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terça-feira, 13 de julho de 2021

Há como ser carnívoro sem ser assassino? - Continuando a discutir com carnivoristas e vegetarianos 'ortodoxos' (Fazendo justiça aos vegetarianos e refletindo sobre a doença da Vaca louca!)

Mencionaram as batatas ou las papas.

Pois é manifesto que sejam bastante nutritivas.

Para quem não sabe é a batata de origem americana. Quer dizer isto que não fazia parte da dietas dos egípcios, mesopotâmicos (Sumérios, assírios, babilônicos, etc), persas, gregos, romanos, indianos, chineses, etc Não, para eles nada de batatas...

E temos diante de nós um tubérculo tão americano quanto o tomate, o milho, o cacau (Chocolate), o amendoim e a mandioca, os quais, a exceção da última tampouco são tubérculos.

Nada mais estranho terem o macarrão, da China; se unido a um molho feito com os tomates do Novo mundo, na Itália.

Geografia e cultura teem dessas...

No entanto o tomate, antes de virar molho, lá pelos idos do século XVIII, debutou como um fruto destinado apenas e tão somente a enfeitar o ambiente e não a ser consumido. O mesmo deu-se com as batatas, as quais por mais de século foram cultivadas por causa de suas flores. Isto porque tanto as folhas do tomateiro quanto as folhas da batata passam por venenosas, embora o sumo da batata, topicamente usado, sirva como anestésico. 

Todavia quando a fome apertou tiveram os europeus de se servirem do tubérculo andino. O qual além de ter salvo milhares de irlandeses no começo do século XIX, incorporou-se muito rapidamente a cultura gastronômica de diversos países como a Suécia, a Dinamarca, a Inglaterra, França, Portugal, Espanha... a ponto de aqui ser consumida com arrenque e manteiga, ali compor o delicioso molho Rouille e mais além fazer parte da tradicional bacalhoada. 

A impressão é que a batata faça parte do cardápio europeu há milênios, quando foi incorporada há apenas alguns poucos séculos, após ter atravessado o Atlântico.

Tal o roteiro da batata. 

Comedores de batata são mais os peruanos que os irlandeses, posto que na Irlanda não há 3.200  variedades de batatas além do magnífico chuño, o qual não encontramos deste lado dos andes e menos ainda no velho mundo.

Enfim vamos as batatas, ao vencedor as batatas -

De fato as batatas pouca diferença sabem quanto os demais vegetais, embora sejam de fato mais saborosas que o comum. No entanto a maior parte das pessoas costumam aprimorar ainda mais o sabor desse tubérculo servindo-o frito ou em forma de purê - E em nossa cultura batata já é sinônimo de fritura ou purê.

O problema da fritura é simples: Rende pouco, saindo cara e é, caso seja consumida frequentemente, insalubre ou prejudicial a saúde, pelo que temos dois embaraços: Um econômico e outro dietético. 

O purê de batatas, penso eu, é um dos grandes trunfos do vegetarianismo contra o veganismo. Pois essa combinação de batata, manteiga, leite e por vezes queijo ralado e cheiros, além de ser extremamente apetitosa e nutritiva, rende. Tornando-se um dos poucos pratos capazes de de fato concorrer com a carne e de substitui-la. Adicione alguns cogumelos ou pimentos refogados a um bom purê de batata, associe ao arroz e ao feijão e a refeição completa esta pronta, e sequer os frutos do mar fazem falta.

Os veganos no entanto não podem contar com ele por recusarem-se a consumir manteiga, leite e queijo, e ovos; pois o purê e eventualmente - Para quem tem condições medianas - a batata frita com uns ovos mexidos, estralados ou omeletados (sic), é outro prato completo e saboroso. 

A batata se frita ou sob a forma de purê transcende a simples batata cozida. 

Como o quilo da batata sai atualmente por uns cinco ou seis reais, fica pela metade caso comparada com os cortês de frango ou o franco processado. 

Basta portanto reduzir o número da população e melhorar a condição social dos operários para então preconizar a substituição da carne vermelha pelo purê e pela batata frita. 

Temos aqui, nas batatas, um princípio de realismo, não para o veganismo mas certamente para o vegetarianismo aberto ou suave e para a dieta ética.

Pois como disse esse tubérculo versátil sempre que combinado com ovos, queijo, natas ou leite surpreende. 

