falácia, uma vez que psicologia, filosofia, sociologia, etc são esferas da ação humana e que esta jaz sob o domínio da ética! (O contrário disto - do primado da Ética - chama-se positivismo ou materialismo!)
Implica absoluta falta de conhecimento a respeito do Catolicismo antigo e mesmo medievo, de suas atuações, revindicações, pretensões, etc. 

A Igreja Católica não consiste numa fé ou teoria miserável - Isto é protestantismo - mas em sentido de existência, regra de vida e projeto social absolutamente acabado; possuindo assim uma ética que é objetiva, normativa e fundamentada na tradição dos padres.

Terias razão se falasses a respeito de formas ou estruturas  plenamente materiais: Assim em termos de monarquia, aristocracia, policracia, etc e a respeito da qual seja a mais excelente, tema ou assunto que de fato não pertence de modo alguma a esfera da igreja. Tanto que a I romana por meio de Leão XIII abdicou de julgar a questão, autorizando oficialmente a adesão a democracia burguesa e desamparando as veleidades dos monarquistas, como De Munn, o qual no entanto cumpriu seu dever e submeteu-se ao juízo da igreja cessando de apresentar a monarquia como sagrada ou Católica, como alguns tontos ousam fazer até nossos dias...

O mesmo não se dá quanto ao tema da liberdade por ser metafísico e diretamente vinculado a esfera da religião, a qual tendo sido revelada por Deus é perfeitamente apta para esclarece-lo e soluciona-lo definitivamente, segundo a norma e regra da tradição.

Liberdade é questão de ética, moral, psicologia, antropologia, religião... E não mero tema de política como as formas e regimes de governo.


NÃO HÁ AVANÇO ALGUM EM AFASTAR-SE DA TRADIÇÃO MAS FUNESTO RETROCESSO.



Não existe avanço algum face a tradição na perspectiva Católica, cada vez que qualquer parcela se afasta da tradição e introduz a mutabilidade há retrocesso em termo de fé.
A igreja se encontra em seu passado.

 
O princípio da igreja é tradicionalista, não progressivista, imutável, não mutável, absoluto, não relativo.



Sobre as lucubrações do protestante Hobbes e seus apaniguados

PURA DOUTRINA PROTESTANTE - "A liberdade de consciência é uma doutrina diabólica." Theodoro de Beza, pupilo do anti Cristo João Calvino.
 
Curioso como os reformadores protestantes sabem muito mais de Cristianismo do que os primitivos padres e doutores da igreja não???

Tais as fontes impuras e imundas de Hobbes:  Os pérfidos teólogos e juristas henriquinos como Tyndale, Barnes, Foxe, Morison, Starkey, Sampson, etc Tiago I, rei protestante de Inglaterra eThomas Erastus, reformador, pastor, discípulo de Zwinglio

NADA DE CATÓLICO.


TUDO ABSOLUTAMENTE PROTESTANTE DO COMEÇO AO FIM, LOGO HERÉTICO.

Já a respeito de Bossuet, Skinner foi categórico:  AS DOUTRINAS DE LUTERO REVELARAM-SE TÃO ÚTEIS PARA ESSES PROPÓSITOS QUE SEUS ARGUMENTOS POLÍTICOS MAS CARACTERÍSTICOS ACABARAM REPETIDOS ATÉ MESMO PELOS MAIORES DEFENSORES 'CATÓLICOS' DO ABSOLUTISMO RÉGIO. Pg 393


Francamente não sei porque esses Católicos que a pretexto de tudo vivem citando fontes protestantes, e heréticas é claro, não tomam a sábia decisão de passar ao protestantismo, fonte de todas as luzes.

Nós não temos nada a ver com Hobbes e seus amiguinhos Filmer, Maxwell mil vezes batidos pelos Dominicanos e Jesuítas, paladinos da neo escolástica... Estes sim, homens da igreja e fiéis a sagrada tradição - Assim Francisco Vitória, Las Casas, D Soto, D Bañez, Gabriel Vazquez, Toledo, Gregório de Valência, Melchior Cano, Salmeron, Lainez, Ribadaneyra, Molina, Possevinus, Juan de Mariana e sobretudo o doutíssimo Suarez... os quais eram todos pelo constitucionalismo e pelos direitos essenciais da pessoa humana.


