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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

R Dawkins - Cientista ou metafísico??? Considerações sobre a 'filosofia' biológica do sr Dawkins

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Passamos por tempos difíceis e sombrios.



Tempos em que as pessoas, mesmo as supostamente cultas e emancipadas, limitam-se a repetir e reproduzir o que leem.

Tempos em que a criticidade corre sérios riscos.

Tempos em que obras supostamente científicas angariam tantos admiradores passionais quanto o Corão ou a Torá...

Jamais o 'argumento da autoridade' foi tão criticado e ao mesmo tempo posto em prática sem maiores cerimônias.

E se a um lado os toscos costumam gritar - Moisés, Davi, Salomão, Jeremias, Paulo, Maomé... a outro há quem grite com não menos entusiasmo - Darwin, Wilson, Dawkins...

Antes que pare de ler este ensaio insisto que minha comparação é absolutamente justa e válida. Pois se a um lado temos uma série de escritores mitológicos, atrelados a um padrão de pensamento fetichista a outro temos um grupo de homens oferecendo ilações metafísicas como se fossem constatações científicas, e isto é assombroso, é alarmante, é devastador.

A cerca de duzentos anos o Alemão I Kant veio a baila - alias, seguindo os rastros de D Hume - contra a metafísica teísta do monge dominicano Tomás de Aquino, argumentando que toda metafísica otimista com relação aos sentidos e a mente, era especiosa, frívola e vã. Desde então a metafísica passou a ser encarada como algo fantasioso ou como fruto de nossa imaginação.

Curioso que até então metafísica e filosofia fossem sinônimos, não só entre os teutônicos, mas até mesmo entre nos franceses. O mundo kantiano é que buscou distinguir ambos os conceitos, 'criar' determinadas áreas da Filosofia - Ética, Estética e Epistemologia - circunscrever a metafísica e identifica-la com a assim chamada Teodicéia. Foi todo um processo capcioso de ressignificação levado a cabo por criticistas e positivistas, se bem que Litreé e alguns outros jamais disfarçassem seu desprezo pela Filosofia como um todo. Afinal toda Filosofia é metafisica, especulativa e não empírica.

Isto vale sobremodo para a Epistemologia, alias campo bastante explorado por I Kant. O problema do conhecimento é e sempre será teórico, imaterial e especulativo; jamais empírico. Tudo questão de evidências e de argumentos. Como posso saber empiricamente que posso saber, que estou certo e tenho acesso a Verdade? A crítica aqui transcende aos fato e ultrapassa os domínios da materialidade pura.

Pela sensação temos acesso a fatos. Os fatos no entanto ai estão mudos e calados e nada dizem a respeito de si mesmos ou de sua realidade mais íntima. Para tanto devemos especular ou raciocinar. Assim a Ética e a Estética tratam de princípios e valores que igualmente fogem a materialidade pura, embora nela se realizem ou encontrem sua expressão. Mas os princípios e valores não são fatos.

Houve no entanto um projeto pós kantiano ou positivista, abortado, cujo objetivo era aniquilar a Filosofia como um todo, e descartar a reflexão ética, estética e mesmo epistemológica como fútil. Felizmente nossa herança grega, ao menos em parte prevaleceu, a Teodicéia - elaborada pelo brilhante Estagirita e não pelo monge Cristão Aquino - foi remetida ao tártaro (para a alegria dos agnósticos e mesmo dos ateus que aspiravam afirmar-se ) e as demais partes conservadas.

Acontece que a mesma metafísica ou vício racionalista da especulação, expulsa pomposamente pela porta, tornou a penetrar em nosso mundinho pela janela.

Explico -

Perceba amigo leitor que o primeira questão em termos de epistemologia e que diz respeito a realidade do mundo externo ou a ciência se dá em termos de percepção, isto é, de nossos sentidos, de cuja validade I Kant duvida. Como diz Heisenberg não podemos conhecer a realidade em si mesma, e nossa querida ciência não passa duma casca, de algo superficial enfim. Ao cerne ou tutano não temos acesso... Pois todo fenômeno percebido, segundo o mesmo físico, contém a própria imagem do homem. Antropomorfizamos a realidade externa a nós ou distorce-mo-la ao invés de capta-la. Eis a ciência que eles, kantianos e pós modernos nos oferecem! E é como dissemos um problema empírico, relativo a credibilidade da experiência e valor dos sentidos.

Outro é o enfoque posto a metafisica ou a especulação racional pelos kantianos. Aqui a razão converte-se em imaginação ou fantasia, e é claro que imaginamos o que mais nos agada. Triste sina do homem - para qualquer direção que se volte encontra apenas a si mesmo e nada mais... A realidade externa do mundo ou sua origem e seu fim sempre lhe escapam...

E no entanto nossos biólogos e cientistas dão largas a razão compondo as mais sofisticadas teorias, tão distante dos fatos e leis quanto a terra do sol.

Claro que o positivismo - que fez dos fatos e das leis seu carro chefe - apercebeu-se disto há muito tempo. Popper não hesitou em classificar o evolucionismo como metafísico - assim a psicanalise - e não como científico. Caso tenha se expressado mal e visado certas correntes darwinistas não errou o tiro, acertou em cheio. Temos que conceder que os pretensos sucessores de Darwin tem ultrapassado bastante os limites não apenas da simples empírica mas da própria racionalidade, elaborando uma autêntica escolástica genética, cuja 'Summa' é o 'Gene egoísta'...

Tal o 'opus magnum' do Dr Dawkins, o qual a mídia desmiolada tem apresentado a opinião pública como mais valioso do que 'A origem das espécies' de Darwin, os 'Principia..' de Newton, as 'Revolutionibus' de Copérnico, e as obras de Galileu e Kepler!!! Isso mesmo caríssimo leitor, numa só talagada o Dr Dawkins envia Darwin, Newton, Copérnico, Galileu e Kepler ao purgatório do intelecto, e ascende triunfante ao empíreo. E no entanto Copérnico e Darwin tinha os pés bem mais próximos do chão... Estes deixaram-se induzir pelos fenômenos. Dawkins salta de dedução em dedução, como perfeito escolástico ou metafísico. A única diferença aqui é que Aristóteles e Tomás não batizaram suas especulações, tanto mais eruditas e profundas com o pomposo termo de 'teoria'...

