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sábado, 2 de dezembro de 2023

O Estado deseducador ou onde esquerda e direita se tocam...

 Acho difícil ou até ingenuidade acreditar que a educação pública, gerida por um Estado associado ao Mercado e a seitas religiosas fundamentalistas, cumpra seu desiderato, que é a produção de cidadãos críticos e reflexivos.

Até onde podemos observar o Estado, dirigido por demagogos, se tem empenhado em produzir massas manipuláveis já para os empresários, já para os charlatães religiosos e até poderíamos falar num processo de massificação. Mesmo porque o 'político', o patrão e o pastor beneficiam-se da ignorância alheia.

Enquanto profissional da Educação tenho que responsabilizar direita e esquerda - Embora a direita seja muito mais feroz e proativa. - por semelhante estado de coisas. 

A direita pretende fornecer aos cidadãos uma educação sumária ou elementar que o habilite apenas a ler, calcular e, no máximo, decorar uns nomes e umas datas... Nada que permita ao ser racional contemplar, conhecer, avaliar e inclusive transformar o mundo em que vive ou a sociedade em que esta inserido. É a famosa educação positivista ou positiva, destinada a produzir funcionários ou criados. Acho que decidir o futuro dos jovens e crianças e limitar seus horizontes, equivale a um crime hediondo...

Já a esquerda, no afã de inserir os meninos e meninas pobres na escola, satanizou levianamente a reprovação, e, face as mazelas sociais, implantou a aprovação sumária ou automática, sendo acompanhada por muita gente de boa vontade, que alega omissão por parte do poder público - E o lema é: O educando não pode ser responsabilizado... De acordo> Porém converter a educação numa farsa não me parece ser a solução correta.

O resultado desse afã foi uma queda ou rebaixamento abissal no que tange a qualidade da educação. Conclusão: Inserimos muitos para que aprendam muito pouco - Quando deveríamos ter inserido muitos para que aprendessem muito, cobrar o poder público, sanar as mazelas instauradas na estrutura educacional, instruir, cobrar, exigir responsabilidade por parte dos educandos, reforçar a noção de dever e, quando necessário for, punir e reprovar, sem o que não se educa.

Por esse caminho chegou-se a mentalidade pós modernista, insuflada por essa esquerda desmiolada e aproveitada com gosto por aquela direita canalha acima descrita. 

Quero dizer que nossas crianças não mais vão a escola para aprender conteúdos significativos e relevantes ou ferramentas que possibilitem-nas ascender socialmente, mas coisas populares ou que aprendem já em seu ambiente. Não mais se torna de abaixar-se até a realidade do educando para eleva-lo, porém de lá ficar - Abaixo, com o popular ou chulo... Exatamente conforme aquela 'música' horrenda: 'Quero ser feliz na favela em que nasci' > Educação virou isso, escola pública virou isso: Funk, 'ripe rope', dança de rua, capoeira, sei lá mais o que, para essa esquerda cirandeira; economia, projeto de vida, empreendedorismo, etc para a canalha de direita... E a Educação não transcende, não mostra nada de novo ou de diferente para essa clientela, na acrescenta... 

Pois o que chamamos de Educação, a esquerda chama de ideologia burguesa e a direita de ideologia de esquerda. E em níveis diferentes (A direita advertimos é bem mais hostil e nem toda esquerda é pós modernista!) parece que contribuem para produzir cidadãos estúpidos ou imbecis, seja por meio dessa educação positiva\mutilada ou através dessa cultura popular que se dá por satisfeita. 

Em meio a semelhante caos estabelecem-se prêmios ou bônus para que professores, diretores e supervisores aprovem o maior número de alunos possíveis, de modo que os defensores da reprovação passam a ser malvistos e caçados por seus próprios colegas de trabalho. Pois o lema é passar a criatura a todo custo, inda que não saiba ler ou calcular > E chega ela ao sexto ano - Analfabeta ou semi analfabeta. Afinal: A prefeitura ou o Estado não a apoiou como deveria... E não podemos culpabilizar o aluno... Então enganemos o infeliz, dando-lhe um diploma falso, que não significa coisa alguma... E com essa ideia de justiça consolamos nossa consciência ou ocultamos essa fome insaciável de bônus.

E o empenho é tal que nos municípios supervisores pressionam diretores e diretores pressionam professores para que mudem suas notas i é para que aumentem suas notas, de modo a passar a todos e a promover analfabetos e semi analfabetos. A rede estadual de S Paulo vai muito mais longe> Diretores e vice diretores há que falsificam as assinaturas dos professores relutantes em colaborar... Professor há que reprovou formalmente o aluno em Conselho, apenas para ve-lo aprovado no ano seguinte sem saber como... Que o ministério público faça uma grande oitiva ou sindicância nessas organizações...

Uns pela educação sumária e mutilada, outros pela cultura popular, outros - Mais práticos, pela prebenda a que chamam bônus. - parecem que todos estão de acordo quanto a aprovação automática dos analfabetos e semi analfabetos.

Acham inocente ou inócuo promover quem pouco ou nada aprendeu e até ousam dizer que reprovar é castigar o aluno ou vingar-se dele, que é ato de rancor, etc 

Bem - Lhes damos um diploma e lhes franqueamos passagem...

Não chegarão a lugar algum, disse-me um colega suspirando...

Calma professor, disse-me ele, contenha-se, daí não sairão enfermeiros, cozinheiros, arquitetos, médicos, etc

Calei-me... Inutil discutir com pessoas tão bem intencionadas (Bônus). Mas pensei comigo mesmo: EAD.

Caso venham a adquirir uma graninha se vão matricular num curso virtual e pagar para que alguém faça as atividades por eles... Arriscarão na prova... E quiçá com um pouco de sorte cheguem a aplicar injeções, a preparar alimentos ou até a desenhar algum projeto. Dessa rebelião ou ascensão de massas despreparadas e idiotas porém diplomadas resultará o caos...

O número de erros em áreas nas quais o erro acarreta desastres escabrosos aumentará exponencialmente. 

Impossível que a queda, por nós provocada, na qualidade educativa não se reflita, daqui há algumas décadas, no desempenho profissional de parte da população, o qual experimentará considerável declínio. Outra possibilidade é a falta de profissionais habilitados em diversos campos, o que afetará diretamente a oferta de diversos serviços essenciais.

No tempo da ditadura a Educação tinha qualidade porque era para poucos e não para todos...

Triste verdade que não apoiamos.

Hoje, no entanto, parece que é a Educação para todos, mas aparente...

Antes tínhamos educação para poucos - Hoje não há temos para quem quer quer seja i é não temos educação...

Mas sabem ler e escrever... Um maior número de cidadãos.

Ok - Mas não promovam quem não atingiu suficiência. Pois também a reprovação, em certos casos, produz melhorias.

Quiçá nem todos sejam absolutamente iguais, e alguns precisem se esforçar mais ou muito mais. É possível. Neste caso há que se estabelecer certos requisitos mínimos, além de dar máximo apoio possível. Há que se investir... E também de reprovar, quando não houver condições.

Por fim me pergunto quanto essa ideologia anti reprovação significa em termos de economia ou de $$$ e julgo que essa pergunta seja necessária. Afinal, em tempos nos quais o Estado assume uma responsabilidade cada vez maior por parte dos insumos educacionais, a quem cabe o investimento... Nesse caso, aluno reprovado, investimento dobrado.

Antes não era a reprovação satanizada porque os pais arcavam com seus custos. Agora que o Estado assume parte dos custos é a reprovação proscrita como algo essencialmente deseducativo ou maligno - COINCIDÊNCIA...

Saibamos analisar criticamente cada discurso...



domingo, 26 de novembro de 2023

Algumas reflexões sobre o Estado e a Economia: Por um Estado real e não fictício ou aparente.

Curiosa a oposição extremista entre marxistas ou comunistas e anarquistas. 

Pois para os primeiros o Estado, que nada é quando controlado pelos capitalistas, passa a tudo ser após a afirmação da ditadura do proletariado. E todavia jamais deixa de ser uma casca ou película controlada por forças econômicas. Pois esse Estado se torna tudo sempre por mediação do econômico, ao qual serve como meio ou instrumento. Inexiste qualquer possibilidade de autonomia para o poder político e o contrário disto seria idealismo ingênuo.

Outro o caso dos anarquistas, que jamais levam o Mercado ou os poderes econômicos a sério, tributando toda carga de opressão na conta do poder político ou do Estado.

Destarte buscam os primeiros, como já foi dito, servir-se do Estado com objetivos econômicos diversos... Sem perceber que se utilizam do poder político para controlar e submeter os poderes econômicos ou as forças de produção... Atribuída essa finalidade 'socialista' ou Comunista ao Estado, adquire ele um desígnio que o torna importante.

E desta visão procede uma rigorosa ou radical estatolatria, e totalitarismo, e ditadura, e tirania, e opressão... Tudo coberto com o pomposo termo de 'Ditadura do proletariado' a qual, para os pupilos de Marx e ovelhinhas de Lênin corresponde a um Dogma tão sacratíssimo como a Igreja para os Cristãos Católicos. 

Nem posso deixar de assinalar que alguns críticos atilados já assinalaram inclusive as semelhanças entre os órgãos de controle do PC na velha URSS e os órgãos de controle do Vaticano. Creio que foi o Dr Fulop Miler.

Outro o caso dos anarquistas, cujas propostas sociais jamais se concretizaram.

De minha parte creio que sairia pior, e bem pior, do que o 'paraíso' comunista essa ideia ultra ingênua de eliminar a organização política ou diminui-la até os limites de um micro Estado e deixar intacta a estrutura econômica ou manter o Mercado... Julgo que disto resultaria ditadura mil vezes pior do que as ditaduras comunistas, nazistas e fascistas, inda que hipocritamente dissimulada.

Nem é por mero acaso que os ultra capitalistas tenham assumido essa pauta sob a legenda ANCAP, prova de que ninguém deseja mais a total demolição do poder político ou do Estado - Que muitas vezes o serviu tão bem, MAS NEM SEMPRE... - do que os detentores do poder econômico e apóstolos do liberalismo economicista em máximo grau.

Convém alias, expor aos comunistas, que os mesmos senhores do capital, receiam não pouco da Religião, ou melhor, do Cristianismo histórico ou antigo, do contrário seus ancestrais não teriam o teriam sabotado, por meio da reforma protestante, com o objetivo de instaurar essa nova ordem economicista. Foi necessário satanizar o Cristianismo antigo, apostólico ou autêntico, semear boa dose de ceticismo, fragilizar a igreja velha, etc com o objetivo de engendrar a incredulidade e a partir dela esse novo mundo materialista. Foi por meio do protestantismo que o Cristianismo tornou-se completamente dócil e servil face aos poderes econômicos ou ao mercado em formação.

