Mostrando postagens com marcador justiça social. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador justiça social. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O convidado que chegou atrasado ou dialogando com Roger Scruton (Como ser um conservador) II





Terminamos o artigo precedente considerando a ambiguidade (As vezes oportunista) do termo conservador. Termo tão vago e impreciso quanto esquerdista, socialista ou mesmo anarquista. O qual por isso mesmo suscita diversas abordagens e imprecisão.

Conservar o que do que... Quais nossos parâmetros de tempo ou espaço para manter... Qual o modelo sócio\cultural a ser escolhido...

Continuo insistindo que os termos progressista e reacionário são mais felizes e melhor cunhados.

Alias sou reacionário em certos nichos como a política (Pois sou favorável a democracia direta ou a policracia dos antigos gregos, face ao arranjo anglo saxão - Parlamentar ou representativo - feito para agradar os patrões ou pioneiros do capitalismo, em detrimento da qualidade política.) a Epistemologia, a Ética ou a Estética (Aqui caminho com os antigos gregos ou melhor com Sócrates e Aristóteles) e decididamente progressista no campo da moralidade ou do comportamento humano e consequentemente do direito, e conservador quanto a cultura pré capitalista constituída em torno da micro sociedade, alias com conotações primitivistas, etc

Afinal se alguns conservadores, pequena parte infelizmente, são na verdade reacionários voltados para as instituições pré reforma ou ante capitalistas da Idade Média ou de uma Idade Média um tanto idealizada\romantizada, a maior parte parece querer conservar outra coisa, assim o que temos, e portanto a sociedade capitalista ou mesmo americanista, sicut modelo 'Americann way of life' - E aqui não temos mínimo acordo uma vez que considero este modelo de sociedade\cultura, produzido pelos pais peregrinos, com base no individualismo e no antigo testamento, como um dos mais venenosos já produzidos, juntamente com os modelos islâmico e sionista, devido a seu conteúdo anti humanista, em oposição aos direitos essenciais, inerentes a pessoa humana, posto que sou, decididamente (Contra Kelsen e turma) jusnaturalista. 

Tudo isto é já problema quando aparece diante de nós o brasileiro deslocado ou brazundunga, assumindo justamente um modelo norte americano de sociedade e cultura que não é seu. 

Devemos cogitar em conservar o que é nosso por herança ou o que nos foi transmitido por nossos nobres e excelentes ancestrais sejam eles lusitanos, espanhóis, italianos ou mesmo franceses. Falo portanto em termos de latinidade. Embora nossos ancestrais indígenas, num segundo momento, algo nos possam ensinar, em termos de uma economia natural, voltada mais para o ser do que para o ter. Penso alias que o discurso do cacique norte americano Seattle seja tão rica em sabedoria quanto a declaração de independência dos EUA. Que muito nos tenha a ensinar. E que seja vergonhoso a um cristão leal (Refiro-me em especial aos Cristãos apostólicos - Ortodoxos ou romanos) ignora-lo.

Seja como for, quanto a nós brasileiros, é apropriado dizer que não temos quaisquer relação com esses calvinistas chamados país peregrinos. Os quais abandonaram a Inglaterra apenas porque não sabiam, queriam ou podiam conviver com os símbolos alheios> Assim com os sinos, cruzes e torres dos Bispos anglicanos, diante dos quais seus ancestrais se haviam curvado por dezenas de séculos, mas que eles, no entanto, aspiravam destruir... 

Nossa cultura, ao menos em parte, está relacionada com Cabral, Manoel; o Venturoso, Nóbrega, Anchieta, Camões, Bernardes, Vieira, Mathias Aires, José Bonifácio, Teixeira de Freitas, Góis de Vasconcellos, Cansanção Sinimbu, S Vicente, Inhomirim, Pedro II, Luiz Gama, José do Patrocínio, Rio Branco, Nabuco de Araújo, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Eduardo Prado, Quintino Bocaiuva, Evaristo de Morais, Clovis Bevillacqua, Pontes de Miranda, Sobral Pinto, Victor Mirelles, Casimiro, Castro Alves, Pedro Américo, Vicente de Carvalho, Martins Penna, Maricá, Tobias Barreto, Farias Brito, Arthur Ramos, Teodoro Sampaio, Câmara Cascudo, Darcy Ribeiro, Fernando de Azevedo, Gilberto Freire, etc Tais as nossas referências e os homens base da nossa cultura, da nossa consciência ou do nosso espírito.

E caso desejássemos referências mais remotas teríamos - Pe Juan de Mariana, Cervantes, Dante, Tasso, La Fontaine, Racine, P Corneille, La Rouchefoucauld, La Bruyére, Hugo, Daudet, Mauriac, Bernanos, Cesbron e mesmo um Dostoievsky ou um Tolstoi estão muito mais próximos de nós e de nossa cultura do que qualquer ideólogo iankee alinhado.

Isto é nosso, nossa herança comum, nossa cultura, nosso espírito, legado pelo Cristianismo antigo ou Catolicismo, pela Filosofia clássica (Socrática ou aristotélica) e enfim pelo direito romano, fontes supinamente ignoradas ou depreciadas pela república protestante do Norte.

Por via do Cristianismo apostólico ou histórico, do aristotelismo e da estrutura política do império romano herdamos as instituições preciosas da paróquia e do município e com o municipalismo e o conselho, uma democracia de base ou uma base democrática. Como explicou Moulin havia democracia nas estruturas de nossas ordens religiosas ou conventos. Assim em nossas cortes que limitavam o régio poder. E tínhamos Ordenações (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas) impregnadas de espírito comunal ou coletivo. E os rocios e terras públicas do município. Enfim toda uma riqueza de instituições sociais, infensas ao individualismo nórdico e norteadas por um espírito gregário que tendia ao equilíbrio social. 

Aqui, a chaga, ao menos no Nordeste, segundo se diz, imposta pelo meio, mas tragicamente imposta e injustificável, foi a escravidão. A qual, ao contrário dos EUA, sem efusão de sangue ou guerra fratricida, abolimos vinte anos depois deles. Pagamos, por essa instituição criminosa um preço social bastante caro até os dias de hoje e trazemos suas marcas no espírito da cultura, quiçá as cotas nos ajudem a obter alguma redenção. Quanto aos povos originários ao menos tivemos aqui conosco os padres jesuítas, graças aos quais houve certo grau ou nível de mistura, ao invés de extinção total - Executada no Oeste dos EUA em pleno século XIX, após a afirmação dos direitos essenciais da pessoa humana!

Em que pesem seus vícios e defeitos eu me orgulho de ter herdado esta cultura: Latina, ibérica, lusitana, brasileira e em parte indígena. Face a cultura de morte vigente nos EUA, cultura engendrada pelo anti humanismo protestante ou melhor calvinista, fonte também do 'Destino manifesto', da 'Identidade cristã' e do Apartheid (Este na África do sul). Assumo portanto uma cultura que desde sempre valorizou os laços sociais, o espírito comunal, a fraternidade, a solidariedade, a cooperação, o mutualismo; não o individualismo, o egoísmo ou a concorrência. 

Foi esta cultura que cunhou as expressões 'Metron ariston' e 'Aurea mediocritas' ainda antes da manifestação do Evangelho de Cristo. Isto em oposição ao acúmulo irrestrito de bens, o qual nada tem de racional mas de passional - Segundo concluíram os dois maiores escritores ingleses: Swift e Defoe, cujas obras acidamente críticas a respeito da civilização econômica então emergente, podemos com proveito ler.

Nós brasileiros herdamos tudo isto e tal herança, lealmente assumida (Em particular pelos que se dizem conservadores ou patriotas) nos deveria conduzir a uma prática social ou a um tipo modelar de convívio totalmente distinto daquilo que nos é dado pela Republica anglo saxã do Norte. 

Naturalmente que não ignoramos a principal causa de toda esta confusão dos infernos.

Deve-se ela, permita-me dizer sem peias ou rodeios é a introdução intencional e calamitosa da fé protestante entre nós (O que corresponde a um projeto político internacional que satisfaz a diversas demandas: A do sionismo, a da maçonaria, a do imperialismo iankee é claro...). Fé por meio da qual pretendem os pastores destruir nossa cultura ancestral e substitui-la pela cultura iankee. Fé por meio da qual esperam introduzir em nosso meio toda constelação cultural daquela sociedade: Individualismo, capitalismo, minimalismo, democracia formal, Estado policial, odinismo, etc E o que temos aqui é uma invasão ou guerra cultural - Tal e qual sucede na Europa atual face ao islã.

E a audácia dos pastores e ideólogos protestantes é tão descarada que ao tomar a expressão Cristianismo querem dar a entender que foi nossa cultura produzida pelo protestantismo ou por algo similar a ele. O que é absolutamente falso e tendencioso. A visão ou cosmovisão e projeto social das igrejas apostólicas, do Catolicismo Ortodoxo (Vide a Rússia atual que novamente se volta para os padrões de Dostoivesky, despertando o ódio do iankee.) ou do papismo é totalmente distinta da visão ou do projeto protestante calcado no antigo testamento ou no israelitismo antigo (Do que é expressão o 'Reconstrucionismo' vigente no 'Bible belt', entre as seitas fundamentalistas e na 'Identidade cristã'). São projetos opostos e inconciliáveis ainda que o projeto papista, por via do Ecumenismo moderno, tenha cada vez mais perdido sua identidade própria e até se perdido. O modelo autenticamente Cristão é o da afirmação da fraternidade e da consolidação da solidariedade tendo por referencial a Encarnação de Deus no mundo.

Perceba-se que as exóticas exigências do Mercado - Surgidas na Inglaterra do século XVIII, em torno de um status diferenciado ou superior, se estão de pleno acordo com aquele éthos individualista presente já no protestantismo, com sua insistência de uma redenção individual ou separada da comunidade dos fiéis, estão em franca contradição com a concepção cristã em torno de uma redenção social ou coletiva, relacionada com uma sociedade orgânica chamada Igreja, com a comunhão dos Santos ou ainda com o padrão social vigente em todas as culturas antigas, especialmente com o ideal grego romano da Polis.

Ociosa a ideia de buscar pela existência de um Mercado a parte da sociedade, da política ou da lei em qualquer sociedade antiga, pelo que somos autorizados a declarar que antes do século XIX jamais existiu qualquer coisa semelhante a capitalismo. Equivocado afirmar o mesmo sobre a estrutura democrática, a qual remonta, no mínimo a Clístenes (509 a C), senão, como quer Aristóteles, na Constituição, ao próprio Sólon. Pelo menos, em certo sentido (Puramente econômico) o tal comunismo de fato existiu nas culturas primitivas, por meio da posse comum da terra e dos meios de produção, de que temos exemplo, inclusive, no Genos grego. Neste sentido pode-se dizer que é o liberalismo econômico uma súbita novidade portadora de um ideal utópico.

