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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Nos domínios tenebrosos do 'Evangelistão'

Para aqueles que vivem em S Paulo ou vivenciaram, nos tristes anos 90, a expansão do Tucanistão a nível nacional, era difícil ou mesmo impossível conceber algo pior, embora eu mesmo, como ex protestante, sempre tivesse em mira, quiçá intuitivamente, essa possibilidade.

Mesmo porque o Brasil é exemplo universal quanto a possibilidade do ruim tornar-se ainda pior, e do pior agravar-se.

De modo que ao tucanistão e a lulopetismo (Cujas virtudes e defeitos não ignoramos.), de carona num vergonhoso golpe, chegamos ao evangelistão bolsonarico em que uma cáfila de pastores oportunistas, não apenas tomam de assalto o Estado e a administração pública como tem o desplante de querer controlar as vidas dos cidadãos, de restringir suas liberdades, de domina-los e de querer impor-lhes a moda bíblia - Não o Evangelho de Cristo é claro, mas o antigo testamento, com seu padrão voluntarista e odinista.

Hoje por sinal, tendo meu irmão ido ao médico e encontrado um amigo comum (Alias ex protestante como eu.), este enojado teria dito a meu irmão, algo que costumo repetir frequentemente: Este governo mesmo sendo formalmente democrático, consegue ser pior, repito consegue ser pior, do que a ditadura militar.

Pois se a ditadura torturou apenas alguns milhares de cidadãos este governo apoiado pelos falsos cristãos fundamentalistas, tem torturado indiretamente dezenas e dezena de milhões por meio da inabilidade, da miséria, violência, da ignorância, da negação de direitos, etc É todo um povo ou melhor uma nação sendo indiretamente torturada, inclusive em sua alma.

E se o FHC ocupava o primeiro lugar entre nossos piores presidentes é isto coisa do passado. Impensável a cerca de cinco anos, porém, atualmente inequívoco. 

Jamais enfrentou nosso país algo ou alguma coisa semelhante a Bolsonaro ou ao Bolsonarismo. Coisa muito próxima não de um Mussolini - Sinto desapontar a esquerda desmiolada! - mas de um Hitler (Temos de ser precisos, exatos e taxativos!), de um Calvino, de Bush, de um Trump... Pois o modelo de Bolsonaro, se é que modelo tem, não esta na Itália ou nas obras de um Mussolini, mas nos EUA, nas obras dos pastores e remotamente dos economistas liberais de Chicago. Não Roma, mas Chicago. Não Europa ou Itália mas América do Norte.

Daí o empenho de crentes e fanáticos, os quais, novidade não é, há muito que acalentavam conquistar antes de tudo culturalmente esta infeliz república para em seguida converte-la numa nova Genebra, ou conquista-la politicamente e valer-se da força com objetivo de estabelecer leis bíblicas ou melhor vetero testamentárias sacadas a Torá.

É plano antigo que os calvinistas, comunicado de geração após geração e transplantado de espaço em espaço desde Genebra, implantar um reino sectário e judaizante sobre a face da terra. E já traçamos com detalhes o roteiro desse plano, de Genebra ao Brasil passando pela Inglaterra e pelos EUA, lugares onde sucessivamente abortou. Fato é no entanto que não são somente os sunitas lá do Oriente médio que com sua sharia se opõem as instituições politicamente liberais, democráticas e laicistas, quiçá estimulados ainda mais pela opressão e pela miséria. Não - Pois há também nos EUA, a mais prospera e poderosa nação do planeta, e mais precisamente no Sul, há milhões de sectários bíblicos, fundamentalistas e fanáticos que odeiam tais instituições e quiçá com maior intensidade.

Afinal a cepa dos calvinistas, deterministas e adversários da liberdade, muito agradaria usar todo esse poder temporal e político com o objetivo de impor o biblismo a ferro e fogo, quiçá as nações romanistas e Ortodoxas. O que já se empenharam em fazer durante todo século XVI e parte do século XVII. A bem da verdade mesmo os não calvinistas Muntzer e Zwinglio, partindo do antigo testamento, aduziram a legitimidade de levar o novo evangelho a ferro e fogo, lavando a terra com sangue. Forjando assim uma jihad 'cristã' semelhante a de Maomé, e um dos homens mais sábios que caminhou sobre a terra Guilherme Postel - Avançando no terreno futuro da Sociologia Religiosa - julgava que os reformadores teriam lido o Corão em lugar do Evangelho... No entanto o que eles leram foi mesmo a Torá ou antigo testamento, em parte por descuido e parte da Igreja Antiga.

Claro que nas atuais condições uma tal ação seria impossível. Mesmo considerando que os fanáticos sejam irracionalistas. Damos no entanto uma tal manobra política calvinista como altamente improvável. Já outra coisa seria escorar-se sutilmente no poder do Estado Yankee, auferindo recursos e regalias diplomáticas em favor da fé, tal e qual sucede hoje no Brasil, quando aos pastores parasitas se concede passaporte diplomático ou o uso de aviões presidenciais, ou quando uma seita convoca o governo a defender seus direitos noutro pais, donde seus representantes foram defenestrados sob a pecha de avareza... 

Lá no entanto, onde o espírito democrático é bem mais forte, o máximo que esses vampiros lograram obter foi essa sutil mancebia sob os governos Bush e Trump, os mais lesivos e sinistros do ponto de vista da política internacional e autênticas calamidades. Com o Trump, o mais imbecil entre eles, concebeu-se lá o inconcebível i é uma tentativa de sedição, certamente apoiada por tais grupos, a qual felizmente foi esmagada sem piedade ou contemplação pelos militares. Inda quando o golpista do Norte, conta-se com a solidariedade de alguns zumbis no próprio parlamento, uma vez que nem todos os teocráticos por lá são abstenceístas, e parte deles também cogita destruir a democracia e construir uma democracia por dentro i é com a ajuda de demagogos fundamentalistas eleitos por eles. 

