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domingo, 19 de outubro de 2025

Europa a sombra dos minaretes - Que fazer... II

Uma vez exposta a situação temos de considerar o que fazer.

Pois assistir passivamente esta calamidade, que é o avanço do islã (Organizado pela própria ONU) pela Europa é algo que não podemos cogitar.

Pois no momento em que o crescente arvorar sobre a acrópole de Atenas, no fórum romano ou sobre os Túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo as bases da autêntica cultura ocidental estará morta.

Pois terá deslocado a Filosofia clássica, o Direito romano e a Ética do Evangelho e destruído nossa identidade, nossas raízes e nossa tradição.

No momento que as noções de racionalidade, livre arbítrio e amor ao próximo forem deslocadas e substituídas pelo irracionalismo, o determinismo e a agressividade tornaremos a barbárie e o islã será a porta.

Antes de tudo devemos estar aptos e treinados para contestar a ideologia pós modernista, por estar ela na base dessa conjuração.

Apesar do capitalismo e de outras misérias (Que nos conduziram a beira do abismo.) temos democracia, temos direitos inerentes e portanto igualdade jurídica, temos a noção de bem como ou justiça social, etc e portanto temos sim um padrão cultural superior em comparação ao autoritarismo totalitário, a teocracia, a uma hierarquia social arbitrária, etc - Ainda que limitássemos essa superioridade ao espaço de nossa própria cultura.

A menos que considerássemos o casamento de garotas com velhos, a castração de mulheres, o enforcamento de gays, a agressão aos pequeninos, a opressão dos dissidentes religiosos, o emprego generalizado da força, etc como práticas desejáveis temos de afirmar a superioridade da cultura europeia atual e de reconhece-la como propulsora no mínimo da forma de convívio menos ruim que existe. 

Alias desconfio que certas pessoas justificam o islã justamente porque aspiram viver a sua moda e devo avaliar qualquer cidadão ocidental ou europeu que deseje tratar sua esposa ou seu vizinho cristão segundo a lei islâmica como um canalha. 

Mais, a mim me parece que tanto entre os filo protestantes fundamentalistas no Brasil quanto entre os simpatizantes do islã na Europa sobressai um perfil sinistro: O desses homens maduros, machistas, homofóbicos, tarados, etc que aspiram enforcar gays e estuprar menininhas...  

Antes de tudo devo dizer que sou a favor de que os refugiados sejam recebidos ou acolhidos de braços abertos em qualquer parte do mundo desde que não sejam eles fundamentalistas religiosos, islâmicos ou cristãos, capazes de colocar as vidas dos demais cidadãos em risco. E não posso admitir por meio algum que a segurança dos cidadãos que vivem num determinado espaço sejam privadas de paz e segurança pela introdução de qualquer outro grupo social.

Os cidadãos ou contribuintes que pagam impostos fazem jus a segurança, a proteção e a paz; sendo dever do Estado garantir essas condições sob pena de quebrar o pacto vigente, tornar-se inútil, ocioso e ser confrontado pelos cidadãos.

Portanto receber em suas fronteiras qualquer grupo composto por fanáticos, teocráticos ou fundamentalistas, os quais venham a colocar em risco as vidas e bens dos cidadãos implica traição inaceitável. 

Devem portanto os árabes e outros que aspiram instalar-se na Europa adotar a cultura local e tal preceito deve ser indiscutível. Implica essa atitude abandonar os hábitos arraigados e assumir os hábitos comuns ao grupo em que se pretende viver. Implica abdicar de qualquer atitude no sentido de introduzir hábitos ou costumes árabes. Implica sobretudo em comprometer-se a não introduzir a Sharia e implica por fim aceitar que não serão construídas novas mesquitas. 

Seria ridículo ter eu de dizer que de modo algum devem os refugiados confrontar as práticas, costumes ou tradições das populações locais, profanando seus santuários, invadindo seus locais de culto, destruindo seus símbolos ou colocando em risco suas pessoas sob pena de serem rigorosamente punidas ou castigadas na forma da Lei. 

E segundo penso todas as violações acima por parte dos hóspedes deveriam ser punidas com deportação ou expulsão da comunidade em questão - Pois tratam-se de crimes contra os direitos inerentes das pessoas os quais não podem, sob quaisquer alegações, ser tolerados numa sociedade civilizada.

Vou além e opinarei que apenas as mulheres, os idosos, as crianças e os deficientes provenientes de sociedades islâmicas sejam acolhidas na Europa, e mesmo assim com a devida cautela. Quanto aos homens adultos, julgo haver precedentes graves para que deles se exija o abandono do islã ou um compromisso fundamental no sentido não tentarem impor a sharia ou construir mesquitas.

O mais recomendável no entanto é que os homens adultos do islã não sejam recebidos nos países europeus e sobretudo que clérigo ou imame sunita algum seja recebido. Naturalmente que a poligamia deve ser rigorosamente proibida nos territórios não islâmicos pois costumam ele dar o 'golpe' da barriga ou crescer pelo ventre até suplantar a população local. Também seria aconselhável a exigência de que limitem o número de filhos por casal sob pena de não serem aceitos - No caso dos homens adultos serem recebidos.

Necessário que seus filhos sejam obrigados a frequentar a escola local, de preferência pública e laica de modo a serem introduzidos na cultura vigente. Devem além disto aprender a falar a lingua local e valoriza-la. 

Outra medida de suma importância é proibi-los de formarem bairros, guetos ou pequenas comunidades fechadas e obriga-los a dispersarem entre a população 'comum', convivendo ou comunicando-se com ela, de modo a favorecer as trocas culturais.

Tais algumas sugestões concretas que já deveriam ter sido implementadas quanto esse tipo específico de população. Afinal hóspedes só podem ser acolhidos sob nossos tetos sob determinadas condições estipuladas pelos proprietários... 

Importante que tais leis sejam fixadas e que toda e qualquer violação implique na deportação ou no retorno compulsório ao local de origem. Quanto a isto não deve haver relaxação ou contemplação alguma, especialmente em se tratando de delitos inspirados pela fé e contra a fé alheia e seus símbolos. 

Deve haver todo um programa destinado a fazer com que os hóspedes assimilem os princípios, os valores, os costumes e a cultura local ou que no mínimo exerçam rigorosa tolerância face a ela, abandonando toda e qualquer hostilidade.

Super importante que a decisão de acolher essas pessoas passe pela comunidade local e que a nível nacional seja objeto de referendo ou de aprovação direta pela população e jamais uma imposição feita por órgãos internacional como a ONU ou a OTAN uma vez que são controlados por outros países e poderes. 

Importante que seja uma atitude política democrática i é sancionada pela população nacional e local e gerenciada por elas através de leis específicas destinadas a manter a cultura e promover a paz. 









sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Breve ensaio sobre os escombros> Positivismo, Ceticismo, Etica e Utilitarismo...

 Certa vez ousou Nietzsche declarar que a cultura de seu tempo assemelhava-se a um grande campo juncado por ruínas... E já aludi a esta visão a um tempo feérica e a outro melancólica ou mesmo patética diversas vezes.

Jamais me esqueci de uma ilustração vista numa Enciclopédia ainda quando garoto - A qual mostrava Goethe com o olhar perdido diante das ruínas do fórum romano.

E no entanto Goethe contemplando o passado longevo e glorioso dos Césares e memorando os feitos de Scevolla, Furius, Cincinato, Cléia, Cornélia, etc sabe a um Homero, pois tem grandiosidade Épica.

Outro o caso de Nietzsche, o qual possuído pelo espírito dionisíaco assemelhava-se mais aquele profeta judeu que aspirava tudo arrancar pelas raízes para depois replantar; tudo abater para em seguida reconstruir, começando pelos fundamentos. São homens que empunham o camartelo e estilhaçam o belo mármore sem derramar uma lágrima sequer... Tais os iconoclastas. Os iconoclastas - Recicladores de ideais.

Tal nossa civilização - Campo em ruínas ou cemitério de ideologias putrefatas?

Desde que o Catolicismo, a ortodoxia ou a fé apostólica foi imobilizada e lançada por terra após ter imperado soberana por milênio e meio é possível parafrasear os Atos dos apóstolos e dizer a respeito de cada um dos sistemas que o sucederam: "Onde a pouco caiu teu esposo hás de cair tu também, e eis que os coveiros já se acham as portas."

Efêmero foi o triunfo do protestantismo, com seu furor bíblico e altas pretensões - Pois pelos idos de 1700 era já a intelectualidade inglesa descrita como incrédula pelos habitantes do outro lado da mancha. Que dizer então do outro lado do Reno, onde um Reymarus declarava que apodreceu o corpo de Jesus em alguma cova ignorada após ter sido roubado pelos apóstolos com o objetivo de simular sua ressurreição. Sem mencionarmos o imenso enxame de seitas descrito por Voltaire nas "Cartas da Inglaterra" e a sucessiva falencia do projeto totalitário calvinista...

Substituiu-o efetivamente a ordem materialista do liberalismo econômico ou do capitalismo, a qual, desde então, tem o protestantismo servido como um lacaio.

Entrementes veio o convívio democrático a triunfar num cenário, ainda maior: A França. Assim, em menos de século e meio as ruínas do protestantismo foram adicionadas as ruínas do antigo regime.

Resta-nos mencionar as contradições internas do capitalismo. As quais, como registrou Marx,  não tardaram a produzir miséria ou pauperização e, por consequencia a suscitar uma oposição socialista e por fim o advento do comunismo. E se o liberalismo econômico triunfara na Inglaterra de 1643, com a revolução Inglesa; seu antípoda viria a triunfar na Rússia de 1917 com a Revolução russa

Assim, cerca de 1917 as ruínas do protestantismo, do antigo regine e do capitalismo atulhavam o horizonte da civilização e prenunciavam seu ocaso. 

Em que pese outros colossos terem sido erguidos sobre elas - Ao lado do edifício um tanto combalido, mas ainda sólido, da igreja antiga. Assim o Comunismo, a democracia formal e o Positivismo (Sucessor da fé e da Filosofia) enquanto outros como o Fascismo e o Nazismo estavam a ser edificados, sendo aparentemente promissora a arquitetura do século XX...

E no entanto, abalo após abalo, todas estas construções portentosas estremeceram e vieram abaixo com grande estrondo... Até que não sobrou pedra sobre pedra.

O positivismo, que como sereia augurava as novas gerações um paraíso sobre a terra, começo a ruir pelos idos de 1918, até perder quase que todo seu encanto após a segunda grande guerra. A abominação nazista veio abaixo em 1945 juntamente com o Fascismo. Já o todo poderoso Comunismo resistiu por cerca de setenta anos, esboroando-se em 1990.

E no entanto, o desabamento mais fragoso no entanto deu-se em 1962 - a partir do Vaticano II - com a queda da igreja romana, assediada pela maçonaria, comprada pelo americanismo, flagelada pelo ecumenismo, contaminada pelo protestantismo (Protestantizada) apartada de suas tradições e privada de sua identidade... e reduzida a quase nada > Em comparação com o que fora cinco séculos antes.

E tudo quanto restou de grandioso (Junto com o livre arbítrio - Posto na mira dos ateístas e materialistas) foi a crença infantil e leviana nessa democracia meramente formal ou sem espírito, a qual é mais cria do positivismo do que herança legada pelos antigos gregos. Embora haja quem ouse apresenta-la como algo pronto, acabo e incapaz de ser aperfeiçoado, isto é, como o 'fim da História' ou o Capitalismo de Fukuyama - Pasme o leitor inteligente...

Ora, uma coisa é admitir que corresponda ela, hoje, ao melhor do quanto nos tenha restado (Refiro-me apenas a democracia ou ao liberalismo político, de modo algum ao capitalismo) e outra que não possa ou deva ser aprimorada i é ampliada, aprofundada, etc tornando-se mais funcional, eficaz, direta e popular.

Pois o palpite capitalista, segundo a qual, nossa democracia sem consciencia, se sustentará tal e qual é, ou seja, com suas limitações, vícios e defeitos, demanda uma profissão de fé bastante ousada. A qual não me disponho a fazer.

Alias - Quantos e quantos já não escreveram sobre os seríssimos problemas que envolvem nossa democracia mecanica e sem vida? Revel, Sartori, Bobbio, Ameal, Maurras, Huntington, Lucáks, Poulantzas, Gramsci, Cahn, Lindsay, Moss, Tocqueville, etc 

Há portanto chances bastante concretas de que mais e mais ruínas acumulem-se sobre a seara do velho mundo ao cabo deste século... 

Do capitalismo, que parece recuperar-se, nada devemos esperar, exceto que esgote todos os recursos naturais disponíveis, fabrique mais massas desmioladas paras serem manipuladas, incentive o crescimento irresponsável da população e conduza a humanidade a destruição, caso não entre em colapso.

