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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Paulo Freire, o positivismo, o catolicismo e a neutralidade do ensino





Como tenho acompanhado de perto a recente polêmica suscitada pelos liberais e conservadores em torno dos pressupostos pedagógicos enunciados por Paulo Freire a respeito do dogma positivista da neutralidade do ensino e, simultaneamente repassado algumas leituras como o 'Manual de Pedagogia Moderna' de Everardo Backheuser (Globo 1941), o "Tratado de Pedagogia" de Mons Pedro Anísio (Civilização Brasileira 1935) e os compêndio do 'Tio Baldo' e de Amaral Fontoura dentre outros; aproveitei a oportunidade para escrevinhar algumas coisinhas.

Segue um fragmento de nossa reflexão:

De tudo quanto expusemos até aqui a respeito da objetividade material e da instrução formal, extraem os positivistas seu derradeiro dogma, o do ensino neutro, imparcial ou não ideológico e expurgado de todo conteúdo subjetivo ou individual.

Segundo declaram a Instrução técnico científica ministrada por eles tem por único fim e objetivo levar o educando a conhecer a realidade externa a si sendo por isso mesmo comum e isento. Afinal, não se trata aqui de julgar a realidade externa a partir que qualquer conteúdo interno de consciência ou de determinar arbitrariamente o que ela deveria vir a ser, mas apenas de perceber, registrar, descrever e compreender.

Por isso que o ensino positivista, sendo descritivo nada tem ou pode ter de crítico. Trata-se dum ensino comodista, cuja tônica não é questionar. Ao aluno resta a solução de inserir-se na realidade externa, de adaptar-se, acomodar-se e não de altera-la, isto sequer vem ao caso...

Assim o positivismo abdica de formar o homem todo ou de falar a sua vontade e da-se por satisfeito com o informar ou encher o intelecto.

Como já dissemos sua tônica é instruir e não educar.

E como em tese todos deverão receber as mesmas informações ou conteúdos determinados pelo currículo temos um ensino sem contaminação ideológico/subjetiva ou como dizem neutro.

Aqui como sempre contempla-nos o positivismo com um aluvião de palavras bonitas e propostas atraentes e, no entanto tudo isto não passa de pura falácia.

E para demonstra-lo basta-nos tomar o caminho do velho Sócrates (com seu 'Só sei que nada sei') e considerar que o tempo que gastarmos em qualquer estabelecimento de Ensino jamais será suficiente para informar-nos a respeito de tudo quanto se pode e deve aprender sobre o mundo. Mesmo que permanecessemos matriculados por um século numa escola de período integral não conseguiríamos obter a soma de informações necessárias a vida e ainda ficaria faltando muita, mas muita coisa.

O leitor certamente esta já a xingar-me por estar discursando sobre o obvio.

No entanto faço questão de assentar a existência de mais informações face ao tempo de que dispomos para adquiri-las para determinar que, diante disto, uma das tarefas do ensino formal ou informal, diz respeito a selecionar as informações ou fatos que serão ensinados aos educandos. Uma vez que não se pode nem cogita ensinar tudo faz-se mister escolher e é justamente aqui que a suposta neutralidade do ensino vai pelo ralo abaixo.

Consideremos no entanto, antes de tudo, as instâncias de escolha ou seleção de conteúdos: O currículo elaborado a nível nacional, o PPP elaborado em nossas UEs e o Plano de Ensino confeccionado por cada docente no início do ano letivo. Imaginemos assim um conteúdo que passa por no mínimo três peneiras sucessivas e uma mais fina do que a outra. E no fim temos apenas alguns resíduos, recortes ou fragmentos da realidade...

Agora cuidará você leitor inteligente que cada uma destas múltiplas seleções realizadas por homens e mulheres de carne e osso e vinculados a esta ou aquela instituição carece de intencionalidade ou de conotações ideológicas???

Seria o caso de tais pessoas ou organizações alienarem-se de seus próprios princípios e valores???

O que desejo salientar é que o aluno terá de aprender o que foi selecionado por outros com base em suas próprias crenças, opiniões, gostos, princípios e valores, consciente ou inconscientemente afirmados. É como já dissemos conteúdo parcial, fragmentado, recortado e este recorte não pode deixar de corresponder a determinada intencionalidade.

Não há como fugir a este dilema: Para instruir faz-se mistes escolher e para escolher partirá de seus princípios e valores, de um ideal de educação e de homem implantado em si. Diante de uma multidão de fatos o 'educador' haverá de selecionar alguns apenas e estes serão aqueles que melhor corresponderem a lição que pretenda inculcar segundo o critério da relevância. Os demais conteúdos ou lições permanecerão na penumbra ou receberão menos atenção pelo simples fato do professor encara-las como menos importantes. Ora este juízo sobre a importância dos fatos é sempre subjetivo e ideológico.

