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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Mais problemas de Socialismo - Foi esta teoria ultrapassada?

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Após termos considerado a situação das sociedades contemporâneas reguladas pela ideologia Capitalista ou as consequências produzidas por esta ideologia, não menos utópica e certamente mais irracional e insidiosa do que o socialismo, podemos passar a terceira questão, proposta nos seguintes termos:

"Não é - o socialismo - uma ideologia ultrapassada? A ideia de Marx daria certo no nosso contexto hoje?"

De minha parte começarei apontando um aspecto bastante curioso e contraditório da crítica direcionada o modelo socialista.

Curioso e sobremodo curioso que alguns adversários destes sistema acusem-no de utópico enquanto que outros acusam-no de ultrapassado. Mas como poder ser utópico, i é impossível de ser implantado ou realizado no mundo e ao mesmo tempo ultrapassado, logo até certo ponto trivial ou comum?

Seja como for a indagação posta nestes termos - Se foi ele, o socialismo, ultrapassado? - é importante na medida em que damos com ele em diversas situações geográficas e históricas não enquanto mera ideologia utópica mas enquanto práxis ou prática i é enquanto modelo de organização social.

Nem é como mera ideologia que deve ser avaliado, ele ou o capitalismo; mas na prática ou na aplicação.

Neste sentido é perfeitamente redarguir com outra pergunta: E o capitalismo, não é ele uma ideologia ultrapassada? Pelo simples fato de nos ter conduzido a beira de um colapso ambiental ou de um suicídio enquanto espécie? Pelo simples fato de ter acenado com o infinito num sistema que é finito? Por ter sancionada a tendência do indivíduo tornar-se lobo do outro? Por ter estancado a circulação das elites e criado um Império de medíocres (Reverto assim a crítica favorável dos elitistas mal informados)? Por ter ignorado supinamente a existência da dimensão ética da vida conforma as lições do positivismo? Por ter promovido um sem número de guerras fratricidas? Por não poucas vezes ter 'brincado' com o veneno do fanatismo religioso?

Por quanto mais nossa terra poderá resistir?

Não sabemos, mas intuímos que não nos resta mais muito tempo...

E tudo graças a quem?

A teoria segundo a qual o principal objetivo desta vida é obter dinheiro, lucro ou fortuna em máximo grau, SE POSSÍVEL, honestamente.

Dados os objetivos foram delineados os meios, os quais conhecemos muito bem...

E agora temos diante de nós os resultados - milhares de espécies de plantas e vegetais definitivamente extintos, a terra em estado de super aquecimento, os pólos derretendo, os oceanos subindo de nível, os tornados e ciclones tornando-se mais poderosos, etc, etc, etc E gente e mais gente dizendo que tudo isto é perfeitamente normal ou mesmo que não esta acontecendo absolutamente nada. Que somos uns tolos cooptados pela propaganda vermelha, cujo objetivo é massacrar a reputação do bom e velho capitalismo!!!

Diante de tudo isto que ouvimos por parte dos chefes ou das cabeças medíocres ou mesmo imbecis do sistema (Bush e ou Trump)???

Que o ritmo da economia Norte americana é mais importante do que a conservação do planeta ou que não podemos parar de produzir...

Tal a resposta que nos é oferecida pelo sistema da moda ou do momento.

Mas os tubarões estão atacando os banhistas nas praias do Recife, coisa que jamais se viu... Tudo efeito da propaganda socialista ou do PT, os tubarões foram certamente cooptados.

Por fim como falar na viabilidade ou no sucesso de um sistema responsável pela depredação do planeta no mais alto grau e que continua, após dois séculos, repetindo como mantra que devemos acumular, lucrar, produzir ou explorar ao máximo????!!!! Que nível de racionalidade pode existir neste padrão de pensamento???

Fomos enganados desde o princípio por um sistema falacioso que editou promessas em torno de infinitude ou ilimitação num espaço material que é finito e quantificável.

O que nos leva a sonhar com foguetes e colônias na lua ou em Marte onde possamos continuar a explotação após termos transformado este nosso planeta num cadáver um numa carniça ambulante, contaminado por um nível de poluição jamais visto no universo observável. Estamos no mínimo transformando a terra em que vivemos num imenso lixão, monturo ou depósito de resíduos, e ainda não podemos sair dela ou abandonada a semelhança dos ratos que saltam do convés.

Apesar disto o discurso é o mesmo e se mantém inalterado, havendo quem insista em tecer loas e dirigir aplausos ao deus capital.

Agora vou revelar ao amigo leitor uma verdade importante e a respeito da qual muito devemos meditar: E este nosso mundo todo infectado por sucessivas epidemias de socialismo não é o ambiente ou mundo ideal sonhado pelos liberais ou capitalistas...