O irracionalismo reinante todavia, serve-lhe de couraça impenetrável. 

Mesmo considerando que as fontes do Capitalismo ou sua causa eficiente, encontram-se dentro do próprio ser humano ou na esfera da vontade, ainda que a razão estivesse em seu zenite teria de despender considerável esforço para 'conte-lo'. Que dizer então sobre o nosso tempo ou a era do pós modernismo...

Suas contradições internas, ou fazem-no entrar em colapso ou levam nossa espécie a extinção, para a sorte das espécies que não chegamos a extinguir e que talvez sejam contempladas com uma nova chance. Salvo se a disputa pelos tais mercados conduzirem-nos a uma terceira grande guerra nuclear...

Caso o edifício da democracia formal, entre em colapso e venha abaixo, antes de converter-se numa democracia popular, real ou direta as perspectivas me parecem bastante sombrias. Na medida em que virá ela a ser substituída por novos totalitarismos - quiçá religiosos (Teocracia) - ou pelo anarco individualismo, compreendido como dissolução do que chamamos convívio social (O sonho de Max Stirner e Ayn Rand) e aqui temos algo que sequer podemos conceber, uma vez que não podemos imaginar o que jamais existiu.

Mesmo esta democracia precária, e que precisa ser ultrapassada, nos tem de fato beneficiado pelo simples fato de preservar--nos desses dois extremos perigosos representados pela tirania, o despotismo ou a ditadura de um lado e a anomia do outro.

Necessário entender que a democracia, para adquirir vitalidade, deve deixar de ser simples forma ou casca para atuar como espírito ou mentalidade na dimensão da cultura. Deve a liberdade, ao invés de ser negada pelos neuro cientistas levianos e irresponsáveis, converter-se em um valor significativo, em nome do qual as pessoas aceitem viver ou desejem morrer caso preciso for. Caso ela não produza conquistas significativas, caso não desperte amor, lealdade e coragem, caso não melhore as vidas das pessoas, correrá o risco de tornar-se indesejável e inútil.

Já as relações humanas, dentre elas a produção de bens ou seja o setor da economia, devem ajustar-se, acima de tudo as exigências da justiça. Não é o Mercado, porém a necessidade humana que deve determinar o salário, impedido assim a afirmação da miséria e evitando que a divisão social aumente até o conflito entre as classes. Tudo isto implica que a economia reconheça o primado da Ética. Me parece que não há melhor caminho que a liberdade no plano da política e restrição ou contenção Ética no plano da economia.

Resta-nos então alguma esperança?

Sim, certamente há alguma esperança, como também parece haver um poderoso obstáculo

Pois se o positivismo desabou como sistema fechado há no mínimo oitenta anos, permanece ainda vivo e pujante no plano da cultura, a partir de seus elementos dispersos ou dos escombros reaproveitáveis.

Mas qual será o problema do positivismo? Perguntará o católico ou o ortodoxo estúpido que só tem olhos para o comunismo, para o anarquismo e quem sabe para o capitalismo...

Cumpre dizer em primeiro lugar, que este modelo, pautado nas ciências exatas e biológicas, tudo envenenou e desvirtuou ao inserir-se nos domínios das ciências humanas, questão examinada com propriedade de Dilthey a Poincaré (Convencionalista) ao cabo de décadas. Mas quem hoje lê Dilthey ou presta atenção a Poincaré ou a seu cunhado Boutrou...

Observemos de passagem os estragos que causou apenas nos campos da Psicologia e da Sociologia. Quanto ao primeiro deu ele origem a toda uma corrente espúria chamada Behaviorismo - Uma análise superficial do Behaviorismo encontra-se no livro de Marilynne Robinson 'Além da razão' ed Nova Fronteira 2011 capítulo I pg 17. Já no campo da Sociologia a diversos sistemas, todos materialistas e mecanicistas, como os de Marx e de W Pareto.

Alegadamente é o positivismo (Mesmo o francês, herdeiro do iluminismo e portanto destemperado desde o berço!) enquanto filho do criticismo kantiano e do ceticismo Humeano, uma forma de agnosticismo. 

O que deveria força-lo - A respeito de tudo quanto ultrapasse da demarcação imediata dos sentidos (A empiria) - a restrição e ao silêncio, como enfatizaram os ingleses Huxley, Mill Spencer.

Apesar disto, foi o positivismo de Litreé (Alegadamente anti metafísico) sob a forma cientificista, endossando cada vez mais abertamente o materialismo, até vende-lo como científico, enquanto que a ciência, sendo estritamente empírica, é por assim dizer agnóstica face a tudo quanto ultrapasse a simples materialidade. 

Dado por inverificável o quanto esteja para além dos sentidos, fica inviabilizado ou impugnado o discurso materialista. Uma coisa é declarar que o campo da investigação científica restringe-se ao campo da materialidade ou que a ciência seja material e outra, totalmente distinta, é assegurar que não exista qualquer coisa para além da matéria - O que justamente não se pode investigar por meio dos sentidos ou da percepção. Pois dado que existisse algo para além da matéria jamais poderia ser percebido.

É coisa de simples entendimento - Sucede todavia que nem todos os cientistas são versados em Gnoseologia ou Epistemologia...

Diante disto, ao cabo de todo século XX o positivismo, sob a forma acintosa do cientificismo, tornou-se porta voz do materialismo. 

Nada contra os materialistas que tem a lealdade de fugir ao positivismo ou ao kantismo e de apresentarem-se como metafísicos.

Obviamente que tal não é o caso dos positivistas - Os quais aspiram promover a ideologia ou a elaboração mental\conceitual do materialismo como 'ciência' ou dado empiricamente constatado... Aqui há quem pretenda inclusive ser cético (rsrsrs) e ateu, cético e materialista, cético e positivista... 

No plano da cultura o quanto foi dito a respeito do ceticismo por Victor Brochard, em sua extensa monografia sobre os céticos gregos foi reproduzido em gênero, número e grau pelo insuspeito G Sorel.

O qual também pode verificar que é o materialismo - E ainda mais o ceticismo - uma ideologia 'de crise', a qual ele vinculou ao fim do mundo antigo... Antes do mundo antigo ter se lançado aos braços do mitracismo, do gnosticismo e do Cristianismo havia se lançado nos braços do ceticismo e do materialismo. 

Não passou em sua totalidade da razão a fé ou ao fanatismo, mas, a partir da segunda metade do século III d C do irracionalismo ao misticismo (No qual o próprio neo platonismo se havia transformado) e enfim as crenças; sendo recuperado para a razão ou a teologia, por um Cristianismo (A Ortodoxia oriental a partir do século VI d C) que havia incorporado Aristóteles e que viria dar origem as diversas escolásticas. 

Embora alguns digam que este homem antigo fartou-se da razão, parece que foram mais propriamente as condições sociais adversas que fizeram este homem dela desconfiar até a negação ou ainda que a dúvida insuperável e pessimista foi potencializada pela situação externa do mundo, (Assim por calamidades naturais, conflitos bélicos, epidemias, miséria, etc) a qual parece ter repercutido negativamente nos domínios do intelecto, fazendo com que muitos passassem a desconfiar até mesmo de si próprios.

Assim o homem de hoje é precipitado pela crise do tempo presente nos braços das ideologias negativas que reforçam essa mesma crise. 

O homem angustiado ou neurótico da Sociedade do capital - Que trocou a família pelo culto ao trabalho e a viu sucumbir. - chegou a duvidar seriamente de sua capacidade e a sentir-se de todo incapaz ou inábil. 

Isso a um tal ponto que bastou a falsa religião apresenta-lo como culpado, impuro, corrupto e isento de qualquer qualidade para ele acreditar e encarar a si mesmo dessa forma.

Desde então a própria sociedade, enquanto convívio dos homens, não encontra regeneração... Uma vez que a partir do nada ou do vazio não se constrói coisa alguma. Uma vez que o nada o torna ainda mais frustrado. Uma vez que a impotência produz apenas decepção. 

Mesmo antes de ter tirado sua máscara e assumido aquele viés materialista que haveria de caracteriza-lo posteriormente, o positivismo, desde os tempos de Litreé, tendo declarado guerra a metafísica ousou repudiar a viabilidade da Ética enquanto valor universal e unificador. 

Já Brochard, em sua já citada obra, havia registrado que os antigos céticos costumavam ficar exasperados quando seus contraditores embrenhavam-se pelo caminho da ética, uma vez que nada tinham a oferecer e eram levados a admitir que absolutamente tudo era permitido... 

O que evidentemente assombrava seus contraditores, embora de modo algum assombre o homem leviano do século XXI. 

Mason acaba de morrer e esse Mason que acaba de morrer, foi quem urdiu o assassinato de Sharon Tate, seu filhinho e seus hóspedes, alegando que 'Tudo era permitido' uma vez que ele e seus seguidores não admitiam que assassinar, roubar, etc era errado... E como nada de externo ou de objetivo ao individuo além da sociedade falível... Como não há uma Ética transcendente, universal e unificadora... Com que direito podemos nós, a partir de nossos princípios e valores individuais, subjetivos e relativos julgar um Mason, um Streicher ou um Maníaco do parque e com que direito os podemos julgar e punir...

O que nos faz julgar e punir, com absoluta propriedade, tanto um Hitler quanto um Goebels ou um Himler é uma lei natural, essencial e comum que transcende a cada individuo e é fonte de direitos inerentes para todos os seres humanos. É sobre este conceito ou noção que se assentam os fundamentos mais remotos de nossos aparelhos judiciários.

Eliminado esta lei natural e estes direitos inerentes, como querem Kelsen Ross, apenas a instância social ou o poder político sobrepõe-se a pessoa.

Aparentemente semelhante doutrina não parece apenas inofensiva mas até sensata... 

E no entanto quantos não foram os crimes cometidos pelas sociedades, estados e organizações políticas ao cabo da história... A escravidão negra nos EUA, o Apartheid na África do Sul, os Campos de concentração nazistas na Alemanha, etc 

Daí Thoureau ter elaborado a doutrina da desobediência civil, embasada na consciência pessoal, a qual é tão digna e nobre quanto o poder político o é. 

Assim se Ross Kelsen personificam CreonteAntígona é feita valer pelo autor de Walden. Importa que hajam valores objetivos, comuns e essenciais acima de Antígona, Creonte, Ross, Kelsen, Hitler ou Mason... Aos quais se possam reportar todas as pessoas e sociedades.

O positivismo, todavia - E por questão de crenças ou de metafísica. - não o pode admitir...

Afinal Justiça e Liberdade são conceitos puros, que não podem ser experimentados, vistos, pesados, medidos, contados, etc E, sendo assim não existem apenas nos diferentes indivíduos, porém de diferentes formas. E o que é liberdade para um já não o é para outro... Nada de objetivo e externo aqui. 

Caso a justiça exista externamente e tenha uma forma comum, terá de existir e de subsistir imaterialmente... 

O que o positivismo não pode admitir. 

Sendo assim todo essencialismo ético, todo universo socrático/platônico é fundamentalmente abalado pelo positivismo. Pois é metafisico duma metafisica imaterialista ou espiritualista sem a qual a solução ética formulada pelo filho de Fenarete vem abaixo e desabada fragosamente. Enquanto ali, ao lado, diante dele, está Trasímaco, partidário de Creonte ou da força, do poder arbitrário.

Lamento te-lo de repetir pela milésima vez neste tempo em que se fala, tanto e tão levianamente, sobre ética. 

Afinal o grande mérito do pós modernismo anti positivista foi dar razão aos Católicos e reabilitar o tema da ética. Sem no entanto saber ou poder soluciona-lo, pela via do irracionalismo. Posto que por via do irracionalismo nada se soluciona ou conclui. 

Seja como for do positivismo jamais partiu qualquer sistema de ética, e ele jamais ocupou-se da ética mesmo quanto não chegou a nega-la honestamente com Litreé... O máximo a que seus profitentes chegaram foi a identificar a ética ou os valores com uma dada cultura humana, o que nos leva, não apenas ao relativismo, mas, como já foi dito, a instância da sociedade, como sendo o padrão com que nos deveríamos conformar. 

Ao postular o relativismo Etico ou cultural Durkheim, Levy Bruhl e os seus, ao menos remotamente, forneceram um suporte perfeito para Kelsen e este um suporte perfeito para a estatolatria e conformismo típicos do ceticismo enquanto negação de um modelo ideal. 

Foi assim com Pirro na antiga Grécia, e, ninguém mais conformista e conservador do que ele, dirá o citado Brochard... e não poderia ter sido diferente, pois como assevera Recaséns Sichens, não há crítica ou resistência, ou oposição possível a um dado concreto sem que haja uma instancia ideal. 