Quando você julga os conteúdos e decide o que haverá de ensinar a alguém e consequentemente o que este alguém irá aprender e saber apela ao critério da relevância e jamais poderá demonstrar que aquilo que é relevante para si é objetivamente relevante para todos.

É objetivamente relevante para o Mercado, mas não para a literatura, a estética, a religião, etc

Supor que nossos interesses correspondem ao interesse geral parece ser um erro fatal.

Eis porque o ato de decidir sobre o que haverá de ser aprendido pelos outros, enquanto ato eminentemente subjetivo e até arbitrário contamina a tão decantada neutralidade positivista. Mesmo quando tais conteúdos são amplamente discutidos por uma sociedade numa perspectiva democrática (o que ainda é raro) não podemos dizer que contemplam todas as necessidades e interesses ou que possuem um valor mais extenso que o daquela sociedade. Tanto pior quando realizada por um poder político arbitrário que aspira produzir determinado tipo de homem segundo suas necessidades e dispondo-se a oprimir a pessoa humana.

É evidente que todas estas iniciativas tenderão a afetar objetividade e neutralidade. No entanto elas supõem direção, ideal, projeto, tipo, etc Intencionalidade, princípios, valores e subjetividade.

Passemos agora da doutrina ao exemplo.

Para tanto tome-se um exemplar qualquer desses compêndios e publicações escolares inspiradas pelo ideário positivista e vejamos com que nos deparamos nelas.

Nada além de sucessivos sermões ou catequeses a respeito do papel exponencial e remidor da ciência, da fé no progresso da civilização moderna e enfim no amor abstrato a humanidade, a pátria e ao trabalho ou Mercado. A isto é que chamam neutralidade ou isenção... Uma reprodução ou decalque perfeito do ideal de sociedade positivista vigente na última quadra do século XIX.

Reforça-se aqui, mais uma vez, o que já havíamos dito: A obstinação em narrar ou descrever apenas e a marcada recusa em criticar, opor ou questionar não passa ela mesma de ideologia destinada a contemplar as exigências de um poder que aspira perpetuar-se ou a cimentar as pretensões conservadoras de certos setores da Sociedade. Por favor contemple apenas mas não toque em nada! Tais as exortações do positivismo.

Nada mais refinadamente ideológico do que esta afetação de neutralidade por um sistema que folga permanecer impassível face a miséria, a dor e aos sofrimentos humanos. Como no caso do antigo estoicismo acha-mo-nos diante duma imparcialidade criminosa ou duma omissão deplorável.

O positivismo, sejamos francos, com sua ciência abstrata e fria jamais se posta em favor do homem concreto e esta quase sempre pelo Mercado.

Passemos agora ao segundo exemplo não menos eloquente.

Temos um certo professor de História positivista, cientificista, liberal... e esta conta com cerca de sessenta horas aulas para gastar com a Idade Média. Diante disto ele toma o currículo ou o PPP e começa a dividir aquele mínimo saldo de aulas entre tão vasto conteúdo.

E como nosso mesmo Mestre que morre de amores pelo liberalismo econômico vive de ódio a Igreja romana opta por gastar no mínimo doze aulas (senão mais) dissertando minuciosamente sobre os horrores da Inquisição espanhola. Feito isto escolherá alguns outros temas do gênero: Cruzadas, bruxaria, peste negra, etc todos destinados a confirmar a velha ideia segundo a qual a Idade Média não passou duma Idade de trevas! Agora sobre a Civilização Cristã Bizantina, a teologia Escolástica, os feriados e dias santos em que o povo costumava descansar nada dirá, silenciando por completo.

Posteriormente, por falta de informação, nenhum daqueles alunos estará apto para questionar o jargão liberal segundo o qual o fim de semana ou repouso dominical teria sido gentilmente concedido aos trabalhadores modernos pelos bondosos patrões no decorres do século XIX. Tampouco quando interpelados pelos comunistas serão capazes de estabelecer que o primeiro modelo efetivo de serviço social em escala verdadeiramente ampla foi implementado pelo Império Cristão bizantino.

Pois nosso Mestre selecionador de fatos não considerou importante a abordagem de tais temas.

Diante disto com que propriedade se afirma ser a seleção de conteúdos neutra ou imparcial???

Se eu julgo e determino o que você deve perceber, saber, ver ou aprender os critérios são certamente meus e não seus e portanto ditados por meus gostos, inclinações, disposições, princípios e valores, o que basta para lançar fora a tal neutralidade. Consciente ou inconscientemente todos temos um ideal bem definido de homem (h positivista, h liberal, h individualista, h fascista, h nazista, h anarquista, h teocrático, etc) e de sociedade.

Então é bom que assumamos sem termos nosso ideal humanista de homem e justicionista de sociedade em oposição a todos os outros e implante-mo-lo no terreno da ética ou da lei natural




EDUCAR SEM MEDO!


