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domingo, 14 de setembro de 2025

O papel do Cristianismo Tradicional... II - Nossa negativa em servir o reino do dinheiro e o fim da '"Opção preferencial pelos ricos" no Evangelho...

E deixo já bem claro que os cristãos tradicionais vão na direção oposta: Certa margem de liberdade nos campos político (Constitucionalismo, democracia, policracia...) e pessoal e prudente controle no âmbito das atividades econômicas por parte do Estado, tendo em vista impedir que o poder econômico exerça a primazia no corpo social.


Ainda que indiretamente (Pois somos contrários a teocracia ou a qualquer tipo de associação entre Deus e César.) a primazia do controle social cabe ao Evangelho, a Igreja ou a instituição Cristã, a qual, por meio da Ética (Determinando princípios e valores.) deve inspirar e nortear todas as ações humanas: Políticas, econômicas, morais... 

Não é para a busca da riqueza, do lucro ou do sucesso financeiro que devem convergir os pensamentos, projetos e ações do Cristão. Todos os esforços do Cristão devem antes convergir para a vida comunitária ou para o convívio com os irmãos, no sentido de beneficia-los. 

Impossível conceber a primazia do espírito como uma busca incessante e obsessiva por mais e mais dinheiro, lucro, fortuna ou riqueza... Não podeis servir a Deus e ao dinheiro - Tal a sentença e veredito do Evangelho. 

Chegado até aqui cumpre mais uma vez não apenas citar, porém confrontar o sábio Meira Penna. 

O qual em seus livro "Opção preferencial pelos ricos" pgs 45 sgs busca relacionar o Catolicismo romano, com o Comunismo e com a Teologia da libertação enfim. Marque isto porque Meira Penna é o apologista mais sólido e bem preparado do liberalismo econômico em nosso país (E como tal dependente, quase que exclusivamente, de panfletários protestantes!). Então ele busca traçar uma linha ou um vínculo de origem e dependência entre as três correntes ou ideologias e para tanto escolhe arbitrariamente um item: O autoritarismo. 

E de fato, foi Fullop Muller (Protestante por sinal) que apresentou a organização do partido comunista como plágio ou paródia do Vaticano. De fato, até ao menos Leão XIII (O papa que reconheceu a Democracia) havia esse traço comum... Mas não único, porquanto havia outros, quiçá mais interessantes, que Meira Penna pôs de lado ou não quis analisar. Pois quer demonstrar aos Ortodoxos e papistas que o capitalismo não é materialista ...

Me parece que Tasso da Silveira (Nos 'Espíritos fonte') tenha sido mais profundo e refinado, ao tocar noutro ponto, embora aludindo não a Igreja Romana e sim a Igreja Russa, que é uma parcela da Ortodoxia. (Porém suas reflexões são mais amplas, pois se estendem até mesmo a Igreja romana.) Se bem me lembro foi num ensaio sobre Maxim Gorki, autor de "A mãe". Convém assinalar ainda que esse Tasso da Silveira era profundo conhecedor não apenas das raízes do movimento Franciscano e dos nossos Evangelhos, mas também da tradição patrística (O que era e ainda é bastante raro entre nós.) e da espiritualidade russa. Portanto aqui - Com muito mais acuidade que Meira Penna ele dá por traço comum entre Comunismo e Cristianismo Apostólico a sensibilidade face a injustiça e a miséria. E tenho para mim que acertou em cheio. Mesmo porque antes de ter aderido ao marxismo era Gorki um Ortodoxo devoto...

Mais - Aprofundando suas reflexões questiona Tasso o porquê de uma Revolução comunista jamais ter estourado num país ou numa sociedade protestante... E dá algumas pistas e levanta algumas hipóteses interessantes: Porque nas sociedades protestantes, marcadas pelo individualismo a cota de empatia, alteridade ou sensibilidade é bastante reduzida. Desorientado pela propaganda atmosfera cultural e pela propaganda, mesmo o Cristão, tende a encarar o pobre não como alguém privado de oportunidade ou injustiçado e sim como um azarado ou mesmo um vagabundo que não aproveitou as oportunidades. 

Efetivamente, por esse caminho, não poucos protestantes e capitalistas (E mesmo romanistas e Ortodoxos.) norte americanos tem chegado inclusive ao Darwinismo social - O qual é uma ideologia congênere, e não ao comunismo ou a qualquer coisa parecida. 

Não é portanto apenas uma questão de poder ou autoritarismo transmitida pela Igreja romana, mas questão de sensibilidade da dor, a angústia, a situações de injustiça e a miséria alheias; que toca aos primórdios da instituição Cristã e ao Evangelho. 

