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domingo, 8 de março de 2015

Dia internacional das mulheres




Hoje é o dia internacional das mulheres não há muito o que comemorar no Brasil, este deve ser um dia para reflexão sobre a condição das mulheres neste país e em todos os outros países. Dia de reflexão porque as mulheres ainda são tratadas como seres inferiores por uma grande parcela da sociedade pois em geral ganham menos que os homens, trabalham em casa e praticamente cuidam sozinhas dos filhos, sofrem violência física e psicológica, são constrangidas a se comportar de modo "decente", não podem vestir-se à vontade, não podem ter vários namorados em seu histórico de vida, etc...

As mulheres sofrem muitos preconceitos tanto na vida real como na vida virtual, entrando no facebook é comum ver em grupos de discussão homens desqualificando as mulheres com argumentos totalmente desonestos como:


  • E a louça?
  • Já lavou a louça?
  • Tinha que ser loira.
  • É mal amada, mal comida.

Esses são apenas alguns exemplos dos absurdos difundidos nas redes sociais, mas esses pensamentos não são encontrados apenas entre os cristãos fundamentalistas e demais reacionários mas também dentro da esquerda que além de não darem espaço para as mulheres, as subjugam. Está impressionado (a)? Esse comportamento também é encontrado em grupos anarquistas virtuais e até mesmo em "anarquistas" da vida real que oprimem suas companheiras. O machismo é uma ideologia muito forte, tão forte que consegue infiltrar-se na esquerda e até mesmo nos movimentos libertários querendo ditar o que as mulheres podem e não podem fazer. As mulheres de esquerda e anarquistas até criaram termos para designar os machistas "revolucionários" e os misóginos "libertários" elas os chamam de esquerdomachos e anarcomachos.

Infelizmente nosso país tem uma tradição machista que vem de longa data e ainda nós enquanto sociedade estamos reproduzindo coisas como:


  • Mulher tem que casar virgem.
  • Esse menino parece uma menininha só chora (identificando choro como fraqueza e a fraqueza como coisa inata às mulheres). 
  • Mulher não sabe dirigir.
  • Meninas brincam com bonecas e casinhas (condicionando as meninas desde cedo a serem donas de casas, servis e obedientes, e ensinando-lhes que sua função na sociedade é a de serem reprodutoras).
  • Meninas não podem ficar de pernas abertas.Meninas não devem ser oferecidas., etc...
O triste é que também há mulheres que reproduzem o machismo não permitindo que seus filhos lavem a louça, que varram a casa, que arrumem suas próprias camas, essas mães dizem: "Vai brincar e deixa esse serviço para sua irmã". É triste mas é a realidade.

O Brasil apesar de muitos avanços, apesar de muitas ideias progressistas continua sendo um país extremamente machista e por isso as feministas tem que lutar mesmo por seus direitos. Um país onde as mulheres tem que se enquadrar num perfil de beleza proposta pela moda e pela mídia, onde são vistas como objetos, onde não podem comportar-se do mesmo modo que os homens, um país onde elas que são vítimas são culpadas pelo estupro: "Se não tivesse andando à noite sozinha com roupa curta isso não teria acontecido". Pode-se somar a isso o machismo daquele idiota o Rafinha Bastos que fez uma piada de muito mau gosto certa vez, na qual este disse que uma mulher feia devia agradecer caso fosse estuprada e também pode somar-se aqueloutro que é ainda mais idiota que o Rafinha Bastos, Danilo Gentili que zombou de uma moça que é campeã em doar leite materno no Brasil.

Para piorar temos grupos que são lesbofóbicos que ensinam e praticam o estupro corretivo de lésbicas e de mulheres bissexuais. É assustador que a sociedade como um todo encare todos esses absurdos naturalmente e diante de todos esses problemas ainda há homens que reclamam por não haver uma data internacional para os homens e há outros homens igualmente idiotas que dizem que se as mulheres querem direitos iguais que lutem pela obrigação do alistamento obrigatório das mulheres, que as gestantes fiquem em pé nos ônibus lotados, etc... Não entendem que as mulheres não querem privilégios, o que elas não querem é serem oprimidas, trabalhar mais que os homens (pois trabalham em casa) e receber menos, que não querem ser estupradas, que não querem ser forçadas a fazer sexo pelos próprios companheiros. O que as mulheres querem é a igualdade, querem ser vistas como os homens são vistos, como seres humanos e não como uma espécie de sub ser humano. Este dia não é um dia para ser comemorado mas um dia para se refletir as condições das mulheres aqui neste país e em todos os países e lutar por um mundo onde as mulheres tenham os mesmo valor que os homens. Por esses problemas e outros que o feminismo existe, o feminismo não é um machismo às avessas, não! O feminismo é a luta das mulheres por sua emancipação, nada mais.



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A Mulher e a educação



Emancipar o homem não é 
emancipar a humanidade.
Emancipai a mulher e tereis 
emancipado a humanidade.