Tanto lá como aqui a democracia precisa criar mecanismos com que proteger-se da infiltração dos militares e dos pastores seus principais adversários. Quanto aos militares porque não devem em hipótese alguma transmitir ideologias partidárias ou sectárias na caserna, a qual cabe defender o país como um todo e suas instituições. Quanto aos pastores porque não devem tirar proveito do poder espiritual para, a partir dele conquistar o poder temporal ou político. Uma vez que não sabem ou se recusam a raciocinar em fora da bíblia ou em termos comuns, e buscam impor suas crenças, tomadas a bíblia, a todo corpo social, compreendendo séria ameaça ao laicismo e evidentemente ao liberalismo religioso que é um dos pilares da ordem democrática.

Importa dizer que as aspirações desse grupo é tanto mais humilde e realista embora não menos perigosa, consistindo em apossar-se do Estado com o objetivo de impor leis bíblicas ou judaizantes, i é moralidades 'reveladas' ou 'cristãs' ou de impedir o avanço de leis e pautas que consideram anti bíblicas, tendo em vista manter invulneráveis determinados preconceitos presentes em nossa cultura. Tal o objetivo da política protestante ou bíblica aqui representada pela perversa bancada evangélica e como vemos é anti naturalista e consequentemente anti democrática. Por menos nossos ancestrais causaram grande danos ao papado no século XIX, embora o papado honestamente revindicasse para si um padrão de autoridade, que o protestantismo, pautado no exame individual e livre, não pode revindicar sem que lhe caiba a pecha de hipócrita.

Foi desse empenho teocrático que surgiu a dita bancada evanjéguica no final do passado século, não com o junto objetivo de defender igrejas porventura perseguidas e sim com premeditado objetivo de tomar posse do poder em benefício próprio i é com o propósito de manter ou se possível de aumentar seus privilégios, até suportar essa política puritana e firmar leis bíblicas inspiradas na fé. 

Claro que tudo isto vai muito mal com as instituições liberais e democráticas assentes em nossa Magna Lei que é a Constituição.

Por isso esses homens ambiciosos e arrogantes não tardaram em editar um lema essencialmente virulento: Bíblia sim, Constituição não.

Posto que o Velho testamento individualmente interpretado sanciona os mais deploráveis crimes condenados pela Constituição como o assassinato em nome de Deus acompanhado pela tortura e pelo estupro inclusive. Admitida tal aberração as wiccanistas teriam de arder em nossos jardins, uma vez que a Torá determina que as bruxas sejam queimadas... a partir daí iriamos de abismo em abismo, até os cientistas e as pessoas civilizadas, adeptas do evolucionismo biológico serem decapitadas ou enforcadas por heresia no tribunal dos fanáticos. Basta lembrar que lá no EUA houve um processo Scopes em pleno século XX. Já me referi a oposição suscitada contra Copérnico por Lutero, a questão da circulação do sangue na condenação de Servet, a condenação de Celsius pelos luteranos no século XVII, a condenação da vacina pelos pastores, a oposição por parte dos mesmos ao para raios de Franklin,  a destruição do laboratório de J Prestley pelos sectários no final do século XVIII, etc tudo tudo feito em nome da bíblia ou da leitura da bíblia. Apegue-mo-nos pois a Constituição, coração da vida democrática, a qual felizmente conhece limites, pois a bíblia não o conhece e tampouco seus leitores exaltados.

Com o dizer bíblia designam a bem da verdade seu leitor, i é o pastor que lhe dá sentido e santifica ou diviniza suas opiniões colocando-se acima da lei e exercendo autoridade arbitrária. O Resultado de toda essa treva de bíblia e livre exame sim, sem a existência de uma lei constitucional, temos no horrendo julgamento das 'bruxas' de Salém... 

Caso queiramos evitar que tais cenas se repitam no tempo futuro temos de afastar ou melhor de preservar o poder político de quaisquer injunções advindas da bíblia, do corão, do avesta ou de quaisquer livros religiosos. É o elemento comum da razão que deve gerir o Estado ou o poder político com exclusividade. Como ex protestante direi que  maior parte dos protestantes, fixados não no Evangelho mas no antigo testamento, não assimilaram este padrão de pensamento ou introjetaram o espírito democrático, do que tiram proveito os pastores inescrupulosos. 

Agora essa manobra ou conjuração teocrática cerra fileiras com Bolsonaro e chega a ameaçar o STF, o qual apesar de seus erros e senões (Pois não pretende ser tribunal infalível que infalivelmente queima inocentes em nome de Deus.) é custodiário de nossa Lei maior, a Constituição, suprema garantia de nossas liberdades e direitos essenciais. Por isso dar combate ao STF, face as ações arbitrárias desse governo desumano e cruel, equivale a gritar: Bíblia sim, Constituição não.

E como não pode a Hidra bolsonarista atingir o STF por fora i é por meio da sedição, devido ao amor que alguns dos cidadãos ainda tributam a vida democrática e suas instituições, optou o déspota atacar o STF por dentro lá lançado um cavalo de Tróia ou comprometendo-se com seus apoiantes fundamentalistas a indicar a próxima vaga que porventura surgisse no STF um cidadão 'Terrivelmente evangélico' ou melhor dizendo um cidadão terrivelmente bíblico, fundamentalista, fanático, sectário, protestante...  Agora veja o leitor amigo onde chegamos com essa política bolsonarista, que concede a todo instante algum benefício aos fanáticos. Em que pese também terem votado nele certo número de ateus, irreligiosos, papistas, ortodoxos, espíritas... Incoerentes, desorientados e alienados, que agora se limitam a fazer discreto 'Mea culpa' enquanto que o poder é entregue aos pastores e seus lacaios.

São diversos ministros pastores como o Milton, a famigerada Damares, etc E agora é um pastor, cuja visão de mundo está fixada na bíblia ou no antigo testamento, o sr André Gonçalves, indicado para aquela vaga... Pelo simples fato de ser protestante ou terrivelmente 'evangélico', sendo sua indicação impulsionada por um elemento credal, o que é inadmissível na perspectiva da laicidade. Não se indica ou se deve indicar alguém para tornar-se titular de qualquer cargo público com base em suas convicções pessoais ou crenças religiosas. Tal postura é inconcebível por parte de um agente democrático. 

