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domingo, 26 de novembro de 2023

Algumas reflexões sobre o Estado e a Economia: Por um Estado real e não fictício ou aparente.

Curiosa a oposição extremista entre marxistas ou comunistas e anarquistas. 

Pois para os primeiros o Estado, que nada é quando controlado pelos capitalistas, passa a tudo ser após a afirmação da ditadura do proletariado. E todavia jamais deixa de ser uma casca ou película controlada por forças econômicas. Pois esse Estado se torna tudo sempre por mediação do econômico, ao qual serve como meio ou instrumento. Inexiste qualquer possibilidade de autonomia para o poder político e o contrário disto seria idealismo ingênuo.

Outro o caso dos anarquistas, que jamais levam o Mercado ou os poderes econômicos a sério, tributando toda carga de opressão na conta do poder político ou do Estado.

Destarte buscam os primeiros, como já foi dito, servir-se do Estado com objetivos econômicos diversos... Sem perceber que se utilizam do poder político para controlar e submeter os poderes econômicos ou as forças de produção... Atribuída essa finalidade 'socialista' ou Comunista ao Estado, adquire ele um desígnio que o torna importante.

E desta visão procede uma rigorosa ou radical estatolatria, e totalitarismo, e ditadura, e tirania, e opressão... Tudo coberto com o pomposo termo de 'Ditadura do proletariado' a qual, para os pupilos de Marx e ovelhinhas de Lênin corresponde a um Dogma tão sacratíssimo como a Igreja para os Cristãos Católicos. 

Nem posso deixar de assinalar que alguns críticos atilados já assinalaram inclusive as semelhanças entre os órgãos de controle do PC na velha URSS e os órgãos de controle do Vaticano. Creio que foi o Dr Fulop Miler.

Outro o caso dos anarquistas, cujas propostas sociais jamais se concretizaram.

De minha parte creio que sairia pior, e bem pior, do que o 'paraíso' comunista essa ideia ultra ingênua de eliminar a organização política ou diminui-la até os limites de um micro Estado e deixar intacta a estrutura econômica ou manter o Mercado... Julgo que disto resultaria ditadura mil vezes pior do que as ditaduras comunistas, nazistas e fascistas, inda que hipocritamente dissimulada.

Nem é por mero acaso que os ultra capitalistas tenham assumido essa pauta sob a legenda ANCAP, prova de que ninguém deseja mais a total demolição do poder político ou do Estado - Que muitas vezes o serviu tão bem, MAS NEM SEMPRE... - do que os detentores do poder econômico e apóstolos do liberalismo economicista em máximo grau.

Convém alias, expor aos comunistas, que os mesmos senhores do capital, receiam não pouco da Religião, ou melhor, do Cristianismo histórico ou antigo, do contrário seus ancestrais não teriam o teriam sabotado, por meio da reforma protestante, com o objetivo de instaurar essa nova ordem economicista. Foi necessário satanizar o Cristianismo antigo, apostólico ou autêntico, semear boa dose de ceticismo, fragilizar a igreja velha, etc com o objetivo de engendrar a incredulidade e a partir dela esse novo mundo materialista. Foi por meio do protestantismo que o Cristianismo tornou-se completamente dócil e servil face aos poderes econômicos ou ao mercado em formação.

Desde então o Capitalismo ou liberalismo econômico tem buscado por todos os meios favorecer ou facilitar o protestantismo e atacar com não menos sanha as igrejas anglicana, romana e Ortodoxa, devido ao sentido espiritual de insubmissão ou de rebelião que anima algumas de suas parcelas e súditos. O protestantismo, quase como um todo, colabora ou coopera, os 'catolicismos' jamais inspiraram confiança ao Mercado. Portanto a ideia de combater a religião ou certas formas religiosas não é prioridade do comunismo ou invenção sua. Apenas o liberalismo econômico sabia o que devia ser atacado ou o que temer.

E aos anarquistas convém expor que nem sempre o Estado foi dominado pelo capital ou por poderes econômicos, e que em algumas circunstâncias se lhe opôs, apenas para ser esmagado ou triturado, mas se lhe opôs - Com Laud, com Robespierre, com Vargas, com Peron, sob a ideologia de Keynes ou do bem estar social em alguns países do Norte da Europa, na Inglaterra fabianista que por um tempo enjaulou a besta, etc De modo que tampouco o Estado foi sempre dócil ou servil face a tal ordem como supõem o mito anarquista. 

Outro o caso do tempo presente, após o consenso do Washington e a cruzada neo liberal, no qual o poder econômico parece disposto a recobrar um controle total sob a fórmula de um Estado mínimo, policial ou de enfeite. Porém o que foi desalojado no passado poderá ser desaloja-lo em qualquer tempo futuro. Desde que se ressuscitem e alimentem umas velhas ideologias (Antes de tudo a do Direito natural ou jusnaturalismo.)... O que foi feito antes sempre poderá ser feito novamente depois - Desesconomizar o Estado ou opo-lo a nova religião do Mercado, É PERFEITAMENTE EXEQUÍVEL.


O PAPEL DO JUSNATURALISMO E DO TEÍSMO NATURALISTA.


Não basta termos um Estado politicamente liberal ou formalmente democrático.

Precisamos ter um Estado Ético, voltado para os direitos fundamentais da pessoa humana.

Por isso é que se faz premente afirmar tais direitos como naturais e inalienáveis e não como conjecturais ou relativos a qualquer pacto social de natureza positiva. Os direitos humanos devem transcender a qualquer pacto ou decreto de natureza política para que adquiram essencialidade e perenidade.

Pois tudo quanto, sob o termo de convenção, possa ser atribuído a lei positiva ou ao poder político por ele pode ser revogado. Apenas a lei natural pode servir como fundamento inamovível a nossos direitos e garantias.
Por isso o mesmo poder que estimula o fundamentalismo religioso e sectário - Devido a seu sinistro discurso (Sobrenatural!) em torno da submissão acrítica e passiva. - não se sente molestado de forma alguma pelos discurso ateísta (Exceto pelo comunista, o qual vai muito além do puro e simples ateísmo, a que alias é irredutível.). Dado que a partindo do ateísmo é impossível fundamentar uma lei ou uma ordem natural e imutável expressa por direitos humanos inalienáveis. De fato a ausência de um Legislador supremo desampara qualquer humanismo, por tudo relativizar e atribuir a lei positiva ou a pactos sociais.
Alguns nichos religiosos não fundamentalistas existentes nas igrejas anglicana, romana e Ortodoxa, no espiritismo e em algumas outras expressões religiosas (Radicalmente comprometidas com os direitos humanos e com a justiça social.) incomodam muito mais os poderes econômicos e políticos do que esse ateísmo por vezes neutro ou esquivo as causas sociais.

Isto porque aquelas expressões religiosas possuem doutrinas sociais, atribuídas aos céus e infensas a manobra capitalista, coisa que a maior parte da corrente ateísta, a exceção do complexo e desacreditado Comunismo, jamais nos ofereceu. Por isso encaro esse ateísmo metafisicamente virulento e socialmente vazio como absolutamente irrelevante e prefiro um papista que reza o terço ou um espírita embiocado que se identificam com o trabalhador ou com um cidadão oprimido, a um desses chateus... Parte dos quais (Refiro-me aos chateus.) inclusive mantém a mentalidade - Favorável ao mercado e ao americanismo. - incutida pelas 'emprejas' protestantes. Pois uma coisa é assumir uma senha qualquer e outra totalmente diversa questionar uma cultura ou romper com ela > E eu, como ex protestante, não precisei negar levianamente a existência de um Ser Supremo ou me tornar ateu, para abandonar aquelas visões de morte e tornar-me humanista e trabalhista.
Parece-me que o capitalismo teme e receia muito mais dessas velhas ideias e tradições humanistas Socráticas ou Cristãs do que desses ateísmos todos, a exceção do comunismo. Daí a necessidade de controlar a impressa e as escolas com o objetivo de satanizar o Cristianismo antigo ou de elevar seus erros e crimes a uma dimensão colossal. Pois é esse Cristianismo antigo, mesmo quando desfigurado (Pelas igrejas romana e anglicana por exemplo.), veículo de ideias e propostas assentes pela Filosofia clássica com todo seu aparato crítico.

Aliás o ateísmo comunista me parece mais digno - E é o mais odiado, mas não por mim, que nada tenho de comunista! - que seus rivais justamente por se ter mostrado sensível face as gritantes injustiças cometidas pelo capitalismo e por se ter aliado ao operariado.
Os demais ateísmos me parecem tão alienados e cômodos quanto o protestantismo - O grande promotor e aliado do capitalismo... - que produziu-os.
Não acredito que por si mesmo o ateísmo signifique, pois acredito mais em ações que em doutrinas e se adiro a Sócrates e a Jesus Cristo é porque antes um aceitou beber cicuta enquanto outro aceitou ser pregado na cruz. Acredito no testemunho dos que se deixam matar (Não dos que matam!) ou dos mártires que podendo resistir, recusam-se a faze-lo por algum motivo sério. Jamais vi mártires que tenham dado seus vidas pelo não ser ou pelo ateísmo...