Repito, um mercado relativamente livre e mais ou menos limitado, existe desde os tempos mais remotos ou desde os primórdios da civilização. De modo algum o conceito ou a proposta de um Mercado situado acima das instituições sociais, o que, como percebeu Pilanyi, lhe conferiria um status privilegiado ou de dominação e conferiria a sociedade um caráter economicista. Insistir sobre tal status ou superioridade implica dar início formal a construção de uma infra estrutura puramente material ou econômica nos termos postos por Marx. Com todas as implicações culturais embutidas na criação de um novo modelo totalmente distinto do modelo religioso ou do modelo metafísico. E como o ser humano possui certa tendência a arroubos místicos, o liberalismo econômico ou capitalismo presta-se a também ele a portar uma tal mística, em torno do acúmulo ou da riqueza, destinada a eletrizar almas vazias e rasteiras. E aqui fraterniza-se com os nacionalismos exaltados e sobretudo com o comunismo, com o anarquismo, com o fascismo, o nazismo, etc

Na medida em que todas as atividades da vida humana passam a ser avaliadas em termos de (Confúcio diria 'Comprar e vender') de preço ou lucro, vai esse éthos (Materialista) penetrando e transtornando todos os setores da sociedade, estabelecendo umas relações orgânicas e afirmando-se como centro totalizante. Quero dizer que todas as atividades da vida humana, antes centralizadas em torno de outros padrões, geralmente imateriais, abstratos ou metafísicos, passam a ser centralizadas em torno da produção e distribuição de bens, assumindo as características peculiares a esse padrão. A constelação cultural não gira mais em torno de deuses, do além túmulo, da estética, do conhecimento ou na lealdade, porém em torno do lucro ou do acúmulo de coisas materiais num plano, como o nosso, que é circular e portanto estável, limitado e finito.

Ainda não abordei a questão lançada por Arendt sobre a redução do espaço político ou do exercício da cidadania - Sobretudo por meio da solução representativa ou parlamentar. - e sua decorrente perda de qualidade. Mas é um dos múltiplos aspectos do economicismo. Reconhecemos o valor ou a validade das instituições democráticas, porém não damos a mínima quanto a formação do ser humano democrata, em posse de uma consciência democrática, conduzido por princípios e valores democráticos, destinado a sacrificar-se pela ordem democrática. Desdenhamos quanto a formação deste cidadão na medida em que permitimos > Em nome de interesses econômicos privados, o aumento da desigualdade social, a proliferação da miséria e, consequentemente a condensação da ignorância, enfim a criação de seres humanos mutilados, despersonalizados, desumanizados, alienados, etc com direito ao voto ou a cidadania. Por onde jamais chegamos a Democracia e sim a Oclocracia ou a uma profunda desilusão face a política. A quem este ceticismo, essa frustração, esse desleixe ou este abandono interessam...

Após tanta enrolação, passemos agora a Scruton.

Começa a pag 8 enaltecendo a 'Democracia parlamentar' e 'caridade privada'.

Bom advertir que não é esta a Democracia grega ou mesmo o landsgemeinde suíço, modelos bem mais funcionais. Via de regra (Vide Sartori) os teóricos alegam que a existência do macro estado impede a adoção do modelo direto ou da policracia (Uma vez que Atenas não passavam de uma Polis ou cidade). Penso que seja apenas uma meia verdade. Afinal existem países ou condados, aos quais cabe decidir alguma coisa... Logo, mesmo na esfera do macro estado, as demandas cantonais ou municipais sempre poderiam ser discutidas e aprovadas pela comunidade. Por outro lado o surgimento do mundo digital, da internet, da virtualidade, etc abrem novas possibilidades no que diz respeito a comunicação, e, consequentemente a vida democrática. Exemplo disto é a Democracia estendida ou Demoex criado em 2002 na Suécia.

O problema aqui, desde o surgimento do representativismo parlamentar, foi a questão do trabalho ou da economia, noutras palavras, a participação dos produtores, trabalhadores ou operários nas discussões e deliberações da vida política implicaria em algum tipo de ajuste quanto a jornada de trabalho, em termos de ausência ou rotatividade, o que implicaria por sua vez na redução do progresso, leia-se da produção e dos lucros. O que é inaceitável ainda hoje, no século XXI, imagine só no século XVII... Se em 2025 ainda há quem queira aumentar a jornada de trabalho e diminuir o tempo disponível ou ocioso dos cidadãos, imagine então os tempos pretéritos...

A acomodação, como sempre, feita foi para satisfazer os interesses dos patrões ou empreendedores, com perda da funcionalidade e o que é pior, a possibilidade de um controle maior ou digamos de sabotagem por parte dos mesmos patrões, os quais sempre poderia, de alguma maneira, influenciar a escolha dos tais representantes. Tal e qual o pastor banqueiro Vorcaro financiou a eleição de Bolsonaro ou sua propaganda com o objetivo de influenciar a vida política nacional e obter vantagens. É assim que a perniciosa indústria de armas ou bélica, por meio de gorjetas e propaganda, influencia a política norte americana, expondo os cidadãos inocentes (Que deveriam ser sempre protegidos) a constantes massacres por parte de psicopatas ou delinquentes.

Além disso, possuí o representativismo um vínculo estrutural, posto que uma transferência definitiva de poder possibilita a simples traição sob pretexto de mudança. Nada mais comum do que um candidato tal apresentar-se ao povo como seu protetor ou como defensor de seus direitos, seja a liberdade dos cidadãos ou as leis de proteção ao trabalho, até que vendo-se eleito e recebendo estipêndios criminosos muda quase que de imediato os seus princípios e valores, passando a defender o minimalismo ou a privataria. E fica tudo por isso mesmo - Posto que ninguém jamais se pergunta sobre o porquê de tão súbita mudança, investiga sua agenda ou sonda sua o saldo de sua conta bancária.

Naturalmente que um homem prudente como Locke estipulou que em tal caso, em que o interesse do eleitorado seja ameaçado e o povo sordidamente traído, deveria ser aquele parlamento dissolvido pela autoridade competente, realizando-se novas eleições. No entanto esse dispositivo importante contido nas obras do citado autor, por questão de mera conveniência, jamais foi suficientemente lavado a sério, sofrendo outra acomodação ou arranjo. De modo que após a 'transferência do poder' o povo cessa de meter o bedelho na tomada das decisões, ficando os tais senadores ou deputados firmados no cargo por três, quatro ou cinco anos i é até o fim do prazo legal determinado, façam eles o que bem quiserem, o que sucedeu entre nós nos anos noventa, durante o espetáculo das reformas e privatizações, em que o governo comprava os votos dos tais representantes a olho nu.

Quanto a caridade privada temos aqui outro erro funesto, caso a anteponhamos ao Bem comum enunciado por Aristóteles, identificado com a paz ou a concórdia, fruto enfim de uma relativa igualdade ou da justiça social. A caridade decerto, entra pelo domínio da Ética, correspondendo, até certo ponto, a uma deliberação livre. Outro o caso da justiça, cuja satisfação, pertencente a esfera das coisas impositivas, precede a caridade privada, sendo digna do cuidado e da ação política.

Scruton não fala aqui sobre o Bem comum ou a justiça social, porque talvez seja assunto alheio a sua tradição. Quanto a nós, já dissemos que a noção de Bem comum não somente remonta a Aristóteles como praticamente esgota a finalidade da ação política. A existência do Estado só se justifica enquanto meio mais eficaz para a consecução do Bem comum e da harmonia ou unidade social. Reduzido a mera estrutura policial destinada a perpetuar o status de entidades particulares, torna-se anti ético, alheio ao bem comum e não apenas inútil porém pernicioso. Assim o estado minimalista ou neo liberal, a serviço de interesses privados que perpetuam ou acentuam desigualdades. 

Alias, nem se pode separar a noção de um Estado policial que se limita a conter as possíveis tentativas de subversão por parte dos escravizados, pauperizados, miseráveis, explorados, oprimidos, etc da proposta de Kelsen em torno de um direito sem ideais abstratos ou metafísicos de comportamento i é sem aquela Ética representada pelo Direito natural. Ao qual devem se ajustar, por força da Lei, todas as instituições humanas. Pois a negação do jusnaturalismo, também ela, implica aceitar passivamente e acriticamente os decretos ou ações políticas ditadas por um determinado Estado, ou como dizem, a realidade dada, seja ela qual for. Tudo isso implica não apenas conformar-se com as situações de injustiças, como se fossem desejáveis, como consolida-las e amplia-las.

Como diz Aquino a caridade privada só pode cumprir com sua finalidade adicional ou completiva após a afirmação radical da justiça, a qual por ela não pode ser substituída sem alterar negativamente a ordem natural das coisas. 



terça-feira, 13 de julho de 2021

Socialismos, o espelho do Cristianismo II

Já expusemos honestamente nossa vergonha.

Materialistas, mecanicistas, economicistas e positivistas há que ousam revindicar para si mesmos o título nada honroso de cristãos capitalistas ou liberais mercadistas. Fossem eles protestantes não nos admiraríamos disto - Oh Sancta Simplicitas... Pois é o protestantismo individualista, transcendentalista, livre examinista; sancionando quaisquer distorções subjetivas dos textos sagrados, etc

Incoerente, grave e escandaloso é que Cristãos apostólicos: Romanistas, Anglicanos e Católicos Ortodoxos tenham assimilado tão levianamente esse cipoal de heresias filosóficas e sociais enquanto berram como pegas no cio: Comunistas, comunistas... 

Ora, os comunistas não fazem parte da Igreja e aqueles que simpatizam com algumas de suas visões e métodos equivocados devem ser reorientados com toda paciência pela autoridade eclesiástica, ou, constatada a má fé, disciplinados. Aqueles que de fato se preocupam com os oprimidos e cuidam da justiça não terão dificuldade alguma em submeter-se. Pois é de nossa tradição mover guerra espiritual a avareza e denunciar a opressão sob todas as suas formas. É da Igreja tomar o partido dos fracos e oprimidos e vindicar-lhes a causa. No entanto são nossas fontes espirituais e nossos meios específicos.

Não somos comunistas nem nos fazemos comunistas por denunciar como devemos o pai do Comunismo, o Capitalismo esse filho terrível, afilhado ou enteado do protestantismo. 