É, fazer distinção religiosa colocar um cidadão acima dos demais por ser afiliado a determinada crença. É exercer discriminação e rebaixar todos os outros cidadãos da república. É violar o princípio da isonomia assente na Constituição e humilhar os demais serventuários da lei. Pior, muito pior, é privilegiar um credo ou uma fé com objetivos demagógicos ou eleitoreiros. É usar cargos e dignidades públicas destinadas a servir a democracia como vil moeda com que comprar o apoio de fanáticos sediciosos. 

Isto no mesmo momento em que outro pastor amancebado com esse governo, um certo pastor Hamilton, envolve-se - Como para nos era de se esperar haja visto que outro pastor politiqueiro, o Everaldo, já se encontra atrás das grades, fazendo companhia ao pastor Cunha, outro corrupto! - em grave escândalo relacionado com a vacina! E enquanto diversos pastores fanáticos pelejam em favor do coronavírus, fazendo com que os índios não se vacinem... Desde a conspiração da vacina, contra Jenner, no século XVIII,  a coisa não evoluiu muito, tornando esses diletantes a afirmar que brotarão chifres nas cabeças dos imunizados, ou que receberão um chip ou ainda que serão transformados em gays - No passado eram lobisomens rsrsrsrs

Lamento a rude franqueza mas é coisa que não se vê no papismo e na Ortodoxia 'idólatras', no espiritismo, no judaísmo, do budismo, do ateísmo, do materialismo, etc mas somente na excelente religião bíblica dos salvos, eleitos e predestinados.

Tristemente havíamos já deparado com tais situações nocivas durante o inicio da pandemia com pastores e fanáticos cuspindo em enfermeiras, espalhando o vírus em seus cultos, recusando-se a usar máscaras ou a ficar em suas casas, etc alguns inclusive participando ativamente de marchas bolsonáricas e chegando a agredir profissionais da saúde... Tudo isto esse bando de fanáticos fez e continua a fazer neste pais, sendo agora brindados a guiza de recompensa com um provável ministro no STF, destinado a sabotar ou a tentar sabotar nossas liberdades, garantias e direitos, e o cúmulo dessa comédia pastelão será ve-lo querer introduzir orações, cultos ou mesmo pregações no recinto do STF durante as sessões!!! A menos que aspire o homem de deus exorcizar seus pares fiéis ao espírito democrático.

Lamento ali não estar, como ministro, no recinto do STF para, no espírito de um Rui Barbosa, de um Teixeira de Freitas, de um Pontes de Miranda, de um Evaristo de Moraes... mandar o pastor calar a boca caso ousa-se recitar orações durante as plenárias da casa. Pa e Pum eu o mandaria tartamudear suas orações em Meca ou em Riad...

No entanto é isto que cogita o Emir ou o Ulemá do Planalto, atingir ou humilhar, de algum modo os honoráveis paladinos da democracia.

Tais as condições da nossa República nas garras desses ciclopes insaciáveis a que chamam pastores. Finado Tucanistão que transformou-se em Evangelistão, realizando um único milagre: Conseguir ser pior... e fazer-nos ter saudades do FHC. Tristes tempos em que o Hitler dos trópicos converte nossos piores vilões - Como o Dória, o Alexandre de Morais, o Gilmar Mendes, o Renan, etc - em heróis...  Resta-nos apenas dizer: "Oh tempora, oh mores!" e pugnar heroicamente por esta ordem democrática que é o supremo bem da nação.



quinta-feira, 12 de março de 2020

O sentido político do proselitismo protestante nas escolas públicas do Estado de São Paulo

No artigo interior fizemos uma denúncia bizarra... Se não há, certamente houve, há alguns anos, exercício de proselitismo religioso em certas escolas públicas do Estado de São Paulo. Estou averiguando para saber se tal situação ainda ocorre... Assim se determinados projetos 'laicos' ou 'éticos' realizados nas Escolas por voluntários religiosos exercem qualquer tipo de propaganda, direta ou indireta visando converter os alunos ou levar-lhes sua fé. O exercício de proselitismo na Escola pública, com o apoio de aparelho estatal, é crime líquido e certo, alias, julgo eu, sem atenuantes.

Incluo aqui as orações. Orações em alta voz, instrumentalizadas por líderes, bem pode ser ser utilizadas como forma de proselitismo, pelo simples fato de produzirem certo clima psicológico, tipicamente eclesiástico, na escola pública. O que é inadmissível numa cultura democrática.

Importante, acima de tudo, saber que este assalto religioso tem um significado político. É um proselitismo em favor de certa política e uma política favorável ao proselitismo, uma mancebia Estado/Religião, uma troca de favores, uma máfia espiritual e um ataque ao estado Laico, assim a Constituição, Lei maior deste país.

Que querem os políticos ou demagogos???

Votos - De preferência a toneladas... toneladas de votos...

Mas como obter toneladas de votos empacotados???

Tudo isto tem uma História. Perpasse-mo-la!

Como todos sabem foi a Proclamação da República uma espécie de golpe ou motim, não algo espiritual ou ideal, que tenha partido do povo. Sequer povo havia naqueles tempos, mas massas analfabéticas, quiçá não tão estúpidas e degradadas como as nossas, mas, em todo caso massas, não povo, em termos de cidadania consciente. O povão só soube da República, em alguns casos, meses ou mesmo anos após sua proclamação (Como diz o conto do Chernovicz), só lhe restando aceitar e aplaudir. O senso comum era sinceramente monarquia e quem representava o pensamento 'popular' (Se assim posso escrever) era o Antonio Conselheiro.

O povo devia permanecer, como sempre ou até mais, sob controle. E já se disse que o Pedro barbudo (O filho - segundo II) fora mais democrático que os primeiros presidentes, como o ditador Floriano. Bem, era necessário criar uma ficção democrática ou dar ao povo a ilusão de que a si governava quando era governado, mais até do que sob o antigo regime... Para tanto prestaram-se os coronéis. Os coronéis foram o creme de chantilly daquele 'Café com leite'. Era eles que arregimentavam os sufrágios para seus compadres ou apadrinhados políticos e moviam toda estrutura da primeira República. Ocupavam a base e mantinham o sistema, amedrontando ou coagindo fisicamente os eleitores. Esse voto dirigido pelos coronéis foi chamado voto de cabresto e vencia o pleito quem tinha o apoio e as bençãos deles.

