Eis que retornamos, pela enésima vez, ao tema da Ética.
Pelo simples fato de acreditarmos, com Sócrates, no primado de Ética e, consequentemente em sua objetividade.
A guiza de introdução a este artigo, segue um pequenino resumo da problemática, na perspectiva histórica elaborada por James Rachels 'A questão da objetividade em Ética' (o resumo é livre):
A questão da objetividade em Ética não é nova mas tão velha quanto a própria Filosofia.
A própria 'missão' de Sócrates, incluia fazer oposição cerrada ao relativismo Ético e sustentar a essencialidade do tema.
Foram os céticos que pela primeira vez identificaram a Ética e a moralidade com a cultura, as leis, os costumes ou convenções sociais.
Na 'República' de Platão, Trasímaco esboça a opinião segundo a qual o bem e o mal não passam de palavras vazias destinadas a reforçar a opressão dos fracos por parte dos fortes. As leis não passam de expressão da vontade do mais forte e cada qual busca sempre seus próprios interesses.
Disto decorre não haver qualquer fenômeno ético em termos de essência, nada há na natureza das coisas que que torne uma ação boa e outra má.
Daí Pirro de Elis asseverar que 'Nada é honesto ou desonesto, justo ou injusto, bom ou mau, tudo quando existe é convenção, preconceito, opinião e nada mais.'
Mais um passo além foi dado pelos céticos modernos, como Hobbes, para quem os juízos morais nada refletiam além do gosto ou das preferências do individuo.
No entanto o campeão dentre os negadores da vida Ética outro não foi que o cético David Hume, o qual identificou os juízos éticos com eventos traumáticos e complexo de culpa. Até aqui reprodução livre do texto de Rachels
Há ainda aqueles que desde da antiguidade - como Aristipo, Alexandre e outros - teem identificado o bem com o prazer, físico ou sensível inclusive, e o mal com a dor ou o sofrimento.
De que resultaram as escolas utilitarista. Aqui o bem estaria relacionado com aquilo que é útil, segundo Benthan, ao indivíduo; e segundo Mill, a espécie humana. O foco do pragmatismo de W James também é a utilidade do ato sem consideração de 'conceitos' ou 'teorias'. No entanto o julgamento de um fato parte sempre de princípios e valores, conceitos e teorias; mesmo quando tomamos o interesse da humanidade como padrão, estamos afirmando o homem, sua vida e sua dignidade como padrão e portanto formulando uma teoria humanista.
Hume por ser cético completo e solapar a credibilidade de nossas experiências e do conhecimento científico pôs muita gente em guarda e jamais obteve aceitação geral nos domínios da Filosofia.
Houve no entanto, quem partindo dos preconceitos anti racionais e anti aristotélicos de M Lutero, tomasse a peito adoçar ou suavizar a doutrina de Hume apresentando ao mundo um semi ceticismo bastante arrevezadinho e coberto com vernizes idealistas. Este homem foi I Kant.
Em sua 'Crítica da razão pura' elaborou Kant uma crítica metafísica (porque epistemologia é especulação e não demonstração empirica) anti metafísica e sentenciou que apenas os conhecimentos empiricamente demonstráveis eram aparentemente verdadeiros. Aparentemente porque jamais ultrapassamos o 'fenômeno' e chegamos a imaginária 'coisa em si' (a qual do ponto de vista realista inexiste pelo simples fato de que as coisas ou objetos materiais esgotam-se na própria materialidade perceptível e manifesta, dada restando para além dela). Kant introduz uma coisa em si nos objetos e afasta para longe de nós a verdade objetiva. Quanto a metafísica nega por completo sua possibilidade.
No entanto na 'odiada' razão prática, busca refazer o caminho percorrido e estabelecer um padrão ou critério de moralidade. Pois não acreditava ser possível a humanidade sobreviver sem Ética, apesar de que a verdadeira Ética é sempre essencial e portanto metafísica.