Como é???

Isso mesmo. Devido ao maior ou menor grau de contaminação socialista produzida pela revolta ou pela resistência de tantos idiotas, o capitalismo jamais atingiu o seu nível ideal de desenvolvimento porque jamais foi de fato deixado livre e ao sabor de suas próprias forças!!!! Você compreendeu bem???

Diante disto temos de considerar a profunda reflexão do outro Karl, o Polayni: Via de regra desdouramos quanto a todo este grau de resistência experimentado pelas diversas sociedades face as aspirações do liberalismo, sem imaginar o quanto toda esta resistência desacelerou-o. Sabe-se lá em que estádio de degradação estaríamos agora caso não fosse a soma de toda resistência ao modelo do lucro máximo... Se ainda não chegamos ao fim da linha, agradeçam o odiado socialismo enquanto elemento de contenção.

Evidentemente que o Capitalismo desejaria ter feito mais e muito mais...

Tendo por modelo a clássica sociedade vitoriana da livre iniciativa, a qual esteve em vigor de 1830 a 1880, ou seja mais ou menos durante meio século na querida Albion. Temos ai a santa Genebra do capitalismo ou sua idade áurea com que jamais cessou de sonhar. Nem precisamos ler as obras dos rancorosos socialistas que tudo falseiam para conhecer a sociedade de Jack, o estripador; pois temos as obras clássicas e estilosas do britaníssimo Mestre Charles Dickens, condecorado por sua majestade. Nada muito distante do quadro pintado pelo odiado Marc Ferro em seu 'Livro negro'... Há quem diga e não sem fundamento que durante o período áureo do capitalismo os escravos brasileiros desfrutavam de uma condição pouco melhor do que os trabalhadores livres de Manchester... Os quais além de viverem em barracões de papelão sem água encanada, luz ou esgoto, comiam, quando tinham, um pedaço de pão duro, além de cobrirem-se com trapos, num pais em que o inverno é bastante rigoroso.

Estou falando em crianças de seis anos (alguns registros dizem quatro!), de octogenários e de mulheres no oitavo mês de gravidez, trabalhando nos corredores das minhas de carvão sem qualquer tipo de proteção, com um pedaço de pão velho no estomago (muitas vezes vazio) por até dezoito horas por dia e 364 dias ao ano. Tudo muito bem regulado em nome da liberdade de contrato... Afinal quem não quisesse bem poderia deixar de trabalhar PARA MORRER DE FOME COM SUA LIBERDADE!!! Bom insistir que tudo isto foi sustentado e mantido em nome da bela doutrina da livre iniciativa e da neutralidade do estado face a dinâmica natural do próprio Mercado. Mais, em nome de tudo isto, até foi formulada uma refinada doutrina a respeito do mínimo de insumos a serem oferecidos ao trabalhador em troca da força de trabalho, o qual lhe permitiria apenas conservar a vida! O que ainda hoje é seriamente discutido entre os acadêmicos liberais!!! Preciso entrar nos detalhes desta quantificação matemática em termos de pão, água e pano necessários ao trabalhador para permanecer vivo e trabalhando ou melhor produzindo para seu patrão???

Enfim nobre amigo leitor, este é o ideal ou a proposta clássica do Capitalismo, frustrada apenas e tão somente devido as ardilosas conjurações tecidas pelos socialistas frustrados e rancorosos, os quais recusaram-se - oh céus - a aceita-la. Aqui todos são vagabundos pelo simples fato de não quererem trabalhar intensamente, isto é, ao máximo - e a pão e água - por aquele empreendedor exemplar que é o patrão. E não venham com chorumelas pois esse negócio de 'mais valia' não existe rsrsrsrsrsrs

De fato o Capitalismo tem acenado não apenas com a circulação das elites mas também com a posse de riquezas para todos ou para a maioria dos membros do corpo social e ao menos para os mais esforçados, que adotem sua regra de vida, i é, trabalhar honestamente e economizar. No entanto quando examinamos mais de perto o que vemos? Vemos a maior parte dos trabalhadores ou assalariados - o capitalismo clássico é contra um salário mínimo fixado pelo estado em nome do maravilhoso livre contrato - enriquecerem??? Não. Então o que vemos??? Bem o que nós vemos é os herdeiros enriquecerem (mais e mais a cada geração)... Os que jamais põem as mãos na massa enriquecerem... Os trapaceiros sem consciência enriquecerem... Os bem casados enriquecerem... E acumularem cada vez mais riqueza.

