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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Modelos estanques de Ética e teoria política resultante

John Gray - na Anatomia - em suas reflexões, insiste repetidamente na incompatibilidade irredutível de certos conceitos ético/valorativos como ponto de partida para a elaboração de sentidos políticos conflitantes. Há por trás disto a pressuposição instrumental segundo a qual as pessoas adotam uma determinada forma política com o objetivo de legitimar os valores que norteiam suas vidas. E não podemos duvidar de que a maior parte das pessoas assim procedam e julguem as teorias ou seus resultados concretos a partir de valores estanques e unívocos.

Diante disto a saída apontada por Gray, se bem o compreendemos, gira em torno de um ceticismo ou relativismo ético a que chama pluralismo. Pois ele julga que as pessoas prendem-se metafisicamente a um determinado valor e a visão política que dele decorre, julgando-as verdadeiras e passando a combater ferozmente as demais. O máximo que ele pode dizer é que essas pessoas devem tolerar as visões contrários ou opostas que procedem de valores divergentes.

Por isso ele condena veementemente não apenas o espírito jacobinista, que busca expandir belicosamente a ordem democrática, mas o simples espírito democrático que encara a ordem democrática como a única aceitável face a aristocracia ou a monarquia. Claro que ele sabe desvincular, com maestria a pura forma ou estrutura democrática dos Liberalismos Político e Pessoal, apontando para a boca do abismo - que é o formalismo vazio, e enfim para o fenômeno monstruoso do totalitarismo democrático, alias já presente em Rousseau, o 'Hobbes' da democracia...

Evidentemente que sua análise recorda, de longe, a análise estrutural, realista e funcional a que Aristóteles submeteu as formas políticas todas, buscando legitima-las teleologicamente através da meta do 'Bem comum'. Todavia não é menos verdadeiro, que o mesmo Aristóteles - aberto a aceitação de qualquer forma política - antecipando Platão, nas leis, e a própria organização da República romana, aponta o sistema misto ou republicanista como sendo o mais adequado a vida social.

Maquiavel no entanto, apelando a experiência faz duas declarações bastante interessantes. A primeira delas diz respeito ao reduzido número de exemplos históricos alusivos a bons monarcas. E se recorrêssemos a Voltaire, ele nos diria que até mesmo as páginas da suposta História sagrada ou da monarquia controlada por deus (de Judá e Israel) não faz exceção a regra... Para cada Pedro II há centos de Hitleres, Timures, Stalines, Ivans, etc O que nos ela a tese do poder absolutamente corruptor...

A outra alegação é até mais filosófica. O povo ou a multidão, correspondendo a diversos cérebros, via de regra, decida melhor e governa melhor, desde que educada é claro. Devemos convir com Aristóteles, Ortega y Gasset, Patrizi e outros em que a Oclocracia ou governo das massas incultas e bárbaras seria pior do que o governo aristocrático ou nobiliárquico. Assim, caso tenhamos de escolher entre "O domínio só da nobreza e o domínio somente da plebe, que o governo fique nas mãos da nobreza e não da plebe.". 

A bem da verdade não há mesmo receita de bolo ou bula de remédio para o problema das formas políticas. No entanto a prudência e a razão parecem recomendar ou a policracia de Atenas ou o regime misto - republicanista - da Roma anterior a César.

Sou até levado a concordar com Gray e antes dele com Guicciardini no sentido de que outras culturas e sociedades conservem as antigas formas monárquica ou aristocrática até que a consciência democrática surja a partir delas mesmas. O problema aqui é mostrar-se tolerante com a instalação de regimes tirânicos ou despóticos em sociedades que conheceram ou conhecem as formas democráticas. Claro que as formas democráticas por si só não são perfeitas. Há o problema latente do economicismo, por exemplo. De modo que nossas formas democráticas carecem de uma orientação ética, a qual lhes apure e depure. No entanto a precariedade das mesmas não justifica sua substituição por formas totalitárias ou ditatoriais. A solução deve dar-se no sentido oposto - por mais democracia e menos pressão por parte do poder econômico.

Seria pedir demais aos cidadãos conscientes, herdeiros do pensamento de um Cícero, de um Mussato, de um Latini, de um Marsiglio... que tolerassem o desabrochar e o florescer de principados autoritários no berço das democracias antiga e moderna. Olhar o agonia, a crise e o colapso das formas democráticas ocidentais com indiferença constituiria para muitos de nós uma traição, senão um sacrilégio e é aqui que não podemos acompanhar Gray em seu comodo relativismo, já ético, já político. Mesmo admitindo o papel da consciência social ou pessoal nós encaramos o exercício da liberdade como um valor ôntico ou essencial, mesmo quando assumimos a doutrina da liberdade negativa ou instrumental i é para a verdade. Pois como disse Valera a democracia é justamente isto - Um terreno livre de todas as peias, a partir do qual podemos exercer uma atividade livre, embora toda atividade tenha um fim e o fim da atividade intelectual seja a Verdade e o fim da atividade ética o Bem.

A parte construtiva de Gray - Mesmo admitindo que ele não percebe no bem, na verdade e na beleza, nada mais que convenções - (E ela é atual) diz respeito a nossa visão estanque, compartimentada ou desarticulada de virtude. Erro cabal mas comum a Humanistas e a Cristãos... com a decorrente cristalização do sentido político. O analista conservador, de modo geral, seleciona, argutamente três valores perfeitamente distintos. Assim a Liberdade, a Paz e a Justiça, declarando que nossa civilização não cessa de contrapo-los uns aos outros, construindo sentidos políticos contraditórios que vivem a se chocar...

Deve, creio eu, ter lido a análise penetrante do florentino. Maquiavel - com a sagacidade que lhe é peculiar - já havia relacionado a opção radical ou prioritária pela Paz com o modelo conservador e assim com derivativos em torno da estabilidade, da tranquilidade, da imobilidade social, etc em torno dos quais constroem seu ideário. Do outro lado situa os partidários da Liberdade - Liberais Políticos ou Pessoais - os quais em nome da própria dignidade estão sempre postos a sacrificar os derivativos acima, não recuando mesmo face ao conflito, a violência, a força, ao tumulto, a instabilidade, sempre que necessário for. Não prezam como dizem uma paz de escravos ou a porção do cão acorrentado a parede.

Gray - e nós com ele - acrescentaria, a visão de Maquiavel, um terceiro grupo, os partidários da justiça ou progressistas ou ainda - caso levemos em conta que Platão era justicionista - reacionários/progressistas (parece paradoxal mas não é). Estes concordam com os Liberais no sentido de sacrificar a paz as exigências da justiça, admitindo pagar tributo a insegurança, a instabilidade, a confusão, etc caso seja necessário. Mais, alguns deles - os totalitários e despóticos - admitem inclusive sacrificar a própria liberdade as exigências da justiça. Assim os radicais.

Ambos os grupos em questão concordam que a paz não pode ser encarada como valor supremo. A ponto de abraçarmos com fervor uma paz indigna ou injusta. Claro que a paz deve ser estimada ou prezada, mas apenas até certo ponto. É a paz um valor derivativo ou relativo, que deve sempre estar conectado com a liberdade e com a justiça, os quais estão bem mais próximos do absoluto.

Será este o sentido do Evangelho ou de Jesus Cristo. Muitas vezes apresentado como pacifista radical, a semelhança de Tolstoi, Gandhi ou Thoreau. É indubitável que Jesus amasse a paz e a tivesse em conta de importante valor. A ponto de inclui-la nas bem aventuranças. E quanto a esfera da vida pessoal ou provada de sancionar a não violência ou a não agressão, além de condenar terminantemente a vingança. A questão é se ensinou-nos já na vida pessoal já na vida social a suportar uma paz indigna ou injusta em nome da religião.

Aqui parte das pessoas costumam sair-se com o texto clássico do 'dar a outra face...' e o exagero oposto é toma-lo por metáfora. Dar a outra face é de fato uma ênfase, no sentido de jamais dar vasão a cólera e exercer a vingança. Não esta contra V Ihering, quando declara que buscar a justiça face a uma agressão qualquer faça parte de nossa própria dignidade. O Cristão agredido ou prejudicado na esfera da vida pessoal sempre poderá ou deverá recorrer aos magistrados ou ao tribunal, pois não é isto vingança e sim demanda pela justiça.

Agora em que me baseio para dizer tais coisas? Acaso não estarei fugindo a tradição, livre examinando como Lutero e transtornando, criminosamente, o sentido da palavra de Cristo? Não, não fugimos ao Evangelho, mas recorrendo as ações ou ao exemplo de Nosso Senhor podemos compreender melhor o sentido de suas palavras.

Assim quando é esbofeteado pelo oficial do sumo sacerdote, Jesus não fica calado, mas replica: Se mal falei, demonstra; mas se bem falei porque me bates? Como quem demanda por justiça, mesmo sem saber que não seria atendido. Mas se sabia que não seria atendido porque demandou? Para dar-nos exemplo. Para dar exemplo aos que haveriam de crer e estimula-los a perseguir a justiça!

É como dissesse: Se eu falei algo errado tens razão em bater-me, mas se eu falei a verdade com que direito me bates?

Esta embutido nesta pequenina frase a própria definição de justiça: Dar a cada um o que lhe convém. Assim punir o que mente e premiar o que declara a verdade!

Podemos declarar que a justiça faz parte do Evangelho, e a demanda, e o clamor pela justiça, tal e qual o apreço pela paz. E nem pode ser Jesus a favor de uma paz social que seja injusta. Justiça e paz devem abraçar-se e caminhar juntas.

