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sábado, 7 de janeiro de 2017

A afirmação dos direitos humanos no Cristianismo primitivo






Wilson Reis

Ao discorrer sobre os direitos da pessoa humana a luz do Cristianismo bem poderia atalhar caminho e mencionar a célebre disputa sucedida entre Juan Ginez de Sepulveda, ferrenho defensor do aristotelismo puro - Associado ao maquiavelismo (!!!) e a doutrina estatolátrica da 'Razão de Estado' - e Bartolomeu de Las Casas OP defensor da Ética Cristã e da tradição Católica.

Refiro-me a polêmica dos 'naturais' ou dos 'justos títulos' a respeito da condição legal, jurídica e natural dos habitantes deste nosso Novo Mundo posto que não eram cristãos batizados ou filhos da igreja e portanto sujeitos a sua lei 'sagrada'. Então era preciso definir o estatuto deles.

Para tanto reuniram-se em Valladolid as principais mentalidades do Catolicismo, assim, alem dos dois contraditores, assim Soto, Cano, Bañez e Carranza. Os três primeiros haviam sido alunos do grande Vitória. Sepulveda apelando a ideias judaicas e agostinianas (como sempre) susteve que em virtude dos pecados e em especial da idolatria, nossos índios haviam se tornado sub humanos ou homens de categoria inferior, devendo ser tutelados pelos espanhóis. Por tutela compreendia as guerras de conquista, a imposição forçada da fé Cristã e em caso de revolta armada a escravidão.

Recuou no entanto - devido as críticas feitas por Melchior Cano - quanto ao segundo artigo (isso é importante) que era a imposição da fé, reconhecendo que "Aqui a violência seria inútil, pois homem algum, contra a própria vontade, deve ser obrigado a abraçar a fé. Aqui deve-se recorrer apenas ao ensino e a persuasão." 

Como era de se esperar o homem também apelou extensamente aos registros judaicos não Cristãos, apelando a temática (sempre renovada pelos protestantes) povo eleito X cananeus...

Francisco de Vitoria apelando a sentença do Aquino segundo a qual o exercício do poder esta fundamentado na ordem da natureza e não na ordem da graça (tenho para mim esta frase como amplamente fecunda ou revolucionária mesmo) havia lançado dúvidas, desde o princípio, sobre a conquista das Américas pelos espanhóis, classificando-a como invasão, trezentos e cinquenta anos antes dos comunistas e anarquistas! Além disto Vitória foi capaz de relacionar a doutrina segundo pagão algum poderia exercer legitimamente o poder político com os ensinamentos tomados por Wicliff a Bíblia ou ao antigo testamento, julgando tal doutrina abusiva, inaceitável e reconhecendo a legitimidade política dos soberanos nativos das tribos americanas.

Partindo dai Soto, Las Casas e posteriormente Suarez puderam estabelecer a igualdade genérica do ser humano para além de suas crenças religiosas ou formas políticas, extraindo dai a necessidade dos espanhóis absterem-se de fazer guerra as nações indígenas limitando-se a enviar missionários para doutrina-las religiosamente e sem qualquer apoio militar.

Por isso Las Casas é considerado como o profeta ou patriarca dos direitos inerentes a pessoa humana.

Agora darei volta ao parafuso e apresentarei algumas sentenças dos antigos a respeito da liberdade religiosa, negada pelos fanáticos:

  • "A religião vem pela persuasão e jamais pela força!" Tertuliano, Apologeticum
  • "Não os Cristãos não podem matar seus opositores e nem mesmo sentencia-los como Moisés ordenou aos adversários da sua lei, dizendo que fossem queimados e apedrejados." Origenes 'Ad Celsum' VII,26
  • "Não há qualquer justificação para violências e injúrias, pois a religião não pode ser imposta pela força." Lactantius Firmo 'Institutos' V,20
  • "Não temos a intenção de forçar qualquer homem a juntar-se a nossa comunhão contra sua vontade. Estou ansioso porque o estado cesse de perseguir-vos, mas vós, de vosso lado cessai de atacar-nos com vossos bandos de circumcelliones." Agostinho de Hipo 'O cisma dos donatistas' VII
  • "Usar da espada da autoridade civil contra os maniqueus é contra o espírito da Igreja e os ensinamentos de seu santo e divino fundador. SUAS VIDAS DEVEM SER POUPADAS E O ÚNICO CASTIGO QUE LHES PODEMOS IMPOR É A EXCOMUNHÃO." Waso de Liége 'Vita'
  • "Aplaudo o zelo do povo quanto a nossa Santa fé mas de modo algum seus atos de crueldade. A fé é resultado da persuasão e não da força." Bernardo de Clairvoux 'Sermo LXIV'


    Devo lembrar ainda que mesmo durante o período da contra reforma os Católicos mais instruídos e piedosos como Genebrardo de Aix, Nicholau de Lisieux, F Feuvardentius, Claudio de Espensè, Edelinus, Calidius, Du Pin Senior, Hardouin, F Veron, Huetius dentre muitos outros opuseram-se marcadamente a que os protestantes fossem convertidos a força ou supliciados em autos de fé.

