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quarta-feira, 13 de junho de 2018

É o Evangelho produto do judaísmo antigo?

A Claudio Machado



Cristãos, mas antes de tudo homens e homens dotados de sentidos e racionalidade, admitimos, sem maiores problemas, que o 'ritmo' deste universo é progressivo ou que ele se desenvolve de fase em fase, de período em período, de era em era... aumentando em complexidade ou evoluindo. Esta Evolução, incontestável, é a um tempo física, química, biológica, psicológica e social. Sem ser 'simples' ou linear, mas complexa e sujeita já a recuos, já a variações, nem por isso deixa esta dinâmica de ser perceptível ou constatável.

Para nós a teoria sintética ou o que chamam de darwinismo mitigado é 'teoria' destinada a explicar um 'fato', este fato a Evolução. A Evolução não é apenas um esquema conceitual ou teórico elaborado pelo intelecto, foi e é algo real, algo que aconteceu e que acontece, em termos chãos - Um fato... Reconheço que a expressão é defeituosa, mas didaticamente aceitável.

A História do homem em Sociedade - porque jamais damos com o homem de Rousseau isolado dos demais como uma 'ilha' - segue a mesma trajetória, a qual não sendo linear - mas sujeita a crises e recuos em sua assunção cultural - nem por isso tornasse brusca no sentido de que os acontecimentos sucedem-se sem qualquer conexão ou relação, ou dependência face aos precedentes i é como algo totalmente insólito.

Há quem a partir de marcianos e atlantes ou mesmo 'magos' sustente o insólito. Deveriam no entanto começar pela demonstração da existência dos magos ou dos atlantes; ou da vinda dos marcianos a este mundo para carregar pedras... Dão por certo que as grandes construções legadas por Incas e Egípcios foram erguidas pelos extra terrestres, quando por meio da pesquisa séria e sóbria sabemos como, por que e para que nossos ancestrais edificaram tais monumentos - De modo que a navalha de Ockham acaba cortando os Ets ou tornando sua presenta absolutamente inútil... Afirma-los obstinadamente entra pelos domínios da antropologia filosófica, pois implica presumir muito pouco dos homens, digo, de nossos ancestrais. Puro pessimismo infundado.

Claro que a História humana conhece enigmas a serem melhor decifrados, e não são poucos. A escrita de Harappa é um deles, a escrita etrusca ou toscana é outro, o eclipse da civilização Maia, o povoamento das Américas, a trajetória de nossos primeiros ancestrais pela Europa e Ásia, etc São alguns destes enigmas a serem decifrados ou melhor resolvidos. Enigma humano ou ser humano por assim dizer 'deslocado' de seu sítio ou nicho há um só Jesus de Nazaré...

Apesar daqueles que aspiram por fazer de Jesus, numa perspectiva natural ou evolutiva, uma rabino convencional ou um bom judeu em perfeita sintonia com o judaísmo, ele continua deslocado e incompreendido, diria, empregando suas palavras, que ele converteu-se no escândalo da História, justamente por ir na contracorrente do universo natural em que nos movemos, e representar algo insólito.

Grosso modo o insólito não é aceitável do ponto de vista natural ou científico, como não são aceitáveis Ets, atlantes e magos... Mas Jesus ainda ai esta sendo cultuado, de um modo ou de outro, por bilhões de pessoas e quiçá levado mais ou menos a sério por algumas centenas de milhões, o que vem a ser impressionante se o tomamos por Mito. Quero dizer que para alguns cientificistas a única solução possível é negar sua existência afirma-lo como uma construção social feita 'a posteriori' - Compreenda-se um grupo de homens ou de seres humanos de uma época futura (mais evoluída) e certamente muito bem preparados em termos de cultura foram os responsáveis por construir sua 'estória' ou sua farsa...

O 'mito' de Jesus parece não ter sido um mito comum ou ordinário, de elaboração espontânea ou natural com seus defeitos, mas um mito muito bem construído, e por isso, segundo muitos - produto de uma ficção intencional. Jesus só pode ter sido uma falsificação elaborada por um grupo fora do tempo e ambiente natural em que esta situado. Em Jesus parece haver algo do extremo Oriente, associado a algo do pensamento greco romano mais refinado... Mas este Jesus viveu numa das regiões mais remotas e atrasadas do planeta e dentro de uma das culturas mais fechadas do tempo - Na Galileia, entre hostes de fariseus e essênios profundamente ciosos de sua cultura (até a arrogância) e respirando ódio face a tudo quanto fosse politeísta, idólatra ou pagão...

Jesus ficaria um pouco menos enigmático entre os sofisticados judeus de Alexandria, onde floresceu Fílon. Apresentando como poliglota, frequentante diário da Biblioteca de Alexandria e leitor compulsivo. Mas nada indica que tenha frequentado tal estabelecimento ao menos por uma ou duas décadas...

As grande rotas internacionais de cultura passam bem ao Norte, pelo Norte da Síria, outras, menos importantes, descem pelo litoral da Palestina, habitado pelos descendentes dos antigos pagãos fossem filisteus ou fenícios, até chegarem ao Egito. A cultura internacional não flui pelo meio da Palestina por ser pagã ou politeísta e portanto repudiada como má pelos senhores de Jerusalém. Suponhamos Jesus no Khumran, que encontraria ele em termos de literatura grega? Apenas a República ou algum outro livro de Platão... Será que todos os 'monges' essênios tinham acesso franqueado a este tipo de literatura gentílica parcamente representado? Podemos supor seu conteúdo restrito inclusive.

Por ser muito difícil conceber a figura de um Galileu do século I lendo a Darmapada em aramaico ou folheando as obras de Anaxágoras em grego clássico, a figura de Jesus foi lançada aos domínios do mito e sua existência negada desde os tempos de Emílio Bossi. Afinal tudo quanto não podemos compreender perfeitamente em termos de natureza causa espanto e assusta. A negação arbitrária só faz destacar ainda mais as dimensões deste vulto.

Ademais julgo que por mais genial que este homem tenha sido, caso se tivesse limitado a tecer eruditos comentários sobre a Tanak, a compor uns diálogos filosóficos em torno do Ser, a deduzir novas fórmulas que convulsionassem as matemáticas ou a inventar algum instrumento socialmente impactante... não teria sua existência negada. Creio que tentariam compreende-lo ou situa-lo, mas... Jesus foi Mestre de Ética. E que Mestre! Aquele que ensinou-nos a amar o próximo como a nós mesmos, a abster-nos de julgar e condenar, a cultivar a paz, a sobriedade e a misericórdia, a colocar-se no lugar do outro, a ajudar concretamente nossos semelhantes... Diante de tudo isto fica até fácil saber porque sua existência deveria e deve ser negada. Além de ser 'insólito' Jesus nos incomoda a partir de seus ensinamentos Éticos. Ainda hoje não estamos preparados para aceitar o outro, nos incomodamos dele e nos fazemos de vítimas... Se uma mulher se veste como homem ficamos indignados e enfurecidos - se mente, fofoca, agride fisicamente, tortura, mata, etc não nos indignamos!!! Se um homem coloca um vestido ou uma peruca nos mostramos melindrados - caso deixe de pagar pensão ao filho pequenino, nos limitamos a sorrir... O ano 2018, e como ainda estamos próximos do pensamento daqueles 'homens de bem' que mandaram crucificar Jesus após terem-no apontado como imoral, como ainda carregamos alegremente o jugo dos fariseus hipócritas! E mesmo assim, parte de nós paga seu tributo ao fingimento declarando-se Cristão. Poucos estão dispostos, como o Dr Binet Sangleé, a declarar que Jesus era louco ou a classifica-lo como canalha ou positivamente mau.

Claro que aqui a negação apresenta-se como a atitude mais oportuna ou conveniente. Admitir sua existência ou leva-lo a sério e refletir escolasticamente sobre o tema até a derradeira conclusão seria assaz perigoso. Caso admitamos que este homem existiu de fato e consideremos racionalmente sua existência como deixar de concluir com o já citado Rousseau que se a morte de Sócrates foi a morte do maior de todos os mortais, a morte do Nazareno foi como a morte de Deus??? O perigo esta posto e a negação é a melhor saída...

