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sábado, 20 de setembro de 2025

Sionismo e protestantismo, um estranho flerte...




A seculariação do Estado sionista.


 Ao templo que Th Herzl codificou os ideais do sionismo muitos judeus, inseridos no mundo ocidental, a semelhança dos Cristãos - Em especial dos protestantes históricos - já haviam perdido a fé e consequentemente a esperança na vinda de um Messias 'sobrenatural'.

Eram tempos de positivismo e em certo sentido de secularizações. Da mesma maneira como, para alguns romanistas apostatas, a Divindade de Cristo passou a significar a divindade do homem ou o reconhecimento de que nossa espécie é divina, para alguns judeus, considerados por si mesmos como 'emancipados' da fé, passou o Messias prometido a ser identificado com a futura construção política do Estado de Israel, o Estado onipotente e indestrutível.

É justamente por isso que os judeus ultra ortodoxos, homens profundamente religiosos, que mantém viva a fé de seus ancestrais, opõem-se decididamente a essa construção política. Por acreditarem que o advento sobrenatural do Messias é que proverá sua nação de um Estado político. 


O ideal imperialista.

No entanto - Repito - para parte significativa dos judeus secularizados que habitam o Estado de Israel, é esse Estado o Messias e o único Messias. Sem embargo da distinção (Alias bastante significativa, ao menos do ponto de vista Ético.) ambos os ideários são imperialistas: Sobrenatural ou natural, transcendente ou imanente, divino ou meramente político o Messias - Declaram as tradições já presentes nos registros apocalípticos. - haverá de destruir ou submeter Edon, Gog ou Magog, termos compreendidos como os Estados pagãos.

A proposta de Herzl

Por isso Herzl, dirigindo-se tanto a velha Europa a beira do abismo (Da primeira grande guerra.) quanto ao Império protestante em ascensão, acenou com a criação num estado judeu que servisse como ponta de lança da 'sifilização' ocidental (Leia-se anglo saxã ou americanista, jamais greco romana, ibérica ou francesa.) na Palestina ou nos domínios muçulmanos pertencentes ao Sultão da Turquia, outra construção decadente e prestes a desfazer-se.

As guerrilhas judaícas.


Instigada e apoiada pelos sionistas a Dna Inglaterra não tarda a tomar posse da Palestina ou do que hoje é Israel, ocasião sem que os judeus passam em grande número aquele território, formam suas guerrilhas - Haganah, Stern, etc e atacam as populações palestinas (Em parte Cristãs.) empurrando-as, expulsando-as, exterminando-as e cometendo um rosário de atrocidades... E quem quiser ler tais crônicas de sangue que as leia.

Terra prometida ou roubada...

Fundamentados em seus embolorados livros (Em pleno século XX) e argumentando terem sido eleitos pelo deus, exigiram ao mundo, a Inglaterra, EUA, França, etc exigindo a devolução e a posse daquelas terras, ocupadas por outros povos e construções políticas há cerca de dois mil anos, e para a grande vergonha da humanidade foram ouvidos. Não é que não merecessem uma data de terra, certamente, enquanto grupo étnico faziam jus a ela, mas não com base em aspirações religiosas ou credais. Ademais, ao menos os EUA, possuíam terra em quantidade (Tomada criminosamente aos indígenas exterminados.) para dar ao querido Israel e criar um Estado judeu, em seus domínios - Do que resultaria segurança para toda ordem mundial.

O entrave...

E no entanto, apesar da grande carniçaria feita pelos sionistas (Com armas fornecidas por Inglaterra e EUA) na Palestina, e a famosa declaração de Balfour (Extorquida a uma Inglaterra moribunda em 1917.) as coisas não avançaram e o Estado planeado por Herzl não foi criado ou reconhecido durante as quatro primeiras décadas do século passado - Ocasião em que uma alma da estatura de Van Paassen escreveu o "Aliado esquecido" (1943) endossando as revindicações sionistas quanto a Palestina.

Que sucedia então...

A experiencialidade Histórica dos Cristianismos apostólicos.

Velha a questão que opõem o romanismo e por consequência o Catolicismo Ortodoxo ao sionismo e a suas aspirações imperialistas.

Tanto a igreja romana quanto as nossas igrejas apostólicas Ortodoxas são instituições velhas ou multi seculares - Quero dizer que possuem larga experiência em termos de História. Destarte enquanto protestantes, capitalistas, anarcos e comunas estúpidos discutem sobre o islã na Europa, seu crescimento, suas relações com a democracia, refugiados jihadistas, primaveras, etc o Cristianismo apostólico detém na memória a primeira jihad - Que varreu do mapa os impérios Sassânida e Bizantino - assim a presença dos agarenos ou ismaelitas na Grécia ou na Península ibérica... Assim Sharia, e... Djzia, murtad, etc - A respeito das quais essas ideologias ou correntes contemporâneas nada sabe. 

Conclusão: As igrejas apostólicas conhecem por experiência o islã real, enquanto que os modernos idealizam ou romantizam o islã - Enquanto ele se vai estendendo com suas esperanças imperialistas e teocráticas.

Tal a questão do sionismo e suas aspirações.

Conhece-as a igreja antiga muito bem, pois no passado, sempre que o judaísmo teve algum acesso ao poder, fez sua mão pesar sobre os Cristãos. (Cf caput anterior.)


O não do Papa!

Eis a razão porque quando Herzl foi ter com o papa romano Pio X em 1904 (Portanto antes da primeira grande guerra - E quando a Igreja romana ainda desfrutava de um grande poder.) com o objetivo de pedir seu apoio, e consequentemente das nações papistas de então, para a criação do Estado de Israel, recusou-se aquele líder religioso a atende-lo.

Perceba o leitor que desde então a Igreja romana precisava perder seu poder e\ou ser cooptada (Por meio do Ecumenismo sessenta anos depois.).

O jogo da Inglaterra...

A partir daí, lendo "Os dias destes anos" do mesmo Van Paassen, já não podemos ter certeza sobre coisa alguma quanto as causas das duas grandes guerras. Por que de fato o império britânico não agiu enquanto pode... Era o fortalecimento da França ou o fantasma de Bonaparte que ela de fato receava... Por que os EUA jamais interferem senão quando a Europa se acha arrasada... 

Para tornar o tema ainda mais complexo aparecem os comunistas na Rússia com sua ascensão ao poder em 1917. Os fascismos e o nazismo por inabilidade de um liberalismo político subserviente a poderes econômicos... E a Inglaterra joga com tudo isto como se estivesse no século XIX.

Pós guerra - A igreja fragilizada.

Seja como for saiu a igreja romana enfraquecida da primeira grande guerra e os EUA fortalecidos. Já quanto da segunda grande guerra sai a igreja romana pulverizada ou a beira de um colapso - Cedendo lugar ao comunismo, que em parte é secularização da sua Ética ou da Ética social Cristã (Mesmo quando associada a ideias e a meios equivocados.).

Desde então as nações romanas e ortodoxas são cartas fora do baralho. Chegou a vez do poder Norte americano ou do poder protestante e capitalista - E logo no primeiro momento em que se esboça uma tal conjuntura, surge Israel na 'carona'... Coincidência...

A grande incógnita...

Há quem cuide que não e que foi tudo calculado nos bastidores do sistema - Tal a leitura assente nos ''Protocolos dos sábios de sião". Quem pensar sobre tudo isso... 

De minha parte - Mesmo considerando a ação da diplomacia oculta (Yankee ou britânica) e da maçonaria - acho improvável porém não de todo impossível que os sionistas tenham urdido tais acontecimentos com o objetivo de debilitar as velhas igrejas (Romana e Ortodoxa), engrandecer os EUA e tirar os decorrentes proveitos de natureza política. Acho improvável, repito, porém não impossível - Apenas por observar a conjuntura política atual, na qual certamente atua uma poderosa mão oculta.

Quem morreu e quem sobreviveu...

Agora que o sionismo tenha sabido tirar proveito de tais eventos é indubitável. Sendo o principal deles a cagada hitlerista do extermínio. E como tudo deve ser analisado e discutido - Sempre que se trate de fatos concretos ou acontecimentos. - estou a par de que muito se tem discutido sobre os judeus massacrados: Se eram majoritariamente pobres ou sefaradis, etc Naturalmente que as elites (Os asquenases...) tiveram mais facilidade para fugir. Alias há pouco material sobre tais questões mesmo na net o que naturalmente lança dúvidas em meu espírito - Não quanto ao massacre e sim quanto ao caráter das vítimas e possíveis conotações políticas.

