Mostrando postagens com marcador Psiquiatria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psiquiatria. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de março de 2023

Psicologia, psicanálise, Freud e a questão da multiplicidade de existências - Reflexões sobre a obra de Hermínio C Miranda 'A memória e o tempo' Edicel 1984 - Parte III

 A comédia behaviorista


             


      

         No entanto os senhores e profetas do materialismo não descansam. E a exemplo de Jao jamais dormem ou cochilam...

          E por isso resolveram tomar a Psicologia de assalto e introduzir a querida ideologia no território do espírito, que é a mente.


          Foi essa façanha realizada nos EUA por um certo J B Watson, o inventor daquela Psicologia 'materialista' e 'científica' - Em oposição ao Freudismo e a Psicanálise -  chamada behaviorismo.

           Tem a expressão behaviorismo sua origem em Behaviour ou comportamento, pelo simples fato de limitar-se a analisar aqueles fenômenos externos aos quais damos o nome de comportamento. 

            Em suma o behaviorismo ocupa-se apenas do quanto aflora a consciência do sujeito ou a suas interações com o mundo.

            Isto porque, para seus teóricos, algo semelhante a uma mente ou agregado de ideias, conceitos, opiniões, crenças, esperanças - IMATERIAIS, não pode ter existência própria ou real e menos ainda atuar sobre o corpo físico. 

             Portanto, caso esse ente, cognominado mente exista, é por assim dizer inacessível ou incognoscível (Quem aqui lembra do sr Kant...) i é não pode ser estudado ou conhecido. Dando na mesma avançar e declarar que a dita mente inexiste ou que foi inventada por Freud e seus sequazes...

              Necessário dizer que o behaviorismo ou melhor seu pai, Watson, parte do fisiologista russo Pavlov, o qual, há cerca de um século, trabalhando com cães, descobriu o reflexo condicionado ou o condicionamento comportamental - Nos cães e por ext em gatos, ratos... A esse tempo era já ateu e materialista, por obra e graça do partido comunista...

              Era algo relativo ao comportamento de certos animais que ora sabemos serem dotados de inteligência - O que obviamente nada tem a ver com o tal condicionamento, pelo simples fato de ser fenômeno totalmente distinto e irredutível a ele. 

              E no entanto teve o Behaviorismo a 'magnífica' ideia de aplicar o dito condicionamento aos seres humanos com exclusão de quaisquer fenômenos propriamente mentais, como se tudo explicasse. Pelo que batizaram o condicionamento associado ao comportamento - Humano ou animal, uma vez que para eles dá sempre no mesmo. - sob a alcunha de reforços. 

              Observe a equação: Dos impulsos ou sensações neuronais (Portanto materiais) parte o condicionamento, do condicionamento os reforços e dos reforços o comportamento e tudo quanto nós idiotas temos em conta de consciência ou personalidade.

               Pois se não existe mente não pode existir consciência ou personalidade na acepção clássica dos termos. 

               Portanto inexiste qualquer solução estável ou coerente face ao mundo externo e menos ainda qualquer centro ou polo organização 'mental'. É como se a aberrante doutrina do Caos surgisse primeiramente no campo da Psicologia, pelo simples fato de converter o ser humano num confuso agregado de ações externas. 

                Mesmo algo mais ou menos estável como princípios, valores e crenças resultam em última análise de interações neuronais, quiçá, ao menos em parte causadas ou provocadas pelo condicionamento externo ou melhor dizendo pelos reforços positivos e negativos. 

                 Adiante: A Sociedade, de alguma maneira, tendo em vista certos interesses misteriosos, treina ou amestra os atores sociais para que assumam determinadas posturas. 

                 Perceba o amigo leitor nos domínios da Psicologia, por obra e graça do behaviorismo, o mesmo reducionismo - Afilhado do materialismo e por ext do positivismo! - presente na Biologia... Desde agora convertidas em desdobramentos da Química e da Física, inclusive sujeitas as mesmas leis básicas. 

                  Perceba ainda que ao fim dessa linha tudo quanto resta é Química ou melhor dizendo Física, diluindo-se todo conhecimento nela. Pelo behaviorismo é eliminado o conceito de mente no Homo Sapiens (O qual, por puro preconceito, jamais fora aplicado aos outros animais.). Ficando o humano nivelado a caricatura que fazíamos das 'bestas'... Pelo behaviorismo homem e animais são nivelados pela eliminação da inteligência, da consciência, da personalidade, da mente... De tudo quanto distingue homem e animais dos vegetais ou dos minerais. 

