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domingo, 21 de setembro de 2025

Europa - O vácuo do papismo e as ideologias 'penetras'

Diz uma passagem do Novo testamento: Se alguém colocar outro fundamento além de Jesus Cristo... a obra será provada pelo fogo, assim papel, madeira, palha, etc tudo isto será consumido, e a edificação toda virá abaixo.

Julgo que esse texto religioso possa ilustrar a questão da cultura e seus fundamentos: As ideias matrizes.

Do quanto tenho lido eu em Spengler, Huizinga, Whydan, Toynbee (Mimesis), Sowell, Parsons, Sorokin, A Weber, Wrigth Mills, Timacheff, etc chego a conclusão de que um dos fatores (Ou o principal) responsáveis por levar uma determinada civilização ao colapso é a mudança de paradigmas fundamentais. Via de regra relacionados com algum sistema religioso ou ético, o qual lhes dá suporte. Alias a obra seminal sobre este tema 'A cidade antiga' de Fustel de Coulanges foi metodicamente elaborada para opor-se ao monismo materialista de K Marx (No plano social.). 

Acho curioso: Quando o marxismo\comunismo assomou no horizonte da cultura, há muito que já estava ela em declínio, e quando assomou o liberalismo econômico, meio século ou um século antes - Trazendo em seu bojo o materialismo (Ao menos prático.) - já estava em declínio, embora ainda houvesse aparência de vida. E o comunismo, fixado no dogma materialista como uma ostra sobre a pedra, não soube ou pode compreender a dinâmica das coisas e por isso acelerou ainda mais esse declínio tornando-o fatal. 

O organismo do enfermo todavia estava minado, e portava os germes da morte, os quais o levaria a cova passados menos de duzentos anos. 

Atentem: Se a causa mortis formal foram as duas grandes guerras e o Vaticano II, a causa principal ou eficiente outra foi.

Todavia antes de chegarmos a ela gostaria de apresentar alguns exemplos de caráter histórico: Entrou o novo reino ou Império egípcio em declínio (Ao menos segundo alguns expositores.) graças a reforma religiosa atoniana iniciada por Akenaton - Filho de Amenófis III e Tyi - com os novos ideais de compaixão e paz (Os quais não se encaixavam muito bem no contexto do tempo.). Passados nove séculos outra reforma semelhante, a de Nabonido, prostrou a Babilônia diante dos Persas. Da mesma maneira tombou o mundo greco romano, diante do Cristianismo e seu ideal abolicionista e semi pacifista. Quanto ao império bizantino, embora não possamos observar qualquer mudança essencial a nível de paradigmas não, podemos deixar de observar uma séria crise produzida pelo nestorianismo (Mesmo quando negamos que Nestório tenha ensinado ou divulgado o nestorianismo é certo que durante algum tempo esse erro existiu e proliferou.), pelo monofisitismo (Embora os coptas jamais tenham sido monofisitas e nem mesmo todos os siríacos o fossem.) e outras seitas. Análogo o caso do califado islâmico: Exaurido culturalmente pela Ortodoxia sunita de Gazali e Achari.

Mesmo quando não correspondam a uma causa eficiente, as mudanças, crises ou revoluções religiosas e filosóficas sempre fazem parte do conjunto de fatores que conduzem uma dada civilização a seu fim. 

Do mesmo modo como é impossível substituir os alicerces de uma casa sem que ela desabe fragosamente é impossível substituir os princípios  e valores elementares ou os conceitos geradores sem que uma dada sociedade se dissolva. 

Alias uma verdadeira revolução, conceito que implica uma mudança radical, consiste exatamente em substituir tais conceitos por outros numa dada sociedade, e assim: Demoli-la, para em seguida reconstrui-la doutra forma.

Foi o que fez o Cristianismo apostólico - Demoliu aquele velho mundo, já enfermo, pela base (O escravismo) e, reaproveitando, tudo quanto era digno e bom, tudo reorganizou em síntese harmoniosa, reconstruiu-o de outra forma.