Ponho minhas esperanças nas batatas. Ponto pacífico.

Outra a questão de quem insiste em consumir carne e sente dores na consciência, solicitando uma solução, tipo: Como comer carne sem cometer assassinato ou crime.

Após ter refletido por anos a fio sobre o problema e ter ouvido sucessivamente a carga da crítica, as vezes não tão respeitosa, creio estar a altura de responder a tão grave questão.

Quem deseja consumir a carne e pagar tributo ao sabor sem violar a consciência e sentir-se culpado - Pois é, insisto questão de Ética apenas e não de dieta! - que consuma a carne dos animais após terem morrido naturalmente, seja de doença ou de velhice. 

É a única solução mas é uma solução e satisfaz rigorosamente uma demanda que procede da consciência sem jamais molestar a saúde.

Disse sem molestar a saúde porque a primeira e costumeira objeção que ouvimos ao propor aos carnívoros o consumo de animais não assassinados é que faria mal a nossa saúde.

Portanto para que se saiba que podemos ser carnívoros e éticos, o que por muitos é tido como utópico ou ilusório, vou impugnar essa objeção falaciosa.

Para facilitar o entendimento do leitor vamos dividir a matéria e abordar parte por parte.

01) Imaginemos um mundo em que criemos as galinhas apenas para produzir ovos.

02) Mesmo que não nos quiséssemos, por medo, servir-nos da carne de animais que tenham morrido por qualquer tipo de moléstia ou enfermidade, animais há que morrem naturalmente, de velhice ou por sincope cardíaca e animais que sofrem acidentes. Ora as carnes destes últimos, em tese, não oferecem risco algum ao consumidor humano.

03) Já quanto aos animais que tenham morrido vitimados por qualquer enfermidade - Ao menos quanto a maior parte delas! - também suas carnes poderiam ser consumidas bastando para tanto que não fossem comidas cruas, ou mal passadas mas muito bem cozidas.

Não, não estou contando lorota. Mesmo as carnes de animais vitimados pela ampla maioria das doenças conhecidas poderiam ser aproveitadas caso estivessem de fato mortas i é muito bem assadas ou cozidas. Porquanto, e tornamos a questão já posta pelo vegetarianismo e pelo veganismo, não é a carne absolutamente venenosa ou prejudicial mas apenas relativamente prejudicial, quando preparada erradamente. E vegetais há que não transcendem a regra: Jamais coma mandioca brava, folhas de mandioca (Maniçoba), folhas de tomate, caruru, etc sem aferventar diversas vezes ou cozer, pois crus são nefastos, mas cozidos tornam-se nutritivos. Conclusão: O problema da carne é o preparo e o consumo da carne crua ou mal passado sempre arriscado. Já o consumo da carne bem assada ou cozida é sempre seguro ou inócuo, mesmo quando os animais tenham sido vitimados por algum tipo de enfermidade.

- Devo porém, quanto a este assunto fazer uma séria advertência.

O quanto acima escrevi vale para as aves e suínos de modo geral - Caso alguém deseje adquirir para consumo o cadáver de algum desses animais com um produtor. Pois aves e suínos não desenvolvem a fatídica doença da Vaca louca ou de Creutzfeldt Jakob. Outro o caso dos ovinos e caprinos, cujo consumo da carne oriunda de um animal vitimado pela enfermidade ou pela velhice só seria seguro em condições orgânicas, uma vez que o trato intensivo em que porventura entrasse ração contaminada por prions sempre poderia contamina-los.

É por isso que não se pode consumir a carne bovina mesmo bem cozida ou bem assada, pois os príons são indissolúveis e inumes mesmo a altas temperaturas. 

O que queremos dizer é que a carne bovina apenas não deveria ser consumida de qualquer forma, seja  de animais abatidos ou vitimados por alguma doença, seja crua, mal passada, assada ou bem cozida. Pois a doença da vaca louca continua sendo sempre transmissível, sem que haja qualquer maneira de evita-la, exceto é claro a recusa em consumir esse determinado tipo de carne, tendo em conta o risco, que os grandes produtores classificam como uma espécie de loteria invertida. De fato aqueles que desenvolverão, por quaisquer vias, a doença da vaca louca em nosso pais não passaram de algumas centenas ao cabo de alguns anos. O que para muitos é reconfortante, pois podem consumir confortavelmente seu bife sem maiores problemas. No entanto tanto a loteria da sorte quanto a do azar tem seus contemplados e tenho certeza que a maior parte das pessoas, se bem informadas sobre essa terrível moléstia, prefeririam não correr o risco.