Todas as doutrinas absolutistas sustentadas pelos teólogos protestantes e pelo rei Tiago da Inglaterra FORAM REFUTADAS E CONDENADAS PELO CARDEAL PEDRO BELARMINO (alias santo da igreja romana) no livro contra Tiago de Inglaterra, onde o príncipe da igreja defende a doutrina comum, corrente e normativa, não só da liberdade de consciência, mas da liberdade política. Belarmino foi igualmente polemista anti protestante e isto é sintomático...



O AMOR LANÇA FORA O TEMOR!


Por fim apresentas os seguintes princípios como fundamentos da vida social Cristã:







 - Temor a Deus


Diante disto devo dizem que o conceito de 'temor' ou medo de deus - Alias de absurdos castigos temporais e outras queijandas, além do mítico fogo eterno - remete sempre ao judaísmo, islamismo, seitas protestantes... Ou seja ao padrão grosseiro, primitivo e vulgar as culturas semitas que vocês 'pessoas emancipadas' tanto estimam...

De modo algum ao Cristianismo Católico ou ao Evangelho.

Para os carnais judeus deus era uma espécie de xeque ou líder beduíno com poderes arbitrários e caprichosos, até mesmo para pecar e cometer o mal...

Um Senhor ou dono cuja relação se dava em termos de proprietarismo.

Daí o temor supersticioso e vão que chegava ao paroxismo durante as catástrofes naturais. Nas quais os idiotas viam castigos da divindade...

Jesus alterou por completo esta dinâmica ao
 enunciar o conceito revolucionário da paternidade divia - Que tanto exasperou os escribas e rabinos - estribado no sentimento do amor; paternal e filial. Deus aspira pela suma felicidade de seus filhos, é Benfeitor, é Magnânimo, é Generoso, é Clemente, Pródigo, Afável, Benevolente, Filantropo, Amigo e Amante dos mortais, médico e educador do gênero humano. Não policial ou algoz, carrasco ou psicopata, colérico ou rancoroso, etc Logo, não há porque ter medo dele.

Devemos obedece-lo e servi-lo por amor como declara a espanhola Tereza D Avilla.

Suas punições espirituais são sempre corretivas ou medicinais, jamais objeto de vingança como entre os humanos;

Dai O TEÓFORO JOÃO, QUE REPOUSOU SUA FRONTE NO PEITO DO SENHOR TER ESCRITO:

O amor lança fora o temor.

Se amamos ao Deus Encarnado que por nós morreu na Cruz não podemos nem devemos ter medo dele, é absurdo temer nosso sumo benfeitor como os judeus e muçulmanos temem ao vampiro espiritual que tiraniza suas consciências.


NÃO A ESTATOLATRIA OU IDOLATRIA ESTATAL - APENAS A IGREJA CATÓLICA E ORTODOXA FOI COMISSIONADA PELO CRISTO PARA REPRESENTA-LO E FALAR EM SEU SANTO NOME


Arrematas teu belo discurso postulando uma:
- Submissão absoluta ao Soberano e demais autoridades constituídas por este (civis e eclesiásticas)

Respondo-te advertindo que submissão alguma é digna da criatura racional e livre feita a imagem e semelhança de Deus. 

A obediência cega é estado vil, abjeto e nauseabundo; coisa de bárbaros incultos e gente rude.

 
Os brutos são montados e conduzidos por outros homens, mas os homens não são brutos!

A criatura racional após ter examinado os fundamentos da fé e cobrado evidênciasdeve obediência inquestionável e absoluta ao Evangelho e a tradição, no plano da ética; e a Igreja Una Santa Católica Apostólica e Ortodoxa no que diz respeito aos dogmas ou elementos revelados da fé, justamente porque revelados pelo Deus encarnado e infalí
vel, o qual não pode enganar-se nem enganar-nos; assim a igreja por ele fundada, pois disse: As portas do inferno não triunfarão sobre ela - EIS A ÚNICA OBEDIÊNCIA JUSTIFICADA PELA RAZÃO E ACEITÁVEL. E já disse que ela é sóbria e tem limites precisos para evitar o abuso e despotismo!


Seguem as leis santas, boas e justas conforme a lei eterna da consciência (Ética) posta no coração de todo mortal pela divindade (cf Antigona de Sófocles e Carta aos romanos). 

