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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Reflexões ecológicas - O Capitalismo e o meio natural... Para onde nos encaminha o sistema vigente ou a 'desordem' estabelecida...

Já me referi ao discurso dos Aristotélicos sobre o planeta como sistema fechado e recursos necessariamente finitos ou limitados. E também ao genial J S Mill e a doutrina da economia estacionária.

Decerto que o liberalismo econômico partilha do mesmo otimismo presente no positivismo\cientificismo, e que segundo E Troeltsch A C Grayling, não passa de resíduo secularizado do Cristianismo. O que por sinal devemos ao iluminista francês Condorcet.

Condorcet porém, ao contrário de Malthus, não parece lá se ter impressionado muito com a finitude do mundo... Dando largas a imaginação e a fantasia. Para ele o progresso seria linear, continuo e infinito. 

Temo portanto que bilhões de pessoas com aspirações ambiciosas ilimitadas não estejam em sintonia com a finitude dos recursos naturais. Pois aspirações sem controle ou regulação, aspirações demasiado amplas e livres, convertem-se bastante fácil em explotação descontrolada.

E enfim, a explotação descontrolada - resultante do excesso de população e da disputa pelo espaço com um meio natural quase sempre incapaz de defender-se, conduziu-nos a beira do abismo ou da sexta extinção em massa, a qual será antrópica ou provocada pelo único animal que ousa fazer alarde de sua racionalidade.

Estamos falando portanto no suicídio da espécie, uma vez que a meta posta pelo capitalismo: O máximo possível de acúmulo, por parte de uma multidão de seres humano, num cenário de livre disputa ou concorrência, é absolutamente irracional, inda que os meios sejam perfeitamente racionais. O fim ou a meta continua sendo clamorosamente irracional num sistema fechado e finito. 

Nada de catastrofista e muito menos de utópico - Pois sucedeu-se já, se bem que em escala menor, na América, entre os Maias, os quais para erguer e decorar suas soberbas pirâmides escalonadas, esgotaram seu entorno > A cal dependia das fogueiras, as quais dependiam das madeiras, as quais dependiam da floresta, assim as plantações... Eliminadas as florestas cessaram as chuvas e, consequentemente a produção de alimentos, advindo a fome, as epidemias, as guerras e o fim desta tão avançada civilização.

Sucede, no entanto que os Maias não tinham a mínima ideia sobre o ciclo da água ou sobre a dinâmica da natureza, sendo portanto incapazes de prever, planejar e evitar. Nós no entanto estamos a par até mesmo da extensão e do peso da terra... Sendo perfeitamente capazes de prever as consequências de nossas ações.

Está nossa realidade posta de modo bastante claro: Um sistema individualista, materialista e irracionalista (Pelo que temos reproduzido aqui dois aspectos do protestantismo: O individualismo e o irracionalismo.) está conduzindo a espécie humana a extinção. 

Ao estimular a multiplicação da espécie que satura já o planeta e a satisfação das ambições desmesuradas de cada representante seu, protestantismo e capitalismo decretam a destruição do mundo natural i é a eliminação da fauna e da flora, das matas, florestas, bosques e daqueles que os povoam. 

A tendência levada a cabo pelo economicismo é cobrir o espaço como um todo i é todo solo do planeta com uma camada artificial composta por cimento e pedra, alumínio e vidro, plástico e borracha. A qual partindo do centro de cada cidade se vai estendendo, até conectar-se no que chamamos de megalópoles ou conurbações. A acelerar-se um tal ritmo em mais alguns milênios não mais restará palmo descoberto de terra em nosso planeta, ficando ele completamente encerrado numa capa fabricada por nós.

A bem da verdade, antes que tal designío seja consumado, teríamos também nós encontrado a morte certa em meio aos resíduos de nossa atividade ou dessa poluição que contamina águas, terra e ar, envenenando e, no devido tempo, matando. Pois como haveremos de respirar um ar empesteado por CO2... beber água misturada com mercúrio... ou pisar uma terra encharcada por nossos próprios dejetos... É de fato uma perspectiva terrível.

Porém os conspiracionistas não se abalam e as aspirações do liberalismo econômico se apresentam irredutíveis e inconciliáveis. 

Cada qual julgue esta dada situação a partir de seus princípios e valores e, eu, tenho os meus muito bem pontuados, oriundos já da Filosofia socrático\aristotélica, já do Evangelho de Cristo (Não dessa 'coisa' chamada bíblia.), já do Cristianismo antigo, histórico, apostólico... e coordenados pela razão, na qual com toda segurança confio.

E meu juízo é um juízo negativo e condenatório.

Não vejo como a crença em que Deus se fez carne ou assumiu nossa condição. De que Deus tenha querido encarnar-se neste mundo natural e material. De que Deus tenha santificado este mísero grão de pó com a intensidade de sua presença e que estejamos a depreda-lo. 

Poderia acrescentar ainda que malbaratar milhões de espécies viva, de animais e vegetais - Enquanto resultados de um processo evolutivo que toca centenas de milhões ou mesmo um bilhão de anos é uma atrocidade. Dada a singularidade, a utilidade e provável beleza de muitos destes seres.

Consiste por um lado em destruir as expressões ou manifestações da mente divina e por outro em extinguir um espaço visitado e santificado por aquele que chamou-as a existência por meio da Evolução. Autêntico sacrilégio.

Tendo em vista que cada ser existente é um projeto da mente divina e que nosso Deus assumiu uma condição material neste mundo é grave dever nosso respeitar essa mãe natureza e respeita-la como se um santuário fosse. Ao invés, de guiados pela cobiça converte-la numa imunda carcaça - Fazendo o papel nojento de vermes pululando sobre ela...

Ademais um ser não merece respeito apenas por ser racional ou livre, ou mesmo inteligente e sim porque o ser racional é capaz de perceber a totalidade das coisas, avaliar as conexões e atribuir-lhe importância segundo a posição que ocupa no conjunto. Posto que tais seres formam uma cadeia ou teia na qual estamos inseridos e a qual pertencemos.

Ainda utilitária ou pragmaticamente, tendo em vista a função voltada para o conjunto, tais seres precisam ser respeitados e nossa continuidade enquanto espécie depende sim dessa atitude ética que é o respeito. Assim aqueles que explotam ao máximo essa mesma natureza, ultrapassando os limites da prudência e visando apenas o lucro sórdido ou o vil metal, prestam um deserviço a espécie e colocam-na em risco.

É uma profanação absurda, decorrente de nossa miséria e insaciedade interior. De fato apenas o Sagrado ou o plano espiritual é capaz de satisfazer plenamente nossas aspirações, de saciar nossa sede, de preencher nosso interior, de completar nosso ser e de conduzir-nos a uma sóbria serenidade ou temperança. Somente a partir de um tal estado de espírito é que nossa consciência assoma as alturas para que foi posta, impondo equilíbrio e moderação em nosso trato com o mundo externo ou com as coisas.

Tentar substituir a fonte do ser enquanto posse do ser jamais deu ou dará certo. Nem poderia a posse de todo este universo limitado substituir a posse do ilimitado e infinito porque aspiramos ou suprir nossa vacuidade interior. O materialismo associado ao ateísmo será sempre incapaz de aliviar nossa inquietude, inquietude que nos dispersa entre os objetos materiais com a ânsia de acumular.

Todo esse burburinho em torno da acumulação ilimitada, ainda que potencializado ou mesmo ativado pela cultura, parte em última análise de nossa condição, de nosso interior ou de nós mesmos e acaba sendo alimentado pelo ateísmo, pelo materialismo, pela negação da espiritualidade, pelo fetichismo, pela ignorância e pela miséria... Tudo isso estimula nosso apetite insaciável pelo mundo e se opõe a vida média.

