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quarta-feira, 14 de julho de 2021

Revolução, violência e Contra Revolução.

Admitido que a Revolução ou o revolucionismo - Em oposição a Reforma ou ao Evolucionismo - seja erro crasso, não é a contra Revolução erro menos fatal e metafisicamente podre.

Destarte se o homem refletido, em especial o Cristão Ortodoxo - Mesmo quando como nós admita recurso instrumental a violência - jamais assimilará esse espírito turbulento que é o espírito da Revolução, por razões ainda mais altas e fortes tampouco aderirá a essa outra petição a força chamada contra Revolução e jamais será contra Revolucionário. 

E para ser suficientemente claro, de modo geral ou teórico (Pois exceções há em que poderá apoiar ou combater certos tipo de Revolução - e já o veremos porque.) será o homem sóbrio e refletido sempre neutro face as manobras revolucionárias, mantendo-se a distância ou a parte delas. Pois é certo que não comunga desse furor metafísico em torno qualquer fator que possa transformar o homem ou a Sociedade rapidamente ou excluindo o processo ordinário, e lento, de formação da cultura. E menos ainda crerá ele que um tal fator esteja no acesso de conflitos físicos... que possam fugir a dinâmica corrente da História como que fosse saltando. Aqui temos de ser enfáticos, não se adianta a História por meio da violência e toda e qualquer tentativa será emenda que sairá pior do que o soneto - Tal o caso das Revoluções Francesa, Russa, Mexicana e Chinesa, as quais desandaram uma após a outra, em que pesem terem imposto imenso sacrifícios ao povo e feito correr rios de sangue.

Bem a única delas, que ao menos até o tempo presente, parece ter oferecido resultados minimamente positivos. Tal constatação no entanto só será definitiva quando a civilização democrática e nossa política liberal for posta a prova em algum momento decisivo do futuro, só então saberemos se do jacobinismo cego surgiu algum espírito. Talvez 'a posteriori' e graças a um empenho formativo/educacional, tal espírito, sentido ou consciência tenha surgido. Seja como for a manobra jacobinista, enquanto expressão revolucionária, não passou de uma inversão.

As demais, como as ondas do mar, foram e voltaram, avançaram e recuaram, apenas prolongando a própria agonia. Foi o próprio Lênin que avaliou a NEP de Bukharin como um recuo, outro não foi o veredito da Esquerda comunista de Trotsky e Preobrajenski e enfim do próprio Stalin. Em seguida tivemos a guinada democrática intra partidária e a retomada da perseguição religiosa pelo líder Khrushchov e por fim a glasnost e a perestroika de Gorbatchov, sucessão interminável de idas e vindas permeadas por expurgos. Situação muito parecida com a da Reforma inglesa de Eduardo a Elizabeth...

Outro não foi o curso da interminável Revolução Mexicana e por fim da Revolução Chinesa com sua Revolução cultural e enfim com sua adaptação ao modelo de mercado...

Neste caso por que não conter as Revoluções apoiando as forças anti Revolucionárias?

Sim, concordamos, necessário é conter a Revolução.

Não no entanto imitando, como macacos, os revolucionários, rebentos do erro jacobinista e do erro protestante. 

Embora a Revolução não passe de devaneio metafísico concebido por alguns intelectuais, só pode vir a luz e afirmar-se num quadro social muito bem definido e num quadro social de crise. É a crise que dá oportunidade a Revolução. O que jamais se sucede numa sociedade estável. Portanto antes da Revolução há o problema social, já definido pelos Sociólogos como uma patologia, doença ou enfermidade.

É a Revolução um sintoma. Sintoma de que a organização social não vai bem ou de que a Sociedade está enferma.

Para os Revolucionários é necessário que a infecção se desenvolva até matar o enfermo. 

Já os contra Revolucionários creem que para salvar o corpo social é necessário decapita-lo ou ao menos mutila-lo, cauteriza-lo, etc Vertendo tanto sangue e impondo tantos sofrimentos quanto os revolucionários. Entre revolucionários e contra revolucionários adeptos do padrão da violência ou da força o pobre povo é posto entre a cruz e a espada e me ocorrem diversos filmes sobre a Revolução Espanhola em que o dois lados acusavam a gente do campo de traidora e passava-lhes a metralha, enquanto as vítimas sequer sabiam porque estavam a morrer, ignorando supinamente os ideários anarquista e fascista e toda essa dicotomia estúpida. É esta situação comum pois mesmo quando o espírito ou a metafísica da Revolução e da Contra Revolução sejam distintos a técnica ou o método truculento é igual. 