Aristóteles, Tomás e todos os outros, especulam e são classificados como metafísicos desprezíveis e delirantes... Dawkins não especula com menos fervor, e o dizem 'cientista' ou papa do cientificismo. E ele vende os exercícios de sua 'razão pura' como ciência... Lá do fundo de suas frias tumbas os manes dos positivistas gritam - Fatos! Leis e até mesmo a ralé criacionista com eles... Tal o atrevimento dos novos metafísicos que pretendem monopolizar o uso da razão em nome da ciência e produzir 'teorias'.

Mas como é que as pessoas, a gente emancipada, os cientistas, etc não percebem nada disto???

Porque são burros amigo, leitor, porque são burros...

Porque no tempo presente pouquíssimas pessoas conhecem a Filosofia a fundo.

Porque raros são aqueles que estudam Gnoseologia.

E que tem deduzido o Dr Dawkins?

Um é o traço comum entre todas as culturas de morte - Comunismo, Nazismo, Positivismo, Behaviorismo, Biologismo... a saber, a negação do Livre arbítrio ou da liberdade humana, pressuposto indispensável em termos de responsabilidade e moralidade. É o homem responsável por seus atos apenas porque livre... Isto para nós humanistas, que consideramos o homem integralmente, i é como um todo, sem mutila-lo ou repudiar qualquer aspecto de seu ser.

Para o Comunismo é este homem produto das relações econômicas de produção. Para o nazista produto de uma raça ou etnia. Para o positivista produto da interação social ou da cultura, assim para Sniker e os behavioristas, traidores da Psicologia. Assim para E O Wilson e assim para outro 'neo darwinista' S Pinker. Uma coisa é absolutamente certa, o homem julga ser livre, porém de modo algum o é.

Então qual a novidade de Dawkins?

(E há uma novidade...)

A Novidade de Dawkins consiste em declarar que somos máquinas vivas programadas pelos genes com o objetivo de perpetua-los. Isso mesmo bestificado leitor... Tanto eu quanto você imaginamos ser livres quando na verdade somos controlados por nossos genes com o objetivo de nos reproduzirmos, e velar por nossa descendência. Não menos que a esponja, somos um agregado de células, uma colônia ambulante dirigida por elas. E tal caráter é o que explica todos os atos de abnegação ou altruísmo por meio dos quais os pais e avós expõem-se a diversos tipos de sofrimentos ou mesmo a morte com o objetivo de garantir a sobrevivência dos filhos e netos... Ainda aqui nada mais que a natureza assegurando a continuidade dos genes.

Claro que Dawkins não explica nem pode explicar os inúmeros exemplos de altruísmo elencados por Kropotkin no 'Auxílio mútuo' e que dizem respeito a indivíduos sem qualquer ligação genética direta com os beneficiados pelo 'ato' ou de espécies diferentes senão rivais. Os quais Dawkins e seus pares dão por duvidosos. Negam assim aprioristicamente quaisquer fatos que não se enquadrem em sua teoria ou que pareçam contraria-la, falseando a realidade. Como sói fazer qualquer outra ideologia.

Nem preciso dizer que um tal tipo de visão essencialmente biologista, darwinista, genética e egoísta de mundo tem especial repugnância pela forma religiosa segundo a qual um celibatário teria dado sua própria vida com o objetivo de beneficiar todos os seres humanos, morrendo em nome de seus ensinamentos Éticos. Claro que a ideia segundo a qual alguém possa morrer para demonstrar seu amor pela humanidade só poderia exasperar os teóricos do egoísmo genético... Há mais de século os cientificistas ou biologistas, concluíram a luz do darwinismo - a nova panacéia ou teriaga universal - não apenas que o altruísmo é 'impossível' mas que, e E O Wilson e Pinker não cessam de dize-lo - Que a mentira, a falsidade, o erro ou o auto engano são fatores demasiado importantes do ponto de vista evolutivo....

E o Dr Dawkins ainda pretende construir um novo padrão de ética, descente, correto, honesto, etc a partir de seu ateísmo biologista ou melhor neo darwinista! O qual converte ou transforma a mentira numa vantagem evolutiva!!! Que elimina o fator do livre arbítrio... fundamento insubstituível de nossa vida ética ou da responsabilidade. Que menospreza a racionalidade humana. Que na contramão de Popper, Eccles e Penfield ignora por completo o papel da mente e que, ignorando a advertência de Asheley Montagu, desconsidera o fator crucial da cultura no desenvolvimento deste animal racional que é o homeo sapiens.

Para o reducionista Dawkins tudo quanto existe são células, cromossomos e sobretudo genes onipotentes, controladores e egoístas. Os genes nos controlam como marionetes ou como bonequinhos enquanto nós, idiotas, imaginamos decidir nossos destinos e acreditamos ser livres. Mas que... tudo quanto existe é uma farsa muito bem encenada por nosso próprio material genético, do qual somos servidores ou escravos. Basta substituir as estrelas pelos genes... O mecanismo é o mesmo - Nosso destino esta traçado pela mínima parte de nossa parte, e essa mínima parte é egoísta, 'pensando' apenas em reproduzir-se!

Nada de cultural, nada de racional, nada de psicológico, nada de livre... És leitor uma máquina conduzida ou movida por teus genes e nada mais... E teu sentido, objetivo ou propósito é servir ao egoísmo de teus genes. Tal o ensinamento do sr Dawkins... E ele o ensina bastante seriamente.

Agora como pode o teu gene dispor de ti ou do corpo para um determinado fim, que é a replicação de si sem ter intencionalidade??? Se teu gene é egoísta é porque deseja replicar-se ou manter-se a fina força em sua descendência... Portanto que não percebe que por meio desta bela teoria o sr Dawkins transfere o poder decisório, a liberdade, o sentido, a intencionalidade, a definição de uma direção ou sentido ao gene??? Que transfere o que é mais caracteristicamente humano ao celular ou genético??? Não decidimos nada. Porque o 'gene egoísta' decidiu replicar-se ou reproduzir-se... Agora como poderia uma célula ou um gene, irracional e isento de vontade livre, ter qualquer tipi de intenção??? Como poderia um gene traçar uma meta, a si e ao corpo ou conceber uma determinado plano???