Deve assim o Cristão, por o dedo no fundo da chaga purulenta e condenar a totalidade deste movimento em cada uma de suas expressões.

Não podemos aceitar, batizar e abençoar um sistema como esse: Que por tirar proveito do ateísmo e da irreligiosidade, promove-os sorrateiramente por meio da mídia - Objetivando, como já foi dito, estimular ainda mais o consumo. Nobre leitor, desculpa a rude franqueza mas é o consumismo irrefletido, num mundo finito, muito mais perigoso do que o comunismo ou que o fantasma do comunismo e, é esse consumismo vulgar e grosseiro, esse desejo pelo supérfluo, esse gosto pelo excedente que está a destruir o planeta.

Não me contentando em declarar com Henry George, que o delírio em torno do consumo, e, em seguida, o excesso é que produz a carência, o desequilíbrio, a desigualdade, a injustiça e a miséria; direi que esse delírio está já a fazer buracos no mundo como vermes fazem furos num queijo.

Então não mais podemos aceitar esse estado de coisas engendrado pelo capitalismo e tributário, em última análise, do individualismo protestante.

Seremos nesse caso comunistas ou bolchevistas, como afirma essa corja de pastores protestantes 'made in EUA'... 

Julgue o leitor sensível e inteligente as nossas palavras: Precisamos transcender o individualismo, precisamos vencer o ateísmo, precisamos questionar o materialismo e seu papel, precisamos refletir sobre o consumismo e a necessidade, precisamos nos reencontrar, precisamos analisar sem preconceitos o nosso passado e as nossas tradições, precisamos cultivar uma ética não especista ou holística em torno do respeito. E avalie se semelhante pauta faz parte da ideologia comunista e quais possam ser suas fontes.

É honesto desafio que faço a cada um de vocês.

Pois sequer estamos nós em tempos de socialismo ou de malthusionismo puro porém de ecologia e ecologismo. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O tema da fuga...

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Como registrado foi em artigo precedente em posse do conhecimento da realidade assume o homem duas posturas características e antagônicas; a do afrontamento, que coaduna-se com o progressismo ou a da fuga, que corresponde a uma espécie de desespero invencível ou a um conservadorismo negativo nas palavras de meu grande amigo Douglas Eduardo Vaz.

Não se trata como bem poderia parecer de alternativas lineares. Não poucos progressistas, esquerdistas, trabalhistas, socialistas de modo geral após terem se dedicado por um longo tempo ao afrontamento e a militância (Tendo em vista a colossal dificuldade - já apontada com  peculiar lucidez por Freud - com que se transforma a realidade social) costumam costumam a passar por crises periódicas de angústia e desesperança até a ambivalência, alternando, em determinadas circunstância da vida, atitudes de afrontamento e de conservadorismo negativo ou desistência. Mauro Iasi caso não me falhe a memória, analisou detidamente esse problema numa de suas obras.

Temos de compreender estas pessoas ou melhor, temos de compreender a situação existencial experimentada por elas, as limitações do aparelho psíquico e a condição de cada um ao invés de sem mais classifica-las como vis traidoras ou inconsequentes. Do contrário nosso socialismo não terá valor algum. Ser humanista pressupõem no mínimo sincero esforço para compreender o outro, ao invés de te-lo em conta de conspirador malévolo.

Implica saber que a angústia não é em si mesma tolerável ou suportável, mas que corresponde mais ou menos a uma dor que se sente na alma...

Tanto mais intensa a dor, tanto mais a necessidade de ser estabilizada por meio de algum narcótico ou sedativo. No passado o ópio ou o clorofórmio... antes disto a Datura Stramonium, a Canabis Sativa, o Peyote, o Whisky... Homens e culturas sempre buscaram fugir a dor lancinante. Crendo-a radicada quase sempre no corpo. O homem moderno no entanto, objeto de tantos conflitos e frustrações, veio, mais do que qualquer um de seus remotos ancestrais a conhecer um outro tipo de dor não menos forte, a dor da alma ou a angústia.

Daí o já citado (apud artigo anterior 'Um pouco de arte) dramaturgo - Quem tem problemas tem conhaque... vodka, whisky, morfina... Afinal em situações de dor sedativo não é luxo, é necessidade.

E como a causa da angústia da-se inevitavelmente em termos de choque entre as instâncias mentais ou entre o Ego e o mundo externo, ao menos neste último caso, a única saída que se impõem é fugir deste mundo externo, cortar os vínculos com ele, separar-se...

Vindo a propósito a perda de consciência, por meio da qual temos acesso a outros estados de espírito, totalmente diversos da realidade.

No passado as multidões chegaram a crer que tais estados equivaliam a uma via de acesso aos seres divinos. Hoje multidões de homens irreligiosos continuam buscando-os não mais como forma de unirem-se ao sagrado ou ao numinoso, mas como forma pura e simples de romper com a realidade indesejável desde mundo ou enquanto fuga.

Apesar disto não é situação nem um pouco simples.

Fugitivos que recorrem a perda de consciência e a tão extravagantes fruições de prazeres costumam não poucas vezes a assemelharem-se aos marinheiros que bebem água do mar. E todos sabem muito bem o que se sucede com o infeliz naufrago que cede a esta forma de tentação...

Fugas bem planejadas e bem sucedidas podem se tornar recorrentes e incontroláveis; até que se perde por completo o nexo com a realidade vivida e se passa de vez para o outro lado, o lado da insanidade.

Pode sempre a fuga tornar-se compulsiva ou imperativa; e assim se perde o homem, não devido a angústia mas a fuga. Sempre bom após algumas fugas toleráveis buscar auxílio psicológico com que enfrentar a angústia em suas fontes e dribla-la. Fuga até pode acontecer como improviso, é compreensível. Urge no entanto, ir o quanto antes a raiz do mal e tentar estrai-la. Claro que num pais em que o custo do serviço psicológico é tão alto, as fugas podem se tornar ainda mais atrativas por serem menos onerosas, ao menos para o bolso...

Mas e se a substância empregada for nociva? E causar danos neuronais irreversíveis. E se os demais tipos de fuga ou compulsão tornarem-se incomodativos na medida em que se chocam com nossas necessidades vitais em termos de emprego, família, etc???

Não o tema da fuga não é nem um pouco simples. Na medida em que corresponde, não poucas vezes a um suicídio lento e inconsciente...

Assim se não se pode censurar o homem que sucumbiu ao peso tremendo da dor tampouco se pode deixar de orienta-lo no sentido de buscar por ajuda. Orientar é diferente de julgar e condenar. Como diria o Dr Frankl caso este homem não encontre um sentido mais profundo que o leve a apegar-se a vida mesmo com todas as suas dificuldades, quem poderá obriga-lo a viver? Se ele encara esta existência como um fardo doloroso, que podemos fazer? Como obrigar alguém a permanecer num navio que não o agrada ou a fazer uma viagem que não quer?

Como as dores da alma tendem a ser mais frequentes e continuas do que as dores do físicas, a intoxicação por meio excesso de sedativos ou por meio da fuga constitui uma ameaça real. Melhor tratar essa angústia já no começo... Após as primeiras fugas.