Tecidas as considerações acima resta-nos admitir sem maiores rodeios o caráter normativo da Ciência pedagógica posto para um ideal bem definido de homem, o homem Ético, o homem humanizado, humanitário e humano.
Assumamos intrepidamente o ônus de educar ou de conduzir o menino ou o jovem a virtude, de moldar-lhe o caráter e de corrigir-lhe a vontade encaminhando-a para o bem, para o dever, para a identificação e a alteridade.

Educar é dirigir para um determinado fim, é guiar, é orientar. Educação supõem sempre uma diretividade. É plano, é projeto, é meta intencionalmente elaborada.

Meta sublime que visa a passagem da potência para o ato, o desenvolvimento das capacidades, a aquisição de habilidades, o exercitamento das qualidades, a realização das aspirações, a percepção de um sentido para a vida e enfim a conquista da felicidade. Pois é impossível que o homem em posse da virtude ou do bem seja infeliz.

Trata-se dum projeto de homem total e de educação integral que considera o corpo físico enquanto objeto de uma educação física e cuidados especiais, o intelecto ou a mente a ser treinada por meio da lógica e enfim da vontade a ser direcionada para o bem na mais larga escala possível. Assim teremos as idealidades da Beleza, da Verdade e do Bem incorporadas pelo menino, o jovem, o adulto e desenvolvidas até o fim da existência.

Segundo este projeto conteúdo algum é posto de lado. Pois todas as partes são nobres e todas as áreas precisam ser preenchidas e cultivadas, e estimuladas sob pena de mutilarmos o ser. Procedimental, Teórico/conceitual e Atitudinal associam-se num conjunto equilibrado para formar um todo perfeito e constituir uma personalidade completa e fascinante. Fugimos assim ao vício do intelectualismo artificioso que toca apenas a memória e a verbalização. E ao ensino mecânico ou adestramento.

Lutemos por resgatar a dignidade tantas vezes negada (pelo maniqueismo e puritanismo) do corpo humano e por integra-la a educação sem no entanto cairmos no extremo oposto abandonando a formação da vontade e relegando-a a ação individual extra escolar. Pelo contrário façamos da escola um santuário vivo da Ética e das aula de Filosofia um nicho para a discussão de tais problemas.

Por fim implica este projeto de homem um projeto de Sociedade, pois estão interligados. Do ponto de vista da ética humanista não podemos compreender a Sociedade senão como um organismo colaborativo regido pelos imperativos da alteridade, da solidariedade, da fraternidade, da igualdade, da liberdade, da justiça, da tolerância e da paz; o que nos remete no mínimo a um estado de bem esta social ou de social democracia. Eu não temeria falar em socialismo, trabalhismo, solidarismo, personalismo, desde que as pessoas mal intencionadas não compreendessem comunismo ou 'socialismo' totalitário.

O ideal no entanto é de justiça, bem comum, integração social, apoio mútuo; como já preconizavam Sócrates, Platão e Aristóteles. Não de rivalidade, concorrência, mercado; voltado para necessidades humanas e não financeiras. Claro que a Sociedade que preconizamos tende a restaurar o primado do SER sobre o TER e a fugir desta nêmesis materialista economicista.

Nem podería haver ideal verdadeiramente humanista de homem artificialmente justaposto a uma estrutura social capitalista. Isto sequer se discute. Portanto nosso ideal de homem e sociedade é a um tempo antigo e a outro novo e de nosso baú tiramos coisas novas e velhos para tudo corrigir e consertar.

Por fim gostaria de me dirigir aos professores e mestres que me acompanharam até aqui e dizer que aprendam cada vez mais a educar com a vida, por meio do exemplo, pois são os exemplos que arrebatam a juventude. Palavras comovem mas somente os exemplos arrebatam e promovem a imitação e a assimilação efetivas. Tornem-se assim modelos para seus alunos.

Só seremos educadores eficientes na medida em que soubermos que nosso trato pessoal é tão importante quanto os conteúdos curriculares e pedagógicos. Nossa ação só será fecunda e permanente na medida em que criarmos laços de afeto e carinho, em que amarmos e respeitarmos os nossos alunos. A partir daí o aluno transferirá a carga afetiva para os conteúdos e será levado a esforçar-se mais para assimila-lo. Foi Wallon quem fez esta constatação.

Não, não nos acomodemos nem deixemos de os conteúdos específicos de nossas disciplinas, não. Os alunos como ressalta Saviani precisam desses conteúdos para seguir em frente e conquistar um espaço. Conteúdos são instrumentos de emancipação, pois no mundo atual saber é poder e estar bem informado faz toda diferença. No entanto antes de tudo e acima de tudo ensinemos nossos meninos e meninas a bem viver, porque bem viver é o segredo da felicidade e mais vale um pedreiro infeliz do que um empresário amargurado (Domênico de Massi).

Com este ensaio dou razão a Paulo Freire e registro que muito antes dele o Pe Pedro Anísio (opus cit) em suas polêmicas contra liberais e positivistas já assentava o caráter intencional, diretivo e não neutro da educação. Desmontando com sucesso o espantalho da neutralidade que agora as nulidades do tempo querem ressuscitar.