                      Convém lembrar aqui que Kant não apenas reconhecia a necessidade de produzir uma área dedicada ao conhecimento do mundo mental como a colocava ao lado da física e da Filosofia. Kant 197. B 876. 

                       Eis porque, o behaviorismo, eliminando todas essas entidades ou fenômenos que fogem a compreensão de seu materialismo crasso,  elimina precisamente o humano, e consequentemente - Desumaniza, despersonaliza, reduz, simplifica, empobrece... até apresentar humanos e animais como agregados de sensações ou de impulsos neuronais necessariamente caóticos.


                       De fato o ideólogo materialista Buchner (O mais mansinho deles) refere-se ao homem nestes termos: "Não sendo senão produto da matéria, não é o ser que os moralistas pintam." - O que por sinal tem lá uma pitadinha de Sade... E nem poderia ser ético sem estar em posse de sua liberdade ou livre arbítrio.

                       Tal o serviço prestado ao homem, a criatura racional e livre, pela ideologia materialista. Entre nós e um pé de couve ou uma bananeira não há qualquer diferença essencial. 

                        Agora sem objeto próprio, admitida a xaropada reducionista, tanto a Psicologia como a Biologia perdem por completo a razão de ser, por perderem o objeto próprio, no caso da primeira a mente e no caso da segunda a vida. Considere que se tudo quanto há é comportamento ou ação e que essas por meio do reforço ou do condicionamento, partem dos neurônios tudo quanto temos é medicina, fisiologia, biologia... Pois fica a Psicologia sendo caso de interações ou contatos neuronais, a serem estudados, repito, pela Fisiologia ou pela Biologia. 

                     Por fim se a Biologia reverte, não sei porque processos misteriosos, a Química ou da Física, convertendo-se em bailado de átomos ou em equações e fórmulas matemáticas, já não existe Biologia propriamente dita. 

                     A conclusão a que se chega é simples: Privadas de seus objetos específicos Biologia e Psicologia desaparecem por completo ou saem de cena sem deixar vestígios. A menos que se convertam em departamento da Química e da Física pelas quais são absorvidas. 

                     A bem da verdade, amigo leitor, quanto a Psicologia, sequer o nome os positivistas apreciam, como podemos ler nesta peça de E J Litreé: "Talvez pareça insólita a expressão de 'fisiologia psíquica'. Poderia ter escolhido Psicologia para designar o estudo das faculdades intelectuais e morais... porém sendo certo que a Psicologia foi, em sua origem, e ainda é o 'estudo do espírito' considerado como distinto da substância nervosa, NÃO DEVO NEM QUERO SERVIR-ME DUMA EXPRESSÃO QUE PERTENCE A UM TIPO DE FILOSOFIA MUITO DIFERENTE DAQUELA QUE EMPRESTA SEU NOME AS CIÊNCIAS POSITIVAS. NESTAS CIÊNCIAS NÃO SE CONHECE PROPRIEDADE ALGUMA DISTINTA DA MATÉRIA... Daí ter escolhido eu a palavra 'fisiologia' e bem poderia ter optado por 'fisiologia cerebral' embora esta envolva assunto bem mais vasto... tudo quanto aqui pretendo é... inculcar que a descrição DOS FENÔMENOS PSÍQUICOS, COM SUA SUBORDINAÇÃO E ENCADEAMENTO, ENQUANTO PURA FISIOLOGIA EM TERMOS DE FUNÇÃO E EFEITOS. Desde que a Psicologia rompeu com as ideias inatas e adotou o esquema de Locke APROXIMOU-SE DA FISIOLOGIA. E tanto mais a Fisiologia se de conta da extensão de seus domínios, tanto menos se assustou com os anátemas da Psicologia... HOJE NÃO RESTA JÁ DÚVIDA ALGUMA DE QUE OS FENÔMENOS INTELECTUAIS E MORAIS SÃO FENÔMENOS PERTENCENTES AO SISTEMA NERVOSO E QUE O TIPO HUMANO NADA MAIS É QUE UM ELO (UM TANTO MAIS LARGO) DUMA CADEIA QUE SE PROLONGA, SEM NÍTIDOS LIMITES ATÉ AS MAIS SIMPLES FORMAS DE VIDA... contanto que empreguemos o método descritivo, derivado da observação e da experiência, será ela FISIOLOGIA." Litreé "A ciência sob o ponto de vista filosófico" Paris 1873 p 306 e "A filosofia positiva' 23 de Março de 1860. - Percebe como tudo quanto existe para o sucessor de Comte é Psiquiatria...