Quero todavia registrar - Por questão de justiça e debate. - que o mesmo Meira Penna, no mesmo livro, pg 141, Cap IV "Opção preferencial pelos ricos." leva a questão ao Evangelho e a Tradição patrística. 

Supreendentemente ali nos deparamos com um diamante de alto quilate ou pérola de imenso valor: "Se você toma uma posição metafísica, como os cínicos, os estóicos e dos santos padres da Igreja, de que o desprezo e abandono dos bens deste mundo incrementam a liberdade espiritual e interior." p 143 

O qual talvez possamos lapidar e fazer brilhar mais, dando por suposto que se o desprezo face aos bens deste mundo ou a moderação nos torna tanto mais livres, a busca excessiva por tais bens nos poderia tornar escravos...

Não vou me estender sobre isso. O quanto quero observar é que Meira Penna (Insuspeito) admite que o legado de Sócrates e a herança de Jesus Cristo parecem convergir ao relacionar a sobriedade e a moderação com a liberdade, a autonomia ou a independência. Ora, não está Meira Penna se referindo aqui a Marx ou Engels, a Lênin ou a Trotsky, a comunistas ou bolchevistas mas ao que melhor temos em termos de pensamento filosófico e espiritualidade. E elas emitem restrições quanto a posse da riqueza ou seu acúmulo... O que parece não estar de acordo com o éthos capitalista. 

Alias um capitalista protestante, incrédulo ou ateu, não hesitaria fazer coro com os comunas e dizer que tudo isso é pura e simples baboseira. O Velho Meira Penna jamais ousaria faze-lo por considerar a si mesmo como apostólico romano (...) Outro como vimos o caso do Kogos e do Chinês ortodoxo com que debati, os quais apelam ao MNI, como excelentes positivistas... Ficando sendo irrelevantes as opiniões dos Padres (E se trata de um opinião comum!) em matéria de economia... (Pelo que devemos dar atenção aos protestantes e ateus rsrsrsrsrs).

Então o Meira Penna desceu da Igreja papal e autoritária dos séculos XV, XVI e XVIII para o século V, situando-se no terreno do catolicismo Ortodoxo > E conhece a posição dos padres da Igreja, alias bastante categórica, face ao acúmulo irrestrito de riquezas, coisa de avaros, dirá o nobre apologista liberal, não de ricos - Pois bem se pode ser rico sem ser avaro. 

No entanto, quanto a esses mesmos padres, prossegue: "os Santos Padres dos primeiros séculos cristãos apenas propunham uma ética individualista que impunha a moderação e o controle na persecução da riqueza, a admoestação de honestidade nos negócios e o conselho de generosidade na esmola e na assistência..." opus cit pg 147

Era de se esperar que um pesquisador tão erudito quanto J O de M P tivesse ao menos folheado o manual de Doutrina Social da Igreja elaborado pelo Pe Pierre Bigo, no qual contam centenas de citações dos antigos padres, algumas bastante enfáticas. Como poderia ter lido a publicação da ed Paulinas "Porque a igreja condena os ricos".

Pois a simples leitura de Tertuliano, Jerônimo, Ambrósio e Crisóstomo índica que ao menos um tipo de riqueza foi irremissivelmente condenada por nosso Senhor, o qual ademais referiu-se a todo tipo de riqueza como falso ou ilusório. Lc 16,11

Os antigos Padres jamais conheceram qualquer coisa mesmo de longe relacionado com o que agora chamamos individualismo. Quiçá poderíamos dizer: Individual, porém a exatidão nos obrigaria a adotar o termo pessoal. Todavia, mesmo empregando tal acepção, a afirmação acima estaria ao menos incompleta, senão inexata.

Seja como for os antigos padres não apenas apenas davam conselhos pessoais sobre a riqueza. Ao menos um deles, S João Crisóstomo, acabou confrontando o poder e sendo martirizado. Pois ousou dizer que os recursos públicos deveriam priorizar o alívio da miséria e não o luxo insaciável (Hoje diria consumismo - Motor do Capitalismo) da imperatriz Eudóxia.

Ele no entanto continua: "Em parte alguma, nos velhos textos, se atribui a pobreza a fatores sociais externos ou forças econômicas sobre as quais não possuímos poder algum."

Mesmo porque não estavam os padres antigos inseridos num regime economicista ou capitalista, ou numa 'ordem' que estimula o acúmulo irrestrito, a cobiça, etc Numa ordem que em que a economia se sobrepunha a religião... Tal não era a realidade dos padres, de modo que não somente não poderiam te-la abordado mas sequer suposto. 