Desde então o Capitalismo ou liberalismo econômico tem buscado por todos os meios favorecer ou facilitar o protestantismo e atacar com não menos sanha as igrejas anglicana, romana e Ortodoxa, devido ao sentido espiritual de insubmissão ou de rebelião que anima algumas de suas parcelas e súditos. O protestantismo, quase como um todo, colabora ou coopera, os 'catolicismos' jamais inspiraram confiança ao Mercado. Portanto a ideia de combater a religião ou certas formas religiosas não é prioridade do comunismo ou invenção sua. Apenas o liberalismo econômico sabia o que devia ser atacado ou o que temer.

E aos anarquistas convém expor que nem sempre o Estado foi dominado pelo capital ou por poderes econômicos, e que em algumas circunstâncias se lhe opôs, apenas para ser esmagado ou triturado, mas se lhe opôs - Com Laud, com Robespierre, com Vargas, com Peron, sob a ideologia de Keynes ou do bem estar social em alguns países do Norte da Europa, na Inglaterra fabianista que por um tempo enjaulou a besta, etc De modo que tampouco o Estado foi sempre dócil ou servil face a tal ordem como supõem o mito anarquista. 

Outro o caso do tempo presente, após o consenso do Washington e a cruzada neo liberal, no qual o poder econômico parece disposto a recobrar um controle total sob a fórmula de um Estado mínimo, policial ou de enfeite. Porém o que foi desalojado no passado poderá ser desaloja-lo em qualquer tempo futuro. Desde que se ressuscitem e alimentem umas velhas ideologias (Antes de tudo a do Direito natural ou jusnaturalismo.)... O que foi feito antes sempre poderá ser feito novamente depois - Desesconomizar o Estado ou opo-lo a nova religião do Mercado, É PERFEITAMENTE EXEQUÍVEL.


O PAPEL DO JUSNATURALISMO E DO TEÍSMO NATURALISTA.


Não basta termos um Estado politicamente liberal ou formalmente democrático.

Precisamos ter um Estado Ético, voltado para os direitos fundamentais da pessoa humana.

Por isso é que se faz premente afirmar tais direitos como naturais e inalienáveis e não como conjecturais ou relativos a qualquer pacto social de natureza positiva. Os direitos humanos devem transcender a qualquer pacto ou decreto de natureza política para que adquiram essencialidade e perenidade.

Pois tudo quanto, sob o termo de convenção, possa ser atribuído a lei positiva ou ao poder político por ele pode ser revogado. Apenas a lei natural pode servir como fundamento inamovível a nossos direitos e garantias.
Por isso o mesmo poder que estimula o fundamentalismo religioso e sectário - Devido a seu sinistro discurso (Sobrenatural!) em torno da submissão acrítica e passiva. - não se sente molestado de forma alguma pelos discurso ateísta (Exceto pelo comunista, o qual vai muito além do puro e simples ateísmo, a que alias é irredutível.). Dado que a partindo do ateísmo é impossível fundamentar uma lei ou uma ordem natural e imutável expressa por direitos humanos inalienáveis. De fato a ausência de um Legislador supremo desampara qualquer humanismo, por tudo relativizar e atribuir a lei positiva ou a pactos sociais.
Alguns nichos religiosos não fundamentalistas existentes nas igrejas anglicana, romana e Ortodoxa, no espiritismo e em algumas outras expressões religiosas (Radicalmente comprometidas com os direitos humanos e com a justiça social.) incomodam muito mais os poderes econômicos e políticos do que esse ateísmo por vezes neutro ou esquivo as causas sociais.

Isto porque aquelas expressões religiosas possuem doutrinas sociais, atribuídas aos céus e infensas a manobra capitalista, coisa que a maior parte da corrente ateísta, a exceção do complexo e desacreditado Comunismo, jamais nos ofereceu. Por isso encaro esse ateísmo metafisicamente virulento e socialmente vazio como absolutamente irrelevante e prefiro um papista que reza o terço ou um espírita embiocado que se identificam com o trabalhador ou com um cidadão oprimido, a um desses chateus... Parte dos quais (Refiro-me aos chateus.) inclusive mantém a mentalidade - Favorável ao mercado e ao americanismo. - incutida pelas 'emprejas' protestantes. Pois uma coisa é assumir uma senha qualquer e outra totalmente diversa questionar uma cultura ou romper com ela > E eu, como ex protestante, não precisei negar levianamente a existência de um Ser Supremo ou me tornar ateu, para abandonar aquelas visões de morte e tornar-me humanista e trabalhista.
Parece-me que o capitalismo teme e receia muito mais dessas velhas ideias e tradições humanistas Socráticas ou Cristãs do que desses ateísmos todos, a exceção do comunismo. Daí a necessidade de controlar a impressa e as escolas com o objetivo de satanizar o Cristianismo antigo ou de elevar seus erros e crimes a uma dimensão colossal. Pois é esse Cristianismo antigo, mesmo quando desfigurado (Pelas igrejas romana e anglicana por exemplo.), veículo de ideias e propostas assentes pela Filosofia clássica com todo seu aparato crítico.

Aliás o ateísmo comunista me parece mais digno - E é o mais odiado, mas não por mim, que nada tenho de comunista! - que seus rivais justamente por se ter mostrado sensível face as gritantes injustiças cometidas pelo capitalismo e por se ter aliado ao operariado.
Os demais ateísmos me parecem tão alienados e cômodos quanto o protestantismo - O grande promotor e aliado do capitalismo... - que produziu-os.
Não acredito que por si mesmo o ateísmo signifique, pois acredito mais em ações que em doutrinas e se adiro a Sócrates e a Jesus Cristo é porque antes um aceitou beber cicuta enquanto outro aceitou ser pregado na cruz. Acredito no testemunho dos que se deixam matar (Não dos que matam!) ou dos mártires que podendo resistir, recusam-se a faze-lo por algum motivo sério. Jamais vi mártires que tenham dado seus vidas pelo não ser ou pelo ateísmo...


quinta-feira, 22 de julho de 2021

Minha mais recente entrevista - Extratos

Drops -

01) Economia?

Face ao mito positivista do progresso ilimitado, já denunciado por A C Grayling como secularização da escatologia Cristã, sou partidário decidido da Economia estacionária. Vivemos num sistema finito, portanto não dá mais para brincar com essa xaropada de desenvolvimento contínuo, nossos recursos são limitados e a reciclagem uma necessidade embora mesmo a reciclagem não passa de um paliativo. 

02) Anarco primitivismo?

Sim. Nesta altura do campeonato encaro com franca simpatia este ideal apontado por Nisbet como tributário do Cristianismo antigo, já por via do monaquismo beneditino, já por via do franciscanismo. Precisamos redescobrir nossa relação de dependência face ao mundo natural, restabelecer a comunhão com os demais seres e assumir uma perspectiva holística. Temos que nos redefinir como parte do ecúmeno, recriar as pontes que foram derrubadas, rever nossas necessidades e excluir o quanto não seja essencial. Enquanto vítimas de nosso próprio consumismo temos o direito de questiona-lo. 

Para mim, além de Freud, tenho por revolucionário a Scott Nearing, num nível de consciência bem mais profundo que um Blanqui, um Bakhunin, um Lênin ou um Sorel. 

Há quase cem anos foi constatado por V G Childe que a evolução social não se faz conforme o esquema linear adotado pelos marxistas 'ortodoxos' comportando crises ou recuos. Quem sabe não chegamos no momento de recusar conscientemente ou de planejar um retorno? 

Claro que não estou clamando contra o progresso científico. Creio todavia que deva este ser posto sobre bases humanas e humanistas e não sobre a falsa base da máxima lucratividade. 

Sempre que tornarmos ao consumismo irracional, ou ao consumo acelerado tornamos ao vomito. Criamos necessidades artificiais que devem ser revistas e temos de pensar que se cada um dos bilhões de seres humanos aspirarem a acumular o máximo de entidades materiais nosso planeta é que será consumido, nossa casa, nosso lar, nosso espaço.

Temos portanto de moderar o consumo e de limitar o acúmulo com o propósito de salvar o planeta e temos de faze-lo urgentemente, antes que seja demasiado tarde.

Não dá mais para tolerar os caprichos de um sistema econômico individualista, irracional e cego.

Nesse sentido é louvável sim um retorno ao campo, ao padrão agrícola, a uma economia natural, a um padrão de sobriedade... capaz de dizer: Não vou aquecer o mercado, não vou gerar emprego ou renda, não vou comprar isso, não quero aquilo, não preciso disso... Basta! Chega!

03) Tal a solução?

Não. No máximo parte dela ou, creio eu, mero paliativo.

Pois na base de nossos problemas temos um círculo monstruoso: Injustiça social, miséria e angústia a um lado e excesso de população a outro. Precisamos atacar dos dois lados, posto que a miséria parece instigar o instinto da geração. Precisamos tentar atenuar a miserabilidade crônica por meio de investimentos da área da educação, da proteção ao trabalho e da promoção humana. E precisamos, concomitantemente, tentar conter o crescimento da população mundial. Aqui Malthus se faz tão importante quanto Sócrates, Platão e Jesus. Pois qualquer crescimento mínimo quanto a densidade populacional põe em risco nossas conquistas no plano social. Puxa-se de um lado e encolhe-se do outro...

Não basta opor-se aos caprichos do liberalismo econômico, com seu exército de reserva inclusive. Não é suficiente. Pois faz-se mister implementar políticas de controle populacional a nível global, por meio de incentivos inteligentes. 

04) Crê o senhor que a solução esteja no Comunismo?

Jamais acreditei no comunismo, mas nos comunistas ou em parte deles. Cuidando que fossem humanistas e assumissem a causa humanista da justiça social. 

Sei que há comunistas e anarquistas, assim marxistas, de boa vontade e comprometidos com a Ética da pessoa. Oriundos de outros sistemas valorativos e ignorando a doutrina de Marx tem eles certo sentido humano. 

No entanto...

05)  No entanto???

No entanto por defeito essencial é o marxismo um sistema materialista, mecanicista e determinista ou como dizem entre eles etapista - O que põe tudo que é humano a perder. 

Há marxistas excelentes apesar do marxismo ou do comunismo e são os marxistas levianos ou incoerentes.

Assim que se tornam sérios i é que se põem a ler as obras de Marx e assimilar seu pensamento tornan-se os marxistas insensíveis e cruéis. Pois o ideal metafísico da Revolução acaba substituindo por completo aquele ideal de justiça social ou promoção humana acima citado.

A partir daí passam eles a condenar com inaudita ferocidade todas as formas de reformismo social (As quais tem em conta de socialismos heterodoxos ou utópicos.): Assim o ativismo parlamentar, a formação educativa da consciência... 

Pois crendo que a consciência seja absolutamente determinada pelo modo de produção, acreditam que estruturas e homens só serão modificados quando o modo de produção capitalista por transformado pela Revolução proletária. No entanto para que as condições da Revolução sejam dadas é necessário que o modo de produção capitalista se desenvolva livremente e em máximo grau. Portanto, para os comunistas fiéis a Marx, deve o capitalismo ser implantado e desenvolver-se livremente a nível mundial e não ser limitado, contido, precocemente combatido, repudiado, reformado, etc Até que o modo de produção se desenvolva em máximo grau devemos apenas observar ou ficar na expectativa, crentes de que o capitalismo trás em si mesmo, em seu organismo ou em seu bojo os gérmens de sua destruição. É dele, do capitalismo, que partirá sua ruína e a passagem para a redenção cósmica i é para o comunismo. 

