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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Foi Maquiavel maquiavélico?

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Sem dúvida alguma é o florentino Nicolau Maquiavel (+1527) objeto de uma das principais polêmicas no que diz respeito as Ciências políticas, a Sociologia e a Ética. Calcule-se o fragor desta controvérsia pelo número de refutações com que brindaram o príncipe após Innocent Gentilet (1576)... Até Frederico, o grande, passando por Solorzano, Ayala e inumeros outros.

Seja como for todos tivemos de ler 'O príncipe' nos bancos da academia e de ouvir a interpretação de Benedetto Crocce vulgarizada por Chabod (1958).

Conforme dizem tais autores pugnava Maquiavel pela autonomia do político face a moralidade Cristã convencional. Ficava assim o florentino sendo um 'bom garoto'...

Mais razão assistia a Cassirer (1946) quando apresentou Maquiavel 'Cientista ou técnico da vida política', o qual procedia como um entomologista ou classificador de formas... De fato Maquiavel evoca, antecipadamente, as fúrias do positivismo ou do cientificismo, empirista ou materialista. Na medida exata em que importasse apenas com as estruturas e despreza ou minimiza não a 'moralidade Cristã' mas todo e qualquer tipo de Ética... inclusive a ética racionalista dos antigos gregos. Ele certamente devia encara a ética tal e qual a moralidade ou seja como mera convenção...

E se expressa com bastante clareza: "Assim o principado não desejará empregar aqueles métodos injustos e cruéis que REPUGNAM A QUALQUER COMUNIDADE, não somente a Cristã, MAS QUALQUER UMA FORMADA POR SERES HUMANOS." não no 'Príncipe' mas nos 'Discorzi...'

O que esta em jogo não é a moral - de fato convencional e até tola - mais judaica do que Cristã e a autonomia da vida política face a este tipo, peculiar de moralidade. O que esta em jogo é a Ética como um todo. A Ética racional e humanista de um Sócrates ou de um Platão. A simples ideia de um direito ou de uma lei natural. Nada há de novo debaixo do sol, apenas os papéis se invertem e agora é Creonte que arrosta Antígona...

Tudo quanto existe são 'razões de Estado', assim o direito puro ou positivo, acima de toda convenção.

Outro erro comum cometido por tantos quantos leem apenas O príncipe com exclusão dos 'Discorzi' é imaginar que - no Príncipe - o florentino esta apenas sendo realista e apresentando a política do tempo, tal qual era, ou seja, sem falsos moralismos.

Tudo no Príncipe é tão crú que acabamos fazendo a volta do parafuso e supondo que Maquiavel - a bem da verdade um republicano convicto (Quentin Skiner) - limita-se a descrever o que é um principado monárquico, tirânico ou despótico. Reduzido o príncipe aos termos de uma monarquia ou de uma ditadura Maquiavel não podia deixar de estar certo... Então o que ele pretendeu foi isso mesmo e apenas isto: Descrever sem atenuantes o que foi ou era o regina da Signoria...

E podíamos ficar nisto... Caso não tivéssemos examinado sua outra obra igualmente clássica sobre as Décadas de Tito Lívio, isto é, os 'Discorzi'...

Do qual extraímos o fragmento acima... que bem se encaixaria no Príncipe. Pois o Maquiavel, o autor, é o mesmo.

A bem da verdade não acreditamos que Maquiavel fosse republicano ou democrata. E tampouco despótico. Tudo quanto ele objetivava era a unificação de sua querida Itália. Assim os fins empalideciam face aos meios... os princípios face aos instrumentos... Com efeito - "Certas ações condenáveis podem ser justificadas graças a seus resultados, e quando o resultado for bom... fica justificada a ação." Discorzi... ' Primeiro Discurso. E exatamente aqui que Maquiavel justifica o fratricídio. Como todos sabem Rômulo, mítico fundador da cidade de Roma, assassinara seu irmão Remo. O florentino diz mais ou menos assim: Ok, tudo bem, Rômulo matou Remo, mas não cometeu crime algum pois tinha em vista o bem da república... "Ele merece ser desculpado... pois quis garantir a segurança da nova cidade." tais suas palavras e se fosse um matricídio ou um parricídio não seriam outras. Afinal o valor supremo não é a família ou a reverência para com os mais velhos mas a conservação da cidade!

A propósito, quanto a Maquiavel não ser nada em tempos de forma ou regime político é sabido que escreveu O príncipe e dedicou-o ao vitorioso Lourenço imediatamente após a queda da República que até então servirá, visando, obviamente alguma colocação. E isto soou tão mal que ele chegou a manipular sua correspondência e o próprio texto do livro para fazer supor outra data mais recuada... Não deu certo. O Médici jamais confiou nele... Assim sendo, alguns anos antes do levante que derrubou os Médici, em 1527, visando uma possível colocação, compôs os Discorzi - certamente tentando passa-los por mais antigos do que eram. Inutilmente, porque os republicanos vitoriosos bem conheciam seu oportunismo. Não tardou a desesperar-se e a sucumbir, descendo a tumba.

Maquiavel sempre mudou de lado e buscou compor-se com os vitoriosos tendo em vista uma possível obtenção de cargos ou seja por amor ao poder.

Não me parece que fosse qualquer coisa. Embora seja certo que desejasse a unificação da península, fosse sob a forma republicana ou sob a forma despótica. Seu sonho era o ressurgimento do antigo Império romano... Neste sentido foi o predecessor perfeito de Mussolini.

Certamente que não se pode ser agressivo, belicoso ou odinista sem sacrificar a ética. Por isso Maquiavel risca-a de seu caderno... Não a moral cristã convencional, a qual certamente não amava e sequer olhava com simpatia, mas uma simples ética racionalista e humanista nos termos de um Sócrates ou de um Platão. Por isso esta ele tão próximo do cientificismo contemporâneo com suas pretensões anti éticas, do positivismo e, consequentemente do direito puro e de Mussolini... Admitido que nada haja em termos de essencialidade e que tudo seja mera convenção, como deixar de curvar-se reverente face ao Leviatã, seja seu sobrenome 'razão de estado' ou 'vontade geral'. Afinal a pessoa nada é... E nem se pode levar a tese segundo a qual cada um possa fazer tudo quanto queira... Pendendo o prato da balança ao estado ou a sociedade, e sem contra peso. O homem desaparece... É esmagado pelo príncipe, pelo líder, pelo ditador, pelo déspota, pelo soberano, pela comunidade... Creonte manda supliciar Antígona e tudo fica por isso mesmo. E ai de Tirésias caso ouse abrir a boca - Hobbes e Maquiavel amordaça-lo-ão... E como Fisher de Rochester ou o divino Morus irá ao cadafalso...

Enfim, lido em sua completude Maquiavel parece mesmo maquiavélico e só nos resta declarar que Gentilet, Solorzano, Ayala e outros quiçá mereçam ser lidos com um pouquinho mais de atenção ou complacência...

sábado, 21 de julho de 2018

A Igreja e o espantalho do anti abortismo II ou repisando velhos erros...


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QUANTAS VEZES VOCÊ FEZ ISTO???




Agora que fazem esses Católicos acomodados, superficiais e insensíveis matriculados na escola do farisaísmo???

Voltando as costas para seu dever social e buscando encontrar soluções concretas para o aborto - Capazes de impedir sua descriminalização - assume a fatuidade da ideologia protestante e (pasmem!) transplantam o anti abortismo e outros temas morais (o que é muito pior) para o terreno da política EM DETRIMENTO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, a qual, como levianos, menosprezam quando não ignoram. Tristia tempora! Tristia mores!

E põem-se a gritar como pegas ao cio: Não vote neste candidato porque é a favor do aborto!!!

Que temos a dizer diante disto.

Certamente que todo humanista, quanto mais um Cristão, se oporá ao aborto e pronunciar-se-a em favor da vida e sua dignidade. Não em favor da vida intra uterina apenas - seria uma distorção da concepção Católica de existência - mas em favor da vida infantil, juvenil, adulta, madura, idosa e sob diversas outras circunstâncias que exigem uma proteção por parte da Sociedade. A Comunidade deve proteger integralmente a vida, do começo ao fim. A solidariedade impõem-se como algo continuo e não é possível ou coerente que o homem, oponha-se a imolação de fetos e apoie e imolação diária de crianças, jovens e adultos face a miséria e a ignorância.