No entanto este Jesus não é um marciano vindo de Órion ou das Plêiades numa nave espacial... Nem cobre seu túmulo uma lápide como a de Pakal, rei de Palenque... Tampouco é este Jesus uma espécie de missionário Atlante como Quetzalquoatl ou Kon tiki Viracocha, ou Tonapa, ou Sumé... o qual evapora-se na direção do mar oceano. Nem é uma espécie de Merlin a mover as pedras de Stonehange com sua varinha de condão... Tampouco apresenta maiores semelhanças com os deuses 'tarados' do paganismo antigo... Afortunadamente ele não se identifica com Hórus, com Tamnouz ou com Mitras como asseveram todos esses panfletários que pouco ou nada sabem sobre mitologia antiga, ignorando seriamente o caráter de tais deidades... Mas eles vão garimpando por ai e a gente simples lhes dá ouvidos.

Evidências Históricas a respeito da existência de Jesus há diversas - O original de Josefo, reconstituído pela soviética e ateia Dra Irina Sventsitskaia, o Talmude dos hebreus, Paulo, Tácito, Plínio, Suetônio... No mínimo.

Assim a negação da existência de Jesus até pode ser um recurso prático e fácil, o que de modo algum supõem é honestidade. Se Jesus não existiu personagem alguma do nosso passado existiu, afinal o que dele se exige, num contesto peculiar inclusive, não é exigido por mais ninguém e pouquíssimos dos grande homens de Roma ou Atenas passariam pela 'prova' arbitrária dos positivistas...

Agora, admitido que este Jesus tenha existido, como teria pensado sua relação com o judaísmo???

Pensou-a ele???

Exprimiu-a???

E com que palavras, luminosas e claras -

"O vinho novo não cabe nos odres velhos - Se você tentar colocar o vinho novo dentro dos odres velhos, os odres se rompem."

Ao que parece Jesus tinha plena consciência de que sua mensagem transcendia os limites estreitos da fé judaica ou da lei de Moisés ou da Tanak. Sabia que estava ultrapassando e superando a religião de seus ancestrais. Estava perfeitamente cônscio quanto a Revolução que suas palavras acalentavam. Sabia muito bem que não era um rabino beócio ou conformado com o judaísmo rabínico. Jesus não apenas contestava, questionava e criticava o que os demais consideravam sagrado ou tabu - sabia que contestava e compreendia o valor da contestação.

Leiam o Sermão do Monte e depois me digam se face uma religião REVELADA como judaísmo ou islã, não temos ai uma declaração de guerra???

Vocês sabem o que foi ensinado aos ancestrais declara Jesus, e adiciona ou acrescenta 'sacrilegamente' (sic): Eu porém vos digo! Ele opõem seu próprio EU, sua autoridade (sic) as tradições religiosas do povo, a Tanak, a Torá, a Moisés, aos Sacerdotes...

É exatamente aqui que manifesta-se a desonestidade, surpreendentemente arquitetada não pelos ateus ou materialistas de nossos tempos, mas por clérigos 'cristãos', pastores protestantes de modo geral, mas também alguns padres (como a besta do Pe Murillo), todos judaizantes. Pois bem que dizem estes senhores? Dizem que Jesus não esta, de modo algum, a criticar ou a contestar Moisés, a Torá, a Tanak ou ao que chamam de Velho testamento, mas as tradições orais dos fariseus que posteriormente vieram a formar o que chamamos Mixná e Guemara... As quais, acrescentam maliciosamente tais homens, haviam corrompido o judaísmo ou a lei de Moisés. De modo que Jesus esta pura e simplesmente removendo a impureza talmúdica e combatendo para restaurar a pureza da lei de Moisés ou para reformar o judaísmo; não para demoli-lo.

Estarão certos?

Basta analisarmos tanto mais de perto cada parcela do Sermão do Monte para constatar indubitavelmente que não. Que Jesus não esta a contestar o rabinismo, o farisaismo, o talmudismo, mas as próprias leis de Moisés, a fonte mais remota do judaísmo antigo e tida em conta de sagrada ou divina. É a ela, a lei de Moisés, que Jesus golpeia sem misericórdia, declarando que estava errada! Por isso contesta a medula por assim dizer daquela lei, que era a doutrina de Talião ou 'Olho por olho - dente por dente'... Mas semelhante expressão não se encontra na lei mosaica, declaram os desonestos. De fato tal expressão não se encontra literalmente presente na Tanak, sem que por isso deixe de ser seu princípio operatório e presente em diversos de seus preceitos, assim 'Aquele que matar será morto'... Poderás odiar tem adversário i é o princípio da vingança ou da justiça com as próprias mãos, de que resultou a instituição dos locais de refúgio... Jesus diz que tudo isto é grosseiro, bárbaro, inaceitável... Não se pode odiar ao inimigo, exercer vingança, perseguir, matar como autorizava expressamente o judaísmo antigo em nome de Deus! É mister amar, estar sempre disposto a perdoar, confiar na justiça divina, abster-se de matar, cultivar a paz, etc Como negar que estamos diante de uma outra lei, a lei do Evangelho, verdadeira lei dos céus, autenticada pelo que há de melhor em nós???

A lei dos judeus autorizava a vingança e a matança. Jesus nos proíbe até mesmo de ultrajar os contrários (dizendo louco) e nos manda dar a outra face quando atacados! Decreta que estejamos perpetuamente abertos ao perdão (perdoai setenta vezes sete). Declara que devemos amar os inimigos, sim amar os inimigos! Você pode buscar por esse amor universal no judaísmo antigo e não o encontrará e menos ainda pelo amor aos inimigos, o qual, como observa S Freud, não existe no judaísmo e nem poderia existir por ser, declara Freud - absurdo.

Quanto ao amor ao próximo ou a todos os homens poderá aventar, com certa plausibilidade, que Jesus tenha plagiado o chinês Mo Tse, que viveu cinco séculos antes dele e a mais de dez mil kilometros - Ah, e cuja doutrina já estava esquecida há muito entre os antigos chineses ao tempo de Jesus. Saberia Jesus ler ideogramas chineses? Teria ido a Chine e voltado? Haviam os escritos de Mo Tse sido traduzidos ao aramaico ou ao grego??? Busquem pelas evidências... Agora uma coisa é absolutamente certa: No contesto do judaísmo estamos diante de uma novidade que não é nem um pouco lisonjeira face a antiga religião - Favorável ao etno centrismo e a vingança.

Mas, dirá algum afoito - Jesus mesmo declarou que traço ou pingo algum da Lei passaria e que não havia se manifestado para demolir a Lei e as profecias.

Claro que não podia demolir as profecias, cujo objetivo era anuncia-lo previamente, mas concretiza-las. E também não podia demolir a essência da verdadeira Lei positiva, expressão da mesma Lei natural, manifestação da vontade de Deus e portanto de sua vontade. O cerne da questão implica em saber qual seja esta Lei divina e é exatamente aqui que Cristãos e judaizantes separam-se definitivamente. Pois os judaizantes como os judeus imaginam que Jesus esta a falar na permanência ou divindade de toda Torá ou mesmo da Tanak, que ora chamam Bíblia. Enquanto nós Cristãos compreendemos que esta Lei divina ou Revelada restringe-se ao DECÁLOGO ou aos assim chamados dez mandamentos, que eram a versão da lei natural corrente entre os antigos judeus. Para nós esta é a Lei divina e inviolável e não a totalidade da Torá ou da Tanak, elemento puramente natural e não revelado que identificamos com a cultura judaica. Essa cultura judaica para nós é puramente humana, nada tendo de sagrada. Assim o restante do código judaico ou as normas e regras que estão para além do Decálogo, as quais puderam ser livremente criticadas e contestadas por Jesus.

Isto é tão certo que atualmente os próprios judeus, em sua maioria, abriram mão de tais leis, reconhecendo-as como puramente humanas, porquanto também entre eles a lei evoluiu e já não podem viver como seus bárbaros ancestrais. Alias os judeus não costumam lançar objeções demasiado sérias a respeito e sentem-se muito pouco apegados a seus mitos, fábulas e leis; a exceção de algumas poucas que são exequíveis. Aqui os judaizantes mostram-se sempre muito mais obstinados... E no entanto, tal e qual os judeus modernos, nem mesmo eles podem viver a Torá em sua totalidade como os antigos judeus; enfim eles defendem uma solução que não colocam em prática porque de modo geral vestem-se e alimentam-se como os demais... Apenas um grupo de protestante peruanos ousou restaurar, em pleno século XX, o modo de vida dos judeus ao tempo de Cristo substituindo calças e camisas por túnicas e automóveis por cavalos e camelos... Nem preciso dizer que habitam em tendas e usam madeira e fogueiras para cozinhar, enquanto suas mulheres manuseiam o tear e o moedor de grãos. Felizmente, esta espécie de menonismo ultra ancestral, é fenômeno isolado. Os demais judaizantes não são tão sérios e contentam-se apenas com discursos pomposos em torno da tal lei de Moisés concentrando seus fogos nos Catolicismos, a que chamam de idolatria e no espiritismo, a que chamam de magia...