O protestantismo, temos sempre de bater nessa tecla, foi quem lançou as sementes venenosas do individualismo ou do egoísmo. Foi ele que (Não estou atribuindo este erro fatal a Lutero! - O qual jamais negou as obras e sim que as obras salvassem!) apartou a Cristandade das obras e da imanência, ferindo de morte o ideal insercionista inaugurado pela Encarnação de nosso Deus. Foi ele que dando as mãos ao neo platonismo criou esse cristianismo descarnado, fantasmagórico ou 'espiritualizante'. Foi ele que por necessidade histórica deitou nos braços do poder estabelecido. Foi ele que tornou-se lacaio do Estado e por meio desse servo de forças econômicas. Foi ele que editou a nova versão 'frágil' do Cristianismo, esse Cristianismo fala mansa ou água com açúcar. Foi ele que converteu o Cristianismo em sedativo e tornou-o socialmente irrelevante ou inútil. Tudo isto fez o protestantismo, acalentando a víbora materialista/economicista em se seio e dando-lhe vida.

Aspiravam os poderes econômicos por semelhante oportunidade. De revindicarem autonomia e assumir a soberania. Demandavam portanto por uma Igreja submissa, sem Bispos, monges, conventos, cruzes e sinos... O protestantismo esvaziou e enfraqueceu o nosso Cristianismo, curvando-o face a outros poderes, quando lhe estava reservado o comando (Indireto ou via Ética) de tudo, assim a direção do processo histórico.

Tampouco pôde o protestantismo com sua petição grosseira a bíblia ou ao antigo testamento, assumir tal encargo ou a missão que revindicava. Impediam-no a divisão em seitas e consequentes disputas, a petição ao exame particular, o viés transcendentalista, etc E só por um tempo o monstro de Genebra, com a Torá entre as unhas, governou a ferro e fogo, fazendo verter torrentes de sangue humano e criando - Segundo Pierre Van Paassen (Com o apoio de Stefan Zweig) - o primeiro campo de concentração da História. Afinal a cegueira bíblica ou judaizante só poderia mesmo prevalecer por meio da força... 

Foi um triunfo efêmero.

O protestantismo fragmentou a igreja cismática de Roma num amontoado de seitas e proclamou altissonante seu triunfo, e sem embargo falhou miseravelmente por não ter sido capaz de substituir a igreja rival. O protestantismo de modo algum tomou a condução dos destinos do mundo mas abriu mão dela, e isto equivale a capitulação espiritual do Cristianismo histórico, esse refúgio na extremidade do 'espírito', nas nuvens ou nas alturas - Pelo simples fato do Deus do Evangelho se ter aproximado do mundo e entrado na História por meio da Encarnação. Com o triunfo do protestantismo e sua alienação ou esvaziamento neo platônico perdeu o Cristianismo sua vocação. 

Por incapacidade do protestantismo mitológico (Por via do antigo testamento) e sectário (Por via das seitas) o Cristianismo perdeu a direção das coisas e cessou de inspirar cada vez mais as ações dos homens imprimindo-lhes um cunho social. 

O protestantismo foi e é recuo, abandono e fracasso. Uma opinião firmada em Agostinho e segundo a qual mesmo em posse da graça o homem sequer pode transformar a si mesmo, devendo desesperar-se por completo do mundo e, necessariamente (Como ocorreu e ocorre) tornar-se catastrofista e apocalíptico, assimilando o derrotismo dos antigos hebreus. Toda essa carga de negatividade e pessimismo existente já na literatura judaica ou judaizante dos primeiros séculos o protestantismo absorveu, e a ponto de criar um lema: O mundo não tem solução.

Agora ao recuar de seu posto, até então ocupado, ainda que sofrivelmente pela igreja romana, mas ocupado, o protestantismo permitiu que um outro tipo de poder, o poder material ou econômico, se instala-se em seu lugar inaugurando um novo ciclo na História da Humanidade, o ciclo das ideologias naturalistas ou das culturas de morte, todas ao menos implícita ou dissimuladamente materialistas até os confins do ateísmo, e relativistas (Quando não negacionistas) quanto aos valores espirituais, e isentas de qualquer sentido metafísico profundo, que transcenda o mercado, a pátria, a raça e outras categorias inferiores senão vulgares da existência. O espírito perdeu seu primado já há muito disputado como jamais perdera nos piores momentos da História antiga...

Como de Ideologia em Ideologia, de cultura em cultura, de mística em mística não chegaríamos a borda do abismo que é a negação e a extinção do homem.

Não foi o Deus, assim o teísmo naturalista dos pensadores gregos e tampouco o Deus encarnado e presente do Evangelho que morreu, bateu botas e apodreceu, mas o homem. Nossa espécie é que ora agoniza e se vê prestes a morrer miseravelmente em meio a águas, ares e terras poluídos e a falta de comida! E isto tudo por falta de Ética, por falta de sólidos fundamentos espirituais... E o caminho disto foi a bíblia, digo e repito, o biblismo, o livre exame, o sectarismo. O protestantismo foi o começo de tudo. Precipitou-nos inclusive no vórtice das Revoluções, outra ilusão, delírio ou quimera perniciosa. Fala-nos mesmo por meio de Kant, Nietzsche, Sorel, etc e sempre para o mal ou para o pior... Por isso ele não nos poderá salvar, e tampouco conter este ciclo de culturas de morte que acionou.

E se você leitor protestante, nada percebe ou vê além do falso dilema papismo/protestantismo desespere de toda salvação e aguarde pela pior das mortes no único e verdadeiro inferno produzido pela avareza, pelo individualismo, pelo egoísmo e pelo mar de irracionalismo, e é claro pela falta daquela Ética filha do Evangelho vivo e redentor.

Agora ao estender meu olhar sobre o corpo da Igreja que vejo em termos de consciência social Cristã, de ideários, planos, propostas, métodos, etc

Contemplo antes de tudo aquela multidão de Cristãos alienados que nada sabem sobre as condições do mundo atual e que tampouco se importam com ele, caminhando como cegos ou zumbis em direção do abismo hiante. Tais os Cristãos que se reproduzem organicamente, os de tradição cultural, os reprodutores, os imitadores, os apenas batizados, etc - Nossas massas, como diria J H Newman. Aqueles que receberam o Cristianismo de seus ancestrais mas que jamais sentiram-no ou refletiram sobre eles. Esses homens sem espírito, sem alma ou consciência; nos quais não brilha o amor pelo bem, pela verdade ou pelo belo. Os Maria vai com as outras. Os que concordam com tudo. Os que aceitam tudo. Os mal formados. Os desinformados. Os incoerentes... Nossas massas, nossa cruz. Porque devemos sofrer e chorar com a mãe Igreja.

Deixados estes formalistas e confortáveis de lado devo mencionar os Cristãos que tem consciência de sua fé, digo os que sabem o que sua fé significa e o que espera deles. Estes como Peguy sabem o que devem fazer... Sabem que o Cristianismo Católico ou Apostólico não se limita a missa de Domingo, as procissões e almoços de família... Sabem que Catolicismo não é esse paraíso burguês fechado em torno do jardim... Sabem que esse mundo artificial encerrado numa cúpula - Com sua atmosfera de intangibilidade, nada tem de Cristão. Quem espera repouso não é sabe que é Cristianismo. Pois é o autêntico Cristianismo a mais heroica das religiões e a única destinada a confrontar o mal ou a afronta-lo audaciosamente. É fé de homens e mulheres audazes e corajosos, que nos primeiros séculos suportaram horrendas torturas. Cristianismo é isto, mesmo para o leigo - Incomodo, desafio, perseguição e trabalhos: Ou não seria cruz! Ao menos a consciência de cada Ortodoxo deve sentir o impacto do desafio!

Não e não. Não se pode permanecer neutro face ao reino do dinheiro, a força do lucro, o poder do capital, a sanha da avareza. São ações e fatos que exigem postura clara e decidida. De que lado está você??? 

Pode você face a tanta fome, ignorância, nudez, enfermidade, violência, etc declarar que a vontade de Cristo se realizou nesta terra pela qual pedimos todos os dias ao repetir: Seja feita a tua vontade na terra e nos céus???

Então bata no peito, faça um junto 'Mea culpa' e em seguida se pergunte sobre o que pode fazer ou sobre qual seja teu dever, o dever do Cristão!

Amai-vos uns aos outros como vos amei, diz o Mestre.

E agora examine sua consciência e indague se aquele que explora, oprime, domine e exerce a injustiça ama!

Tornemos já, do Oriente ao Ocidente ao herói Peguy!

E cessem as relações promíscuas com o Império de Mamon! Que Mamon seja definitivamente expulso dos domínios sagrados de Jesus Cristo, nos quais devem impor-se a solidariedade, a justiça e o amor.

Apresentar nosso irmão batizado e filho de Deus como um rival ou concorrente é atitude essencialmente maligna.

Ignorar o irmão que passa fome, sede, frio, etc é ser insensível e ser insensível é não ser Cristão.

Priorizar relações e investimentos econômicos é pecar e nada mais.

Caso o Evangelho que lemos sem artifícios e atenuantes sacrílegos esteja certo o mundo em que vivemos está demasiado equivocado, e se está equivocado é nossa missão corrigi-lo.

Advertir os que erram é obra de misericórdia imposta pela verdadeira religião. Por isso nossa Sociedade não deve ser acalentada com afagos ou aplaudida mas corrigida. E exorta-la é dever que nos impõem o Evangelho. 

Assim se você se diz súdito do reino celestial por que acumula ou junta tantas tranqueiras na terra?

O melhor médico não é aquele que se dirige ao doente com palavras doces. Mas aquele que determina a dieta ou a morte. E que emprega o bisturi e o cautério. O que corta e extirpa os tecidos putrefatos e saneia o corpo por meio da cirurgia, não o que distribui confeitos...

E no entanto esses meios dizem respeito a mente e a privação das coisas sagradas no seio da Igreja.

Resta-me dizer por fim que mesmo entre os Ortodoxos ou apostólicos romanos que aspiram confrontar e transformar o mundo nem todos estão de acordo quanto aos meios e também entre os nossos há muito que existem os adeptos da ruptura radical e da inserção, da revolução e da evolução, da sedição e da reforma. E já advirto que mesmo admitindo o emprego ocasional ou circunstancial da violência, o Cristão opta certamente pela via da inserção, da institucionalidade e acima de tudo da educação, da formação ou da produção da consciência como algo que não apenas promoverá a mudança estrutural como prepara-la-a. 