Negando doentiamente essa instância ideal e portanto, na mesma medida, a correção ou mudança, ceticismo e positivismo (Um Ceticismo ametafísico ético e estético.) tendem a ser conformar com o que é e a fazer com que nos submetamos docilmente a um veredito social que nem sempre é certo.

Remova a ética no entanto e que nos restará: O racismo, o escravismo, a tortura, o machismo, a pedofilia, a guerra, a matança de animais, etc

Irrelevante ou mesmo ocioso condenar tais monstruosidades em nome do individuo, da autoridade ou do grupo social. Pois alguém mais atilado, como um Mason, percebendo o logro, sempre poderá classificar tal condenação como mera opinião e discordar. 

É necessário condenar o machismo, o racismo, o odinismo, o adultismo, o especismo, o escravismo, etc em nome de um princípio objetivo, comum e superior a todos. De modo que a condenação seja categórica e o castigo justo.

É necessário fulminar tais vícios com uma condenação absoluta e  irretorquível. 

A qual independa da anuência ou da vontade dos indivíduos. 

Em nome de uma lei a que eles não poderão furtar-se porquanto sob quaisquer alegações.

O que sempre nos levará ao conceito de Lei natural, digo de que a Etica corresponde a uma Lei natural tão impositiva quanto a Lei física ou a Lei biológica.

O materialismo jamais ultrapassara o utilitarismo crasso i é aquele de Benthan, o da pior espécie... Mesmo porque Benthan, por questão de princípios jamais poderia considerar algo de unificador num universo puramente material. O quanto podia ele ver eram apenas elementos dispersos: Arvores, animais, casas, grupos sociais, culturas, opiniões, pontos de vista, etc sem qualquer mínima conexão ontológica.

Todos estão fartos de saber que o utilitarismo original, concebido por Benthan a partir do ateísmo ou do materialismo foi um utilitarismo individualista capaz de justificar Mason, Hitler, Tamerlão, etc

O que forçou J S Mill inserir naquele sistema o elemento da alteridade ou da empatia, o qual ele disse ter tomado ao catecismo ou ao Evangelho. Que os ateus, materialistas e positivistas (Não me refiro a bíblia ou antigo testamento e nem mesmo as cartas dos apóstolos porém as lições de Jesus ou a suas palavras assentes nos quatro Evangelhos - Quero deixar isto bem claro.) encaram como uma produção grosseira.

Solidariedade ou empatia empiricamente falando nada é. 

Por via do materialismo somos seres separados uns dos outros e não podemos jamais fugir ao individualismo com todas as suas funestas decorrências. 

Mas temos os mesmos corpos! 

Não, não temos os mesmos corpos. O que temos são corpos semelhantes quanto a forma ou a constituição, mas diversos quanto a extensão e por isso a dor sentida por um não jamais se propaga ao corpo do outro... 

Mas eu talvez venha a passar pela mesma situação... Isto continua sendo sempre uma mera suposição, a qual, rigorosamente falando não nos obriga a coisa alguma. 

Todo e qualquer sistema de ética que parta do materialismo jamais conseguirá opor-se com sucesso ao individualismo. Serão individuos buscando suas vantagens, bem a gosto do darwinismo social, o primo cientificista do utilitarismo benthaniano por sinal.

Considere o leitor o caso de tais indivíduos terem que matar, roubar, mentir, trair, etc 
para obterem os resultados a que aspiram, se realizarem e assim conquistar a felicidade? 

Fará voce um belo sermão dizendo que cada um deles deve abrir mão da própria felicidade ou imolar-se... Com base em que experiencia ou constatação empírica... Só se for com base nos romances da Bárbara Cartland...

Dirás que o direito deles termina onde começa o do outro... Que devem se colocar no lugar do outro... Que é errado... Etc

Pois bem, onde e por que modo são tais afirmações comprovadas pela ciencia.

Pelo contrário> O que mais vemos nesse curioso mundo são cientistas de tendencia darwiniana (Pobre Darwin) ou darwinistas sociais, publicando livros nos quais declaram que a traição, a mentira, etc corresponderam a mecanismos ou a estratégias evolutivas...

Teme ao menos - O criminoso, dirá voce. - ser apanhado pela justiça, ser descoberto, ser preso, ser punido, etc

O conselho até seria bom caso não deixa-se implícito que um crime não descoberto ou punido nada significa. 

Aqui, o quanto nosso defensor da 'Teoria pura' esta fazendo é, na prática, estimular o crime perfeito, por parte dos que se acham habilitados. Provavelmente voce responderá dizendo que não existe o crime perfeito - Ao que posso objetar: Alguns crimes são de fato tão perfeitos a ponto de voce, ignorando-os poder negar confortavelmente sua existencia. Direi no entanto que antes do DNA inumeros crimes foram 'relativamente' perfeitos e que outros só foram descobertos décadas após as mortes de seus autores, os quais de fato jamais responderam por eles ou receberam punições conseguindo burlar a justiça humana.

Naturalmente que se alguns conseguiram, alguns outros que tem perfeito conhecimento dos fatos e que se julgam competentes - Já dizia Cecília Meirelles Nada mais comum do que alguém atribuir a si mesmo excessivo valor... 

Sendo assim, ao menos para algumas pessoas pretenciosas a  impunidade por si só, face as autoridades humanas, equivaleria sempre a um estímulo ou a uma permissão, para que cometessem crimes.

Senso assim a doutrina utilitarista individualista corresponde, sob todos os aspectos possíveis a um fiasco completo.

Hume merece certamente ser aplaudido por sua honestidade e franqueza, quando partindo de seu ceticismo inveterado, teve de concluir que o assassinato não constitui um mal em si mesmo e que a única coisa que o transforma em crime é a lei baixada pela sociedade. 

Portanto não havendo punição ou lei externa não haveria crime.

Tortura e estupro tampouco seriam males condenáveis em si mesmos, exceto se condenados pela sociedade. 

Agora imaginem uma Sociedade que aprovasse a tortura, como a Comunista, a Fascista, a Nazista - ou uma outra, como a islâmica, onde estupro de vulnerável ou de infiel fosse autorizado... 

Eis para onde nos levam Hume e o querido ceticismo...

Agora reflitamos sobre o que sucederia caso as pessoas, em especial as massas ouvissem-no e o levassem a sério.

Reflita! 

Imagine uma Sociedade em que o sistema de Mill fosse adotado sem os atavios tomados ao Cristianismo (Tornando a ser o de Benthan) com sua ética revelada... Sim, pois o outro nome do utilitarismo individualista é darwinismo social; amiguinho Benthan e amiguinho Spencer estão de mãos dadas... E nessa sociedade regida por princípios egoístas; compaixão, amor, justiça, etc não apenas carecem de todo sentido ou são meros nomes como representam desvantagens em conflito com as investigações científicas.

Agora veja um clamoroso exemplo ou reflexão que tomo Peter Singer - Por que raios continuamos a torturar e matar animais inteligentes, como cobaias, ratos, macacos, cavalos, cães, gatos, etc com as bençãos dos cientistas positivistas e dos patrões ou empresários apenas para emprega-los em 'experiencias' (Torturas escabrosas, repito) e ter uns sabonetes, perfumes, xampus e desodorantes, e medicamentos, melhores ou ainda para adquirir uns certos conhecimentos... Por que continuamos a fazer isso após sabermos que tais seres não apenas são sensíveis, como auto conscientes, resistentes a morte e sobretudo inteligentes...

Trasímaco responde: Fazemos isso primeiramente porque podemos ou temos força, armas, etc e em segundo lugar porque obtemos vantagens ou benefícios> Eis ai o belo utilitarismo produzindo seus frutos podres i é uma autentica hecatombe! E os cientistas acríticos e negadores da Etica e de lei natural, executam, aplaudem e defendem tudo isso, para depois criticarem os religiosos ignorantes e iletrados que sacrificam animais a seus deuses... Eis a estirpe dos evoluídos positivistas...

Observem mais uma vez este trágico quadro - Utilitarismo, Individualismo e Darwinismo social... 

E reflitam sobre de que maneira poderiam tais doutrinas servir de anteparo as culturas de morte do Anarco individualismo, do Fascismo, do Nazismo e do Comunismo... 

O positivismo, o cientificismo, o ceticismo, o materialismo e sobretudo o ateísmo jamais poderão servir de fundamento a qualquer sistema de Etica nimiamente humanista i é capaz de proteger, valorizar e promover o ser humano face aos clamores das culturas de morte acima citadas! Que dizer então sobre uma Etica supra especista capaz de vindicar os direitos dos animais acima citados!

Afinal sempre serão sistemas estruturais ou funcionalistas a que sempre se poderá escapar. 

Não cogitam em eles em liberdade ou justiça e por isso jamais serão capazes de inserir vida em nossa democracia semi morta ou de reformar as instituições econômicas produzindo uma sociedade mais solidária e fraterna. 

Não devemos esperar qualquer redenção do positivismo ou de seus tentáculos, tampouco do empirismo e do ceticismo e enfim do pós modernismo. Desse balaio não saí Etica alguma. 

Assim enquanto mais e mais escombros vão caindo sobre nossas cabeças (E diante do cenário feérico que é este imenso campo, coberto por ruínas monumentais.) só nos resta ir bater a outras portas...

Seremos capazes de reconstruir alguma coisa??? Não sei, não sei, não sei; mas certamente devemos tentar...

Poderemos aproveitar algum material?

Mármores e pórfiros sempre podem ser reaproveitados com sucesso...

Reciclagem é sinal de inteligência...

Algo há que possa ser recuperado?

Veremos, veremos...

Precisamos porém de um elemento coordenador...


Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Anarquismo
  • Conservadorismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

domingo, 3 de dezembro de 2023

Oclocracia ou, quando a Democracia desanda...

Dever nosso, i é, dos que sustentam os ideais do Liberalismo político e da vida democrática, velar para que nossa democracia não se venha a converter numa qualquer outra coisa ou em algo que os antigos chamavam Oclocracia, ou seja, o domínio das massas imbecis.

De fato um conceito sadio de democracia supõe sempre algo a que se chame povo ou um conjunto de cidadãos. Em contraposição a povo temos massa, algo inconsciente e formado por homens e mulheres ignorantes, idiotizados, acríticos e manipuláveis. 

As massas não parecem ter ideais muito elevados e por isso mesmo contentam-se em ter satisfeitas suas necessidades mais elementares como comer, beber, fumar, procriar e curtir, nada muito além... Via de regra são as massas miseráveis ou carentes de quase tudo, e por isso seus ideais são básicos ou elementares...

Isentas de qualquer ideal político as massas não oferecem qualquer perigo para os poderosos ou para os demagogos. 

Já por serem extremamente dóceis e manipuláveis.

Por questão de necessidade as massas se vendem e vendendo-se são contidas.

Basta que o líder ou os lideres lhes deem> Pão e circo i é Pão, churrasco, cerveja, sexo fácil, fumo e ruídos para que se satisfaçam e não incomodam. As massas contentam-se com migalhas ou esmolas ofertadas pelos demagogos e por isso são oportunas.

O cidadão, tendo uma condição de vida média e satisfeitas suas necessidades básicas, bem pode alçar-se as regiões do abstrato, idealizar algumas coisas - Como a partilha do poder! - e aspirar por elas. Por ter atingido certo nível de consciência é o cidadão uma ameaça para o demagogo e também para o patrão, para o mago...

As massas e o zumbi, não incomodam a quem quer que seja, não representam ameaça alguma, não são causa de inquietação...

E no entanto a questão que aqui se coloca é a do acesso ao poder.

Pois desde que mundo é mundo, são as massas, sutil ou declaradamente, controladas.

A bem da verdade são compradas por meio das migalhas ou esmolas que recebem.

E sendo as massas o que são, não vejo outra solução possível.

Por isso a Democracia atribui o acesso e o controle do poder a outra entidade, a que chamamos Demos ou Povo, uma agremiação formada por cidadãos conscientes, a cidadãos formados por um processo educativo ou emancipatório.

Agora para que tal elemento político - O Povo, exista de fato, é necessário um ingrediente econômico.

As massas alienadas tanto hoje quanto nos belos tempos do Império romano, são formadas pelos miseráveis, pelos que quase nada tem e pelos que, quase nada tendo, sequer podem satisfazer suas necessidades básicas. Posto que a miséria produz a dependência e a falta de acesso a educação produz a conformidade.

Uma economia que produz miséria impulsiona o processo de massificação e tira vantagem da massificação, gerando um círculo vicioso reforçado pelo fundamentalismo religioso e pela tirania ou pela demagogia. 

Para que haja povo ou um conjunto de cidadãos conscientes, devem eles, economicamente falando, gozar de uma condição média > A qual lhes franqueie acesso a certo nível de comodidade ou conforto, e possibilite a formação do espírito por meio da instrução.

