Já há algum tempo estava para escrever algo sobre este tema. Fui protelando já por ser complexo, já por ser polêmico.
Até que a reação dos comunistas, anarquistas e cia ao desfile da mangueira (2020) forneceu-me a devida ocasião.
Creio ser dever meu, como articulista e formador de opinião, adiantar que esta análise, como de praxe, não será nada convencional ou destinada a agradar qualquer rebanho, seja o dos conservadores, puritanos, moralistas, fanáticos... seja o dos pós modernistas, sexistas, radifens, etc Por pensar criticamente não acompanho bandos. Penso por mim mesmo, a partir é claro de minhas fontes, sempre vastas...
Em tempos de maniqueísmo/puritanismo mostrar o corpo ou ainda manipula-lo tinha acentos sociais e políticos. Por isso Freud, Atrino, Ellis, etc, em meados de 1900 foram revolucionários... E meio século depois veio a Revolução que prepararam, já a sessenta anos.
Desde então a maior parte de nós pode assumir uma identidade sexual e paralelamente ter acesso e manipular o próprio corpo. Devemos nós considerar tal acontecimentos como um dos mais significativos da História humana, mesmo quando em diversos cenários passamos ao extremo oposto: A deificação do corpo ou da aparência física e uma sexualização exacerbada... De fato fomos de um extremo a outro, daí esperarmos por uma equilibração - Momento em que a sexualidade será encarada apenas como natural ou como parte significativa da vida (Não como seu centro ou foco).
Sabe o leitor que nossa posição face a sexualidade advém da cultura clássica. Portanto sendo reacionária por definição é igualmente progressista e livre. Somos favoráveis aos relacionamentos abertos e contra o controle ou manipulação da sexualidade pelo assim chamado 'parceiro' (s). Isto não quer dizer que sejamos libertinos ou sexistas a moda do Marquês de Sade. O quanto queremos dizer é que o corpo/sexo tem valor, um valor positivo e que a vida sexual tem significativa para o homem. Nossa mensagem tem sido sempre esta: Que a sexualidade ou o corpo sejam encarados com naturalidade não com hostilidade ou pessimismo a exemplo do passado.
Não partilhamos portanto da opinião daqueles que encaram a sexualidade como o supremo valor da existência humana, os quais costumamos chamar sexistas. Somos humanistas... Nosso feminismo diz respeito apenas a igualdade de direitos entre homem e mulher ou a condenação do machismo. Quanto ao ao valor da pessoa somos humanistas! Nem agostinianos, nem puritanos, nem sexistas... Quando nos alinhamos com os trabalhadores é apenas por questão de justiça - Tal o sentido do recorte trabalhista. Mas para além de feministas ou trabalhistas ou de qualquer rótulo - Mesmo o de Cristão Católico - o que pretendemos ser é humanistas. Nada em Sócrates, Aristóteles, Confúcio, Buda ou Jesus indicam-nos que a sexualidade corresponda ao supremo valor da existência humana, mas, uma fonte de prazer a ser corretamente gerenciada.
Não apreciamos um ou outro extremismos.
A luz do que acima registramos podemos dizer que em determinados contestos expor o corpo pode ser pessoalmente libertador, e para isto há espaços de nudismo ou naturalismo. Para além disto cada qual é livre para trajar-se como quiser, a luz de sua própria personalidade. Outra coisa e bem distinta é imaginar que sua própria nudez ou sexualidade seja social ou politicamente relevante, e este é o foco deste artigo. O problema é uma determinada pessoa ou mesmo um determinado grupo de pessoas pretender que a exposição de seu corpo seja revolucionária sessenta anos após a Revolução sexual e numa situação de reconhecida liberdade.
Reconheço seu direito de trajar-se como bem quiser ou se expor seu corpo publicamente ou ficar completamente nu. O que questiono é que semelhante atitude seja revolucionária ou melhor perigosa para o sistema. Penso ou julgo que aqueles que são ou foram perigosos para o sistema: Lamarca, Mariguella, Herzog, Chico Mendes, Dorothy Stang, Patrícia Acioli, Marielle Franco, etc estão mortos! Isto é ser socialmente relevante ou revolucionário.
A Psicologia indica muito claramente que as pessoas que tem algo a mais a oferecer não costumam cobrir ou desnudar por completo o corpo, mas vestir-se com naturalidade e equilíbrio. De minha parte ouso dizer que desconfio dos homens e mulheres que costumam ostentar os membros do corpo, cultivar doentiamente a forma física ou vangloriar-se da beleza, salvo é claro como fonte de renda. Para mim tais pessoas mostram a única coisa que possuem. O ser humano todavia é bem mais do que um corpo sarado ou escultural. E há a dimensão da ética, da inteligência e até da elegância... Tais elementos fazem um ser humano completo, centro de uma personalidade rica e atraente.
