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terça-feira, 28 de julho de 2026

A questão da missa Tridentina e do ecumenismo

Como demonstraram Coulanges, Eliade, Weber, Toynbee, Dawson, Graves, etc gostemos ou não - Pois os processos produtores da cultura não estão nem aí para nossos preconceitos ou gostos pessoais. - a fé religiosa não apenas produz cultura, como, ao sofrer alterações ou ser alterada, altera a cultura.

A religião é a um tempo produtora de cultura e a outro portadora de princípios e valores exógenos, capazes de mudar a cultura e, consequentemente a ordem social.

Os norte americanos, bastante afoitos no terreno da pesquisa sócio antropológica, sabem disto a muito tempo e por isso, quando da guerra fria, não hesitaram mobilizar ou instrumentar diversas crenças contra o 'perigo' ou diabo do comunismo. Como também atuaram no mesmo campo com o próprio de criar uma rede de solidariedade em torno do sionismo e consequentemente para proteger o recém criado Estado de Israel. Tais as necessidades postas por eles norte americanos.

E adianto já que além da diplomacia oculta e do dinheiro, ou como se diz, dos recursos, contaram com o decisivo apoio da maçonaria, a qual tem funcionado como repartição de Estado, antes da primeira grande guerra a serviço da Inglaterra ou da França...

Quando falamos Cristianismo, não podemos omitir aquela que foi e ainda é a maior expressão religiosa do planeta, o Cristianismo. O que nós leva a sua principal facção, a igreja apostólica Romana. A qual por aquele tempo animava a fé e pautava o comportamento de quase 1/3 da população Yankee e avançava sobre o cipoal de seitas bibliolatras...

Era uma força nada desprezível, ainda que bastante alheia a modernidade e ao comando protestante.

Apesar disto as duas grandes guerras, por terem ocorrido no centro mesmo da Europa, não puderam deixar de atingir o prestígio e a força do papado e de fragiliza-lo. Particularmente a segunda grande guerra. Desde a primeira grande guerra os EUA obtiveram o protagonismo...

Pois não podia aquela velha Europa destroçada fazer frente ao Comunismo ou ao poder colossal da URSS. Com receio de serem engolfados até o atlântico por está nova versão da odiada Rússia (Eterno fantasma dos ocidentais) os países ocidentais foram aproximando-se mais e mais dos EUA... Buscando porém manter certo equilíbrio e criar soluções próprias, mais conforme sua identidade e tradições.

Até a segunda grande guerra apenas Albion e parte da França estavam economica e socialmente bem alinhadas com o outro lado do atlântico, assentindo ser como que colônias ou províncias dos EUA. Infelizmente as soluções criadas pelo restante da Europa foram nazismo e fascismo...

Por isso após a falência dessas soluções de última hora ante o poder soviético e o fim da segunda grande guerra só restou a Europa ocidental como um todo, converter-se em quintal de governo estrangeiro encarado por muitos como salvador. Desde então os povos latinos, gregos e eslavos perderam sua identidade e autonomia cultural... 

Os belos anos cinquenta foram uma década trágica e tempos de transformações, aproximações, jogos políticos... até então inimagináveis.

A imprensa passou de mala e cuia para o outro lado do oceano, e as mãos dos judeus. O controle da informação passou a ser exercido em território norte americano e movido por necessidades ideológicas ou pela propaganda anti comunista. E a prioridade era recuperar o leste europeu... 

Quando dizemos imprensa queremos dizer tudo: Cinema, televisão, jornais, editoras... 

Que a informação seja poder ninguém dúvida seriamente. Pois na contemporaneidade também ela é conduta de crenças, princípios e valores, que plasmam comportamentos sociais e políticos.

Fora da Itália, da França, da Inglaterra e da Alemanha já não estava, parte desse conjunto que é a imprensa, a serviço da igreja papa ou de suas crenças, mas, nos EUA, a serviço de outros ideais: Secularizados ou alheios a fé, econômicos ou capitalistas, protestantes, sionistas, etc sendo mínima a fatia que cabia a grande igreja Romana.

A igreja foi em parte tomada pela surpresa. Organizações milenares como as igrejas Romana e Ortodoxa (Alinhadas com o que é antigo e completamente alheios a sociologia, a antropologia, etc) não podiam compreender, como ainda hoje não compreenderam, este novo mundo, hostil e pós moderno que as ameaça.

Desgraçadamente a dinâmica da cultura ainda é um mistério para nossas cristandades Apostólicas, as quais não sabem lidar com ele. Daí o ecumenismo, daí o avanço do pentecostalismo sob a forma carismática e tantos outros flagelos que ameaçam a fé.

Pio Xii não só pode avaliar a conjuntura como era um homem bastante preparado. Por isso aceitou aproximar-de do novo centro de poder e até colaborar, porém sem negociar a fé ou negociar. Por isso a IAR não se abriu ao ethos e a cultura protestante naquele momento.

Para os EUA no entanto era uma necessidade política não apenas estreitar os laços com a igreja Romana mas de fato influencia-la poderosamente ou mesmo comanda-la naquele momento. Haja visto que Kennedy se tornou presidente e era ele apostólico romano. Sua política e seu assassinato dizem muito...

Era necessário criar algo como João Paulo II e esse homem foi um projeto...

A pauta era mover a poderosa igreja papa contra a URSS a partir do Leste europeu e desarticula-la. Criar um movimento contra comunista ou anti comunista que não fosse percebido como meramente capitalista ou norte americano.

Veio o vaticano II a calhar..

Você leitor inteligente acredita em coincidência??? Então pense.

Para muitos imbecis americanizados foi o vaticano II obra de comunistas, soviéticos ou ateus infiltrados. Pura tolice ou espantalho criado igualmente nos EUA, conforte a tradição calvinista...

Foi justamente o oposto.

Se de fato não foi esse evento histórico singular, planejado ou idealizado pelos EUA, foi, sem sombra de dúvida manipulado por ele tendo em vista seus interesses políticos. O que demandou a participação ativa da maçonaria.

E o objetivo principal foi injetar a heresia ecumênica naquela grande comunhão apostólica. Pois aproximar do protestantismo é aproximar de sua cultura ou da sifilização Yankee, do capitalismo e enfim do sionismo, estabelecendo solidarismo e intima colaboração, algo de difícil realização quando a igreja papa ainda tinha consciência quando a peculiaridade de sua identidade e cultura.