Vemos quem não trabalha mas vive gozando a vida enriquecer ou acumular e quem busca ganhar o sustento com o suor do próprio rosto rojar na miséria... É o que amiúde vemos, e por que??? Porque, respondem-nos os advogados do capitalismo, os trabalhadores, os trabalhadores são esbanjadores - pelo simples fato de quererem provar vinho ou atum uma vez por ano ou uma vez na vida - enquanto que os patrões são sacrificados, morigerados, heroicos, disciplinados e praticamente, abençoados por deus rsrsrsrsrsrsrs Alguém se lembra de Max Weber e da 'Ética protestante...' Como se vê o capitalismo tem seu 'hagiológio' onde constam os nomes dos patrões morigerados, apesar do caviar, do Hanessy, dos banhos em leite de aveia, das cirurgias plásticas, iates, ferraris, heliportos, etc Quem não percebe que proporcionalmente este patrão gasta muito pouco para viver tão bem???

Agora por que acumula tanto é o que não explicam... Porque lá entra a mais valia ou a parte - colossal - do trabalho produzido de cada trabalhador abnegado, a qual fica com o senhor patrão. Imagine então o que sucede com quem explota o trabalho de dez mil operários abnegados... A cada ano mais dez fábricas ou filiais, apesar dos limitadíssimos gastos com festas e recepções a um milhão de reais cada!!! Enquanto o trabalhador ganha 900 pratinhas graças ao salário mínimo fixado pelo Estado ou pelo poder político... Pois a depender da maravilhosa ideologia capitalista passaria muito bem com cem reais por mês caso não morresse. Quanto aos filhos pequeninos - salário família ou o bolsa família correspondem a situações monstruosas para nosso asceta do capital - que se prostituíssem como nos velhos tempos da Rainha Vitória e fossem respeitosamente deflorados pelos membros da elite reinante.

A bem da verdade o que temos aqui é pura falácia (cf Henry George 'Progresso e pobreza) i é miséria acumulando-se de um lado na mesma proporção em que a fortuna acumula-se do outro em muito poucas mãos. E uma ampliação continua da separação social entre as classes. Uma minoria incipiente de milionários cada vez mais milionários e uma maioria de miseráveis cada vez mais miseráveis. O que nos conduz de chofre - na medida em que a religiosidade apaziguadora vai perdendo a força - a situações de conflito e violência e consequentemente a necessidade das elites terem as mãos um aparelho repressor - em certo sentido retornamos ao paradigma da coerção física na medida em que a alienação da fé vai perdendo sua força - muito bem organizado, tal e qual uma polícia militar.

Tal a situação entre as classes, mas não só entre elas; pois na mesma medida em que algumas sociedades vão abraçando a ideologia capitalista e atingido máximo desenvolvimento em seu espaço, tendem a lançar-se contra as sociedades mais fracas com o objetivo de coloniza-las ou escraviza-las gerando outras relações de dependência e uma situação de miséria social generalizada, assim o subdesenvolvimentos. Por outro lado na medida em que as sociedades exploradas vão tomando consciência de sua situação, mesmo quando não se tornam comunistas ou mesmo socialistas, tendem a insubordinar-se e a sacudir o jugo da dominação imperialista, resultando disto outros tantos conflitos extra nacionais ou mundiais i é as guerras.

No interior das diversas sociedades o capitalismo alimentando a revolta estimula a rebelião e a sedição, produzindo um clima continuo de instabilidade e insegurança. Externamente produz uma série de choques e guerras entre as diversas sociedades imperialistas e subdesenvolvidas. Outras tantas guerras que fogem a esta dinâmica são produzidas ou alimentadas tendo em vista as necessidades da indústria bélica ou mesmo da indústria civil - cujo objetivo premeditado é a reconstrução da infra estrutura destruída pelas guerras - enfim do Mercado. O Mercado precisa ser aquecido pelas guerras, as guerras são feitas e exploradas economicamente.

De tudo isto, tenho de parar por aqui ou de escrever uma Enciclopédia rsrsrsrsrs, ressalta claramente a inviabilidade do Capitalismo, observada desde as mais priscas eras i é desde Th Morus e Campanella. Melhor dizendo, desde Evemeros, Zenon e Jambulos. E desenvolvidas por Bacon, Harrington, Mably, Morelly, etc St Simon, Owen, Fourier... Não a poucos observadores qualquer uma destas utopias - que só é utopia enquanto não é realizada por algum homem mais atilado - é preferível a realidade acima descrita. Foi o desencanto - a expressão é de T S Elliot - ou a angústia produzidos pela nova sociedade do capital que lançou parte dos homens nos braços da utopia.

O socialismo no entanto, em maior ou menos medida, tendo existido concretamente e na maioria das vezes com sucesso, numa determinada conjuntura histórica, não nos parece nem ultrapassado nem inviável, mas absolutamente necessário enquanto única forma de oposição a realidade indesejável que temos, o Capitalismo.