Os judaizantes não se mostram menos profanadores do que nós na medida em que, após terem afirmado a integralidade da Lei dos judeus ou da Torá como revelada ou divina, põem-se a selecionar o que vale e o que não vale como se Deus e as coisas divinas pudessem variar, mudar ou sofrer alteração. Por isso estão divididos em tantas e tantas seitas conforme aceitam ou repudiam este ou aquele regulamento da lei dos judeus. Assim há entre eles que retorne a dieta dos antigos judeus como os adventistas do sétimo dia, há quem repudie a transfusão de sangue como as jeovistas, há quem condene o uso de tatuagens como certas seitas pentecostais, há quem condene a moda unisex, há quem condene o corte da barba por parte do homem, etc, etc, etc Cada seita faz seu talho e escolhe seu corte ou pedaço da lei dos judeus, o qual canoniza... Desprezando todos os outros rsrsrsrsrsrs Tal a cegueira deles, porquanto esta escrito: Quem pecar contra um regulamento da lei pecou contra a lei toda! Assim selecionando profanam a totalidade da Lei que teimam em declarar como sagrada; mas que de modo algum vivem ou põem em prática.

Por isso Jesus procedeu liberalmente com relação as demais partes da Lei dos judeus tornando-se Herético para eles - O grande herético do judaísmo. Porque declarou sua dietas e distinções alimentares absolutamente vãs. Porque avaliou suas abluções como inúteis. Porque opôs-se a guarda supersticiosa do Sábado. Porque violou todos os seus preconceitos de natureza moral estabelecendo contado com - Prostitutas, publicanos, homossexuais, pagãos, crianças, leprosos, pescadores, etc tudo quanto era desprezado ou odiado pelo farisaísmo azedo. Deixou-se tocar por leprosos... E conversou a sós com uma mulher - samaritana e pecadora - junto ao poço!!! Para nós, aquele que nós fez o bem, foi santo e impecável, mas para os judeus foi um grande pecador. Pois violou conscientemente a lei que teem por divina.

Jesus foi tão contestatório para os judeus de seu tempo quanto os anarquistas e comunistas de hoje para os conservadores. Não que ele tenha sido anarco individualista ou comunista, as perspectivas de Jesus eram outras e ele não dos parece nem individualista, sob qualquer aspecto, nem autoritário ou totalitário. Postulou a autoridade, no caso divina, sem - a modos de jave - eliminar por completo a esfera da liberdade humana. Postulou a justiça e uma igualdade relativa sem endeusar a autoridade humana ou recomendar métodos violentos como uma bula de remédio. De modo geral exerceu a paz e foi pacífico; mas quando teve de erguer o chicote não hesitou, parece ter sido moderado ou equilibrado em todas as circunstâncias, quando por via de regra são os homens exaltados e amigos do extremismo.

Não me parece que se opusesse as solução democrática ou policrática ou a uma igualdade relativa em termos sócio econômicos - O Evangelho diz que ele pura e simplesmente não levava em consideração as distinções sociais de que tanto fazemos caso, e que tratava a todos, grandes e pequenos, da mesma maneira - Sem fazer acepção de pessoas... Não posso deixar de classifica-lo como socialista. Não é claro como um socialista naturalista, materialista ou economicista do século XIX - sobre o qual pesa a condenação da Igreja - mas como um Socialista Religioso dos tempos pretéritos a maneira de Urukagina de Lagash ou dos antigos profetas (Como aquele que disse: Amaldiçoado seja o que adiciona casa a casa, campo a campo...). Tornou-se vanguardista até nossos dias por ter condenado categoricamente o acumulo ilimitado de riquezas ou bens materiais: 'Não acumuleis bens neste mundo em que a traça e a ferrugem destroem, juntai bens no mundo celestial' foi ordem sua a que muitos ainda hoje se fazem moucos, fingem ignorar ou o que é pior falseiam descaradamente. E para que não pudesse haver escapatória ou alternativa aos desonestos, adicionou: Não podeis servir a Deus e as riquezas. Ai daquele que cogitar 'ganhar o mundo inteiro' - expõem-se a apartar-se de seu destino espiritual... "Mais fácil é uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus."... Em Mateus cap vigésimo quinto, determina que sejamos solidários e atentos as necessidades de nossos semelhantes - Tive fome e me destes de comer... tive sede... - com os quais identifica-se. Retira a caridade da esfera da livre vontade e converte-a em lei > Amai-vos uns aos outros e sereis meus alunos... Como resultado disto temos que os primeiros Cristãos vendiam seus bens e adotavam vida regular e comum, de modo a não existir necessitados entre eles. Pobres certamente existiram durante todo tempo em que viveram os santos apóstolos, fabricados pelo judaismo e paganismo antigo, não pelo Cristianismo, cuja regra de vidas era a partilha. Paradoxalmente os Cristãos acreditavam que quanto mais partiam seus bens materiais com os irmãos, mais ricos se tornavam porquanto investiam nos céus ou no mundo espiritual.

A bem da verdade a Lei dos judeus era muito interessante neste sentido, e como o amigo Carlos Seino, não posso deixar de admirar as instituições da reforma agrária, dos jubileus, da colheita, cobrança de jurus, etc Sabendo que ao tempo do Senhor tais leis já não eram postas em prática há séculos e que, curiosamente, judaizante ou sectário algum tentou restabelece-las (também nenhum deles cogitou cortar a pele do pênis ou restabelecer a circuncisão)... O que quero dizer é que tais reflexões, semelhantes aos do velho Sócrates, em torno da vida sóbria, moderada, regular ou temperante, deve ter chocado bastante os nababos fariseus... Como atualmente choca os neo fariseus 'cristãos'...

Aos que aspiravam pela perfeição recomendou que vendessem todos os seus bens e dessem aos pobres... Se queres ser perfeito... E da perfeição fez uma exigência para os seus: Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito...

Alias mesmo sendo de origem divina - Não podemos deixar de chegar a esta conclusão - Jesus reconheceu a livre iniciativa humana, daí ter deplorado a opção dos habitantes de Jerusalém, os quais recusaram-se a tomar seu jugo... E dizem ter chorado a triste sina da cidade.

Não apenas chocou os antigos judeus. Continua a chocar, perpetuamente os judaizantes de toda casta... Os autoritários, os capitalistas/materialistas, os maniqueus, os puritanos... Enfim a toda essa gente...



sexta-feira, 25 de maio de 2018

Egiptologia e conservadorismo

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Costumamos ler e ouvir, amiúde, em diversos artigos, livros ou documentários a respeito do antigo Egito que esta Civilização manteve-se praticamente imutável e estática ao cabo de quase três mil e quinhentos anos a contar de Scorpion ou Narmer (Menés) a bela Cleópatra. Especialmente no campo da religião e da arte nada teria mudado... Recordo-me bem de que no quinto ano, quando contava com doze anos de idade, ao ficar ciente disto - i é da suposta imutabilidade egípcia - fui fortemente impactado.



Psicologicamente aspirava pela estabilidade. Foi o início de minha jornada conservadora, alias alimentada pela cultura tomada ao protestantismo e sua moralidade tosca. Desde então o Antigo Egito converteu-se na pupila de meus olhos e no foco de minhas atenções; e tudo quanto era livro didático corroborava a fábula ou mito do Egito imutável.

Para minha maior sorte, desde os vinte anos, comecei a pesquisar por mim mesmo e ler coisinhas mais sérias assim Lange, Pierre Montet, Vandier... até que cheguei a Etienne Drioton... E toda quimera se desfez. Cedendo lugar a uma compreensão mais objetiva e real. Um dia temos de tomar vergonha e folhear Moret ou de dar ouvidos a Dra Fletcher ou a Gunther Dreyer... Então os ídolos partem-se e caem todos por terra.

Não, o Egito não foi a Sociedade imutável dos idealistas e românticos. Foi uma cultura estável e resistente, mas, de modo alguma uma sociedade paralisada por três mil anos. Ademais uma tal visão seria tão utópica quanto o livre mercado dos liberais, o fim do estado dos anarquistas ou o futuro sonhado pelos comunistas. Nem mais nem menos.