É portanto o capitalismo passagem, caminho, porta ou via de acesso ao mundo futuro. Fase ou período necessário dentro daquele esquema evolutivo e linear traçado por Marx. Etapa a que não nos podemos furtar... Conter o capitalismo é conter a revolução, e ser reacionário da pior espécie possível.

Daí os maravilhosos comunistas desconfiarem já dos trabalhadores mais humildes i é dos que mais sofrem e dos camponeses, os quais costumam censurar muito frequentemente acusando de imediatismo, na medida em que se preocupam antes de tudo com seus salários e com a condição do trabalho ao invés de pensar na futura Revolução. 

E pelo mesmo motivo, surpreendem a muitos, quando se unem aos capitães da indústria e campeões do liberalismo contra os interesses dos trabalhadores e os socialistas parlamentares ou reformistas, implementando a política desumana e cruel do 'Quanto pior melhor' com o objetivo de - Pasme leitor ingênuo - impulsionar ainda mais e tornar ainda mais forte o Capitalismo. Vargas foi inimigo odioso porque sancionou leis de proteção ao trabalho que de algum modo coibiam ou continham o capitalismo. Odiaram-no os liberais, herdeiros da velha política. Mas, odiaram-no acima de tudo os comunistas para os quais o céu ou paraíso comunista dependia antes de tudo do inferno liberal. 

De fato todos os analistas marxistas, a começar pelo próprio Marx e sem seguida com Engels e Sorel, supuseram (Demonstrando o quanto eram fracos de espírito e o quanto ignoravam a dinâmica da cultura.) que o parto cósmico aconteceria na Inglaterra, na Alemanha ou nos EUA... Por outro lado não puderam prever que nos países latinos, a partir do liberalismo econômico desbragado, teríamos uma safra de ditaduras... O que foi percebido apenas pelo heterodoxo H J Laski. Surpreendentemente a tal da Revolução acabou vingando num país tão agrário quanto a Rússia, o que fugia por completo as predições e esquema etapista de Marx. Dos problemas planteados por essa estranha Revolução surgiram diversas seitas, correntes e partidos que culminaram em expurgos. Apesar da NEP e dos expurgos conheceu a mesma Revolução significativas idas e vindas, até que por fim tornou ela ao vinagre, após sete décadas de sofrimentos... Outra não foi a sorte das Revoluções Mexicana e Chinesa, igualmente implementadas em países agrários e é claro não protestantes. 

Nas sociedades protestantes, por uma questão de cultura, desenvolveram-se as forças capitalistas de produção, e se acaudalaram, e se avolumaram, e engrossaram de um modo tal sem que no entanto sequer manifestassem mínimos sinais de simples insurreição... 

Raymond Aron, após ter sido ele mesmo marxista, feito já marxólogo, decifrou por completo o enigma dessa esfinge. Portanto nada devemos esperar do Comunismo, pelo etapismo mecanicista, colaborador servil do capitalismo.

05) E quanto o anarquismo, que pensar?

Antes de tudo jamais devemos dizer anarquismo e sim anarquismoS.

Pois tal e qual o Renascimento, a Reforma protestante, o Liberalismo, a Revolução Francesa, o Socialismo (Aos quais bem cabe um S) temos diversas formas de anarquismo bem distintas. 

De fato temos basicamente dois anarquismos:

# O Oriental ou Russo de Tolstoi e Kropotkin, no qual há um elemento humano ou pessoal a par se um elemento estrutural. A partir dessa saudável corrente - Que bem poderia ser chamada de sócio anarquismo, social anarquismo ou mesmo de socialismo anarquista. - foi que parte dos anarquistas passaram a insistir bastante na educação e na formação da consciência e da cultura a par da transformação econômica e política.

# E o ocidental cujas raízes tocam a Godwin e a Stirner e que foi desenvolvido na Europa por Proudhon (Embora Proudhon possa ser classificado como pensador original ou a parte.) e Bakhunin e nos EUA por Tucker e Spooner. Ora esta última corrente embricou com o darwinismo social (Spencer) e com o liberalismo econômico (Bastiat, Molinari, Mises, Rothbard, Friedman, etc) dando origem a ideologia ANCAP, o que já diz tudo. Para nós essa corrente representa um ideal tão sinistro quanto o comunismo. E representa um desenvolvimento natural e orgânico do liberalismo econômico, na medida em que um liberalismo econômico forte tende a descartar a esfera do político sobre a qual até então se apoiará. O reverso desta ideologia é o neo liberalismo irracionalista de Hayek, rebento do velho absolutismo, por meio do qual os reis todo poderosos serviram como capachos a um liberalismo ainda frouxo e temeroso face a Igreja Romana.

Quanto ao anarquismo russo ou oriental, mesmo quando exportado para o ocidente e remodelado, reconhecemos nele diversos valores, assim a superação do materialismo grosseiro, mecanicista, fechado e etapista dos marxistas por um sadio realismo que considera a força do elemento ideal ou imaterial; assim o consequente apelo a formação da consciência, a dinâmica da cultura e a educação, assim um apreço pela estabilidade social e pela paz em maior ou menor nível, assim um vigoroso questionamento face ao mito positivista do progresso incessante, ao progresso tecnológico e ao desenvolvimento econômico, assim o consequente retorno a natureza, a retomada das questões ecológicas... Cada um desses itens corresponde a um valor a ser assumido pelo homem ético do futuro, isto se queremos de fato sobreviver como espécie. Sim, o anarquismo porta em si mesmo certos elementos que são preciosos para todos nós seres humanos. Não Bakhunin com seu pensamento tão raso quanto o de Marx e nem Sorel mas Kropotkin, Tolstoi, Thoureau, Nearing...


06) Portanto não crê no senhor no paradigma da Revolução?

Com e como Bernstein acredito na Evolução e do Evolucionarismo, embora não de maneria simplista ou linear. Não acredito noutro gatilho da cultura além da educação i é de um processo regular de transmissão e reelaboração. Tampouco acredito que um ato de força possa alterar a dinâmica cultura. E menos ainda que as estruturas econômicas um vez alteradas alterem radicalmente a cultura, embora julgue que na atual conjuntura a implementação de reformar econômicas possam beneficiar o processo educativo, bem como as estruturas políticas em termos de qualidade.

07) É o senhor contra Revolucionário?

Sou cético quanto ao sucesso das Revoluções tendo em vista as pretensões dos revolucionários, o que  não significa que seja contra revolucionário ao menos no sentido corrente ou vulgar, segundo o qual seja necessário conter as revoluções por meio da força. Sobretudo quando contam com o apoio da população ou das massas sou contra toda e qualquer tentativa de repressão. Toda tentativa de repreensão a uma Revolução feita 'a posteriori' é burra além de potencialmente cruel. Já disse a exaustão e ainda repito: A Revolução, de modo geral, deve ser contida 'a priori' i é em suas causas ou preventivamente por meio de sábias reformas sociais. Por isso falo sempre em profilaxia das Revoluções. O liberalismo econômico no entanto, sendo irracionalista e cego por natureza converte-se em motor natural de tumultos, distúrbios e revoluções.

Salvo algumas possíveis exceções tenho postulado uma neutralidade absoluta por parte dos autênticos Cristãos e dos humanistas, face a quaisquer Revoluções. Como Berdiaeff só posso encara-las como uma Penitência imposta aos Cristãos por sua escandalosa omissão e por seus pecados sociais, frutos dessa vergonhosa mancebia com o liberalismo.

08) Fascismo?

O fascismo tem uma compreensão mais realista sobre a cultura e o passado, todavia, por não saber maneja-la recorre - Exatamente como burgueses e revolucionários - ao padrão da força até chegar ao militarismo, ao autorismo e ao totalitarismo; tal sua grande miséria, chega perto da solução do problema mas não soluciona nada. Alias dependência de Sorel é manifesta: Tanto o carrasco Mussolini quanto o prisioneiro Gramsci eram leitores acríticos de Sorel e nisto iguais a Lênin. 

Para além disto a antropologia fascista é a mesma antropologia venenosa do integralismo, tributária do pessimismo agostiniano tal e qual a reforma protestante e o jansenismo, em oposição a certas correntes Dominicanas e a escola Jesuíta, o que é para lamentar-se. Devido a tal antropologia anti natural e maniqueísta (Alias abraçada por Sorel.) desconfiam eles do povo, da sociedade e consequentemente da Democracia julgando que a pessoa deva ser contida por essa igreja secularizada que é o Estado, com sua inquisição secular e autos de fé secularizados. 

Enquanto Sócrates fazia uma crítica construtiva não a democracia mas a qualidade dos democratas e a um estruturalismo formal que já se esboçava, os modernos partem para uma crítica ontológica ou essencial cujo fundamento mais remoto é esse tipo de antropologia jamais sancionada mesmo pela Igreja romana com a doutrina da graça forte ou capacitante. O que eu não consigo entender é como a Igreja romana tolera a presença de tais pessoas em seu seio ao invés de remete-las ao luteranismo, ao calvinismo ou ao jansenismo que é o lugar delas. No entanto bem conhecida é a tolerância do romanismo face ao agostinianismo, fonte de todas as nossas tragédias.

A partir de uma petição cega ao padrão da autoridade chegamos pelo militarismo a doutrina perversa da obediência cega, a qual ignorando os preceitos transcendentes da justiça, caí sob as críticas de Sócrates, Platão e Jesus. Pois pouca diferença há entre a doutrina do sacrifício patriótico e as doutrinas da Razão de Estado e da Vontade geral, uma após a outra adversárias do homem e do humano.

Todos esses vícios terríveis se acham presentes nessa cultura de morte.

09) Nazismo?

Abominação da desolação e a mais primitiva das culturas de morte.

10) Democracia?

Não é a democracia que temos a democracia que queremos e tampouco corresponde a nosso modelo grego que era direto mas a um modelo delineado na Inglaterra burguesa por J Locke. 

Temos assim uma estrutura formal bastante precária, que corresponde a um esvaziamento, restrição e perda de qualidade por parte do político, como foi observado por Arendt.

Ademais por ter surgido em tais condições e portar defeitos estruturais foi essa forma 'contemporânea' quase que de imediato cooptada pelo liberalismo economia. O que não significa que todas as formas de Estado, compreendido como forma de organização social e política, tenham tido o mesmo destino ao cabo da História. 

Agora por serem e terem sido tanto mais permeáveis ao gerenciamento econômico por parte da burguesia, foram as democracias contemporâneas denunciadas com veemência pelo anarquismo, até o iconoclasmo. 