Essa festa ou orgia coronelesca durou até 1930 quando o gaúcho valente desarticulou a máfia. Desde então apenas a valsinha ficou com saúde desses coronéis babões e pedófilos tão bem pintados por Jorge Amado...

O Estado de S Paulo, no entanto, tendo sido alijado do poder e posto a margem dele, insistiu que o coronelismo era sinônimo de democracia e que tudo iria muito bem 'obrigado', não fosse o 'odioso' ditador Vargas... E levantou-se contra ele com o objetivo de defender a velha ordem do pão, pão; queijo, queijo... Getúlio no entanto não abalou-se... E paradoxalmente uma ditadura foi que criou o primeiro impulso democrático neste estranho país. Trazendo a tona temas como 'bem como', 'justiça social', 'direito do trabalho', etc A educação conheceu seu primeiro salto qualitativo sob Gustavo Capanema... E por isso aquele ditador 'odioso' era amado pelos trabalhadores, camponeses e por toda gente simples.

Para os liberais economicistas - Liderados pelo Lacerda - comunistas e anarquistas no entanto era Vargas um déspota, por isso fizeram um pacto - a Oposição - com o objetivo de derruba-lo, mas ele, mostrando brios: Saiu da vida para entrar na História... E sua política, para desespero dos sediciosos e da 'nova' elite militar, continuou. Carlos Lacerda bem que tentou realizar seu eterno sonho de tornar-se presidente (Foi o modelo do Aécio Neves!) mas não conseguiu enganar o povo e ser aceito.

Quando o Jango ganhou foi um 'disparate' e de pronto as forças e poderes sinistros tentaram remove-lo. E até teriam conseguido não fosse o herói Leonel Brizola.

Herdeiro da política e do ideário getulistas Jango jamais flertará com o Comunismo, aqui representado por meia dúzia de gatos pingados, inda que sediciosos. Era Jango no máximo Social democrata ou adepto do bem estar social, noutras palavras, trabalhista, reformista ou algo assim. Otimista, imaginou ele que dava para avançar e saiu-se com a tal Reforma agrária, reforma implementada em quase todos os países civilizados - Na França por exemplo desde 1789, pela grande Revolução... Foi quando alguém berrou comunista e o povo ficou atemorizado, por lembrar-se das cagadas feitas por Lênin e Stalin... Foi como recorrer ao 'mito' de Sorel. O grito 'bolchevista' eletrizou gregos e troianos, numa nação em que os Católicos alienados nada sabiam sobre a doutrina social de sua própria igreja... Com um empurrãozinho dos EUA o pobre jango foi derrubado e substituído pelos militares, digo pelos novos militares, não pelos companheiros de Getúlio, os quais a exceção de Teixeira Lott estavam já quase todos mortos e enterrados.

Rachel de Queiroz (F S P 1999) anti getulista confessa, declarou: Agora nós eramos o poder ou a ditadura! Nós, os adversários de Getúlio e os novos militares.

Esclareço - Os militares do tempo de Getúlio i é seus companheiros, eram pelas tradições nacionais e cultura brasileira. Os novos militares, desde 1945 - i é da segunda grande guerra - morriam de amores pelos EUA e derretiam-se todos por aquela potência estrangeira e sua cultura. Era decididamente pró capitalistas e tecnicistas. Para eles os EUA representavam o progresso e o Brasil, o atraso... Era quase todos americanistas e nada tinham de nacionalistas, exceto por um culto de símbolos e aparências. Nossas tradições, costumes e cultura era para eles dignos de riso. E tínhamos de assimilar ou afetar os costumes Norte americanos caso quiséssemos avançar. O programa era transformar isto aqui em província cultural dos EUA ou num país vassalo (Colônia).

A bem da verdade tais ideias não eram novas ou recentes, remontando ao antigo regime. Já pelos idos do segundo império principiou Tobias Barreto a endeusar antes de tudo a cultura alemã e em seguida a cultura inglesa (Apesar do 'deus' Comte ser francês e admirador do Catolicismo!). Foi seguido por Sílvio Romero (E na Argentina houve um Domingo Faustino Sarmiento)... Os quais opinavam que a suprema desgraça de nossos países era terem sido colonizados por latinos, i é portugueses e espanhóis e não por alemães ou ingleses como os EUA, o país que dera certo... Graças as virtudes inglesas. Era o que diziam eles, proclamando a superioridade da cultura anglo saxã, em cuja base estava o protestantismo, 'cornucópia donde manavam todas as joias da civilização'...

Em última análise todas as nossas desgraças - Como a 'Idade das trevas' (Outro mito construído pelos protestantes!) - deviam-se a velha igreja romana i é da religião vigente nos países latinos como Portugal e Espanha... Todos os progressos vinham do protestantismo, como postulará apressadamente o Belga E Lavellaye e ainda era repetido pelo gramático e pastor Eduardo Carlos Pereira em "O problema religioso na América Latina" (1920), ensaio em que repetia as pérolas do Lavellaye e dos nossos germanófilos. Afinal se assim o era a solução era protestantizar a América Latina, o que alias era intensamente desejado pelos EUA. Quanto a E C Pereira foi completamente pulverizado pelo jesuíta Leonel Franco em sua obra "Igreja, Reforma e Civilização" umas das melhores obras religiosas já escritas no Brasil. Lamentavelmente o erudito jesuíta abordou prioritariamente o tema religioso ou espiritual, deixando de desenvolver mais o tema político e social.

Tal e qual no vizinho Chile, o protestantismo avançou bastante no Brasil durante o período militar, e Décio Monteiro de Lima nos explica porque. Claro que o Vaticano II tem grande parte de culpa... E todavia o discurso americanista dos novos militares não era nada inocente. Se assimilar a cultura N Americana significava progredir esta assimilação tinha de passar pela adesão ao protestantismo cujas seitas aqui introduzidas produziam grande clamor.