Claro que um corpo bonito pode ser um valor. Desde que em conexão com outros valores já citados. O materialismo crasso apenas concordaria em declarar que é o ser humano apenas um corpo a ser ostentado e nada mais... Pois, lamentavelmente a beleza corporal degrada-se com o passar do tempo, cedendo lugar ao que chamamos de feiura: Flacidez, estrias, linhas, manchas, etc A posse de princípios e valores saudáveis (Como o amor a justiça), de inteligência cultivada, de bom humor, elegância, etc são dons perenes, que jamais passam...
Para mim a exposição do corpo apenas denota um profundo vazio em termos de outros valores humanos, e nada tem de social ou politicamente relevante, menos ainda de revolucionário. Ainda aqui ouso discordar veementemente de um pós modernismo que perdeu o trem da História. É verdade que os europeus - prevalencendo-se de certa presença moralista - adoram balançar suas bundas caídas ou flácidos glúteos... No entanto, salvo a existência de concomitante greve, paralisação, etc as bundas para nada servem. Não intimidam seja o patrão ou o governo. Mobilizações, passeatas, greves, boicotes, etc intimidam os patrões e governos mesmo sem nudez ou bundas caídas. Assim você sempre poderá mostra sua buzanfa... Mas não atribuir-lhe uma conotação político social relevante.
Quer que sua nudez seja revolucionária ou relevante? Ostente-a no Iran ou em qualqer país muçulmano do Oriente Médio. No Brasil exposição do corpo não choca porque é já corriqueira...
No país do Carnaval, grosso modo, as coisas são ainda mais exóticas ou esquisitas...
Pois aqui não apenas se mostra o corpo ou ostenta a nudez, mas canta-se, dança-se... (Também se bebe cerveja aquecendo-se essa indústria ou o mercado). As pessoas exaltam-se e pulam, gritam, chacoalham o corpo, etc O que é de praxe... É o carnaval... E temos de reconhecer que faz parte de uma cultura igualmente descompassada. Posto que não vivemos mais numa sociedade fechada e repressora que dependa de uma válvula de escape... Mas como já o disse - Compreende-se.
O que não compreendo é que se atribua qualquer relevância política ou caráter revolucionário a tal festividade, especialmente quando gerenciada por essas colossais agremiações chamadas escolas de Samba, alias subvencionadas pelo poder estatal i é verba concedida pelas prefeituras ou mesmo por agremiações empresariais... Mesmo o Carnaval popular, realizado pelos blocos de rua, com suas marchas, degenerou em comércio de bebidas! Há alguns anos quando subimos a S Paulo para protestar contra o vampiro golpista Michel Temer, demos com um bloco de rua muito aminado e marchinhas satíricas... Foi muito divertido acompanha-lo. Sabido é no que resultou essa muito animada reunião... Em nada! Cantamos, pulamos, gritamos, dançamos... e o Temer lá continuou no poder. Mesmo algumas escolas de samba do pais satirizaram o vampiro, assim os trens elétricos do Nordeste... Mas a situação ficou na mesma.
O que quero dizer com isto é que é da condição ou da cultura do Brasileiro rir ou tirar sarro de tudo, brincar, pular, dançar, cantar, gritar, ostentar o corpo... Fazer carnaval. E se fica eternamente nisso. E disto não resulta absolutamente nada de concreto! Quando o Carnaval com suas sátiras conquistou algo para o povo??? Não, não se passa disso... E os políticos ou demagogos bem sabem (Daí injetarem dinheiro nas Escolas de Samba). Por mais que a esquerda caricata e pós modernista aclame o desfile da Mangueira como revolucionário os políticos não tem receio ou medo dele, pois sabem que ao chegar a quarta feira de cinza os sambistas estão em suas casas curtindo a ressaca do dia anterior ou se recompondo, não com coquetéis molotovs ou fuzis em mãos!!! E disto não sai ou saíra revolução... Passada a febre do carnaval sobe a maré do conformismo...
Ulisses Guimarães já o dizia: 'Político tem medo do povo nas ruas...' [Com pedras ou paus nas mãos e fazendo greve geral.] - os parentéticos são nossos. Não de massas chacoalhando-se no sambódromo. Lá também estão os políticos nos camarotes, degustando caviar, bebendo champanhe e paquerando as filhas do homem trabalhador...
Tal a realidade e nada do que a mangueira fez ou fizer para ganhar troféu e prêmio vaio mudar isto.
Encarar a mangueira, qualquer escola de samba financiada pelo poder público ou time de futebol, como organizações revolucionárias não é menos ingênuo ou tolo do que encarar a Assembléia de deus ou a CCB como organizações revolucionárias...