domingo, 15 de outubro de 2017

Entrevista com o 'inocente' útil, isto é com o pobre liberal

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Pobre liberal: A pobreza é fruto da vagabundagem. Pobre é pobre porque não quer trabalhar e viver decentemente de salário. Rico é rico porque trabalhou, porque se esforçou.
Outro: E você, é rico ou pobre?
Pobre liberal: Sou pobre...
Outro: Logo?
Pobre liberal: Quero dizer não sou rico nem pobre, ou seja, nem uma coisa nem outra.
Outro:????
Pobre liberal: Quero dizer que ainda estou trabalhando para enriquecer, afinal ainda sou jovem.
Outro: Excelente. E seu pai?
Pobre liberal: Meu pai o que?
Outro: Seu pai é rico ou pobre?
Pobre liberal: Pobre, claro.
Outro: Logo, vagabundo...
Pobre liberal: Não...
Outro: Veja, se seu pai trabalhou por vinte ou trinta anos, economizou e não enriqueceu quer que eu pense o que dele?
Pobre liberal: É que meu pai passou por certas dificuldades.
Outro: E os outros, os outros pobres vagabundos e os patrões vitoriosos acaso não passaram por dificuldades ou as dificuldades são apanágios exclusivos do seu pai?
Pobre liberal: Quando disse que todos os pobre são vagabundos não quis dizer todos os pobres.
Outro: Evidentemente que quis excluir sua família.
Pobre liberal:... Até concedo que existam alguns pobres esforçados que não chegam a lugar algum...
Outro: Pelo que vejo já chegamos a algum lugar...
Pobre liberal: A maioria no entanto é mesmo acomodada.
Outro: Acomodada?
Pobre liberal: Sim acomodada.
Outro: Acomodada como?
Pobre liberal: É sempre possível buscar um emprego melhor.
Outro: Com tanta gente desempregada formando esse enorme mercado de reserva o amigo é capaz de crer que alguém receberá ou recebe muito mais pelos mesmos serviços oferecidos?
Pobre liberal: Se você percebe que sua profissão não é rentável tem que mudar de profissão?
Outro: Como mudar de profissão se a aquisição de uma nova técnica exige aprendizado efetivo?
Pobre liberal: Sei lá, tornando a estudar ou fazendo um curso técnico.
Outro: Neste caso como poderá fazer economias tendo de pagar pelo curso em questão ou pelo material, além de ter de alimentar-se melhor para poder estudar e trabalhar ao mesmo tempo, gastar com passagem de ônibus, etc
Pobre liberal: Claro que enquanto estuda e trabalha não poderá economizar.
Outro: Neste caso economizará quando?
Pobre liberal: Quanto estiver formado e em posse de um emprego melhor.
Outro: Quando a maioria dos brasileiros e brasileiras costumam fazer algum curso já passaram os vinte.
Pobre liberal: E?
Outro: Significa que essa pessoa que terminou seu curso e conseguiu um empreguinho pouco melhor agora tem família para sustentar i é tem filhos, sem que no entanto tenha casa própria, tendo de pagar aluguel.
Pobre liberal: Se essas pessoas não tem condição de ter por que põem filho no mundo? Por que se casa? Por que abandona a casa dos pais e vai morar de aluguel?
Outro: Porque na maior parte das vezes nascem nessas condições e imitam seus pais, tal a força da cultura. Especialmente entre pessoas pouco ou mal escolarizadas. Certas situações sociais tendem a ser reproduzidas. Por isso muitas vezes essas pessoas já nascem em casas alugadas. Por outro lado, conforme a situação dos humildes em geral vai piorando de geração em geração a tendência é que em determinado contesto social apareça um número cada vez maior de conflitos. Quero dizer que os pais e responsáveis tendem a fugir cada vez mais a realidade vivida, a frustração e a falta de esperança recorrendo a bebida, a droga e a própria sexualidade. Com isto o número de filhos ou de crianças aumenta cada vez mais enquanto a condição delas vai se tornando cada vez mais precária. Um número cada vez maior de jovens e crianças tende a ficar exposto a situações de agressão. Disto decorre que o lar, ao invés de apresentar-se como ambiente acolhedor, apresente-se cada vez mais como um ambiente saturado de violência e portanto indesejável. Diante disto mal o jovem consegue um emprego surge a ideia de alugar um comodo, construir um barraco e juntar-se a alguém que esteja nas mesmas condições. Melhor do que ter de entregar todo dinheiro nas mãos de um pai ou de uma mãe violenta e ser agredido... A formação de um lar, por piores que sejam as condições, tende a insuflar alguma esperança naqueles corações, embora posteriormente tais esperanças se mostrem ilusórias, cedendo lugar a frustração, a angústia, a falta de perspectivas e a fuga por meio dos já citados vícios ou do fanatismo religioso. Renovando-se de geração em geração o mesmo ciclo. Não é questão romântica, de escolha, mas de condições dadas. Ninguém dá aquilo que não tem ou o que não recebeu.
Pobre liberal: E o papel da educação na vida dessas pessoas, acaso não existe Escola perto da casa delas?
Outro: Percebo que estudou.
Pobre liberal: Apesar de ter nascido pobre meus pais faziam questão de mandar-me a escola, de irem as reuniões, de olharem o boletim e até de fornecerem alguma explicação sobre as lições.
Outro: Percebo que não nasceu em comunidade de periferia ou na roça.
Pobre liberal: A bem da verdade nasci num bairro de classe média baixa ou quase de classe média baixa.
Outro: Tipo com água quentinha no chuveiro, cama arrumadinha...
Pobre liberal: Mas que vem isso ao caso?
Outro: Já pensou em como deve ser legal ir para a Escola de barriga vazia ou com o estomago apertado de fome?
Pobre liberal: Até onde sei a escola fornece merenda.
Outro: De fato em S Paulo temos umas bolachinhas de maizena e uns copinhos de suco de laranja...
O quanto basta para atrair um certo número de crianças pobres que lá vão merendar, raramente aprender, pelo simples fato de terem trabalhado em algum outro período do dia, de estarem desnutridas, de terem sido espancadas, de terem a afetividade inibida, etc
Pobre liberal: Melhor estarem na escola do que em casa né?
Outro: Sem dúvida, em tais condições a escola equivale a um refúgio face as mazelas da vida. O que não significa que aquelas crianças estejam em condições de aprender muita coisa, pelo simples fato de que o aprendizado depende de certas condições materiais, afetivas e psicológicas as quais já nos referimos.
Pobre liberal: Acaso os professores não estão ali para isso? Acaso não são pagos para isto?
Outro: Fossem suficientemente pagos não precisariam cumprir duas ou três jornadas para poderem sobreviver e certamente poderiam preparar e ministrar aulas muito melhores.
Pobre liberal: Se estão insatisfeitos com seus salários por que não mudam de profissão?
Outro: Não mudam porque não tem uma opção melhor, alias a bem da verdade os melhores professores não permanecem no serviço público estadual e isto já diz tudo, é um sistema retém intencionalmente os educadores menos competentes i é os que menos tempo tem para capacitar-se, sim pois os que teem menos tempo para capacitar-se e se destacam na profissão passam a outros sistemas de Ensino, nos quais inclusive contam com uma estrutura de apoio muito superior.
Caso o estado (S Paulo) quisesse manter os melhores professores e investir na qualidade do ensino remuneraria melhor os seus professores de modo a que não precisassem cumprir dupla ou tripla jornada, destarte poderiam capacitar-se como os demais e nem teríamos professores de segunda classe, mas temos, porque sendo mal remunerados precisam sobrecarregar-se.
Pobre liberal: Bobagem, quem quer ensinar ensina de qualquer jeito, independentemente das condições.
Outro: Somente uma pessoa que não compreende absolutamente nada em termos de ensino aprendizagem poderia dizer uma pérola destas. Não existe ensino feito no ar ou independentemente das condições sejam psicológicas, emocionais, intelectuais, econômicas ou materiais e isto pelo ensino aprendizagem ser um ato complexo em que entram todos estes fatores. Basta dizer que o ensino depende de determinadas técnicas, que estas técnicas dependem de determinados materiais e que estes determinados materiais, tendo custos, implicam investimento por parte daquele que gerencia a Educação. O professor faz sua parte na medida em que ama seus alunos e aspirar cumprir honestamente com sua função. Não é no entanto um taumaturgo ou seja não faz milagres, ficando sempre na dependência das condições naturais que são em parte materiais. Na falta de livros, giz, quadro de giz, retroprojetor, slide, vídeo, ônibus, etc ou na base do improviso, sua ação torna-se cada vez limitada, até tornar-se de todo improfícua. Quando ultrapassa-se o número de vinte alunos por turna e salas convertem-se em depósitos de jovens e crianças, digo que o ato de ensinar é intencionalmente obstruído. A escola privada, excepcionalmente, pode contar com profissionais de qualidade inferior, os quais no entanto sempre poderão produzir medianamente, devido ao apoio pessoal ou material oferecido a tais profissionais. A escola pública com os melhores profissionais e as melhores intenções ficará sempre atrás da escola privada caso não haja significativo investimento em termos de estrutura pessoal e técnica. É exatamente o que acontece. E tem uma razão de ser. Afinal a construção de uma Sociedade menos desigual começa com oportunidades ou chances iguais para todos. Todavia como falar em oportunidades iguais quando a qualidade do Ensino não é Igual???
Pobre liberal: Não compreendo essa Filosofia que consiste em aliviar as responsabilidades das pessoas de baixa renda, das crianças da periferia, dos professores públicos, etc e lança-la toda sobre as costas largas do Estado.
Outro: Uma vez que existe um Estado certamente não existe de enfeite, comportando determinada missão. Para tanto pagamos impostos e somos onerados por uma carga tributária que muito querem reduzir em benefício do patrão mas que sempre poderia ser mantida e revertida em benefício dos trabalhadores e da gente humilde por meio de investimentos nos setores da educação, saúde, habitação, lazer, segurança, etc a exemplo do que ocorre nos países do Norte da Europa, em especial na Escandinávia. Uma vez que lá os tributos revertem a população sob a forma de qualidade de vida por que não poderia acontecer o mesmo aqui? Certamente há pessoas, administradores inclusive, que não desejam que o estado cumpra com sua função social e de certo, e para que? Para que todos os serviços sejam assumidos pela iniciativa privada revertendo em favor do Mercado e endossando ainda mais a ordem liberal ou neo liberal.
Por outro lado não se trata aqui de aliviar a barra de quem quer que seja mas sim de considerar diversos fatores e fazer justiça. O amigo é que fundamentado num idealismo, vulgar, grosseiro e aberrante ou numa concepção romântica da existência, desconsidera tudo quando em termos de materialidade influência as ações humanas executadas no tempo e no espaço ou seja num universo material e corpóreo. Daí achar que a boa intenção tudo pode ou que a boa vontade tem poderes mágicos. São certamente fatores vitais, os quais jamais podemos excluir, mas que isoladamente pouco ou nada produzem. Precisamos certamente de muita boa vontade, mas também nos meios necessários para faze-la acontecer. Parto de uma perspectiva realista, considerando a realidade das pessoas sejam trabalhadores, alunos e professores, os quais são necessariamente influenciados pelo meio.
Liberal pobre: Quem quer fazer as coisas faz independentemente das condições.
Outro: É obrigação do Estado oferecer as condições necessárias para que o ofício de professor e a vocação de aluno concretizem-se no nível mais intenso, aproximando-se de um ideal de perfeição. Se a iniciativa privada fornece tais condições a seus docentes e alunos, o poder público não pode ficar atrás. Isto sob a pena de termos dois padrões de qualidade diferente, um para os ricos e outro para os pobres. Caso as condições sejam consideradas por um sistema de ensino deverão ser igualmente consideradas pelo outro.
Liberal pobre: Se de fato aspiram por uma educação igual para todos por que não aprovam a privatização das escolas?
Outro: Antes de responder a sua pergunta devo dizer que privatização não é nem de longe garantia de qualidade como costumam declarar os meios de comunicação patrocinados por corporações liberais. Para tanto devemos considerar que o maior desastre ambiental acontecido neste país foi consequência da falta de controle de qualidade por parte do setor privado e não do estatal. Outro exemplo não menos clamoroso diz respeito aos abusos, recorrentes alias, cometidos pelos planos de saúde. Dos quais tem resultado gravíssimos danos a seus afiliados. Via de regra afirma-se que caso o SUS funcionasse ou fosse superior não existiriam planos de saúde. Sabemos no entanto que boa parte das pessoas, pelo simples fato de custearem igualmente o SUS, na prática, acabam servindo-se de ambos os sistemas. Então a primeira pergunta a ser feita é se a qualidade dos planos seria a mesmos caso inexistisse o SUS? Já a segunda pergunta a ser feita diz respeito - adotando-se a ótica da privatização - ao que aconteceria com aquela parcela da população incapaz de pagar por um plano de saúde caso o SUS deixasse de existir? Seriam deixados a mingua na sarjeta para morrer como mostrou Michael Moore em seu documentário sobre a assistência médica nos EUNA ou teriam de hipotecar suas casas, automóveis, etc em caso de doença???
Liberal pobre: Uma vez que todos ganhassem suficientemente bem?
Outro: Todos?
Liberal pobre: Uma vez que a maior parte das pessoas pudesse pagar por tais serviços.
Outro: Poderia pagar por eles um trabalhador assalariado, mormente quando os senhores da mesma maneira a fixação de um salário mínimo por parte do Estado?
Liberal pobre: Os salários devem obedecer a lei da oferta e da procura.
Outro: Neste caso com tanta gente desempregada e procurando por serviços temo que jamais seriam suficientes para custear tais serviços.
Liberal pobre: Evidentemente que se trata de uma Sociedade em que mérito de alguns poucos seria bastante reconhecido.
Outro: Como você poder falar em mérito se a concorrência parte de planos diferenciados, de condições de vida preexistentes, de qualidades de ensino diferente, etc??? Como você espera que o pobre alcance o rico se o rico sempre parte a frente dele. Acaso já assistiu a alguma maratona em que os corredores partam de pontos diferentes? De fato até poderíamos falar em merecimento, esforço, etc desde que a concorrência partisse de oportunidades iguais para todos.
Liberal pobre: Como chegar a algum lugar sem fazer sacrifícios?
Outro: Nada mais canalha do que pedir sacrifício aos demais enquanto recebemos a fortuna de bandeja por meio da herança. A homem algum assiste o direito de exigir dos outros aquilo que ele mesmo jamais fez...
Liberal pobre: Você fala tanto em realidade e ignora que as coisas sempre tem sido assim, desde o começo do mundo.
Outro: Quem ignora supinamente as lições da História são vocês, haja visto que a primeira tentativa de reforma social foi implementada há cerca de quarenta e cinco séculos pelo rei Urukagina de Lagash. Grosso modo somos autorizados a dizer que algumas sociedades jamais cessaram de conceber, imaginar e implementar instituições cada vez mais eficientes no sentido de estabelecer ou de, se possível fosse, esgotar a demanda da justiça.
Liberal pobre: Quer dizer que nem sempre fomos capitalistas?
Outro: Basta olharmos para a Idade Média, para as civilizações antigas ou para as culturas primitivas...
Liberal pobre: Seja como for tem o homem de evoluir e tal qual o homem a Sociedade.
Outro: Sem sombra de dúvida, no entanto a opinião segundo a qual o Capitalismo constitui uma evolução face aos sistemas precedentes, inda que apoiada pelo odiado K Marx, não passa de um juízo de valor.
Liberal pobre: De fato nem mesmo Marx ousaria colocar o sistema estamental das ordens feudais acima do nosso capitalismo.
Outro: Como não sou marxista ortodoxo, direi na esteira de um heterodoxo marxista, que apesar de sua deficiência em termos de técnica a Idade Média jamais cogitou em colocar o TER acima do SER. Com efeito se nossos ancestrais medievos morriam devido a fome ou a enfermidade é certamente porque não havia comida ou medicamentos. Morriam porque não se sabia fabricar este ou aquele remédio, porque inexistia este ou aquele aparelho, por falta de técnica ou de conhecimento enfim e não pode má vontade. O medievo jamais conceberia a destruição deste ou daquele gênero alimentício como meio lícito para aumentar seu valor enquanto parte dos cidadãos estivesse morrendo de fome, lhes pareceria monstruoso! Se produzimos alimentos em quantidade suficiente para extinguir a fome em termos globais, por que cargas d água ainda há gente passando fome no mundo? Se não há problema técnico quanto a produção então o que? Onde esta o problema? O problema aqui diz respeito a distribuição dos alimentos enquanto fruto da vontade humana? Afinal esta distribuição é feita conforme os interesses do Mercado ou do Capital/lucro e não dos seres humanos... Temos técnica, o que não temos é Ética. O defeito deles dizia respeito aos meios, o nossos diz respeito ao caráter. Como se diz então que este sistema assumido por homens sem caráter era superior ao deles?
Liberal pobre: O capitalismo com todas as suas mazelas e defeitos é o que de melhor ou de menos mal temos em termos sociais. Pois ao menos possibilita, como nenhum outro sistema jamais possibilitou, a ascensão da maior parte de seus membros.
Outro: Tudo quando o sistema Capitalista tem possibilitado é de um lado o acumulo de uma quantidade cada vez maior de bens nas mãos de um número cada vez menor de pessoas e do outro a partilha de um montante cada vez menor de bens nas mãos de um número cada vez maior de pessoas. Do que decorre um nicho cada vez menor em que o mérito possa inserir-se, e não um nicho cada vez maior ou ao menos estável. Mesmo com relação aos que supostamente possuem méritos é exigido um grau cada vez maior de esforço, pois as chances restringem-se mais ao invés de ampliarem-se. Destarte se há um sistema desfavorável para as classes médias é o capitalismo.
Liberal pobre: Importa que o acesso a tal nicho seja franqueado aos melhores.
Outro: Assim fosse... No entanto a dar por melhores ou mais excelentes os cientistas ou intelectuais não podemos dizer que os pináculos do sistema estejam franqueados a eles. No frigir dos ovos podemos dizer que no sistema capitalistas o corpo é comandado pelas mãos e pés, não pelo cérebro, uma vez que os intelectuais e cientistas ocupam sempre posições subalternas já com relação ao poder econômico já com relação ao poder político. Segundo a organização capitalista os mais excelentes obedecem ou executam enquanto que os medíocres ou espertos, assim digamos, governam o mundo como deuses. É um sistema feito para espertalhões e medíocres... Os demasiado éticos ou os demasiado reflexivos jamais chegam a pertencer a cúpula do poder.
Liberal pobre: Se ao menos o pobre economizar parte de seus salário...
Outro: Dirá você que ele chegará a ser rico?
Liberal pobre: Certamente nem todos...
Outro: Como o seu pai...
Liberal pobre: Ao menos alguns...
Outro: Para com isso meu amigo. Quantos assalariados você conhece que já viraram milionários, banqueiros ou grandes empresários?
Liberal pobre: Bem... Conhecer pessoalmente não conheço, no entanto acredito ter lido na Revista Veja ou visto no Globo Repórter alguma reportagem sobre alguns pobres que se esforçaram, venceram e se tornaram milionários.
Outro: Afinal de contas quantos?
Liberal: Certamente mais de trinta ou quarenta pessoas. Afinal é mais de uma reportagem, talvez cinco..
Outro: Nada mal para duzentos e sete milhões de brasileiros. Basta dizer que os ricos compõem 10% da população brasileira ou seja vinte e sete milhões de pessoas e o amigo vem me falar em dezenas de pobre que se tornaram ricos. Ainda que fossem centenas ou mesmo milhares de pessoas, que vem elas ao caso num montante de vinte e sete milhões de seres humanos??? Que fossem quinhentos mil pobres a se tornar ricos por meio do trabalho numa geração! Seria uma ascensão social a cifra de 2% a cada dez ou quinze anos, e portanto de no máximo 20% de novos ricos a cada cem anos! Agora quantos pobre temos (estamos excluindo a classe média intencionalmente)? Admitido que haja neste pais 50% de pobres chegamos a cifra de 103 milhões de pessoas. Caso nos atenhamos a extrema pobreza temos de nos haver com 1/4 da população, ainda assim com 52 milhões de almas. Diante disto que significa a ascensão social de meio milhão de pessoas a cada quinze anos ou década? Assegurado que pessoa alguma viesse a se tornar pobre, precisaríamos de mil ou mesmo de dois mil anos para erradicar a miséria deste pais! Queremos dizer com isto que em termos sociais a tão decantada mobilidade social oferecida pelo capitalismo é pura e simplesmente inexpressiva. Afinal sequer consideramos os que baixam de posição e cujo montante não é desprezível...
Liberal pobre: Caso as pessoas não enriqueçam por meio do salário, do trabalho honesto ou da economia, de que modo enriquecem?
Outro: A bem da verdade a maior parte dos ricos já nasce rica limitando-se a aumentar o montante de riqueza recebida quando não tem a desgraça de perde-la, o que por sinal é bastante fácil num sistema que privilegia o capital financeiro. Imagine alguém que tenha ganhado na loteria. Tal aquele que por acaso nasce no seio de uma família rica e é contemplado pela herança. Caso o herdeiro seja medíocre conseguirá talvez conservar o que recebeu, situação que poderá ser revertida pela esperteza do herdeiro subsequente. A fortuna vai conservando-se de geração em geração, embora oscile.
Liberal pobre: Uma vez que a herança não pode remontar a eternidade deve ter tido um ponto de partida i é as economias frutos do trabalho.
Outro: Quisera de boa vontade que assim fosse mas...
Se até mesmo os padres da Igreja, que floresceram nos primeiros séculos desta Era, foram capazes de  perceber - e muito facilmente - através do estudo da História, que diversa era a origem da riqueza: Aqui o roubo de terras, ali a pirataria, mais além a corrupção e por fim a pura e simples exploração do trabalho alheio... Que haveremos de dizer nós, os filhos do século XXI? Que tudo mudou e entrou os eixos após a adoção do modelo capitalista? Haja ingenuidade...
Aqui as terras tomadas aos índios, ali o rapto e escravidão dos africanos, mais além a exploração insidiosa da mão de obra estrangeira na lavoura e por fim a clássica obtenção da 'mais valia' nas fábricas...
Liberal pobre: Mais valia? Afinal que vem a ser isso?
Outro: A parcela mais considerável do quanto a produzido pelo operário e que ele jamais recebe por meio do salário, digamos assim, a parte do leão.
Liberal pobre: No entanto, uma vez que o empresário adquiriu ou comprou já os meios de produção, ja a matéria prima, venhamos e convenhamos, é justo que ele retenha para si uma determinada porcentagem do quanto é produzido pelo operário.
Outro: Uma coisa seria reter certa parcela do que é produzido, parte a guiza de compensação, parte a guiza de lucro. Outra totalmente distinta é reter a quase totalidade do que é produziu pagando ao operário um salário de fome ou necessário apenas para que aquele subsista ou mantenha a vida. De fato a miserabilidade só não cresce a passos mais largos devido a instituição do salário mínimo. Fosse o salário deixado ao alvedrio do patrão onde não teríamos chegado, isto pelo simples fato de que a dinâmica do Mercado é definida em termos da obtenção de um lucro máximo e não de uma retribuição justa em termos de necessidades humanas ou familiares, segundo o ponto de vista da Ética.
Liberal pobre: O valor os salário é determinado objetivamente pela lei da oferta e da procura.
Outro: Como o operário jamais tem como controlar o fator da procura ou das vendas... a tal objetividade tresanda sempre em subjetividade, curvando-se a doutrina da maximização dos lucros. Compreende-se que a partir de semelhante prática, que consiste em despojar o trabalhador da quase totalidade daquilo que produz, fique fácil acumular uma vasta fortuna em pouco tempo... Tanto melhor para aquele que foi contemplado pela herança já ao nascer, e que jamais teve de trabalhar de fato pegando numa marreta ou numa pá. Limitando-se a administrar o que ganho de mãos beijadas tornar-se-a ainda mais rico. Enquanto que aquele que fato produz, empenhando suas energias, permanecerá sempre pobre, a menos que se torne miserável.
Tal o quado sinistro do capitalismo: Aquele que vive de renda vai se tornando cada vez mais próspero, enquanto aquele que pega no batente vive e morre pobre.
Liberal pobre: Acredito na honestidade e probidade do patrão.
Outro: Como disse Freud cada qual acredita no que bem quer, havendo quem por isso mesmo creia no saci pêrere, na cuca ou na fada do dente
No entanto como você não é patrão esperarei até ve-lo converter-se em patrão e só depois acreditarei em você.
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sábado, 14 de outubro de 2017