Seja como for durante este período não se precisava preocupar com votos, uma vez que a ditadura havia dado cabo da democracia. Por outro lado, nem mesmo a igreja romana seria capaz de produzir algo semelhante ao velho coronelismo, intimidando e manipulando as massas.

Os resultados da Ditadura são bastante conhecidos por todos: Investimento considerável numa alfabetização sumária ou elementar (De encontro ao protestantismo e o soletramento da bíblia), empobrecimento quanto a educação superior ou crítica, renúncia a justiça social e sistemática violação de direitos, com certo saldo de mortes e tortura; enfim a destruição do espírito ou da consciência democrática.

Mas havia algo ainda pior por vir! E no final dos anos 80 - A retomada de uma forma democrática sem espírito, consciência ou cultura, e com matizes de liberalismo econômico é claro. Nos anos 90 foi restaurada a estrutura democrática, e posta a serviço do economicismo neo liberal. Aquele tempo nem as pessoas sabiam votar nem havia qualquer cabresto... havia um despreparo geral, agravado ainda mais pelo voto dos analfabetos. Disto resultou tremendo Caos e o funesto período FHC... Uma vez expulsos os trabalhistas juntamente com os sectários comunistas, foi a retomada das formas democráticas intencionalmente posta nas mãos dos liberais e neo liberais, os quais assumiram o status de heróis, bem como suas agências partidárias como PMDB, PDS, PSDB...  FHC aspirava fazer nos anos 90 tudo quanto Boi Sonoro agora faz, i é as ditas reformas, mas foi sucessivamente barrado pelos getulistas e petistas. Hoje os getulistas estão mortos...

Até que chegou o Lula e com ele e o PT, o dilúvio... Uma vez que as tais reformas foram dadas por enterradas ou engavetadas. No mínimo o ritmo delas se tornaria bem mais lento. Diante disto o Mercado ficou enfurecido...

Os liberais precisavam retornar ao poder e impor seu programa aos brasileiros, prestando com isto imenso serviço ao mercado... Mas não podiam voltar ou consolidar-se sem as toneladas de votos fáceis ou empacotados, como no tempo dos coronéis. Tampouco podiam eles ressuscitar os coronéis ou contar com eles. O cabresto da chibata ou do revólver estava findo, definitivamente.

Haviam no entanto os pastores... Os quais também sonhavam com o poder político, uma vez que já tinham o poder de guiar as consciências e orientar votos. Bastava então saber usa-los, como material de troca. Os pastores criariam - como criaram de fato - um novo cabresto, espiritual, e forneceriam toneladas de votos aos políticos sem consciência, em troca estes lhes abririam as portas das Escolas públicas, de modo a controlarem a Educação, cooptando mais e mais consciências e controlando mais e mais eleitores...

Foi exatamente assim, com o apoio das mafias religiosas e dos fanáticos, que o PSC, PSL, PSDB, PMDB, DEM e outros partidos removeram o PT e chegaram ao poder, fazendo acordos, traindo o laicismo e oferecendo a educação pública de mãos beijadas aos pastores ou as pessoas por eles instrumentalizadas. O que é absolutamente necessário, se se quer que a dita máfia aumente e o esquema continue vigorando... Numa palavra cidadão brasileiro: Fomos todos vendidos aos pastores e fundamentalistas... Aos quais o Boi Sonoro distribui os cargos que pode, assim o Dória e outros governadores. Em posse do poder eles forçam a Constituição, interpretam, burlam e se esforçam por introduzir mais e mais grupos religiosos na Escola pública, com o objetivo de exercer um sutil proselitismo.

Na medida em que crescem e obtêm mais fieis as seitas convertem-nos em eleitores do Dória, do Boi sonoro ou do PSC, ou votam nos candidatos indicados ou irão para o inferno declaram os pastores. Votam nos candidatos de Jesus ou não obterão graça alguma. Com esse tido de cabresto, digo, de voto, que fica sendo da democracia??? Nada... Pois o pastor manipula o pobre do eleitor como o vidraceiro manipula a cera quente...

Neste momento as seitas protestantes são imensos celeiros de votos com que contam os liberais e neo liberais... E podem fazer cálculos e contar antecipadamente com eles, posto que não são menos controlados do que os votos de nossos ancestrais sob o jugo da primeira república. Apenas o cabresto de hoje é mais apertado porquanto interno, mental ou invisível; o que mantém as aparências, sem torna-lo menos eficaz. É cabresto porque há imposição por parte de um lider religioso.

Resta declarar que os fanáticos religiosos negociam apenas porque ainda não constituíam ampla maioria no exercício do poder. Fossem eles maioria e já teriam legislado em favor próprio, obtendo privilégios e vantagens. Daí a dissimulação e o ocultamento ou mesmo prudência com que dirigem-se as escolas públicas alegando oferecer projetos que não violam a laicidade - Ainda que hajam orações em sala, e orações tipicamente protestantes. Julgo que o STF ou qualquer órgão da justiça devesse estar investigando isto há muito tempo, pois não é novidade para quase ninguém. Caso as autoridades sejam coniventes ou se omitam que cada um faça sua parte e cada cidadão promova a resistência.

Caso você retruque e me diga que a Escola pública jamais foi laica - Nos anos 70/80 e 90 eu conheci uma escola pública 100% laica! - ou que a igreja romana sempre desejou exercer certa influência sobre ela, devo dizer, a guiza de resposta, que a Igreja romana, em que pese seus vícios e defeitos, jamais foi moralmente tão invasiva, pretensiosa e arrogante quanto o protestantismo bíblico vindo dos EUA, o qual tudo pretende dominar e pautar pelo antigo testamento com seus milhares de tabus e preconceitos. O sectarismo protestante me parece mais estreito e sufocante, digo-o como ex protestante. Por isso o crítico, não enquanto fé ou crença religiosa mas enquanto fonte de poder e dominação.

quarta-feira, 11 de março de 2020

A escola pública e o proselitismo 'oculto'

NÃO versa este artigo sobre as aulas de religião na Escola pública, as quais me oponho decididamente, seja qual for sua forma. E caso me fossem atribuídas tais aulas delas declinaria... Aqui dou razões aos anarquistas e comunistas (O que aliás raramente faço!) - Neste caso por que não aulas de economia ou de política? POR QUE priorizar a religião ou a fé se temos imenso déficit de conhecimento político básico, em termos de formas e estrutura, como sistemas, regimes, Constituição, etc???