No entanto quando dizemos que o Cristão se oporá ao aborto devo dizer que também se oporá a todas as condições sociais que favorecem-no, e assim a exploração econômica, a injustiça social, a pobreza extrema, ao analfabetismo, etc Somente dentro de um contesto mais amplo o anti abortismo faz algum sentido.

Além disto como já dissemos, buscará ele, a medida de suas posses, solidarizar-se com as pessoas vulneráveis a esta situação. Já adotando, apadrinhando, socorrendo ou mantendo orfanatos e abrigos. Então terá idoneidade para críticas ou poderá começar a falar. Após ter cumprido seu dever... ao invés de emitir discursos vãos!

Por fim este homem, acima de tudo, assumirá tantos quantos filhos tiver, os valorizará, assumirá e cuidará deles. Mesmo que desligado da mãe de seus filhos estará sempre disposto a ajuda-la financeiramente ou pessoalmente, pois de seu filho não se pode desligar. E saberá apoiar filhas, sobrinhas, afilhadas, etc ameaçadas por semelhante risco. Ele não favorecerá esta prática infame em sua família ou círculo de amizades. Não abortará sentido de jamais consentir que sua companheira aborte. Buscará dissuadir qualquer mulher disposta a faze-lo não apenas por meio de argumentos, mas concedendo-lhe proteção e apoio. Ele viverá o anti abortismo e o colocará em prática na própria vida.

Pois não é incomum entre políticos e palradores destes tempos, condenar publicamente este ou aquele vício e depois, po-lo em prática as ocultas. Assim demagogos que após terem denunciado o abortismo a cabo de anos seguidos, pressionaram a jovem amante a abortar!

Portanto ser Cristão não significa condenar mulheres pobres ou exigir que sema punidas e penalizadas sem que a condição delas seja levada em conta e menos ainda berrar contra a legalização do aborto, mas opor-se ao aborto com a vida. Abster-se de po-lo em prática ou de favorece-lo através de suas atitudes. Isto sim é ser anti abortista!

Porque o lugar da moralidade é a vida privada.

Enquanto que a política diz respeito a coisa pública.

Portanto se alguém aborta ou não ou se apoia o aborto ou não, isto não tem relação concreta com a coisa pública e comum.

Claro que a legalização ou o financiamento público do aborto são temos políticos, que no entanto derivam de situações sociais.

Opor-se a legalização ou descriminalização do aborto irrestrito não nos deve impedir de votar ou de apoiar um político simplesmente porque é a favor desta pauta. Uma análise deste tipo pode induzir-nos a erros fatais devido a sua tacanhice. O apoio a um político deve ter por base uma análise sobre o conjunto de seus propostas e não uma opção isolada, ainda que equivocada.

Teoricamente o Fuherer de S Paulo, Geraldo Alckmin, afetando um Catolicismo aparente, que folga opor-se a Doutrina social da Igreja, declara opor-se a legalização do aborto. Devemos portanto apoiar um tal sujeito ou votar nele? Observemos a situação tanto mais de perto. Este cidadão confuso e desorientado, não apenas pertence a um partido cujo programa é de inspiração neo liberal ou capitalista como assume esta pauta neo liberal, de modo algum conforme a Doutrina Social da Igreja. Em conformidade com seu ponto de vista, o citado candidato pretende aprovar a Reforma da Previdência assim que assumir a presidência do país.

O que quero que o leitor perceba é que este homem adota soluções incompatíveis face a tradição social do Catolicismo. Afeta ser anti abortista para granjear votos. Mas esta disposto a executar uma reforma,- dentre tantas e tantas outras - destinada a potencializar situações de miséria e indignidade, que na base acabarão favorecendo situações de aborto!!! Com um discurso hipócrita e um falso moralismo, declara opor-se ao aborto. Por meio de uma política neo liberal todavia, acabará estimulando este crime.

É antiga a constatação de que o Capitalismo ou liberalismo econômico - e não seu sucessor o Comunismo - destrói a família e a moral tradicional pena base. Todo conservador sabia-o por intuição desde os albores do décimo nono século. Verificou-o, o Católico Le Play, após exaustivas investigações, cerca de 1850. O Comunismo tem o mérito de ser sincero e de combater abertamente a organização familiar costumeira - que os anti abortistas alegam amar. O Capitalismo destrói-as sútil ou sorrateiramente, solapando toda a moralidade convencional ou como dizia Bernard de Mandaville vendendo, negociando e promovendo diversas formas de vícios. Foi a criação do modelo fabril pela Revolução industrial - apoiada pelos protestantes - que separou pai, mãe e filhos; assestando duro golpe nas famílias, além de afasta-las do convívio com o mundo natural.

Tudo isto é obra do liberalismo, ideologia que inspirou os programas de diversos partidos políticos nos quais prolifera um discurso anti abortista ou puritano - incoerente e inconsequente como tudo que é protestante. É um discurso falacioso e aparente, na medida em que o mesmo liberalismo implementa e tem implementado, cada vez mais situações de miséria, injustiça e alienação. Mas não são os Comunistas que dizem tais coisas??? Não, quem constatou semelhante situação foi o escritor Charles Dickens, e além dele St Simon, Fourier, Owen, Ruskin, Morris, Carlyle... além dos insuspeitos Chesterton e Belloc... E Hérzen, Lavrov, Sorel... O Bispo Von Keteller na Alemanha... Os Católicos sociais da França a partir de Villeneuve de Bargemont, Lammenais e Buchez... Henry George nos EUA... A miséria trazida e promovida pelo capitalismo foi uma constatação empírica geral, como a imoralidade potencializada por este novo mundo: Alcoolismo, consumo de drogas, prostituição... Tudo quando os neo Católicos moralistas afetam detestar foi estimulado pelo Capitalismo.

Portanto como combater o aborto e as demais formas de imoralidade apoiando um sistema materialista e economicista que solapa as bases e fundamentos da moral - É DAR UM TIRO NO PÉ!!! Admitem-no os conservadores ou meio reacionários ingleses como Russel Kirk e Scruton, além de John Gray. O capitalismo destrói as redes tradicionais de solidariedade ou apoio, nas quais nossos ancestrais encontravam acolhida, e lança-o isolado e só num torvelinho de forças econômicas. E assim se vão todos os sonhos, dirá T S Elliot. E também toda moralidade antiga... A qual desaba e vem abaixo, porque lhe falta o necessário substrato real ou material. Não se fala de Deus ou de religião a quem tem a barriga vazia, já dizia o Escolástico!

A moralidade Católica depende de bases concretas ou materiais da qual a pessoa fica privada desde que posta a merce do Capitalismo e o resultado disto é uma sociedade abortista... E ao apoiar um candidato liberal ou neo liberal você, Cristão, ajudou a edifica-la, inda que ludibriado por um falso discurso!!!

Diante disto que solução buscar???

Soluções políticas para problemas comuns. Soluções sociais para problemas sociais.

E temos um excelente guia, temos um padrão, temos um critério, na doutrina social da igreja, que é um desenvolvimento da nossa tradição social e da nossa consciência Ética.

É a doutrina social da igreja e não a qualquer elemento isolado de moralidade que devemos reportar nossa análise política, examinando a proposta de cada candidato em seu conjunto, no que tem de propriamente política ou social. É a doutrina social da Igreja que o Católico deve tomar por base ao analisar qualquer programa partidário ou proposta pessoal.

Claro e evidente que no Brasil não daremos com uma absorção integral desta doutrina por parte de qualquer candidato e menos ainda de qualquer partido. Agora quem são os responsáveis por semelhante estado de coisas senão estes neo Católicos filiados a partidos liberais ou neo liberais??? Esses elementos superficiais e levianos que ignoram os ensinamentos sociais da igreja??? E que ousam posar como Católicos nos palanques...

Diante de tal fato deve o Católico guiar-se por aproximação. Votará em candidatos cujas propostas melhor contemplem as exigências da doutrina social da igreja. Grosso modo elegerá candidatos que defendam os direitos do trabalhador, que deem respaldo a promoção humana e que estejam comprometidos com a justiça em sua dimensão social.