Dawkins como qualquer biologista tosco, declarara arbitrariamente que tais questões não se colocam, mas não se colocam apenas porque ele, Dawkins, não quer, e sobretudo porque não pode responde-las e tampouco admitir que haja 'intencionalidade' nos genes. Afinal de contas intencionalidade supõem conhecimento de causa e fim, i é racionalidade, e por fim impulso decisório tendo em vista uma direção uniforme - No caso a replicação ou continuidade e tudo quanto seja necessário para garanti-la! Se não pensamentos o gene pensa por nós e nossas ações são reflexos dos 'genes'... E quem não percebe que toda esta escolástica biológica e cientificista é absolutamente monstruosa???

E invadiu a Psicologia essa monstruosidade 'ideológica'!!! Claro que por meio do behaviorismo, esse apêndice do positivismo e do materialismo, enquistado na ciência destinada a conhecer, analisar e estudar o fenômeno da mente ou da consciência. O qual sob os auspício dos 'magos' E O Wilson e especialmente de Pinker, converteu-se em Psicologia evolutiva ou em psicologia, pasme, neo darwinista.

Mas que tem Ch Darwin que a princípio, ao menos, na Origem das espécies pretendeu explicar a origem dos animais superiores ou das entidades corpóreas mais complexas, como o homo sapiens, a partir de uma primeira célula, descrevendo todo este caminho??? Lamentavelmente adiantou-se Darwin, no livro 'A origem do homem...' a explicar a evolução de nossa espécie - o que é algo bem diverso do que explicar o mecanismo evolutivo, até o surgimento do homem ou a aparição da cultura no cenário natural - a partir daquilo que acreditava ser o único fator responsável pela evolução das espécies, a saber, por meio da seleção natural (Alias, ainda um tanto presa ao conceito mais que duvidoso de Malthus.) O que nos levaria a seu 'querido' filósofo Herbert Spencer com sua mística ou metafísica social centrada na seleção das espécies, compreendida como competição, conflito, luta ou guerra entre as espécies a ser resolvida em termos de força bruta apenas...

Toda esta construção parte de um princípio errôneo e conduz ao absurdo, até a aberração. Antes de tudo porque no caso do homem - vou restringir - entra em cena um novo fator, peculiar, que é a cultura, epifenômeno de um aparato intelectual ou racional capaz de alterar toda dinâmica desse fluxo. E como dissemos a Biologia ou melhor dizendo o culto biologista, não esta disposto a conceder absolutamente nada a mente. É indiferente a cultura, a suas fontes, causa ou gênese. É um estudo do homem sem Psicologia verdadeira... E portanto uma mutilação, redução e falsificação da realidade.

O segundo aspecto não menos aberrante é que todas as formas de mística darwinistas ou de darwinismos sociais ou psicológicos fingem ignorar que Charles Darwin não deslindou por completo a verdadeira causa, alias o fator positivo ou chave da Evolução dos seres vivos. Para os charlatães e mistagogos neo darwinistas a 'seleção natural' equivale a uma força mágica que atua sozinha e explica absolutamente tudo... E eles procedem assim justamente porque o grande público ignora supinamente a gênese da teoria científica evolutiva, sintética ou apenas em parte darwinista, não completamente ou inteiramente darwiniana querido leitor... Dawkins e todo seu grupo, atua e reflete como se vivêssemos antes de Weismann, Batenson e De Vries, os quais demonstraram - contra Lamarck, Darwin e sucessores - que a seleção natural nada produz por si mesma. Sim, é a seleção natural um processo estéril, o qual nada produz em absoluto, limitando-se a testar o que é produzido pelas MUTAÇÕES. Aqui o fator positivo do que chamamos evolução dos seres vivos.

A mutação produz e a seleção natural, testa. Isto no caso dos seres vivos não humanos. Porque no caso dos seres humanos, o processo de seleção natural deve contar, necessariamente com os outros fatores que aparecem e entram em jogo, assim a cultura e consequentemente a inteligência, a razão, a vontade livre, a associação, etc Não se podendo mais encarar tal processo apenas a nível de força bruta ou de embate físico tendo em visto a obtenção de alimento em determinadas circunstâncias. Quem não percebe que em nossa evolução entram outros elementos ou forças propriamente humanos???

Apesar de tanta riqueza, com quanta miśeria encontramos no esquema, pobrezinho, dos neo darwinistas com sua luta física por alimentos travada entre máquinas comandadas por genes egoístas... Aqui nada de cultura, nada de razão, de inteligência, de associação e menos ainda de vontade livre... Somos veículos de genes em situação de famélica, os quais lançam-se uns contra os outros aos tabefes ou golpes de clava...

E há gente que leva isto muito a sério e diz ser isto ciência.

Pinker por exemplo, seguindo ao behaviorista Skinner e ampliando seus erros nada quer saber de vontade livre. Para ele o refinado conceito judaico ou greco romano de liberdade é tão absurdo quanto o mito do bom selvagem, a teoria aristotélica da Tábua rasa (empirismo) e a crença estúpida da imortalidade pessoal. Skinner, desertando da Psicologia e fazendo petição a sociologia determinista dos positivistas forneceu o roteiro a Pinker. Este no entanto inclinou-se mais a Biologia. Mestre Dawkins declarou que somos máquinas ou veículos ou estruturas somáticas comandadas por genes egoístas, os quais imprimem-lhe a direção nos termos de Darwin ou Spencer... Pinker acha o máximo e declara sem mais cerimônias que nossos genes individuais trazem em si não só conhecimentos mas determinação. Nossos genes tem certo conteúdo intelectual ou ideológico ao qual não dos podemos furtar. Nossos genes trazem determinações que não podemos mudar e as quais não podemos fugir... Temos aqui uma espécie de inatismo genético, e evidentemente mais uma forma de determinismo, irmã do marxismo, do nazismo e de outros abortos do gênero...