A pirâmides por exemplo não foram uma constante... As primeiras foram supinamente ignoradas por Narmer, Aha, Djer, etc e assim até Djoser, que floresceu em 2.615 a C, durante a quarta dinastia. E já haviam caído em desuso durante o novo império, de modo que as últimas foram construídas para servir de tumbas aos construtores das tumbas reais do Vale dos Reis - que moravam em Deir el Medina - pelos idos de 1100... A bem da verdade outras tantas centenas de pirâmides foram erguidas do oitavo século a C aos primeiros séculos de nossa Era, mas pelos faraós ou melhor pelas faraonas negras (Candaces) de Meroé ou Khush, assim Amanitore, Amani Shesketo, Amanirenas, etc os quais desejavam ser mais egipcios do que os próprios egipcios... No Egito porém já haviam saído de moda há mais de milênio. Ademais os meroíticos, núbios ou etíopes nem sempre respeitaram a forma da pirâmide egipcia - cuja base era quadrangular - chegando a edificar pirâmides de base triangular ou perfeitamente triangulares.

As próprias múmias, que constituem para muitos uma constante na História daquele pais, remontam a Snefru, o construtor da primeira pirâmide em Dashur. Anteriormente as múmias eram produto natural do meio e não produto de intervenção humana. Por outro lado, embora a mumificação só tenha sido abandonada nos primeiros séculos desta Era, devido a influência da fé Cristã, com seu conteúdo judaico, a máscara com que buscavam reproduzir as feições do falecido não conservaram a mesma forma. Assim, alguns séculos antes desta Era, os fayumitas passaram a introduzir nas faixas da múmia umas tabuas ou painéis pintados conforme o gosto helênico ou romano ao invés das velhas máscaras de madeira ou metal que reproduziam o gosto estético dos egípcios. Ao que parece este novo estilo arraigou-se por todo Delta...

Mesmo a medula da religião egipcia, centrada na vida eterna, segundo Drioton, não deixou de passar por drásticas transformações no decorrer dos séculos. Trata-se de um histórico a ser melhor considerado e Drioton pode defini-lo como uma paulatina democratização. Pois a princípio apenas o Faraó tinha acesso a vida eterna, caso os ritos funerários fossem executados. Posteriormente no entanto, a guiza de recompensa, o faraó adotou o costume de conceder tumbas, rituais e consequentemente o acesso a vida eterna seus familiares e colaboradores, assim ao vizir e aos nomarcas; assumindo o além uma forma aristocrática. Com a generalização da mumificação, do jazigo e dos livros mortuários; no Novo Império, a maior parte dos egípcios passou a revindicar acesso a vida eterna, com o 'placet' de seus reis...

Além disto a própria concepção de vida eterna não cessou de transformar-se durante todo este tempo. Pois se é certo que os primeiros faraós, adeptos de uma simples dicotomia - acreditavam que passariam a eternidade ressuscitados em suas tumbas consumindo oferendas, os textos gravados na pirâmide de Unis ou Venis, dão já a entender que ao menos durante o dia o Faraó podia tomar carona na Barca de Rá ou ascender aos céus. Passados alguns séculos a adoção de um modelo tricotômico possibilitou que o espírito do Faraó ascendesse ao mundo divino enquanto que seu corpo ressuscitado (ou habitado pela alma) continuasse a viver em sua sepultura... Os próprios nobres e populares adotaram semelhante modelo, passando a crer que enquanto seus corpos ressuscitados tornariam a viver nas tumbas, o espírito migraria para um local bastante parecido com as margens do Nilo ao que passaram a chamar 'campos elíseos'.

Portanto sequer o cerne da religiosidade permaneceu estático ou fixo entre eles mas sujeito a constante alteração. O mesmo pode ser dito com relação aos deuses. Uma vez que o posto de deus supremo ou rei dos deuses sempre coube ao principal deus cultuado na capital do pais - O Rá da Heliopólis pré dinástica, Phtá de Mênfis durante o antigo Império e por fim o todo poderoso Amon de Tebas, durante o Novo Império. Daí o esperto Usirmaré Setepenre Ramsés II, fazer-se ladear por Rá, Phtá e Amon em seu templo de Abu Simbel. Assim a fama ou status da divindade acompanhou as mudanças administrativas porque o pais passou em seus três mil anos... Até chegarmos a Serapís, o grande deus do período helenístico, cujo principal centro foi Alexandria.

A própria concepção de divindade não deixou de conhecer significativa alteração. Uma vez que Akhenaton aspirou substituir o henoteísmo vigente pelo monoteísmo, da mesma maneira como o henoteísmo havia eclipsado o politeísmo vigente nas primeiras dinastias. Nem foi o culto popular ou folclórico aos animais tão marcante como após o século XII, chegando a predominar no período helenístico. Após ter sido incipiente após o antigo e o médio impérios.

Diga-se o mesmo a respeito de diversas técnicas ou modos de produção. Os quais apesar de sua repugnância os egipcios tiveram de adotar e alterar, tendo em vista a perpetuação de sua autonomia. Assim o emprego dos carros e cavalos, do arco duplo e da machadinha estreita tomados ao invasor Hicso ou Heka Shasut. E mais tarde, ao tempo dos Hititas, a adoção das armas de ferro, em detrimento as de bronze...

Mesmo no plano da arte não se puderam manter estáticos. E se a arte de Amarna apresenta sérias rupturas as estátuas de Senusret III, que remontam ao Império médio, denotam um realismo espantoso. Já ao tempo de Ramsés III, a arte minóica faz sua primeira aparição no Delta...

O próprio caráter ou significado mais íntimo dos faraós também apresentou significativa alteração. Assim nos impérios antigo e médio, o rei é encarado como divino enquanto sacerdote ou representante da divindade; mas só se torna um 'deus' efetivamente, após sua morte. É filho adotivo ou como querem alguns emanação do Sagrado, mas não uma divindade como Rá, Phtá ou Amon aos quais deveria servir. Mentuhotep e Senusret estavam, ao que parece, bastante conscientes de sua humanidade...

É ao correr do Novo Império que as coisas assumem nova configuração, em conexão com o culto do todo poderoso Amon, a esta altura hipostasiado com o velho Rá, o Sol. Hatchepsut, filha de Tutmósis I e esposa de Tutmósis II, buscando legitimar seu poder, em detrimento do enteado - o futuro Tutmés III - e com o decidido apoio de Hapuseneb, alto sacerdote de Amon, não hesitou em recorrer a patranha e recorrer a um mito em torno de sua concepção miraculosa. O deus Amon, assumindo forma humana, havia coabitado com sua mãe... sendo ela filha do próprio deus e portanto uma deusa ou deus encarnado... Desde então pode governar sossegada pelo espaço de uns quinze anos. O preço que pagou pelo poder no entanto foi bastante caro...

Pois cada Faraó deveria compor-se com o poderoso clero de Amon para manter tais fábulas. Não Tutmés III, o Napoleão do antigo Egito, que manteve sua reputação ímpar, devido a seu staus de guerreiro invencível. Seja como for ele não deixou de despejar toneladas e mais toneladas de ouro no Ipet Sut, e de fortalecer o sacerdócio... e assim seus fracos sucessores. Até que o grande sacerdote tornou-se tão poderoso quanto o Faraó, é uma ameaça a seu poderio... Foi quando Amenhotep III, sem romper com os sacerdotes de Amon, retomou, discreta, mas decididamente, a estratégia de Hatchepsut.

Até então, o maior templo do pais estava situada na banda Leste do Nilo, em Tebas, a capital e era Karnak ou o Ipet Sut, com seus quase quarenta acres e oitenta mil servidores, um autêntico feudo sacerdotal... Amenhotep no entanto, optou por construir um templo ainda maior na outra banda, a banda Oeste do rio, a saber seu templo funerário ou necrópole, onde viria a ser adorado após a morte. Era este templo algo absolutamente soberbo e sem precedentes no pais e apenas Abu Simbel viria a faze-lhe sombra século e meio depois. Atualmente restam dele apenas os dois colossos, ditos de Mennon, cada qual com vinte e um metros de altura. Champollion e Rosellini chegaram a ver os pedaços de outros dezoito, alguns dos quais estão sendo desenterrados e restaurados enquanto escrevemos estas linhas. Quantos haviam na realidade não o sabemos... Compunham um verdadeiro exército de gigantes... Amenhotep faz-se apresentar tal e qual os deuses, em pé de igualdade... A mensagem é bastante clara: Ele mesmo é um deus vivo a ser cultuado sobre a terra e assim sua esposa Tyi. Mas não é certo que seu pai fosse Amon, quiçá fosse o velho Rá ou Aton, importava que ele era um deus vivo, concepção que seus sucessores - Horemheb, Seti e sobretudo Ramsés II, jamais abandonaram.

