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segunda-feira, 26 de julho de 2021

A farra do Borba Gato... Bolsonaro... Nem Revolução nem origem periférica...

A esquerda cirandeira finalmente pegou Borba Gato, com quase trezentos anos de atraso...

Chegado no entanto o momento de acertar as contas foi o implacável bandeirante surrado como Judas em sábado de aleluia e em seguida atearam-lhe fogo.

Claro que o velho safado nada sentiu, posto que morto e apenas representado em sei lá o que. Pois não gastei meu precioso tempo com o saber se era a dita estátua de mármore, granito, pórfiro, etc

Tampouco me dei ao trabalho de averiguar se possuía ela algum mérito estético.

Afinal a tal estátua não me importa muito. 

Sim o ato da esquerda pós modernista comemorar sua destruição, prenúncio, segundo eles de uma Revolução que, pasmem, virá da periferia... Da mesma periferia a um lado dominada pelo crentismo e cada vez mais conservadora e a outro guiada pelos 'acordes' do Funk ou do Baile na Favela, alias, para a vergonha dos brasileiros musicalizados, executada nas Olimpíadas de Tóquio... - Tal a aurora da Redenção cósmica chamada Revolução, quiçá feita com as nádegas ou os peitos balançado, quiçá feita com gestos que aludam ao coito, pelos tigrões e pelas cachorras.

Os marxistas 'ortodoxos' com seu etapismo mecanicista, filho do vezo materialistas, decerto equivocam-se a respeito de muita coisa. Sem no entanto ser ser esdrúxulos como a degenerada esquerda pós moderna...

Com seu funk, sua queima de estátuas, seu identitarismo sectário (Não sou como os marxistas ortodoxos contrário ao identitarismo porém contra o identitarismo sectário cujos membros costumam olhar apenas e tão somente para o umbigo do próprio clã - O que encaro como inevitável abuso ou excesso.), etc

E no entanto, dirão eles, tais estátuas são símbolos de poder... 

Pera lá sr cirandeiro, símbolos do poder de quem ou de qual poder?

Do poder bandeirante ou dos bandeirantes?

Diga-me então onde está ele?

Onde estão os Anhangueras, os Gatos, os Fernão Dias, etc???

Só se exercem algum poder no cemitério, ou no além túmulo. 

Caso em que caberia uma intervenção espirítica e não uma intervenção material.

No entanto, diz o sr cirandeiro, teve tal poder continuidade...

Um momentinho sr cirandeiro. Sou educador e licenciado em História... Escusado dar-me aulas e expor-me como aos bandeirantes sucedeu - No estado de S Paulo pelos anos de 1890 ou mesmo antes. - uma venenosa cultura bandeirista e como inspirou ela a princípio o PRP, em seguida a ARENA, o PDS, o PFL e o nosso DEM... sendo alias incorporada elo PMDB e pelo PSDB. 

Efetivamente esse poder, apenas disfarçado ou maquilado, ai está representando pelo Jorge Dória, fabricante de inúmeras maldades... 

Agora em que fazer churrasquinho de Borba Gato atinge o PSDB ou o Dória.

Quando Getúlio Vargas foi trucidado pelos imperialistas em 1954 a gente simples foi não somente mais ousada como muito mais inteligente que nossos revolucionários da periferia, pois ao invés de queimar ou quebrar estátuas, monumentos, etc dirigiu-se a Sede dos Diários Associados do pulha Chateaubriand e passou tudo a ferro e fogo... Não deixando inclusive de quebrar as sedes de alguns partidos liberais anti varguistas. 

Enquanto Balsonaro e Dória, e L. Hang fazem suas maldades a esquerda cirandeira, vanguarda da tão sonhada Revolução, tira a desforra numa velha estátua posta num parque, e na estátua de um celerado morto há mais de três séculos, o qual por sinal, agia conforme o espírito bronco de sua época... E isto é celebrado nas tendas pós modernistas como prenúncio da Revolução... Diante disto chego até a compadecer-me dos comunistas ou marxistas sérios. De fato é algo humilhante...

Ao que parece está a esquerda cirandeira para o comunismo como os doidos carismáticos para a Igreja Tridentina ora molestada pelo papa Francisco...

