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quinta-feira, 16 de março de 2023

Psicologia, psicanálise, Freud e a questão da multiplicidade de existências - Reflexões sobre a obra de Hermínio C Miranda 'A memória e o tempo' Edicel 1984 - Parte III

 A comédia behaviorista


             


      

         No entanto os senhores e profetas do materialismo não descansam. E a exemplo de Jao jamais dormem ou cochilam...

          E por isso resolveram tomar a Psicologia de assalto e introduzir a querida ideologia no território do espírito, que é a mente.


          Foi essa façanha realizada nos EUA por um certo J B Watson, o inventor daquela Psicologia 'materialista' e 'científica' - Em oposição ao Freudismo e a Psicanálise -  chamada behaviorismo.

           Tem a expressão behaviorismo sua origem em Behaviour ou comportamento, pelo simples fato de limitar-se a analisar aqueles fenômenos externos aos quais damos o nome de comportamento. 

            Em suma o behaviorismo ocupa-se apenas do quanto aflora a consciência do sujeito ou a suas interações com o mundo.

            Isto porque, para seus teóricos, algo semelhante a uma mente ou agregado de ideias, conceitos, opiniões, crenças, esperanças - IMATERIAIS, não pode ter existência própria ou real e menos ainda atuar sobre o corpo físico. 

             Portanto, caso esse ente, cognominado mente exista, é por assim dizer inacessível ou incognoscível (Quem aqui lembra do sr Kant...) i é não pode ser estudado ou conhecido. Dando na mesma avançar e declarar que a dita mente inexiste ou que foi inventada por Freud e seus sequazes...

              Necessário dizer que o behaviorismo ou melhor seu pai, Watson, parte do fisiologista russo Pavlov, o qual, há cerca de um século, trabalhando com cães, descobriu o reflexo condicionado ou o condicionamento comportamental - Nos cães e por ext em gatos, ratos... A esse tempo era já ateu e materialista, por obra e graça do partido comunista...

              Era algo relativo ao comportamento de certos animais que ora sabemos serem dotados de inteligência - O que obviamente nada tem a ver com o tal condicionamento, pelo simples fato de ser fenômeno totalmente distinto e irredutível a ele. 

              E no entanto teve o Behaviorismo a 'magnífica' ideia de aplicar o dito condicionamento aos seres humanos com exclusão de quaisquer fenômenos propriamente mentais, como se tudo explicasse. Pelo que batizaram o condicionamento associado ao comportamento - Humano ou animal, uma vez que para eles dá sempre no mesmo. - sob a alcunha de reforços. 

              Observe a equação: Dos impulsos ou sensações neuronais (Portanto materiais) parte o condicionamento, do condicionamento os reforços e dos reforços o comportamento e tudo quanto nós idiotas temos em conta de consciência ou personalidade.

               Pois se não existe mente não pode existir consciência ou personalidade na acepção clássica dos termos. 

               Portanto inexiste qualquer solução estável ou coerente face ao mundo externo e menos ainda qualquer centro ou polo organização 'mental'. É como se a aberrante doutrina do Caos surgisse primeiramente no campo da Psicologia, pelo simples fato de converter o ser humano num confuso agregado de ações externas. 

                Mesmo algo mais ou menos estável como princípios, valores e crenças resultam em última análise de interações neuronais, quiçá, ao menos em parte causadas ou provocadas pelo condicionamento externo ou melhor dizendo pelos reforços positivos e negativos. 

                 Adiante: A Sociedade, de alguma maneira, tendo em vista certos interesses misteriosos, treina ou amestra os atores sociais para que assumam determinadas posturas. 

                 Perceba o amigo leitor nos domínios da Psicologia, por obra e graça do behaviorismo, o mesmo reducionismo - Afilhado do materialismo e por ext do positivismo! - presente na Biologia... Desde agora convertidas em desdobramentos da Química e da Física, inclusive sujeitas as mesmas leis básicas. 

                  Perceba ainda que ao fim dessa linha tudo quanto resta é Química ou melhor dizendo Física, diluindo-se todo conhecimento nela. Pelo behaviorismo é eliminado o conceito de mente no Homo Sapiens (O qual, por puro preconceito, jamais fora aplicado aos outros animais.). Ficando o humano nivelado a caricatura que fazíamos das 'bestas'... Pelo behaviorismo homem e animais são nivelados pela eliminação da inteligência, da consciência, da personalidade, da mente... De tudo quanto distingue homem e animais dos vegetais ou dos minerais. 

                      Convém lembrar aqui que Kant não apenas reconhecia a necessidade de produzir uma área dedicada ao conhecimento do mundo mental como a colocava ao lado da física e da Filosofia. Kant 197. B 876. 

                       Eis porque, o behaviorismo, eliminando todas essas entidades ou fenômenos que fogem a compreensão de seu materialismo crasso,  elimina precisamente o humano, e consequentemente - Desumaniza, despersonaliza, reduz, simplifica, empobrece... até apresentar humanos e animais como agregados de sensações ou de impulsos neuronais necessariamente caóticos.


                       De fato o ideólogo materialista Buchner (O mais mansinho deles) refere-se ao homem nestes termos: "Não sendo senão produto da matéria, não é o ser que os moralistas pintam." - O que por sinal tem lá uma pitadinha de Sade... E nem poderia ser ético sem estar em posse de sua liberdade ou livre arbítrio.

                       Tal o serviço prestado ao homem, a criatura racional e livre, pela ideologia materialista. Entre nós e um pé de couve ou uma bananeira não há qualquer diferença essencial. 

                        Agora sem objeto próprio, admitida a xaropada reducionista, tanto a Psicologia como a Biologia perdem por completo a razão de ser, por perderem o objeto próprio, no caso da primeira a mente e no caso da segunda a vida. Considere que se tudo quanto há é comportamento ou ação e que essas por meio do reforço ou do condicionamento, partem dos neurônios tudo quanto temos é medicina, fisiologia, biologia... Pois fica a Psicologia sendo caso de interações ou contatos neuronais, a serem estudados, repito, pela Fisiologia ou pela Biologia. 

                     Por fim se a Biologia reverte, não sei porque processos misteriosos, a Química ou da Física, convertendo-se em bailado de átomos ou em equações e fórmulas matemáticas, já não existe Biologia propriamente dita. 

                     A conclusão a que se chega é simples: Privadas de seus objetos específicos Biologia e Psicologia desaparecem por completo ou saem de cena sem deixar vestígios. A menos que se convertam em departamento da Química e da Física pelas quais são absorvidas. 

                     A bem da verdade, amigo leitor, quanto a Psicologia, sequer o nome os positivistas apreciam, como podemos ler nesta peça de E J Litreé: "Talvez pareça insólita a expressão de 'fisiologia psíquica'. Poderia ter escolhido Psicologia para designar o estudo das faculdades intelectuais e morais... porém sendo certo que a Psicologia foi, em sua origem, e ainda é o 'estudo do espírito' considerado como distinto da substância nervosa, NÃO DEVO NEM QUERO SERVIR-ME DUMA EXPRESSÃO QUE PERTENCE A UM TIPO DE FILOSOFIA MUITO DIFERENTE DAQUELA QUE EMPRESTA SEU NOME AS CIÊNCIAS POSITIVAS. NESTAS CIÊNCIAS NÃO SE CONHECE PROPRIEDADE ALGUMA DISTINTA DA MATÉRIA... Daí ter escolhido eu a palavra 'fisiologia' e bem poderia ter optado por 'fisiologia cerebral' embora esta envolva assunto bem mais vasto... tudo quanto aqui pretendo é... inculcar que a descrição DOS FENÔMENOS PSÍQUICOS, COM SUA SUBORDINAÇÃO E ENCADEAMENTO, ENQUANTO PURA FISIOLOGIA EM TERMOS DE FUNÇÃO E EFEITOS. Desde que a Psicologia rompeu com as ideias inatas e adotou o esquema de Locke APROXIMOU-SE DA FISIOLOGIA. E tanto mais a Fisiologia se de conta da extensão de seus domínios, tanto menos se assustou com os anátemas da Psicologia... HOJE NÃO RESTA JÁ DÚVIDA ALGUMA DE QUE OS FENÔMENOS INTELECTUAIS E MORAIS SÃO FENÔMENOS PERTENCENTES AO SISTEMA NERVOSO E QUE O TIPO HUMANO NADA MAIS É QUE UM ELO (UM TANTO MAIS LARGO) DUMA CADEIA QUE SE PROLONGA, SEM NÍTIDOS LIMITES ATÉ AS MAIS SIMPLES FORMAS DE VIDA... contanto que empreguemos o método descritivo, derivado da observação e da experiência, será ela FISIOLOGIA." Litreé "A ciência sob o ponto de vista filosófico" Paris 1873 p 306 e "A filosofia positiva' 23 de Março de 1860. - Percebe como tudo quanto existe para o sucessor de Comte é Psiquiatria...

                     Aqui Mirville "A ordem começará a reinar na mente humana apenas no dia em que a Psicologia se transformar numa espécie de física cerebral e a História numa espécie de física social." 

                     Destarte o complexo humano torna-se incrivelmente simples e compreensível. Somos agregados de nervos que são agregados de átomos... Nada a mais, nada além. E tudo quanto fuja a esse esquema, como a Evolução das formas de vida ou a mente, seja eliminado, oculto ou posto debaixo do tapete. E tudo fica muito bem assim porque o sr materialismo o quer...

                       Átomos que ligam-se uns aos outros numa loteria da sorte... Células que se unem umas as outras noutra loteria de sorte... Tecidos que se encontram, mais uma vez, numa terceira loteria de sorte... E desse turbilhão confuso de matéria, saem - Como Atena armada da cabeça de Zeus seu pai... - leis físico químicas, vida e pensamento> Tudo numa palavra: Golpe de sorte... Resultado de átomos e células e tecidos bailando ao acaso...

                   Melhor descomplicar e após falsear a Evolução dos seres vivos eliminar a mente...

                   Destarte facilitam-se as coisas para o materialismo e quem discordar deixa de ser científico... Quanta manipulação ideológica e desonestidade.

                    Isso num tempo em que podemos, a força de demonstrações, reverter toda xaropada e admitir que grande parte dos animais - Por questão de estudos me limito aos mamíferos! - possui não apenas inteligência, mas vida metal e portanto mente, da qual resultam fenômenos psicológicos complexos...

                     Já não se trata, como no miserável esquema behaviorista, de reduzir a criatura humana a uma 'animalidade' já mutilada e muito mal compreendida e sim de atribuir ao animal uma vida psíquica ou mental injustamente negada. Pois cães e gatos sonham... e tem neuroses, traumas, fobias, etc

                     Podemos portanto falar já não em reducionismo físico químico mas em Psiquismo e Psicologia animal. Fútil a tentativa ideológica de eliminar a mente e a razão no Ser humano quando a primeira manifesta-se já nos animais mais próximo senão em quase todos. 

                      Enfim para poder entrar no esquema materialista deve a condição humana ser simplificada ou melhor despojada de elementos constituintes que lhe são essenciais como a racionalidade e o livre arbítrio. Pois somente com a negação de tais elementos pode enquadrar-se no esquema materialista equivalendo já a um pé de couve ou a uma laranjeira... Admitida sua complexidade manifesta e sua vida mental ou psicológica fica o materialismo em maus lençóis...

                   Não sei porque caminhos confirma-se um veredito lavrado em séculos passados e segundo o qual a destruição de Deus e da Imortalidade - E não estou falando de fé ou religião. Vão estudar Aristóteles e Platão seus burros! - resultariam na destruição ou mutilação do próprio ser humano. E o behaviorismo nos domínios da Psicologia nada mais é do que isso: Uma mutilação, negação e empobrecimento da natureza humana...