Em que pese o tabu ou a cortina de fumaça é absolutamente necessário problematizar tudo isto.

Tenho lido alias que eram os judeus do Leste da Europa, mais religiosos (Parece que os judeus alemães e franceses eram os mais secularizados do continente.)  e resistentes ao sionismo e que o extermínio deles conferiu uma uniformidade quase que absoluta a ideologia em questão. Outra opinião com que deparamos em livros, publicações e ambiente virtual - E esta muito mais consistente. - é que o massacre dos judeus continentais ou do Leste, como se queira, concedeu primazia aos judeus anglo saxões, em especial aos judeus dos EUA, estes intensamente sionistas.


Ecumenismo para quem... A guinada do Vaticano II


Quanto a continuidade do Estado sionista nas décadas seguintes é que sob Pio XII permaneceu a Igreja romana completamente alheia a judaização e ao sionismo. Outro, como sabemos, a situação criada após o Vaticano II - O 'concílio' manobrado pelos norte americanos, protestantes e maçons; com o objetivo de destruir a identidade da igreja romana e sabotar a cultura dos povos romanos. O fim último no entanto parece ter sido enfraquecer os socialismos Cristãos (Dentre eles a D S I e a assim chamada Teologia da Libertação - Enquanto possíveis vias de acesso ao comunismo. sic) e aproximar os povos romanos do americanismo e, consequentemente do sionismo.

Uma atitude peculiar desse 'concílio' foi inserir na nova missa protestantizada uma leitura do antigo testamento, isto com o premeditado intuito de aproximar a ICAR do calvinismo, das seitas judaizantes, do judaísmo e enfim do sionismo como de fato tem acontecido. E já vemos romanistas migrarem em massa a seitas pentecostais e calvinistas e delas ao judaísmo e até ao islã, algo que jamais se viu nos séculos precedentes. Ora tudo isto é decorrente da perda da identidade, do obscurecimento da cultura e do desprezo pela Tradição acionados pelo citado 'concílio' - Nada disto, repito, é alheio a esfera política e econômica da modernidade. 


O cavalo de Tróia da RCC...

Resultou desse 'aggiornamento', com efeito, a RCC, movimento yankee de inspiração protestante\pentecostal e através dela não apenas a bibliolatria, mas a concentração das massas apostólicas romanas alfabetizadas na leitura indiscriminada do AT, a prática do livre exame e, pasme, a substituição do Latim por expressões habraicas, tal e qual nas seitas protestantes mais vulgares. 

Grosso modo o último papa romano a confrontar Israel foi o ultra progressista e modernizado Paulo VI, o qual ousou reivindicar que Jerusalém fosse internacionalizada - E eu, inclusive, lá colocaria a ONU, bem distante dos EUA, do qual é quintal no quintal...

Nos últimos cinquenta anos o mesmo Vaticano, que ousa falar grosso contra a Rússia Ortodoxa (A última protetora da Cristandade.) tem apenas resmungado muito baixinho contra as atrocidades sucessivamente cometidas pelo governo sionista, quase fazendo coro com os yankees e a desorientada Alemanha em torno de um apoio incondicional, sempre tocado pela ladainha do Holocausto... Pois para os sionistas hipócritas criticar as ações terroristas de Israel e suas violações de direito, é sempre sinônimo de anti semitismo rsrsrsrs

Manipulando o extermínio

No tempo presente o único pais Cristão que ousa opor-se as manobras do Estado sionista e a suas crueldades tem sido a Espanha, sujo ministro por sinal acaba de ser classificados pelo sionistas como anti semita rsrsrsrsrs 

Quanto as incestuosas relações entre o sionismo e o estado yankee, é impossível dizer quem pretende manipular quem ou quem ali dá as ordem. Os nazistas sempre pretenderam que seriam os sionistas, eu no entanto estou longe de sabe-lo e assim de concordar com eles. Pois não vejo que sejam os calvinistas e capitalistas uns inocentes ou ingênuos a ponto de serem manipulados pelos espertos hebreus. E considero esse esquema linear como simplista. 

O dispensacionalismo. 

Outro o caso das massas pós dispensacionalistas, com relação as quais bem pode o sionismo auferir grande proveito, na medida em que componham parte significativa da opinião pública Yankee - E eu não sei se isto já foi devidamente analisado e mensurado. 

Digo isto porque o quanto o dispensacionalismo propõe (Sejamos justos) é que, apoiando e fortalecendo o Estado sionista, favoreçam a reconstrução do quarto templo e assim a manifestação do Anti Cristo e consequentemente a segunda vinda de Cristo e a consumação dos tempos... - O que de modo algum implica assumir a identidade ou a cultura judaica. 

Protestantes desorientados.

Todavia, gostando ou não dos judeus, desejando manipular (Como os antigos Maias e Astecas) eventos cósmicos, aspirando adiantar o tal apocalipse, etc fato é que, o dispensacionalismo levou a parte mais ignorante ou despreparada de sua clientela as fronteiras do judaísmo. Isto a ponto de imaginarem a si mesmos como judeus ou os judeus como Cristãos e passarem a usar emblemas judaicos como a menorah e a estrela de Refã. Sem atinarem por um instante que os judeus continuam a encarar nosso Deus Emanuel, como filho natural de uma prostituta com o soldado judeu Ben Pantera e a apresenta-lo como idólatra, feiticeiro e blasfemador que se encontra no mais profundo dos infernos, ardendo em excrementos.


Perspectivas nada agradáveis.

Por fim quanto as aspirações do Estado sionista, as quais giram - No mínimo - em torno da reconstrução 'grande Israel' davídico (O qual não passa de um mito.) dadas agora num contexto islâmico cada vez mais amplo, naturalmente que representam um perigo para a humanidade como um todo ou para nossa espécie. Uma vez que foi dado ao Estado sionista possuir armas de destruição maciça e que juram em Massada jamais capitular, pode o leitor inferir as consequências.

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  • Conservadorismo
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  • Positivismo
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terça-feira, 24 de junho de 2025

Sionismo, americanismo\capitalismo, protestantismo, maçonaria, ecumenismo, ONU, etc Análise cultural ou culturalista sobre a conjuntura atual ou sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial II.



As vezes, para assustar os mais jovens, cheguei a dizer que a totalidade das Bombas atômicas e nucleares, tinha a capacidade de destruir o sol -

'Mea culpa, mea culpa' 

Seria como alguém urinar no Oceano ou destruir a terra com um pum...

Outro o caso do nosso planeta... O qual poderia ser pulverizado por elas.

Agora, leitor atento, peço-lhe permissão para fazer-lhe uma perguntinha: Você acha mesmo que a intifada dos EUA e Ucrânia contra a cultura eslava ou contra a Rússia, o despejo de milhares de radicais islâmicos no Sul da Europa por decreto da ONU, o genocídio perpetrado contra a população palestina da Gaza, a ostentação de bandeiras de Israel nas seitas protestantes espalhadas pelo mundo, a adoção de elementos da cultura judaica pelos carismáticos e modernistas da igreja romana; enfim, que tudo isso não passa de pura e simples coincidência... 

O quanto direi sobre tudo isto e muito mais é que estamos diante da manipulação da cultura como jamais foi feito na História do planeta...

E o primeiro elemento que temos a considerar aqui é o esvaziamento da consciência Cristã em termos de identidade própria a partir do surgimento do protestantismo, com os princípios do biblismo e do livre exame.

E aqui precisamos nos deter um pouco para compreender.

Pois o que aqui temos são os princípios mais remotos da judaização do Cristianismo contemporâneo, o qual se expandirá até a igreja apostólica romana, conquistará quase que por completo o ocidente até - Hipostasiado com o americanismo ou imperialismo norte americano. - conflitar com a Ortodoxia, representado pelo mundo eslavo ou pela Rússia, último bastião do Encarnacionismo ou da fé nicena\atanasiana com suas decorrências.

Ainda me recordo de quando tive a ocasião de ler, na 'História da Inglaterra' de Maurois, que o calvinismo trocou o Evangelho pelo antigo testamento, fixando-se nele. 

E eu era e eu sou - Com orgulho - EX protestante. De modo que não pude deixar de concordar com o doutro escritor francês e de refletir, até hoje, sobre isto.