Pinker, segundo a tradição incoerente de Watson e Skinner, insere no domínio da Psicologia, destinado a investigar a mente e a consciência, a teoria neo darwinista do Dr Dawkins. E leva-a a frente, exprime-a e desenvolve-a de modo categórico, chegando as vias de um inatismo platônico de viés materialista... Mas a hipótese ou opinião segundo a qual nossos genes portam qualquer conteúdo intelectual ou que nascemos com qualquer conteúdo intelectual jamais foi demonstrada empiricamente! O máximo até onde podemos avançar, com Chomsky, é que A ESTRUTURA DO CÉREBRO HUMANO, e não os genes, comporta um esquema ou modelo destinado a processar informações (como um programa de computador) assim como a ESTRUTURA GENÉRICA DA LINGUAGEM (A qual é em última análise lógica) sem que no entanto comporte qualquer conteúdo específico ou formal. Temos aqui uma orientação ou conteúdo biológico/somático que reflete com que deve conformar-se o intelecto, e nos o identificaríamos de modo geral com a lógica de Aristóteles ou com o que chamamos raciocínio. Teríamos assim uma estrutura inata, mas isenta de qualquer conteúdo ou vazia em termos de informações.

Já a afirmação oposta, segundo a qual o cérebro ou melhor os genes trazem conteúdo formal ou informação, deve ser demonstrada nos termos científicos. Coisa que Pinker ou qualquer outro ainda não fizeram.

No entanto os genes egoístas do Biólogo inglês e papa dos neo ateístas demandam intencionalidade. Diante disto por que admirar-se quando o amigo Pinker atribui-lhes conteúdo intelectual, como se fossem, céus eternos, genes pensadores... E vão os genes se humanizando ou antropomorfizando enquanto nós, privados de livre arbítrio e de racionalidade efetiva nos valos desumanizando e nos convertendo em joguete de forças cegas como a luta ou a mentira... E evoluindo graças a essas potências sinistras com que fomos brindados pelo acaso, pela sorte ou pelo eterno giro dos átomos... E a partir daí, quer o Dr Dawkins produzir uma ética tão digna e elevada quanto a dos teístas ou deístas! Quer aproximar-se de Sócrates??? Mais! Quer produzir uma nova Ética, tão elevada e nobre quanto a de Buda ou a do Nazareno, que ensinaram o ideal da abnegação... Falta-lhe ler a Ayn Rand!!! E evoluímos graças ao egoísmo e a mentira... E disto saíra uma Ética elevada!!!???

Alguém acredita???

Milhões, e milhões...

Os quais acreditam e repetem.

No entanto o Dr Dawkins e seus pretensiosos parceiros, que agora querem enriquecer a ética com seu biologismo ou darwinismo toscos, verdade seja dita, jamais lograrão ultrapassar os geniais J S Mill, H Spencer, Ayn Rand e Wilson... Isto é aquela coisa maravilhosa chamada darwinismo social, delícias de Adolph Hitler e outros... Jamais ultrapassaram o limiar do que chamamos utilitarismo, e em sua versão individualista ou, permitam-me ser claro e exato, egoísta. Afinal, se os genes são egoístas, como construir ou elaborar uma ética universalmente altruísta fundamentada na abnegação??? Darwin, baseado apenas e tão somente na sua querida 'seleção natural' já proclamou este ideal como utópico...

Se quisermos obter uma ética condizente com o gene egoísta é isto que teremos, sem maiores floreios... E quem desejar ou sonhar com algo maior, mais elevado e digno, oh miséria, terá de recorrer ao velho Sócrates, a Çakia Muni ou ao esfarrapado profeta Galileu, cuja existência buscam impugnar, uma vez que não se coaduna com a nova religião ou mistica ateísta do egoísmo.

Por fim se é cientificista e partidário do sr Dawkins e mesmo assim teve estomago para ler nossas críticas até aqui, ponha seu cérebro para funcionar ou responda para si mesmo que é este tipo de Ética ou de padrão, rasteiro, que deseja para si para seus filhos e netos, mas lembre-se, caso responda afirmativamente fique já sabendo que pessoa alguma - que inspire-se em tais padrões - irá colocar-se em seu lugar ou arriscar-se por você e pelos seus caso venham a precisar...  E sinceramente espero que jamais venha a precisar. Do contrário, tenho absoluta certeza, que um deísta, um socrático, um budista, um católico, um espírita ou um humanista será quem lhe estenderá a mão.

No próximo artigo avançaremos ainda mais e atingiremos um aspecto ainda mais ridículo da ciência ou da teoria de Dawkins, a ideia ou conceito forçado de meme, e muito teremos que refletir. CONTINUA.





quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ainda a alienação - Formas ideais

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Dando continuidade ao elenco de alienações ideais elaborado por nós no artigo anterior, acrescentamos algumas outras formas:

1) O fixismo ou imutabilismo social.

Esta forma de ocultação da realidade consiste em imaginar ou supor que a organização social por nós vivida sempre tenha sido assim em todos os tempos e lugares, ignorando a existência de sociedades não capitalistas tanto no passado como no tempo presente.

Evidentemente que ela decorre de um padrão de pensamento bastante comum entre as pessoas mais simples e desinformadas, as quais sequer podem imaginar o mundo ou a vida sem os objetos e coisas que são próprios do nosso tempo. Daí nossos jovens imaginarem que os celulares ou a Internet sempre existiram. Já os que pertencem a nossa geração tem imensa dificuldade para conceber um mundo sem aviões ou automóveis; mesmo sabendo que o avião foi intentando em 1911 e o automóvel por Benz e Daimler pelos idos de 1889. Nossos bisavós nasceram e viveram um bom tempo sem automóveis e aviões (minhas bisavós nasceram em 1870 e 1875) e nossos ancestrais sem trens ou navios a vapor... E no entanto, como disse, nos comportamos todos como se tais aparelhos sempre tivessem existido.

E pensar que o fósforo, o papel, a sela, a ferradura, o vidro e a escrita... tudo teve de ser inventado. E que antes de terem sido inventados inexistiam. Sem que por isso as pessoas praticassem harakiri ou se suicidassem. Como não nos suicidaremos caso os celulares ou a internet deixem de existir. No caso da Internet sua desaparição constituiria uma tragédia em todos os sentidos, algo equivalente a desaparição da imprensa. Mas mesmo assim a maioria de nós sobreviveria a seu fim, bem como ao da TV, do rádio e da própria imprensa. A cultura declinaria certamente e passaria por maus bocados, mas não morreríamos por isto... Tempo houve em que os homens viveram ser arado, torno e roda. Como nossos ancestrais mais remotos haviam sobrevivido sem cerâmica, cabanas, roupas ou mesmo o fogo. Afinal tudo começou com uns toscos implementos de osso e madeira e em seguida de pedra lascada há alguns milhões de anos.