Bem, já enrolamos demais o amigo leitor. Urge finalizar este artigo. Arrolemos as possibilidades de fuga -

  • O fundamentalismo religioso, sempre associado a uma mentalidade magico fetichista ou seja crença em intervenções sobrenaturais e divinas. Tal a situação da gente simples ou ingênua sempre a espera de um milagre. Aqui sequer pressupomos qualquer explicação em termos de ocultação de causas ou de alienação, da qual o crente sempre pode prescindir. Descrevemos apenas a atitude vital daquele que abandonando mais e mais a vida refugia-se em templos e igrejas passando cada vez mais tempo assistindo a cultos religiosos, orando, consumindo literatura religiosa, etc Naturalmente que nos encontramos com um tipo de fuga plenamente justificado - O mundo é mal ou diabólico. Esta forma de fuga, que costuma ser total ou definitiva, tem seu principal risco quando a pessoa em questão acredita ser capaz de comunicar-se diretamente com a divindade, sendo estimulada neste sentido pelos líderes religiosos irresponsáveis. Assim por meio da via mística chegasse bastante facilmente a demência ou a esquizofrenia e não poucas vezes ao crime. Afinal não há pior opção do acreditar que tudo quanto pensamos, falamos, vemos ou ouvimos procede do próprio Deus.
  • Formas de hedonismo não substanciais ou químicas.
    Assim a compulsão sexual compreendida no sentido em que a busca pela fruição do orgasmo ou do prazer sexual converte-se em objetivo primário da atividade humana conflitando com as demais esferas da existência, assim com o trabalho por exemplo. Na medida em que essa busca vai trazendo mais e mais problemas, cumulativamente, caracteriza-se o problema. Trata-se aqui de um tipo de fuga bastante estimulado pema cultura e pela mídia tendo em vista certo nicho existente no mercado e evidentemente o lucro, situação que analisaremos em nosso próximo artigo sobre "A administração da alienação e da fuga ou do prazer pelo pode econômico."
    Outro tipo de compulsão diz respeito aos jogos de azar, estando nitidamente relacionada com a aspiração inconsciente pela emulação, pela auto afirmação ou pela realização pessoal, objeto de frustração. Aqui a relação com as finanças é ainda mais clara e perigosa, na medida em que uma pessoas viciada em jogos ou compulsiva pode vir a perder todos os seus bens muito rapidamente.
    Como variante deste temos a compulsão por jogos eletrônicos.
    Outra variante muito comum é a fuga por meio de uma realidade digital ou virtual paralela, inclusive produzida e comercializada. Tenho notícia de pessoas que por esta via chegaram rapidamente a alienação mental e irreversível por se terem hipostasiado com personagens e situações fictícias, cujo comportamento passaram a reproduzir socialmente. A derradeira variante é o esportivismo, no Brasil sob a forma do futebolismo e do clubismo, o qual não poucas vezes tem resultado em conflito armado e assassinatos. 
  • Chegamos por fim a menos crítica de todas as formas de fuga, se é que podemos dize-lo ou a que é mais apreciada pelo Sistema. Estamos nos referindo ao consumismo, em virtude do qual acreditamos poder saciar nosso vazio interior ou vazio de sentido e de perspectivas, adquirindo objetos, coisas ou mercadorias ou seja comprando, consumindo e aquecendo o Mercado. Aqui ainda a questão da auto estima, da realização pessoal, da auto afirmação... Pois não poucas pessoas sentem uma sensação indefinível de prazer, bem estar ou mesmo poder comprando coisas, o que em não poucas vezes reflete um estado psíquico análogo ao do misticismo, da auto sugestão ou mesmo do consumo de substâncias narcotizantes. Em tais circunstâncias além das dívidas o consume deve produzir certas substâncias glandulares ou endócrinas relacionadas com a sensação de prazer.
  • As formas de hedonismo químico resultante da introdução de certas substâncias no organismo seja por via bocal, nasal, venal, etc
    Temos aqui -
    A embriagues, definida como consumo de alcool na medida em que chega a alterar os níveis de consciências ou como consumo excessivo, o qual nada tem a ver com o consumo parcimonioso ou moderado (aqui C S Lewis). O problema imediato aqui são as situações em que o excesso conduz a perda total de consciência, assim o famoso caso do 'bêbado no banco da praça' ou o que é bem mais dramático, atirado inconscientemente sobre os trilhos de uma Ferrovia ou as margens de uma Rodovia, claro que todas estas situações traduzem certo grau de vulnerabilidade e comportando, riscos reais para a vida e a integridade física da pessoa. Afinal vivemos num pais em que índios e moradores de rua já foram incendiados pelo fato de estarem a dormir em alguma praça ou rua. A longo prazo todos sabemos que a embriagues implica sérios danos a saúde física, podendo resultar em cirrose ou câncer no fígado, para não falarmos noutras tantas moléstias 'comuns' como o AVC.
    Temos ainda aqui uma droga sintética extremamente forte e danosa, o Ecstasy, o qual é comercializado sob a forma de cápsulas ou pílulas. Associado a bebidas alcoólicas o Ecstasy tem seus efeitos potencializados podendo produzir facilmente uma parada cardio respiratória. O Ecstasy também pode conduzir os viciados a imbecilidade completa em curso prazo pelo esgotamento dos neurônios cerebrais.
    Chegados a via nasal temos toda uma gama de drogas inaláveis - Da cola e dos perfumes até o cigarro - que a bem da verdade não passa de uma droga legalizada - e o insidioso crack, i é as pedras de fumar feitas com cristais de cocaína (A qual também pode ser cheirada em pó). Ocioso dissertar a respeito dos riscos implicados no consumo continuo do tabaco descobertos há quase cem anos pelos médicos alemães do fuhrer. Igualmente ocioso mencionar os efeitos danosos do consumo de cocaína ou mesmo da inalação da maconha.
    Quanto a via venal temos a introdução de cocaína das veias. Aqui além de outros tantos riscos há o de contrair-se doenças transmissíveis devido ao uso comum da agulha e o de envenenar-se, haja visto que aqueles que manipulam tais implementos nem sempre estão conscientes do que fazem...
    O LSD pode ser consumido oralmente, inalado ou injetado, a vontade do freguês. É a dietilamida do ácido lisérgico produzida pela cravagem de um fungo do centeio desde 1943 por Albert Hofmann. A História do LSD constitui uma página a parte quanto ao consumo de entorpecentes pelo simples fato de ter produzido uma cultura, a cultura psicodélica (nos anos 60) relacionada com um grande número de artistas e intelectuais dentre os quais Aldous Huxley. É uma das drogas mais poderosas em termos de efeito, e relativamente segura. Sem consumo no entanto pode levar a psicose, inclusive crônica.
    Cumpre registrar a imensa popularidade da droga entre artistas e intelectuais, os quais tendo tomado consciência quanto a dura realidade da existência humana, e sua resistência a quaisquer tentativas de transformação deixaram-se dominar pela angústia e pelo desespero, resultando disto, obviamente a necessidade da fuga e consequentemente a droga. O trágico epílogo deste tipo de experiência todos conhecemos muito bem - A overdose e a morte... ou seja o suicídio, algumas vezes consciente, outras vezes não...

    FUGAS SAUDÁVEIS?

    Algumas fugas saudáveis tem sido relacionadas com a sensação estética produzida pela arte. Assim a fuga da realidade por meio dos livros de romance, ficção e fantasia. A fuga pela contemplação visual de um quadro ou duma exposição. A fuga pela poesia ou pela musica. A fuga pelo teatro. A fuga pela apreciação de cerimônias religiosas de caráter simbólico. A fuga moderada pela prática saudável de algum esporte. A fuga moderada pela apreciação sóbria do licor ou do narguilé. A fuga por um tipo de esforço pessoal agradável; como o artesanato. A fuga moderada pela arte culinária ou pela degustação de um bom prato. A fuga moderada pelo exercício da sexualidade, etc Em não poucas situações somos levados a perceber que a distinção entre o tolerável e o danoso esta apenas na intensidade da fruição a que chamamos fuga.


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terça-feira, 11 de abril de 2017

Empírico racionalismo ou ceticismo?

Fácil falar que o homem é incapaz de conhecer ou que não existe verdade alguma no acesso do gênero humano.