Os custos e benefícios do 'mal estar'

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Se por um lado não somos daqueles que se opõem as Revoluções 'a posteriori' advogando a repressão, por outro também não somos daqueles que aplaudem-nas entusiasticamente acreditando que sejam as vigas mestras da civilização. Não, não somos daqueles embiocados que recebem a Revolução como uma espécie de penitência religiosa. Penitência social ah isto é e portanto algo a ser evitado por meio do planejamento efetivo.

A 'profilaxia' revolucionária exige reformas sociais.

São portanto os conservadores empedernidos, inimigos das reformar, que promovem, inconscientemente, a Revolução.

Tanto mais uma Sociedade foge as reformas de que precisa e tanto mais aproxima-se de uma solução final em termos de Revolução.

O dilema esta posto - Reforma ou revolução.

Conservar o que não funciona e manter o que não tem sentido é pura idiotice. E então a mentalidade conservadora é idiota, alias um extremo que leva a sociedade a outro extremo.

Afinal Sociedade não é formação ociosa ou algo que se pareça com um enfeite.

Civilização é coisa que tem custo, como demonstrou cabalmente Freud no ensaio sobre o 'Mal estar da civilização'. Algo que impôs e impõem limitação, esforço e sacrifício tendo em vista, certamente, um bem maior, conforme a consagrada relação: Custo/benefício.

Se a Civilização teve ou tem Custo só pode ter sido aceita ou melhor construída tendo em vista alguns benefícios.

O próprio Sig teme estar repetindo frioleiras, tal a obviedade de sua demonstração, nem por isso menos verdadeira. Apenas desconsiderada pelos condutores do sistema...

Civilização se constrói com esforço conjunto ou comum ou seja com trabalho. O Trabalho costuma a ser mais fecundo quanto executado em comunhão ou comunitariamente. Tal dimensão do trabalho no entanto implica, necessariamente, numa maior ou menor restrição quanto a esfera privada da vida, assim não apenas da busca pela satisfação prazerosa ou da sexualidade, mas inclusive do convívio ameno e também do ócio. Introduz-se novo modelo organizacional com relação ao tempo, e dispendem-se as energias humanas noutro campo. Implica menor fruição em termos de prazer. O trabalho nem sempre é reconfortante mas muitas vezes desagradável.

O homem no entanto impôs a si mesmo esta tarefa. Não o 'homem' isolado, não o indivíduo mas determinadas sociedades. Tornaram-se mais coesas por meio da aproximação até a intimidade e assumiram uma meta comum qual seja drenar pântanos ou irrigar desertos. O que despendeu, já dissemos, tempo e energia; em detrimento não apenas dos apetites mas do próprio repouso.

Então por que raios assumiram as diversas sociedade tal tarefa?

No dealbar da História escrita estava já o homem em posse de um estádio de consciência capaz de fazer com que percebesse a produtividade superior ou melhor a fecundidade da dimensão social do trabalho em comparação com sua dimensão pessoal. Podendo deduzir a partir daí o quanto seria capaz de auferir em termos de conforto ou de benefícios caso se associasse a outros tantos homens tendo em vista determinados fins. Num determinado momento de sua trajetória sobre a terra este homem foi capaz de perceber que seria muito mais fácil submeter as forças da natureza na medida em que o trabalho assumisse cada vez mais uma conotação social. Atuando ou agindo isoladamente seria muito mais difícil ou mesmo impossível atingir tal escopo. Noutras palavras descobriu o princípio segundo o qual 'A união faz a força'.

No entanto a questão da proximidade ou da Unidade entre os homens não era assim tão simples. A bem da verdade como mamífero ou primata nasce já o homem numa dimensão social e não isolada. Sucede porém que a administração de uma pequena comunidade ou grupo familiar, digamos de um clã, não oferece lá tantos problemas devido a pequena quantidade de contatos num contexto cultural homogêneo. Outra no entanto é a situação que envolve sociedades tanto mais complexas e maiores como as Sociedades pré urbanas ou urbanas aparecidas ao longo do neolítico.