Aulas de teoria Política e de Psicologia seriam bem mais úteis aos adolescentes, aos pequeninos elementos se Sociologia e Filosofia seriam infinitamente mais proveitosos. Com Fustel de Coulanges compreendo o poder e a força social das Religiões, mas como economia e política factual é coisa que já se aprende nas aulas de HISTÓRIA ou GEOGRAFIA HUMANA.

Não examinei teor da decisão do STF (Não repeito DOGMAS 'seculares' pois dogmas só  vão bem com a religiosidade ou a fé!) a qual como disse oponho-me com base nas alegações acima. Creio todavia que não deve autorizar ensino confessional nas escolas públicas, assim o proselitismo. Penso que a educação pública ainda não tenha sido assaltada pelos pastores protestantes...  Ao menos com o apoio do poder público ou do STF. Em que pese os esforços malignos deste governo norte americanizantes e vendido aos charlatães bíblicos.

O proselitismo oculto a que me refiro, enquanto elemento sutil porém perigoso, outra coisa é.

Por isto narrarei genericamente um fato do qual tomei parte, já há algum tempo, na Escola estadual Paulista de que faço parte, como professor concursado ou efetivo já há quase quinze anos.

A narração será genérica já por respeito as atuais diretora e coordenadora, as quais em parte deram-me razão e compreenderam meu ponto de vista, além de terem feito um legítimo contraponto e me convidado, elas mesmas, para que eu examinasse o dito projeto sendo posto em prática.

Por isso não posso denunciar qualquer coisa ou trazer tais fatos a público, o que de outro modo já teria feito. Porém, por questão de justiça, tenho de examinar os fatos mais de perto e assim as alegações da outra parte.

Servirá no entanto, quanto aos traços gerais, para suscitar uma reflexão e orientar todos os professores numa grave questão de cidadania, da qual depende a sobrevivência ou não da própria democracia.

Há tempos algumas alunas 'Caxias' - Cujas identidades preservarei até o fim e jamais divulgarei - vieram até mim e disseram estar incomodadas porque sendo de cultos africanos tinham, ao fim de certo projeto, ouvir umas preces em nome de Jesus (Devo dizer que sou Cristão e adoro Jesus.) e parece alguns versos bíblicos. Estavam elas, como é natural constrangidas e isto me alarmou.

Imaginei se eu ou filho meu lá estivessemos, numa classe pública lotada e alguém lá fosse falar sobre Maomé e depois convidar-nos a recitar a fatiha...

Passou algum tempo. Eis senão quando vou entrar em minha aula é imediatamente antes de mim entra este grupo de projeto que fora acusado... Pelo sim pelo não, tendo em vista certos precedentes relacionados com outra equipe gestora, solicitei a inspetora que os fizesse sair para que pudesse entrar e ministrar minha aula - Direito meu. Adicionando que em caso de necessidade faria um BO.

Até aqui tudo bem. Sucede que perto da inspetora se achava um aluno do tipo 'crente fanático' o qual dirigiu-me a palavra apenas pata declarar que os religiosos tinham pleno direito de orar e pregar nas escolas públicas caso os alunos quizessem. QUAIS ALUNOS? TODOS??? Mencionei as leis, a CONSTITUIÇÃO, etc com o objetivo de esclarecer o dito jovem sobre a coisa pública, o laicismo, etc Ele no entanto mostrou-se irredutível e inclusive ergueu a voz, como típico é dos sectários... Respondendo eu no mesmo tom. ATÉ QUE os voluntários religiosos deixaram minha sala e lá pude entrar..


E nem havia iniciado minha aula quando me vem a Sra coordenadora querendo falar comigo. De fato pouco receptivo fui e até aspero tendo em vista o histórico da Unidade e os fatos imediatamente ocorridos, alias supondo que ela, a coordenadora, tentaria enfiar o tal grupo em minha sala. Iniciou-se uma discussão que lá foi parar na sala da Direção.

A diretora, aliás educada e paciente, tentou entender e esclarecer a situação. Relatei a denúncia feita pelas alunas sobre orações confessionais, aliás protestantes e possível citações de sei lá que versos bíblicos e declarei irredutível que tal era violação de consciência e crime contra nossa lei maior, a Constituição.

A coordenadora, aliás espírita, disse que a dinâmica em si nada tinha de religiosa ou credal mas que no entanto após o término havia uma espécie não de 'oração', com esse nome, mas uma reflexão em que cada aluno se dirigiria ao Sagrado nos termos da sua própria religiosidade... A qual insistia ela tinha outro nome...

Repliquei declarando que o nome era indiferente se a prática era a mesma e havia uma oração confessional, mencionando bíblia, Jesus e com mínimo conteúdo protestante ou exemplo de formas tipicamente protestantes fornecido pelos organizadores.

Como de praxe declararam que na sala ninguém era obrigado a aderir a reflexão e que sendo ela livre não violava a consciência de quem quer que fosse.

Respondi que está atitude era discriminatória e que certamente constrangida os possíveis irreligiosos, ateus, etc Politeísta - pois certamente ali não se falava em deuses... muçulmanos, etc mesmo aqueles que se sentem incomodados pelos gritos e berros dos pentecostais...

Claro que chegando aqui - FUI irredutível por questão de justiça - foi me assegurada a liberdade de cátedra dada por lei e nem me preocupo com Conselho, Equipe gestora, etc caso destoem da Lei maior da Constituição, garantia da liberdade de Consciência e da igualdade entre todos os cidadãos.

Por fim indagaram a respeito de meu manifesto nervosismo. Foi quando me referi ao jovem fanático, a respeito do qual elas certamente já sabiam porque - Pasmem! - ele, muito provavelmente, já se antecipara a mim, indo a diretoria denunciar-me por defender o laicismo e a Constituição e os direitos da Consciência livre. AGORA PAREM E ANALISEM ESTA POSSIBILIDADE MONSTRUOSA... Aquele jovem certamente cria que aquele espaço público, mantido com nossos impostos, fosse propriedade, líquida e certa, da seita ou grupo a que pertence!!! ONDE CHEGAMOS...