                     Aqui Mirville "A ordem começará a reinar na mente humana apenas no dia em que a Psicologia se transformar numa espécie de física cerebral e a História numa espécie de física social." 

                     Destarte o complexo humano torna-se incrivelmente simples e compreensível. Somos agregados de nervos que são agregados de átomos... Nada a mais, nada além. E tudo quanto fuja a esse esquema, como a Evolução das formas de vida ou a mente, seja eliminado, oculto ou posto debaixo do tapete. E tudo fica muito bem assim porque o sr materialismo o quer...

                       Átomos que ligam-se uns aos outros numa loteria da sorte... Células que se unem umas as outras noutra loteria de sorte... Tecidos que se encontram, mais uma vez, numa terceira loteria de sorte... E desse turbilhão confuso de matéria, saem - Como Atena armada da cabeça de Zeus seu pai... - leis físico químicas, vida e pensamento> Tudo numa palavra: Golpe de sorte... Resultado de átomos e células e tecidos bailando ao acaso...

                   Melhor descomplicar e após falsear a Evolução dos seres vivos eliminar a mente...

                   Destarte facilitam-se as coisas para o materialismo e quem discordar deixa de ser científico... Quanta manipulação ideológica e desonestidade.

                    Isso num tempo em que podemos, a força de demonstrações, reverter toda xaropada e admitir que grande parte dos animais - Por questão de estudos me limito aos mamíferos! - possui não apenas inteligência, mas vida metal e portanto mente, da qual resultam fenômenos psicológicos complexos...

                     Já não se trata, como no miserável esquema behaviorista, de reduzir a criatura humana a uma 'animalidade' já mutilada e muito mal compreendida e sim de atribuir ao animal uma vida psíquica ou mental injustamente negada. Pois cães e gatos sonham... e tem neuroses, traumas, fobias, etc

                     Podemos portanto falar já não em reducionismo físico químico mas em Psiquismo e Psicologia animal. Fútil a tentativa ideológica de eliminar a mente e a razão no Ser humano quando a primeira manifesta-se já nos animais mais próximo senão em quase todos. 

                      Enfim para poder entrar no esquema materialista deve a condição humana ser simplificada ou melhor despojada de elementos constituintes que lhe são essenciais como a racionalidade e o livre arbítrio. Pois somente com a negação de tais elementos pode enquadrar-se no esquema materialista equivalendo já a um pé de couve ou a uma laranjeira... Admitida sua complexidade manifesta e sua vida mental ou psicológica fica o materialismo em maus lençóis...

                   Não sei porque caminhos confirma-se um veredito lavrado em séculos passados e segundo o qual a destruição de Deus e da Imortalidade - E não estou falando de fé ou religião. Vão estudar Aristóteles e Platão seus burros! - resultariam na destruição ou mutilação do próprio ser humano. E o behaviorismo nos domínios da Psicologia nada mais é do que isso: Uma mutilação, negação e empobrecimento da natureza humana...

              Reservo para o fim a resposta de Paul Janet a Litreé e os positivistas
: "A mentes que foram criadas nas ciências exatas e positivas, mas que, entretanto, sentem como que um impulso irresistível para a Filosofia. E elas não podem satisfazer um tal instinto senão com os elementos que já têm em mãos. IGNORANTES EM CIÊNCIAS PSICOLÓGICAS E TENDO ESTUDADO APENAS OS RUDIMENTOS DA METAFÍSICAS, estão dispostas todavia, a combater, tanto a metafísica quanto a psicologia, sobre a qual quase nada sabem. Tendo feito isso, elas se imaginam criadoras de uma ciência positiva, no entanto o que elas criaram foi uma teoria metafísica nova, mutilada e incompleta. Arrogam-se a autoridade e infalibilidade que pertencem as ciências reais, baseadas na experiência e no cálculo; mas elas são desprovidas dessa autoridade, pois as suas ideias, tão defeituosas quanto possam ser, pertencem a mesma classe daquelas que buscam combater." Janet "Revue des Deux Mondes; 01 de Agosto de 1864 p 727 sgs 


 


          

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Psiquiatria e Psicologia - A busca pela Interação

Durante as aulas de teoria é bastante comum nossos alunos formulares a seguinte questão: Professor, qual a diferença existente entre a Psiquiatria e a Psicologia?