Assim a liberdade. Posto que Jesus reconhece o direito dos hierosolimitanos que se recusavam a crer nele, além de declarar ter se manifestado para tornar o homem verdadeiramente livre. Não falsamente livre ou livre pela metade apenas. Claro que a liberdade parte antes de tudo do interior do homem e por isso diz Jesus que o ímpio pode tirar-nos a vida mas de modo algum atingir a alma e contamina-la. Fica de algum modo assente que também o ambiente externo, o mais condizente com a condição livre do homem, deve facilitar ou promover esta liberdade externa e por isso o Império romano procedia com dolo ao martirizar os primeiros Cristãos.

Disto se segue que a liberdade também é valor precipuamente evangélico, que acompanha o espírito, e onde há espírito há liberdade e não há espirito sem liberdade.

Temos assim que a proposta do Evangelho não se cristaliza em torno de um destes valores apenas, qual fosse estanque ou unitário, com a exclusão dos demais, mas conecta-os organicamente uns aos outros ou articula-os hierarquicamente. É uma visão harmoniosa, não sectária ou radical.

É a paz qualidade preciosa, mas relativa ou seja sempre que associada a realização da liberdade e da justiça com a exclusão das quais perde seu sentido e se torna indigna. Por isso os Cristãos buscam sempre e antes de tudo resolver os problemas da liberdade e da justiça pela via democrática, legal ou institucional, não deixando inclusive de exercer a desobediência cívil de Thoreau caso necessário seja e em seguida de rebelar-se e de exercer a violência - nos mesmos termos de G Sorel - caso seja necessário. O que deve ser feito sem mínimo constrangimento. Tal a clássica doutrina da guerra justa e a doutrina consequente da justa rebelião e do tiranicídio. Tudo isto é doutrina Católica, Ortodoxa e clássica, assente na nossa tradição e na alta teologia.

Partimos de Marsiglio, Mussato, Latini, Salutati, etc passamos por Tolstoi e Thoreau, mas, se preciso chegamos a Sorel. Pois não admitimos paz de escravos, servil ou indigna.

Após a paz segue a liberdade. Não como fim em si mesmo - a própria atividade não é fim em si mesma - mas como via de acesso a Kalokagathia. Embora não constitua a Liberdade um fim em si mesmo, constitui um precioso valor pelo simples fato de corresponder ao curso natural em que nós, seres humanos, devemos nos desenvolver. A liberdade é nosso caminho e não podemos prescindir dela o negocia-la. Por isso os que costumam isola-la e opo-la a justiça com o objetivo de nega-la cometem um erro terrível. Optar entre liberdade e justiça será sempre um falso dilema. É necessário conserva-las ambas, e onde falta a justiça, combater por ela, sem jamais suprimir a liberdade.

É assim a liberdade necessária. É valor necessário mas não suficiente e não nos podemos satisfazer com ela caso falte a virtude mais excelente em termos qualitativos e propriamente divina, que é a justiça. Deus não é livre. E não pode deixar de ser justo.

Assim a mesma relação da paz com a liberdade se reproduz na relação da paz com a justiça, devendo a paz ceder. E o Cristão amando e cultivando a paz; e repudiando a agressão, não se torna pacifista ou ao menos pacifista crasso. E sendo assim jamais será conservador. Exceto se a sociedade a ser conservada for livre e justa e se os valores da liberdade e da justiça realizarem-se nela, do contrário...

Será o Cristão ou o humanista racional, Liberal e sempre Liberal, especialmente quanto a politica e a ética (religiosidade). Como seja justicionista, solidarista, comunitarista, socialista pelo simples fato de jamais perder a noção do outro e alienar-se dele. Será solidário, jamais egoísta. Assim os termos liberal e social ou socialista, se bem compreendidos não se excluem, se articulam e completam.

Portanto não há este homem de escolher ou de optar entre qualquer dos três valores mas de cultiva-los justos, organicamente. E de construir um sentido misto - Liberal, Social e quanto possível em conexão com a paz ou pacífico. Pacífico sem ser pacifista, social sem ser totalitário ou comunista e liberal sem ser economicista ou capitalista. Situará a comunhão no plano da economia, o liberal no plano da política e a paz como objetivo prático.

Destarte não precisaremos relativizar, com grave risco, tais valores, pelo simples fato de podermos coordena-los.

Relativizar a justiça ou a ética como costumam fazer or teóricos do direito puro, como Kelsen e Ross, equivaleria a negar a lei natural e a solapar os fundamentos do liberalismo pessoal e político, dando-o por meramente convencional. Relativizar a liberdade reforçaria ao máximo a negação acima. E o resultado disto tudo seria fortalecer o Estado, alias e inclusive, totalitário e despótico, até chegar ao absolutismo, ao direito divino, a servidão, ao escravismo, ao nazismo e a outras tantas culturas de morte, venenosíssimas, sempre.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Comunistas, anarquistas e humanistas e a Revolução ou Revolução, Ética e Liberdade.

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Um dos problemas postos por Jonh Gray em torno da Ética, que não crê ser universal, mas relativa é a suposta incompatibilidade existente entre as exigências da paz e as exigência da justiça. A argumentação do autor, aparentemente ao menos, justifica-se tendo em vista duas opções extremistas e excludentes - A do pacifismo crasso, assumida por certo número de Cristãos de boa vontade, e a do revolucionarismo atrabiliário, professado por diversas correntes sociais de vanguarda.

Assim se os primeiros sempre sacrificam as exigências da justiça em troca duma paz não gloriosa e tampouco digna os demais fazem muito pouco caso da paz e da vida. O que segundo Gray, aponta-nos soluções éticas antitéticas, excludentes e inconciliáveis... A situação - ao menos para ele - é esta, e não há solução.

Diante disto a questão proposta por nós assume a seguinte forma - Será possível, do ponto de vista ético, conciliar os interesses da paz com os interesses da justiça? Até quando será possível manter a paz? Quando será necessário sacrificar a paz em nome da justiça ou melhor quando uma virtude deverá ceder espaço a outra? Como pugnar por uma luta ou por uma revolução ética? Será isto possível? Adotada a solução policrática, como conciliar a estrutura de uma organização revolucionária com as exigências da liberdade humana?

Num primeiro momento devemos ter consciência, e mesmo o homem pacífico e bem aventurado, de que a paz é um bem desejável, mas relativo. Na hierarquia de valores há valores superiores a ela e um deles é a justiça. E não é possível aconselhar a alguém que suporte a injustiça em nome da paz. A paz só assume a conotação de um valor absoluto quando identificada com a 'não agressão'. Da mesma forma o pacifismo consistente deve significar sempre 'não agressão', é filho da paz aquele que podendo atacar opta livremente por não faze-lo, como é filho da paz aquele que se defende ou que recorre a violência defensiva. É tão inimigo da paz aquele que ataca quanto aquele que comete qualquer injustiça.

Por isso Ihering define a injustiça como uma profanação da dignidade humana. Todo injustiçado é de alguma forma profanado...

Diante disto como exigir deste homem violado no mais íntimo de seu ser que se conforme???

Apesar disto milhões de Cristãos, mal orientados, declaram que a injustiça é coisa que se deva suportar. Uma vez que o Mestre de todos disse: "Aquele que te bate numa face dá a outra face."

Querendo dizer que jamais é lícito defender-se ou exercer a violência defensiva; e que nos devemos deixar esmurrar em quaisquer circunstância.

Antes de tudo devemos compreender que aquele que é agredido ou esbofeteado repentinamente perde o controle e que ao perder o controle foge-lhe a razão. Ele voa sobre o outro, o outro voa sobre ele, começa ai uma briga e não poucas vezes destas brigas resulta uma morte ou dano mais grave. Já aquele que ao ser subitamente agredido ou atacado logra controlar-se adquire um bem relativamente valioso - O auto controle ou controle de si mesmo, o qual lhe permitirá avaliar a situação com serenidade, e tomar a melhor decisão possível.

É significativo que esse texto seja precedido pela fórmula de talião - Olho por olho, dente por dente. O que nos levaria a concluir que o vício condenado por Jesus é a vingança e não a defesa. Ademais está Jesus referindo-se a conflitos pessoais que sucediam amiúde nos ermos da Judeia, degenerando em brigas... com as consequências que acabamos de descrever acima. Neste caso por que colocar a própria vida ou a vida de outro em risco devido a posse de uma túnica? Se a vida de qualquer homem vale mais do que uma túnica???

Diversa é a situação em que o agredido que logrou controlar-se, deduziu ter sido injustiçado e chamou a polícia ou recorreu a lei - assim em Roma, na Grécia ou nas atuais nações civilizadas. Vinganças, brigas, linchamentos, explosões irracionais de violência, etc parece ser tudo quanto Jesus quisera condenar. Não a busca da justiça por meio das leis numa sociedade civilizada ou o recurso a violência defensiva em casos premeditados.

Claro que a solução dada por Jesus refere-se a conflitos pessoais ocorridos em sociedades demasiado arcaicas ou primitivas. Não a conflitos sociais ou impessoais sucedidos em sociedades civilizadas, e que correspondem a uma demanda pela justiça. Claro que tais situações fogem a 'cena' descrita pelo Mestre e assumem outra conotação.