Agora chega Meira Penna ao antigo testamento e, como os judeus, os calvinistas e os adeptos da Teologia da prosperidade e faz uma farta colheita.

Sabe no entanto, por refinamento ou intuição, que não é o Antigo Testamento fonte de doutrina ou manual de práticas, para a Igreja de Cristo e seus filhos... 

Então, finalmente: Do solidarismo, do tomismo, da patrística e de Paulo, passa ao Evangelho, que é a fonte de todas as escolas acima.

E começa a brincar com eles e a de modo respeitoso (sic) folgar de Jesus Cristo: Caso agíssemos assim seriamos doidos, isto é impraticável, aqui o sentido só pode ser alegórico, etc De outros 'cristãos' ouvi que Jesus não tinha experiencialidade quanto ao mundo moderno, que Jesus era um idealista, um ingênuo, um romântico, um caipira, etc Que Jesus não era economista e que não podia legislar sobre o tema - BINET SANGLÉ E OS ANTIGOS JUDEUS FORAM CERTAMENTE MAIS RESPEITOSOS...

E tais blasfêmias saíram de mentes e bocas papistas ou ortodoxas!!!

Também tomba em vulgaridades, ao menos no domínio da exegese. Pois como diversos pilantras costumam fazer, apela ao texto: "Pobres sempre tereis." atribuindo-lhe um sentido abstrato, atemporal ou universal - Como se Nosso Senhor estivesse sermoando, quando as circunstâncias nos indicam muito claramente que estava Jesus estava discursando dentro das circunstâncias de tempo e espaço: Pobres vocês, durante esta geração, sempre terão nesta Judéia não Cristã dominada por Roma... Nenhuma indicação de atemporalidade no sentido de que os Cristãos deveriam, nos tempos futuros ou em todas as épocas encarar a miséria como algo absolutamente natural i é como coisa comum.

Outra tentativa infeliz do nobre embaixador - Com que justificar o éthos capitalista a partir de nosso Evangelho, diz respeito a parábola dos servos inúteis, que enterraram, ao invés de fazer render, os talentos que o senhor lhes havia confiado. 

A partir daí os capitalistas já imaginam Jesus enunciando fundos de investimentos ou promovendo a compra de ações na Bolsa kkkkk O que - Dizendo o óbvio, em termos de História. - sequer existia naquelas priscas eras. 

Num primeiro instante devemos dizer que a parábola em questão limita-se a tomar uma dada realidade social existente (E a realidade a que se refere é a cobrança de juros ou a aplicação do dinheiro em algum negócio - Não em imensas corporações ou monopólios como a Nestlé ou a Nike.) com o objetivo de expressar uma realidade espiritual ou religiosa, SEM EMITIR QUALQUER JUÍZO ÉTICO SOBRE A DITA REALIDADE SOCIAL, seja negativo ou positivo, condenatório ou laudatório... É o que não está em questão na parábola e Jesus simplesmente, ao menos neste momento, não se pronuncia sobre o assunto ou a realidade dada. 

De modo que não se pode fazer uso dela para defender a realidade social e dada, mas somente para o fim a que foi posta: Explicitar uma relação espiritual vigente no mundo invisível. Do contrário, dado que os tais servos fossem escravos, estaria Jesus sancionando e abençoando a escravidão, instituição que sabemos ser essencialmente má e pecaminosa i é algo que o Deus Santo e Bom jamais poderia sancionar. 

Quanto aos textos irrespondíveis, assevera o nobre expositor que certamente referem a avareza ou a ambição desmesurada e patológica. O que não corresponde a realidade, uma vez que não era Jesus comunicador deficiente ou ambíguo, faltando tampouco ao grego, aparato para exprimir a distinção. 

Diz Jesus: Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 

Ora para Meira Penna e os seus o liberalismo econômico não serve ao dinheiro. Serve ao que...

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Anarquismo
  • Positivismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc



sábado, 7 de agosto de 2021

Os 'católicos' (Apostólicos romanos) TridentiProtestantes - Resposta ao Sr Paulo Cogos

Como Católico Ortodoxo sempre fui e sou favorável não a missa tridentina porém a Missa medieval, de S Pedro ou de S Gregório, filho da tradição, fiel, coerente e portanto adversário de qualquer inovação ou mudança no plano da adoração ou do culto.

