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domingo, 3 de dezembro de 2023

Oclocracia ou, quando a Democracia desanda...

Dever nosso, i é, dos que sustentam os ideais do Liberalismo político e da vida democrática, velar para que nossa democracia não se venha a converter numa qualquer outra coisa ou em algo que os antigos chamavam Oclocracia, ou seja, o domínio das massas imbecis.

De fato um conceito sadio de democracia supõe sempre algo a que se chame povo ou um conjunto de cidadãos. Em contraposição a povo temos massa, algo inconsciente e formado por homens e mulheres ignorantes, idiotizados, acríticos e manipuláveis. 

As massas não parecem ter ideais muito elevados e por isso mesmo contentam-se em ter satisfeitas suas necessidades mais elementares como comer, beber, fumar, procriar e curtir, nada muito além... Via de regra são as massas miseráveis ou carentes de quase tudo, e por isso seus ideais são básicos ou elementares...

Isentas de qualquer ideal político as massas não oferecem qualquer perigo para os poderosos ou para os demagogos. 

Já por serem extremamente dóceis e manipuláveis.

Por questão de necessidade as massas se vendem e vendendo-se são contidas.

Basta que o líder ou os lideres lhes deem> Pão e circo i é Pão, churrasco, cerveja, sexo fácil, fumo e ruídos para que se satisfaçam e não incomodam. As massas contentam-se com migalhas ou esmolas ofertadas pelos demagogos e por isso são oportunas.

O cidadão, tendo uma condição de vida média e satisfeitas suas necessidades básicas, bem pode alçar-se as regiões do abstrato, idealizar algumas coisas - Como a partilha do poder! - e aspirar por elas. Por ter atingido certo nível de consciência é o cidadão uma ameaça para o demagogo e também para o patrão, para o mago...

As massas e o zumbi, não incomodam a quem quer que seja, não representam ameaça alguma, não são causa de inquietação...

E no entanto a questão que aqui se coloca é a do acesso ao poder.

Pois desde que mundo é mundo, são as massas, sutil ou declaradamente, controladas.

A bem da verdade são compradas por meio das migalhas ou esmolas que recebem.

E sendo as massas o que são, não vejo outra solução possível.

Por isso a Democracia atribui o acesso e o controle do poder a outra entidade, a que chamamos Demos ou Povo, uma agremiação formada por cidadãos conscientes, a cidadãos formados por um processo educativo ou emancipatório.

Agora para que tal elemento político - O Povo, exista de fato, é necessário um ingrediente econômico.

As massas alienadas tanto hoje quanto nos belos tempos do Império romano, são formadas pelos miseráveis, pelos que quase nada tem e pelos que, quase nada tendo, sequer podem satisfazer suas necessidades básicas. Posto que a miséria produz a dependência e a falta de acesso a educação produz a conformidade.

Uma economia que produz miséria impulsiona o processo de massificação e tira vantagem da massificação, gerando um círculo vicioso reforçado pelo fundamentalismo religioso e pela tirania ou pela demagogia. 

Para que haja povo ou um conjunto de cidadãos conscientes, devem eles, economicamente falando, gozar de uma condição média > A qual lhes franqueie acesso a certo nível de comodidade ou conforto, e possibilite a formação do espírito por meio da instrução.

No tempo presente, as estruturas econômicas, a situação política e certas expressões religiosas, conjugaram-se, tendo em vista a produção de massas ou de pessoas sem consciência. Isto porque almejam controla-las econômica, política e socialmente, tornando sua servidão invencível.

Se o setor responsável por gerir o processo educativo, curva-se diante dos poderes econômicos e diante dos clamores suscitados pelo sectarismo religioso, não se deve esperar coisa alguma dele, a exceção de uma instrução aparente.

Oferecer as massas uma educação de qualidade ou uma instrução esclarecedora equivaleria a entregar aos presos a chave da cela, e o carcereiro, imbuído de sua vocação, não o fará.

Temos massas, fabricação acelerada de massas, despersonalização, desumanização... E temos um discurso politicamente liberal ou democrático, o qual, dentro de certas condições é não apenas válido como desejável.

Eu aspiro por ideais democráticos e por uma vida democrática que garanta, na perspectiva mais ampla, o exercício das liberdades.