Aqui importa uma única coisa - O sentido mais profundo da paz enquanto não agressão. Antes de ser aquele que em tese suporta qualquer tipo de agressão como um cordeiro, é o Cristão cordeiro que jamais agride. Assim caso existam Cristãos que agridam a outros Cristãos ou mesmo aos não Cristãos É DEVER DA IGREJA REPRIMI-LOS DURAMENTE, ATÉ A EXCOMUNHÃO. Não é ao agredido ou ao que sofre violência que a igreja deve dirigir sua voz para apaziguar, mas ao agressor, para condenar! E não se trata de reprimir apenas o mais comum dos tipos de agressão, a agressão física, mas de reprimi-la sob todas as formas, inclusive a econômica. A igreja não pode tolerar agressores em seu seio.

Por outro lado a sociedade pluralista não é guiada pela lei ética dos Cristãos. Tolerará ao menos a agressividade sútil, que atingirá cristãos e não cristãos, colocando-os num mesmo plano. Deve aqui a igreja condenar os Cristãos que juntamente com os não Cristãos pugnam pela justiça? Certamente que não, como não pode condenar a guerra justa. Assim, o máximo que a igreja pode e deve fazer é gerenciar essa luta ou essa guerra fornecendo uma diretriz ética que exclua a vingança e a tortura; é o quanto bastará por merecer os aplausos da humanidade. Uma vez que os guerreiros após terem pelejado como leões no campo de batalha, devem tratar os vencidos e prisioneiros com cordialidade e doçura.

Importa que numa crise social todos os recursos possíveis sejam empenhados no sentido de manter a paz sem sacrificar a justiça. Todavia esgotados os recursos, a guerra torna-se justa e enquanto justa boa, e enquanto boa desejável. O Cristão não deve avaliar a violência, a guerra ou a revolução enquanto tais ou fins em si mesmas - a violência pela violência será sempre inaceitável já dizia Sorel - mas como meios ou instrumentais para superar uma situação insuportável de injustiça. A injustiça é que fará delas algo absolutamente necessário. Devemos compreender que os conflitos bélicos e as revoluções acontecerão e fornecer uma critério ou padrão ético porque o Cristão possa julga-las. Este padrão é a justiça.

Em certos casos abster-se é colocar-se ao lado dos iníquos e fortalece-los. O Cristãos sempre combaterá ao lado dos atacados, dos agredidos, dos injustiçados, dos oprimidos, dos explorados, etc Sem se preocupar com as facções ou bandeiras ideológicas. Caso a sociedade em que vive agredir ou atacar alguma outra, então poderá não apenas abster-se de lutar em favor dela mas combater tal guerra por meio da pena e da palavra, exercendo oposição ideológica. Nenhuma guerra de conquista deverá contar com o apoio dos Católicos.

Quanto a própria comunidade o critério mais seguro face a uma Revolução - daí o termo violência defensiva - é a quebra da ordem democrática por meio de um golpe, como acabou de acontecer no Brasil, em 2016, com a deposição da presidente legitimamente eleita. O que equivale a uma situação de agressão e injustiça, justificando a resistência ou a sedição. Quanto a tais situações, chamadas golpe de estado, julgo que haja suficiente clareza, uma vez que se trata de eventos de ordem política. Outras situações não são tão claras, na medida em que envolvem a conjuntura econômica ou negação de direitos por meio de massacres e tortura.

Claro que mesmo uma situação de guerra justa ou revolução, inda que desejável, não basta para despertar o que chamam de entusiasmo. Se as crises correspondem a situações anômalas - como as enfermidades ou doenças na vida de um ser humano normal - as revoluções e guerras só podem corresponde a remédios amargos, cauterizações ou cirurgias... Situações relativamente necessárias, não idílicas. Por isso estamos tão longe do contra revolucionarismo tosco quanto da mística revolucionária. Quando esgotadas todas as outras possibilidades aceitamos as situações de Revolução sem nos deixar iludir ou entusiasmar e sem esperar demais... Não cremos que da Revolução ou de qualquer guerra surgirá uma nova sociedade totalmente diversa da anterior ou um paraíso sobre a terra. Não nutrimos sonhos futuristas ou milenaristas em torno das Revoluções, tudo quando esperamos é uma ordem menos iníqua ou suportável.

Por fim enquanto policratas e simpatizantes com aqueles poucos anarquistas bem informados que sabem ser o anarquismo uma luta pela democracia direta  -  acima de tudo a nível de micro estado ou municipalismo - e pela esfera intangível da liberdade pessoal (mencionada por Rousseau nas primeiras páginas do 'Contrato') temos de nos perguntar a respeito de como será a guerra justa ou a revolução. A pergunta se faz necessária porquanto os nazistas, fascistas e comunistas e todos os demais liberticidas acham-se em seu terreno e os amigos da liberdade política não, quando falamos em militarismo ou em algo do tipo militar, como supõem uma revolução ou uma guerra bem sucedida.

Observemos antes de tudo os conflitos gerenciados pelos anarquistas. Primeiramente aquele tipo individualista chamado propaganda pelo fato. De que resultou uma tempestade repressora por parte do estado burguês. Colocando em risco a causa socialista como um todo e alienando não apenas as massas mas o bom povo quanto a tão justa causa. Caso passemos as conjurações, que os anarquistas tomaram ao jacobinista e totalitário Blanqui através de Proudhon, temos o exemplo malfadado da comuna de Paris. Enfim quanto a Revolução espanhola temos um federação de guerrilhas ou conjurações muito mal coordenadas, cada uma atuando a seu modo... Claro que nenhum desses tipos de 'revolução' poderia dar certo.

As guerras e as revoluções que acontecem no cenário de um macro estado unificado exigem um nível mínimo de coordenação, de um comando centralizado e o que é pior de obediência mecânica ou de submissão, sem os quais não podem sair vitoriosas. No entanto esta obediência mecânica, num nível maior, choca-se tanto com os princípios anarquistas quanto com os princípios cristãos ou humanistas de larga tradição filosófica. As relações militares durante uma guerra são em certo sentido arbitrárias, intuitivas e irracionais... As massas incultas conformam-se com elas sem questionar. O Filósofo dificilmente. Não foi por acaso que Carnéades e seus companheiros foram corridos da Roma militarista pelo grande Catão... De modo geral os belicosos romanos, senhores do mundo, encaravam os gregos, com seu apego a arte e a filosofia, como um 'povo' degenerado.

Amigo algum da liberdade, Cristão, anarquista ou humanista, consciente de sua dignidade pessoal, pode deixar de sentir este dilema como a um espinho na carne. Pois dificilmente estará disposto a curvar-se face ao que julgar não passar de caprichos de seu superior... E no entanto a tática da guerra parece depender disto, deste deixar-se controlar por um superior que conhece melhor o conjunto. O sucesso da Revolução ou da guerra parece depender do mando e da submissão e de um cérebro que esteja acima de todos coordenando tudo... Face as este cérebro os mais deveriam estar paralisados, passando a agir como braços e pernas. É exatamente aqui que surgirão conflitos de consciência e tumultos no caso dos Cristãos... Caso se lhe peça que torturem ou massacrem já prisioneiros, já civis inocentes, coisa que ele não poderá fazer em hipótese alguma. Julgo que alguns anarquistas de boa vontade e humanistas concordarão com eles. Formarão objetores de consciência... Isto terá de ser discutido previamente. De modo a obter-se algum tipo de acordo. Não sendo assim a Revolução ficará comprometida.

Mesmo em alguns outros casos surgirão problemas entre os amigos da liberdade. Pois certamente haverá quem se recusará a massacrar animais. Como quem se recusará a comer carne... O anarquista, o católico, o humanista, dificilmente se deixará padronizar. Já as operações de guerra bem sucedidas parecem depender das massas ou dos homens padronizados e sem vontade própria. Levantemos a hipótese segundo a qual tais homens se deixem controlar caprichosamente apenas durante o período em que durar a Revolução - a qual pode prolongar-se por alguns anos ou mesmo décadas. Quem garante que esta situação não servirá como um treino destinado a amestrar homens livres tendo em vista a instauração de uma ordem despótica ou totalitária. Neste caso não estaríamos a nos adaptar antecipadamente, sacrificando nossos ideias, princípios e valores???

Não quero dizer que as Revoluções devam ser contidas.

Estruturas econômicas, religiosas, políticas, etc entrarão em colapso e criarão situações potencialmente revolucionárias para as quais devemos estar preparados. Daí a necessidade de levantar a discussão, inclusive em torno de uma ética revolucionária. E de indagar sobre como seria o futuro post revolucionário e a distribuição dos poderes... Temos de saber antes de tudo que uma Revolução bem sucedida não ocorre as vésperas, exige tempo, planejamento, armamento, técnica, disciplina pessoal, treino, etc, etc, etc Supõem um corpo de guerrilha preparado... Quase todo discurso revolucionário feito pelos místicos de hoje tem sido leviano e espontaneísta. Nada muito sério. O que nos faz nutrir séria reservas quanto a viabilidade de tais revoluções mais parecidas com as grotescas conspirações blanquistas criticadas por Engels em 1895. Não se faz revolução com drinques, pizza, cigarro, maconha, etc Não se faz mesmo... Os profetas da revolução atual bem fariam ler a vida de Marighela.

As revoluções acontecerão. Mas também poderão abortar ou ser sufocadas por falta de seriedade e comprometimento.

Como poderão dar vezo a surtos de psicopatia e crueldade; assim como resultar em totalitarismo e barbárie...

Comportam riscos.

Por isso dissemos - Elas só serão viáveis em situações de injustiça extrema após esgotados todos os outros meios: Ação parlamentar, greves, protestos, marchas, desobediência civil... Só serão aceitáveis como respostas a um golpe ou a um massacre. Será respostas a determinadas situações ou conjunturas históricas, jamais receitas de bolo ou bulas de remédio.