Encastelam-se os céticos no domínio da gnoseologia, e pronto...

Discursam contra a percepção, a razão, a fé, a ciência, etc E dão-se por satisfeitos.

Em geral esse tipo de conversa para por aqui.

Jamais se põem o dedo no fundo da ferida e ficamos sempre por saber o se encontra por trás dela.

Quais os pressupostos do ceticismo?

Por que o ceticismo é sinal evidente de decadência cultural?

Qual o problema dos ceticismos?

Em verdade o ceticismo comporta dois problemas bastante distintos.

O primeiro o da contradição.

Afinal o mesmo cético que postula não haver certeza alguma mostrasse não poucas vezes convencido a respeito da validade do ceticismo.

Raro é o cético plácido e sereno que dúvida de seu ceticismo.

Assim o mesmo cético que ufana duvidar de tudo parece acalentar ao menos uma certeza, a do ceticismo.

Ele conhece que é impossível conhecer!!!

E esta certo de que deva duvidar do conhecimento...

Por outro lado se também o ceticismo é duvidoso...

Por isso que a maior parte das pessoas tem abraçado o ceticismo como a única verdade existente.

Sabemos que não podemos saber!

Agora se sabemos uma coisa por que não podemos saber duas, três, quatro, cinco???

Se conhecemos o ceticismo por que não podemos conhecer outras coisas?

Se acertamos uma vez que nos impede de acertar mais vezes?

O segundo erro ou melhor, a segunda forma de incoerência, se dá quando as pessoas partem do ceticismo para formular alguma coisa...

Neste caso, embarcando no trem de Omar Kayyham, chegam a estação final do nihilismo. Escolasticamente... e concluem pena necessidade da alienação.

Ter consciência de que nomos frustrados, saber que somos incapazes de saber, conhecer o trágico de nossa existência, admite Khayyam incomoda, machuca, angústia, até a suprema desolação.

A consciência da incapacidade torna a existência insuportável, para não dizermos indecorosa.

O homem tem aspirado por sucessivas quimeras: O conhecimento de Deus ou do além túmulo pela fé na Revelação, o conhecimento de si por meio da Reflexão, o conhecimento do mundo externo por meio da experiência ou da percepção. No entanto 'Nem na fé, nem a Filosofia e nem mesmo na ciência há salvação... e tudo não passa de quimera.'
O homem aspira, acalenta, deseja conhecer; e no entanto não esta em suas mãos satisfazer semelhante demanda. A demanda que parte do íntimo de seu ser é, ela mesma, falaciosa... Queremos saber mas não podemos, abominamos a ignorância e no entanto a ignorância é nosso estado natural e invencível.

Somos seres fragmentados e em conflito com nossa condição.

Somos seres infelizes, pois temos consciência de nossa frustração.

O universo ao menos não tem consciência de coisa alguma. E a inconsciência torna-o feliz.

Bem aventurada a inconsciência.

Mal aventurada a consciência e a razão.

Esta por sinal assemelha-se mais a um verme que nos vai roendo a consciência, do que a qualquer outra coisa.

A consciência e a razão é que nos fazem sofre e tornam a existência insuportável.

Consciência e razão já não são aqueles bens desejáveis que a Filosofia antiga apresentou-nos, mas punições ou castigos com que o universo desejou abater-nos.

Diante de tão trágica e patética condição, que fazer, pergunta-se o poeta, matemático e astrônomo persa de Nishabour?

A única solução possível aqui é apagar ou obscurecer a razão.

Mas como?

Por meio do vinho ou das bebidas fortes, aconselha o poeta.

'O vinho destrói as nossas preocupações inúteis e nos concede a anulação perfeita.'
Com mais e maior razão o homem do século XXI, angustiado, sem fé ou esperança, entrega-se cada vez mais ao consumo da 'droga', isto é, da canabis, da cocaína, do craque, etc, etc, etc Havendo ainda quem cheire perfume, cola... Quem seja viciado em morfina...

Justamente com o objetivo de apagar a razão e fugir a uma realidade indesejável.

Aquele que convenceu-se de que a realidade externa a si é má ou indesejável e impossível de ser alterada só resta o suicídio ou a droga.

Embora possamos definir o termo droga em sentido lato, atribuindo-o a qualquer prazer extremo, que vicie este homem, e ao menos por alguns instantes o torne feliz.

Eis porque Khayyam aludia frequentemente ao orgasmo, ao sexo ou as carícia da mulher, como outra forma possível de fuga, face a realidade maléfica que nos envolve.

Vivesse hoje, talvez adicionasse o consumo ou a aquisição compulsiva de quaisquer coisas.

Vazio de si e aniquilado por dentro este homem tem de colocar a felicidade em qualquer coisa fora de si. Assim nos prazeres sensíveis, ainda que provisórios. Assim antes de tudo no vinho ou na droga e em seguida no sexo... ou mesmo no consumismo hodierno.

Impossibilitado de refletir ou de mergulhar na contemplação racional do universo, sempre falaciosa; mergulha este nosso homem na taça de licor, na seringa, na fricção dos órgãos sexuais ou na aquisição sucessiva de parafernália inútil... Jamais abandonado este roteiro. Ficando restrita sua existência a tais 'experiências ' arrebatadoras e intensas; ao menos enquanto é bem sucedido e pode pagar por elas.

Nem preciso dizer o que acontece com este homem perturbado quando a frustração interna que o destrói por dentro, adicionamos a pobreza, a miséria, a doença e a dor.

Chegado a tais extremos da existência conforta-lo-a o ceticismo tal e qual a posse da verdade tem confortado seus filhos?

Temos suficientes indícios para duvidar sinceramente disto.

E postular que em situações de sofrimento externo, o nihilismo conduz o homem fatalmente ao suicídio.

No passado, preso a seu leito de dores ou obrigado a suportar toda uma vida de miséria, consolava-se aquele homem com a posse da verdade, ao menos da verdade Ética.

Hoje, no entanto, após ter se deixado dominar totalmente pela descrença absoluta, que consolo lhe resta quando faltam os prazeres sensíveis e a saúde principia a declinar?

Se juntamente com o pão material, o vigor e a saúde, é negado a este homem o pão intelectual da verdade que motivações terra para prender-se a existência?

No momento em que concluir que neste plano as experiências de dor e desconforto são mais comuns do que as situações de prazer e alegria, que o fará suportar o tédio provocado pela frustração e a incapacidade?

Direi apenas que a falta de condições materiais o ceticismo não nos acrescenta nada. Potencializa, amplia e aprofunda nossa sensação de impotência. Caso não seja compensado pelo alcool, pela droga, pelo sexo ou pela ostentação de quinquilharias, o ceticismo nos desampara por completo.

Pois este homem pobre ou doente já não pode mergulhar em si mesmo em busca ou a cata de qualquer coisa. Uma vez que seu espírito é raso...

Carecendo de insumos materiais necessários a uma vida confortável e feliz, o ceticismo não nos concede qualquer espécie de equivalente espiritual.

Sem dinheiro ou melhor sem tudo quanto o dinheiro pode comprar: Vinhos, drogas, sexo, carros, jóias, etc nada resta ao cético. Absolutamente nada!

Portanto como admirar-nos de que a adesão ao ceticismo, extermine todas as esperanças acalentadas pelos mais humildes, e conduza-os a destruição de si mesmos???

Para os ricos ou remediados, ao menos por algum tempo, pode o ceticismo ser interessante, digo suportável...

No entanto que vantagem oferece ao homem comum?