Diante disto apoiará partidos socialistas ou compactuará com o socialismo?

De fato, temos de dizer que nem tudo no socialismo é mau e que ele não é mau em seu conjunto ou totalidade - Ao contrário da avareza, principal 'virtude' encarnada pelo capitalismo, a qual é um pecado. - mas apenas quanto a certos aspectos filosóficos, como o naturalismo, ou (Em certos casos) o materialismo, o ateísmo, a negação da propriedade pessoal, etc Aos quais o Católico obviamente não aderirá. No mais não se trata de filiar-se a tais partidos ou mesmo de filiar-se a ele, mas de reconhecer que a plataforma deles esta infinitamente mais próxima da doutrina social da igreja do que a doutrina liberal ou neo liberal. Esta é condenada em sua base mesma e fulminada em seus princípios. Aquela apenas quanto a certos aspectos.

Portanto não pode nem deve o bom Católico furtar-se de apoiar uma política trabalhista ou justicionista, sob a alegação - especiosa e vã - de que os socialistas ou mesmo os comunistas apoiam-na. A estupidez aqui seria tanta como opor-se a um projeto destinado a coibir a pedofilia ou a disciplinar a entrada de muçulmanos na República pelo simples fato de ser ele apoiado pelos socialistas. A partir deste tipo acrítico e imbecil de oposição chegamos aos mais monstruosos absurdos.

Toda e qualquer proposta fundamentada na Doutrina social da Igreja merece total apoio dos Cristãos Católicos inda que parta de seus adversários. Não pode o Católico, desamparar o direitos dos trabalhadores ou os serviços de assistência social, sob a alegação de que os socialistas ou comunistas são favoráveis a eles porque a doutrina da igreja também o é, e terminantemente! Os fanáticos cooptados pelo protestantismo e poluídos pelo liberalismo economicista podem não gostar, mesmo assim há pontos comuns, e diversos, entre a doutrina social da Igreja e o socialismo naturalista ou mesmo o comunismo. Assim a necessidade da intervenção por parte do estado ou da sociedade nos domínios da produção econômica, visando proteger os operários, campesinos, etc De fato a igreja jamais engoliu os paradigmas do liberalismo clássico.

Pode e deve portanto o Católico, com a consciência pura diante de Jesus Cristo e firmado na tradição dos Santos Padres e dos escolásticos votar em candidatos que pertençam a partidos socialistas moderados, mesmo quando sejam abortistas ou estejam em oposição a moralidade comum. Isto não os torna apoiantes do aborto ou da dita imoralidade. Não os torna naturalistas e não faz deles comunistas. Apenas estão buscando a melhor saída política para problemas políticos e conforme o espírito da igreja. Que até 1937, na Alemanha, apoiou o nazismo sem tornar-se por assim dizer nazista.


O melhor e mais seguro critério, em termos Católicos, para analisar o conjunto de qualquer discurso político, é e sempre será a doutrina social da Igreja e jamais qualquer elemento isolado em termos de moralidade. Não podem os Católicos por em prática o aborto ou se abortistas. Votar em políticos abortistas, desde que haja razão suficiente para tanto, podem faze-lo tranquilamente.


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OLHA AI QUEM PODE LEVANTAR O DEDO E CRITICAR!!!





sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Era Jesus Cristão? Uma questão posta por J A S



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Pessoas há que são mal intencionadas, assim os fariseus, escribas, saduceus e outros elderes da casa de israel que viviam amolando o Senhor Jesus Cristo e armando-lhe presepadas.

Outras são inteligentes e propõem com absoluta naturalidade certos temas a reflexão comum.

A maior parte ou totalidade de meus amigos compõem da segunda categoria de pessoas, honestas, inteligentes, críticas e reflexivas. De modo que sou obrigado a levar bastante a sério os problemas levantados por eles em torno de minha fé, a qual assumo intrepidamente.

Um destes camaradas endereçou-me a seguinte pergunta: Era Jesus Cristão?

Para muitos de meus amigos e a quase totalidade de meus ex correligionários uma pergunta assim formulada equivaleria a um tiro a queima roupa e penso que até ficariam irritados.

Eu fiquei feliz porque semelhante questionamento suscitou-me uma série de reflexões a serem realizadas ao cabo de uma longa noite de insônia.

Alias tais perguntas vão muito bem com longas noites de insônia e quiçá parte dos teólogos escolásticos da I Média fossem como eu insones crônicos.

Varei a noite e madrugada buscando respostas para esta incomodativa pergunta.

Cujas constatações agora torno públicas, partilhando com o leitor benevolente deste diário.

Claro que tendo de assumir uma perspectiva tenho de ser honesto e assumir sinceramente a perspectiva nicena, partindo portanto do suposto que Jesus Cristo seja um Ser divino ou a manifestação da divindade, sob forma humana, neste mundo.

Outros julgando ser ele simples mortal ou mera criatura chegaram a outras constatações.

Para mim no entanto ele é a Encarnação da alma ou do espírito que anima o universo, em suma, daquilo que os pensadores gregos chamavam Deus.

Nele percebo mais do que um homem. Percebo o divino, o sagrado e o numinoso e sua plenitude.

Tal o ponto de partida de minhas cogitações.

Para resolvermos o problema devemos antes de tudo considerar uma obviedade - É o Cristianismo uma forma religiosa ou religião, como o budismo, hinduísmo ou judaísmo.

A própria palavra religare reporta-nos ao sentido de ligação com Deus, com o sagrado, com o numinoso; mas não apenas isto. A exceção do protestantismo 'ortodoxo' ou solifideista - os sectários protestantes em parte assumem nossa afirmação tomada a um panfleto religioso - (antinomiasta) que se assume como uma forma religiosa amoral ou sem ética (!!!), a maior parte das religiões assume certa conotação ética em torno de princípios e valores. Em certo sentido todas aspiram salvar o homem da ignorância ou de um comportamento inadequado; todas aspiram por educar ou reeducar o homem, todas buscam encaminha-lo a virtude.

Podemos portanto definir as grandes religiões ou as religiões reveladas como uma busca de comunhão ou de unidade com o Sagrado que ao mesmo tempo conceda aos homens uma possibilidade de superação, no sentido de tornar os homens melhores do que são.

Algumas como o Cristianismo antigo, são antes de tudo Éticas. Tendo por objetivo precípuo salvar o homem de uma situação de miserabilidade moral (Ética), de desaliena-lo, de conecta-lo com o sagrado...

Ainda que repudiemos com veemência a doutrina mitológica de um pecado original, cometido por um primeiro homem e cuja culpa teria sido imputada arbitrária e magicamente a toda sua descendência, não repudiamos a crença num pecado ancestral, enquanto situação histórica e social de pecado projetada até mesmo no inconsciente dos nascituros. Não se trata aqui da noção essencialmente injusta da transmissão da culpa, de modo algum. Mas da gênese sócio/cultural dos pecados pessoais ou da contaminação pelo exemplo no dizer do teólogo Orígenes de Alexandria.

Ninguém melhor do que os antigos filósofos gregos percebeu a presença do mal metafísico ou ético no mundo.

Odiamos, mentimos, matamos, roubamos, praticamos a injustiça, oprimimos, etc

E nada disto pode ser bom.

Há algo na consciência de cada um de nós que se revolta contra todas estas coisas. Apesar do poder e da força da cultura.

Somos elementos fragmentados, divididos e em conflito, como demonstrou a Psicanálise.

Dos sete sábios a Freud passando por Confúcio, Buda, Sócrates, Platão, Jesus, Marx, etc a percepção de que algo não esta bem é comum e quase evidente.

O ideal conflita com o real. O dever choca-se com o ser. O que queremos não corresponde ao que fazemos.

As religiões propuseram-se vir ao encontro desta demanda ética e comunicar ao homem algum tipo de força suplementar capaz de coloca-lo a altura de suas mais nobres inspirações.

A religião de Akhenaton teve esta percepção bastante claramente. A de Buda como nenhuma antes dela. O profetismo hebraico não foi estranho a esta tomada de consciência firmemente assumida pelo Cristianismo antigo. O sikismo, o babismo, o espiritismo, etc foram por este mesmo caminho.