Também as formas de organização social precisaram ser reinventadas ou reformuladas em diversas ocasiões. A própria estrutura familiar conheceu o matriarcado, a poliandria, a poligamia, o patriarcado, a dissolubilidade, etc até chegar a constituir-se no Ocidente, por influência do judaísmo farisaico em algo como patriarcal, monogâmico e indissolúvel. Diversas civilizações e culturas no entanto jamais assumiram semelhante forma, assim entre os muçulmanos prevalece a poligamia até o tempo presente.

Diga-se o mesmo quanto a produção e distribuição de bens. Nada mais absurdo do que supor que sempre vigorou a doutrina do livre mercado. A qual principiou a impor-se no Norte da Europa Ocidental após o fim da Idade Média, espalhando-se paulatinamente por todo este continente ao cabo do século XIX, afirmando-se nos EUNA (os EUA) no final do mesmo século e a partir do século XX alastrando-se pelo mundo inteiro. Antes que esta nova ordem desse os primeiros passos pelos idos do século XVI ou XVII vigorava naquele mesmo cenário e por quase toda Europa (França, Alemanha e parte da Itália) a Ordem feudal ou estamental. Do mesmo modo como ainda hoje existem pelo mundo diversas culturas que jamais atingiram algo parecido com a ordem feudal, quanto mais a ordem liberal economicista...organizando-se economicamente doutro modo.

Os paladinos e apologistas do sistema capitalista classificarão muito facilmente todas estas culturas, sociedades e civilizações tal e qual classificam a Idade Média, como algo precipuamente atrasado ou como um palheiro de trevas... E no entanto qualquer aborígene poderia responder-lhe dizendo que ao menos eles, os primitivos, os rudimentares, os atrasados, etc não fabricavam fomes. Conheciam a calamidade da fome, mas não a manipulavam intencionalmente. Poderiam dizer ainda que se não conheciam as grandes fortunas, tampouco conheciam situações de miséria. E que se não produziam ciência tampouco vendiam ou negociavam seus resultados, excluindo considerável parte dos cidadãos quanto a sua fruição...

Tudo quanto quero dizer é que se os marxistas pecam gravemente contra a verdade na mesma medida em que tendem a encarar as Idades primitiva, antiga e média em termos de relações burguesas, continuam reproduzindo vícios, quimeras e mitologias engendradas pelo próprio liberalismo econômico, o qual não poucas vezes pretendeu afirmar-se como algo sempre presente no cenário da História. No entanto é absolutamente certo que os primitivos, os antigos e os medievais jamais conheceram a forma capitalista de produção e organização ou as categorias de classe, salário, burguesia, capital, etc enfim um ideal economicista de existência. Embora as relações econômicas existissem - o que é obviedade de minha parte - jamais lograram absorver as demais esferas da sociedade ou mesmo sobreporem-se a elas de modo tão cabal. Certamente havia exploração, opressão domínio mas não de natureza necessariamente econômica. Nas Sociedades primitivas ou antigas nem sempre o poder esteve associado ou subordinado aos interesses de ordem econômica. Havia ali outro sentido e outras formas de regulação no que tange a ordenação do poder. Castas, estamentos e outras categorias sociais do passado não podem ser encaradas como sinônimo de classe ou postas em relação direta com necessidades ou valores de natureza econômica. Cf Polanyi 'A grande transformação'

Resta-nos concluir que se a Sociedade Ocidental nem sempre foi capitalista, pode naturalmente vir a deixar de se-lo, pelo simples fato de inexistir qualquer vínculo essencial entre a organização social e os moldes capitalistas de produção, podendo esta Sociedade vir a atingir qualquer outra forma.

É exatamente esta conclusão óbvia que exaspera os adeptos do sistema, os quais não menos que os místicos comunistas encaram a própria ordem capitalista como um 'fim da História' (Fukuiama) em termos de algo definitivo e insuperável. Havendo inclusive que deplore o capitalismo e considere-o como insuperável apostando no fim da Civilização ou melhor da humanidade. Assim a evolução social nos teria conduzido a este beco sem saída. T S Elliot era um destes que associava o capitalismo ao desencanto ou a quebra da magia e que ao mesmo tempo não acreditava que era possível vence-lo. Outros como, o grande Berdiaeff, notável critico do sistema, chegaram a flertar com o catastrofismo escatológico, resíduo judaico, ainda hoje presente na maior parte do Cristianismo sectário.

Diante de tudo quando registramos no parágrafo anterior fica bastante fácil compreender o porque do apelo obstinado dos liberais ao imutabilismo. O qual conseguiu intoxicar as mentes de não poucos intelectuais ao menos até 1858, quando Ch Darwin, o sempre odiado Darwin, vibrou-lhe tremendo golpe pelo simples fato de aniquilar os fundamentos mais remotos da concepção fixista, tributários do pensamento fetichista e da mitologia judaica, assumidos até então pela generalidade do Cristianismo. No momento em que Darwin demonstra biologicamente o fato do transformismo ou do evolucionismo, impondo uma concepção a um tempo natural e a outro dinâmica em termos de botânica e zoologia, torna-se evidente que esta concepção havia de transladar-se para todas as esferas da existência humana, assim da organização social, o que de fato foi verificado e confirmado pela ciência histórica. Expurgado do seio da Biologia como fruto de uma intromissão indevida, o fixismo perdeu todos os seus créditos, inclusive nos domínios da História, passando a ser encarado com o sinônimo de estupidez.

Nem por isso parte dos apologistas dos sistema pode fugir a tentação de apresenta-lo como onipresente e imutável aos bípedes comedores de alfafa que fazem parte de seus rebanhos... Lamentavelmente as pessoas simples continuam deixando-se levar pela imaginação, na mesma medida em que não conseguem desprender-se da crença fetichista no criacionismo. Donde topamos mais uma vez com os tentáculos do fundamentalismo religioso e sectário, cujo fim é impedir as massas de pensar...