Porém democracia só se faz com povo ou é feita, é construída, é implementada, pela atuação de cidadãos conscientes. Alias quanto mais direta um democracia é, melhor é.

Com massas o que temos jamais será democracia porém Oclocracia. Algo em entram diversos ingredientes, como demagogia, certo nível de manipulação ou dominação sutil e acordos.

Implica a Oclocracia, que as massas tenham certo nível de acesso ao poder ou que obtenham algo em troca - Como o cão, a quem o gatuno atira um osso, para poder ter acesso a casa que pretende roubar... As vezes esse osso poder até ser um pedaço de carne ou mesmo um suculento bife - Uma vez que o assaltante obterá ouro...

É uma espécie de troca. 

Por meio da qual as massas alienadas obtém os 'bens' que, por absoluta, falta de educação ou instrução, veio a desejar - Pois caso fosse educada aspiraria por outras coisas ou por verdadeiros bens.

Contentam-se as massas com - Futebol, carnaval, novelas, showzinho gospel, falsas moralidades, cachaça, fumo, drogas, sexismo, etc enquanto os demagogos rapinam o erário. Fornecido o ópio ou o circo, as massas não se mexem, não se movem, permanecem inertes...

O Estado demagógico, por meio da cultura, condiciona as massas a fruírem de tais 'bens', inclusive ocultando-lhes outros bens, que de fato são bens. Apenas para em seguida fornecer-lhes tais bens, e assegurar a paz: "O que eu quero é ser feliz na favela onde eu nasci.".

Mas só é feliz na favela e nela deseja viver, quem por ignorar horizontes mais amplos, cuida ser ela, a favela, o mundo...

Ocultem o mundo, o outro mundo, aos aprisionados, e eles se sentirão super felizes dentro da caverna...

A Educação hoje consiste basicamente nisso: Em mostrar o que já se conhece e jamais apresentar o que não se conhece ou ignora. E nem podemos aspirar pelo que ignoramos.

Mantemos o discurso em torno da democracia e do liberalismo político, mas não concedemos as massas pleno acesso ao poder.

É o caminho da Oclocracia. 

A passagem para o caos.

Pois em certo momento poderão as massas exigir mais.

E se um dia, por obra do deus acaso, conquistarem o poder e exercerem o controle...

Conhecemos, lamentavelmente, a ditadura de um ou de alguns.

Que seja ditadura de um grupo social ou uma ditadura de massas, ignoramos supinamente.

O quanto quero dizer é que ao fabricar massas podemos estar forjando um futuro terrível ou pior que tudo quanto já vivenciamos.

Deveríamos estar instruindo, educando, formando cidadãos críticos, dirigindo para a Ética, personalizando, humanizando... 

O que o Estado, a serviço do lucro e da superstição, tem feito é semear a miséria, despersonalizar, desumanizar, promover a ignorância, expandir a alienação, etc - Com o que se solapa a democracia e se suscita críticas intempestivas, não poucas vezes justas.

Não poucas vezes o que se repudia e combate não é a Democracia ou o tipo ideal de vida democrática porque aspiramos e sim essa corrupção chamada Oclocracia - O domínio das massas idiotizadas. 

Muitas vezes o que se rejeita e combate é apenas sombra de democracia ou uma democracia degenerada e decadente.

Tal o quadro sinistro das coisas...

Nossa democracia se vai desacreditando.

O clamor das massas imbecilizadas e satisfeitas aumenta dia após dia. Como nuvens que prenunciam uma tempestade...

No Brasil parte das massas identitárias ocupa-se de coisas totalmente inúteis, como em elevar o Funk e o 'ripe rope' ou a dança de rua, as alturas... Enquanto o outro lado, deseja a instauração de uma Teocracia bíblica...

De extremo a extremo vagam as massas... 

E não sabemos no que resultará tudo isso.






quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O critério da boa política 'sicut' Aristóteles

Segundo o pensamento contemporâneo é a forma que dá legitimidade a política, no caso a forma democrática. Para os teóricos da modernidade a democracia corresponde a uma espécie de estrutura 'Revelada' ou sagrada e sua negação, seja por via da aristocracia ou da monarquia equivaleria a uma heresia.