              Reservo para o fim a resposta de Paul Janet a Litreé e os positivistas
: "A mentes que foram criadas nas ciências exatas e positivas, mas que, entretanto, sentem como que um impulso irresistível para a Filosofia. E elas não podem satisfazer um tal instinto senão com os elementos que já têm em mãos. IGNORANTES EM CIÊNCIAS PSICOLÓGICAS E TENDO ESTUDADO APENAS OS RUDIMENTOS DA METAFÍSICAS, estão dispostas todavia, a combater, tanto a metafísica quanto a psicologia, sobre a qual quase nada sabem. Tendo feito isso, elas se imaginam criadoras de uma ciência positiva, no entanto o que elas criaram foi uma teoria metafísica nova, mutilada e incompleta. Arrogam-se a autoridade e infalibilidade que pertencem as ciências reais, baseadas na experiência e no cálculo; mas elas são desprovidas dessa autoridade, pois as suas ideias, tão defeituosas quanto possam ser, pertencem a mesma classe daquelas que buscam combater." Janet "Revue des Deux Mondes; 01 de Agosto de 1864 p 727 sgs 


 


          

quarta-feira, 15 de março de 2023

Psicologia, psicanálise, Freud e a questão da multiplicidade de existências - Reflexões sobre a obra de Hermínio C Miranda 'A memória e o tempo' Edicel 1984 - Parte II

Principiou essa fatídica guerra quando o ateu e materialista S Freud, ousou não apenas aderir mas justificar o modelo dinâmico de mente - Inaugurado por Th Fechner - que constitui sua glória. 

Freud foi tributário de um grande número de cientistas e pensadores. Haja visto que Aristóteles já havia levantado a questão da catarse e por assim dizer do psicodrama em suas obras. Serviu-se igualmente de Nietzsche, Ambroise Auguste Liébault, Hipollyte Bernheim e Breuer evidentemente.

Para os fisiólogos materialistas, desde De Holbach, Helvetius, Cabanis, C Vogth, Moleschott e sobretudo Broussais, a mente inexistia ou era produzida pelo cérebro. Toda vida mental era para eles produzida por interações neuronais, como se uma sinfonia fosse produzida apenas pelos instrumentos. 

Freud não apenas inválida esse esquema grosseiro e absurdo, pautado no dogma da monocausalidade, como demonstra que seu modelo dinâmico exerce clara influência sobre o elemento físico ou o corpo - Estabelecendo cientificamente que a mente é capaz de atuar sobre o corpo físico. 

Foi um rude golpe vibrado sobre tantos quantos, seguindo por fila de mão única asseveravam que toda e qualquer doença mental era resultado de uma lesão cerebral. 

Mesmo quando posteriormente Wagner Jauregg demonstrou o óbvio: Que lesões cerebrais afetam as faculdades mentais provocando 'doenças' a demonstração oposta, de Freud - Alias anterior a ele! - permaneceu de pé, uma vez que demonstrações posteriores são de todo inútil para invalidar as anteriores, desde que devidamente documentadas e, ininterruptas.

Por isso, as posteriores ou mesmo concomitantes demonstrações de que um sensitivo tenha fraudando não basta para invalidar as pesquisas que constataram - Por meio de testes realizados com metodologia séria e meios de controle rigorosos. - em testes anteriores. A generalização é sempre infundada uma vez que do fato de alguém ter fraudado certas vezes jamais se pode concluir e menos ainda demonstrar que fraudou sempre - Marquem isto!!!

Se a parlenga do Maddox ou do Dennett, apresentada entre os nossos por Silva Mello (Muito antes - Pois ele partia de Max Dessoir e Paul Heuzé) tem produzido certo impacto a razão é uma só: O absoluto despreparo filosófico da modernidade e da pós modernidade. No caso dos romanos e protestantes cultores da Filosofia tudo quanto há é fanatismo - Embora o Cardeal Lepicier e alguns outros autores papistas (Honestos e preparados!) tenham advertido os fantoches do positivismo - Como o Padre Heredia (O capelão de Daniel Loxton!), P Heuzé, R Amadou, O Quevedo! - de que ao menos alguma parte dos fenômenos em questão eram reais. Vejam pois como bem andou o genial Padre Huberto Rohden, ao declarar (Tal e qual Houdini) que alguns fenômenos eram infalsificáveis...

Tornemos no entanto a Freud. Desde Freud o que chamamos fenômenos psico somáticos continuam a ser verificados...

Mais do que seu construto - A Psicanalise - e conceituação estrutural posterior, adquiriu Freud sua merecida fama por firmar de modo definitivo o conceito de Inconsciente, definido como um repositório dinâmico situado num nível habitualmente inacessível a consciência ou por baixo dela.

Não se trata naturalmente da memória, embora seja algo intimamente relacionado com ela e que dela dependa.

Que a memória de nossas experiências constitui-se uma espécie de registro indestrutível e colossal era algo mais ou menos sabido já antes de Freud.

Todavia bem poderia tratar-se de um arquivo morto, formal ou inoperante e portanto de pouca importância.

Percebeu Freud que pelo contrário, tal arquivo era vivo ou dotado de vida própria, qual fosse uma personalidade autônoma ou um setor tanto mais profundo de cada pessoa. 

Pode o modelo freudiano ser comparado quer a um manancial hídrico quer a uma simples cebola.

Imagine um rio subterrâneo, o qual em determinados terrenos aflora sob a forma de fonte ou pequeno charco, para em seguida tornar as profundezas e desaparecer. Agora considere que esse rio é nossa humana condição - As fontes e charcos que assomam a superfície equivalem a nossa consciência, a zona imediatamente abaixo - Até onde podemos levar o braço! - é o subconsciente (Ao qual podemos ter acesso com certos esforços e assim lembrar ou recuperar as informações!) tudo quanto permanece habitualmente inacessível a consciência é o Inconsciente propriamente vivo.

Agora os behavioristas - Dando show de antropocentrismo beócio! Como seus primos fenomenologistas! - declaram que não existe inconsciente porque não é manifesto a consciência, porque não o temos continuamente diante dos olhos, etc 

Pífia alegação... Pois aquilo que é habitualmente inacessível a consciência em seu estado normal bem lhe pode ser acessível esporadicamente num estado de anormalidade qual seja uma febre, a sonolência, a ação de certas drogas ou a hipnose. Não se trata portanto de algo eternamente inacessível - Como o Castelo do João do Pé de Feijão ou a terra do nunca! - e sim de algo comumente inacessível porém extraordinariamente acessível.

Por isso não somente sua existência mas sua atuação e influência foram suficientemente demonstradas e inúmeras ocasiões a que damos o nome de experiências.

No entanto os ideólogos positivistas ou behavioristas não podiam sofrer que a mente comportasse um agregado dinâmico de ideias ou entidades imateriais, e tampouco que atuassem poderosamente sobre o corpo físico, controlando os nervos e fluídos em que viam a realidade de toda vida mental. Era pois algo demasiado forte para as mentalidades materialistas, algo que não podiam admitir.

Desde então Freud e o freudismo ou a psicanalise suscitaram ódio mortal nos cientificistas...

Isto a ponto daquele ateu, que foi o homem mais genial de seu tempo - Em que pesem as puerilidades humanas! - jamais ter sido contemplado com mísero Nobel por parte de seus irmãos de ateísmo e incredulidade. 

Freud foi supinamente boicotado, inclusive pelos marxistas, os quais de pronto perceberam o significado de suas ideias para o querido materialismo. Freud foi imediatamente classificado por eles como pária ou infiel.

Afinal um esquema materialista da 'mente' só poderia ser formal, mecânico... jamais dinâmico e muito menos envolver um mundo vivo povoado por ideias...

Errou Freud certamente quando atribuiu a seus complexos uma existência universal ou para além de determinadas estruturas sociais (De modo que seus complexos se tornam metafísicos.) - Como demonstraram M Mead e Malinowksy e como deu a entender a não menos genial Karen Horney. Errou quando concebeu o pan sexualismo - Um erro alias perdoável em tempos de repressão moralista ou puritana. Errou ainda quando pretendeu analisar o mundo onírico através de um roteiro. Errou miseravelmente ao imaginar que a virtuose musical fosse produzida pela contemplação auditiva dos peidos pelo bebê... Errou, e errou.

Porém que é mais humano do que errar...

Por isso convém dizer que Freud também acertou muito, quiçá bem mais do que a média. Falível, porém genial... postulou que as pequeninas crianças possuem uma pronunciada dimensão sexual - O quanto basta para exasperar meus amigos marxistas, não menos que o espiritista Hermínio C Miranda - para não mencionar os papistas e os protestantes... E no entanto assim o é e nem precisaríamos de Freud para sabe-lo.

Agora são as pequeninas crianças sexuadas devido a fatores invencíveis de ordem biológica ou devido a fatores de ordem cultural. Dificilmente poderiam ser tais fatores meramente culturais em tempos nos quais a sexualidade humana era rigorosamente oculta e reprimida... Havendo que admitir um certo elemento biológico que tentavam suprimir - O que nos leva de imediato ao tema da fixação, do completo, do trauma e da neurose... Todos interconectados.

O problema aqui - Entre Psicólogos e Psiquiatras, no que diz respeito a neuroses e neuróticos ou psicóticos e psicoses é até bastante simples: A exceção dos casos precipuamente somáticos devidamente tratados - Por meio de cirurgia ou ingestão de hormônios. - todos os demais enfermos (Cuja etiologia fugia ao corpo i é os psico somáticos!) eram, como são, sistematicamente sedados. 

Explico - Em todos os casos em que os fenômenos eram de origem psíquica ou mental propriamente dita, o tratamento oferecido pelos maravilhosos psiquiatras era por assim dizer sintomático, pois consistia em suprimir os sintomas por meio de sedativos. Noutras palavras em narcotizar o pobre paciente... O qual jamais saia desse estado lastimável.

Ainda hoje, entre as pessoas comuns, que recorrem a certos psiquiatras sem saberem ao certo o que tem, é comum o emprego da palavra dopar. Alias por não querer serem dopadas é que elas fogem dos psiquiatras... Existe inclusive livros bastante elucidativos sobre o tema escritos por psiquiatras de renome, como o Dr Guido Palomba. (A decadência da Psiquiatria ocidental.)

Claro que há bons psiquiatras que fogem a regra geral. 

Muitos no entanto, por não admitirem que certa enfermidade mental foge a seu compete-se, continuam dopando apenas... 

Perceba o leitor que suprimir sintomas não equivale a suprimir determinada enfermidade e assim cura-la.

Ademais toda e qualquer medicação produz efeitos colaterais adversos, torna-se ineficaz com o passar do tempo, etc 

Desde que Freud inaugurou sua metodologia e procedimentos - Aperfeiçoados pelas dissidências! - principiaram os neuróticos ou ao menos alguns deles (Certos pacientes, presas de certas formas de neuroses são curáveis e foram curados!) a obter algum alívio ou mesmo a cura. A Psicologia, a psicanalise ou as diversas psicoterapias tem de fato curado muitos daqueles que a não ser elas seriam dopados e conduzidos a uma existência vegetativa. 

No frigir dos ovos ou considerando aquilo que realmente importa, a vida vivida, o alívio ou a cura dos pacientes a Psicologia tem obtido sucesso através de seu modelo dinâmico e imaterial, evidentemente porque tal modelo está de acordo com a realidade. Já o outro modelo, quanto mais irredutível e contumaz, mais tem falhado e redundado no ato de simplesmente dopar aqueles que qualifica como enfermos incuráveis.

Concedo que antes de qualquer abordagem psicológica o ideal seria que o enfermo passa-se de fato por um Psiquiatra competente que lhe escrutina-se o corpo ou o cérebro por meio de raios X, tomografias, exames de sangue, etc até encontrar alguma carência ou lesão e trata-la. Todavia, caso tal escrutínio não desse em nada e o corpo se apresenta-se como absolutamente saudável ou normal, tenho que seria GRAVE DEVER seu, como médico e pessoa, encaminhar o dito paciente a um verdadeiro Psicólogo, de modo ao examinar-lhe a mente - Onde certamente se encontra a origem do mal. - diagnostica-lo com eficácia e trata-lo. 

Lamentavelmente esse trabalho colaborativo e totalizante é quase sempre frustrado pelos preconceitos do psiquiatra, o qual, assumindo uma postura irredutível, raramente admite que aquela enfermidade foge a seu compete-se e passa a dopar o infeliz do paciente - Tornando a psiquiatria cada vez mais desacreditada.

Perceba portanto que a ideologia ou visão de mundo do médico não é inócua face ao bem estar do enfermo, bem podendo ser nociva.

Acaba ou psiquiatrismo sectário, nutrido pelo positivismo, pelo cientificista ou pelo materialista, ou acaba-se a psiquiatria.

Mesmo porque falsas curas somáticas sempre podem ser explicadas pelo princípio psicológico e mental da auto sugestão. Já as verdadeiras curas provocadas pela terapia psicológica são irredutíveis a quaisquer explicações ou teorias behavioristas ou psiquiátricas, pois prescindem sempre da noção de autonomia da mente. 