Repito e pontuo, caso a doença de Creutzfeldt Jacob fosse melhor conhecida em todos os sentidos esse grande e lucrativo setor do agro negócio, representado pela produção da carne bovina, sofreria um grande baque. 

A maior parte de nós sabe que a doença da Vaca Louca existe e que é transmitida pelo consumo de carne bovina, sem que haja qualquer meio seguro com que evita-la. É uma doença latente, que fica latente no animal por muito tempo. Bem podendo ser ele abatido e consumido antes de manifestar os sintomas - Simples assim. 

No entanto a maior parte dos que sabem algo sobre a doença priônica não sabem tudo ou não sabem o que deveriam saber, e é está uma ignorância que não apenas mata mas que faz sofre intensamente. Não é o caso do infarte que te fulmina, não, nada disto, aqui o buraco é bem mais embaixo. Portanto informem-se.

Todavia para que cheguemos ao fundo do abismo devemos dizer que mesmo os relativamente bem informados sobre a existência e características da doença da vaca louca, acreditam erroneamente (Por isso se sentem seguros e continuam consumindo a carne bovina!) no quanto disse eu ser válido para a maior parte das doenças que porventura vitimem um animal i é que basta assar ou cozinhar muito bem a carne para impedir a contaminação pelos príons. 

Afinal não é assim com a solitária e a cisticercose?

Sim, mas não com a doença da Vaca louca.

Daí repetir eu o que acima já registrei: Os príons são indissolúveis e invulneráveis as mais altas temperaturas. Portanto não há como evitar essa doença ou considerar-se seguro enquanto se consome a carne bovina. Por mais que você a cozinhe permanecerá contaminada e nefasta.

Portanto o consumo da carne bovina - E não da carne vermelha - é sempre inseguro e arriscado.

Claro que correr ou não o risco ou expor-se é sempre consideração de ordem pessoal.

São no entanto decisões que devem ser avaliadas a luz dos fatos.

Resta dizer que não há evidência alguma de que o leite e seus derivados transmitam a horrenda moléstia.

É portanto questão que circunscreve-se a carne bovina cozida ou não.

04) No caso das demais carnes ou das carnes seguras, equina, suína, ovina, caprina e aviária além do cozimento tornar seguro o consumo dos animais vitimados pela idade, por moléstia ou por possíveis acidentes, caso as pessoas sintam-se porventura amedrontadas sempre poderiam demandar dos cientistas uma solução para o problema e não é para duvidar que a Ciência lograsse desenvolver técnicas ou insumos capazes de tornar essa carne absolutamente segura. Basta que a ConsCIÊNCIA das pessoas o demanda-se de forma peremptória a CIÊNCIA. Basta que a Sociedade o exigisse, como uma espécie de meta. Nada que a Ciência não poderia fazer caso quisesse e se não o faz é apenas porque nós humanos, continuamos a assassinar os demais mamíferos e a justifica-lo miseravelmente por meio de sofismas. Nada faz a ciência porque nos conformamos em matar, porque negamos o crime. Tudo, como já tivemos ocasião de observar, porque podemos e queremos, devido a nossa insensibilidade.

Daí a ciência, que jamais nos dará pingo de consciência, continuar servindo, como lacaia, o carnivorismo assassino. 





Claro que toda essa questão em torno do consumo de animais mortos por obra da enfermidade ou da velhice, como era comumente praticado pelos pobres da Idade Média no caso das vacas leiteiras ou das galinhas poedeiras, continuam girando - Como paliativo que é - em torno de outros problemas e pautas como a contenção da natalidade e do crescimento populacional, a implementação da justiça social (Com a atribuição de uma pedaço de terra a cada pessoa ou família.) e a produção de vegetais e animais saudáveis, ou seja, orgânicos, para consumo próprio; assim a instrução e as técnicas de preparo. Por isso temos diante de nós todo um mundo a ser considerado.