A bem da verdade os fundamentalistas e fanáticos protestantes dos EUA tampouco queriam qualquer proximidade com aquela igreja que os classificava como apóstatas e que eles avaliaram como politeísta e idólatra. 

Conclusão: Algum dos dois lados teria de mudar para que o ecumenismo vingasse e suscitamos alguma aproximação e colaboração.

As seitas protestantes não podiam ser atingidas ou mudadas porque são muitas, logo, em seu conjunto, inatingíveis.

Mas, a igreja Romana, para o bem ou para o mal, tem um líder todo poderoso... Sendo assim: Solicitando ou corrompendo o lider e seus colaboradores mais próximos...

Roma teria que tornar-se ecumênica e, para dar provas de boa vontade, alterar seu culto, suas práticas e seus modos de ser. O que foi feito... Surgindo o culto moderno ou a adoração moderna, voltada para o povo, com o altar mudado para o meio. Ocioso dizer que esse culto novo, oposto a tradição e antripocentrico, foi inventado por Martinho Lutero.

A partir daí a tônica, neo platônica ou protestante, foi a eliminação do símbolo e a construção de um novo ritual muito menos leal ao mistério da Encarnação.

Por onde chegamos também ao sionismo, num momento em que, com o apoio da recém criada e maçônica ONU, está Israel a enfrentar os povos locais, aliás em parte cristãos. 

É nesse contexto que por via protestante judaizante a leitura do antigo Testamento é posta na nova missa Romana, e temos aqui uma pauta essencial na direção da bibliolatria, da inspiração linear e da judaização... Já por via maçônica se avança ainda mais (Na direção do abismo), até o noeismo, ou a ideia blasfema de que o cristianismo não passaria de um monoteísmo abraamico, afim, inclusive, com o islamismo ariano.

A negação implícita quanto a fé no Deus encarnado, no homem Deus ou Emanuel é por si só abominável. A sugestão porém é apresentar aos maometanos e cristãos que os judeus são nossos mestres aos quais devemos o monoteísmo. O fim último é suscitar gratidão e por fim um alinhamento com o sionismo.

Implica isto alterar a adoração Apostólica tradicional, já alterando a kibla ou a direção do culto voltado para o altar alinhado com oriente, já inserindo um maior conteúdo de material judaico, já reduzindo o aparato simbólico sensível alusivo a Encarnação ou a cruz. Tudo no Vaticano II vai na direção do protestantismo e do sionismo com o objetivo de estabelecer uma unidade e garantir apoio por parte dos neo romanistas. Aqui, o propósito foi subordinar a religião a necessidades políticas, assim de manipular e dominar, tudo muito grosseiro, profano e vulgar.

Segundo o princípio sociológico inclusive do Lex orandi, Lex credendi, o culto ou os modos protestantes introduzidos no Vaticano II são portadores de cultura e diluidores da identidade peculiar da igreja papa. E o que já era defeituoso se torna muito pior... Roma ao converter-se em hospedeira do ethos protestante passa decididamente a esfera de controle Yankee, como o mercado financeiro e a maçonaria.

E a coisa não para por aí. Como se o Vaticano II não fosse suficiente, os EUA introduzem a RCC i é o que há de mais alienante e grosseiro nos domínios do protestantismo (Devido a seu conteúdo judaizante, bíbliolatra e fetichista.), o pentecostalismo, por sinal um tipo peculiar e virulento de protestantismo (Voltado para as massas) produzido naquele país.

E os papistas ingênuos, passam a crer que devem adotar modos protestantes opostos a tradição para atrair, aproximar e converter os protestantes; quando eles é que estão a se tornar protestantes, judaizantes e consequentemente mais receptivos face a uma modernidade americanista produzida grande parte pelo protestantismo. É uma autêntica armadilha ou arapuca cultural que um papista ou um ortodoxo médio é incapaz de distinguir.

O próprio universo da modernidade fabricado parte pelos EUA e seus aliados e divulgado por sua imprensa paga e portanto servil, lançando a todo instante tais princípios e valores, debilita o sentido cristão apostólico e atraí com maior apelo e força os neo romanos e ortodoxos a esse universo cultural oposto a nossa traição e identidade. Até gerar deslumbramento pelo americanismo. 

Tanto os mistérios de Cristo, em particular o mistério central da encarnação, ficam obscurecidos, passando a ênfase da fé Apostólica romana, da metafísica (Que é a vida e a pujança de qualquer religião.) para formas de mortalidade ou costumes procedentes do judaísmo antigo. O que evidência o processo de perda de consciência.

Questões até certo ponto ociosas e inúteis como divórcio, masturbação, homossexualidade, pena capital, o estatus da mulher na sociedade, etc substituem a essência mais íntimas da fé Apostólica, como a Encarnação, a Trindade, a Eucaristia, a Imortalidade, a Cristologia, etc Do que resulta um alinhamento total do papismo com o protestantismo de matriz Calvinista, com o islamismo e com certos setores do judaísmo... A ponto de reforçar a confusão ecumênica.

Mesmo se, em certo sentido, a inclinação cada vez mais pronunciada da igreja Romana para o moralismo ou puritanismo protestante é fenômeno que já se verificava desde a contra reforma e no período vitorioso, o pós Vaticano II, por parte das lideranças e do clero, rompe a linha de equilíbrio, assinalando uma vitória total dessa tendência e um esvaziamento ou empobrecimento metafísico (A tal perda de consciência Cristologica ou encarnacionista). 

O que gera um imenso descompasso entre o discurso da igreja papa e a prática dos fiéis mais conscientes e esclarecidos, alheios ou incensos a essa atmosfera mesquinha alimentada pela cultura judaica ou pelas fontes não cristãs do antigo testamento. O que por sua vez promove incredulidade, apostasia e perda de qualidade.

Assiste-se ainda um dilúvio de mitos judaicos ancestrais de caráter fetichista (Criacionismo, geocentrismo, terraplanismo, dilúvio, etc) que em parte ajudam a deslocar as verdades de fé autenticamente Cristã ou os mistérios de Cristo, os quais associados aquele monoteísmo simples e vulgar, tendem a reforçar a idéia de que o cristianismo não passa de uma seita ou ramo no Cristianismo.

Os próprios personagens do judaísmo antigo, com sua ética vulgar, grosseira e pouco cristã, de carona na bíbliolatria, não se limitam a deslocar os Santos enquanto modelos da piedade cristã... Moisés e Abraão quase que passam a igualar-se ao Deus Encarnado Jesus Cristo...