Boa tarde queridos e queridas porque a proposta utópica de uma escola sem ideologia já é ela mesmo ideológica!!!



Profo Domingos Pardal Braz, de São Vicente SP

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O PEC 99/2011 e a deslaicização do Estado Brasileiro

Folgam os protestantes em apresentar seu sistema religioso como paladino de todas as liberdades modernas e com isto, ao cabo dos séculos, tem atraído a simpatia dos liberais mais ingênuos.

Embora folguem de interpretar livremente a Bíblia, ou seja, de forjar suas próprias crenças tomando por base o entendimento que eles mesmos teem da Bíblia - o que de modo algum é a Bíblia - os protestantes jamais puderam encarar com bons olhos aqueles que fazendo uso da mesma liberdade, descartam a autoridade da Bíblia. Torce-la a vontade... massacra-la... deturpa-la... manipula-la... é perfeitamente lícito ou melhor absolutamente necessário! Arrenega-la não...

De minha parte, como ex protestante, penso que a Bíblia seja mais honrada por aqueles que a negam do que por aqueles que a interpretam assim tão livremente a ponto de ser possível sustentar qualquer coisa - escravidão, racismo, estatolatria, machismo, homofobia, adultismo, intolerância, capitalismo... - em seu nome. Se eu acreditasse na divindade da Bíblia jamais poderia crer que sua interpretação pudesse ser atribuída a todos os homens sem distinção!

Apresentam-se os protestantes como principais advogados ou defensores do livro justamente porque lhes dói a consciência e sabem ser seus piores adversários. É graças ao biblicismo estreito, ostentado por eles, que muita gente boa faz pouco caso do livro... Verdade seja dita: a igreja antiga tinha pudor! E sabia que a maior parte dos seres humanos tinha pudor ou inteligência... O protestantismo apostou na estupidez humana e por algum tempo conheceu relativo sucesso entre os idiotas. No entanto como é impossível enganar todos durante todo tempo... Arruinou-se o Reino da Bíblia.

A Igreja antiga, mais realista, ocultava certas partes menos nobres do antigo testamento, já 'facilitadas' pela tradução dos LXX. Os latinos jamais puderam compreender bem o sentido da Septuaginta. Apresentaram-na e apresentam-na ainda como tradução, quando trata-se na verdade duma adaptação, isto mesmo duma adaptação a mentalidade dos antigos gregos. Adaptação sem a qual os gregos jamais teriam se aproximado dos livros judaicos tendo em vista sua vulgaridade ou grosseria.

No entanto como em larga escala, mesmo esta adaptação mostrava-se insatisfatória, socorreram-se os primeiros padres Cristãos, a exemplo de Origênes, da exegese simbólica ou alegórica, que Filon, escolarca hebreu de Alexandria, tomara aos platônicos. Outra não é a estratégia empregada pelo Pe Jouffroy, face aos questionamentos de Pecuchet, nos 'Patetas iluminados' de Flaubert: Moisés abrindo os braços em cruz é figura de Jesus Crucificado, o cordeiro encontrado por Abraão entre os espinhos é figura de Jesus Crucificado e coroado de espinhos, Jacó ferido no lado pelo anjo é figura de Jesus ferido no lado pelo centurião... 

A tentativa, centrada no dogma Cristão, até que foi excelente e nobre. Apenas não condizia como o sentir original do autor, sendo portanto falsa... Era no entanto uma falsidade bela, em comparação com a realidade feia do sentido literal.

No entanto o que não podia 'adaptar' ou alegorizar, a igreja sabiamente ocultava... poupando seus fiéis.

Assim a espiritualidade romana ou 'Católica' pode passar a largo dos bebes lançados contra os rochedos, das ursas que devoraram os meninos, do sanduíche de esterco degustado pelo profeta, do tamanho dos pênis dos egipcios, etc

Diante de tantos mitos, fábulas e narrativas grotescos a igreja antiga preferia silenciar. Sabia que insistir a respeito redundaria em incredulidade. Nossos coevos sabem ser infinitamente mais idiotas do que os medievos... por menos nossos ancestrais teriam lançado o papado as urtigas; como a humanidade dia após dia vem lançando a Bíblia e o protestantismo.

O protestantismo foi intemperante na medida em que pretendeu impor aos cristãos a Bíblia toda, literalmente recebida, como dogma de fé. Antes de conhecerem a Bíblia toda de capa a capa os estúpidos acreditaram que o negócio era vantajoso e que seria melhor acreditar no livro 'caído do céu' do que nos trinta e poucos dogmas propostos pela tradição apostólica ou pelo papa romano.

Atalhou-lhes a candura da crítica Bíblia, a partir da qual puderam ter acesso a versão hebraica não depurada, e... desde então os que dignaram-se a pensar perderam a fé, enquanto que os demais - refugiados em alcouçes como a assembléia de deus ou pocilgas como a CCB - tiveram de acostumar-se a ser classificados como tontos ou imbecis!