Certamente a mística revolucionária que anima o Comunista, o nazista ou o fascista não deverá contagiar o Cristão ou o humanista; mesmo o anarquista, na esteira de um Kropotkin ou de um Tolstoi acalentará maior ou menos nivel de reserva face a ela.

Ps.: Reservamos outro artigo para dialogar com G Sorel.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Sobre o caráter e missão dos povos germânicos no contesto Ocidental II

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Na perspectiva de um helenizante ou 'grecizante' Cristão (Católico evidentemente - alias tome-se Católico por seu autêntico sentido Ortodoxo!)



Embora são sejamos germanófilos ou germanizantes, cumpre-nos tentar ser justos em nossas apreciações a respeito do valor dos fatos históricos e assim das invasões teutônicas do século V. Averiguando que nos trouxeram de ruim e que nos trouxeram de útil, bom ou proveitoso.

A respeito do aspecto negativo de tais invasões, relacionado com o eclipsar da cultura grego romana e portanto tanto do espírito filosófico quanto do espírito científico e ainda das letras e das artes, já nos pronunciamos no artigo precedente.

Quanto a perda inútil de vidas e efusão de sangue, como Cristãos deploramos sinceramente, mas reconhecemos que desgraçadamente assim tem sido século após século e - aqui o pior - que assim o é no tempo presente, em que um psicopata como D Trump, posando como dono do mundo, propõem-se a atacar a Coréia do Norte, com grave risco para toda humanidade e bilhões de vidas humanas. Tudo em nome do oportunismo, da vaidade, da arrogância, etc E tais sociedade ousam declarar-se Cristãs!

Ao menos a maior parte senão a quase que totalidade dos invasores germânicos eram pagãos ou arianos, e portanto infensos ao Dogma da Encarnação ou da divindade de Cristo, que é o padrão niceno ou atanasiano de fé. Hoje afetam adorar o Cristo, e matam e torturam, e roubam - pilhando nações inteiras - em seu nome! Onde chegamos!

Mas passemos sem delongas a ulterior missão dos povos germânicos na Europa.

Pois preservar o Europa era preservar o Catolicismo - Ao menos até a irrupção da falsa Reforma no século XVI - preservar o Catolicismo, preservar a parcela que este tomou a cultura antiga, grego romana, e preservar esta, preservar os fundamentos mais remotos de nossa Civilização. Os quais como já vimos deitam suas raízes mais remotas no antigo Egito e na antiga Suméria. Trata-se portanto de lutar por nossas raízes e por nossa identidade.

Sucede no entanto que por volta do século IV, após três séculos de ostensiva perseguição por parte do Império dos Césares, haviam os Cristãos desenvolvido um culto destemperado, uma mística ou mesmo um delírio, em torno do martírio.

Longe de nós negar a importância deste fenômeno da esfera pessoal da vida Cristã, quando organicamente relacionado com a confissão de fé, no seio de uma Sociedade não Cristã.

Equivoco no entanto, e dos graves, é transplantar a mesma dinâmica para uma Sociedade já Cristianizada ou para uma Sociedade pluralista e tolerante em que os Cristãos gozem de plena liberdade. Nem Jesus jamais pretendeu dar lições de política ou sociologia nos Santos Evangelhos, nem devemos nós transplantar o ideal do martírio para tais setores da existência. Permitindo ou assistindo passivamente a destruição de uma sociedade livre ou cristianizada por hordas de bárbaros sem educação. Isto não é Cristianismo e nada tem de Cristianismo, é moleza ou covardia.

O mesmo Cristão que em sua vida e em suas relações pessoais, tem o dever de dar a outra face quando agredido por outrem - E jamais negamos isto - no contesto de uma Sociedade Cristã ou tolerante ameaçada ou invadida por pessoas de mentalidade fanática, tem o grave dever, de como cidadão, empunhar armas e colaborar ativamente tendo em vista a defesa desta Sociedade. Pensando mormente nos idosos, nas crianças e nas mulheres e nos agravos que tais categorias de pessoas teriam de sofrer as mãos de um conquistador cruel.

A Solidariedade social constrange o Cristão a lutar por sua liberdade e pela liberdade de todos no contexto político ou imanente.

Tal a luminosa doutrina da guerra justa ou da legítima defesa na esfera social da existência. O Cristão não só pode como deve abdicar da livre resistência, e antes morrer do que matar, quanto a confissão de sua fé ou suas relações pessoais; jamais quando a sociedade se encontra em perigo. Aqui o outro é prioridade, especialmente os mais vulneráveis, e é necessário lutar e morrer por eles. O que demanda força, não apenas de corpo ou física, mas sobretudo de alma, em termos de valentia, coragem ou ousadia. Pois em certar situações é a coragem grande virtude.

É exatamente aqui que tocamos aos povos germânicos.

Pois representavam exatamente isto: Força física e valentia ou coragem. Predicados indispensáveis tendo em vista a contensão do flagelo muçulmano.

Como já dissemos devido a uma compreensão equivocada de martírio, a uma noção errônea de paz, a uma passividade estúpida que conduzia a inação e ao servilismo os antigos Cristãos 'romanos' não pareciam estar a altura de resistir a um inimigo tão formidável quanto o islã com sua jihad alimentada pelo fanatismo. Fazia-se mister injetar sangue novo nas veias do império para torna-lo forte e resistente.

A Cristandade e Civilização salvaram-se porque em 732, em Poitiers nas Gálias, os sectários de Maomé depararam-se não com uma multidão de Cristãos narcotizados por um entendimento errado a respeito do martírio, mas com os francos, fortes e corajosos capitaneados pelo Prefeito do Palácio, Carlos Martel. Do contrário teriam sido os cristãos ineptos ou covardes, esmagados e a Europa ocupada de ponta a ponta, até os confins da Alemanha ou da Bulgária pelo islã, fechando o roteiro do Mediterrâneo, erradicando por completo o Catolicismo e com ele as fontes clássicas ou pagãs de nossa ancestralidade e cultura.

Teríamos um Ocidente aniquilado. E decerto não estaria escrevendo estas linhas ou sendo lido por vós, uma vez que não existiriam computadores ou Internet. Descoberta da América ou Colombo. Aviões, automóveis, trens ou tecnologia... Pois tudo isto é fruto ou resultado de outros caminhos, decisões e desdobramentos culturais; os quais não partiram do islã nem poderiam ter partido dele. Uma vez que a própria Mutazzila - um apropriar da Filosofia grega pelo primitivo islã - foi completamente exterminada pela Ortodoxia corânica ou sunita, firmada pelos imames Achari e Gazali.

Não passaríamos de uma sucessão de minaretes e muezzins enfileirados de Múrcia a Upsala ou Atenas! Com suas multidões de fanáticos curvados em direção da Meca recitando a shahada. Seria o fim inglório, trágico e patético duma saga iniciada 4000 anos antes no Egito e na Suméria. E o Epílogo teria sido em Tuors ou Poitiers em 732, onde poderíamos lavrar uma placa a guiza de epitáfio e marcar: Aqui jaz a Civilização Clássica * 3500 a C a + 732 a C.

No entanto fomos salvos da catástrofe total pelos germânicos ou francos em 732 e novamente no século XII graças as Cruzadas. As quais, ao contrário do que se ensina vulgarmente, jamais consistiram num ataque ou numa agressão, mas numa resposta necessária a jihad iniciada pelos fanáticos muçulmanos em 634 desta Era e jamais encerrada ao cabo de meio milênio. Tratou-se portanto de um mecanismo de defesa social ou duma iniciativa legítima. Duma resistência absolutamente necessária face a um inimigo insidioso.

O qual já havia arrebatado parte do antigo Império a ponta da espada e imposto violentamente suas crenças aos vencidos. Segundo a norma e regra assaz conhecida do: Converte ou morre! Práticada por eles ainda hoje, em pleno século XXI. Os Yazeds e Mandeus que o digam...

Lamentavelmente, temos de admitir, a antiga Cristandade latina não estava a altura do desafio lançado pela fúria dos maometanos. Não reconheciam que em certas situações extremas pode a força ser administrada para o bem na perspectiva da liberdade e da justiça. Chegando a ter a passividade e a inércia em conta de virtudes. O que veio a degenerar num pacifismo crasso e acrítico, o qual de modo algum é Cristão.

De fato o Cristão ama a paz e justamente por isto abastem-se de atacar a quem quer que seja. Mais: Se atacado, responde com nobreza, voltando a outra face ao agressor. E se sua fé é ameaçada, morre alegremente por ela. E afirma e divulga sua crença pura morrendo, jamais matando ou supliciando em nome de Cristo. Todavia se a Sociedade Cristã ou civilizada e tolerante é atacada, dispõem-se a resistir heroicamente, e a dar combate aos fanáticos e fundamentalistas, de modo a que não venham oprimir os mais fracos. Quando o que esta em jogo o grupo social e o regime da liberdade, postos sob o fogo da teocracia abjeta, então o Cristão, amante da paz, devera combater e lutar valorosamente.

A sociedade romana ou ante germânica não tinha esta compreensão.

Tiveram-na os povos germânicos ou construíram-na a partir de sua experiencialidade e devemos compreender esta elaboração como um contributo precioso sem o qual a Civilização iniciada junto aos grandes rios do Oriente jamais teria chegado em linha reta aos dias da ONU ou da Internet, sendo desviada do caminho ou ficando paralisada devido a adoção de um modelo de fé fetichista, teocrático e despótico, incompatível com o espírito de liberdade que conduziu-a até aqui.