Porém quanto a este problema - Que para mim pouco significa mas que para muitos é crucial. - da justiça, da compaixão, da consciência e da vontade de consumir a carne vermelha ou a carne das aves, oferecemos uma solução bastante realista: A exceção da carne bovina, cujo consumo deve ser urgentemente abandonado devido a doença da Vaca louca! - os que possuam um sitiozinho lá com seus animais criados num ambiente saudável sempre poderão consumi-los depois de terem morrido, bastando para tanto prepara-los com o devido rigor, i é cozinhando-os ou assando-os muito bem. Aos que não se sentem seguros e continuam a comer a carne bovino considerem o perigo da doença priônica, e pressionem a ciência para que seus dignos representantes empenhem-se em descontaminar tais carnes, tornando-as inócuas e seguras. Julgo que tal solução corresponda ao único caminho possível para um carnivorismo ético. Afinal não adianta ficar batendo doentiamente na tecla da Ética e sem seguida trai-la de modo tão leviano, adotando o padrão da força e minimizando nossas ações criminosas ou irrefletidas. Deve a Ética ser integral e direcionada a todos os seres de modo a contagiar a humanidade como um todo e restaura-la em seus fundamentos.


 








quarta-feira, 30 de junho de 2021

Refletindo sobre o carnivorismo e suas causas...

Impossível amar a Deus sem amar o que dele procede.

Impossível amar verdadeiramente a Deus sem amar os seres que chamou a existência.

Impossível amar autenticamente a Deus nosso Pai sem amar igualmente a mãe natureza.

Pois é a mãe natureza uma manifestação da mente divina.

E nosso lar expressão de sua sabedoria eterna.

Apesar disto há teístas, há religiosos e Cristãos há que odeiam a natureza, e que profanando-a cometem o mais nefando de todos os sacrilégios.

Odeiam-na porque fazem dela objeto de intensa e irracional explotação. A ponto de nós últimos milênios terem conduzido a extinção milhares de espécies de animais e vegetais, cada uma delas única.

Conduzir uma espécie a extinção outra coisa não é que aniquilar um projeto do Espírito Sagrado ou destruir um pensamento divino - Repito: Profanação e Sacrilégio.

Como pode o homem amar o Criador que não vê e odiar as criaturas que vê. Contraditório e impossível.

É pelo amor que dedicamos as obras de Deus que se mede o amor que dedicamos a Deus.

Quem diz amar a Deus que demonstre amar as obras de Deus, a primeira das quais é a natureza, a fauna e a flora, os animais e as plantas.

E no entanto temos de nos alimentar deles dirás tu.

De fato a natureza estabeleceu um laço de dependência entre nós e os demais seres vivos, os quais devemos consumir.

Todavia por sermos seres racionais e livres bem podemos escolher os seres de que nos havemos de alimentar ou selecionar, dentre muitos, os que melhor nos convém.

Não somos obrigados a consumir tudo, digo todos os tipos de animais e vegetais. 

Portanto se algum deles apresentam sensibilidade e auto consciência sempre nos podemos abster de consumi-los. E é exatamente o que devemos fazer.

Por consumir camarões, mariscos, siris, berbigões, etc os quais acredito não serem dotados de conexões neuronais elaborados - E portanto de sensibilidade a dor - não sou obrigado, por qualquer via, a consumir cães, gatos, bois, ovelhas, cabra e outros animais cuja sensibilidade e auto consciência está suficientemente demonstrada. Há portanto que ser criterioso e selecionar: Nem consumir tudo, como os que são movidos apenas pela sensibilidade do paladar, pela gula ou pela vontade, e tampouco tudo rejeitar a exemplo dos veganos, embora o veganismo - Verdade seja dita - a ninguém prejudique e corresponda a um ideal nobre quando livremente assumido por pessoas humildes (Outro o caso dos veganos ensimesmados e arrogantes!).

Aos que me perguntam por que costumo a bater repetidamente na tecla do vegetarianismo ou da dieta ética respondo que o ser racional não pode tomar suas decisões por base no gosto ou no paladar assim na vontade. Ao 'Como porque tenho vontade' ou 'Como porque quero' qualquer um poderia opor 'Mato porque tenho vontade' ou 'Roubo porque quero'... Sem que pudéssemos condenar os assassinos e ladrões... Para não falarmos nos canibais!

E, no entanto, quando colocamos qualquer consumidor de carne contra a parede tal é a resposta que obtemos.

Como carne porque a carne é saborosa ou porque meu paladar exige.

