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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A sexta monarquia... ou a afirmação das monarquias tupiniquins

Depusemos D pedro II.

Novos tempos.

Era necessário arquitetar uma nova estrutura mais evoluída, algo semelhante a República ou democracia.

Incoerentes não começamos por criar uma cultura democrática.

Quero dizer que não realizamos um plebiscito consultando os interessados i é o povo, a sociedade, os brasileiros.... indagando se preferiam a monarquia ou um novo regime.

Penso que seria contra producente. A monarquia venceria.

Por isso fizemos um golpe e impusemos anti democraticamente a forma republicana.

Sobrepusemos uma forma republicana a uma cultura ou imaginário monárquicos arraigados por uma tradição secular.

Do que resultaram diversos golpes e reversões ditatoriais; sempre tendo em vista 'salvar' a democracia....

Chega a ser uma história rocambolesca a destes golpes de 91, 30, 64...

Disse que a monarquia sairia vencedora num plebiscito e por diversas razões.

Uma delas por sinal psicológica e relacionada até certo ponto com o sucesso deste regime proclamado velho, antigo, ultrapassado...

Não eu não sou monarquista, pelo contrário, sou policrata, ou seja, adepto da democracia direta.

No entanto como dialogo com a cultura numa perspectiva realista busco compreender as razões da monarquia.

E fazer justiça ao velho Pedro II, o Imperador democrata...

Justiça é algo que se faz a qualquer um independente da ideologia, da crença, do partido, da concepção social, etc

Torne-mos porém as razões da monarquia ou melhor a razão, porque contentar-me-ei com assinalar uma apenas.

Parte das pessoas tendem a encarar os governantes, mesmo os representantes da democracia formal, como cuidadores, enfim como substitutos de seus pais...

Ninguém melhor do que o rei ou a rainha com sua presença constante encarna a imagem do pai ou da mãe.

Para alguns esta relação parece ser reconfortante.

Pois o pai é alguém que não apenas cuida mas em certo sentido livra-nos da responsabilidade e protege-nos da liberdade na medida em que decide as coisas por nós.

Sempre que errar poderemos culpa-lo.

Jamais nos tornando culpados.

Por incrível que pareça certo número de pessoas aspira porque outros tomem decisões no lugar delas. Não estão preparadas para optar, decidir, julgar, determinar, etc

Então consideram vantajoso ser tuteladas.

Sentem-se protegidas inclusive.

Trata-se com certeza de pessoas imaturas, que não cresceram interiormente, que não desenvolveram suas capacidades.

Pessoas inseguras desejam que a existência de seus pais prolongue-se para sempre.

De modo que continuem a decidir por elas.

Exceto no caso de se casarem com um cônjuge autoritário que reproduza a relação nos mesmos termos de dependência.

Quando não há alguém que controle e decida apegam-se a imagem genérica do pai, assim a do papa, assim a do rei...

O qual passa a ser identificado com o Pai dos crentes ou com o pai comum da nação...

Nem se pode negar que para algumas mentes demasiado leves esta imagem deste pai comum fortaleça e consolide os laços sociais...

A fantasia cria laços artificiais sem que haja qualquer relação ontológica ou essencial. A função social no entanto é preenchida... e possíveis conflitos inclusive, suavizados, pela presença da imagem paterna no governante.

De minha parte não posso deixar de considerar este tipo de relações apolíticas com decorrências políticas ou de relação política disfarçada como algo bastante primitivo e vulgar.

O homem ou a mulher amadurecidos devem assumir o ônus da liberdade e da responsabilidade fazendo suas opções tanto na esfera da vida privada como na esfera da vida pública, neste caso exercendo a cidadania e objetivando administração do bem comum.

Devem ser formados para a cidadania desde pequeninos na perspectiva da cultura. Implica que os pais criem seus filhos para o mundo ou para a vida, para os outros, para a autonomia... Os pais no entanto tem dificuldade para compreender esta dimensão democrática da educação e visam, ao menos parte deles, manter os laços de dependência e sob a forma mais estrita.

E criam cidadãos dependentes... excelentes para as monarquias asiáticas ou para as necessidades artificiais do mercado, mas inaptos para a gestão democrática da comunidade.

Morto o pai sobrevive na figura do rei...

A sobreposição arbitrária de uma forma republicana sobre este tipo de cultura mostra-se sempre inócua.

De modo que em qualquer situação de crise ou perigo o 'ditador' ou déspota é acolhido entusiasticamente como salvador da pátria.