Já assistimos todo esse processo corrosivo e sinistro desde os albores da reforma protestante via bíbliolatria, inspiração linear, calvinismo... E seu fim são sabatismo, iconoclasmo, mortalismo/saduceismo, zwinglianismo, anabatismo e enfim Unitarismo i é um simples monoteísmo abraamico ou noeismo ou judaização total. Até que nada resta ou sobra da identidade cristã tradicional aliás avaliada como uma paganização ou apostasia.

Posto que a fé Apostólica do novo testamento de vai demolindo dia após dia...

Novidade alguma até aqui... E por isso rompemos com o protestantismo assim que compreendemos seu significado. Aliás por isso é o protestantismo até bem visto por parte do universo ateu e incrédulo, apensar de seu conteúdo fundamentalista e fanático...

Era no entanto, até o Vaticano II, o ecumenismo, o Vaticano II e a RCC, um processo ou fenômeno contido nos limites do protestantismo e suas seitas. Com o Vaticano II porém, a modo de metástase, é algo que se infiltra na igreja Romana ou numa igreja apostólica que fora Ortodoxa e Católica e que ainda aspira colocar-se tal.

Portanto, sejamos romanistas ou não, do nos resta avaliar esse desborde, em termos de fé, como um avanço da apostasia, em termos de cultura como um retrocesso, em termos de ética humanista como uma calamidade, em termos de política como algo trágico... Que ora se manifesta com absoluta plenitude, em 2026.

Como disse não terminou e com a queda da URSS a ideia era avançar sobre uma igreja Ortodoxa debilitada pelo comunismo e transforma-la também numa colônia, com que sabotar a cultura e submeter a Rússia e demais países do Leste. 

E a sofisticação aqui está em ter consciência de que as sociedades Ortodoxas não estão no acesso do protestantismo, e por extensão, da cultura Yankee. Sendo necessário usar Roma, por via do ecumenismo, com meio ou instrumento para atingir a Ortodoxia. 

Estando as coisas hoje neste pé. Já não se trata de Roma como portadora de novidades romanas no plano da fé, como no passado. Hoje é bem outra a realidade, posto que é Roma portadora da modernidade, do americanismo, de uma dada cultura, de certos princípios e valores, de um espírito protestante enfim. Temos portanto, após o Vaticano II, uma realidade deveras mais grave quanto a Igreja Romana.

Como dissemos a igreja Ortodoxa não somente permaneceu incólume como logrou reconquistar seu espaço na Rússia e, como guardiã, manter a cultura daquela sociedade a salvo da maré americanista que sem parar submergiu uma Europa desorientada e atemorizada pelo islã.

Ao contrário dessa Europa alheia aos fundamentos de sua cultura, a Rússia logrou encontrar a si mesma e conservar sua autonomia política.

E a tal missa Tridentina?

Eu a encaro como um fator de resistência cultural e como algo potencialmente fecundo, pelo simples fato de reportar a identidade i é a tradição, e em última análise a metafísica encarnacionista, nicena ou atanasiana, com todo seu patrimônio simbólico e as temidas recorrências para o Americanismo e o SIONISMO.

Parte da comunhão apostólica Romana pode afastar-se do ideal 'comum' que lhe foi imposto e mesmo sem exercer oposição cerrada, alijar-se das ideologias acima nomeadas e, como espécie de terceira via cultural e social, voltar-se para si mesma, sobre seu passado e fechar-se. Isso a ponto de recuperar a Europa ao islã e frear o avanço das seitas protestantes... Impondo uma perspectiva diversa ou criando novas possibilidades.

Isso num momento em que americanismo e sionismo, precisam de aliados ou melhor de agentes úteis para opor ao islã na Palestina. 

É todo um temor fundado, por parte dos americanistas e sionistas que, rompido o bloqueio ecumênico ou repudiado o novo dogma maçônico, produza-se alguma alteração cultural mais séria, tipo uma tomada de consciência pela Europa, a exemplo da Rússia... A existência e ação da igreja Romana mantida pelos tradicionalistas bem poderia ser o agente dessa transformação.

A semente de algo grandioso em termos de cultura e política. Isto poderia ser o tradicionalismo... Apesar de suas limitações, como o moralismo ou a falta de tato no âmbito da economia, ou ainda a concepção ingênua e tosca de bíblia unitária...

Talvez por isso as potências supremas da pós modernidade tenham 'sugerido' ao Papa romano que contivesse os lefrevianos e os excomunga-se. Muito provavelmente o ato absurdo não partiu do papa romano porém de seus patrões, com os quais colabora desde os anos 60 e segundo o modelo daquele que foi parceiro de Reagan e Tatcher.

O 'pedido' de condenação partiu certamente desses poderes obscuros, temerosos de que aquela grande igreja recupere sua identidade e força. Pois americanismo e Sionismo ficariam desfalcados perante o islã e a existência de Israel ameaçada.



sábado, 3 de julho de 2021

Católicos pela democracia e a incredulidade dos integralistas.

Começarei dizendo que os integralistas, com sua ideia fixa de união ou mancebia entre a Igreja e o Estado, enunciam uma igreja frágil e um cristianismo miserando, o que por si só equivale a uma tremenda blasfêmia.

De fato todos os unionistas, integristas, puritanos, etc tendem a admitir que a Igreja de Cristo não se sustenta por si mesma, devendo ser amparada pelo Estado secular. Agostinho, contra os demais padres, aproximou-se desta solução e disto - Paradoxalmente - resultou o que há de pior na igreja romana: O poder temporal do papa, do qual resultou imenso topor espiritual para a dita Igreja. Outro fruto podre derivado desta solução foi a Teocracia calvinista de Genebra com seu rosário de crimes. 

Aqui a ideia é predar o Estado ou tomar posse dele e dele servir-se com o objetivo de manter a Igreja viva ou a Cristandade de pé.

Já disse que a blasfêmia aqui é manifesta, pois aquilo que deve ser sustentado ou socorrido por outrem é porque não pode manter-se por si mesmo.

A conclusão é óbvia: O fundamento da fé e da graça foi substituído sacrilegamente pelo Estado, pois esse fundamento onipotente é a divindade de Jesus Cristo.

Que as instituições de Moisés ou Maomé, os quais não passam de mortais inermes, busquem apoiar-se nos poderes políticos deste mundo é perfeitamente compreensível e desculpável.