Mesmo antes do advento do dispensacionalismo já estava tal manobra em movimento.

Surpreendentemente era Lutero - Apesar de paulinista. - muito mais refinado, cristão e próximo da tradição Católica\Ortodoxa do que seus sucessores ou colaboradores, pois ensinava algo bastante próximo da inspiração funcional. Foi Calvino que decididamente canonizou a opinião (Perigosa) da inspiração Linear (E plenária) ou de uma bíblia unitária - Na qual o antigo testamento é afirmado como absolutamente igual ao Evangelho de Cristo.

Naturalmente que a partir daí toda ênfase do protestantismo foi incidindo, gradativamente, sobre a leitura, as formas de ser, os modos de convivência e a cultura judaicas. Pelo simples fato do Antigo Testamento ser mais extenso do que o Novo e de que a cultura do tempo fosse bastante rudimentar... O que foi dando origem a um número cada vez maior de seitas fundamentadas em crenças e costumes judaicos, assim: Sabatistas, iconoclastas, mortalistas, unitários, etc 

De modo geral o que se pode assistir no seio do protestantismo foi uma gradativa diluição do elemento propriamente Cristão - Legado pela Igreja antiga. - enquanto decorrências da Encarnação, nas crenças e costumes do antigo testamento. Na prática os artigos de fé propriamente Cristãos: Como a Trindade, a Encarnação, a imortalidade, o livre arbítrio, a presença real do Senhor na Eucaristia, a unipersonalidade e duas naturezas do Cristo, as operações teândricas, as duas vontades, a Virgindade Perpétua de Maria Santíssima, a comunhão dos santos, as preces pelos mortos, etc foram sendo classificadas como pagãs e substituídas por narrativas mitológicas, projeções futuristas e moralidades propriamente judaicas derivadas do antigo testamento.

E foi tal processo cultural bastante significativo sob diversas óticas que se queira adotar.

Os próprios personagens do Evangelho inclusive, foram sendo, paulatinamente, substituídos por personagens do antigo testamento > Assim Josué, Calebe, Finéias, Davi, etc tomaram o lugar de João, Tiago, Pedro, Paulo, João Batista, Gabriel, Maria Santíssima, etc até Moisés igualar-se a Jesus Cristo... E não preciso dizer mais nada...

Qual o fim último de tudo isso...

A falsa percepção de que é o Cristianismo um mero ou simples monoteísmo abraâmico ou uma religião abraâmica, exatamente igual o judaísmo e o islã, quando é na verdade um monoteísmo 'sui generis' ou atípico, isto é, um monoteísmo Encarnado e Encarnacionista no qual Deus assume nossa condição humana ou se faz carne. E a conclusão, sacada pelos protestantes - Bibliolatras e fundamentalistas - de que é o Cristianismo uma seita ou ramo do judaísmo. E de fato líderes e pastores protestantes afirmam muito claramente isso, e por ai se chega a politicagem sionista... 

Nada mais avesso ao pensamento autenticamente Cristão, representado atualmente pelas igrejas apostólicas do Oriente, ou seja, pela fé Ortodoxa, leal ao padrão atanasiano ou niceno. Nada mais estranho ao sentir do papismo ou da igreja romana anterior ao Vaticano II e ao ecumenismo. Nada mais alheio ao espírito da Cristandade histórica, ciosa de sua identidade e consciente de sua peculiaridade espiritual.

Fixada no antigo testamento, a quase totalidade do protestantismo pós calvinista, assumiu um caráter sectário, radical e feroz em torno da transcendência absoluta, até dar combate aos elementos autenticamente Cristãos oriundos da imanência ou derivados da Encarnação. E o resultado prático disto foi buscar eliminar todos os vestígios da entrada e da presença do Deus Cristão no mundo dos homens; assim campanários, torres, cruzes, sinos, órgãos, festas, bispos, etc Eram, diz Maurois, sinais que exasperavam os leitores fanáticos do A Testamento.

Cada vez mais e com maior intensidade parte considerável do protestantismo se foi embrenhando por este caminho, alheio, por assim dizer, a essência do Cristianismo. 

Resta dizer que consumou-se este estranho processo, antes de tudo na maior república protestante do planeta, os Estados Unidos da América do Norte. Foi lá, no século dezenove ainda, que por primeira vez, manifestou-se a aberração dispensacionalista que atualmente colabora em máximo gráu com o projeto sionista. 

Pois nada pode Israel sem o apoio dos EUA - Como uma criança agressiva nada poderia sem a conivência do pai ou de algum adulto. Como nada podem os sionistas sem o decidido apoio e solidariedade das massas protestantes judaizantes. 

Até o Concílio do Vaticano II e a protestantização da igreja apostólica romana estavam as coisas nesse pé na medida em que mantinha-se esta comunhão imune aos falsos princípios arvorados pelo protestantismo e por extensão aos laços da judaização e tentáculos do sionismo. 

Compreenda-se que deviam as coisas avançar, especialmente após a criação do Estado de Israel, carecendo-se essa política de um apoio ainda maior. 

A bem da verdade já havia certo entendimento ou tendência na direção do ecumenismo, isto porque romanismo e protestantismo tem como elemento comum o moralismo (Alias derivado grande parte do AT) e como fundamento o agostinianismo. 

E era importante conquistar esse apoio.

Basta dizer que, com esse propósito, entraram na liça, a sinistra política norte americana e a maçonaria.

Foram os bastidores da politicagem Yankee e a atividade maçônica na cúria romana que articularam e levaram a cabo as nefandas reformas levadas a cabo pelo Vaticano II, quase todas de inspiração protestante. Assim a significativa diminuição do aparato simbólico litúrgico, o acolhimento de opiniões irreverentes sobre a pessoa do Cristo, de sua mãe, etc e sobretudo o ecumenismo, definido como negação da unidade eclesiástica e expressão de relativismo doutrinal.

Os próprios apostólicos romanos mais dedicados e leais questionaram a filiação de seus hierarcas - Daqueles que dirigiram o Vaticano II - a maçonaria e o envolvimento dos embaixadores Norte americanos. Naturalmente que todos, uns e outros, se empenharam pelo estado de Israel ou pelo sionismo. Claro que empenharam-se também pelo capitalismo (Aliás algumas dessas conexões já se faziam presentes nos escritos de Th Herzl) e até o ponto de, passados alguns anos, criarem essa coisa chamada RCC, com o objetivo de enfraquecer a Teologia da libertação. 

Devo ressaltar por sinal, que a RCC representa um avanço ainda mais grave na direção do protestantismo na medida em que nela introduz o que havia de mais primitivo e radical no seio do protestantismo: O pentecostalismo, com seu ethos mágico fetichista. Ocioso dizer que foi a RCC produzida nos EUA. Coincidência...

A partir daí a infecção judaizante avançou, conquistando (Por meio do Vaticano II e da RCC - Ecumenismo) a Igreja romana. E de fato uma igreja romana protestantizada foi afastando-se de uma sóbria e prudente neutralidade e alinhando-se cada vez mais com o americanismo, com o capitalismo e por tabela com o sionismo. A princípio foi luta, tanto política, contra a TL e contra a URSS, na conjuntura da guerra fria, sendo elaborado todo um discurso em torno de uma causa comum que aliciou grande número de romanistas e certo número de ortodoxos inclusive.

Tanto os Europeus romanistas que lograram escapar ao Nazismo quanto os emigrados russos saídos da URSS colaboraram amplamente para estabelecer essas relações ecumênicas com o mundo protestante devido ao modo como passaram a encarar os yankees, isto é, como libertadores ou protetores. E aqui a atmosfera política influenciou poderosamente o universo religioso. 

Importa saber que a partir do Vaticano II podemos conjecturar, com certo grau de plausibilidade, o sionismo e o americanismo influenciando o papado ou a igreja romana, por meio do protestantismo e da maçonaria. Podemos imaginar a igreja romana ou o papado como um objeto, a maçonaria e o protestantismo como braços e o sionismo ou o americanismo como o cérebro ou primeiro motor na atual conjuntura política. O objeto aqui só pode ser o interesse dos EUA ou de seu protegido Israel.

Teoricamente a ONU estaria no controle, e fica sendo tudo muito bonito.

Pois como no passado tentou a ONU intimidar a URSS, Cuba, etc tenta ainda hoje intimidar China, Índia, Países árabes, Rússia, Venezuela, etc 

Mas a Israel não intimida de modo algum. 