É um movimento concomitante de certo modo, posto que o acúmulo das sucessivas reformas terá como resultado uma transformação gradativa. Todavia se considerarmos que os responsáveis por dar impulso as reformas - Sejam meros cidadãos engajados ou políticos de carteirinha. - estão sempre na dependência de uma educação/formação ético pessoal, concluímos que o que aciona o processo social é o espírito ou a ideia. Nem poderia a estrutura material e isenta de vida resistir como muralha invencível a ação humana. Transforma-se a sociedade como transforma-se a estrutura econômica, não magicamente ou por si só, mas sempre por ação de algumas pessoas que se acham a frente de seu tempo, são elas que dentro de limites e medidas levam a sociedade adiante, pois não se move a sociedade por si só como algo a parte, sendo movida pelos atores que moveu e move. Há pois um duplo movimento: Um que parte da estrutura e dá vida a cultura, outro que partindo do homem altera a cultura, recria as estruturas e reinventa a sociedade.

Equivocou-se Marx: Não é o modo de produção que determina a consciência. Determina as consciências das massas e influencia a todos, sendo no entanto influenciado e transformado por certas consciências bem formadas. Que tenham as tais consciências, vinculadas a diversos modelos de cultura tradicionais, resistido as investidas do modelo capitalista e contido tais investidas por séculos a fio foi suficientemente demonstrado por Polanyi e Hobsbawm. Que os efeitos das transformações impostos pela toda poderosa estrutura econômica tenham de ser sancionados pela instância do ideal confessou-o Marx. Que haja interação entre ambas as forças concedeu Engels. Que a instância imaterial tenha produzido uma cultura e que essa cultura, em diversos nichos, tenha resistido as pretensões postas pela estrutura econômica ja havia sido demonstrado por Fustel de Coulanges. Que hajam diferentes formas de constelações sociais cristalizadas em torno de princípios e valores de modo algum econômicos foi demonstrado por Sorokin. 

Se bem que não se tenha equivocado tanto ou como um Lênin. Pois era Marx, o Marx autêntico, Etapista. Fosse quais fossem suas diferenças com Hegel Marx jamais concebeu o processo social ou o fluxo histórico como cera quente. Tinha a História para ele um ritmo, sendo necessário ao Revolucionário conhece-lo bem, de modo a perceber o kairós i é a oportunidade, e atuar em comunhão ou sintonia com esse ritmo. De modo que o Revolucionário, se faz avançar um pouco a História, sempre tem consciência de seus limites. Mesmo o conjunto dos homens ou parte da Sociedade atuam sempre dentro de certos limites dados pela estrutura. 

É somente por essa via que pode a Revolução obter acesso ao poder, alterar radicalmente as estrutura e então, magicamente, alterar toda marcha da sociedade. 

Assim se nem toda Revolução é ou se dá nos termos materialistas de um Marx ou de um Bakhunin e da modernidade que é materialista - Pois como veremos toda Revolução (Como a força ou a violência) é instrumental, ficando sempre na dependência de um conceito chave ou matriz geracional que pode ser ou não ser materialista. - é certo que materialismo e Revolução combinam perfeitamente e que, bem ponderado, o conceito de Revolução conduz facilmente ao materialismo.

Explico. O que Revolucionário algum pretende é transformar a sociedade pela simples mudança em termos de pessoal, ou fica abortado o conceito de revolução. O que ele busca é um elemento chave, material ou imaterial capaz de mudar a cultura e por meio dela as pessoas. O que ele julga ter obtido através de seus estudos é a compreensão de qual seja esse mecanismo responsável pela produção e manejo da cultura. Para em seguida, por meio da violência, tomar posse desse mecanismo e, através desse mecanismo mudar a sociedade.

Importa saber algo.

Que mesmo quando é este elemento imaterial como uma nova fé, o culto a liberdade, etc ele só pode ser manipulado por quem detém o controle da força, o qual depende em última instância de um embate ou confronto físico. Parece que aquele mecanismo a ser acionado está na dependência de alguma estrutura política de poder já em parte material. E que essa estrutura de poder está na dependência de um conflito físico de forças entre corpos e munições. Porquanto o princípio da Revolução ou sua matéria é a violência.

Teríamos assim o seguinte esquema: O confronto físico entre os corpos franqueia o acesso a estrutura em parte física do poder e este por fim ao mecanismo capaz de alterar a realidade social e o comportamento das pessoas. Posso conceber, como fiz acima, uma variante; apenas por trocar o lugar das duas últimas premissas, e conceder que alterando o comportamento das pessoas altero a estrutura da sociedade; e assim atenuo o materialismo, mas não o suprimo. Como não o suprimo ao identificar o mecanismo capaz de transformar a sociedade ou a vontade pessoal com qualquer elemento imaterial. 

O revolucionismo, a metafísica revolucionária, o pensamento revolucionário, deveria, por necessidade, fazer-se marxista porque já nele está contida uma premissa materialista. Uma vez que sua petição secundária é a estrutura política (Tão material quanto a econômica.) enquanto que sua petição primária é a força física. Pois o que faz diferir a Revolução da Guerra não é a matéria mas a forma, porquanto a matéria é a força e apenas se aspira alterar toda uma estrutura ou todo um universo por meio da força física de corpos, armas e bombas, e não por meio da Educação ou da tomada de consciência. Diversos sociólogos intuíram esse aspecto, i é, o antagonismo existente entre o padrão revolucionário da violência (Que descambou no materialismo.) e o padrão evolucionário da formação/educação. Percebeu-o claramente Sorel inclusive. Dando a entender todo um quadro metafísico ou ideológico por trás de ambas as opções.

Exatamente por isso o Cristão, mesmo quando admita - Como eu - a petição a força, jamais pensará a força nos termos de um revolucionário i é como algo algo ampla e profundamente transformador ou princípio de uma nova ordem. Mesmo quando a violência for admitida em sua cosmovisão, o Cristão jamais fará dela ou centro ou o motor dessa cosmovisão, tal como a alavanca de Arquimedes, e a força será apenas um aspecto isolado e circunstancial. 

E será esse Cristão evolucionário, insercionista, institucionalista, reformista, etc mesmo quando partindo da noção perfeitamente Cristã de Guerra, ou de defesa social ou de ordem justa e desejável, admitir que em algumas situações, esgotados os demais meios, cabe e é necessário recurso a violência. Pois a demanda pela justiça institucional só é tolerável até certa medida. Claro que essa situação de violência e conflito que diz respeito a pura e simples troca de pessoas no exercício do poder e que ficará sempre na dependência de relações políticas numa ordem o mais democrática possível, não pode nem deve ser confundida com Revolução. Nem toda forma de violência contra o governo, comporta as ilações metafísicas de uma revolução. 

Tal a questão das estruturas minimamente ou apenas formalmente democráticas. As quais mesmo não correspondendo a um tipo ideal (Que se identifica com a democracia direta ou a policracia.) ou a uma estrutura perfeita, prestam-se no sentido de dar acesso a Evolução ou progresso social, o qual alias se dá nessa estrutura, i é por dentro, devendo partir dela a democracia plena ou resultar ela em democracia direita, mas não por golpe e sim por pressões sociais convertidas em leis. Por isso, ao contrário dos jacobinistas, somos contrários a qualquer sedição ou golpe democrático ou policrático (No cenário de uma democracia formal ou indireta.) e em franca oposição aos primeiros lideres protestantes, que se estribaram no Antigo Testamento, somos decididamente contra qualquer tipo de golpe ou violência religiosa. Somos contra todo e qualquer golpe cujo objetivo seja acionar forças que movam estruturas ou pessoas. Nós não cremos nisto.

Portanto mesmo quando assumirmos o padrão da força lhe daremos outro sentido, assim removeremos pessoas, em beneficio de pessoas mais dignas e melhores. Não acionaremos gatilhos e não buscaremos mudar estruturas exceto por meio da produção de consciência, da educação, da formação, a qual para nós é a chave da cultura. E e claro que o objetivo de toda essa movimentação de consciência tem por fim produzir uma cultura ética e essencial da pessoa humana, valendo-se de nossa herança Cristã que é o Evangelho (Não a bíblia e menos ainda o antigo testamento e seus preconceitos tolos.) e de nossa herança Socrática. 

Eis porque não será o Cristão revolucionário, COMO JAMAIS SERÁ CONTRA REVOLUCIONÁRIO opondo-se ativamente e por meio da força a qualquer Revolução, exceto se religiosa ou credal. 

Por isso no próximo artigo, considerando Sorel, avaliaremos a questão da violência face a razão, para em seguida reforçar nossa oposição ao contra revolucionarismo hipócrita.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Apologia do Cardeal Arns - Resposta ao insidioso jornal O Estado de São Paulo

Nem esfriou o cadáver do falecido cardeal arcebispo de São Paulo e já a imprensa canalha destila seu veneno e baba asquerosa sobre sua veneranda memória.

Jamais fui admirador ou amigo do falecido hierarca da Igreja romana. Ao tempo em que o então arcebispo contendava com a moribunda ditadura militar era eu ainda um jovem protestante e como tal plenamente alienado em termos de política e cidadania, bem a gosta de nossos demagogos!

No entanto sete anos antes de D Arns vir a aposentar-se havíamos nos convertido a Igreja romana e por assim dizer iniciado nossa assunção espiritual.

Após dez anos de filiação e militância achamos por bem abandonar a Igreja romana e passar a Ortodoxia, o que fizemos buscando depurar, aperfeiçoar e coroar nosso espírito Católico, jamais arrenega-lo. Sobre as questões que nos fizeram romper com o padrão romano já nos exprimimos em diversas ocasiões. Em termos de doutrina a infalibilidade do papa, o gracismo ou agostinianismo e a doutrina das penas eternas ou do infernismo. A par disto a igreja romana incorporou ou assumiu diversos elementos de origem e talhe protestantes, o que a nosso ver era absolutamente inadmissível. Outro tema atentamente considerado por nós, e talvez o principal, foram as reformas litúrgicas - e o decorrente empobrecimento estético e espiritual resultante delas - implementadas pelo Vaticano II. Incomodava-nos por fim o neo catolicismo ou o neo marianismo com suas aparições, visões, comunicações e devoções estúpidas de teor mágico fetichista... o lurdisno, o fatimismo, o garabandismo, etc

A ruptura foi dramática e nem por isso deixamos de amar a igreja romana, de reconhecer-lhe os méritos, de aplaudi-la quando acerta e de encara-la com respeito de gratidão. Além de estarmos obrigados a julga-la segundo as exigências sagradas da justiça.