No tempo presente, as estruturas econômicas, a situação política e certas expressões religiosas, conjugaram-se, tendo em vista a produção de massas ou de pessoas sem consciência. Isto porque almejam controla-las econômica, política e socialmente, tornando sua servidão invencível.

Se o setor responsável por gerir o processo educativo, curva-se diante dos poderes econômicos e diante dos clamores suscitados pelo sectarismo religioso, não se deve esperar coisa alguma dele, a exceção de uma instrução aparente.

Oferecer as massas uma educação de qualidade ou uma instrução esclarecedora equivaleria a entregar aos presos a chave da cela, e o carcereiro, imbuído de sua vocação, não o fará.

Temos massas, fabricação acelerada de massas, despersonalização, desumanização... E temos um discurso politicamente liberal ou democrático, o qual, dentro de certas condições é não apenas válido como desejável.

Eu aspiro por ideais democráticos e por uma vida democrática que garanta, na perspectiva mais ampla, o exercício das liberdades.

Porém democracia só se faz com povo ou é feita, é construída, é implementada, pela atuação de cidadãos conscientes. Alias quanto mais direta um democracia é, melhor é.

Com massas o que temos jamais será democracia porém Oclocracia. Algo em entram diversos ingredientes, como demagogia, certo nível de manipulação ou dominação sutil e acordos.

Implica a Oclocracia, que as massas tenham certo nível de acesso ao poder ou que obtenham algo em troca - Como o cão, a quem o gatuno atira um osso, para poder ter acesso a casa que pretende roubar... As vezes esse osso poder até ser um pedaço de carne ou mesmo um suculento bife - Uma vez que o assaltante obterá ouro...

É uma espécie de troca. 

Por meio da qual as massas alienadas obtém os 'bens' que, por absoluta, falta de educação ou instrução, veio a desejar - Pois caso fosse educada aspiraria por outras coisas ou por verdadeiros bens.

Contentam-se as massas com - Futebol, carnaval, novelas, showzinho gospel, falsas moralidades, cachaça, fumo, drogas, sexismo, etc enquanto os demagogos rapinam o erário. Fornecido o ópio ou o circo, as massas não se mexem, não se movem, permanecem inertes...

O Estado demagógico, por meio da cultura, condiciona as massas a fruírem de tais 'bens', inclusive ocultando-lhes outros bens, que de fato são bens. Apenas para em seguida fornecer-lhes tais bens, e assegurar a paz: "O que eu quero é ser feliz na favela onde eu nasci.".

Mas só é feliz na favela e nela deseja viver, quem por ignorar horizontes mais amplos, cuida ser ela, a favela, o mundo...

Ocultem o mundo, o outro mundo, aos aprisionados, e eles se sentirão super felizes dentro da caverna...

A Educação hoje consiste basicamente nisso: Em mostrar o que já se conhece e jamais apresentar o que não se conhece ou ignora. E nem podemos aspirar pelo que ignoramos.

Mantemos o discurso em torno da democracia e do liberalismo político, mas não concedemos as massas pleno acesso ao poder.

É o caminho da Oclocracia. 

A passagem para o caos.

Pois em certo momento poderão as massas exigir mais.

E se um dia, por obra do deus acaso, conquistarem o poder e exercerem o controle...

Conhecemos, lamentavelmente, a ditadura de um ou de alguns.

Que seja ditadura de um grupo social ou uma ditadura de massas, ignoramos supinamente.

O quanto quero dizer é que ao fabricar massas podemos estar forjando um futuro terrível ou pior que tudo quanto já vivenciamos.

Deveríamos estar instruindo, educando, formando cidadãos críticos, dirigindo para a Ética, personalizando, humanizando... 

O que o Estado, a serviço do lucro e da superstição, tem feito é semear a miséria, despersonalizar, desumanizar, promover a ignorância, expandir a alienação, etc - Com o que se solapa a democracia e se suscita críticas intempestivas, não poucas vezes justas.

Não poucas vezes o que se repudia e combate não é a Democracia ou o tipo ideal de vida democrática porque aspiramos e sim essa corrupção chamada Oclocracia - O domínio das massas idiotizadas. 

Muitas vezes o que se rejeita e combate é apenas sombra de democracia ou uma democracia degenerada e decadente.

Tal o quadro sinistro das coisas...

Nossa democracia se vai desacreditando.

O clamor das massas imbecilizadas e satisfeitas aumenta dia após dia. Como nuvens que prenunciam uma tempestade...

No Brasil parte das massas identitárias ocupa-se de coisas totalmente inúteis, como em elevar o Funk e o 'ripe rope' ou a dança de rua, as alturas... Enquanto o outro lado, deseja a instauração de uma Teocracia bíblica...

De extremo a extremo vagam as massas... 

E não sabemos no que resultará tudo isso.






sábado, 23 de setembro de 2023

O pensamento equilibrado de Almeida Garrett no 'Testamento' de Sardinha

 




Abaixo reproduzirei alguns trechos bastante realistas e equilibrados do literato português Almeida Garrett sobre Conservadorismo e Progressismo ou ainda sobre Manutenção e Revolução. Trechos em que nosso homem, surpreendentemente, afasta-se de ambos os extremos, buscando por uma noção equilibrada de fluxo histórico ou buscando acompanhar a História ao invés de paralisa-la ou faze-la avançar.


Fazer a História parar, como querem os conservadores de vária cepa é impossível e nem mesmo as antigas sociedades egípcia e chinesa, que foram as mais estáveis ou o quanto possível conservadoras, lograram esse feito miraculoso. Posto que sendo vivas também elas se transformaram, sob diversos aspectos, nos séculos em que subsistiram. 

Fazer a História avançar, como aspiram os revolucionários e sediciosos até poder ser possível, porém sempre desastroso. Pois após o aparente avanço segue sempre um retrocesso ou recuo ainda mais grave. Semelhante ao movimento do arco descrito por V G Childe - Embora nesses casos seja recuo cego e sem ulterior avanço.

De fato ambos os extremistas> Conservadores e Progressistas, imutabilistas e revolucionários, paralíticos e avancistas; ignoram o que seja acompanhar o ritmo da História. De fato não sabem marchar em seu compasso. E se recusam a seguir o fluxo natural das coisas. Não querem caminhar em comunhão com o processo histórico mas altera-lo artificialmente seja travando-o ou acelerando-o.

Os Conservadores tem dificuldade invencível para compreender que o dinamismo é caráter essencial dos seres vivos em sua marcha evolutiva. Anti cientificistas parte deles permanecem fixados em modelos mitológicos absurdos como o fetichismo criacionista e decorrente fixismo... E fundamentam o erro sobre a ignorância ou a mentira. De fato o conservador nato é o fundamentalista religioso, com sua cosmovisão mágico... Desamparado pelo mito o conservador fica indefeso ou vulnerável diante dos fatos, posto que sendo vivas as sociedades invariavelmente mudam e se há algo de imutável e fixo é a mudança ou o fluxo.

Corpos vivos e sociedades formadas por corpos vivos e mentes não são animais empalhados, cadáveres ou múmias enroladas em faixas. Sociedades não são compostas por pedras ou estátuas mas por seres humanos, seres vivos e animais racionais providos de intelecto ativo. 

Compreende-se que o movimento de mudança seja gradativo, dando-se por meio de rupturas e permanências. Na medida em que as rupturas se vão acumulando acentua-se a diferença. A transformação nem sempre é acelerada ou rápida, todavia não deixa de ser certa. Transformam-se os seres humanos, e as sociedades, por eles formadas, acompanham tal transformação.

Tão insensato querer tudo conservar quanto querer tudo demolir, implacavelmente. Há que se ser crítico aqui. Há coisas que são dignas de ser conservadas, por corresponderem a seus fins, a legítimos fins e coisas há que de modo algum são dignas de serem conservadas, devendo ser destruídas... Parece-me que os direitos do trabalhador e a política protetiva deva ser conservada, como dever ser conservado o ideal de bem estar social correspondente a noção de bem comum. Como parece-me que a isenção concedida as agremiações religiosas que não mantém qualquer rede de serviços sociais e públicos deva ser revogada. 

Parece-me bom que o 'direito' ao duelo ou a licença para matar esposas adúlteras tenham sido canceladas pelo legislador. Como me parece digna de ser mantido o regime público a que chamamos SUS. 

Há portanto instituições e leis que devem ser conservadas - E quanto a elas é dever ser conservador... E instituições que devem ser demolidas e substituídas por outras mais elevadas e condizentes com as circunstâncias - E aqui se deve ser progressista... Adotar as divisas de conservador ou de progressistas como absolutas é verdadeira idiotice. Como é pura bobagem ser Revolucionário e contra Revolucionário, ao menos de modo geral - E tornamos ao genial Berdiaeff em oposição ao energúmeno Donoso Cortes papa dos contra revolucionários.

As vezes se pode apoiar alguma Revolução - Pois alguns ideais são dignos de serem apoiados e o problema das Revoluções é sempre o meio ou método. De modo geral melhor manter-se alheio a elas, embora não completamente alheio quanto a seus fins ou ideais. Problema das revoluções é a mística da violência, a qual atribuem a capacidade mágica de alterar radicalmente as coisas. E é ridículo, pois as grandes e relevantes transformações se produzem por meio da mudança de consciência, único meio porque se atinge a cultura e a realidade. 

Tanto pior ser contra revolucionário ou se opor a um evento inevitável (A Revolução é o que o sintoma é para um corpo enfermo - Berdiaeff) devido a incúria dos cidadãos. Deveriam ser as Revoluções evitadas institucionalmente por meio de reformas que adequassem as leis a realidade - Não sendo assim serão sempre fatais... Correspondem assim ao resultado se um pecado social ou comum, que deve ser suportado por todos com docilidade e paciência. A Revolução, quando virulenta, dever ser sofrida ou recebida como espécie de penitência, jamais combatida com armas como querem os demagogos.

Unicamente tem direito de critica-la os que buscaram sinceramente evita-las e esses quase nunca são os conservadores obstinados.

Quanto a violência ou a sedição já disse que esgotados os meios institucionais e sendo a situação insuportável, é perfeitamente legítima, tal e qual a guerra justa em caso de agressão. Apenas não se deve crer que a violência ou a sedição trarão alterações radicais ao corpo social. Caso erradiquem ou suprimam determinada situação de injustiça a violência cumpriu com sua finalidade - Mesmo porque constituindo sempre meio e jamais fim em si mesma, a violência, ou seu emprego jamais poderá ser condenada 'in totum' ou abstratamente. A violência sempre deverá ser considerada com relação a seus fins, portanto caso os fins sejam nobre também seu emprego será nobre - Claro que devemos excluir o campo da religião ou da fé, o qual segundo a Lei do Evangelho não admite o emprego da violência mas o da persuasão das liberdades. 

Observamos ainda que o emprego da violência jamais deve corresponder ao ataque ou a agressão mas sempre uma resposta a algum tipo de agressão como uma situação de injustiça. 

Feito tal prólogo passemos as doutas reflexões de Garrett:

"É a missão das Revoluções destruir: É uma lei, e de precisão eterna, a periodicidade desses cometas do sistema social: Jamais edificam ou constroem, criam ou reformam. Porém é a Sociedade imortal e as leis e condições elementares de sua existência perpétuas, assim, mais cedo ou mais tarde, das ruínas necessárias de uma Revolução, ressurgem os princípios insdestrutíveis para remodelar o que é essencial a vida de cada grupo humano, segundo seu modo de ser." Sardinha - 1942 p 88

"Sou eu retrógrado cronologicamente e não metafisicamente. Talvez que os senhores responsáveis pela Revolução não o compreendam... Mas assim sou, cronologicamente retrógrado. Pois aqueles que tudo deslocaram no nosso Portugal fizeram-no por mover EXTEMPORÂNEO E ANTECIPADO, destarte desejo eu retrogradar o país ao justo e razoável ponto em que deveriam te-lo deixado. Não o faço metafisicamente, porque tudo quanto sem grave risco e perigo podemos fazer avançar não ponho limites ao avanço." Id p 82

"Não venha o funesto sofisma que é o medo do passado impedir-nos de resgatar o quanto havia de bom, justo e livre - E que era muito. - nas instituições de nossos ancestrais." Id p 103

"Devemos confessar que neste ponto ao menos, era o antigo regime menos arbitrário do que o nosso, o qual, diante da Liberdade das tábuas da Lei que pusemos sobre um altar, estamos sacrilegamente imolando ao um bezerro de ouro dos nossos interesses e paixões. NÃO VALE A PENA SAIR DO EGITO PARA ISSO E ANTES VAGAR TANTOS E TANTOS ANOS PELO DESERTO, E PASSAR PELO MAR VERMEHO DE TÃO SANGRENTAS GUERRAS CÍVIS." Id p 106

Ocorre-me aqui o triste exemplo da ex URSS com seu despotismo totalitário e sua posterior desagregação - Tão copioso Mar de Sangue para isso: Expurgos de Stalin e retomada do modelo capitalista numa intensidade ainda maior...