Não as pessoas não aspiram por ser autoras de sua redenção.

O neo Cristianismo - com a ideia monergista de que deus salva o homem sem o homem e de que o homem nada tem a fazer- a seu tempo, reforça ainda mais esta concepção comodista segundo a qual devemos esperar uma salvação a ser dada por outro sem que nada tenhamos a fazer...

E perpetua esta cultura de pais salvadores...

Nem somos capazes de encarar a nós mesmos como agentes da redenção comum.

Tudo nos leva a repousar nos braços da monarquia ou da ditadura como em berço esplêndido.

Evidência de que a cultura permanece e prevalece temos a mão cheia...

Servindo inclusive a propósitos ideológicos.

Por menos que aprecie a monarquia devo reconhecer que tal rei tal povo.

O povo tende a assimilar os costumes de seu modelo, o rei.

Eis porque preferiria um Pedro II, o erudito barbado que frequentava as sessões do I H G B, a um rei imbecil, estúpido ou degenerado.

Se há que se ter rei e nobres que sejam probos, virtuosos, honestos... enfim dignos de imitação pelos méritos do espírito cultivado e não uns porcos de Circe, como diria Sócrates.

Em tais esquemas hierárquicos a virtude tende a ser assimilada verticalmente.

Melhor que os reis e príncipes sejam temperantes, operosos, justos, bondosos, pacíficos, instruídos, amigos da ciência...

O velho Pedro II foi mais ou menos tudo isto. Foi melhor que muito presidente, a exceção talvez de Getúlio, Juscelino, Jango e Lula. FHC não dá a unha do dedo mindinho do grande monarca bragantino...

Eis porque a cultura reteve certo saudosismo da monarquia qual fosse nossa Belle Époche tupiniquim...

Ficou o costume de designar pela alcunha de rei aquele que na Sociedade destacava-se dos demais; assim rei da voz para o melhor cantor e rei do gado para o melhor pecuarista...

Disto apropriaram-se os meios de comunicação de massas, especialmente a TV globo com o intuito de a um tempo resgatar e fortalecer este imaginário decadente e a outro com o intuito de influenciar negativamente o povo, tornando-o mais bronco, deseducado, alienado e rude.

Forjou pois a imprensa falsas monarquias de caráter plebeu e profano colocando-as a serviço de falsos valores.

Eis porque ouvimos constantemente as expressões: 'rainha dos baixinhos', 'rei da melodia', 'rei do futebol'... designando estes falsos monarcas da vulgaridade.

Particularmente nada tenho contra a sra Maria da Graça Xuxa Menegel, absolutamente nada. Muito pelo contrário até chego a admira-la por sabe-la solidária face ao sofrimento e a dor alheia e mantenedora de diversas instituições benemerentes. Além de sabe-la perseguida e caluniada pelos fanáticos religiosos.

Nem por isso aprecio-lhe como cantora ou dançarina; embora algumas de suas músicas tenham certo encanto e sejam úteis para entreter as crianças.

Nem por isso posso encara-la como uma espécie de rainha das crianças ou dos pequeninos.

Implicaria reconhecer que todos os pequeninos teem os mesmos gostos e que todos devem apreciar o tipo de ritmo cultivado por ela...

Considero esta promoção de um culto pessoal e acrítico na fase infantil da existência como algo perigoso senão nocivo. O mito fica enraizado e o 'ídolo' passa a ser encarado como uma espécie de super homem ou como uma espécie de criatura sobre humana... podendo ser transferido para o plano político ou religioso muito facilmente e com consequência catastróficas.

Não são súditos ou bobos de corte que devemos formar mas seres humanos criativos, autonomos e com iniciativa própria.

Triste ver como nossas meninas e garotas vão ficando padronizadas na medida em que imitam os gestos e expressões da tal rainha...

Compreendo até que seja uma fase. Coisa a ser superada e suplantada não alimentada.

No entanto há coisa muito pior do que a realeza do X...

Tomemos o sr Braga, digo Roberto Carlos. A imprensa ousa proclama-lo como rei da música com que direito? Alguém disse, a imprensa reproduziu e os demais continuaram a repeti-lo como um dogma, em que pese haver vozes muito mais belas e cultivadas do que a sua, como a do falecido Agostinho dos Santos ou a do nosso Mauricy Moura, dentre outros é claro.