Tudo delírios frenéticos de carismáticos, funkeiros, carnavalescos e demais irracionalistas. Sentido algum em tais atos. Como sentido haveria se os revolucionários periféricos se dirigissem ao Palácio do Planalto e chamassem Bolsonaro as contas em nome de toda nação, o que com o Pe Mariana SJ, temos de admitir: Seria justo e digno de apoio. 

Algo até certo ponto relevante caso se dirigissem os tais revolucionários cirandistas ao Congresso com o objetivo de apoiar ou cobrar a CPI ou ainda de enfrentar a brigada genocida lá entocada. Aqui ainda haveria alguma nobreza e valor.

Não sendo tão corajosos bem que poderiam nossos cirandistas toscos ir a qualquer loja da Havan e expurga-las dos elementos favoráveis ao imperialismo estado unidense, o que deveriam alias ter feito nos tempos do Trump... Por que não chamam as contas esse empresário pérfido, traidor de nossa cultura e sim a estátua do velho Borba Gato? Eis o que não possa entender.

Claro que nem por isso e nem de longe sou a favor de que o poder público financie estátuas e monumentos destinados a exaltar figuras anti éticas ou maléficas como os tais bandeirantes. Visar ergue-las no tempo presente é de fato coisa que não pode ser tolerada. Guardem portanto suas forças e entusiasmo para despedaçar e queimar futuros ídolos dedicados aos Aécio Neves, Alckmins, Serras, Dórias, Bolsonaros e a toda essa canalha degenerada. 

O que num passado de ignorância foi feito por pessoas sem consciência fique relegado ao desprezo até cair por si mesmo...

Ademais são documentos ou registros históricos que comprovam a existência de tais personagens sejam eles bons ou maus. 

Quanto ao deflagar da tão sonhada Revolução no tempo presente devo ser suficientemente claro e terminante: É o Brasil, em especial suas cidades, periferias e favelas, um pais em processo de protestantização, do que só pode resultar mesmo bolsonarismo... Jamais ocorreu qualquer Revolução em qualquer sociedade protestante pelo simples fato de serem elas ultra conservadoras. Marx, Lênin e Sorel erraram feio ao supor que o parto cósmico aconteceria na Alemanha, na Inglaterra ou nos EUA, o que não aconteceu nem poderia ter acontecido. Tomem pingo de vergonha e folheiem Max Weber ou Werner Sombart o qual há cem anos perguntava a si mesmo porque Revolução alguma estoura em qualquer país protestante. Caso o futuro do Brasil seja protestante a única 'revolução' que os senhores verão será a revolução fundamentalista ou teocrática cujo modelo é a Genebra de Calvino, onde Miguel Servet pereceu queimado - Tal o ideal de boa parte dos pastores fieis ao padrão bíblico, vetero testamentário ou judaizante.

Enfim quanto ao outro lado da periferia, ainda não cooptada pelo sectarismo protestante, não é a toque de Funk ou pancadão que fará sua querida Revolução. As novelas, o futebol e o carnaval não o permitirão... A maior parte dessas pessoas permanecerá em sua caixinha por força da alienação, apenas imaginando que por quebrarem ou ignorarem as regras da arte acadêmica porão fogo ao mundo. No entanto uma coisa nada tem a ver com a outra. E não será a arte moderna, a arte popular ou o funk que moverão a tal Revolução, na qual alias não acredito.

Resta dizer que tampouco esse sectarismo identitário a deflagará. Na medida em que divide e fragmenta os que são economicamente explorados, lançando nos olhos de muitos uma cortina de fumaça. Há mais de dois milênios o estrategista romano proclamava: Divide em impera, pondo a realidade em pratos bem limpos. Perdido aquele vínculo a que os comunistas atribuíam o termo de consciência de classe, o simples ideal de Revolução vai pro vinagre ou pelo cano abaixo. Digo isto porque o fato segundo o qual existem diversas formas 'sui generis' de dominação não é de forma alguma mais sério ou relevante do que o fato segundo o qual cada uma dessas formas são - No momento presente. - alimentadas e estimuladas pelo poder econômico. O que exigiria por parte de todos os oprimidos uma ação comum e articulada em torno do inimigo comum. Ora certas formas ou certo grau de identitarismo tem frustrado essa ação comum e tornando cada vez mais distante o vulto amado da tal Revolução.