Ao menos aqui Kant não parece ter sido coerente, como havia sido Hume e haveriam se ser seus próprios continuadores e os positivistas. Para os quais a Ética não passava de convenção social, opinião, palpite, preconceito, lei, cultura; enfim de algo meramente subjetivo ou emocional, para além de toda verificação e objetividade. E jamais fazia sentido buscar uma Ética universalmente válida e verdadeira.
Abandonando os 'senões' do pietista alemão, seus sucessores materialistas, agnósticos, ateus, cientificistas e positivistas do século XIX, em nome da ciência e do progresso afirmaram em alto e bom som o fim ou a morte da Ética. Em seu lugar e no lugar de Deus Legislador (não me refiro ao deus 'revelado' das religiões mas ao Deus naturalista dos Filósofos ou dos deístas) entronizaram a deusa razão. Embora reconhecendo que a deusa razão tinha braços curtos e não podia julgar em termos de bem e mal, vício e virtude, justiça e injustiça... Mais além entronizaram a deusa ciência e atribuíram-lhe os mais belos oráculos e profecias sobre o futuro dourado e paradisíaco da humanidade emancipada da religião e da Filosofia.
Vejamos no entanto que é que aconteceu.
Partindo da negação da Ética ou da objetividade 'moral' pelos positivistas no século XIX, um de meus comensais, imaginou e consequentemente opinou que o enunciado positivista fora amplamente libertador permitindo que cada individuo fizesse o que bem entendera ou ao menos que se opusesse as arbitrariedades do moralismo. Evidentemente porque há éticas ou morais falsificadas e opressoras!
Curiosamente a solução positivista a respeito do comportamento humano não tomou esta direção crítica, contestatória, individualista ou personalista; mas curiosamente a direção oposta.
Pois a exclusão da essencialidade ou da origem transcendente da Ética humanista, além de leva-los - como já dissemos - a identificar a Ética com as convenções sociais, as leis ou a cultura vigente em cada grupo, levou seus mestres a afirmarem o dever da pessoa conformar-se com tais convenções ou de adaptar-se servilmente a cultura. Ao contrário dos 'marxistas ortodoxos' e 'anarquistas' que da relatividade cultural concluíram pela crítica e a contestação os positivistas concluíram pela conformidade ou pela assimilação. Cidadão útil era o que reproduzia os princípios e valores comuns a seu círculo social e que colaborava ativamente com ele.
Extirpado o fórum da consciência e a aquisição de princípios e valores por via reflexiva, passou este nicho a ser ocupado pela sociedade ou pelo estado. Pelo que o estado converteu-se em fonte ou árbitro dos princípios e valores. Desde meados do século XIX a nação, a sociedade, a classe, a categoria, o grupo, a cultura, etc tomou o lugar de Deus e da consciência pessoal enquanto padrão de princípios e valores, o que nos leva a doutrina da completa submissão da pessoa humana ao estado, ao totalitarismo ou a estatolatria enfim e todas as culturas de morte que não foram pelos caminhos do individualismo crasso (anarco individualismo/stirnerianismo) foram pelo extremo deste caminho implementando as mais tristes servidões: Fascismo/nacionalismo, militarismos, nazismo e comunismo (o qual jamais exerce crítica face ao órgão divino do partido ou a cultura proletária).
Enfim, foi a morte da Ética em termos de objetividade, essencialidade e humanismo que conduziu a Europa e grande parte do mundo ocidental a crise de civilização porque estamos passando, a qual é desde já um perda de critério, de padrão, de consciência, de sentido e de referencial. E adiantamos desde já que esse referencial objetivo, essencial e divino é o homem, sua vida e sua dignidade!
Continua -
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
O positivismo, o ceticismo, a estatolatria e a objetividade da Ética
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
Religiosidade e irreligiosidade e a pedra de toque da SOLIDARIEDADE HUMANA
Fiz opção preferencial pela religiosidade.