Claro que os ingleses que são um povo por temperamento tradicional, em dado momento de sua História formularam um sistema eclético chamado parlamentarismo. Por essa solução mantem-se a velha forma monárquica, esvaziada do poder e implementa-se uma democracia.

As demais Sociedades optaram por soluções mais drásticas. Baniram a monarquia ou a aristocracia, como se queira, e estabeleceram o que chamamos de República mas que é na verdade o presidencialismo, se bem que mais tarde tenham se produzido um sincretismo entre a República e o Parlamentarismo.

Os EUA adotaram o modelo republicano presidencialista, organizado-o a sua moda. E endossaram a fórmula de Rousseau segundo a qual a soberania parte sempre da vontade popular ou que todo poder pertence e parte do povo, ao qual cabe escolher representantes para si, efetuando a transferência de poder por meio do voto ou das eleições, o que em suma remonta a John Locke. J J Rousseau no entanto insiste na vontade popular enquanto critério de legitimidade. Parece que o genebrino jamais cogitou que a vontade popular pudesse optar conscientemente pela tutela do Rei, e pior, que uma vontade popular desorientada pudesse optar pela guarda de um déspota, tirano ou ditador. Claro que ele sequer podia cogitar na teoria Freudiana sobre o sentimento de culpa ou o masoquismo.

As coisas de fato são assim e nossos juízos incidem quase sempre sobre as formas políticas. Até certo ponto isto não é um problema e alguns tem ensaiado justificativas interessantes. O problema e o grande problema é que em matéria de democracia nos habituamos a identificar nossas formas e nossos juízos com os dos antigos gregos, falseando a História.

Claro que não havia um juízo unitário entre eles, mas opiniões divergentes.

No entanto mesmo sem ser predominante a de Aristóteles era certamente uma das mais conhecidas e discutidas.

Grosso modo podemos dizer que Sócrates, Platão e Aristóteles não partilhavam deste nosso fervor em torno da forma democrática. Eram bem mais realistas, ao menos o primeiro e o terceiro, e todos os três, certamente, muito bem intencionados.

Sem chegar a ser um anti democrático Sócrates destacou-se como crítico da democracia leviana. Por democracia leviana queremos dizer aquela em que os cidadãos não precisam de preparo algum para participar, e que franqueava tudo a todos. Para Sócrates a escolha devia se dar entre homens dignos e as candidaturas abertas a todos que buscassem dignificar-se pelo saber, pela habilidade, pela perícia... Temos aqui uma democracia responsável ou com condições e certamente um tema bastante atual. Afinal a inserção das massas na democracia - das massas incultas e despreparadas (sic) - sempre poderia degenerar em Oclocracia.

Platão como todo sabem não acreditava nas formas democráticas, e sim o ofício do ditador/educador, tendo inclusive chegado a crer numa organização social fixa e imutável conforme o modelo das formigas ou termitas. Nesta Sociedade desigual a chave seria a colaboração entre as castas.

Aristóteles não é nem democracista nem adversário a democracia. Mas ele não acredita que qualquer modelo de política deva ser julgado pela sua forma. Homem genial ele imaginava que cada cultura, povo ou nação haveria de identificar-se como determinada forma. Melhor dizendo - Acreditava que qualquer grupo social podia tentar compor e recompor as três formas ecleticamente e assim produzir uma forma adequada a sua realidade. E desconfiava das soluções tipo bula de remédio ou receita de bolo.

Quanto a julgar as formas ou estruturas a demanda por um critério fez com que ele conceitua-se o que chamamos de 'Bem comum'. Desde então a política de modo geral foi conectada com a doutrina do bem comum, em oposição ao interesse particular. Foi Aristóteles que acenou com uma distinção mais nítida entre o objeto da política ou o que chamaríamos de público - em latim 'res publica' coisa pública - e o que chamaríamos de privado e que posteriormente seria reservado a ação pessoal.

É o BEM COMUM aquilo que é útil ou benéfico a todos os habitantes de polis i é da cidade.

Conforme a doutrina do Filósofo existiriam três formas ou estruturas, ambas politicamente admissível ou aceitável e três formas corruptas ou adulteradas que corresponderiam a um desvio por parte das formas aceitáveis. O padrão que separaria umas das outras seria, como já foi dito, o bem comum.

