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sábado, 11 de março de 2023

Reflexões sobre o protestantismo, o antigo testamento, o odinismo e o Evangelho.





Acabo de ler mais uma obra de Georges Goyau intitulada 'Os Católicos alemães e o Império Evangélico' (Apud 'Revue des deux mondes' Vol XXXIV, 1916 ps 721 sgs). 

Curioso o meio porque cheguei a esta curiosa obra, atualmente que por completo esquecida.

Numa das minhas últimas idas a capital, tendo passado no Sebo do Messias, pus-me a garimpar diversas estantes, assim as de História, Sociologia, Filosofia, etc E já havia reservado diversas preciosidades quando numa pilha afastada e composta por obras sem capa, despedaçadas, sujas, etc deparei com um oitavo, cuja encadernação, por ser antiga e bela, chamou-me a atenção. Tratava-se de uma alentada publicação francesa, coisa dumas novecentas páginas, cujo título 'Pendant la guerre' vinha numa lombada pessimamente conservada. Bastante incrédulo folheei e percebi que se tratava duma coletânea - De cinco volumes. - de Sermões, pronunciados no Oratório de Saint-Honoré, pelos principais membros do clero protestante francês> Wilfred Monod, Charles Wagner, Henri Monnier e Jean Viénot dentre outros, e todos tratando da mesma temática: A primeira grande guerra mundial, então no auge.

A edição é de Fischbacher, Paris e as brochuras datadas todas elas de 1915.

Interessado folheei e li, com bastante atenção um dos Sermões pronunciados por Monnier 'Devant L'avenir'. Surpreendido com o conteúdo levantei a bibliografia desse pastor, falecido em 1941, e dentre as diversas obras citadas deparei com o seguinte título 'O deus alemão e a reforma protestante.'. Durante a infrutífera tentativa de localizar e examinar tão curiosa obra, dei com a de Goyau, pelo simples fato deste aludir a Monnier.

Já conhecia esse filão. 

Porém como meus estudos concentram-se nas áreas de Civilizações orientais, Civilizações clássicas, Literatura clássica, Filosofia clássica, Patrística, etc jamais havia reservado mínimo tempo para examinar tais obras mais de perto. Tendo a coleção da Fishbacher - Porque paguei míseros trinta reais (Está cotada em mais de mil reais!) - em mãos aproveitei e li, em um dia, a de Goyau.

Não é ocioso registrar que li, há algum tempo, as Atas dos julgamentos de Nuremberg editadas pela Ediouro.

Todas essas leituras transportaram-me a mente ao tempo em que não passava de um jovem adolescente, frustrado, desapontado, confuso e aspirando conhecer mais a História do protestantismo, fé ancestral em que fora criado... A bem da verdade eu jamais simpatizará com essa fé. No entanto, apesar de meu criticismo 'diabólico' resolverá dar ao menos uma chance a velha crença...

Para tanto, como é sabido, aprendi espanhol, italiano, francês e inglês - E devorei imensa quantidade de publicações de diversa lavra: Papistas, protestantes, espíritas, liberais, comunistas, fascistas, anarquistas, ateístas, etc

Nem preciso dizer que após ter passado por tão denso cipoal, dele saí completamente incrédulo e sem pingo de fé.

Após minha conversão a igreja romana, adquiri os nove volumes das Obras seletas de Lutero em espanhol...

Eis porque, ao chegar a Faculdade de História, na qual obtive Bacharelado e Licenciatura, tinha a opinião consolidada: Ao contrário do que me haviam dito os professores do ensino médio e essas porqueiras chamadas livros didáticos, o protestantismo me parecia, sob diversos aspectos, mais insidioso do que a Igreja romana ou a Igreja antiga (Católica Ortodoxa.). 

Costumo dizer e repetir ainda hoje que caso o Lachatrê - O qual escreveu uma alentada Enciclopédia sobre os crimes cometidos pelos papas romanos - quisesse poderia ter escrito uma Enciclopédia muito maior sobre os crimes cometidos pelos 'deformadores' protestantes e seus colaboradores, inclusive sem demasiado esforço, tal a fartura do material disponível.