Querem curtir o Carnaval, beleza... Só não me venham dizer que os políticos vão se sentir ameaçados ou ter medinho das passistas seminuas ou do passista tinindo sua cuica... Pois é isto o cúmulo da alienação.
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terça-feira, 3 de março de 2020
A manipulação/exposição do corpo, o carnaval e a revolução.
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terça-feira, 3 de outubro de 2017
No 'inferno' do 'Amar é'

Levante a mão quem ainda se lembra do álbum de figurinhas 'Amar é'.
Caso você seja dos anos setenta ou mesmo oitenta certamente ainda lembrará do simpático casalzinho castrado...
Época da Sarah Kay, da menina moranguinho, dos animais fofinhos, etc tudo muito bonitinho e encantador. E é claro que os namoradinhos do 'Amar é' não podiam fugir a regra...
Exatamente por isso eram desenhados muito moralmente ou seja sem os 'asquerosos' órgãos sexuais. Nem o menino tinha pênis nem a menina tinha vagina, eram ambos completamente lisos ou tapados, i é, sem buraco algum.
Orifício por onde fizessem o número um ou o número dois não havia e ficamos lá pensando se comiam ou bebiam qualquer coisa, e por onde saiam os refugos - Pela boca? Pelo nariz, ou pelas orelhas? A pergunta bem pode ter ocorrido a qualquer criança do nosso tempo (anos 80) e premiada lá com algumas palmadas por parte desses pais educadores que já não usavam a 'vara de marmelo'.
Eu como menino 'bíblico' ou crente só pude conhecer a 'Amar é' através de meus amiguinhos pagãos, que costumavam cola-las em seus cadernos e - pasmem, pasmem sim - havia sido orientado a não fixar os olhos em tais figurinhas, pelo simples fato de ostentarem corpos nus!
E como disse não havia ali sequer vestígios de órgãos sexuais ou qualquer coisa que insinuasse um pênis ou uma vagina! Era ambos castradíssimo e sem embargo disto, 'imorais'. Ao menos para parte da boa Sociedade.
Jamais pude esquecer o comentário feito por uma velha senhora diante de uma banca de jornais em cuja parte externa o proprietário havia colado um cartaz promocional das figurinhas:
-- Viu Minguinho (tal meu apelido de menino) a que ponto chegou esta sociedade (nem sabia o que era sociedade)? No meu tempo não se ostentavam corpos nus desse jeito, vou falar com o seo Morgado para não colar esse tipo de coisa na Banca.
Tá certo que a senhora em questão era de outro tempo... Tão certo quanto o menino e a menina serem lisos e castrados, e não haver qualquer sinal de, digamos, 'malícia' nas figurinhas. Exasperou no entanto muita gene mais nova e não estou convencido de que ainda hoje não exaspere algumas pessoas, especialmente os fanáticos religiosos... Sempre em guarda contra o corpo, a nudez e a sexualidade humanas.
Nem estou suficientemente convencido de que parte da Sociedade atual seja ainda mais fechada do que aquela dos anos 80...
Reeditado o álbum 'Amar é' em nossos dias, será que venderia mais??? Será que não fariam autos de fé pelas esquinas. Alegando que o casalzinho de castrados é decididamente imoral ou pecaminoso...
Uma coisa é certa meu senhor. Há quem se sinta incomodado com as simples linhas ou com o esboço pictórico de um corpo nu. No passado dizia-se nu artístico e não me parece que fizessem tanta bulha em torno dele quanto hoje...
Problema aqui é que não se tratam de casos isolados ou de pessoas psicologicamente desajustadas. Aparentemente essas pessoas melindradas são normais. O que temos aqui é a produção intencional de uma certa cultural maniqueísta ou puritana...
Dirá você que estou fazendo tempestade em copo dágua uma vez que a produção desse tipo de cultura anti corporal ou assexuada é produção que remonta há séculos.
Indubitavelmente meu querido, indubitavelmente. Consideremos no entanto que vivemos num mundo pós freudiano direcionado cada vez mais para a aceitação do corpo, do sexo e da nudez, não em termos de valores supremos (como querem muitos), mas certamente como algo natural.
Consideremos que o passado século, em que pesem exageros e abusos, foi um tempo de avanço. A tendência a que me referi acima era um agregado persistente, mas condenado, ao menos a longo prazo, a desaparição. As tendências mostravam isto...