Segundo esta perspectiva podemos definir a religião Cristã e por assim dizer a Igreja de Cristo nos termos de uma escola, de um reformatório, de um hospital ou de um hospício cujo objetivo é educar, orientar, corrigir e curar os seres humanos feridos pela ignorância.

Por isso foi o Cristo apresentado como médico e pedagogo de nossas almas.

Destarte, sendo ele eticamente íntegro ou perfeito, isto é isento do que chamamos de pecado, certamente não precisava de religião. (para si).

Tampouco precisava dela para chegar ao Sagrado uma vez que ele mesmo portava o Sagrado dentro de si. A fonte suprema da luz certamente não precisa ser iluminada.

Ele não precisava de Igreja para si mesmo.

Revelou o Cristianismo, i é a doutrina Cristã ou os elementos da fé para os homens mortais. Estabeleceu os sacramentos para os homens mortais. Fixou uma lei ética - o Sermão do Monte - para os homens mortais, etc Não para si mesmo.

Neste sentido - ele - não precisava de religião, de Cristianismo ou de Igreja. Os homens sim precisam de tudo isto para elevarem-se.

Portanto no sentido comum de ser crer, arrepender-se de qualquer coisa, ser Batizado, receber a Eucaristia, fazer penitência, ir a missa, rezar, etc JESUS CERTAMENTE NÃO FOI CRISTÃO.

Ah mas ele era verdadeiro homem.

Sim, em tudo semelhante a nós, mas menos na miserabilidade ética ou na experiência do pecado. Ele é a manifestação da suprema santidade sobre a terra... A religião um meio concedido aos homens para superarem uma situação de pecado...

Neste caso não precisava Jesus orar?

Una vez que a prece nada mais é do que um forma de comunicação entre o homem e a divindade, e esse Jesus a própria divindade em carne e osso é evidente que ele não precisava orar.

Neste caso porque rezava ele?

Para não escandalizar os homens - que acreditavam ser ele mero homem - e para servir de modelo a seus seguidores.

De modo que não precisava ter observado as instituições do judaísmo?

Veja bem, admitido que Deus se manifeste no mundo como verdadeiro homem temos de admitir que ele entra em contato com a cultura ou com determinada cultura.

Assim ao assumir sua forma humana e mortal ao tempo de Augusto César foi entre os judeus que a assumiu. Assumindo determinado contesto cultural.

Era a cultura dos judeus 'sagrada' como todas as demais culturas daquele tempo e portanto acentuadamente religiosa. Esperando-se de um bom judeu ou de um judeu devoto que não só regulasse sua vida segundo as normas da religião, como acorre-se as cerimônias religiosas e delas participasse.

Aqui aparentemente ao menos manifesta-se já um problema, para alguns ocioso, mas não para nós.

Isto pelo simples fato de que a parte de Akhenaton e Buda líder religioso algum abolira os perniciosos sacrifícios humanos. Equivalendo o templo dos judeus em Jerusalém a um imenso açougue a céu aberto com todo o sangue, gordura, carniça e fedor que esta definição sugere.

Sendo assim como poderia Jesus praticar o judaísmo?

Felizmente habitava Jesus bem distante de Jerusalém i é na Galileia, onde ao invés de frequentar abatedouros infames, frequentava as sinagogas locais em que estavam sendo elaboradas as futuras cerimônias litúrgicas do talmudismo farisaico, as quais excluíam e excluem sacrifícios de sangue. De modo que ele nem imolada animais nem prestigiava tais cerimônias, exceto quando se dirigia a cidade santa de Jerusalém, o reduto dos fanáticos.

Até onde sabemos teria ido a Jerusalém uma meia dúzia de vezes na vida e em geral se alimentando de peixe e não de carne vermelha. Uma coisa é certa, se a cultura impediu-o de opor-se aos sacrifícios ou de condena-los ele jamais imolou animais ou aprovou semelhante prática.

Há por sinal uma frase sua bastante significativa, a que alguns tem atribuído um sentido anti sacrifical: "O que eu quero é compaixão e não sacrifícios."

Quanto ao mais deve ter observado os ritos simbólicos do judaísmo, não porque fosse esta religião divina, mas porque estava inserido num contexto sócio cultural judaico em que a inobservância da religião lhe traria total descrédito. Acaso seus ancestrais não puniam a ferro e fogo a irreligiosidade compreendida como simples inobservância dos ritos? Jesus no entanto manifestou-se justamente para dizer algo, tendo necessariamente de dialogar com a cultura e antes disto inserir-se nela até onde fosse possível. Neste sentido temos de dizer ainda que no ritual da sinagoga nada há que seja por si mesmo condenável. De modo que o divino Mestre bem podia observa-lo sem maiores problemas, não porque lhe fosse necessário, e sim porque lhe era conveniente.

Grosso modo, religiosamente falando, Jesus assumiu o judaísmo apenas 'pró forma' ou externamente. Jamais foi um judeu consciente, piedoso, conformista, etc em suma o rabino beócio e repetidor de tradições pintado pelos protestantes calvinistas e sectários judaizantes.

Não foi Judeu religiosamente falando. Tampouco pertenceu a igreja Cristã enquanto membro. Não tinha religião. Não tinha necessidade de religião. Fundou o Cristianismo para os homens em condição de miserabilidade ética, como quem funda um hospital, mas não internou-se nele ou seja não foi Cristão.

Fundou a Igreja Cristã, grande, antiga, episcopal, Una, Santa, Católica, Apostólica, Ortodoxa, etc Não filiou-se a ela, não era pecador, não era fiel, não buscava a santidade ou a virtude, não precisava ser iluminado.

Jesus sendo Deus eterno e homem isento de pecado transcende a própria igreja que fundou e a própria religião. A estatura do filho de Maria não cabe na Igreja, é superior, mais elevada, perfeita... A Igreja foi estabelecida para conduzir os imperfeitos a perfeição almejada: Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito.

Nem preciso dizer que com relação a moralidade 'Cristã' tomada ao judaísmo, Jesus era anti Cristão ou imoral. Jesus foi pregado na cruz justamente por ter questionado os preconceitos afirmados pela moral judaica - odinismo, machismo, adultismo, etc Ele foi um revolucionário e contestador de valores e não um repetidor idiota. "Falava como quem tinha autoridade." E ousava posicionar-se criticamente face a Torá - Eis o que foi dito aos antigos, eu porém vos digo... Exasperou os líderes judeus por acolher amorosamente todas as minorias a que desprezavam e oprimiam.

Paulo, fariseu filho de fariseu, rabino da tribo de Benjamin e pupilo de Gamaliel é que fez reverter a revolução de Jesus reintroduzindo os preconceitos judaicos: Estatolatria, machismo, homofobia, escravismo, etc No entanto, como bem percebeu Jeremy Benthan entre 'paulinismo' e 'Cristianismo' vai larga diferença. É a moral Cristã atual majoritariamente paulinista logo em maior ou menor medida rabínica, judaizante e portanto anti Cristã. Jesus não era súdito de Paulo ou Paulinista, mas inimigo das tradições hebraicas e adversário dos rabinos, os quais a todo tempo questionava.

Em que pese sua infalibilidade doutrina em termos de fé é a igreja - inclusive a Ortodoxa e Católica cuja fé integralmente professo - moral ou eticamente falível, equivocada e corrupta enquanto valhacouto de preconceitos judaicos descartados pelo Mestre Jesus. A moralidade Cristã, particularmente a moralista, puritana ou sectária não é a moral de Jesus, mas uma perversão maniqueísta.

Então que foi Jesus, e qual sua relação com o Cristianismo?

Para nós Jesus fundou historicamente uma Igreja visível comissionando os apóstolos e enviando-os com o objetivo de instruir todos os seres humanos.

E fundou-a com o objetivo de conservar a integralidade e objetividade de seus ensinamentos ou o quanto Revelou aos homens em termos de doutrina (Sobre Deus, o mundo futuro e a Igreja).