Em semelhante contexto os contatos humanos entre pessoas oriundas de tradições familiares distintas tornam-se cada vez mais frequentes e intensos, pelo simples fato de terem de trabalhar juntos. Naturalmente que uma situação como esta só tende a potencializar o conflito. Caso cada qual aspire comportar-se como numa comunidade menor ou segundo as normas e regras peculiares a pequena comunidade, conflitos estourarão aqui e acolá. Pois cada família ou comunidade tem seus princípios e valores, princípios e valores divergentes. Chegamos assim a incompreensão. A menos que a macro comunidade em formação busque estabelecer princípios e valores comuns por meio da lei, dela excluindo aqueles todos que não quiserem se submeter.

Muito dificilmente naquele período determinada Sociedade estaria em posse de um aparelho repressor capaz de manter as pessoas submissas impedindo-as de fugir. Afinal nem estavam as tais sociedades unificadas em províncias ou nações nem possuíam os governantes uma noção realista em termos de espaço geográfico. O campo ou a floresta eram bem maiores e, caso quisessem, os homens sempre poderiam desertar da cidade em formação e retomar o modo de vida ancestral. Caso a vida nas primeiras sociedades urbanas ou civilizadas fosse desinteressante este homem sempre poderia retornar ao clã ou a família, resultando disto um êxodo urbano...

Não foi o que aconteceu. As cidades baixaram leis restritivas e dentro delas criaram aparelhos coercitivos sem que no entanto passassem por qualquer tipo de crise demasiado grave. A qual pusesse em risco tal tipo de existência. Mesmo tendo de abrir mão de uma liberdade mais ampla ou da peculiaridade de seus costumes, a maior parte dos homens parece ter decidido permanecer na cidade. Mesmo sob a pena de ter de se submeter a uma autoridade não poucas vezes arbitrária este homem decidiu ficar.

Mas o que motivou-o a ficar apesar de tantas restrições???

Já aludimos aquilo que o fez ficar na cidade.

As alterações impostas na natureza traduzidas em termos de maior comodidade ou se preferirem de menos sofrimento.

As condições do mundo externo não hostis. Fazia-se mister suaviza-las, o que só era possível a partir do esforço comum e consequentemente de restrições já em termos de fruição de prazeres, já em termos de liberdade.

No contexto das primeiras cidades, explica do profo V Gordon Childe, e que pela primeira vez na História houve o acúmulo de excedentes alimentícios. Implica isto na primeira reserva econômica de que temos notícia, e a qual foi empregada com o objetivo de dispensar algumas pessoas do trato direito com a terra, possibilitando que se exercitassem numa técnica qualquer como a marcenaria, a panificação, a tecelagem, etc A cidade converteu-se em paraíso da técnica, adquirindo cada serviço mais qualidade ou excelência. No fim das contas toda cidade foi beneficiada com o surgimento de vocações específicas como a do pedreiro ou a do sapateiro...

Especialmente os que conservando algum excedente de terra ou produção podiam pagar por tais serviços. Os demais contentavam-se com a esperança ou com o beneplácito episódico dos governantes. De um modo ou de outro esta forma de vida apresentou-se desde logo como mais amena ou sedutora do que a vida vivida nas pequenas comunidades agrárias ou clãs dispersos pelo campo.

Desde o primeiro impulso a urbanização ou a vida civilizada foram surgindo outros tantos impulsos. Sempre no sentido de tornar mais comoda ou menos sofrida a vida humana. Restrições, limitações, esforço e trabalho convergiam para uma meta comum que era eliminar cada vez mais o desconforto oriundo já do mundo externo já da nossa própria condição.

Uma vez que a vida comum ou civilizada dispende imenso gasto de energia, além de certa restrição em termos de liberdade, temos que considerar que só foi aceita tendo em vista sua contrapartida ou os benefícios auferidos pela coletividade. Seus membros permaneceram unidos, coesos e fiéis porque julgaram essa coesão oportuna, vantajosa ou interessante. Destarte podemos definir os vínculos sociais na esteira de S Freud ou seja enquanto LUCRO em termos de benefícios. A Sociedade só fará sentido na medida em que seus membros estiverem conscientes de que o custo pago por eles, em termos de limitações ou de restrições, será concretamente excedido pelos benefícios. Caso não haja excedente de benefícios a Sociedade humana perder seu sentido ou razão de ser.

Uma Sociedade inoperante em termos de qualidade de vida ou se preferem uma Sociedade mínima, que não faça qualquer diferença para a maior parte dos cidadãos perde por completo seu sentido, na medida em que perde sua função. Enquanto aparato inútil para a maior parte das pessoas a Sociedade tende a ser encarada como onerosa para elas. Enquanto organismo voltado para as necessidades artificiais de um reduzido número de pessoas ou a serviço de uma elite econômica a Sociedade perde sua credibilidade ou razão de ser. Em tais situações as pessoas passam a questionar cada vez mais os motivos pelos quais permanecem presas a determinada estrutura social, e vão perdendo por completo a sensação de pertencimento. Tendem a aspirar por uma hipotética situação de individualismo crasso ou de isolamento, a qual cogitam lhes concederia mais liberdade. A reflexão sobre uma Sociedade ineficaz ou onerosa tende a alimentar a ideologia individualista.

No momento em que as pessoas, que deveriam se sentir protegidas e seguras passam a sentir-se oprimidas pela estrutura social é necessário repensar as origens e os fins, melhor dizendo, o sentido da Sociedade. Uma Sociedade que faz as pessoas sentirem-se oprimidas de modo algum corresponde a seus fins. Mas a Sociedade mínima, inoperante, eticamente diferente e desumana tende a isto mesmo, a desacreditar-se e vivemos uma Era de descrédito social cujo fundamento mais remoto é a ideologia liberal economicista.

Sobretudo nossa Civilização ocidental ou capitalista, sobretudo ela tornou-se absolutamente indesejável. Aos sucessivos encantos, até chegarmos ao positivismo ou ao cientificismo, sucedeu-se o desencanto ou o fim da magia. Mesmo para parte dos que perderam a esperança e concluíram que o capitalismo é o ponto final da civilização e consequentemente seu inglório fim tudo isto soa imensamente trágico. Não como o começo de uma Nova Era de Luzes mas como a agonia do mundo, e os cristãos acomodados, perplexos e frustrados - porque sua proposta ético social não foi realizada ou ao menos mantida - vão até aos confins do catastrofismo... Nem preciso chegar a essa negra noite ou eclipse da cultura perceber que a avaliação da Sociedade, em termos gerais não é boa. Prevalece a insatisfação. Por fim o fato de parte das pessoas não aspirarem pelo Comunismo - motivos não lhes faltam - ou mesmo pelo Socialismo ou por qualquer solução nítida não significa que querem o Capitalismo ou que apreciam-no. Grosso modo o Capitalismo só é amado pelos milionários ou pelos idiotas, o homem médio apenas suporta-o como suportaria um supositório ou quinino... Naturalmente que não se trata duma perspectiva social atraente... Uma sociedade supositório...

Nosso Civilização esta desacreditada e por que?

Simples. Por que o homem comum chegou a conclusão de que os atuais benefícios ou vantagens que lhe são oferecidas por esta Sociedade não excedem e sequer correspondem aos esforços dispendidos pala mante-la. Pior; uma quantidade cada vez maior de cidadãos tem chegado a conclusão segundo a qual o modelo social vigente agrava a o desconforto ou sofrimento experimentado por eles ao invés de suaviza-lo. Não poucos acreditam que nosso modelo social é prejudicial ou danoso.

O homem antigo receava ter o outro contra si. Um clã vivia atemorizado face a outro até que a formação das grande cidades - ao menos por algum tempo e enquanto o número delas não era lá muito grande - acenou com estabilidade, segurança e paz... Hoje o homem do século XXI, sente todo peso de uma máquina social contra si mesmo e julga-se esmagado por ela desde que esta sociedade foi cooptada pelo Capital passando a servir, não mais o homem, mas a interesses privados ou a uma elite financeira. Desde que o produto do trabalho tem sido em sua maior parte subtraído ao trabalhador temos assistido a produção da miséria numa escala cada vez maior, a qual sequer é coisa digna de ser vista...

Foi o calcanhar de Aquiles desta civilização moribunda e decadente exposto a mais de um século pelo ensaísta Americano Henri George: A um lado podemos observar um acumulo de bens cada vez maior nas mãos de um grupo de pessoas cada vez menor e a outro uma restrição no acesso aos bens por parte de uma multidão cada vez maior de modo que as grandes fortunas aumentam na mesma proporção que a miséria social. Tendência esta a que não fugimos, exceto nas Sociedades em que foi adotado o modelo de bem estar social preconizado primeiramente por Lorenz Von Stein e em seguida por J M Keynes, assim no Norte da Europa, contexto em que a Sociedade recobrou seu sentido e importância.

Este abismo social que se abre cada vez mais sob nossos pés é que ameaça engolir nossa sociedade. Irrelevante e inútil apelar a doutrina da circulação das elites de Pareto se no contexto do capitalismo o próprio nicho ocupado pela elite econômica se torna cada vez mais restrito enquanto a população mundial aumenta. Caso esta elite não amplie sua esfera é ocioso aludir a ela. Pois ela jamais consegue ou conseguirá servir de obstáculo a intensificação de desigualdade. E o que o capitalismo tem feito é justamente ampliar, não as oportunidades ou chances gerais, mas a desigualdade social.

Diga-se de passagem o que já foi dito em artigo precedente - Que esta circulação de elites no topo do Capitalismo é absolutamente artificiosa e injusta. Pois mesmo admitindo que os indivíduos revezem-se no topo do sistema econômico e consequentemente no comando da Sociedade economicista, prevalece no topo como padrão ou tipo a mediocridade e não a genialidade. O Liberalismo econômico não franqueou, como parecia ter franqueado, ao homem superior ou aos gênios ou acesso ao poder seja político ou econômico. Em certo sentido muito pouco mudou desde que o velho Confúcio vinculou o comércio ou as finanças de modo geral mais a esperteza - e a vulgaridade - do que a excelência, esta peculiar ao Filósofo ou ao Cientista, ao intelectual enfim.

Não será o Capitalismo que agora satisfará os justos anseios de um Confúcio ou de um Platão no sentido de colocar o cérebro no controle do corpo. Nosso corpo social é controlado por mãos e pés sem talento superior, não pelo cérebro ou pela mente; afinal nos domínios do capital o cientista ou filósofo é sempre subalterno ou pau mandado de empresários e banqueiros imbecis. Não passam da técnica ou da execução, que decide praticamente tudo, nos domínios da política e da sociedade por sinal, são os burgueses ou patrões i é aqueles que tem capital. Diante de tão abominável e monstruosa inversão, que é um corpo comandado pelas mãos e pés, como esperar algo de positivo?

Em tais conjunturas o intelectual, relegado a funções subalternas, em que pese seus talentos e sensibilidade, tornar-se-a rancoroso até a medula dos ossos e fará causa comum com o operário e com todos os párias não apenas contra este modelo econômico mas contra o próprio ideal de civilização. Lançará o nosso legado greco romano ao monturo e tornar-se-a primitivista! Afinal este legado ético e humanista há muito que foi calcado pelos pés do economicismo! O capitalismo como um ácido feroz ou cancro maligno corrompeu das bases de nossa cultura ancestral e tornou nossa civilização indigesta aos olhos da multidão. É uma vereda ou uma via suicida.

O capitalismo com sua produção de misérias, injustiças e conflitos tem tornado não apenas a Civilização mas a própria vida social insatisfatória ou indesejável e certamente não se trata de um bom negócio.

A dar Freud por certo - e não há como deixar de da-lo por certo - só existe um caminho possível caso aspiremos resgatar nosso sentido sentido de pertencimento face a Civilização e este caminho consiste em assumir a doutrina do bem estar social ou da qualidade de vida como finalidade social. É necessário que a Sociedade democrática ou popular se faça cada vez mais presente na vida do cidadão criando uma situação de segurança, estabilidade e conforto ou seja uma situação compensatória face as energias dispendidas tendo em vista sua manutenção. O homem comum tem de sentir o impacto do benefício excedente em termos de habitação, saúde, cultura, lazer, etc e não sentir o impacto da miséria generalizada como tem se sentido até hoje... E jamais se sentir ameaçado por esse rolo compressor a serviço de Indústrias, Bancos e Corporações. E jamais se sentir infernalizado pela arbitrariedade de poderes econômicos. A Sociedade não pode nem deve servir a interesses econômicos privados mas ao que Aristóteles definiu como 'bem comum' ou média de insumos necessários a realização pessoal de cada indivíduo. Evidente que o Capitalismo não cogita no bem de todos os cidadãos na perspectiva da igualdade...