2) No entanto tal e qual se diz que dos ossos da quimera brotaram guerreiros ou que das cinzas de uma ave sai outra ave, das cinzas do criacionismo ou melhor de seu oponente que é o evolucionismo, sobretudo sob a forma acanhada do darwinismo crasso brotou nova forma de alienação, destinada mais uma vez a narcotizar os intelectuais sem consciência ética.

Claro que nos referimos ao darwinismo social, doutrina ainda hoje bastante popular entre os anarco individualistas, ANCAPs ou mesmo entre os simples liberais economicistas.

Não ignoro que o novo sedativo ideológico ou que a nova arma destinada a propaganda, tenha sido forjada por Herbert Spencer e não por Ch Darwin. A própria expressão tão exaustivamente discutida 'Sobrevivência ou triunfo do mais apto' foi cunhada pelo pensador e sociólogo de Derby. Diante disto um imenso número de cientistas darwinistas tem se esforçado para livrar a barra do santo padroeiro da Evolução... Não são apenas os papistas, os protestantes, os comunistas, os fascistas, etc que possuem hagiografia, como diz Crane Brinton. Também os cientificistas ou evolucionistas ortodoxos tem sua hagiografia e ao que parece não menos capciosa e desonesta até a manipulação. Que digo, mesmo alguém do relevo de um Kropotkin (Em sua obra clássica 'O apoio mútuo) esforçou-se por apresentar Darwin como oponente ou ao menos indiferente as fanfarronices de Spencer, em cujos braços depositava o filhote.

Sucede todavia que na ulterior edição de 'A origem das espécies' o próprio Darwin assume o polêmico termo cunhado por Spencer, o qual posteriormente será sempre compreendido como sinônimo de 'sobrevivência do mais forte'. O mais apto é o biologicamente melhor constituído fisicamente e em termos de força. Pois Darwin ao contrário de De Vries jamais concebeu o conceito chave em matéria de evolução, a saber as mutações. Ora as mutações implicam certamente desvantagem ou vantagem, mas não necessariamente em termos de força. Não se trata de competição entre seres estruturalmente iguais em termos de força física como decorre da doutrina de Malthus repisada por Darwin. A luta por alimento entre seres estruturalmente iguais, e que é muitas vezes decidida pela força mas nem sempre, nada tem a ver com a evolução, pois não é ela o objeto da seleção natural. A seleção natural seleciona mutações.

Claro que Darwin deixando-se iludir pela seleção artificial chegou a imaginar que a seleção natural por sí só entre exemplares estruturalmente idêntico produziria as variações estruturais ao cabo das quais surgiriam novas espécies. Ora este viés, que ignora o verdadeiro objeto da seleção natural, i é as mutações (Se genéticas ou radioativas não nos vem ao caso) jamais superou a visão anterior que é Lamarckista e confere a seleção natural um aspecto ou poder mágico.

No frigir dos ovos da hipotética guerra continua imaginada por Malthus em termos de disputa por alimento entre seres da mesma espécie ou de espécies diversas nada sai. Ela é por definição estéril e improdutiva. Não é a fonte da evolução.

Importa saber se ela corresponde a seleção natural, enquanto elemento que testa as mutações. Isto no entanto não é objeto de um ensaio sociológico ou filosófico.

O que desejamos saber é se Darwin apoiou ou não Spencer e se em alguma ocasião pronunciou-se sobre a ideologia social que ela seu nome.

Quanto a Spencer é bem sabido, que apesar das invectivas do citado anarquista russo, Darwin referiu-se a ele ao menos uma vez em termos mais do que lisonjeiros, alcunhando-o como 'Nosso grande filósofo'. Elogio rasgado que jamais dirigiria a alguém que tivesse falsificado sua doutrina. Claro que aqui sempre podemos permanecer nos limites da Biologia e da controvérsia amarga a respeito do sentido da expressão por ele criada... Precisamos portanto saber se Darwin alguma vez ou em algum momento aludiu ao tema do darwinismo social.

Topamos precisamente com tais alusões no livro 'A origem do homem' sobretudo a respeito da descoberta da vacina e do esforço gasto pelos Cristãos com o objetivo de assistir aos deficientes físicos e mentais. Darwin estabelece uma crítica que partindo de sua concepção de seleção natural conclui pela degeneração da raça enquanto movimento inverso ao do movimento evolutivo. Todo darwinismo social esta contido formalmente em tais premissas.

Já dissemos que o darwinismo social tem pé manco ou de barro por ter Darwin como lamarckista incorrigível que era concebido a Seleção natural em termos de força ou fator único e mágico; o que vai contra tudo quanto aprendemos em termos de genética. Daí a necessidade de De Vries ter vindo em socorro da explicação darwiniana e de que fosse elaborada uma teoria sintética que considerasse a genética e incluísse o fator estocástico das mutações, no caso o elemento criador por assim dizer. A seleção natural testa o que é produzido pelas mutações ou as diferenças estruturais aparecidas nos indivíduos de uma mesma espécie.

Já quanto ao elemento estável, que é a seleção natural, tudo quanto podemos dizer é que embora deva ser compreendida enquanto situação problema, e na natureza não faltam situações problema, ou de adaptação a um meio igualmente dinâmico e hostil, certamente não pode ser compreendida no sentido romântico proposto por Malthus ou de uma guerra animal por suprimentos, seja em termos de infra espécie ou extra espécie. Claro que tais situações, vinculadas as transformações ocorridas no meio, até podem ocorrer. O problema aqui é encara-las como únicas e dar toda a evolução como algo acionado pela apetite voraz de nossos ancestrais... ou como questão de cardápio.

Para tantos quantos aceitam esta exótica doutrina os mecanismos sociais relacionados com o acesso ao poder são como que uma continuidade da Seleção natural ou como um manifestação desta lei. A qual testaria as aptidões ou méritos dos seres humanos, compreendidos não poucas vezes em termos de força ou de esperteza. Consequentemente os indivíduos desajustados, que não conseguem, adaptar-se ao sistema ou inserir-se nele - assim tantos quantos não enriquecem, os pobres, os humildes e trabalhadores - são classificados como ineptos ou fracassados, e como é esta sentença ditada pela própria natureza não há quaisquer motivos para compadecer-se deles ou para preocupar-se com sua sorte. Devem ser abandonados as forças da natureza, assim os deficientes mentais, criminosos, drogados, alcoolatras, etc  Nem se poderia questionar a organização social que executa a Seleção ou opor-se a ela como querem os socialistas. Tal oposição faria tanto sentido como opor-se a Seleção natural em termos Biológicas, afinal selecionando os indivíduos mais fortes e atribuindo-lhes o poder, é esta seleção que faz a Sociedade evoluir. Sem ela o progresso cessaria e daria espaço a degeneração social.