E assim fica decidida a questão.

Comemos porque gostamos, porque queremos e porque podemos.

Diante disto como poderíamos condenar um Hanibal Lecter ou um Andrei Chikatilo?

Canibais acham-se no direito de consumir a muito saborosa carne humana, japoneses se acham no direito de caçar baleias porque são gostosas, coreanos comem cães e vietnamitas comem gatos pelo mesmíssimo motivo!!!

Nós condenamos os canibais, os indígenas, os coreanos e os japoneses enquanto mastigamos bife de 'vaca'.

E no entanto o boi (Ou a vaca), a ovelha, a cabra e especialmente o porco não são menos inteligentes do que nossos cães e gatos, golfinhos e baleias... Alias os porcos, cabras e ovelhas não nos dariam animais de estimação inferiores. Mata-mo-los e come-mo-los apenas porque não convivemos com eles, tomando-os por animais de estimação. Pois como disse nossos cães e gatos nada tem de superiores 
se comparados com eles... Nós é que estabelecemos, hipocritamente, uma distinção que não existe entre cães, gatos, porcos, coelhos, cabras e ovelhas. Do ponto de vista da natureza são praticamente iguais, e todos auto conscientes e sensíveis. Uma ovelha sabe que é uma ovelha e que vive enquanto que um porco pode dar-nos tanto carinho quanto um cão - Nós no entanto queremos assassinar ovelhas e porcos por exigência de nosso paladar. Quem nos pode assegurar no entanto que um gato ou um cão não sejam tão saborosos quanto?

Difícil entender como o mesmo homem que se recusa a consumir carne de cão, de gato ou de qualquer outro humano tome o paladar por critério na hora de consumir a carne de um porco ou de um boi. 

Afinal se não consumimos carne humana ou praticamos canibalismo é por saber que os outros seres humanos são tão sensíveis e auto conscientes quanto nós mesmos.

E se não consumimos nossos pets é por saber quem tem sentimentos e nos dão carinho.

Quanto a tal 'ciência positiva' ou os testes, está já fartamente demonstrado que elefantes, golfinhos, macacos, cavalos, camelos, porcos, bois, etc não são apenas sensíveis e auto conscientes mas inteligentes.

Já quanto aos cães e aos gatos todos o sabemos igualmente e há muito por obra e graça do convívio.

Portanto a velha desculpa segundo a qual tais seres não pensam, são desprovidos de inteligência, não sentem, etc não é de hoje que mostrou-se falaciosa - Pelo simples fato de ter sua origem na crença dos antigos hebreus, os quais nada sabiam sobre espírito ou alma; bem como nas suposições absurdas do Estagirita, excelente lógico e Filósofo, péssimo ou raso psicólogo. De fato, verdade seja dita, a psicologia Aristotélica - Se é que podemos por a coisa em tais termos. - é tão grosseira quanto as crenças dos primitivos israelitas. Avaliar a condição dos animais partindo de tais fontes chega a ser aberrante...

De quantas distinções estabelecemos por puro preconceito nenhuma é mais frívola e tola do que esta, segundo a qual os grandes mamíferos de que nos alimentamos sejam desprovidos de auto consciência, sentimentos e inteligência...

E no entanto usa-mo-la ou usam-na com objetivos puramente econômicos, culturais, sociais e políticos. Com o objetivo de dar suporte ao carnivorismo, e justificar nossas consciências.

É pelo churrasco, pela kafta, pelo Steak tartar ou pelo molho a bolonhesa que nos apegamos seja as baboseiras religiosas do Oriente ou as lucubrações ineptas do Perípato.

Pois admitir que os animais de que nos alimentamos após termos matado tem espírito vivo como nós ou a simples capacidade para sentir e amar equivale a assestar o mais duro golpe na prática carnivorista com os decorrentes reflexos na deusa economia.

Não nos iludamos ou busquemos enganar nossas consciências! - Afinal matar criaturas que sabem que existem, que temem a morte, que sentem dor, que pensam e criam laços de afeto não pode deixar de ser o que é: Puro e simples assassinato.

Lamento dize-lo assim tão sem cerimônia querido leitor, porém, não nos limitamos a matar bois como quem mata pulgas ou baratas, assassina-mo-los como nossos ancestrais, os índios, assassinavam seus contrários para degustar-lhes a carne. Nem mais nem menos...

