Há quem deplore a acidez de nosso espírito crítico.
Admiramos algo é bem verdade. Mas não afagamos...
Não passamos a mão sobre as cabeças daqueles que erram.
Mas com amor e por amor buscamos advertir e corrigir.
Se somos Católicos ou nos identificamos com o espírito dos Catolicismos, nem por isso, com Berdiaeff, deixamos de tecer as devidas críticas aos ramos da igreja (Ortodoxia, romanismo e anglicanismo) ou as igrejas particulares, quando necessário de faz.
Via de regrar as pessoas não podem simpatizar com o médico que as diagnostique caso estejam tomadas por um cancro maligno. No entanto a única esperança para a cura do cancro é justamente o diagnóstico precoce da doença... ignorada a presença do cancro no organismo estará ele fadado a morte!
Logo aquele médico que diagnostica o cancro e recomenda sua retirada deve ser encarado não como um algoz ou vilão mas como um herói e benfeitor.
É que pessoa alguma gosta de receber más notícias!
No entanto a civilização conta com tais médicos para salva-la da terrível crise por que passa e qual estende-se já por uns dois séculos.
Dentre os diversos médicos que dignaram-se a examinar a questão da crise da cultura, salientou-se o francês Julien Benda, autor da 'Traição dos clérigos' e falecido na era de 1956 com 88 anos de idade.
Aprecia-mo-lo como autor e ensaísta for fazer parte do seleto grupo dos incompreendidos, injustiçados ou satanizados aos quais atribuí-se 'sem mais' doutrinas que jamais ensinaram.
Assim Darwin; o qual jamais sustentou ser o homem descendente dos macacos ou advogou o 'darwinismo social', assim Voltaire que jamais aderiu ao 'ateísmo', assim K Marx que jamais arquitetou algo semelhante a partidocracia leninista, assim Bakhunin e Kropotkin que jamais apoiaram o individualismo ou promoveram a anomia, assim Paulo Freire que jamais pretendeu alfabetizar crianças, assim Piaget que jamais condenou uma 'orientação' prudente e sensata...
Querem saber o que de fato foi ensinado por determinado pensador?
LEIAM, ESTUDEM, EXAMINEM suas obras!
Jamais poderei esquecer a seguinte alocução de minha professora de Filosofia Maria Aparecida Rollo Del Rio: "Vocês podem discordar de um determinado autor e argumentar contra ele; mas devem faze-lo honestamente e jamais atribuir-lhe algo que jamais disse ou ensinou!"
Tal a base e fundamento do que qualificamos como probidade intelectual.
Fujam aos autores superficiais que reproduzem boatos e afirmações estapafúrdias!
Como ia dizendo mais acima Benda foi um destes autores mal compreendidos pelo vulgo, embora a lição por ele ministrada não seja lá muito difícil de se compreender.
Buscou discorrer em torno dos homens, das teorias, das oposições e das paixões que azedam a vida promovendo transtornos, quiçá irreparáveis.
Seguindo a mesma linha que o Bispo de Hipona: "Detesta as doutrinas mas ama e compreender os homens."
E propondo um roteiro mais racional, sóbrio e sereno do que apaixonado.
Discorria assim a respeito das paixões de crença, raça ou classe, sem todavia justificar a NEUTRALIDADE face a situações de injustiça e malignidade.
Jamais sustentou que era necessário tolerar o mal ou compactuar com ele.
Quis salientar no entanto que a nível doutrinal ou ideológico, apenas muito raramente, algum teórico tem a consciência de estar agindo equivocadamente ou trabalhando conscientemente pelo erro.
Então pessoas honestas e boas sempre podem defender equivocadamente péssimas teorias. Então pessoas não se tornam más apenas porque defendem ou sustentam doutrinas más cogitando serem boas ou verdadeiras. Pessoas podem estar sinceramente equivocadas...
É o que a paixão ou o fanatismo são sempre incapazes de perceber.
Na medida em que substituem pessoas por rótulos: o católico, o protestante, o japonês, o negro, o comunista... querendo significar que todos os que pertencem aquela ideologia ou segmento que reputamos 'má' tornam-se não humanos ou inumanos pela contaminação ou assimilação da maldade.
Desde então passamos a etiquetar, rotular e classificar os seres humanos em bloco. Como se não pudessem enganar-se honestamente e fazer jus ao benefício da 'sinceridade'.
Opor-se ao protestantismo, ao capitalismo, ao subjetivismo, ao relativismo, ao bolchevismo, ao fascismo, etc não nos autoriza a crer ou supor que os advogados de tais doutrinas sejam pessoas essencialmente malvadas, a odia-los ou propor que sejam violentamente reprimidos.