Também a forma do trabalho alterou-se significativamente no decorrer daqueles três mil anos. Devido a experiência porque passaram os antigos hapiru ou semitas, o modo grego de encarar o mundo e as películas de Cecil B de Mille fomos levados a crer que as pirâmides e a grande esfinge de Gise, haviam sido construídas por hostes ou multidões de escravos, conduzidos a ponta do chicote. Hoje, graças a descoberta da Vila em que viveram os construtores de tais monumentos, sabemos ser tal visão completamente falsa ou anacrônica. Tais trabalhadores eram livres e trabalhavam durante as cheias, sob corvéia; sendo além disto alimentados, vestidos e assistidos pelo estado. Acreditavam além disto que erguendo o túmulo do Faraó estavam colaborando em sua deificação e consequentemente colaborando para que a maat ou ordem das coisas fosse mantida.

Posteriormente no entanto foi o carater das coisas sendo paulatinamente modificado. Assim Senusret despeja no Egito milhares de escravos trazidos da Núbia. Tutmés III despeja outros tantos infelizes trazidos da Núbia e em seguida da Palestina após cada uma de suas campanhas e o Egito vai sendo atulhado por escravos estrangeiros cuja mão de obra deve ter sido ostensivamente empregada por Amenhotep III, Seti e Ramsés em suas obras colossais ou 'faraônicas'...

A conclusão a que buscamos chegar é bastante simples: A ideia segundo a qual o Egito se manteve imutável e estático durante todo este tempo é artificial e forçada e corresponde mais a nosso desejo de que as coisas não mudem ou de que o fluxo das mudanças torne-se menos intenso, do que a realidade e somos nós que projetamos nossas inseguranças e temores no passado formando uma imagem 'conservadora' do antigo Egito, uma imagem que é bastante cara para muitos, mas que jamais existiu... Enfim nossa imagem forçada daquele antigo país não passa de mais um álibi ideológico com que procuramos reforçar nossas aspirações e esperanças. Nada de Histórico, concreto ou real. Afinal nem o Egito antigo nem qualquer outra sociedade poderiam fugir aquele fluxo dinâmico que caracteriza tudo quanto é propriamente humano.



terça-feira, 16 de maio de 2017

A construção de um novo 'mito' e com o apoio do fundamentalismo religioso...

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Cliquem no link acima para poderem ler reportagem em que o Estado de SP registra a tendência inequívoca para apoiarem o 'João dólar' (PSDB) contra a esquerda em 2018.

Mas o que se esperar da plataforma religiosa (!!!???!!!) que lavrou manifesto em apoio as malsinadas reformas da previdências articuladas pelo Mexeu Treme????

Que esperar duma bancada que já foi chefiada pelo mafioso Eduardo Cunha?

Que se esperar duma bancada que apoiou decididamente a derrubada, ilegal e criminosa, de uma presidente inocente?

Que esperar duma bancada que nas últimas eleições lançou o pastor corrupto Everaldo com suas propostas ultra liberais em economia e ultra conservadoras em moral?

Que esperar duma bancada notória pela falta de compromisso social? Duma bancada caracterizada já pela ausência (Em termos de inassiduidade mesmo), já pelo empenho em obter privilégios para suas agremiações religiosas... Já pelo envolvimento em crimes de corrupção???

E de apresenta como 'Cristã' uma bancada destas???

E extorque votos, essa maléfica bancada, como extorque dinheiro, em nome de uma fé!

E usa essa fé e dela abusa com objetivos políticos manipulando massas analfabéticas!

E por meio da religiosidade busca consolidar seu próprio poder...

Tudo em nome de Jesus Cristo.

Daquele homem sublime que sempre se colocou ao lados dos mais pobres, dos humildes, dos oprimidos, dos perseguidos... escandalizando com isso os 'respeitáveis' escribas e fariseus, com toda gente honesta e decente.

Nunca é demais repetir que o 'imoral' e sedutor Jesus Cristo foi condenando a morte na cruz por um tribunal aristocrático que representava a gente de bem de seu tempo!

Que foi prisioneiro político...

Que foi torturado e morto injustamente...

....................................................................

Para que passados dois mil anos seus seguidores remasterizados possa gritar 'Bandido bom, bandido morto.', posicionar-se a favor da aplicação irrestrita da pena capital e apoiar elementos como o Bolsonaro!

Antes de chegar no Bolsonaro porém, permitam-me citar uma passagem do Evangelho, que reflete muito bem a relação Dória e 'pequenas igrejas, grandes negócios.' -

"Onde estiver o cadáver, ali estarão os abutres." 

Morto o homem, entra, ao cabo de um dia mais ou menos, em estado de putrefação.

O 'fel' estoura e o cheiro característico passa a atrair toda sorte de animais saprófagos... Inclusive os corvos, abutres, urubus...

Devido ao olfato aguçado as moscas já vieram antes, desde muito cedo, puseram seus ovos sobre a carcaça do falecido e converteram-na literalmente num CA DA VER

CARO DATA VERMIBUS 

Noutras palavras, em 'pasto de vermes'.

Tal a realidade literal...

Alegoricamente o cadáver representa o político morto para a Ética.

Bastando-nos definir tal elemento como alguém filiado ao PSDB ou ao DEM, duas organizações terroristas empenhadas em implementar a funesta Reforma da Previdência juntamente com o PMDB.

Sejamos francos -

Que pode um trabalhador ou um homem do povo esperar de tais siglas, empenhadas em aniquilar seus direitos???

Em que um operário ou um pai de família que vota em tais 'partidos' - Alinhados com a política neo liberal determinada pela FIESP - mostra-se mais sábio ou inteligente do que um suicida???

E para convencer este pobre homem a faze-lo basta 'pintar e envernizar' o candidato liberal com falsas cores de trabalhador...

Quando jamais, repito jamais, trabalhou de verdade. Levando sempre vida fácil e ociosa de almofadinha... Regada a muita champanhe francesa, caviar, foie gras, trufas (Os cogumelos!) e viandas cujo peso é pago em ouro, e ouro tomado ao suor e lágrimas dos empregados.

A propaganda no entanto - Igualmente paga a peso de ouro - apresenta esse ser parasitário como 'trabalhador'...

E as massas engolem.

Isca, anzol, linha e tudo mais...

E no entanto mesmo que esse sujeito engomadinho fosse trabalhador - O que de modo algum corresponde a realidade porque trabalhador não tem dinheiro para comprar Limousine - teria de conformar-se com os 'estatutos' e com o programa do PARTIDO a que esta filiado, pelo simples fato de que a política brasileira - Aprenda de uma vez e não se deixe enganar! - é partidária, consequentemente norteada pelas orientações ou decisões do partido e não pela vontade pessoal.

Não pense portanto que mesmo um S Francisco de Assis poderia fazer lá grande coisa inserido no PSDB!!! Seria como um 'santo' tentando reverter as decisões do 'inferno'...

Mas há gente boa no PSDB...

E no entanto essa gente boa não decide absolutamente nada.

Quem decide é a cúpula FHC - O homem que comprou a própria reeleição! - Aécio, Alckmin (Notório ladrão de merenda!), Nunes, Serra (O senhor rouboanel), e outros estroinas, ao menos - hipoteticamente - tão safados (Senão mais) quanto a este Lula, crucificado diariamente pela TV Globo.

Se você acredita que esses cidadãos são melhores do que o Lula esta terrivelmente enganado. Embora a solução oposta seja possível...

Importa saber uma coisa apenas. O que esta em jogo não é questão de caráter, honestidade ou corrupção. Lula não esta sendo incomodado porque é corrupto - Corrupção no Brasil é generalizada e no PSDB/DEM/PSC mais comum do que água no Oceano - mas apenas porque sua plataforma é menos neo liberal do que a deles.

Explico: Lula não é poupado pela imprensa paga e venal de nosso pais, antes é atacado dia após dia por uma única razão: Ele e seu partido e sua plataforma são contrários a Reforma trabalhista e a Reforma da previdência.

Recorde-se que apenas a PLATAFORMA DA ESQUERDA (PSOL, PT, PDT, PCdB) postou-se unanimemente contra:


  • O financiamento da propaganda política por empresários
  • A lei de terceirização
  • A reforma da previdêcia.
Agora veja só, tanto a bancada farisaica ('evangélica'), quanto o PSDB/DEM posicionaram-se favoravelmente a respeito das duas primeiras propostas, como são oficialmente a favor da terceira e última, alardeada pelo Mexeu treme.

E o joão dólar, é a favor de tudo isto!

Portanto como pode ser a favor do trabalhador assalariado???