Segundo aduzimos de seus escritos a Monarquia corresponderia ao governo de um só homem, tendo por objetivo O BEM COMUM. E este objetivo a faria legítima. A Aristocracia corresponderia ao governo de parte ou de alguns tendo em vista O BEM COMUM. Já a Democracia corresponderia ao governo de todos ou da maioria tendo em vista o mesmo BEM COMUM.

Em oposição a estas formas teríamos a Tirania, que seria o governo de um só tendo em vista seus interesses particulares. A Oligarquia seria o governo de alguns tendo em vista os mesmos interesses particulares. A Demagogia enfim seria o governo de muitos tendo em vista o mesmo fim, a saber, interesses particulares.

Por ai se vê que Aristóteles partilhava da crença de Platão quanto a possibilidade de um monarca, absoluto inclusive, interessar-se pelo bem estar ou pela qualidade de vida dos cidadãos. Como acreditava que um grupo qualquer fosse capaz de encarnar este ideal de abnegação.

Necessário dizer que partindo de semelhante juízo fica impossível estabelecer o dogma da necessidade absoluta da democracia. O máximo é que se pode chegar dentro da linha de raciocínio de Aristóteles é que a democracia, sem ser a única forma autorizada, seria a forma mais segura, eficaz ou excelente pelo simples fato de corresponder a um maior número de cidadãos pensantes, o que nos levaria ao adágio 'várias cabeças pensam melhor do que uma.'. Segundo esta perspectiva a democracia, sem corresponder a única forma ortodoxa, seria a que nos ofereceria melhores garantias. Isto é deduzível a partir do pensamento aristotélico, o jacobinismo radical ou democraticismo, de modo algum.







sábado, 20 de maio de 2017

A realidade política do tempo presente: PSDB, PT, Temer, Aécio, Lula, Corrupção, Eleições, Globo... II





01 . Apesar da Globo não prestar ou ser canalha isto não torna Temer nem inocente nem
desejável. Meu ódio a Globo não me torna estúpido ou cego.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/gloria-aos-pastores-que-usaram-seu-pulpito-para-demonizar-dilma-e-divinizar-temer-e-seus-ladroes/



02. A Globo pode muito bem estar temendo a construção de mais um poder paralelo a

sinistra bancada evanjéguica - fundamento pétreo do governo golpista. Se receia desta

bancada - Em que Temer tem se escorado repetidamente - ao menos aqui mostra ter

juízo - A merda tem de ser limpada antes que feda mais


Recordemos que a bucha estourou horas antes do Temer ter ligado para o papa

Malafão pedindo arrego ou melhor bençãos para seu pacote de maldades.



03. Temos duas soluções possíveis: A solução justa e a mais excelente > O retorno de Dilma

Russef ao poder, é esta minha opção preferencial.


Afinal um processo iniciado pelo mafioso Ed Cunha e arquitetado pelos bandidos Aécio e

Temer a testa de um Congresso pestilencioso é nulo de todo valor. Contaminado,

viciado, ilegal, ilegítimo, arbitrário. A melhor saída para o golpe é sua anulação e a

retomada do estado democrático de direito


Todavia caso esta opção se torne impossível, o mal menor corresponderia a convocação

de ELEIÇÕES DIRETAS numa perspectiva pragmática seria a melhor das saídas

possíveis. Alias a luz da doutrina de John Locke, o parlamento brasileiro como um todo -

O qual mais parece a caverna do Ali Babá com dez vezes mais ladrões - deveria ser

dissolvido, sucedendo eleições gerais.


Nenhuma submissão a este parlamento corrupto e venal, em termos de eleição indireta,

sob qualquer alegação, deve ser aceita pelos cidadãos livres. Caso seja necessário o

Congresso deve ser ocupado pelo povo e colocado nos trilhos, exatamente como se faz

em certos rincões do pais. Não podemos deixar, em hipótese alguma esta decisão ao

encargo dessa latrina chamada Congresso.


O retorno de Dilma ou eleições livres NÃO HÁ TERCEIRA OPÇÃO!