Portanto o que me assusta ou incomoda é a retomada feroz desse tipo de discurso ou dessa produção cultural na mais larga escola. O que estamos assistindo, ao menos aparentemente, é a retomada de ideais e modelos maniqueus e puritanos que não só confinam com islã como preparam seu advento em nossas sociedades ocidentais. Há todo um discurso negativo ou pecaminoso em torno da nudez ou da sexualidade e cujo objetivo é produzir um generalizado sentimento de culpa entre as pessoas, especialmente entre as mulheres... o fim desse discurso é que após o corpo experimentar certa degradação ou a beleza declinar sucede o arrependimento, a conversão e por fim túnicas, icabs, burkas, shadores, etc como forma de penitência.
Que tais pessoas optem por ocultar seus corpos decrépitos deveria ser assunto de ordem privada. Lamentavelmente no entanto, assistimos a toda uma reação contrária ao direito dos demais membros da sociedade exporem seus corpos ao menos por parte de algumas dessas pessoas 'convertidas' a alguma religião qualquer... De fato elas não estão nem um pouco convencidas de que a tais pessoas assista o mesmo direito que assistiu a elas durante a juventude. Não é simples questão de arrependimento mas também de egoísmo inconsciente expresso pela forma clássica: Se não ouso mais mostrar meu corpo ninguém mais deveria poder faze-lo. Em tais situações as pessoas que ousam mostrar seus corpos passam a ser odiadas e quando não insultadas ou agredidas.
A parte da sociedade que se esconde o corpo e a sexualidade parece não se dar bem com a outra parte, seja a sexista ou a que busca viver com naturalidade, tornando-se ativamente hostil. Assim entre os que não vão a praia devido a questão da nudez costumam sentir-se molestados porque os demais vão e isto pelo simples fato de serem influenciáveis, covardes e não terem coragem para fazer o que querem. A pessoa que assume um princípio moral ou crença sinceramente e que busca vivencia-lo em máximo grau, via de regra não se preocupa com o comportamento alheio, apenas com o seu. A preocupação com o comportamento alheio em termos de Psicologia, denota sempre um insatisfação subjacente, desconformidade, insegurança e, é claro rancor. Rancor por achar-se obrigada a viver uma vida que não gostaria de viver.
Em termos de cultura no entanto o ponto de partida desta postura intolerante é a produção de um sentimento de culpa, relacionado com a retomada de um discurso maniqueísta ou puritano cujo objetivo é satanizar o corpo físico, a nudez e sobretudo a sexualidade humana. O que me suscita minha reflexões não é a sobrevivência circunstancial desde discurso enquanto mero agregado persistente mas sua decidida retomada em alguns contextos da sociedade brasileira, do que resultou toda esta polêmica assustadora em torno do homem nu lá no Masp.
Lamento por Fernando Sabino, autor impagável da Crônica 'O homem nu' já não estar mais entre os vivos para escrever um segundo conto ambientado lá no Masp...
Afinal, desta vez ao menos, é o mesmo povinho que leva os filhos no colo, durante os carnavais, para assistirem 'mulatas' (a expressão aqui é mesmo para despertar choque) semi nuas ou nuas em pelo, rebolando e se arreganhando na passarela... E quem se choca???
Tudo bem que pela primeira vez cobriram a globeleza com um vestido...
Homem branco rebolando nu em pelo foi o que a Globo jamais cogitou por.
A simples imagem da mulher negra nua, pobre, favelada, sem oportunidade na vida... estar ali se arreganhando diante de um montão de machos caucasianos com seus filhinhos impecáveis nos colos, é tão perversa que me faz lembrar as velhas vitrines de zoológico em que colocavam tipos humanos primitivos.
Se é mulher, negra ou morena, pobre, etc rebolando em cima de uma garrafa pode, é bonito... Agora basta expor a nudez de um homem branco, simplesmente sentado num lugar fechado para produzir exasperação... Meu Deus onde estamos???
Ah mais haviam crianças lá....
Ok, mas foi a exposição realizada para esse tipo de público?
Quem levou? Quem são os responsáveis? Que pretendiam eles? São seus filhos???
E se os pais quiseram levar as crianças ao evento para familiariza-las com a nudez, segundo a opinião deles, o que você tem a ver com isto??? São seus filhos??? Então você quer total liberdade para educar e criar seus filhos, surrando-os com a vara ou espancando-os por qualquer motivo e para os outros pais liberdade alguma???
Digo isso porque criança alguma foi posta ali pelo produtor do evento ou raptada!
Estavam ali porque foram conscientemente conduzidas até aquele lugar pelo poder paterno que vocês tanto endeusam em causa própria.
Alias quando o menino Bernardo foi assassinado pelos pais após ter procurado ajuda, qual a exasperação de vocês??? NENHUMA???
Vejam a disparidade!!!