    É o quanto basta para demonstrar que a fé Católica ou melhor sua ética, jamais apadrinhou essa instituição maléfica chamada Inquisição. 

Direitos humanos, uma perspectiva Cristã





A Wilson Reis 


Não compreendo que um Católico ou mesmo qualquer Cristão de boa vontade ouse questionar a validade dos direitos da pessoa humana.

Tal e qual a questão da negativa pelo socialismo, a questão dos direitos humanos deve ser analisada com bastante delicadeza. De modo que por estupidez ou burrice não venham os católicos mais uma vez a endossar as insanidades e obscenidades divulgadas pelos sectários protestantes.

Pois a perspectivada Igreja não é a deles e ainda que ela repudiasse a essência do socialismo ou dos direitos humanos sua perspectiva jamais seria a do capitalismo ou a do mosaísmo, mas outra coisa bastante diferente.

No entanto não é o caso.

Eis porque  Saulo de Tarso - em seu opusculo sobre o socialismo e a igreja - colocava a questão nos seguintes termos: Grosso modo podemos dizer que a disputa entre socialismo e catolicismo social não se dá em termos de prática, pois o objetivo a que se pretende chegar é bastante parecido, mas em termos de teoria. O Socialismo afirma o naturalismo crasso e em muitos casos a irreligiosidade e o ateísmo, enquanto o fundamento do Catolicismo social encontra-se em Deus enquanto Legislador Supremo e eterno. Donde a igreja não vê - e nem poderia ve-lo - como seria possível eliminar ou mesmo reduzir as injustiças sociais se Deus...

Aparentemente a crítica da igreja parece idiota. Mas não é, tocando aos fundamentos mesmos do direito natural e da Ética. O grande problema aqui é que quando a igreja escreve ateísmo devemos compreender não a negação do Deus dos filósofos ou do Deísmo e sim o repúdio a qualquer sistema de Ética que não esteja fundamentado numa ou melhor na religião revelada. Donde a Ética para a igreja será sempre uma Ética Cristã determinada por ela, jamais uma Ética naturalista arquitetada pela razão no plano metafísico.

O problema crucial aqui é que a Ética Cristã não é apta para inspirar uma Sociedade pluralista composta por membros de diversas comunhões religiosas e por um segmento de irreligiosos inclusive. A Ética Cristão só serviria para nortear uma sociedade 100% Cristã, a qual por assim dizer inexiste.

Aqui o grande erro da Igreja romana e de outras tantas fés, foi deixar de prestar apoio a Ética do deísmo ou do teísmo natural nos moldes dos antigos gregos. E condenar estupidamente todas as causas sociais e humanitárias que ousassem assumir um caráter naturalista, tendo em vista sua universalização.

Outra não é a questão dos direitos essenciais da pessoa humana.

Afinal pondo de lado algumas cogitações elaboradas pelos antigos estoicos alguns séculos antes de Cristo a ideia de uma lei ou direito natural teve por ponto de partida as investigações realizadas em Salamanca por Francisco de Vitoria que era um padre Dominicano. Naturalmente que suas reflexões estavam fundamentadas sobre três nichos ideológicos: A filosofia antiga ou pré Cristã, O Evangelho e a tradição patrística e o patrimônio escolástico.

Portanto sua reflexão foi quase que totalmente inspirada nas fontes áureas do Cristianismo.

Foi a partir daqui que os Dominicanos (Cano, Bañez, Soto, Campanella...) e os Jesuítas (Suarez - o 'Patriarca do jusnaturalismo' - Mariana, Bellarmino...) foram extraindo os elementos de uma política e de um direito naturalistas sem no entanto romper com a tradição da igreja pelo simples fato de que ao tempo as sociedades em que viviam era essencialmente Cristãs e não multifacetadas religiosamente falando.

Grosso modo podemos afirmar que os naturalistas ou irreligiosos, ou ainda iluministas fizeram muito, muito pouco no sentido de criar algo novo e que tomaram todo material político e jurídico aos sacerdotes e clérigos papistas, o que a primeira vista até parece assombroso. Basta recordar que a quase totalidade dos iluministas franceses (assim Voltaire, Col SJ  Louis le Grand; Diderot, Col SJ de Langres; D Alembert, Col SJ de Collège des Quatre nations, etc) haviam estudado em institutos religiosos ou mesmo jesuítas e sido alunos dos sacerdotes/filósofos.

Ignorar essa faceta dos patriarcas do iluminismo é ignorar a própria trama da cultura.