Alias como Maine de Biran, Th Jouffroy, V Cousin, Whyndan Lewis, Simone Weil e outros tantos, sou dos que flertam com os Catolicismos (de minha parte com o grego ortodoxo ou ou alto anglicanismo).
A primeira vista parece uma atitude contra revolucionária, reacionária ou conservadora...
No entanto meu 'Catolicismo' não é o da alta corte de Roma, do papado (a menos que se compreenda Leão XIII), do Vaticano ou da cúria romana, amancebada com as casas reais.
Estou mais para o lado dos 'católicos' heterodoxos como um Lammenais, um Gratry, um Doellinger, um Von Keteller, etc
Meu sentido de Catolicismo como o de D Guetté, o de Owerbeck, o de Turmel... procede antes de tudo da alta antiguidade, dos padres e doutores da igreja, da tradição primitiva.
E implica retomada de um programa revolucionário radical que jamais se realizou.
Radical porque não se contenta nem satisfaz com o alterar os meios de produção ou a estrutura material da sociedade, aspirando reformar suas fontes ou seja a própria humanidade. O homem, sua vontade, seu caráter, sua cultura, seu ideário!
O comunismo opera pela via oposta e por isso precisa recorrer a métodos violentos. Não cogita em transformar o homem, mas apenas e tão somente e transformar os meios de produção ou a Sociedade. Como no entanto o homem continua sendo o mesmo deve o comunismo controla-lo por meio da força bruta e impedi-lo de concretizar suas aspirações.
Pois este homem contaminado pelo materialismo economicista liberal outra coisa não aspira que se o lobo do outro homem, oprimindo-o ao máximo em nome do lucro.
Eis uma aspiração, um desejo, um sentimento, uma volição, uma cultura, que o comunismo não pode destruir, pelo simples fato de sua autoridade não se estender para dentro da consciência.
O Catolicismo no entanto é sistema que revindica autoridade sobre as consciências de seus seguidores, exigindo o direito de orienta-las, e consequentemente remodela-las em nome do sagrado!
Apenas ele toda as fontes do homem!
Temos aqui uma solução radical para uma crise radical!
O islã com seu furor totalizante busca determinar os mínimos aspectos externos da vida humana: o leito, o traje, a comida, a bebida, etc
O Catolicismo não se ocupa com tais frioleiras.
Mas aspirar conformar as mentes de seus adeptos com as exigências do bem, da verdade, da justiça, da paz...
Pretende criar um homem novo. Pela afirmação de princípios e valores humanitários!
Lamentavelmente este programa amplamente revolucionário jamais se realizou.
Foi abandonado na medida em que os hipócritas passaram a professar nominalmente a fé e inclusive, a governar certas parcelas da igreja como o ocidente latino.
E ficou cada vez mais obscurecido após o advento do islã e da reforma protestante. Cujos vícios parte da igreja antiga não pode deixar de assimilar.
Parte do que foi realizado no entanto bastou para atrair-se a órbita deste sistema religioso, o qual; em que pese seus erros, aprendi a admirar.
De minha parte sempre tive dificuldade para encarar religiosidade ou irreligiosidade como princípios ou valores significativos em si mesmos.
Em que pese a validade das dissertações metafísicas de Aristóteles sobre a existência de um Supremo Ser, elas são de todo inúteis para produzir sentimentos religiosos ou quaisquer vínculos afetivos entre o homem e ele...
Que produz tais vínculos?
O terror produzido no homem pelas forças da natureza? O sentimento de impotência face a imensidão do Cosmos? A busca de um elemento capaz de unir todos os seres dispersos?
Sou pela última hipótese.
Buscamos por um elemento unificador...
Apenas buscamos por ele.
Aristóteles atraí porque pretende demonstrar racionalmente sua existência.
Pretende demonstrar a existência daquele que é por assim dizer o objeto da religiosidade humana.
Mas não produz religiosidade.