Segundo a solução radical dos Comunistas para sanar o mal pela raiz deveríamos atuar na estrutura material dessa Sociedade suprimindo a propriedade privada DOS BENS DE PRODUÇÃO (Marx jamais postulou o roubo ou a supressão da propriedade privada DOS BENS PESSOAIS advindos do trabalho - Pequena propriedade) e do regime assalariado. É uma solução possível, embora drástica, o que mais uma vez reporta a relação custo/benefício especialmente em termos de uma Revolução. Em termos de democracia direta ou de Plebiscitos e referendos é uma hipótese a ser discutida como outra qualquer e a ser implementada caso aprovada.  O problema quanto supressão da propriedade privada dos meios de produção e do regime assalariado não é questão de essência, afinal não são necessários mas contingentes, mas de ocasião ou método e jamais poderia ser encarado como solução total ou definitiva, como observou Freud. 
Temos de lidar obviamente com o estímulo cultural e educativo a avareza ou ao egoísmo e de planejar uma educação socializadora para o desenrolar da vida. Temos de manter o instinto de afirmação ou de realização em seus saudáveis e naturais limites e impedir que a Cultura transforme-o em qualquer outra coisa em termos de individualismo, avareza, egoísmo, rivalidade mórbida, etc Eis uma tarefa que transcende os limites simplórios da materialidade ou das estruturas produtivas e suas relações. O buraco, como costumavam dizer os antigos, é mais embaixo ou também embaixo. A escola de Franckfurt bem o percebeu, com rasgos de genialidade.

Destarte, enquanto não pudermos experimentar ou implementar democraticamente a solução comunista radical temos de adotar um outro modelo, talvez provisório, talvez não, o qual em todo caso terá de ser avaliado pelos membros das diversas sociedades que o adotaram. Claro que me refiro ao já aludido modelo de recolhimento de impostos - tomados aos 'empreendedores' - por meio do Estado e de sua redistribuição entre os cidadãos por meio de investimentos no domínio do social: Educação, saúde, habitação, lazer, etc Destarte a Sociedade civilizada, a partir de seus mecanismos democráticos, interfere ativamente na realidade econômica com o objetivo de impedir a produção da miséria. O resultado concreto dessa política e manutenção de uma relativa igualdade social ou de um saudável equilíbrio econômico. O resultado de tais esforços é a construção de uma sociedade relativamente sã vivenciada por pessoas satisfeitas e não por pessoas revoltadas.

Tal o ideal proposto por nós tendo em vista a manutenção das condições civilizatórias. Temos de sacrificar algumas coisas para manter o essencial. Temos, no mínimo, de rever o ritmo do mercado, da economia, da produção; abandonando a ideologia economicista e colocando em primeiro lugar as necessidades vitais da pessoa, não da pessoa abstrata mas da maior parte das pessoas concretas. Do contrário um número cada vez mais de descontentes passará a encarar a civilização como onerosa e a desertar dela ou melhor a investir contra ela e a investir com violência. Revoluções estourarão e sobrevirá o 'caos' com todas as consequências decorrentes, as quais tão bem conhecemos. Melhor poupar sangue, suor, lágrimas, patrimônio cultura, recursos, etc e tomar o caminho das reformas sociais.

Cumpre dizer por fim que no Brasil existe todo um aparato material e imaterial sujo objetivo é impedir que a Sociedade Política funcione e recupere sua credibilidade. O que poderia levar-nos justamente a implementação de um Estado de bem estar. Bem, não querem um estado de bem estar... Então que aguardem pela Revolução. Como registramos no começo deste artigo nós não acreditamos na mística ou na mágica da Revolução, mas estamos convencidos a respeito da imensa e colossal burrice dos conservadores, acima de todos os primeiros promotores da Revolução. Nós somos pela solução intermediária ou como dizem conciliatória, por via de reformas institucionais ou democraticamente implementadas. O recurso a força ou a sedição, como registrou F Engels reservemos a situações de golpe i é a ditadura, ao totalitarismo, do despotismo... E por falar em ditadura vai bem um FORA TEMER GOLPISTA!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Os percalços históricos dos socialismos

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Após termos analisado os motivos porque os intelectuais e professores, e pequenos funcionários públicos, com seus méritos pessoais, tendem a assumir uma postura não apenas crítica, mas hostil face ao Capitalismo cumpre examinar a questão seguinte - vide artigo precedente - sobre o insucesso dos socialismos.

"Existiram e existem vários lugares em que não deram certo."

Mas, aparentemente a democracia ateniense, extinta no século III a C, também não deu certo...

Deveríamos tornar ao esquema dos reinados divinos do Oriente?

Uma coisa que não deu certo num determinado período histórico ou em determinadas condições, bem poderá dar certo noutras.

Assim a democracia direta ou policracia nos Landsgemeine suíços ou o Demoex na Suécia.

Acho hipocrisia lançar criticas a pequenina Cuba pelo simples fato de estar sob um embargo econômico unilateralmente imposto por um Império. Levantem o embargo, julguem a pequena Ilha em condições de IGUALDADE -  exigência da justiça - e então ai discutiremos. Desconsiderar o embargo imposto a essa república, é para mim pura e simples desonestidade.

Antes de criticarem a Revolução Venezuelana tentem observar imparcialmente a conjuração de formar internas e externas que levantou-se contra ela. Afinal quem nestes nossos tempos ignora que o mercado financeiro engendra e administra crises econômicas com objetivos meramente políticos assim desestabilizar determinadas sociedade que adotaram um modelo 'não ortodoxo' buscando levantar as massas contra os governantes???

Certamente não aprecio a Revolução cubana devido a seu conteúdo autoritário ou despótico, no entanto quem não vê ou percebe quão pouca democracia real existe nas esferas mais altas do governo Norte Americano? Concedo sem maiores problemas que os norte americanos tenham forte tradição democrática, admirável por sinal, mas na esfera do municipalismo, não enquanto Estado nacional. Todavia para ser justo quanto a república de 'Castro' tenho de considerar a realidade social anterior ao regime comunista que era a da não menos despótica e imperialista Emenda Platt... E tenho de levar em conta as críticas tecidas, já no século XIX, pelo não comunista, Jose Marti, um dos ícones da Revolução cubana. Desconsiderar todos este fatores é julgar sem devido conhecimento de causa.

Há uma Coréia do Sul. Beleza mas também há Estados Unidos da América do Norte policiando ideologicamente o mundo com ferocidade e arrogância; buscando tirar proveito econômico. Há um Bush, há um Trump... Há idiotas, psicopatas e palermas com bombas atômicas do outro lado, quem se importa ou incomoda??? Alias por que os EUA podem ter bombas atômicas e as demais sociedades livres não podem? Em que são melhores ou superiores??? Isto não cria uma disparidade em termos de poder como foi dito pelo Dr Enéias Carneiro??? Em que critério material nos baseamos para classificar os EUA como bons e a Coréia do Norte como má? Aqui os paralogismos vão se acumulando ao infinito...

Há no momento atual um esforço político muito bem coordenado no sentido de impedir a todo custo que soluções não capitalistas, logo socialistas, deem certo. São pura e simplesmente boicotadas por meia da força seja física ou econômica. Não morrem de morte natural, por si mesmas (falência múltipla de órgãos). São mortas ou assassinadas por outras Sociedades... São impedidas de dar certo por obra de um poder externo.

Vou no entanto retroceder e examinar o passado.

A primeira reforma social aconteceu muito mas muito tempo antes que se ouvisse falar no odiado Karl Marx. Que digo? Aconteceu muito mas muito tempo antes que se ouvisse falar os nomes de Jesus, Sócrates, Buda ou Confúcio. Pois aconteceu na pequena cidade de Lagash, na Suméria ou no Sul da Mesopotâmia - atual Iraque - há cerca de 3.500 anos, por iniciativa do rei Urukagina. Os detalhes podem ser encontrados - há textos originais - na "Suméria, berço da civilização." de Samuel Noah Kramer e numa versão tanto mais abreviada em Max Beer "História do Socialismo". Curioso aqui é que Urukagina apelava a uma ordem social mais antiga, fixada no início ou aurora dos tempos, apresentando-se destarte mais como um reacionário e restaurador do que como um revolucionário. Seu ideal de justiça ou de sociedade equilibrada, numa perspectiva histórica, esta no passado.

Teria sua reforma social dado certo? É o que não podemos saber uma vez que pouco depois de ter sido implementada foi a pequena Lagash invadida e conquistada por Lugalzagezi de Umma.

Outra tentativa, um pouco mais sutil e de teor mais religioso, de reforma social, afogada em sangue deu-se no Egito de Akenaten, o faraó monoteísta e anti imperialista que aboliu os sacrifícios sangrentos. Podemos le-la romanceadamente no 'Egipcio' de Mika Watari, filmado em 1953 creio eu. Temos aqui mais uma vez, uma iniciativa de reforma social pacifica até certo ponto, violentamente reprimida pelos poderosos sacerdotes de Amon Rá e pelos chefes militares.

Segundo Aristóteles o primeiro grego a idealizar uma Constituição socialista foi Faléias de Calcedônia. Aristóteles pode passar a proposta de Faleias por uma severa crítica, não pode todavia apelar a realidade concreta e certificar que a proposta de Faléias não havia dado certo, o que nos leva a supor justamente o contrário, isto é, ter ela vigorado com relativo sucesso na cidade de Calcedônia.

Para além disto podemos compendiar os seguintes exemplos:

  • A Bizâncio Cristã nos séculos IX a XII pode ser descrita como uma república em que a promoção social atingiu alto nível de sofisticação em que pese as estrutura política formal da monarquia. Embora ela tenha passado por sérias mudanças sociais e crises foi destruída pelos turcos seljúcidas no século XV.
  • O Império inca funcionou perfeitamente por no mínimo um século adotando um modelo fortemente socialista destruído pelos espanhóis em 1530.
  • A República guaranítica dos Jesuítas, criada no Paraguai pelos idos do século XVII, também foi por assim dizer destruída externamente pelos conquistadores portugueses após ter dado certo por cerca de um século.



Temos acima o exemplo de três sociedades relativamente socialistas que deram certo por um bom tempo e que foram destruídas externamente por outras sociedade sem que tivessem apresentado - no caso das duas últimas ao menos - sérios problemas estruturais a nível de organização interna.

Quanto a Europa civilizada no entanto, após a reforma protestante, impos-se cada vez mais um modelo burguês, liberal economicista ou capitalista cuja dinâmica foi descrita com absoluta precisão por David Ricardo já no comecinho do século XIX. A simples substituição do ideal gregário - tomado pelo catolicismo já ao judaismo, já ao platonismo grego - pelo ideal individualista canonizado pelo protestantismo mudou por completo a dinâmica da cultura na medida em que conferiu uma sansão espiritual ou metafísica ao novo padrão de relações econômicas até então incipiente. A igreja antiga fiel ao pensamento de Aristóteles a respeito dos juros e ao conceito tradicional de avareza legado pelo judaísmo, jamais havia se disposto a conceder tal tipo de sansão aos ensaios de liberalismo feitos pela burguesia. Sua tendência era reprimi-los justamente por meio daqueles poderes e sansões imateriais de plasmam a cultura e a mantém estável.

Eis senão quando estoura a reforma protestante, trazendo em seu bojo outros tipos de valores como o aquele individualismo peculiar as sociedades nórdicas e teutônicas e cuja gênese foi detalhadamente explicada por Le Play e Turville. Após ter sido ele introduzido na esfera da religiosidade Cristã, em franca oposição a tradição milenar, fica fácil compreender como e porque inseriu-se facilmente em todos os demais domínios da cultura produzindo outros tantos nichos de pensamento individual ou liberal. Desde então pode o liberalismo incipiente ou a avareza alimentar-se da cultura e impor-se materialmente no mundo real, criando novas estruturas. A partir da dinâmica cultural criada pelo protestantismo o liberalismo econômico, mesmo antes de sua codificação pôde encarnar-se muito facilmente em todas as sociedades europeias e esta solução cultural, ao menos nos países protestantes, inviabilizou qualquer saída pelo socialismo.

Em todas estas sociedades o Socialismo, mesmo enquanto parte do ideário Cristão tradicional, foi cada vez mais retomando aquela direção ancestral naturalista característica do modelo grego, e seguindo pela decididamente pela via do agnosticismo até o ateísmo e o materialismo. O que vindo a chocar as sociedades católicas tradicionais acabou despertando uma estranha oposição. Isto a ponto do Catolicismo romper com seus próprios valores no curso dos séculos XVIII e XIX, ocasião em que os Católicos mais esclarecidos, capitaneados por F Lammenais, Von Keteller e Maning criaram um partido Católico social resgatando sua tradição. Na Itália Nitti e De Amicis apresentaram este partido como socialista. O termo socialista havia sido inventando pelo pensador francês Pierre Leroux pelos idos de 1830.