E tenho para mim que não seja pergunta de pouca importância.

Como de costume partiremos das raízes gregas para formular a resposta.

Psiquiatria é expressão de origem grega formada por duas palavras: Psique compreendida como alma ou mente e iatria ou medicina. Temos então medicina da alma.

Psicologia também é expressão de origem grega formada por duas palavras: Psique e Logia ou estudo e temos então 'estudo da alma'.

Aparentemente seria tudo a mesma coisa uma vez que não podemos curar a mente sem antes estuda-la e conhece-la muito bem.

Nada mais distante ou afastado da verdade pois em termos atuais estamos diante de duas abordagens, ideologias ou visões de mundo que aspiram ser bastante diferentes uma da outra ou mesmo rivais.

O psiquiatra assume quase sempre uma postura materialista.

No sentido de que todo e qualquer problema mental ou neurológico possui uma origem somática, física, material, orgânica ou corporal.

Segundo esta corrente todos os estados anormais da mente humana são causados ou provocados por algum defeito ou dano relativo a estrutura cerebral ou ainda por carência ou excesso de determinados hormônios.

E não pode haver enfermidade e sintoma sem que haja mal conformação dos órgãos ou disfunção hormonal.

Consequentemente - se a causa do problema esta no corpo - o psiquiatra recorrerá invariavelmente a uma terapêutica material ou seja a intervenções cirúrgicas, choques, drogas, etc

Já o Psicólogo considera que ao menos algumas doenças ou parte delas não são causados pelo corpo físico mas pela própria mente ou por sua parte inconsciente. 

No caso o corpo físico estaria perfeitamente bem e isento de qualquer defeito estrutural. Tendo a enfermidade sua origem na mente.

Segundo algumas estimativas 70% das doenças que afligem a pobre humanidade seriam psico somáticas.

Evidentemente que admitido tal pressuposto a terapêutica sofre alteração.

Convertendo-se no que chamamos de terapia ou analise.

Terapias existem várias: laborterapia, arteterapia, pet terapia, psicodrama, etc

Análise corresponde abordagem característica do psicólogo i é a conversa, ao diálogo, ao desabafo... a partir do qual ele elabora o diagnóstico e recomenda a terapia.

Isto de modo geral.

Feita tal distinção, segue-se a segunda pergunta:

Qual das duas estaria certa professor?

Minha resposta: Como somos dotados de mente e corpo penso que ambas estejam corretas.

Explico: Há enfermidades cuja causa encontra-se certamente no corpo físico e todos conhecemos muito bem o exemplo de Phineas Gage . E enfermidades cuja causa encontra-se na mente, como as que eram 'curadas' por F A Mesmer e estudadas mais tarde por J M Charcot, Bernheim e pelo grande Liébeault. 

Do que resulta a necessidade de uma ação coordenada entre o psiquiatra e o psicólogo, ou ao menos de um diálogo entre estes dois profissionais. O que por preconceito ideológico infelizmente não se dá. Arcando os enfermos com o prejuízo, que é imenso.

Evidentemente que nos referimos a realidade brasileira, em que ainda predomina a rivalidade.

Basta dizer que entre nós o número de psicólogos ainda é exíguo, e o acesso em termos financeiros dispendioso. Isto a ponto do SUS contar com pouquíssimos psicólogos e mesmo psiquiatras.

É também questão de cultura e já foi dito que o brasileiro investe mais nos dentes do que no cérebro.

Outro aspecto da cultura predominante é que psiquiatra e psicólogos são médicos de louco, do que decorre certo receio, certa distância e não poucas situações de preconceito.

Para algumas pessoas cogitar em procurar o psiquiatra ou o psicólogo já é um drama...

Por isso que fecham-se em si mesmas e ficam amargando seus problemas até o suicídio. 

Agora quando a pessoa procura algum destes profissionais muitas vezes o faz porque já se considera louca!

Via de regra a pessoa costuma procurar um psiquiatra, o que esta certo. Pois somente após a avaliação física por meio de exames é que se pode excluir a causalidade orgânica e postular uma causalidade psíquica.

Diante disto qual deveria ser a atitude comum a nossos psiquiatras?