Bastando que algum desses oprimidos seja aceito ou admitido, enquanto indivíduo, nos altos níveis do sistema - Assim por meio do esporte ou de medalhas olímpicas. - para perder o foco e abandonar o tal ideal Revolucionário. Quanto aos marxistas, comunistas, anarquistas e outros que folgam discursar contra o socialismo parlamentar ou verberar contra o imediatismo trabalhista, deveriam antes de tudo voltar seus olhos para o papel do esporte e da estrutura midiática como elementos aparentemente destinados a integrar os oprimidos e identitários, afastando-os decididamente do tal ideal revolucionário. 

Uma coisa é certa: Revolução alguma virá do BBB, do Funk, do Carnaval ou das Olimpíadas, eventos dos quis aufere o Mercado imensos benefícios, alias com a solidariedade dessa esquerda cirandeira, a qual chega a ser mais desprezível do que a seita dos comunistas. Como disse pelo menos os comunistas não chegam ao ridículo.

Da próxima vez pensem em gastar papéis, esqueiros, palitos de fósforo, etc com o Bolsonaro, o Dória ou o Hang, quero dizer no Palácio do Planalto, no Palácio dos Bandeirantes, nas Sedes do DEM, do PSL, do PSDB, etc Afinal, parafraseando Eça de Queirós, de tais lugares só sairá luz quando de fato arderem. 


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A miséria da arte moderna.

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Baumgarten, Baumgarten... raramente escrevo sobre Estética.

Aqui, mais do que em qualquer outro campo, escrever é polemizar.

Acusado de ser demasiado progressista (rsrsrsrsrs Nem tanto pois meu progressivismo não vem da 'caixola' mas, creia leitor, do passado - E por isso apresento-me como reacionário ou anacrônico. Jamais como conservador pois não creio que muito do que temos HOJE mereça ser conservado!) em moral, política, economia, etc devo ser classificado como 'conservador' ao menos nesta área, alias nesta única área. Conservador face a realidade estético acadêmica do século XIX, assim anti pós modernista ou mesmo modernista neste campo. Ou, como e caso queiram reacionário, ultra reacionário, caso admitamos que o modernismo está mesmo na berlinda. Odeio o pós modernismo e o modernismo com todas as forças da alma, inclusive na gnoseologia, mas, sobretudo na estética.

Então vamos logo ao 'prato' e que temos ai???

Temos arte dirão nossos amiguinhos pós modernistas e modernistas, eu direi que temos expressões meramente subjetivas preciosas para a Psicologia, mas não arte propriamente dita.

E por que não temos arte???

Não temos arte porque este festival de psicologismo é irredutível a qualquer avaliação objetiva ou exata em termos de técnica ou mesmo de ponderação estética. O que temos aqui é apenas emoção ou emocionalismo irredutível a qualquer padrão ou critério avaliativo exato, seguro ou objetivo. É algo que não se pode valorar com segurança ou a respeito de cujo mérito se chegue a qualquer acordo. Decretar que a arte moderna deva ser reconhecida como meritória por todos ou por toda crítica é rematado absurdo, filho de incoerência. Nada pode obrigar-me a mim ou qualquer outra pessoa a reconhecer valor estético nessa 'arte' reducionista e mutilada.

Ok, dirá você. Acaso a arte não deve contemplar a esfera do sentimento e satisfazer esta demanda?

Tolo seria, de minha parte, discordar de você. Claro que um dos aspectos distintivos da arte ou da estética é mexer com os sentimentos humanos. Claro que a contemplação da arte tem por fim despertar o sentimento ou a emoção estética. A fruição dos sentimentos e emoções faz parte efetiva da produção artística, por meio da qual o mundo externo não é apenas representado, mas, aperfeiçoado, na medida em que encontra seu ideal.

Então qual o problema?

O problema é que a parte não é o todo.