Portanto em última análise Jesus Revelou o conteúdo Ético e Doutrinal da fé a que chamamos Cristã, Católica e Ortodoxa ou episcopal. Foi aquele que Revelou os elementos do anúncio mais tarde erigidos em artigos de fé (Amana) pelos padres - sucessores dos apóstolos - e concílios.

Jesus é a fonte da fé da Igreja e dos Cristãos, o que não significa que ele mesmo tenha sido 'Cristão' enquanto fiel/membro da igreja ou mesmo religioso em sentido convencional, tal a transcendência, amplitude, grandeza e singularidade de seu vulto.

Tampouco podemos dizer que Jesus seja monopólio da Igreja Ortodoxa. A igreja não existe para dificultar o 'trabalho' mas para facilita-lo. Não restringe e excluí os que são de Cristo, antes amplia sua comunhão com ele por meio do ensino correto (integralidade doutrinal) e dos Santos e divinos sacramentos. Oferece maiores garantias quanto a Unidade de Jesus Cristo. Não é pela fé ou pela pregação que somos incorporados a Jesus Cristo mas de modo místico por sua graça, IMPERCEPTIVELMENTE. Podemos avançar sem medo e declarar que no momento mesmo em que se fez homem Jesus Cristo assumiu e incorporou a si, misticamente, todos os homens, todos os seres humanos, todos os mortais, sem consideração de crenças religiosas. Aproximou-se de todos quando assumiu nossa natureza, de modo que a igreja limita-se a potencializar e ampliar esta comunhão espiritual.

Já estava no mundo, desde toda eternidade, enquanto Espírito ou alma que o preenche. Manifestou-se visivelmente no mundo enquanto homem. Jamais esteve totalmente separado dos homens no sentido de os ter abandonado. Os homens é que dele se afastaram um tanto, precisando ser recuperados... Daí ter sofrido e morrido na cruz NÃO PARA PAGAR QUALQUER COISA OU EXPIAR mas para mostrar-se solidário e demonstrar seu imenso amor por todos. Pela manjedoura e pela cruz, de certo modo fomos todos associados e ligados a ele. Tornar essa ligação natural ainda mais íntima e sobretudo CONSCIENTE, tal a função da igreja.

Por fim só se separam da Igreja e de Cristo, aqueles que por livre iniciativa e maldade, repudiam conscientemente a doutrina da Igreja ou sua utilidade formando seitas e produzindo novas doutrinas. Estes são mil vezes piores do que aqueles que repudiam o Cristianismo ou a existência de Deus, pois falsificam o que há de mais puro, imaculado, sagrado e precioso na face da terra: A divina Revelação comunicada por Cristo, obscurecendo o caráter de Deus e subvertendo os fundamentos da Ética, e os elementos do amor, do bem, da justiça, da verdade, da honestidade, da fraternidade, da solidariedade, etc substituindo-os como já dissemos por preconceitos judaicos, mitos, fábulas e vãs moralidade repudiadas pelo próprio Mestre Jesus.

Se Jesus Cristo e seu Evangelho de Amor - em que são apresentadas a paternidade de Deus, sua infinita benevolência e sua compaixão ilimitada - são repudiadas pelos incrédulos, agnósticos, materialistas e ateus é certamente porque a mensagem deste Evangelho foi antes falsificada, adulterada, corrompida, distorcida, empanada e obscurecida pelos maus cristãos i é pelos sectários e judaizantes. Impossível é que qualquer homem repudie ou menospreze o autêntico conteúdo do Evangelho, deixando de reconhecer a sublimidade ímpar de sua ética. Se isto em acontecido é porque alguém distorceu a doutrina, posto que -

"É A ALMA HUMANA NATURALMENTE CRISTÃ." Tertuliano de Cartago

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O lugar da Ética no espaço escolar> Instrução ou educação? Parte I


I - Condição extra escolar - O universo da ética fora da Escola.




Jamais se falou tanto de Etica quanto no tempo presente.

Fosse pela abundância do discurso seríamos levados a crer que estamos vivendo a Idade da Ética ou um florecimento da consciência humana no mais alto grau.

Apesar disto civilização alguma parece ter sido tão menos ética do que a nossa.

Assim se os assírios machavam suas mãos com sangue humano e também os maias e aztecas parece que a humanidade presente com suas mãos 'limpas' tem um coração de pedra - completamente indiferente as necessidades alheias - ao invés de um coração de carne. E isto nos parece bem mais grave (Sheley). Ultrapassamos a crueldade primitiva por meio da insensibilidade.

Pois se os antigos pareciam sentir prazer em torturar suas vítimas e desafetos, paradoxalmente não eram menos habéis em identificar-se com aqueles que sofriam...

Em nós homens do tempo presente sobejam as belas palavras e minguam as atitudes concretas.

"O homem que se gasta em palavras: raramente se gasta e ações" no dizer do Dr Gustave Le Bon

Tal o fundamento ontológico de crise porque passamos: Mais moral ou ético do que técnico, material ou econômico.

Toleramos vergonhosamente essa chaga chamada capitalismo e nos curvamos perante o ídolo do Mercado. Julgo no entanto que as profundezas do mal toquem as fontes mesmas de nossa consciência e caráter pelo simples fato de sobrepormos o TER ao SER.

Nós - E me refiro sobretudo e antes de tudo ao Cristão (Aquele que foi convocado a amar e a auxiliar, a servir e a perdoar, a beneficiar e a favorecer) mas (numa perspectiva naturalista) também ao socrático - aceitamos muito facilmente a dinâmica mecanicista e inumana do mercado e não soubemos resistir-lhe como deveríamos. Assim, graças a nossa indiferença e comodismo o Mercado estendeu seus tentáculos sobre toda face da terra e estabeleceu uma nova ordem, econômica, não humana.

E nós aquiescemos...

Aquiescemos...

Concordamos, cedemos, negociamos e acreditamos poder viver dignamente sob a tutela de um Mercado financeiro!

Evidentemente que temos de abordar - numa perspectiva econômica - os defeitos estruturais ou internos do sistema capitalista e expor claramente a falácia da auto regulação. É caso de necessidade! No entanto precisamos ir mais além, questionar e buscar saber por que nos identificamos tão apressadamente com este sistema e optamos por viver conforme suas leis apesar de conter defeitos tao notórios.

Até que ponto é, a aceitação do capitalismo e dos demais exemplos de cultura de Morte (nazismo, fascismo, comunismo, etc) corresponde a uma queda em termos de ideal, a uma crise de consciência e a um obscurecimento Ético e o que é que levou-nos a esse entorpecimento...

Acompanhemos para tanto os caminhos da Ética no curso da História.

Durante séculos de séculos, a cabo de milênios infindos, ao dealbar de Eras de eras permaneceu a Ética atrelada as crenças religiosas. Assim durante toda a Idade primitiva, assim entre as civilizações egípcia, sumeriana, indiana, chinesa, assíria, babilônica, fenícia, hitita, etrusca, etc em suma, até o florescimento da civilização helênica. Nicho de cultura em que pela primeira vez a reflexão sobre os valores foi desligada do elemento religioso - deixando de corresponder a um monopólio sacerdotal - para vir a ser objeto de reflexão ou de consideração racional sob os auspícios dum saudável naturalismo.

De fato a religião antiga ou a suposta religião revelada, esta permaneceu sob a tutela dos padres. Não a queriam os pensadores, pois o critério adotado por eles era o emprego da razão e não desejavam confundir as coisas. Tal a perspectiva de um Demócrito e de um Aristóteles. Alguns como Platão ainda tomavam empréstimo ao sagrado em busca de uma linguagem alegórica que os aproximasse mais da gente simples. Outros não. Admitiam o valor da religião, mas como algo distinto da reflexão filosófica, a qual agregavam a questão dos princípios e valores.

Foi um ensaio de emancipação que nem por isso deixou de atrair a atenção colérica e rancorosa de sacerdotes como Diopeites e da mentalidade conservadora representada a um tempo por Licon, Anito, Melito, etc

Seja como for o choque foi atalhado por uma interpretação simbólica ou alegórico dos mitos, pela falta de um aparelho repressor organizado e pela tendência da própria religião em tornar-se ritualista. Por fim a religião manteve a aparência externa dos ritos sancionada pela tradição da cidade e a Filosofia coube a reflexão sobre os atos humanos.