Como poderia ser ou estar ultrapassado se no momento presente ou agora mesmo - e há mais de meio século - regula os destinos das sociedades mais civilizadas do planeta, no Norte da Europa ou Escandinávia? Como poderia ser ou estar ultrapassado sem em Cuba tem enfrentado com relativo sucesso um embargo imposto pela nação mais poderosa da terra? Como poderia ser ou estar ultrapassado após tudo quando tem realizado pela população mais humilde da Venezuela e na perspectiva de uma democracia semi direta? Como poderia ser ou estar ultrapassado se em parte contribuiu com o que a de melhor para as legislações trabalhistas da Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha e Portugal tornando tais sociedade relativamente estáveis apesar dos progressos do capitalismo???

Já quanto as ideias de Karl Marx - já dissemos que o Socialismo não procede de K Marx mas de Urukagina, Akenaton, Faléas, Sócrates, Buda, Confúcio, Jesus, Paulo, Padres da Igreja, Escolásticos, Utópicos, etc - temos que distinguir seu duplo conteúdo: O conteúdo científico, de crítica formal ao modelo capitalista, vazado em sua obra clássica o capital. Temos aqui uma análise empiria e econômica de uma realidade dada, a qual revela sua inoperância ou seus defeitos estruturais. Neste terreno as críticas de Marx são tão válidas que tiveram de ser consideradas e incorporadas por J M Keynes. O capitalismo é viciado e inviável socialmente falando.

Já no 'Manifesto comunista' e obras congêneres temos um projeto de sociedade futura fundamentado em determinados princípios e valores, e portanto numa ética tomadas ao Cristianismo e ao Humanismo socrático. Concedemos sem maiores problemas - não somos positivistas - que este projeto seja mais ético, abstrato, metafísico, etc do que científico. Para além disto a proposta do Marx socialista costuma ser mais radical que as demais propostas socialistas de modo que ele é um tanto demolidor ou iconoclástico e isto a ponto de querer eliminar o regime assalariado - contaminado pela mais valia - e para tanto fazer uma 'reforma agrária' dos meios de produção, compreendido como os instrumentos ou aparelhos destinados a produzir algum bem de natureza econômica i é negociável. Naturalmente que isto, para nós - que não somos comunistas - é discutível. Por fim quanto aos meios embora Marx mesmo, tal como Engels, Kautsky e Berstein e nós mesmos, tenha em sua última fase optado pela via institucional (superando assim sua crítica um tanto radical assumida na 'Crítica ao programa de Gotha) devemos lembrar que Lênin, a partir de Sorel, elaborou uma mística revolucionária a partir da qual o conceito de Revolução passou a ser compreendido necessariamente e exclusivamente em termos de um conflito bélico sempre regado com sangue. Desde então os comunistas ou marxistas ortodoxos esforçam-se por atribuir esta opinião a Marx e isto a ponto de alguns deles acusarem já não somente Kautsky, mas o próprio F Engels e mesmo Eleonor - filha de Marx - de terem falsificado o pensamento do barbudinho e criado ou legalizado a social democracia compreendida como via institucional. Segundo esta visão artificiosa tantos quantos precederam Lênin teriam sido renegados ou falsificadores. No mínimo, nenhum deles teria penetrado e compreendido perfeitamente o pensamento de Marx antes do russo. O idealismo embutido nessa teoria salta a vista - É como se Paulo tivesse compreendido melhor a mensagem de Jesus do que Pedro, Tiago e João i é as testemunhas oculares da palavra ou como se os califas tivessem compreendido os ensinamentos de Maomé, melhor que a shahaba.

Claro que todo este projeto de Marx e mais ainda a metodologia canonizada por Lênin e jamais aceita acriticamente pelos sociais democratas e 'revisionistas' é mais do que discutível e eu não penso que a mística ou receita de bolo da Revolução armada e violenta ou da sedição, seja viável - abstratamente - em quaisquer sociedades. Os modos porque alcançar o socialismo são diversos ou múltiplos e a institucionalidade poderá ou não se possível, em muitas situações o é. Isto porém é discutir com Lênin não com Marx e tenho para mim que a cosmovisão de Lênin, segundo reconhece Engels numa de suas últimas cartas a Kautsky só é viável em situações não democráticas de exceção, assim como um golpe de estado semelhante ao qual estamos vivenciando hoje no Brasil. E não preciso ser comunista e nem mesmo socialista mas simples liberal (em política), democrata ou policrático para reconhecer que um governo ilegítimo ou golpista deva ser removido por meio da força ou das armas, este ensinamento não é de Marx ou Engels mas dos grandes teóricos da Revolução Francesa, de Alfieri, enfim de John Locke ou mesmo do Pe Jesuíta Juan de Mariana. Não é problema de socialismo ou marxismo mas de política e de liberalismo clássico face a tirania. A própria Constituição dos EUA é taxativa ao declarar que todo cidadão tem o dever de rebelar-se face a uma situação anti democrática de golpe. Salvo em tais situações anti democráticas que fogem a legalidade os socialistas, mesmo marxistas - não leninistas - aceitam o jogo democrático, embora os mais esclarecidos aspirem desconstruir a democracia burguesa ou formal ampliando-a e aprofundando-o na perspectiva de uma democracia cada vez mais direta, a exemplo do bolivarianismo venezuelano, do Demoex na Suécia, etc o que reporta a Gramsci, Polantzas e outros teóricos que seguem na vertente oposta a de Lênin. 