Colocando-se esse país acima de todas as leis divinas e humanas, procedendo caprichosamente, e fazendo tudo quanto lhe apraz. Nada mais arbitrário neste nosso mundo do que a política de Israel, pois tudo quanto é denunciado como 'Crimes de guerra' ou violação de direito noutros lugares é ali permitido... E sanção alguma é promulgada contra aquela república, o que opõem-se descaradamente ao conceito natural de isonomia. 

Portanto, na atual conjuntura ou no seio da Cristandade presente, a única parcela não alinhada com o protestantismo e politicamente alheia ao sionismo é o Catolicismo Ortodoxo, politicamente representado pela Rússia. O que nos ajuda a compreender os esforços de uma Europa instrumentalizada pelos EUA para cooptar a Ucrânia (Cujo presidente 'por acaso' é judeu.) opor-se a Rússia e sabotar a cultura eslava. O ideal aqui é usar o uniatismo ou a igreja romana para chegar Ortodoxia e aproxima-la do protestantismo e corrompe-la. Por meio do ecumenismo abre-se caminho para a afirmação de princípios e valores protestantes no plano da cultura e enfim para uma identificação com Israel até a manipulação. Aproximar-se do neo romanismo e do protestantismo implica aderir a esse processo de judaização acionado há meio milênio e servir aos interesses políticos do Estado de Israel, os quais nada teem de Cristãos ou mesmo de justos. Portanto aqui, tanto a Ortodoxia quanto a Rússia devem ser encaradas como modelos de resistência cultural dentro do Cristianismo. 

Podemos aliás conjecturar que o próximo alvo dessa politicagem global ou ocidental, americanista, sionista, capitalista, etc é a Ortodoxia, alheia por completo ao sionismo ou a judaização devido a sua fidelidade ao padrão niceno\atanasiano, decorrente do princípio da Tradição - Aliás típico de construções sociais tanto mais antigas ou menos urbanizadas. Tenham por absolutamente certo que os EUA tudo fará, por meio da maçonaria ou das seitas protestantes, para transformar a igreja russa (A exemplo da romana.) em província cultural sua, com o objetivo de destruir a cultura eslava e colonizar a Rússia. E a chave para isso será o ecumenismo ou o capitalismo... 

Os outros modelos de resistência tanto ao imperialismo norte americano quanto aos interesses políticos sionistas, situados fora do contexto Cristão são Índia, China e países árabes, embora estes sejam muçulmanos, o que planteia outros tantos problemas não menos sérios. Naturalmente que os EUA estão muito pouco satisfeitos face a um mundo cindido em diversos blocos ou centros de poder. 


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quarta-feira, 13 de junho de 2018

É o Evangelho produto do judaísmo antigo?

A Claudio Machado



Cristãos, mas antes de tudo homens e homens dotados de sentidos e racionalidade, admitimos, sem maiores problemas, que o 'ritmo' deste universo é progressivo ou que ele se desenvolve de fase em fase, de período em período, de era em era... aumentando em complexidade ou evoluindo. Esta Evolução, incontestável, é a um tempo física, química, biológica, psicológica e social. Sem ser 'simples' ou linear, mas complexa e sujeita já a recuos, já a variações, nem por isso deixa esta dinâmica de ser perceptível ou constatável.

Para nós a teoria sintética ou o que chamam de darwinismo mitigado é 'teoria' destinada a explicar um 'fato', este fato a Evolução. A Evolução não é apenas um esquema conceitual ou teórico elaborado pelo intelecto, foi e é algo real, algo que aconteceu e que acontece, em termos chãos - Um fato... Reconheço que a expressão é defeituosa, mas didaticamente aceitável.

A História do homem em Sociedade - porque jamais damos com o homem de Rousseau isolado dos demais como uma 'ilha' - segue a mesma trajetória, a qual não sendo linear - mas sujeita a crises e recuos em sua assunção cultural - nem por isso tornasse brusca no sentido de que os acontecimentos sucedem-se sem qualquer conexão ou relação, ou dependência face aos precedentes i é como algo totalmente insólito.

Há quem a partir de marcianos e atlantes ou mesmo 'magos' sustente o insólito. Deveriam no entanto começar pela demonstração da existência dos magos ou dos atlantes; ou da vinda dos marcianos a este mundo para carregar pedras... Dão por certo que as grandes construções legadas por Incas e Egípcios foram erguidas pelos extra terrestres, quando por meio da pesquisa séria e sóbria sabemos como, por que e para que nossos ancestrais edificaram tais monumentos - De modo que a navalha de Ockham acaba cortando os Ets ou tornando sua presenta absolutamente inútil... Afirma-los obstinadamente entra pelos domínios da antropologia filosófica, pois implica presumir muito pouco dos homens, digo, de nossos ancestrais. Puro pessimismo infundado.

Claro que a História humana conhece enigmas a serem melhor decifrados, e não são poucos. A escrita de Harappa é um deles, a escrita etrusca ou toscana é outro, o eclipse da civilização Maia, o povoamento das Américas, a trajetória de nossos primeiros ancestrais pela Europa e Ásia, etc São alguns destes enigmas a serem decifrados ou melhor resolvidos. Enigma humano ou ser humano por assim dizer 'deslocado' de seu sítio ou nicho há um só Jesus de Nazaré...

Apesar daqueles que aspiram por fazer de Jesus, numa perspectiva natural ou evolutiva, uma rabino convencional ou um bom judeu em perfeita sintonia com o judaísmo, ele continua deslocado e incompreendido, diria, empregando suas palavras, que ele converteu-se no escândalo da História, justamente por ir na contracorrente do universo natural em que nos movemos, e representar algo insólito.

Grosso modo o insólito não é aceitável do ponto de vista natural ou científico, como não são aceitáveis Ets, atlantes e magos... Mas Jesus ainda ai esta sendo cultuado, de um modo ou de outro, por bilhões de pessoas e quiçá levado mais ou menos a sério por algumas centenas de milhões, o que vem a ser impressionante se o tomamos por Mito. Quero dizer que para alguns cientificistas a única solução possível é negar sua existência afirma-lo como uma construção social feita 'a posteriori' - Compreenda-se um grupo de homens ou de seres humanos de uma época futura (mais evoluída) e certamente muito bem preparados em termos de cultura foram os responsáveis por construir sua 'estória' ou sua farsa...

O 'mito' de Jesus parece não ter sido um mito comum ou ordinário, de elaboração espontânea ou natural com seus defeitos, mas um mito muito bem construído, e por isso, segundo muitos - produto de uma ficção intencional. Jesus só pode ter sido uma falsificação elaborada por um grupo fora do tempo e ambiente natural em que esta situado. Em Jesus parece haver algo do extremo Oriente, associado a algo do pensamento greco romano mais refinado... Mas este Jesus viveu numa das regiões mais remotas e atrasadas do planeta e dentro de uma das culturas mais fechadas do tempo - Na Galileia, entre hostes de fariseus e essênios profundamente ciosos de sua cultura (até a arrogância) e respirando ódio face a tudo quanto fosse politeísta, idólatra ou pagão...

Jesus ficaria um pouco menos enigmático entre os sofisticados judeus de Alexandria, onde floresceu Fílon. Apresentando como poliglota, frequentante diário da Biblioteca de Alexandria e leitor compulsivo. Mas nada indica que tenha frequentado tal estabelecimento ao menos por uma ou duas décadas...

As grande rotas internacionais de cultura passam bem ao Norte, pelo Norte da Síria, outras, menos importantes, descem pelo litoral da Palestina, habitado pelos descendentes dos antigos pagãos fossem filisteus ou fenícios, até chegarem ao Egito. A cultura internacional não flui pelo meio da Palestina por ser pagã ou politeísta e portanto repudiada como má pelos senhores de Jerusalém. Suponhamos Jesus no Khumran, que encontraria ele em termos de literatura grega? Apenas a República ou algum outro livro de Platão... Será que todos os 'monges' essênios tinham acesso franqueado a este tipo de literatura gentílica parcamente representado? Podemos supor seu conteúdo restrito inclusive.

Por ser muito difícil conceber a figura de um Galileu do século I lendo a Darmapada em aramaico ou folheando as obras de Anaxágoras em grego clássico, a figura de Jesus foi lançada aos domínios do mito e sua existência negada desde os tempos de Emílio Bossi. Afinal tudo quanto não podemos compreender perfeitamente em termos de natureza causa espanto e assusta. A negação arbitrária só faz destacar ainda mais as dimensões deste vulto.