Tal revolução no entanto não representou mais do que um relâmpago a iluminar as trevas duma noite escura.

Assim após o colapso da Civilização antiga e a queda do Império romano, passou a ética, mais uma vez ao domínio da religião, se bem que sob uma forma mais avançada ou evoluída no caso o Cristianismo.

No entanto a medida em que o mundo contemporâneo de sia tornando mais democrático e pluralista impunha-se a separação e a elaboração de uma ética comum do ponto de vista puramente natural.

Importa saber que a construção desta Ética não foi e não é, por assim dizer, algo de fácil execução.

Especialmente se levarmos em consideração que da relação existente entre Ética e religião e da consequente negação da religião resultou a negação da própria ética por parte de não poucos pensadores modernos.

Concomitantemente sugeriu-se mais uma vez que a instrução ou a própria ciência seriam capazes de substituir a Ética ou de produzi-la. Sugestão que de certo modo já havia sido denunciada por Sócrates. Referi-mo-nos ao cientificismo segundo qual os princípios e valores ideais seriam determinados pela própria pesquisa científica.

Os gregos não conheceram o dilema religião e ciência ou religião e ateísmo forjando por assim dizer um teísmo racional ou deísmo naturalista destinado a dar suporte a ideia de uma lei universal e a uma Ética essencialista. Não cogitavam apelar a códigos supostamente sagrados ou revelados como os antigos hebreus, mas também não prescindiam de um legislador ou duma consciência universal enquanto fundamento objetivo do bem e do mal.

Podemos definir sua Ética - de modo geral e atendo-nos as escolas de Sócrates, Platão e Aristóteles, bem como as figuras de um Diógenes de Apolônia, Parmenides, Anaxágoras, etc - como não religiosa ou naturalista, teísta ou deísta (como queiram) e essencialista ou objetiva. Teleologicamente sua ética estava posta para a convivência harmoniosa no seio da Polis, para a unidade social e virtudes cívicas, isto a ponto de terem percebido e afirmado a pessoa, sem no entanto terem ousado coloca-la ao lado do Estado ou da Pólis. Haviam apreendido as noções de pessoa e liberdade mas sempre em estado de maior ou menor sujeição face as necessidades da Polis.

Assim para eles a lei natural compreendia um princípio absoluto (Transcendente/Imanente), uma dimensão social bastante clara e uma unidade pessoal destinada a observa-la.

A ideia de que os próprios indivíduos correspondesse a tarefa de legislar ou de criar leis válidas para si mesmos lhes parecia incompatível com aquele ideal de comunhão que era a Pólis e destinado quiçá a dissolver todos os liames da vida social sem os quais não podiam conceber a existência.

Por isso buscavam algo de comum, um elemento comum, um vínculo comum de que resultasse os fundamentos de uma lei comum a todos os homens. E este elemento redescoberto por nossos deístas durante o iluminismo era a Ideia de uma consciência ou mente suprema capaz de legislar tanto física, quando imaterial ou moralmente.

Os gregos jamais saíram disto e jamais cogitaram em produzir uma ética ateística ou materialista embora nem por isso sua ética fosse sobrenatural ou religiosa mas como já dissemos pautada na reflexão e portanto naturalista. Segundo os gregos a lei natural não precisava ser revelada por Deus ou pelos deuses porque estava no acesso da razão humana. Por isso não dependiam de sacerdotes ou de livros mas apenas e tão somente do exercício dialético, por meio do qual acreditavam ser possível alargar e aprofundar seus conhecimentos.

Tal o ponto a que chegaram e a síntese elaborada por eles.

Este ponto de equilíbrio no entanto foi como que quebrado ou fragmentado pelo homem moderno após sua drástica ruptura com a religião e a solução - da parte de alguns ao menos - pelo ateísmo e pelo materialismo. Já dissemos que alguns destes optaram por sacrificar a ética ou por coloca-la de lado. O que é tapar o sol com a peneira, na medida em que a Sociedade demanda, mais do que nunca por soluções éticas e que a falta delas corresponde a tremenda crise porque passamos.

Muito tem de discutido sobre como o materialismo e o ateísmo seriam capazes de fornecer-nos uma ética objetiva e essencialista capaz de servir de barreira as culturas de morte que nos cercam. Serão o ateísmo e o materialismo capazes de ultrapassar, em termos de ética, os limites do subjetivismo, do relativismo e do individualismo e de propiciar-nos um elemento comum e unificador no terreno dos princípios e valores ou teremos de nos contentar para sempre com opiniões individuais e preconceitos oriundos da cultura ou das culturas???

Claro que todas estas questões precisam ser levantadas e discutidas com serenidade.

Kant levantou todas estas questões e após ter 'demonstrado' que era impossível demonstrar a existência de Deus na "Critica da razão pura" retomou-a sem maiores problemas na tão odiada ou depreciada "Crítica da razão prática" enquanto fundamento do mundo Ético ou moral. E com os gregos admitiu ser impossível ou melhor absurdo postular uma Lei Universal ou natural prescindido de um Legislador inteligente. Do contrário, inexistindo uma lei natural ou universal, torna-se o indivíduo única lei ou padrão de ética para si mesmo. E estamos no terreno do individualismo crasso.

A um lado temos a ética objetiva e essencialista fundamentada na ideia de um elemento unificador, seja mente, consciência, energia, etc ao menos em parte Transcendente face ao gênero humano e a outro uma ótica individualista segundo a qual cada homem é padrão de bem e mal para si mesmo.

Haverá alguma solução intermediária entre estes dois extremos????

Entre a ideia de uma lei universal ou natural por princípio de coerência vinculada ao teísmo e a ideia, assustadora de uma ótica individualista houve quem buscando um meio termo postulasse a ideia de sanção social, Neste caso a lei a ser observada não teria seu ponto de partida nem num Deus supremo nem no indivíduo isolado mas no consenso social democraticamente obtido ou na sociedade.

É solução precária primeiramente porque existem diferentes tipos e formas de Sociedades, o que nos levaria a um imenso número de leis e o que seria permitido de um lado dos alpes já não seria permitido do outro... E a simples mobilidade do ser humano propiciaria intermináveis conflitos. Tanto pior se considerarmos o fato de que as Sociedades ou Estados não parecem infalíveis em matéria de ética ou moral. Substituído Deus ou o individuo pelo Estado temos preparado o caminho da estatolatria e do totalitarismo representados pelo nazismo, pelo fascismo e pelo comunismo. Aqui bom é o que beneficia o poder, a raça ou o partido e mau o que opõem-se as diretrizes e ambições do poder, da raça ou do partido! Face as quais as vidas humanas pouco ou nada significam...

Remete-nos esta ideia ou este critério de ética aos campos de concentração, expurgos, gulags, pogrons, extermínios em massa, etc

E se nos parece que o Estado possa ser orientador tão discutível quando o indivíduo em termos de ética.

O indivíduo arroga-se o direito de matar???? O Estado com mais razões ainda. O indivíduo alega ter o direito de torturar??? Certas sociedades ainda com maior empenho... E como a Sociedade ou o Estado comporta um número bem maior de indivíduos até o estrago acaba sendo maior.

Admitido e aceito que tudo é opinião individual e que o indivíduo é supremo critério em termos de Ética estamos no inferno de Hobbes e sem Leviatã que nos valha! Admitida a solução da estatolatria, converte-se a Sociedade mesma em divindade suprema e estamos nos domínios de Hitler com sua barbárie organizada...

Aqui todo esforço para ocultar ou disfarçar o problema ou sua gravidade é inútil.

Por considerações 'teóricas' ou intelectuais de vária lavra tem alguns homens combatido ferozmente o simples conceito ou ideia de Deus em termos naturalistas e por simples ódio a religião (Nem negamos que parte delas mereça este ódio). E eles nem podem, como os antigos gregos, separar a ideia de Deus da ideia de religião ou fé... E fazem-se paladinos abnegados do ateísmo, postulando inclusive que esta opinião ou teoria - por si só ou associada ao cientificismo - será capaz de produzir um tipo de consciência ética mais elevado.

Nós no entanto temos um demanda prática diante de nós e clamamos por uma solução eficaz.