Psicologia, psicanálise, Freud e a questão da multiplicidade de existências - Reflexões sobre a obra de Hermínio C Miranda 'A memória e o tempo' Edicel 1984 - Parte I

Ao passar por uma Banca de Jornais - Esta convertida e Bazar enquanto outras tantas foram convertidas em mini Shoppings por obra e graça do mundo digital. - avistei uma pilha de livros velhos, da qual extraí um bom número de volumes interessantes, dentre eles uma brochura esverdeada, de umas cento e cinquenta páginas e intitulada 'A memória e o tempo'. Nem é preciso advertir de que a comprei e também os mais volumes interessantes, num total de vinte e poucos.

Havia, dentre eles, a Biografia completa do sr Kardec por Zeus Wantuil em três alentados volumes, dos quais eu havia tido um só e perdi há muitos anos. Diversos volumes de Parapsicologia, alguns volumes do Herculano Pires, um do Bozzano, etc E como disse fiz a ceifa.

Quiçá alguns tenham já concluído: Quanta baboseira ou que desperdício... Julgo porém que, ao contrário do genial Karl Sagan, diriam a mesma coisa da Odisseia de Homero, do Teatro de Sófocles ou da República de Platão. Refiro-me aos materialistas crassos, aos positivistas inveterados e aos cientificistas a exemplo do falecido Mário Bunge, enfim de toda essa gente que jamais fora capaz de escrever uma opereta medíocre ou um draminha satírico - Gente tão alienada quanto a outra gente que tanto gostam de criticar.

A exceção das baboseiras esotéricas - Que se embrenham pelos campos da História, da Geografia ou da Astronomia. - divulgadas por Churchward, Posnansky, Braghine, Donnely, etc leio praticamente tudo. 

Há mais de trinta anos tomei por divisa está pequenina frase: "Examinai tudo e ficai com o que proveitoso é." e dela não me aparto. Tanto isto é verdade que, mesmo não sendo adepto das Ideologias ateísta e materialista, bem como da mística positivista. contínuo a ler diversas publicações congêneres tendo em vista garimpar algumas coisas boas e formular uma visão de mundo, quanto possível mais equilibrada.

Naturalmente que leio muito Freud, o qual apesar de seus erros, alguns dos quais aberrantes - ainda me encanta. E Darwin, e Marx, e Weber, e Malthus, etc na medida em que a leitura dos clássicos me permite. Nada do quanto seja humano ou mesmo natural me é indiferente...

Claro que a exceção da fé Cristã não respeito Ortodoxia ou sistema algum - Embora admire certos construtos como o de Sócrates, o de Aristóteles, o de Malthus e o de Max Weber - pelo simples fato de saber que não existem seres humanos infalíveis... Sou sinceramente Católico Ortodoxo por julgar que tal sistema, quanto a sua parte mais íntima (A dogmática) seja divina ou Revelada por Deus. No campo da própria Teologia sou já rebelado e portanto suspeito...

Portanto não creio em ortodoxias, sistemas fechados, místicas secularizadas ou igrejolas humanas... 

Concordo portanto com os agnósticos, filhos de Huxley, quando apresentam o ateísmo e o materialismo como são i é como elaborações metafísicas e tão metafísicas quanto o teísmo e o espiritualismo, pelo simples fato de ultrapassarem os dados imediatamente sensíveis em sua rude simplicidade. Excluída a reflexão racional (Metafísica) impugnada pelo rude escocês, só nos resta silenciar sobre todos esses assuntos ou calar a boca...

E não concordo menos com os espíritas, quando apontam o materialismo dos cientificistas, como igualmente ideológico e não como científico. Especialmente no que tange os domínios da Psicologia - Aqui o estrago e a tragédia são muito maiores! 

Podemos admitir sem maiores problemas que a exceção da Psicologia, a ciência ou as ciências são materiais pelo simples fato de que o campo devassado por elas é a materialidade. Cumpre-nos repetir aqui a lição do agnosticismo: Uma coisa é ter a ciência, de modo geral, como material e outra por materialista; pois ali cumpre com seu escopo> Investigar a matéria, enquanto aqui, ultrapassa a si mesma e a seu escopo, predicando - Sem mínima legitimidade! - que nada há para além da dimensão material do ser, predicação que foge tanto ao empirismo como a ciência...

Criticam os marxistas quando invadem o campo das ciências humanas, a começar pela História e pela Geografia, introduzindo sua Ideologia grande parte ideativa ou metafísica (Weber!) e sem embargo disto, imitam-nos - O Dawkins, o Harris, o Dennett e outros - invadindo o campo de ciências que por definição são exatas ou naturais e introduzindo opiniões metafísicas como se empíricas fossem ou como tivessem dado com o princípio materialista na gema do ovo ou com o ateísmo na partícula do Argônio... Mas onde encontraram e isolaram tais 'elementos''... E como os formularam sem o auxílio da 'razão' impugnada por Hume.

Bem aventurados os materialistas e ateus que não se fantasiam como cientistas, céticos ou positivistas assumindo o caráter metafísico de suas crenças mais queridas. No entanto em tempos nos quais é a Filosofia sistematicamente repudiada e a honestidade escasseia tal postura se torna rara.

Ateísmo e teísmo, materialismo e espiritualismo, etc não são questões religiosas - Que se resolvem por meio da fé ou de livros autoritativos. - e menos ainda questões científicas a serem solvidas num gabinete científico ou laboratório e sim questões de ordem metafísica a serem examinadas e julgadas por cada pessoa com máxima liberdade > Embora para tanto deva haver preparo i é investigação, pesquisa, estudo ou leitura.

Vender tais lucubrações por elementos científicos, como faz a ralé positivista até os dias de hoje, é pura e simples falta de caráter.

Por isso os espíritas e alguns romanos tem plena razão ao denuncia-los, respirando indignação inclusive.

Tanto pior o resultado dessa falsa propaganda no campo daquele tipo de conhecimento que é por assim dizer o único que foge ao estrito campo das demais ciências: A Psicologia...

Principiou a falsa ciência 'materialista' na França, com o ideólogos De Holbach, La Metrie e Clothes, dentre outros... Asseverando que NÃO HAVIA imaterialidade alguma e que a existência do espírito era falsa. Tudo quanto havia era matéria ou materialidade... Tal o materialismo crasso, formal e mecanicista dos quais muitos teóricos acharam por bem desprender-se no decorrer do século XIX quando a barquinha começou a fazer água.

No entanto os resistentes ou 'ortodoxos' asseveravam, de geração em geração, que na geração seguinte, a inexistência do espírito ou a fábula do imaterial seria rigorosamente demonstrada num laboratório. 

O primeiro foi Broussais, o francês... o qual chegou a declarar - Como Branly um século depois - que caso testificasse qualquer evento de natureza imaterial NÃO ACREDITARIA rsrsrs Após ele foi a vez do comunista Joseph Dietzgen, o qual tendo declarado que a ciência havia demonstrado experimentalmente o princípio do materialismo, foi advertido e corrigido pelo próprio Engels. Pouco depois Engels declarou que os comunistas não eram materialistas formais ou crassos pelo simples fato de não negarem a existência do imaterial e sua interação com o material inclusive. Por fim assomou o inteligente Lênin, o qual numa obra de inegável valor 'Materialismo e empiro criticismo' e opinou que não tardaria muito tempo para que o princípio materialista fosse empiricamente demonstrado.

A questão é que desde aquele tempo, a geração de Engels, os dois campos tiveram que reformular o conceito de materialismo tendo em vista sua sobrevivência no âmbito das ideias. Pois conforme a ciência progredia se tornava cada vez mais difícil o óbvio, que era a existência de um elemento imaterial ou espiritual. Eram os tempos de Ch Darwin, o qual demonstrou o princípio da Evolução no campo da biologia, abrindo novas perspectivas, das quais se aproveitaram diversos pensadores, como um Spencer por exemplo. 

A recomposição deu-se justamente nesse sentido, da evolução - A princípio existia, apenas o elemento material (Daí monismo materialista.) o qual, a cabo de um lento processo evolutivo, se foi depurando ou tornando menos denso (Espiritualizando...) até dar origem ao espírito ou ao imaterial... Portanto se havia algo de imaterial ou espiritual no mundo esse algo teria se originado a partir do elemento material, pelo que o material seria a origem de tudo. Creio que tal construção remonte inclusive a Lucrécio, mas não sei exatamente.

Em meio a tantas revoluções ou transformações o conhecimento da mente não pode deixar de cindir-se em duas correntes não apenas distintas mas rivais: O que ora chamamos Psiquiatria e a que ora chamamos Psicologia... sabendo que está última remonta a Th Fechner e Wundt e que a primeira não teve dificuldade alguma em ser reconhecida como legítima ou científica. 

Outro o caso da segunda....

Importante salientar que ainda hoje, em pleno século XXI, há ideólogos - Positivistas, cientificistas, materialistas... - que repudiam não apenas a parapsicologia, como a psicanalise e até mesmo a psicologia não colonizada ou não behaviorista, como construtos semelhantes as diretrizes comunistas ou a astrologia... Um sujeito de rara inteligente como Popper, inclusive, enredado por Hume, lançou a Psicanálise, a parapsicologia e a Evolução das espécies no mesmo balaio que a astrologia e as diretrizes marxistas, o que nos possibilita antever o caráter sectário desde tipo de mentalidade.

Outros positivistas lançam ainda História, a Filosofia, a Jurisprudência... no mesmo balaio, de modo que só seria ciência o que eles querem e do jeitinho que querem, e isso mais de século após W Dilthey ter pulverizado seus preconceitos sectários. 

Para que a crença querida do materialismo seja científica toda ciência precisa ser materialista...  Portanto caso o campo científico em questão - Pelo simples fato de ser humano e não sideral, mineral ou vegetal. - destoe do materialismo cessa por isso mesmo de ser científico ou respeitável. Engenhoso não...

Que pensem assim os físicos e químicos e ainda alguns naturalistas por serem reducionistas e paladinos da monocausalidade com as bençãos do capelão Ockhan bem se compreende. Agora que tais prejuízos se tenham afirmado no campo da Psicologia, que é uma ciência da mente, é bem outra coisa...

Durante a segunda metade do século XIX, o conflito não estourou abertamente devido as personalidades conciliadoras e respeitáveis dos já citados Fechner e Wundt. Tratava-se de um conflito apenas latente, em que a Psicologia nascente era muito mal vista e encarada com suspeição enquanto a Psiquiatria era muito bem acolhida pelos líderes cientificistas. 

Assim até os idos de 189... ou até a última década do século XIX. Período em que, após a morte de J M Charcot, a controvérsia Salpêtrière - Nancy tendia a serenar. Foi no entanto quando justamente tornou-se universal. Pois junto a Charcot estava um jovem ateísta e presumidamente materialista, S Freud, e do outro lado do Reno, Wagner Jauregg e Emil Kraepelin. 

O quanto podemos dizer é que nesse período - Ao menos até a criação do behaviorismo por Watson! - surgiu um divisor de águas entre Psiquiatria e Psicologia que possibilitou a plena expressão da última. E tal se deve, paradoxalmente, a S Freud. É com Freud que a Psicologia desprende-se, como deveria, da psiquiatria ou da determinação somática unilateral para postular a existência de fenômenos psicosomáticos. 

Até hoje, um século depois, ainda podemos testemunhar a rivalidade existente entre essas duas áreas - Psiquiatria e Psicologia, as quais para o bem dos seres humanos, deveriam caminhar juntas. A resistência no entanto é quase sempre mais viva nos domínios da Psiquiatria, partindo obviamente dos cientificistas, animados pela ideologia materialista. O resultado disto é a rejeição seja da Psicologia ou da Psicanalise por eles, e o reconhecimento exclusivo - Por motivos que nos parecem óbvios. - dessa Psicologia esvaziada e aparente chamada behaviorismo.

O behaviorismo é sempre bem vindo por qualquer psiquiatra pelo simples fato de negar a mente e por extensão qualquer coisa de imaterial ou espiritual. 

Antes da criação desse ente aberrante chamado behaviorismo, era a Psicologia repudiada em bloco por parte significativa de psiquiatras.




sábado, 4 de fevereiro de 2023

Considerações em torno do que seja Sociedade.