Buscar manter uma realidade social problemática ou conter mudanças estruturais indesejáveis por meio da força é algo equivalente a superstição revolucionária. Estes querem ativar forças mágicas ou alimenta-las. Estes aspiram conter pela força a dinâmica social. Se a História não pode ser levada adiante na proporção imaginada pelos revolucionários tampouco pode ser o seu fluxo contido pela força física.

Antes do cautério, da mutilação e da eutanásia e antes antes que a Revolução se afirme cabem dietas, vitaminas, vacinas, antídotos, remédios e tratamento. 

Para que a Sociedade não se desintegre ou adoeça necessário é implementar continuas reformas sociais e econômicas.

É por força da adaptação que se afasta o espírito revolucionário. 

A tarefa do médico competente é impedir que o cliente adoeça (Portanto antes de tudo profilática.) ou que o doente piore. 

Um médico que espera seu cliente adoecer ou piorar até tornar-se moribundo não faz jus a seu título e sim a pecha de charlatão.

Permitir que a doença ser desenvolva sem intervir equivale aqui a um crime.

Tal a missão do legislador sábio e prudente.

Impedir que a patologia social evolua e avance é o seu dever.

Daí seu aspecto de reformista. Pois reforma para não perder.

Desde seus primórdios, graças a falsa doutrina da auto regulação, tem o liberalismo econômico causado distúrbios e tumultos sociais onde quer quer se afirme, e por isso em sua rabeira, seguem, inevitavelmente o Comunismo, o Nazismo ou o Fascismo. Pois o liberalismo econômico, recusando aceitar o primado da Ética, tende a opor-se a toda e qualquer reforma que por força da ingerência politica, queira manter o convívio e evitar a crise.

E, da recusa face as ditas reformas vai, dia após dia, aumentando aquele estado de oposição vigente entre as classes como pode observar Henri George  a mais de século em 'Progresso e pobreza' - até resultar em luta aberta.

Diante disto não é para estranhar que muitos revolucionários, sejam anarquistas ou comunistas, apostem no máximo desenvolvimento do liberalismo econômico, para, a partir de suas oposições ou da crise social engendrada por ele entrarem em cena.

Beneficiam-se os revolucionários das condições sociais indesejáveis produzidas pelo sistema capitalista, o qual funciona como gatilho mais remoto de todas as Revoluções. 

Portanto antes das Revoluções ou antes que surjam elas, com seus discursos mais ou menos demagógicos, temos um problema causado pelo liberalismo e seu espírito conservador até o irracionalismo. É esse problema que deveria ter sido evitado pelo legislador sábio e prudente, por meio de reformas muito bem calculadas. Num plano ideal o poder político - Policrático - deveria funcionar como instância que alivia as tensões, atenua o conflito e impede o choque assegurando a paz e a concórdia. 

O poder econômico no entanto, encara tal atividade como vil usurpação, recusa-se a toda e qualquer reforma inspirada em padrões éticos e muito se assemelha as passageiros de um avião que em meio a forte turbulência recusam-se a lançar fora suas bagagens... 

A bem da verdade os economicistas conservadores ou capitalistas tem imenso receio de toda e qualquer reforma ou limitação imposta pelo poder político por saberem que cumulativamente tais reformas produziriam um sistema não capitalista ou em certa medida socialista. Os comunistas e anarquistas recusam-se a admitir tal realidade muito bem exposta por M Deat, não os liberais economicistas, os quais desconfiam de toda e qualquer reforma e resistem ferozmente. 

O que eles não percebem ou fingem não perceber é a atmosfera de ódio e rancor que se vai acumulando e que servirá de motor para as revoluções e conflitos.

É portanto o liberalismo econômico a grande sementeira de culturas de morte, tumultos e confusões que se sucedem e acumulam. 

Inútil tolerar seus caprichos e depois querer afogar a tal Revolução num mar de sangue. Se antes nada se fez no sentido de atenuar o conflito e de evita-la não há que se reclamar depois.