Afinal, continuam jurando de pés juntos, em pleno século XXI, que um homem adulto pode viver por três dias dentro do ventre de um peixe! Que existem um mar superior acima dos céus! Que os anjos de deus desceram a este nosso mundo para coabitar com mulheres! Que de semelhante conúbio nasceram gigantes! Que o Everest foi coberto pelas águas do dilúvio! Que os dinossauros jamais existiram ou morreram afogados! Que uma jumenta foi capaz de falar! Que Goliath foi assassinado por três pessoas diferentes! Que os antigos israelitas ofereceram e não ofereceram sacrifícios da jau no deserto....

Creia cada qual como quiser e no que quiser... outra coisa é querer exigir que os outros encarem-no como um homem sério ou instruído.

Da caturrice protestante em torno de todos estes dogmas mil vezes mais toscos e estúpidos que os dogmas do papa, é que surgiu a incredulidade contemporânea.

Os protestantes no entanto jamais puderam perdoar os incrédulos ou aqueles que negaram-se a endossar os ensinamentos da Santa Bíblia.

E apesar do discurso oportunisticamente liberal, destinado a atrair os Católicos liberais ou os liberais de modo geral, jamais deixaram de acalentar o sonho puritano ou ortodoxo de 'propor' e sancionar leis Bíblicas ou destinadas a honorificar a Bíblia e a humilhar os laicos, isto é, os que não creem.

Todas as vezes que os papistas ou liberais mais atilados, lançaram-lhes este sinistro projeto em face, os pastores brasileiros juraram pela mesma Bíblia que tudo não passava de calúnia, fruto da maldade, e que eles, protestantes, eram os mais fiéis partidários das liberdades democráticas E OS MAIS SINCEROS PALADINOS DO LAICISMO!!!

Passados uns cinquenta anos no entanto, damos com o PEC 99/2011, destinado a POR A FÉ em pé de igualdade com o conhecimento natural ou científico e a BÍBLIA no mesmo nível que a Constituição.

Se bem que cada república conheça uma só lei e que o fundamento desta lei deva ser sempre natural para ser laico!

A bancada protestante ou evangélica no entanto cuida por outro fundamento e um fundamento particular: a Bíblia...

E sabemos por lição de História onde tais iniciativas costumam dar...

Não se trata aqui de PERMITIR que os religiosos vivam a sua moda ou maneira, PELO SIMPLES FATO DE QUE JAMAIS FORAM IMPEDIDOS DE ASSIM VIVER POR FORÇA DE NOSSAS LEIS.

A lei brasileira, ao contrário das leis Mosaica e Maometana ou seja da Torá e do Corão, jamais pretendeu proibir alguém de repousar no sábado, de peregrinar a Meca, de evocar os espíritos dos ancestrais, de cultuar representações... ou tencionou constranger alguém a consumir carne de porco, beber sangue, trajar determinado tipo de roupa, ouvir jazz, casar com pessoas do mesmo sexo, abortar, etc A lei não interfere no que diz respeito a vontade pessoal dos cidadãos. É liberal e daí sua grandeza!

Esta lei a todos reconhece o direito de viverem como bem entenderem e de regular suas vidas por meio de seus livros sagrados, desde que abstenham-se de causar dano ou prejuízo aos semelhantes.

Que desejam então nossos fundamentalistas uma vez que nossas leis reconhecem-lhes o direito de viverem como bem entendem???

Como já controlam o Congresso, mas não o STF, e estão dispostos a tentar passar LEIS retiradas de sua Bíblia, precisam passar a PEC 99/2011. Do contrário todas as leis fundamentadas na Bíblia serão declaradas CONFESSIONAIS, anti democráticas, anti constitucionais e invalidades pelos juízes do STF. Daí a necessidade da bancada fundamentalista esmagar o STF. Enquanto o STF deter a primazia, toda e qualquer lei fundamentada na Bíblia, estará sob ameaça.

Considere agora caro leitor que o objetivo da lei num país democrático não é regular o privado, intervindo na vida pessoal do cidadão e cerceando sua liberdade. Mas ampliar ao máximo a liberdade NA ESFERA DO POLÍTICO OU DAS COISAS COMUNS. Trata-se aqui de criar e atribuir direitos naturais e não de imiscuir-se nos domínios da vida privada.

Agora justamente porque a lei diz respeito a esfera da Política ou das coisas comuns é que deve partir de fundamentos NATURAIS tais como demandas sociais, experiencialidade, razão, etc JAMAIS DE FONTES RELIGIOSAS OU LIVROS SAGRADOS. Sob pena de ser sobrenatural e religiosa, chocando-se com o caráter PLURALISTA, democrático ou LAICO DO ESTADO. Não pode a lei tomar por base determinado registro sagrado pelo simples fato de que a sociedade é composta por elementos ou cidadãos de diversas crenças ou fé, cada qual com seu livro sagrado e os mesmos direitos.