Penso que qualquer uma dessas propostas socialistas - excluída a da ditadura do proletariado, conceito tomado por Marx ao atrabiliário Blanqui e canonizado por Lênin - seja preferida a realidade capitalista. Não me refiro aqui ao comunismo enquanto solução futuro ou ao marxismo ortodoxo, mas apenas e tão somente a qualquer solução socialista nos termos de uma social democracia vinculada a implementação de uma democracia direta ou semi direta que permita ao povo desmassificado e esclarecido tornar-se agente de sua História. Sim eu acredito na viabilidade desta proposta. Temos aqui uma vasta gama de propostas socialistas a serem empiricamente testadas no corpo social e não podemos dizer que seja inviável antes de testa-las e esgota-las todas.

sábado, 2 de setembro de 2017

Nas 'Revoluções' de Crane Brinton

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Reflexões baseadas na leitura de 'Anatomia das Revoluções' - Opus Majus do profo Crane Brinton


"Toda Revolução carrega em si um herança jusnaturalista em torno do direito natural na medida em que crítica o que é ou a realidade, tendo em vista o que deveria ser ou o ideal." Luiz Recaséns Siches
Procede a análise já secular de Victor Brochard, segundo a qual, toda crítica a realidade sócio política vigente, supõem certa dose de especulação metafísica, a falta da qual o indivíduo tende a conformar-se com a realidade dada. 

Eis porque o Patriarca do ceticismo, Pirro de Elis - bem como seu continuador Timon de Fleiunte - era essencialmente conservador, chegando a fazer apologia dos costumes tradicionais, vivendo como todos e deixando-se levar pela moda como gado de rebanho... Para ele a neutralidade que conduzia a ataraxia equivalia a ausência de senso crítico, cujo exercício supunha sempre perturbação. 
Toda crítica a realidade parte de um ideal que não é empírico ou verificável, e que portanto, como a Ética, é metafísico.

Acerta em cheio Crane Brinton quando declara, mais adiante, que as Revoluções supõem sempre algo de abstrato. Assim os puritanos burgueses da Revolução Inglesa, apoiaram-se na Bíblia ou no deus Bíblico; os Revolucionários franceses no Deus da razão ou na natureza, os marxistas no materialismo economicista com suas forças produtivas incontroláveis e etapas evolutivas tanto predeterminadas quanto fatais. As Revoluções são certamente provocadas pelo agravamento de certos conflitos ou condições sociais, e, sem embargo disto alimentadas por algum tipo de ideal a falta do qual jamais chegam a ser. Em oposição uma realidade desagradável os revolucionários acenam sempre com uma proposta ideal a ser implantada. A falta desta proposta ideal com que contemplam as esperanças das massas, a Revolução não se concretiza

Logo há que se distinguir nelas um elemento material de crise a ser explorado e um elemento ideal de proposta, por muitos classificado como utópico.


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O supremo erro dos comunistas ou marxistas ortodoxos foi terem adotado - sem jamais o terem admitido é claro - a mesma ética tomada por Marx ao Católico Weitling - o fundador da Liga dos Justos - privado-a de seus alicerces e fundamentos metafísicos, como a ideia de um Supremo legislador e de uma lei natural (jusnaturalismo), e buscado associa-la ao ateísmo e ao materialismo, elementos ideológicos cultivados justamente pela parte mais aburguesada da Revolução Francesa.