Mesmo diante do erro devemos tentar manter a calma, a racionalidade, a sobriedade e levar em consideração que estamos diante de seres humanos, logo falíveis. E sobretudo pensar que o outro esteja a buscar honestamente a verdade. Devemos encara-lo como inocente e buscar dialogar com ele.
Então o que Benda denuncia e condena com plena razão é sob o termo de paixão é o fanatismo com seu conteúdo cego e irracional. Mesmo quando supostamente posto a favor da justiça o fanatismo tende a cegar-nos e transformar-nos em apóstolos da injustiça e da opressão.
Importa após o choque, o impacto ou a indignação refletir. Distinguindo o sistema ou a ideologia das pessoas, em sua maior parte alienadas e inocentes.
Sistemas anti humanos como o protestantismo, o comunismo, o nazismo, o fascismo... só sabem encarar os heréticos, os opositores, os dissidentes como ímpios, conspiradores e maléficos, segundo a maneira de ver do fanatismo e dos fanáticos.
Para os quais a pessoa não é nada absolutamente nada.
Não se trata aqui de defender o erro, a heresia, a injustiça, a opressão, a maldade, etc a tudo isto devemos condenar e combater civilizadamente no plano espiritual das idéias, argumentando, debatendo, refutando...
Mas de supor que nosso adversário ideológico herético, dissidente, adversário, opositor... possa ser de fato uma pessoa boa e honesta sinceramente equivocada; e não um sabotador sem consciência ou um degenerado!
Não se trata de respeitar o erro, de silenciar perante ele, de relativizar ou de minimizar sua gravidade; mas de compreender aquele que erra e de jamais tomar o erro por engano ou mentira.
Pois se há mentirosos e sabotadores também há homens honestos, probos, sensíveis, retos, admiráveis, nobres... em todos os grupos, partidos e organizações humanas: no comunismo, no liberalismo, no protestantismo, no islamismo, no fascismo...
Sendo assim não podemos julgar as pessoas ou trata-las como se fossem doutrinas abstratas.
Doutrinas podem e devem ser classificadas como falsas, inexatas, malignas... homens não. Podem suster doutrinas más e sem embargo disto ser bons, pois é do homem, especialmente quando jovem, confundir as coisas e equivocar-se.
Importa submeter todas estas questões e desencontros em torno da cultura, do estado, da fé e mesmo das classes sociais ao veredito e sentença de um valor eterno qual seja a justiça ou o bem.
Mesmo diante da opressão exercida por uma classe rica e poderosa sobre outra mais fraca, embora tomando posição ao lado dos mais fracos e oprimidos jamais seria lícito relativizar o conceito de justiça ou de fazer justiça a um membro ou defensor da classe opressora que a ela faça jus! Não podemos imolar o sentido da justiça nas aras do partido ou da religião... justiça é algo que se deve a todos os seres humanos independentemente de suas crenças ou opiniões.
Assim quando em nome da verdade ou de qualquer ideia saudável e redentora, pugnamos contra o ideal eterno da justiça, prestamos um desserviço a verdade, a qual sem a justiça não se sustenta.
A tônica aqui não consiste em ser neutro. Caso exerçamos neutralidade face a injustiça nos tornamos injustos. O tônica aqui é jamais perder a serenidade e ser justo até o fim, em todos os sentidos. Implica saber que a busca pela justiça social não deve servir de pretexto para perder-se de vista a justiça pessoal e para proceder com justeza face ao discordante! Temos de ser honestos e muitas vezes benevolentes mesmo para com aqueles que opõem-se as nossas crenças e idéias! O ser humano faz jus a tal atribuição pelo simples fato de ser humano.
Implica isto antepor certa dose de humanismo a qualquer de nossos ideais sejam religiosos ou seculares; políticos, sociais ou econômicos. Buscar discernir algo de humano ou de bom no outro ao invés de julga-lo, sentencia-lo e condena-lo como ímpio ou conspirador antes mesmo de conhece-lo, tendo em vista suas ideais com as quais não concordamos.
Implica não sair por ai agredindo as pessoas que alimentam outros pontos de vista.
Implica como dizia Xenofonte na 'Memorabilia' recorrer antes de tudo a razão e não a força cega. A persuasão e não a violência. Ao diálogo e não a imposição arbitrária, que mesmo posta a 'serviço da verdade' não deixa de ser uma forma de dominação, logo contra producente.
A verdade e a virtude sobretudo deves ser abraçadas voluntariamente.
Promovidas pela docilidade.