Os comunistas, anarquistas e nazistas centraram suas baterias na igreja das sete colinas apenas porque nada temem das seitazinhas protestantes... O que por sinal pode ser um erro terrível... Mesmo velha e caduca (Após o Vaticano II) a igreja papalina ainda é bastante forte, e assusta. 

Uma coisa no entanto é absolutamente certa - E apenas ela explica o desencanto experimentado por tantos e tantos protestantes instruídos > Se Roma é de fato ruim, o protestantismo é muitíssimo pior. 

Leitura após leitura tenho constatado isso, e já a cabo de quase trinta anos.

Por isso sua derradeira e rematada expressão de politicagem barata - O Bolsonarismo, não me surpreende. 

Mesmo quando sabemos que parte do lixo carismático, a exemplo de parte dos papistas alemães durante a primeira e a segunda grande guerra, apoiou o tirano assassino, é fato estabelecido e indiscutível que o grosso de seus apoiantes - Inclusive dos golpistas que depredaram nosso patrimônio bem como dos militares e policiais omissos! - eram fundamentalistas bíblicos... Com a velha mentalidade teocrática, outra face de qualquer imperialismo político.

Ora isso não é coincidência ou fruto do acaso, mas uma espécie de Karma histórico ou de samsara acionada por João Calvino e que até hoje não tem cessado de girar e de esmagar, e de espatifar e de aniquilar milhões de seres humanos! 

Mesmo quando admitamos que ao menos parte daqueles que abraçaram e apoiaram a reforma protestante aspiravam por um retorno a puridade do Evangelho de Cristo, não há como negar que o próprio Lutero teve de pagar tributo político aos poderosos e que para escapar ao Papa romano caiu nas mãos dos príncipes alemães... Temo que a emenda tenha saído pior do que o soneto...

Quanto aos príncipes, caso num primeiro momento tenham crido, apressaram-se logo em despojar a igreja velha de suas riquezas multi seculares, para em seguida gasta-lo com torneios, orgias e guerras, principalmente guerras... Quanto ao bom povo, como frisam os socialistas, sequer viu umas migalhinhas. Tornando-se sua condição, inclusive, mais servil - O que servirá. inclusive, para formar a mentalidade bisonha e servil do alemão médio que partiu para Sadowa, Sedan e os campos das duas grandes guerras.

Lutero era de Paulo e Paulinista, portanto estatólatra de marca maior e partidário da opressão - Bastando ler seu livro Contra as hordas bárbaras de camponeses para ter ânsias de vómito. E esse Lutero pançudo, que tanto nos impressionava na juventude, é de fato uma florzinha, e sequer chegamos ao sisudo Calvino, o mentor intelectual de tudo e mestre dos matadores!

Em breve passarão nossos auto intitulados 'evangélicos' de Jesus ou de Paulo ao antigo testamento sob o brado de 'Toda bíblia' ou 'A bíblia toda', o qual, desgraçadamente ainda ecoa por aí - Pois o Bolsonarismo é eco seu!

Quando chegaram esses neo Cristãos ao antigo testamento, colocando-o em pé de igualdade com o nosso Evangelho ou mesmo acima dele consumou-se a desgraça. 

A grande prova disso é que mesmo os meigos luteranos, herdeiros desse Lutero por vezes tão tradicional e vanguardista, ao passo das gerações transformaram-se em autênticas bestas feras. 

Explico - Antes de concluírem por essa aberração sinistra que é a superioridade racial ou ariana, haviam eles (Guiados por uma leitura calvinista ou fundamentalista do Antigo testamento!! - Marquem isso!!!) chegado a crer que haviam sido predestinados para reformar o Cristianismo ou predestinados para receber o dom divino do luteranismo. Passado algum tempo concluíram os pastores luteranos que os alemães haviam recebido a dádiva da Reforma porque dentre todos os homens eram certamente os melhores, porque eram superiores... Linguagem que tornou-se recorrente nos púlpitos luterânicos, e que repercutia mais e mais no coração do homem médio ou comum...

Ainda me recordo de como outro George - Santayana traçou essa evolução, a que certa fé ou religião, pretensamente superior não é nem um pouco indiferente.