Ademais julgo que por mais genial que este homem tenha sido, caso se tivesse limitado a tecer eruditos comentários sobre a Tanak, a compor uns diálogos filosóficos em torno do Ser, a deduzir novas fórmulas que convulsionassem as matemáticas ou a inventar algum instrumento socialmente impactante... não teria sua existência negada. Creio que tentariam compreende-lo ou situa-lo, mas... Jesus foi Mestre de Ética. E que Mestre! Aquele que ensinou-nos a amar o próximo como a nós mesmos, a abster-nos de julgar e condenar, a cultivar a paz, a sobriedade e a misericórdia, a colocar-se no lugar do outro, a ajudar concretamente nossos semelhantes... Diante de tudo isto fica até fácil saber porque sua existência deveria e deve ser negada. Além de ser 'insólito' Jesus nos incomoda a partir de seus ensinamentos Éticos. Ainda hoje não estamos preparados para aceitar o outro, nos incomodamos dele e nos fazemos de vítimas... Se uma mulher se veste como homem ficamos indignados e enfurecidos - se mente, fofoca, agride fisicamente, tortura, mata, etc não nos indignamos!!! Se um homem coloca um vestido ou uma peruca nos mostramos melindrados - caso deixe de pagar pensão ao filho pequenino, nos limitamos a sorrir... O ano 2018, e como ainda estamos próximos do pensamento daqueles 'homens de bem' que mandaram crucificar Jesus após terem-no apontado como imoral, como ainda carregamos alegremente o jugo dos fariseus hipócritas! E mesmo assim, parte de nós paga seu tributo ao fingimento declarando-se Cristão. Poucos estão dispostos, como o Dr Binet Sangleé, a declarar que Jesus era louco ou a classifica-lo como canalha ou positivamente mau.

Claro que aqui a negação apresenta-se como a atitude mais oportuna ou conveniente. Admitir sua existência ou leva-lo a sério e refletir escolasticamente sobre o tema até a derradeira conclusão seria assaz perigoso. Caso admitamos que este homem existiu de fato e consideremos racionalmente sua existência como deixar de concluir com o já citado Rousseau que se a morte de Sócrates foi a morte do maior de todos os mortais, a morte do Nazareno foi como a morte de Deus??? O perigo esta posto e a negação é a melhor saída...

No entanto este Jesus não é um marciano vindo de Órion ou das Plêiades numa nave espacial... Nem cobre seu túmulo uma lápide como a de Pakal, rei de Palenque... Tampouco é este Jesus uma espécie de missionário Atlante como Quetzalquoatl ou Kon tiki Viracocha, ou Tonapa, ou Sumé... o qual evapora-se na direção do mar oceano. Nem é uma espécie de Merlin a mover as pedras de Stonehange com sua varinha de condão... Tampouco apresenta maiores semelhanças com os deuses 'tarados' do paganismo antigo... Afortunadamente ele não se identifica com Hórus, com Tamnouz ou com Mitras como asseveram todos esses panfletários que pouco ou nada sabem sobre mitologia antiga, ignorando seriamente o caráter de tais deidades... Mas eles vão garimpando por ai e a gente simples lhes dá ouvidos.

Evidências Históricas a respeito da existência de Jesus há diversas - O original de Josefo, reconstituído pela soviética e ateia Dra Irina Sventsitskaia, o Talmude dos hebreus, Paulo, Tácito, Plínio, Suetônio... No mínimo.

Assim a negação da existência de Jesus até pode ser um recurso prático e fácil, o que de modo algum supõem é honestidade. Se Jesus não existiu personagem alguma do nosso passado existiu, afinal o que dele se exige, num contesto peculiar inclusive, não é exigido por mais ninguém e pouquíssimos dos grande homens de Roma ou Atenas passariam pela 'prova' arbitrária dos positivistas...

Agora, admitido que este Jesus tenha existido, como teria pensado sua relação com o judaísmo???

Pensou-a ele???

Exprimiu-a???

E com que palavras, luminosas e claras -

"O vinho novo não cabe nos odres velhos - Se você tentar colocar o vinho novo dentro dos odres velhos, os odres se rompem."

Ao que parece Jesus tinha plena consciência de que sua mensagem transcendia os limites estreitos da fé judaica ou da lei de Moisés ou da Tanak. Sabia que estava ultrapassando e superando a religião de seus ancestrais. Estava perfeitamente cônscio quanto a Revolução que suas palavras acalentavam. Sabia muito bem que não era um rabino beócio ou conformado com o judaísmo rabínico. Jesus não apenas contestava, questionava e criticava o que os demais consideravam sagrado ou tabu - sabia que contestava e compreendia o valor da contestação.

Leiam o Sermão do Monte e depois me digam se face uma religião REVELADA como judaísmo ou islã, não temos ai uma declaração de guerra???

Vocês sabem o que foi ensinado aos ancestrais declara Jesus, e adiciona ou acrescenta 'sacrilegamente' (sic): Eu porém vos digo! Ele opõem seu próprio EU, sua autoridade (sic) as tradições religiosas do povo, a Tanak, a Torá, a Moisés, aos Sacerdotes...

É exatamente aqui que manifesta-se a desonestidade, surpreendentemente arquitetada não pelos ateus ou materialistas de nossos tempos, mas por clérigos 'cristãos', pastores protestantes de modo geral, mas também alguns padres (como a besta do Pe Murillo), todos judaizantes. Pois bem que dizem estes senhores? Dizem que Jesus não esta, de modo algum, a criticar ou a contestar Moisés, a Torá, a Tanak ou ao que chamam de Velho testamento, mas as tradições orais dos fariseus que posteriormente vieram a formar o que chamamos Mixná e Guemara... As quais, acrescentam maliciosamente tais homens, haviam corrompido o judaísmo ou a lei de Moisés. De modo que Jesus esta pura e simplesmente removendo a impureza talmúdica e combatendo para restaurar a pureza da lei de Moisés ou para reformar o judaísmo; não para demoli-lo.

Estarão certos?

Basta analisarmos tanto mais de perto cada parcela do Sermão do Monte para constatar indubitavelmente que não. Que Jesus não esta a contestar o rabinismo, o farisaismo, o talmudismo, mas as próprias leis de Moisés, a fonte mais remota do judaísmo antigo e tida em conta de sagrada ou divina. É a ela, a lei de Moisés, que Jesus golpeia sem misericórdia, declarando que estava errada! Por isso contesta a medula por assim dizer daquela lei, que era a doutrina de Talião ou 'Olho por olho - dente por dente'... Mas semelhante expressão não se encontra na lei mosaica, declaram os desonestos. De fato tal expressão não se encontra literalmente presente na Tanak, sem que por isso deixe de ser seu princípio operatório e presente em diversos de seus preceitos, assim 'Aquele que matar será morto'... Poderás odiar tem adversário i é o princípio da vingança ou da justiça com as próprias mãos, de que resultou a instituição dos locais de refúgio... Jesus diz que tudo isto é grosseiro, bárbaro, inaceitável... Não se pode odiar ao inimigo, exercer vingança, perseguir, matar como autorizava expressamente o judaísmo antigo em nome de Deus! É mister amar, estar sempre disposto a perdoar, confiar na justiça divina, abster-se de matar, cultivar a paz, etc Como negar que estamos diante de uma outra lei, a lei do Evangelho, verdadeira lei dos céus, autenticada pelo que há de melhor em nós???

A lei dos judeus autorizava a vingança e a matança. Jesus nos proíbe até mesmo de ultrajar os contrários (dizendo louco) e nos manda dar a outra face quando atacados! Decreta que estejamos perpetuamente abertos ao perdão (perdoai setenta vezes sete). Declara que devemos amar os inimigos, sim amar os inimigos! Você pode buscar por esse amor universal no judaísmo antigo e não o encontrará e menos ainda pelo amor aos inimigos, o qual, como observa S Freud, não existe no judaísmo e nem poderia existir por ser, declara Freud - absurdo.