Quanto ao socialismo naturalista foi proposto primeiramente proposto pelos niveladores ou diggers durante a revolução inglesa. Assim Liliburne, assim Winstanley inda que de modo bastante sutil e de matiz religioso. Devemos lembrar que a Inglaterra é pátria do único reformador protestante classificado por muitos como socialista Hugh Latimer e que a proposta do anglo Católico W Laud e seu circulo era igualmente socialista e até mais socialista e popular em oposição ao ideário puritano/calvinista em que topamos já com uma orientação liberal economicista. Seja como for a Revolução Inglesa jamais foi comandada pelos diggers em qualquer uma de suas fases ou etapas, enquanto que o partido anglo católicos foi esmagado com o rei, ficando vencedores os puritanos. E este é o motivo porque é classificada como uma Revolução burguesa do começo ao fim ou em sua totalidade. Jamais houve uma fase ou período socialista na R Inglesa, apenas uma fermentação teórica.

Outra é a situação da R Francesa, sobretudo com o incorruptível Robespierre. Aqui pela primeira vez damos com um ideário socialista no comando e portanto com uma fase caracteristicamente socialista, o que evidentemente supõem uma direção relativamente igualitária e teses como a reforma agrária, o abolicionismo, etc No fim das contas Robespierre é assassinado, sucedendo-se uma restauração sob Bonaparte. Babeuff seu continuador, avança na direção de propostas ainda mais radicais e aspira levar as reformas robespierrianas a frente capitaneando a 'conjuração dos iguais'. A conjuração falha vindo ele a ser processado e morto. É sucedido por Ph Buonarroti e este por A Blanqui sob diversos aspectos práticos, como a polêmica 'ditadura do proletariado' inspirador e mentor de K Marx. Fácil compreender que a direção desta cepa vai de tornando cada vez mais radical até dar no extremismo comunista.

Concomitantemente, no século XIX, especialmente após a revogação das leis sobre o fornecimento de suprimentos aos pobres (criadas logo após o fantasma da Revolução ter ameaçado a Merry England após a 'queda' da França) pelos idos de 1830, a formação de um denso mercado de reserva e a implementação de uma dinâmica capitalistas ideal nos moldes clássicos de teóricos já consagrados - como - Smith, Davi Ricardo, Petty, etc - a opção socialista ou mesmo comunista vai se tornando cada vez mais atraente para os clérigos - fossem unitários, romanistas ou anglo católicos - professores, pequenos funcionários públicos, artistas, poetas, cientistas, etc enfim para tantos quantos recusavam-se a aceitar a realidade dada como única opção possível e aspiravam reconstruir a sociedade noutros moldes. A imensa produção de injustiça, miséria e ignorância no cenário áureo da Inglaterra vitoriana exasperava os setores mais reflexivos e críticos daquela sociedade na mesma medida em que agradava os donos do poder.

Desde 1870 os conflitos sociais tornam-se agudos e desde 1880 a 1920 há um grande esforço por parte das elites intelectuais, pertencentes as classes médias, no sentido de buscar soluções institucionais para o problema em termos de reformas e de reformas destinadas a limitar ou conter o Mercado. Na Inglaterra o conjunto dessas aspirações reguladoras (logo socialistas) de viés institucional, destinadas a proteger a pessoa do trabalhador recebe o nome de trabalhismo. Essas reformas são sistematizadas e organizadas de modo efetivo em 1945 quando Clement Attle esmaga o 'vitorioso' Churchill e adota uma agenda de bem estar social inspirada em J M Keynes. 

Destarte, num nível maior ou menos a Inglaterra foi socialista ao cabo de cem anos i é desde 1880 a 1980 i e ao período Tatcher e mais acentuadamente ainda a partir de 1945 sem que no entanto esta opção acarretasse maiores problemas ou levasse o país ao colapso. De fato nada no período pré Tatcher sugere qualquer tipo de crise mais séria em termos sociais ou econômicos. Havia estabilidade e relativa segurança. Neste caso qual a razão ou razões de Tatcher??? Antes de tudo a conjuntura externa da guerra fria e o decorrente alinhamento com os EUA. Era necessário demonstrar que a proposta neo liberal era não apenas viável mais excelente e aqueles que na Inglaterra sentiam saudades da doutrina clássica do lucro máximo compraram a ideia. Assim o socialismo foi em parte desmontado com o objetivo de promover ideologicamente o liberalismo num clima de guerra fria.

Tal a situação da Inglaterra. De modo que não se pode dizer que o socialismo não deu certo naquele contexto. Ser arbitrariamente removido num contesto de institucionalidade é bem outra coisa.

O segundo exemplo de socialismo bem sucedidos e tão bem sucedidos a ponto de amenizar os conflitos étnicos que seriam reavivados uma década depois - num contesto de liberalismo ascendente - é a então Jugoslávia de Iosip Broz Tito, a qual partindo do comunismo tomou um rumo sui generis, chegando inclusive a conquistar o respeito da URSS e a funcionar muito bem até a morte do Marechal, ocasião em que veio a passar por uma crise devido a questões de natureza política como a liderança e a ser levado de roldão juntamente com as demais sociedades comunistas do Leste Europeu.

O terceiro exemplo bem sucedido e muito bem sucedido temos nos países Escandinavos, capciosamente apresentados como capitalistas ou liberais por certa propaganda desleal e desonesta. Th Picket no entanto não apenas faz lembrar que tais países tem permanecido rigorosamente fiéis ao modelo de bem estar social inspirado em J M Keynes pois mais de meio século, como faz questão de demonstrar que tais países apresentam as mais altas taxas de impostos do mundo ( por onde se vê que não são liberais nem em sonho) e que o montante desses impostos é redistribuído a toda população por meio de investimentos sociais implementados nas áreas da habitação, educação, saúde, lazer e cultura, o que impede o aumento excessivo da desigualdade e a proliferação da miséria. Evidentemente que este mecanismo redistributivo, responsável pela situação de equilíbrio vigente em tais sociedades, não é econômico ou financeiro, mas político e externo ao Mercado. Nem se vê como esse princípio regulador externo esteja de acordo com as aspirações do liberalismo clássico...

A honestidade nos obriga a reconhecer que os países do Leste europeu nada tem de capitalistas, pois na mesma medida que concedem total liberdade a iniciativa individual ou privada, taxam implacavelmente toda as iniciativas bem sucedidas por meio de impostos com o objetivo de reverter parte da renda produzida pelas empresas capitalistas aos trabalhadores. Situação em que a sociedade ou o estado realiza uma mediação muito bem sucedida e eficaz. Claro que o livre consentimento dos liberais não esta em jogo e que eles não cessam de criticar ferozmente estes sistema, o qual nada tem de capitalista.

Ora este sistema de redistribuição de renda pautado nos impostos e na promoção social tem se mantido até hoje e se mostrado relativamente eficaz. Basta dizer que se trata das sociedades com o melhor índice de qualidade de vida do planeta. E que estão muito a frente da Sociedade norte americana, a qual como demonstraram Lênin e Rosa Luxemburgo não se pode sustentar sem recorrer ao imperialismo, a pirataria internacional e a guerra desde que conquistou os territórios indígenas em 1890 e atingiu o máximo limite possível em termos de expansão territorial contínua. Os cidadãos Norte americanos tinham razão em ser otimistas e confiantes em 1776 quando ainda havia um imenso território a ser conquistado e um montante colossal de riquezas naturais a serem pilhadas, o que possibilitava, até certo ponto a sustentabilidade. Outra é a situação dos EUA a partir do final do século XIX e especialmente no decorrer do século XX na medida em que a própria dinâmica do Capitalismo vai produzindo desigualdade e miséria cf Henry George 'Progresso e pobreza' e estimulando o conflito social.

Desde então a 'maravilhosa' sociedade Yankee teve de enfrentar um pavorosa crise econômica, com todo um lastro de tragédias pessoais e o recrudescimento da repressão com o consequente apego doentio ao mecanismo repressor da pena capital, além de implementar uma política cada vez mais imperialista - sancionada culturalmente pela doutrina do destino manifesto - responsável pela eclosão de centenas de conflitos por todos planeta. Diante disto não podemos deixar de pensar aquela sociedade animada pelo espírito capitalista como um morcego vampiro ou uma sanguessuga, enfim com um ser parasitário cuja existência depende da matéria tomada a outros seres, no caso a outras sociedades, votadas a uma situação de subdesenvolvimento (anemia espiritual).

Toda a vez que qualquer pessoa muito mal informada questiona-me sobre o fato do Capitalismo ir muito bem nos EUA obrigado ou dos EUA irem muito bem (não importa a forma da pergunta), limito-me a replicar: Mas a que preço, mas a que custo! Já pararam para pensa na contrapartida representada pelo imperialismo, o sub desenvolvimento, a miséria e as guerras??? Será pouco??? Acaso os EUA com seu belo capitalismo poderiam sustentar-se sem molestar ou abusar de outras sociedades ou manter-se ficando na sua??? Será portanto o capitalismo um modelo internamente sustentável ou um modelo que depende da existência de outras sociedades e continentes humanos a serem explorados ou melhor escravizados???

Só para concluir: Tenho observado diversos modelos socialistas perfeitamente realistas e funcionais em todo decorrer da História desde Faléias de Calcedônia. O que não me convence por outro lado é a perfeita funcionalidade de um modelo que dependa da pilhagem e da força, da guerra e da sabotagem, de embargos e terroristas para manter-se. E que tenha causado tantos problemas ao mundo em menos de cem anos. Por fim na medida em que este sistema de lucro máximo viraliza outras sociedades damos com os recursos naturais se esgotando, com a mãe natureza explorada num ritmo irracional e com a fauna e a flora cada vez mais ameaçadas por uma extinção em massa. Nesta perspectiva o que vejo e a ideologia ou proposta capitalista conduzir a humanidade ao suicídio ou convertendo-nos em predadores implacáveis. Afinal não podemos adotar propostas infinitas e pretensiosas num plano finito, e tampouco estimular os instintos agressivos e doentios do ego com esse tipo de proposta. De fato há em nós uma tendência que aponta para o egoísmo crônico, a qual precisa ser educada ou mesmo reprimida (pela ética ou pela fé religiosa é claro).

Tendemos a nos multiplicar ao máximo, a acumular ao máximo... mesmo sendo entidades distintas numa cifra alarmante. Tudo isto é marcadamente irracional até a loucura pois ignoramos nossa condição e os limites de nossos recursos, sonhando em pilhar outros mundos e oprimir as formas de vidas que neles vivam. O Capitalismo nos tem convertido em zumbis predadores alucinados por cérebros... Por isso profanamos a terra em que vivemos cf Scott Nearing estupramos a mãe natureza e convertemos a sociedade num inferno sobre a terra.