Pois quando essa religião puramente subjetiva principiou a declinar, cedendo passo ao positivismo cientificista ou ao comunismo ateu, parte significativa dos homens comuns, de espiritualmente superiores, passaram a crer que eram racialmente superiores. Por uma passe de mágica o espiritual cedeu espaço ao biológico... Quanto ao luteranismo, de modo geral servil e submisso ao Estado, apresentou-se ele mesmo como a outra face do pan germanismo e consequentemente do odinismo crasso, porquanto o próprio conceito de Deus fora esvaziado e preenchido uma dúzia de vezes - Ainda aqui com o beneplácito dos pastores luteranos! 

Vejamos agora com que palavras o luterano F X Foerster descreve tal quadro: 'Esse novo Império nasceu do espírito pagão, de um individualismo totalmente nacional e egoísta, a primeira posse da humanidade após a Renascença, o qual encontrou em Bismarck seu construtor mais genial e consequente, o qual deveria chegar fatalmente a uma catástrofe. E por que... Como sói tudo quanto o mundo aspira e constrói contra o espírito da verdade Cristã!" Goyau opus cit pp 756

Excelentes as iniciativas do papista Goyau e do protestante Monnier, os quais deram voz - Na França e no mundo! - a tais pastores, núncios do pan germanismo e do odinismo!

E no entanto a voz de um Streicher clamou até 1946 - Apontando para Lutero como o responsável por cada um desses transtornos. Serei generoso: Absolvo Lutero, não os luteranos degenerados ou o protestantismo. Lutero limitou-se a impulsionar ou a acionar um movimento cujo mais extremo fim não lhe era dado divisar... O protestantismo no entanto por suas consequências políticas, mostrou ser uma calamidade - Enquanto vetor ideológico de tantas e tantas guerras, batalhas e conflitos, a ponto de despejar um oceano ou dilúvio de sangue sobre a terra.

Natural que hajam guerras. Bizarro que a religião as deflagre. Monstruoso que a fé tire qualquer benefício ou proveito dela. 

Não tenho dificuldade alguma para no âmbito da política secular ou da profanidade, concordar com Sorel e admitir que a violência possa servir como meio a uma causa justa, o que alias foi antecipado por Agostinho, aqui acertadamente. Não é o caso de condenar a violência de modo absoluto - Não somos maniqueus! Outro o caso, totalmente distinto, da religião apelar a violência ou estimular a agressão com objetivos religiosos ou espirituais. Aqui temos a lição suficientemente clara do Evangelho, percebida dentre outros por um Bossuet (Nas Lições de política ao príncipe!): Quanto a questão das guerras nos devemos guiar pela luz do Evangelho e não pela lei dos judeus...

Outro o caso do protestantismo, cuja degradação foi dupla; uma vez que adulterou tanto a condição natural < Igualitária >
 dos seres humanos - Postulando (Com Calvino, aluno de Agostinho.) uma eleição espiritual restrita e particular, a exemplo da que reivindicavam os antigos hebreus! - quanto o caráter paternal, amoroso e benevolente da divindade.

Por um lado o protestantismo, com Calvino e o calvinismo (Cuja influência estendeu-se por todas as seitas, mesmo pela luterana!) estabeleceu um grupo de fiéis 'superior', os eleitos ou predestinados e um grupo de pessoas inferiores, os réprobos. Nos termos que tanto apreciam, os calvínicolas introduziram no jardim do Evangelho a distinção entre 'israelitas espirituais' e cananeus, ferezeus, amorreus, filisteus, etc 'espirituais': Os romanistas, os franceses, os índios norte americanos, o negros da África do Sul, os comunistas, etc pois o calvinismo sempre precisa de alguém ou melhor de algum grupo para demonizar e oprimir...

Como já foi dito, ao cabo de séculos os luteranos alemães e mesmo parte dos episcopais ingleses assimilaram tais conceitos, já porque massageiam o ego, já porque podem entrar como parte do enredo político e econômico, exatamente como as Varnas na Índia. E um aspecto curioso, tristemente curioso por sinal, deste processo é que na Alemanha Luterana os 'eleitos' espirituais ou da fé acabaram por voltar-se contra os pretensos eleitos originais i é, o povo judeu, o qual, sem ter relação com tudo isso, foi sacrificado - E o cutelo de sacrifício dos judeus outro não foi que o livre exame de Lutero e Calvino, por meio do qual o pretenso eleito original é substituído por um eleito espúrio, o qual no entanto, para reforçar sua posição, deve eliminar o eleito original...