No entanto após a TV globo imprimir o rótulo ou a etiqueta, fica o personagem entronizado e já não se pode questionar a realeza artificial e ficticia sem acirrar os ânimos da massa.

Importa questionar a quem aproveita tais títulos.

Quem lucra com eles?

Obviamente que atendem a uma necessidade variegada, a qual não é estranho o Mercado!

Compra-se aquele disco, fita ou DVD porque é do 'rei' e não aquele outro porque é de plebeu.

E não se dá qualquer chance para o plebeu provar que canta melhor ou que seu repertório é mais belo porque o título de rei concedido pela imprensa condiciona a maior parte das pessoas.

É um tipo de canonização profana destinada a eliminar o senso crítico.

Deve-se gostar do 'rei' afinal todos dizem que é o 'rei' e até fica chato discordar!

Cria-se um culto.

Já não é questão de música, mérito, beleza ou valor mas de mística, como aquela que envolve roupas e produtos.

Ser 'rei' coroado pela mídia equivale a ser de marca, trás assim a enganadora mística do nome.

Afinal que é um nome?

Até os monarquistas mais zelosos conviriam que o que faz um rei não é o nome ou o título mas a pessoa ou seja conduta.

Assim o 'título' de rei não é garantia absoluta de qualidade.

Ivan IV o terrível foi rei... como Henrique VIII foi rei...

Midiaticamente falando no entanto ser coroado rei por meio de um pacto é a melhor garantia de sucesso e lucro.

Há no entanto coisa bem pior.

Porque duma maneira ou de outra tanto a citada apresentadora loira como o sr Braga parecem-me cidadãos mais ou menos virtuosos, e nada há que pese muito gravemente sobre suas reputações.

Toquemos agora ao monarca supremo ou imperador midiático, o tal rei do futebol, sr Edson Arantes do Nascimento. Nada temos de pessoal contra ele.

Não o conhecemos. Conhecemos de vista sua mãe Dna Celeste, senhorinha que julgo tão boa quanto minha veneranda mãe.

Como não apreciamos modas ou imposições sociais nem de futebol gostamos.

Nem podemos negar ou julgar o talento deste sr como jogador. Não o pretendemos, não ousamos, não podemos...

Sapateiros não ultrapassamos os sapatos!

Todos sabem no entanto que o Brasil contou com muitos outros futebolistas de valor.

Quando era menino recordo-me de Zico, de Sócrates e outros.

No passado remoto houve um Friedenreich 'el tigre' e mais próximo de nós um Garrincha.

Não entendemos bem o assunto mas julgamos que a escolha do sr Pelé deva ser puramente subjetiva e não objetiva.

Até somos levados a crer que este mito foi construído com finalidade social e política pelo simples fato do sr E A N ser negro.

Afinal sabemos muito bem que após a abolição formal da escravatura proclamou-se a República sem que os negros alforriados tirassem qualquer proveito disto.

Alias parte dos apoiantes do novo regime compunha-se de escravocratas paulistas malquistados com a princesa Isabel e sedentos de vingança. Triste fato, mas real...

Falou-se muito em liberdades mas os negros ficaram ai largados ao deus dará ou a ver navios.

Programa algum foi elaborado tendo em vista sua inserção na boa sociedade brasileira. Oportunidade ou chance alguma lhes foi dada.

Até serem implantadas as 'cotas' para afrodescendentes com grande escândalo por parte das elites brancaronas.

A propósito das políticas afirmativas introduzidas pelo governo dos trabalhistas a partir de 2003 ocorre-me a famosa frase de Jacob Gorender: 'No Brasil, implementar pequenas reformas é ser revolucionário.' devido ao caráter ferozmente conservador de nossa sociedade patriarcal e latifundiária. Caráter que o fundamentalismo religioso emergente veio a fortalecer ainda mais nos últimos anos.

Tornemos porém ao mito do Pelé; jovem negro de origem humilde que fez carreira e tornou-se milionário jogando bola...

Como o negro não havia sido inserido na Sociedade brasileira, encontrando-se discriminado e posto a margem dela, forjou-se um mito, o mito Pelé.

E este mito contém uma mensagem perigosa:

"Qualquer jovem negro ou pardo da periferia pode vencer na vida e tornar-se milionário jogando futebol OU SEJA SEM A NECESSIDADE DE DEDICAR-SE AOS ESTUDOS E INSERIR-SE NO MUNDO ACADÊMIA."

Formação superior, escola, estudo... para os meninos brancos filhos das elites. Ao negro ou pardo ficava a esperança ou a ilusão de tornar-se rico e famoso jogando futebol.