Alias como pode ser a favor dos direitos e garantias trabalhistas se ele mesmo é empresário, patrão, milionário; vivendo as custas do trabalho alheio???

Como sendo empresário e vinculado as 'seitas da prosperidade' - As quais encaram o pobre como maldito ou vagabundo - poderia ser favorável a ampliação ou a simples manutenção da CLT? Uma vez que ela o impede de obter ainda mais lucros???

Disfarçar-se ou vestir-se como trabalhador e representar, qualquer ator de quinta categoria faz melhor. Agora viver da marreta, da enxada, da vassoura e disto tirar seu ganha pão é coisa totalmente diversa. Coisa que o demagogo engravatado desconhece supinamente!

Trabalhador brasileiro, já vou te avisando, o cacique ou coronel de sampa não conhece sua realidade e portanto não dá a mínima por você.

Estamos portanto de mais um ídolo podre - Com seus pés de barro - ou de mais um 'mito' criado pelo marketing ou por nossa imprensa podre com o objetivo de enganar o povo sofrido e trabalhador! Estamos diante de mais um falso messias ou salvador - a exemplo do Japonês da Federal, do Moro, do Dellagnol e doutros tantos trastes que pululam por esta republiqueta de bananas! - produzido pela imprensa e canonizado por essas mesmas seitas podres que canonizaram o Everaldo, o Feliciano, o Cunha e outros tantos vigaristas, com as bençãos do 'papa' Malafão!

J Dolar, 
como o pentadelatado Aécio e os ja citados companheiros de 'messianato' tupiniquim, é o novo 'astro' ou super homem com que os poderes conservadores deste pais pretendem conter uma possível recuperação e avanço da esquerda trabalhista, e consequentemente, a remoção desta pauta neo liberal e criminosa imposta pela FIESP a suas marionetes parlamentares!

Falso trabalhador, falso moralista, demagogo, fingido, fariseu, hipócrita... Eis o cadáver nauseabundo com seu cheiro pestilencioso. Cheiro que já atrai os corvos e urubus pertencentes a falsa religião, sempre dispostos a apoiar o que não presta e a conspirar contra as liberdades populares e direitos trabalhistas... Tal a política cruel, insensível e desumana desses novos Judas e Barrabazes traidores de Cristo, desses vendilhões, desses traficantes de coisas santas, desses charlatães, desses diabos em forma de gente!

Os quais ousam apresentar-se em nome de Cristo com o objetivo de fortalecer a injustiça, de aumentar a miséria e de fomentar a ignorância e angústia de que se alimentam. Furtando-se assim de ter de trabalhar...

João Dolár do PSDB + Pastores da prosperidade eis ai outra composição em que juntaram-se a fome e a vontade de comer ou melhor de engolir, todas as nossas conquistas sociais e avanços na área da promoção humana. Eis mais outra associação bombástica e perigosa que temos de denunciar de Norte a Sul deste pais - Antes que vejamos esse bando de histriões 'religiosos' de braços dados com Bolsonaro e Marina Silva no palanque do engomadinho capitaneando a 'última cruzada' contra o que ainda resta de liberdade e justiça nesta pobre nação!

Não apostarão novamente no Everaldo pastor corrupto e ultra capitalista descarado...

Não apostarão inutilmente no cavaleiro Nazi, cujas invectivas contra índios, negros, homossexuais e mulheres - Felizmente - ainda choca muita gente...

Este talvez corresponda a um projeto ou plano futuro Post Dória, para quando o PSC e a sinistra bancada talibiblia sentir-se suficientemente forte para medir forças com PMDB e PSDB.

Talvez sequer apostem na 'inocente' e sempre ambigua Marina Silva, ou a abandonem no percurso...

Julgo que o mais provável é colaborarem ativamente na construção do mito João 'trabalhador' emprestando seus misteres ao PSDB... Em cujo palanque, provavelmente, venham encontra-se todos com o objetivo de esmagar o 'anti Cristo' ( E este anti Cristo é mais sensível a justiça !!!) Lula ou as Bestas, Ciro e/ou Luciana.

Algum novo super homem incorruptível, salvador, messias, avatar de Fernando Collor - Eterno caçador de Marajás - deverá estar lá de outro lado, bem maquilado, pintado, envernizado e disfarçado pela imprensa com o auxílio de nossos 'pajés'... Este 'mito' principiou a ser fabricado por estes dias!





sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A sexta monarquia... ou a afirmação das monarquias tupiniquins

Depusemos D pedro II.

Novos tempos.

Era necessário arquitetar uma nova estrutura mais evoluída, algo semelhante a República ou democracia.

Incoerentes não começamos por criar uma cultura democrática.

Quero dizer que não realizamos um plebiscito consultando os interessados i é o povo, a sociedade, os brasileiros.... indagando se preferiam a monarquia ou um novo regime.

Penso que seria contra producente. A monarquia venceria.

Por isso fizemos um golpe e impusemos anti democraticamente a forma republicana.

Sobrepusemos uma forma republicana a uma cultura ou imaginário monárquicos arraigados por uma tradição secular.

Do que resultaram diversos golpes e reversões ditatoriais; sempre tendo em vista 'salvar' a democracia....

Chega a ser uma história rocambolesca a destes golpes de 91, 30, 64...

Disse que a monarquia sairia vencedora num plebiscito e por diversas razões.

Uma delas por sinal psicológica e relacionada até certo ponto com o sucesso deste regime proclamado velho, antigo, ultrapassado...

Não eu não sou monarquista, pelo contrário, sou policrata, ou seja, adepto da democracia direta.

No entanto como dialogo com a cultura numa perspectiva realista busco compreender as razões da monarquia.

E fazer justiça ao velho Pedro II, o Imperador democrata...

Justiça é algo que se faz a qualquer um independente da ideologia, da crença, do partido, da concepção social, etc

Torne-mos porém as razões da monarquia ou melhor a razão, porque contentar-me-ei com assinalar uma apenas.

Parte das pessoas tendem a encarar os governantes, mesmo os representantes da democracia formal, como cuidadores, enfim como substitutos de seus pais...

Ninguém melhor do que o rei ou a rainha com sua presença constante encarna a imagem do pai ou da mãe.

Para alguns esta relação parece ser reconfortante.

Pois o pai é alguém que não apenas cuida mas em certo sentido livra-nos da responsabilidade e protege-nos da liberdade na medida em que decide as coisas por nós.

Sempre que errar poderemos culpa-lo.

Jamais nos tornando culpados.

Por incrível que pareça certo número de pessoas aspira porque outros tomem decisões no lugar delas. Não estão preparadas para optar, decidir, julgar, determinar, etc

Então consideram vantajoso ser tuteladas.

Sentem-se protegidas inclusive.

Trata-se com certeza de pessoas imaturas, que não cresceram interiormente, que não desenvolveram suas capacidades.

Pessoas inseguras desejam que a existência de seus pais prolongue-se para sempre.

De modo que continuem a decidir por elas.

Exceto no caso de se casarem com um cônjuge autoritário que reproduza a relação nos mesmos termos de dependência.

Quando não há alguém que controle e decida apegam-se a imagem genérica do pai, assim a do papa, assim a do rei...

O qual passa a ser identificado com o Pai dos crentes ou com o pai comum da nação...

Nem se pode negar que para algumas mentes demasiado leves esta imagem deste pai comum fortaleça e consolide os laços sociais...

A fantasia cria laços artificiais sem que haja qualquer relação ontológica ou essencial. A função social no entanto é preenchida... e possíveis conflitos inclusive, suavizados, pela presença da imagem paterna no governante.

De minha parte não posso deixar de considerar este tipo de relações apolíticas com decorrências políticas ou de relação política disfarçada como algo bastante primitivo e vulgar.

O homem ou a mulher amadurecidos devem assumir o ônus da liberdade e da responsabilidade fazendo suas opções tanto na esfera da vida privada como na esfera da vida pública, neste caso exercendo a cidadania e objetivando administração do bem comum.

Devem ser formados para a cidadania desde pequeninos na perspectiva da cultura. Implica que os pais criem seus filhos para o mundo ou para a vida, para os outros, para a autonomia... Os pais no entanto tem dificuldade para compreender esta dimensão democrática da educação e visam, ao menos parte deles, manter os laços de dependência e sob a forma mais estrita.

E criam cidadãos dependentes... excelentes para as monarquias asiáticas ou para as necessidades artificiais do mercado, mas inaptos para a gestão democrática da comunidade.

Morto o pai sobrevive na figura do rei...