Como os comunistas ao fim do curso ordinário das coisas postulam o fim das 'classe' sociais os anarquistas postulam o fim do Estado - Concordaríamos com eles em se tratando do fim da autoridade arbitrária ou abusiva, todavia em se tratando do fim da autoridade em si mesma somos completamente céticos. Para nós ambas as propostas não passam de propostas duvidosas quanto a um futuro incerto. Pois não conhecemos sociedades sem divisão social ou exercício da autoridade. 

Não acreditamos portanto na destruição da democracia burguesa ou formal por qualquer tipo de evento cósmico ou revolução, mas em sua transformação por dentro, a partir de reformas políticas que venham a amplia-la cada vez mais até converte-la numa democracia autêntica, popular e direta, conforme o modelo clássico. Julgamos portanto que a democracia burguesa corresponda a uma passagem institucional para a democracia direta. Claro que para não cairmos numa oclocracia ou num domínio das massas, como advertiu Ortega y Gasset, temos de secundar as reformas políticas com um maciço investimento nos domínios da Educação, assim de criar democratas para o exercício da democracia ou ainda de produzir homens e mulheres a altura das instituições. Jamais devemos dar as costas a formação e produção de consciência enquanto transformamos as estruturas, sob pena de tais transformações serem inúteis. 

11) Implica portanto uma ruptura com o formalismo/estruturalismo democrático de viés positivista?

Sem dúvida.

Impossível falar em democracia, e aqui partimos da França, sem falar em Liberalismo político, e aqui partimos da Inglaterra.

Democracia sem liberalismo político e Ética é como corpo sem espírito ou alma.

Podendo inclusive, a partir da doutrina da Vontade Geral de Rousseau, converte-se num autoritarismo disfarçado e ainda de assumir uma forma totalitária. 

Mesmo sendo direta a democracia continuará pertencendo a esfera do político e portanto a uma esfera por definição, limitada - Posto que pertencente as coisas que são comuns, em oposição ao gênero de coisas que são privadas e que se encontram fora de sua alçada.

Democracia sem liberalismo político torna-se demasiado ampla e indigesta, por ultrapassar seus próprios limites ou suas próprias fronteiras e degenerar. Portanto a primeira baliza conceitual é a do liberalismo econômico.

A segunda é a necessidade de um recheio ou conteúdo Ético portada pelos atores políticos ou pelos democratas. A democracia concede oportunidades políticas a todos. No entanto caso esses todos sejam em sua maior parte canalhas, como estrutura ou forma que é, a democracia não fará milagres. Portanto a par de manter as estruturas democráticas temos também de produzir cidadãos virtuosos ou éticos, comprometidos com princípios e valores humanistas. Sob pena de vermos nossa democracia vir abaixo. A advertência de Sócrates sempre será válida - Democracia para a aristocracia da virtude ou para que os melhores e mais excelentes tenham acesso ao poder. 

Caso não cuidemos do homem e de sua formação a democracia não nos salvará. Não nos enganemos, não nos iludamos. Melhor conhecer bem as limitações de nossa democracia para maneja-la com máxima habilidade. 

Estruturas não salvam ou salvarão a quem quer que seja, por terem de ser ocupadas por homens dignos. Em não havendo homens dignos tudo estará perdido.

12) E as 'cruzadas' ou expedições democráticas feitas pelos EUA?

Pura e simples continuação do espírito jabobino e revolucionário (Este espécie de ponte entre o primeiro modelo revolucionário, protestante, detectado por Sorel, e as revoluções contemporâneas.).

 Para nós é tal prática contraproducente. Posto que cada sociedade ou cultura deve fazer seu próprio caminho. Democracia é algo que deve partir de dentro da própria sociedade como que brotando da consciência e não algo a ser formalmente imposto por um poder externo. Alias nada mais contraditório e anti democrático que impor a democracia... O que chega a ser escandalosamente vergonhoso.

Impossível criar uma vida democrática onde não há espírito democrático. 

Alias a grande tragédia da modernidade já foi descrito por um acurado analista J M de Carvalho em termos de inversão. Na medida em que a criação das instituições e estruturas precedeu a formação do homem e a afirmação dos direitos. É isto criar umas casca ou crosta não conteúdo. 

Tanto pior quando nos EUA é o ideal democrático sordidamente usado com o objetivo de satisfazer necessidades econômicas, assim de pilhar ou parasitar outros países, o que já foi classificado como pirataria democrática. Nada mais comprometedor para o modelo democrático. Com suas agressões, ataques, invasões, etc os EUA, prestam imenso deserviço a vida e ao espírito democráticos.

13) As guerras?

São justas as guerras quando esforço de defesa contra um Estado ou uma Sociedade agressora.

Já as guerras agressivas ou de conquista são execráveis e deveriam ser rigorosamente proscritas e punidas por um tribunal internacional. 

Mesmo o emprego da violência racional e controlada por qualquer sociedade deve ser cuidadosamente ponderada de modo a se evitar possíveis excessos e abusos que porventura tornem ainda mais sofrida a condição do povo, posto que durante as situações de anomia parte dos indivíduos costumam a tirar proveito com o objetivo de praticar crimes, maldades, retaliações, vinganças, etc (Conferir D'Apchon 'O Irenophilo...' o que como disse acima deve ser evitado com máximo rigor.

O próprio Sorel reconheceu que a violência sempre pode sair do controle e o mais que fez foi conjecturar sobre um futuro incerto ou profetizar. De modo que o recurso a força ou a violência deve ser sempre o último a ser empregado, após terem sido esgotadas todas as outras possibilidades face a uma situação de injustiça e crueldade insuportável.  

Já disse, somos totalmente contra qualquer tipo de mística criada em torno da violência ou de qualquer entusiasmo face a seu emprego. É a violência semelhante a um veneno ou a uma droga que deva ser manipulada com todo cuidado e empregada meticulosamente.

14) Culturalismo?

Sem dúvida.

É a cultura que faz o homem pois o homem é prisioneiro da cultura. 

Uma visão realista de cultura considera tanto o poder da matéria ou da estrutura quanto a força do imaterial, do espírito ou das ideias. 

Julgo que tais estâncias sejam quase equivalentes. 

15) Quase...

Parece-me inquestionável  que a dimensão material exerça imensa influência sobre os seres humanos, cria possibilidades e firma condições. Parece alias que a maior parte dos seres humanos ou as massas ainda se movam apenas nesse nível.

Todavia, apesar disso, parece-me que as transformações, as rupturas, o progresso, o avanço, a mudança, a cultura, etc partam de um princípio dinâmico que é a mente, o pensamento, a criatividade, a racionalidade, a livre iniciativa... Assim ao imaterial, ideal ou espiritual, realidade que julgo ser mais forte e capaz de sobrepor-se a influência da materialidade; ao menos em alguns momentos. Momentos que correspondem as grandes transformações que marcam a História. Quando o meio oferece oportunidades ou condições é o ser humano que tira partido deles para supera-las e superar a si mesmo. 

16) Interacionismo...

Inclusive nos domínios da Educação por não ignorarmos o que é dado, e tampouco o fenômeno humano. Pois se admitimos portar um sistema operacional em termos de racionalidade e esquema de linguagem tampouco questionamos o papel do homem como sujeito do conhecimento. 


Continua -


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Por que 'Ela só pensa naquilo...' - O propósito de Damares Alves e da Continência...

Não me julgo fanático, exceto pela liberdade.

Compreendo assim que livremente assumida a continência sexual ou o celibato, representem valores dignos de respeito. Assim se alguém gerencia ou controla sua sexualidade sem tornar-se neurótico ou por ter um propósito/sentido mais elevado, quem sou eu para critica-lo? Nem posso deixar de encarar o que chamam de sexismo i é a super valorização da dimensão sexual como algo negativo. Quando afirmamos que a sexualidade não deve ser satanizada/negativizada mas encarada com naturalidade não queremos dizer com isto apresentar o sexo como supremo valor da vida humana ou a sexualidade como seu aspecto mais importante. Para nós a sexualidade, mesmo quando encarada com naturalidade, sempre será parte da vida, não a vida. Nós não assumimos a posição de um Marquês de Sade, deplora-mo-la, tanto quanto deploramos o maniqueísmo. Uma coisa é o corpo ser aceito, outra negado e outra idolatrado... fugimos aos extremos.

No entanto, enquanto parte, defendemos uma sexualidade livre e isenta de pre conceitos.

E quanto a continência ou ao gerenciamento da vida sexualidade, encara-mo-lo como possível valor apenas quando livremente assumido pelo sujeito a partir de suas conclusões, i é, apenas quando é significativo para ele e jamais como algo imposto por alguém ou mesmo pela sociedade.

Como fator formativo da personalidade humana a dimensão sexual da vida deve ser considerada com todo cuidado e certamente ser gerenciada pelo sujeito. Claro que no setor familiar da Sociedade serão oferecidos ou mesmo impostos certos tipos de conduta como desejáveis, isto a guiza de educação. Desde que não haja excessos, como a agressão, temos um fenômeno normal. Certamente que a partir daí podem resultar seríssimos problemas. Tal no entanto é o curso da vida, ao menos em seus primeiros passos. Agradeça a natureza ou a Providência aquele que teve a sorte de obter pais ou educadores amorosos, liberais e pacientes. Os demais só tem a chorar...

No entanto para além da infância e da adolescência, é normal e justo que o homem adulto, na posse de sua liberdade, reconsidere os princípios e valores recebidos, mormente quando lhe parecem já sufocantes, já tacanhos; e quando produziram em si determinados problemas ou patologias psíquicas, assim traumas, bloqueios, fobias... Pois tudo isto e muito mais pode produzir uma sexualidade artificial, reprimida ou excessivamente limitada. Então é justo que, apesar das ameaças dos padres arrogantes ou dos pastores imbecis, a pessoa se reavalie e reconstrua a si próprio, questionando a educação sexual que recebeu.

Normal que os pais controlem - até certo ponto e apenas com determinados meios - a sexualidade dos filhos e não trataremos mais disto. Parece um direito ou uma necessidade natural, mesmo quando sofra os mais terríveis abusos por parte de pais neuróticos.

Agora por que raios aspiram os padres e pastores (No tempo presente estes antes de todos)- Por vezes os reis, presidentes, generais e patrões... gerenciar a sexualidade alheia?

Já disse que sexo é poder e que o exercício da sexualidade implica relações de poder, mais talvez que de afeto... Controlar a dimensão sexual do outro é controlar o outro, é domina-lo, é dispor dele. Quando alguém dispõem do poder de uma Nefer Nefer de 'O egipcio' (Mika Waltari), de uma Dalila, de uma Lais, de uma Gruchenca... estebelece-se a relação senhor/servo, uma escravidão. A dependência afetivo/sexual pode ter a força de correntes e cadeias, advertem o padre e o pastor, partindo da fina psicologia do antigo testamento, cujo fundo talvez reconheça a grande força ou o grande poder da líbido sobre o sexo masculino. Não vou entrar aqui nos termos da relação Homem, Mulher e Líbido ou dependência -

Sucede porém que a mesma relação por assim dizer 'se reproduz' sempre que outrem, seja padre ou pastor, passa a direcionar a sexualidade alheia. Também aqui, por meio de uma continência ou de uma abstinência imposta (Na qual muitas vezes não se vê o mínimo sentido.) por uma autoridade externa, estabelece-se uma relação de dominação e poder, mesmo porque, quem admite ser guiado externamente quanto a própria sexualidade dificilmente estabelecerá limites ou fronteiras quanto a qualquer tipo de controle externo, concedendo em ser dirigido por completo i é quanto a todos os setores da vida. Uma pessoa dominada por outra quanto a todos os setores da vida, tendo abdicado de sua liberdade, converteu-se num boneco ou numa marionete.