Portanto o que eles se limitaram a fazer foi secularizar uma ideia de direito natural e universal que já circulava a séculos nos meios eclesiásticos. Foi deste material essencialmente humanista e Cristão que extraíram os elementos constituitivos da doutrina dos direitos inerentes a pessoa humana.

Como todavia não quisessem vincular tais elementos a tradição Cristã ou como se diz hoje 'reconhecer os créditos' e em alguns casos mesmo a existência de um Deus Legislador - em que pese as advertências de um I kant - a igreja se lhe opôs e fez do naturalismo universalizante um carro de batalha, alias prestando um grande deserviço a civilização.

Até aqui as cogitações de ordem prática editadas pela alta teologia.

Agora se pomos o dedo lá bem no funda da ferida daremos com um problema muito mais sério e grave, que toca a ordem prática das coisas ou a cultura e que por assim dizer obscureceu a mente daqueles que dominavam politicamente a vida da igreja romana i é os curialistas, cardeais, papas e quase todo o alto clero.

Trata-se obviamente da existência da Inquisição ou do santo ofício.

Cujas implicações teológicas são bastante graves e profundas.

Pois não se trata aqui de matar ou de assassinar apenas. O que já seria grave.

Mas de matar ou assassinar pessoas pelo simples fato de discordarem da fé da igreja ou de desejar abandona-la.

O que nos leva a uma questão essencial em termos de Cristianismo e pela qual nos opomos marcadamente por exemplo ao Fascismo e ao Comunismo, que é a questão da liberdade.

Assim a existência da Inquisição implica a negação da liberdade religiosa e bem pensado da liberdade humana. O que nos levaria mais uma vez a ideologia agostiniana e posteriormente a calvinista...

Importa saber que em algum momento do século XIII desta Era, a doutrina tradicional e clássica da liberdade, foi mais uma vez posta em dúvida pelo Cristianismo Ocidental. E negada a simples possibilidade de decidir-se livremente em matéria de fé ou piedade.

A ruptura com a prática anterior foi tão brusca que a nosso ver só pode ser compreendida a partir de um poderoso reforço concedido a ideologia agostiniana, a qual por si só dificilmente teria podido alterar o estado vigente das coisas. Basta lembrar que Bernardo de Clairvoux - o assim chamado oráculo da Idade Média - mesmo sendo agostiniano era totalmente contrário a execução dos heréticos e ao constrangimento em matéria de fé.

Quando penso historicamente a inquisição penso-a como assimilação da instituição islâmica da Murtad pelos cristãos espanhóis islamizados do século XIII.

Aqui, paradoxalmente, a Murtad islâmica acabou por confundir-se com o próprio espírito das cuzadas ocidentais, já despojadas de seu sentido original que era a resistência a um ataque ou a uma agressão ou a uma invasão (jihadismo) promovida pelo islã. Por força de hábito os espanhóis passaram a encarar todo e qualquer dissidente Cristão como um jihadista... perderam por completo a noção de infidelidade (ademais agressiva como a muçulmana) e heresia, muitas vezes pacífica. E tudo foi enfiado no mesmo saco de gatos.

Posteriormente na medida em que as pessoas (clérigos inclusive) foram se aproximando mais e mais do antigo testamento ou da Torá, na perspectiva de um Corão Cristão, a instituição inquisitorial passou a ser alimentada por uma fonte supostamente Cristã e a maior prova neste sentido foi que os reformadores protestantes, com seu apelo a Bíblia unitária, jamais cogitaram em reforma-la ou extingui-la. Muito pelo contrário tanto mais valorizavam o antigo testamento ou os escritos judaicos e portanto a antiga cultura judaica, e tanto mais reproduziam o ideal da intolerância como um ideal essencialmente Cristão, de que temos exemplo em Calvino, em Beza e em Thomas Edwards...

Convergiram aqui três fatores para a afirmação do espírito inquisitorial:

  • A islamização da cultura ibéria e a transposição de elementos como a Murtad
  • Um espírito cada vez mais distorcido de resistência física e social a dominação islâmica.
  • A ideia de um Corão Cristão ou de que os escritos judaicos (Torá) possuem uma autoridade tão elevada e grande quanto o Evangelho de Cristo (Inspiração linear ou plenária)

Mesmo porque a tradição islâmica e a tradição judaica ante Cristã ignoraram supinamente o conceito ou simples ideia de liberdade pessoal (o que engloba a liberdade religiosa). Havendo quem como Fustel de Coulanges defenda que sequer os gregos possuíssem um tal tipo de consciência 'liberal', a exceção do campo da política ou da democracia.