Cabendo a nós o grave dever de ser gratos face a contribuição destes povos tendo em vista os ulteriores progressos da Sociedade Ocidental. Nela temos um problema a ser resolvido, que é o Capitalismo. O que não significa que ela mesma seja um problema em seu conjunto. Nós é que temos de distinguir uma coisa da outra, separando os elementos positivos e anteriores ao advento do Capitalismo, dos negativos afirmados a partir dele, ao invés de condena-la como um todo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O tema da violência e o tema do pacifismo.

Encaro a paz como uma vantagem, um benefício, um valor, uma virtude.

Nem por isso sou pacifista crasso como uma Gandhi ou um Tolstoi.

Creio-me pacifista. Mas crítico.

Por mais que seja difícil considero que para pessoa humana seja conveniente abster-se da vingança e proceder sempre com docilidade.

Não se trata de perdoar sem condições ou de ser amigo de todos como preceituam alguns religiosos românticos.

O Evangelho ao decretar que amemos a todos os seres humanos não nos obriga a ser amigos de todos. Isto pelo simples fato de que nem todos estão dispostos a amar, retribuir, respeitar, etc Importa jamais desesperar de tais pessoas, se possível e sempre que possível ajuda-las e jamais agredi-las ou fazer-lhes mal. Importa estar disposto a perdoar caso elas mostrem evidências de que mudaram...

Ninguém é ou pode ser constrangido a viver intimamente com uma pessoa de má índole e sempre será lícito distanciar-se dela.

Agora odiar, buscar vingança ou recusar-se a perdoar aqueles que dão mostrar de serenidade, isto o bom Católico não pode fazer. Amamos os bons e virtuosos vivendo em doce comunhão com eles, amamos os maus pela esperança de que venham a abraçar a virtude, exortando-os a piedade, abstendo-se de agredi-los, tendo paciência com eles e se possível socorrendo-os caso passem por dificuldades, etc São maneiras diferentes de expressar o mesmo amor.

No plano das relações sociais legislou o divino Mestre e não podemos revidar o mal que nos fazem.

Grande desafio temos pela frente.

Porém se tivermos boa vontade, a comunhão ou unidade com o sagrado nos fortalecerá.

Importa saber que Jesus Cristo jamais pretendeu legislar em termos de politica e sociedade.

De fato os preceitos, normas e regras que estatuiu não foram estatuídos tendo em vista a ordem politica ou o estado mas as relações pessoais e ali se esgotam.

Erra cabalmente aquele que a partir da Lei evangélica tenta deduzir princípios políticos destinados ao governo das nações.

Assim tudo quanto o Senhor refere sobre a paz não pode ser usado aleatoriamente tendo em vista a condenação absoluta das guerras.

Pacífico segundo o Evangelho é sobretudo aquele que jamais agride.

Assim a paz do Evangelho, a paz que tende a regular de modo absoluto todas as esferas da existência humana deve ser compreendida não como proibição de exercer defesa, as sempre e antes de tudo como não agressão.

Ao Cristão sempre será vedado agredir ou atacar e tampouco pode se sancionar o ataque ou a agressão em termos de política Cristã.

Por isso que o único tipo de guerra ou rebelião permitido aos fiéis que seguem a Jesus Cristo é a guerra justa por meio da qual os agredidos exercem defesa.

Assim as Cruzadas por meio das quais os Cristãos atacados resistiram a jihad proclamada pelos muçulmanos no século VII e levada a cabo por cerca de quinhentos anos.

Agora aos cristãos jamais sería lícito atacar comunidades judaicas ou muçulmanas com o intuito de converte-las a força. O Cristianismo para sua glória não conhece jihad!

Nem me digam que certas parcelas do Catolicismo como as igrejas romana e anglicana conheceram Inquisições. Afinal sabemos perfeitamente que tais inquisições foram criadas quando o Cristianismo Católico contava com mais de mil anos e que jamais deixaram de ser criticadas pelos melhores membros das igrejas.

Direi ainda que se o desenvolvimento da inquisição estivesse relacionado com qualquer princípio interno inerente ao Catolicismo o Catolicismo Oriental ou Ortodoxo teria também ele conhecido um aparelho inquisitorial. No entanto a civilização bizantina jamais conheceu algo semelhante a inquisição. Donde se infere necessariamente que a existência da inquisição deve-se mais a elementos de natureza externa e exógena do que a elementos próprios do Catolicismo.

Foram tais elementos identificados?

Existem diversas hipóteses relativas a gênese das inquisições Católicas (jamais podemos nos esquecer de que existiram também as inquisições protestantes), tais como: a influência do islamismo e da sharia na península Ibérica, o convívio com os judeus e as fontes cada vez mais valorizadas do antigo testamento, etc

Por outro quando é que o islã deixou de ter jihad, djzia ou murtad???

Tornando agora ao tema da paz.

No entanto se a lei de Jesus Cristo repugna sancionar ou abençoar a agressão tampouco coloca a paz a serviço da injustiça como os pacifistas absolutos. Paz aqui não pode ser encarado por passividade face a situações de injustiça. Esgotados todos os meios pacíficos as situações de injustiça social sancionam o emprego da força, da guerra, da rebelião.

Eis porque Kafka assim expressou-se face a atitude dos operários oprimidos da Áustria: "Esses homens vem até nos para representar quando na verdade deveriam tudo tomar e destruir!"  
Afinal tudo conhece limite...

Assim quando a situação se torna insuportável para a comunidade é perfeitamente lítico tomar e destruir...

Compreende-se quando uma categoria de pessoas ou classe se deixa oprimir por saber-se demasiado fraca para revindicar seus direitos.

Agora quando um grupo ou classe se deixa explorar ao máximo mesmo sendo forte e capaz de reagir ou exercer defesa, já não é questão de pacifismo mas de indignidade.

Socialmente falando o Cristianismo não sanciona a indignidade.

Pois os discursos de Jesus Cristo estão voltados para o homem em suas relações pessoais e não ao governo das sociedades.

O homem forte e capaz que abstem de defender-se ou melhor que abstem de MATAR por suas IDEIAS este apenas é mártir PORQUE não acredita que as ideias possam triunfar por meio da força, mas que suas ideias haverão de triunfar por si mesmas apesar da força e contra a força. Foi este sentido que impediu Sócrates de fugir e que levou Jesus a ser crucificado!

Ambos podiam resistir, podiam fugir, podiam escapar... mas não o quiseram. E pereceram por causa de uma ideia ou opinião.

Claro que não estamos diante de uma situação social em termos de política, daquelas que opõem classes ou nações por consideração de justiça.

Aqui a situação é totalmente diferente e se Jesus Cristo não quis orientar-nos a respeito é porque certamente acreditava em nossa capacidade racional.

Ora, nada mais racional do que a teoria da guerra justa ou da resistência social em caso de agressão.

Mormente quando as crianças, idosos e mulheres inseridos em tais sociedades ficariam a merce de agressores muitas vezes demasiado cruéis. Neste caso proteger os membros mais vulneráveis da sociedade corresponde a um dever Cristão. Assim tendo em vista evitar defender tal gênero de pessoas e impedir que sejam exterminados, torturados ou escravizados pode ser encarado como uma tarefa religiosa.

Nem é necessário que a sociedade seja real, majoritária ou nominalmente cristã para que o Católico esteja obrigado a engajar-se e assumir sua defesa. Basta que seja uma Sociedade liberal ou democrática e laica face a qualquer ameaça fundamentalista ou teocrática a exemplo do pentecostalismo ou do islã. Não pode o Cristão Católico deixar de encarar a afirmação da liberdade no plano da natureza como a afirmação de um valor precipuamente Cristão...

Diga-se o mesmo duma Sociedade liberal ou formalmente democrática em que a maior parte dos cidadãos pertença a uma classe oprimida a qual se nega fazer justiça e que em decorrência disto opte por rebelar-se. Aqui o Cristão, certificado de que tal rebelião corresponde ao sentir da maioria dos cidadãos e que tem boas chances de ser bem sucedida, fica obrigado a engajar-se e a apoia-la ativamente. Não é do Católico omitir-se ou permanecer neutro face a situações de injustiça!

Agora perceba-se que o Cristianismo, mesmo sem ser passivo, lida com a violência como quem lida com um veneno ou seja com extremo cuidado.

E que portanto permanece equidistante da tese 'revolucionária' segundo a qual a violência deve ser encarada como uma espécie de panaceia ou teriaga destinada a solucionar todos os problemas sociais. Tese a que costumo classificar como mística da violência.

Desta mística grosseria, vulgar e ilusória que encara a rebelião ou o golpismo patrocinado por alguns indivíduos como uma espécie de receita de bolo aplicável a qualquer tido de situação, afasta-mo-nos decididamente.

Pois ignora:

O caráter incontrolável das rebeliões.

Os instintos destrutivos das massas e indivíduos em situações de anomia.

O valor da vida humana.

A esperança que os próprios oprimidos tem de virem a ser livres por outros meios.

A condição dos animais e do patrimônio cultural durante tais situações...

É todo um oceano de gente, de animais, de obras de arte e de documentos históricos que costumam ser aniquilados a cada guerra e revolução.

Um preço bem alto a ser pago por elas.

E eu creio que só deva ser pago em situações de injustiça ou agressão, após madura ponderação exercida por todo corpo social.

E não segundo a opinião precipitada de um líder ou de alguns indivíduos.

Nada deveria ser mais democrática ou amplamente discutido do que situações de conflito.

Importa que em tais situações o Católico esteja atento ao sentir da maior parte dos cidadãos, numa perspectiva democrática.

