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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia dos professores II





São 23 horas e 40 minutos do dia 15 de outubro de 2010, ou seja faltam poucos minutos para findar o dia dos professores e não quero deixar este dia passar em branco, quero falar dos professores que marcaram minha trajetória. Este ano vou falar dos professores que tive na faculdade.

Eu tive muita ajuda na faculdade, tive professores compreensivos, é deles que desejo e vou falar.

Entrei no curso de geografia por acaso, nunca gostei de geografia, aliás eu detestava geografia, porque a geografia que eu tinha aprendido durante toda minha vida escolar era uma geografia "decoreba", sem conexão com a realidade. Um rapaz muito filho da puta safado me fez cursar geografia, em troca de um estágio remunerado num determinado museu do qual ele era curador, me formei no final de 2007, sou professor e estou esperando o estágio até a presente hora. Entrei no curso de geografia por acidente, um verdadeiro "acidente geográfico" na acepção máxima da palavra.

Por que fiquei no curso de geografia? Por causa de um professor. Quem? Luiz Maria. Luiz Maria é um senhorzinho com cabelos brancos e olhos azuis, uma pessoa muito simples e de grande saber, sabia e sabe muito. Mas o que mais me impressionava nesse homem era sua humildade e sua bondade. Nunca vi esse professor se desfazer de um aluno, nunca vi esse professor tirar sarro de alunos ou fugir de perguntas mesmo que não fossem de sua alçada. Luiz Maria era o cara! Luiz Maria não precisava de livros, ele era e é uma biblioteca viva e racional. Para dar aulas Luiz Maria precisava de 3 coisas:
1ª Sua voz;
2ª giz;
3ª nossa atenção.
A professora Vera Lúcia Avim, que hoje está morando na Irlanda, é minha ex-professora mas não minha ex-amiga. Foi uma professora competentíssima, brincalhona, culta e bondosa. Recordo-me que uma vez fiquei muito doente, peguei uma virose, não tinha pegado atestado e, portanto teria que fazer uma outra prova, esta paga. Conversei com a professora Vera Lúcia, e qual foi minha surpresa? Ela disse que eu não precisaria fazer sua prova, ela iria me atribuir a nota do primeiro bimestre, que tinha sido 9,0. Disse-me que eu não tinha que provar nada à ela, pois ela sabia de minha capacidade. Aprendi com ela uma grande lição: a da confiança no aluno!
A professora Eliane não era de geografia, ela lecionou para minha turma práticas pedagógicas. No último semestre eu quase não tinha ido à faculdade, estourei de faltas, praticamente "dp" (dependência) em todas as disciplinas. Eu estava com depressão e a beira do suicídio. A professora Eliane fez de tudo para me ajudar, e se eu consegui me formar foi graças à ela que correu "atrás do prejuízo" por mim.
A professora Raquel que me lecionou didática, e depois aulas de metodologia científica também me ajudou bastante, ajudou-me a formatar meu TCC, sem o que eu não teria me formado.
A professora Ângela Frigério, professora inteligentíssima, de quem no último semestre, só assisti duas aulas, me ajudou muito, deu-me um trabalho de compensação de faltas e para as notas. Ela justamente poderia ter me deixado de "dp", mas não deixou.
Aprendi com esses meus professores a lição das lições: a empatia. Muitas coisas eu já esqueci, mas alição que me faz mais humano essa eu levarei comigo pela vida afora. Provavelmente este texto será lido por minha querida amiga e ex-professora Vera Lúcia Avim, e eu a agradeço por tudo o que fez por mim e em sua pessoa agradeço os professores maravilhosos que tive na Faculdade Don Domênico.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lição como castigo

A escola é vista pelos alunos como um lugar de torturas mentais, a impressão que se tem lá, é o que o tempo para. São 4 horas de estudos que parecem ser 8 ou 12. Mas se a escola é vista desse jeito é porque a escola é de fato assim. Fila para entrar, fila para ir ao recreio, fila para voltar, ficar sentado durante quase 4 horas, não conversar, responder a chamada, e o mais importante fazer as lições.

Os professores via de regra veem as cópias e as lições intermináveis como uma forma de castigo, e isso é triste. As lições deveriam ser motivo de prazer. Quando uma certa turma é bagunceira o professor põe-se a encher a lousa de exercícios ou manda que seus alunos copiem várias páginas do livro didático, para que possa desse jeito conseguir o silêncio de seus alunos.

Tenho visto, vários deseducadores professores, orientadores e diretores fazer esse discurso, que se a classe é bagunceira tem que "meter lição na lousa" e que se "vier aluno em véspera de feriado vai escrever até a mão inchar, assim da próxima vez ele não aparece na escola". Com isso os professores demonstram que a escola é um lugar de tortura, que alunos são bem-vindos e que os professores não gostam ou não sabem ensinar.

É por isso que os alunos não gostam de aprender, porque os professores lhes mostram a lição não como prêmio, mas como castigo. O discurso dos professores em geral é este: "Baguncem, pois aí vou encher a lousa de lição".

Como queremos ter alunos motivados se nós mesmos os desmotivamos? Se nós lhes mostramos que estudar é chato e ruim, e só merece fazer lição quem bagunça muito? Triste, não?