Distingua-se - Sempre encarei com franca simpatia o ideário tradicionalista ou lefrevista em torno da adoração tradicional. Porém, quanto os tridentinos em si há muito que cessei de simpatizar com eles, chegando as vias da ojeiriza. 

Pois me parecem semelhantes as árvores estéreis e secas, as quais não produzem frutos bons. Paradoxalmente por via do moralismo ou do puritanismo de matriz calvinista tornaram-se eles estéreis quanto as obras legitimamente Cristãs... E a beleza do ritual, sendo malbaratada, não tem produzido frutos neles.

Leitor de Lefrevre, de George de Nantes e outros tradicionalista, inclusive do velho H Delassus, ao qual, ao menos em parte não faltava razão, assumi a tradição 'in totum', condenando o sifilização em sua totalidade e não apenas pragmática ou fingidamente ou seja quanto ao que me agradasse ou desagradasse. Compus apenas com a democracia ou com o liberalismo político (Que tornou-se exacerbado em mim.) após ter lido Leão XII (Refiro-me a sua 'reprimenda' a Albert de Mun.) e acompanhando-o e, em seguida com o liberalismo religioso ou com o direito dos seres humanos exercerem a liberdade religiosa, isto por força da Tradição, graças a meus estudos quanto a literatura patrística.

Quer dizer isto que com Lefevre e fiel ao pensamento lefreviano ou tradicional jamais assimilei este elemento exógeno e estranho do 'liberalismo econômico', alias parte essencial da cultura moderna e protestante. Isto ao contrário da oportunista e leviana TFP, que serviu de modelo a este tradicionalismo incoerente e enfermiço florescente no Brasil. Venenosa foi tal inspiração... 

Triste saber que entre nos Brasileiros foi o ritual antigo adotado por questões de exterioridade ou ritualismo e não de vida espiritual. Uma vez que a autêntica fé e a religiosidade apostólica não faz negociações... Entre nós no entanto os adeptos da seita, distorcendo por completo os ensinamentos de Leão XIII e da tradição da Igreja como um todo, mancomunaram-se com o liberalismo econômico, assumindo seus postulados anti Cristãos e ocupando-se em criticar apenas o comunismo. Digo, não apenas pouparam como apoiaram ativamente este modelo econômico materialista de origem protestante. O que não foi feito sem graves consequências em termos de proximidade com concepções e métodos protestantes ora importados dos EUA, os quais evidentemente fogem por completo a Ética Cristã e a lei do Evangelho.

É como se para dar combate a Marx ou melhor a Lênin tivessem recorrido a Maquiavel... O que equivale a expulsar Belzebu com Belzebu. Pois não precisamos de mentiras, calúnias ou difamações com que reprochar o comunismo ou quaisquer culturas de morte e quanto damos combate ao comunismo e a quaisquer culturas de morte, devemos faze-los como Cristãos Católicos i é com ética ou honestamente. Sintomático que nossos 'tracidionaleiros' do Brasil tenham reproduzido o que há de pior numa propaganda calvinista que se torna luterana. (Quem for capaz entenda o trocadilho.) - Nossos TFPentelhos trocaram a solida crítica dos Pes Chambre e Calvez por toda essa miséria protestante e sectária. E a geração atual segue pelo mesmo caminho tenebroso.

Afinal a questão da TFP e de todas as seitas que dela procedem era conservar a todo custo o monopólio da terra ou a propriedade improdutiva das famílias ricas e não pugnar pela fé de nossos ancestrais e, menos ainda, assumir a vida Cristã em sua totalidade e profundidade - O que tampouco parece ser pauta dos nossos Tridentícolas de missa dominical.

Por mais que como Ortodoxos defendamos o ritual ou o ofício litúrgico e, entre nós a missa tridentina ou a Missa petrino/gregoriana jamais defenderemos um Catolicismo Ortodoxo (Ou um romanismo.) de missa dominical. Uma coisa é ir a missa aos Domingos quando não haja impedimento sério, outra dizer que tal e suficiente para ser Bom Cristão ou resumir a prática religiosa a ida da família a missa, isso seria bom para o Luteranismo, jamais para o Cristianismo antigo, Católico, Ortodoxo ou tradicional... Tampouco seria Ortodoxia ou Catolicismo (ou sequer papismo) assumir uma moralidade pessoal estrita ou puritana advinda do protestantismo, pois o que teríamos a qui e o que temos aqui é Calvinismo e ainda protestantismo. 