Não compete ao estado ou a esfera do político emitir juízo sobre determinado livro religioso concedendo-lhe um status privilegiado. Nada mais oposto ao caráter laico do estado, face ao qual todas as religiões e crentes são absolutamente iguais.

No entanto o esforço da bancada protestante consiste justamente em arvorar a Bíblia ou o livro, como fonte válida no sentido de pautar nossas leis e regular as vidas de todos os cidadãos. Eles até creem que a Bíblia seja em todos os sentidos superior a nossa Constituição e que nossa Constituição deva ser substituída pela Bíblia deles. Nutrem tais pretensões mesmo constituindo minoria religiosa... imaginem só caso viessem a constituir maioria? Agora no plano político estão bem articulados em torno deste proposito.

Agora que significa propor leis inspiradas ou pautadas na Bíblia?

Significa tomar por padrão social a sociedade proto israelítica do século IX a C restringindo ao máximo todas as liberdades, garantias e direitos dos cidadãos e implementando uma série de preconceitos monstruosos.

Implica querer regular ou controlar a vida dos outros ou de todos a partir de sua própria fé ou pontos de vista. Todos deveremos conformar externamente nossas vidas com o antigo testamento ou a torá de Moisés, crendo ou não nela! Nada mais sujo, arrogante e opressor! Devemos respeitar a Bíblia mesmo sem crer nela porque eles assim exigem, querem e determinam. Entendeu???

Por meio do PEC 99 2011 os protestantes estão exigindo a submissão ou a capitulação da sociedade laica apenas de modo mais sutil que os muçulmanos com sua sharia, e alias, abrindo esta senda para os futuros radicais islâmicos deste país ou facilitando as coisas para eles!
Observemos o que diz o relator deste capicioso projeto: "O STF expressa um preconceito contra argumentos de ordem religiosa dando preferência a argumentos científicos."

Qual o significado disto?

Que o SFT deveria apreciar os argumentos de NATUREZA SOBRENATURAL, CREDAL ou RELIGIOSA com a mesma seriedade que encara os argumentos DE NATUREZA NATURAL ou CIENTÍFICOS, NO QUE CONCERNE A FORMULAÇÃO DAS LEIS. Sim, pois não estamos tratando da ordenação da vida privada mas da coisa pública ou de nossas leis.

As leis no entanto como são feitas para todos devem estar por questão de necessidade fundamentadas na esfera COMUM da NATUREZA, e não da esfera PRIVADA ou PESSOAL da SOBRENATUREZA.

A ciência satisfaz plenamente esta questão na medida em que não é uma religião ou uma fé fundamentada na  autoridade de um livro ou dum homem, mas uma ideologia fundamentada nas capacidades da percepção e do raciocínio, as quais são comuns a todos os seres humanos: ATEUS, CRENTES, MUÇULMANOS, ESPÍRITAS, BUDISTAS, PROTESTANTES, CATÓLICOS, HINDUS, ETC

De fato este tipo ou gênero de conhecimento faz sentido para pessoas pertencentes a credos e ideologias bem distintos uns dos outros. Apenas certo número de muçulmanos e protestantes fanáticos, tendo em vista suas opiniões caprichosas, é que negam-se a reconhecer o espaço próprio da ciência e aspiram por impor suas concepções disparatas a todos os demais seres humanos! Isto no entanto já não é questão de mera estupidez mas de arrogância e dominação.

Não é porque meia dúzia de idiotas tomam a Bíblia ou o Corão por critério científico, que seremos obrigados a concordar com eles e SUBSTITUIR O PADRÃO COMUM DA CIÊNCIA POR SEUS QUERIDOS LIVRINHOS TENDO EM VISTA A FORMULAÇÃO DE NOSSAS LEIS.

As leis deduzidas da ciência, da experiencialidade e da razão apenas é que satisfazem o quesito democrático da neutralidade religiosa. Neste sentido o objetivo da PEC 99 2011 é justamente introduzir o primado da Bíblia, profanando o equilíbrio religioso, promovendo a intriga, sabotando a paz... Uma vez que cada religião pretenderá usar seus livros com o intuito de erigir novas e estranhas leis! A menos que o MONOPÓLIO POLÍTICO SEJA CONCEDIDO A BÍBLIA PROTESTANTE... e que os demais cidadãos deste país curvem-se face a tais exigências...

Até o dia em que os protestantes, como já fizeram no século XVI, façam decretar leis iconoclásticas e demolir as igrejas romanas, anglicanas, ortodoxas, as tendas de umbanda, os templos budistas, hindus, etc

É necessário examinar o passado, pensar no futuro e opor-se decididamente a projetos como o 99 2011, cujo extremo fim serão novos autos de fé, inquisições, violações de direitos, etc

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O tema da violência e o tema do pacifismo.