Fixar-se apenas e tão somente no sentimental/emocional, no subjetivo apenas ou no psicológico será sempre reduzir ou mutilar a condição humana. Afinal não é este homem apenas sentimento ou emoção e há nele um elemento de razão e outro de experiencialidade, os quais devem estar em comunhão e ser representados numa arte integral.

Certo, o sentimento deve ser posto na obra de arte. Assim a emoção. E deve ela causar impacto emocional. No entanto essa emoção deve ser expressa em comunhão com o racional e dentro de determinadas normas técnicas de execução que possam ser objetivamente mesuradas. Do contrário jamais poderemos avaliar esta arte.

Após o sentimento ou a emoção deve ser considerada pela crítica o elemento objetivo, racional ou técnico. A harmonia entre as tonalidades de cores, como salientou Van Gogh a respeito das magníficas telas de Millet; a forma do desenho, a perspectiva, etc Como deixar de considerar estes aspectos presentes na natureza???

Dirá você que o inconsciente não conhece normas e que a arte atual é expressão de um mundo onírico isento de regras. Então é apenas uma expressão psicológica de uma vida interior ou emanação das profundezas da mente. Algo que se reduz a psicologia ou fenômeno psicológico... Neste caso para que manter a farsa ou a encenação aparatosa dos concursos e prêmios??? Como distinguir expressões meramente psicológicas ou mentais umas das outras. Se por princípio todas as manifestações do inconsciente tem o mesmo valor (que é meramente subjetivo!) como premiar uma e não outra??? Em que uma simples manifestação da atividade mental ou da imaginação é, em si mesma, superior a todas as outras. Apenas a forma, vazada na técnica, pode comunicar superioridade ou inferioridade... E para a arte moderna e irredutível a qualquer controle externo e objetivo, a forma não é nada. E já não existe norma ou regra que nos permita julgar esta produção, declarando que uma seja melhor ou pior do que todas as outras. O que você tem ai são expressões livres do inconsciente... Como levar tais expressões a um concurso e premia-las como se melhores fossem???

Elaborações meramente subjetivas e fora de qualquer controle objetivo por ausência de normas não podem ser julgadas.

É exatamente por isto que X ou N podem enlatar as próprias fezes ou grudar catarro em folhas de papel e proclamar que é arte, arte moderna...

Mas que há de estético ou de verdadeiramente belo em cocô enlatado ou em escarro espalhado sobre o papel???

Bem se vê que a arte psicologista ou do inconsciente perdeu por completo seu sentido. A ponto de ignorar a contemplação estética de um ideal harmonioso ou a dimensão do belo.

Esta arte se contenta em impactar emocionalmente. Como se a outra, a formal ou acadêmica não contemplasse este aspecto há muito tempo ou a milênios. Como de a contemplação de um Polikleitos ou de um Parrasio não suscitasse absolutamente nada nos homens... Como se alguém pudesse permanecer indiferente face a obra de um Praxísteles ou de um Apeles!!! No entanto, além disto, havia norma e regra, uma técnica de execução a ser objetivamente avaliada ali. E bem se poderia justificar a excelência de um Fídias face a seus rivais sem maiores problemas...

Uma arte que se esgota na emoção ou no sentimento e que se proclama livre ou acima de todas as regras, além de trivial e fácil não pode ser avaliada.

É trivial porque qualquer criança pequenina, a qual seja dada papel e tinta, pode executa-la perfeitamente. Basta espalhar as cores com os dedos sobre o papel, tudo misturando... ou ensaiar algumas formas obscuras ditadas pelo senhor inconsciente. E alí estão as obras primas da arte moderna!!! Executadas por qualquer nascituro... Diante disto como premiar o pintor X ou o escultor N??? Se qualquer moleque recém nascido é capaz de exprimir a mesma coisa???

Mas a ser trivial é esta nova arte fácil e este é seu problema central ou basilar. Posto que não precisa ser estudada ou aprendida. É arte que não demanda esforço algum. Arte que não precisamos beber junto a um mestre consumado.