Os resultados desta mensagem subliminar ou deste currículo oculto os professores que atuam na periferia sabem de cor. Parte da clientela masculina, especialmente negra ou parda, preocupa-se apenas com as aulas de educação física, as quais por sinal, resumem-se a partidas de futebol. Quanto as demais categorias de estudos é comum ouvi-los declarar: "Não preciso estudar isto, vou ser jogador de futebol como o Ronaldo ou o Neymar!"que são os meninos de periferia que substituiram o Pelé no imaginário deles.

Não poucos sonham com o ficar facilmente ricos, ir para o exterior e namorar moças brancas ou mesmo loiras, residentes em 'locais melhores'....

Trata-se de algo muito triste mas o educador que trabalha com a clientela mais humilde, via de regra, não tem foco no vestibular ou na faculdade. Já exauridos pelo trabalho não cuidam fatigar-se e sacrificar-se ainda mais estudando... afinal puseram em suas cabecinhas de vento que há um modo muito mais facil de vencer na vida: tornando-se craque de futebol como o Pelé...

No entanto quantos e quantos Pelés existem no Brasil???

Em que isto muda uma realidade social partilhada por milhões???

Há única coisa que poderia muda-la seria a democratização do ensino compreendida como acesso livre e igualitário a educação superior.

É isto que os afrodescendentes deveriam cobrar e por isso que deviam mobilizar-se ao invés de manterem seus olhos e os de seus filhos fixados neste ídolo de pés de barro que é o sr Pelé.

Neste sentido a gênese do mito Pelé é essencialmente reacionária.

Por injetar falsas esperanças em nossos jovens de periferia e faze-los abdicarem da única esperança concreta que teem: a instrução, a formação a educação superior.

Agora como as esperanças falsas vão morrendo precocemente ao curso da vida, ao mito do Pelé e a ilusão do futebol sucede muito facilmente a imagem do Fernandinho Beira mar (ou do líder da boca mais próxima) e a ilusão do tráfico com a mesma promessa de acesso facil a riqueza.

Resta-me finalizar deplorando a atitude deste falso monarca que não soube ser pai - logo ser humano - por ter repudiado até o fim a sra Sandra Arantes do Nascimento sua filha ilegítima.

Que tenha tido uma filha bastarda é plenamente compreensível e até comum no cenário cultural brasileiro.

Agora saber ter uma filha em tais condições e renega-la até o fim de seus dias; carne de sua carne e sangue de seu sangue é absolutamente monstruoso. Notório pela falta de ética ou como se dizia antigamente pela imoralidade.

Se este homem é rei, só pode ser rei da imoralidade, da crueldade, da vileza...

O pior no entanto é que as massas guiadas pelos meios de comunicação e pela propaganda, assimilam o comportamento destes falsos monarcas, idolos podres e mitos inconsistentes... e vai degenerando a Sociedade de geração em geração.

Tornando-se mais individualista, mais intemperante, mais insensível, mais rude e mais grosseira.

Em tempos de Pelé D Pedro II não faz mais escola!







quarta-feira, 2 de maio de 2012

Porque sou a favor das cotas raciais




Na semana passada vi muita polêmica ao redor das cotas para negros nas universidades no facebook, infelizmente má polêmica, de gente que argumenta mal. Vi também fotos digitais com dizeres contra as cotas, isso me assustou a tal ponto que me perguntei: que país é esse?

Eu sou a favor sim das cotas raciais e imagino que o leitor queira saber por quê? Sou a favor das cotas não porque os negros sejam incapazes de competir com os brancos, não mil vezes não! Mesmo porque não existem raças humanas, o que nos diferencia são apenas fatores superficiais, mas graças à esse fatores os negros foram escravizados, humilhados, desprezados e colocados à margem da sociedade. 

Os negros foram escravos no Brasil por cerca de 300 anos e a abolição da escravatura foi uma palhaçada, pura jogada política, posto que a Inglaterra já estava pressionando o Brasil fazia algum tempo, pois o modo de produção já tinha sofrido significativos avanços. A abolição da escravatura porque aquela princesa de alma generosa alforriava os negros mas simultaneamente os deixava sem trabalho, sem abrigo, sem comida e sem indenização. A partir daí começa uma nova história para os negros, uma história de novos sofrimentos e de exclusão. 