Na medida em que nada espera, o cético pobre ou enfermo, desesperando de tudo, acaba, em não poucas situações, atentando contra a farsa ou tragicomédia da vida...







quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O acúmulo de bens materiais a luz da Filosofia antiga

Cuidam os liberais estúpidos que a primeira objeção contra o acumulo de bens materiais tenha partido dos Comunistas ou de seu patriarca Karl Marx.

Nem pode a mediocridade ou melhor nulidade liberal fugir ao vezo de tudo atribuir aos tais comunistas, Marx, Engels, Lênin, etc

De minha parte ja era socialista convicto, bem antes de ter ouvido falar pela primeira vez em tais nomes pelo simples fato de ter encontrado nas páginas do Evangelho os seguintes mandamentos:

  • NÃO JUNTEIS tesouros neste mundo onde a traça e a ferrugem devoram os elementos, mais forcejai por juntar um tesouro incorruptível no mundo celestial.
  • NÃO PODEIS ADORAR A DEUS E AO DINHEIRO.
  • É MAIS FACIL UMA CORDA PASSAR PELO FUNDO DE UMA AGULHA DO QUE UM RICO ENTRAR NO REINO DOS CÉUS.

E como ex protestante eu já estava imunizado contra o vício do livre examinismo que consiste em atribuir as palavras de Cristo, sentido diverso ou mesmo oposto, ao que lhe é próprio e de distorcer sua mensagem.

Diante disto também não me deixei enganar facilmente pelo livre exame exercido pelo clero papista, apenas mais sutil, por estribar-se em 'tradições' eclesiásticas forjadas durante a Idade Média por clérigos de idoneidade suspeita.

No entanto a igrejas romana prestou-me imenso serviço por ter colocado em minhas mãos as tradições genuínas dos padres antigos, cujas raízes tocam a mais remota antiguidade. Refiro-me a publicação da ed Paulinas  'Por que a igreja crítica os ricos', que consiste numa coletânea de passagens tomadas as obras dos antigos elderes da igreja, sobre a riqueza, a pobreza, a justiça, etc

Este contato com a genuína tradição e alma do Catolicismo foi que consolidou para sempre minha orientação social em torno dos ideais justicionistas.

Foi da tradição da Igreja Católica, de deus evangelhos, de seus Bispos e de seus escolásticos que recebi o espírito anti economicista ou anti liberal a que tenho permanecido fiel até o tempo presente. Moço novo eu nada sabia sobre Marx, Engels, Kautsky, Plekanov, Lênin, etc Alemães e russos eram até então um mistério para mim e minha mente encontrava-se firme presa a Jerusalém, Damasco, Antioquia e Alexandria. Eram Newman, Montabembert, Pressensé, que eu lia...

No entanto como o Cristianismo, no dizer que Orígenes e outros,  fora direcionado as massas grosseiras e incultas, julguei ser necessário completar, alargar, aprofundar minha formação.

A quem me dirigi?

Aos comunistas??? A Nietzsche, Stirner, Rand, Heidegger, Delleuze, Derrida, Foucault, Sartre e demais profetas da modernidade?

Sou eternamente grato a igreja romana e ao padrão Católico por ter-me guiado a Atenas e me matriculado na Escola de Sócrates.

Jesus conduziu-me a Sócrates. (consequentemente a Platão e a Aristóteles) Assim pude aprofundar minha formação Ética, contemplando minha condição de ser racional.

E lá também topei com a mesma condenação ao acúmulo desmedido de coisas materiais.

Adquiridos em prejuízo da educação filosófica.

Desde então pude observar que o frade mendicante da Idade Média, fustigado sem misericórdia pela látego da Burguesia ascendente e pela nova religião protestante, limitava-se a reproduzir as denuncias levantadas pelos ANTIGOS CÍNICOS face a uma sociedade cada vez mais seduzida pelo brilho das falsas riquezas. Todas as críticas e escárnios empregados pelos 'neo' humanistas e protestantes contra os frades não passavam de reedição das velhas críticas que os hedonistas e materialistas da antiguidade haviam lançado contra Diógenes, Crates e toda escola.

Então, ainda mais uma vez, somos levados a enfiar o dedo dentro da ferida...

Não se importando com o sangue e o pus...

E como extremo sempre produz extremo... nada mais natural que o mundo do luxo e do supérfluo produzir um mundo paralelo de miséria. O qual tornando milhões de homens e mulheres prisioneiros de suas necessidades básicas impede-os por assim dizer que cultivar o estudo da Filosofia ou de buscar a verdadeira religião... oprimidos e esmagados pelas exigências da materialidade e da vitalidade nem se pode negar quão pouca seja a liberdade de tais criaturas. E quão longe achem-se do bem, da verdade e da beleza...

Nem podemos nós buscar qualquer valor ou benefício numa miséria que lhes é dada ou melhor imposta pelo sistema e a qual não podem fugir facilmente. Antes devemos encarar este tipo de miséria dada ou imposta como verdadeiro crime.

Todavia há também neste cenário um tipo de miséria CRÍTICA ou virtuosa livremente adotada por pessoas sensíveis e solidárias: assim o cínico dos tempos antigos, assim os monges do Catolicismo... os quais até mesmo da vida sóbria e moderada abrem mão com o objetivo de cultivar apenas e tão somente a sabedoria, apontando a uma sociedade enferma quais sejam os verdadeiros objetivos da existência humana. Consideram-se o cínico e o monge verdadeiramente livres e desimpedidos na mesma medida em que não se deixam afetar pela aspereza, o frio, o calor, a fome, a sede, os apetites, os desejos e a vontade e sempre podem tomar as atitudes que melhor convém no momento.

Por estarem tais pessoas afeitas de certo modo a dor, ao incomodo e a morte e consequentemente privadas do temor da morte, podem sustentar sem maiores receios a nobre e excelente causa da justiça ou porém-se a serviço do bem e da verdade sem temer as represálias com que os tiranos costumam punir aqueles que ousam resistir-lhes, a saber a privação, a tortura e a morte... Eis porque os déspotas e senhores sempre temeram acima de tudo ao Filósofo e ao Monge; as únicas categorias de pessoas capazes de resistir-lhes por terem superado o temor do sofrimento e o medo da morte.

Nem se pode negar que tal gênero de pessoas: que nada receiem da dor e da morte sejam capazes de falar livremente, declarando face aos poderes deste mundo quais sejam seus pensamentos e de se opor a qualquer ordem ou mandamento que não seja justo!

Antes de tudo é escravo o proletário ou trabalhador porque tendo constituído família - as vezes por imposição da própria sociedade - deve suprir as necessidades básicas da esposa e dos filhos e nem pode pensar em deixar de faze-lo, seja quais forem as condições. Assim a esposa e os filhos são como elos de uma cadeia que tornam-no dependente do sistema, e do sistema que o oprime não pode desligar-se por causa deles! Agora outra é a situação daquele que tendo triunfado dos apetites sexuais e subjugado-os ao talante da vontade, a ninguém quis ligar-se e a ninguém gerou. Agora por estar só é livre para fazer aquilo que julga ser necessário...

Imensamente mais grave e triste é a situação daquele cuja família assumiu uma mentalidade burguesa em torno das necessidades artificiais impostas pelo consumismo.

Este cobiça um carro novo por ano, sua esposa por uma nova cozinha por ano, o filho por um computador novo por ano e a filha por um celular de ultima geração... ali até o cachorro e o gato são servidores do deus Mercado. Agora como um homem destes ou uma mulher destas haverão de ser dependentes de um determinado salário ou escravos do trabalho???

Creem ser livres e felizes mas perdem o contato um com o outro e com os próprios filhos. Infeliz desta família contemporânea que só se encontra pela noite para dormir pesadamente ou nos fins de semana e feriados! Nem vejo que vantagem há em ter família apenas para os fins de semanas ou feriados!!! O trabalho aqui fica com a maior parte do tempo, em razão das despesas ou dos gastos, com o supérfluo e artificial e não com o necessário ou fundamental... Quantas pessoas endividadas e escravizadas passam a maior parte do tempo distante de seus filhos!!!???!!!