Por isso tinha razão Berdiaeff ao declarar que o Cristão Católico Ortodoxo ou mesmo apostólico jamais formará fileira com os contra revolucionários, especialmente se forem eles economicistas conservadores como aqueles que nos lançaram no abismo, mas permanecerá aparte, assumindo uma neutralidade consciente e a toda prova. A tal Revolução, seus distúrbios, sofrimentos, angústias e dores terá em contra de PENITÊNCIA por seus pecados sociais ou pela omissão dos Cristãos, e tudo sofrerá como mártir. Jamais fará o jogo leviano e irresponsável dos contra revolucionários.

Exceção se fará caso os sofrimentos impostos ao povo pelo modelo liberal forem demasiado cruéis e intoleráveis. Neste caso apoiará o emprego da violência e poderá juntar-se aos Revolucionários com a nobre intenção de aliviar o povo, tal decisão, no entanto, ficará sempre na esfera da consciência pessoal. Cada qual deverá avaliar a situação a partir dos Evangelhos, da Tradição e da Doutrinal social Cristã e tomar sua decisão. Quiçá a providência favoreça os Cristãos no sentido de impedirem que o emprego da violência chegue a esfera do convívio, de evitarem possíveis abusos e de pugnarem pela justiça.

Já face a contra Revolução só poderão endossa-la caso os Revolucionários animados por algum tipo de religiosidade sectária tenham em vista qualquer modelo teocrático que ponha em risco o exercício da liberdade Religiosa. Neste caso é necessário abraçar a contra Revolução. 

Advirto no entanto que o parágrafo acima não se refira aos ateus, materialistas e irreligiosos que nós odeiam e perseguem por constatarem como os liberais hipócritas instrumentalizam nossa fé, ou por confundir nossa postura com a dos protestantes ou ainda com a venenosa cultura americanista, pois como já foi dito certo número de neo cristãos sem consciência tem assimilado essa xaropada. Triste mas compreensível que parte dos miseráveis e perseguidos detestem nossa religião uma vez que alguns daqueles que estão entre nós ousem afirmar que tal situação corresponda a vontade de Cristo e seja normal. Se eles afirmam que o pecado da injustiça é aceitável como admirar-se de que sejamos combatidos pelos injustiçados?

Por isso quanto me refiro aos inimigos da Religião me refiro explicitamente aos calvinistas e pentecostais, aqueles por terem deflagrado as primeiras Revoluções modernas e Teocráticas no século XVI e estes por adotarem os mesmos princípios (Truculentos e anti democráticos.) no tempo presente. A estes fanáticos é dever dar combate por meio da força pois equivale sempre a defender-se. A eles se deve resistir em nome da Constituição e das leis. Não re refiro aqui aos muçulmanos sunitas - Igualmente perigosos. - pois embora santifiquem a força e a agressão por meio de sua jihad não empregam o conceito de Revolução, o qual está muito distante deles. O conceito de Revolução é conceito reflexivo que se movimenta no domínio da metafísica. O islã contenta-se com petições ao Corão ou no máximo a uma tradição autoritativa em termos de fé.

Continua. 



sábado, 2 de setembro de 2017

Nas 'Revoluções' de Crane Brinton

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Reflexões baseadas na leitura de 'Anatomia das Revoluções' - Opus Majus do profo Crane Brinton


"Toda Revolução carrega em si um herança jusnaturalista em torno do direito natural na medida em que crítica o que é ou a realidade, tendo em vista o que deveria ser ou o ideal." Luiz Recaséns Siches
Procede a análise já secular de Victor Brochard, segundo a qual, toda crítica a realidade sócio política vigente, supõem certa dose de especulação metafísica, a falta da qual o indivíduo tende a conformar-se com a realidade dada. 

Eis porque o Patriarca do ceticismo, Pirro de Elis - bem como seu continuador Timon de Fleiunte - era essencialmente conservador, chegando a fazer apologia dos costumes tradicionais, vivendo como todos e deixando-se levar pela moda como gado de rebanho... Para ele a neutralidade que conduzia a ataraxia equivalia a ausência de senso crítico, cujo exercício supunha sempre perturbação. 
Toda crítica a realidade parte de um ideal que não é empírico ou verificável, e que portanto, como a Ética, é metafísico.