Terminei minha entrevista com a equipe gestora declarando em alto e bom som que quando ingressei naquela unidade há doze anos, pouco mais pouco menos, a equipe gestora (DIRETOR E VICE) não apenas cediam o espaço escolar para diversas organizações religiosas protestantes - A ponto de converte-se numa seita de células aos sábados e Domingos - como promoviam shows gospeis, palestras confessionais e mesmo cultos em pleno periodo letivo e com ampla atividade proselitista, com grave dano a CONSTITUIÇÃO, digo a lei. ISTO ocorreu numa Escola pública do Estado de São Paulo a partir de 2007 e há sobejos testemunhos ja de alunos que se sentiram incomodados, ja de professores que la trabalharam, nessa Escola dirigida por um fanático truculento...

Ora, alguns colegas até gostavam de ceder suas aulas a esses doutrinadores religiosos. Nem todos e menos ainda eu. Porém por fragilidade, estando no probatório e temendo retaliações, não pude denunciar - Ademais temia pelos demais, fossem alunos ou funcionários e havia ali um espirito SECTÁRIO e inquisitorial, bastante conhecido por mim...

Dai minha prevenção contra este novo projeto, do qual se haviam queixado duas meninas.

Até aqui os fatos. SEGUEM AS REFLEXÕES -

Sendo a prece ato pessoal dos que creem não há como os indiferentes ou incrédulos não se sentirem constrangidos. Assim como cristão devo fazer justiça aos ateus e incrédulos e reconhecer-lhes o direito de não querer participar de preces ou sequer presencia-las em espaço público. Posto que tal viola o santuário divino da Consciência.

Um ateu ou incrédulo tem pleno direito de sentir-se incomodado por uma prática cujo sentido desconhece ou ignora.

Mas há ainda os religiosos que não desejam fazer preces inter confessionais - Testemunhas de Jeová, 'Católicos' tradicionais, Adventistas, Mórmons, muçulmanos, hindus, etc decididamente tais grupos não desejam rezar na companhia de pentecostais fanáticos ou a moda deles porquanto as concepções de prece são diferentes.

Consideremos ainda que em tais classes ou salas os pentecostais costumam a sentir-se mais a vontade para rezar em público, como se estivessem em suas seitas e podem se por a berrar e gritar em alta voz como já presenciei. Para outros a prece é mais sóbria, interior, recatada... E as vozes e pensamentos deles ficam abafados pela gritaria pentecostal... QUE FAZEM DAS PRECES UM MEIO DE PROSELITISMO, por berra-las.

Ademais eles bem podem ser instrumentalizados pelos pastores neste sentido (Ex protestante fui criado nesse meio inescrupuloso.), a ponto de nessas preces ingênuas ou comuns produzirem um clone tipicamente pentecostal ou sectário.
Manipulam assim uma 'reflexão' a princípio voltada apenas para o Sagrado e inter confessional. Colocam isso no papel mas na prática podem distorcer, e exercer um proselitismo oculto ou sutil.

Daí surge fatalmente a revolta, por parte dos não crentes, conflitos, problemas, discriminações e preconceitos como já testemunhei. O que é deseducativo e choca-se com a harmonia que deve reinar no ambiente escolar. Para além disto disseminam ideias anti científicas e anti filosóficas como criacionismo, terraplanismo, etc Além de conteúdos moralistas e puritanos ou mesmo teocráticos e anti democráticos; o que dificulta imenso o trabalho escolar.

Por isso sou decididamente contra as preces em ambiente escolar, mormente quando promovidas por algum grupo religiosos, e, particularmente contra preces feitas e classe ou salas de aula.

Seria menos agressivo ou invasivo caso algum membro da equipe gestora apenas convidasse, a hora da entrada, quem quisesse - Sem convocação ou fila - para parar e recitar o Pai Nosso ou fazer uma prece silenciosa no pátio, enquanto os demais iam diretamente para suas salas... Aqui se poderia apelar a cultura ou ao costume e não haveria constrangimento. Mas poderia abrir precedente para justificar outras coisas, como a oração em sala...

Nós no entanto preferimos que a letra da Constituição ou da Lei seja observada, e que evento religioso ou prece alguma seja realizada em espaços institucionais, especialmente quando existem elementos proselitistas. Assim dentro da convivência vai bem o respeito.

Concluo dizendo que vivemos um momento arriscado ou delicado em que os pastores e suas ovelhas apoiaram este governo com o objetivo de obter vantagens e benefícios, como poder político ou a possibilidade de invadir e tomar nossas escolas públicas, consolidado seu poderio. Eles parecem querer usar a educação pública com o objetivo de converter nossos jovens e crianças e estabelecer uma teocracia moralista.

Há cento e trinta anos tiramos a educação das garras da Igreja Romana para torná-la laica e democrática ou para coloca-la nas unhas desses pastores enviados pelos EUA??? Caso nossos ancestrais tenham lutado para que a educação fosse, ao fim do processo, entregue a uma agremiação ainda mais insidiosa e mesquinha do que a Igreja Romana foram perfeitos idiotas, pois ao menos a Igreja Romana, com seus Pai Nossos e Ave Marias, fazia parte de nossa cultura... Que se deixasse tudo como estava. O que nossos ancestrais conquistaram em 1891 - A Escola laica, fundamento do Estado democrática - religosamente mantenhamos.




quinta-feira, 17 de março de 2016

Condução coercitiva de Lula, mas um abuso de poder cometido pelo juiz Moro







"O homem virtuoso mais sofre cometendo uma injustiça do que sendo vítima dela." Platão


Sou leigo em matéria de direito, mas nem por isso desinteresso-me por ela.

Julgo alias que todo cidadão consciente deveria tomar ciência das leis que regulam a sociedade em que vive.

Por isso desde moço tenho buscado ler e estudar, o quanto possível, nossa Carta magna, o CDP, o CDC, o CPP e outros códigos legislativos.