Que liberdade é esta?

Permitam-me questionar este tipo de felicidade esquisita,  na esteira alias dos antigos cínicos.

Parte de vocês vivem falando a respeito da família e exaltando-a até os céus, para... sacrifica-la as exigências do trabalho, do econômico, do mercado!

Sim, em nome de gastos inúteis, em nome do supérfluo e do luxuoso, alienam suas liberdades e exilam seus pobres filhos em creches, escolas ou sei lá mais o que, acreditando ou fingido crer que tal gênero de vida lhes faça bem. Mas não faz, pois o que os filhos desejam antes de tudo é a presença ou a companhia de seus pais!

Filhos não querem babás, professores, tranqueiras, etc precisam acima de tudo dos pais!

Mas os pais nunca estão, pois sempre estão trabalhando para pagar dívidas ou honrar despesas.

Neste caso trabalham para que? Para o bem estar de seus filhos??? Não, mas para o bem estar das empresas, do mercado, da economia... Pois esta mania de adquirir o que não é necessário beneficia apenas o econômico... Ficando a família, o cônjuge e os filhos a ver navios...

E não havendo contanto, morre o afeto e desfazem-se as famílias...

Tudo graças a que?

As exigências do trabalho, a jornada de trabalho, as imposições do mercado, aos gastos, as despesas; enfim a este consumismo acrítico que leva famílias inteiras a adquirir um montão de coisas de que não precisam.

Agora levassem nossas famílias um regime de vida mais sóbrio, crítico, equilibrado e são; quais seriam os efeitos concretos deste regime de vida?

Menos gastos, menos dívidas, menos dependência, menos escravidão e consequentemente mais liberdade, mais autonomia, mais tempo para passar com o cônjuge e os filhos alimentando os laços do afeto e cultivando a verdadeira intimidade.

Não se trata aqui do pai ou mesmo da mãe não trabalharem.

Trabalhar é necessário.

Trata-se apenas de não ser mais um prisioneiro ou refém do trabalho.

Em tempos de Dilma posso até aconselhar as famílias a gastar menos para fazer uma reserva ou poupança tendo em vista o futuro. Para que não se tornem reféns, escravos, bonecos nas mãos de seus patrões; ousando falar com eles livremente e e revindicar seus direitos: suas férias, a recusa de fazer hora extra, o descanso dominical; enfim tudo quanto possa redundar num contato maior com a família.

É necessário colocar as necessidades da família acima das necessidades do trabalho. Para tanto porém faz-se mister romper com o padrão do consumismo acritico, com o fetiche TER, com a mania de comprar coisas mais caras ou desnecessárias. Claro que jamais se poderá fruir do mesmo nível de liberdade que um cinico ou um monge; mas sempre será possível ampliar a esfera da própria liberdade. destruindo os laços artificiais de dependência.

Se o filósofo e o monge são capazes de viver em estado de necessidade ou carência voluntária não seremos nós capazes de contar nosso consumo passando a viver sobriamente?

Especialmente se sabemos que este novo regime de vida nos faria mais livres.

Menos dependentes do salário, do emprego e do mercado; aos quais oferecemos a maior parte de nosso tempo e boa parte de nossas vidas.

Possibilitando uma redistribuição do tempo e um contato mais próximo com a família, instituição que tanto encarecemos com palavras mas que não valorizamos verdadeiramente, subordinando a outro tipo de relação.

Então eu acredito que devemos por diante de nossas vistas o exemplo daqueles homens e mulheres que esforçaram-se por quebrar todos os laços artificiais e impostos para viver uma vida mais natural e livre. 

Não nos enganemos... não é possível servir bem ao dinheiro e a família, um aqui ficará mal servido.

Nossas famílias estão muito mal servidas justamente porque são servidoras do dinheiro.

Não é o dinheiro que tem servido as famílias.

Famílias é que tem sido alienadas pelo poder do dinheiro, por falsas necessidades econômicas, por exigências inumanas de um mercado... famílias é que tem sido desestruturadas e destruídas pela mística do consumismo, pelo endividamento, pelos gastos e pela nova escravidão!

Como Marx disse e com razão absoluta disse: Os comunistas não precisaram bradar contra a família tradicional, encontraram esta instituição completamente arruinada pelo liberalismo econômico e suas exigências.

Muito antes que o sociólogo barbudinho tivesse registrado as palavras acima a gente do campo e os padres romanos ja haviam publicado este diagnóstico e proclamado a incompatibilidade entre a organização tradicional da família e a ordem urbana ditada pelo capitalismo!!!

Não foi o comunismo que atrelou nossas famílias ao carro triunfal do deus mercado, foi o capitalismo. Este sistema é que separou Pai, Mãe e Filhos enfiando cada qual numa fábrica ou setor diferente da mesma fábrica! Foi o capitalismo que drenou-lhes as forças, comprometeu-lhes a saúde,  que barbarizou-lhes o caráter, obscureceu-lhes a razão... este sistema é que retirou-os do lar, alienou-os a natureza, contaminou-lhes o ambiente e exilou-os num mundo artificial de feiura controlado pelos ponteiros de um relógio.

Separou a família do ambiente, separou os trabalhadores da corporação, os familiares do lar, etc tudo fragmentou, isolou e dividiu para poder com mais facilidade dominar.

Não sou e jamais serei contra o trabalho da mulher.

No entanto se em tempos passados um só é que trabalhava para sustentar a todos, porque raios hoje, os dois não podem trabalhar menos e permanecer cada um certo tempo em casa junto dos filhos?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Comunismo, Capitalismo, Protestantismo - A eterna miséria dos liberais...

Sucessivamente somos acusados de fazer vista grossa ao comunismo...

Quem lê nossos artigos sabe que esta acusação é de todo aleivosa e injusta.

Por inúmeras vezes alistamos Comunismo, Fascismo e Nazismo entre as culturas de morte produzidas pela profanidade moderna e alimentadas pelo materialismo. E já definimos tais sistemas como religiões secularizadas a exemplo do Capitalismo.

Outra coisa é concentrar todas as acusações em torno do Comunismo, como os comunistofobos; eximindo o Capitalismo, o Protestantismo, o Nazismo, o Fascismo...

Comunistofobos não somos que isto é coisa de liberais agoniados e não somos liberais (no plano da economia) ou capitalistas.

Evidentemente que nos opomos ao comunismo e pelo simples fato de ser materialista como seu 'genitor' o capitalismo. Também por ser totalitário, moralmente relativista, etc

No entanto matriculados na escola de Aristóteles aprendemos que os males devem ser atacados em suas causas, fontes ou raízes. E por isso atacamos prioritariamente o Capitalismo, a que o Comunismo não passa de reação até certo ponto justa... o comunismo apesar de seus vícios tem sentido. O Capitalismo não...

E para além do Capitalismo folgamos por inserir-se no plano religioso e atacar antes de tudo o Protestantismo, em que vemos a causa primária de todos estes males infindáveis a que chamamos crise, na medida em que pretendeu demolir o Cristianismo antigo e jamais mostrou-se socialmente apto ou capaz para suster - como reconheceu Weber na 'Ética...' - os fundamentos do humanismo.

Foi da falência do neo Cristianismo ou do protestantismo que resultou o obscurecimento do humanismo e a afirmação do materialismo economicista, a que o protestantismo falido ainda prestou adjutório.

Nem nos detemos em tecer filípicas contra o comunismo, o fascismo ou o nazismo por terem tais sistemas entrado em declínio... assim nossas críticas são quase sempre episódicas e de caráter genérico. Mas estamos de atalaia...