Vez por outra, de quando em quando, costumo ler algum 'manuel', digo, Manual de Sociologia - Também leio os de Filosofia, de Psicologia ou de Pedagogia > E há alguns muito bons (Guido de Rugiero, Jaspers, Thonard... Th Ribot, Wundt... Herbart, Comenius, Backheuser, etc). 

Por hora estou lendo "El hombre y la gente" de Ortega Y Gasset - Revista de Ocidente, Madrid, 1958, juntamente com a edição das Epístolas de Caio Cecílio Segundo, o 'Plínio' Jovem ou Jovem Plínio - Estranha mistura ao que parece... Se bem que não da para confundir o escritor latino com o humanista espanhol. 

Todos sabem que considero Gasset um dos nomes mais representativos em termos de genialidade, juntamente com Freud, Adler, Darwin, Weber, Malthus, Sorel, Decrolly, Hitchcock, Valéry, Horney e Goodall. 

Quem quiser adicione o nome de Marx. Sua crítica foi positiva mas, penso eu, sua construção positiva ou 'solução' de muito pouco valor, e o comunismo se nos parece tão desastrado quanto o capitalismo.

Outros desejarão adicionar um Einstein ou um Fermi, aos quais de fato não faltou genialidade.

No entanto, confessadamente socrático, penso ser patético ou até calamitoso, o caniço pensante explorar o universo - Das partículas elementares as grandes estrelas, passando pelo fundo dos oceanos. - sem conhecer suficientemente a si próprio ou explorar a mente que dita nosso comportamento e tudo comanda.

Sim, em tempos de Ética, de crise e de suicídio comum (Em termos de espécie.) temos que questionar absolutamente tudo, inclusive a prioridade em termos de conhecimento.

Pois controlar a força contida nas partículas sem comandar a si mesmo pode ser algo bastante perigoso.

Tal reflexão foi que me fez por optar pelas Humanidades e não pelas ciências exatas ou pela técnica, tão queridas a ideologia positivistas e tão lucrativas. 

Necessário registra-lo. 

Pois em nossa cultura degenerada quem opta por ganhar menos traduzindo clássicos como as Antiguidades romanas de Dionísio de Halicarnasso ou a História geral de Diodoro Sículo, ao invés de tornar-se físico ou químico, i é partidor de moléculas ou analista de substâncias é tido em conta de inepto, incapaz ou imbecil.

Chega de divagação e prolixidade, como dizia minha saudosa mestra Isamar Alcover do Amaral Loureiro> Sr Domingos, o sr é prolixo e tão prolixo como Rui - Quem me derá ser a metade ou um quarto de um Rui... Mas tornemos a Gasset, nosso Ortega.

Antes porém devo dizer que já havia lido, e há um bom tempo, A unidade social, de P A Silvestre, São Paulo, 1956, obra atualmente bastante rara sobre a percepção social em Tomás de Aquino e, por ext. nos escolásticos e contratualistas.

Curiosamente Gasset define o associacionismo com precisão: "... Que assim fosse mera combinação ou resultado de outras realidades, como os corpos são 'na realidade' mais do que combinações de moléculas e estas de átomos." p 22 a qual, substituindo-se moléculas e átomos por tecidos e células, teria sido absoluta.

Importa saber que o ilustre pensador espanhol após definir avalia: "Se como sempre se tem crido... é a Sociedade uma criação dos individuos... que se congregam e portanto se não é ela mais que uma associação, a Sociedade não tem própria e autêntica realidade e não precisamos de uma Sociologia." p 22

E foi um pensador genial, um Ortega Y Gasset, quem o disse, como que copiando trivialidade repetida nos manuéis ou manuais de Sociologia. 

Achei digno de nota ou reflexão a assertiva do Ortega.

Afinal nossos corpos são agregados de células e tecidos. O que não os priva de existência real.

Curioso isso - Que aquela treva chamada positivismo tenha produzido há um tempo introduzido materialismo mecanicista no campo da Psicologia e Metafísica muito mal feita no campo da Sociologia. 

Mais - Agregado sim, agregado e agregação. Nem por isso uma célula sozinha se converte em tecido ou corpo, menos ainda o corpo ou o tecido numa única célula. Pois de modo algum a existência do agregado basta para confundir o agregado com o todo e vice versa... A simples existência particular da célula no conjunto do tecido não a transforma a célula particular em tecido e vice versa.

Sucede porém que a simples união da célula em tecido, órgão ou corpo confere a cada um desses agregados novas propriedades, as quais não se encontram presentes em cada célula separada mas comente nos agregados: Tecido, órgão e corpo. E conforme o tipo ou forma de união assume diferentes formas é natural que cada forma possua propriedades diversas - Assim que o corpo possua propriedades que não se acham presentes no órgão ou no tecido. 

Naturalmente que há algumas propriedades comuns a todo fenômeno vivo. Como certamente há propriedades diversas na célula, no tecido, no órgão e no corpo - Pois unidade não significa identidade. Por isso dizemos que o agregado tecido difere da unidade particular célula na medida em que apresenta atributos ou propriedades diversas. Pois só pode apresentar propriedades novas e diversas na medida em que sua estrutura difere da unidade particular.

Observe que toda essa comparação estabelecida pelos positivistas em torno de fenômenos biológicos está totalmente equivocada.

Pois o considerar o corpo humano em sua totalidade como agregado de agregados - Cujo elemento mínimo seria a célula! - não reverte a Biologia, a medicina ou a realidade em citologia. Um corpo mais desenvolvido olha, ouve e fala. O corpo ouve, fala, olha, pensa, etc por meio dos tecidos e células. Há tecido apto para ativar a audição. Posso dizer no entanto que esse tecido ouve ou que células olhem ou falem - Mesmo quando pertencentes a tecidos relacionados com a visão ou a fala posso eu dizer que tais células enxergam ou falam...  O caso é que as células não possuem sistema nervoso central... E nossos corpos o possuem... E pensam...

Percebe como sendo formado por células ou sendo um agregado de tecidos o corpo não é irredutível a células ou tecido, por possuir outras propriedades e corresponder a uma estrutura diversa. Como a medicina - a Mesma medicina que reconhece ser um corpo um agregado de células é irredutível a mera citologia...

Diante disto, o quanto podemos afirmar é que a Sociedade, a modo do corpo físico, não é uma fusão de células ou pessoas, e portanto algo essencialmente diverso dos agentes que a compõem. 

Agora se não estamos diante de um novo ente ou fenômeno, produzido por fusão, só nos resta concluir que ligação entre as pessoas, a modo da ligação entre as células, se dá por conexão ou contato. 

Essa percepção é importante porque nos impede de imaginar a Sociedade como algo a parte dos agentes que a compõem ou como um organismo essencialmente distinto deles. 

E no entanto ela, a Sociedade ou melhor as diversas Sociedades, da mais elementar a mais difusa, apresentam propriedades que não se encontram nos agentes.

Impõem-se aqui outra pergunta ou questionamento, muito comum nos compêndios de Sociologia.

A qual é posta nos seguintes termos.

Se a Sociedade ou as Sociedades apresentam propriedades com que não nos deparamos nos agentes que a compõem é justamente porque a natureza do agente e da Sociedade são distintas. 

Claro que há alguma diferença entre os agentes e a Sociedade.

Será no entanto uma diferença essencial ou ontológica, no sentido de que a Sociedade seja algo totalmente diversa dos agentes ou alguma outra coisa ou apenas um estado diverso apresentado pelos agentes.

Teríamos assim o indivíduo hipoteticamente isolado do corpo social ou num Estado pré social (Quiçá ante histórico ou primitivo!) - Veremos que o homem não social, em qualquer momento histórico, é uma ilusão - e o humano em Estado social tal como o conhecemos. 

Ocioso dizer que o 'social' precede a própria existência do fenômeno humano. Porquanto nossa espécie aparece já num contexto social ou num contexto social pré humano legado por outras espécies de primatas. 

Jamais houve Homo ou Homo Sapiens a parte de uma organização social, exceto se confundamos, maliciosamente, a Sociedade com o Estado.

O homem de Rousseau, bem se vê, é um ser imaginário, se, como se pensa ou crê, postulou a existência de indivíduos isolados ou separados uns dos outros antes de um contrato que tenha dado origem ao grupo social mais primário. Rousseau só cessa de ser perfeito idiota caso consideremos que seu contrato da origem ao Estado ou a Sociedade política...

Podemos portanto supor ou presumir que a questão sequer toque a forma ou a estrutura do conjunto ou grupo social mas apenas AO MODO E EXTENSÃO DO CONVÍVIO: As Sociedades apresentam propriedades diversas entre si e ausentes no 'indivíduo' conforme o contato seja mais íntimo ou mais extenso. 

Então não temos porque imaginar uma transformação essencial.

Nem por isso fica a Sociedade sendo irrelevante e menos ainda a Sociologia, pelo simples fato de que apresenta propriedades com as quais não nos deparamos nos humanos que tentam, em certa medida, viver a parte delas. 

A conclusão aqui já foi antecipada pelos sociologistas de Comte e também de Durkheim, este por sinal um homem de grande mérito. Tinham esses autores - Sobretudo o segundo em sua acirrada polêmica travada com Gabriel Tarde.- receio de que caso a Sociedade não formasse um ser essencialmente diverso dos seres que a compõem, reverteria a algum tipo de Psicologia, marcadamente em Psicologia social. E esse temor, mais ou menos fundamentado no século XIX, refletiu em toda essa construção, no sentido de afirmar-se que a Sociedade constituía um organismo totalmente a parte de seus agentes pessoais. 

Bom bater nessa tecla, sobre os estragos feitos pela Ideologia positivista no campo dos conhecimentos humanos ou das humanidades - Cujo valor científico e objetivo contínua sendo negado por seus janízaros até nossos dias > Mais de século após a morte de Wilhelm Dilthey (Esse gigante do Espírito!!!). O epílogo dessa invasão da psicologia pela Ideologia materialista (Sob o termo de positivismo ou ciência.) foi essa pasmaceira chamada Behaviorismo > De Watson e Skinner até G Roth  e o queridinho dos ateístas (Dalkins, Denett, etc) S Pinker. 

Certo é que a destruição ou negação da mente equivale a destruição ou suicídio da Psicologia, pela simples negação de seu objeto de estudos, que é a mente (cf Fechner, Wundt, etc). Caindo a psicologia nos domínios da Biologia e revertendo a Psiquiatria. Pois tudo no Behaviorismo conduz a Psiquiatrismo...

Outro o caso dos sociologistas, os quais sempre temeram que admitido qualquer nível de influência da pessoa não diretamente associada na 'engrenagem' social ou como se queira, nos fatos ou fenômenos sociais, ficava comprometida a própria Sociologia. 

E no entanto essa mesma pessoa capaz de interagir com o construto social e de altera-lo é ela mesma, grande parte, resultado de interações sociais e um ente social e não um indivíduo isolado, porquanto a existência de um indivíduo isolado, que nada deva ao grupo social, é um ente abstrato e ilusório. 

Perceba-se o óbvio - A Sociedade ou o grupo social plasma a condição de todos os seres humanos e todo ser humano é em parte resultado de interações sociais diretas e indiretas. Por outro lado algumas pessoas, satisfazendo certas condições sociais dadas e externas a sim, são capazes de alterar essas condições ou de interferir na dinâmica social. E é justamente essa intervenção ativa de alguns humanos que altera as estruturas sociais, as quais doutra forma sendo externas, formais e mecânicas seriam fixas, constantes e irreformáveis - A exemplo das reações físicas e químicas. A Sociedade se transforma justamente porque não é engrenagem fechada e impermeável a ação humana.

Por mais que atribuamos esta ou aquela propriedade específica aos diversos grupos sociais seria absurdo admitir que os grupos sociais possam alterar a própria dinâmica ou transformar a si mesmos, impondo novos sentidos, a parte dos agentes que lhes conferem existência. 

A Psicologia social caberá investigar o quanto o fenômeno humano recebe do corpo social. A Sociologia Pessoal como e em que condições um agente humano qualquer é capaz de alterar a dinâmica social e a Sociologia examinar as propriedades dos grupos ou fatos sociais em si mesmos bem como a estrutura dos grupos citados.

Tais as reflexões que me foram suscitadas pela leitura de Ortega Y Gasset.





quinta-feira, 15 de julho de 2021

Problemas naturais em torno do emprego social da violência.