Eis porque fiquei perplexo diante da ilegalidade cometida pelo juiz Moro, líder da assim chamada operação Lava a jato, espécie de 'caça as bruxas' que jamais atinge a totalidade do covil...

Nada tenho contra a operação Lava a jato em si mesma.

Faz-se mister investigar, apurar, certificar e em seguida punir todos os políticos envolvidos em esquemas de corrupção.

Urge criticar todavia a maneira parcial, tendenciosa e demagógica como tem sido conduzida. O que chega a torna-la aberrante.

A impressão que se tem é que os juízes envolvidos selecionam arbitrariamente, partindo de afinidades partidárias ou preconceitos ideológicos, detre os mesmos atos, alguns apenas, para classificar como criminosos.

No entanto selecionar é manipular a justiça e manipular a justiça pode ser, algumas vezes, até mais danoso do que a prática da injustiça.

Temos observado que apenas um lado é investigado, interrogado, processado e punido; enquanto o outro pura simplesmente 'blindado'.

O que é inadmissível num estado democrático de direito.

Da maneira como tem sido direcionada a lava a jato mais tem parecido um tribunal político nos moldes inquisitoriais da Espanha 'Católica' ou da Genebra de Calvino... e seu chefe assumido ares de grande inquisidor. Dir-se-ia que o sr Juiz Moro encarna um Torquemada dos trópicos ou um Carpzovius Tupiniquim, cujo único objetivo é exterminar ops heréticos petistas ou as bruxas de esquerda.

A situação chega assumir ares de comicidade.

Há no entanto ares dramáticos. Durante os quais nossas leis são pura e simplesmente burladas justamente por aqueles 'heróis' que deveriam observa-las...

Tal a patética condução coercitiva do Sr Luis I Lula da Silva, por determinação do juiz Moro...

E como já disse não preciso ser um Dalmo de Abreu Dallari, um Bandeira de Mello, um Yves Gandra, um Marco Aurélio de Melo ou um Alberto Toron para aquilatar que os ritos não foram devidamente observados e que toda ação era ilegal ou mesmo criminosa do princípio ao fim, caso consideramos que um Juiz deve conhecer as leis melhor do que ninguém e observa-las ao invés de por-se acima da lei.

Mesmo sem ter um décimo de Rui Barbosa ou um quinto de Teixeira de Freitas ou um terço de Evaristo de Morais... mesmo sem compor meio Pontes de Miranda, sei e muito bem que alguém só pode ser conduzido coercitivamente ou 'sob o jugo da vara' tendo sido previamente intimado e recusando-se a obedecer a intimação dada!

E com a Constituição nas mãos desafio qualquer rábula de meia tigela ou sofista togado ao contradizer-me.

Sim porque é a intimação que informa o acusado sobre a produção do ato jurídico.

Nem precisa o acusado tomar ciência da intimação desde que seja enviada ou publicada oficialmente.

No entanto a intimação, segundo nossas leis, não pode ser omitida...

Agora sendo desconsiderada pelo acusado, poderá este ser conduzido 'sob a vara' ao magistrado, para ser ouvido ou justificar-se.

Agora se não há a intimação, que é a causa, como pode haver resistência que é seu efeito.

Segundo nossas leis resistência ou recusa supõem sempre intimação.

E aqui esta o veneno ou a matriz de todo erro, pois Lula, como sabemos, sequer foi intimado.

Pelo que não poderia ser acusado de resistência e consequentemente conduzido em semelhantes circunstâncias. Todos estes atos são muito claramente dispostos pela lei brasileira e não há como ignora-los sem se por fora da lei ou na ilegalidade.

E nem pode alguém fazer ou deixar de fazer qualquer coisa senão em virtude da lei.

Portanto Lula jamais poderia deixar de ter sido regularmente intimado e só poderia ser conduzido nas circunstâncias descritas pela imprensa, caso tivesse se recusado a obedecer a intimação.

Nada disto foi feito. Pelo que não podia ter sido conduzido de tal forma para onde foi, constituindo tal condução notório e patente abuso de poder com objetivos de natureza política.

Nem poderia alegar o dito juiz qualquer receio de tumulto...

"Dura lex sed lex."

A lei é dura mas deve ser cumprida.

As leis e ritos processuais devem ser executados sem consideração das circunstâncias.

Alias se havia ou há receio de tumulto buscasse o magistrado perquirir as razões ou motivos do tumulto. E talvez aprendesse alguma coisa...

Nem vou entrar aqui na chicana nazista da necessidade que não conhece lei, porque quem define a necessidade é sempre alguém, algum homem, algum sujeito, alguma pessoa partindo de seus princípios e valores para definir subjetivamente o que é necessidade....

Para além das necessidades básicas relativas a manutenção da vida e dos direitos inerentes a pessoa humana, as demais supostas necessidades caem todas no domínio arbitrário da subjetividade podendo ser usadas com propósitos políticos, partidários, demagógicos e opressores que destroem a própria essência do direito.

Pelo que afirmamos a legalidade do que esta escrito em nossa carta magna, insistindo na necessidade imperativa dos magistrados serem os primeiros a observar rigorosamente as leis e cumprir todos os passos dos ritos processuais ao invés de colocarem-se acima de lei assumindo as funções de árbitros ou de deuses sobre a terra porque, francamente, este tempo dos deuses e inquisidores plenipotentes já passou!

Fica portanto certificado e patente que todos os atos jurídicos relacionados coma condução coercitiva do ex presidente foram absolutamente nulos, infecundos e improdutivos, senão criminosos e que tais manobras deveriam ser levadas a todas as instâncias jurídicas não só nacionais mas também internacionais tendo em vista a punição e dedignação deste juiz.

Eis o que todos os cidadãos brasileiros sem considerações ideológicas ou partidárias deveriam exigir.

Um juiz que exorbita de suas funções cometendo atos infecundos e improdutivos em matéria de direito com o objetivo de criar situações políticas e tumultuar a vida de uma nação inteira não seria tratado doutro modo em Londres ou Paris.

Então veremos até onde este circo 'Leva jeito para golpe' vai e até onde chegam suas traquinagens e travessuras!