Publicamente reconhecemos ter sido a igreja romana a centrar nossa fé no Evangelho ou seja nas palavras de Jesus Cristo, a por-nos em contato com a tradição Cristã dos primeiros séculos ou seja com o pensamento patrístico, a refrescar-nos a o espírito com o dom do franciscanismo, a apresentar-nos o padrão de pensamento escolástico e por consequência os tesouros clássicos do socratismo e do aristotelismo, a fornecer-nos as primeiras noções em termos de justiça social, a produzir em nós as primeiras sensações estéticas impactantes, a comunicar-nos um sentido ético de vida, etc, etc, etc Foi o princípio de nossa educação e formação completamente descuidadas pela família - não totalmente porque meu pai sempre se preocupara em lançar-nos alguma luz ao espírito - sob os auspícios do protestantismo.

Por estas e outras tantas razões, apesar dos pesares e senões, ainda encaramos a igreja romana como uma grande fonte de inspiração ética para o mundo. Na medida em que ainda contém inúmeros fragmentos de Catolicismo antigo e vestígios de cultura clássica. Elementos que nos remetem ao humanismo e a grande batalha do tempo presente.

Analisando os documentos oficiais da comunhão romana, tratados de teologia, catecismos, encíclicas e bulas dos papas, declarações conciliares e sinodais, etc detectamos a presença de um vivo espírito Cristão procedente dos santos evangelhos, da tradição apostólica, da teologia patrística, da reflexão escolástica, do socratismo, do aristotelismo, da Filosofia antiga enfim. O romanismo, apesar das suas misérias e da pobreza de suas formas, ainda contém em si algo de nobre, que não foi nem tocado, nem maculado, nem poluído pelo espírito protestante, matriz de todos os erros contemporâneos em termos de cultura de morte.

Coisa bem diversa se dá com os Católicos, especialmente os mais jovens, mas também com alguns mais antigos e especialmente - oh paradoxo! - com os medianamente esclarecidos. Dir-se-ia que o Catolicismo romano transformou-se num formalismo vazio e que os fiéis estão completamente possuídos pelo espírito e pela cultura protestantes.

Apresentam-se como Católicos, professam a fé, recorrem aos sacramentos, prestigiam as cerimônias; mas nem por isso suas almas são Católicas. O padrão de pensamento, os princípios, valores e atitudes são marcadamente protestantes. E por isso costumamos apresenta-los como 'católicos' de alma protestante ou como corações protestantizados. Há ali formas de Catolicismo mas não espírito Católico e tal gente mais se assemelha com os ossos ressequidos descritos pelo profeta Ezequiel do que com qualquer outra coisa.

E no entanto - Pontuemos muito bem! - nada mais antagônico ou mais distante do que o espírito Católico, com seu projeto de homem e Sociedade e o espírito protestante, com seu projeto de homem e sociedade. Do que resultou um embate tetra secular obscurecido no tempo presente apenas pela leviandade e incoerência dos Católicos. No entanto estes dois espíritos ou visões de mundo continuam tão distintos como óleo e água, e jamais se misturam. Ademais o protestantismo, pela negativa, demoliu ou melhor dizendo implodiu a concepção católica da existência ao impugnar-lhe a fé.

Somente duma época pautada pela incoerência, pelo irracionalismo, pelo subjetivismo, pelo relativismo e outros venenos podería alguém supor uma aproximação e o que é ainda pior, conciliação entre o ideal Católico e o ideal protestante. Tal conciliação faz tanto sentido quanto a pretendida conciliação entre a democracia e o totalitarismo, o socialismo e o individualismo, o humanismo e o cientificismo...

Conceitos e definições que se excluem mutuamente não se aproximam.

No entanto, desde os tempos de Lutero e Calvino não poucos Católicos tem se esforçado por suavizar as diferenças concretas ou vitais e por viver como protestantes. Não, os protestantes - exceção feita talvez a vida litúrgica ou ao ritual - não aspiram viver como Católicos preferindo viver a sua moda, ou seja como antinomiastas (solifideistas) ou judaizar, aderindo ao legalismo mosaico. Cogitar em adotar a lei do Evangelho e vivencia-la, poucos dentre eles - a exemplo do Dr Schweitzer ou de Niomeller - inclinam-se a faze-lo. Já o contrário não se dá. Pelo que sempre houve um significativo número de Católicos inclinado a professar apenas e não em viver.

De fato as belezas e riquezas espirituais do Catolicismo sempre atraíram muita gente sem brio. Cuidando ser ele apenas uma fé ou uma fé a mais para ser professada apenas. O protestantismo afirmou Lutero em alto e bom som é uma fé apenas, uma teoria, uma crença! Não o Catolicismo, este já lá no Evangelho é lei com que conformar a vida: Sois meus amigos se praticais o que vos mando, declarou seu fundador. É pois algo vital. É lei que regula a existência, é forma de vida, é compromisso moral ou ético a ser assumido.

Não é a fé portanto que faz o Católico. Segundo a doutrina Católica a fé deve ser completada e ultrapassada pela caridade viva. É a caridade viva, a ação, o serviço fraterno, a observância, a obediência que torna o homem Católico. O Católico é católico pela vida, não pelos lábios, não pela boca, não pelas palavras, mas por obras e verdade.

Por isso ele professa que se salva nas obras ou no mínimo que as obras são fruto necessário da comunhão com o Sagrado. A esterilidade as árvore sem frutos proclama seu estado de separação espiritual. A árvore que produz maus frutos é lançada o fogo porque não esta na Unidade de Deus. Aquele que não pôs as moedas para render não será acolhido mas despedido sem nada. Não é aquele que diz: Senhor, Senhor que entrará no Reino Celestial, mas aquele que FAZ a vontade do Pai...

A fé somente por pura e exata que seja a ninguém pode salvar. Se faltar a caridade, se não houver fruto, se minguarem as obras... Terá o Cristão de ouvir: Apartai-vos de mim, obreiros da iniquidade, jamais soube qualquer coisa a vosso respeito!

Com razão, no dealbar da reforma protestante, os papistas apegaram-se a doutrina das obras, da caridade, do serviço, da ética; como pedra de toque ou pedra angular da Ortodoxia Cristã.

E esta doutrina patenteada pela veneranda tradição foi canonizada em Trento.

Quase que de imediato porém alguns Católicos aspiraram por imitar os protestantes, pelo simples fato de não querer imitar a Jesus Cristo e assumir suas virtudes. Acomodaram-se e por meio dele, o mesmo espírito luterano, assumindo novas e distintas formas, penetrou mais uma vez no corpo da igreja produzindo devoções mágicas (tantas sextas feiras, tantos sábados, medalhas miraculosas, etc), sucessivas promessas de perdão (em detrimento da reparação penitencial), um paulatino abandonar do mundo material, etc Cessando o Catolicismo de ser a vida que sempre fora e ideal de organização social.

Não fui eu, mas Adam Moheler, príncipe dos controversistas Cristãos, que definiu a igreja Histórica, a Igreja antiga (E Renan), a Igreja dos Bispos (E Renan) como uma extensão, continuidade e expansão do mistério central do Cristianismo: O dogma da Encarnação. Por meio da Santa Virgem Maria e do Espírito Santos Deus se fez homem, um homem. Por meio da Igreja, da vida da Igreja este mesmo Deus se faz espécie, se faz gênero humano e encarna-se ou - perdoem-me a ousadia - reencarnar-se na Humanidade. Por meio da Igreja é a Humanidade convocada a Theosis i é a divinização, a comunhão com o absoluto, a Unidade suprema.

Assim o sentido e a meta do Cristianismo não é uma salvação mágica no além túmulo ou o abandono do mundo mas a regeneração daquele mundo que Deus tanto amou. É sua restauração, purificação, incorporação e aperfeiçoamento. Pois se há no mundo algo de mau, se nela há oposição da Deus, se nele há um elemento negativo, não é da matéria criada que ele procede mas da vontade humana. O mal, o vício, o pecado correspondem não a entidades materiais existentes em si mesmas mas a uma orientação equivocada da vontade. É a oposição da vontade humana a Lei divina.

No entanto como este homem é livre e sua vontade mutável, segue-se que pela educação e pedagogia divinas pode o mesmo homem emendar-se rompendo com o mal e abraçando o padrão divino do bem. E como o mundo moral é associação orgânica formada por seres humanos, da conversão de todos os homens ao bem resultará a aniquilação do mal, deixando este de existir. E tornando-se o mundo perfeitamente bom. A transformação da totalidade dos seres humanos à luz do Evangelho, eis a meta do Cristianismo.

Manifestou-se ele para condenar o que há de mal no mundo mas não o mundo, não a matéria do mundo, não o mundo físico. Pois o problema do mundo é o homem e o problema do homem a vontade. Tem no entanto o Catolicismo viva esperança ma medida em que reconhece a liberdade deste homem. Assim espera que o conjunto dos homens, a espécie, o gênero humano, o mundo mesmo retorna conscientemente ao Sagrado, após ter conhecido o mal.

Esta ideia de incorporação, transforação e vitória em Jesus Cristo é o ideal do Catolicismo. Por isso ele não abraça o catastrofismo apocalíptico dos antigos hebreus e não canoniza a angustiosa doutrina da apostasia, que é de origem pessimista. Por ser filho da ressurreição a Ortodoxia trás em si uma esperança de Triunfo e não pode abjurar dela.

Certamente os filhos da Igreja e herdeiros de Jesus Cristo não ignoram o papel transitório de nossa existência material. Sabem que somos peregrinos e que aqui estamos apenas de passagem. Sabem que o mistério da vida estende-se para muito além... Tem consciência de que após o fim desta vida inicia-se uma outra. Todavia a consciência de que esta vida tem fim não a torna menos preciosa para eles. Pelo simples fato de aqui estarem e deste fato ter algum propósito. Então eles sabem que sua condição na outra vida esta na dependência do tipo de vida que levaram aqui. Eles sabem que a única maneira de conquistar aquele mundo é empenhando-se em transformar este mundo. Eles tem consciência de que a 'passagem' de ida para aquele bom lugar é o lugar onde estão. Sabem que a vida presente não é fardo ou peso mas oportunidade, sim oportunidade... Para chegar ao Cristo partimos daqui... É aqui que damos os primeiros passos rumo ao Cristo...

Cumpre não estar aqui por estar mas estar para servir e amar.

Se não há vida não há oportunidade para o amor.