No entanto ficaria a transformação do homem incompleta ou incompleto o sistema caso o Pai de Amor e bondade do nosso Evangelho não ceda espaço ao deus predestinador da Tanak ou da Torá, o terrível javé, parente próximo de Assur, Alla e Odin ou Wotan... 

Sendo assim, na medida em que o conceito de inspiração funcional é substituído pelo conceito de inspiração plenário/Linear... E que o conceito de Evangelho é substituído pelo conceito de bíblia unitária (Ou Corão 'cristão') a figura daquele Ser benevolente a que chamamos Jesus de Nazaré é paulatinamente substituída pela figura do velho rancoroso, vingativo e cruel javé - Senhor das guerras, lapidando o conceito monstruoso de uma jihad Cristã, no sentido de que pode a religião agredir ou atacar seus oponentes.

Aqui nada semelhante ao conceito medieval de cruzada, pautado no conceito de guerra justa ou defesa/resposta face a uma Jihad ou ataque que partiu do islã. 

Trata-se aqui da instituição Cristã tomar a iniciativa de atacar (E atacar em sua acepção primária ou literal: Fisicamente!) com propósitos religiosos ou espirituais - Algo totalmente estranho ao Evangelho, ao novo testamento ou na Tradição Cristã mas assente no antigo testamento ou na religião judaica, bem como no islamismo.

O protestantismo a partir do Calvinismo e de sucessivas transformações produzidas pelo conceito de bíblia unitária e livre exame 'cria' por assim dizer esse novo conteúdo agressivo e a partir dele dá suporte a uma série de eventos catastróficos que se prolongam até nossos dias com imenso saldo de mortes e sofrimento. 

Principiou esse quadro sinistro com a própria reforma quando particularmente na tentou suprimir a religião antiga na França ou quando logrou suprimi-la na Suíça e na Escócia. Para não mencionarmos certas paragens da Alemanha ou na Inglaterra Eduardina. O recurso a violência começou aí... Enquanto o Cristianismo primitivo iniciou sua marcha por meio do martírio. O protestantismo, guiado pelo antigo testamento, faz o caminho inverso - O da Jihad!

A partir daí a sangria protestante não para mais.

Pois temos a guerra dos trinta anos. A Revolução Inglesa. Os infames ataques a Irlanda por parte de O Cromwell. O Sonderbund em 1848. Sadowa. Sedan. A erradicação dos índios Norte Americanos pelo 'faroeste', a criação da KKK, as duas grandes guerras mundiais, o Apartheid, etc 

Aqui os cananeus são os irlandeses, ali os ferreseus são os franceses, austríacos ou belgas, mais adiante os índios são os filisteus e os negros do Sul da África os assírios, enquanto que eles, os protestantes - Calvinistas ou luteranos calvinizados com suas bíblias nas mãos - são sempre os predestinados, superiores, portadores das luzes e da civilização... 

Seja qual for o conflito o pano de fundo é sempre o mesmo: Os eleitos ou predestinados combatendo os réprobos ou 'inimigos de deus'... O inimigo aqui e acolá, muda de face ou nome. O herói ou mocinho é sempre o mesmo: O homem da bíblia com sua espada ou trabuco nas mãos a levar o novo e estranho evangelho...

Quiçá você, amigo leitor, não tome a sério minhas palavras ou creia que estou exagerando. 

Resta dizer-me que durante a primeira grande guerra o Kaiser Alemão Guilherme II (+1941) convocou todos os protestantes do mundo para associarem-se ao Império Evangélico alemão em sua cruzada contra a França papista e a Inglaterra liberal e semi Cristã...

Daí o título de uma obra publicada pelo pastor protestante francês Jean Viénot em 1915
  • Réponse à l’appel allemand aux chrétiens évangéliques de l’étranger, Paris

Como se pode ver o título acima já diz tudo -

A obra de Goyau tem o mérito de mostrar ao grande público o impacto causado por tal processo no seio do luteranismo - O qual, como já disse, é uma forma mais amena e civilizada de protestantismo. - alemão. 