Quanto ao amor ao próximo ou a todos os homens poderá aventar, com certa plausibilidade, que Jesus tenha plagiado o chinês Mo Tse, que viveu cinco séculos antes dele e a mais de dez mil kilometros - Ah, e cuja doutrina já estava esquecida há muito entre os antigos chineses ao tempo de Jesus. Saberia Jesus ler ideogramas chineses? Teria ido a Chine e voltado? Haviam os escritos de Mo Tse sido traduzidos ao aramaico ou ao grego??? Busquem pelas evidências... Agora uma coisa é absolutamente certa: No contesto do judaísmo estamos diante de uma novidade que não é nem um pouco lisonjeira face a antiga religião - Favorável ao etno centrismo e a vingança.

Mas, dirá algum afoito - Jesus mesmo declarou que traço ou pingo algum da Lei passaria e que não havia se manifestado para demolir a Lei e as profecias.

Claro que não podia demolir as profecias, cujo objetivo era anuncia-lo previamente, mas concretiza-las. E também não podia demolir a essência da verdadeira Lei positiva, expressão da mesma Lei natural, manifestação da vontade de Deus e portanto de sua vontade. O cerne da questão implica em saber qual seja esta Lei divina e é exatamente aqui que Cristãos e judaizantes separam-se definitivamente. Pois os judaizantes como os judeus imaginam que Jesus esta a falar na permanência ou divindade de toda Torá ou mesmo da Tanak, que ora chamam Bíblia. Enquanto nós Cristãos compreendemos que esta Lei divina ou Revelada restringe-se ao DECÁLOGO ou aos assim chamados dez mandamentos, que eram a versão da lei natural corrente entre os antigos judeus. Para nós esta é a Lei divina e inviolável e não a totalidade da Torá ou da Tanak, elemento puramente natural e não revelado que identificamos com a cultura judaica. Essa cultura judaica para nós é puramente humana, nada tendo de sagrada. Assim o restante do código judaico ou as normas e regras que estão para além do Decálogo, as quais puderam ser livremente criticadas e contestadas por Jesus.

Isto é tão certo que atualmente os próprios judeus, em sua maioria, abriram mão de tais leis, reconhecendo-as como puramente humanas, porquanto também entre eles a lei evoluiu e já não podem viver como seus bárbaros ancestrais. Alias os judeus não costumam lançar objeções demasiado sérias a respeito e sentem-se muito pouco apegados a seus mitos, fábulas e leis; a exceção de algumas poucas que são exequíveis. Aqui os judaizantes mostram-se sempre muito mais obstinados... E no entanto, tal e qual os judeus modernos, nem mesmo eles podem viver a Torá em sua totalidade como os antigos judeus; enfim eles defendem uma solução que não colocam em prática porque de modo geral vestem-se e alimentam-se como os demais... Apenas um grupo de protestante peruanos ousou restaurar, em pleno século XX, o modo de vida dos judeus ao tempo de Cristo substituindo calças e camisas por túnicas e automóveis por cavalos e camelos... Nem preciso dizer que habitam em tendas e usam madeira e fogueiras para cozinhar, enquanto suas mulheres manuseiam o tear e o moedor de grãos. Felizmente, esta espécie de menonismo ultra ancestral, é fenômeno isolado. Os demais judaizantes não são tão sérios e contentam-se apenas com discursos pomposos em torno da tal lei de Moisés concentrando seus fogos nos Catolicismos, a que chamam de idolatria e no espiritismo, a que chamam de magia...

Os judaizantes não se mostram menos profanadores do que nós na medida em que, após terem afirmado a integralidade da Lei dos judeus ou da Torá como revelada ou divina, põem-se a selecionar o que vale e o que não vale como se Deus e as coisas divinas pudessem variar, mudar ou sofrer alteração. Por isso estão divididos em tantas e tantas seitas conforme aceitam ou repudiam este ou aquele regulamento da lei dos judeus. Assim há entre eles que retorne a dieta dos antigos judeus como os adventistas do sétimo dia, há quem repudie a transfusão de sangue como as jeovistas, há quem condene o uso de tatuagens como certas seitas pentecostais, há quem condene a moda unisex, há quem condene o corte da barba por parte do homem, etc, etc, etc Cada seita faz seu talho e escolhe seu corte ou pedaço da lei dos judeus, o qual canoniza... Desprezando todos os outros rsrsrsrsrsrs Tal a cegueira deles, porquanto esta escrito: Quem pecar contra um regulamento da lei pecou contra a lei toda! Assim selecionando profanam a totalidade da Lei que teimam em declarar como sagrada; mas que de modo algum vivem ou põem em prática.

Por isso Jesus procedeu liberalmente com relação as demais partes da Lei dos judeus tornando-se Herético para eles - O grande herético do judaísmo. Porque declarou sua dietas e distinções alimentares absolutamente vãs. Porque avaliou suas abluções como inúteis. Porque opôs-se a guarda supersticiosa do Sábado. Porque violou todos os seus preconceitos de natureza moral estabelecendo contado com - Prostitutas, publicanos, homossexuais, pagãos, crianças, leprosos, pescadores, etc tudo quanto era desprezado ou odiado pelo farisaísmo azedo. Deixou-se tocar por leprosos... E conversou a sós com uma mulher - samaritana e pecadora - junto ao poço!!! Para nós, aquele que nós fez o bem, foi santo e impecável, mas para os judeus foi um grande pecador. Pois violou conscientemente a lei que teem por divina.

Jesus foi tão contestatório para os judeus de seu tempo quanto os anarquistas e comunistas de hoje para os conservadores. Não que ele tenha sido anarco individualista ou comunista, as perspectivas de Jesus eram outras e ele não dos parece nem individualista, sob qualquer aspecto, nem autoritário ou totalitário. Postulou a autoridade, no caso divina, sem - a modos de jave - eliminar por completo a esfera da liberdade humana. Postulou a justiça e uma igualdade relativa sem endeusar a autoridade humana ou recomendar métodos violentos como uma bula de remédio. De modo geral exerceu a paz e foi pacífico; mas quando teve de erguer o chicote não hesitou, parece ter sido moderado ou equilibrado em todas as circunstâncias, quando por via de regra são os homens exaltados e amigos do extremismo.

Não me parece que se opusesse as solução democrática ou policrática ou a uma igualdade relativa em termos sócio econômicos - O Evangelho diz que ele pura e simplesmente não levava em consideração as distinções sociais de que tanto fazemos caso, e que tratava a todos, grandes e pequenos, da mesma maneira - Sem fazer acepção de pessoas... Não posso deixar de classifica-lo como socialista. Não é claro como um socialista naturalista, materialista ou economicista do século XIX - sobre o qual pesa a condenação da Igreja - mas como um Socialista Religioso dos tempos pretéritos a maneira de Urukagina de Lagash ou dos antigos profetas (Como aquele que disse: Amaldiçoado seja o que adiciona casa a casa, campo a campo...). Tornou-se vanguardista até nossos dias por ter condenado categoricamente o acumulo ilimitado de riquezas ou bens materiais: 'Não acumuleis bens neste mundo em que a traça e a ferrugem destroem, juntai bens no mundo celestial' foi ordem sua a que muitos ainda hoje se fazem moucos, fingem ignorar ou o que é pior falseiam descaradamente. E para que não pudesse haver escapatória ou alternativa aos desonestos, adicionou: Não podeis servir a Deus e as riquezas. Ai daquele que cogitar 'ganhar o mundo inteiro' - expõem-se a apartar-se de seu destino espiritual... "Mais fácil é uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus."... Em Mateus cap vigésimo quinto, determina que sejamos solidários e atentos as necessidades de nossos semelhantes - Tive fome e me destes de comer... tive sede... - com os quais identifica-se. Retira a caridade da esfera da livre vontade e converte-a em lei > Amai-vos uns aos outros e sereis meus alunos... Como resultado disto temos que os primeiros Cristãos vendiam seus bens e adotavam vida regular e comum, de modo a não existir necessitados entre eles. Pobres certamente existiram durante todo tempo em que viveram os santos apóstolos, fabricados pelo judaismo e paganismo antigo, não pelo Cristianismo, cuja regra de vidas era a partilha. Paradoxalmente os Cristãos acreditavam que quanto mais partiam seus bens materiais com os irmãos, mais ricos se tornavam porquanto investiam nos céus ou no mundo espiritual.

A bem da verdade a Lei dos judeus era muito interessante neste sentido, e como o amigo Carlos Seino, não posso deixar de admirar as instituições da reforma agrária, dos jubileus, da colheita, cobrança de jurus, etc Sabendo que ao tempo do Senhor tais leis já não eram postas em prática há séculos e que, curiosamente, judaizante ou sectário algum tentou restabelece-las (também nenhum deles cogitou cortar a pele do pênis ou restabelecer a circuncisão)... O que quero dizer é que tais reflexões, semelhantes aos do velho Sócrates, em torno da vida sóbria, moderada, regular ou temperante, deve ter chocado bastante os nababos fariseus... Como atualmente choca os neo fariseus 'cristãos'...