Claro que deste ponto de vista sistema social algum poderia ser considerado mais desenvolvido que o liberalismo econômico ou capitalismo pelo simples fato de restringir o acesso ao poder a uns poucos e estimular ao máximo a concorrência entre os indivíduos. Como se percebe capitalismo e darwinismo social encaixam-se um no outro como a mão e a luva, o que nos leva a questionar as relações existentes entre o próprio Darwinismo biológico em sua gênese e a reação de um sistema que se viu desfalcado de seu grande trunfo: O fixismo. Compreendidas em termos de manipulação ideológica. O problema foi evidentemente levantado pelos líderes e pesquisadores da antiga URSS e certamente não é ocioso. De uma forma de outra essa relação com o capitalismo precisa sim ser considerada e ponderada. Mesmo que choque os cientificistas partidários da neutralidade ingênua.

O quanto nos resta a dizer é que a versão ingênua do darwinismo social é aquela segundo a qual o trabalhador pobre ou desempregado (que não enriqueceu) é vagabundo enquanto que o patrão é sempre um herói ou um homem esforçado e comedido que partiu de baixo ou que sendo assalariado tornou-se milionário. Já nos referimos diversas vezes a esta fábula ou manobra. E por isso esgotamos o quanto tínhamos a dizer por hoje.

Continue acompanhando esta série de artigos sobre as formas de alienação ideais e a fuga e nossos demais ensaios neste Blog e caso encontre sentido neles ou aprecie-os faça a gentileza de matricular-se entre nossos seguidores e de recomenda-lo a seus amigos, colegas e alunos. Toda colaboração e crítica ponderadas são bem vindas!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Consultório pedagógico - Como explicar a evolução das espécies a nossos alunos? II


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Após termos procurado oferecer um panorama geral sobre o caráter do Evolucionismo enquanto conhecimento humano, uma breve introdução ao vocabulário científico e finalmente as principais evidências por ele oferecidas, tentaremos explica-lo da melhor maneira possível.

Para tanto, partindo do que já fora estabelecido no artigo precedente, devemos entender o processo evolutivo como um movimento de sofisticação orgânica em que as formas mais simples de vida vão dando lugar a formas de vida cada vez mais complexas e portanto, aptas para vencer os obstáculos postos por um meio em constante transformação e não poucas vezes hostil.

Evoluir pode ser definido como aquisição de um equipamento biológico que permita a determinada forma de vida adaptar-se com sucesso ao meio em que vive. E já adiantamos que a maior parte das mutações não vantajosas eliminadas pela 'Seleção natural' não podem ser compreendidas enquanto fenômenos evolutivos pelo simples fato de que não auxiliam o indivíduo a adaptar-se e manter-se, mas prejudicam-no. Assim se não há benefício, adaptação e continuidade como podemos dizer que houve de fato evolução???? Assim o que houve foi mutação e não devemos confundir os termos mutação e evolução. A Evolução é ao menos em parte efeito da mutação, mas a mutação não é a Evolução.

É importantíssimo por a questão nestes termos devido a afirmação de um discurso polêmico e anti teísta ou ideológico segundo o qual a Evolução nem sempre seria vantajosa ou benéfica para o indivíduo. Concordamos se quer dizer que a mutação pode produzir certo desconforto quanto ao ser mudado. No entanto se apesar do possível desconforto ela propicia condições favoráveis a sua conservação e a manutenção de sua posteridade - Logo da nova espécie produzida - não vejo como possa ser absolutamente desvantajosa ou prejudicial. Não vos parece que, caso a mutação favoreça a permanência do individuo e a conservação do novo tipo seja benéfica?

Compreendi que evoluir é adquirir uma alteração estrutural (relativo a forma do corpo físico) vantajosa que possibilite ao individuo em questão triunfar das dificuldades postas pelo meio e superar os demais membros da espécie, ou seja, aqueles que não adquiriram o novo equipamento, e que doravante tenderão a extinguir-se já por serem menos capazes de obter alimento - com relação ao individuo que sofreu a mutação e seus descendentes - já por se acharem menos expostos a predação. É uma mutação corporal que oferece aos indivíduos mudados e seus descendentes uma condição de superioridade face aos elementos da espécie que não a experimentaram.

Agora a pergunta chave? ALIAS JÁ RESPONDIDA.

Qual é o fator responsável por implementar a mudança? Qual o primeiro impulso, desencadeador do processo evolutivo? Qual o elemento chave em termos de evolução Biológica.


TAL O NERVO A CONTROVÉRSIA ou o calcanhar de Aquiles em termos de compreensão.

Devido a disparidade das respostas oferecidas, a obscuridade e a confusão reinantes.

Antes de Batenson e De Vries (isto em 1904 ou há cerca de 110 anos!!! - MARQUE ISTO!) todos os cientistas, na esteira de Ch Darwin e R N Wallace - teóricos da 'Seleção natural' - estavam convencidos de que a própria Seleção natural, é que introduzia as modificações nas formas, e esta é a origem do Imbroglio na medida em que, ao menos entre os leigos (Professores, jornalistas, ensaístas, autores de livros, etc) mantiveram até nossos dias esta ideia equivocada, certamente devido ao colossal prestígio adquirido por Darwin e Wallace, os quais sem embargo, observaram e recortaram apenas uma parte do processo, e não o processo como um todo.

O que os dois pesquisadores britânicos do século XIX descobriram na verdade foi o mecanismo de controle chamado seleção natural, ao qual atribuíram toda responsabilidade pelo processo evolutivo, perpetuando assim, até certo, ponto o equívoco de J B Lamarck segundo o qual o meio externo por si só ou sua dinâmica, seria capaz de produzir alterações físicas nos seres vivos, e consequentemente - em termos de Biologia genética - de alterar-lhes os genes ou cromossomos, possibilitando a FORMAÇÃO DE CARÁTERES OU SUA TRANSMISSÃO, o que sabemos ser absolutamente falso desde os tempos de Weissman. Alteração externa alguma produzida pelo meio é transmitida a posteridade de um animal. 