A luz de tão bela doutrina não pode o Católico observar as estruturas iníquas deste mundo - estruturas forjadas pelo pecado - e permanecer indiferente ou insensível i é de braços cruzados. Tampouco haverá de recuar e fugir, pois seu Senhor e Mestre 'Venceu o mundo'. Por ao próximo, a quem Jesus Cristo obrigou-nos a amar, é o Católico levado a atuar, a agir, a lutar e a combater com o objetivo de reformar as estruturas iníquas deste mundo e de transforma-las a viva luz do Evangelho i é da Lei de Jesus Cristo. O Católico não negocia, não se acomoda, não recua; pois tem a sua disposição toda uma vida sacramental. Socorre-se dos sacramentos como um aparelho serve-se de combustível ou energia e então move-se!

Ao contemplar a realidade deste mundo o Católico depara-se com uma série de relações humanas e sociais incompatíveis com os ensinamentos ministrados por seu Senhor no Evangelho. E não podendo conformar-se com semelhante estado de coisas, porfia-se em mudar todas estas relações e adequa-las ao critério supremo de toda virtude. Como já disse ele não se se acomoda e jamais busca soluções de compromisso. Alimentando pelo pão da Eucarística e pelo pão da doutrina parte o Ortodoxo para o enfrentamento. E enfrenta o mundo. Não para humilha-lo ou constrange-lo mas para conquista-lo e renova-lo.

Agora por que insiste o Católico em interagir com o mundo ao invés de virar-lhe as costas muito confortavelmente???? Porque seu Senhor foi o primeiro a interagir com o mundo fazendo-se homem entre os homens. E o Católico busca imita-lo.

Imitar Jesus Cristo, aquele que não deu suas costas ao mundo, é dialogar com o mundo, é assumir o mundo é ter esperança de conquistar o mundo e triunfar do mal.

Quem desesperou de conquistar e de transformar o mundo perdeu o sentido da Encarnação.

Se Deus teve fé no homem, tenhamos nós também fé.

Insisto marcadamente nisto. Em que o Católico não é dado permanecer na platéia observando o mundo. Se seu Deus é Emanuel ele descerá até a arena e engajar-se-a na luta pelo bem e pela virtude.

Se desesperar da matéria ou da livre vontade e acalentar doutrinas pessimistas esta mais próximo do judaísmo antigo ou do protestantismo, que são sistemas contaminados pelo maniqueismo.

"Não sabia que era impossível foi lá e fez." declarou um sábio.

"Impossível é palavra que se acha apenas no dicionário dos covardes." declarou outro.

O Católico todavia crê naquele Deus para o qual 'Nada há de impossível'.

E este Deus em que crê organizou este mundo.

Creia portanto, e firmemente não apenas na possibilidade mas na necessidade de transformar este mundo. E que para tanto foi comissionado pelo Evangelho.

Recue o protestante maniqueista, pessimista, derrotista com sua doutrina de arrebatamentos e catástrofes.

Eis porque o Catolicismo desde os albores da antiguidade possui uma Doutrina social que é normativa para seus filhos.

Podem os neo Católicos de alma protestante ignorar a doutrina Social da igreja.

Que a ignorância não destrói a doutrina.

Antes que existissem Marx, Engels, Lênin, Bukharin, Plekanov, etc Existia já a doutrina social da Igreja enquanto veículo do Bem Comum.

Antes que surgissem o Comunismo e o próprio liberalismo econômico, matriz de todos os materialismos contemporâneos e de todas as culturas de morte, havia doutrina social da Igreja.

Antes que a primeira besta humana pretendesse conciliar os imperativos do liberalismo econômico com a Santa Fé Católica, pura e imaculada, ERA a doutrina social da Igreja.

Doutrina que tomamos não aos sociólogos da modernidade mas aos primeiros Bispos sucessores dos apóstolos segundo o critério sagrado da Tradição. Tradição que não se limitou a julgar a doutrina da fé mas também a legislar sobre os costumes. Tradição que jamais consentiu em julgar apenas e tão somente as ações pessoais, reclamando o direito de julgar e regular do mesmo modo todas as relações sociais.

Ignorar isto não é apenas fantasiar mas confundir Catolicismo com Protestantismo, na medida em que este apenas acedeu covardemente no sentido de nada regular além da fé ou da crença. O Catolicismo, derradeiro santuário da Virtude após o fim do mundo antigo, jamais admitiu que qualquer esfera da atividade humana ousasse sobrepor-se aos imperativos da ética.

Se é certo que não cumpriu com sua obrigação opondo-se até o sangue a afirmação de outro modelo social, materialista economicista, em tudo oposto ao seu não é menos certo que jamais abençoou esta nova ordem e que a simples existência de uma doutrina social codificada, basta para condena-la irremissivelmente.

Reclamam os economicistas ou economistas clássicos total liberdade para a atividade econômica em nome duma auto regulação expressa em termos matemáticos ou com exatidão de ciência exata. E no entanto é a economia atividade precipuamente humana voltada para necessidades humanas. E pretende excluir o homem! E pretende ignorar suas necessidades básicas! E pretender estar de acordo com os postulados do Catolicismo! Nem em sonho... Pois ao invés de estar posto para o Mercado, o Catolicismo esta posto para o bem comum. É a Cristo e seu Reino que ele serve e não a Mamon, ao Lucro, ao capital!

Entre a busca pelo acumulo de bens materiais, a lucratividade, a fortuna e a busca pelo Reino de Deus vai uma distância infinita.

A luz da doutrina da igreja essa liberdade plena ou total revindicada pelos economicistas é impossível ou melhor pecaminosa. Devendo ser a atividade econômica submetida ao primado da ética, numa perspectiva humana, e regulada pelo grupo social. É o que dizem e declaram as encíclicas dos papas, os documentos de Malines, as cartas de diversos sínodos, os pareceres dos doutores escolásticos e as sentenças dos padres da igreja. Em nenhum destes locais teológicos damos com qualquer aceno favorável as pretensões transloucadas do liberalismo, ao menos que o ateu Von Mises goze já desse 'status'...

E no entanto quantos e quantos neo católicos de alma protestantes teem a ousadia de citar Mises, Hayek ou Fridman ao invés de acatar as decisões dos papas, como Leão XIII, cardeais, como Mercier, de Bispos, como Von Keteller, de Doutores. como Tomás de Aquino e dos Santos Padres a exemplo de Basílio, Crisóstomo, Astério, Ambrósio, Gregório de Nissa, Jerônimo, etc 
E ainda teem o desplante ou melhor o cinismo de apresentar como Comunistas aqueles que opondo-se a Hidra liberal, mantem-se - por uma questão de coerência - apegados a doutrina social da igreja. Isto pelo fato de não desejaram ser meio Católicos apenas mas totalmente Católicos e sobretudo Católicos de coração. Esse Catolicismo belo, que presta apenas para ser comoda ou superficialmente vivido não o queremos... Esta posto o Catolicismo para ser plenamente vivido, até o sangue.

Quem são vocês para acusar este ou aquele membro da hierarquia de comunismo se são os primeiros a não levar a sério a religião que dizem professar ignorando supinamente o teor de sua doutrina social???

Amancebando-se com o liberalismo econômico vocês prostituíram suas consciências e substituíram o SER pelo TER.

Compactuaram com a mais miserável forma de idolatria que é o culto prestado ao dinheiro, fonte de todos os males.

E não satisfeitos com isto ainda traíram o liberalismo político ou o espírito democrático em nome da mística economicista a que servem.

Isto a ponto de mais uma vez atraiçoar o espírito Católico, caracterizado pela defesa incondicional da vida e da dignidade humanas.

E de flertar com 'culturas de morte' por mais de uma vez denunciadas pela mãe igreja.

Qual fosse ela, como dizem seus críticos, uma cadela do fascismo!

A bem da verdade os maus católicos, como sempre, alimentaram toda uma mística patriótica até o nacionalismo, ainda aqui reproduzindo os delírios de Lutero núncio da germanofilia e do odinismo.

A Igreja no entanto, desde aos anos trinta, soube denunciar com toda propriedade a praga da estatolatria em que se escora a Hidra liberal (economicista) quando ameaçada pelo espírito policrático.

Bom seria que esses anti comunistas estivessem empenhados apenas em ser Católicos e em viver segundo as exigências do Catolicismo. Porque então a existência do Comunismo seria inútil... e ele não teria a mínima razão de ser.

No entanto se ai está a peste do Comunismo é apenas e tão somente porque devido a omissão dos falsos Católicos, dos Católicos tímidos e aparentes, dos meio católicos, dos católicos acomodados O ESPÍRITO CATÓLICO deixou de encarnar-se nas estruturas sociais. Porque o ideal Católico de Sociedade ficou frustrado. Porque as aspirações vitais do Catolicismo não se concretizaram. Porque o Catolicismo ficou apenas sendo fé ou doutrina, até converter-se em projeto distante. Conformando-se os Católicos com o escândalo do pecado, e adormecendo suas consciências no terreno da mística e do fetichismo. Comunismo esta ai porque o Catolicismo não teve forças suficientes para impedir a afirmação e o avanço do Capitalismo!

Agora afirmado um erro, temos a origem de muitos outros!

E este erro, o mais grave, o mais sério, o mais funesto; aquele que deslocou um ideal de organização social Cristã, é o Capitalismo, não o Comunismo.

O Comunismo é puro e simples efeito ou produto do Capitalismo, retendo dele o que há de pior, de mais rude, de mais grosseiro.

É o comunismo filho da superstição capitalista e por isso trás em seu corpo suas feições.

É o comunismo consequência e o capitalismo causa.

O comunismo é pura e simples reação, o capitalismo, este é o início da apostasia social, do mal supremo.

Assim o Capitalismo e não o Comunismo é que instaurou a ordem materialista. O Comunismo é materialista porque tomou este princípio carunchoso ao capitalismo.

Ao menos o comunismo é materialismo honesto ou sincero que como tal apresenta-se enquanto que o capitalismo ousa associar-se a religião dando mostras da mais rematada hipocrisia. É o capitalismo um materialismo fingido que jamais se assume como materialista.

Vai aos Domingos a missa e dedica uma hora a deus, para viver como bárbaro e avarento durante os seis dias seguintes! Ele destrói a missa completa e oração perfeita que é a vida do Cristão benevolente!

É culto vão que consagra as atividades em sua quase que totalidade ao lucro e a Cristo algumas horas apenas uma vez por semana.

É superstição putrefata que separa a vida da religião e a religião da vida destruindo o sentido de culto total! É vida que se furta as inspirações humanitárias e humanistas da religião para se controlada pelos imperativos do mercado.