Claro que a lei bem poderia, e é alvedrio seu, fixar uma idade mínima para a assistência do evento. Agora proibi-lo pelo simples fato de contar com a exposição de um Nu, de modo algum, de forma alguma. Não existe nada, absolutamente nada no nu que cause dano ao outro e se alguém adota o ponto de vista contrário não vá a exposição, não compre 'Amar é', não manuseie material pornográfico as ocultas, etc Uma vez que aqueles que encaram a nudez com naturalidade ou como parte da vida assiste o direito de contempla-la livremente.
Mas a contemplação da nudez é um pecado ou uma imoralidade.
OPINIÃO SUA.
Não minha, nem de outros tantos milhões de cidadãos honestos e trabalhadores que não teem problema algum de aceitação com relação a seus corpos.
Agora se pensa assim conduza-se de modo coerente, ao invés de pretender comandar os outros porque ainda há cidadãos livres nesta porra dispostos a não se deixar comandar por gente autoritária e controladora como você.
Se a questão é as crianças, que a justiça estabeleça um limite de idade quanto ao acesso a tais eventos. Claro que todos os cidadãos e todos os pais deverão obedece-los, como você deve obedecer a lei menino Bernardo e cessar de espancar seu filho ou apodrecer na cadeia. Se a questão é a lei, comece cessando de educar seu filho com a vara de marmelo ou de tortura-lo.
Agora quanto a exposição e acesso a nudez, cidadãos adultos e maduros não precisam ser tutelados por zelosos moralistas de fancaria. Vão viver seu azedume e sua amargura sem importunar os outros!
Não pensem que estou defendendo, como os esquerdopatas sem causa, a dimensão artística deste nu ou deste exposição de arte moderna, a qual deploro como psicologista, relativista, subjetivista, estúpida, etc Não sou nem pretendo ser partidário dessa arte degenerada a que chamam de moderna, sou pelo clássico, decididamente. E em questão de nu prefiro uma Vênus de Milos.
A questão a ser ponderada não é repito, a dimensão artística da produção, a qual bem pode ser negada ou questionada. Não sou dos que iriam a uns exposição de arte moderna, mesmo para ver o Gianecchini em pelo, palavra não iria. O foco da questão é a nudez e a aceitação do próprio corpo, pressuposto absolutamente necessário para a construção de um personalidade normal, sadia e equilibrada. A negação do corpo, da nudez e da sexualidade é o ponto de partida para o desenvolvimento de uma série de neuroses e distúrbios psicológicos, e francamente este mundo já esta cheio de anormais e de seres sem consciência explorando a anormalidade alheia com propósitos financeiros...
Comecei lembrando das coleção 'Amar é' com o simples traçado de corpos nus lisos e tapados. E termino formulando a seguinte pergunta: Será que no Brasil de 2030 alguém terá coragem de criar algo semelhante ou de reeditar o velho 'Amar é'??? Eis uma pergunta aparentemente tola que demanda nossa reflexão urgente! Que rumo estamos tomando e como será o Brasil do futuro?
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Religiões: Sintomas de vida e morte... A agonia do Cristianismo e o fim da civilização humanista I
Definições necessárias:
- Maniqueísmo: Ideologia que encara negativamente a matéria, o corpo, a nudez e a sexualidade.
- Moralismo: Ideologia que coloca a moral, ou os costumes individuais, acima de tudo.
- Puritanismo: Moralismo exacerbado.
Moralmente falando o Catolicismo jamais foi uniforme. Destarte podemos dizer que ao menos em parte não era um sistema moralista ou de moralidade estreita. Embora nele houvessem moralistas e um setor moralista. No entanto até e dealbar da Reforma protestante este setor moralista enquistado no Catolicismo não foi hegemônico.
A crítica posta pela reforma protestante no entanto foi em grande parte moralista e moralizadora.
Paradoxalmente nem Lutero nem Zwinglio eram moralistas. Lutero por sinal como 'solifideista' era anti nomiasta e contrário a própria lei moral, bem como a vida ética. Ao menos não salientava a existência de quaisquer vínculos essenciais entre religião e virtude e afirmava um salvação no pecado, jamais do pecado.
A maior parte da reforma no entanto segui a opinião, tanto mais saudável, de João Calvino o qual não só era moralista ou melhor puritano, como buscava a fontes de sua moralidade na cultura judaica ou seja na Tanak ou na Torá, do que resultou uma moralidade sectária e judaizante até o legalismo. E todo conteúdo dessa reformação lança raízes no terreno do maniqueísmo.