Admitida a arte sem compromisso da facilidade, a verdadeira arte, que demanda esforço ou aprendizado torna-se vulnerável ou posta a morte e ao desaparecimento e por isso mesmo, a concepção psicologista ou modernista da arte não deve ser encarada como algo inofensivo pelo filósofo mas como algo monstruoso. Afinal de contas por que qualquer artista iniciante haveria de tomar a senda estreita de um Delacroix ou de um Canova, ou de um Thorwaldsen se para obter a glória basta-lhe rabiscar ou bater com o martelo num bloco qualquer?

Dizer que todos são artistas criadores de obras primas é dizer que não há artista algum ou obra prima alguma. Mas... você sempre poderá aprender e criar pautando-se ao menos em algumas regras, o que de fato abre espaço ao talento.

Como sempre a esquerda desorientada adorou a demolição da arte acadêmica ou 'burguesa' - e assim relativa... Pelo simples fato de que todos os homens, especialmente os miseráveis, que não teem acesso ao estudo, a aprendizagem ou a formação, poderem apresentar-se como artistas, dentro de um padrão de igualdade absoluta.

Concedo que o monopólio estético da arte caiu nas mãos desta burguesia sem consciência, e que a arte acadêmica, em sua esfera, foi amiúde acrítica e servil. Que os donos do poder se tenham apropriado da beleza em proveito próprio é fato que deploramos. Aos simples e restou apenas o trabalho bruto e insano, e a criação do que chamam arte popular ou mesmo de massas, a qual nem sempre é alheia a cânones e regras... E nem sempre é feia ou isenta de méritos. Alias é sempre significativa quando a falta de técnica ou preparo aspira por um ideal de beleza a que não tem acesso.
Tal o contesto a partir do qual os comunistas e anarquistas (Sobretudo estes porquanto a URSS conheceu uma arte Realista, em que pese seu engajamento!) passaram a encarar a supressão das normas no domínio da arte como uma espécie de pré revolução ou peristilo da revolução... E tornaram-se eles iguais por essa nova arte antes de se tornarem verdadeiramente iguais quanto a vida social. Foi uma igualdade funesta. Por ter privado parte dessas massas da contemplação da beleza a que por vezes tinham acesso. A qual a um lado serenava e a outro educava... Contemplar a Notre Dame ou o Partenon jamais deixou de ser catártico para quem quer que fosse.

Mas essa ideia pós modernista, que implica encarar todas as manifestações livres do inconsciente como artísticas equivale, no plano da economia, em transformar todos os cidadãos em milionários pelo simples fatos de acrescentarmos alguns zeros a direita dos centavos, convertendo-os em milhões... Seria como nivelar todos pela mesma miséria após ter destruído todas as riquezas. Belo nivelamento, em que todos se tornem iguais pela falta ou pela carência! Quanto valia o título de cidadão romano quando a todos foi oferecido por Caracalla??? Devia valer muito pouco, se é que valia algo! Tornaram-se todos cidadãos por decreto porque a cidadania nada mais significava. Hoje a modernidade reconhece que todos os homens são artistas em estado de natureza justamente porque... Tire suas conclusões enquanto nas tais exposições de arte moderna oferecem fezes enlatadas ou catarro espalhado sobre o papel... Por que não engarrafam peidos???

A arte moderna não vulgarizou ou popularizou a arte. O que demandaria educação, escolaridade, alteração das estruturas, clamor, revindicação, etc A arte moderna demoliu a arte enquanto auto suicídio da arte e só podemos compreende-la a luz da imensa miséria produzida pelo capitalismo, tal e qual o fanatismo religioso, o pragmatismo, o ceticismo... Tudo miséria oferecida pela miséria. É forma de alienação por apartar o homem de um ideal de beleza que o acompanha desde Lascaux e Altamira, e que o fez erguer soberbas pirâmides e catedrais preciosas. A malignidade da avareza apropriou-se deste universo de beleza, a imbecilidade dos modernos negou-o.