Neste terreno mais do que qualquer outro julgo que a verdade esteja no meio e que os extremos do pacifismo crasso e do odinismo correspondam a anti humanismos que se tocam.

Pois nem podemos sacrificar a justiça a paz e nem podemos ser fiéis a paz cometendo agressões.

Legitima é a guerra determinada por um ideal de justiça. Maldita a guerra promovida pela vontade de oprimir.

Nem tanto ao mar nem tanto a terra é nosso parecer.

Aqui como em todas as situações humanas seja a dignidade do homem nossa medida.

Paz quando houver justiça! Legítima defesa e resistência quando houver agressão!











terça-feira, 27 de outubro de 2015

Minha defesa das Cruzadas

Enquanto fui pacifista extremo nutri certo preconceito e - apesar de historiador e professor - mantive certa distância do tema.

Jovem, confuso e idealista cuidava que as Cruzadas estavam em oposição ao espírito do Evangelho.

E também confundia o abuso com o uso ou os excessos com a coisa em si.

No momento em que meu pacifismo tornou-se critico e minha compreensão do sentido do Evangelho mais ampla principiei a interessar-me por elas.

Não sei se foi o não por acaso que tal interesse associou-se as pesquisas que iniciara no campo da religiosidade islâmica.

Afinal não sou daqueles que costumam dissertar superficialmente sobre temas que na verdade supinamente ignoram. Aprecio quem opina e julga com conhecimento de causa e por isso costumo a exprimir-se com propriedade ou silenciar. Quando desconhecemos a natureza de determinado assunto é o melhor que podemos fazer!

Investiguei detidamente o islã: o corão, os sahis, algumas obras teológicas clássicas como At Tabari, os heresiólogos, historiadores e enfim algumas obras de natureza crítica. Li Hourani, Le bon, Goldziher e outros...

Assim quando folheei Maalouf  'As cruzadas vistas pelos árabes' - subentenda-se: muçulmanos... - e deparei com queixas em torno da agressividade, da violência, da crueldade, etc pensei logo na jihad, que são as cruzadas ou guerras santas dos maometanos, alias sancionadas ou melhor impostas pelo Corão e a Sunah, em seguida pensei na Djazia que é um imposto destinado a humilhar as minorias religiosas, na murtad que a pena capital a que ficam sujeitos os apóstatas; nos apedrejamentos, enforcamentos e mutilações determinadas pela fik... e no quanto tudo isto é humano, benigno, nobre, elevado...

Coerência continua mandando abraços aos muçulmanos que criticam o catolicismo e aos bons muçulmanos jihadistas que gritam contra as Cruzadas.

Ponhamos então os pingos nos Is.

Existe uma diferença crucial em torno do Cristianismo e do Islamismo.

E ela diz respeito justamente a questão da paz.

Para o Cristianismo quando aliada a justiça social a paz é um grande valor, uma expressão divina.

Por isso que os povos Cristãos não estão autorizados a impor a religião por meio da força e agredir as repúblicas e comunidades não cristãs. Os cristãos como os antigos gregos - por Cristãos compreendo antes de tudo Católicos e Espíritas - inclinam-se mais a persuasão ou ao diálogo e encaram o padrão da força com suspeição.

Concluindo: O recurso a guerra (mesmo em caso defesa) não é um dogma do Cristianismo. Nosso sistema não sacraliza nem abençoa a violência, apenas aceita-a em último caso, tendo em vista a defesa ou a implantação da justiça. Não temos um dogma chamado jihad que incita-nos a agredir ou a atacar os que creem distintamente. As 'Cruzadas' não correspondem a nosso modo de agir comum, mas a uma resposta...

Uma resposta a que???

Uma resposta as condições de violência criadas pela religião muçulmana no século VII desta Era.

Ocasião em que proclamada a Jihad contra os descrentes lançaram-se os árabes islamizados contra todos os povos e nações vizinhos com o objetivo de pilha-los, domina-los e impor-lhes o islã na ponta da espada. Quem iniciou sua expansão violenta em nome da fé foram os muçulmanos, eles é que agrediram e atacaram sucessivamente os impérios Persa e Bizantino, o primeiro Zoroastriano e o segundo Cristão Ortodoxo.

Não foram os 'malvados' cristãos que iniciaram os ataques ou as agressões por motivos credais: impor a fé Católica aos pobres árabes.

Os muçulmanos é que principiaram suas cruzadas ou sua jihad tendo em vista criar um império teocrático e estender a cultura árabe até os confins da terra.

Quem iniciou esta campanha tendo em vista a arabização forçada do universo foram nossos bons muçulmanos vencedores em Qadisyha, Anadayan e Aliarmuque... e pela ponta da espada, cometendo crimes, pilhagens e devastações foram ampliando seu império cultural e religioso.

A partir do século VII duas jihads anuais passaram a ser enviadas regularmente com o objetivo de atacar e saquear as costas da Ásia menor.

Diante deste contexto de guerra permanente levada a cabo pelos bondosos muçulmanos por quase quatro século só podemos compreender as Cruzadas como uma 'guerra justa' ou como um ato de legítima defesa. Fazia-se mister frear, mais uma vez o expansionismo árabe muçulmano, agora as portas da Europa.

A Europa a seu tempo social e economicamente 'estabilizada' após a conversão dos últimos povos pagãos do Norte, podia agora, fazer frente aos sucessivos ataques do islã e buscar dar-lhes competente resposta.

Era necessário fazer as fronteiras do islã recuarem até a arábia. Recuperando os antigos territórios pertencentes ao Império Bizantino como Síria, Palestina e se possível o Egito. E criando uma barreira ou muralha de proteção entre a Europa e a Península arábica.

De modo geral podemos dizer que a ocupação e dominação muçulmana obtiveram sucesso porque parte da população cristã derrotada acreditava ser melhor para si aceitar a derrota e submeter-se aos novos senhores, inda que pertencessem a outra religião. Queremos dizer com isto que não havia qualquer mandamento em torno de uma resistência violenta e menos ainda duma jihad! Nem existe qualquer mandamento cristão que proíba os fiéis de serem governados por pessoas de outra religião.

Ainda após a acomodação do Cristianismo a política imperial, a consciência Cristã ainda era capaz de discernir entre Deus e César.

Em certo sentido a paz afirmada como valor pelo Cristianismo foi compreendida por muitos como pacifismo crasso ou mesmo passividade face ao mal e a injustiça. E esta confusão foi perniciosa.

Outro era e é o sentido dos muçulmanos, que vencidos e conquistados por governante Cristão, recusavam-se terminantemente a aceitar este tipo de senhorio, exercido por um não muçulmano. Do que decorriam sucessivas e intermináveis sedições, rebeliões, conjurações; todas estribadas no dogma violento da jihad. Para os muçulmanos a simples ideia de se viver em paz sob um governo não muçulmano, é abominável. Aceitar a autoridade de um não muçulmano é uma heresia para os adeptos do maometismo.

Temos aqui um dogma que torna os muçulmanos insubmissos além de agressivos. Não só podem como devem governar outros povos impondo a Djazia aos dissidentes. Mas não podem ser governados por não muçulmanos e viver pacificamente sob seu jugo ou tutela. Trata-se de uma fé excessivamente turbulenta, que ignora por completo os pressupostos da paz.

Os islã é uma forma religiosa que aspira ao comando da Sociedade.

Por isso que minadas pela jihad, pela murtad, pela sharia... as cruzadas falharam miseravelmente. Sendo retomado o expansionismo islâmico. Agora pelos turcos seldjucidas... que terminaram por conquistar Constantinopla em 1476, e posteriormente por penetrar o continente europeu ainda nos século XV. No mesmo momento em que era banidos do Oeste (península ibérica) entravam novamente os sectários do Corão pelo Leste, e ameaçavam de conquista em conquista tudo submeter.

No entanto mesmo após a defecção protestante. Supostamente comprada pelo sultão aos reformadores como sugere Mika Watari. Os Católicos lograram frea-la mais uma vez em Lepanto... neste dia, por toda Europa, dobraram festivamente os sinos nos campanários das Igrejas anunciando a salvação.

Já antes disto e oitocentos anos antes (732) em Poitiers, Carlos Martel contivera o avanço deles pelo Oeste. Impedindo que levassem adiante seu plano de arabização da Europa, do qual jamais desistiram por um instante, achando-se até hoje fixado em suas mentes. Forçoso é reconhecer que se não fossem Carlos Martel, os Cruzados e D João da Áustria (em Lepanto) não poderíamos estar aqui hoje escrevendo livremente e divulgando tudo quanto pensamos...

Tendo triunfado o islã na Europa estaria cortado passo a Escolástica, aos Renascimentos, ao liberalismo político e religioso, o iluminismo, ao positivismo, ao socialismo, etc... Nada do nosso ideário secularizado teria sido possível ou melhor concebido. Para bem ou para mal tudo quanto temos a nível de cultura corresponde a falhas ou a sucessos do Cristianismo... o islã não teria conhecido os mesmos sucessos, nem cometido os mesmos erros...

De modo que nossos caminhos seriam os tristes caminhos do Wahabismo e do salafismo...

Filosofia, ciência e cultura; nossas fontes e raízes pagãs constituídas em torno da imanência, da profanidade, do laicismo e da liberdade, seriam completamente aniquiladas pela sharia com sua jihad, Djzia, murtad...

Outra não foi a sorte das decantadas Luzes do Islã, definitivamente apagadas há cerca de mil anos pela Ortodoxia sunita asharita ( Al Ashari e Al Gazalli) arquitetada em torno da insuficiência ou debilidade da razão humana e da inspiração plenária ou absoluta do Corão.