Voluntariamente assumido por uma pessoa adulta a Continência ou o Celibato podem ser libertadores  e contribuir no sentido de constuir-se uma personalidade heroica, no pleno sentido da palavra. Já dissemos: Controlar, dominar ou gerenciar a concupiscência ou pulsão (Impulso) sexual, transferindo esta energia para outro setor qualquer da vida e escapando a neurose, é quase uma obra divina.

Abdicar artificialmente da sexualidade por imposição externa, além de ser a porta de entrada da neurose e da insanidade, pode estabelecer uma relação desigual de poder e assim dar vezo a um controle moral, econômico, social e político. Generais, técnicos de futebol, demagogos politiqueiros, patrões ambiciosos, etc sucedem cada vez mais ao charlatão ou déspota religioso, buscando impor a transferência de energia, e obter um time ou exército vitorioso ou uma maior produção de bens...

Felizmente patrões, técnicos, ideólogos, etc não dispõem do mesmo poder que os padres e pastores ou dos meios de um General. E o atleta, o proletário, o afiliado e mesmo o soldado (Fora da caserna) sempre poderão farrear e burlar ou mentir. Os líderes religiosos apenas podem possuir a alma e o coração do homem, mesmo quando o ameaçam com os míticos fogos do inferno... e é aqui que o controle obtém sucesso e se torna absoluto. Caso o lider decrete: Vocês, meus fiéis, transarão ou farão sexo assim e assado (Estabelecendo um roteiro ou receita em nome de Cristo), a situação esta decidida e aqueles que concordam sinceramente convertem-se em matéria plástica... como cera quente.

Nem se trata de chegar ao celibato ou a abstinência provisória absoluta. Basta que as formas sexuais sejam dadas ou definidas por outrem no sentido de permitido e não permitido. Admitido este tipo de moralidade temos o controle. Talvez por isto o Verbo Jesus praticamente não revindicou autoridade sobre a sexualidade humana ou apresentou seu Evangelho como um Kama Sutra, dum Deuteronômio ou de um Sahi (Hadith), recusando-se a fazer o jogo dos oportunistas e ambiciosos e confiando no poder da verdade. Quando leio o Evangelho, buscando mostras de controle sexual e falhando em encontra-lo, não poucas vezes consolida-se minha fé na Divindade deste Jesus que tem tão pouco em comum com os manipuladores de homens e demagogos.

Tornando ao tema em questão, depreende-se do quanto foi escrito e do fato segundo o qual, não possui a sociedade política sólidos e profundos conhecimentos psicológicos a respeito da personalidade humana, a ponto de, tal e como os pais e responsáveis, gerenciar a sexualidade alheia ou mesmo educa-la, impondo qualquer tipo de padrão comum ou coletivo. Os pais exercem tal gerenciamento por necessidade absoluta, dentro dos limites de seus lares. E cada lar assume um tipo de olhar, lei ou padrão distinto, não cabendo a sociedade ou ao poder político selecionar ou padrão ou julgar o tema. Mormente quando devem estes jovens obter a autonomia, fugindo inclusive a autoridade paternal. De modo algum poderia o Estado assumir este caráter paternal ou paternalista - a menos que o velho Filmer estivesse correto rsrsrsrsrs - apresentando-se como cuidador de um rebanho de adultos, aos quais pelo contrário convém dirigir todos os assuntos do Estado, desde que principiem por obter a autonomia que os caracteriza como pessoas humanas e não como vil rebanho de alimárias!

Alias a simples ideia implícita no projeto do Estado anti liberal brasileiro educar sexualmente os jovens, sugerindo-lhe modelos de conduta, já pressupõem a intenção de gerenciar e uniformizar e assim de dominar o futuro cidadão, convertendo-o em simples tutelado, impedindo-o de atingir a autonomia e consequentemente frustrando os ideais liberais e democráticos. É uma refinada e oculta forma de controle e opressão imposta por um governo híbrido ou amorfo, parte militarista e parte economicista liberal, inspirado nos modelos irracionais e sectários importados dos EUA.

O espectro do maniqueísmo estatólatra - Satanizando a dimensão sexual da vida...



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É necessário fechar as portas do totalitarismo... Tranca-las, trava-las com ferrolhos de aço, com os ferrolhos do liberalismo, não do econômico e dúbio é claro, mas, com os ferrolhos dos liberalismos saudáveis, do Liberalismo moral, do Liberalismo social e do Liberalismo Político, guardiões de nossa civilização, ou do que ainda resta dela.

Neste sentido toda e qualquer brecha ou fissura deve ser imediatamente denunciada e execrada, por mais inocente que pareça ser. Toda grade inundação ou avalanche começa com uma pequena rachadura ou com uma pequena pedrinha... a qual se vai abrindo, ou rolando, e tudo arrastando em seu percalço e semeando morte e destruição. Tudo no entanto começou com uma gotícula quase invisível ou com um pedacinho de cristal.

Como o menino da fábula há que se por o dedo no furo e ali ficar. Para salvar o dique ou a represa. Não podemos deixar de perceber o desprendimento da pedrinha, e de gritar - Alerta, alerta!!!

É sintomático e doentio que todas as atuais e indevidas intromissões do poder público ou do Estado nas vidas dos cidadãos e em nichos que devem ser regulados pela Liberdade pessoal (Como a moralidade) partam sempre daqueles que condenam as mesmas intromissões no campo divino ou sagrado da economia (Economicistas)... Aspiram estes senhores - demagogos ou fariseus - emancipar as atividades econômicas (Inclusive face a certas exigências ÉTICAS) as custas de outros setores da atividade humana, como a política, a moralidade, etc Até podemos avançar e declarar que boa parte dos liberais economicistas são, concomitantemente autoritários em política (E favoráveis a sistemas ditatoriais ou despóticos desde que canonizem suas opiniões econômicas), puritanos ou moralistas e não poucas vezes fanáticos e intolerantes em matéria de religião.

Engana-se redondamente aquele que faz dos liberalismos um embrulho ou pacote só. Pois as aspirações do Liberalismo econômico são totalitárias e absorventes. Já declaramos um bilhão de vezes - Há um terrível conflito entre os Liberalismos e o pivô é o liberalismo econômico - Prática falaciosa que aspira afirmar-se as custas dos demais liberalismos (essenciais) sacrificando-os.

Este conflito, facilmente negado - Pelos oportunistas do pacote - faz-se cada vez mais patente em todo nosso mundo ocidental, dos EUA ao Brasil, onde vemos os capitalistas unidos e associados não apenas a ditadores, déspotas, tiranos, militarizantes, autoritários e golpistas, mas também a massas e líderes religiosos fundamentalistas, cuja suprema aspiração é criar ou recriar estruturas repressoras e moralizantes nos moldes da Torá ou da Sharia e a partir delas dominar, oprimir e escravizar mentalmente os homens livres, privando-os de sua autonomia. Compreende-se que a religião, através da vida Ética, seja INDIRETAMENTE totalizante - nos princípios e valores éticos que afirma e propõem para seus seguidores. E nisto vemos um bem. Outra coisa é ser totalitária e aspirar servir-se do Estado com o sórdido objetivo de impor uma uniformidade moral, pautada em preconceitos absurdos. Monstruoso é o Estado, por meio dos falsos liberais (economicistas), que dele se apossaram por meio de uma estrutura democrática meramente formal, aproximarem-se deste setor obscurantista.

No passado acreditava-se que os liberalismos essenciais cairiam sob os golpes do Comunismo, do Fascismo ou do Nazismo... Ora percebemos que vacila sob os golpes do fundamentalismo religioso ou sectário (Sempre resistente ao éthos ou a orientação LIBERAL, essencial a vida democrática e fundamento seu), cada vez mais alimentado e apoiado pelos economicistas traidores do liberalismo, os quais querem um Estado mínimo ou policial apenas em termos econômicos ou de propriedade. Desde que possam 'Comprar e vender' - O termo pejorativo é de Confúcio - pouco se lhes dá que as massas ou o povo como um todo seja entregue como rebanho ou gado nas garras dos líderes religiosos sem consciência... Pouco se lhes dá que a Torá ou o Corão prevaleçam política e socialmente desde que se mantenham ricos ou em posse do poder.

A suprema ameaça enfrentada pelos liberalismos essenciais e por toda civilização ou seu projeto é esta sútil aliança entre o banqueiro, o deputado/presidente e o pastor, i é entre o poder econômico (Em posse do político ou no controle) e esta fermentação sectária que demanda por uma estrutura teocrática e, consequentemente, por uma sharia ou inquisição destinada a eliminar os dissidentes e a extinguir as diferenças, até uniformizar moralmente o homem, convertido já em escravo...

O objetivo agora - Pasme cidadão!!! - é queimar dinheiro público favorecendo um determinado ideal - Particular, jamais público! - de éthos sexual: A abstinência ou melhor a continência. Nada de novo debaixo do sol... Parte considerável da igreja romana sempre foi favorável a tal tipo de solução, mas, apenas uma parte ainda menor ou mínima, arvorou-se em dirigir os governos anteriores, tendo em vista esta finalidade. Em geral a igreja romana - fazendo uso de um direito que é seu - limitava-se a orientar seus fiéis quanto a esfera da vida pessoal. O que ora assistimos, trinta ou vinte anos depois, é a atitude concreta de apossar-se do poder público e de volta-lo para uma finalidade que a própria igreja romana, há mais de trinta ou quarenta anos, reconheceu como pessoal. É algo voltado para os partidários de tal e tal agremiação religiosa, não para os cidadãos como um todo. Uma vez que as concepções e valores sexuais são distintos e todos merecem - do ponto de vista social - a mesma tolerância.

Se não cabe a esfera da religião impor tais valores e tais práticas no contesto de uma Sociedade pluralista, menos ainda ao Estado pode caber tais aspirações!!! Não cabe a uma dada seita ou grupo religioso julgar uma sociedade política pluralista. Como não cabe ao poder político faze-lo, arvorando-se em juiz de moralidades distintas. Foi o governo constituído para velar pelo bem comum ou pela dimensão do comum, assim pelos imperativos da ÉTICA, pela interação e conduta social, etc não para interferir na dimensão privada das vidas de seus cidadãos. Sem que disto deixe de resultar a mesma confusão entre o público e o privado que alimentou - A não muito tempo - a prática anti liberal e anti democrática da censura e pouco antes dela as inquisições e autos de fé.