As leis iniquas, injustas, opostas a virtude e; consequentemente anti naturais - que segundo Suarez são inválidas em si mesmas - devem ser repudiadas pelo homem virtuoso, o qual preferira como C Pison ou S Thomas Morus morrer do que contaminar e poluir a mente fazendo caso de um déspota ou tirano, o qual nos pode retirar o corpo físico, mas não o espírito vivo e a ressurreição para a vida eterna.

Teme assim o pecado que pode sepulta-lo na geena por muitas eras, e os ministros do pecado sejam quem forem, do lixeiro ao rei ou presidente, e não cede face a quaisquer ameaças ou intimidação a exemplo do teóforo Basílio.
Deve-se resistir ao tirano como fizeram Origenes, Atanasio, Hilario, Ambrósio, Crisóstomo, Maximo, Teodoro Studita, Damasceno, etc e afirmaram categoricamente: Ptomoleu de Lucca, Bartolo de Saxoferrato, Acurcio, Panormitanus, Occan, Marsiglio de Pádua, Latini, Dante, Bruni, Salutati, Salomoni, Alciato, Zasius, e outros tantos Católicos eminentes e fiéis.

Mais vale sofrer na mão de um tirano, caso não seja possível suprimi-lo, do que obedecer a uma lei iniqua e pecaminosa que nos force a causar dano ou prejuízo aos semelhantes, nossos irmão, filhos de Deus, aos quais estamos obrigados a amar e perdoar, e suportar com toda docilidade e paciência em Jesus Cristo.

 
A criatura racional e livre tem direitos essenciais e inalienáveis, segundo estabelecem os teólogos mais doutos e seguros: Vitória, Soto, Toledo, Banez, Cano, Las Casas, Molina, Suarez, Mariana, etc

A criatura racional e livre deve ser educada para tornar-se digna do exercício da cidadania e de tomar parte do governo, segundo os canones da paideia.



PRINCIPADO SECULAR E LEI DIVINA ETERNAMENTE SEPARADOS POR DECRETO DIVINO!

 A 'Voz de Deus' se manifesta na vontade do Soberano e da Suma Autoridade religiosa, ponto final, diz você

Devo retrucar e responder que sua tese é absurda. Tome lá um exemplar do Evangelho, leia e aprenda algo: A DEUS O QUE É DE DEUS e César do que é de César!


Aqui sim, não há o que discutir, mas que cobrar submissão total e absoluta.

Quem eleva o César as alturas de Deus abate e nega Jesus Cristo não menos do que arianos!

 
Pois o principado secular ou César nada tem a ver com Deus, o Deus do Evangelho ou dos Cristãos. Era deus e pontífice dos romanos pagãos, para a igreja nada é.
A Igreja não beija os pés do César, não venera o espírito do império, não se curva face as águias dos estandartes, não adere a esta idolatria!

Isso é bom para os protestantes paulinistas (Hegelianos e estatólatras) que substituem Paulo por Cristo e usam as opiniões do fariseu filho de fariseus e aluno de Gamaliel com que demolir as lições claras e evidentes de Jesus Cristo.

Os Católicos jamais servirão a um Hitler, a um Stalin, a um Bush, etc como fossem ministros ou sacerdotes escolhidos pela Santa divindade.

 
Os Césares mesmo após a vitória do Cristianismo foram porta vozes do inferno, combateram a doutrina Ortodoxa, poluiram o universo e massacraram os fiéis, porque eram vasos de heresia em oposição a igreja; assim:





OS CÉSARES QUE COMBATERAM A SAGRADA FÉ A MARTIRIZARAM OS FIÉIS COM ARMAS NAS MÃOS!


Constâncio e Constante, arianos filhos de Constantin; Juliano neo pagão, Arcádio adversário de S João Crisóstomo, Heráclito com a Ekthesis, Zeno autor do Henóticon, Constantino Copronicos e Leão Isauriano, imundos iconoclastas - A SEGUIR ESTES VERMES A ORTODOXIA TERIA SIDO CORROMPIDA E BANIDA DA FACE DA TERRA.

Assim ao tempo de reforma quando nobres, principes e reis, apelando a este principio pagão e anti Católico sancionaram o 'Cuius regio est religio' para em seguida - com seu poder e em nome de Deus - canonizarem a abominação protestante, demolir os mosteiros, massacrar os monges, proibir a Missa, profanar os sacramentos, partir as imagens... T
udo em nome do principado secular, arvorando-se em ministros e representantes de deus!
 