Acerta em cheio Crane Brinton quando declara, mais adiante, que as Revoluções supõem sempre algo de abstrato. Assim os puritanos burgueses da Revolução Inglesa, apoiaram-se na Bíblia ou no deus Bíblico; os Revolucionários franceses no Deus da razão ou na natureza, os marxistas no materialismo economicista com suas forças produtivas incontroláveis e etapas evolutivas tanto predeterminadas quanto fatais. As Revoluções são certamente provocadas pelo agravamento de certos conflitos ou condições sociais, e, sem embargo disto alimentadas por algum tipo de ideal a falta do qual jamais chegam a ser. Em oposição uma realidade desagradável os revolucionários acenam sempre com uma proposta ideal a ser implantada. A falta desta proposta ideal com que contemplam as esperanças das massas, a Revolução não se concretiza

Logo há que se distinguir nelas um elemento material de crise a ser explorado e um elemento ideal de proposta, por muitos classificado como utópico.


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O supremo erro dos comunistas ou marxistas ortodoxos foi terem adotado - sem jamais o terem admitido é claro - a mesma ética tomada por Marx ao Católico Weitling - o fundador da Liga dos Justos - privado-a de seus alicerces e fundamentos metafísicos, como a ideia de um Supremo legislador e de uma lei natural (jusnaturalismo), e buscado associa-la ao ateísmo e ao materialismo, elementos ideológicos cultivados justamente pela parte mais aburguesada da Revolução Francesa.

É sempre bom lembrar que o patriarca dos radicais (Socialistas) da grande Revolução - François Noel Babeuff - não era ateu (Escreveu pouco antes de morrer a "Nova História de Jesus Cristo) como não o era Robespierre, pelo simples fato de ter oficializado o culto ao Supremo Ser e Legislador natural, sempre associado a suas reformas de caráter justicionista. Donde se infere que a fase posterior e socialista da Revolução Francesa - em parte a primeira Revolução socialista de que se tem notícia no mundo moderno - jamais esteve assentada sobre princípios ateísticos ou materialistas, assumidos via de regra pelos liberais economicistas.
Sempre atenta e arguta a contra crítica liberal não tardou a perceber a incoerência suprema do 'comunismo' e do 'social anarquismo' e partindo do velho positivismo, apresentou a parte positiva do marxismo como de fato era, i é, como um ideal ético, e portanto como algo NÃO científico ou mesmo anti científico; melhor dizendo, como resíduo de uma religiosidade ultrapassada e algo que todos os ateus e materialistas deviam rejeitar por uma questão de coerência. Afinal era de supor que os materialistas, mantendo-se nos limites do empirismo crasso, evitassem toda e qualquer forma de crítica social, enquanto algo situado muito além das fronteiras da materialidade pura.

Assim ao mesmo tempo em que denunciava os crimes perpetrados por aquela burguesia ateia, materialista ou hipócrita e propunha-se a ataca-la eliminando seus privilégios, o marxismo, ideologicamente falando, fornecia-lhe as armas e munições com que a mesma burguesia haveria de ataca-lo e defender-se. Afinal apenas o Capitalismo, enquanto estrutura e ordem social oposta ao feudalismo, converteu-se em algo dado ou real. O socialismo (naturalista) não, assumindo antes de tudo a forma de uma crítica teórica. Agora quais os pressupostos desta crítica??? O máximo que se poderia dizer aqui é que o modelo capitalista era inviável devendo ser substituído por qualquer outra coisa. Quando ao determinar porque e como o capitalismo deveria ser suplantado, é evidente que foge por completo aos domínios da materialidade pura, embrenhando-se pelos meandros sinuosos da boa e velha metafísica!!! Por via material ou empírica dificilmente impõem-se a solução socialista - O SOCIALISMO É E SEMPRE SERÁ UM IDEAL DE ÉTICA PAUTADO NO SENTIDO DA JUSTIÇA! - menos ainda a comunista.
Weber não errou quando disse que a Sociologia, enquanto ciência, limita-se a descrever a realidade tal qual é, sem cogitar no que deva vir a ser ou no ideal. A normatividade fica certamente por conta do Homem, e bem pode ser atribuída a outra forma de conhecimento não menos válido e respeitável do que ela, assim a Ética. Não é enquanto estudiosos de Sociologia que somos socialistas, mas enquanto pensadores, humanistas e seguidores de Sócrates, Platão, etc 