Com que tato logrou ele, apesar de papista, vincular essa catástrofe ao vício protestante de priorizar a leitura do Antigo Testamento e desconecta-la do Evangelho e consequentemente de Jesus Cristo, provendo-a de uma autonomia que não tem e jamais poderia ter num contexto Cristão. 

Com que tato não diagnosticou G G a enfermidade de que padece o protestantismo e sua causa: A judaização e a leitura despreparada e irresponsável do antigo testamento sob a alcunha de bíblia. E só poderia ter sido mais exato caso aponta-se a crença na inspiração plenária/linear como sendo a grande responsável por tal calamidade. Caso tivesse identificado o conceito de bíblia unitária ou 'corão cristão' como o pivô sua abordagem teria sido absolutamente perfeita. 

Pois na medida em que Cristo, nosso Bom Jesus, cede passo ao javé guerreiro, vai-se abrindo - Ao menos na Alemanha Luterana - o caminho até o 'primo' Odin ou Wothan, deus guerreiro ou belicoso e ao odinismo i é a ideia de que a guerra é um bem desejável ou mesmo querido por Deus. O que corresponde a um recuo do conceito de Lei natural ou de racionalidade, ao padrão da força defendido já por Trasímaco, na República, como pelo próprio Nietzsche, filho e neto de pastores luteranos, no contexto por nós indicado. Ora o próprio Nietzsche não escondia sua admiração pelo teor violento do antigo testamento, face ao teor benevolente do Evangelho, o qual para ela equivalia a indignidade e fraqueza.

Há 1.500 anos aproximadamente, um Bispo alemão, Wulfilas, ariano, parece ter antevisto tais possibilidades. Pois aos que lhe perguntavam porque não traduzirá os livros dos Reis e das Crônicas ao gótico, respondeu que caso seus Alemães lessem ou ouvissem tais relatos de guerras e morticínios jamais abandonariam seus costumes bárbaros e odinistas - Profundo esse Wulfilas não... (E hoje entregamos traduções desses livros grosseiros a qualquer analfabeto tarado...)

Resta-me dizer que o antigo testamento é muito maior ou mais amplo que o Novo testamento, de que Nosso Evangelho - O livro dos Cristãos!!! - é parte. Que resultará caso tudo misturemos e confundamos numa só amalgama... O Evangelho se diluíra como uma gota de mel num barril de fel... O Cristo será perdido de vista e confundido com uma multidão de homens vulgares... A Lei do amor será perdida de vista e - O Cristianismo reverterá a judaísmo antigo (Antigo - Quem tem ouvidos para ouvir ouça!!!), os odres rebentarão, o vinho se perderá... e esses odres rasgados é Calvinismo, não Cristianismo.

O luteranismo, por diversas vias, assimilou isso e o resultado dessa assimilação, mesmo quando secularizado ou ao menos em parte secularizado, resultou em duas tremendas grandes guerras - 

Certo é que como dizem os Comunistas, o fator econômico também ali estava presente, em contato com o religioso ou ideal, e interagindo com ele. Agora o que não podemos fazer é ocultar ou ignorar o elemento religioso, mesmo quando certas formas religiosas limitaram-se a encobrir interesses políticos e econômicos, como que a sanciona-los socialmente. Ainda aqui, enquanto usado pelo poder secular, deve o elemento religioso ser questionado. Mormente quando um século depois o protestantismo continua a acusar hipocritamente a tudo e a todos - Em especial a igreja romana. - e a desfilar como herói diante da plebe inculta e analfabeta. 




segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sobre o caráter e missão dos povos germânicos no contesto Ocidental I

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Para muitos dos homens e mulheres nascidos em meados do século IV, especialmente para os mais cultos e instruídos, aos quais não faltava pão e carne, o ano de 410 assinalou um evento dramático.

A ponto, diz Aurélius Augustinus Bispo de Hipona de por a prova a fé de muitos Cristãos. Já para o monge Jerônimo de Stridon, que era um poliglota e erudito, tratava-se de um evento cósmico que assinalava o curso dos tempos...