Aquele que esta seguro de seus argumentos não precisa exasperar-se.
Agora se for exasperar-se e acirrar os ânimos alheios, abstenha-se de discutir pois benefício algum pode auferir-se duma altercação azeda.
"Atrai-se mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de fel."
Da paixão e do fanatismo sempre decorrem estragos desproporcionais. Sacrifício de vidas e de bens culturais cuja perda sói irreparável.
Nada mais prazeroso do que discutir ideais com um contraditor civilizado e ameno.
É de discussões assim que por meio da dialética atingimos uma claridade mais intensa. Porque o adversário revelando os defeitos embutidos em nossas opiniões, as inexatidões, imprecisões, devaneios, leva-nos a polir as arestas e a adquirir um diamante lapidado.
Importante esta contribuição do Benda a respeito não da indiferença mas da necessidade de tentar permanecer sóbrio diante de qualquer situação e de não se deixar guiar por qualquer discurso apaixonado. De modo que os conflitos e oposições de caráter ideológico ou doutrina não venha a amargar ou o que é ainda pior envenenar nossa existência.
Eu julgo esta lição das mais importantes no tempo presente.
Busquemos exercer uma ética humana e humanista para além das divergências de caráter intelectual.
Superemos as limitações externas e acidentais: do racial, do nacional, do cultural, do credal... pela afirmação do que é comum e essencial: o humano. Subordinemos tudo ao humano e assumamos o primado do humano.
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domingo, 25 de outubro de 2015
A lição de Julien Benda
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domingo, 11 de outubro de 2015
Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! III
Conclusão geral -
O que se espera de um educador consciente é uma atitude sóbria e equilibrada.
Que argumente honestamente buscando convencer seus alunos sobre a excelência do modelo evolucionista.
Não se trata aqui de exigir que o educando abandone sua tradição ou fé religiosa.
Mas que admita o critério da demarcação.
Reservando para a ciência um espaço em sua visão de mundo.
E admitindo que a imanência (natureza) esteja no acesso dos sentidos e da razão.
Ao contrário da fé cega a ciência não pode pretender absorver a vida do ser humano como um tudo.
Cumpre distinguir perfeitamente entre visão científica e mística cientificista.
Esta pretende impor o ateísmo e o materialismo a clientela nos mesmos termos que visão fundamentalista.
Pelo que ambas violam os direitos da pessoa humana.
O educador humanista reconhece a seus alunos o duplo direito de cultivar uma espiritualidade e de receber uma educação científica, conciliando as duas áreas ou partes por meio do critério da demarcação.
Não se discute aqui se tem ou não direito de apresentar-se como ateu o materialista caso seja instado por seus alunos; mas sim o direito de impor seu modo de pensar ou de exigir que seus alunos rompam com a fé.
Importa que as partes em conflito abstenham-se de invadir o terreno alheio.
O ideal aqui seria que as religiões se abstivessem de estabelecer dogmas como o criacionismo - em torno da origem do universo material e que os cientistas se abstivesse de apresentar suas constatações metafísicas em torno do ateísmo e do materialismo como científicas.
No entanto o que podemos observar no plano da concretude é que ambas as ideologias: criacionista e ateística, contam com defensores fanáticos.
Daí a praxis impositiva...
E criminosa!
Pois não é dado a qualquer professor seja fundamentalista ou ateu, impor sua visão de mundo ou orientação ideológica a turma.
A questão aqui diz respeito apenas ao Criacionismo enquanto padrão mágico fetichista de pensamento e ao critério da demarcação; em torno dos quais o professor consciente deve argumentar com habilidade.
Diz respeito a como este mundo foi constituído por Deus ou sem ele e não se Deus existe ou não existe. Uma vez que a questão da imaterialidade ou do que esta para além dos sentidos não pertencem aos domínios da ciência.
Agora se esta ou aquela organização religiosa obstinasse em ignorar a demarcação e em invadir o terreno da ciência; a responsabilidade não é nem da ciência, nem do cientista, nem do professor...
Nem se pode exigir que em pleno século XXI a ciência ou o magistério professoral curvem-se docilmente as exigências de líderes religiosos imbecis que jamais examinaram a fundo a questão, cedendo a pressão exercida pelo padrão mágico fetichista de pensamento.
Tal era viável no israel do século IV ou III a C... não no contexto da civilização moderna, em cuja base esta o padrão greco romano ou científico de pensamento. Padrão a que não podemos sacrificar sem que de tal sacrifício resulte um recuo civilizacional de amplas dimensões. Uma vez que o criacionismo, correspondendo a uma crença apriorística, destrói pela base a solidez do pensamento científico.