Nesta perspectiva eram os Católicos de modo geral, e em especial aqueles cujos costumes eram ainda medievais, encarados como mundanos e permissivistas pelo simples fato de beberem sobriamente, de ouvir música, de dançar, de praticar algum esporte, de vestir roupas consideradas demasiado 'curtas' ou coloridas, etc
E ai no calvinismo damos com as fontes do farisaísmo pentecostal e desta religiosidade externa cujo foco é a comida, a bebida, a sexualidade, o traje, etc
Agora se contemplamos atentamente a situação da igreja romana percebemos que desde os séculos XVIII e XIX, e mais ainda hoje, a balança vem pendendo para o lado do moralismo.
Pelo que temos de nos perguntar: Será isto bom???
Em termos de História e Sociologia a resposta já esta formulada: O florescimento ou assunção de uma religião qualquer da-se em termos teológicos ou especulativos e seu declínio e morte em termos de moralismo.
A igreja romana foi teológica no primeiro milênio desta era enquanto parcela do Catolicismo Ortodoxo e ainda após o cisma, durante quase toda Idade Média e mesmo alguns séculos após o advento da reforma justamente devido a polêmica travada com os protestantes. No entanto após o Concílio do Vaticano II optou por mergulhar ainda mais no pântano do moralismo... Desde então sua teologia entrou em crise ou eclipse e o moralismo assomou em todos os setores em que pese a resistência e a atuação de um setor marcadamente liberal.
E com que guarra os Católicos afetando lemingues cerram as fileiras do moralismo insípido de par com os ministros protestantes!
De fato eles não são capazes de perceber que esse reducionismo moralista implica o empobrecimento da religiosidade e sua destruição. E concentrando-se apenas na vontade, bem ao sabor do agostinianismo, vemos que o papismo abandonou por completo os setores do intelecto e da estética... bem como o da ética ou da doutrina social. Deixou de ser espírito e vida para converter-se em receita de bolo comportamental...
Falaciosa é a interpretação tradicional que apresenta a 'contra reforma' como um movimento de oposição ao espírito protestante, quando foi no mínimo um movimento de conciliação. A maior parte dos Católicos confrontados com a metralhadora bíblica do protestantismo (mosaica e paulinista) não tardaram por entrar em crise e fazer um dramático 'mea culpa'. Sob um dilúvio de citações imbecis tomadas a Torá chegaram a ponto de reconhecer que seus ancestrais não passavam de uns vis depravados.
E assumiram uma 'reformação moral' na perspectiva dos maniqueus e puritanos. Tal a perspectiva de Trento, da qual o papismo jamais viria a afastar-se nos quatro séculos subsequentes. Foi um acolhimento receptivo da crítica protestante e uma incorporação atenuada de princípios protestantes. Tal o motor da moralização que se seguiu. E a orientação foi o abandono das alegrias mais inocentes relacionadas com os sentidos, a ocultação do corpo e a adoção de um código sexual cada vez mais exato e estreito.
Desde então o papismo passou a insistir obstinada e desastrosamente em temos como: a perenidade do matrimônio, o patriarcado masculino, a monogamia, a heteronormatividade, a vinculação prazer sexual - procriação, a separação dos sexos na sociedade, a adoção de figurinos ou trajes 'sóbrios', a condenação sistemática da gula e da embriagues, a 'satanização' da música profana bem como das danças... O que de algum modo remete-nos a 'santa Genebra' do assassino e ditador Calvino com as centenas de leis, normas, regras e dispositivos de controle postos para a uniformização do comportamento externo, e consequentemente para a criação ou reprodução de cópias humanas.
Surpreende-nos que o papismo tenha engolido esta isca feita com confeitos tomados ao judaismo antigo e lançada pelo reformador francês. A bem da verdade os católicos não apenas engoliram como degustaram o confeito calvinista até o deleite...
Por volta do século XIX a igreja romana era uma instituição marcadamente puritana e os liberais em matéria de moralidade um seleto grupo de rebelados mantidos sob vigilância. No entanto ainda havia alguma vida teológica. Porque ao menos no setor doutrinal e ritual havia oposição face ao protestantismo. O puritanismo no entanto é sempre conciliador, de modo que sem perceber a igreja romana foi engolindo mais e mais linha até aproximar-se mais e mais do protestantismo e assimilar outros tantos princípios e valores seus. E aqui esta a fonte do relativismo ecumênico, da RCC e de todas as sucessivas desgraças que abateram a infeliz igreja romana.
A porta de entrada de todas as bruxas foi a absorção do moralismo puritano. Não foi em vão que a igreja romana converteu-se em baluarte da causa no século XIX e numa Colônia do protestantismo cem anos depois (1960). A maior parte dos Católicos assumiu um sentimento de culpa que não era seu e desde então, ao menos inconscientemente, passou a admitir que de certo modo ou de certa forma - por ter provocado a contra reforma e a reformação moral - que a Reforma protestante havia salvo a Igreja romana (!!!). Surpreendente conclusão!