Enfim admitindo que os socialismos não tivessem funcionado não estaria demonstrado que o capitalismo funciona ou funcionou algum dia. Dado por certo que o socialismo não funcionasse por defeito estrutural ou de natureza interna, seriamos forçados a concluir que nada funciona. Tudo quando nos restaria seria o nada absoluto e a total falta de esperança. Ora o homem não pode viver sem esperança ou mesmo utopia. Em posse plena de suas faculdades não é um ser conformado... 









sábado, 10 de dezembro de 2016

BRASIL - As motivações ideológicas de um golpe

Se você acredita mesmo que o 'impitima' da presidente Dilma teve em mira acabar com a corrupção deveria começar perguntando-se sobre o 'pôrque' dela jamais ter sido citada na operação 'lava a jato'....
Tudo quanto se falava naquele tempo a respeito dela girava em termos de 'suspeita' ou 'omissão' o que por sinal jamais foi averiguado ou demonstrado...
Lula também era 'suspeito' e continuadamente acusado pela TV Globo, o quanto bastou para que sua indicação ao ministério fosse obstruída...
Os fatos são singelos: Dilma não cometeu um ato sequer de improbidade e todo seu processo seguiu pelos meandros da administração financeira...
Segundo se dizia a presidente era inepta para gerenciar a economia ou havia pecado por responsabilidade, tendo gastado muito com o SOCIAL é claro....
Claro que toda esta análise pode ser classificada como ideológica por implicar o que pode ser considerado prioridade para um governo, o Bem comum ou Bem estar dos cidadãos ou as necessidades do mercado financeiro. Um julgamento como este parte de princípios, valores e pressupostos ideológicos.
Retomaremos este enfoque mais adiante...
Importa saber que Dilma não prevaricou, jamais prevaricou. Não tomou dinheiro público para si, não encheu os bolsos com o produto de doações, não ocultou seus bens e rendimentos, etc, etc, etc
Se pecou, e é questão ideológica ou de interpretação, seu pecado foi venial ou leve em comparação com os pecados de seus denunciantes, digo da maior parte dos congressistas e inclusive dos líderes que a substituíram.
No entanto, apesar da mulher não ter roubado, era um orquestra de panelas ou sinfonia de talheres que não acabava mais, e sob a batuta da imprensa paga...
A Globo orquestrava denunciando o Lula ou repetindo tudo quanto já se sabia sobre o Dirceu e o Palocci e as massas saiam as ruas acompanhadas pelas ovelhas do pr Malafaia....
E era um tal de discursar sobre ética, virtude, moralidade, decência, etc que não acabava mais. Parecia uma sangria desatada....
Claro que todos os males e pecados eram artificiosamente atribuídos ao PT sem quaisquer considerações históricas em torno do passado recente.
Entrementes a horda do PSDB roubava merenda em S Paulo sem que disto resultasse maiores e mais graves problemas, afinal, segundo a praxe corrente eles roubam, julgam e absolvem uns aos outros com a mesma leviandade e a responsabilidade de apurar foi posta nas mãos dos compadres do DEM rsrsrsrsrsrsrsrsrs
Dos trens a merenda assaltavam o erário como ainda fazem mas a mídia paga olhos pra PT...
Ludibriadas pela telinha as ovelhas baliam e declaravam que removido o PT acabar-se-ia a corrupção e floresceria a virtude. E que corrupto algum permaneceria incólume!!!
E profetizavam a continuidade dos expurgos e a total purificação de um Congresso corrupto cuja impugnação aconselhávamos.
Se era necessário punir e castigar a Dilma por pecados tão brandos por que raios absolver e deixar incólume este Congresso cujos pecados eram infinitamente mais graves.
Assim se cabia julgar a presidente era ao povo que cabia julga-la, bem como ao Parlamento...
E isto pelo simples fato de que segundo nossas leis uma presidente jamais poderia ser julgada por sua política econômica senão pelos eleitores através de eleições livres.
Agora se insistiam em julga-la é pelo povo que a elegeu e por meio de consulta popular que deveria ter sido julgada mas não só ela, também o Congresso nacional,
Do contrário nos limitaríamos a substituir um governo supostamente corrupto ou mesmo inocente por um governo notoriamente corrupto e viciado.
O Histórico demagógico desta oposição era já bastante conhecido.
E conhecidas são as manobras imorais levadas a cabo pelo vice presidente e seu partido com o objetivo de obter apoio para a manobra do 'impitima' acenando com cargos e consequentemente proventos... Afinal a oferta de cargos entre nós representa o mesmo que a oferta de pro consulados representava para a estrutura política do Império romano.
Critica alguma neste sentido foi considerada seriamente e tudo foi entregue nas mãos de um Parlamento essencialmente venal e conhecidamente poluído pela corrupção.
Mas a promessa era de que a purificação não teria fim e de que o Congresso tornar-se-ia, oh Sancta simplicitas, auto limpante.
Malgrado esta crença supersticiosas não tardou para que o virtuoso Parlamento que derrubou a presidente honesta forceja-se por postergar os castigos a que a lei dispunha aqueles todos que haviam até que principiassem a sabotar as reformas destinadas a combater a corrupção, e a ameaçar a autonomia dos magistrados inclusive!!!
E caiu do teto do Parlamento uma chuva ou uma torrente de emendas imorais duma tolerância safada para com a corrupção e destinada a mantê-la não apenas viva mas imperante naquele recinto.
Diante disto éramos e somos levados a cogitar sobre a honestidade e idoneidade destes homens e mulheres que após terem deposto uma presidente com base em boatos e suspeitas jamais averiguados consagraram-se logo a tarefa de 'amaciar' justamente as medidas destinadas a extinguir a corrupção política.
Se são honestos por que empenharam-se em tornar as normas e regras mais laças e flexíveis eliminando o necessário vigor com que se deve combater tais crimes????
Caso não devam por que aparentaram tais temores em face da dureza das leis???
Caso suas fichas sejam ilibadas por que demonstraram tanto desconforto face aquilo que estava planejado???
´
Aplique-se aqui o 'Quem não deve não teme' extraía-se o temor e consequentemente a dívida moral dos Congressistas!
Era o que já se sabia por dedução pura e simples.
Agora quantos dos cidadãos que saíram as ruas para gritar contra o PT saíram para gritar contrar estes congressistas safados????
Quantas passeatas, protestos e procissões foram realizados exigindo a deposição deste Congresso venal????
Quantos bateram panelas e talheres face as iniciativas grotescas dos parlamentares???
Pra onde foi a mobilização contra a corrupção após a deposição da Dilma????
Quais as iniciativas tomadas por tais cidadãos diante da ousadia com que nossos demagogos tem buscado diluir e suavizar as medidas anti corrupção????
Quem não percebe que com o apoio de um presidente corrupto e disposto a sancionar em benefício comum laboram apenas em causa própria buscando fugir as malhas da lei, desmobilizar a lava jato (por eles usada matreiramente apenas contra o PT) e restabelecer o status quo do antigo regime (FHC) quando deitavam e rolavam com os recursos do erário????
E no entanto não se ouviu um grito de indignação e fez-se completo silêncio e mutismo.
Agora por que se como alegavam estavam tomados por um santo zelo direcionado a corrupção inventada pelo maldito PT????
Vou responder de modo bem simples e categórico:
Por que o tema da corrupção não passou de desculpa ou pretexto com que desmoralizar o PT e derrubar a presidente legitimamente eleita.
Mas por que careciam de derruba-la???
Porque devido a uma questão de princípios ou de orientação ideológica ela tendia a ser mais resistente face as reformas sociais e econômicas esperadas pelos setores neo liberais ou liberais da Sociedade brasileira. Refiro-me evidentemente aos milionários, banqueiros, patrões, etc Enfim a fina flor da burguesia nacional representada pela FIESP e cujas aspirações ideológicas haviam sido atalhadas há mais de quinze anos pelo governo Lula. Tais setores jamais se conformaram com o abandono da cartilha ou projeto neo liberal até então orquestrado pelo governo FHC.
A situação tornou-se ainda mais grave ou pior para tais setores no momento em que após longa demanda assumida pelo corruptíssimo Cunha prevaleceu em termos legais que os empresários já não poderiam financias candidaturas ou melhor contratar representantes entre os futuros políticos. Destarte a situação tornou-se preocupante e o papel deste congresso eleito com os recursos subministrados por eles tornou-se historicamente relevante da noite para o dia.
Cogitaram e cogitam ainda sob que Parlamento poderia ser eleito em 2018 ou sobre as decorrências de um Parlamento menos dependente deles financeiramente falando. Um Congresso mais autônomo ou livre do Mercado jamais é interessante para eles na medida em que se mostraria menos empenhado em votar e aprovar docilmente tudo quando desejassem... Tanto pior se o Lula retornasse a presidência. Neste caso teriam de postergar a imposição do modelo neo liberal até pelo menos 2028.
De fato este Congresso servil financiado pelas elites econômicas muito prometia e renovava as esperanças dos liberais. Havia porém um seríssimo entrave! A eleição vitoriosa de uma presidente trabalhista e infensa senão a reformas ao menos as reformas mais drásticas ou danosas ao interesse dos mais humildes, alias sua plataforma eleitoral.
Então como a presença da mulher com poder de veto punha em risco as tão ansiadas reformas econômicas a solução foi servir-se dos préstimos oferecidos pela imprensa (a peso de ouro é claro) e clamar por sua deposição.
O apelo em torno da corrupção, ainda que suposta (nela), da moralidade e da virtude foi tomado a pregação fascista neste caso fortalecido pelo puritanismo religioso e seus preconceitos.
Disto decorrendo uma sinistra coalisão entre liberais, teocráticos, fascistas, nazistas e até mesmo alguns monarquistas desorientados. Todos repetindo conhecidos chavões ou palavras de ordem contra a corrupção e jurando de pés juntos que antes de 2000 este país jamais a conhecera... Apesar de um certo FHC ter vendido nossos recursos a preço de banana, embolsado parte deles e empregado com o objetivo de comprar uma emenda destinada a perpetua-lo no poder!!! Refiro-me a escandalosa compra da reeleição...
Por fim, coisa de dois ou três dias chegou a imprensa o que já se sabia por outras tantas denuncias anteriores: Que a antiga oposição ou o novo governo, o presidente golpista, o presidente do Senado, o governador de Sampa, os caciques do PSDB, etc estavam todos envolvidos em esquemas milionários de propina e desvios de verba.
A situação todavia não mudou em nada e ainda estamos aguardando pelo ribombar das panelas...
Até agora silêncio absoluto e total mutismo face a corrupção dos outros, digo do PMDB/PSDB...
Governam o presidente corrupto denunciado dezenas e dezenas de vezes, o Calheiros corrupto alias detonado por ministro M A de Mello, o famigerado ladrão de merenda de Sampa, o ministro serrador e toda malta de canalhas execráveis que inda teem o desplante de vir a público para apregoar as funestas reformas do ensino e da previdência, além é claro da PEC da morte...
E governam....
E fazem bem pouco caso do povo a que alegam representar...
E estão dispostos a burlar todos os mecanismos democráticos com o objetivo de impor tais reformas...
Enquanto o tema da corrupção sai de pauta...
E a virtuosa milícia de paneleiros sai de cena...
E a imprensa presta-lhes os mesmo serviços de sempre editando músicas, jogos, novelas, etc
Neste momento não parece interessante insistir sobre corrupção ou conclamar os telespectadores as ruas para protestar contra o governo Temer.
Resta-nos perguntar por que???
Simples, porque este governo sujo, imundo, corrupto, demagógico e farisaico corresponde perfeitamente aos propósitos do poder econômico porque foi financiado ou contratado i é a imposição de um modelo político inspirado na ideologia econômica liberal ou neo liberal de que decorre:
  • O corte de gastos
  • A eliminação dos programas sociais destinados a contemplar a população mais humilde.
  • A queda de qualidade dos serviços públicos, e enfim
  • As privatizações, com o fortalecimento do setor privado e o aquecimento do mercado.


    Devemos acrescentar ainda os lucros auferidos pelos políticos corruptos durante a festa da privataria, com que contam para perpetuarem-se no poder, a exemplo do famigerado FHC e outros tantos...


    Importa que esses homens sem consciência decretem e imponham a PEC da miséria. Pois na medida em que os miseráveis aumentarem aumentará o mercado de reserva ou a oferta de mão de obra super barata. Segundo sabem e creem os patrões o auxílio oferecido pelo governo aos mais pobres possibilita que estes no gozo da liberdade, recusem-se a trabalhar a preço de banana ou melhor a pão e água e lhes propicia a possiblidade de negociar com o contratante, diminuindo os lucros obtidos pela mais valia e exasperando-os, digo aos patrões.

    Por isso os patrões contam com o corte dos recursos sociais e com o recrudescimento da miséria para lucrar mais intensamente, pois quem não quiser trabalhar como escravo morrerá de fome na sarjeta....

    Já a demolição da previdência social por meio das reformas implicará na consolidação da previdência privada e num enriquecimento substancioso dos banqueiros....

    Por fim através da reforma do Ensino esperam reduzir ainda mais sua qualidade já duvidosa e privatiza-lo por completo... Sempre com agravo dos mais pobres e humildes.

    Tudo isto faz parte de um programa mais amplo de inspiração liberal ou neo liberal bem a gosto de nossos coronéis e caciques e como o novo governo golpista esta decidido a fazer-lhes as vontades e a impô-lo a fina força sua corrupção, ao contrário da do PT, é supinamente desconsiderada. Resta-nos concluir que o tema da corrupção não passou de desculpa com o objetivo de derrubar um governo menos corrupto, mais livre e portanto mais resistente.

    Assim trocamos ou substituímos um governo que não era santo, puro, imaculado ou impecável por um que é sem sombra de dúvidas bem mais sujo e corrupto e que além disto é contrário ao bem comum ou aos interesses populares de modo geral, uma tragédia....

    Não o golpe não foi contra o PT mas contra o povo brasileiro, agora estão prestes a romper todas as cordas do lado mais fraco e os mais pobres estão prestes a serem sacrificados para pagar as dívidas de uma crise enquanto os mais ricos estão prestes a lucrar ainda mais e a colher os frutos!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A malignidade essencial da PEC 241





Adequar os gastos é um bem


Nada mais comum do que os lares e famílias planejarem o teto daquilo que haverão de gastar num mês ou num ano. Aqui a ideia não parece apenas boa mas excelente.