Admitida a premissa de Coulanges somos obrigados a concluir que o conceito de liberdade pessoal e portanto de liberalismo religioso, teve sua gênese no Evangelho ou seja no Cristianismo. Sintomático é que a instituição da Murtad, posta para a morte ou assassinato dos apóstatas, encontra-se tanto no judaísmo antigo ou no Velho testamento quanto no Islamismo mas de modo algum no Evangelho, no Novo Testamento, na Tradição apostólica, no pensamento patrístico ou mesmo na primeira escolástica e no franciscanismo nascente, i é até meados do século XIII, surgindo no contexto específico da Espanha por iniciativa dos Dominicanos.

São mais de mil anos de total ausência de um mecanismo repressor Cristão em termos de fé.

No entanto a adoção desse mecanismo pela Igreja latina a partir do século XIII foi o quanto bastou para obscurecer a ideia de direitos humanos na vida da Igreja. Pois se o homem não tem direito a liberdade e a vida terá direito ao que?

Lamentavelmente a aparição do protestantismo, o estardalhaço feito por ele em torno do antigo testamento e da cultura judaica, o apoio recebido por ele por parte do poder secular, etc acabou por afastar a igreja romana ainda mais de sua própria consciência histórica e por mante-la atada e presa aos elementos islâmicos e judaicos, até em meados do século XIX, após a afirmação dos direitos do homem por parte dos irreligiosos, fazer sua pior cagada (sob Pio IX) ao condenar os direitos da pessoa humana e a sancionar diversas formas de opressão em nome da religião de Cristo e de seu Evangelho, nada ficando a dever - em matéria de insanidade - aos Malafaias, Everaldos, Campos, Cunhas, Felicianos, Crivellas, etc do tempo presente.

Quando Calvino e Beza já haviam sido lançados as urtigas pelos próprios protestantes europeus, os quais ora esforçavam-se por ocultar seus tenebrosos ensinamentos a respeito da pessoa humana, assistimos o espetáculo de um Papa romana repetir-lhes as lições! Negando o liberalismo religioso!
Não se trata obviamente de negar as consequências espirituais do erro em matéria de religião, pelo qual certamente haverá de responder no plano espiritual ante a face de Cristo, mas de negar resolutamente a pretensão judaico/muçulmana de que tais erros devam ser impedidos ou punidos por outros homens, enfim pela mesquita, pela sinagoga ou pela igreja. A questão aqui não é de relativismo, no sentido de que o equivoco em matéria de fé seja irrelevante ou inócuo, como supõem o papa Pio IX. A questão é se as sementes deitadas pelo inimigo possam ser removidas pelo homem ou pelos oficiais da igreja antes do tempo da colheita, e a resposta fornecida pelo Cristo nos Evangelhos é não! É mandamento do Senhor esperar até o momento da ceifa, isto quando a erva má não morrer por si mesma...

No entanto quando retiramos uma peça de ouro ou prata do lamaçal e removemos o lodo que a envolve ali esta o ouro e a prata brilhando novamente. Assim removida a doutrina da inquisição e todas as péssimas ilações teológicas que dela decorrem temos mais uma vez diante de nós a legítima tradição da Igreja Católica a brilhar e como veremos no próximo artigo esta tradição é uma tradição humanista e justicionista destinada a afirmar essencialmente os direitos e as prerrogativas da pessoa humana.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Condução coercitiva de Lula, mas um abuso de poder cometido pelo juiz Moro







"O homem virtuoso mais sofre cometendo uma injustiça do que sendo vítima dela." Platão


Sou leigo em matéria de direito, mas nem por isso desinteresso-me por ela.

Julgo alias que todo cidadão consciente deveria tomar ciência das leis que regulam a sociedade em que vive.

Por isso desde moço tenho buscado ler e estudar, o quanto possível, nossa Carta magna, o CDP, o CDC, o CPP e outros códigos legislativos.

Eis porque fiquei perplexo diante da ilegalidade cometida pelo juiz Moro, líder da assim chamada operação Lava a jato, espécie de 'caça as bruxas' que jamais atinge a totalidade do covil...

Nada tenho contra a operação Lava a jato em si mesma.

Faz-se mister investigar, apurar, certificar e em seguida punir todos os políticos envolvidos em esquemas de corrupção.

Urge criticar todavia a maneira parcial, tendenciosa e demagógica como tem sido conduzida. O que chega a torna-la aberrante.

A impressão que se tem é que os juízes envolvidos selecionam arbitrariamente, partindo de afinidades partidárias ou preconceitos ideológicos, detre os mesmos atos, alguns apenas, para classificar como criminosos.

No entanto selecionar é manipular a justiça e manipular a justiça pode ser, algumas vezes, até mais danoso do que a prática da injustiça.

Temos observado que apenas um lado é investigado, interrogado, processado e punido; enquanto o outro pura simplesmente 'blindado'.

O que é inadmissível num estado democrático de direito.