Agora se é mesmo assim por que vossos papas não canonizaram os reformadores ou melhor os salvadores da Igreja ao invés de terem-nos excomungado e anatematizado???
Aqui os Papa infalíveis não tiveram gota ou pingo de bom senso ao excomungar homens providenciais, digo os heroicos reformadores...
Então eles vieram prestar bons serviços a igreja demolindo toda sua vida sacramental e o culto mariano???
Mas quem é que ensinou os neo Católicos que uma mesma fonte pode deitar água doce e salobra ou que uma mesma árvore pode dar figos e espinhos???
Perceba-se a que situação vexatória o moralismo conduziu a antiga igreja romana???
E ela não pode sair deste abismo hiante porque mesmo os decantados tradicionalistas assumiram no mais alto grau este ideário protestante, post reformado, moralista e puritano...
A crítica posta pela reforma protestante no entanto foi em grande parte moralista e moralizadora.
Paradoxalmente nem Lutero nem Zwinglio eram moralistas. Lutero por sinal como 'solifideista' era anti nomiasta e contrário a própria lei moral, bem como a vida ética. Ao menos não salientava a existência de quaisquer vínculos essenciais entre religião e virtude e afirmava um salvação no pecado, jamais do pecado.
A maior parte da reforma no entanto segui a opinião, tanto mais saudável, de João Calvino o qual não só era moralista ou melhor puritano, como buscava a fontes de sua moralidade na cultura judaica ou seja na Tanak ou na Torá, do que resultou uma moralidade sectária e judaizante até o legalismo. E todo conteúdo dessa reformação lança raízes no terreno do maniqueísmo.
Nesta perspectiva eram os Católicos de modo geral, e em especial aqueles cujos costumes eram ainda medievais, encarados como mundanos e permissivistas pelo simples fato de beberem sobriamente, de ouvir música, de dançar, de praticar algum esporte, de vestir roupas consideradas demasiado 'curtas' ou coloridas, etc
E ai no calvinismo damos com as fontes do farisaísmo pentecostal e desta religiosidade externa cujo foco é a comida, a bebida, a sexualidade, o traje, etc
Agora se contemplamos atentamente a situação da igreja romana percebemos que desde os séculos XVIII e XIX, e mais ainda hoje, a balança vem pendendo para o lado do moralismo.
Pelo que temos de nos perguntar: Será isto bom???
Em termos de História e Sociologia a resposta já esta formulada: O florescimento ou assunção de uma religião qualquer da-se em termos teológicos ou especulativos e seu declínio e morte em termos de moralismo.
A igreja romana foi teológica no primeiro milênio desta era enquanto parcela do Catolicismo Ortodoxo e ainda após o cisma, durante quase toda Idade Média e mesmo alguns séculos após o advento da reforma justamente devido a polêmica travada com os protestantes. No entanto após o Concílio do Vaticano II optou por mergulhar ainda mais no pântano do moralismo... Desde então sua teologia entrou em crise ou eclipse e o moralismo assomou em todos os setores em que pese a resistência e a atuação de um setor marcadamente liberal.
E com que guarra os Católicos afetando lemingues cerram as fileiras do moralismo insípido de par com os ministros protestantes!
De fato eles não são capazes de perceber que esse reducionismo moralista implica o empobrecimento da religiosidade e sua destruição. E concentrando-se apenas na vontade, bem ao sabor do agostinianismo, vemos que o papismo abandonou por completo os setores do intelecto e da estética... bem como o da ética ou da doutrina social. Deixou de ser espírito e vida para converter-se em receita de bolo comportamental...
Falaciosa é a interpretação tradicional que apresenta a 'contra reforma' como um movimento de oposição ao espírito protestante, quando foi no mínimo um movimento de conciliação. A maior parte dos Católicos confrontados com a metralhadora bíblica do protestantismo (mosaica e paulinista) não tardaram por entrar em crise e fazer um dramático 'mea culpa'. Sob um dilúvio de citações imbecis tomadas a Torá chegaram a ponto de reconhecer que seus ancestrais não passavam de uns vis depravados.
E assumiram uma 'reformação moral' na perspectiva dos maniqueus e puritanos. Tal a perspectiva de Trento, da qual o papismo jamais viria a afastar-se nos quatro séculos subsequentes. Foi um acolhimento receptivo da crítica protestante e uma incorporação atenuada de princípios protestantes. Tal o motor da moralização que se seguiu. E a orientação foi o abandono das alegrias mais inocentes relacionadas com os sentidos, a ocultação do corpo e a adoção de um código sexual cada vez mais exato e estreito.