Também se me ocorreu a Reversão da Revolução francesa após a fase Robespierriana cheia de promessas e conquistas - Desde então a França se foi reacomodando até a subida de Napoleão e a ascenção de outros régios potentados... Até cair nos tentáculos do Mercado, conforme o modelo de Albion... Tanta efusão de sangue para isso...

Poderia mencionar ainda a inacabável Revolução mexicana, com seus quarenta ou cinquenta anos de curso e decorrentes misérias - Para terminar no Nafta, em plena comunhão com o mesmo país que despojou-o do Texas e da Califórnia...

Certo é que as Revoluções sangrentas ou draconianas revertem sempre, a menos que conduzam a nova sociedade a um poder absoluto que prolongue o espetáculo terrificante. Não são - As Revoluções. - sólidas ou consolidadas porque ficam sempre na superfície da cultura, uma vez que não produzem consciência por meio da educação\formação. No fundo as Revoluções são sempre frágeis e seu legado discutível.

Tornemos porém a sabedoria de Garrett: 

"As nossas antigas colônias tinham um sistema de legislação antiga, obra dos séculos, e só as ordenações dos reis S Manuel e D Sebastião para a Índia tinham quase tanto a se estudar quanto as nossas Ordenações do reino... As legislações da primeira ditadura aplicaram indistintamente a todos aqueles países, tão diversos dos nossos, tão diversos entre si, o mesmo sistema de administração e regimento que já para nós mesmos era inconsiderado...

Veio a segunda ditadura, e remediou em grande parte os males da primeira, retrogradou (Como devia) a muito dos antigos métodos especiais e da legislação local daquelas terras. Mas todo esse direito anda por cá flutuante e vago; como não o há de ser por lá. Que fatal não pode ser aqueles estabelecimentos, cujo estado é já tão tomentoso, que fatal lhes não será que agora se lhes apareça por lá um novo regime e sistema que amanhã declararemos nulo e revogaremos. Que será se o governo ido nesta monção começar a estabelecer o regimento da província... e na próxima lá aportar outra com outro sistema e outras instruções..."

Alude aqui as sucessivas mudanças efetuadas na legislação por sucessivos plataformas e partidos por pura e simples questão de Ideologia, e inclusive as anulações ou revogações de leis que vigoraram em determinados governações.

Pois se é certo que mudanças sejam sancionadas é inconveniente e perigoso que hajam continuas idas e vindas - O que amiúde sucede quando após a governação de uma plataforma progressiva ou equilibrada, aparecem os sinistros conservadores querendo, a força de princípios ou (Que é infinitamente pior!) de livros religiosos ou bíblias, restringir as liberdades conquistadas pelos cidadãos e fazer a sociedade retroagir. Não há atitude mais danosa e desgastante para a legítima autoridade que essas idas e voltas. Por vezes é lícito ou melhor necessário, retroagir - Não sempre ou constantemente. 

Podemos portanto aquilatar o dano produzido pelo governo anterior ao tentar, quase por força de baionetas, fazer recuar nossa legislação ambiental apenas para agradar uns mineradores e fazendeiros i é a particulares. Digo o mesmo sobre os murmúrios em torno da Lei Maria da Penha ou da Lei menino Bernardo, as quais os tarados religiosos e fanáticos, aspiravam tornar mais lassas ou revogar em nome de seu deus. Isso sem falar na constante maquinação em torno da Legislação trabalhista destinada a proteger o trabalhador contra os desmandos dos que detém o poder econômico e arbitrário.

Bem se vê que o que é conservador aos próprios não o é a olhos alheios e que tudo isso é muito relativo. Dirá o leitor que eram reacionários... Tenho por reacionários os que tomam por modelo um passado muito distante, seja ele antigo ou medieval. Esses que aspiram revogar certar Leis progressistas também aspiram revogar outras leis, que como as trabalhistas, inspiram-se em modelos muito antigos, tenho-os em conta de meio conservadores e meio progressistas - É essa inversão de Garrett ou monstruosidade iniqua do tempo: Conservador nas tais moralidades ou em política e ultra liberal em economia, quando, ao menos entre os Cristãos apostólicos e classicistas se deveria dar o extremo oposto: Conservador ou melhor reacionário em economia e ultra liberal e política ou mesmo em moralidades. Bem se vê que eles adotam o modelo Norte americano ou americanista com sua com sua cultura moralista economicista...

É um conjunto incoerente, amorfo e utópico esse do conservadorismo moral associado ao liberalismo religioso que clama por ilimitação absoluta. Posto que o impulso inicial do progressismo ou da dissolução da sociedade antiga partiu justamente do liberalismo econômico e este da reforma protestante. Temos ai a nova fé e o capitalismo iniciando a demolição do modelo antigo e do antigo regime. Como agora querem os livre examinadores que questionavam a Trindade divina, a Encarnação, a Imortalidade, a presença real, etc pousar de defensores de uma moralidadesinha imutável e absoluta... E mancomunados com o sistema econômico que esfacelou a família, após, com falsas promessas, remove-la do campo. 

E continuam esses conservadores, ignorantes ou hipócritas, a propor esse modelo esdruxulo em que entram uma economia que instila e exige mudanças radicais e uma moralidade tosca de múmias e cadáveres associada a um governo paralitico ou a uma política de aparência, que se confunde com uma polícia destinada a manter as diferenças a golpe de baionetas. Afinal esse Estado só é mínimo mesmo para quem precisa, o pobre, o trabalhador ou o cidadão comum. Depois de ter montado nos ombros do rei e lhe atribuído poderes absolutos CONTRA TODA TRADIÇÃO ANTIGA E CRISTÃ, o poder econômico, consolidado, clama por um Estado de enfeite, que o permita oprimir e dominar 'livremente'.

Tornemos porém a Garrett 

"Não contentes de revolver até os fundamentos a pátria desgraça  com inovações incoerentes, repugnantes umas as outras e sobretudo absurdas, sem consultar nossos usos, nossas práticasm nenhuma razão de conveniência, foram atirar com todo esse montão de absurdos para além mar, onde desatinos se tornaram dobrados e se multiplicaram ao infinito pela variedade de obstáculos, repugnâncias, impraticabilidades...

E o mesmo se há de suceder se loucamente nos pusermos a legislar para aquelas remotas regiões, querendo doutrinariamente forçar localidades, circunstâncias, hábitos, modos de ser que ignoramosm a entrar a martelo dentro dos quadros arbitrários, que nossas teorias cá decretam, como se fossemos nós o Criador que disse: Faça-se! Como se pudéramos nós, mesquinhas criaturas, fazer mais do que reconhecer os fatos como eles são, e modifica-los apenas até onde possam ir..."
Id p 79

Lembram tais palavras as de John Gray na 'Anatomia' por sua elevada sabedoria e alto realismo, de que muitas vezes se esquecem os democratas demasiado abstratos ou formalistas, e sobretudo os jacobinos. E tem certo paladar conservador, posto que não se pode torcer por completo uma estrutura social a golpes de martelo ou altera-la sem levar em conta o Estado precedente.

Quero dizer com isso que o liberalismo político e a democracia, não apenas podem como devem, até onde possível seja, adequar-se as diversas culturas e estruturas sociais. Noutras palavras, que não se pode pegar um modelo francês, inglês ou Norte americano e impo-lo a quaisquer outras sociedades; e a sabedoria popular proclama: Era de outro o paletó do defunto...

Tal como roupas e corpos não é possível tomar o sistema democrático de qualquer país e impo-lo em bloco a um outro...

Serão politicamente liberais ou democráticos quanto a essencialidade, porém a seu modo ou do seu jeito.

E se copiar o modelo francês foi equivocado, imitar o inglês ou Norte americano é desastroso.

Alias o liberalismo político e um laicismo não anti clerical jamais alterariam radicalmente quaisquer culturas - O que não se pode dizer da economia de Mercado ou da mudança religiosa, os quais tendem a altera-las ou melhor a introduzir determinado modelo de cultura e a afirmar - Por afinidade eletiva. - um imperialismo cultural. É exatamente por isso que a democracia meramente formal e sobretudo o protestantismo tendem a promover o liberalismo crasso ou o ethos economicista e a reproduzir a pseudo cultura norte americana noutros espaços.

Outra lição preciosa aqui embutida é que a democracia e liberalismo político equivalem sempre a assunção interna ou a evolução de uma dada Sociedade. Diríamos que o espírito democrático é fruto de uma sociedade madura e cultivada ou que corresponde a um caminho percorrido. Implica admitir que cada grupo ou sociedade deve atingir por si só i é por meio da educação ou da cultura esse estado de consciência. Enfim que a vida democrática é resultado de um processo interno. 

O que nos conduz a lição final - Que a democracia, supondo um espírito, jamais pode ser imposta externamente a qualquer sociedade. Que o liberalismo não pode ser dado ou comunicado por meio de uma guerra ou invasão. Que as instituições livres não podem ser levadas ou transferidas, e que o jacobinismo - Francês ou Norte americano - estão redondamente equivocados > A democracia jamais procede de fora. A ideia pode até vir e vem, de fora, porém o sentido de excelência ou de necessidade e enfim a aspiração, deve sempre vir de dentro. Um povo qualquer deve desejar a liberdade e desejar inclusive morrer por ela...

Foi semelhante desejo que fez os atenienses resistirem aos persas e vencerem em Maratona e Salamina.

Recorro enfim aos exemplos arrolados por Gray - Os diversos grupos étnicos e culturas africanas que se atacaram mutuamente e mataram uns aos outros após a supressão do domínio colonialista (Tutsis e Hutus.) ou ainda as seitas religiosas muçulmanas... Com o objetivo de certificar que a autonomia democrática não pode ser conferida por decreto a todas as sociedades humanas sem que estejam a altura desse ideal. Do contrário poderia ser como uma faca entregue a uma criança. Melhor seria para certas culturas de certos locais que mantivessem seus próprios regimes.

O revolucionarismo jacobino N Americano é tão patético quanto os modelos comunista e anarquista e não nos deixemos enganar, tudo quanto os norte americanos aspiram é levar sua cultura 'in totum' a outros lugares, neste sentido não são melhores que os muçulmanos com seu imperialismo árabe. É tudo o imperialismo ou farinha do mesmo saco. A nós, a parte de um liberalismo político suficiente ou de uma democracia básica, convém permanecer leais a nossa cultura - No caso latina, ibérica ou brasileira e diante disso repudiar o liberalismo político ou o capitalismo como elemento exógeno ou importado.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Os erros e acertos do Sardinha (Antonio in 'Glossário dos tempos' 1942) - Prólogo





Sempre interessados pela literatura - Tanto quanto nos interessamos pelas ideias... e portanto em Gil, Camões, Bernardes, Vieira, Garrett, Herculano, etc resolvemos folhear 'O testamento de Garrett (Opus cit p 53).

E ao folhear topamos ali com a costumeira mistura de luz e trevas com que topamos e toda obra humana ou ideológica. Posto que os criticantes, como Sardinha, presumem estar muito acima dos criticados como os liberais políticos, constitucionais ou democratas ou, em termos atuais, os comunistas e anarquistas. 

Porém, considerando tudo em seu conjunto, ou como sistemas fechados, acabados e prontos, Comunismo, Anarquismo, Fascismo e Capitalismo são praticamente a mesma coisa, embora acredite eu que o último ou quarto modelo seja o mais tenebroso, eu que em POLÍTICA, sou ultraliberal intransigente ou policrata.

Já expus em diversos artigos aquilo que alguns teóricos chamam liberalismo, em singular, não existe ou é grosseira ficção construída por ideólogos e panfletários. Existem liberalismoS, como existem renascimentoS, ReformaS e SocialismoS... Alias liberalismos em conflito como assinalaram Polanyi e Arendt dentre outros, tendendo o Liberalismo econômico, a restringir o espaço do Liberalismo essencial - O político - e a reduzir-lhe a qualidade, por onde, com sua educação ineficaz, a miséria e o fundamentalismo religioso chegamos a OCLOCRACIA e jamais a democracia.

E de fato muito do que os autoritários ou fascistas, e comunistas, e outros liberticidas tem criticado e combatido, não é democracia (E menos ainda policracia.) mas pura e simples oclocracia ou comando de massas acríticas manipuladas por uma elite econômica sem consciência.