Outro o caso da Instituição divina da Igreja, fruto da divindade de Cristo.

Ocioso fornecer a Igreja de Cristo uma bengala ou muleta política da qual ela não carece. Pois está firmada sobre a Pedra angular que é a divindade do Verbo!

Não precisa a Igreja de Cristo de quaisquer servições fornecidos pelo Estado, não precisa do controle secular ou do poder político uma vez que seu domínio é o domínio ético dos espíritos, das mentes ou dos corações. O patamar da Igreja é muito mais alto ou elevado, pois procede da eternidade.

Noutras palavras: O integralismo com seus préstimos políticos toma o Cristo por débil e sua Igreja por esclerosada e incapaz de manter-se por si mesmo.

O integralismo desconfia da economia espiritual da revelação, da graça e da fé que são elementos divinos e despenca nos abismos da profanidade. 

Não pode essa Ideologia suportar que o Bem, a Verdade e a Beleza se possam sustentar por si mesmas como coisas Sagradas procedentes do céu.

Porém, toda petição externa a Igreja, a sua lei e a seus Sacramentos, implica justamente isto: Desconfiança, hesitação e incredulidade face a missão de uma Igreja que se mantém e sustenta por si mesma, núncia que é do Autor e Mantenedor do Universo.

O erro aqui é manifesto: Pois não toma a Mãe Igreja sua vida dos tronos, dos tribunais, das baionetas, das algemas, dos cárceres... como as instituições mundanas e terrenais! É do seio da divindade, da Encarnação, do Evangelho, do Amor, dos Sacramentos, da graça, da fé e dos exemplos de virtude que a Igreja tira toda sua força e vida. Fiel e impassível neste caminho divino a Igreja assistirá todos os Impérios, Reinos e Países que presidem a política deste tempo desfazerem-se, uns após outros, como pó. Firme em sua direção - Como disse Lord Macauly - passados mil ou dos mil anos, seja da África, da Índia ou dos Confins da China, contemplará a Igreja de Cristo as ruínas de nossos castelos, palácios e cidades... num mundo totalmente diverso deste.

Observem como vive ainda a Igreja Assíria nos confins do Oriente, toda cercada pelo islã! Observem como vive a Igreja Siríaca nos confins da Síria apesar da sanha maometana que não cessa de sangra-la ao cabo dos séculos. Observem a Igreja Copta, a Igreja da Cruz e vede como ainda hoje sobrevive e resiste na terra dos Faraós hora assolada pelas hostes muçulmanas. 

Tal a missão e vocação da Igreja, cujos filhos não foram gerados da carne ou do sangue para a espada, a lança ou o fuzil, mas de Deus para a redenção do espírito!

Não quero dizer com isto que o Estado democrático e a Cristandade não tenham interesses convergentes ou comuns. Devendo o Estado democrático, apoiado pela Ética da Igreja, resistir ferozmente ao islã e os filhos da Igreja apoiar ativamente o Estado democrático contra quaisquer aspirações ou manobras teocráticas sejam islâmicas ou calvinistas. Todo e qualquer projeto teocrático de dominação deve ser coibido pelo poder do Estado popular com a participação ativa do povo de Jesus Cristo. Estado e Igreja no entanto devem coexistir como duas instâncias separadas e independentes, uma vez que César e Deus, Deus e César jamais se confundem ou misturam. Pois o Estado deve comportar e tolerar diversas instituições credais numa perspectiva pluralista ou liberal, enquanto que a Igreja uma, em seu terreno, que é o do espírito, deve expandir-se livremente pelo mundo afora.

Não pode a Igreja servir-se do Estado a maneira de um braço secular ou apêndice, pois seu domínio é das consciências livres. 

Quem aspira por uma Murtad que vá a Torá ou ao Corão que o Evangelho repudia tudo isso. 

Ignora a Lei dos Cristãos o que seja Jihad, Djzia ou Murtad. A menos que se trate de uma Igreja islamizada ou judaizada até a médula dos ossos... ou duma Igreja apóstata.

Conhece o Evangelho porta de entrada e saída e não visa prender aqueles que não eram dos nossos, i é, os apóstatas, cujos corações não estavam voltados para a verdade.

Não tem a Igreja servos ou escravos como a sinagoga e a mesquita, apenas filhos, cuja liberdade reconhece.

A dignidade ímpar de Jesus Cristo consiste em ser adorado e servido por homens livres e conscientes animados por um intenso amor e gratidão.

Por isso o poder de atração do Senhor está na manjedoura e na cruz, emblemas de seu imenso amor por nós. A manjedoura e a cruz são tolices para os frívolos, porém para os que honestamente creem são força, poder, triunfo e glória de Deus. Tais os poderes e forças que movem as mentes e o mundo do espírito.

Sinal de fragilidade e miséria seria manter a força os que não mais creem, obrigando-os a farsa de uma adoração formal, a qual não parte da alma ou do coração. Pois a hipocrisia, o fingimento e a exterioridade de modo algum agradam ao Bom Deus.

Nada mais sacrílego do que oferecer ao Cristo uma adoração forçada!

Já quanto ao povo Cristão, para que viva submisso a Lei divina do Evangelho, basta-lhe a excomunhão. 

Ao invés de aspirar manter os heréticos no corpo da Igreja - Ao invés de deixar que partam na direção de suas seitas - o que a Cristandade deve fazer é expulsar para fora de si e lançar os incrédulos e hesitantes para fora de sí, impedindo que se sirvam dos Sacramentos. Destarte, caso amem a verdade e reconheçam o Cristo tais gentes se submeterão. Do contrário sejam tidos em conta de pagãos e publicanos. 

Tendo a excomunhão, que toca ao amor e a reverência, não carece a Igreja de tribunais ou cadafalsos. Sendo ínfame assassinar em nome de Cristo, a exemplo dos anti Cristos Torquemada e Calvino! Pois tal não é o caminho indicado por nosso Mestre e Redentor, o qual não mandou supliciar a quem quer que seja em seu santo nome, mas apenas ofertar a graça que por nós mereceu.

E esta graça não se anuncia com espadas, cordas, lançar ou varapaus mas com obras praticadas na verdade.

A verdade tem seu brilho e poder de atração. E um poder de atração superior a tudo quanto haja neste mundo. E um tal poder de atração capaz de confrontar calabouços, poços e fogueiras. Pois tem a verdade a glória de engendrar mártires - Aos quais parece boa coisa perder o mundo inteiro com todos os seus atrativos, tendo em vista conquistar o reino do espírito, ou seja, os domínios da liberdade, da dignidade, do amor, da justiça e da virtude... Isto apenas é a riqueza do espírito, enquanto que a conversão imposta ou a permanência forçada não passam de indigência.