Mas se enfim o que este homem moderno deseja é apenas chocar-se ou experimentar sensações análogas aos que experimentam aqueles que se atiram do Bungee Jump... Se objetivo é apenas fruir de sensações cegas e incontroláveis, inconscientes e irredutíveis a razão. Não há o que discutir. O homem se joga em seu próprio vazio, este homem mutilado e sem sentido. O problema aqui seria descobrir que sobre este ou aquele aspecto estas idolatradas forças do inconsciente não são seguras, ou que são destrutivas... Abismos há, ou fossas, cujas tampas só deveriam ser alevantadas num bom consultório de psicologia. Já disse, tais expressões, como exposições de arte moderna, são imensamente ricas (E eu mesmo a elas vou, como estudioso da psicologia humana - Alias sob seu aspecto patológico - ) do ponto de vista psicológico ou da anormalidade mental. Como expressões de arte são apenas o 'nada absoluto' ou a negação.

Sei que meu posicionamento chocará há muitos. Mas sei que serão apenas os psicologistas que satanizam o controle racional e que super valorizam a afirmação de um inconsciente irredutível a normas em todas as dimensões da atividade humana. Como disse não sou nada otimista face a estas forças cegas que se acham do outro lado da porta!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Esquisitices - Esquerdices

Se o historiador Eric Hobsbawn fosse vivo eu recomendaria que escrevesse um novo livro: A era do mi mi mi. Sim, leitor(a), A era do mi mi mi, porque a esquerda tem umas idiossincracias que eu nunca vou entender. Eu não sei se é a esquerda do Brasil ou se isso é mundial, acho que é mundial, porque certa vez George Bernard Shaw escreveu: "Só não temos o socialismo ainda por culpa dos socialistas". Chego à conclusão que a esquerda é burra! Sim, leitor(a), a esquerda é burra, idiota, estúpida mesmo! E, olha que me considero progressista e até mesmo libertário... Mas a verdade é que a maioria dos "revolucionários" marxistas nunca leu as obras de Marx nem mesmo as obras mais curtas e fáceis e a maioria dos anarquistas que gostam de citar Bakunin pra cima e pra baixo nunca leu um livro sequer deste autor.

Mas o que espanta-me na esquerda brasileira é que eles defendem o indefensável, e ofendem-se com meras opiniões. Se você apoia o Charlie Hebdo já é motivo para esquerda emotiva e os anarco-emotivos ficarem ofendidinhos e isso é também motivo para que lhe chamem de islamófobo(a). Não se pode criticar o islã, os mulçumanos são uns coitadinhos perseguidos pelo ocidente capitalista e mau. Essa esquerda confunde religião e práticas religiosas com povo. Islã não é povo, islã é religião, assim como o budismo, o cristianismo e tantas outras religiões. Como essa esquerda doentia não quer que eu critique o islã, se vejo que o Boko Haram matou duas mil pessoas na Nigéria, se vejo o Estado islâmico praticando suas barbaridades e se vi a milícia talebã levar o Afeganistão para o século 10 antes de Cristo? E toda essa sujeira veio do islã, não veio do budismo, não veio do catolicismo, não veio do hinduísmo... Mas eles continuarão justificando o injustificável, como diz a sabedoria popular: "o pior cego é aquele que não quer ver". 

Também tive oportunidade de ver no facebook uma página dedicada a defender o pensamento negro criticando mulheres negras que desejam casar com brancos, para essa gente doente, uma mulher negra deve casar com negros, para deixar a "raça" mais pura, ao menos é o que a página dá a entender.



Uma moça negra não gostou do conteúdo da página e o(a) administrador(a) da página no anonimato chama a moça de negropeia.



Então de acordo com essa gente uma mulher negra tem que casar com um homem negro? Se ela casa com um branco, ela é racista? De quem é a vida? Não é da mulher negra? E se ela quiser casar com um branco o que essa página tem haver com isso? Agora querem obrigar as mulheres negras a casarem com negros e as que não fazem isso são racistas e traidoras a ponto de serem chamadas de negropeias. A mim não importa quais motivos levam uma mulher negra a se casar com um branco, isso diz respeito apenas à ela e a ninguém mais.

Tanto comunistas, como socialistas e também anarquistas em geral tem o péssimo gosto de cultivar o feio, alegando que o feio é popular e se alguém desdenha uma arte feia, desdenha o povo pobre. De modo que para ser "comunista autêntico", "socialista de verdade" e "anarquista verdadeiro" é preciso gostar do que o povo gosta, é preciso ser como o povo, se o camarada  ou companheiro não gosta do que gosta o povo então ele é considerado como pequeno-burguês e preconceituoso.