Sócrates combateu, não a democracia, porém o espectro da oclocracia ou sua ameaça ao apontar os defeitos de uma democracia demasiado ingênua (A nossa é puramente formal ou como dizem 'positiva' - Vício análogo), e por isso foi morto. Prestou porém imenso serviço a causa democrática, como prestam todos os críticos que apontam os defeitos que a tornam vulnerável. De modo que as críticas deles - Exceção feita aos teocráticos ou fundamentalistas com suas citações de livros! - sejam comunistas, fascistas ou anarquistas devem sempre ser examinadas com todo cuidado e levadas em consideração caso queiramos produzir uma democracia de qualidade na qual a Liberdade e a Autoridade, o Direito e o Dever, a Pessoa e a Lei, caminhem juntas num estado ideal de equilíbrio.

Tornando aos sistemas fechados, temos no Comunismo o defeito supremo da Ditadura do proletariado, pelo simples fato de que Marx, lúcido crítico da estrutura capitalista ou de mercado, era coxo no terreno da ciência política não sendo digno de desamarrar as sandálias de um N Poulantzas... Apesar disso os comunistas, como os socialistas - E quem o diz ou confessa são os sisudos padres romanos ou tridentinos a exemplo de um H Chambre, de um Bastos de Ávila, de um Lebret ou de um Abbé Pierre (Assim o leigo Tasso da Silveira em seu artigo sobre M Gorki)  - Tinham sensibilidade suficiente para perceber que a pessoa humana estava sendo triturada pelas estruturas econômicas importadas da Inglaterra ou dos EUA, o que até hoje é rejeitado pelos partidários cegos ou apóstolos do liberalismo econômico.

Negam inclusive, e escrevo-o em 2023 - as transformações climáticas de caráter antrópico impulsionadas por seu modelo e ainda mais: Mostram-se totalmente céticos face a degradação ambiental, desastres, calamidades e extinção de formas de vidas ultra milenárias deflagradas pela cobiça insaciável de alguns... Chegando a atribuir tais fatos a imaginação de seus adversários ideológicos, em especial aos comunistas, apelando a solução conspiracionista como qualquer ideólogo vulgar ou como os sectários religiosos. Assim tem se portado os defensores do liberalismo econômico, e diante disso não posso absolve-los da pecha de mau caratismo...

Por sua falta de consciência humana, ética, empatia, senso de justiça, sensibilidade, etc não posso deixar de encara-los como piores do que os comunistas totalitários, mesmo quando considero todas as crueldades e misérias do comunismo, as quais não são poucas. No entanto para assassinar, matar ou suprimir vidas sequer é necessário derramar pequena gota de sangue e menos ainda extrair vísceras ao modo dos partidários do antigo regime ou dos revolucionários mais atilados... Pois é coisa que se faz por omissão inclusive. Com privações e excesso de trabalhos torna-se o assassinato banal e nem se percebe a inanição ou a fome, fenômenos que por assim dizer passam batidos.

E se alguém compôs um livro negro do comunismo este bem poderia ser dado em troca do outro livro não menos escuro e sinistro, o do capitalismo ou do mercado. Não seria um livro vermelho, escarlate ou rubro como a bandeira dos comunistas apenas porque não teria havido efusão de sangue, mas isto não significa que não houve luto em abundância. 

Parece-me que o único mérito do liberalismo econômico é ventilar o problema da liberdade econômica ou da livre iniciativa privada no setor econômico, tese com a qual não podemos deixar de concordar desde que se trate de uma liberdade limitada - Alias como todas as mais liberdades, pois ao contrário do que queria Sartre não existe qualquer liberdade ilimitada no mundo em que os seres humanos são múltiplos. - reduzida, controlada e posta a serviço do ser humano ou das necessidades humanas. Claro que quando falamos em controle não nos estamos referindo a um controle necessariamente político e menos ainda ditatorial, mas antes de tudo num controle democrático interno sob a forma de colegiado a exemplo da Idade Média e quando postulamos um controle político ou um planejamento é claro que supomos um modelo político democrático ou melhor policrático, direito e exercido pelos cidadãos.

Não pode haver setor algum da atividade humana desvinculado do Bem comum ou alheio a uma finalidade social. O que remete-nos sempre a um controle político, enquanto veículo dessa estrutura social. Que o econômico aspire separar-se do político é pura falácia, pois uma tal aspiração implica sempre uma dominação e portanto uma subversão a partir da qual passa o Bem comum a segundo plano e os interesses puramente particulares, insaciáveis e egoístas passam ao primeiro plano. Tal a Sociedade econômica, essa carroça posta diante dos cavalos ou bois.

Desarvorado o econômico absorve e destrói o político ou o liberalismo político e logo em seguida o humano ou a esfera de nossas liberdades privadas seja por meio do moralismo sectário ou do controle militar dos quais depende para impor-se e manter-se. 

Apesar disso reconhecemos a premissa liberal de uma liberdade econômica relativa ou não absoluta. 

E quanto o anarquismo...

O anarquismo tem por virtude uma consciência política muito mais acurada ou refinada, pelo simples fato de opor-se a quaisquer modelos totalitários ou a quaisquer ditaduras de direita ou esquerda, do tal ditadura do proletariado aos golpes 'liberais' responsáveis pela derrubada de quaisquer regimes democráticos que se afastassem da ideologia capitalista visando controlar o mercado. 

Notável é o anarquismo quanto declara que nosso modelo democrático é muito pouco democrático necessitando ser aprofundado ou ampliado. É uma visão grandiosa essa passagem da democracia formal ou anglo saxônica para uma democracia real, semi direta, direta ou policrática mesmo quando suponha a demolição do macro Estado e a construção de pequenas comunidades políticas.

Apenas os anarquistas não percebem que esse ideal, quando suponha a criação de centenas ou milhares de micro estados, é incompatível com a existência de um colossal império econômico como os EUA, o qual não teria mínimo escrúpulo em incorporar pela força bruta todas essas comunidades livres, fortalecendo ainda mais seu imperialismo sórdido. Por isso um crítico lúcido já observou que a demolição do macro Estado, se necessária, deveria começar necessariamente pelos EUA que é o centro do poder político e econômico atual.

Outro defeito grave do anarquismo - E pelo qual esta ligado ao Comunismo e ao Fascismo hodierno - é a sanha revolucionária ou o ideal jacobinista legado por Robespierre, Babeuf ou Blanqui. Em sua maior parte os adeptos do movimento anarquista recusam-se a admitir que se possa ampliar a democracia que temos por dentro ou institucionalmente i é por meio de leis e antes delas por meio de greves, protestos, referendos, plebiscitos ou mesmo algumas conjurações oportunas. Iconoclastas, postulam uma demolição total das estruturas sociais vigentes de cujas cinzas surgirá como a Fênix uma nova sociedade. Creem numa transformação radical por meio de uma efusão de violência e não numa possível evolução orgânica.

Um terceiro defeito desse modelo é o furor pela inovação, o que os situa no terreno oposto do conservadorismo acrítico e ingênuo. Estes querem tudo conservar, e a exemplo de Zenon suprimir o movimento ou a transformação. Aqueles, a exemplo de Heráclito, mergulhar a sociedade na instabilidade absoluta pela negação de tudo quanto remeta ao passado enquanto construção histórica de uma cultura. 

O quanto defeito implica por fim em transpor o anarquismo, enquanto uma espécie de rebeldia sem causa ou negação total do passado histórico, para todos os setores da existência humana. Cessando ele de ser uma solução política derivada do princípio da liberdade para converter-se ele mesmo num princípio metafísico compreendido como um 'culto a novidade'. Destarte migra ele, o anarquismo iconoclástico, para outros campos, como a arte e a literatura ou a arquitetura, a ética, etc endossando acriticamente a rebelião modernista engendrada pelo CAPITALISMO, e ampliando seus danos ao infinito até atingir o centro da pessoa.

Este último aspecto do anarquismo, por onde toca o modernismo e o pós modernismo, quiçá seja seu defeito mais grave ou seu ponto mais negativo, pois chega a tocar a gnoseologia e a epistemologia, logo a apreensão da realidade e o sentido, até - Caso seja levado a seus termos finais. - destruir a própria indignação, o modelo ideal, a fé revolucionária na transformação, etc e desembocar no nihilismo crasso.

A revolução devora a Revolução e a subversão aniquila a subversão.

Quanto aos defeitos do Fascismo ou do integralismo formam um cacho... E seus adeptos de tanto criticarem o liberalismo político, o comunismo e o anarquismo tornam-se incapazes de olhar para o próprio umbigo e de contemplar a própria miséria. Certamente não me refiro aqui a abominação nazista com o grosseiro critério de raça... mas ao fascismo bem compreendido.

Antes quero repisar o que sempre tenho dito com absoluto destemor, o Fascismo tem uma compreensão muito mais realista e saudável da cultura e portanto da formação das estruturas político sociais em conexão com outros elementos. É precioso, é a anti tese do anarquismo alienado, mas não passa disso. 

E seu pecado original é a ideia de submissão cega a autoridade, a qual dá vezo a todos os achaques de autoritarismo, tirania, despotismo, opressão, domínio e controle arbitrário que esmagam a pessoa humana. Daí sua admiração pelo modelo militarista e a necessária antropologia pessimista muitas vezes bebida a Agostinho ou a teóricos irracionalistas e deterministas protestantes como Lutero e Calvino. 

No liberalismo absoluto ou crasso - Assim no capitalismo, e no anarquismo temos a ideia de um ser humano angelical ou totalmente bom em sua condição original, e ao qual não se deve impor quaisquer limites ou restrições, o que reporta em parte a J J e aos pós freudianos (Não a Freud, o qual por ser bastante realista e criticava apenas alguns aspectos ou excessos da repressão, jamais ignorando o que fosse educar.). Para tais teóricos, ultra otimistas, a causa de todos os males era justamente o controle ou a restrição em qualquer grau.

Ao lado diametralmente oposto damos com todos os totalitarismos despóticos ou ditatoriais seja o Fascismo ou o Comunismo. E aqui topamos sempre, na raiz ou na base, com Agostinho, tributário por fim de Manes, do que resulta uma antropologia negativa ou pessimista, enfim a ideia de que o ser humano é limitado, incapaz ou malevolente por natureza. Daí a necessidade de controle, tão ardorosamente defendida pelos jansenistas. 

Antes que algum modernista ouse corrigir-me apontando para Pirro de Elis e seus sucessores, com o objetivo de afirmar um pessimismo antropológico naturalista e grego, remeto o leitor a Victor Brochard, e advirto-o de que Pirro de Elis, tendo estado com Alexandre na Índia, tomou seu pessimismo antropológico e sua ataraxia ou quietismo, aos Bicos budistas que por lá deambulavam e portanto duma fonte religiosa ou credal, o que foge aos termos do naturalismo. Buda acreditava que a vontade do ser humano era a fonte do mal, e não preciso dizer mais nada quanto a isso.

Aqui Buda, ali Agostinho ou Manes ou Elchai, sempre esse exótico e místico Oriente, nada de concreto, de empírico ou de racional.

Parece uma ideia ingênua não... Admito que pareça. 

As consequências no entanto foram as piores possíveis. 

Pois a partir desse modelo antropológico pessimista é que João Calvino inaugurou o primeiro imenso campo de concentração da História (cf Pierre Van Paassen) na infeliz Genebra. Quis transformar o mundo inteiro num mosteiro ultra rigorista ou melhor numa imensa caserna movida por um disciplina mecânica e cega, e seu ideal podre foi secularizado pelos fascistas. 

Continua



sábado, 24 de julho de 2021

Entrevista - Parte final

01) Individualismo?

Egoísmo - O veneno do tempo.

02) Personalismo?

O ser humano recebe está condição, a condição humana. Nascemos já enquanto seres humanos, não como ou enquanto pessoas. 

Segundo Mounier nós nos tornamos pessoas por meio de um processo.

Nos tornamos pessoas quando saímos de nós mesmos e nos conectamos aos outros. 

Tornar-se pessoa é criar vínculos afetivos na dimensão do social.

03) Humanismo?

Continuação de um ideal grego ou melhor Socrático e/ou ainda platônico que afirma a essencialidade da Ética/moralidade, a livre iniciativa do agente social e a primazia da justiça enquanto princípio. 

Por via do Cristianismo ou do Evangelho, com o Dominicano Francisco de Vitória chegamos a noção da dignidade inerente do ser humano ou dos direitos humanos enquanto entidades essenciais.

Engloba atualmente uma coordenação entre valores derivados da política liberal, a forma democrática, a ética essencialista (Jusnaturalismo), os direitos humanos e a justiça social ou justicionismo. Tais os elementos que compõem. Impossível ser humanista sem ser politicamente liberal, democrata ou melhor policrata, jusnaturalista e essencialista; pois a adesão a tais princípios equivale sempre a promover ao máximo o ser humano.

04) Feminismo.