É portanto saudável para a fé que não possa mais a Igreja entrar por mau caminho, buscando assustar e controlar seus filhos por meio de artifícios temporais. Pois tal restrição, digna e justa, fará com que a Igreja se volte para seus próprios poderes e meios, que são os do espírito. 

Retirada a cana quebrada, muleta ou bengala do poder político, terá a Igreja de apoiar-se sobre si mesma ou melhor sobre o Cristo. Investindo no anúncio destemido da verdade, no serviço fraterno, na promoção humana, no cultivo da virtude, na santa piedade... 

Somente quando tais suportes forem removidos é que a Igreja de Cristo tornará a caminhar sobre seus próprios pés. Quando cessar de ser repartição do Estado para converter-se no que é, ante sala do paraíso, vestíbulo dos céus e germe da cidade divina, e fermento celestial, e semente da imortalidade, e sol do eterno dia... Ora, todas estas realidades foram obscurecidas pela treva da estatolatria e pela politicagem conjuradas pelos integristas sem fé.

Nós afirmamos a liberdade, o secularismo e o pluralismo democrático por acreditarmos numa Igreja viva, triunfante e capaz de reconquistas, e de restaurar o mundo.

Não é de uma Igreja acomodada e enjaulada, comprometida com interesses políticos e seculares, que o mundo dos homens precisa mas de uma Igreja viva, livre e forte, cônscia e de seu poder moral, treinada para o combate do espírito, resoluta, purificada pelo sofrimento, intrépida... Somente uma Igreja assim, restituída a sua condição primitiva, será capaz de fazer frente as diversas culturas de morte, ao islã e antes de tudo ao dilúvio protestante...

A vida democrática corresponde justamente a essa arena capaz de exercitar a mãe Igreja na santidade e na virtude. O pluralismo a seu tempo corresponde a livre concorrência, elemento necessário para estimular a Igreja a conquista por meio de um proselitismo saudável e civilizado. 

Negando a vida democrática e a sociedade pluralista os integristas prestam um deserviço a fé, pois buscam submeter a Igreja a um controle político externo ou buscam submeter o Estado ao controle direto da Igreja - Estabelecendo relações igualmente equivocadas e perniciosas. Pois se não deve a Igreja, no campo que é seu, submissão ao Estado tampouco deve o Estado ser diretamente controlado pela Igreja, sendo tal controle típico da mesquita ou da sinagoga, não da Cristandade.

Nada mais digno do que uma Igreja livre numa Sociedade livre.

Pois formando eticamente os cidadãos poderá a Igreja alterar as estruturas da Sociedade segundo o espírito do Evangelho.

E o serviço da Igreja é este: Formar almas. Não dirigir impérios e humilhar imperadores mas educar e formar almas, plasmar mentalidades, moldar os espíritos.

Coisa que os integristas, muito provavelmente tão materialistas quanto os capitalistas, positivistas e comunistas, não podem compreender. Pois são como que toupeiras no mundo do espírito, e o quanto querem manter ou conservar é uma desordem espiritual avessa aos ensinamentos de Jesus Cristo.

De fato muitos deles não ocultam encarar a Igreja como simples meio com que manter o que chamam de ordem social, alias algo muito próximo do moralismo. São quase sempre uns conservadores toscos que aspiram servir-se da Mãe Igreja com o objetivo de conservar seu mundinho doentio - Bastante infectado pelo protestantismo! - e moribundo. Sinistra missão essa que ousam atribuir a Igreja de Cristo, pois nem tudo quanto há neste mundo demasiadamente protestantizado merece ser conservado, mas sem dúvida demolido até os fundamentos. Eles no entanto aspiram parar a roda do tempo, mumificar a sociedade e embalsamar a história com a ajuda do mesmo Cristianismo que segundo Gibbons promoveu a maior transformação de que temos notícia ao dar cabo do Império romano com sua escravidão e suas guerras.

Podem apontar-me algo mais revolucionário (Não em sentido comunista ou físico!) do que isto?

Pertencemos a uma Religião que, mais do que qualquer outra, alterou os destinos do mundo ao invés de conserva-lo.

E no entanto por demolir o antigo não logrou completar sua obra e construir algo não somente de novo mas de definitivo, por ter sido ela mesma atacada e contida por outras forças.

Ainda por mil anos travou a Cristandade imensos combates por um novo mundo, por um mundo mais nobre, melhor e diferente em comparação com o antigo. S Bento, S Fócio, S Francisco, S Antonio e outros são exemplos lapidares neste sentido...

Todavia após a Reforma protestante com seu individualismo e transcendentalismo cessou a Cristandade de combater por esse novo mundo, cedendo espaço ao liberalismo econômico e demais culturas de morte que o sucederam, perdendo a direção da História e seu significado universal. Para converter-se em repartição de Estado com finalidades moralizadoras ou puritanas. Nada mais abjeto para aquela Cristandade apostólica que confrontou e venceu o Império romano, curvar-se ante as veleidades de uma França, de uma Itália ou de uma Espanha, cessando de fomentar novas transformações Éticas e espirituais.

Diante disto cabe acusar o integrismo de se ter conformado com tal estado de coisas prosaico e indigno. 

Não missão do Cristianismo ser lacaio de reinos e nações mas plasmar a Civilização do futuro. Não é a vocação do Cristianismo antigo diluir-se no ecumenismo agostiniano/puritano, e protestantizar-se, e cindir-se numa multidão de seitas, e é escorar-se em alguma republiqueta obscura... Não, tal não Tal é o desígnio do nosso Cristianismo. Pois o desígnio do nosso Cristianismo é atravessar incólume a borrasca protestante, suplantar todas as culturas de morte e enfim esbater-se com o islã e vence-lo, impedindo-o de conquistar e dominar este nosso pobre mundo. Tal missão Redentora do nosso Cristianismo. E não é sendo lacaio de republiquetas e caudilhos que se preparará para desempenhar sua providencial missão.

Portanto que o Cristianismo dê suporte a civilização democrática, enquanto esta, por meio da Liberdade o exercite e depure. 



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A alienação carnavalesca

Carnaval 2017




Se carnaval trouxesse algum benefício a sociedade brasileiro, a Globo certamente não apoiava. Pois a Globo só se preocupa com o que dá dinheiro ou trás lucro.