Digo isto, marco e pontuo, porque sob auspícios da cultura protestante e individualista (Muito próxima do liberalismo econômico.) já a partir do século XVIII mas principalmente a partir do século XIX, surgiu no seio da igreja apostólica romana ou entre os apostólicos romanos uma ideia nova e essencialmente falsa segundo a qual bastava ao papista (Insinua-se isto hoje no seio do Catolicismo ortodoxo com grande sucesso.) ir a Missa, sozinho ou em companhia da família, aos Domingos ou mesmo diariamente, rezar, comungar e viver uma moralidade individual no seio de sua família, ou isolado face a comunidade, para ser um excelente Cristão. Tal a gênese do que começa a esboçar-se como Ideologia libera economicista 'católica' (A expressão é absurda, ímpia e herética!). 

No entanto - Afirmo-o como Bacharel em História - remonta esse novo modelo ou ethós 'católico', a reforma protestante (Cujo teor foi, desde o princípio individualista.) jamais a Idade Média e menos ainda a Antiguidade, ao padrão apostólico, ao Evangelho ou mesmo a antiga cultura israelita... períodos e modelos sócio culturais nos quais nada encontramos em termos de isolamento ou individualismo. A começar pelo século XVII, caso recuemos cada vez mais no tempo, vamos deparando com um romanismo cada vez mais social, gregário, solidário, fraterno... Ou com o papista integrado em sua comunidade e em comunhão orgânica com sua comunidade. O que é perceptível no mesmo no Anglo Catolicismo até o século XVIII ou ainda até meados de 1830, tendo sido memorável primeiramente a briga do arcebispo Laud contra as ambições da burguesia calvinista no século XVII e ainda a luta das paróquias e do espírito paroquial face a movimentação de pessoas exigida pelas fábricas até 1830. Isto quando a um modelo em parte contaminado pelo individualismo protestante. Que dizer então de um Portugal ou de uma Espanha nos século XVI, XV, XIV - Nada, nada de liberalismo econômico ou mesmo de isolamento social por parte dos Cristãos e sim de profunda conexão.

Foi dissimuladamente ou por meio da literatura protestante que o ideal sacrílego, anti tradicional e anti medieval do isolamento burguês ou das famílias burguesas em seus 'paraísos artificiais' desconectados da realidade social infiltrou-se na igreja romana - Partindo daí inclusive o modelo de guetos, digo, de bairros luxuosos onde passaram a viver os ricos, distante dos pobres, isoladamente, como que para não ve-los. O que entre nós culminou nas favelas onde os demais batizados morriam de fome sem que os bons Cristãos se preocupassem. Esse ideal egoísta e criminoso de isolamento foi assimilado. Não partiu nem podia ter partido da igreja romana. A partir do século XVIII e principalmente do século XIX (Com um modelo vitoriano posterior a 1830) que consolidou-se a ideia perversa de um Cristianismo de missa dominical i é limitado a algumas horas de reza ou de cerimonial separado da vida Cristã. 

Lamentavelmente os papistas (Como nossos Ortodoxos do tempo presente.) não tardaram a concluir - Com Lutero e Calvino, e os protestantes - que não precisavam ser Cristãos enquanto patrões, mas apenas dentro de seus lares ou apenas nos templos durante as missas... A abominável constatação é que não era necessário ser Cristão com o vizinho, com o funcionário público ou com o empregado. E criou-se uma moralzinha cristã apenas para a família ou os parentes. Quanto segundo a doutrina Cristã pelo batismo somos todos parentes ou irmãos, membros da mesma família e obrigados a fraternidade. Toda essa atmosfera cultural protestante, individualista e liberal destruiu o sentido tradicional da vida Cristã, por sinal, quanto a este quesito, muito próximo do judaísmo e do islamismo. 

Sob influxo da cultura protestante foram os Cristãos, antes de tudo os apostólicos romanos, alienando-se paulatinamente uns dos outros e afastando-se dos ideais vigentes na antiguidade ou na Idade média, estes autenticamente Cristãos e patenteados pela Tradição. Até ousarem os apóstatas, a partir de apelações pífias com base nos socialismos naturalistas ou no comunismo, conceberem um capitalismo 'católico' i é apostólico romano, chegando ao cúmulo da monstruosidade. Tanto pior a situação da Igreja romana por ter ela, em seus documentos oficiais, condenado o comunismo; e descuidar de condenar o 'éthos' capitalista, por já estar condenado pela tradição sob o termo avareza ou por tocar - A condenação, apenas a sua intencionalidade e não a sua estrutura. A partir disto, parte dos apostólicos romanos concluiu, que seu éthos ou intencionalidade é aceitáve; o que não está de acordo com o ensinamento dos padres da Igreja. Seja como for essa omissão ou falta de profundidade favoreceu a manipulação que agora testemunhamos - Quanto a alguns papistas como o sr Paulo Cogos quererem batizar ou Crismar uma doutrina herética e uma prática pecaminosa, já por ser a ideologia liberal economicista materialista e individualista. Ora é o materialismo uma erro filosófico ou metafísico equivalente a heresia e o individualismo ou egoísmo um vício pecaminoso.