E tanto mais impudente é este materialismo quanto mais lhe acenam com promessas de perdão, salvação e vida! Quando deveriam fulmina-lo com a excomunhão e leva-lo a penitência!

Por apresentar os homens batizados em Jesus Cristo como concorrentes ou rivais enquanto são irmãos que deveriam auxiliar-se mutuamente.

Pois como disse Peguy se alguém cogita em salvar-se sozinho ou isoladamente perdeu todo sentido de Catolicismo. Catolicismo é veículo comum de salvação na integração.

Assim em termos de patologia social o Capitalismo foi a pedrinha que desprendeu-se do alto da montanha e veio rolando até converter-se em avalanche devastadora.

Então antes de criticar um Arcebispo que teve a coragem e intrepidez de denunciar os abusos de um poder cego e arbitrário, de condenar a efusão de sangue, de posicionar-se contra a aniquilação de homens vivos, de resistir ao poder do dinheiro, de vindicar a doutrina social de sua igreja, de afirmar a dignidade impar da pessoa humana, dobrem suas linguas viperinas!

Já D Helder Câmara dizia a respeito de gente tosca como vocês: "Quando alimentei os pobres me chamaram de santo. Quando perguntei por que eram pobres apontaram-me como comunista."
Afinal pra vocês, que seguem o Evangelho de Spencer pobres são vagabundos destinados a morrer de fome!

Claro que vocês tem pleno direito de pensar assim, apenas não finjam-se de Católicos! Pois estariam calcando aos pés aquele Evangelho que temos em conta de sagrado.

Ou será que vocês não leram este trecho do Sermão do Monte: Bem aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos céus!
Acaso ousarão declarar e dizer que podemos ser desapegados quanto soa bens materiais e junta-los a não poder mais????

Insistir a respeito disto seria entrar pelo ridículo...

E concluir que os Onassis, os Rostchilds ou os Vanderbilths foram os homens mais desapegados da face da terra e os primeiros cumpridores do Evangelho.

Mas o espírito de vocês é favorável as riquezas, e portanto caracteristicamente protestante.

E se não tem respeito algum pelos pobres e se buscam juntar mais do que precisam para viver comodamente certamente estão desprovidos do espírito Católico.

O mínimo que vocês deveriam fazer é calar a respeito da abençoada memória de um homem que buscou viver segundo os ideias de sua fé e colocar em prática os postulados éticos propostos por sua religião.

Os comunistas negam a existência de Deus. Os Capitalistas profanam a existência de Deus. D Paulo buscou honorificar a existência de Deus vivendo conforme sua santa vontade, e por isso merece aplausos e não censuras, palavras de afeto e não palavras azedas, pensamentos de amor e não criticas suscitadas pelo ódio.

No entanto que haveríamos de esperar do Estado de S Paulo, jornaleco atrevidamente grosseiro cujo único fim é bajular os poderes estabelecidos???

Esperar algo bom do Estado de S Paulo equivale certamente a procurar gelo no Saara ou areia no pólo Norte

É uma Folha conservadora, destinada a conservar o capitalismo, da mesma maneira como uma lata de sardinhas conserva sardinhas...

Azar portanto de quem lê um lixo destes, especialmente se Católico ou simples humanista.

Coisas como o Estado de S Paulo é sempre melhor não ler.

Não leia o Estadão querido leitor, e certamente estará fazendo verdadeira higiene mental.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A malignidade essencial da PEC 241





Adequar os gastos é um bem


Nada mais comum do que os lares e famílias planejarem o teto daquilo que haverão de gastar num mês ou num ano. Aqui a ideia não parece apenas boa mas excelente.

Diante disto como negar ou contestar que uma determinada Sociedade deva refletir conjuntamente sobre seus gastos e adequá-los a arrecadação?

Afinal não se pode gastar mais do que se arrecada.

Portanto se a renda somada de uma família comporta R$ 1.000 (hum mil) não se compreende que esta família gaste 1.500. Pois ficará endividada...

Até aqui ponto pacífico.

Não negamos nem questionamos que os gastos de um governo sejam limitados e suas despesas fixadas pela arrecadação.

Neste caso por que o governo golpista do sr Temer não pode cortar os gastos???



Aumentar a arrecadação ao máximo é um bem maior




Numa família bem estruturada antes de cortar os gastos essenciais cogita-se antes de tudo em aumentar o montante da renda adquirida.

Mas como?

A mãe passa a costurar ou fazer doces pra fora, o pai faz hora extra, um filho passa a entregar jornais, outro a engraxar sapatos... Pai e mãe procuram ocupações melhores...

De modo que ninguém fique sem aquilo que é essencial: alimento, medicamento, roupa...

Antes de restringir o consumo de bens essenciais qualquer família tenta e busca aumentar sua renda ao máximo.

Não é isto que tenta fazer o governo golpista...

O qual certamente abandonou o projeto do governo anterior que era sobretaxar as grandes fortunas.



O que fazem os países mais avançados e desenvolvidos do planeta?



O que é feito nos países mais civilizados do planeta lá no Norte da Europa, em especial na Escandinávia!

E antes que alguma lorpa venha pontificar declarando que a Escandinávia ou a Bélgica, ou a Holanda são países de economia liberal ou capitalistas sou levado a esclarecer que eles mesmos apresentam-se como social democratas ou keynesianos (leia-se bem) voltados antes de mais nada para o bem estar social dos cidadãos e não para as necessidade do Mercado financeiro.

Nada mais justo do que sobretaxar aqueles que por meio da mais valia produzem as condições de desigualdade que aumentam paulatinamente a miséria.

Pelo que devemos classificar essa sobretaxa como retorno social e meio porque atenuam-se tais condições. Por meio de programas assistenciais implementados pelo poder público nas áreas da Educação, Saúde, Habitação, Lazer, Segurança, etc todos os membros do corpo social passam a ter a oportunidade de fruir uma vida digna e diminui-se o grau de tensão social que produz a violência, os conflitos e as sedições.

O rico continua rico, embora um pouco menos rico, enquanto cidadão algum experimenta situações de miséria extrema como aquelas que conduzem a angústia e a revolta extremas. E todo corpo social mantem-se mais ou menos coeso e em paz. Quando todos tem chance de comer, vestir, habitar com comodidade, adquirir medicamentos e sentir-se seguros não há porque alterar violentamente um tal estado de coisas.

O que por sinal é bom para os ricos de lá, os quais compreendem perfeitamente o sentido de tal mecanismo e não se recusam a colaborar.

Eles sabem e muito bem que as baionetas teem dos gumes e que a mesma baioneta que hoje fere e massacra os humildes, pobres, oprimidos, excluídos, miseráveis e deserdados poderá num futuro qualquer voltar-se contra eles e feri-los de morte...

Sabem porque eles ou seus governantes, diplomatas e funcionários deram-se ao trabalho de estudar os clássicos da sociologia produzidos ali mesmo na Alemanha, na Aústria, na França ou na Inglaterra; atitude que entre nós brasileiros é encarada como supina loucura.

Para nós Sociologia não existe...

Cumpre explorar ao máximo os pobres, restringir salários e direitos, produzir situações de violência e miséria, recorrer aos serviços da polícia ou do exército ou seja do aparelho repressor e dormir em paz no berço esplêndido.

Taxar os honestos e esforçados empresários que tantos e tão enormes benefícios proporcionam a República parece monstruoso a alguns de nossos cidadãos...



Um espantalho povoando a mente tupiniquim...



É coisa de COMUNISTAS ousam bradar alguns sempre na esteira da cultura popular norte americana, cujo irracionalismo assimilaram...

Sem cogitar que os países do Norte da Europa - que eles mesmos apreciam classificar muito rapidamente (devido ao singular padrão de qualidade de vida) como liberais ou capitalistas - usam e abusam de tal recurso (!!!???!!!). Mas santa Fredegunda será possível ser liberal e comunista ao mesmo tempo??? Liberal pela qualidade de vida (coisa que República liberal alguma fornece a sua população) e comunista pela arrecadação que a sustém???



É a doutrina social da igreja romana comunista???



Quanto aos supostos 'católicos' ou membros da igreja romana (porque este país é majoritariamente romano ainda hoje) que compactuam com semelhante estado de coisas, eu que sem ser papista muito aprecio a doutrina social de sua comunhão, reproduzirei abaixo as linhas de um documento oficial elaborado pelo Cardeal Mercier de Malines:

"A mesma política preventiva justifica-se a respeito de certas DESPROPORÇÕES EXCESSIVAS NA REPARTIÇÃO DOS BENS DESTE MUNDO: INSTRUÇÃO, EDUCAÇÃO, RIQUEZAS MATERIAIS. INCUMBE AO ESTADO COLABORAR, DE SEU LADO, NA REALIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES FAVORÁVEIS A ASSUNÇÃO DO NÍVEL DE EXISTÊNCIA DOS MAIS HUMILDES, DE SORTE QUE TODOS TENHAM ACESSO A UM MESMO NÍVEL DE INSTRUÇÃO, DE EDUCAÇÃO E DE INSUMOS NECESSÁRIOS A UMA VIDA PLENAMENTE HUMANA.

ASSIM O QUER O BEM COMUM, POIS UMA CERTA COMUNIDADE NÃO PODE SUBSISTIR EM PAZ DE CLASSES QUANDO A ABUNDÂNCIA SUBSISTE DE PAR COM A MISÉRIA EXTREMA."
Código de Moral política parag 152

Achei por bem transcrever tendo em vista o esclarecimento desses maus católicos que buscam conciliar o inconciliável: a doutrina no mínimo social democrata ou de bem estar (bem comum para Aristóteles e Aquino) com o espírito liberal economicista DE ORIGEM PROTESTANTE (Cf Max Weber, Tawney, Huxley, O brien, Fanfani, etc) canonizado pelo judeu e ateu L Von Mises papa dos traidores.

A igreja romana e todos os Catolicismos (o Ortodoxo e mesmo o anglicano) nada tem de liberal em termos de economia. Compreende a economia como atividade humana, subordina-a a imperativos éticos e admite certo grau de intervenção ou controle por meio do corpo social ou do estado supondo que possa desprender-se em certa medida das mãos da burguesia e converter-se num órgão mediador ou redistribuidor reforçado pelas eleições e pelo exercício da cidadania. Não acredita, de modo algum, na auto regulação do mercado ou na autonomia do econômico face ao político ou ao social e por isso não compactua com a superstição liberal ou neo liberal.