É comemoração mais descaracterizada do que o Natal.

Tendo perdido por completo suas raízes.

Nada mais patético do que relacionar carnaval com africanidade.

Com se lá na África a africanidade consistisse em negras nuas esfregarem-se publicamente com seus parceiros. Ademais onde se dança nu, a nudez encarada com naturalidade faz parte da cultura e a maior parte das danças são sagradas.

Tampouco era assim no Brasil Império, quando lundus e maxixes era dançados em torno das fogueiras junto as senzalas... sem atrizes anencéfalas como 'madrinhas de bateria', consumo de cerveja Z..., 'mulatas' sargentelianas rebolando seminuas, letras homenageando empresas, políticos ou times de futebol, velhos decrépitos babando diante das menininhas da favela, e todo este cenário de ridículo e horror conjugados transmitidos pela globela corporation...

A festa das tais escolas de sambas nas suas passarelas e sambódromos, para o maior gaudio de uma burguesia branca é pura falta de consciência negra e sinônimo de consciência alienada e cooptada que sente-me feliz por durante alguns dias poder desfilar para os brancos. Afinal a maior parte dos brancos da elite jamais consentiriam que suas filhas ou netas expusessem seus dotes publicamente na tal passarela. Que as negras ou 'mulatas' exponham-se para nós...

Jamais a mulher negar foi tão aviltada como no carnaval contemporâneo das tais escolas de samba. Afinal não se trata de expor a nudez com naturalidade no quotidiano, a exemplo das culturas africanas ou de nossos índios, mas de denudar-se durante alguns dias com o objetivo de deslumbrar uma clientela branca. A qual, encerrados os tais festejos carnavalescos, classificara as tais passistas como pervertidas e imorais.

Inclusive num sentido mais lato é o carnaval apoteose da hipocrisia. Onde a mesma sociedade que canoniza uma estrutura familiar abstrata, nega seu próprio corpo e muitas vezes sua sexualidade, durante alguns poucos dias põem em prática tudo quanto considera imoral. E isto sem dúvida é um problema. Porque se temos de aceitar o corpo e a sexualidade é durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano que temos de aceita-los. Agora se temos o corpo por mal e a sexualidade como algo condenável, o carnaval representa uma traição ao ideal.

Emancipar o homem por alguns poucos dias a cada ano para nada presta.

O homem deve viver sua sexualidade, livre, desimpedida e descomplexada; embora num contesto de vida mais amplo e mais rico, ao cabo do ano inteiro.

Exatamente por isso é o carnaval contraproducente.

E moralmente danoso na medida em que aparentemente torna lícito o que é ordinariamente condenável, instilando relativismo moral e hipocrisia na vida social.

No fim das contas tudo isso acaba é fortalecendo a repressão. Pois encerrados os dias da folia todos devem conformar-se com as vidas medíocres que detestam...

No entanto quem fica com a pior parte são sempre os negros ou a mulher negra, que hoje desfila nua e amanhã é classificada como vadia pela mesma sociedade hipócrita e doentia que acabou de aplaudi-la.

Alguns chegam a dizer que a grande oportunidade da negra 'bonita' é ser passista de escola de samba. Como a oportunidade dos meninos e jovens negros mais atilados seria o futebol, i é a ilusão de ser jogador. Lamento por essas meninas e meninos inteligentes e capazes que acabam sendo iludidos e desviados da verdadeira oportunidade que se lhes apresenta, a escola ou o estudo.

Mais do que qualquer outra parcela da população brasileiros os negros é que deveriam valorizar o estudo e pleitear uma vaga na universidade pública. Por cuja manutenção também pagam através dos impostos. Isto sim é índice de consciência e emancipação e não fazer o joguinho da elite branca desfilando para ela no sambódromo...

Distrair ou divertir a elite branca e carrear dinheiro para os empresários milionários jamais será índice de consciência negra. Colaborar servilmente com sistema capitalista de produção jamais será índice de consciência negra.

Imaginem a fortuna que essas escolas de samba não recebem por fora apenas para homenagear esses grã finos engomadinhos, sejam políticos, empresários, artistas ou jogadores... Ou vão me dizer que é pura e simples benemerência??? Tudo isso é feito em troca de um bom patrocínio e eu não acredito que sequer 1 porcento desse valor chegue as mãos das comunidades negras carentes! Fica tudo com meia dúzia de dirigentes... Para os quais evidentemente 'O carnaval é nossa vida, é nossa luz...' posto que vivem dele...

Mas não os músicos e passistas iludidos por tão baixo 'ideal'... Pois acabado o 'fascínio' a vida retoma a triste realidade de quem não tem emprego, estudo, ou chance alguma além de trabalhar carregando caixotes na feira ou como diarista lavando banheiro de branco endinheirado.

Pessoas, essas músicas não são as músicas cantadas pela resistência negra há século e meio... essas danças não são as danças executadas por eles... esse instrumentos não são os empregados por eles... esses trajes ou adereços nada tem a ver com os que eram utilizados por eles... Esse carnaval carioca de passarela vendido pela Globo nada tem a ver com a consciência ou com a resistência negra. É festa de opressores brancos para opressores brancos e festa da opressão, em que os negros são usados pura e simplesmente.

É algo que envolve apenas dinheiro e muito dinheiro. De que as comunidades negras dos morros do Rio não tiram proveito algum. Benefício social algum. Tudo quanto essas Escolas fazem tem por objetivo perpetuar essa cultura ou tradição servil, cujo objetivo é dançar para os brancos, em especial pelos estrangeiros.

Veja, os negros podem sambar nus, são livre e respeitados!

Só que não...

É apenas fantasia para inglês ver.

O carnaval ancestral, de raiz e relacionado com a resistência africana esta morto e bem morto há décadas... E por questão de coerência era bom ressuscita-lo.

Que dizer agora do carnaval de tradição européia com seus blocos e marchinhas?

De modo geral também perdeu muito de sua originalidade ancestral.

E até os pierrots e colombinas foram substituídos por super heróis importados dos estados unidos... a cuja perniciosa influência nada escapa neste país.

Por outro lado converteu-se também ele, especialmente nos clubes, numa festa sexual em que tudo é permitido. Como já dissemos é o tributo que se paga a hipocrisia maniqueista/puritana.

Carnaval tornou-se ainda sinônimo de embriagues... E as cervejarias agradecem.