Quanto a este problema ou impasse não se trata de negar por completo a fé ou de romper radicalmente com o paradigma religioso mas apenas e tão somente de substituir a fé cega por uma fé mais madura e esclarecida, que reconheça o critério da demarcação e o espaço - a imanência - que cabe por direito ao modelo científico.
Neste sentido não há como fugir a questão. Mais cedo ou mais tarde o fundamentalista, após ter investigado honestamente todos os lados, terá de decidir se pretende de fato encarcerar a própria mente dentro das páginas de um livro ou se pretende ficar com o testemunho fornecido por seus sentidos e sua racionalidade. Ou sacrificara o fundamentalismo e aceitará o desafio de - para além da fé (que sempre poderá manter) nas coisas invisíveis - sentir e pensar o mundo em que vive; ou sacrificará a si mesmo, sua percepção, sua racionalidade, sua natureza...
Conciliar as exigências totais e descabidas do fundamentalismo ou da fé cega com a realidade do mundo externo não poderá. Ou será forçado a negar uma ou outra...
A tarefa do educador consciente outra não é que orientar o educando, buscando mostrar os pontos fracos do 'pensamento' mágico fetichista e argumentar habilmente sobre a excelência do padrão científico, sem no entanto exigir o sacrifício integral da espiritualidade ou da ideia de Deus. Importa como esse Deus e a espiritualidade são encarados e se concedem espaço a ciência... neste caso serão elementos irrelevantes.
Importa que o educador científico jamais reproduza os erros ou crimes perpetrados pelo educador fundamentalista. Que jamais recorra a imposição, que jamais argumente desonestamente, que jamais impeça o outro de contra argumentar, que jamais perca o bom humor a jovialidade, que jamais recorra a qualquer tipo de violência, etc
Deverá ser firme sim, mas dentro de sua área que é a imanência.
Abstendo-se de pontificar sobre as demais áreas da existência.
Deverá concentrar sua atividade em termos de processo evolutivo, buscando expor as evidência e problematizar.
Sem jamais abordar assuntos propriamente religiosos ou metafísicos, exceto se a iniciativa partir dos educandos.
Neste caso convém esclarecer sempre que se tratam de opiniões pessoais e permitir que os alunos contraponham suas próprias opiniões e crenças, num clima de mútua compreensão e tolerância.
Importar lutar para por cada coisa em seu lugar: a fé na transcendência e a experiência na imanência.
Abstendo-nos de exercer um fundamentalismo invertido e termos de irreligiosidade, materialismo e ateísmo.
E de tornar as verdades científicas amargas e desagradáveis para as massas.
Evitemos associações artificiais e arbitrárias. Abstendo-nos de metafisicar em torno de ideologias.
Fixemos a atenção apenas e tão somente nos fatos e teorias verdadeiramente científicos.
Tomando por guias as palavras do Filósofo: "Os extremos quase sempre de tocam e a verdade esta quase sempre no meio."
Sejamos cautelosos sem ser medrosos e firmes sem ser intolerantes, exercitando a paciência com os mais jovens!
O que se espera de um educador consciente é uma atitude sóbria e equilibrada.
Que argumente honestamente buscando convencer seus alunos sobre a excelência do modelo evolucionista.
Não se trata aqui de exigir que o educando abandone sua tradição ou fé religiosa.
Mas que admita o critério da demarcação.
Reservando para a ciência um espaço em sua visão de mundo.
E admitindo que a imanência (natureza) esteja no acesso dos sentidos e da razão.
Ao contrário da fé cega a ciência não pode pretender absorver a vida do ser humano como um tudo.
Cumpre distinguir perfeitamente entre visão científica e mística cientificista.
Esta pretende impor o ateísmo e o materialismo a clientela nos mesmos termos que visão fundamentalista.
Pelo que ambas violam os direitos da pessoa humana.
O educador humanista reconhece a seus alunos o duplo direito de cultivar uma espiritualidade e de receber uma educação científica, conciliando as duas áreas ou partes por meio do critério da demarcação.
Não se discute aqui se tem ou não direito de apresentar-se como ateu o materialista caso seja instado por seus alunos; mas sim o direito de impor seu modo de pensar ou de exigir que seus alunos rompam com a fé.
Importa que as partes em conflito abstenham-se de invadir o terreno alheio.
O ideal aqui seria que as religiões se abstivessem de estabelecer dogmas como o criacionismo - em torno da origem do universo material e que os cientistas se abstivesse de apresentar suas constatações metafísicas em torno do ateísmo e do materialismo como científicas.