Podemos admitir a existência do Deus dos Filósofos e até odia-lo por mostrar-se distante de nós.
Agora se compreendermos que o Deus dos Filósofos não é o deus dos religiosos judaicos ou muçulmanos; mas consciência presente na matéria ou espírito que anima o universo, podemos chegar a doutrina do Avatar ou da Encarnação, que constitui o fundamento do Catolicismo.
É uma doutrina que intensifica ainda mais a presença do Sagrado no mundo.
Uma vez que por meio dela o Sagrado assume condição idêntica a nossa e manifesta sua vontade.
Se já esta presente no mundo que o impede de ampliar, aprofundar e intensificar sua presença nele?
O deus judeu ou muçulmano permanece separado da humanidade e da criação por um abismo que é o tempo e o espaço. O Deus Católico apenas insere-se no tempo e no espaço assumindo uma condição humana.
Um deus que se limitasse a observar-nos indiferente da platéia me seria por completo indiferente.
Nutriria já certa reverência pelo deus que se encontrasse de algum modo, ainda que sutil e difuso,presente em nosso meio.
Quanto ao Deus que se fizesse homem com os homens partilhando de suas frustrações, dores e sofrimentos; este confesso me atrairia.
Considero a ideia de Deus, ao menos enquanto abstração, magnífica. A da Encarnação de Deus absolutamente genial...
Nem por isto me faria religioso.
Em termos de religiosidade e irreligiosidade tomei por critério o pragmatismo.
Não em sentido meramente formal.
Pois temos que especificar quais sejam os resultados.
E não posso deixar encarar tais resultados senão - mais uma vez - a luz de Aristóteles, das virtudes ou do bem comum.
Dia após dia tenho feito a mim mesmo a seguinte pergunta:
Qual das duas ideologias - a religiosa (sobrenatural e natural = deísmo) ou a irreligiosa (agnosticismo e ateísmo) - tem fomentado mais intensamente a solidariedade humana.
Nem posso conceber este bem comum ou esta solidariedade concreta, senão em termos estruturais ou reais de: orfanatos, escolas, dispensários, hospitais, asilos, etc
Como historiador atrevi-me a pesquisar e a fazer os cálculos.
Em decorrência do que inclinei-me decididamente para o terreno religioso.
A exceção dos comunistas, que como já fizemos observar reproduzem a Ética do Catolicismo, todas as demais correntes materialistas são notórias por seus vínculos com o economicismo liberal e o individualismo crasso até a insensibilidade e indiferença total para com o fenômeno humano.
Tem denunciado demagogicamente os crimes cometidos pelo Catolicismo no século XVI ou XVII, e reproduzido-o tais crimes numa escala muito maior em plenos séculos XIX e XX ou seja após a Grande Revolução e a afirmação dos direitos do homem.
Assim as revoluções liberais apoiadas pela maçonaria, assim o extermínio dos primitivos habitantes dos Estados Unidos, assim o regime de trabalho imposto aos operários durante da Idade de ouro do liberalismo, assim as Revoluções comunistas na URSS e no Kmer Vermelho... TODOS ESTES EVENTOS SUCEDIDOS NOS SÉCULOS XIX E XX, TOMADOS ISOLADAMENTE, assassinaram muito mais pessoas do que a execrada inquisição papista do século XIV ao XVIII!!!
Foram mais de um milhão sacrificados nas revoluções liberais! Dezenas de milhões de indígenas exterminados pelos yankees!!! Outras tantas milhões de vidas encurtadas pela fome e excesso de trabalho na Inglaterra vitoriana!!! Vinte milhões de almas ceifadas pelo nazismo e mais vinte milhões de almas ceifadas pelo comunismo!!! - E ISTO APÓS O DESLUMBRE DAS LUZES E A AURORA DA CIVILIZAÇÃO!!! Mataram sabendo que matavam, negaram direitos sabendo que negavam, torturavam sabendo que cometiam crimes...