Parece ser verdade que as massas famintas e desesperadas, que já não obtinham pão e circo dos governantes, não sentiram muito e até aplaudiram a queda de um Império decadente, que se limitava a extorquir impostos aos poucos elementos úteis que ainda produziam. Ao invés de refletir sobre os problemas que punham em jogo a existência do secular Império, o degenerado Honório, filho de Teodósio preferia passar o tempo todo em seu palácio de verão em Ravena, acreditem! Brincando com uma galinha!

E um homem vulgar como estes ousou zombar face ao gênio Militar de um Alarico. Levando-o a fazer o que Hanibal não ousara ou seja, a invadir a cidade e eterna e pilha-la.

A população, as grande famílias senatoriais, os generais, os grandes proprietários de terra, o que ainda restava da pequena burguesia, os pequenos comerciantes, a grande massa de povo sustentada - até bem pouco tempo pela rações públicas - soldados, servos, mendigos, religiosos, etc achavam-se todos acotovelados dentro das muralha da grande metrópole do Ocidente.

Compunham, talvez, cerca de 100.000 pessoas.

Alarico referiu-se a elas como erva grossa e boa para ser cortada, embora tenha concordado em proclamar a Basílicas de S Pedro e S Paulo como refúgios invioláveis e pedido a seus soldados para que respeitassem a vida dos homens e a honra das mulheres. Apesar disto parte daqueles que não haviam conseguido chegar as Basílicas acabaram sendo massacrados pelo invasor. Proliferando do mesmo modo os estupros, inclusive de religiosas, as quais Agostinho dirige algumas de suas reflexões.

Os pagãos alegaram que a adoção da fé Cristã havia sido responsável pela queda da cidade, mas numa perspectiva magico fetichista, relacionada com a ira dos deuses antigos e não com a oposição dos Cristãos a guerra e ao escravismo, como seria ventilado por Ed Gibbons. Respondeu-lhe Paulo Orósio na História contra os pagãos alegando, numa perspectiva socrática, que os costumes da velha cidade haviam sido corrompido pelas riquezas e pelo luxo, sem no entanto referi-se explicitamente ao 'pão e circo'.

Tal o marco inicial da nova Idade.

Pois a partir de então os 'Imperadores' até Romulo Augustolo (476) não passarão de fantoches. Mantendo-se um Império de aparências, devido a força das tradições.

A partir do século V, na esteira dos vencedores Godos, diversos outros povos teutônicos fazem-se em marcha instando-se em alguma região ou província do Império romano, do que resultará a formação dos reinos bárbaros num primeiro momento, e, posteriormente a afirmação de uma ordem feudal, característica da Idade média.

Faz-se forçoso reconhecer que nem todos os povos germânicos eram iguais ou achavam-se no mesmo nível em termos de cultura. De fato alguns eram bastante civilizados ou afeitos aos costumes romanos. Assim os que se achavam mais próximos da fronteira, acompanhando o curso do Danúbio, como os Godos. Já outros eram bastante rudes e aguerridos, a exemplo dos Suevos, Saxões, Alanos, Hunos (estes mistos), Vândalos, etc 

Em alguns casos e em alguns momentos os teutônicos, a semelhança dos celtas, parecem ter se instalado pacificamente junto as antigas populações ou simplesmente ocupado o espaço existente sem maiores agravos. Tal o caso dos Godos e Francos em algumas regiões da Gália. Noutras circunstância parecem ter lavado tudo a ferro e fogo. Ao fim de diversas e sucessivas ondas humanas, a parte ocidental do Império romano achava-se quase que totalmente arruinada. E não deixa de ser esclarecedor a inexistência de estátuas clássicas que tenham chegado intactas até nós.

Cumpre reconhecer que todo povo tem suas qualidades, capacidades ou virtudes.

O baixo Império romano havia feito refluir a vida urbana e massacrados os municípios, fazendo a vida refluir para os campos e assumir novamente como dissemos no artg anterior, a forma rural. Melhor agricultor não havia que o germano, apegado ao trato da terra.

Não é que a vida rural seja essencialmente má.