Admitir o emprego circunstancial da violência no âmbito social não pode equivaler a repousar em berço esplêndido. 

Pois para o intelectual como para o Cristão autêntico neste mundo não há nem pode haver repouso. É mundo de fenômenos e transformações o mundo em que vivemos e assim fonte de incômodos.

O milionário cuida ser imune a essa loteria sinistra. Desenvolve ELA ou Kreutzfeld Jacob, recorre ao suicídio... Que se há de fazer? Não há quem seja imune aos tentáculos do azar e por isso já foi a vida comparada e um jogo ou a uma roleta.

Evoluímos ou nos adaptamos impulsionados pela dor, daí o rifão: Quem não se emenda pelo amor se emendará pela dor.

Temos uma psicologia sinistra, a ponto de só valorizar o que perdemos. E com grande dificuldade alteramos as estruturas sociais.

Ilusão imaginar como fácil ou trivial o manejo social e circunstancial da violência. Ao sujeito crítico e reflexivo planteia ele problemas que devem ser analisados com toda atenção.

Para começo de conversa devemos acentuar o quanto nossa apreciação sobre a violência defere da apreciação feita pelos revolucionários, os quais por meio do entusiasmo chegam a construir uma mística em torno da violência. O voluntarismo e o irracionalismo conduzem ao odinismo ou melhor são suas fontes. Nós no entanto não aprovamos recurso a violência cega, mas aspiramos a um emprego planejado, calculado, sóbrio, limitado e racional da violência. 

Por isso noutros ensaios comparamos o emprego da violência a manipulação dos venenos ou das drogas assim da radioatividade. 

É algo cujas doses devem ser medidas e muito bem medidas.

Algo que se faz, devo dizer, a contragosto. Pois comporta sérios riscos.

De fato o primeiro problema que se coloca aqui é de ordem psicológica. 

Materialistas e contaminados em maior ou menor grau pela baboseira positivista é de presumir o quanto nossos revolucionários sejam ignorantes em termos de psicologia. Outro bordão nosso: Nos domínios da psicologia é o positivismo uma aberração.

Aqui ou ignorasse ou mistificasse.

Importa saber que devido a fatores de ordem psicológica, alias elementares, o uso da violência corre o risco de sofrer os mais terríveis abusos ou de degenerar.

Advirto que o próprio Sorel reconheceu como nada recomendável o uso da violência na esfera das relações pessoais. Deve a violência permanecer restrita a esfera do social para ser lícita ou digna. 

É a advertência soreliana preciosa.

Afinal o quanto podemos observar quanto as Revoluções no curso da História são abusos. 

Nem é preciso ser gênio ou intelectual de grande calado para deduzir e constatar que equivalendo as Revoluções, sedições, guerras, conflitos e batalhas socialmente a situações de anomia, propiciam facilmente a passagem da violência do âmbito social para o âmbito pessoal, abrindo um leque de possibilidades criminosas, assim assassinatos, tortura, estupro, etc impulsionados pelo rancor, pelo ódio ou pelo desejo de vingança, as quais dificilmente seriam exequíveis numa situação de normalidade.

Vou além por declarar ainda que o emprego indiscriminado, descontrolado e irracional da força ou da violência podem inclusive favorecer a ação de neuróticos e psicopatas afetados pela própria atmosfera de violência. Possibilitando que calculem e cometam seus crimes com mais facilidade do que em condições habituais. 

Ocorre-me uma narrativa clássica ou ao menos bastante conhecida registrada nos escritos religiosos dos antigos judeus. Quase todos haverão de recordar a estória de Urias, oficial do rei Davi, o qual vindo a cobiçar sua esposa determinou que, durante uma situação de violência ou guerra, fosse ele colocado na linha de frente de modo a morrer e... Podendo então o 'querido' rei fornicar com Betseba, sua viúva. Não digo ser isto factual, mas bem poderia ter sido.

Do mesmo modo e maneira os escritos clássicos estão repletos de narrativas sobre vinganças pessoais ou desforras entre inimigos sucedidas nas guerras - É quase como um lugar comum.

Por isso dizemos e repetimos: Manejo racional da violência e não explosões irracionalistas de violência. Pois o subconsciente apresenta-se sinistro mesmo através da arte moderna, irracional e psicologista. 

Ocioso mencionar os abusos a que ficaram sujeitas as populações antigas por ocasião das guerras.

Refiro-me aos ataques a população civil presentes na narrativa da Guerra de Tróia com os habituais estupros, assassinatos, torturas, etc 

A bem da verdade se considerar-mos que a coisa começou com os assírios é fato que persas, gregos e romanos, foram depurando a prática. Embora durante a antiguidade tudo dependesse do carater dos reis ou generais, e se houve um Ciro entre os Persas houve igualmente um L Mumio entre os romanos e, sabido é o que fez a Corinto e sua população. Já o 'afável' Alexandre fez o mesmo a Tebas e a Tiro, e quanto a primeira salvou-se apenas a casa do Poeta Píndaro.

Com a chegada dos povos teutônicos houve, na Europa ocidental, como que um retorno ao padrão assírio e um reforço a violência. O título de 'flagelo de Deus' conferido a Átila já nos revela algo sobre ele e seus Hunos. As coisas só principiaram a melhorar devido a Trégua de Deus estatuída pelo monge Gerardo a luz do Santo Evangelho e desde então, embora muito lentamente, a situação foi melhorando. Até que em algum momento da Idade moderna, foram os civis colocados fora da guerra, a qual converteu-se em ofício de soldados a ser resolvido num campo de batalha. De fato chegamos aqui a um progresso imenso. No entanto desde o século XIX devido aos novos armamentos, assim bombas e metralhadoras, cunhou-se o conceito de Guerra total, tornando a ser a população civil ameaçada. E tivemos aqui um retrocesso.

Por isso aqueles que se referem aos excessos como coisa do passado, do tempo dos reis ou do antigo regime estão totalmente equivocados. Pois temos aqui uma questão humana que toca a nossa condição psicológica que toca as fontes mais obscuras da personalidade humana e ao que chamamos de atavismo. Enfim de algo que sendo feito sob pressão e com grande risco afeta drasticamente o comportamento.

Fato é que sendo o conflito ou a sedição apoiado pela maior parte dos cidadãos de uma dada república, a guerra civil, diferira essencialmente da guerra propriamente dita. Pois o inimigo pertencerá não a outra cidade mas a outra facção, partido ou classe, quando não de outra cepa em termos de Ética. E para fazer petição a violência devemos ter certeza de que tal elemento é sempre minoritário. 

Todavia nem por isso a retaliação afetiva, ligada a ideologias e rancores pessoais, deve ser excluída. Podendo sempre atingir familiares e apoiantes dos que controlam o poder. 

Sorel, embora não esteja totalmente equivocado, tento racionalizar (Ele que era irracionalista) o fenômeno. Atribuindo os excessos cometidos pelos revolucionários a um otimismo idealista e romântico em torno da condição humana. Todavia os marxistas e fascistas, que passam por realistas ou pessimistas nesse plano não foram mais comedidos do que os jacobinos. Por isso digo e repito que o problema da violência, de seu manejo e excessos ou abusos é mais complexo do que se supõem sendo suas raízes psicológicas e afetivas.

Importante para aqueles que aspiram manejar a violência pensarem em mecanismos de controle tendo em vista tais abusos, impedindo assim que a violência se generalize no sentido de ultrapassar as fronteiras do social. 

Mesmo quanto armados e preparados para lutar pela melhoria da República devem os cidadãos ser exortados, no sentido de não cometerem tais abusos, sabendo que serão punidos com o máximo rigor da Lei, bem cabendo a tais excessos, a pena capital. Não se pode usar a guerra ou manejar a violência, destinada a promover a justiça, contra civis indefesos ou mesmo prisioneiros imobilizados. Pois seria desnaturar o emprego da violência além de torna-lo sempre questionável por parte dos pacifistas radicais.

Outra questão importante diz respeito a como recorrer a violência social em caso de necessidade se a legislação, limitando o porte de arma, dificulta que a população como um todo possa armar-se ou estar armada?

É tema ou problema que comumente se coloca. Especialmente quando somos governados por um odinista teocrático como Bolsonaro. O qual aspira armar até os dentes sua milícia de crentes fanáticos e lança-los contra as instituições democráticas. No entanto, do outro lado, nazistas, fascistas, comunistas e mesmo alguns grupos anarquistas esperam armar-se também, valendo-se da mesma 'lei' que facultaria aos civis livre acesso a armas e munições. Destarte poderiam eles formar suas milicias ou organizações paramilitares e deflagrar a tão sonhada revolução ou contra revolução. Posto está, e de modo bem claro, que esses diversos 'exércitos' armados levariam a república ao caos, criando mais um inferno sobre a terra, e desta vez sobre a terra de Santa Cruz. De fato seria uma tragédia ou calamidade assistir fundamentalistas, capitalistas, comunistas, fascistas e anarquistas enfrentando-se uns aos outros a bala em cada praça ou esquina, e denunciando os cidadãos como comparsas de um ou outro dos grupos rivais com o objetivo de justiça-los.

Mas é o que digo, do outro lado há ideólogos radicais ou expoentes revolucionários que concordam em gênero, número e grau com a política odinista do Bolsonaro.

Partidários da violência social, racional e circunstancial junta-mo-nos aqui aos pacifistas de toda casta para dizer um categórico não ao armamento dos civis. 

E por que?

Simples - Porque enquanto não se eclode a tal da Revolução e as armas permanecem nos lares tendem a ser usadas na esfera pessoal sempre que  estoura algum conflito, seja no recôndito da família ou entre vizinhos, facilitando a execução de crimes ou potencializando a gravidade dos mesmos. Ocorre-me ter discorrido largamente sobre a menor letalidade das armas brancas e maior chances de escape e defesa quanto aqueles que por elas são atacados em comparação com as armas de fogo e de fato não se compara nem de longe o potencial mortífero de um rifle ou de uma metralhadora com o de uma faca. Já pensou atacar alguém que maneja uma metralhadora com um porrete ou taco de beisebol? Outro o caso de alguém empunhando uma tesoura ou facão. 

Além disso da existência de armas em casa tem resultado alguns acidentes muito tristes envolvendo crianças, quando não tem resultado em autênticas carnificinas. Vira e mexe lá nos EUA um cinema, uma escola ou mesmo um edifício religioso é invadido por um psicopata que acaba metralhando algumas dúzias de inocentes. O que da mesma maneira tem ocorrido por ocasião as guerras e conflitos, ou mesmo após seu término, por parte de ex combatentes afetados.

Neste caso, quanto o emprego social da violência, devemos concordar com certo grupo de comunistas que preconizam a 'conversão' ou formação ética, diria eu, dos militares e policiais, no sentido de alinharem-se com as aspirações populares. Aqui uma postura maniqueísta como a que demoniza os militares e policiais não ajuda em nada. Pois nas situações de crise caberia a eles treinar os civis, entregar-lhes as armas e combater com eles. 

Quanto aqueles que me classificarem como utópico enquanto postulam a tal abolição do "Estado" ou das "Classes" só lhes posso rogar para que tirem as traves de seus olhos antes de virem soprar meu cisco. 

Pois embora pertençam as organizações problemáticas militares e policiais também são seres humanos, com habilidades e competências humanas, ao menos em potência.

Outro seria o caso de facilitar a posse de armas para todos: Psicopatas, pentecostais, sunitas, nazistas, fascistas, comunistas, anarquistas, capitalistas, nazistas, etc e nossa sociedade está já tão fragmentada e cristalizada em torno de grupos ou setores beligerantes, que admitida esta solução só poderíamos esperar não um manejo racional da força e sim um estado de guerra generalizado, bem no estilo ou nos termos de um Hobbes. Um tipo de conflito como esse, generalizado, não desejo.

Exaradas tais considerações devo por fim a este artigo, pois já me estendi em demasia e consegui registrar minhas razões, sempre na perspectiva equilibrada do realismo. 

Enfim uma coisa é admitir o manejo ocasional da violência na esfera social. Outra coisa, e bem, distinta é vibrar com as explosões da violência cega e descontrolada. Quanto a esta mística da violência não comungamos dela. A violência pela violência ou a simples percepção de que a violência é a chave ou gatilho com que acionar as mudanças porque aspiramos em termos estruturais equivale ao mais venenoso dos enganos. 