Antes que eu mesmo reconheça os abusos historicamente criados em torno deste ideal devo insistir que o abuso jamais tolhe o uso e que todas as instituições, mesmo as divinas, sofrem abuso por parte dos homens, assim o Evangelho a ser 'livre' ou 'subjetivamente' interpretado ou distorcido. Tal o caso do evolucionismo biológico, da ciência, da metafísica, do socialismo, do jusnaturalismo, da moral, etc Tudo sem exceção sofre abuso e por isso toda e qualquer solução iconoclástica torna-se inviável. Ou teríamos de abolir todas as coisas, todas as doutrinas e instituições, sem que nada restasse.

Todavia, dentro de suas medidas e pugnando por um objetivo justo é o feminismo, segundo J S Mill, amplamente libertador e poderoso aliado das instituições democráticas e liberais. Pois na medida em que nos libertamos libertamos igualmente aos outros, em especial aqueles que estão habituados a dominar, dentre todos os piores escravos enquanto escravos do ego. Ninguém liberta apenas a si mesmo, mas também aquele que o oprime. 

Assim quando a mulher cessa de permanecer presa ao fogão e a ignorância cessa de ser dominada pelo xeque, pelo rabino ou pelo pastor, assim de ser usada e manipulada por eles e de servir como espécie de arma contra as instituições democráticas. Sobretudo quando permitimos que a mulher instrua a si mesma, e que trabalhe, e que se sustente - É claro, sem abandonar de todo o lar, mas compartilhando-o com seu esposo. - e que tome suas decisões, que seja sujeito de direito, que se possa separar quando desejar, etc estamos libertando antes de tudo a prole, posto que a mulher, sendo escrava ou livre é sempre educadora. Portanto faze-la livre é como que criar um curso intensivo de liberalismo para a prole ou ainda prover uma atmosfera de liberdade tendo em vista a formação de cidadãos livres. 

Além disso reconhecer a equivalência de direitos e deveres para homens e mulheres é satisfazer uma demanda posta pela própria justiça uma vez que da parte da natureza inexistem diferenças essenciais entre os dois gêneros em termos de superioridade e inferioridade. Portanto quanto as mulheres e homens pugnam pela liberdade feminina e pela igualdade pugnam por uma causa essencialmente justa, destarte por um bem. 

Outro o caso das tais radifens, feministas fanáticas ou sectárias que postulam uma superioridade essencial para as mulheres, ora isto não passa do veneno machista invertido, o que da mesma maneira ocorre no campo do racismo ou do preconceito racial.

05) Quer dizer que há um racismo invertido?

Compreendendo uma das mais bizarras monstruosidades surgidas no curso da História humana não pode o racismo ser tolerado sob quaisquer formas ou expressões.

Temos então de falar no justo combate ao racismo por parte de um igualitarismo essencial absoluto, isto em termos de etnia, de direitos naturais e de deveres, mas não necessariamente em termos de cultura.

No entanto ao menos quando ao aspecto biológico ou natural podemos postular um igualitarismo essencial absoluto. Todos os seres humanos são absolutamente iguais em termos de direitos e deveres.

O que nos obriga a abordar o tema polêmico da inversão racial ou da reprodução do preconceito e da discriminação por parte dos africanos ou pretos.

Há inclusive uma Ideologia forjada por essa inversão, o pan africanismo. 

Aproveitando-se deste clima tóxico produzido pelo relativismo/subjetivismo os teóricos desta ideologia tem buscado demonstrar que foi o Egito antigo um espaço ocupado majoritariamente por negros ou que ao menos seus dirigentes os faraós foram praticamente todos negros. Fora de discussão a existência de uma Dinastia negra ou 'africana' procedente de Meroé e cujo principal representante foi Taharca, um grande faraó guerreiro. Dai concluir que todas as dinastias e que todos os Faraós e dirigentes egípcios foram pretos é uma desonestidade, mormente quando os egípcios sabiam perfeitamente discriminar os povos pretos do Sul sob o término de Nehesi e assim pinta-los de preto enquanto que a si mesmo pintavam de vermelho e a suas mulheres com rosa claro.

Seguem no entanto tais ideólogos adiante e quando não tentam demonstrar que também Sócrates era negro - rsrsrsrs... ousam repudiar a Sócrates e a toda Filosofia grega em bloco por não ser africana, o que denota já etnocentrismo ou racismo. 

Fato é, e lamentável, que tais discussões tem frequentemente ultrapassado o plano teórico e chegado ao plano prático da vida vivida. Eu mesmo, que por ser descendente de judeus e mediterrânicos não sou caucasiano mas moreno (Diria tipicamente semita.) ao ter questionado - Numa discussão pública! - as incoerências contidas no discurso de um negro africanista obtive a seguinte resposta por parte do Ideólogo: O Senhor não sabe de nada porque é um branco (Ora eu não sou nem negro nem branco mas semita ou mediterrânico, com uma parte de Ameríndio!) e eu não discuto ou diálogo com brancos, apenas com homens pretos.

Não hesito classificar esse tipo de resposta como racismo ou preconceito invertido. Posto que o homem insinua que os brancos e demais seres humanos sejam incapazes de compreender ou de pensar. Que sejam inferiores aos pretos quando ao aparelho cognitivo. Que seja impossível dialogar com quem não é negro! Francamente, como classificar tal tipo de atitude. A qual torna-se cada vez mais comum no Brasil... Bem, o que estamos assistindo hoje é a criação de um sectarismo étnico. Inclusive por parte de nossos povos indígenas, o que posso falar com pleno direito por ter em minha árvore uma ancestral indígena.

Não se trata portanto de pugnar pela liberdade ou por direitos iguais, e já estamos ouvindo mais uma vez e com complacência o velho e perigoso discurso da superioridade.

Da mesma forma como não há autoritarismo mau e autoritarismo bom numa sociedade avançada tampouco podemos admitir que haja racismo mau e racismo bom - Racismo algum é bom ou tolerável parta do branco, do negro ou do índio. 

Por ser favorável a igualdade, a liberdade e aos direitos de negros e índios nem por isso sou contra a totalidade da cultura branca ou européia, como se nada nela prestasse... Avaliações culturais feitas em bloco são sempre perigosas. Nada mais leviano do que lançar as favas o Cristianismo antigo junto com o capitalismo ou a Filosofia grega junto com o nazismo, ou ainda o pós modernismo com o jusnaturalismo ou a ciência. 

Uma visão equilibrada da realidade considera que cada etnia, povo ou sociedade contribuiu de alguma maneira tendo em vista a evolução do todo. Temos assim a caverna de Blombos na África do Sul como berço do progresso humano, mas também temos a Índia com os numerais arábicos, a china com a bússola, o papel, a pólvora, etc A Suméria, o Egito, a Grécia, etc como que formando uma grande simbiose social.

06) Equivalência ou igualdade cultural?

Tudo quanto faz o homem é cultura e hoje sabemos que até mesmo alguns tipos de animais produzem cultura.

O que não significa que sejamos obrigados a avaliar todas as formas de cultura como absolutamente iguais. Postular o contrário é forçar a barra e exigir submissão ao relativismo, ao relativismo ético inclusive (Nos termos de um L Levy-Bruhl.)

Tudo é cultura porém nem toda cultura tem o mesmo valor e podemos sim atribuir valores diferentes pretendendo que hajam formas superiores e inferiores de constelações culturais.

Em termos de cultura não posso deixar de afirmar algumas como superiores assim a sumeriana, a egípcia, a grega, a bizantina, a italiana da baixa Idade Média ou a francesa durante o século XVII... E o quanto temos para medi-las é considerar o que delas passou a nossa cultura ocidental contemporânea. Não posso alistar aqui a antiga cultura israelita por não acreditar que o fenômeno Cristão tenha partido dela como algo imanente, pelo contrário todas as investigações apontam para uma radical oposição entre o elemento Cristão i é o Evangelho ou Ética e aquela cultura. Eu encaro honestamente o fenômeno Cristão como algo sobrenatural ou Revelado, não como produto da cultura e jamais ocultei tal ponto de vista.

Todavia, caso tomemos por medida a imanência, Sócrates ou o socratismo se destacam em termos de Ética como algo universalmente relevante, assim a gnoseologia e a epistemologia de Aristóteles, bem como as contribuições de um Scottus ou de um Aquino, assim as de um Descartes ou de um Pascal, as de um Shakespeare ou de um Molière, as de um Dante, de um Camões, de um Klopstock ou de um Cervantes - São entidades culturais ou estéticas que não encontraríamos na Ilha de Páscoa, nas Ilhas Trobriand, entre os bosquímanos, xavantes ou anasazis. O que não quer dizer que para seus agentes tais culturas nada possuam de bom ou mesmo de belo. Efetivamente satisfazem as demandas de seus membros, sendo funcionais. Outro o caso dos exemplos acima citados, os quais satisfazem anelos universais e comuns a espécie de modo que mesmo um alacalufe, um hotentote ou um Puri deixaria de avalia-los como belos ou relevantes. Por isso é o Hecatonpedon visitado por pessoas de todas as partes do mundo, sem que seja avaliado como feio por quem quer que seja.

07) Arte moderna?

Psicologista e utilitarista.

Por ser psicologista ou meramente subjetiva admite que o artista determine suas regras, o que foge a qualquer tipo de avaliação objetiva. Partindo dela os concursos não fazem qualquer sentido, posto que toda avaliação meramente subjetiva é arbitrária. Nada mais complicado do que mensurar supostos estados de espírito ou emoções. Por isso que a arte clássica se limita a avaliar externamente as formas, as cores, etc podendo dar a público suas razões, o que num concurso qualquer é bem mais honesto. Tais razões sempre podem ser contestadas, estados de espírito ou emoções não. Alias, partindo de tais premissas qualquer pessoa poderia ser juiz em matéria de arte... E no entanto temos juízes??? Qualificados no que? Em nada que não esteja no teu ou no meu acesso.

Por ser utilitarista, pragmática ou funcionalista é esta arte filha do capitalismo com sua fabricação de objetos em larga escala, o que obviamente excluí o adorno como supérfluo por ser custoso. Nesta perspectiva, isento de adornos ou enfeites ociosos, cessam tais peças de ser obra de arte... posto que nada mais há nelas de humano ou de pessoal. A produção em massa é adversária da arte... O sapato de outrora era a um tempo um sapato ou objeto destinado ao uso e uma obra de arte por conter adornos, quase sempre feitos a mão. 

O Capitalismo por meio do utilitarismo separou a arte da produção. Por meio da arte moderna separou a arte do belo ou o belo da arte, substituindo o belo por impressões psicológicas vagas e indefinidas. 

Separar o objetivo do subjetivo e priorizar um dos dois será sempre obscurecer e distorcer. Pois é o humano a um tempo objetivo e a um tempo subjetivo. Sendo apanágio da arte despertar um impacto sentimental por meio da contemplação da beleza e não despertar emoções indefinidas por meio do grotesco, ou ainda servir como meio para descarregar as emoções com exclusão da beleza.

Não posso ver a arte como estância destinada a manifestações derivadas do inconsciente. E sim como expressão do quanto haja de mais belo na realidade ou no mundo exterior, portanto a nível da consciência. Por tais razões só posso encarar a arte moderna como um desvio.

Para encerrar o assunto a arte deve ser inútil por definição como sentenciou Paul Valery, não poder ser delineada por editores com propósitos lucrativos. Via de regra o que é editável, lucrativo ou barato é lixo, isso mesmo lixo, e não arte. Não é feita a arte para ser consumida em alta escala pelas massas mas para ser degustada por almas sensíveis. 

Após ter engendrado o modernismo e a tal cultura de massas o liberalismo econômico continua a empobrecer e a ameaçar a arte. 

08) O Funk, a música contemporânea de modo geral.

Por tornar-se psicologista como a arte moderna de modo geral a música converteu-se em som ou melhor em ruído ou barulho, quando no passado era harmonia entre notas ou composição. E sequer precisava ser alta para se degustada - "O barulho jamais faz bem e o bem não faz barulho." é lema que cabe perfeitamente a música.

A música moderna enquanto barulho tanto pode significar invasão cultural ou reprodução ditada pelo ritmo das relações sociais (Líquidas segundo Z Baumann) e da produção econômica, como podería significar uma tentativa de fuga da realidade por meio da dispersão, posto que o barulho aliena e dispersa. Neste caso o barulho na música faria o mesmo papel que as micaretas religiosas do pentecostalismo (Alias tão barulhento quanto.), as drogas, a hipersexualidade, os jogos eletrônicos, etc criando uma espécie de realidade paralela. 

De um modo ou de outro o barulho sempre dispersa, aliena e afasta o homem da interiorização e da reflexão. É algo sem conteúdo por ausência de notas e composição, i é, de melodia, exceto na perspectiva da arte moderna que é, como vimos acima, psicologista e emocionalista. Ora o emocionalismo exacerbado é inimigo da reflexão.