Ontem, eu coloquei uma charge onde Nietzsche opinou sobre o funk carioca, foi o quanto bastou para um debate acalorado e emotivo.



Algumas pessoas começaram a questionar-me porque o funk não era música e eu expliquei porque não tinha ritmo, nem harmonia e que os "cantores" nada cantam, tem vozes horríveis e suas letras são machistas isso quando não reproduzem os valores do capitalismo.

Aí um "libertário" que deve também ser analfabeto funcional escreveu que eu afirmei que funk não é cultura, o que é uma inverdade. Funk é sim cultura, tudo o que é produzido pelo ser humano e que é transmissível é cultura, isso não significa que essa cultura seja bela, boa e verdadeira, segundo a tríade de Platão.

Evidentemente que o "punk" nas entrelinhas disse que sou preconceituoso porque não gosto de funk e porque não considero funk como música, disse-lhe que  gosto de rap, porque como diz a abreviação em inglês, rap é ritmo e poesia, que surgiu na Jamaica na segunda metade do século passado. Disse-lhe que o rap é popular e belo porque bem construído, diferente do funk carioca. Não contente com minhas opiniões o "libertário", o "punk", o "anarquista" deletou-me e bloqueou-me do seu círculo de amizades. Já tive oportunidade de conversar uma ou duas vezes com o sujeito que é pós-modernista, daqueles que negam toda a verdade e toda objetividade. Ele não crê que exista a verdade a não ser aquela verdade de que a verdade não existe. Se nada tem valor absoluto, se nada é absolutamente verdadeiro por que exasperou-se? Por que bloqueou-me? A discussão para mim não foi de preconceito, mas de questão estética, nada mais que isso. Não sou obrigado a gostar de uma coisa artisticamente feia só porque é do "gueto", das comunidades. Não, mil vezes não. Isso nada tem haver com racismo ou preconceito como querem um grande número de idiotas da esquerda seja marxista, seja libertária.

Da mesma forma que eu não gosto de funk, também não gosto da arquitetura modernista (Oscar Niemayer), não gosto da literatura moderna, cito como exemplo de poeta detestável e de mau gosto, Carlos Drumond de Andrade que tem uma "poesia" que diz mais ou menos assim: "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...". Isso não é poesia nem aqui nem na China, não tem poesia, não tem significado e não provoca a catarse.  Também detesto as pinturas modernistas, detesto as esculturas modernistas que nada significam porque significam tudo, pois o que vale na contemplação não é o que o artista quis mostrar mas a subjetividade de cada um. Será que os esquerdistas acusar-me-ão de ser anti-povo agora? Mas Niemayer era proletário? Sei que era comunista, proletário nunca foi, até porque proletário não fazia arquitetura na época em que ele estudou. Será que Carlos Drumond de Andrade nasceu e viveu na periferia?

Como o(a) leitor(a) pode perceber não é o preconceito que move-me mas o amor dos cânones da boa escrita, da boa pintura, da boa escultura, da boa arquitetura... Uma arte pode ser bela ou não e isso independe de ser ou não popular. Uma arte pode ser bela ou feia independente de ter sido feita por burgueses. Em arte não se leva em questão o economicismo dos marxistas e nem o emancipacionismo das artes.

O que eu desejo ardentemente é que as classes populares tenham acesso a um teatro de qualidade, que possam ir à orquestras sinfônicas, que possam frequentar pinacotecas, museus, etc... Que essas coisas deixem de ser monopólio dos ricos e sejam patrimônio de todo o povo, mas para isso é preciso que o povo tenha educação de qualidade e não fazer o jogo da burguesia como faz essa esquerda doentia, ensinando-lhes que a cultura do gueto é a cultura do pobre e música clássica é um lixo e tem que ser detestada porque foi criada por burgueses. Quando a esquerda faz isso, priva o povo sofrido das melhores coisas já produzidas pela humanidade. Se isso é ser esquerda, então eu não sou esquerda, se ter um discurso demagógico é ser esquerda então não comungo das ideias dessa esquerda.