Quando manejada por pessoas éticas poderá a violência conseguir algo, retardar o avanço do mal ou mesmo servir como paliativo. Já manejada por espíritos turbulentos e inescrupulosos converter-se-a na pior das maldições ou na nêmesis da civilização. 













quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Entre a realidade e a imaginação ou como fugir do mundo sem desprender-se dele...

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Enquanto o idealista crasso, o romântico e o avoado fogem do mundo a lua sem maiores problemas, ao menos mais próximos não poucas vezes o idealista crítico, que busca transformar as estruturas de um mundo que acredita serem injustas e anti éticas, entra em crise, e perde-se. E quando digo perde-se quero dizer que ocasionalmente este homem ético e de boa vontade perde a sanidade ou até mesmo a vida, o que é imensamente trágico ou patético.

Temos aqui a morte da mais um combatente, que inspirado em Sócrates, em Cristo ou mais frequentemente neste ou naquele reformador social, o\usa afrontar o sistema ou aquilo que é dado, tendo em vista o que 'Deve ser'. E Ética sempre é isto, UMA METAFÍSICA, a respeito do que deve ser... Quem se contenta com a realidade dada ou com o que é numa Sociedade como a nossa, se são, merece o título de canalha, se Cristão de fariseu hipócrita. Não há atenuante para quem declara assumir posição neutra face a injustiça apenas porque a solução não é imediatamente apreendida por seus sentidos, mas, construída pelo intelecto consciente. Por isso o Positivismo é ainda mais abjeto do que o utilitarismo remendado com retalhos do Evangelho ou do socratismo...

Quanto aos episcopais/Católicos, espíritas e deístas estão imunizados, até certa medida, pela crença sólida na sobrevivência da alma. Frustrados aqui, sabem que estão destinados a contemplar a vitória do bem e o triunfo do amor noutra existência. Não verão aqui, mas verão o que se sucederá aqui... De algum modo contemplarão o futuro deste mundo, o que equivale a colher os frutos.

Já os que duvidam ou negam são combatentes tanto mais vulneráveis. Pois caso sua esperança não se realize antes de sua pressuposta dissolução ou antes da morte física, sabem que não contemplarão o desabrochar das sementes que lançaram ou o triunfo do bem e da justiça. Disto pode decorrer, não raramente, a angústia, produzida pelas continuas resistências - Por parte do sistema que é poderoso - e frustrações.

É destas situações limite, das sucessivas derrotas, da energia dispendida nos embates, das incompreensões e frustrações que resulta a necessidade da fuga. Foge-se ou perde-se a sanidade ou mesmo a vida. Problema não é fugir, mas desprender-se... Por vezes pequenas fugas são necessárias ou terapeuticas. Problema é abandonar a causa ou desertar, desencantar-se. Fugir algumas vezes, episodicamente, faz parte da estratégia, é sabedoria e solução.

Temos assim de alternar a luta com o mundo ou nossa atividade social e mesmo nossas atividades educacionais com algumas fugas.

Sabendo que temos de fugir saberemos para onde fugir com segurança, e não nos destruiremos. Alias mesmo os que dispõem do recurso da fé devem reforça-lo fugindo.

Por fuga equivocada e destrutiva entendemos a sexualidade exacerbada, a embriagues e sobretudo o consumo de entorpecentes i é as drogas. Tudo isto é busca pelo princípio do prazer num mundo doloroso e ingrato. Quando moderada é busca honesta e necessária. A sexualidade, encarada com naturalidade, faz parte integrante da vida e é fonte de prazer revigorante. Assim a bebida espirituosa consumida dentro de certos limites. E ainda se pode fumar Narguile SEM TABACO... Juntamente com o licorzinho, o chocolate (Alfarroba é mais sadia e tão saborosa quanto!), a macarronada de Domingo e o Temaki, poderia mencionar a boa música (Não estou a falar de funk, pagode ou gospel - Experimente Ray Coniff ou o Abba), o Teatro, o Cinema, exposições, etc Claro que tudo isto tem certo custo... Mas sempre podemos passear e assim contemplar o Patrimônio Histórico ou uma paisagem vegetal, assim a flora e a fauna. Há o cultivo de algum hoby como o colecionismo ou a prática de uma atividade como o artesanato. Tanto, tanto tipo de terapia... Assim nosso Pet, seja cão ou gato, com as bençãos de Nize da Silveira...

Todo ativista social ou militante ético político deveria dar espaço a tudo isto em sua vida, ao invés de concentrar-se casmurro e assim gastar-se, endoidecendo precocemente.

Quanto aos que após o sexo buscarem o alcool e após este o consumo de entorpecentes, tendem a avançar em medida. O fim do trajeto poderá ser o craque, uma ida sem volta. Tal o princípio do prazer imoderado ou da busca por sensações cada vez mais fortes e intensas. Passa-se facilmente de um a outro e chegasse ao mais intenso que é a química. Todavia o organismo humano sabe ser mais esperto e acomodar-se, atenuando, em certo prazo, as sensações e fazendo o viciado buscar sensações mais fortes. Caso tais sensações não sejam obtidas o resultado é o vazio, o tédio, a crise ou a angústia intolerável. O derradeiro estádio desta via é empregar doses cada vez maiores das drogas mais fortes ou combina-las ou ainda associa-las ao alcool e ao fumo, do que resultam as conhecidas overdoses e mortes de astros e estrelas, os quais usufruiam de milhões e 'Tudo tinham para ser felizes'. O artista sedento pela beleza a que serve ou representa, não poucas vezes toma este caminho. O cientista, o estadista e o reformador social não menos. Querem apressar a contemplação do ideal, e caem neste erro funesto.

A maior parte busca no princípio imoderado do prazer o remédio para a frustração. Outros, ainda mais valentões, ousados, irredutíveis... chegam, ao cabo de tantos golpes, a demência, a morte ou ao suicídio.

Por isso digo - Mister se faz fugir sem desprender-se por completo ou para sempre da realidade. Abastecer-se para retornar. Viver uma vida normal, comum ou média é muitas vezes mais indicado que o ascetismo, o qual só seria mais producente em situações de conflito aberto ou armado. No mais recomendamos a via do prazer racional ou limitado, inda que em gotas homeopáticas. É necessário contemplar o que há de belo no mundo e fruir dos bens relativos com seriedade. Sim intelectual, cientista, ativista, político/ético, artista... você precisa viver sua vida e precisa também distrair-se.

Então por que raios os artistas, cientistas, revolucionários, reformadores do que é reformável (Então não estou falando dos tais reformadores protestantes!), etc tomam aquela outra via, da morte e da destruição?

Devo dizer que em certos meios, mormente materialistas e autoritários (Que tanto exigem de seus quadros!), há um forte preconceito quanto a essas fugas episódicas ou fantasias da imaginação, que seus ideólogos costumam apresentar como formas de alienação. E assumem esta posição fanática e extremista face a via mais fecunda em termos de sanidade metal e prevenção de neuroses, o recurso aos contos, mitos, fábulas, lendas, parlendas e romances sejam orais ou escritos, assim a contação ou a leitura de estórias...

Claro que esta atividade também tem servido de prisão - E assim sendo fonte de alienação - para aqueles que nela se fixam perdendo de vista o paradigma da transitoriedade. Aquele que se deixa dominar pelo romantismo, substituindo a realidade concreta do mundo a ser transformado pela fantasia das narrativas orais ou escritas perde-se... Como perde-se o extremista que abstem-se totalmente delas, inclusive como lazer, distração, fuga episódica ou terapia. A questão é a mesma quanto o saber ou a ciência, o uso. Temos de saber quando abrir e fechar as janelas, e assim transitar da realidade a fantasia e V V.

Demos palma, sem rancor, aos Psicólogos, que estudaram a personalidade e a mente humanas. Ao menos inconscientemente assumimos o papel de felizes protagonistas daquilo que ouvimos ou contamos e de algum modo nos realizamos. Ao chegar a um final feliz, mesmo que na imaginação apenas, encontramos uma válvula de escape para as frustrações colhidas da arena da vida vivida. Na medida em que temos acesso a identificação e a transferência nos curamos de fato.

Contar ou ler é sempre representar e representar a nível de inconsciência é de algum modo realizar.

Então assuma a fantasia, engane o consciente, interaja com o inconsciente e seja feliz ao menos algumas vezes, obtendo alguns momentos ou fases mais descontraídos. Ao menos subjetivamente, porque você também possui uma dimensão subjetiva, mental ou emocional, seja vitorioso ou triunfante - Um rei, um príncipe, uma princesa ou dama... Alguém que conquista algo de relevante, um herói, cavaleiro cruzado, mosqueteiro...

E se tem o privilégio de possuir uma Biblioteca reserve uma Estante ou prateleira a distração, aos gibis, revistas, anedotários e livros de paisagens, caricaturas, contos, mitos, fábulas, lendas e narrativas... Dedique um espaço a Turma da Mônica, ao Tin Tin, ao Zagor, ao Fantasma, ao Conan, a Walt Disney, a Mafalda, a Super Mãe, etc Consagre outro tanto a Esopo, Fedro, La Fontaine, Perrault, Grimm, Andersen... As mitologias indiana, grega, nórdica, asteca, peruana... A Shakespeare, Molière, Tasso, Camões, Dante, Gil Vicente, etc Se aprecia, como eu, o terror, acolha: Lovecraft, Sheridan Le Fanu, Derleth, P. Merimeé, A C Doyle, R L Stevenson, Wilde, Bram Stoker, Kipling, Henry James, E A Poe, Stephen King, A Tolstoi, etc E ajunte também - Wells, Salgari, Maine Reid, Hall Caine, C S Forester, Haggard, Verne, etc Esta sessão em sua Biblioteca não será menos necessária em sua casa do que a caixa de primeiros socorros da dispensa! Será remédio para a mente, terapia gratuita, higiene mental e relativa garantia de sanidade mental. Vá a ela quando necessitar - fadiga mental - e use sem prender-se, intercale os trabalhos e atividades rotineiras e extenuantes com a distração. Assim será um reformador social ou militante mais produtivo e seguro.

sábado, 17 de novembro de 2018

Domenico theotokopuli; El greco... Era homossexual? Art coletado, original Espanhol




Créditos: Mariano Serrano Pintado




"El Greco, por su abundante obra y peculiar naturaleza, es el pintor que mayor bibliografía ha producido, y del cual se han escrito más hipótesis y teorías, tanto sobre su pintura como de su vida y personalidad. Sin duda una de las más peregrinas y excepcionalmente recurrente es la que especula sobre su masculinidad. Es decir, se pregunta si el Greco era homosexual.

Sabemos que nació en el año 1541 en Candía, capital de Creta, la mayor isla del archipiélago griego. En Creta aprendería a pintar y, cuando se le considera maestro, a los 25 años, se trasladada a Venecia donde, probablemente, trabajó en el taller de Tiziano. Luego, tras su hipotético paso por algunas ciudades italianas, se establece en Roma con 30 años, inscribiéndose en la Academia de San Lucas como «maestro del arte de la pintura de imaginería», para poder ejercer y contratar. En 1577 llega a España atraído por la decoración del Escorial de Felipe II, para quien trabajaban artistas italianos. Cuando viene a Toledo con el encargo de trazar y pintar el retablo de la iglesia de Santo Domingo el Antiguo, tiene 36 años. Está soltero, pues no se conoce documento alguno que acredite el haberse casado, y le acompaña un joven llamado Francisco Preboste, apellido italiano, nacido según Camón Aznar en 1555, por tanto de 22 años. En el pleito del Greco con el Hospital de Illescas en 1606, sobre el cuadro de la Caridad, éste, nombra a un procurador y a Francisco Preboste «de nación italiano» como su representante. Por tanto, Preboste se uniría al Greco en Venecia o Roma, como aprendiz, criado o amigo, y se mantuvo a su lado hasta su muerte que debió producirse alrededor de año 1607, pues a partir de dicha fecha deja de figurar en los documentos del pintor. Preboste, a su muerte, tendría 52 años y El Greco 66. Este inseparable compañero habría estado junto al Greco más de 30 años compartiendo su vida y trabajos como criado, ayudante, representante, colaborador íntimo, hombre de confianza y, sobre todo, amigo. A lo largo de todo este tiempo, no deja de figurar en los distintos documentos de la época. Ente otros: como testigo en 1585 para el contrato de arrendamiento de las casas del Marqués de Villena; en 1597 otorgando un poder, junto con el Greco, para el cobro en Sevilla de «todas las imágenes de pintura y lienzos que ha dicha ciudad habían enviado»; en 1599, de nuevo como testigo, en el contrato del retablo de la Capilla de San José; en 1600, con poderes para cobrar el retablo Dª María de Aragón en Madrid.