E cada uma dessas fases: De agonia, morte, decomposição e ressurreição correspondem a trajetória daquele velho mundo que existiu do século III ao século XIII desta Era ou a cabo de mil anos, e seu fim é uma Europa refeita e centro do mundo civilizado. Mesmo quando não tenha podido atingir sua plena maturidade.

Mesmo em seu auge, foi a Europa um projeto inacabado e um projeto inacabado é.

E crescendo desviada de seu autêntico fim, cresceu na direção errada, dirigindo-se ao abismo da destruição - Abatida por uma Revolução, por uma outra Revolução, que a tirou de seus alicerces e atalhou sua vocação. 

E desde então não pode tornar-se ou continuar sendo uma civilização Cristã. Desde que seu ideário foi posto no antigo testamento ou na 'bíblia' foi perdendo a Europa seu brilho, até fenecer e principiar a ser um quintal do islã. O espaço onde floresceram um Tomás de Aquino, um Dante, um Francisco Vitória, um Copérnico, um Vesalius, um Da Vinci, um G Agricola, um Camões, um Cervantes, um Shakespeare... E se converte, por força de um destino ingrato em califado...

Gigante caído aos pedaços por terra, assim a podemos evocar: 
"My name is Ozymandias, king of kings: Look on my works, ye mighty, and despair!"

E a beira de seu túmulo bem poderíamos pronunciar as mesmas endechas que Volney proferiu sobre as ruínas de Tiro ou Babilônia...

Porém que vendaval ou tufão foi esse que acometeu o velho mundo... Que terremoto foi capaz de abalar até a base as suas estruturas de poder...

Com efeito, todas as desgraças da Europa procedem da reforma protestante ou do protestantismo, o qual foi sua Revolução primordial...

Não de Lutero ouso dizer, porém de Calvino e em menor medida de Zwinglio. Um e outro foram os novos Gengis ou Tamerlões vindos da estepe. Os quais passaram pela Civilização como um ciclone, e, desde então, nada mais foi o mesmo.


Até então havia unidade religiosa, e consequentemente ética, em torno de um projeto ou ideário social. O que houve depois, vejam as guerras religiosas na França e na Inglaterra ou a guerra dos trinta anos, foi uma sucessão de batalhas, guerras e conflitos que até a segunda grande guerra foram drenando as energias daquele continente. E nunca mais se compôs a Europa ou livrou-se das guerras fratricidas. 

E quebrada ficou como o colosso de Ramsés II...

Basta dizer que após o curto domínio de uma nova fé - Que jamais esteve a altura da antiga ou logrou substitui-la com sucesso (Coordenando suas diversas sociedades.) produziu-se uma secularização sem fé, e, a partir dela uma nova ordem, materialista, a qual denominamos liberalismo econômico. E desta última 'ordem', qual Atena Palas da cabeça de Zeus, o capitalismo, o anarquismo e o positivismo. E, em seguida o fascismo e o nazismo. E, posteriormente, o modernismo. E de permeio: O ceticismo, o subjetivismo crasso e o relativismo. Todo um caleidoscópio formado por sucessivas culturas de morte...  Cada qual julgando poder substituir com sucesso a precedente - E cada qual mais fracassada e frustrada... 

De fato, abandonada a fé ancestral que plasmou a cultura, apenas restou, no fundo do cálice, um patético saudosismo quanto aos tempos passados, em que a Europa era una e pujante, pela fé e pelo projeto social dela derivado - O que lhe permitia permanecer de pé e erguida face ao islã e resistir impavidamente a seus assaltos. Pois havia vitalidade espiritual e proposta.

Grosso modo, todas essas ideologias e culturas de morte (Que como fantasmas ainda assombram a Europa no tempo presente.) o quanto pretenderam foi substituir a igreja ou a fé apostólica romana, enlaçando povos e países num mesmo ideal 'Católico' ou universal. E naturalmente que ocidental algum encarou seriamente a única opção viável para substituir com sucesso o romanismo: A Fé Ortodoxa... Antes seguem os europeus, mais e mais, na direção do caos ocidental, a ponto de, açulados pelo império protestante do Norte, satanizarem a Rússia hodierna, já reconciliada com sua cultura ancestral, autônoma e independente - Por isso odiada e satanizada, e caluniada (Pela imprensa paga ou comprada.) posto que, apesar das esperanças acalentadas nos anos noventa, não se converteu em província cultural, social e política do Império Yankee (O qual neste tempo sela seu destino entregando-a aos jihadistas para aliviar o querido Estado sionista.)