Sempre se nos diz que a inferioridade mental é um fato, que a nossa debilidade é manifesta. E, baseados neste sofismático argumento, pesa sobre nós a tirania masculina, mais pesada ainda que o jugo da escravidão, arrastada pelas servas da Idade Média.
Embora seja  um fato consumado a nossa debilidade, não é menos verdade que a nossa educação e instrução sempre se tem descuidado, causa essa que justifica a inferioridade intelectual da mulher no presente momento. 
Eis a razão dessa debilidade trivial no sexo feminino.
Mais isso não demonstra que a nossa massa encefálica seja mais reduzida que a do homem, pois demasiadamente sabemos que as opiniões mais autorizadas de célebres fisiólogos e antropólogos, são contrárias a estas ranças teorias dos inimigos da emancipação da mulher.
Se a ciência, a literatura, as artes contam nas suas fileiras com pequeno número de mulheres, é porque só ao homem se lhe tem facilitado um meio superior ao da mulher. Essa diferença de meio determina a inferioridade.
De nenhum modo equivale afirmar que o cérebro feminino tenha menos aptidão para abarcar os domínios da ciência. Fazendo a antítese do que até hoje se tem feito, pondo em idênticas condições de meio ambos os sexos, essa inferioridade injustamente atribuída à mulher desparecerá e, conjuntamente a hegemonia e o jugo masculino que nos faz escravas. 
Enquanto mais se ponham obstáculos à instrução e à educação da mulher, mais demorará, e fará com isso a impossibilidade de implantar a Sociedade Livre que tanto anelamos, objeto de nossos amores e sacrifícios.
Tratemos, pois, de realizar o que tão acertadamente indicou Gondorci:
Quando se instrui um menino, se prepara um homem instruído; mas quando se instrui uma menina, se elabora a instrução de uma família, e nada há mais lógico que isto, sendo a mulher a que cultiva a educação dos seus filhos.
Se quisermos, em verdade, que a felicidade seja uma realidade a tirania termine, o baluarte dos zangões caia aniquilado. 
Emancipai a mulher, arrancando essa venda primitivista que perverte os seus sentimentos morais. Rasgai o véu fatídico do fanatismo religioso que a idiotiza, e tereis quebrado os pontos que equilibra esta sociedade de crime.

Artigo de Isolina Borques em A Voz da União Ano 01 - Nº10 - São Paulo-SP 01.01.1923
O texto se encontra:
NASCIMENTO, Rogério(Org.) Educação anarquista, saberes, ideias, concepções. Imprensa Marginal, SP, 2012.




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?








Li no fim da semana passada o livro de Alan & Barbara Pease: Por que os Homens fazem sexo e as Mulheres Fazem Amor?
A leitura do livro é muito agradável e o que é melhor não cai no óbvio. Os autores se propõe a fazer uma análise científica das diferenças existentes entre homens e mulheres. Mas para se fazer análise científica de algo é preciso citar fontes, ter uma bibliografia para quem estiver interessado buscar as informações por si próprios, creio que esta foi a única falha do livro e falha grave, mas esse incidente não tira o mérito do livro.

O objetivo do livro é fazer com que casais possam se entender, evitar brigas e até mesmo um divórcio. Quando o homem entender como funciona a cabeça da mulher, só terá pontos a ganhar com ela; Quando a mulher entender como funciona a cabeça do homem vai procurar se colocar no lugar dele, evitando conflitos. E ambos saem ganhando.

Postulam os autores que homens e mulheres são essencialmente diferentes e que a igualdade política e moral são apenas convenções, mas necessárias. Mas essa desigualdade entre os sexos não é uma desigualdade que faz um sexo ser maior e melhor que o outro, não. Essa desigualdade vem somar, enriquecendo a ambos.

Os autores partem de uma abordagem evolutiva tanto do homem como da mulher. E o que dizem parece ter sentido. Então muito do que os homens e as mulheres fazem hoje são reflexos do passado de ambos.

Se você está namorando deveria ler este livro; Se você está casado(a) deveria ler este livro se ama a pessoa com quem casou; Se quer namorar é preciso que conheça bem o sexo oposto e este livro do qual falei, é o manual certo.

P.S.: Não recebi um puto de real para escrever este post. Escrevi porque gostei muito do livro.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Mulheres agredidas no meio "evangélico"

*


Que o protestantismo pentecostalista é machista, creio que não é novidade para ninguém, até porque a literatura que o crente lê é pura e simplesmente vetero-testamentária. O machismo já começa no Gênesis, afirmando que a mulher derrubou o homem, depois com a putaria bigamia/poligamia dos patriarcas. Por que eles podiam ter mais de uma mulher e as mulheres não podiam ter mais de um homem?

Abunda no Velho Testamento o desprezo pela mulher, e esse é um erro no qual incorreu também o apóstolo Paulo, mas de modo tênue, se comparado com a literatura do Velho Testamento. Paulo não teve como escapar disso era um homem de seu tempo.

Um crente pentecostal não tem como deixar de ser machista, já que a única coisa que lê são os livros abomináveis do Velho Testamento. Ele nunca lê a vida de Jesus Cristo, nunca viu co o ele tratava as mulheres. Jesus, elevou a figura da mulher, basta ler os Evangelhos para ver.

Enquanto os pastores falarem em Abraão, Jacó, Moisés, Samuel, Davi e outros personagens toscos do Velho Testamento as mulheres do protestantismo fundamentalista continuarão apanhando, seja porque é culpada pelo pecado de Eva, seja porque a Bíblia apóia essa iniciativa.

Não adianta fazer campanhas de conscientização, falar da lei Maria da Penha, enquanto os crentes continuarem a ler textos como esses aí do link.
Se essas mulheres que são tratadas como lixo tiverem um pingo de respeito por si mesmas cairão fora de um sistema que prega que elas são cidadãs de segunda classe.

* Engraçado que a sra. Naiá Duarte que é crente "evangélica" cita a Lei Maria da Penha contra a violência contra a mulher. Ela não cita Bíblia na qual crê para defender as mulheres das agressões que sofrem por parte de seus parceiros. Pois é, a Palavra de Deus é tão boa que nem lei tem para proteger as mulheres. Tem que se recorrer as leis dos "pagões" e "indólatras".