Então a que título liberais, comunistas, nazistas, protestantes, etc ousam criticar a igreja romana???
A título de hipocrisia, como os escribas e fariseus!!!
Errou a igreja romana?
Sim errou, errou e merece ser denunciada.
Mas denunciada e acusada por quem jamais reproduziu os mesmos erros...
E não por ideologias que só fizeram agrava-los e que são rés de um número muito maior de assassinatos!
Direis que o erro tem seus fundamentos no sagrado ou na religião?
Há quem o diga?
Então o que o naturalismo materialista, o agnosticismo e o ateísmo construíram?
Como a Igreja tem o Comunismo dois lados e dois lados bem diversos:
Tem um lado nobre, alias legado pela consciência Cristã, que consiste em lutar pela emancipação dos trabalhadores e afirmação da justiça social.
E um lado obscuro - a negação da liberdade e o apelo sistemático a violência - decorrente do materialismo ateu.
Agora que tem a nos oferecer o ateísmo rival?
Darwinismo social é o que nos tem a oferecer!
Materialismo raciocinado e coerente, e expurgado de toda e qualquer influência religiosa tem sua mais rematada expressão no Darwinismo social.
E foi esta simples constatação, mais do que Aristóteles, mais do que Spinoza, mais do que Whitehead, mais do que Basílio Magno... que determinou o fortalecimento da minha religiosidade.
Se temos que aceitar alguma influência da religião ou melhor do Cristianismo Católico não vejo porque não aproximar-se do Catolicismo.
Digo isto porque se o fim da escolástica do materialismo é o darwinismo social sou levado a gritar e a gritar a plenos pulmões que a irreligiosidade falho ou completo em termos de ética e que precisamos retornar a religiosidade!!!
Se fizemos todos esta percurso exaustivo para chegar a Stirner, Nietszche, Molinari, Bastiat, Ain Rand, Haiek, Friedmann, Mises, Rotbarth, etc é forçoso reconhecer que os caminhos do materialismo e da religiosidade são enganosos e que erramos já em nosso ponto de partida. Nem podem o agnosticismo ou o ateísmo proteger-nos de tais monstros pelo simples fato de te-los alimentado como já alimentará Eugênio During, o teórico do Nazismo!
Onde quer que o Catolicismo antigo ou a cultura fecundada por ele entre em declínio e morra, é sempre o mesmo resultado... a afirmação dos elementos da cultura de morte. E não conseguem o ateísmo e materialismo fugir a tais consequências levando adiante os padrões do humanismo, da dignidade da pessoa, da solidariedade, do amor a justiça...
Morre o Cristianismo ancestral e com ele baixam a cova os princípios e valores humanitários e humanistas,a menos que sejam arbitraria, mecânica e externamente impostos por uma organização partidária qualquer.
Afirmam eles que o ideal supremo da liberdade permanece...
A liberdade deles no entanto resume-se no forte exercer domínio sobre o fraco, como o leão exerce domínio sobre a gazela e o lobo sobre o gamo!
Esta liberdade teve o Cristianismo antigo, o mérito imortal de condenar como tirânica e falsa.
Nem se pode conceber verdadeira liberdade sem que haja igualdade...
Nossos darwinistas sociais no entanto tem a liberdade em conta de servidão.
E a justiça em conta de vanilóquio ou logomaquia...
Tal e qual a teólogos sacrílegos da prosperidade os darwinistas sociais tendem a encarar os ricos e poderosos como membros superiores ou bem sucedidos da espécie humana e os dominados como tipos biológicos inferiores destinados a extinção...
Eis o belo monumento com que fomos brindados pela ética irreligiosa ou puramente naturalista (materialista).
A maior tentativa ideológica jamais empreendida com o intuito de justificar o egoísmo, a opressão, a insensibilidade e a crueldade humanas.
Preciso de algum outro motivo para simpatizar com os princípios e valores Católicos?