Enquanto isto os desorientados Europeus apostaram nas 'Canas quebradas' do capitalismo, do comunismo, do anarquismo, do positivismo, do fascismo, do nazismo, dos nacionalismos, etc sem que acertassem no alvo. E a cada uma dessas ideologias 'da moda' se poderia dizer o que foi o dito pelo apóstolo Pedro a Safira: Aqueles que levaram o cadáver de teu marido aí já estão, as portas, para levar o teu... 

Grosso modo cada um desses sistemas, após retalhar ainda mais aquele imenso colosso, simplesmente mirrou até converter-se em seita inexpressiva ou clube de devotos embiocados. Servindo no entanto, cada um deles, como obstáculo para que tornasse a Europa aos braços da velha Igreja ou da fé Ortodoxa - O que significou impedi-la de reencontrar a si mesma, seu espírito, sua consciência, sua identidade e sua missão. Arrancado ao seio materno pela Revolução protestante ou sequestrado, foi aquele infeliz continente, no afã do pensamento, alijando-se cada vez mais dos braços maternos e produzindo, enquanto foi capaz, novos sistemas, até esgotar sua criatividade, isto a pouco mais de um século... 

Desde então revolveu-se ela na lavagem do chiqueiro... até os estandartes e janízaros do islã...

Pois construção metafísica (Observem os decalques grotescos do Positivismo ou do comunismo soviético.) alguma conseguiu satisfazer aquelas mentes sagazes e corações inquietos e ainda menos reconciliar tais povos e nações. O que o protestantismo demoliu e lançou por terra ideologia alguma logrou reconsolidar ou erguer - E por que... Porque se o protestantismo, instilando ceticismo, duvidou da Igreja, o capitalismo desamparou o espírito, o comunismo e o anarquismo chegaram a duvidar de Deus, o positivismo lançou fora a Ética, fascismo repudiou a liberdade, o nazismo sacrificou o amor e a fraternidade, o ceticismo crasso aboliu o conceito de verdade, etc montes foram arremessados sobre montes até que chegamos a calamidade suprema. Foi Nietzsche: Protestante, filho e neto de pastores, tipo de exegeta sofisticado, ateu, incrédulo, louco e profeta do nihilismo, e etc que certa vez comparou a Europa de seu tempo com um campo de urzes semeado por gigantescas ruínas...

Embora não tenha contemplado a chegada dos beduínos com seus cimitarras...

Não que tais seitas, correntes e partidos não se tivessem esforçado para desacreditar, derrubar e substituir a fé ancestral. Calvinismo e Comunismo por sinal, empenharam forças descomunais. De fato, cada uma das igrejas sem Cristo ou das místicas secularizadas mobilizou recursos humanos colossais, julgando poder imitar ou plagiar o poder divino.

Aquele começando por Genebra, e falhando miseravelmente em menos de cem anos, e passando incansavelmente, a Escócia de Knoxx, aos EUA dos 'pilgrins fathers', ou mesmo as plagas do Brasil atual e, mesmo assim, falhando sucessivamente, tentativa após tentativa, sem no entanto jamais tornar a reconstruir a 'Santa Genebra' i é, o califado original ou, segundo Van Paassen, primeiro Campo de concentração da História.

Assim o Comunismo, que com seu estro revolucionário, 'Fez rolar a cabeça do Czar'... Onde ora refloresce ou reverdece uma fé ainda mais pura que a romana...

Agora por que falhou o protestantismo... Esse Adamastor cujas pretensões são tão grandes...