Diante disto como negar ou contestar que uma determinada Sociedade deva refletir conjuntamente sobre seus gastos e adequá-los a arrecadação?

Afinal não se pode gastar mais do que se arrecada.

Portanto se a renda somada de uma família comporta R$ 1.000 (hum mil) não se compreende que esta família gaste 1.500. Pois ficará endividada...

Até aqui ponto pacífico.

Não negamos nem questionamos que os gastos de um governo sejam limitados e suas despesas fixadas pela arrecadação.

Neste caso por que o governo golpista do sr Temer não pode cortar os gastos???



Aumentar a arrecadação ao máximo é um bem maior




Numa família bem estruturada antes de cortar os gastos essenciais cogita-se antes de tudo em aumentar o montante da renda adquirida.

Mas como?

A mãe passa a costurar ou fazer doces pra fora, o pai faz hora extra, um filho passa a entregar jornais, outro a engraxar sapatos... Pai e mãe procuram ocupações melhores...

De modo que ninguém fique sem aquilo que é essencial: alimento, medicamento, roupa...

Antes de restringir o consumo de bens essenciais qualquer família tenta e busca aumentar sua renda ao máximo.

Não é isto que tenta fazer o governo golpista...

O qual certamente abandonou o projeto do governo anterior que era sobretaxar as grandes fortunas.



O que fazem os países mais avançados e desenvolvidos do planeta?



O que é feito nos países mais civilizados do planeta lá no Norte da Europa, em especial na Escandinávia!

E antes que alguma lorpa venha pontificar declarando que a Escandinávia ou a Bélgica, ou a Holanda são países de economia liberal ou capitalistas sou levado a esclarecer que eles mesmos apresentam-se como social democratas ou keynesianos (leia-se bem) voltados antes de mais nada para o bem estar social dos cidadãos e não para as necessidade do Mercado financeiro.

Nada mais justo do que sobretaxar aqueles que por meio da mais valia produzem as condições de desigualdade que aumentam paulatinamente a miséria.

Pelo que devemos classificar essa sobretaxa como retorno social e meio porque atenuam-se tais condições. Por meio de programas assistenciais implementados pelo poder público nas áreas da Educação, Saúde, Habitação, Lazer, Segurança, etc todos os membros do corpo social passam a ter a oportunidade de fruir uma vida digna e diminui-se o grau de tensão social que produz a violência, os conflitos e as sedições.

O rico continua rico, embora um pouco menos rico, enquanto cidadão algum experimenta situações de miséria extrema como aquelas que conduzem a angústia e a revolta extremas. E todo corpo social mantem-se mais ou menos coeso e em paz. Quando todos tem chance de comer, vestir, habitar com comodidade, adquirir medicamentos e sentir-se seguros não há porque alterar violentamente um tal estado de coisas.

O que por sinal é bom para os ricos de lá, os quais compreendem perfeitamente o sentido de tal mecanismo e não se recusam a colaborar.

Eles sabem e muito bem que as baionetas teem dos gumes e que a mesma baioneta que hoje fere e massacra os humildes, pobres, oprimidos, excluídos, miseráveis e deserdados poderá num futuro qualquer voltar-se contra eles e feri-los de morte...

Sabem porque eles ou seus governantes, diplomatas e funcionários deram-se ao trabalho de estudar os clássicos da sociologia produzidos ali mesmo na Alemanha, na Aústria, na França ou na Inglaterra; atitude que entre nós brasileiros é encarada como supina loucura.

Para nós Sociologia não existe...

Cumpre explorar ao máximo os pobres, restringir salários e direitos, produzir situações de violência e miséria, recorrer aos serviços da polícia ou do exército ou seja do aparelho repressor e dormir em paz no berço esplêndido.

Taxar os honestos e esforçados empresários que tantos e tão enormes benefícios proporcionam a República parece monstruoso a alguns de nossos cidadãos...



Um espantalho povoando a mente tupiniquim...



É coisa de COMUNISTAS ousam bradar alguns sempre na esteira da cultura popular norte americana, cujo irracionalismo assimilaram...

Sem cogitar que os países do Norte da Europa - que eles mesmos apreciam classificar muito rapidamente (devido ao singular padrão de qualidade de vida) como liberais ou capitalistas - usam e abusam de tal recurso (!!!???!!!). Mas santa Fredegunda será possível ser liberal e comunista ao mesmo tempo??? Liberal pela qualidade de vida (coisa que República liberal alguma fornece a sua população) e comunista pela arrecadação que a sustém???



É a doutrina social da igreja romana comunista???



Quanto aos supostos 'católicos' ou membros da igreja romana (porque este país é majoritariamente romano ainda hoje) que compactuam com semelhante estado de coisas, eu que sem ser papista muito aprecio a doutrina social de sua comunhão, reproduzirei abaixo as linhas de um documento oficial elaborado pelo Cardeal Mercier de Malines:

"A mesma política preventiva justifica-se a respeito de certas DESPROPORÇÕES EXCESSIVAS NA REPARTIÇÃO DOS BENS DESTE MUNDO: INSTRUÇÃO, EDUCAÇÃO, RIQUEZAS MATERIAIS. INCUMBE AO ESTADO COLABORAR, DE SEU LADO, NA REALIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES FAVORÁVEIS A ASSUNÇÃO DO NÍVEL DE EXISTÊNCIA DOS MAIS HUMILDES, DE SORTE QUE TODOS TENHAM ACESSO A UM MESMO NÍVEL DE INSTRUÇÃO, DE EDUCAÇÃO E DE INSUMOS NECESSÁRIOS A UMA VIDA PLENAMENTE HUMANA.

ASSIM O QUER O BEM COMUM, POIS UMA CERTA COMUNIDADE NÃO PODE SUBSISTIR EM PAZ DE CLASSES QUANDO A ABUNDÂNCIA SUBSISTE DE PAR COM A MISÉRIA EXTREMA."
Código de Moral política parag 152

Achei por bem transcrever tendo em vista o esclarecimento desses maus católicos que buscam conciliar o inconciliável: a doutrina no mínimo social democrata ou de bem estar (bem comum para Aristóteles e Aquino) com o espírito liberal economicista DE ORIGEM PROTESTANTE (Cf Max Weber, Tawney, Huxley, O brien, Fanfani, etc) canonizado pelo judeu e ateu L Von Mises papa dos traidores.

A igreja romana e todos os Catolicismos (o Ortodoxo e mesmo o anglicano) nada tem de liberal em termos de economia. Compreende a economia como atividade humana, subordina-a a imperativos éticos e admite certo grau de intervenção ou controle por meio do corpo social ou do estado supondo que possa desprender-se em certa medida das mãos da burguesia e converter-se num órgão mediador ou redistribuidor reforçado pelas eleições e pelo exercício da cidadania. Não acredita, de modo algum, na auto regulação do mercado ou na autonomia do econômico face ao político ou ao social e por isso não compactua com a superstição liberal ou neo liberal.

Assim os papistas que alistam-se inadvertidamente nas fileiras do capitalismo e formam as hostes do sr Von Mises fazem-no porque são ignorantes em matéria de doutrina social da Igreja, tradição patrística, escolástica, etc ou porque são safados mesmos - falsos católicos de coração e alma calvinizadas e agrilhoadas aos pés do deus Mamon, lucro, capital ou milhão...

Por ai se vê que propor bem estar social, bem comum, fraternalismo, etc nada tem a ver com COMUNISMO OU COM KARL MARX eterno bicho papão dos liberais.



Uma tradição anti liberal



Do contrário a igreja romana - reputada por muitos como a suprema adversária e inimiga do COMUNISMO - seria comunista...

E não me venham as lorpas liberais dizer que tudo isto é fruto da 'satanizada' TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO como folgam faze-lo PORQUE O PAPA LEÃO XIII, autor da Encíclica "Rerum Novarum" floresceu na última quadra do século XIX... Havia no entanto CATOLICISMO SOCIAL, alias anterior a Marx, haviam Ketteler, Meignan, De Munn, De Amicis, Nitti, Brunetière, Lammenais, La Cordaire, etc, etc, etc 

E antes deles Mably, Morelli, Campanella, Morus, António de Padua, Aquino, etc

Perpetuando o sentido fraternalista, comunitarista, solidarista, trabalhista, socialista, etc (usem o nome ou termo que quiserem para exprimir o conceito que não munda absolutamente nada) presente no pensamento patrístico, apostólico, evangélico chegando mesmo a alguns profetas do antigo Israel.
O que implica sua essencialidade em termos de Cristianismo.

É uma corrente jamais quebrada cujos elos perpassam a História, as idades, os tempos e chegam ao Verbo Jesus Cristo.

Portanto se alguém aqui foi aluno ou assimilou algo desta ética multimilenar foi justamente o sr Karl Marx limitando-se a radicaliza-la segundo os cânones de seu materialismo e a lançar uns temperos ateísticos que a meu ver não lhe caíram bem. Ficou o marxismo insonso por sua mistica ateístico materialista e depois amargo ou azedo por seu conteúdo totalitário no entanto, sua Ética ou tendência altruística, esta - DEMONSTRA-O CABALMENTE O ILMO DR LUIZ FRANCISCO F DE SOUZA EM SUA MAGISTRAL OBRA (calhamaço de 1150 pags que ainda aguarda pela refutação dos comunóides ou dos liberais) "SOCIALISMO UMA UTOPIA CRISTÃ" 2003 Ed Casa amarela - esta recebeu-a do Cristianismo Católico que é sua fonte.

Alias a obra por magistral é incompleta por não mencionar ou omitir, salvo engano meu, os franceses De Munn, Meignan, Ozanam... e tampouco a Mother Jones, S Weil, Dorothy Day e outras flores do Catolicismo. Penso enfim que poderíamos juntar mais outro alentado calhamaço com outros tantos nomes de clérigos e fieis Católicos (anglicanos e ortodoxos inclusive) notáveis por terem combatido e denunciado o modelo liberal desde seu advento até nossos dias e ainda se me ocorrem: Leon Bloy, Mounier, Maritain, Berdiaeff... os quais, cada qual a sua maneira em em diversos graus propuseram outros modelos de organização social mais condizentes com a dignidade humana afirmada nos Santos Evangelhos e por toda tradição genuinamente Cristã infensa a injustiça e a miséria.


Heresia para os liberais!


No entanto o que se justifica face a doutrina social da igreja romana, as investigações levadas a cabo pelos mais conceituados sociólogos, as conjecturas salvíficas do Dr Keynes não passa de heresia para nossos liberais matriculados na escola do sr Mises, o papa da economia de Mercado.

Refiro-me ao aumento da arrecadação por meio da taxação das grandes fortunas... Meio porque a República bem poderia encher seus cofres e nada cortar em termos de gastos públicos.

No entanto como no novo governo empenha-se a favor dos ricos e empresários pelos quais é dominado enquanto vassalo da FIESP...

A política resume-se em poupar o viajante mais pesado ou gordo e para sua maior segurança lançar o viajante mais magro, sem para quedas, pela porta do avião (que no caso ameaça cair). Implica como veremos em sacrificar o trabalhador ou em imolar os mais humildes. De certo, passamos por uma 'crise' este é o mantra... no entanto quem terá de pagar por ela será o produtor, o homem comum, o cidadão de modo algum os mais afortunados, nababos e endinheirados; os quais não só continuarão a lucrar muito como sempre como até - e este é o verdadeiro motivo ou a razão final da PEC - aumentarão bastante seus lucros!

Enquanto você, meu amigo minha amiga, que aclamou a queda da presidente legitimamente eleita e gritou nas ruas contra o PT ficará sem eira nem beira ou na pindaíba como diziam nossos nobres e excelentes ancestrais, isto se houver pindaíba. Pois ela, como as carroças de papelão e o lixo, haverão de ser disputadas por todo um povo primeiramente manipulado e em seguida desassistido.

Por fim descartada a solução mais inteligente e acertada, que é a taxação dos milionários só nos resta enfrentar a PEC 241 isto é os cortes no orçamento, a redução dos gastos, o teto das despesas e temos de entender o que isto de fato significa e o impacto que produzirá em nossas vidas!


Portanto se deseja conhecer o real significado da PEC 241 leia atentamente a segunda parte deste artigo.  Tenho certeza que as escamas cairão de seus olhos como sucedeu com o então Saulo de Tarso em Damasco, na casa de Ananias. Assim deixando de ser um cego passarás a ver e cessando de ser ignorante passarás a saber e a conhecer o futuro a que fostes destinados, tu e tua família, por nossos governantes sem consciência.