SE A RELIGIÃO CRISTÃ É TÃO ASQUEROSA E DESPREZÍVEL QUE PRECISE MANTER OS FIÉIS EM SEU SEIO POR MEIO DO TERROR???


Dissestes que ao braço secular e potestade civil cabe vir em auxílio da igreja impedindo os Cristãos de apostatar e obrigando-os a professar nossa Santíssima fé.

Eis o cúmulo do delírio!

Portanto deixe-me já dizer-lhe que a Igreja Católica não é uma porcaria como judaísmo, o islã ou o protestantismo que precise de césares, exércitos, armas ou poder secular para obter aceitação, apoiar-se e conservar-se.

Declarar que a igreja precise de armas para manter seus filhos equivale ao supremo insulto feito a instituição divina da igreja.

O erro e a mentira precisam de tais recursos para resistir a Verdade, não a Verdade eterna que procede dos céus. Esta não depende de gládios, lanças, espadas, venábulos ou vara paus, pois se sustenta a si mesma graças aos dotes que contém!

É a Igreja divina e superior as religiões humanas 

Não tem concorrentes verdadeiras. 

Esta tão acima dela quanto o Sol acima da terra e o firmamento dos céus acima das águas!

Nem lhe faltam beleza, verdade e bondade suficientes para atrair, conquistar e prender as criaturas racionais mais nobres e excelentes. Requer aceitação e serviço livre, voluntário, consciente e meritório; filhos abnegados até a morte e não vis escravos e gente abjeta.

Que péssima ideia fazes tu da igreja qual fosse uma velha bruxa desprovida de predicados e atrativos!

A Fé Cristã é digna de livre aceitação e adesão graças a seus dotes, a sua coerência interna e puridade, apanágios que lhe foram conferidos pelos céus eternos e não pelos homens. 

Ela dispensa o serviço de falsos lacaios que dela pretendem abusar com objetivos meramente temporais, santificando seus vícios e maldades. 

Por isso Maurras foi condenado e excomungado por vosso papa de Roma. Outra não teria sido sua sorte na Ortodoxia... Pelo simples fato de ter concebido a igreja como meio e não como fim, caindo no naturalismo pérfido em que jazem todas as culturas de morte. NATURALISMO SIM É PECADO!

Todo aquele que concebe a mãe igreja, mestra da verdade em termos de polícia moral ou social em benefício do principado secular sempre terá dores de cabeça. Por relaxada que esteja a igreja, ela é e sempre será domínio que jamais prostituíra a consciência ou se curvará face ao capricho arbitrário de psicopatas, demagogos, sicofantas, convertendo-se em capacho deles, busquem capachos nas seitas protestantes e serão bem servidos por alguns tostões!


A DOUTRINA DA INFERIORIDADE ESSENCIAL DE PARTE DO GÊNERO HUMANO É ESSENCIALMENTE MÁ E CONDENÁVEL.



A única excelência legitima é a da virtude, seguida pela do intelecto e estão e devem estar ambas franqueadas a todos os seres humanos.

Os indignos pertencentes as massas só devem permanecer alijados do poder 'sub conditio' ou enquanto não se tornarem dignos pela instru
ção e pela virtude, de modo que a policracia não venha a degenerar em oclocracia. 

Esta aristocracia da excelência, do mérito ou da virtude deve ser aberta a ampliar-se gradativamente até incluir todo corpo social, o que obviamente demanda imenso esforço educativo a ser assumido pelo intelectual Católico.

Toda e qualquer petição a uma desigualdade essencial, absoluta e invencível remete ao maniqueísmo sendo herética e condenada pela mãe igreja, bem como pela razão sicut Socrates, Platão, etc

Toda ideia de aristocracia ou elite fechada em si mesma é anti Católica.

Eis o que tenho nobre e excelente Ladrofê a dizer sobre tuas objeções e não poderia de modo algum silenciar a respeito delas pelo acato que devo ter para com a Igreja minha guia, mãe e mestra e pelo Cristo, Verbo encarnado, meu Deus e senhor verdadeiro e sumo legislador do gênero humano. Ele é o fundamento da cidade eterna que devemos construir no tempo e no espaço e sua lei fonte de todas as leis!