Aos que aspiravam pela perfeição recomendou que vendessem todos os seus bens e dessem aos pobres... Se queres ser perfeito... E da perfeição fez uma exigência para os seus: Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito...

Alias mesmo sendo de origem divina - Não podemos deixar de chegar a esta conclusão - Jesus reconheceu a livre iniciativa humana, daí ter deplorado a opção dos habitantes de Jerusalém, os quais recusaram-se a tomar seu jugo... E dizem ter chorado a triste sina da cidade.

Não apenas chocou os antigos judeus. Continua a chocar, perpetuamente os judaizantes de toda casta... Os autoritários, os capitalistas/materialistas, os maniqueus, os puritanos... Enfim a toda essa gente...



sábado, 23 de setembro de 2017

Cara a cara com os judaizantes - Que há de Cristão no antigo testamento?


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Dia após dia somos forçados a voltar ao tema do antigo testamento, da judaização, do fundamentalismo, do sectarismo bíblico, do calvinismo, da inspiração plenária, do 'corão cristão'... Tendo em vista a realidade social brasileira e a 'compreensão' de uma religiosidade que a um tempo apoiou ativamente um golpe de estado contra nossas instituições democráticas e que a outro busca tomar posse de nossas escolas públicas convertendo-as em máquinas de proselitismo...

Não se trata aqui de satanizar o antigo testamento.

Declarar que é o A T em sua maior parte ou quase totalidade um registro puramente humano é apenas dizer a verdade e dizer a verdade sempre será um bem.

Alias, ao contrário de alguns, nem avançaremos alegando que o A T seja mal em si mesmo. Enquanto fonte de conhecimentos históricos ou referência a uma cultura é ele bom.

Sim, caro leitor, ao contrário do que alguém poderia julgar, o antigo testamento, enquanto registro do passado humano é algo bom.

Então o que???

Não é ao antigo testamento que damos combate.

O que combatemos e denunciamos é a crença fundamentalista, protestante, pentecostal, calvinista, etc segundo a qual o A T, em sua totalidade ou em cada uma de suas partes corresponda a um registro de origem sobrenatural ou divina.

É contra a mentalidade biblicista ou judaizante que pugnamos, contra a crença supersticiosa e vã da inspiração plenária ou linear, contra s simples sugestão de que existe um 'corão' cristão de Gênesis a Apocalipse, visão predominante ou majoritária entre os protestantes brasileiros.

Para um pentecostal mediano, podemos dizer que via de regra o Novo Testamento ou o Evangelho nada é e que não há qualquer diferença significativa entre o Sermão do monte ou as Bem aventuranças e o primeiro capítulo do Gênesis ou o texto do dilúvio. É tudo uma coisa só, como que descida 'in totum' ou prontinha do alto do céu.

Claro que a consciência TRADICIONAL do Cristianismo, presa as palavras de Cristo ou ao Evangelho se rebela contra esta perspectiva grosseira e rebelar-se-a cada vez mais.

Não pode o Cristão episcopal niceno ou atanasiano admitir que as Palavras do Deus e Verbo encarnado Jesus Cristo seja em tudo igual a de quaisquer emissários, cuja condição era puramente humana. Esta doutrina da inspiração linear ou da bíblia una é boa para unitários ou arianos, para os quais Jesus é de fato um dentre muitos, mas não para atanasianos ou para os que encaram Jesus como um homem 'diferente', em que há algo a mais...

Como poderia ele ser algo a mais sem que sua palavra tivesse algo a mais?

Noutra situação social o confronto seria fastidioso e desnecessário.

Todavia num momento em que os sectários valem-se justamente do A T testamento com o objetivo de atacar ferozmente os dissidentes religiosos - Sejam papistas, espíritas ou esotéricos - além de levantar a bandeira de diversos preconceitos em pleno cenário político, a estratégia nos obriga a demolir as partes não santas ou divinas do A T e a demoli-las implacavelmente, isto pelo simples fato da 'Bíblia una' ser o coração do protestantismo e o antigo testamento a parte predileta dos sectários.

Disto decorre que o respeito supersticioso votado pela Igreja romana ao conceito acatólico de 'Bíblia una' e o endosso feito por ela em torno de tais tonterias ao invés de desarmar a crítica protestante, a tem de fato alimentado século após século. É como se a igreja de Cristo, estupidificada, colocasse ela mesmo armas a munições nas mãos de seu pior inimigo na mesma medida em que insiste a respeito da divindade do A T. Desacreditou-se apenas a Igreja e a maior prova disto é que quase toda gente simples foi conquistada pelo protestantismo e isto pelo simples fato de que ele certamente leva o antigo testamento bem mais a sério... Que o digna o iconoclasticismo...

No entanto se queremos conter este aluvião fundamentalista e teocrático temos de ir as pernas de barro do colosso e dilacera-las, temos de levar a cabo a crítica do A T, iniciada pelos próprios protestantes - liberais - e leva-la a cabo ou divulga-la. É chegado o momento em que as contemplações devem ser postas de lado e a doutrina da inspiração plenária descrita e classificada como deve ser i é como uma simples opinião teológica em nada favorável a nossa Santa fé Ortodoxa. É dogma sim, mas apenas para os protestantes na medida em que foi canonizada e santificada por seus líderes os reformadores. Nossa tradição, a tradição Católica, sendo muito mais rica e abrangente, brinda-nos com outras possibilidades bem mais condizentes com nossa fé (E nossos ícones rsrsrsrsrsrs).

Dissemos acima que o protestantismo tem levado o A T tanto mais a sério do que a igreja romana. (E a Igreja romana o tem levado tanto mais a sério do que a Igreja Ortodoxa - por isso também somos Ortodoxos). Afinal é o valhacouto das seitas judaizantes...

Onde senão no seio do protestantismo damos com as aberrações do unitarismo, sabatismo e do mortalismo???

Tal no entanto não basta, e nem de longe, para limpar a barra dos judaizantes e livra-los da justa pecha de leviandade e hipocrisia...

Pois dizer que levam o A T mais a sério do que as igrejas Católicas não equivale a dizer que o cumprem, vivem e observam em sua totalidade, como fosse uma LEI divina.

Afinal uma lei divina deve ser observada e vivida em sua totalidade.

Por isso um dos apóstolos assim se expressou: "Quem viola um dispositivo da LEI viola a lei em sua totalidade.". O que vale tanto para a lei dos antigos judeus - Caso seja tomada por lei divina - como para a LEI divina do nosso Evangelho.

Nada mais exótico do que testemunhar os comedores de carne de porco e toda este gente, escanhoada, tatuada ou com parte de seus corpos exposta, discutindo seriamente a divindade da Torá. E enquanto isso lá vai um pedaço de chouriço ou uma porção de Strogonoff guela abaixo do nosso judaizante! E come galinha a cabidela o nosso homem!
Mas cadê a refeição Kosher meu amigo???

Cadê os taliths, tefilins, franjas, túnicas, filactérios, burkas, etc???

É o protestantismo por natureza inconsequente e nem podem seus filhos discutir a validade da lei de Moisés sem que a discussão receba conotações neoplatônicas, descarnadas ou teoréticas na direção do solifideismo. Talvez devido ao inconsciente, os protestantes só se preocupem com o quanto seja teórico, descartando tudo quanto seja prático neste terreno. O que a nós Católicos sabe a conveniência ou oportunismo.

De fato mal um dissidente qualquer ousa observar que eles protestantes comem carne de porco ou ostentam seus corpos seminus na praia, já rebatem dizendo que parte da LEI de Moisés teria sido abolida.

Agora se algumas partes foram abolidas e outras não em que baseiam-se para distinguir umas das outras ou para declarar quais são e quais não são válidas??? Qual o critério ou padrão a que recorrem???

A malignidade ficará assente caso declarem que tal decisão - de distinguir as partes válidas das não válidas do A T - cabe a cada individuo, crente ou leitor da Bíblia. Dado que uma tal questão pertença a esfera da subjetividade como evitar que surjam tantas seitas quanto cabeças??? Se disser que cabe ao espírito santo não saímos do lugar e se disser que cabe a liderança da seita a que pertence só nos restará rir... O A T continuará sendo partido como um boi no açougue e cada fanático levará a peça que preferir...