Alias como Maine de Biran, Th Jouffroy, V Cousin, Whyndan Lewis, Simone Weil e outros tantos, sou dos que flertam com os Catolicismos (de minha parte com o grego ortodoxo ou ou alto anglicanismo).
A primeira vista parece uma atitude contra revolucionária, reacionária ou conservadora...
No entanto meu 'Catolicismo' não é o da alta corte de Roma, do papado (a menos que se compreenda Leão XIII), do Vaticano ou da cúria romana, amancebada com as casas reais.
Estou mais para o lado dos 'católicos' heterodoxos como um Lammenais, um Gratry, um Doellinger, um Von Keteller, etc
Meu sentido de Catolicismo como o de D Guetté, o de Owerbeck, o de Turmel... procede antes de tudo da alta antiguidade, dos padres e doutores da igreja, da tradição primitiva.
E implica retomada de um programa revolucionário radical que jamais se realizou.
Radical porque não se contenta nem satisfaz com o alterar os meios de produção ou a estrutura material da sociedade, aspirando reformar suas fontes ou seja a própria humanidade. O homem, sua vontade, seu caráter, sua cultura, seu ideário!
O comunismo opera pela via oposta e por isso precisa recorrer a métodos violentos. Não cogita em transformar o homem, mas apenas e tão somente e transformar os meios de produção ou a Sociedade. Como no entanto o homem continua sendo o mesmo deve o comunismo controla-lo por meio da força bruta e impedi-lo de concretizar suas aspirações.
Pois este homem contaminado pelo materialismo economicista liberal outra coisa não aspira que se o lobo do outro homem, oprimindo-o ao máximo em nome do lucro.
Eis uma aspiração, um desejo, um sentimento, uma volição, uma cultura, que o comunismo não pode destruir, pelo simples fato de sua autoridade não se estender para dentro da consciência.
O Catolicismo no entanto é sistema que revindica autoridade sobre as consciências de seus seguidores, exigindo o direito de orienta-las, e consequentemente remodela-las em nome do sagrado!
Apenas ele toda as fontes do homem!
Temos aqui uma solução radical para uma crise radical!
O islã com seu furor totalizante busca determinar os mínimos aspectos externos da vida humana: o leito, o traje, a comida, a bebida, etc
O Catolicismo não se ocupa com tais frioleiras.
Mas aspirar conformar as mentes de seus adeptos com as exigências do bem, da verdade, da justiça, da paz...
Pretende criar um homem novo. Pela afirmação de princípios e valores humanitários!
Lamentavelmente este programa amplamente revolucionário jamais se realizou.
Foi abandonado na medida em que os hipócritas passaram a professar nominalmente a fé e inclusive, a governar certas parcelas da igreja como o ocidente latino.
E ficou cada vez mais obscurecido após o advento do islã e da reforma protestante. Cujos vícios parte da igreja antiga não pode deixar de assimilar.
Parte do que foi realizado no entanto bastou para atrair-se a órbita deste sistema religioso, o qual; em que pese seus erros, aprendi a admirar.
De minha parte sempre tive dificuldade para encarar religiosidade ou irreligiosidade como princípios ou valores significativos em si mesmos.
Em que pese a validade das dissertações metafísicas de Aristóteles sobre a existência de um Supremo Ser, elas são de todo inúteis para produzir sentimentos religiosos ou quaisquer vínculos afetivos entre o homem e ele...
Que produz tais vínculos?
O terror produzido no homem pelas forças da natureza? O sentimento de impotência face a imensidão do Cosmos? A busca de um elemento capaz de unir todos os seres dispersos?
Sou pela última hipótese.
Buscamos por um elemento unificador...
Apenas buscamos por ele.
Aristóteles atraí porque pretende demonstrar racionalmente sua existência.
Pretende demonstrar a existência daquele que é por assim dizer o objeto da religiosidade humana.
Mas não produz religiosidade.