Admitidos tais pressupostos todas as áreas do conhecimento humano passariam a ser definidas por citações do Corão ou dos Sahis, as quais não se poderia questionar sem tornar-se herético e ser supliciado. E tudo ficaria reduzido a questões de exegese em torno do livro!!!

Diante de tudo isto bem posso compreender que os muçulmanos fanáticos e hipócritas teçam filípicas contra as Cruzadas e a Igreja Católica, censurando-lhe a violência que a religião deles SANTIFICA!

O que não compreendo é a facilidade com que os modernos (liberais, comunistas, anarquistas, etc) costumam repetir as mesmas filípicas desde os tempos da reforma protestante. De fato foram os protestantes, que jamais ousando pensar no que seria uma Europa totalmente islamizada, pela primeira vez registraram tão amargas e ingratas críticas a seus audazes ancestrais. Os quais não pouco sangue tiveram de verter nas inóspitas regiões da Palestina para que cá estivéssemos hoje debatendo livremente tais temos num clima democrático ao invés de estarmos recitando versos do Corão diante duma madrassia...

A tantos quantos divisam algum valor na liberdade e no socialismo, na ciência e na reflexão filosófica; e que diante disto não hesitam avaliar a cultura européia - matriz de nossa cultura - como superior face a cultura fundamentalista e teocrática do islã sunita ou wahabita com suas burkas, direi que chegamos até aqui graças a Carlos Martel e as Cruzadas, e que se não fosse a resistência exercida pelos Cruzados nossa realidade não seria em nada diferente da do Sudão, do Iraque, do Paquistão...

A História de nossa Sociedade e Cultura passa pelas Cruzadas.

E nem mesmo o protestantismo teria vindo a luz caso o islã viesse a atalhar os passos do romanismo e a extirpa-lo da Europa como fez a Ortodoxia no Oriente.

De modo que até mesmo os vaidosos reformados tem uma dívida irremissível face a tais expedições defensivas.

A tal respeito confirma-se o veredito do poeta:

"O homem viu uma cobra
Pelo frio entorpecida
Teve dó dela e no seio
Lhe volveu calor e via
Porém logo que a serpente
A consciência cobrou
afiadíssimos dentes
Em seu benfeitor cravou."

Assim a atitude dos modernos para com a Igreja romana e as Cruzadas.

Aos que de nós discordam propomos a experiência de irem proclamar seus ensinamentos religiosos, sociais e políticos em Meca, Medina ou Riad...

Se sobreviverem nos daremos por plenamente convencidos a respeito da maravilhosas luzes do islã! Dizemos isto porque enquanto escrevemos estas linhas os amáveis sauditas acabam de condenar mais um Blogger ao 'tronco'...

domingo, 20 de setembro de 2015

A propósito do avanço do islamismo e seu significado

Quando penso no abandono do ideal Católico pela civilização ocorre-me quase que de pronto a seguinte passagem do Evangelho: "Quando um espírito mau é expulso de um corpo... instalam-se sete espírito ainda piores."

Era mau o espírito do Catolicismo?

Muitos gritarão que sim e baterão seus pés.

De fato, sob a forma do romanismo e mesmo do anglicanismo no Ocidente, conteve impurezas e imperfeições.

Foram no entanto os outros espíritos superiores a ele ou melhores?

Foram o protestantismo, o capitalismo, o comunismo, o anarco individualismo, o positivismo, o fascismo ou o nazismo melhores do que ele? Foram menos ferozes e agressivos? Foram menos cruéis e desumanos?

Absteve-se cada uma das ideologias acima de provocar guerras, golpes e rebeliões? De derramar sangue? De torturar e oprimir???

Ocorrem-me de passagem apenas:

  • O massacre dos camponeses - P
  • O saque de Roma
  • A guerra dos nobres
  • A extinção dos mosteiros e fim do 'serviço social'
  • A execução de Miguel Servet
  • As guerras da França
  • A guerra dos trinta anos
  • A institucionalização da pirataria
  • A eliminação dos índios Norte Americanos
  • A KKK
  • A doutrina do destino manifesto
  • O Belt Bible criacionista
  • O Apartheid - P
  • O terror durante a Revolução Francesa - Cap
  • A fome e miséria presentes na Inglaterra vitoriana
  • As duas grandes guerras mundiais
  • O colonialismo
  • O neo colonialismo - Cap
  • A Revolução russa - Com
  • Os expurgos de Stalin
  • O Holomodor
  • O regime do Kmer vermelho
  • O index vermelho
  • A eliminação dos judeus na URSS - Com
  • Os atentados a Bomba - A I
  • A servidão dos cientistas para com os governos e empresas - P
  • A invenção e fabricação de armas de destruição maciça
  • Experimentações médicas sem o consentimento ou mesmo conhecimento dos pacientes - P
  • Os campos de concentração - N

Leiam e releiam esta lista meus amigos e fiquem cientes de que 90% das instituições ou eventos acima fizeram correr mais sangue do que a Inquisição papista em toda sua História.

Todas as ideologias responsáveis por sustentar as instituições ou inspirar os eventos acima, tem um telhado de vidro muito fino, embora apreciem lançar pedras contra o telhado da igreja romana!

Todas, todas tem o rabo demasiado sujo, embora apontem para o rabo da igreja papal.

Critique a Igreja romana quem puder: os humanistas, pacifistas, zoroastrianos, budistas, espíritas, etc Aqueles que jamais fizeram apologia da violência ou da guerra sob qualquer pretexto. Estes tem pleno direito de denunciar os erros do Cristianismo.

Agora que direito tem o protestantismo, o capitalismo, o comunismo, o nazismo, o fascismo e para além de tudo o islã.

Fácil é para o Islã acusar o protestantismo Norte Americano por ter perpetrado - apoiando ativamente - o maior genocídio de todos os tempos (cf Dee Bronw 'Enterrem meu coração na curva do rio') que é o extermínio dos povos indígenas. No entanto alguém que conheça bem a História do Islã pode assegurar-nos de que ele procederia de modo diverso, isto é, com suma delicadeza e doçura permitindo que os peles vermelhas continuassem a cultuar pacificamente seus deuses???? De fato a acusação procede e é grave. No entanto será honesto o denunciante???

O protestantismo fez. Sim.

Agora que faria o islã com sua sharia???

Acusar é sempre fácil, pois a lingua humana não conhece qualquer barreira além dos dentes. Dificil é ser coerente e deixar de cometer os mesmos erros.

Por isso digo que em comparação com o papismo, seus pretensos sucessores cometeram muito mais erros. Continuaram a trilhar as veredas obscuras do anti humanismo, e por isso não tenho suas críticas em conta de sinceras.

Ao ver tantas pessoas gritando: inquisição, Torquemada, 'Fora Papa', etc e silenciando a respeito dos crimes do protestantismo, do capitalismo ou do comunismo, sinto-me enojado. E os crimes cometidos em nome da Bíblia, do lucro, do partido, do Estado nacional, da raça... onde é que ficam??? Ousareis dizer-me que o papado apenas soube inspirar crimes hediondos??? Direi que ignorais por completo a História. Direis que defendo a Igreja romana. Direi que busco fazer justiça a quem quer quer seja!

Pois até o diabo, caso existisse, mereceria ser julgado com toda equidade. Justiça é coisa que nunca vai mal e ódio coisa que jamais deveria tomar o seu lugar.

O fanatismo pela justiça arrasta-me a tais causas, tão pouco gloriosas.

Tenho em mentes estas respeitáveis meninas defensores dos direitos da mulher que tiram suas roupas diante do Papa Francisco, que queimam quadros religioso, quebram crucifixos, depredam e profanam os símbolos do Cristianismo, xingam os padres e religiosos, e... BATEM PALMAS PARA OS 'REFUGIADOS' MUCULMANOS que nem mesmo os países árabes quiseram acolher!!! E batem palmas para os adoradores de Allá e seguidores de Maomé. E acolhem de braços abertos o Islamismo. A única religião da face da terra que ousa sustentar, em nome de deus, a inferioridade essencial da mulher.

Vai o papa romano visitar suas ovelhas em qualquer canto deste planetoide. E logo assoma uma hoste ou horda de neo amazonas com o objetivo de lançar-lhe pedras, tomates, ovos, esterco ou sei lá eu mais o que. Congregam-se centenas de muçulmanos na Paris de Voltaire com o objetivo de discutir sobre como as esposas devem ser surradas, e apenas duas ou três feministas sinceras aparecem lá para protestar. Após o que são surradas pelos bons muçulmanos e levadas a delegacia! Sem que apareçam imensas hordas de neo amazonas com o objetivo de sustentar tão nobre causa!!!

O Pr Marcos Felicianus declara que o lugar da mulher é na cozinha e... intifada feminista alguma é proclamada. Ele e mais outra ovelha, sua uma vereadora nordestina, sustentam em alto e bom som que a mulher deve obedecer o marido e que é inferior a ele e as valentes feministas não soltam um peido!!!

O papa romano solta uma leve ventrada e elas gritam!!!

Diga-se o mesmo a respeito da maior parte dos comunistóides e anarcóides que neste exato momento estão recebendo de braços abertos os emigrados sírios em sua maior parte islamitas e portanto fundamentalistas em sua totalidade. Bárbaros, grosseiros, vulgares, intolerantes, violentos, arrogantes... não por serem sírios ou árabes - pois não se trata duma questão racial - mas apenas e tão somente por serem muçulmanos e como tais partidários da universalização da Umma, da implantação compulsória da Sharia, da abolição da democracia, da supressão das liberdades, garantias e direitos, da arabização da cultura e da erradicação dos infiéis.