Penso e julgo que os cidadãos livres deveriam fazer algo de concreto face a tal abuso. Pleiteando junto aos meios jurídicos, últimos guardiães dos princípios e valores liberais... O que a cidadã Damares esta planejando nada é além de mais uma investida - A última foi contra a agremiação artística Porta dos fundos - urdida pelos fundamentalistas e fanáticos religiosos (Em geral bíblicos, calvinistas e pentecostais - Sempre com o apoio e imbecis úteis pertencentes as igrejas Ortodoxa e romana.). São eles os principais promotores desta nova Cruzada puritana ou moralizante bem a gosto dos E U A.

Aprovado esse tido de campanha não tardarão os moralizantes (Exportados pelo Sul dos E U A) a
avançar e ditar 'regras' a fala, ao vestuário, ao cardápio, etc até chegarmos ao modelo da Genebra de Calvino, o qual sempre pretenderam impor a sua pátria de origem - Sem que jamais obtivessem completo sucesso. Admitida uma intervenção esses urubus jamais recuarão, pararão ou se darão por satisfeitos. Até lançarem toda Torá pela guela desta infeliz república, convertendo-a em Califado bíblico protestante. Começarão, a princípio, idealizando outras tantas campanhas com o dinheiro público - Isto com o objetivo de criar entre nós (Ou de consolidar) uma consciência puritana ou moralista tanto mais agressiva. Serão campanha contra o Palavrão, a Masturbação, a Homo afetividade, as roupas curtas ou imorais, determinadas músicas ou danças até chegarem a abstinência de álcool, exatamente como nos E U A...  Em seguida eles tentarão impor tais costumes ou pontos de vista e opiniões por meio da lei.

Consiste isto em utilizar do erário com o objetivo de construir ou alimentar determinada consciência IDEOLÓGICA. Levado a cabo, hipocritamente, por um governo que se diz descomprometido ou não ideológico, apenas por não ser comunista rsrsrsrsrs Como se fosse o Comunismo a única Ideologia da face da terra... Enquanto o governo fiscaliza ou finge fiscalizar, arbitrariamente, uma única janela, entram ideologias muito piores (Inspiradas no Sagrado!!!) pela porta escancarada de um Estado muito pouco liberal.

Foi um ministro do STF que recentemente proferiu esta alocução imortal (Se bem que constante num autor como John Gray - Apud Anatomia): Estamos assistindo a uma manobra maligna, a construção de um Estado democrático não liberal ou anti liberal. Noutras palavras: Ao invés de avançar e construir uma democracia cada vez mais real e proativa como na Antiga Grécia, estamos implementando aquele modelo defeituoso de Rousseau (apud Nisbet), apenas uma casca ou carcaça de democracia, uma mera estrutura externa (Sem vida) ou formalismo. Um tipo de democracia como este, destinado a impor a vontade de algum grupo majoritário e a extinguir a liberdade não é democracia, apenas tirania exercida pela maioria, e em detrimento de direitos fundamentais.

Num momento crucial como este só me pode ocorrer e vir a mente uma figura.

A figura exponencial de um J S Mill. Espectro hoje - Para quem tem a felicidade de conhecer - mais ameaçador do que o de um Marx ou o de um Proudhon, quando penso Mill, penso Freud, Malthus, Peter Singer, Marcuse, Nearing... E alguns outros rebeldes seletos. Imaginem só, face a mística irresponsável e destrutiva de um capitalismo - C ujas aspirações parecem ser infinitas o valor de um conceito tão racional quanto "Economia estacionária". Foi cunhado por J S Mill há século e meio. No entanto Mill soube ir além e levar seus princípios as derradeiras consequências. Por isso Gray (Opus cit.) ousou declarar que ele aceitaria com absoluta naturalidade tanto a prática da Eutanásia quanto a da Homoafetividade como decorrências lógicas e necessárias de sua doutrina sobre a liberdade, alias, a que tem dado suporte a nossa cultura democrática e vivificado nossas instituições marcadas por guerras fratricidas, pogrons, golpes, censuras e inquisições.

A figura soturna e patética da Sra Damares oponho este colosso do pensamento humano chamado J S Mill. Isto numa Era preocupante, em que as massas tupiniquins principiam confundir Mill ou Ellul com Marx, liberalismo político ou policracia com Comunismo (rsrsrsrs). Alias para eles tudo é comunismo é os pastores ineptos só avançam graças ao espantalho do Comunismo, o qual falseiam e distorcem, apenas para apresentarem-se como nossos defensores...



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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Hipocrisia - O PECADO ESSENCIAL...

Já registrei no artigo anterior - Os Católicos Ortodoxos ou os apostólicos romanos, cujos ancestrais perseguidos, através dos apologistas (Como Melitão, Justino, Tertuliano, Miltiades, Apolinário, etc) revindicaram para si mesmos o direito de escarnecer do paganismo antigo, que era a crença majoritária dos gregos e romanos, mostram-se oportunistas, desonestos, anti éticos, etc no momento em que recusam-se a reconhecer que os neo pagãos, ateus, materialistas e incrédulos fazem jus ao mesmo direito, enfim a liberdade, a liberdade de criticar o que a seu ver carece de sentido.

Colocar-se o Cristão acima do incrédulo ou do pagão, ao menos do ponto de vista do Evangelho, da Tradição e do Catolicismo é pura arrogância. Pois é glória do Catolicismo ou da Ortodoxia, reconhecer a universalidade da condição humana, estendendo suas prerrogativas, na forma de direitos, a todos os mortais. Os sectários aspiram fazer da liberdade monopólio seu. Não os Ortodoxos fiéis a tradição, posto que Jesus Cristo jamais divulgou tais ensinamentos, e jamais buscou constranger externamente qualquer pessoa, obrigando-a a crer. Tampouco recorreu ao aparelho estatal ou a César com o objetivo de silenciar seus oponentes, optando pela via da refutação. Assim seus adoradores e servos, os quais sabem estar César separado de Deus e Deus separado de César. Como sabem ser ilícito decidir pelo outro, o que não passa de mais uma forma de dominação.

É assim, dever dos Cristãos Católicos e Ortodoxos - também dos papistas e anglo católicos (Uma vez que buscam raízes na Tradição) colocarem-se no lugar do outro e permitir que sua fé seja criticada ou mesmo ridicularizada - Por aqueles que julgam estar ela errada - se pretendem criticar sobriamente os erros alheios. Pois buscando calar o outro poderão vir a beber do próprio veneno e ser eles mesmos calados, quando não torturados e mortos, por seus oponentes. Eis porque o regime de direitos afirmado pela democracia - apesar de seus imperfeições - é o menos danoso.

Ademais esses Católicos que apreciam falar grosso com minorias de ateus, materialistas e incrédulos, são os mesmos que costumam falar mansinho com os fanáticos que invadem seus templos e despedaçam suas imagens, classificam a eucaristia como pão vulgar, apresentam a Virgem como mulher ordinária, os santos como ídolos pagãos e todo nosso culto como politeísta e supersticioso. A todo momento estão os fundamentalistas protestantes e sectários escarnecendo a fé professada por nossos ancestrais, não menos que do Candomblé e da Umbanda... Do ponto de vista Católico Ortodoxo ou mesmo romanista todo protestante é um blasfemador, sacrílego, irreverente, etc Então por que os neo romanos ou os Ortodoxos hipócritas não recorrem as leis com o objetivo de reprimir ou conter a sanha dos pastores??? Mas onde chegamos: Os ortodoxos de palha ou romanistas sem consciência se associam a blasfemadores (que dizem ter fé) com o objetivo de denunciar blasfemadores (os quais estão escusados por não professarem a fé)... Onde está a coerência??? Ao menos não é o grupo do Gregório Duvivier que invade igrejas para estilhaçar imagens...

De fato os ortodoxos e palha e neo papistas converteram-se uns e outros em agentes ou imbecis úteis do fundamentalismo protestante (este sim essencialmente anti Católico e anti Cristão - Mil vezes mais que o Comunismo ou o Anarquismo). Salve-nos o Duque de Guize! Este bem sabia que era oposição interna e essencial... Triste ver esses rebotalhos de cristão assumindo causas inglórias, que não são nossas e não nos pertencem; assim o criacioburrismo, o puritanismo, a inspiração plenária, os mitos do AT, o capitalismo {!!!}... Trindade, Eucaristia, Virgindade perpétua de Maria, comunhão dos Santos, imagens, etc Tudo isto passou a segundo plano e podemos dizer que os neo Cristãos perderam a consciência, o sentido, a piedade, a cabeça. Vivemos num tempo em que a apostasia dirige seus olhares a blasfêmia. No entanto nossos bons ancestrais sabiam que negar a virgindade perpétua de Maria ou a presença do Senhor no Sacramento não é menos blasfemo ou irreverente do que qualquer pantomima da Porta dos fundos. Alias se a porta chegou até aqui não foi senão graças ao Protestantismo. Afinal por que não pode ela tecer críticas destemperadas a Jesus senão porque eles, os protestantes, antes puderam referir-se nos mesmos termos a Virgem Santa, ao Sacramento ou aos Santos???

As mesmas raízes e tradições que obrigam-nos a tolerar civilmente os protestantes. Obrigam-nos a tolerar a porta dos fundos, Monty Phyton ou quaisquer outros espetáculos irreverentes. A menos que os protestantes gozem de privilégios, devido a covardia dos neo Cristãos, ortodoxos e romanistas.

Que os Católicos portanto tenham vergonha na cara e abstendo-se de tomar parte nessas manobras com que o protestantismo busca consolidar seu poder teocrático. Porque neste poder que abate igrejas e terreiros está a verdadeira ameaça. Na medida em que antecipa entre nós as ações dos jihadistas no Oriente. Todo este mal deve ser cortado pela raiz, e todos devem se obrigados a respeitar-se mutuamente, NO QUE DIZ RESPEITO AS VIDAS, BENS E AÇÕES... Mas sequer criamos leis rigorosas contra os que invadem e depredam templos de outras religiões ou contra os jihadistas...

Chegados ao protestantismo e a esse conglomerado de seitas que ora levanta-se contra a Porta dos fundos, temos, até onde sabemos, de aplaudir o pudor, a coerência e a lealdade dos que abstiveram-se de recorrer aos Estado - Os papistas manipulados, fazem o trabalho sujo para os pastores ambiciosos. Somente quem sabe que seja Livre exame percebe a monstruosidade de qualquer seita ou pregador bíblico recorrer ao Estado (Com o intuíto de canonizar ou impor sua opinião individual)... É o protestantismo, desde seu berço, o império da subjetividade, da individualidade, da escolha e da variação. E é seu padrão uma autoridade que deriva da análise ou leitura subjetiva. Por isso não pode ele alcançar a uniformidade sem trair a si mesmo e substituir o Livre exame pelo princípio Ortodoxo e Católico da autoridade externa.

Recorrendo a autoridade contra quaisquer dissidentes - Leitores ou estudantes da Bíblia - o protestantismo suicida-se. Recorrendo a autoridade secular com o objetivo de impor-se, sepulta-se e apodrece...