Jesús Sánchez Luengo en su libro «Los enigmas de Dominico Theotocopoulos El Greco», nos narra como el Greco, recién llegado a España, presencia en el Escorial la ejecución de la sentencia a un joven de 24 años, hijo de un panadero, acusado de sodomización a dos niños de diez años. Seguramente no habría tal sodomización, sino juegos homosexuales del muchacho con los niños.

Sabiéndolo el Rey, mandó prenderlo y juzgarlo. Confeso y reo, a pesar de pedir clemencia, fue sentenciado a morir en la hoguera. Este veredicto y su ejecución pudieron condicionar al Greco a su llegada a España y hacerle adoptar el resto de su vida cierta discreción en sus exteriorizaciones, como exigía el puritanismo de Toledo, ciudad famosa por los autos de fe celebrados por el Santo Tribunal de la Inquisición a judíos, moros y sodomitas.


Cumpliendo un año de su estancia en Toledo, tiene un hijo con Dª Gerónima de las Cuevas,mujer misteriosa de la que se han escrito infinidad de teorías sobre su muerte y condición. En un estudio que publica Julio Porres, basado en el censo por Parroquias en el Toledo de 1561, descubre entre los habitantes de la calle de Azacanes a una «Jirónima cuebas», único vecino llamado así entre los once mil y pico que censaron. Aventurando este autor la siguiente e interesante relación: «El barrio de la Antequeruela no tenía muy buena fama entonces, pues muy cerca de la calle Empedrada, próxima esta a la de Azacanes, registra el censo a «Polonia cortesana» y a «dos vecinas cortesanas», y en el mismo barrio estableció la mancebía pública, junto a la muralla, el corregidor Gutiérrez Tello, antes de 1576, quienes sus razones tendría para ello». Cuando nace su hijo, el Greco tiene 37 años y permanece soltero, no conociéndosele otra relación amorosa que la mantenida con una mujer de origen incierto (ya hemos visto como el barrio donde residía no tenía muy buena reputación). Su familia, los Cuevas, eran de origen moriscos, afirma José Gómez Menor, o judíos conversos según otros autores y, en cualquier caso, con la cual, de no haber fallecido, posiblemente nunca se hubiera casado. Diversos estudiosos del personaje, justifican su muerte tras el parto o en fechas muy cercanas a él. Muy bien pudo este hijo conciliar al Greco con la estricta e intransigente sociedad católica de aquella época.

Gregorio Marañón en su obra «El Greco y Toledo», resalta el aspecto intersexual de los desnudos pintados por el Greco. Desnudos oníricos en los que es difícil diferenciar si son de mujer o de hombre, casi siempre masculinos, de no caracterizarles el gesto más que la forma. «…y que subsisten a lo largo de su obra, con sospechosa obsesión». Se detiene a considerar, este autor, el «sentido intersexual» de los diferentes desnudos y continúa: «Hay que consignar que estos desnudos intersexuales, que aparecen en los sueños de muchos hombres jóvenes o maduros, corresponden a una persistencia de vivencias prepuberales en las que el sexo está aún indeterminado». Con una llamada fuera de texto, explica Marañón: «Me apresuro a aclarar que estos desnudos intersexuales nada presuponen respecto a la normalidad sexual de El Greco; y lo digo porque Somerset Maugham, un tanto ligeramente, sugiere que el gran pintor fuera lo que en su tiempo llamaba el mujeriego Lope de Vega «un traidor a la Naturaleza», es decir, un sodomita.» Efectivamente, los ángeles del Greco, según su definición, son bellos jóvenes a los que se les puede asignar ambos sexos.

Somerset Maugham en su libro Don Fernando, dedica un extenso capítulo al Greco y su época, en el que dice: «No hace mucho tiempo leí la sugestión, hecha con espíritu mezquino, de que el Greco era homosexual. He considerado que valía la pena meditar este punto. Por lo que respecta a la obra de un artista, carece en absoluto de importancia enterarse de su vida sexual.» Para continuar más adelante: «Ahora bien, no puedo dejar de preguntarme si lo que veo de fantasía torturada y de siniestra extravagancia en la obra del Greco, no puede ser debido a una anormalidad sexual como ésta.»

Hemingway, en una personal apreciación de que el Greco pintaba figuras con rasgos y formas andróginas, en su libro «Death in de aftenoon», con su acostumbrada insolencia le tacha, groseramente, de homosexual.

Jean Cocteau, desde su manifiesta condición de invertido, habla de las implicaciones homoeróticas de los retablos del Greco, resaltando lo que hoy entenderíamos de tipo homosexual.

Decía Freud: «Una posible dualidad de sexo enriquece a los artistas capacitándoles, en mayor medida, de sensibilidad para captar y expresar la belleza». Nadie como el Greco ha sabido utilizar las manos de sus figuras, haciéndolas protagonistas de la elocuencia, unas veces, o convirtiéndolas en motivos ornamentales, otras, como poéticas metáforas.

Y para terminar, lo que es incuestionable y todos los autores coinciden, es en el gran cariño que el Greco profesó a su hijo Jorge Manuel, de quien no se separó durante toda su vida, cuidándole y protegiéndole con la mayor ternura y cuidados, para suplir a la madre que nunca tuvo. Casado Jorge Manuel, siguió viviendo en la casa de su padre. Le dieron un nieto, Gabriel, que proporcionó al Greco una gran felicidad y consuelo en su vejez, y al final de su vida murió en los brazos de su hijo. Solamente un espíritu tan singular, único y sublime, pudo pintar esa obra maravillosa e imperecedera que Dominico Teotocópuli Greco, nos dejó."

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A condição humana, a kalolagatia e o biologismo


 Resultado de imagem para biologismo


Não somos negacionistas.

Longe de nós negar o papel e a importância da Ciência no tempo presente.

Não somos pós modernistas e tampouco Humeanos ou Kantianos...

Não colocamos em dúvida a capacidade de aparelho cognitivo humano para conhecer.

Não negamos peremptoriamente as informações que nos são fornecidas pelos sentidos e processadas pela razão.

Não questionamos a 'empiria', os fatos verificados ou as leis formuladas.

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Em nossa visão de mundo há espaço para a ciência.

Não somos reducionistas, ideólogos, arbitrários e fanáticos.

Como aqueles que tentam transplantar suas concepções metafísicas, desonestamente, para o campo da ciência, ocultando-as sob o nome de teorias.

Grande é a confusão existente entre os termos ciência, hipótese, fato/dado, lei e teoria; e resulta de um cabal desconhecimento por parte dos maravilhosos cientistas contemporâneos a respeito do que seja gnoseologia. De modo geral podemos dizer que raro é o cientista renomado que, a exemplo de Sagan, tenha lido Platão, Aristóteles, Homero, Seneca, Cícero, Virgílio ou Ovídeo; e isto já diz muita coisa a respeito deles i é dos cientistas contemporâneos e de sua concepção de homem e mundo.

Há um conflito subjacente entre toda esta tradição positivista e anti metafísica, cujas raízes chegam a Kant e Hume, os quais de modo algum eram cientistas, ou a D Holbach, Helvetius, La Metrie e outros, os quais tampouco eram cientistas, e nossas fontes culturais chantadas na Grécia Antiga, i é na tradição humanista de Sócrates, Platão e Aristóteles; o choque é evidente e sequer precisamos falar em Jesus Cristo ou Catolicismo. Nietzsche e Ayn Rand com razão e lucidez já traçaram brilhante paralelo entre o homem de Jerusalém e o homem de Atenas, classificando a ambos como charlataẽs ou mistificadores.

Há séculos atrevidos tem se lançado contra o Cristo, aquele que disse: Aquilo que desejais que vos seja feito, fazei aos outros. Aqui os fundamentos da alteridade, da empatia e do altruísmo, valores sobre os quais temos tentado construir ou arquitetar uma civilização humana ou humanista. Sócrates não pensava doutro modo e menos ainda Platão... Aqui a linguagem é una.

Jesus no entanto, verdade seja dita, estava inserido numa cultura bárbara e mitológica que bem pouco tem a ver com nossas raízes, e destarte manifestava-se precariamente, segundo o aparelho linguístico conceitual de que dispunha. Teve que dialogar com religiosos fanáticos e que assimilar parte daquela cultura primitiva. Fácil pinta-lo com um bárbaro ingênuo ou rabino prosaico.

Arremeter contra Sócrates e sua escola, é mais problemático, em todos os sentidos. Afinal ele e seus continuadores estavam inseridos numa cultura exuberante, além de serem pioneiros quanto a construção de um aparato conceitual adequado não apenas a Filosofia, mas a Teologia antiga e a própria ciência. Ciência que os gregos também produziram com Estraton de Saloniki, Dikaiarkos de Messina, Eratóstenes, Aristarco de Samos, Pitagoras, Tales, Anaximandro, Arquimedes e outros tantos gênios...

Poucos tem a ousadia de um Nietzsche... Ou melhor sua honestidade e coerência.

E por isso mantém um culto falso a aparente aos gênios que lançaram os fundamentos da civilização Ocidental, os quais na verdade encaram como patetas, ingênuos, estúpidos, idiotas, toscos, rudes, primitivos, grosseiros, etc Aqui colocamos em prática a curiosa Filosofia do 'Como se'', um artificio do engano bem a gosto dos darwinistas. Nos comportamos 'como se' respeitássemos a Sócrates e seus sucessores, enquanto nutrimos um imenso desprezo por eles. Não, nos não levamos os antigos pensadores a sérios e desdenhamos dialogar com eles, julgando ser pioneiros nos domínios do ṕensamento e ter começado a pensar a partir de Hume, kant, Comte ou Darwin, os magos da modernidade.

Antes era tudo trevas, e depois se fez a luz...

Claro que essa ambivalência - remonto a outro mago, este dos bons > Freud - toda só poderia gerar mal estar e crise. E desde 1800 estamos em crise... Enquanto o islã nos ronda com seu corão, sharia e shahada... E por que estamos em crise? Uma casa uma se mantém de pé sem seus alicerces ou fundamentos... removidos estes toda construção vem abaixo. Com a sociedade ou a cultura não  sucede de outra forma - determinada forma de civilização tem seus determinados fundamentos dos quais parte sob os quais se assenta, aqui não há dissonância entre Weber, Spengler, Huizinga, Toynbee, Dawson ou Butterfield.

Mas que os físicos, químicos, biólogos... sabem ou querem saber sobre cultura??? A cultura se lhes parece irrelevante. Desdenham dela e de seus estudiosos... Conhecem átomos, partículas, células, genes... E acham que conhecem ou sabem tudo, todos os segredos do universo ou ao menos tudo quanto seja possível saber. Mas eles não tem sabido lidar com esta crise ou salvar nossa civilização...

De fato em meados do séculos XIX os demolidores da Religião e Filosofia, i é os estados teológicos e metafísico do sr Comte - não menos do que o desmoralizado Marx - acenaram com um paraíso sobre a terra e com uma nova civilização arrojada e vanguardista cuja porta ou via de acesso seria a ciência. Ciência que diversos homens cultivaram com um fervor místico, quase religioso. E se Mircea Eliade e Arendt puderam ver acento de religiosidade no comunismo, no nazismo, no fascismo, etc como não ve-lo no cientificismo positivista, essa escatologia cristã secularizada no dizer de Greyling...

Tal e qual Dawkins, seus ancestrais ideológicos: Mill e sobretudo Herbert Spencer - O filósofo portátil de Darwin que ignorava supinamente o papel das mutações no processo evolutivo - acenaram com uma nova ética, muito superior a cristão e mesmo a socrática... E tudo que resultou deste dicruso falacioso e vão foi, pasmem - INDIVIDUALISMO/EGOÍSMO e UTILITARISMO (apesar dos ingentes esforços de Mill ou qual pretendeu cristianizar o utilitarismo, concedendo-lhe um caráter social ou coletivo). Aqui H Spencer, em nome de Darwin deu as mãos da Nietzsche e a Ayn Rand, de um lado  - a arqueologia das ideias o demonstra claramente - surgiu a Hidra nazista e do outro o monstro ancap.