04. Claro que devo mencionar sim eleições livres por simples petição a realidade.

Digo isto porque vi os jovens valentões berrando por vinte centavos ou gritando contra a

Dilma, MAS DE MODO ALGUM DE FORMA TÃO MARCADA CONTRA O TEMER E SEU

PACOTE DE MALDADES. Não posso deixa de achar curioso essas pessoas politizadas

fomentarem uma autêntica sedição por causa de vinte centavos e pouco ou nada

fazerem pela previdência do povo contra um governo ilegítimo e golpista. De fato não

constato um clamor generalizado por parte dessas pessoas. Enfrentar a Dilma e até mesmo centrais sindicais é fácil, quero ver ir lá enfrentar o

MEXEU TREME EM BRASÍLIA. Não não vejo os Black Blocks atuando em Brasília

contra o Congresso... Cade eles? onde estão agora que precisamos deles?


05. Aos monarquistas, fascistas, integristas, comunistas e anarquistas respondo que

democracia se faz por acerto e erro, exercitando-se. Claro que PRECISAMOS

URGENTEMENTE DE UMA REFORMA POLÍTICA QUE PROBLEMATIZE QUESTÕES

COMO O VOTO OBRIGATÓRIO, O VOTO DE ANALFABETOS E A CANDIDATURA DE

LIDERES RELIGIOSOS, dentre outras coisas, e no entanto apenas uma bancada de

esquerda democraticamente eleita levará este ideal a cabo.

JAMAIS ESSE LIXO NEO LIBERAL QUE TEMOS.


E menos ainda a mítica sedição ou 'revolução' armada, apregoada por todos vocês,

pelo simples fato de que jamais produz consciência e que por isso mesmo reverteu: Na

comuna de Paris, na Rússia, no México, etc após ter feito verter rios de sangue a troco

de nada, pois após cada uma delas impos-se novamente o estado capitalista ou liberal

e por que? Porque não trabalhou as mentes por meio da educação e da cultura e não

produziu consciência. Não se faz revolução alguma com massas, antes de tudo é

necessário converter as massas em povo e isto só se faz por meio da tomada de

consciência ou do processo educativo. Se vocês querem soluções imediatistas e de

desespero continuarão dando com a moleira na parede.



06. Conheço muito bem os defeitos da democracia meramente representativa, formal,

estrutural ou burguesa. Mas é a realidade que temos, a que temos de trabalhar e da

qual temos que partir, transformando-a, desconstruindo-a e reelaborando-a por

dentro.


Como Marx, Engels, Kautsky, Bernstein, Gramsci, Poulatzas, etc tenho esta

democracia burguesa e precária não como fim da história ou como algo definitivo,

mas como ponto de partida para algo melhor a ser construído coletivamente pelas

gerações, por meio da educação e da militância, institucional e não institucional.


Conheço as críticas de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a democracia pura, a qual

centra-se na necessidade de preparar as condições para ela, de formar espíritos

democráticos, de produzir consciência, de formar, de educar, de franquear acesso a

todos os que queiram ser dignos de participar e de exercer a cidadania e sei que é

desafio colossal e que só será solucionado pela educação.


Para além dos aspectos econômico e político, este em termos de estrutura ou formal,

temos um terceiro aspecto a ser considerado que é o formativo, de produção de

consciência. A ideia blanquista da sedição tomou seu lugar mas como

disse na prática não mostrou quaisquer resultados satisfatórios, exceto em,

sociedades que passavam por situações tão dramáticas - Equivalentes as de guerra

justa - como Cuba e Coréia do Norte


07. Bakunim mesmo havia dito que a liberdade e por ext a democracia, não pode ser

dada ao povo por uma elite de quadros revolucionários. Esta ideia legada pelos

positivistas e que remonta a Platão e ao ideal de ditador 'educador' quase nunca

funciona.

O povo nada dever esperar de indivíduos, salvadores, messias, etc Bem como de

elites redentoras. Redimirá a si mesmo pela tomada de consciência ou permanecerá

escravo. Liberdade é algo que não pode ser dado e democracia algo que não se

mantem nem ampliar sem espírito.