Seja como for o citado Cogos chegou ao desplante de indigitar S João Crisóstomo - Do qual possuímos diversos Sermões contra os ricos ou avarentos! - como partidário de uma entidade cultural que originou-se a partir da heresia protestante, incorrendo por isso mesmo em anacronismo. E foi tão anacrônico quanto K. Marx ao transplantar o conceito de classes para a Antiguidade ou a I Média...

Remetemos ao sr Cogos a obra 'Porque a igreja condena os ricos' publicada pela Ed Paulinas nos anos oitenta ou a qualquer Patrologia como a Badenhawer, a Tixeront, a Cayré, a Altaner/Stuiber, a Drobner, etc se é que já folheou alguma dela. Afinal quem escreve estas linhas teve já a oportunidade de folhear a L. E. Du Pin, Lipomanno, Possevino, Tricalet, etc sem jamais deparar com misera linha em torno do liberalismo economico.

E quem diz que os antigos padres tinham conhecimento dessa ideologia bem poderia escrever, com a mesma seriedade, que entendiam os padres de programas de computador ou ainda que usassem aplicativos... 

Sr Cogos, nos bancos da academia aprendi que posso discordar de determinado autor ou mesmo antipatizar com ele porem jamais atribuir a si o que jamais ensinou, pois e deslealdade.

Melhor seria o sr assumir com os neo papistas ou com um neo ortodoxo impugnado por mim, que a tradicao da igreja ou melhor que a Divina Revelacao, e por ext., a autoridade de Jesus Cristo, do Evangelho, da Cristandade, nao toca a producao ou as relacoes economicas. Ficando tudo isto num setor afora ou aparte da Religiao, qual, portanto, regularia a si mesmo. Destarte sua face de positivista (E portanto de heretico.) viria a plena luz do dia. Na medida em que o sr estaria assumindo o principio anti Cristao e anti etico do MNI. 

Nao fundamentalista, sr Cogos, admito a vigencia do MNI quanto as ciencias de fato exatas ou nao humanas e mesmo assim no plano da Teoria. Pois as certas experiencias cientificas que tocam a vida humana ou animal embrenham-se pelo caminho da etica, assim pelo caminho da etica revelada. Deveria portanto o sr comecar demonstrando que a economia sob aspecto algum e uma ciencia humana, o que foi ensaiado ja, em que pese a miseria, por um colosso como Pareto. Por que o sr nao gasta seu precioso tempo desenvolvendo as teses de Pareto ao inves de perde-lo invadindo terreno que nao e seu, como o da Patristica e o da Patrologia. Por isso vou responder-lhe - Como se diz `Na lata` - Sapateiro, nao passe dos sapatos... Outra possibilidade fecunda para o sr e alegar que sua igreja ou qualquer outra igreja apostolica (Nao me venha com seitas protestantes e claro.) ou o Catolicismo Ortodoxo como um todo, jamais pretendeu exercer sua autoridade no campo da economia ou regular as atividades economicas executadas por seus filhos. Advirto-o no entanto que entrando o sr por essa outra via, como Historiador ecelesiastico que sou, vou remete-lo ao Bulario de Jaffe... Compreende???

Liberalismo economico. Que piada sr Cagos, perdao, digo Cogos... Das duas uma> Como pessimo aluno de Socrates ou do Estagirita o sr nao sabe conceituar o que seja liberalismo economico ou jamais leu palha dos Padres da Igreja ou das Enciclicas de seus lideres, os papas... o que seria leviandade de sua parte. Caso essa atividade humana que e a economia nao tocasse a etica e assim a divina revelacao `Rerum novarum` nao passaria de inutilidade... Da mesma forma Pio XI teria gasto toneladas de tinta e resmas de papel em vao. Percebe como o sr apresenta os membros mais ilustres de sua religiao como beocios, por discorrerem amplamente sobre algo que foge a compentencia deles??? 