Hoje, em 2012, gente branca, mestiça e mesmo negros que desconhecem história, direito e o que seja justiça vão às redes sociais e falar a primeira merda besteira que assoma à cabeça contra as cotas raciais, chegam ao absurdo de escrever pérolas como essa: "as cotas são uma nova forma de racismo porque põe os negros como inferiores". Não percebem ou não querem perceber o óbvio que a maioria do Brasil hoje é composta de negros e que os negros sofreram e sofrem diversos tipos de discriminações. E a questão das cotas não é "privilegiar os negros" como andam distorcendo certas pessoas que fisolofam bem e filosofam mal.  

A questão das cotas não é ter dó dos negros mas uma correção de uma injustiça histórica, os negros foram escravos por 300 anos, os primeiros negros do Brasil foram aqueles que foram tirados à força de seus países no continente africano. Essa injustiça deve ser corrigida e a forma mais viável foram as cotas. Então não me venham com essa conversa mole para boi dormir, que as cotas não devem existir, porque seria uma forma de racismo. Aliás, um racismo ao contrário não? Um racismo que pretende nivelar negros e brancos. 
Também não me venham com aquela conversa fiada: "conheço negros que cursaram uma federal sem a ajuda de cotas". Ótimo, se você conhece parabéns, mas a exceção não elimina a regra e o fato de um negro não querer ser ajudado pelas cotas de modo algum isso apaga o fato de que os negros devem ser indenizados por tudo o que sofreram no Brasil. Por trás desses discursos está escondida a ideologia da classe dominante, que não quer reparar seus erros. Agora, o que muito me admira é que gente que diz entender de filosofia entenda mesmo é de fascismo!

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia da consciência negra

Hoje é dia da consciência negra, mas por ironia acabou por passar em branco. Não vi as mídias falando dessa importante data, não vi manisfestações culturais. E hoje seria mais importante que nunca já que a sociedade vivencia episódios de ódio contra negros, nordestinos e homossexuais.

Na quinta-feira última, enquanto eu aguardava o HTP (horário de trabalho pedagógico) na escola onde estou este ano, eu conversava animadamente com os colegas de trabalho e conversa vai e conversa vem e o assunto caiu em racismo. Infelizmente, para meu desgosto meus colegas de trabalho que possuem nível superior argumentam de forma igual ao "povão", isto é, ao senso-comum.

Meus colegas diziam que hoje os negros tem as mesmas chances que os brancos, que os negros são mais racistas que os brancos, porque muitos deles se casam com brancas ou porque tiram sarro de outros negros, que tem a pele mais escura ou traços mais fortes de negro. Disse por meu turno que os negros se tornaram preconceituosos, porque a sociedade introjetou neles o racismo, de modo que ter pele escura, cabelo carapinha, não são características de um povo, de um povo igual a qualquer outro povo, não, isso é um estigma. Talvez por isso homens negras prefiram mulheres brancas, de preferência loiras de olhos azuis, para que possam desse modo "purficar" a "raça". Talvez muitos negros façam isso de modo inconsciente, talvez conscientemente, todavia não querem que seus filhos sejam vítimas de preconceitos como eles o são.

Uma professora soltou esta pérola: "Negro pode andar com camisa ou colocar adesivo no carro 100% negro ou orgulho de ser negro. Mas vai um branco, colocar um adesivo 100% branco, ou orgulho de ser branco pra ver o que acontece. Negro pode, branco não".
Respondi ao "gênio da lâmpada elétrica queimada" que os negros tem que mostrar mesmo orgulho de sua cor, de suas características físicas, de sua cultura. Porque o Brasil é um país racista e nem é preciso ir longe. Demonstrei à professora e aos demais colegas que o racismo está explícito em frases como estas: "negro quando não faz na entrada, faz na saída", "é negro mas tem alma de branco", "é negro mas é honesto" e outras coisas tão bizarras como estas. Perguntei então ao grupo que me rodeava, se já ouviram expressões assim: "branco quando não faz na entrada faz na saída", "tinha que ser branco", "é branco, mas é honesto", "é branco mas tem alma de preto", etc... Eles nunca ouviram e foram forçados a concordar comigo por causa do peso de meus argumentos didáticos.

Só esqueci de perguntar aos professores que acham que negros são racistas, se eles já viram grupos de negros que matam brancos, que odeiam os brancos, se já encontraram uma versão de skinheads para negros. Tudo bem, fica para a próxima.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cota

Um assunto muito polêmico é o que trata das cotas para negros em universidades ou em concursos.