Não acalentemos ilusões, o Socialismo esta inserido na Sociologia enquanto proposta social. No entanto seus fundamentos não são materiais mas ideais e Éticos. O sociólogo será sempre bom sociólogo - E Weber o maior - mesmo enquanto se limite a descrever a realidade social em que vive. Será no entanto um bom Homem ou um homem??? Eis a questão a ser posta em seus termos! O positivista metodológico limita-se a corroborar a afirmação feita por Weber, bem podendo solidarizar-se como o Socialismo e apoia-lo enquanto homem. Já o positivista metafísico jamais. A exemplo de Pirro ele abdicará de toda crítica social e condena-la-a veementemente na mesma medida em que foge ao empirismo puro e a materialidade absoluta, fortalecendo os setores conservadores da sociedade e a situação de vigente de injustiça. Sua neutralidade não passa de mero disfarce com que busca ocultar sua simpatia e servilismo face as forças desumanas e cruéis do capital. No entanto uma coisa é certa, este homem finca pé no materialismo e no ateísmo idolatrados pelo marxismo ortodoxo levando-os as últimas consequência e sem temperinhos socráticos ou Cristãos. Afinal justiça é conceito abstrato que não se ouve, vê, toca, pesa, mede, etc
O Marxismo até hoje, a falta do conceito de um Deus ou Supremo Legislador, ainda não conseguiu justificar 'material', empírica ou cientificamente seu ideal de vir a ser e sua proposta futuresca.. A realidade material ou empírica como disse Weber, conhece apenas o que é, mantendo-se sempre neutra, apática e acrítica dentro de sua esfera. Quer saber como a Sociedade funciona e não analisar ou eliminar os sofrimentos humanos. Definitivamente a Sociologia não pretende afetar a medicina ou assumir-se como uma espécie de medicina social. Toda normatividade é Ética, ideal e especulativa pressupondo certos fundamentos necessários e absolutamente necessários, sem os quais vem abaixo... Tais fundamentos no entanto, o positivismo não assume. Assumiu-os o marxismo, mas separou-os de seus fundamentos ontológicos e colocou-os no ar... Como falar em justiça natural, lei ou ética sem cogitar num Sumo Legislador??? E como negar a existência deste sumo legislador sem cair no relativismo/subjetivismo (ou culturalismo) ético dando por justificada a versão ou a melhor a negação da justiça vigente no modelo capitalista??? Meu sistema minhas regras, bradará o capitalista face a qualquer apelo a uma noção essencial de justiça.

Tal a História do Marxismo, um eterno vir abaixo, apesar de sua proposta redentora... Bem, um homem não pode caminhar sem pernas... É o marxismo coxo, e isto é uma tragédia na mesma medida em que os Cristãos são hipócritas e os Católicos traidores!

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De Bonald e De Maistre apresentaram as revoluções como pecados...

Donoso Cortês, o supremo parvo, apresentou-as como diabólicas.

O Pe Delassus e Pierre Graxotte como conspirações maçônicas.

Giovanni Gentili como algo tão necessário e dinâmico quanto a própria vida.


Bakhunin, Tchernychveski, Sorel e Lênin como o ideal supremo da existência humana. 
Quem dentre eles estará com a razão?
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Sinto que de minha parte estou bem mais próximo de um Nicholas Berdiaeff segundo o qual enquanto desenrolar necessário e fatal de uma enfermidade - aqui social - não devam elas, as revoluções, serem reprimidas ou execradas e tampouco aplaudidas mas aceitas como uma espécie de punição ou purgação pelos pecados da sociedade. (Pecados sociais evidentemente, como o egoísmo, a injustiça, etc)