Deveríamos beber sem afetação, com naturalidade e equilíbrio.

Mas carnaval é época de destempero.

Há ainda o problema da violência e das brigas, pois as pessoas estão cada vez mais agressivas, e mais agressivas ficam ainda quando bebem ou quando estão no cio...

Tornando-se o Carnaval de hoje, talvez mais do que nunca, copiosa fonte de agressões, conflitos, mal entendidos, e consequentemente de mortes inclusive.

O próprio barulho excessivo, insuperável no tempo das caixas de som, colabora para criar uma atmosfera totalmente irracional, frenética e emocionalista em que os piores instintos, como o de agressão, acabam aflorando. O barulho torna as pessoas ainda mais nervosas interagindo com o alcool e potencializando atritos.

A crítica aqui vale para todos os tipos de música e para todos os ritmos, inclusive para a música pseudo religiosa que já aderiu as caixas de som e baterias, ou seja, a cultura do barulho.

O carnaval é o máximo exponencial (Mas não o único) dessa cultura neurótica.

Efetivamente o barulho é uma das melhores formas de deseducar e barbarizar uma alma qualquer. Nem barulho faz bem, nem o bem faz barulho pois o barulho é fuga do mundo e de si mesmo.

Por todos estes motivos todos também a folia 'lusitana' perdeu por completo sua razão de ser.

O Carnaval correspondia a uma função social quando os reis, senhores, déspotas, tiranos, ditadores, juízes e carrascos controlavam a sociedade com mão de ferro imponto o maniqueísmo como lei e oprimindo as consciências. Numa sociedade autoritária e inimiga dos prazeres havia de ter uma válvula de escape e esta eram os tais festejos carnavalescos, ocasião em que a moralidade vigente tornava-se mais lassa. Para os oprimidos do passado, para os servos, escravos e explorados carnaval era momento de descontração. Após o que, tornavam a conformar-se com o estado de vida que lhes era dado ou imposto pela Sociedade igualzinho os negros das escolas de samba.

Tratava-se portanto de uma estratégia destinada a perpetuar a dominação e o controle nos termos dos senhores.

Eram dias de tolerância em meio a uma sociedade totalitária ou autocrática e portanto correspondiam a uma função.

Nós no entanto que vivemos numa sociedade ao menos formalmente democrática em que podemos definir nossos gostos, que temos acesso a certas formas de distração, que fazemos jus a certos dias de repouso, que não temos mais nossas vidas completamente decididas e controladas por outros, precisamos de carnaval?

Claro que precisamos do descanso propiciado pelo feriado. Sem dúvida.

Mas será que precisamos de desfiles desses desfiles de escolas de samba com todo seu servilismo e hipocrisia ou mesmo de pular e saltar num salão?

Acho que o carnaval podia ser bem melhor aproveitado no cinema, no teatro, num museu, numa exposição... ou mesmo em casa ouvido boa música, lendo um bom livro, estudando, curtindo a família, cozinhando, visitando alguém, etc Há tantas maneiras de aproveitar-se um feriado com inteligência.

Então para que dispersar a si mesmo com risco da própria integridade física?

Compreendo que os pequenos tenham certo fascínio pelo carnaval, é perfeitamente compreensível e faz parte da idade.

Compreende-se que as crianças pulem ou brinquem o carnaval. O qual sempre pode ser organizado em casa com fantasias tradicionais (pierrot, colombina, bruxa, vampiro, pirata, etc) e marchinhas tradicionais, entrando comes e bebes inclusive, doces, refrescos etc Um carnaval saudável também pode ser organizado no condomínio, no prédio ou mesmo entre um grupo de famílias amigas. Importa fugir a ambos os extremos: prestigiar o carnaval imposto pela Globo, festa duma elite branca degenerada e de negros sem consciência e proibir as criança de brinca-lo ou o que é pior e mais danoso, envia-las aos execráveis retiros religiosos com sua cultura sagrada do barulho...

No caso dos pequenos é sempre melhor, sendo possível, criar uma atmosfera honesta, acolhedora e familiar em que possam brincar o carnaval com os amiguinhos.

E os adultos podem também brincar esse tipo de carnaval?

Penso que cada pessoa deva responder por si mesma segundo suas necessidades lúdicas ou afetivas. Pessoas há que não tiveram infância ou cujos pais, fanáticos religiosos, proibiam-nas de brincar e de pular carnaval. Neste caso é perfeitamente compreensível que desejem brincar com os filhos e netos, ou mesmo participar da folia em pleno sentido da palavra. Tais as péssimas consequências produzidas por uma educação ditada pelo fanatismo religioso. Outros talvez tenham mesmo um caráter mais extrovertido e por isso sejam atraídos por tais folguedos... Todas as coisas são boas desde que usadas com moderação.

Acho supimpa ouvir marchinhas antigas e das umas cabrioladas pela casa, mas não é coisa que absorva-me a vida ou que constitua a razão do viver... O problema como já disse consiste justamente nessa ilusão de viver para o carnaval ou para a passarela, ignorando que o Carnaval seja provisório ou episódico e que a vida seja bem mais complexa.

Há coisas mais importantes e elevadas da que devotar a vida.

O que quero dizer é que a vida não é sambodromo ou passarela dada graciosamente por brancos, mas na maioria dos casos um calvário. Calvário da falta de leitos nos hospitais, calvário da falta de vagas nas escolas, calvário da falta de meios de transporte, calvário da violência, calvário da droga...

E aqui a mística do samba pode ser tão danosa quanto a mística das seitas religiosas, perpetuando cada um destes calvários contra os quais as consciências todas deveriam lutar.

O mundo vendido pela rede Globo é tão real quanto suas novelas de época ou ficção. É um carnaval perpétuo, mas isto não existe.

O carnaval só se torna perpétuo para os dirigentes espertos das grandes escolas que recebem subsídios da globo, do governo, das empresas e dos particulares que desejam ser reverenciados. Mas você negro pobre e negra pobre jamais verão esse dinheiro.

Então comecem a tomar consciência, a estudar e a prepararem-se para a Universidade, conselho de educador branco!

O recado tá dado e repito o que foi dito, no ano de 2017 não acho que qualquer tipo de carnaval seja necessário.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Condução coercitiva de Lula, mas um abuso de poder cometido pelo juiz Moro







"O homem virtuoso mais sofre cometendo uma injustiça do que sendo vítima dela." Platão


Sou leigo em matéria de direito, mas nem por isso desinteresso-me por ela.