Portanto o povo deve contar apenas com o trabalho dos educadores humanistas,

enfim com o processo educativo, esclarecimento e tomada de consciência, mais do

que de armas e bombas, rifles e fuzis, formas e estruturas.


Estou sinceramente persuadido de que nosso ideal de democracia pura ou direta

será construído lentamente, por meio de um processo e não cedo a tentação da

revolta ou do adiantamento; INSTITUCIONAL e não institucionalmente, por diversas

vias. Cada qual acrescentará seu tijolinho.


08. Menos utópico falar em eleições e reforma política do que em auto gestão, apoio

mútuo, boicote geral ou mesmo no excelente recurso da desobediência civil (O qual

certamente precisa ser mais valorizado, problematizado, praticado) etc Uma vez

que nossa gente não se mostra a altura de tais recursos devido a sua falta quase

que absoluta de educação e preparo... No Brasil o que temos ainda são massas a

serem trabalhadas. No momento presente, caso consigamos impedir que sejam manipuladas por

pastores ou ludibriadas pela mídia, já conseguimos bastante, mas ainda não

conseguimos...


09. Assim quando falamos em eleições diretas temos de por o dedo bem no fundo da

ferida e avaliar o papel negativo do 'Voto obrigatório' (i é sem consciência

democrática) neste processo.

Nem podemos dizer que tudo esta bem, permanecer conformados e fugir a este

questionamento fundamental,


Afinal como aquele que não consegue enxergar qualquer sentido no voto deixará de

vende-lo ao primeiro demagogo?

Se para ele voto não tem valor certamente terá preço.

Conclusão: Acreditando ser esperto a ponto de ludibriar um político como Paulo Maluf,

venderá seu voto por cem reais enquanto o eleito obterá lucro na medida de cem por

um, carreando milhões dos cofres públicos, recobrando seu investimento e

prejudicando o corpo social como um todo. Pois a relação entre o voto obrigatório ou

mecânico e a corrupção é essencial.


Como debelar a corrupção e manter o voto mecânico?

E no entanto sem este voto fácil, os demagogos perdem seus currais... 90% dos

nossos políticos não conseguiria eleger-se por meio do voto cidadão.

A política liberal e neo liberal com suas mazelas não se mantém sem a chaga do voto

compulsório.


É por meio dessa chaga que conseguem 'diluir' ou filtrar os votos conscientes e a

custa de propina obter cargos e funções públicas.


Compreendem por que os conservadores se apegam tanto e com tanta avidez e

guarra a lei do voto obrigatório. Porque é a Matriz da corrupção e da venalidade e

porque sem ela, a bancada liberal ou anti popular não se sustenta. PSC e DEM por

exemplo são máfias que se alimentam quase que exclusivamente disto, de voto

comprado!


10. A esquerda equivocou-se redondamente quando em 1988, defendendo o voto analfabeto irrestrito, considerando - romanticamente - que a experiencialidade prática

do trabalhador humilde, comunicada pela vida vivida, seria suficiente para converte-lo

em cidadão consciente ou eleitor militante.


Foi equivoco trágico porque pagamos e ainda vamos pagar.


A consciência social e a plataforma trabalhista continuam recebendo apoio das pequenas ou baixas classes médias ou do que chamam - Nordau - pequena burguesia rancorosa e 'revoltada'.


O que nossas massas analfabéticas e manipuladas por lideres religiosos oportunistas fizeram foi abrir uma brecha ao que temos hoje de mais sinistro na política parlamentar brasileira, a 'bancada evanjéguica', principal responsável pela intifada conservadora a que hora testemunhamos.

Os fanáticos religiosos e charlatães souberam introjetar com maestria, na mente de grande parte dessas pessoas um ideário ou uma ideologia acentuadamente liberal, produzindo o fenômeno do pobre capitalista. Ora esses pobre capitalistas ou como se diz 'de direita', bem mais do que a satanizada classe média, constituem - sob a égide dos pastores - a alma do conservadorismo até o ANACAP e o Nazismo!

Passam fome, vivem em palafitas, são assalariados e oprimidos e mesmo assim contemplam o patrão ou o empresário como uma espécie de deus desde mundo, votando como carneiros naqueles que são indicados pelo pastor em troca de benção, alias de prosperidade prometida. Voto de analfabeto ou semi analfabeto converteu-se em moeda, matéria de troca ou sinônimo de poder nas mãos sujas dos pastores pentecostais, os quais a partir dai criaram seus currais e bancadas.