Não é claro no sentido mágico e fetichista de que sejam causadas diretamente pela divindade, mas no sentido natural i é enquanto consequências necessárias dos atos humanos numa perspectiva social ou melhor dizendo como uma espécie de dinâmica ou Lei social. 
As crises são as enfermidades e a Revolução a quase morte (a melhor expressão aqui seria coma!) de um dado modelo social que não faz mais sentido ou funciona. Tal e qual o corpo físico o corpo social também entra em colapso, perde a consciência e se abre em feridas ou chagas; ao menos por algum tempo. Não as revoluções não resumem a vida - a vida é mais do que ruptura dramática e brusca - mas fazem parte dela. Na medida em que cessada a febre revolucionária, as feridas se fecham, a consciência é retomada, a febre cessa; e aquele corpo se recupera por completo, restando apenas algumas cicatrizes mais ou menos profundas. É a restauração! Jamais segundo o modelo antigo, pois a Revolução sempre trás alguns elementos novos. De qualquer forma o ideal dos próprios radicais que administraram as Revoluções é, mais cedo ou mais tarde, abandonado. Pois o pecado das revoluções ou sua limitação é não produzir uma cultura em termos de idealidade. 
De modo geral a vida só se compreende em termos de evolução, progresso ou escalada, inda que não seja linearmente, uma vez que as crises e revoluções antepõem-se, ver por outra, ao curso da Evolução e da produção de cultura. As revoluções, como já dissemos, trazem ao menos alguns elementos novos, os quais caso venham a ser socialmente repensados e trabalhados poderão entrar na dinâmica da cultura e favorecer a Evolução. Algumas revoluções no entanto poderão levar uma determinada sociedade não apenas a estagnar mas mesmo a recuar em termos de civilização; assim as revoluções de Matriz religioso ou fundamentalista, as quais apenas muito remotamente e num contexto mais geral - de humanidade - podem vir a acrescentar algo. O protótipo dessas revoluções discutíveis e problemáticas é a Reforma protestante no Ocidente com todas as suas consequências, em grande parte negativas. Podemos ainda pensar na Revolução Iraniana... e nas tais primaveras árabes ou sunitas/salafitas. 
No entanto por si mesmas - isoladamente - enquanto ruptura brusca e mais ou menos inconsciente, incompreensão da cultura e adiantar da História, as ditas Revoluções nada criam de fantástico ou resolvem. Ficando a propaganda ou as propostas muito aquém dos resultados concretos. Daí a necessidade de antes de inicia-las considerar os custos benefícios em termos de sangue e vidas ou mesmo de puro e simples patrimônio histórico/cultural. Afastemos daqui todo sentido místico e admitamos que Revoluções não são eventos mágicos ou soluções infalíveis. Acontecerão sem dúvida alguma, mas não devemos nos entusiasmar com todas elas ou com qualquer uma delas. 

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As revoluções sedições, agressivas e sangrentas por definição, que não dialogam com a cultura ou produzem cultura, não podem ser, como tantos e tantos imaginam as molas ou alavancas que movem o mundo.
Apenas as revoluções que esgotam o pleno sentido da palavra (Para os materialistas talvez não pleno justamente por faltar o conteúdo violento) ou seja aquelas que envolvem a produção, mudança e dinâmica da cultura ideal - princípios, crenças e valores - constroem algo de efetivamente sólido e duradouro.
As demais, as que podem ser definidas antes de tudo como efusões de violência, passado algum tempo tornam atrás ou revertem, dando lugar a restauração. Assim a Inglesa de 1644 teve de compor-se em parte com a velha estrutura monárquica que pretendia aniquilar e produzir algo como o parlamentarismo. Assim a Francesa sob Napoleão, o 'imperador' sic rsrsrsrsrs. Assim a Russa já com Stalin (cf Trotzky 'A Revolução traida') e especialmente após 1990. Assim a Mexicana e a Chinesa... Uma após a outra, passado o período febril, apostataram de seus ideais progressistas pelo simples fato de terem cogitado adiantar-se a História e de não terem compreendido o significado da produção de cultura por meio da formação de consciência ou da educação.
Até mesmo simples reformas empreendidas por determinada plataforma política num contesto social democrata ou institucional, correm o sério risco de serem desfeitas, na medida em que a dita plataforma se esquece de formar as consciências ou de educar as futuras gerações, tornando-se em tais casos vulnerável a uma revanche liberal. Foi justamente o que aconteceu durante o período Lula e Dilma no Brasil. As reformas jamais tocaram os setores da sociedade responsáveis pela produção da consciência - assim a mídia, a estrutura política... - daí o subsequente revertério. Meras reformas estruturais em termos socialistas não equivalem a produção de uma cultura socialista ou humanista. 
Elas, as Revoluções - ao menos parte delas - satisfizeram uma demanda pela justiça e contribuíram com elementos importantes, mas realizaram todas muito menos do que prometeram. Claro que me refiro as revoluções mais recentes e posteriores a Revolução francesa i é as Revoluções socialistas, especialmente a cubana. A Venezuela acima de tudo, cabe o mérito de ter empregado mecanismos essencialmente democráticos - como plebiscitos e referendos - em sua Revolução bolivariana, mostrando sem dúvida uma melhor compreensão da realidade político social e da cultura. 