É sempre bom lembrar que o patriarca dos radicais (Socialistas) da grande Revolução - François Noel Babeuff - não era ateu (Escreveu pouco antes de morrer a "Nova História de Jesus Cristo) como não o era Robespierre, pelo simples fato de ter oficializado o culto ao Supremo Ser e Legislador natural, sempre associado a suas reformas de caráter justicionista. Donde se infere que a fase posterior e socialista da Revolução Francesa - em parte a primeira Revolução socialista de que se tem notícia no mundo moderno - jamais esteve assentada sobre princípios ateísticos ou materialistas, assumidos via de regra pelos liberais economicistas.
Sempre atenta e arguta a contra crítica liberal não tardou a perceber a incoerência suprema do 'comunismo' e do 'social anarquismo' e partindo do velho positivismo, apresentou a parte positiva do marxismo como de fato era, i é, como um ideal ético, e portanto como algo NÃO científico ou mesmo anti científico; melhor dizendo, como resíduo de uma religiosidade ultrapassada e algo que todos os ateus e materialistas deviam rejeitar por uma questão de coerência. Afinal era de supor que os materialistas, mantendo-se nos limites do empirismo crasso, evitassem toda e qualquer forma de crítica social, enquanto algo situado muito além das fronteiras da materialidade pura.

Assim ao mesmo tempo em que denunciava os crimes perpetrados por aquela burguesia ateia, materialista ou hipócrita e propunha-se a ataca-la eliminando seus privilégios, o marxismo, ideologicamente falando, fornecia-lhe as armas e munições com que a mesma burguesia haveria de ataca-lo e defender-se. Afinal apenas o Capitalismo, enquanto estrutura e ordem social oposta ao feudalismo, converteu-se em algo dado ou real. O socialismo (naturalista) não, assumindo antes de tudo a forma de uma crítica teórica. Agora quais os pressupostos desta crítica??? O máximo que se poderia dizer aqui é que o modelo capitalista era inviável devendo ser substituído por qualquer outra coisa. Quando ao determinar porque e como o capitalismo deveria ser suplantado, é evidente que foge por completo aos domínios da materialidade pura, embrenhando-se pelos meandros sinuosos da boa e velha metafísica!!! Por via material ou empírica dificilmente impõem-se a solução socialista - O SOCIALISMO É E SEMPRE SERÁ UM IDEAL DE ÉTICA PAUTADO NO SENTIDO DA JUSTIÇA! - menos ainda a comunista.
Weber não errou quando disse que a Sociologia, enquanto ciência, limita-se a descrever a realidade tal qual é, sem cogitar no que deva vir a ser ou no ideal. A normatividade fica certamente por conta do Homem, e bem pode ser atribuída a outra forma de conhecimento não menos válido e respeitável do que ela, assim a Ética. Não é enquanto estudiosos de Sociologia que somos socialistas, mas enquanto pensadores, humanistas e seguidores de Sócrates, Platão, etc 

Não acalentemos ilusões, o Socialismo esta inserido na Sociologia enquanto proposta social. No entanto seus fundamentos não são materiais mas ideais e Éticos. O sociólogo será sempre bom sociólogo - E Weber o maior - mesmo enquanto se limite a descrever a realidade social em que vive. Será no entanto um bom Homem ou um homem??? Eis a questão a ser posta em seus termos! O positivista metodológico limita-se a corroborar a afirmação feita por Weber, bem podendo solidarizar-se como o Socialismo e apoia-lo enquanto homem. Já o positivista metafísico jamais. A exemplo de Pirro ele abdicará de toda crítica social e condena-la-a veementemente na mesma medida em que foge ao empirismo puro e a materialidade absoluta, fortalecendo os setores conservadores da sociedade e a situação de vigente de injustiça. Sua neutralidade não passa de mero disfarce com que busca ocultar sua simpatia e servilismo face as forças desumanas e cruéis do capital. No entanto uma coisa é certa, este homem finca pé no materialismo e no ateísmo idolatrados pelo marxismo ortodoxo levando-os as últimas consequência e sem temperinhos socráticos ou Cristãos. Afinal justiça é conceito abstrato que não se ouve, vê, toca, pesa, mede, etc
O Marxismo até hoje, a falta do conceito de um Deus ou Supremo Legislador, ainda não conseguiu justificar 'material', empírica ou cientificamente seu ideal de vir a ser e sua proposta futuresca.. A realidade material ou empírica como disse Weber, conhece apenas o que é, mantendo-se sempre neutra, apática e acrítica dentro de sua esfera. Quer saber como a Sociedade funciona e não analisar ou eliminar os sofrimentos humanos. Definitivamente a Sociologia não pretende afetar a medicina ou assumir-se como uma espécie de medicina social. Toda normatividade é Ética, ideal e especulativa pressupondo certos fundamentos necessários e absolutamente necessários, sem os quais vem abaixo... Tais fundamentos no entanto, o positivismo não assume. Assumiu-os o marxismo, mas separou-os de seus fundamentos ontológicos e colocou-os no ar... Como falar em justiça natural, lei ou ética sem cogitar num Sumo Legislador??? E como negar a existência deste sumo legislador sem cair no relativismo/subjetivismo (ou culturalismo) ético dando por justificada a versão ou a melhor a negação da justiça vigente no modelo capitalista??? Meu sistema minhas regras, bradará o capitalista face a qualquer apelo a uma noção essencial de justiça.