Precisamos, repito, resgatar a antiga noção de Lei natural e comum (ou universal) ou de uma ética objetiva e essencialista capaz de condenar irremissivelmente todos os totalitarismos.

É portanto direito que nos assiste perguntar aos adeptos do ateísmo e do materialismo: Que tipo de ética vocês tem a oferecer-nos??? Serão vocês capazes de deduzir ou de extrair de seus postulados teóricos esta ética objetiva, essencial e unificadora???

Porque se nos apontam para o indivíduo na perspectiva de um Stirner ou de uma Ayn Rand tememos que o arguto Hobbes tenha já tirado das devidas conclusões. Nem podemos nos deixar iludir pelas conclusões românticas de um Russeau vivendo num universo volitivo deslindado por Freud...

Agora se algum liberal ingênuo nos aponta para o contrato social devemos considerar que este contrato, mesmo quando policraticamente implementado, permanece sempre falível. Sócrates não foi condenado pelos caprichos de um Mussolini mas pelo tribunal de Atenas segundo as formas policráticas de então! Jesus não foi condenado arbitrariamente pelo Sumo Sacerdote Caifás mas pelo órgão classista do Sinédrio. As leis de segregação racial vigentes em diversos estados dos EUA foram democraticamente baixadas! Democracia é bom no que diz respeito ao espaço do político, mas não pode substituir eficazmente o padrão da consciência implantado no universo pessoal.

Quantas vezes a objeção de consciência e a desobediência civil não representou o que havia de mais nobre e virtuoso. Enquanto as leis referendadas pela maioria mostravam-se opressoras???

Aqui uma conclusão salta a vista: As perspectivas puramente imanentes do individualismo e do estatismo ou socialismo não parecem resolver o problema ou oferecer critério seguro a vida ética. Daí dirigirmos aos ateus, materialistas e de modo geral a todos os adversários do teísmo naturalista esta pergunta que não quer calar:

O que vocês nos tem a oferecer de concreto em termos de ética????

Porque esta é a grande pergunta do tempo presente.

E temos de encontrar uma resposta para ela.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tópicos de filosofia grega: adiaphoras ou bens naturais?

Uma das questões mais discutidas pelos filósofos gregos e romanos diz respeito a categoria de coisas a que classificaram como adiaphoras ou neutras moralmente falando.

Assim a saúde, a beleza, a riqueza, a fama, e seus opostos a enfermidade, a fealdade, a pobreza e a obscuridade.

Convém no entanto adiantar que se tratam de coisas diferentes; pois enquanto a saúde e a beleza e seus contrários não dependem da livre vontade, a riqueza conquistada e a glória adquirida pertencem a esfera da atividade livre.

Distinguamos portanto, da saúde, da beleza e de seus contrário a riqueza e a glória e seus contrários, reservando o exame destas duas últimas situações para outra ocasião.

Implica saber se saúde e beleza, enfermidade e feiura correspondem a algum tipo de bem, ou se são de fato coisas neutras, i é, adiaphora.

Para tanto convém esclarecer que até mesmo os adeptos da 'adiaphora', como Crisipo de Soli, admitiam que as pessoas comuns ou sem trato filosófico costumavam referir-se a tais condições dadas como a bens.

Não estamos querendo dizer com isto que tais bens possuam 'valoração' moral ou ética derivada da livre vontade. Não escolhemos nascer saudáveis, enfermos, belos ou feios. Tratam-se de condições dadas pela natureza e dela recebidas. Outro é o caso das enfermidades produzidas por qualquer tipo de excesso relacionado com a fruição dos apetites sensíveis. Estas podendo em certa medida ser evitadas podem vir a possuir uma conotação moral.

Por outro lado não é por pertencer a a esfera da natureza que tais 'elementos' deixam de ser bens. Bens naturais, comuns, remotos e condicionais. Naturais devido a seu caráter não volitivo. Comuns porque saúde ou enfermidade, beleza ou feiura correspondem a estados compartilhados por imenso número de pessoas. Remotos porque não pertencem a esfera superior da moral ou da ética e condicionais porque a ausência deles impede ou dificulta o acesso aos bens superiores ou o exercício da vida virtuosa.

Assim a vida ou a existência é bem primário ou primordial na medida em que concede acesso a todos os outros bens, a plena realização das potencialidades, a aquisição da virtude e a perfeição moral. Neste sentido, enquanto condição 'sine qua nom' aos demais bens não pode a vida deixar de ser encarada com um bem. Um bem de categoria ou caráter inferior, no entanto um bem. Em que pese ser mal utilizado por alguns.

Assim os apetites sensíveis são bens na medida em que concorrem para a conservação da vida.

Assim a integridade física dos sentidos também corresponde a um bem na medida em que nos permite entrar em contato com a realidade e conhece-la. Nem podemos deixar de encarar a falta da visão, da audição, do olfato, do paladar ou do tato, como verdadeiros males na medida em que servem de obstáculo a assimilação da realidade. Uma vez que o fim de nossa existência é a aquisição do saber a cegueira e a surdez não podem deixar de serem males por limitarem nosso acesso ao saber e assim a dor quando intensa e constante a ponto de dispersar a concentração dos sentidos e impedir o aprendizado.

Não se tratam de bens em si mesmos ou de bens absolutos; mas de bens na medida em que servem de acesso a outros bens. Assim de bens relativos. Pois sempre se pode fazer mal não apenas da vida e da saúde mas até mesmo dos conhecimentos relativos a natureza. Por isso que o conhecimento é bem relativo na medida em que esta de acordo com a natureza e não absoluto, pelo fato de sempre poder ser usado para causar dano ou prejuízo ao semelhante.

Tampouco podemos descrever a enfermidade ou a fealdade como males absolutos pelo simples fato de não nos poderem induzir a cometer injustiça ou prejudicar nossos semelhantes.

Antes a dor física em algumas situações tem tido o condão de fazer com que alguns homens descartassem a opinião materialista, aproximando-se do Uno e abraçando a virtude. Ora uma dor capaz de tornar o homem reflexivo e consequentemente melhor merece ser classificada como um bem. Porquanto de algum modo dispôs o sujeito ao sumo bem.

Nem podemos negar que qualquer categoria ou tipo capaz de aproximar os homens da perfeição moral, converta-se ela mesma num bem por conexão ou relação com o bem. Tudo quanto serve de acesso ao bem supremo, merece ser considerado bom. Assim as adiaphoras nada tem de neutras ou de inuteis, antes correspondem a algum tipo de bem quanto a ordem da natureza, e ascendem na escala do bem na medida em que aproximam o homem de seu fim mais excelente que é a posse da virtude.





sexta-feira, 13 de julho de 2012

Da falsa modéstia




Em nossa sociedade as pessoas não estão acostumadas com pessoas sinceras, nem com verdades, confundem o ter personalidade com arrogância e fraqueza de espírito com humildade. O engraçado é que essas pessoas (falo das redes sociais) que se dizem humildes xingam, destratam os outros, fazem alarde dos conhecimentos de tal e tal assunto, mas quando alguém fala contra a cultura de massa se revoltam tomam as dores, censuram, te acusam de arrogância, olvidando que o ato de acusar alguém disso já é um ato de arrogância, porque acha que a sua opinião é verdadeira e não pode ser questionada, interessante não?

Essas pessoas se acham modernas, livres de preconceitos, homens e mulheres póstumos mas na verdade não passam de imitação barata e mal feita do homem superior de Nietzsche. Muitas dessas pessoas adoram citar frases buriladas de Nelson Rodrigues, de Nietzsche, de Oscar Wilde, de Freud dizendo que concordam com essas celebridades, mas esse concordar é um falso concordar, pois quando alguém (e esse foi o meu caso) escreve:

"Eu gosto do povo/massa pois graças à ele(a) eu posso saber o que é um bom filme, uma boa música, um bom livro. Explico-me se a massa ouve uma música eu não a ouço; se lê um livro (exemplos: agapinho, bíblia, a cabana) eu rechaço; se assiste a um filme (os vingadores) é um bom sinal para não assistir".   