O problema aqui é que perdeu-se o espírito. A cultura mais refinada caracterizada pela existência de diversas agremiações educativas como escolas, museus, bibliotecas, pinacotecas, etc desaparece por completo. Mesmo o simples letramento entra em colapso. Até as termas, hospitais, aquedutos, estradas e portos são por assim dizer arruinados. Que diremos então do espírito científico ou da pesquisa e das conquistas tecnológicas? Enfim do progresso humano e civilizacional?

É toda uma civilização que reverte ou recua; em que pese a habilidade agrícola dos germanos, ou, como decantam alguns, seu espírito disciplinado e honesto no que tange aos costumes pessoais e até comunitários (intra feudal).

Longe de nós classificar os povos germânicos recém instalados e organizados nos antigos territórios do Império como ladrões ou assassinos vulgares.

Sucede no entanto, e não há como disfarça-lo, que aquilo que tornara-se proibido pela religião Católica e pelo influxo da lei romana no seio familiar ou comunitário (feudal) jamais se tornara proibido 'extra' feudo ou 'intra' feudoS. Assim em caso de conflito ou guerra, a população do feudo vizinho poderia - e de fato era - ser assaltada e morta sem que tal fosse considerado ilegal. (Não é o que vemos hoje: assassinato proibido e guerra - ou AssassinatoS - permitida?)

Mesmo quando tal não se sucede por intervenção da igreja, congregam-se os homens, nobres ou guerreiros em miliciais e atacam a milícia do feudo vizinho. Dando largas as carnificina.

E como os feudos associam-se uns aos outros por meio de pactos juramentados, tanto de suserania quando de vassalagem, já se alastram tais conflitos por inúmeros feudos (Não foi exatamente assim que a Europa mergulho nas guerras de 1914 e 1939?) e o estado de violência se torna generalizado, dando lugar ao desordem ou ao caos.

Não bastasse tal situação, os mais ferozes dentre todos os povos germânicos, os Normandos, infernizaram as vidas de seus companheiros cristianizados e sedentarizados, por séculos a fio, entrando pelos rios e massacrando as populações a golpes de machado. O que travou o progresso do Continente ou sua recuperação, por séculos...

Esta condição relacional prevalecente entre os milhares de feudos europeus - Situados principalmente na França, na Alemanha e na Inglaterra -  existentes por exemplo nos séculos XI e XII, resultou numa orgia de duendes não menos pavorosa do que aquela que os germanófilos atribuem ao bérberes habitantes nas montanhas do Norte da África (Em especial Marrocos - século XIX) com seus razzu ou razzias. Tanto um quadro quanto outro faz vertigem, tanto o pintado pelos arabizantes quanto o pintado pelos germanófilos. O pior é que ambos são verdadeiros!

Diante disto não podemos deixar de encarar o invasor germânico do século V como um destruidor em termos de cultura greco romana e mais do que isto como um fator de discórdia, instabilidade social e atraso para a Europa medieval. Foi ele, não o Cristianismo, não a Igreja Católica e depois a romana, que tentaram civiliza-lo, que trouxe as sombras para esta sociedade.

A Igreja, em que pesem seus defeitos, que os teve - me refiro especialmente a romana emancipada no século XI - não nego, demandou não é menos verdade, ingentes esforços com o objetivo, muitas vezes estéril, de educar tais povos e de apaziguar esta sociedade por meio dos decretos baixados pelos sínodos desde o século V e mais especialmente ainda por meio da Trégua de Deus, instituição das mais louváveis que se tem notícia no Ocidente.

Por fim, quando semelhante espírito estava já reduzido ao tolerável, o papado - Já existente desde o século XI - com tato, cálculo e sabedoria invulgares, soube lançar tais hostes, de guerreiros intrépidos, contra os agressores muçulmanos, os quais jamais haviam abdicado de sua jihad iniciada cinco séculos antes. Do que resultou um imenso poder e incrível força, movidos na direção certa. Tal a organização a que chamamos 'Cruzadas' que a seu tempo contiveram a expansão muçulmana e salvaram a sociedade Ocidental e a Civilização, permitindo que assumisse formas ulteriores. As quais jamais teria chegado caso tivesse sido envolvida pelos tentáculos da teocracia corânica.

Sobre esta missão reservada aos povos germânicos, nos estenderemos no próximo artigo.