Devemos nos inquirir qual é o fim das cotas, para que servem, caso queiramos ser coerentes.
Por isso a postagem abaixo segue os padrões de diálogo feitas por Platão.


- Mas dar cotas aos negros não é chamá-lo de burros?
- Quem diz isso é a burguesia. Os negros não são burros e precisam das cotas.

- Por que precisam das cotas?
- Para corrigir uma injustiça histórica. Pois os negros foram tirados à força de suas terras pela sifilização civilização cristã. Trabalharam como escravos até quase o fim do século XIX. Quando foram "libertos" pela "generosa" princesa Isabel. E quando os negros foram libertos graças à "benevolência" da princesa, eles não foram indenizados nem foram contratados por aqueles que foram seus senhores. Saíram das fazendas apenas com a roupa do corpo. E foram para onde? Para os lugares onde se encontram as grandes favelas, este assunto já foi tratado aqui com maestria pelo professor Domingos, aqui.
Toda injustiça tem que ser desfeita, isso chama-se satisfação. Os negros foram espoliados, roubados, enfim explorados, logo o sistema de cotas não é acepção de pessoas, como querem os idiotas. Não, o sistema de cotas não é um privilégio, mas justiça. Se essa injustiça tivesse sido corrigida ainda no império (que durou pouco mais de um ano após a abolição) ou nas primeiras décadas da república os negros não precisariam das cotas.

- Ah, mas os negros hoje tem as mesmas chances que os brancos, e além do mais tem brancos pobres.
- É mesmo? Não é isso o que diz o estudo da Dieese, pelo contrário afirma que os negros mesmo tendo a mesma escolaridade que brancos ganham menos. Então lhe pergunto: Que bosta de igualdade é essa? Se o salário é desigual entre negros e brancos, quanto mais o acesso à educação.

- O negro se estudar pode competir de igual para igual com o branco.
- Sei, com o branco que estuda no Objetivo, que estudou nas melhores escolasb e teve os melhores professores.
- Mas há brancos pobres, então por que cotas?
- Se fosse me provar que alguma vez na história do Brasil tivemos oficialmente escravidão branca, então eu mesmo serei contra o sistema de cotas. O que eu sei é que os negros não foram indenizados, não foram contratados com o fim da escravidão, pelo contrário os grandes fazendeiros contrataram italianos, e por mais que sofressem não eram escravos e não sofriam os preconceitos que os negros sofrem até o presente dia.
- Eu tenho olhos azuis e tenho ascendência negra, então eu tenho direito ao sistema de cotas?
- De modo algum.
- Por que?
- Você já foi chamado de crioulo, de macaco e de outros nomes ofensivos ao povo negro?
- Não. Então você não é negro. Além do mais diga-me, você seria escravo no século XIX no Brasil escravocrata?
- Não.

- Mas o sistema de cotas acirra ainda mais o racismo.
- Por que diz isso, acaso antes das cotas os brancos eram mais tolerantes com os negros?
- Não. Mas acho que vai piorar.
- Ah, vai piorar se corrigir uma injustiça e se ajudar que os negros realmente tenham direitos iguais.

- Mas isso é passado. Águas passadas não voltam atrás.
- Engano seu, a justiça não é baseada no presente mas no passado. Os tribunais não jugam o que acontecerá, ou o que acontece, mas o que aconteceu. Seguindo sua lógica, o casal Nardoni não deveria ser punido, uma vez que a morte da Isabela é passado, como se o crime tivesse deixado de existir. Essa sua lógica destruiria a justiça por inteira.
- E os judeus que sofreram na Alemana nazista não deveriam ser indenizados?
- E quem disse que não foram ou estão em vias de serem?
- Mas passado é passado.
- Quer dizer se alguém lhe assaltar você não vai prestar queixa, porque quando for fazer a queixa o assalto já será coisa do passado, certo?
- Não. Mas isso traz sérias complicações.
- E por trazer "sérias complicações" devemos deixar as coisas no pé em que estão e deixar a desigualdade reinar?
- Não, mas existem outros meios?
- Quais?
- ........

- Mas dar vagas para negros nas universidades não é chamá-los de incapazes, de incompetentes?
- Como disse acima os negros ganham menos que brancos, então significa que devem trabalhar mais que os brancos, sendo assim tem menos tempo de estudar, deve ser isso o que você chama de incompetência.
- Estou confuso e não sei o que pensar.
- Pense no que é certo, no que é justo e nada mais.