Encaro a paz como uma vantagem, um benefício, um valor, uma virtude.

Nem por isso sou pacifista crasso como uma Gandhi ou um Tolstoi.

Creio-me pacifista. Mas crítico.

Por mais que seja difícil considero que para pessoa humana seja conveniente abster-se da vingança e proceder sempre com docilidade.

Não se trata de perdoar sem condições ou de ser amigo de todos como preceituam alguns religiosos românticos.

O Evangelho ao decretar que amemos a todos os seres humanos não nos obriga a ser amigos de todos. Isto pelo simples fato de que nem todos estão dispostos a amar, retribuir, respeitar, etc Importa jamais desesperar de tais pessoas, se possível e sempre que possível ajuda-las e jamais agredi-las ou fazer-lhes mal. Importa estar disposto a perdoar caso elas mostrem evidências de que mudaram...

Ninguém é ou pode ser constrangido a viver intimamente com uma pessoa de má índole e sempre será lícito distanciar-se dela.

Agora odiar, buscar vingança ou recusar-se a perdoar aqueles que dão mostrar de serenidade, isto o bom Católico não pode fazer. Amamos os bons e virtuosos vivendo em doce comunhão com eles, amamos os maus pela esperança de que venham a abraçar a virtude, exortando-os a piedade, abstendo-se de agredi-los, tendo paciência com eles e se possível socorrendo-os caso passem por dificuldades, etc São maneiras diferentes de expressar o mesmo amor.

No plano das relações sociais legislou o divino Mestre e não podemos revidar o mal que nos fazem.

Grande desafio temos pela frente.

Porém se tivermos boa vontade, a comunhão ou unidade com o sagrado nos fortalecerá.

Importa saber que Jesus Cristo jamais pretendeu legislar em termos de politica e sociedade.

De fato os preceitos, normas e regras que estatuiu não foram estatuídos tendo em vista a ordem politica ou o estado mas as relações pessoais e ali se esgotam.

Erra cabalmente aquele que a partir da Lei evangélica tenta deduzir princípios políticos destinados ao governo das nações.

Assim tudo quanto o Senhor refere sobre a paz não pode ser usado aleatoriamente tendo em vista a condenação absoluta das guerras.

Pacífico segundo o Evangelho é sobretudo aquele que jamais agride.

Assim a paz do Evangelho, a paz que tende a regular de modo absoluto todas as esferas da existência humana deve ser compreendida não como proibição de exercer defesa, as sempre e antes de tudo como não agressão.

Ao Cristão sempre será vedado agredir ou atacar e tampouco pode se sancionar o ataque ou a agressão em termos de política Cristã.

Por isso que o único tipo de guerra ou rebelião permitido aos fiéis que seguem a Jesus Cristo é a guerra justa por meio da qual os agredidos exercem defesa.

Assim as Cruzadas por meio das quais os Cristãos atacados resistiram a jihad proclamada pelos muçulmanos no século VII e levada a cabo por cerca de quinhentos anos.

Agora aos cristãos jamais sería lícito atacar comunidades judaicas ou muçulmanas com o intuito de converte-las a força. O Cristianismo para sua glória não conhece jihad!

Nem me digam que certas parcelas do Catolicismo como as igrejas romana e anglicana conheceram Inquisições. Afinal sabemos perfeitamente que tais inquisições foram criadas quando o Cristianismo Católico contava com mais de mil anos e que jamais deixaram de ser criticadas pelos melhores membros das igrejas.

Direi ainda que se o desenvolvimento da inquisição estivesse relacionado com qualquer princípio interno inerente ao Catolicismo o Catolicismo Oriental ou Ortodoxo teria também ele conhecido um aparelho inquisitorial. No entanto a civilização bizantina jamais conheceu algo semelhante a inquisição. Donde se infere necessariamente que a existência da inquisição deve-se mais a elementos de natureza externa e exógena do que a elementos próprios do Catolicismo.

Foram tais elementos identificados?

Existem diversas hipóteses relativas a gênese das inquisições Católicas (jamais podemos nos esquecer de que existiram também as inquisições protestantes), tais como: a influência do islamismo e da sharia na península Ibérica, o convívio com os judeus e as fontes cada vez mais valorizadas do antigo testamento, etc

Por outro quando é que o islã deixou de ter jihad, djzia ou murtad???

Tornando agora ao tema da paz.

No entanto se a lei de Jesus Cristo repugna sancionar ou abençoar a agressão tampouco coloca a paz a serviço da injustiça como os pacifistas absolutos. Paz aqui não pode ser encarado por passividade face a situações de injustiça. Esgotados todos os meios pacíficos as situações de injustiça social sancionam o emprego da força, da guerra, da rebelião.

Eis porque Kafka assim expressou-se face a atitude dos operários oprimidos da Áustria: "Esses homens vem até nos para representar quando na verdade deveriam tudo tomar e destruir!"  
Afinal tudo conhece limite...