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Até concordo que em certas situações de injustiça - como a ditadura, o totalitarismo ou mesmo a miséria - as Sedições façam jus ao apoio de todos os cidadãos, merecendo total adesão. Cada Revolução dever ser analisada com toda prudência e cautela tendo em vista os princípios norteadores da liberdade e da justiça, bem como o entusiasmo ou comprometimento do povo, e também os riscos que envolvem a reação (Custo benefício), sabendo-se antes de tudo que Revolução alguma é fácil e que não se faz Revolução com rosas. 
No entanto não devemos nem esperar nem imaginar que elas consigam - por si sós - solucionar todos os problemas a que se propõem. Por um tempo a panela de pressão deve lançar vapor fora, até estabilizar-se, e cessar de lançar vapor... De modo que ao iniciar a Revolução ou mesmo antes temos de refletir sim sobre o que virá depois ou sobre a pós Revolução e sempre na direção da auto gestão ou da democracia direta/popular, uma vez que a própria dinâmica interna e combativa da Revolução parece favorecer soluções totalitárias ou ditatoriais. A questão do papel das lideranças ou do controle interno da Revolução é um tema crucial na perspectiva democrática, a qual, ao menos a posteriori, tende, e com toda razão, a desconfiar de lideres ou chefes. É exatamente aqui que a própria ideia de Revolução torna-se problemática, envolvendo sempre o nível de participação popular e de consciência democrática na medida em que queremos que o próprio povo seja agente da História, jamais súdito ou vassalo, e em que desconfiamos de qualquer redenção dada ou oferecida de bandeja por líderes, elites ou quadros.

Caso fique evidenciado que todas as Revoluções populares exijam, a posteriori, a submissão a um ditador ou mesmo a uma 'Elite educadora', inda que provisoriamente e tendo em vista a já apontada produção de cultura democrático social, temos de discutir e refletir com ainda mais cuidado e prudência sobre a viabilidade das mesmas. É problema que se coloca desde os tempos de Platão e a respeito do qual comunistas e fascistas tem escrito oceanos de papel. Teremos a posteriori de suportar o domínio, inda que provisório, duma aristocracia 'educadora'??? Teremos de acatar, ao menos por algum tempo, ditaduras de Filósofos, Sociólogos/políticos ou proletários??? De minha parte, tendo a negativa... No entanto é algo que deve ser considerado e discutido exaustivamente. Se é para ter Revolução que seja verdadeiramente popular, que envolva o povo e busque soluções policráticas ou populares, não totalitárias ou ditatoriais. 
As Revoluções acontecerão, algumas merecerão apoio ativo, ainda que crítico, mas não mudarão magicamente a sociedade. O caminho sempre será difícil ou precário. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cultura européia, cultura norte americana e cultura islâmica III O raio X do americanismo

O raio X do americanismo


Constitui o americanismo um caldo de cultura bastante complexo.

Há um conteúdo religioso em certo sentido bastante próximo do islã. Refiro-me ao Belt Bible, o santuário criacionista dos EUA em que o sonho de uma Sociedade bíblica ainda sobrevive após quatrocentos anos.

O Norte, mais evoluído perdeu este éthos magico, fetichista e moralista, no entanto perdeu juntamente com ele o sentido ético do Evangelho, cessando de ser inspirado por aqueles ideais de justiça, fraternidade, igualdade e caridade enunciados pelo divino crucificado e, aderindo a um éthos materialista economicista não menos funesto do que o primeiro.

Foi esta parte da nação que venceu a grande guerra fratricida, impôs a abolição da escravatura e tomou as rédeas do governo.

No entanto, como já dissemos, perdeu por completo a noção da paz e da justiça.

Disto resultou a invasão das terras indígenas, situadas no Oeste. O cancelamento arbitrário de tratados e violação de direitos. O Emprego sistemático da violência até a mais sórdida crueldade. E o mais bárbaro e maior genocídio cometido no planeta: o massacre dos peles vermelhas. Foi uma das páginas mais tristes da História e toda escrita com sangue!

Apreciam os defensores desta cultura lançar pedras aos conquistadores espanhóis e a igreja romana. No entanto eles cometeram um crime cem ou mil vezes maior com o apoio do clero protestante em pelo século XIX i é um século após a Revolução Francesa e a afirmação dos direitos humanos! Nem podem censurar honestamente os muçulmanos por sua ferocidade característica!

Pois a menos de setenta anos lançaram duas bombas atômicas sobre duas cidades japonesas destruindo-as quase que completamente e aniquilando dezenas de milhares de civis inocentes num instante!