A mistica do capital no entanto tem se mostrado inabalável e conquistado multidões...

Reacionários cremos que o único poder capaz de aniquila-la é o humanismo embasado no Cristianismo antigo ou nos Catolicismos, cuja restauração apoiamos. Não o lixo do neo catolicismo, já mancomunado com o liberalismo a um bom tempo... mas o Catolicismo integral e consciente de sua função social enquanto esteio do Bem Comum.

Catolicismo que seja Vida e incorpore zelosamente a doutrina social da Igreja, inspirada na tradição Ortodoxa e inconciliável com o dogma liberal da ilimitação ou da auto regulação do Mercado.

Só o Catolicismo cremos nós será capaz de por ou melhor de repor todas as coisas a serviço do homem derribando o deus mercado de seu pedestal e criando uma nova ordem de coisas pautada em princípios e valores estabilizados.

Neste sentido devemos principiar criticando as instituições que por afinidade eletiva estão relacionadas com o mundo do capital, fornecendo-lhe necessário suporte cultural ou ideológico; e já sabemos que a primeira delas é o protestantismo, especialmente as seitas da prosperidade. as quais assimilaram já os objetivos do sistema convertendo-se em empresas com fins precipuamente lucrativos.

Isto a ponto dos fiéis já poderem pagar seus dízimos ou comprar as novas indulgências com cartão de débito.

Aqui de fato a religiosidade ocidental chegou a fundo do poço convertendo-se em algo bem pior do que ópio... é uma espécie de craque espiritual.

Em segundo lugar direcionamos nossas críticas ao materialismo economicista liberal pelo simples fato de ter se mostrado mais resistente do que as demais vertentes da cultura de morte quais sejam nazismo, fascismo e comunismo.

As demais vertentes ideológicas ao menos em parte tombaram no descrédito.

A ilusão do Capital permanece vive e florescente.

Eliminado o Capitalismo, o Comunismo perderia sua razão de ser.

Como a luta ou conflito entre capitalismo e comunismo pode ser interpretada como uma luta entre o individualismo e o coletivismo, ao humanismo convém não tomar parte nela.

O humanismo é pela pessoa, não pelo indivíduo isolado e menos ainda pela massificação...

Não nos alinhamos, mantemos a independência, somos pelo primado do espírito.

Estamos firmemente persuadidos de que a única força capaz de enjaular ou encadear o espectro do economicismo é o Reino do espírito cujo fim é o primado do Ser.

Desesperamos assim tanto da solução comunista, que nos parece artificial; quanto da manutenção do sistema vigente, responsável pela contaminação e destruição do planeta.

O Capitalismo precisa ser revisto e ao menos quanto a seu éthos destruído, ou nos destruirá a todos.

Vivemos num sistema fechado e estável face ao qual as pretensões da ilimitação são para lá de absurdas. Propor a exploração dos recursos naturais em máximo grau e sancionar o acumulo infinito de riquezas por milhares ou milhões de indivíduos toca mesmo as raias da loucura, loucura porque haveremos de pagar demasiado caro.

Sistemas fechados e estáveis dependem de limitação, controle e planificação racional em termos de necessidades humanas reais como alimento, roupa, habitação, educação e saúde. O consumo irracional do supérfluo será revisto ou comprometerá o equilíbrio do ecúmeno. A mãe natureza, que é mãe comum de todos nós, implora por moderação, mas... o capitalismo permanece completamente surdo!

Em meio as ondas tempestuosas deste mar imenso em que nos lançou o materialismo crasso precisamos mais do que nunca duma tabua de salvação e esta tabua só nos pode ser concedida pelo verdadeiro Evangelho, fiel a esta lei: Não acumularas tesouros na terra... não podeis servir a Deus e as riquezas... é mais facil uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus!

Precisamos romper com o reino do capital. Precisamos rever urgentemente a cultura do consumo. Precisamos contestar as pretensões do Mercado! Precisamos romper com a tradição humana do liberalismo crasso e tornar a tradição divina dos padres da Igreja, do Catolicismo, da Ortodoxia! Precisamos viver sobriamente, renunciando ao que é supérfluo, valorizar as pequenas coisas, contemplar a natureza, partilhar os bens, auxiliar os que precisam... Precisamos ser menos 'economistas' e mais humanos!

Há dois mil e quinhentos anos após ter dado uma voltinha pelo mercado de Atenas, Sócrates suspirou desconsolado: Eis de quantas coisas o homem não precisa!

Que diria o grande pensador caso pudesse ter contemplado o feitiço das marcas, que não passam de nomes??? Gente há que vive sem automovel próprio, celular, tablet, Whatsap, etc E NÃO MORRE. NÃO MORRE NÃO...

Ninguém jamais morreu por mingua de tablet ou falta de whatsap! Morre-se sim por falta de comida, de medicamentos, de água limpa... por falta disto se morre, mas não por falta de bugigangas ou tralhas!

Faço questão de viver sem celular como meu pai e meu avô... e aqui estou vivinho da silva. E nem por falta de telefone fixo ou lâmpada elétrica haveria se sucumbir.

Há coisa mais importante!

Tem gente a que ainda falta o necessário.

Por que então nos prendemos ao supérfluo?

Porque alguém ou melhor, alguns; alguns privilegiados, disto vivem e facilmente vivem!

A cultura do supérfluo ou do consumo acrítico, ditado pela moda, existe apenas em função do capital, para 'entreter' o mercado. Daí este novo Calendário profano que substituiu o Calendário eclesiástico enfatizar a necessidade de comprar e dar presentes... tudo com o intuito de aquecer o tal mercado!

Para assegurar a oferta de trabalho?

É o que comumente se diz!

Para assegurar o lucro dos patrões, é o que não se diz...

No entanto as massas humanas precisam ganhar a vida, precisam trabalhar.

De fato por falta de controle racional ou em função da miséria temos um mercado de reserva gigantesco... importa saber por que e para que???

Melhor seria que não houvessem tantos seres humanos.

Mas será que seria mesmo melhor para todos nós ou será que há setores da sociedade que tiram proveito ou benefício da densidade populacional???

Quanto mais raciocinamos e refletimos nos damos conta de que as necessidades econômicas ditadas pelo tal mercado tudo contaminam e comprometem, até nada restar de são!

Agora não poderia este homem ser o que é, um consumidor acrítico, se não fosse um indigente espiritual. Tanto mais acumula tralhas, objetos e coisas materiais quanto é insensível face aos bens imateriais e imperecíveis. Tanto mais compra, adquire e junta quão grosseiro e cego é...

É justamente do éthos materialista que o Mercado tira suas maiores vantagens.

Voltemos os olhos deste homem para o reino do Espírito e veremos que ao consumo sucede a partilha.

Partilhar, eis uma tônica, que se levada a sério poderia travar o mercado, pois corresponderia a uma greve de consumo.

Tendo suas fontes ligadas novamente ao sagrado e restauradas, e equilibradas; tornar-se-iam os homens mais sóbrios, mais temperantes e mais solidários. Eis uma Revolução interna, íntima e existencial cujo impacto social seria estrondoso.

Penso que o Capitalismo esteja cônscio disto... e que talvez por isto continue denegrindo ao máximo os Catolicismos. Da mesma maneira que o Comunismo, os Catolicismos jamais foram poupados por essa crítica hipócrita financiada pelo poder do Capital... que isto corresponda a um propósito e a um propósito sinistro não tenho dúvidas.

Se alinhar-nos com o comunismo, devolvemos dia após dia os amáveis 'presentes' com que o liberalismo canalha nos mimoseia!