Pois se trata duma 'ética' absolutamente relativista e portanto subserviente já ao estado, já ao capital...

Alias a 'ciência' que se diz positiva ou materialista, atendo-se apenas a fatos dados, menospreza aquilo que chamamos de ideal e que corresponde a medula da ética essencialista e objetiva. Como não há sentido não pode haver ideal propriamente dito. A tendência do cientificista, como a do velho Pirro de Elis, é conformar-se com a realidade seja ela como for... E conformar-se com certas realidades sejam políticas, religiosas ou econômicas é trair o que há de melhor em nós mesmos...

Materialismo, positivismo, utilitarismo e individualismo jamais produziram crítica ou consciência social. Daí terem construído laços orgânicos ou afinidades eletivas com capitalismo, nazismo, fascismo e outras culturas de morte a que prestaram serviço. O fim de tudo isto não é uma simples crise, é o fim inglório da civilização.

Afinal eliminada a ética DA PESSOA ou a ética HUMANISTA, restou-nos apenas a técnica, filha da ciência. A ciência, que é um valor em si mesmo, deu-nos a técnica, cujo fim é definido pelo homem. Assim o fruto da ciência recebe sua determinação a partir do homem, de um homem que bem pode furtar-se a ética... Afinal a ética não é e jamais poderá vir a ser fruto da ciência. A ciência jamais nos deu Ética. Uma bananeira também não nos dá laranjas...

Não é novidade. Sócrates já o havia predito e vaticinado que o conhecimento do universo desvinculado do conhecimento de si e do auto domínio poderia constituir uma calamidade para os seres humanos. Afinal, ciência não produz consciência. Mas o uso da técnica pelo homem demanda produção de consciência ética. O homem partiu o átomo e conheceu a potência da força. Poderia, caso tivesse ética ou consciência, ter empregado essa força, desde logo como fonte de energia ou combustível, mas... a primeira coisa que fez foi coloca-la uma ogiva, fabricar uma bomba e lança-la sobre duas cidades e aniquilar, a uma só vez, dezenas de milhares de cívis inocentes. Aqui os cientistas não só obedeceram passivamente como praticamente não fizeram qualquer crítica ao uso feito com aquilo que inventaram. Conformaram-se prosaicamente com a 'realidade dada'... demonstrando cabalmente como entre produção científica e consciência vai um abismo.

Claro que os cientistas não levam nada disto a sério, porque suas esposas, mães e filhos estão bem protegidos do lado de cá - Seria diferente caso tais bombas de destruição maciça estourassem sobre suas cabeças do lado de cá... Ai principiariam a pensar e colocar-se no lugar do outro. Enquanto estão bem nutridos e seguros...

Digo mais - raramente tem os cientistas contestado o desfrute da técnica que produzem pelo poder econômico ou pelo capital. Limitam-se a receber estipêndios as vezes bastante módicos enquanto suas descobertas, ao menos a princípio, são vendidas aos milionários que podem pagar por elas a peso de ouro. Enquanto ao cabo de gerações multidões de seres humanos miseráveis e humildes simplesmente tem o acesso a tais bens pura e simplesmente negado por uma realidade para a qual o nosso heroico cientista esta pouco se lichando. Quiça porque concentrando-se em células e genes perdeu toda noção do que seja humano...

Satisfaço-me com o afirmar que centenas de intelectuais - Psicólogos, Sociólogos, Antropólogos, Filósofos, Biólogos (Lewontin e Jay Gould) e até mesmo matemáticos como A N Whitehead - relacionaram a crise civilizacional porque passamos com o controle de uma técnica refinada por homens vulgares, oportunistas, interesseiros e sem consciência. A técnica é neutra, depende sempre do técnico... Técnicos maus ou alheios a uma ética humanista utilizar-se-ão dela para produzir um inferno de sofrimento e dor sobre a terra. E de fato o fruto da ciência que nos conduziria ao sétimo céu tem sido, ainda e cada vez mais, usado com o objetivo de alimentar guerras, extinguir animais e vegetais, poluir a terra nossa mãe, e por fim, encaminhar-nos a extinção.

Sim, o homem sem consciência na posse de uma técnica arrojada posta em suas mãos por uma ciência acrítica e sem ideais pode dar fim a si mesmo, pode perpetrar suicídio coletivo, pode riscar-se do mapa. De modo que o fruto bendito da ciência, sem consciência ética, converte-se em maldição da mesma maneira que tudo ao ser tocado por Midas convertia-se em ouro.

Ciência sem consciência não é solução de coisa alguma, é problema seríssimo, é flagelo da civilização e do gênero humano. Se o exato, o material, ou somático, o biológico perde noção do humano...

Os físicos, químicos e biologistas; presos de um simplismo que beira o ridículo, é que mutilam da realidade e reduzem o fenômeno humano a condição de felinos, moluscos, répteis, elementos, átomos ou partículas; eliminando o fenômeno da consciência, da racionalidade, da livre vontade e da cultura e é claro que isto é uma profanação efetivada por considerações de ordem ideológica. Evidente que o homem seja tudo isto e que transcenda ao mesmo tempo tudo isto tendo em vista as singulares habilidades de que é objeto.

No homem associam-se fenômenos de ordem diversa - Físico/químicos, biológicos, psíquicos, sociais, culturais, políticos, religiosos, etc numa escala de complexidade ascendente os quais de modo algum permanecem presos aos substratos que lhes serviram de suporte. De modo que não é a mente prisioneira ou escrava do cérebro, como não é a cultura prisioneira da mente, e assim sucessivamente. São áreas ou domínios da existência conectados a um todo demasiado complexo para ser definido, já o digo, não em termos de evolução das espécies, mas em termos de seleção natural, de substâncias ou átomos julgando que isto tudo explica e que nada resta a ser compreendido.

Os antigos gregos tinham uma ideia unitária ou orgânica de nossa condição. Não sabiam nem podiam conceber que facas haviam sido enfeitadas com desenhos a quarenta mil anos atrás ou que os textos das pirâmides propunham diversas questões éticas em torno do bem e do mal. E no entanto conceberam a Kalokagatia, que é uma visão não apenas da verdade fria e teórica tão a gosto de nossos ocidentais, mas de uma verdade sempre em eterna comunhão com o bem e a beleza. Foram os primeiros a refletir detidamente sobre as estâncias ética e estética da existência, e isto foi um marco em termos de civilização.

Os gregos conheceram o homem como um todo, examinando os recônditos de sua natureza ou condição, como apenas S Freud ousaria fazer após eles.

Desde Hume e Kant, crias de uma antropologia protestante e magos da modernidade, temos marginalizado a religião - mesmo após os estudos de Weber, Dawson e Butterfield - descartado a estética, e com Litreé, sucessor de Comte, repudiado a Ética. A bem da verdade, Comte, bastante influenciado (a exemplo de seu mestre ou Visconde de Rouvray) pelo Catolicismo, aspirava incoerentemente, por uma vida ética. Litreé no entanto sacando escolasticamente as conclusões, julgou que a ciência seria capaz de substitui-la. Claro que viveu antes das duas grandes guerras mundiais, as quais serviram-se abundantemente da maravilhosa técnica produzida pela ciência positiva, para juncar o velho continente de cadáveres e ruínas...

Apesar disto os homens de ciência como todos os paladinos das culturas de morte continuaram apresentando supostas verdades separadas do Bem e da Beleza, assim magníficas verdades Más e Feiosas... Claro que o incoerente, o leviano, o superficial... jamais chega ao fundo de tudo isto. Pois se acaso removesse o purpurino véu que vela a divindade, não é com uma áspide que depararia a exemplo de Luciano, mas com a total perda de sentido ou com o nihilismo. Talvez disto resultasse uma onda de suicídios e uma purificação. Afinal quem não vive para servir...

Tal a gênese dos reducionismos físico químicos, dos biologismos, dos sociologismos, dos economicismos e porque não dizer dos psicologismos com seu idealismo tosco... Todas sem exceção visões sectárias, mutiladas, fragmentárias, sectárias e toscas do fenômenos humano. E conflitam esses radicalismos uns com os outros enquanto o islamismo e o pentecostalismo fazem progressos!

Os negadores aqui são os biologistas porta vozes - quero crer inconscientes - da ideologia materialista. Eles é que pretendem sair de seus campos, criar metafísicas ou teorias fantasiosas e converter, eis a pretensão, as áreas autônomas da Psicologia e da Sociologia em domínios seus. Raro o psicologo - idealista - a ponto de negar a influência significativa dos genes, células ou organismo sobre a mente ou a consciência. A Psicologia realista não desconsidera o corpo ou o cérebro. A seita behaviorista, ponta de lança da ideologia materialista ou kantiana, é que pretende negar a mente ou coloca-la fora do acesso da pesquisa. Diga-se o mesmo sobre a Sociologia realista, como a weberiana, que considerando o homem e sua ação não pode deixar de considerar sua dimensão corporal.

Psicólogos e Sociólogos não negam a existência de agregados persistentes em termos de Corpo humano nas dimensões mental e social, O QUE TODOS ELES NEGAM é que tais agregados sejam determinantes no sentido de que nada haja de propriamente psicológico/mental ou de social no homem. Ficando tudo reduzido a Biologia passando a Psicologia e a Sociologia e constituir províncias ou ramos seus, o que é absurdo. Psicologia e Sociologia são ciências distintas com objeto próprio distintos da Psicologia e irredutíveis a uma esquema de darwinismo mutilado. Afinal se os genes determinam o comportamento humano e por ext o convívio social nada temos além de Biologia... Fácil é compreender porque a defecção materialista do behaviorismo foi de pronto dominada pelo neo darwinismo com sua metafísica tomada ao Dr Dawkins... e devemos compreende-lo em termos de uma colonização ideológica.

Respeita-mos a contribuição de Darwin, completada mais tarde por Weismann, De Vries e Batenson, quanto a evolução dos seres vivos. Não negamos seu valor no âmbito da TEORIA SINTÉTICA. Mas temos nossos próprios referenciais teóricos em Fechner, Wundt e Freud ou - quanto a Sociologia - em Weber e não precisamos fazer quaisquer petições a escolástica biologias, mecanicista e determinista do sr Dawkins o qual em Psicologia e Sociologia nada é. Darwinismo social foi, é e continuará sendo sempre construção puramente ideológica que nada tem de objetiva ou científica, e não importam as tintas com que Hamilton, Wilson ou Dawkins venham caia-la.

As insopitáveis pretensões que reduzem e empobrecem o fenômeno humano partem da Biologia, cujos flâmines ou sacerdotes, recusam-se a reconhecer que haja no homem alguma coisa a mais do que o propriamente biológico ou de caracteristicamente humano; enfim que este homo seja sapiens no pleno sentido do termo ou que este animal seja racional como foi proposto por um insigne pensador, ainda grego, há vinte e quatro século passados...

Sim nós aspiramos pela verdade. Mas por uma verdade que nos ofereça explicações estéticas sobre a dimensão da arte, critérios essencial e objetivos em termos de ética, explicações sobre a espiritualidade humana, compreensão sobre a natureza da cultura... Uma verdade que atinja as dimensões da ética, da estética, da religiosidade, da cultura, etc Uma verdade que abarque todos os setores da realidade humana ao invés de mutila-la arbitrariamente apresentando-a como uma sopa ou coquetel de genes. O homem conhece a si mesmo pela introspecção, como já dizia Descartes e sabe por experiência imediata e incontestável ser livre e não controlado por qualquer força ou poder superior a sua consciência.

Ps - Quando aos métodos científicos não nos importamos nem um pouco com as críticas arbitrárias formuladas pelos adeptos da ideologia positivista, já nem direi Fayerabend, mas Dilthey, autor do modelo da compreensibilidade, morreu faz tempo. Assim as ciências psicológicas, sociais, históricas e humanas de modo geral possuem método próprio conforme a especificidade de seus objetos. Não são obrigadas a professar os métodos físico, químico ou biológico, com balanças, réguas, provetas, tubos de ensaio, bisturi, etc uma vez que os fenômenos que analisam não são necessariamente materiais. Tampouco precisam prever qualquer evento futuro com absoluta exatidão em domínios exercidos pela pluricausalidade, inclusive pelo libre arbítrio ou a consciência. E não nutrimos qualquer complexo de inferioridade quanto a isto.