Por que seus papas nao se contentaram em recomendar aos fieis a leitura de um Ricardo ou de um Bastiat... Por que nao rechearam suas Enclicas com luminosas citacoes de Molinari ou Mises??? Tens a resposta da Igreja nas entrelinhas sr Cagos, digo Cogos... Igreja apostolica alguma, Igreja tradicional alguma, Igreja historica algum pode deixar de revindicar autoridade no plano da Economia ou da etica, por avalia-la como uma atividade humana conectada as outras e nao sob o falso prisma positivista do isolamento. Pelos simples fato que a ciencia e o conhecimento de modo geral nao e produzido de forma compartimentada como imaginam os filhos de Litree.

Torno no entanto ao inicio de minha critica - Sua afirmacao e monstruosamente anacronica. Nem o sr poderia apontar-nos seriamente qualquer modelo social individualista anterior ao protestantismo no entorno do Mediterraneo ou na Asia. O desafio esta lancado e o sr deve ser um excelente historiador, do contrario consiga um bem bom para debater publicamente comigo, pois ja lhe digo que nao sou comunista ou anarquista (O que alias e publico e obvio - Pois sou bem reconhecido como culturalista!).

Desde ja no entanto ensaiarei uma aula gratis - Tendo se manifestado o Verbo Encarnado Jesus Cristo para criticar ou censurar os israelitas e suas crencas ou para demolir o judaismo antigo, ao menos quanto a um ponto esteve nosso Jesus de pleno acordo com eles, i e, com os antigos judeus e precisamente quanto a organizacao social deles que era gregaria, fraternalista ou solidaria. Conhecida e a preocupacao do hebreu para com outro hebreu, o sentido de conexao ou de identidade, enfim a dimensao social da vida... Notorio que esse ideario tenha sido assumido pelo Cristandade e transmitido de geracao em geracao a todas as epocas e idades futuras ate o advento do protestantismo no Norte da Europa, o qual rompe com a autentica tradicao Crista, inventa ou cria um novo modo de ser e produz um outro padrao cultural cada vez mais assumido pela igreja papa e enfim pela ortodoxia, o que alias podemos descrever com uma simples palavra> Apostasia. 

Sr Cagos ou melhor Cogos, a infiltracao do principio espurio do egoismo ou do individualismo na Cidade de Deus ou na Republica Crista a partir da reforma protestante corresponde a Historia de uma apostasia, nem mais nem menos. Pois toda distorcao do ideal Cristao, qualquer abreviacao em torno do sentido Cristao ou ainda qualquer tentiva reducionista em termos de consciencia Crista devera ser definido em termos de apostasia essencial, e o protestantismo e seu comeco ou ponto de partida.

Foi do protestantismo que partiram absolutismo, jansenismo, capitalismo, kantismo (Subjetivismo e relativismo), moralismo puritanismo, etc enfim todas essas poluicoes. Dai o ecumenismo pratico e perverso dos tridenticolas em termos de cultura - Hipocrita, fingido e ainda mais grave que o ecumenismo teorico da TL. Ecumenismo de esquerda e de direita, tudo farinha do mesmo saco e anti papista ou anti Catolico. Ortodoxo ou papista jamais assume idearios, principios, valores, elementos ou projetos protestantes, como bem sabia o Duque de Guise ou Garcia Moreno. O Cristao apostolico jamais apoia uma politica inspirada no americanismo ou um presidemente associado a um bando de pastores parasitas e venais. Aqui nao ha aproximacao, negociacao ou acordo possivel.

Concedo aos romanos e quica a alguns ortodoxos o privilegio da neutralidade, do afastamento, da alienacao. Enfim o direito de nao se intrometer ou de nao opinar. Como ex protestante jamais cessarei, por um instante, de denunciar como falsos os romanos ou os ortodoxos que assumem pautas ou elementos da cultura protestante, uma vez que nos Cristaos temos nossa propria orientacao, nossa pauta e nosso ideario. Ou ja viram os srs misturar a agua com o oleo???




sábado, 7 de janeiro de 2017

A afirmação dos direitos humanos no Cristianismo primitivo






Wilson Reis

Ao discorrer sobre os direitos da pessoa humana a luz do Cristianismo bem poderia atalhar caminho e mencionar a célebre disputa sucedida entre Juan Ginez de Sepulveda, ferrenho defensor do aristotelismo puro - Associado ao maquiavelismo (!!!) e a doutrina estatolátrica da 'Razão de Estado' - e Bartolomeu de Las Casas OP defensor da Ética Cristã e da tradição Católica.

Refiro-me a polêmica dos 'naturais' ou dos 'justos títulos' a respeito da condição legal, jurídica e natural dos habitantes deste nosso Novo Mundo posto que não eram cristãos batizados ou filhos da igreja e portanto sujeitos a sua lei 'sagrada'. Então era preciso definir o estatuto deles.