A sobreposição arbitrária de uma forma republicana sobre este tipo de cultura mostra-se sempre inócua.

De modo que em qualquer situação de crise ou perigo o 'ditador' ou déspota é acolhido entusiasticamente como salvador da pátria.

Não as pessoas não aspiram por ser autoras de sua redenção.

O neo Cristianismo - com a ideia monergista de que deus salva o homem sem o homem e de que o homem nada tem a fazer- a seu tempo, reforça ainda mais esta concepção comodista segundo a qual devemos esperar uma salvação a ser dada por outro sem que nada tenhamos a fazer...

E perpetua esta cultura de pais salvadores...

Nem somos capazes de encarar a nós mesmos como agentes da redenção comum.

Tudo nos leva a repousar nos braços da monarquia ou da ditadura como em berço esplêndido.

Evidência de que a cultura permanece e prevalece temos a mão cheia...

Servindo inclusive a propósitos ideológicos.

Por menos que aprecie a monarquia devo reconhecer que tal rei tal povo.

O povo tende a assimilar os costumes de seu modelo, o rei.

Eis porque preferiria um Pedro II, o erudito barbado que frequentava as sessões do I H G B, a um rei imbecil, estúpido ou degenerado.

Se há que se ter rei e nobres que sejam probos, virtuosos, honestos... enfim dignos de imitação pelos méritos do espírito cultivado e não uns porcos de Circe, como diria Sócrates.

Em tais esquemas hierárquicos a virtude tende a ser assimilada verticalmente.

Melhor que os reis e príncipes sejam temperantes, operosos, justos, bondosos, pacíficos, instruídos, amigos da ciência...

O velho Pedro II foi mais ou menos tudo isto. Foi melhor que muito presidente, a exceção talvez de Getúlio, Juscelino, Jango e Lula. FHC não dá a unha do dedo mindinho do grande monarca bragantino...

Eis porque a cultura reteve certo saudosismo da monarquia qual fosse nossa Belle Époche tupiniquim...

Ficou o costume de designar pela alcunha de rei aquele que na Sociedade destacava-se dos demais; assim rei da voz para o melhor cantor e rei do gado para o melhor pecuarista...

Disto apropriaram-se os meios de comunicação de massas, especialmente a TV globo com o intuito de a um tempo resgatar e fortalecer este imaginário decadente e a outro com o intuito de influenciar negativamente o povo, tornando-o mais bronco, deseducado, alienado e rude.

Forjou pois a imprensa falsas monarquias de caráter plebeu e profano colocando-as a serviço de falsos valores.

Eis porque ouvimos constantemente as expressões: 'rainha dos baixinhos', 'rei da melodia', 'rei do futebol'... designando estes falsos monarcas da vulgaridade.

Particularmente nada tenho contra a sra Maria da Graça Xuxa Menegel, absolutamente nada. Muito pelo contrário até chego a admira-la por sabe-la solidária face ao sofrimento e a dor alheia e mantenedora de diversas instituições benemerentes. Além de sabe-la perseguida e caluniada pelos fanáticos religiosos.

Nem por isso aprecio-lhe como cantora ou dançarina; embora algumas de suas músicas tenham certo encanto e sejam úteis para entreter as crianças.

Nem por isso posso encara-la como uma espécie de rainha das crianças ou dos pequeninos.

Implicaria reconhecer que todos os pequeninos teem os mesmos gostos e que todos devem apreciar o tipo de ritmo cultivado por ela...

Considero esta promoção de um culto pessoal e acrítico na fase infantil da existência como algo perigoso senão nocivo. O mito fica enraizado e o 'ídolo' passa a ser encarado como uma espécie de super homem ou como uma espécie de criatura sobre humana... podendo ser transferido para o plano político ou religioso muito facilmente e com consequência catastróficas.

Não são súditos ou bobos de corte que devemos formar mas seres humanos criativos, autonomos e com iniciativa própria.

Triste ver como nossas meninas e garotas vão ficando padronizadas na medida em que imitam os gestos e expressões da tal rainha...

Compreendo até que seja uma fase. Coisa a ser superada e suplantada não alimentada.

No entanto há coisa muito pior do que a realeza do X...

Tomemos o sr Braga, digo Roberto Carlos. A imprensa ousa proclama-lo como rei da música com que direito? Alguém disse, a imprensa reproduziu e os demais continuaram a repeti-lo como um dogma, em que pese haver vozes muito mais belas e cultivadas do que a sua, como a do falecido Agostinho dos Santos ou a do nosso Mauricy Moura, dentre outros é claro.

No entanto após a TV globo imprimir o rótulo ou a etiqueta, fica o personagem entronizado e já não se pode questionar a realeza artificial e ficticia sem acirrar os ânimos da massa.

Importa questionar a quem aproveita tais títulos.

Quem lucra com eles?

Obviamente que atendem a uma necessidade variegada, a qual não é estranho o Mercado!

Compra-se aquele disco, fita ou DVD porque é do 'rei' e não aquele outro porque é de plebeu.

E não se dá qualquer chance para o plebeu provar que canta melhor ou que seu repertório é mais belo porque o título de rei concedido pela imprensa condiciona a maior parte das pessoas.

É um tipo de canonização profana destinada a eliminar o senso crítico.

Deve-se gostar do 'rei' afinal todos dizem que é o 'rei' e até fica chato discordar!

Cria-se um culto.

Já não é questão de música, mérito, beleza ou valor mas de mística, como aquela que envolve roupas e produtos.

Ser 'rei' coroado pela mídia equivale a ser de marca, trás assim a enganadora mística do nome.

Afinal que é um nome?

Até os monarquistas mais zelosos conviriam que o que faz um rei não é o nome ou o título mas a pessoa ou seja conduta.

Assim o 'título' de rei não é garantia absoluta de qualidade.

Ivan IV o terrível foi rei... como Henrique VIII foi rei...

Midiaticamente falando no entanto ser coroado rei por meio de um pacto é a melhor garantia de sucesso e lucro.

Há no entanto coisa bem pior.

Porque duma maneira ou de outra tanto a citada apresentadora loira como o sr Braga parecem-me cidadãos mais ou menos virtuosos, e nada há que pese muito gravemente sobre suas reputações.

Toquemos agora ao monarca supremo ou imperador midiático, o tal rei do futebol, sr Edson Arantes do Nascimento. Nada temos de pessoal contra ele.

Não o conhecemos. Conhecemos de vista sua mãe Dna Celeste, senhorinha que julgo tão boa quanto minha veneranda mãe.

Como não apreciamos modas ou imposições sociais nem de futebol gostamos.

Nem podemos negar ou julgar o talento deste sr como jogador. Não o pretendemos, não ousamos, não podemos...

Sapateiros não ultrapassamos os sapatos!

Todos sabem no entanto que o Brasil contou com muitos outros futebolistas de valor.

Quando era menino recordo-me de Zico, de Sócrates e outros.

No passado remoto houve um Friedenreich 'el tigre' e mais próximo de nós um Garrincha.

Não entendemos bem o assunto mas julgamos que a escolha do sr Pelé deva ser puramente subjetiva e não objetiva.

Até somos levados a crer que este mito foi construído com finalidade social e política pelo simples fato do sr E A N ser negro.

Afinal sabemos muito bem que após a abolição formal da escravatura proclamou-se a República sem que os negros alforriados tirassem qualquer proveito disto.

Alias parte dos apoiantes do novo regime compunha-se de escravocratas paulistas malquistados com a princesa Isabel e sedentos de vingança. Triste fato, mas real...

Falou-se muito em liberdades mas os negros ficaram ai largados ao deus dará ou a ver navios.

Programa algum foi elaborado tendo em vista sua inserção na boa sociedade brasileira. Oportunidade ou chance alguma lhes foi dada.

Até serem implantadas as 'cotas' para afrodescendentes com grande escândalo por parte das elites brancaronas.

A propósito das políticas afirmativas introduzidas pelo governo dos trabalhistas a partir de 2003 ocorre-me a famosa frase de Jacob Gorender: 'No Brasil, implementar pequenas reformas é ser revolucionário.' devido ao caráter ferozmente conservador de nossa sociedade patriarcal e latifundiária. Caráter que o fundamentalismo religioso emergente veio a fortalecer ainda mais nos últimos anos.

Tornemos porém ao mito do Pelé; jovem negro de origem humilde que fez carreira e tornou-se milionário jogando bola...

Como o negro não havia sido inserido na Sociedade brasileira, encontrando-se discriminado e posto a margem dela, forjou-se um mito, o mito Pelé.