Falhou porque com base na dúvida, na negação ou no vácuo nada se edifica de duradouro. De fato a igreja velha conquistou e guiou a Europa porque firmada na autoridade enunciou verdades eternas e indestrutíveis ainda quando incompletas ou em parte distorcidas. Já o protestantismo postulando o livre exame deu a entender que procurava e consequentemente que não tinha... Como de fato não tem a posse da verdade, posto que lhe falta a verdadeira autoridade - Decorrente da sucessão apostólica.

Dirá ele que tem a bíblia ou que posta livros ou escrituras.

Logo, o que tem ele, é leitura e a leitura não é a verdade.

E essa leitura sequer é o livro, como o leitor - Por sinal, não o é.

Assim o quanto resta ao protestantismo é interpretação individual, subjetiva e falível, opinião, suposição, perspectiva, ponto de vista... Jamais a verdade ou o sentido objetivo do livro, fornecido pela legítima autoridade, aa qual remonta aos apóstolos e enfim ao Cristo. Tudo muito humano e demasiado humano, especulação natural, exegese, elaboração 'racional' e não Revelação divina...

Reino dividido, deu o protestantismo cumprimento as palavras infalíveis do Senhor: E - Devorado pelas seitas. - sucumbiu levando consigo a maior parte da Europa. 

Mesmo onde não reinava, ou seja, nas nações papistas e Ortodoxas, enviou ele (O protestantismo) seus corifeus - Apóstolos do ceticismo. - semeando dúvida e produzindo aquele imenso vácuo espiritual que haveria de ser futuramente disputado pelas culturas de morte a semelhança de um cadáver podre sendo disputado por urubus. Portador de um hálito e pestilencioso e letal, ele, o protestantismo logrou contaminar toda Europa, infecta-la, polui-la e destrui-la por dentro... Até chegarmos aos confins da pós verdade e restar-nos apenas a 'narrativa' ou a 'versão' - Desde então afundamos mais e mais nesse charco ou atoleiro espiritual> Posto que nada temos para opor ao islã, alias encarado já como uma opção possível... E quando assim for que será de Homero, Virgílio, Dante, Tasso ou Ariosto...

Pois é, o buraco ou brecha aberta nos flancos da Europa, não apenas subsiste - mas amplia-se. E nessa Babel de confusão, em que todos gritam, os olhos jamais se voltam para a Ortodoxia. A qual os pode duplamente salvar - Tanto neste mundo (Restaurando a cultura.) quanto no outro, e jamais dão com a verdade que a princípio com tanto amor chegaram a contemplaram.

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Conservadorismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • etc




domingo, 27 de junho de 2021

Como transformar vermes em homens e uma carcaça num planeta...




Estimulada já por um Mercado insaciável na dependência de um 'exército de reserva', já por instituições religiosas ambiciosas e sem consciência tem nossa espécie se multiplicado de forma irresponsável e comprometido, quiçá de maneira irreversível, a existência da vida, como um todo, em nosso planeta.

Guiada pelo espírito da avareza, aqui aberta ali dissimulada, a criatura racional, projeto grandioso, foi revertendo ao que fora em seus primórdios, assim a condição de predador.

De fato nossos ancestrais, tendo se multiplicado em demasia e atingido certa cifra, não mais podiam manter sua dieta habitual sem levar a mega fauna a extinção. 

Do que resultou a extinção de um sem número de espécies e a invenção da agricultura, resultado de uma mudança em termos de dieta imposta pela necessidade.

Em não havendo mais brioches tiveram nossos ancestrais de comer pães ou melhor plantas, folhinhas, mato, couves... A falta de mamutes e rinocerontes lanudos teve a salada de entrar no cardápio.

Nem bastavam os sobreviventes do reino animal para nutrir-nos sem os dons de Ceres e nos tornamos mais onívoros. Houve existência e sobrevivência e até mesmo algum equilíbrio.

Nós no entanto, por milênios não nos abstemos de procriar ou, melhor dizendo, não cogitamos e sequer poderíamos ter cogitado, em limitar a procriação - Que um Malthus primitivo era inimaginável. 