Certamente a divisão foi realizada, tinha de ser realizada, mas por quem cabia, i é, pelo divino Mestre Jesus e não por qualquer outro...

Eis porque qualquer Cristão bem pode abrir as páginas do Santo Evangelho e por elas verificar que parte do A T foi reconhecida como divina por Jesus e quais foram desconsideradas.

Claro que esta decisão sobre as partes do antigo testamento só pode ser decidida por Jesus i é a luz do Santo e divino Evangelho. Portanto, ao contrário do que dizem os pastores, nós Ortodoxos temos um critério e um critério externo, objetivo e divino.

Tais as palavras: "Não cuidem que vim eu abolir a LEI. Nenhum traço ou pingo da LEI será revogado, eu vim para observar a LEI e cumprir a profecia."
Há gente tarda e imbecil que faça desta passagem cavalo de batalha... embora seja ela duma simplicidade extrema.

O amigo quer dizer que a passagem acima é de fácil compreensão?

Nem mais nem menos.

Mas como?

Observe - A expressão LEI neste contexto só pode comportar dois sentidos e não mais que dois.

Lei aqui é a TORÁ ou o pentateuco i é tudo quanto a tradição judaica atribui a Moisés ou alguma parte específica dela, no dado o Decálogo.

Ou a lei irrevogável e divina é a Torá como um todo - em cada uma de suas partes e com todos os seus incisos, normas e regulamentos - ou limitasse ao código escrito sobre as tábuas de pedra, nem mais nem menos.

Se é a Torá, já o dissemos acima, devemos viver como os judeus do século VII a C.

Se parte alguma da Torá por mínima que seja, deve ser posta em vigor, estamos obrigados a adotar a dieta judaica - distinguindo entre animais puros e impuros - os trajes judaicos, as festas judaicas, etc absolutamente tudo, sem exceção.

Conclusão: Todos os judaizantes estão condenados por pecarem contra diversos incisos da lei.

Por escanhoar a barba, por tatuar, por usar lã e linho, por comer strogonoff - Não poderás cozinhas o bezerro no leite de sua mãe - por não apedrejar os idólatras, por não enforcas os blasfemadores, por não queimar bruxas, por ir a praia, etc, etc, etc, etc

Afinal nem os amishes e menonitas, lograram o milagre de viver a integralidade da Torá e estamos aguardando o aparecimento do primeiro judaizantes coerente no seio da cristandade protestante...

Ah mas Jesus revogou este ou aquele ponto da Torá! Pois permitiu que os apóstolos comecem sem lavar as mãos... Tocou os leprosos... Ficou a sós com a mulher samaritana... Falou contra a dieta, etc

Veja sr judaizante se Jesus declarou que parte alguma da Torá podia ser ABOLIDA e em seguida aboliu algumas partes você esta insinuando que Jesus entrou em contradição consigo mesmo, que mudou de opinião ou que mentiu...

Portanto se Jesus declarou que a LEI não podia ser revogada - por ser divina e portanto eterna e imutável - e em seguida, no curso de sua pregação, desconsiderou diversas partes da Torá é justamente porque para ele essa lei eterna, irrevogável e divina não era a Torá ou a totalidade da Torá.
Mas aquela parte especifica da Torá que sempre foi observada pelos Cristãos desde a Era apostólica e durante todo curso da História, o Decálogo.

A LEI a que se refere Jesus como irrevogável e divina e cujo teor jamais criticou só pode ser o Decálogo e não qualquer outra parte.

O Decálogo é de origem divina enquanto expressão de uma LEI natural, as outras partes da Torá são se origem puramente humana, de modo que sequer foram abolidas ou revogadas - jamais tiveram validade universal - mas pura e simplesmente desconsideradas por Jesus. Devendo ser igualmente desconsideradas pelos Cristãos, pelo simples fato de não serem judeus.

Nada mais fácil do que citar levianamente o Deuteronômio contra os espíritas, esotéricos e católicos; como se fosse parte do Evangelho ou tivesse sido escrito por Jesus. Acham que o Deuteronômio foi escrito por Jesus???? ENTÃO POR QUE NÃO VIVEM O DEUTERONÔMIO EM SUA INTEGRALIDADE??? Se foi escrito por Jesus por que vocês pecam selecionando algumas passagens com que agredir os dissidentes e desprezando todas as outras??? Se o Deuteronômio é tão sagrado quanto nosso Evangelho por que vocês não o colocam em prática ao invés de profana-lo selecionando o que convém e o que não convém??? Quem são vocês para partir e selecionar a palavra de Deus ou uma instituição divina??? Claro que partindo a Torá em pedaços como um boi no açougue e escolhendo com base no 'mal me quer, bem me quer' vocês demonstram que não a levam muito a sério...

Em abono ao quanto alegamos, basta dizer que em pleno ano 170 desta Era, o autor Cristão Hegesipo na Ypoummenata declarou ter verificado - após ter visitado diversas igrejas apostólicas como Corinto e Roma - que todas essas congregações tinham por norma 'A lei e os profetas' expressão tomada ao Evangelho e que certamente não podia referir-se a integralidade da Torá, uma vez que desde o ano 70 i é uma século antes, os Cristãos e judeus seguiam regras de vida diferentes, aqueles observando a LEI moral do Decálogo e o Sermão do monte e estes apenas a totalidade da Torá. Portanto o emprego da palavra LEI por Hegesipo reflete como os cristãos do ano 170 compreendiam esta passagem do Evangelho, tomando-a não pela Torá - que não observavam vivendo como judeus - mas pelo Decálogo.

A exceção dos ebionitas, que eram judeus fanáticos, os Cristãos, advertidos pelo Salvador, jamais tentaram viver a Torá e menos ainda impo-la aos conversos do paganismo.

Somente após a canonização da bíblia una por João Calvino as massas incultas da Europa moderna conceberam a opinião monstruosa segundo a qual a Torá em sua totalidade jamais fora questionada, revogada, abolida ou desconsiderada por Jesus, aventando a possibilidade de restaura-la no contexto 'cristão' ou melhor dizendo reformado. Tal a origem do sectarismo judaizante com seus ideais precipuamente teocráticos e obscurantistas.

Cumpre advertir que de nossa parte nada temos contra a religião judaica professada e praticada por judeus i é por descendentes do suposto patriarca Abraão. Nossa questão não é contra os judeus ou sua fé. Não nos cabe julgar a fé alheia mas vivera nossa. Quanto ao povo judeu nos atemos ao que já foi decretado por Alexandre, Augusto e Constantino - São cidadãos como outros quaisquer no pelo gozo de suas liberdades, sendo-lhes defeso viver segundo suas tradições e costumes ancestrais, o que neles é digno de aplauso e louvor.

Agora que Cristãos aspirem viver sobre o costume judaico, afirma-lo como cristão e aspirar impo-lo aos outros tecendo acusações sórdidas, isto não toleramos nem toleraremos estando dispostos a vindicar o nosso Cristianismo, apoiado pelas tradições. Quanto as judaizantes, isto é aos cristãos aparentes e sectários, a estes não pouparemos por um instante, denunciando-os como incoerentes, levianos e confusos. Se eles reabriram as suturas alinhavadas por Paulo não seremos nós quem haveremos de fecha-las! Afinal professando a divindade de Cristo e a Trindade Excelsa, serão idólatras e politeistas para os verdadeiros judeus e afirmando a necessidade de vivermos a moda judaica, serão supersticiosos aos olhos dos verdadeiros Cristãos, de modo que religiosamente falando, a semelhança da sogra de Pedro, não serão coisa alguma, ficando suspensos entre a sinagoga dos infiéis (a que não pertencem) e a Igreja de Cristo. (a que tampouco pertencem).

Quanto aos verdadeiros Cristãos, que se deleitam no Evangelho, satisfazem-se no Decálogo e nas profecias referentes a futura manifestação do Verbo Jesus, recebendo-as como as únicas partes divinas ou reveladas do Antigo testamento e tendo todas as outras - com suas imoralidades, crimes, mitos, fábulas, etc - em conta de puramente humanas enquanto produto natural da cultura. Destarte não regularão suas vidas segundo a cultura dos antigos judeus mas segundo as palavras e ensinamentos de Jesus, tal a Lei dos Cristãos.