Da maneira como tem sido direcionada a lava a jato mais tem parecido um tribunal político nos moldes inquisitoriais da Espanha 'Católica' ou da Genebra de Calvino... e seu chefe assumido ares de grande inquisidor. Dir-se-ia que o sr Juiz Moro encarna um Torquemada dos trópicos ou um Carpzovius Tupiniquim, cujo único objetivo é exterminar ops heréticos petistas ou as bruxas de esquerda.

A situação chega assumir ares de comicidade.

Há no entanto ares dramáticos. Durante os quais nossas leis são pura e simplesmente burladas justamente por aqueles 'heróis' que deveriam observa-las...

Tal a patética condução coercitiva do Sr Luis I Lula da Silva, por determinação do juiz Moro...

E como já disse não preciso ser um Dalmo de Abreu Dallari, um Bandeira de Mello, um Yves Gandra, um Marco Aurélio de Melo ou um Alberto Toron para aquilatar que os ritos não foram devidamente observados e que toda ação era ilegal ou mesmo criminosa do princípio ao fim, caso consideramos que um Juiz deve conhecer as leis melhor do que ninguém e observa-las ao invés de por-se acima da lei.

Mesmo sem ter um décimo de Rui Barbosa ou um quinto de Teixeira de Freitas ou um terço de Evaristo de Morais... mesmo sem compor meio Pontes de Miranda, sei e muito bem que alguém só pode ser conduzido coercitivamente ou 'sob o jugo da vara' tendo sido previamente intimado e recusando-se a obedecer a intimação dada!

E com a Constituição nas mãos desafio qualquer rábula de meia tigela ou sofista togado ao contradizer-me.

Sim porque é a intimação que informa o acusado sobre a produção do ato jurídico.

Nem precisa o acusado tomar ciência da intimação desde que seja enviada ou publicada oficialmente.

No entanto a intimação, segundo nossas leis, não pode ser omitida...

Agora sendo desconsiderada pelo acusado, poderá este ser conduzido 'sob a vara' ao magistrado, para ser ouvido ou justificar-se.

Agora se não há a intimação, que é a causa, como pode haver resistência que é seu efeito.

Segundo nossas leis resistência ou recusa supõem sempre intimação.

E aqui esta o veneno ou a matriz de todo erro, pois Lula, como sabemos, sequer foi intimado.

Pelo que não poderia ser acusado de resistência e consequentemente conduzido em semelhantes circunstâncias. Todos estes atos são muito claramente dispostos pela lei brasileira e não há como ignora-los sem se por fora da lei ou na ilegalidade.

E nem pode alguém fazer ou deixar de fazer qualquer coisa senão em virtude da lei.

Portanto Lula jamais poderia deixar de ter sido regularmente intimado e só poderia ser conduzido nas circunstâncias descritas pela imprensa, caso tivesse se recusado a obedecer a intimação.

Nada disto foi feito. Pelo que não podia ter sido conduzido de tal forma para onde foi, constituindo tal condução notório e patente abuso de poder com objetivos de natureza política.

Nem poderia alegar o dito juiz qualquer receio de tumulto...

"Dura lex sed lex."

A lei é dura mas deve ser cumprida.

As leis e ritos processuais devem ser executados sem consideração das circunstâncias.

Alias se havia ou há receio de tumulto buscasse o magistrado perquirir as razões ou motivos do tumulto. E talvez aprendesse alguma coisa...

Nem vou entrar aqui na chicana nazista da necessidade que não conhece lei, porque quem define a necessidade é sempre alguém, algum homem, algum sujeito, alguma pessoa partindo de seus princípios e valores para definir subjetivamente o que é necessidade....

Para além das necessidades básicas relativas a manutenção da vida e dos direitos inerentes a pessoa humana, as demais supostas necessidades caem todas no domínio arbitrário da subjetividade podendo ser usadas com propósitos políticos, partidários, demagógicos e opressores que destroem a própria essência do direito.

Pelo que afirmamos a legalidade do que esta escrito em nossa carta magna, insistindo na necessidade imperativa dos magistrados serem os primeiros a observar rigorosamente as leis e cumprir todos os passos dos ritos processuais ao invés de colocarem-se acima de lei assumindo as funções de árbitros ou de deuses sobre a terra porque, francamente, este tempo dos deuses e inquisidores plenipotentes já passou!

Fica portanto certificado e patente que todos os atos jurídicos relacionados coma condução coercitiva do ex presidente foram absolutamente nulos, infecundos e improdutivos, senão criminosos e que tais manobras deveriam ser levadas a todas as instâncias jurídicas não só nacionais mas também internacionais tendo em vista a punição e dedignação deste juiz.

Eis o que todos os cidadãos brasileiros sem considerações ideológicas ou partidárias deveriam exigir.

Um juiz que exorbita de suas funções cometendo atos infecundos e improdutivos em matéria de direito com o objetivo de criar situações políticas e tumultuar a vida de uma nação inteira não seria tratado doutro modo em Londres ou Paris.