Não poderia um Malthus ter surgido tão precocemente. Tampouco deveria ter chegado meio atrasado.

No entanto o uso indiscriminado de madeira e a criação de bois foi restringindo cada vez mais o espaço da natureza 'in natura' i é das matas e florestas. 

Substituíram a madeira, que é orgânica, pelo plástico, pela borracha e pelo alumínio... Saindo a emenda pior do que o soneto. Do que resultou imensa sujidade até no espaço, sem falar no fundo do mar. Emporcalhamos tudo pois ou damos cabo com a madeira ou acumulamos outros tantos resíduos caso não reciclemos.

Imperativo é reciclar. Reciclar porém é paliativo que não toca o fundo da ferida ou o âmago da questão.

E nos humanos não apreciamos atingir o âmago da questão.

Como disse, afirmada a falsa segurança ou a segurança aparente, nos tornamos mais e mais carnívoros. A ponto de sermos assombrado pelos peidos dos bois.

Parece anedótico mas não é.

Somos bilhões de carnívoros ou predadores. Na dependência de centenas de milhões de cabeças de gado, ou seja de uma hoste de bovinos.

E os bovinos peidam i é excretam algo parecido com o metano. O que reflete nas condições do clima...

Imaginem então os pastos!

Imaginem em seguida quantos pastos, campos de cultivo, bosques plantados são necessários para suprir as necessidades de sete bilhões de seres humanos.

Muitos dos quais vivem já como miseráveis.

E nem estamos falando em qualidade de vida para todos mas somente em pura e simples sobrevivência.

Agora onde enfiaremos os resíduos por nós produzidos?

Mesmo fumaça ou cinzas...

Para onde irão tantas cinzas e tanta fumaça, somada alias a fumaça expelida por nossos automóveis?

Percebe que o quadro já é mais do que tenebroso?

Considere agora que ainda precisamos encontrar espaço para a natureza 'in natura'.

Então já são pastos, bosques artificiais, campos de cultivos, lugares de despejo, espaços naturais e é claro locais onde possamos viver ou morar - E são sete bilhões de pessoas... E sete bilhões. 

Quem não vê e percebe que com o aumento da população em milhões, 8, 10, 12 ou 15 a demanda por alguns destes espaços aumenta enquanto outros espaços diminuem...

É o vegetarianismo outro paliativo, como a reciclagem...

No entanto onde haveis de conseguir espaço para cultivar vegetais destinados a alimentar 12 ou 15 bilhões de seres humanos???

De modo que os campos serão tudo, e não restará espaço para mais nada.

Bem, paliativos temos, quiçá a macheia. 

Reciclagem, vegetarianismo, naturismo...

E todavia caso nosso ritmo de crescimento populacional continue sendo o mesmo paliativo algum fará a diferença.

Dezenas de milhões de veganos, recicladores, naturistas, etc dá na mesma. E não poderá a mãe terra sustenta-los.

Assim é o socialismo, bem entendido como uma economia voltada para o homem ou para a justiça social, será também um ideal instável caso não solucionemos, antes de tudo, o problema da procriação. Embora muitos sociólogos considerem que a própria miséria estimule a procriação, hipótese que nos levaria a um sinistro círculo vicioso. Pois não é menos verdade que o excesso de pessoas agrava, senão produz a miséria...

Então temos de botar o dedo lá no fundo da ferida que é um abismo.

E tornar a Malthus. 

Tudo vai em progressão aritmética, produção de alimentos, políticas públicas, tomada de consciência - Alias tomada de consciência vai a galope de lesma ou a passos de tartaruga.

A população no entanto cresce em ritmo exponencial e o pouco que cresce torna a situação mais grave.

Menos espaço para animais e vegetais, mais lixo, mais poluição, mais resíduos, mais miséria, mais fome, mais sofrimento... E mais consumo, o qual irracionalmente estimulado converte-se em pregação. Enchemos nossas bocas para falar em progresso mas, enfrentamos o mais terrível dos retrocessos ou crises já experimentadas pela espécie... Anunciamos o paraíso sobre a terra e estamos as portas do único inferno, o inferno do calor, da sujeira, da fome, da violência, da fealdade...