Portanto se o pastor X julga-se no direito de escarnecer do que os umbandistas ou candomblecistas julgam divino, e o profeta N de comparar a senhora aparecida a um frasco de coca cola, que direito tem eles de melindrar-se quando o Gregório Duvivier escarnece do Cristo??? Em que é essa gente, que ridiculariza a Ortodoxia, o papismo, o kardecismo, a umbanda, etc superior aos outros??? Se escarnecem com arrogância porque não podem, também eles, experimentar o escárnio e sofrer o mesmo que causam aos outros? É muito simples: Quem não quer ver sua fé escarnecida que ao menos tenha o bom senso de não escarnecer da alheia. Uai - Querem o respeito da Porta dos fundos??? Comecem respeitando as crenças dos papistas, umbandistas, espíritas, hindus, etc Com que direito alegam que a Porta não tem o direito de brincar com o que é sagrado para eles uma vez que não cessam de brincar com o que é sagrado para os outros??? Toda Lei unilateral é essencialmente opressora. Por isso temos de reconhecer o mesmo direito a todos. E se desejamos brincar com alguma superstição ou fé, não nos incomodemos com a Porta.

Tampouco concebamos que o Cristo se incomoda ou que é abalado por ela. A ponto de perder as estribeiras ou de ficar encolerizado, a exemplo de minha vizinha quando é chamada de namoradeira, o de minha tia, quando chamada de bruxa fofoqueira. Irritam-se elas enquanto criaturas limitadas. Deus porém... Longe de nós supor - como disseram nossos Lactâncio e Arnóbio) que aquele no qual subsiste a eternidade, fique irritado como um mortal qualquer.

Por outro lado, fosse Deus mesquinho e sujeito a perturbações - como a cólera - não lhe faltariam meios para punir seus críticos. Afinal se o escritor mais antigo e ingênuo fazia o nume dos judeus depender do braço de Moisés ou de generais e armas com que castigar os ímpios, blasfemadores e sacrílegos; o escritor mais recente e judicioso recorria já a terremotos, maremotos, secas, pestes, furacões, raios, etc como formas de punição... questionando que dependesse o Deus Todo Poderoso dos insignificantes mortais para preservar sua dignidade. Nada de mais justo. Afinal por que precisaria Deus ser defendido por suas criaturas ao invés de exercer ele mesmo a vingança e punir seus inimigos, os blasfemadores??? Que poderia ser comparado, como demonstração de poder, ao raio que parte e tritura? Nada mais blasfemo do que essas sharias e inquisições ou poderes que visam proteger ou vingar o Sagrado, uma vez que não lhe falta poder, assim os velhos raios??? Por que não entregar as punições e castigos nas mãos do Juiz que tudo vê e sabe? Antecipando seus juízes por meio de decretos falíveis. Posto esta que castigar em nome de Deus é ceticismo e em lugar dele usurpação. E ninguém é mais blasfemo do que aquele que entrega a verdade a proteção do poder secular, do qual o Numinoso não precisa.

Além disto os cristãos carnais dizem crer que se vingará Deus e punirá seus inimigos no dia do juízo final ou mesmo do juízo particular (os Latinos e protestantes). E com castigos que declaram ser perpétuos e sem fim {Nós cremos apenas em castigos educativos, medicinais, provisórios e finitos). Destarte, se punirá Deus os seus supostos inimigos no além túmulo, que sentido faz, o homem falível, antecipar tais castigos??? Por isso está decretado que o trigo e o joio cresçam lado a lado até o último dia. E não pode o Estado ou a Sociedade restringir as liberdades ou antecipar castigos sem usurpar o lugar do Supremo Juiz. Não há, com efeito, maior blasfêmia ou sacrilégio do que este estado teocrático, que ousa fazer-se Deus. Aqui a suprema idolatria!!! César é César e Deus é Deus, sem que se misturem, associem ou confundam.

É o que por ora temos a dizer sobre esta perigosa linha de pensamento que pretende restringir não o que a Porta possa apresentar mas o que os cidadãos possam assistir, uma vez que não são eles crianças pequeninas, incapazes ou tutelados, mas homens livres em posse de um aparato racional.

domingo, 12 de janeiro de 2020

A porta da frente da inquisição ou da sharia.

 Gregório Duvivier e Fábio Porchat no 'Especial de Natal Porta dos Fundos: A primeira tentação de cristo' Foto: Divulgação




Em diversas publicações e miríade de autores, dou com a informação de que 'no passado não muito distante 'eram os homens proibidos de tecer a mais leve crítica a religião vigente. Os que ousavam, eram, não poucas vezes condenados a morte e antes de morrer torturados com requintes de sadismo (Os blasfemadores por exemplo, tinham suas línguas perfuradas por pregos ou alfinetes, quando não arrancadas). Tudo em nome do BOM DEUS... E imagine só se NÃO fosse bom...

Eis o que lemos nos livros de História... E posso responder 'Uma ova'. NÃO porque não tenha acontecido até a vulgaridade, mas justamente porque ainda acontece em grande parte do mundo por nós habitado.

Assim onde impera a sharia e o fundamentalismo sunita/hambalita/wahabita/salafita - perdoem o monstro conceitual - se você ousar tecer críticas ao Corão ou negar a missão sagrada de Maomé, dizendo ser ele um homem comum, seu destino será o apedrejamento ou a forca, conforme a receita do ISIS...

Aqui no Oeste decadente há quem sinta saudades de semelhante regime e sonhe com fogueiras ou barrotes....

Aspirando punir meras palavras ou opiniões - que a DEUS certamente não atingem - hoje com o silêncio forçado, amanhã com fogueiras, uma vez que não as podem reascender da noite para o dia...

Cristão, Católico e Ortodoxo 'um tanto conhecido' ou famigerado, vanglorio-me de ter composto umas boas defesas da fé, da metafísica, da credibilidade dos Evangelhos, dos motivos e fundamentos da fé, etc Por isso deploro que a Excelsa Trindade ou o Verbo encarnado tenham de sofrer injustos ataques por parte dos que não professam nossa fé. Aos que sinceramente creem e amam é certamente doloroso ver o que se ama ridicularizado. Não que seja Deus atingido. OS ATINGIDOS SOMOS NÓS...

E no entanto conhecemos muito bem os Cristãos, em especial os sectários e fanáticos que ditam moda aos tempos... Então parece que há coisa muito mais séria que a porta dos fundos... E a justiça começa sempre em casa. "Por causa de vós o nome é blasfemado!". Palavras sábias e prudentes, escritas NÃO por mim...

Cristão com espírito judaico ou islamizado. Trocando palavras por vidas... apenas porque seus delicados ouvidos sentem se feridos. Mas... ao contrário do BOM Samaritano, nosso cristão devoto - fazendo companhia ao sacerdote e ao levita- passa a largo do irmão, do pobre, que vê largado a beira do caminho... E pau na porta dos fundos! Acaso não é isso querer soprar o cisco da vista alheia tendo um poste na própria??? Então se a porta dos fundos responder e perguntar pelo essencial: AMOR, JUSTIÇA, MISERICÓRDIA, PAZ, COERÊNCIA... Como não dar razão a porta dos fundos e merecer o título de fariseu hipócrita.

Direi mais é irei além!

Cristo, se algo o abala, deve sentir-se bem menos abalado ao ser apresentado como homossexual, prostituto ou bêbado do que ver seus adoradores e servos associando seu augusto nome a uma das mais degradantes formas de idolatria conhecidas: A avareza, o culto de Mamon, o capitalismo! Apenas porque SEU FILHOTINHO, o comunismo, esta errado. Desde os dias do falso profeta Calvino vocês tem professado esse binarismo maligno ou falso dilema e se nosso Deus e redentor fosse pintado pela Porta dos fundos como um empresário vitoriano bem sucedido ou como um Scroge, definido por S Ambrósio ou S Basílio como bandido (entre nós homem de bem!) todos assistiram e aplaudiriam encantados.

TIVESSE o Jesus da Porta três mil funcionários miseráveis, sem direitos e vivendo de salário. Como a família Raferty, descrita no Vale da decisão vocês nada veriam de estranho. E acharam cristianissimo o quadro das mães esqueléticas e crianças ranhentas chorando por uma côdea de pão velho... enquanto nosso Jesus empreendedor estaria badalando em Paris ou NY... Seria um fracasso porque vocês não ririam e jamais compreenderam o verdadeiro sentido de blasfêmia ou sacrilégio. Por que a mentalidade de vocês nada tem de Evangélica mas de farisaica.

É o eterno coar mosquitos...

Vocês só se interessam pelo que as pessoas comem, bebem, vestem ou fazem em matéria de sexualidade, mas desprezam a vida e a dignidade do próximo, que é um filho de Deus batizado... E nem mesmo diante de cenas pintadas por um Dostoievski, por um Dickens ou por um Gorki vocês se comovem e fazem penitência. Lavam o exterior dos vasos e poluem o conteúdo, quando não o destroem. E não a pingo de consciência Cristã nesse puritanismo afetado. Deseja Cristo empatia e não esse moralismo insensível, digno do espírito das trevas.

Vocês com a mesma língua viperina louvam Jesus e no instante seguinte sancionam a agressão, o julgamento, a arrogância, o morticínio, o ódio gratuito... Tudo quanto ele anatematizou! Além de apoiarem decididamente a opressão, a injustiça e descuidarem da vida! Nada mais ímpio do que essa anti ética, fundamentada na avareza e no egoísmo. APENAS ALMAS ESPIRITUALMENTE OCAS OU VAZIAS PRECISAM JUNTAR BENS MATERIAIS ATÉ O INFINITO...

Isto quanto a ética, que vocês subverteram.

E quanto a fé???

Se o muçulmano facilmente tomará a Evolução das espécies como heresia, sacrilégio e blasfêmia, a honestidade nos constrange a reconhecer que nossos Ortodoxos não se sairiam melhor associando a Trindade Excelsa, a Encarnação do Verbo e aos Sacramentos frioleiras tais como 14 mil (rsrsrs) Santos inocentes ou as 11 mil (kkkkkkkk) companheiras de S Úrsula, e mais ícones que vertem mel ou sangue, que choram, etc Os neo papistas canonizado todos os delírios dos pastorinhos, da irmã Faustina, do Pé Gobbi, de Jacarei... igualariam todas essas aberrações ao Evangelho e se mataria uns aos outros, acusando os que não creem ou os mais cautelosos de heresia...

Então se você ousasse criticar algumas dessas lendas toscas sobre os Santos e supostos milagres ou falsas revelações, seria forçado por lei a calar-se do que resultaria o triunfo, não dá fé esclarecida e sóbria, que honra Jesus Cristo, e sim da credulidade e da superstição.