Então veremos até onde este circo 'Leva jeito para golpe' vai e até onde chegam suas traquinagens e travessuras!



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O PEC 99/2011 e a deslaicização do Estado Brasileiro

Folgam os protestantes em apresentar seu sistema religioso como paladino de todas as liberdades modernas e com isto, ao cabo dos séculos, tem atraído a simpatia dos liberais mais ingênuos.

Embora folguem de interpretar livremente a Bíblia, ou seja, de forjar suas próprias crenças tomando por base o entendimento que eles mesmos teem da Bíblia - o que de modo algum é a Bíblia - os protestantes jamais puderam encarar com bons olhos aqueles que fazendo uso da mesma liberdade, descartam a autoridade da Bíblia. Torce-la a vontade... massacra-la... deturpa-la... manipula-la... é perfeitamente lícito ou melhor absolutamente necessário! Arrenega-la não...

De minha parte, como ex protestante, penso que a Bíblia seja mais honrada por aqueles que a negam do que por aqueles que a interpretam assim tão livremente a ponto de ser possível sustentar qualquer coisa - escravidão, racismo, estatolatria, machismo, homofobia, adultismo, intolerância, capitalismo... - em seu nome. Se eu acreditasse na divindade da Bíblia jamais poderia crer que sua interpretação pudesse ser atribuída a todos os homens sem distinção!

Apresentam-se os protestantes como principais advogados ou defensores do livro justamente porque lhes dói a consciência e sabem ser seus piores adversários. É graças ao biblicismo estreito, ostentado por eles, que muita gente boa faz pouco caso do livro... Verdade seja dita: a igreja antiga tinha pudor! E sabia que a maior parte dos seres humanos tinha pudor ou inteligência... O protestantismo apostou na estupidez humana e por algum tempo conheceu relativo sucesso entre os idiotas. No entanto como é impossível enganar todos durante todo tempo... Arruinou-se o Reino da Bíblia.

A Igreja antiga, mais realista, ocultava certas partes menos nobres do antigo testamento, já 'facilitadas' pela tradução dos LXX. Os latinos jamais puderam compreender bem o sentido da Septuaginta. Apresentaram-na e apresentam-na ainda como tradução, quando trata-se na verdade duma adaptação, isto mesmo duma adaptação a mentalidade dos antigos gregos. Adaptação sem a qual os gregos jamais teriam se aproximado dos livros judaicos tendo em vista sua vulgaridade ou grosseria.

No entanto como em larga escala, mesmo esta adaptação mostrava-se insatisfatória, socorreram-se os primeiros padres Cristãos, a exemplo de Origênes, da exegese simbólica ou alegórica, que Filon, escolarca hebreu de Alexandria, tomara aos platônicos. Outra não é a estratégia empregada pelo Pe Jouffroy, face aos questionamentos de Pecuchet, nos 'Patetas iluminados' de Flaubert: Moisés abrindo os braços em cruz é figura de Jesus Crucificado, o cordeiro encontrado por Abraão entre os espinhos é figura de Jesus Crucificado e coroado de espinhos, Jacó ferido no lado pelo anjo é figura de Jesus ferido no lado pelo centurião... 

A tentativa, centrada no dogma Cristão, até que foi excelente e nobre. Apenas não condizia como o sentir original do autor, sendo portanto falsa... Era no entanto uma falsidade bela, em comparação com a realidade feia do sentido literal.

No entanto o que não podia 'adaptar' ou alegorizar, a igreja sabiamente ocultava... poupando seus fiéis.

Assim a espiritualidade romana ou 'Católica' pode passar a largo dos bebes lançados contra os rochedos, das ursas que devoraram os meninos, do sanduíche de esterco degustado pelo profeta, do tamanho dos pênis dos egipcios, etc

Diante de tantos mitos, fábulas e narrativas grotescos a igreja antiga preferia silenciar. Sabia que insistir a respeito redundaria em incredulidade. Nossos coevos sabem ser infinitamente mais idiotas do que os medievos... por menos nossos ancestrais teriam lançado o papado as urtigas; como a humanidade dia após dia vem lançando a Bíblia e o protestantismo.

O protestantismo foi intemperante na medida em que pretendeu impor aos cristãos a Bíblia toda, literalmente recebida, como dogma de fé. Antes de conhecerem a Bíblia toda de capa a capa os estúpidos acreditaram que o negócio era vantajoso e que seria melhor acreditar no livro 'caído do céu' do que nos trinta e poucos dogmas propostos pela tradição apostólica ou pelo papa romano.

Atalhou-lhes a candura da crítica Bíblia, a partir da qual puderam ter acesso a versão hebraica não depurada, e... desde então os que dignaram-se a pensar perderam a fé, enquanto que os demais - refugiados em alcouçes como a assembléia de deus ou pocilgas como a CCB - tiveram de acostumar-se a ser classificados como tontos ou imbecis!