Nada mais estranhos que admirar-se dos festins canibalescos descritos por Staden, Thevet, Lery, e outros, enquanto se degusta uma bife mal passado respingando sangue...

Agora me diga, qual a diferença entre você e um caribal?

A única diferença é que contra todas as evidências e contra o testemunho da ciência, você consome a carne de seres que conhecem, sentem e são capazes de corresponder ao afeto que porventura lhes dedicamos - Enquanto que os indígenas nada sabiam em termos de pesquisa e ciência... Acreditando inclusive que os outros povos fossem resultados de criações a parte. Quando sabemos nós que todos somos aparentados e que os mamíferos são nossos irmãos: Mesma carne, mesmo sangue, mesma estrutura óssea e as mesmas capacidades cognitivas ainda que num grau inferior.

No entanto, tirar a vida de seres conscientes, sensíveis, inteligentes e afetivos será sempre assassinar.

É exatamente por isso que temos o desplante de permanecer voluntariamente nos domínios da ignorância, quando como geocentristas e terraplanistas não ousamos negar, pura e simplesmente, o testemunho da ciência para apelas a crenças obscuras ou a psicologias isentas de fundamento. 

Tudo isto é puro voluntarismo.

Queríamos ter escravos - Justificávamos o racismo. Queríamos explorar o trabalho feminino - Justificávamos o machismo. Queríamos aniquilar os judeus - Compusemos imensos volumes com dissertações sociológicas, econômicas, etc Queremos continuar comendo carne vermelha - Assim, numa época em que a ciência não mais pode ser manipulada só nos resta nega-la... Para refugiar-nos na caverna, na caverna do mito ou dos fundamentalismos. O Churras bem vale um mito!!!

Podendo ou tendo força matamos e matando em tais circunstância pomos em prática a lei do mais forte.

Matamos os bois porque aspiramos come-los e porque somos mais fortes.

Matamos os bois porque os bois não se podem defender.

Matamos os porcos porque os porcos não fabricam rifles.

Matamos porque queremos, porque nos agrada, porque somos mais fortes...

Fugindo assim ao conceito racional e ideal de justiça - Justiça que sacrificamos ao gosto ou ao paladar.

Afinal desde quando pode um boi ou um porco clamar por justiça?













terça-feira, 29 de junho de 2021

Naturismo Luxo ou o alto custo de uma vida natural no contexto do mundo Capitalista ou o preço da ruptura - Será a ruptura naturista uma reação da consciência burguesa?




Por mais que admiremos S Bento ou S Scott Nearing temos de ceder as críticas bem fundamentadas dos críticos, em especial dos marxistas. 

Naturalizar a exemplo de S Bento ou de Nearing é utópico ou impossível no mais alto grau.

Sete, dez, três ou um bilhão de pessoas não poderiam viver separadas em seus sítios, feudos ou fazendinhas cultivando a terra.

Bento, Francisco e Nearing são o que chamamos de figuras hiperbólicas, fundamentais e preciosas por chamarem nossas atenção, mas impossíveis de serem imitadas pela totalidade dos seres humanos, justamente porque tais seres são muitos e a terra 'pequena'.

Não há na terra espaço suficiente para meio bilhão de Franciscos, Bentos ou Nearings.

Para além disto, há, e fixado está, o sacrílego sistema que especula com a terra, inclusive com a terra não usada, encarecendo seu preço. De modo que apenas uns poucos bem remediados seriam capazes de adquirir um pedaço de terra com que viver a maneira de um Nearing, ao menos aqui no Brasil a aquisição desse pedaço da terra, com que viver a parte do sistema sairia bastante caro.

Mesmo após as advertências de Henri George sobre a relação da posse com o trabalho continua a terra a ser sacrilegamente retalhada e roubada pelos poderosos. 

O máximo que muitos de nós poderiam fazer é abdicar do consumismo crasso, diariamente instilado em nossas almas pelos meios de comunicação, com o objetivo de que tomemos por absolutamente necessário aquilo que não é. E lancemos mais lenha a este tremendo incêndio que consome o mundo.
Melhor o excesso de desapego de um Buda que este consumismo insensato que nos devora as entranhar e põem a nu a miséria da alma... Se é que tais vermes, gafanhotos ou cupins tem alma.