Afinal qualquer grupinho de fanáticos sente-se melindroso ao ser criticado. A divina Revelação porém não tem o que temer e tampouco pode ser atingida por qualquer crítica. É portanto benéfico a comunicação da verdade que todos possam ser criticados ou mesmo expostos ao ridículo por seus oponentes. Exatamente por isto o Cristianismo nascente sempre reivindicou o direito de criticar ou mesmo de escarnecer certos aspectos do paganismo antigo. E não podemos ser dúplice ou hipócritas - Tal direito estende se a todos, inclusive a nossos adversários e não podemos reivindicar a liberdade apenas para nós, como se monopólio fosse.

Ou imitaremos os antigos pagãos, com os judeus e maometanos???

Por isso a todos os homens, concordem ou não conosco, atribuímos o exercício da liberdade, a liberdade de pensamento e de expressão. Sem quaisquer limites ou pretensão de domínio.

Imagine agora então se o cristianismo protestante dá de canonizado politicamente  bíblia inteira ou todo velho testamento, pondo Moisés na carcunda de Jesus??? Alegando que é sacrilégio, é portanto ilegal, tirar sarro da mulher costela, do tal dilúvio cobrindo os Himalaias, da burra falante, etc POIS É EXATAMENTE AQUI QUE OS PROTESTANTES QUEREM CHEGAR - TORNANDO SEU LIVRO INVULNERÁVEL OU INATINGÍVEL POR LEI.

E isto teria consequências infinitamente mais catastróficas do que as bobagens ou tolices da Porta dos fundos.

Num prazo bastante curto a nova Genebra de Calvino - com que vivem a sonhar nossos pastores fanáticos - deveria lugar a sharia dos sunitas e ao fim de nossa sociedade tão precariamente civilizada. Toda e qualquer ordem repressora ou inquisitorial seria a porta da frente do salafismo. Por isso a liberdade - mesmo quando redunde em injustiças- é nossa suprema garantia.

POR ISSO COMO CRISTÃO DEVOTO, CONSCIENTE E MILITANTE aplauso de pé a decisão do STF, que consolidando os fundamentos da democracia, garantiu os direitos da Porta dos fundos e dos que desejam assistir o que ela tem a oferecer-lhe. Ninguém está sendo obrigado a assistir, como ninguém ou estância alguma, tem o direito de decidir por outrem. QUEM NÃO QUISER ASSISTIR NÃO ASSISTA - DESLIGUE A TV E PRONTO.... OU FILIE-SE AO ISIS E VÁ PRA MEDINA, MECA, BAGDA, DAMASCO...

Pois o grande perigo não é a porta dos fundos ou suas piadas mas o sectarismo intolerante dos nossos cristãos 'bíblicos', o fundamentalismo islâmico, as inquisicoes, a sharia, a teocracia... Tais os espectros arrepiantes que assombrarão nosso futuro.

O mais - Nossos grandes pecados: avareza, injustiça, egoísmo, insensibilidade, arrogância, hipocrisia, etc - já conhecemos muito bem.

sábado, 17 de novembro de 2018

A passagem do estado social para o político

Desde que os dominicanos e jesuítas levantaram a questão sobre qual fosse a condição natural dos seres humanos, antes que fossem levados a criar a vida política inúmeras respostas tem sido fornecidas sendo a mais conhecida ou clássica a do contratualismo divulgada pelo pensador suíço J J Rousseau em meados do século décimo oitavo.

A bem da verdade Rousseau, ao contrário dos estoicos e de parte dos humanistas jamais chegou a conceber o homem como uma criatura isolada ou como um ser vagante que em determinado dia optou por associar-se a outros homens formulando um contrato social. O termo é inexato ou enganoso. Rousseau admite que o homem surge já como animal social e portanto que não cria a sociedade por meio de um contrato. Sabe ele no entanto que a convivência produz conflitos, o que o faz avaliar negativamente este convívio social. Socialmente o homem não tem paz e sossego, por isso estabelece um contrato que limita as liberdades individuais e estabelece uma Sociedade Política com senhores, súditos e leis positivas.

É a formulação que ele dá ao contratualismo em 1762 posto que Grotius, Hobbes e Locke já haviam divulgado a tese.

Antes deles os jesuítas empregavam terminologia distinta com que exprimir um conceito similar pois postulavam um 'assentimento geral'.

O problema diz respeito justamente ao que existia antes ou sobre como os homens viviam em estado de sociedade natural.

E não é difícil imaginar que viviam em pequenas comunidades familiares as quais chamamos clãs. A autoridade aqui era biológica ou exercida pelo Pai e/ou pelos familiares mais velhos num contesto familiar, quiçá recorrendo a costumes e tradições. Também não podemos excluir, a priori, algum tipo de autoridade procedente da religião... a qual era certamente arbitrária ou oportunista. Certo é que não havia qualquer instância política em termos de uma autoridade natural que não fosse biológico/paterna ou episodicamente religiosa.

Via de regra eram tais comunidades pequenas porquanto nômades, ao menos até o advento da agricultura. Não tinham a preocupação de transformar o ambiente ou sequer meios para tanto e por isso acompanhavam o movimento da comida ou melhor da caça. E conforme a seca, as chuvas ou as estações se iam transferindo de um lugar para outro.

Desde que a agricultura é inventada tais comunidades estabelecem-se e certamente aumentam de tamanho. Surgem o que poderíamos chamar de aldeias, mas se mantém a estrutura biológico/familiar, a qual inclusive torna-se matriarcal e assume formas sui generis.

Agora qual a condição destes homens?

Desde Suarez, passando por Grotius, Locke, etc muito se tem falado na fruição da liberdade ou da autonomia deste homem primitivo e portanto de sua satisfação. Se bem que Hobbes e Rousseau tenha mencionado o atrito, o conflito, o choque, etc quiçá exagerando um pouco, no caso de Hobbes. Pois já estas sociedades matriarcais e agrícolas não eram caçadoras e guerreiras como as do passado distante. Claro que ainda haviam sociedades nômades, caçadoras, guerreiras e patriarcais espalhadas pelo mundo afora, 'causando' como se diz atualmente...

No entanto a vida política num contesto urbano mais largo, surgirá, é claro em culturas de larga tradição agrícola, sedentária e quiçá matriarcal e nem poderia ter sido diferente.

Então é sobre este homem inserido nas pequenas comunidades agrícolas tradicionais que nos perguntamos. E sobre sua vida, suas condições...

Obtendo quase sempre uma resposta em torno de liberdade.

Esta visão das culturas primitivas ou de tradição familiar é totalmente equivocada. Duas coisas atormentavam aqueles homens - Primeiramente um universo religioso caótico e arbitrário dominado pelo Tabu. O qual é magnificamente descrito por S Freud em Totem e tabu. Outra questão a ser considerada é posta por Nisbet quando declara que as comunidades familiares eram sufocantes, ao menos para os membros mais jovens, devido ao controle das tradições. Havia tabus religiosos e tradições familiares a serem observados. Não era um clima de idílico de liberdade.

Que teria alterado tais condições?

Natural que a fertilidade de certas regiões próximas as margens e deltas dos grandes rios tenham passado a concentrar uma população cada vez maior, somando clãs, aldeias, vilas e criado as primeiras unidades urbanas.

Suponho, e é apenas para dar uma pincelada de romantismo... Que não poucos jovens tenham deixado suas comunidades de origem ou fugido e buscado instalar-se em tais sítios.

Num determinado momento alguém ou alguns tiveram uma percepção altamente revolucionária, isto a nível de ideia e de técnica.

Caso as pessoas se aproximassem umas das outras e trabalhassem juntas podiam transformar o meio numa escala bem maior e assim de aumentar a produção agrícola, alcançando algo além da mera subsistência i é juntando excedentes. Claro que excedentes de alimento, aquele tempo, significava o que para nós dignificam petro dólares ou coisa parecida.

A simples ideia de transformar o meio numa tal escala e de obter suprimentos em abundância foi o que serviu para aglutinar aquela gente toda.

E é exatamente aqui que entram Hobbes, Rousseau e a Política ou o surgimento das primeiras sociedades políticas num ambiente urbano.

Pois esta ampliação do convívio não podia deixar de produzir ou de potencializar o que chamamos de conflito. Assim, o sentido das primeiras sociedades políticas foi gerenciar situações de conflito, agressão, violência... impedindo que se generalizassem e assumissem as proporções pintadas por Hobbes. Provavelmente jamais atingiram, justamente porque nossos ancestrais, prevendo o que poderia acontecer constituíram a Sociedade política, mais para evitar o conflito generalizado do que para soluciona-lo.

Foi apenas neste momento que HOMENS QUE SEMPRE VIVERAM EM SOCIEDADE - e jamais isoladamente - por meio do mútuo assentimento estabeleceram um contrato, a partir do qual abriam mão da autonomia individual para passar a viver sob a tutela da Lei ou seja de um regulamento comum. Já se congregavam em assembleias familiares ou tribais há centenas de milhares de anos... pelo que foram capazes de estabelecer uma assembleia urbana e de acordar.

Assumiu este primeiro Estado político uma forma monárquica constituindo um soberano ao qual delegaram poder?

Difícil responder a esta pergunta.

A antiga figura do decano familiar, o prestígio do sacerdote e a necessidade de especialistas que coordenassem os trabalhos de drenagem e irrigação... Tudo faz supor a quase que imediata afirmação do rei. O qual no entanto - A menos que sua origem tenha sido e onde tenha sido, religiosa - deve ter exercido suas funções juntamente com a sucessora da assembleia tribal e predecessora das cortes e parlamentos. Ademais nem poderia este poder político emergente, deslocar por completo a velha sociedade biológico/familiar, a qual veio apenas a sobrepor-se.

Enfim, dado que nossos ancestrais tenham delegado poder a reis, é extremamente duvidoso que estes - salvo num contexto religioso determinado - tenham açambarcado o poder todo, por completo, fazendo-se absolutos. A menos que afirmado a partir da religião e escorado no poder das divindades, o processo porque surgiram as primeiras monarquias absolutas deve ter sido bastante lento. Assim quando o Egito é unificado por Narmer as cidades existiam já há dois ou três mil anos e o mesmo se pode dizer da Suméria, onde até Sargão e Naram Sin, não gozaram os reis de um poder divino ou mesmo absoluto.

Quanto ao mais, lamentavelmente, nada podemos saber a respeito desses reis, líderes ou chefes primitivos. Mas eu adoraria saber se podiam ou não ser depostos pela comunidade, ao menos em alguns casos... No Egito antigo, mesmo depois de se terem convertidos em deuses vivos ou em filhos do Sol podiam os faraós serem depostos desde que não cumprissem com sua parte no 'contrato' ou seja mantendo a ordem do mundo, assim as cheias e as estações... Desde que este controle não funcionasse bem, sucedendo-se cheias, secas ou calamidades ao menos os senhores feudais - Senão elementos do próprio povo - chegavam a rebelar-se (Nos três períodos intermediários) questionando o poder e a legitimidade do Faraó reinante... E isto pode apontar para tradições mais antigas e consistentes em termos de questionamento da autoridade.

Eis o quanto temos a registrar sobre tão interessante tema.