Tal a História do Marxismo, um eterno vir abaixo, apesar de sua proposta redentora... Bem, um homem não pode caminhar sem pernas... É o marxismo coxo, e isto é uma tragédia na mesma medida em que os Cristãos são hipócritas e os Católicos traidores!

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De Bonald e De Maistre apresentaram as revoluções como pecados...

Donoso Cortês, o supremo parvo, apresentou-as como diabólicas.

O Pe Delassus e Pierre Graxotte como conspirações maçônicas.

Giovanni Gentili como algo tão necessário e dinâmico quanto a própria vida.


Bakhunin, Tchernychveski, Sorel e Lênin como o ideal supremo da existência humana. 
Quem dentre eles estará com a razão?
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Sinto que de minha parte estou bem mais próximo de um Nicholas Berdiaeff segundo o qual enquanto desenrolar necessário e fatal de uma enfermidade - aqui social - não devam elas, as revoluções, serem reprimidas ou execradas e tampouco aplaudidas mas aceitas como uma espécie de punição ou purgação pelos pecados da sociedade. (Pecados sociais evidentemente, como o egoísmo, a injustiça, etc)

Não é claro no sentido mágico e fetichista de que sejam causadas diretamente pela divindade, mas no sentido natural i é enquanto consequências necessárias dos atos humanos numa perspectiva social ou melhor dizendo como uma espécie de dinâmica ou Lei social. 
As crises são as enfermidades e a Revolução a quase morte (a melhor expressão aqui seria coma!) de um dado modelo social que não faz mais sentido ou funciona. Tal e qual o corpo físico o corpo social também entra em colapso, perde a consciência e se abre em feridas ou chagas; ao menos por algum tempo. Não as revoluções não resumem a vida - a vida é mais do que ruptura dramática e brusca - mas fazem parte dela. Na medida em que cessada a febre revolucionária, as feridas se fecham, a consciência é retomada, a febre cessa; e aquele corpo se recupera por completo, restando apenas algumas cicatrizes mais ou menos profundas. É a restauração! Jamais segundo o modelo antigo, pois a Revolução sempre trás alguns elementos novos. De qualquer forma o ideal dos próprios radicais que administraram as Revoluções é, mais cedo ou mais tarde, abandonado. Pois o pecado das revoluções ou sua limitação é não produzir uma cultura em termos de idealidade. 
De modo geral a vida só se compreende em termos de evolução, progresso ou escalada, inda que não seja linearmente, uma vez que as crises e revoluções antepõem-se, ver por outra, ao curso da Evolução e da produção de cultura. As revoluções, como já dissemos, trazem ao menos alguns elementos novos, os quais caso venham a ser socialmente repensados e trabalhados poderão entrar na dinâmica da cultura e favorecer a Evolução. Algumas revoluções no entanto poderão levar uma determinada sociedade não apenas a estagnar mas mesmo a recuar em termos de civilização; assim as revoluções de Matriz religioso ou fundamentalista, as quais apenas muito remotamente e num contexto mais geral - de humanidade - podem vir a acrescentar algo. O protótipo dessas revoluções discutíveis e problemáticas é a Reforma protestante no Ocidente com todas as suas consequências, em grande parte negativas. Podemos ainda pensar na Revolução Iraniana... e nas tais primaveras árabes ou sunitas/salafitas. 
No entanto por si mesmas - isoladamente - enquanto ruptura brusca e mais ou menos inconsciente, incompreensão da cultura e adiantar da História, as ditas Revoluções nada criam de fantástico ou resolvem. Ficando a propaganda ou as propostas muito aquém dos resultados concretos. Daí a necessidade de antes de inicia-las considerar os custos benefícios em termos de sangue e vidas ou mesmo de puro e simples patrimônio histórico/cultural. Afastemos daqui todo sentido místico e admitamos que Revoluções não são eventos mágicos ou soluções infalíveis. Acontecerão sem dúvida alguma, mas não devemos nos entusiasmar com todas elas ou com qualquer uma delas. 