O máximo que muitos de nós poderiam e podem fazer é assumir um naturismo limitado dentro do próprio sistema, adquirindo apenas produtos veganos, adotando a 'lei' vegetariana, consumindo preferencialmente produtos orgânicos, etc sucede no entanto que a especulação da terra faz com que tais produtos sejam sempre mais caros e que estejam sempre acima das possibilidades das pessoas comuns ou do povo. Daí os marxistas tecerem uma crítica que deve ser considerada: A maioria dos naturistas são burgueses. Aos marxistas incomoda o fato de que parte considerável dos veganos, vegetarianos, organicistas, etc sejam o que chamam de burgueses e que nós chamamos de classe média.

Claro que a maior parte dos não marxistas pouco se preocupa com tais críticas. Não é o meu caso. Pois nossas práticas, sendo saudáveis e até redentoras deveriam ser assumidas pelo bom povo. Tenho aqui que os não marxistas mais esclarecidos atribuam muito pouco esclarecimento ao povo. Falta instrução e consciência a eles e são, em sua maior parte massas e não povo... Certo, certo, muitos dentre eles pertencem de fato a essa coisa amorfa que chamamos de massas. 

Apesar de tudo a isto folgo perguntar a mim mesmo: Se acaso um desses assalariados tomasse consciência e optasse por viver a nossa moda, poderia ele arcar com os custos?

Acaso estão nossos produtos orgânicos ou veganos, assim os moluscos e crustáceos, no acesso da gente mais humilde?

Mas é claro que não.

Os produtos orgânicos por serem mais custosos que o comum dos vegetais, o que decorre do espaço ou da terra e enfim da especulação.

Os produtos veganos porque suas massas - Doces ou salgadas - de fino sabor são feitas com agar agar, algas, cogumelos, compostos de soja, amêndoas, nozes, etc os quais dentre os vegetais são os produtos mais caros. 

O bom povo a ser vegano teria de viver de papas de batata, polvilho, amido de milho, arroz e trigo; levando uma dieta assaz monótona em termos de paladar.

Caso adotassem uma dieta a que chamo de Ética (Que é a minha) excluindo apenas o consumo de aves, mamíferos e demais seres dotados de auto consciência e sensibilidade, ainda assim seria demasiado onerosa para eles - O que sei eu por experiência. Mesmo no litoral do Brasil não podem os mais pobres e a gente simples viver de crustáceos, moluscos ou pescado, pois é caro.

Lamentavelmente temos de considerar a crítica dos marxistas e saber que querendo nós ou não o mercado dita regras, impondo não apenas o consumismo mas também o consumo de certos alimentos já nutritivos, já saborosos, a maior parte da população pelo simples fato da oferta ser maior e a amplitude da oferta determinar o preço, alias um preço mais baixo e acessível.

Triste sabe-lo mas em parte é o consumo de carne facilitado já pelo mercado já pela própria dinâmica populacional. No momento presente sete bilhões de seres humanos não se poderiam manter consumindo apenas vegetais ou frutos do mar. 

Mas e a Índia?

Como tudo faz supor nem todos os indianos são vegetarianos.

E os hindus?

De fato são eles bilhão e pouco de pessoas, cerca de um bilhão e setenta milhões aproximadamente. Um número impressionante de seres humanos.

Todavia, ao contrário do que comumente se pensa ou imagina nem todos os hindus são vegetarianos. 

Entre a fé ou a teoria e a prática vai larga diferença.

De modo que atualmente o numero de hindus vegetarianos oscila entre 23 e 37% tocando provavelmente a pouco menos de 1/3 de bilhão - Quiçá uns 350 milhões de cidadãos. 

O número ainda é impressionante.

Mais revelador ainda porém é saber que também por lá o vegetarianismo ou o veganismo saem mais caros, de modo que predominam nas castas mais elevadas. Também lá são os mais pobres párias ou harijans e sudras que consomem a carne, inclusive carne bovina, por ser sempre mais barata e acessível. O problema da alimentação é também globalizado ou global, tocando ao planejamento nacional ou internacional, assim as dinâmicas do senhor mercado, face ao qual mesmo os devotos hindus se tem curvado. Se a carne é o produto alimentício mais barato que o mercado nos oferece em oposição aos produtos veganos, aos produtos orgânicos e aos frutos do mar, é óbvio que as pessoas mais humildes serão carnívoras não vegetarianas ou adeptas a uma dieta Ética, a qual será dieta de luxo! 