No entanto o que podemos observar no plano da concretude é que ambas as ideologias: criacionista e ateística, contam com defensores fanáticos.
Daí a praxis impositiva...
E criminosa!
Pois não é dado a qualquer professor seja fundamentalista ou ateu, impor sua visão de mundo ou orientação ideológica a turma.
A questão aqui diz respeito apenas ao Criacionismo enquanto padrão mágico fetichista de pensamento e ao critério da demarcação; em torno dos quais o professor consciente deve argumentar com habilidade.
Diz respeito a como este mundo foi constituído por Deus ou sem ele e não se Deus existe ou não existe. Uma vez que a questão da imaterialidade ou do que esta para além dos sentidos não pertencem aos domínios da ciência.
Agora se esta ou aquela organização religiosa obstinasse em ignorar a demarcação e em invadir o terreno da ciência; a responsabilidade não é nem da ciência, nem do cientista, nem do professor...
Nem se pode exigir que em pleno século XXI a ciência ou o magistério professoral curvem-se docilmente as exigências de líderes religiosos imbecis que jamais examinaram a fundo a questão, cedendo a pressão exercida pelo padrão mágico fetichista de pensamento.
Tal era viável no israel do século IV ou III a C... não no contexto da civilização moderna, em cuja base esta o padrão greco romano ou científico de pensamento. Padrão a que não podemos sacrificar sem que de tal sacrifício resulte um recuo civilizacional de amplas dimensões. Uma vez que o criacionismo, correspondendo a uma crença apriorística, destrói pela base a solidez do pensamento científico.
Quanto a este problema ou impasse não se trata de negar por completo a fé ou de romper radicalmente com o paradigma religioso mas apenas e tão somente de substituir a fé cega por uma fé mais madura e esclarecida, que reconheça o critério da demarcação e o espaço - a imanência - que cabe por direito ao modelo científico.
Neste sentido não há como fugir a questão. Mais cedo ou mais tarde o fundamentalista, após ter investigado honestamente todos os lados, terá de decidir se pretende de fato encarcerar a própria mente dentro das páginas de um livro ou se pretende ficar com o testemunho fornecido por seus sentidos e sua racionalidade. Ou sacrificara o fundamentalismo e aceitará o desafio de - para além da fé (que sempre poderá manter) nas coisas invisíveis - sentir e pensar o mundo em que vive; ou sacrificará a si mesmo, sua percepção, sua racionalidade, sua natureza...
Conciliar as exigências totais e descabidas do fundamentalismo ou da fé cega com a realidade do mundo externo não poderá. Ou será forçado a negar uma ou outra...
A tarefa do educador consciente outra não é que orientar o educando, buscando mostrar os pontos fracos do 'pensamento' mágico fetichista e argumentar habilmente sobre a excelência do padrão científico, sem no entanto exigir o sacrifício integral da espiritualidade ou da ideia de Deus. Importa como esse Deus e a espiritualidade são encarados e se concedem espaço a ciência... neste caso serão elementos irrelevantes.
Importa que o educador científico jamais reproduza os erros ou crimes perpetrados pelo educador fundamentalista. Que jamais recorra a imposição, que jamais argumente desonestamente, que jamais impeça o outro de contra argumentar, que jamais perca o bom humor a jovialidade, que jamais recorra a qualquer tipo de violência, etc
Deverá ser firme sim, mas dentro de sua área que é a imanência.
Abstendo-se de pontificar sobre as demais áreas da existência.
Deverá concentrar sua atividade em termos de processo evolutivo, buscando expor as evidência e problematizar.
Sem jamais abordar assuntos propriamente religiosos ou metafísicos, exceto se a iniciativa partir dos educandos.
Neste caso convém esclarecer sempre que se tratam de opiniões pessoais e permitir que os alunos contraponham suas próprias opiniões e crenças, num clima de mútua compreensão e tolerância.
Importar lutar para por cada coisa em seu lugar: a fé na transcendência e a experiência na imanência.
Abstendo-nos de exercer um fundamentalismo invertido e termos de irreligiosidade, materialismo e ateísmo.
E de tornar as verdades científicas amargas e desagradáveis para as massas.
Evitemos associações artificiais e arbitrárias. Abstendo-nos de metafisicar em torno de ideologias.
Fixemos a atenção apenas e tão somente nos fatos e teorias verdadeiramente científicos.
Tomando por guias as palavras do Filósofo: "Os extremos quase sempre de tocam e a verdade esta quase sempre no meio."
Sejamos cautelosos sem ser medrosos e firmes sem ser intolerantes, exercitando a paciência com os mais jovens!
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