Desde então o papismo passou a insistir obstinada e desastrosamente em temos como: a perenidade do matrimônio, o patriarcado masculino, a monogamia, a heteronormatividade, a vinculação prazer sexual - procriação, a separação dos sexos na sociedade, a adoção de figurinos ou trajes 'sóbrios', a condenação sistemática da gula e da embriagues, a 'satanização' da música profana bem como das danças... O que de algum modo remete-nos a 'santa Genebra' do assassino e ditador Calvino com as centenas de leis, normas, regras e dispositivos de controle postos para a uniformização do comportamento externo, e consequentemente para a criação ou reprodução de cópias humanas.
Surpreende-nos que o papismo tenha engolido esta isca feita com confeitos tomados ao judaismo antigo e lançada pelo reformador francês. A bem da verdade os católicos não apenas engoliram como degustaram o confeito calvinista até o deleite...
Por volta do século XIX a igreja romana era uma instituição marcadamente puritana e os liberais em matéria de moralidade um seleto grupo de rebelados mantidos sob vigilância. No entanto ainda havia alguma vida teológica. Porque ao menos no setor doutrinal e ritual havia oposição face ao protestantismo. O puritanismo no entanto é sempre conciliador, de modo que sem perceber a igreja romana foi engolindo mais e mais linha até aproximar-se mais e mais do protestantismo e assimilar outros tantos princípios e valores seus. E aqui esta a fonte do relativismo ecumênico, da RCC e de todas as sucessivas desgraças que abateram a infeliz igreja romana.
A porta de entrada de todas as bruxas foi a absorção do moralismo puritano. Não foi em vão que a igreja romana converteu-se em baluarte da causa no século XIX e numa Colônia do protestantismo cem anos depois (1960). A maior parte dos Católicos assumiu um sentimento de culpa que não era seu e desde então, ao menos inconscientemente, passou a admitir que de certo modo ou de certa forma - por ter provocado a contra reforma e a reformação moral - que a Reforma protestante havia salvo a Igreja romana (!!!). Surpreendente conclusão!
Agora se é mesmo assim por que vossos papas não canonizaram os reformadores ou melhor os salvadores da Igreja ao invés de terem-nos excomungado e anatematizado???
Aqui os Papa infalíveis não tiveram gota ou pingo de bom senso ao excomungar homens providenciais, digo os heroicos reformadores...
Então eles vieram prestar bons serviços a igreja demolindo toda sua vida sacramental e o culto mariano???
Mas quem é que ensinou os neo Católicos que uma mesma fonte pode deitar água doce e salobra ou que uma mesma árvore pode dar figos e espinhos???
Perceba-se a que situação vexatória o moralismo conduziu a antiga igreja romana???
E ela não pode sair deste abismo hiante porque mesmo os decantados tradicionalistas assumiram no mais alto grau este ideário protestante, post reformado, moralista e puritano...
E como a igreja assume padrão de autoridade, veio o moralismo a tornar-se legal ou a institucionalizar-se. Desde então a resistência liberal adquiriu 'status' de marginalidade.
Curiosamente tal não se deu no seio da corrente rival, o protestantismo. Ja por ser um sistema subjetivista e individualista. O que possibilitou a sobrevivência da tradição luterana ou antinomiasta em alguns setores e diversas tentativas de conciliação entre a fé e a moralidade natural contemporânea, ao menos na Europa e EUA. No protestantismo, devido ao livre examinismo, tais setores não ficaram marginalizados.
Na igreja romana, desastrosamente, a emenda saiu pior do que o soneto pelo simples fato de não oferecer outras opções de 'moralidade' como o protestantismo. Desde o século XIX, logo ela que possuia um lastro de moralidade liberal ou como dizem hoje de 'imoralidade' e contra cultura fundamentado nas idades Média e Antiga, passou a ser identificada como o que havia de mais reacionário e atrasado na Sociedade européia.
Continua
Curiosamente tal não se deu no seio da corrente rival, o protestantismo. Ja por ser um sistema subjetivista e individualista. O que possibilitou a sobrevivência da tradição luterana ou antinomiasta em alguns setores e diversas tentativas de conciliação entre a fé e a moralidade natural contemporânea, ao menos na Europa e EUA. No protestantismo, devido ao livre examinismo, tais setores não ficaram marginalizados.
Na igreja romana, desastrosamente, a emenda saiu pior do que o soneto pelo simples fato de não oferecer outras opções de 'moralidade' como o protestantismo. Desde o século XIX, logo ela que possuia um lastro de moralidade liberal ou como dizem hoje de 'imoralidade' e contra cultura fundamentado nas idades Média e Antiga, passou a ser identificada como o que havia de mais reacionário e atrasado na Sociedade européia.
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