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As revoluções sedições, agressivas e sangrentas por definição, que não dialogam com a cultura ou produzem cultura, não podem ser, como tantos e tantos imaginam as molas ou alavancas que movem o mundo.
Apenas as revoluções que esgotam o pleno sentido da palavra (Para os materialistas talvez não pleno justamente por faltar o conteúdo violento) ou seja aquelas que envolvem a produção, mudança e dinâmica da cultura ideal - princípios, crenças e valores - constroem algo de efetivamente sólido e duradouro.
As demais, as que podem ser definidas antes de tudo como efusões de violência, passado algum tempo tornam atrás ou revertem, dando lugar a restauração. Assim a Inglesa de 1644 teve de compor-se em parte com a velha estrutura monárquica que pretendia aniquilar e produzir algo como o parlamentarismo. Assim a Francesa sob Napoleão, o 'imperador' sic rsrsrsrsrs. Assim a Russa já com Stalin (cf Trotzky 'A Revolução traida') e especialmente após 1990. Assim a Mexicana e a Chinesa... Uma após a outra, passado o período febril, apostataram de seus ideais progressistas pelo simples fato de terem cogitado adiantar-se a História e de não terem compreendido o significado da produção de cultura por meio da formação de consciência ou da educação.
Até mesmo simples reformas empreendidas por determinada plataforma política num contesto social democrata ou institucional, correm o sério risco de serem desfeitas, na medida em que a dita plataforma se esquece de formar as consciências ou de educar as futuras gerações, tornando-se em tais casos vulnerável a uma revanche liberal. Foi justamente o que aconteceu durante o período Lula e Dilma no Brasil. As reformas jamais tocaram os setores da sociedade responsáveis pela produção da consciência - assim a mídia, a estrutura política... - daí o subsequente revertério. Meras reformas estruturais em termos socialistas não equivalem a produção de uma cultura socialista ou humanista. 
Elas, as Revoluções - ao menos parte delas - satisfizeram uma demanda pela justiça e contribuíram com elementos importantes, mas realizaram todas muito menos do que prometeram. Claro que me refiro as revoluções mais recentes e posteriores a Revolução francesa i é as Revoluções socialistas, especialmente a cubana. A Venezuela acima de tudo, cabe o mérito de ter empregado mecanismos essencialmente democráticos - como plebiscitos e referendos - em sua Revolução bolivariana, mostrando sem dúvida uma melhor compreensão da realidade político social e da cultura. 











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Até concordo que em certas situações de injustiça - como a ditadura, o totalitarismo ou mesmo a miséria - as Sedições façam jus ao apoio de todos os cidadãos, merecendo total adesão. Cada Revolução dever ser analisada com toda prudência e cautela tendo em vista os princípios norteadores da liberdade e da justiça, bem como o entusiasmo ou comprometimento do povo, e também os riscos que envolvem a reação (Custo benefício), sabendo-se antes de tudo que Revolução alguma é fácil e que não se faz Revolução com rosas. 
No entanto não devemos nem esperar nem imaginar que elas consigam - por si sós - solucionar todos os problemas a que se propõem. Por um tempo a panela de pressão deve lançar vapor fora, até estabilizar-se, e cessar de lançar vapor... De modo que ao iniciar a Revolução ou mesmo antes temos de refletir sim sobre o que virá depois ou sobre a pós Revolução e sempre na direção da auto gestão ou da democracia direta/popular, uma vez que a própria dinâmica interna e combativa da Revolução parece favorecer soluções totalitárias ou ditatoriais. A questão do papel das lideranças ou do controle interno da Revolução é um tema crucial na perspectiva democrática, a qual, ao menos a posteriori, tende, e com toda razão, a desconfiar de lideres ou chefes. É exatamente aqui que a própria ideia de Revolução torna-se problemática, envolvendo sempre o nível de participação popular e de consciência democrática na medida em que queremos que o próprio povo seja agente da História, jamais súdito ou vassalo, e em que desconfiamos de qualquer redenção dada ou oferecida de bandeja por líderes, elites ou quadros.

Caso fique evidenciado que todas as Revoluções populares exijam, a posteriori, a submissão a um ditador ou mesmo a uma 'Elite educadora', inda que provisoriamente e tendo em vista a já apontada produção de cultura democrático social, temos de discutir e refletir com ainda mais cuidado e prudência sobre a viabilidade das mesmas. É problema que se coloca desde os tempos de Platão e a respeito do qual comunistas e fascistas tem escrito oceanos de papel. Teremos a posteriori de suportar o domínio, inda que provisório, duma aristocracia 'educadora'??? Teremos de acatar, ao menos por algum tempo, ditaduras de Filósofos, Sociólogos/políticos ou proletários??? De minha parte, tendo a negativa... No entanto é algo que deve ser considerado e discutido exaustivamente. Se é para ter Revolução que seja verdadeiramente popular, que envolva o povo e busque soluções policráticas ou populares, não totalitárias ou ditatoriais. 
As Revoluções acontecerão, algumas merecerão apoio ativo, ainda que crítico, mas não mudarão magicamente a sociedade. O caminho sempre será difícil ou precário.