Afinal, continuam jurando de pés juntos, em pleno século XXI, que um homem adulto pode viver por três dias dentro do ventre de um peixe! Que existem um mar superior acima dos céus! Que os anjos de deus desceram a este nosso mundo para coabitar com mulheres! Que de semelhante conúbio nasceram gigantes! Que o Everest foi coberto pelas águas do dilúvio! Que os dinossauros jamais existiram ou morreram afogados! Que uma jumenta foi capaz de falar! Que Goliath foi assassinado por três pessoas diferentes! Que os antigos israelitas ofereceram e não ofereceram sacrifícios da jau no deserto....

Creia cada qual como quiser e no que quiser... outra coisa é querer exigir que os outros encarem-no como um homem sério ou instruído.

Da caturrice protestante em torno de todos estes dogmas mil vezes mais toscos e estúpidos que os dogmas do papa, é que surgiu a incredulidade contemporânea.

Os protestantes no entanto jamais puderam perdoar os incrédulos ou aqueles que negaram-se a endossar os ensinamentos da Santa Bíblia.

E apesar do discurso oportunisticamente liberal, destinado a atrair os Católicos liberais ou os liberais de modo geral, jamais deixaram de acalentar o sonho puritano ou ortodoxo de 'propor' e sancionar leis Bíblicas ou destinadas a honorificar a Bíblia e a humilhar os laicos, isto é, os que não creem.

Todas as vezes que os papistas ou liberais mais atilados, lançaram-lhes este sinistro projeto em face, os pastores brasileiros juraram pela mesma Bíblia que tudo não passava de calúnia, fruto da maldade, e que eles, protestantes, eram os mais fiéis partidários das liberdades democráticas E OS MAIS SINCEROS PALADINOS DO LAICISMO!!!

Passados uns cinquenta anos no entanto, damos com o PEC 99/2011, destinado a POR A FÉ em pé de igualdade com o conhecimento natural ou científico e a BÍBLIA no mesmo nível que a Constituição.

Se bem que cada república conheça uma só lei e que o fundamento desta lei deva ser sempre natural para ser laico!

A bancada protestante ou evangélica no entanto cuida por outro fundamento e um fundamento particular: a Bíblia...

E sabemos por lição de História onde tais iniciativas costumam dar...

Não se trata aqui de PERMITIR que os religiosos vivam a sua moda ou maneira, PELO SIMPLES FATO DE QUE JAMAIS FORAM IMPEDIDOS DE ASSIM VIVER POR FORÇA DE NOSSAS LEIS.

A lei brasileira, ao contrário das leis Mosaica e Maometana ou seja da Torá e do Corão, jamais pretendeu proibir alguém de repousar no sábado, de peregrinar a Meca, de evocar os espíritos dos ancestrais, de cultuar representações... ou tencionou constranger alguém a consumir carne de porco, beber sangue, trajar determinado tipo de roupa, ouvir jazz, casar com pessoas do mesmo sexo, abortar, etc A lei não interfere no que diz respeito a vontade pessoal dos cidadãos. É liberal e daí sua grandeza!

Esta lei a todos reconhece o direito de viverem como bem entenderem e de regular suas vidas por meio de seus livros sagrados, desde que abstenham-se de causar dano ou prejuízo aos semelhantes.

Que desejam então nossos fundamentalistas uma vez que nossas leis reconhecem-lhes o direito de viverem como bem entendem???

Como já controlam o Congresso, mas não o STF, e estão dispostos a tentar passar LEIS retiradas de sua Bíblia, precisam passar a PEC 99/2011. Do contrário todas as leis fundamentadas na Bíblia serão declaradas CONFESSIONAIS, anti democráticas, anti constitucionais e invalidades pelos juízes do STF. Daí a necessidade da bancada fundamentalista esmagar o STF. Enquanto o STF deter a primazia, toda e qualquer lei fundamentada na Bíblia, estará sob ameaça.

Considere agora caro leitor que o objetivo da lei num país democrático não é regular o privado, intervindo na vida pessoal do cidadão e cerceando sua liberdade. Mas ampliar ao máximo a liberdade NA ESFERA DO POLÍTICO OU DAS COISAS COMUNS. Trata-se aqui de criar e atribuir direitos naturais e não de imiscuir-se nos domínios da vida privada.

Agora justamente porque a lei diz respeito a esfera da Política ou das coisas comuns é que deve partir de fundamentos NATURAIS tais como demandas sociais, experiencialidade, razão, etc JAMAIS DE FONTES RELIGIOSAS OU LIVROS SAGRADOS. Sob pena de ser sobrenatural e religiosa, chocando-se com o caráter PLURALISTA, democrático ou LAICO DO ESTADO. Não pode a lei tomar por base determinado registro sagrado pelo simples fato de que a sociedade é composta por elementos ou cidadãos de diversas crenças ou fé, cada qual com seu livro sagrado e os mesmos direitos.