Para além disso as mensagens divulgadas pelo funk são quase sempre perniciosas: Hipersexualismo ou erotismo deslocado até a pornografia, machismo, homofobia e até mesmo estímulo ao consumo de drogas... nada de eticamente elevado ou educativo. 

Quando embrenha-se pelos domínios da dança converte-se o Funk em calamidade, supondo que consista a dança a balançar a bunda, em balançar o peito ou em simular a cópula. Claro que um espetáculo de dança ou opera pode ter um conteúdo sexual ou erótico, outro o caso de reduzir toda trama ou todo espetáculo em atos de natureza sexual, aqui o quanto temos é um reducionismo tosco. Dança para mim é balé e música para mim é ópera, criações nas quais bem pode haver algum espaço para o erotismo mas que não se reduzem a ele situando-o num drama ou numa narrativa. Seguidamente a ópera temos os consertos ou a música instrumental, a qual também supõem uma trama ou narrativa. Também a música folclórica ou regional pode conter um repertório bastante rico. Ora música é composição, narrativa e trama, não apenas som. O simples vocal já é sinal de reducionismo ou empobrecimento ditado pelas circunstâncias acima citadas. Nada educativo.

09) Não é sua concepção de arte elitista?

Massivista é o que não é.

Porém prefiro dizer educativa, integral ou ainda essencialista.

Lamentavelmente as massas apropriaram-se do belo, da expressão artística ou a Arte, com exclusão do povo, e fizeram delas um monopólio. Estabelecendo inclusive uma segregação, por saberem que a Arte educa e humaniza.

Diante disso as esquerdas simplistas, desorientadas e iconoclásticas passaram a votar imenso ódio ao quanto seja clássico, humano e educativo por ter sido apropriado pelas elites burguesas. Já os bens materiais não querem os revolucionários iconoclásticos, apenas os culturais ou imateriais, posto que Sorel deixa bem claro que os bens econômicos devem ser conservados... Que brincadeira de mau gosto é essa? 

Julgo que a posse de tais bens culturais e das expressões clássicas da arte deva ser recuperada pelo povo, tal seu valor educativo e humano.

Alias a intencionalidade dos burgueses ao privar tais grupos do acesso a tal conteúdo foi justamente brutaliza-los ou desumaniza-los. No que foram bem sucedidos até certo ponto. Do contrário não teríamos sunitas, pentecostais, carismáticos, comunistas e anarquistas circulando por todos os lados... 


10) Alienação?

Fuga de uma realidade que nem sempre podemos viver ou transformar.

Mesmo o intelectual ou humanista precisa alienar-se em certa medida e até certo ponto da realidade ingrata a que busca transformar, nem sempre com sucesso (Ao menos imediato.) Tal a alienação saudável, destinada a abastecer e a reabastecer, representada pelo consumo moderado de licores, pelo consumo parcimonioso do fumo, pela degustação culinária, pela boa música, pela composição poética, pelo teatro, pelas exposições de arte, etc 

Há no entanto quem movido pela angústia ou pela frustração fuja a toda medida. Chegando a uma dependência insuperável.

Quanto as formas há diversas: Jogos eletrônicos, Televisão, Futebol, hipersexualidade, cigarro, álcool, entorpecentes, comida, o fanatismo religioso ou ideológico, etc Tais os assim chamados vícios - Os quais se tornam patentes quando afetam a qualidade de vida do sujeito. 

Quanto ao mais terríveis como o álcool ou as drogas, na medida em que as sensações produzidas pelas substâncias mais fracas vão se tornando costumeiras ou banais a tendência é consumir substâncias, bebidas ou drogas, mais fortes, o que subindo vai em escala até a morte ou o suicídio por overdose no último caso ou por algum tipo de enfermidade quando ao primeiro caso. 

Quanto as demais formas, tanto mais inocentes, via de regra limitam-se a reduzir ou a disfarçar a realidade dada, convertendo o sujeito em prisioneiro inconsciente. De modo que se exila no mundo da bíblia, dos romances, da novela, do futebol, da hipersexualidade, da realidade digital paralela, dos jogos eletrônicos, etc E o que temos aqui são prisões, grades ou cárceres invisíveis. 

No mais das vezes é um alienado - A peregrinar de alienação em alienação. - uma espécie de morto vivo ou zumbi...

11) Como evitar uma tal condição?

Distrair-se com as formas de alienação inocentes e episódicas. Vá ao Teatro, a exposições, a espetáculos musicais, feiras de arte, etc Ouça boa música, cante, dance, desenhe, pinte, esculpa, modele, recicle, pratique algum esporte ou faça dinástica, jogue com familiares ou amigos. Faça palavras cruzadas, pesca palavras e todo tipo de joguinhos diariamente. Reserve um tempo para isso, pois tudo isso é higiene mental que ajuda a descontrair. 

Observar a vida vivida: Passear, viajar, ler jornais e revistas, etc

Manter-se bem informado ou simplesmente cultivar um ritmo de leitura.

Busque conectar-se ao todo ou ao universo cultivando alguma forma de espiritualidade. Entre num belo templo religioso: Ortodoxo, romano, anglicano, judaico, budista, etc eleve o pensamento, faça uma prece mental, respire moderadamente, aproveite o silêncio, deguste a música religiosa, contemple as expressões artísticas do espaço, etc 

Tudo isso te ajudará a ser mais resistente, a conhecer a realidade, a suportar tal conhecimento e a lutar com objetivo de melhorar as coisas. 

12) Homofobia?

Sinal dos tempos ou de nossa profunda decadência. 

O fenômeno da homofobia é um dos mais escandalosos e incoerentes que se tem manifestado neste tempo.

Pois se trata de um elemento cultural semita ou judaico - Assim presente na abominação islâmica. - que nada tem de Cristão assumindo por parte considerável dos Cristãos e pela quase totalidade dos protestantes que se situam para além do calvinismo e do pentecostalismo. Pois eles de fato por professarem a terrível do 'corão cristão' ou da inspiração plenária, linear e verbal, são judaizantes, sectários e fundamentalistas, sempre a serviço da Torá ou da Mikrá, mesmo quando a maior parte dos judeus esclarecidos dela já se desprendeu há muito. Aqui, sem dúvida alguma, são os judeus bem mais civilizados.

Repito, perigoso, extremamente perigoso esse 'Elo de ligação' com o islamismo, há outros (Como o machismo e o adultismo.) este porém é o mais forte deles e pode servir como via de acesso...

Condenar a homo afetividade sem estar firmado em Jesus Cristo (Legislador completo e divino que jamais a condenou.) implica condenar o que mais fingimos admirar: A Cultura e civilização gregas, e dar Sócrates, Platão, Aristóteles, Parmênides, Anaxágoras, e outros gregos ilustres por degenerados e perversos! Esse mesmo Sócrates que Rousseau declarou ser pouco menos do que Jesus Cristo! Esse mesmo Platão núncio da justiça! E esse mesmo Aristóteles que serviu de modelo ao Aquino! Pois todos estes viveram numa sociedade homo afetiva ou homossexual.

E essa mesma Sociedade homossexual, que deveria ser monstruosa, legou-nos o Teatro, a História, a Filosofia, Os cânones de Polikleitos, os rudimentos da ciência... 

Mesmo os odinistas que afetam grande amor a inculta Esparta deveriam estar cientes de que eram os espartanos praticantes do homossexualismo, inclusive aquele valente Leônidas, que por mais de três dias conteve um milhão de persas, cujas flechas podiam obscurecer a luz do dia... Não era maricas ou efeminado mas era homossexual - Ponto e basta.

Assim grande número de intelectuais e cientistas que costumamos da mesma forma reverenciar, a começar por Leonardo D Vinci. 

Grosso modo é a homofobia uma forma de hipersexualidade invertida e deslocada. 

Pois implica dar por importante o que não possuí qualquer importância ou sentido. Equivalendo a um transtorno moral, pois o que devíamos considerar é se determinada pessoa é justa, compassiva, leal, veraz, etc e não qual seja sua opção sexual, o que é eticamente irrelevante.

Tomo tal afirmação ao Evangelho de Cristo onde não deparo com fartura de matéria sexual, a qual os neo cristãos emprestam tanta importância. Repito é tomar o Mestre por incompleto, insuficiente ou leviano. Quando penso em coisas espiritualmente relevantes julgo terem sido sempre abordadas por aquele cuja origem é divina. 

Daí parecer-me que o pensamento de Jesus corresponde ao oposto do pensamento farisaico, centrado no traje, no cardápio ou na dieta e enfim na sexualidade. Não observo Jesus Cristo decretando o uso de determinado traje, como não o vejo recomendando dietas ou roteiros sobre o que comer ou beber e tampouco sancionando ou condenando práticas sexuais. Parece que exterioridades ociosas e costumes não são o foco do Evangelho redentor.

Por isso não me ocupo de tais questões. Como não crio caso num restaurante pelo fato dos demais escolherem um prato diverso do meu. Tendo, a bem da verdade a uma dieta ética. Todavia nem por isso, eu, que detesto nabos, chuchu, chicória, almeirão, etc vou esmurrar os que consomem tais vegetais. Repugna-me o gosto do cação, porém de modo algum incomodam-me os que comem esse peixe. Estendo o mesmo juízo ao vestuário: Jamais usaria uma calça boca de sino, porém jamais agrediria qualquer pessoa pelo simples fato de usa-la. O fato de qualquer um de nós ser avesso a prática da pederastia não nos autoriza a cercear o gosto ou a liberdade alheia, não nos autoriza sequer a julga-la, e antes nos obriga a tolera-la.

Imagine só o ouvinte caso as pessoas começassem a agredir umas as outras devido a considerações em torno da dieta ou do vestuário... Que seria das paz social e da tranquilidade.

Uma vez que os vegetarianos, veganos, carnívoros, vitorianos, sumários, etc não nos atacam, agridem ou prejudicam fazem crédito a tolerância e ao respeito como quaisquer cidadãos. Diga-se o mesmo dos homossexuais, transsexuais, etc uma vez que a ninguém atingem ou causam dano com suas práticas fazem jus a tolerância e ao respeito, como quaisquer cidadãos da república ou contribuintes. Agredi-los ou buscar cercear suas liberdades só pode ser fruto do preconceito, o que de modo algum pode ou deve ser admitido pela Lei. 

Tampouco posso admitir que preocupe-se Deus com tais questões, exceto se Jesus Cristo o tivesse dito. Ele no entanto silenciou. 

Considero portanto que a homofobia não passe de tolo preconceito, oriundo da antiga cultura judaíca. Irrelevante que Paulo sendo fariseu filho de fariseu e aluno do Rabino Gamaliel a tenha condenado em nome de sua cultura. Necessário seria demonstrar que Paulo estava firmado ao menos no Evangelho Oral ou na pregação ministrada pelo Redentor. Temos no entanto que Paulo em diversas situações, como prisioneiro da cultura, foge do Evangelho - Assim quando sanciona a o machismo, o adultismo, o estatismo, o escravismo... Reportando sempre a cultura hebraica e jamais a Revelação Cristã. O próprio Paulo em seus escritos teve ocasião de declarar: Digo eu, não o Senhor, o que deveria ter repetido outras tantas vezes. Como Cristão não paulinista repudio a homofobia.

13) Adultismo?

Desde o 'Emílio' de Rousseau é a criança sujeito de direitos, e assim deve se-lo, sendo-lhe garantido o direito de brincar assim como o direito de não ser explorada ou tratada como um empregado e, evidentemente o direito de jamais ser espancada.

Deve a criança ser educada pelo exemplo de seus pais, pela explicação, pela argúcia, e não pela chibata. Deve a criança ser levada a imitar o comportamento de seus pais ou a aceitar as instruções fornecidas por ele com base em sólidos vínculos de afeto construídos. É a partir do amor que deve seguir a imitação, a obediência... Como foi explicitado por Wallon e Rogers o caminho da educação se chama afeto ou amor. E nada temos a acrescentar. Seja amável para com seus filhos e a educação deles estará garantida. Por outro lado, sem afeto ou amor jamais se chegará a qualquer lugar.

14) Especismo/instinto

Está já suficientemente demonstrado que os grandes mamíferos não somente pensam como produzem cultura. Diante disso a palavra mágica instinto já não faz sentido algum.

Auto cognoscentes, inteligentes, capazes de construir relações afetivas... Não podem mais ser os animais tratados como coisas ou objetos. Pelo que se tornam sujeitos de direito. Relação que se não pode ser avaliada por eles pode ser perfeitamente avaliada por nós, criaturas racionais.

Alias não é pelo padrão deles que devemos julgar o quanto percebemos sobre eles porém a partir do nosso padrão, que é racional e ético, e é claro que uma ponderação racional baste para afirma-los como sujeitos de direito e objetos de respeito.

Tem portanto Peter Singer quando pleiteia sua libertação animal em obra já clássica.