Pois mais que os catastrofistas (Que com isto aspiram apressar - Acredite se quiser - o retorno do divino Mestre Jesus.) vibrem e aplaudam a situação não será nada agradável, e as únicas coisas que os arrebatará a fome, a peste e a guerra...

Contra uns e outros: Demagogos religiosos, fanáticos, avarentos, políticos maquiavélicos, etc temos d bradar em alto e bom som: O crescimento populacional terá de ser contido, a família planejada e a natalidade controlada. Eis o único meio capaz de converter os vermes em homens, em seres racionais, éticos e virtuosos - Dispostos a viver em comunhão com a mãe natureza.

Caso o ritmo do que chamamos progresso econômico não seja condizente com a condição do planeta teremos de adotar um postulado oposto ao de Bush e Trump: Sacrifiquemos o mercado, a economia, o ritmo do progresso técnico e salvemos o planeta, a fauna e a flora, a mãe terra, a nossa casa e nosso lar. Como Ulisses e os seus tapemos os ouvidos face ao canto falacioso das sereias...

E como lamentavelmente a consciência não avançará tão célere como gostaríamos neste direção teremos de pensar na força das leis, democraticamente sancionadas pela parte mais consciente ou sensível ao problema.

Quero dizer que é defeso a espécie e a sociedade humana, tendo chegado ao ponto a que chegamos, por meio de leis e coerção, determinar o planejamento familiar e o controle de natalidade.

Como diante de uma peste, praga ou epidemia não há que se considerar os caprichos da 'liberdade' individual. Todos os elementos da sociedade humana devem ser convocados a colaborar, tendo em vista a contenção populacional. 

Trouxe-nos a maldita pandemia uma cara lição.

Doutrinas e opiniões há que por afetarem drasticamente as vidas de milhões de pessoas não devem ser toleradas mais reprimidas, assim esse 'pensamento' conspiracionista infenso a vacina. Relacionado de perto com as pérolas do terraplanismo, do geocentrismo, etc Pois nenhuma dessas crenças imbecis é ingênua. Como não é ingênuo o criacionismo, o qual - Ao menos - já devia ter sido condenado firmemente pelas Igrejas apostólicas e históricas. e condenando por um poder espiritual, tendo em vista suas cominações aberrantes.

Neste soturno quadro encaixasse muito bem a pregação ou ideologia 'procriacionista', a qual avalio como uma das mais graves ameaças ideológicas a conservação da espécie. Multiplicando-nos, não duvidemos, pereceremos por completo.

Pondo filhos e mais filhos no mundo, irresponsavelmente, chegaremos ao colapso, pois a natureza não mais poderá suportar tal hoste de consumidores, de predadores, de vermes vorazes.

Por hora os gafanhotos somos nós e só deixaremos de se-lo quando contermos não somente nossa propagação mas também nossas aspirações financeiras e tecnológicas. Teremos de analisar e rever todo nosso modo de vida, de produção, de distribuição e sobretudo de relação com o ecúmeno. Se o Comunismo, por falacioso, não funciona, o funcionamento do capitalismo é mais do que péssimo.

Homens ilustres penaram por não terem encontrado qualquer solução para tal impasse, o problema do século, ou melhor, do milênio - Que digo - da História. 

De fato não cogitaram em Anarquismo, Comunismo, Fascismo, Nazismo, etc - Tampouco nós, que não cremos em quaisquer dessas ideologias de morte, como não cremos no capitalismo, pois estaríamos a crer no anti Cristo, no sedutor, no falso profeta, na besta imunda; filha de Lúcifer. Honremos o primado do espírito e confessemos: O Capitalismo é isto, embora alguns o cubram com vestes de anjo de luz e o disfarcem. Mas é isto e disto não passa: Pois separou os irmãos uns dos outros, instilou egoísmo e estimulou a avareza.

Onde estará então a solução?

Falemos em Ética, ou melhor, nas fontes da Ética. Olhemos para trás e façamos a verdadeira revolução, com a munição do espírito!