Antes porém já haviam usado de dolo e má fé com o intuito de apossar-se primeiramente da ex província mexicana do Texas e em seguida de todo Norte daquela infeliz República no ano de 1848.

Terminada a grande guerra fratricida a que chamam da secessão, um clérigo calvinista de nome Nathan Bedford fundou uma associação terrorista com o objetivo de exterminar negros, judeus e católicos, a K K K. 

Ao fim do décimo nono século declararam guerra a Espanha com o objetivo de despoja-la de suas derradeiras colônias, quais fossem as Filipinas e Cuba as quais foram de pronto reduzidas a condição de colônias suas. Posteriormente tiveram sua liberdade formalmente reconhecida mas permaneceram por muito tempo como simples satélites seus.

Durante as duas grandes guerras mundiais destacaram-se os EUA como fornecedores de armas para ambos os lados e só se abstiveram de fornecer armas aos alemães quando estes encontravam-se prestes de vencer os aliados.

Imiscuiram-se desastrosamente na Revolução Russa, despertando a fúria dos eslavófilos que engrossaram as fileiras do exército vermelho. Afinal russo algum podia conceber a intromissão desta potência estrangeira em seu pais.

Buscaram intrometer-se igualmente na Revolução Mexicana, tornando-o ainda mais sanguinária e radical.
As desastrosas interferências dos EUA nos conflitos externos, resultou quase sempre na união das facções contra o inimigo externo comum. E se eles apoiavam alguma facção, mesmo que justa, passava esta a ser odiada pelo povo. Alimentaram sucessivamente as Revoluções russa, mexicana, cubana e venezuelana como alimentaram o Taliban e o ISIS.

Apoiaram ativamente a implantação de regimes ditatoriais e cruéis na América Latina, como a ditadura de Pinochet no Chile. Apoiaram secretamente ou financiaram golpes de estado na Argentina, no Brasil, no Uruguai e no Paraguai.

Recorreram ao uso de Napalm na guerra do Vietnã.

Subverteram todo Oriente médio após a deposição do ditador Iraquiano Saddan Hussein. Repetiram os mesmo erros na Síria e por muito pouco - graças ao oposição da Rússia - não invadiram aquele pais.

Tem sustentado a política sionista do estado de Israel e acobertado seus crimes de guerra.

Internamente o governo Bush esforçou-se por criar um estado policial, restringindo os direitos dos cidadãos e as liberdades democráticas de que eles yakees sempre se vangloriaram. A força do medo no entanto, o partido conservador, tem levado as massas a negociar tais liberdades!

A título de promoção humana aquele pais sequer conta com um serviço público de saúde como o nosso SUS, cabendo aos cidadãos doentes recorrer a instituições privadas que cobram verdadeiras fortunas por uma simples intervenção. Isto a ponto de alguns cidadãos arriscarem-se a atravessar o Oceano e buscar socorro médico na pequena e odiada Cuba.

No entanto os investimentos em armas e munições são descomunais. Alias parte das fábricas de armas e munições pertence aos próprios políticos.

Outra similaridade existente entre a grande República capitalista do Norte e os países islâmicos é a vigência da pena capital em alguns de seus estados. Nem poderia os EUA conter o aumento da miserabilidade sem recorrer aos mecanismos da pena capital - por meio da qual intimida dos cidadãos angustiados - e do exército. Aqui após serem sumariamente alimentados e vestidos os jovens pobres são enviados a intervenções militares desastrosas em que encontram a morte passando a ser vistos como heróis.

Além disto constituem os EUA ou melhor os Withe mens, descendentes dos pais puritanos, uma elite social e econômica essencialmente racista. Vigorando na prática, até os anos 50, uma espécie de aparthaid regido pelo costume.

A nível de política os EUA surpreendem-nos ainda hoje devido a falta de consciência manifestada por parte de seus parlamentares, cujo lema é explorar ao máximo os recursos naturais do planeta, sem levar em conta a habitabilidade e a qualidade de vida. O ex presidente Bush por sinal afirmou que a economia Norte americana era mais importante que a salvação do meio ambiente.

Por aqui podemos medir até que ponto o economicismo encarnou-se nesta Sociedade.

Como pretendi fornecer um elenco superficial e sumário sobre os pontos negativos desta cultura a que chamamos cultura de morte, termino por aqui.

Há muitos outros pontos e cada qual bem pode pesquisar por si mesmo.