Interrogar o enfermo sobre o estado geral do corpo, algum possível acidente, pancada, etc e solicitar exames de RMN, tomografia, Raio X, sangue, etc

Disto resultará a existência ou não de algum defeito ou disfunção orgânica.

Comprovada a existência do defeito em questão, segue-se o diagnóstico e o tratamento segundo a praxe psiquiátrica. Dispondo-se o caso a cura ou ao menos a eliminação dos sintomas.

Verificada a inexistência de qualquer defeito ou disfunção orgânica seguir-se-ia o encaminhamento ao psicólogo...

Tal o roteiro a ser seguido.

Pelo que chegamos a terceira e última pergunta: Procedem assim os nossos psiquiatras, digo, a maior parte deles???

Escusado responder que não.

E por que?

Primeiramente por que alguns psiquiatras, dominados pelo preconceitos materialistas, não admitem a existência de enfermidades psico somáticas e tampouco que a psicologia seja uma Ciência.

Evidentemente que para tais profissionais toda e qualquer enfermidade mental esta relacionada com algum problema estrutural ou hormonal em termos físicos, devendo resolver-se em seus consultórios.

E quando após a realização de todos os exames a causa física não é encontrada?

Neste caso supõem sempre que exista embora permaneça desconhecida e inacessível devido a precariedade do aparato tecnológico...

Neste caso que fazem eles?

Receitam invariavelmente algum hipnótico com que dopam o paciente 'suprimindo' os sintomas ou parte deles. E desde então fica ele lento ou lerdo como dizem... E sem perspectiva de cura. Tais os casos perdidos da psiquiatria e não são poucos.

Outro problema não menos sério diz respeito aos exames, que sendo bastante complexos são igualmente custosos e em alguns casos não cobertos pelo convênio...

Aqui é que conhecimento geral que boa parte dos psiquiatras não solicitam os tais exames da cabeça ou os tais exames hormonais, como seria de esperar-se...

Talvez por sofrer pressão por parte dos planos de saúde...

E damos ainda aqui, mais uma vez, com os hipnóticos ou com a sedação.

Na maior parte dos casos ir ao psiquiatra equivale a ser sedado...

Pouquíssimos dentre eles após terem percorrido o roteiro indicado e realizado todos os exames - em caso de não terem detectado qualquer causa somática - encaminham parte de seus pacientes a algum psicólogos. No entanto os que assim procedem é que estão salvando vidas e cumprindo com sua função!

Isto porque tanto no caso de possíveis causas somáticas não detectadas devido a não solicitação de exames, quanto no caso de prováveis causas psíquicas o recurso sistemático a hipnóticos ou sedação implica ocultação das causas por eliminação ou atenuação dos sintomas e consequentemente a permanência da enfermidade que deveria ser extirpada. Tanto do ponto de vista médico quanto do ponto de vista Ético estamos diante de problema muito sério.

Pois ocultar atenuar sintomas com o objetivo de ocultar enfermidades jamais será curar. Ademais a enfermidade permanecendo latente e e não tratada tende a evoluir e a tornar-se ainda mais resistente na medida em que vai minando as estruturas do corpo ou da mente. E de curável pode até vir a tornar-se crônica e quem o sabe... até letal.

Isto devido aos preconceitos, a incúria ou a subserviência de determinado profissional...

Evidentemente que não estou a generalizar ou a acusar 'todos' condenando toda uma categoria de profissionais. 

No entanto é manifesto que hajam abordagens deste tipo.

E prejuízos ou danos que só Deus sabe...

Em termos de Brasil urge aproximar dos dois profissionais, psiquiatra e psicólogo, desde a formação. Possibilitando que trabalhem juntos, colaborem e dialoguem desde o 'campus' universitário. É uma questão de formação e o mínimo que se espera do poder público é que examine o problema e busque reeducar a ambos os profissionais, i é, não só psiquiatra mas também o psicólogo. Assim cabe o psicólogo remeter ao psiquiatra todo o enfermo que não foi examinado por ele... Aqui o único caminho a ser seguido é o da interação na perspectiva do homem global!

Pelo visto não são poucos os obstáculos financeiros, logísticos, profissionais e educativos a serem superados. Mas temos de dar os primeiros passos, pois já estamos em 2016 e mais do que na hora de começar a cuida do cérebro, sem deixar de cuidar dos dentes é claro...