Essas pessoas caem em cima criticando, afirmando que o autor da frase é arrogante, preconceituoso, etc... Que não tinha o direito de exarar essa opinião, aí quando você cita um autor que pessoas "humildes" gostam como Nelson Rodrigues: "A unanimidade é burra", elas tem a coragem de perguntar ao interlocutor se este está se nivelando ao dramaturgo.  Engraçado, essas pessoas apóiam tudo o que ele escreveu, inclusive coisas ofensivas as massas e ficam chocadas quando alguém coerente, isto é, que tenta seguir pensadores como Diógenes o cínico, Nietzsche entre outros são criticados pela autenticidade. Porque autenticidade para essa gente é ser hipócrita, é esconder o que pensa. Essas pessoas que se dizem tão avançadas somente o são para fazer citações a fim de parecerem interessantes/intelectuais mas não passam disso, pois na hora de colocar em prática o que dizem acreditar se mostram tão ou mais reacionárias que as pessoas assumidamente conservadoras, pregando a "moral e os bons costumes". 


Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco não? Essas pessoas que estão aí no mundo virtual adoram mostrar sua sabença, humilhar os que discordam delas e depois quando encontram alguém autêntico posam de São Geraldo Majela, a humildade personificada. Mas para censurar um ser declaradamente orgulhoso é preciso ser ainda mais orgulhoso que ele, é o caso de Diógenes que disse:


- Piso no orgulho de Platão.
- Logo com um orgulho maior, respondeu Platão. 


Eu não posso fazer nada se já descartei há tempos a falsa modéstia e essa humildade forjada em oficinas de teatro de 5ª categoria. Por que hei de negar uma coisa assim:

- você é inteligente.
- não, não bondade sua.

Acaso isso não é hipocrisia e querer se passar por humilde não é querer que o outro continue elogiando e admirando ainda mais por causa da falsa humildade?  Esse tipo de gente admira pensadores ousados mas quando encontram pessoas ousadas caem em contradição, pois elogiam aquilo que falaram e fizeram e quando alguém se põe a imitá-los, censuram. É, hipocrisia é FODA!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As consequências do ateísmo



Julien Offray de la Mettrie é um exemplo clássico de como o postulado de Dostoiévsky é verdadeiro: "Se Deus não existe tudo é permitido". Por coerência os ateus deveriam deduzir a sequência lógica da negação da existência de deus. Onde não há deus, há liberdade; Onde há deus, há lei; Onde não há deus eu sou a lei. Aqui no blog já falamos (Domingos e eu) das implicações morais do ateísmo e citamos a moral soviética bolchevique, citamos os anarco terroristas e dentre eles: Ravachol e Émily Henry, mas para que certos ateus não venham falar: "ah, mas Stálin era comunista" e/ou "Ravachol era anarquista de esquerda, etc...". Resolvi mostrar que os ateus liberais são tão iguais ou piores que os seus colegas da esquerda. Com isso, não nego que hajam ateus bons, mas esses ateus bons, carregam princípios que não vieram do ateísmo, são princípios que aprenderam na infância com pais religiosos não fanáticos, deístas ou mesmo agnósticos. Pois, Jean Paul Sartre mesmo afirmou que o ateísmo não pode ser humanista e que as noções absolutas de bem e mal advém do teísmo, mas isso é aasunto para outra postagem. Detenhamo-nos por ora em La Metrie.

La Metrie partia do princípio que o bom ou mau funcionamento do corpo condicionava de modo absoluto a felicidade ou infelicidade dos homens, de acordo com ele:

"Os maus podem ser felizes...
Parricida, incestuoso, ladrão, celerado, infame e justo objeto da execração dos homens de bem, serás feliz apesar de tudo. Bebe, come, dorme, ronca, sonha; e se, pensas, às vezes, que seja entre dois vinhos... Refocila como os porcos e serás feliz à maneira deles". [¹]

Segundo Sérgio Paulo Rouanet "diante de trechos assim é compreensível o desejo dos filósofos de se distanciarem de La Metrie. Foi o caso de Diderot, também ateu e que por isso mesmo fez questão de se dissociar das consequências morais (ou imorais) que La Metrie tirava de seu materialismo. Para Diderot, La Metrie era um autor sem julgamento, de quem se reconhecia a frivolidade de espírito no que ele dizia e a corrupção do coração no que não ousava dizer, cujos princípios derrubariam as leis, dispenariam os pais de educar seus filhos, internariam no hospício o homem que luta contra suas inclinações desregradas, em suma, era um homem dissoluto, impudente, bufão, adulador, feito para a vida das cortes e para o favor dos grandes". [²]

Notas: Do homem-máquina ao homem-genoma de Sérgio Paulo Rouanet - jornal Folha de São Paulo, caderno Mais! 06 de maio de 2001, página 14.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Relativismo moral




É difícil fazer uma abordagem acerca da moral por vários motivos e entre esses, o que mais influi: a cosmovisão.

Os teístas, como eu, afirmam que a moral não é relativa, mas absoluta, os ateus via de regra são relativistas, principalmente os seguidores de Max Stirner e Friedrich Nietzsche.
Se a moral é absoluta então é válida para todas as épocas e lugares, porque foi deus que a implantou na mente do homem.

No caso dos ateus, eles negam que exista deus/deuses, não há um absoluto fora do universo. Logo não há uma lei moral a qual obedecer. Os anarquistas individualistas ateus como Stirner e Nietzsche dão um valor sem medidas ao "eu", tornando o outro um nada. Eles reeeditaram no século XIX Protágoras que afirmou há 24 séculos que "o homem é a medida de todas as coisas".
Nietzsche e outros ateus partem do princípio que em moral não existe nem o certo nem o errado, o certo e o errado foram criados pelos fracos que desejavam dominar todos os indivíduos, principalmente através da religião com seus códigos morais. Os seguidores de Nietzsche e Stirner se convenceram que a moral é uma criação dos homens, portanto sem valor algum. Segundo eles, cada pessoa deve criar sua própria moral e viver conforme bem entender, deve viver de acordo com seus instintos.

Se não existe o certo e o errado, nem bem nem mal, então ajudar alguém ou prejudicar dá na mesma, posto que não tem valor em si mesmo. Tanto faz estuprar, roubar, matar como cuidar de enfermos, órfãos e dos carentes. Mas se eu crio meus próprios valores, e eles são válidos para mim, ninguém no mundo pode me contestar, não posso ser julgado por nenhum tribunal, nem mesmo por deus, uma vez que não existe.

Mas os anarquistas nitzscheanos que não tem coerência, dizem que temos que ajudar as pessoas e até perguntam você não se sente melhor ajudando as pessoas do que prejudicando-as? A única diferença é que você faz por livre e espontânea vontade, não há mandamentos, deus ou qualquer autoridade que lhe obrigue a a fazer o bem.

Sinceramente, um ser humano que se ache a medida de todas as coisas poderá amar alguém? Duvido. Nós somos 7 bilhões de seres humanos, então imagina se cada um tiver seus próprios valores... De acordo com esses relativistas já não existe justiça nem direito, nem certo nem errado. Mas mesmo eles absolutizando seu relativismo, sabem que existe bem e mal, pois pregam que se possa fazer o bem, ajudar, cooperar. Então como dizem que não existe nem bem nem mal? Acaso se eu quiser dar um soco por pura vontade na cara de um anarquista nietzscheano/stinereano, ele vai aceitar, só porque senti vontade ou ficará indignado?

Uma coisa é a moral e outras são tabus e tabus devem ser derrubados, porque não são válidos para todos os povos nem para todos os tempos, antes são localizados no tempo e no espaço. Agora, prejudicar o semelhante seja roubando, traindo, matando isso é imoral em todas as épocas. Da mesma forma que amar e querer bem ao outro é moral e louvável em todas as épocas. A moral, a verdadeira moral é aquela que  se refere no que toca ao outro: se ajudo, faço o bem; se prejudico, faço o mal, nada mais do que isso. Questões como homossexualismo, roupas, vocabulário que uma pessoa usa, não pertence ao domínio da moral mas do puritanismo, logo da hipocrisia.

Se a moral é relativa, se não há certo e errado por que dizem esses anarquistas que toda autoridade é má? Por que dizem que o capitalismo é mal? Onde está sua coerência?