Assim quando a situação se torna insuportável para a comunidade é perfeitamente lítico tomar e destruir...

Compreende-se quando uma categoria de pessoas ou classe se deixa oprimir por saber-se demasiado fraca para revindicar seus direitos.

Agora quando um grupo ou classe se deixa explorar ao máximo mesmo sendo forte e capaz de reagir ou exercer defesa, já não é questão de pacifismo mas de indignidade.

Socialmente falando o Cristianismo não sanciona a indignidade.

Pois os discursos de Jesus Cristo estão voltados para o homem em suas relações pessoais e não ao governo das sociedades.

O homem forte e capaz que abstem de defender-se ou melhor que abstem de MATAR por suas IDEIAS este apenas é mártir PORQUE não acredita que as ideias possam triunfar por meio da força, mas que suas ideias haverão de triunfar por si mesmas apesar da força e contra a força. Foi este sentido que impediu Sócrates de fugir e que levou Jesus a ser crucificado!

Ambos podiam resistir, podiam fugir, podiam escapar... mas não o quiseram. E pereceram por causa de uma ideia ou opinião.

Claro que não estamos diante de uma situação social em termos de política, daquelas que opõem classes ou nações por consideração de justiça.

Aqui a situação é totalmente diferente e se Jesus Cristo não quis orientar-nos a respeito é porque certamente acreditava em nossa capacidade racional.

Ora, nada mais racional do que a teoria da guerra justa ou da resistência social em caso de agressão.

Mormente quando as crianças, idosos e mulheres inseridos em tais sociedades ficariam a merce de agressores muitas vezes demasiado cruéis. Neste caso proteger os membros mais vulneráveis da sociedade corresponde a um dever Cristão. Assim tendo em vista evitar defender tal gênero de pessoas e impedir que sejam exterminados, torturados ou escravizados pode ser encarado como uma tarefa religiosa.

Nem é necessário que a sociedade seja real, majoritária ou nominalmente cristã para que o Católico esteja obrigado a engajar-se e assumir sua defesa. Basta que seja uma Sociedade liberal ou democrática e laica face a qualquer ameaça fundamentalista ou teocrática a exemplo do pentecostalismo ou do islã. Não pode o Cristão Católico deixar de encarar a afirmação da liberdade no plano da natureza como a afirmação de um valor precipuamente Cristão...

Diga-se o mesmo duma Sociedade liberal ou formalmente democrática em que a maior parte dos cidadãos pertença a uma classe oprimida a qual se nega fazer justiça e que em decorrência disto opte por rebelar-se. Aqui o Cristão, certificado de que tal rebelião corresponde ao sentir da maioria dos cidadãos e que tem boas chances de ser bem sucedida, fica obrigado a engajar-se e a apoia-la ativamente. Não é do Católico omitir-se ou permanecer neutro face a situações de injustiça!

Agora perceba-se que o Cristianismo, mesmo sem ser passivo, lida com a violência como quem lida com um veneno ou seja com extremo cuidado.

E que portanto permanece equidistante da tese 'revolucionária' segundo a qual a violência deve ser encarada como uma espécie de panaceia ou teriaga destinada a solucionar todos os problemas sociais. Tese a que costumo classificar como mística da violência.

Desta mística grosseria, vulgar e ilusória que encara a rebelião ou o golpismo patrocinado por alguns indivíduos como uma espécie de receita de bolo aplicável a qualquer tido de situação, afasta-mo-nos decididamente.

Pois ignora:

O caráter incontrolável das rebeliões.

Os instintos destrutivos das massas e indivíduos em situações de anomia.

O valor da vida humana.

A esperança que os próprios oprimidos tem de virem a ser livres por outros meios.

A condição dos animais e do patrimônio cultural durante tais situações...

É todo um oceano de gente, de animais, de obras de arte e de documentos históricos que costumam ser aniquilados a cada guerra e revolução.

Um preço bem alto a ser pago por elas.

E eu creio que só deva ser pago em situações de injustiça ou agressão, após madura ponderação exercida por todo corpo social.

E não segundo a opinião precipitada de um líder ou de alguns indivíduos.

Nada deveria ser mais democrática ou amplamente discutido do que situações de conflito.

Importa que em tais situações o Católico esteja atento ao sentir da maior parte dos cidadãos, numa perspectiva democrática.

Neste terreno mais do que qualquer outro julgo que a verdade esteja no meio e que os extremos do pacifismo crasso e do odinismo correspondam a anti humanismos que se tocam.

Pois nem podemos sacrificar a justiça a paz e nem podemos ser fiéis a paz cometendo agressões.

Legitima é a guerra determinada por um ideal de justiça. Maldita a guerra promovida pela vontade de oprimir.

Nem tanto ao mar nem tanto a terra é nosso parecer.

Aqui como em todas as situações humanas seja a dignidade do homem nossa medida.

Paz quando houver justiça! Legítima defesa e resistência quando houver agressão!