Portanto a dinâmica externa da seleção natural nada pode criar ou produzir.
Darwin e Wallace não haviam descortinado toda a verdade. Pelo simples fato de ignorarem as pesquisas do abade austríaco Gregor Mendel, examinadas mais de perto, como vimos por De Vries e Batenson. 
Neste caso qual seria o elemento chave, criador ou positivo em termos de Evolução?

Chegamos aqui ao FENÔMENO DA MUTAÇÃO.

Sem o auxilio do qual não se pode compreender corretamente o processo.

De modo geral ocorrem as mutações por duas vias - interna e externa. A mutação interna tem sua origem na produção de novas células a partir de erros aleatórios quanto a fabricação do DNA. A mutação externa tem sua origem na exposição do organismo a radioatividade. E como no passado distante ou nas Eras iniciais da vida os elementos radioativos achavam-se expostos a flor do solo, há que se admitir um grau de exposição muito maior caso tomamos por comparação o tempo presente.

Uma mutação bastante comum entre nós diz respeito as pessoas que nascem com seis dedos (polidactilia). Caso pessoas que portam este gene ou membros da mesma família casarem entre si, a tendência é que o número de pessoas com seis dedos vá aumentando progressivamente.

Até aqui um lado da Evolução. A mutação, que é por assim dizer um fator acidental ou estocástico, sem direção ou sentido.

Vejamos agora o outro lado da moeda. O elemento negativo, o qual embora por si mesmo nada produza, controla e direciona as mutações.

A maneira como as mutações são testadas pela natureza sob a forma da 'seleção natural' é bastante simples: Caso a mutação corresponda a uma vantagem, ajudando o indivíduo em questão a superar determinado obstáculo posto pelo meio, a suplantar os elementos que não passaram por ela e a conservar a própria existência por mais tempo a tendência é que do acasalamento entre indivíduos que herdaram tais genes surja uma população com as mesmas características. Na medida quem que tais populações sejam expostas a outras mutações vantajosas testadas pela seleção natural e acumulem equipamentos diferenciados é que se produz uma nova espécie. De modo que a especiação pode ser definida em acumulo de mutações (e equipamentos) benéficos testados pela seleção natural.

Uma vez que a aquisição de um conjunto de equipamentos vantajosos se dá por via acidental ou aleatória, supõem-se que o processo de acumulação se estenda por dezenas de milhões de anos. Afinal a maioria esmagadora das mutações é prejudicial e inoperante em termos evolutivos. Claro que as circunstâncias externas ou a condição do meio também entra em jogo. Pois a simples mudança de um meio em termos de inundações, secas, epidemias, oferta de suprimentos, migrações, etc basta para converter uma mutação ou equipamento prejudicial em equipamento vantajoso. Assim, como o meio é dinâmico e sujeito a alterações constantes... Mudam os critérios da seleção e seus resultados. O que torna o processo evolutivo impossível de ser previsto em termos de exatidão matemática.

Resta-nos agora, aludir brevemente ao caminho percorrido pela evolução dos seres vivos até o homo sapiens.

A direção da vida unicelular para a vida pluricelular, é simples obviedade.

Assim da esponja ao verme, do verme ao peixe, do peixe ao anfíbio, do anfíbio ao réptil, do réptil as aves e mamíferos.

Quanto aos mamíferos, grupo a que pertencemos, nossa filiação ao grupo dos primatas com seus cinco dedos e polegar opositor é igualmente obvia. Herança dos lêmures que se encontram na base do grupo.

Nem por isso é certo, mas absolutamente errado, afirmar que nós descendemos dos macacos ou mesmo dos macacos superiores (Antropoides). Macacos não são nossos ancestrais. Tudo quanto podemos dizer é que somos parentes muito próximos ou primos enquanto descendentes de um ancestral comum que teria vivido a cerca de uns vinte milhões de anos segundo alguns especialistas.

O homem não vem dos macacos. Mas de um primata já extinto, do mesmo modo que os macacos.

Este primata extinto foi convencionalmente chamado de 'elo perdido' pelo simples fato de seus restos ainda não terem sido encontrados. Tal lacuna, no entanto, nem de longe atinge a evidência relativa a nossa linhagem e isto pelo simples fato de podermos rastrear nossos primos e ancestrais do Homo sapiens sapiens ou Cro Magnon, até o homo erectus, o homo habilis, os australiopithecoides, o ramapithecus, etc estabelecendo as sucessões e traçando nossa árvore genealógica para mais de sete ou dez milhões de anos. Aos poucos, conforme as descobertas foram avançando a maior parte das lacunas foram sendo preenchidas e os laços de afinidade e proximidade estabelecidos com bastante exatidão. De modo que nega-los só pode constituir mesmo prova da mais absoluta ignorância ou de pura e simples desonestidade.

Via de regra o que podemos dizer que a quase totalidade daqueles que negam obstinadamente a teoria da Evolução é composta por pessoas superficiais, que não possuem devido conhecimento de causa e que jamais examinaram o assunto com atenção e profundidade. Quem acalenta alguma dúvida a respeito do que digo, interrogue nossos opugnadores peguntando-lhes sobre as mutações, a seleção natural, os principais hominídeos, etc O repto esta feito e a resposta conhece-mo-la muito bem nós mesmos e por experiência: Não precisamos estudar, conhecer ou compreender o evolucionismo (!!! Sim vocês ouvirão isto se ousarem confrontar os criacionistas!) PARA NEGA-LO!!! Basta-nos a Bíblia que é a palavra de Deus.

Vemos então que se trata de pessoas simples, rudes, grosseiras as quais nada leem além da Bíblia, mas que se julgam autorizadas a opinar sobre tudo e a tudo julgar... Como se chama isto??? O fato de alguém rejeitar uma proposta que sequer analisou??? Eu chamo de arrogância ou prepotência, e você??? E mesmo assim tais pessoas folgam apresentar-se como humildes... Chegamos ao fim do poço!