Não compete ao estado ou a esfera do político emitir juízo sobre determinado livro religioso concedendo-lhe um status privilegiado. Nada mais oposto ao caráter laico do estado, face ao qual todas as religiões e crentes são absolutamente iguais.

No entanto o esforço da bancada protestante consiste justamente em arvorar a Bíblia ou o livro, como fonte válida no sentido de pautar nossas leis e regular as vidas de todos os cidadãos. Eles até creem que a Bíblia seja em todos os sentidos superior a nossa Constituição e que nossa Constituição deva ser substituída pela Bíblia deles. Nutrem tais pretensões mesmo constituindo minoria religiosa... imaginem só caso viessem a constituir maioria? Agora no plano político estão bem articulados em torno deste proposito.

Agora que significa propor leis inspiradas ou pautadas na Bíblia?

Significa tomar por padrão social a sociedade proto israelítica do século IX a C restringindo ao máximo todas as liberdades, garantias e direitos dos cidadãos e implementando uma série de preconceitos monstruosos.

Implica querer regular ou controlar a vida dos outros ou de todos a partir de sua própria fé ou pontos de vista. Todos deveremos conformar externamente nossas vidas com o antigo testamento ou a torá de Moisés, crendo ou não nela! Nada mais sujo, arrogante e opressor! Devemos respeitar a Bíblia mesmo sem crer nela porque eles assim exigem, querem e determinam. Entendeu???

Por meio do PEC 99 2011 os protestantes estão exigindo a submissão ou a capitulação da sociedade laica apenas de modo mais sutil que os muçulmanos com sua sharia, e alias, abrindo esta senda para os futuros radicais islâmicos deste país ou facilitando as coisas para eles!
Observemos o que diz o relator deste capicioso projeto: "O STF expressa um preconceito contra argumentos de ordem religiosa dando preferência a argumentos científicos."

Qual o significado disto?

Que o SFT deveria apreciar os argumentos de NATUREZA SOBRENATURAL, CREDAL ou RELIGIOSA com a mesma seriedade que encara os argumentos DE NATUREZA NATURAL ou CIENTÍFICOS, NO QUE CONCERNE A FORMULAÇÃO DAS LEIS. Sim, pois não estamos tratando da ordenação da vida privada mas da coisa pública ou de nossas leis.

As leis no entanto como são feitas para todos devem estar por questão de necessidade fundamentadas na esfera COMUM da NATUREZA, e não da esfera PRIVADA ou PESSOAL da SOBRENATUREZA.

A ciência satisfaz plenamente esta questão na medida em que não é uma religião ou uma fé fundamentada na  autoridade de um livro ou dum homem, mas uma ideologia fundamentada nas capacidades da percepção e do raciocínio, as quais são comuns a todos os seres humanos: ATEUS, CRENTES, MUÇULMANOS, ESPÍRITAS, BUDISTAS, PROTESTANTES, CATÓLICOS, HINDUS, ETC

De fato este tipo ou gênero de conhecimento faz sentido para pessoas pertencentes a credos e ideologias bem distintos uns dos outros. Apenas certo número de muçulmanos e protestantes fanáticos, tendo em vista suas opiniões caprichosas, é que negam-se a reconhecer o espaço próprio da ciência e aspiram por impor suas concepções disparatas a todos os demais seres humanos! Isto no entanto já não é questão de mera estupidez mas de arrogância e dominação.

Não é porque meia dúzia de idiotas tomam a Bíblia ou o Corão por critério científico, que seremos obrigados a concordar com eles e SUBSTITUIR O PADRÃO COMUM DA CIÊNCIA POR SEUS QUERIDOS LIVRINHOS TENDO EM VISTA A FORMULAÇÃO DE NOSSAS LEIS.

As leis deduzidas da ciência, da experiencialidade e da razão apenas é que satisfazem o quesito democrático da neutralidade religiosa. Neste sentido o objetivo da PEC 99 2011 é justamente introduzir o primado da Bíblia, profanando o equilíbrio religioso, promovendo a intriga, sabotando a paz... Uma vez que cada religião pretenderá usar seus livros com o intuito de erigir novas e estranhas leis! A menos que o MONOPÓLIO POLÍTICO SEJA CONCEDIDO A BÍBLIA PROTESTANTE... e que os demais cidadãos deste país curvem-se face a tais exigências...

Até o dia em que os protestantes, como já fizeram no século XVI, façam decretar leis iconoclásticas e demolir as igrejas romanas, anglicanas, ortodoxas, as tendas de umbanda, os templos budistas, hindus, etc

É necessário examinar o passado, pensar no futuro e opor-se decididamente a projetos como o 99 2011, cujo extremo fim serão novos autos de fé, inquisições, violações de direitos, etc