A solução está nas singelas lições do Evangelho e também da Memorabilia sobre Sócrates e nas obras do divino Platão a respeito deste Mestre excelente. Olhemos ainda para Aristóteles, Buda, Confúcio, Basílio, Bento, Francisco e alguns outros mestres do passado. 

Os quais nos ensinaram a não sermos acumuladores de quaisquer coisas e a não juntar tranqueiras em demasia sejam edifícios, automóveis, moedas, papéis, etc mas apenas e tão somente boas ações. Os quais nos ensinaram a pensar no outro, a colocar-nos no lugar do outro, a ajudar o outro e sobretudo a ama-lo. Os quais nos ensinaram a ser sensíveis, justos, fraternos... E a viver na dimensão do bem, da verdade e do belo, em comunhão com nossos irmãos animais e no respeito pela mãe terra - Enfim os quais nos ensinaram a viver racionalmente e a planejar o futuro!

Cada um destes homens é um Salvador ou Redentor para esta vida, para a vida social, o convívio e a sobrevivência neste mundo. Cada um deles é profeta e pregoeiro da verdade. Cada um deles nos convida a reforma da mente e a peleja do espírito.

Podemos progredir sim, mas noutras direções, que não na da matéria, da economia e da técnica apenas. Podemos estabelecer outros roteiros, mais sensatos, mais simples, mais humanos e não menos ricos. Foi para viver em comunhão com a mãe terra e em sintonia com o planeta que viemos a luz da existência. Foi para caminhar e crescer juntos que nos manifestamos não para devorar, predar, devastar e destruir - Quem compreende-lo será humano, ser racional e digno da liberdade. Quem não o compreender continuará sendo vil gusano rastejante, guiado pela fome insaciável. A partir de então teremos um planeta para nossos filhos, netos e descendentes, para que vivam bem e com qualidade de vida.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Produção de consciência e sua descontinuidade no curso da HISTÓRIA humana.

Breve será o objetivo deste artigo, destinado a confrontar os sistemas ou ideologias que jamais produziram ou que cessaram de produzir a consciência social, enquanto elemento aglutinante da cultura.

Anarquismo, Comunismo, Fascismo, Nazismo, Islamismo, social catolicismo, protestantismo, o PT (rsrsrsrs) dentre outras tantas propostas não implementaram a Mimesis, continuando a digladiar-se, tendo em vista a direção totalizante ou integradora de nossas sociedades em Crise.

O comunismo a princípio, encarando a organização partidária como um veículo antes de tudo educativo\formativo e portanto tal e qual fora idealizado por Marx e Engels, foi bem sucedido, começando a ocupar os espaços desguarnecidos pela Cristandade estagnada e inoperante. Todavia na mesma medida em que, com o 'revolucionário' Lênin, torna-se vitorioso, podemos observar o organismo do partido tornando-se cada vez mais político e controlador, alias na linha da mesma violência física deflagrada pelo processo revolucionário. Neste momento a prioridade passa a ser a conservação do poder, sicut Machiavelli e 'Il principe'... Cessa o esclarecimento ou a produção de consciência ou não satisfaz a nova demanda (Por não se ter concentrado nela ou simplesmente pecado por tentar adiantar o processo histórico e ignorar a força das estruturas - Especialmente culturais!). E a URSS colapsa ao cabo de setenta anos. Talvez a exceção da pequena Cuba, onde o comunismo é ideológica e culturalmente reforçado por uma justa tradição anti imperialista ou N Americana desenvolvida por Jose Marti, todas as sociedades comunistas mantenham-se apenas superficialmente, por via de um controle externo ou físico, donde resulta sua extrema vulnerabilidade.

Seria interessante oferecer um estudo mais aprofundado sobre o tema da Revolução cultural chinesa, o qual salientaria a complexidade do problema. Por absoluta falta de espaço não podemos oferece-lo agora. Mas recomendamos esta linha de estudos, especialmente aos que acreditam apenas no padrão externo da força ou do controle estatal para manter um grupo social coeso.