Julgo alias que todo cidadão consciente deveria tomar ciência das leis que regulam a sociedade em que vive.

Por isso desde moço tenho buscado ler e estudar, o quanto possível, nossa Carta magna, o CDP, o CDC, o CPP e outros códigos legislativos.

Eis porque fiquei perplexo diante da ilegalidade cometida pelo juiz Moro, líder da assim chamada operação Lava a jato, espécie de 'caça as bruxas' que jamais atinge a totalidade do covil...

Nada tenho contra a operação Lava a jato em si mesma.

Faz-se mister investigar, apurar, certificar e em seguida punir todos os políticos envolvidos em esquemas de corrupção.

Urge criticar todavia a maneira parcial, tendenciosa e demagógica como tem sido conduzida. O que chega a torna-la aberrante.

A impressão que se tem é que os juízes envolvidos selecionam arbitrariamente, partindo de afinidades partidárias ou preconceitos ideológicos, detre os mesmos atos, alguns apenas, para classificar como criminosos.

No entanto selecionar é manipular a justiça e manipular a justiça pode ser, algumas vezes, até mais danoso do que a prática da injustiça.

Temos observado que apenas um lado é investigado, interrogado, processado e punido; enquanto o outro pura simplesmente 'blindado'.

O que é inadmissível num estado democrático de direito.

Da maneira como tem sido direcionada a lava a jato mais tem parecido um tribunal político nos moldes inquisitoriais da Espanha 'Católica' ou da Genebra de Calvino... e seu chefe assumido ares de grande inquisidor. Dir-se-ia que o sr Juiz Moro encarna um Torquemada dos trópicos ou um Carpzovius Tupiniquim, cujo único objetivo é exterminar ops heréticos petistas ou as bruxas de esquerda.

A situação chega assumir ares de comicidade.

Há no entanto ares dramáticos. Durante os quais nossas leis são pura e simplesmente burladas justamente por aqueles 'heróis' que deveriam observa-las...

Tal a patética condução coercitiva do Sr Luis I Lula da Silva, por determinação do juiz Moro...

E como já disse não preciso ser um Dalmo de Abreu Dallari, um Bandeira de Mello, um Yves Gandra, um Marco Aurélio de Melo ou um Alberto Toron para aquilatar que os ritos não foram devidamente observados e que toda ação era ilegal ou mesmo criminosa do princípio ao fim, caso consideramos que um Juiz deve conhecer as leis melhor do que ninguém e observa-las ao invés de por-se acima da lei.

Mesmo sem ter um décimo de Rui Barbosa ou um quinto de Teixeira de Freitas ou um terço de Evaristo de Morais... mesmo sem compor meio Pontes de Miranda, sei e muito bem que alguém só pode ser conduzido coercitivamente ou 'sob o jugo da vara' tendo sido previamente intimado e recusando-se a obedecer a intimação dada!

E com a Constituição nas mãos desafio qualquer rábula de meia tigela ou sofista togado ao contradizer-me.

Sim porque é a intimação que informa o acusado sobre a produção do ato jurídico.

Nem precisa o acusado tomar ciência da intimação desde que seja enviada ou publicada oficialmente.

No entanto a intimação, segundo nossas leis, não pode ser omitida...

Agora sendo desconsiderada pelo acusado, poderá este ser conduzido 'sob a vara' ao magistrado, para ser ouvido ou justificar-se.

Agora se não há a intimação, que é a causa, como pode haver resistência que é seu efeito.

Segundo nossas leis resistência ou recusa supõem sempre intimação.

E aqui esta o veneno ou a matriz de todo erro, pois Lula, como sabemos, sequer foi intimado.

Pelo que não poderia ser acusado de resistência e consequentemente conduzido em semelhantes circunstâncias. Todos estes atos são muito claramente dispostos pela lei brasileira e não há como ignora-los sem se por fora da lei ou na ilegalidade.

E nem pode alguém fazer ou deixar de fazer qualquer coisa senão em virtude da lei.

Portanto Lula jamais poderia deixar de ter sido regularmente intimado e só poderia ser conduzido nas circunstâncias descritas pela imprensa, caso tivesse se recusado a obedecer a intimação.

Nada disto foi feito. Pelo que não podia ter sido conduzido de tal forma para onde foi, constituindo tal condução notório e patente abuso de poder com objetivos de natureza política.

Nem poderia alegar o dito juiz qualquer receio de tumulto...

"Dura lex sed lex."

A lei é dura mas deve ser cumprida.

As leis e ritos processuais devem ser executados sem consideração das circunstâncias.

Alias se havia ou há receio de tumulto buscasse o magistrado perquirir as razões ou motivos do tumulto. E talvez aprendesse alguma coisa...

Nem vou entrar aqui na chicana nazista da necessidade que não conhece lei, porque quem define a necessidade é sempre alguém, algum homem, algum sujeito, alguma pessoa partindo de seus princípios e valores para definir subjetivamente o que é necessidade....

Para além das necessidades básicas relativas a manutenção da vida e dos direitos inerentes a pessoa humana, as demais supostas necessidades caem todas no domínio arbitrário da subjetividade podendo ser usadas com propósitos políticos, partidários, demagógicos e opressores que destroem a própria essência do direito.

Pelo que afirmamos a legalidade do que esta escrito em nossa carta magna, insistindo na necessidade imperativa dos magistrados serem os primeiros a observar rigorosamente as leis e cumprir todos os passos dos ritos processuais ao invés de colocarem-se acima de lei assumindo as funções de árbitros ou de deuses sobre a terra porque, francamente, este tempo dos deuses e inquisidores plenipotentes já passou!

Fica portanto certificado e patente que todos os atos jurídicos relacionados coma condução coercitiva do ex presidente foram absolutamente nulos, infecundos e improdutivos, senão criminosos e que tais manobras deveriam ser levadas a todas as instâncias jurídicas não só nacionais mas também internacionais tendo em vista a punição e dedignação deste juiz.

Eis o que todos os cidadãos brasileiros sem considerações ideológicas ou partidárias deveriam exigir.

Um juiz que exorbita de suas funções cometendo atos infecundos e improdutivos em matéria de direito com o objetivo de criar situações políticas e tumultuar a vida de uma nação inteira não seria tratado doutro modo em Londres ou Paris.

Então veremos até onde este circo 'Leva jeito para golpe' vai e até onde chegam suas traquinagens e travessuras!