Podemos admitir a existência do Deus dos Filósofos e até odia-lo por mostrar-se distante de nós.
Agora se compreendermos que o Deus dos Filósofos não é o deus dos religiosos judaicos ou muçulmanos; mas consciência presente na matéria ou espírito que anima o universo, podemos chegar a doutrina do Avatar ou da Encarnação, que constitui o fundamento do Catolicismo.
É uma doutrina que intensifica ainda mais a presença do Sagrado no mundo.
Uma vez que por meio dela o Sagrado assume condição idêntica a nossa e manifesta sua vontade.
Se já esta presente no mundo que o impede de ampliar, aprofundar e intensificar sua presença nele?
O deus judeu ou muçulmano permanece separado da humanidade e da criação por um abismo que é o tempo e o espaço. O Deus Católico apenas insere-se no tempo e no espaço assumindo uma condição humana.
Um deus que se limitasse a observar-nos indiferente da platéia me seria por completo indiferente.
Nutriria já certa reverência pelo deus que se encontrasse de algum modo, ainda que sutil e difuso,presente em nosso meio.
Quanto ao Deus que se fizesse homem com os homens partilhando de suas frustrações, dores e sofrimentos; este confesso me atrairia.
Considero a ideia de Deus, ao menos enquanto abstração, magnífica. A da Encarnação de Deus absolutamente genial...
Nem por isto me faria religioso.
Em termos de religiosidade e irreligiosidade tomei por critério o pragmatismo.
Não em sentido meramente formal.
Pois temos que especificar quais sejam os resultados.
E não posso deixar encarar tais resultados senão - mais uma vez - a luz de Aristóteles, das virtudes ou do bem comum.
Dia após dia tenho feito a mim mesmo a seguinte pergunta:
Qual das duas ideologias - a religiosa (sobrenatural e natural = deísmo) ou a irreligiosa (agnosticismo e ateísmo) - tem fomentado mais intensamente a solidariedade humana.
Nem posso conceber este bem comum ou esta solidariedade concreta, senão em termos estruturais ou reais de: orfanatos, escolas, dispensários, hospitais, asilos, etc
Como historiador atrevi-me a pesquisar e a fazer os cálculos.
Em decorrência do que inclinei-me decididamente para o terreno religioso.
A exceção dos comunistas, que como já fizemos observar reproduzem a Ética do Catolicismo, todas as demais correntes materialistas são notórias por seus vínculos com o economicismo liberal e o individualismo crasso até a insensibilidade e indiferença total para com o fenômeno humano.
Tem denunciado demagogicamente os crimes cometidos pelo Catolicismo no século XVI ou XVII, e reproduzido-o tais crimes numa escala muito maior em plenos séculos XIX e XX ou seja após a Grande Revolução e a afirmação dos direitos do homem.
Assim as revoluções liberais apoiadas pela maçonaria, assim o extermínio dos primitivos habitantes dos Estados Unidos, assim o regime de trabalho imposto aos operários durante da Idade de ouro do liberalismo, assim as Revoluções comunistas na URSS e no Kmer Vermelho... TODOS ESTES EVENTOS SUCEDIDOS NOS SÉCULOS XIX E XX, TOMADOS ISOLADAMENTE, assassinaram muito mais pessoas do que a execrada inquisição papista do século XIV ao XVIII!!!
Foram mais de um milhão sacrificados nas revoluções liberais! Dezenas de milhões de indígenas exterminados pelos yankees!!! Outras tantas milhões de vidas encurtadas pela fome e excesso de trabalho na Inglaterra vitoriana!!! Vinte milhões de almas ceifadas pelo nazismo e mais vinte milhões de almas ceifadas pelo comunismo!!! - E ISTO APÓS O DESLUMBRE DAS LUZES E A AURORA DA CIVILIZAÇÃO!!! Mataram sabendo que matavam, negaram direitos sabendo que negavam, torturavam sabendo que cometiam crimes...