E reafirmamos que inexista maior adversário das verdadeiras liberdades do que o próprio liberal...


"Liberdade, liberdade; não passas para mim de um nome, quantos e quantos crimes são perpetrados em teu nome!" Mme Roland





domingo, 8 de fevereiro de 2015

Uma aula de filosofia no Shopping Center






O protagonista de nossa história será um professor de história e de filosofia, mas antes de começar a narração quero descrevê-lo para o(a) leitor(a) que não o conhece.

Nosso protagonista tem 1,70 m. de altura, é ligeiramente obeso, tem ascendência europeia direta, o pai era português, muito parecido com um mouro, e, o filho saiu a cara do pai cuspido e escarrado, não, não usemos esta expressão pois ela está errada, esta expressão sofreu uma deturpação por pessoas que tinham pouca cultura, a verdadeira expressão é: saiu a cara do pai esculpido em carrara (mármore carrara), os ouvintes desta expressão ou porque não ouviam bem ou porque tiveram educação deficitária transformaram o dito numa outra coisa que não faz o menor sentido. Perdoem-me a digressão e voltemos ao nosso protagonista, como eu havia dito, ele é ligeiramente obeso, tem 1,70 m. de altura a pele bronzeada, cabelos negros e compridos, um cavanhaque igualmente negro e um bigode semelhante ao de Nietzsche que ele tanto odeia, odeia Nietzsche e não o próprio bigode. Seu nariz é pequeno e fino num rosto enorme, rosto oval, com olhos grandes, negros e faiscantes, seu lábio inferior é carnudo, o que faria a alegria de muitas mulheres, daquelas que adoram lábios carnudos. O personagem em questão é uma figura exótica, sim exótica. Ele veste bermudas floridas, bem ao estilos dos surfistas, calça sapatos mocassins e veste camisas sociais e anda com uma pequena bolsa à tiracolo onde carrega sempre um ou dois livros, bolsa jeans, velha e desbotada, que recorda aquelas bolsas que as crianças da antiga pré-escola carregavam. Nessa bolsa ele amarra um lenço que pode ter mil e uma utilidades. Ele sempre anda com um boné inglês ou outro chapéu estranho. É uma figura que se destaca entre aqueles que vestem-se de forma uniforme e seguem as tendências da época, poderia dizer que ele é um ser atemporal, mas não posso porque assim como nós, ele é mortal.

A história que narrarei a seguir poderia ser um conto, mas não é, não é um conto, não é uma ficção, é um fato ou melhor foi um fato presenciado por umas 50 ou 60 pessoas, salvo engano.

Era uma noite quente mas não tão quente que fosse sufocante, estava um calor agradável para sair, para passear. Céu limpo, sem nuvens, portanto sem ameaça de chuvas torrenciais tão comum ao período.

Então, o nosso protagonista, que é meu irmão de consideração convidou-me para comermos algo bom na praia, as palavras que despertaram meu interesse foram: "eu pago". Incontinenti, larguei tudo o que fazia e fui, pois já estava de banho tomado e com roupas trocadas e fomos.

Pedi que antes de chegarmos à praia passássemos no Shopping Brisamar para ver o que estava passando no cinema. Ao chegar naquele lugar havia ali alguns bate-estacas, seguranças em seus ternos pretos e a maioria deles, parda e negra, barrando a entrada adolescentes de periferia, não por causa do rolezinho, mas porque não tem dinheiro para consumir e Shopping não é lugar para passeio mas para consumir e pobre ou consome muito pouco ou não consome nada.

Vi um jovem de 14 ou 15 anos mirrado, com camisa pólo desgastada, calça jeans e que calçava um tênis de marca não sei se era ou não original e ele foi barrado por um segurança, o Domingos Pardal Braz, este é o nome do nosso protagonista, logo se revoltou e tomou as dores do rapaz e disse:

- Por que ele não vai entrar? Por que você está proibindo a entrada dele?

- Senhor - disse o segurança - não se intromete, ele sabe o que fez.

- Vocês não deixam ele e outros como ele entrarem porque são pobres, porque são garotos da periferia.

- O senhor é o que dele? O senhor é alguma coisa dele?

- Eu sou professor, ele é meu aluno e ninguém vai impedi-lo de entrar, ele vai entrar comigo.

- Se ele aprontar qualquer coisa lá dentro o senhor será responsabilizado.

- Eu assumo a responsabilidade.

Ele abraçou o aluno, e triunfantemente entraram no shopping, o garoto não se continha de felicidade, ele não acreditava que o seu professor o defenderia dos brutamontes e nem que conseguiria adentrar no shopping. Já dentro do shopping o professor o alertou que não fizesse nada de errado. O shopping estava apinhado de jovens da periferia. Ele despediu-se do aluno e seguimos para o quarto piso e filmes bons, nada. Como não tinha nada interessante deixamos aquele lugar. Ao sair do shopping vimos muitos adolescentes pobres, alguns brancos mas a maioria parda e negra discutindo com os seguranças. Então o homem sanguíneo (assim o considero de acordo com a teoria dos 4 humores de Hipócrates), tomou a defesa desses meninos, e começou a bater boca com os seguranças sem ter medo deles e sem ter vergonha do povinho de classe média falida. E ele deu uma aula de filosofia e de sociologia que nunca dera na sala de aula, e essa foi sua melhor aula. Falou contra a discriminação e contra o preconceito racial e questionou porque jovens brancos com roupas novas e de marca original podiam entrar e os jovens de periferia não. Questionou a falta da justiça e da igualdade e sendo ofendido pelos seguranças ameaçou voltar e meter-lhes um processo. Ele causou um alvoroço, os jovens gostaram e comemoraram e dali fomos embora entre vaias e elogios.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Então é natal...







Mais um natal, em nada diferente dos anteriores pelos quais passei. Particularmente odeio o natal por alguns motivos:

1) Consumismo e alienação ao extremo;
2) Subversão da mensagem e dos valores;
3) Festa da família feliz;

Vamos analisar cada um dos motivos rapidamente.

1) Consumismo e alienação ao extremo: Tenho percebido que cada vez mais as festas de natal começam mais cedo, vi uma casa com enfeites de natal na segunda semana de novembro; O Natal é uma festa para se gastar sem controle.

2) Subversão da mensagem e valores: O natal deveria celebrar o nascimento de Jesus, ao menos para os cristãos. O nascimento de Jesus que afirmou ter vindo para evangelizar os pobres, libertar os cativos e curar os enfermos. (Lc 4,17-21)
O natal hoje é um natal hedonista, natal para ricos, felizes, bonitos e saudáveis. Jesus, penso eu, não deve gostar de ser celebrado desse modo, como se ele tivesse vindo para os opulentos deste mundo, como se tivesse vindo para oprimir ainda mais os pobres. Jesus não é celebrado, mas sim a figura mítica e patética do papai noel. Aliás, as crianças conhecem mais o velho gordo do que o menino Jesus. O problema é que Jesus veio para os pobres e o papai noel veio para os ricos, sim para os ricos, é ele que ajuda a encher os cofres dos grandes comerciantes.

3) Festa da família feliz: Quantas e quantas famílias brigam e se odeiam o ano inteirinho, mas chega o natal, desculpam-se uns aos outros e confraternizam. Passadas as festas de fim de ano, começa tudo outra vez. O natal é uma ótima oportunidade para praticar a hipocrisia.

São esses motivos que me levam a sentir ojeriza por essa festa, que nada mais é do que a festa do consumismo e da hipocrisia. E como não sou nem consumista nem hipócrita...

A propósito eu celebro o natal sim, mas no dia 07 de janeiro. Aos cristãos sinceros que celebram o natal Feliz Natal. Aos que celebram por que tem que se celebrar, só lamento.