Para tanto reuniram-se em Valladolid as principais mentalidades do Catolicismo, assim, alem dos dois contraditores, assim Soto, Cano, Bañez e Carranza. Os três primeiros haviam sido alunos do grande Vitória. Sepulveda apelando a ideias judaicas e agostinianas (como sempre) susteve que em virtude dos pecados e em especial da idolatria, nossos índios haviam se tornado sub humanos ou homens de categoria inferior, devendo ser tutelados pelos espanhóis. Por tutela compreendia as guerras de conquista, a imposição forçada da fé Cristã e em caso de revolta armada a escravidão.

Recuou no entanto - devido as críticas feitas por Melchior Cano - quanto ao segundo artigo (isso é importante) que era a imposição da fé, reconhecendo que "Aqui a violência seria inútil, pois homem algum, contra a própria vontade, deve ser obrigado a abraçar a fé. Aqui deve-se recorrer apenas ao ensino e a persuasão." 

Como era de se esperar o homem também apelou extensamente aos registros judaicos não Cristãos, apelando a temática (sempre renovada pelos protestantes) povo eleito X cananeus...

Francisco de Vitoria apelando a sentença do Aquino segundo a qual o exercício do poder esta fundamentado na ordem da natureza e não na ordem da graça (tenho para mim esta frase como amplamente fecunda ou revolucionária mesmo) havia lançado dúvidas, desde o princípio, sobre a conquista das Américas pelos espanhóis, classificando-a como invasão, trezentos e cinquenta anos antes dos comunistas e anarquistas! Além disto Vitória foi capaz de relacionar a doutrina segundo pagão algum poderia exercer legitimamente o poder político com os ensinamentos tomados por Wicliff a Bíblia ou ao antigo testamento, julgando tal doutrina abusiva, inaceitável e reconhecendo a legitimidade política dos soberanos nativos das tribos americanas.

Partindo dai Soto, Las Casas e posteriormente Suarez puderam estabelecer a igualdade genérica do ser humano para além de suas crenças religiosas ou formas políticas, extraindo dai a necessidade dos espanhóis absterem-se de fazer guerra as nações indígenas limitando-se a enviar missionários para doutrina-las religiosamente e sem qualquer apoio militar.

Por isso Las Casas é considerado como o profeta ou patriarca dos direitos inerentes a pessoa humana.

Agora darei volta ao parafuso e apresentarei algumas sentenças dos antigos a respeito da liberdade religiosa, negada pelos fanáticos:

  • "A religião vem pela persuasão e jamais pela força!" Tertuliano, Apologeticum
  • "Não os Cristãos não podem matar seus opositores e nem mesmo sentencia-los como Moisés ordenou aos adversários da sua lei, dizendo que fossem queimados e apedrejados." Origenes 'Ad Celsum' VII,26
  • "Não há qualquer justificação para violências e injúrias, pois a religião não pode ser imposta pela força." Lactantius Firmo 'Institutos' V,20
  • "Não temos a intenção de forçar qualquer homem a juntar-se a nossa comunhão contra sua vontade. Estou ansioso porque o estado cesse de perseguir-vos, mas vós, de vosso lado cessai de atacar-nos com vossos bandos de circumcelliones." Agostinho de Hipo 'O cisma dos donatistas' VII
  • "Usar da espada da autoridade civil contra os maniqueus é contra o espírito da Igreja e os ensinamentos de seu santo e divino fundador. SUAS VIDAS DEVEM SER POUPADAS E O ÚNICO CASTIGO QUE LHES PODEMOS IMPOR É A EXCOMUNHÃO." Waso de Liége 'Vita'
  • "Aplaudo o zelo do povo quanto a nossa Santa fé mas de modo algum seus atos de crueldade. A fé é resultado da persuasão e não da força." Bernardo de Clairvoux 'Sermo LXIV'


    Devo lembrar ainda que mesmo durante o período da contra reforma os Católicos mais instruídos e piedosos como Genebrardo de Aix, Nicholau de Lisieux, F Feuvardentius, Claudio de Espensè, Edelinus, Calidius, Du Pin Senior, Hardouin, F Veron, Huetius dentre muitos outros opuseram-se marcadamente a que os protestantes fossem convertidos a força ou supliciados em autos de fé.

    É o quanto basta para demonstrar que a fé Católica ou melhor sua ética, jamais apadrinhou essa instituição maléfica chamada Inquisição.