Assim os papistas que alistam-se inadvertidamente nas fileiras do capitalismo e formam as hostes do sr Von Mises fazem-no porque são ignorantes em matéria de doutrina social da Igreja, tradição patrística, escolástica, etc ou porque são safados mesmos - falsos católicos de coração e alma calvinizadas e agrilhoadas aos pés do deus Mamon, lucro, capital ou milhão...

Por ai se vê que propor bem estar social, bem comum, fraternalismo, etc nada tem a ver com COMUNISMO OU COM KARL MARX eterno bicho papão dos liberais.



Uma tradição anti liberal



Do contrário a igreja romana - reputada por muitos como a suprema adversária e inimiga do COMUNISMO - seria comunista...

E não me venham as lorpas liberais dizer que tudo isto é fruto da 'satanizada' TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO como folgam faze-lo PORQUE O PAPA LEÃO XIII, autor da Encíclica "Rerum Novarum" floresceu na última quadra do século XIX... Havia no entanto CATOLICISMO SOCIAL, alias anterior a Marx, haviam Ketteler, Meignan, De Munn, De Amicis, Nitti, Brunetière, Lammenais, La Cordaire, etc, etc, etc 

E antes deles Mably, Morelli, Campanella, Morus, António de Padua, Aquino, etc

Perpetuando o sentido fraternalista, comunitarista, solidarista, trabalhista, socialista, etc (usem o nome ou termo que quiserem para exprimir o conceito que não munda absolutamente nada) presente no pensamento patrístico, apostólico, evangélico chegando mesmo a alguns profetas do antigo Israel.
O que implica sua essencialidade em termos de Cristianismo.

É uma corrente jamais quebrada cujos elos perpassam a História, as idades, os tempos e chegam ao Verbo Jesus Cristo.

Portanto se alguém aqui foi aluno ou assimilou algo desta ética multimilenar foi justamente o sr Karl Marx limitando-se a radicaliza-la segundo os cânones de seu materialismo e a lançar uns temperos ateísticos que a meu ver não lhe caíram bem. Ficou o marxismo insonso por sua mistica ateístico materialista e depois amargo ou azedo por seu conteúdo totalitário no entanto, sua Ética ou tendência altruística, esta - DEMONSTRA-O CABALMENTE O ILMO DR LUIZ FRANCISCO F DE SOUZA EM SUA MAGISTRAL OBRA (calhamaço de 1150 pags que ainda aguarda pela refutação dos comunóides ou dos liberais) "SOCIALISMO UMA UTOPIA CRISTÃ" 2003 Ed Casa amarela - esta recebeu-a do Cristianismo Católico que é sua fonte.

Alias a obra por magistral é incompleta por não mencionar ou omitir, salvo engano meu, os franceses De Munn, Meignan, Ozanam... e tampouco a Mother Jones, S Weil, Dorothy Day e outras flores do Catolicismo. Penso enfim que poderíamos juntar mais outro alentado calhamaço com outros tantos nomes de clérigos e fieis Católicos (anglicanos e ortodoxos inclusive) notáveis por terem combatido e denunciado o modelo liberal desde seu advento até nossos dias e ainda se me ocorrem: Leon Bloy, Mounier, Maritain, Berdiaeff... os quais, cada qual a sua maneira em em diversos graus propuseram outros modelos de organização social mais condizentes com a dignidade humana afirmada nos Santos Evangelhos e por toda tradição genuinamente Cristã infensa a injustiça e a miséria.


Heresia para os liberais!


No entanto o que se justifica face a doutrina social da igreja romana, as investigações levadas a cabo pelos mais conceituados sociólogos, as conjecturas salvíficas do Dr Keynes não passa de heresia para nossos liberais matriculados na escola do sr Mises, o papa da economia de Mercado.

Refiro-me ao aumento da arrecadação por meio da taxação das grandes fortunas... Meio porque a República bem poderia encher seus cofres e nada cortar em termos de gastos públicos.

No entanto como no novo governo empenha-se a favor dos ricos e empresários pelos quais é dominado enquanto vassalo da FIESP...

A política resume-se em poupar o viajante mais pesado ou gordo e para sua maior segurança lançar o viajante mais magro, sem para quedas, pela porta do avião (que no caso ameaça cair). Implica como veremos em sacrificar o trabalhador ou em imolar os mais humildes. De certo, passamos por uma 'crise' este é o mantra... no entanto quem terá de pagar por ela será o produtor, o homem comum, o cidadão de modo algum os mais afortunados, nababos e endinheirados; os quais não só continuarão a lucrar muito como sempre como até - e este é o verdadeiro motivo ou a razão final da PEC - aumentarão bastante seus lucros!

Enquanto você, meu amigo minha amiga, que aclamou a queda da presidente legitimamente eleita e gritou nas ruas contra o PT ficará sem eira nem beira ou na pindaíba como diziam nossos nobres e excelentes ancestrais, isto se houver pindaíba. Pois ela, como as carroças de papelão e o lixo, haverão de ser disputadas por todo um povo primeiramente manipulado e em seguida desassistido.

Por fim descartada a solução mais inteligente e acertada, que é a taxação dos milionários só nos resta enfrentar a PEC 241 isto é os cortes no orçamento, a redução dos gastos, o teto das despesas e temos de entender o que isto de fato significa e o impacto que produzirá em nossas vidas!


Portanto se deseja conhecer o real significado da PEC 241 leia atentamente a segunda parte deste artigo.  Tenho certeza que as escamas cairão de seus olhos como sucedeu com o então Saulo de Tarso em Damasco, na casa de Ananias. Assim deixando de ser um cego passarás a ver e cessando de ser ignorante passarás a saber e a conhecer o futuro a que fostes destinados, tu e tua família, por nossos governantes sem consciência.

 

sábado, 30 de julho de 2016

SANTO AMBRÓSIO LIVRO SOBRE NABOT DE JESRAEL (ML 14, 770)



"E terei -diz -uma horta cheia de hortaliças". Este era o motivo de toda a sua loucura e furor -procurava uma horta para vis hortaliças. Vocês, ricos, não desejam tanto possuir o que é útil quanto tirar dos outros o que eles possuem. Visam mais espoliar os pobres, do que obter vantagens para vocês mesmos. Consideram-se injuriados, se o pobre possuir algo que vocês julgam digno de ser possuído pelo rico. Creem que tudo pertence ao alheio constitui prejuízo para vocês. Por que os atraem tanto as riquezas da natureza? O mundo foi criado para todos e uns poucos ricos tentam açambarcá-lo todo para si. Reclamam para seu uso não só a posse da terra, como até mesmo o céu, o ar e o mar. Este espaço que vocês encerram em suas amplas possessões, que grande multidão não poderia alimentar!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Santo Antônio o casamenteiro



Provavelmente o título da postagem chamou sua atenção porque provavelmente você é católico(a) praticante ou nominal devoto(a) de Santo Antônio ou ainda não tem religião mas simpatiza muito com o santo. Mas esse Santo Antônio folclórico nunca existiu a não ser no imaginário popular e dos padres boçais ou mal-intencionados. Não, Santo Antônio não era casamenteiro, nem milagreiro, não mil vezes não. Antônio era nome de profissão religiosa, seu nome verdadeiro era Fernando, Fernando de Bulhões e era português, era cônego de Santo Agostinho, quando viu frades menores se impressionou com seu estilo de vida e ele abandonou tudo para ser seguidor de São Francisco. Quem quiser ler mais sobre a vida do santo de Pádua poderá ler aqui.

Não quero destacar aqui nesta postagem o taumaturgo e tampouco o casamenteiro, alvo de superstições de mulheres supersticiosas. O que eu quero destacar é o homem comprometido com o Evangelho, com a vida de Jesus Cristo, comprometido com os pobres, pobres estes com os quais Jesus Cristo se identificou (Ver Mat 25,31-45). 

Santo Antônio não era esse santo romantizado ou esse santo milagreiro que os padres ensinaram para ocultar o verdadeiro antônio, o Antônio socialista, o Antônio revolucionário, o Antônio que conseguiu que uma lei fosse aprovada em benefício daqueles que tinham dívida, essa lei não permitia que uma pessoa fosse presa por causa de dívidas. Eu já escrevi sobre Santo Antônio neste blog e caso queira ler a postagem mais antiga pode clicar aqui

O frade minorita não poupava aqueles que exploravam os pobres, pelo contrário ele fustigava os ricos e dirigia duras palavras contra aqueles que enriqueciam através da usura. É uma pena que os católicos não conheçam esse grande heroi de sua igreja, a verdadeira vida de Antônio poderia inspirar muitos jovens a viver essa vida evangélica e fazer reviver dentro da Igreja Católica esse espírito franciscano que tanto faz falta no mundo de hoje.  Por isso resolvi escrever sobre os sermões desconhecidos de Santo Antônio, sobre suas palavras que foram ocultadas para não melindrar os ricos e poderosos e é o que vamos ver a seguir. As palavras de Santo Antônio estão em negrito.

Os pensamentos dos ricos deste mundo são guardar as coisas adquiridas e sua solicitude em adquirir outras; e por isso ou raramente ou nunca neles se encontra a verdadeira contrição; e assim incorrem na morte. 10º Sermão festivo - Quarta-feira de cinzas

O povo despedaçado é o povo dos avarentos e usurários. Assim como as aves e as bestas dilaceram o cadáver, também os demônios despedaçam com a avareza o coração do avarento ou do usurário; daí a palavra de Naum: "Ai da cidade sanguinária toda cheia de mentira e de extorsões: não se afastará de ti a rapina" [Na 3,1] (...). Os raptores e os usurários, porque roubam o alheio, são chamados cidade sanguinária (...). Os avarentos e os usurários, infectados com o veneno da avareza, tem sede do alheio. O sangue dos pobres é frio (...); a pobreza e a nudez não permitem aquecê-los, mas, quando o calor da necessidade apertar,  então invadem, emprestam para lhes sugar o sangue. Ai, portanto da cidade sanguinária toda cheia de mentira, etc. a mentira reside na língua, as extorsões no coração, a rapina na mão. 6º Sermão festivo Epifania do Senhor

A pertinácia constrói a sebe (...); os usurários ensinam seus pequeninos a praticar usura e a dar saltos de usura em usura. Pousam nas sebes da pertinácia, no frio da sua malícia, porque nem querem restituir o alheio nem regressar à penitência. 9º Sermão festivo - Cadeira de São Pedro


Os textos podem ser encontrados no Google Books no livro O pensamento social de Santo Antônio.