Então a que título liberais, comunistas, nazistas, protestantes, etc ousam criticar a igreja romana???
A título de hipocrisia, como os escribas e fariseus!!!
Errou a igreja romana?
Sim errou, errou e merece ser denunciada.
Mas denunciada e acusada por quem jamais reproduziu os mesmos erros...
E não por ideologias que só fizeram agrava-los e que são rés de um número muito maior de assassinatos!
Direis que o erro tem seus fundamentos no sagrado ou na religião?
Há quem o diga?
Então o que o naturalismo materialista, o agnosticismo e o ateísmo construíram?
Como a Igreja tem o Comunismo dois lados e dois lados bem diversos:
Tem um lado nobre, alias legado pela consciência Cristã, que consiste em lutar pela emancipação dos trabalhadores e afirmação da justiça social.
E um lado obscuro - a negação da liberdade e o apelo sistemático a violência - decorrente do materialismo ateu.
Agora que tem a nos oferecer o ateísmo rival?
Darwinismo social é o que nos tem a oferecer!
Materialismo raciocinado e coerente, e expurgado de toda e qualquer influência religiosa tem sua mais rematada expressão no Darwinismo social.
E foi esta simples constatação, mais do que Aristóteles, mais do que Spinoza, mais do que Whitehead, mais do que Basílio Magno... que determinou o fortalecimento da minha religiosidade.
Se temos que aceitar alguma influência da religião ou melhor do Cristianismo Católico não vejo porque não aproximar-se do Catolicismo.
Digo isto porque se o fim da escolástica do materialismo é o darwinismo social sou levado a gritar e a gritar a plenos pulmões que a irreligiosidade falho ou completo em termos de ética e que precisamos retornar a religiosidade!!!
Se fizemos todos esta percurso exaustivo para chegar a Stirner, Nietszche, Molinari, Bastiat, Ain Rand, Haiek, Friedmann, Mises, Rotbarth, etc é forçoso reconhecer que os caminhos do materialismo e da religiosidade são enganosos e que erramos já em nosso ponto de partida. Nem podem o agnosticismo ou o ateísmo proteger-nos de tais monstros pelo simples fato de te-los alimentado como já alimentará Eugênio During, o teórico do Nazismo!
Onde quer que o Catolicismo antigo ou a cultura fecundada por ele entre em declínio e morra, é sempre o mesmo resultado... a afirmação dos elementos da cultura de morte. E não conseguem o ateísmo e materialismo fugir a tais consequências levando adiante os padrões do humanismo, da dignidade da pessoa, da solidariedade, do amor a justiça...
Morre o Cristianismo ancestral e com ele baixam a cova os princípios e valores humanitários e humanistas,a menos que sejam arbitraria, mecânica e externamente impostos por uma organização partidária qualquer.
Afirmam eles que o ideal supremo da liberdade permanece...
A liberdade deles no entanto resume-se no forte exercer domínio sobre o fraco, como o leão exerce domínio sobre a gazela e o lobo sobre o gamo!
Esta liberdade teve o Cristianismo antigo, o mérito imortal de condenar como tirânica e falsa.
Nem se pode conceber verdadeira liberdade sem que haja igualdade...
Nossos darwinistas sociais no entanto tem a liberdade em conta de servidão.
E a justiça em conta de vanilóquio ou logomaquia...
Tal e qual a teólogos sacrílegos da prosperidade os darwinistas sociais tendem a encarar os ricos e poderosos como membros superiores ou bem sucedidos da espécie humana e os dominados como tipos biológicos inferiores destinados a extinção...
Eis o belo monumento com que fomos brindados pela ética irreligiosa ou puramente naturalista (materialista).
A maior tentativa ideológica jamais empreendida com o intuito de justificar o egoísmo, a opressão, a insensibilidade e a crueldade humanas.
Preciso de algum outro motivo para simpatizar com os princípios e valores Católicos?
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