De modo geral este voto serviu para empoderar esses canalhas da fé e alimentar uma teocracia fortemente capitalista.

Foi projeto romântico, utópico e muito mal calculado - O qual torna vivas as críticas do velho Sócrates! - que saiu pela culatra e tem servido de pasto já ao capitalismo já ao conservadorismo moralista e social. FOI UMA TRAGÉDIA.





A PIOR FORMA DE OCLOCRACIA -A RELIGIOSA!

E a esquerda cega nem cogita repensar tudo isto e fazer 'mea culpa'. ESTAMOS NO REINO DA OCLOCRACIA MAIS TORPE! OCLOCRACIA É O QUE VIVEMOS!

O QUE SÓ SERVE PARA DAR SUPORTE AS VELHAS E JUSTAS CRÍTICAS ELABORADAS PELOS MONARQUISTAS, INTEGRISTAS E FASCISTAS DESDE O SÉCULO XIX.


Esta oclocracia teocrática ou democracia sem qualidade, esta desmerecendo os


ideais democráticos e promovendo toda uma série de críticas totalitárias. NADA MAIS PERIGOSO DO QUE DESACREDITAR A DEMOCRACIA.





12. Certamente que o voto deveria ser condicional e livre, nem mais nem menos.


As pessoas deveriam ter um mínimo de instrução para poder exercer este direito e


acima de tudo aspirar por ele ou deseja-lo enquanto ação significativa. Só assim


seria cidadão de fato cessando de alimentar a oclocracia.







13. Quaisquer líderes religiosos deveriam ser impedidos de participar das eleições,


exceto se, tal e qual os políticos, se afastassem alguns anos antes de virem a


registrar suas candidaturas. A propaganda religiosa por meio de organizações


religiosas devería ser policiada rigorosamente e a imposição de qualquer candidato


associada a sansões se ordem espiritual proibida e punida por lei. PARTIDOS DE NATUREZA RELIGIOSA DEVERIAM SER RIGOROSAMENTE


PROIBIDOS E A PROIBIÇÃO DE BANCADAS RELIGIOSAS AO MENOS


SERIAMENTE CONSIDERADA E DEMOCRATICAMENTE DISCUTIDA.



14. Nem preciso dizer que todas as agremiações religiosas que não contribuem por


meio de projetos sociais (Desvinculados de quaisquer ações proselitistas!),


limitando-se a auferir lucros em nome do sagrado deveriam ser taxadas na forma


da lei. Nada mais humilhante para o cidadão empreendedor, a respeito do qual


tanto se fala, do que essa calamidade que consiste em observar tantas pessoas


que se apresentam como religiosas auferindo lucro fácil sem terem de trabalhar


honestamente. Certamente se trata de um grande desestímulo para qualquer


cidadão virtuoso.


15. Por fim já me referi a necessidade e conveniência de que todas as questões


relevantes para a sociedade sejam cada vez mais discutidas e decididas pela


comunidade, através de plebiscitos e referendos pelo simples fato de nada ser tão


democrático e desejável quanto a participação direta do povo, exceto se houver


alguma impossibilidade absoluta. Mas sairá caro? Se comporta aumento de qualidade democrática jamais será demasiado caro,


exceto pata os capitalistas perversos. Qualidade democrática é algo porque


devamos pagar com gosto. Preferiremos acaso uma oclocracia, uma demagogia,


uma teocracia, uma plutocracia ou uma ditadura barata??? É coisa com que não se pode nem deve regatear.

Ademais, se necessário for, para custea-la, taxem-se a parcela mais afortunada


da população (Os mais ricos, nababos ou milionários) e como já dissemos todas


as agremiações religiosas que não trazem qualquer retorno social ou que não


sustentam ao menos uma ONG de caráter não proselitista. Nem se diga que somos contra a religião, somos absolutamente a favor dela.


Contra a religião são aqueles que dela abusam convertendo-a em mercado, nada


mais abominavelmente sacrílego do que fazer da fé um meio de vida.