Os pobre não poderão ser veganos ou vegetarianos ou adeptos de uma dieta ética mesmo que queiram em tais condições, ditadas pelo mercado ou pela economia.

E seria utópico ou desumano já força-los, já condena-los... Exigindo que façam abstenções e sacrifícios. 

Portanto se queremos pugnar por uma alimentação majoritariamente vegeta ou por um cardápio ético teremos de pensar antes de tudo na densidade populacional.

Veja a maravilhosa Índia de agora com seus trezentos bilhões de vegetarianos. Trezentos e cinquenta bilhões de seres humanos, mesmo quando veganos ou vegetarianos, continuam sendo uma praga - Como uma nuvem de gafanhotos - a qual se não mata diretamente, mata e assassina indiretamente. Pois aqui preservar milhões de vacas implica sacrificar todos os tigres, rinocerontes, elefantes, etc pelo simples fato de ser necessário acabar (Literalmente) com as florestas para criar campos de arroz. Se o consumo de carne vermelha promove ativamente a destruição da natureza por demandar pastos um vegetarianismo assumido em alta escala por bilhões e bilhões não mataria menos por demandar campos de cultivo. 

Bilhões e bilhões de seres humanos será potencialmente destrutivo sejam estes bilhões carnívoros ou veganos, por uma questão de espaço. 

Tornamos assim, mais uma vez e sempre, âmago da questão, isto é ao número de seres humanos ou ao crescimento da população humana.

O Veganismo não pode proteger ou salvar a terra da destruição ou assegurar o bem estar dos animais caso ignore a questão do crescimento populacional a menos que passe a advogar um decidido retorno ao que chamamos coleta. Agora imagine o leitor sete bilhões de seres humanos abalando-se para coletar vegetais nas poucas florestas remanescentes. Só os brasileiros todos em menos de semana dariam cabo da floresta amazônica sem que sobresse um único animal ou uma única folha comestível!

Não há como tornar a coleta. Tampouco há como substituir pastos por campos de cultivos obtendo qualquer melhora significativa. O vegetarianismo ou a dieta ética só faz sentido num contexto de controle de natalidade e redução populacional. Por si só, como algo isolado, não nos beneficiará como espécie. 

Também a questão econômica precisa ser considerada, assim as liberdades do mercado, as quais nada significam além de controle. Se desejamos diminuir os preços dos vegetais teremos de considerar o preço da terra e questionar a especulação... como deveremos planejar o cultivo. Tudo isto, tornar os vegetais acessíveis ao grosso de uma população reduzida, implica decisões políticas e econômicas as quais não se pode fugir, e implica no mínimo 'questionar' o modelo liberal economicista que temos como o 'menos ruim' ou melhor. Terá isto de ser revisto, necessariamente.

Caso não cheguemos ao populacional, ao econômico e ao político; com o objetivo de tornar o vegetarianismo ou a dieta ética acessível ao povo, formaremos de fato uma seita burguesa, um grupo ou clubinho e meio a multidão de vermes rastejantes... os quais jamais nos será dado censurar com ares de superioridade.

Belo é o ideal da dieta ética ou mesmo o veganismo. Veganos, vegetarianos e adeptos de uma dieta ética devem compreender no entanto que práticas individuais ou sectárias são sempre irrelevantes em termos sociais, e compreender ainda que o sistema econômico estende seus tentáculos sobre todos os espaços, nichos, iniciativas, práticas, etc tudo contaminando e poluindo, e comprometendo. Veja por exemplo a noção de falaciosa de 'capitalismo sustentável' se é capitalismo jamais poderá ser sustentável mas sempre predatório. Em que uma liberdade absoluta em termos econômicos associada a maximização dos lucros pode estar de acordo com o respeito que se deve a fauna e a flora ou ainda com uma extração moderada, a qual por si só impõem limitação?

Lamento mas a nossa dieta, o nosso veganismo ou o nosso vegetarianismo não darão certo enquanto forem tão caros. E os produtos naturais continuarão sendo o que desgraçadamente são: Um veio de lucros dentro do mercado, mais um setor do mercado e não poucas vezes um outro móvel para o consumismo. 

A reflexão que fica - Será que estamos sendo de fato contestadores ou seremos nós colaboracionistas?