Já estou ouvindo nossos comunistas, anarquistas, extremistas liberais, feministas, etc replicando que nem todos os muçulmanos são fundamentalistas e que tudo quanto esta acontecendo é culpa dos Estados Unidos. De fato não podemos eximir esta nação capitalista e protestantes de suas culpas. De fato muita coisa é mesmo culpa dos Estados Unidos. De fato a situação não teria chegado onde chegou sem as intervenções oportunistas e desastrosas daquela República... No entanto, é forçoso reconhecer que nem tudo é culpa dos EUA ou mesmo do estado de Israel.

Pois séculos antes de existir Estados Unidos ou da América ter sido descoberta já os muçulmanos capitaneados por Tamerlão exterminavam os infiéis da Índia ao Mediterrâneo, especialmente os Cristãos e particularmente os Ortodoxos. Digam-no os Armênios, cujos padres e monges foram enterrados vivos as centenas ainda que jamais tivessem recorrido a violência contra a dominação islâmica. Digam-nos os infelizes assírios crucificados as portas de Bagdad. Digam-nos enfim os siríacos cujas cabeças foram empilhadas junto as muralhas de Allab (Alepo).

E séculos antes de Tamerlão vir a luz o Califa Al Hakim não proclamou a conversão compulsória de todos os Cristãos Ortodoxos do Egito, os quais compunham mais da metade da população? Não decretou a demolição do Santo Sepulcro? E autorizou o linchamentos dos dissidentes??? Isto cerca do ano 1000...

Passemos agora a Era dourada do Islã e contemplemos o fundador deste sistema religioso sentando num torno, com a pequenina Aiesha (com cerca de doze anos de Idade) em Madinat al Nabi assistindo a execução de oitocentos hebreus responsáveis pelo 'abominável' crime de recusarem-se a admiti-lo como profeta de deus!!! Pelo que foram todos decapitados segundo o decreto sagrado de Alla! E como a esposa e mãe de alguns dos condenados tivesse perdido o juízo e começado a gritar, mandou o vigário de alla que também ela fosse decapitada! A outros tantos judeus que recusavam-se a islamizar Maomé declarou terem sido transformados em ratos, porcos e cães pelo seu deus!!! 

Chegando a proclamar que antes do dia do juízo, o resto dos judeus haveriam de esconder-se detrás das árvores. As quais inclinariam suas copas e gritariam: Fiéis, eis um judeu; assassinai-o! 

Ainda sobre os infelizes judeus temos os seguintes testemunhos:

 "Na manhã seguinte ao assassinato de Ashraf, o Profeta declarou: 'Mate qualquer judeu que caia sob o seu poder." 

"Logo após isso, Masud saltou sobre Sunayna, um dos comerciantes judeus com quem sua família tinha relações sociais e comerciais, e o matou. O irmão do muçulmano reclamou, dizendo: 'Por que você o matou? Você tem muita gordura na sua barriga em função da sua caridade.' Masud respondeu: "Por Alá, se Maomé tivesse me mandado matá-lo, meu irmão, eu teria cortado a sua cabeça." No que o irmão disse: "Qualquer religião que pode levá-lo a isso é realmente maravilhosa!"
É que registram At Tabari e Ibn Ishak!

Além dos oitocentos judeus:

  • Al Nadr ibn al-Harith (Março 624) 
  • Khalid ibn Sufyan (625) 
  • Abdullah bin Khatal (Janeiro 630, durante a conquista de Meca)
  • Fartana  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Quraybah (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca)
  • Huwayrith ibn Nafidh (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Ka'b ibn Zuhayr ibn Abi Sulama  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Al-Harith bin al-Talatil  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Abdullah ibn Zib'ari  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Hubayrah  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca)
  • Ocba
  • Sallan Ibn Abul Huqaiq
  • Kab ibn Ashraf
Também estes foram assassinados por terem ousado criticar o ditador espiritual dos ismaelitas

Tudo isto esta muito bem escrito nas crônicas compostas pelos cadis e ulemás, nos sahis ortodoxos e no Corão.

No entanto você me diz: Nem todos os muçulmanos são fundamentalistas.

E como não posso crer que esteja mentindo só posso concluir que você não conhece o islã, que jamais estudou sua História, leu o Corão, estudou a sunah e os hadits ou sabe que é a sharia. Tantos quantos ousam dizer que nem todo o bom muçulmano é fanático e intolerante fala sem conhecimento de causa! Jamais foi muçulmano! Jamais viveu na companhia deles ou cercado por eles! E por isso idealiza o islã.

É o mesmo que ocorre com os Católicos e Espíritas ingênuos e idealistas que teem a maioria dos protestantes em conta de tolerantes. Eu fui criado no seio do protestantismo, eu fui protestante, eu tenho experiencialidade e por isso posso dizer que não é assim! Então, quem deseja conhecer de fato o carater do islã pergunte a um Armênio, a um Assírio ou a um Grego do Ponto!

Pois foram milhões de Cristãos Ortodoxos Armênicos, meio milhão de Cristãos Ortodoxos Assírios e siríacos e outros tantos milhões de gregos do Ponto torturados e massacrados pelos misericordiosos e pacíficos muçulmanos da Turquia em 1914! No primeiro genocídio perpetrado no século XX, por questões de ordem confessional! Os padres e monges armênios foram mais uma vez enterrados vivos, as mulheres crucificadas, as crianças pequenas lançadas aos rios e os homens fuzilados, decapitados ou mesmo queimados vivos! Tudo mimos do islã não só autorizados mas recomendados pelo Al Corão: 

1 –E quando vos enfrentardes com os incrédulos, (em batalha), golpeai-lhes os pescoços, até que os tenhais dominado, e tomai (os sobreviventes) como prisioneiros. - Alcorão 47:4

2- "Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. ... E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos." - Alcorão 2:191,193

3 -  "Está-vos prescrita a luta (pela causa de Deus), embora o repudieis. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial" - Alcorão 2:216 

O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo. Alcorão 5: 33

5 - "Eu instilarei terror nos corações dos infiéis, golpeai-os acima dos seus pescoços e arrancai todas as pontas dos seus dedos. Não fostes vós quem os matastes; foi Deus [Alah]" Alcorão 8:13-17

6 - "Mas quanto os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho."

7 - "Combatei-os [os não muçulmanos] e Deus [Alah] os punirá através das vossas mão, cobri-os de vergonha" Alcorão 9:14

Quando quero de fato conhecer o carater de qualquer instituição não é a este ou aquele fiel que devo reportar-me mas a seus estatutos. No caso das religiões a seus livros sagrados. Então se desejo saber se o islã é pacífico ou não é a seus livros, ao Corão e aos sahis que devo recorrer!!! Ao Corão, a Sunah, aos Hadiths e a Sharia! Tomai o Corão e lá vos deparareis com inumeras alusões a jihad ou guerra santa contra os infiéis. Foi feita duas ou três vezes pelos de Madinat contra os de Macca e em nenhuma delas correspondeu a um esforço de natureza interna ou espiritual.

Quase nunca significa. Quase sempre trata-se de batalhas violentas como as de Uhud e Badr! Após as quais seguiam-se as conversões ou os massacres! Como o assassinato da anciã Umm Qirfa cujos membros foram atados as caudas de quatro cavalos até ficar desmembrada! Tal a descrição fornecida por Ibn Ishak. Já Abu Afak por ter se compadecido dos judeus executados e ousado repreender o apóstolo numa de suas sátiras foi morto a facadas por um de seus seguidores embora contasse já com 120 anos de idade.

"O profeta recitou a Surat an-Najm (103) em Meca e prostrou-se enquanto recitava. O mesmo foi feito por todos aqueles que estavam presentes excepto um idoso que pegou em algumas pedras e levantou-as até à sua testa e disse, "Isto é suficiente para mim." Mais tarde eu vi-o a ser morto como um descrente." ajunta Bukahri apud 'Sahi' XIX 173

Asma Bint Marwanid, poetisa e mãe de cinco filhos deu mostra de descontentamento pelo assassinato de Abua Afak foi esfaqueada durante a noite, após o filhinho de dois anos ser-lhe retirado do peito!

Confirma-se pelo Corão e a Sunah o veredito emitido há quase trezentos anos por Pascal em seus "Pensamentos" o Cristãos conquistaram o mundo antigo morrendo, i é sendo mártires, o islã fez todas as suas conquistas espirituais a ponta da espada, matando!!!  É glorioso morrer pela fé, repugnante matar por ela.
No entanto, no islã recebe o título de mártir quem perece destruindo outras vidas humanas em nome da fé e o paraíso é prometido a assassinos, carniceiros e vertedores de sangue humano.

A bem da verdade os mandamentos sangrentos divulgados pelo islã tem por alvo primário os politeístas e Judeus e que no Alcorão 5:85 Maomé tributa sincero elogio aos Cristãos. O que de per si serviria para impugnar qualquer tipo de tentativa de perseguição aos filhos da Igreja. Sucede no entanto que boa parte dos interpretes ou comentaristas, tomando por base a crença Cristã na Trindade, tem inserido os Cristandade no grupo dos politeístas! Autorizando assim o recurso a perseguição.

Destarte as massas incultas que jamais prestaram atenção aquele pequenino fragmento acabam acatando as exortações de seus líderes e exercendo violência contra os Cristãos.

Continua