E este mito contém uma mensagem perigosa:

"Qualquer jovem negro ou pardo da periferia pode vencer na vida e tornar-se milionário jogando futebol OU SEJA SEM A NECESSIDADE DE DEDICAR-SE AOS ESTUDOS E INSERIR-SE NO MUNDO ACADÊMIA."

Formação superior, escola, estudo... para os meninos brancos filhos das elites. Ao negro ou pardo ficava a esperança ou a ilusão de tornar-se rico e famoso jogando futebol.

Os resultados desta mensagem subliminar ou deste currículo oculto os professores que atuam na periferia sabem de cor. Parte da clientela masculina, especialmente negra ou parda, preocupa-se apenas com as aulas de educação física, as quais por sinal, resumem-se a partidas de futebol. Quanto as demais categorias de estudos é comum ouvi-los declarar: "Não preciso estudar isto, vou ser jogador de futebol como o Ronaldo ou o Neymar!"que são os meninos de periferia que substituiram o Pelé no imaginário deles.

Não poucos sonham com o ficar facilmente ricos, ir para o exterior e namorar moças brancas ou mesmo loiras, residentes em 'locais melhores'....

Trata-se de algo muito triste mas o educador que trabalha com a clientela mais humilde, via de regra, não tem foco no vestibular ou na faculdade. Já exauridos pelo trabalho não cuidam fatigar-se e sacrificar-se ainda mais estudando... afinal puseram em suas cabecinhas de vento que há um modo muito mais facil de vencer na vida: tornando-se craque de futebol como o Pelé...

No entanto quantos e quantos Pelés existem no Brasil???

Em que isto muda uma realidade social partilhada por milhões???

Há única coisa que poderia muda-la seria a democratização do ensino compreendida como acesso livre e igualitário a educação superior.

É isto que os afrodescendentes deveriam cobrar e por isso que deviam mobilizar-se ao invés de manterem seus olhos e os de seus filhos fixados neste ídolo de pés de barro que é o sr Pelé.

Neste sentido a gênese do mito Pelé é essencialmente reacionária.

Por injetar falsas esperanças em nossos jovens de periferia e faze-los abdicarem da única esperança concreta que teem: a instrução, a formação a educação superior.

Agora como as esperanças falsas vão morrendo precocemente ao curso da vida, ao mito do Pelé e a ilusão do futebol sucede muito facilmente a imagem do Fernandinho Beira mar (ou do líder da boca mais próxima) e a ilusão do tráfico com a mesma promessa de acesso facil a riqueza.

Resta-me finalizar deplorando a atitude deste falso monarca que não soube ser pai - logo ser humano - por ter repudiado até o fim a sra Sandra Arantes do Nascimento sua filha ilegítima.

Que tenha tido uma filha bastarda é plenamente compreensível e até comum no cenário cultural brasileiro.

Agora saber ter uma filha em tais condições e renega-la até o fim de seus dias; carne de sua carne e sangue de seu sangue é absolutamente monstruoso. Notório pela falta de ética ou como se dizia antigamente pela imoralidade.

Se este homem é rei, só pode ser rei da imoralidade, da crueldade, da vileza...

O pior no entanto é que as massas guiadas pelos meios de comunicação e pela propaganda, assimilam o comportamento destes falsos monarcas, idolos podres e mitos inconsistentes... e vai degenerando a Sociedade de geração em geração.

Tornando-se mais individualista, mais intemperante, mais insensível, mais rude e mais grosseira.

Em tempos de Pelé D Pedro II não faz mais escola!







sábado, 15 de maio de 2010

A história do diabo

No princípio Deus criou os céus e a Terra reza o Gênesis (1,1). O Pentateuco não fala uma única vez em diabo, parece que os autores do Pentateuco sequer sabiam da existência de satan. Mas alguém poderia dizer e a serpente no paraíso, não era o diabo por acaso? Vejamos o que diz o texto vétero-testamentário:


A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim? (Gn 3,1)

Desde quando o diabo é um animal? O Gênesis não fala de um ser espiritual, de uma entidade incorpórea, mas de um animal e de um animal astuto, e a astúcia era-lhe natural, foi Deus mesmo quem fez a serpente assim.

O leitor ainda pode percorrer todo o Pentateuco de cabo à rabo e não encontrará nenhuma menção ao diabo. E isso só vem a demonstrar que os antigos semitas (judeus e samaritanos) não acreditavam na existência de um adversário de Deus.

A primeira vez que o diabo aparece na Bíblia é no livro de Jó, e neste livro Satanás é como um velho amigo de Deus, que conversa e até faz aposta sobre a integridade do protagonista do livro:


Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles.
O Senhor disse-lhe: De onde vens tu? Andei dando volta pelo mundo, disse Satanás, e passeando por ele.

O Senhor disse-lhe: Notaste o meu servo Jó? Não há ninguém igual a ele na terra: íntegro, reto, temente a Deus, afastado do mal.
Mas Satanás respondeu ao Senhor: É a troco de nada que Jó teme a Deus?
Não cercaste como de uma muralha a sua pessoa, a sua casa e todos os seus bens? Abençoas tudo quanto ele faz e seus rebanhos cobrem toda a região.
Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele possui; juro-te que te amaldiçoará na tua face.
Pois bem!, respondeu o Senhor. Tudo o que ele tem está em teu poder; mas não estendas a tua mão contra a sua pessoa. E Satanás saiu da presença do Senhor.
(1:6-12)

O diabo tal como o conhecemos hoje surgiu na Pérsia, atual Irã, fruto da religião mazdeísta. A religião mazdeísta pregava dois princípios eternos: Aura-Mazda (o deus do bem) e Arimã (deus do mal). Provavelmente os judeus adotaram o diabo por volta do século VI a.C quando foram libertados pelo rei Ciro que era persa.

Na época de Jesus havia judeus que não acreditavam nem em anjos, nem em imortalidade da alma e muito menos em ressurreição, eram os saduceus, os verdadeiros representantes do judaísmo original.

A partir daí o diabo foi evoluindo se tornando cada vez pior, até que se tornou um antideus. Infelizmente dentro do cristianismo surgiram pessoas pessimistas com relação à natureza humana e o diabo foi ganhando destaque, mas o coisa ruim tem o seu destaque mesmo, é no livro do Apocalipse.

Orígenes grande conhecedor do grego, do hebraico e aramaico era universalista e acreditava que no fim dos tempos até o diabo se salvaria. E se disse isso, é porque conhecia as línguas nas quais foram escritos os Evangelhos e podia falar de cátedra. Também, o irmão de Basílio Magno, Gregório de Nissa, pregava que mesmo satã seria restaurado no fim dos tempos (apocatástase).

Infelizmente essa doutrina não vingou por questões políticas e também econômicas e não vingou também por causa do declínio do Império Romano, porque com a chegada da Idade Média, os bispos ocidentais que já não tinham grande cultura, exceção para Ambrósio de Milão e Hilário de Poitiers, perderam o pouco de cultura que tinham.

Com a ignorância dos líderes religiosos da Igreja Latina, superabundou o fanatismo, e era preciso explicar de onde surgiam as doenças, porque havia desgraças, etc... E como não tinham melhor resposta retomaram a figura do diabo, só que um diabo mais cruel do que antes.

E como os padres não sabiam convencer as massas porque eram tão ignorantes quanto as mesmas, sua pregação consistia em três palavras: pecado, diabo e inferno. Somente com o surgimento da escolástica é que a igreja ocidental (hoje conhecida como católica romana) pôde ficar menos fanática. A escolástica foi um avanço, mas mesmo assim, os melhores de seus teólogos não conheciam grego, exemplo disso é Tomás de Aquino.

Já na Idade Moderna surgiu o movimento da Reforma Protestante que veio para piorar a situação, mergulhando o ocidente outra vez no obscurantismo e mais uma vez a figura de maior importância não é Jesus, mas o diabo.

Lutero tinha uma verdadeira obsessão pelo diabo a ponto de dizer que tinha dormido mais vezes com o diabo do que com sua mulher Catarina (Não me perguntem o que Lutero fazia com o diabo).

A Reforma veio para reformar o inferno e o diabo que estavam mais tênue no início da era moderna.

Sempre que o povo perdia a fé não em Deus mas no diabo, surgia uma nova forma de protestantismo assim foi que surgiu o pentecostalismo e o neopentecostalismo que fala em demônio o tempo todo. Os protestantes fundamentalistas (há protestantes liberais que interpretam grande parte da Bíblia como mitos e lendas) mal sabem que o diabo é uma invenção pagã que o judaísmo importou da Pérsia.