O anarquismo, especialmente nos EUA, onde foi contaminado pelo individualismo (cf Murray Bookchin) converteu-se em apêndice daquela cultura, a qual espera que avance na linha do minimalismo crasso. Reverteu assim em anarco capitalismo, corrente a serviço da ideologia dominante, a qual acredita dever levar adiante como herdeiro, e não se sai disto. Em outras partes, como Europa ou França assumiu um aspecto psicologista, irracionalista, subjetivo e em parte individualismo, até ser assimilado pelo pós modernismo, disto resultou uma fragmentação sectária em torno de tipos - O negro, a mulher, o homo afetivo, a criança, o ecossistema, etc que fogem a qualquer integração, e o estereótipo do rebelde sem causa, apenas disposto a gastar as energias da juventude ou a promover a violência pela violência, a luta pela luta... até chegar a agressão gratuita, que reporta as fontes do inconsciente. Tal o quadro geral de um anarquismo que pecou contra a racionalidade e apartou-se da salutar noção de municipalismo, fundamento da policracia ou democracia direta, a qual parecem ter perdido completamente de vista. E é um quadro desolador...

O fascismo e nazismo com a mesma petição a força, inda que militar ou conservadora, presente no comunismo, no islã e no protestantismo sectário, jamais lograram em produzir consciência ou em forma-las, desdenhando ou mesmo deplorando qualquer tipo de esforço educativo\reflexivo que ultrapassasse as fronteiras de um cientificismo\positivismo, acrítico, servil e abjeto. O padrão da força, do poder ou da violência sempre temeu as expansões da consciência livre e disposta a resistência, como demonstra aquele processo levantado por Anito, Melito, Licon e Diopeites; com o apoio velado de Aristófanes, contra o mestre de Atenas. Então o 'Converte ou morre' do islã com suas espadas e ameaças produziu apenas um sistema de controle eficiente, por rotineiro. O que ali se observa em termos de cultura é a impermeabilidade do Estado a uma educação livre, científica ou reflexiva, um terrorismo antes de tudo anti educativo, destinado a aprisionar as mentes. Há uma unidade cultural, mas, apenas imposta pelo poder arbitrário com absoluto sucesso, um treinamento multi secular, através do qual as pessoas foram domesticadas. O que se vê ali não é processo interno de ascensão da consciência livre e uma associação livre de pessoas.

Outro e específico o caso do protestantismo, o qual jamais logrou a produzir (Nem mesmo na Santa Genebra de Calvino onde o controle do poder colapsou tal e qual na URSS) ou reproduzir na Europa a mesma cultura bíblica ou israelita do século VII a C, tendo de perseguir este ideal horrendo na Inglaterra de Cromwell e enfim nos EUA onde foi apenas relativamente ou em parte bem sucedido, de modo que os radicais, como apontou Décio M de Lima nos 'Demônios', tiveram de migrar para o Brasil, onde trabalham neste exato momento com o objetivo de sabotar nossas culturas e substitui-las por aquele projeto.

De fato o protestantismo produziu um dos mais poderosos éthos ou espíritos de todos os tempos, a exemplo do budismo, do Cristianismo, do Islã e do Comunismo, o qual no entanto, por mais turbação que tenha causado, dispersou-se e jamais logrou realizar por completo, por ser a História, ao menos em sua totalidade de formas irreversível e o protestantismo bíblico, ortodoxo e sectário esse olhar utópico de resgate voltado para o A T ou para qualquer fase do judaísmo pré Cristã. Ademais, reforçando a negação do mundo, assim o maniqueísmo, o neo platonismo e outras forças, ele representou, ao menos a princípio, enquanto luteranismo e em seus ensaios, mais um elemento negativo ou o decidido abandono de um ideal Cristã tradicional vinculado a concretude ou a transformação do mundo, cujos imperativos partem da própria crença na Encarnação de Deus {Nada mais miserável do que um comunista apontar-nos isto, a nós Cristãos luteranizados e adormecidos!). Assim o protestantismo, negando-se a inserir-se no mundo e opondo-se a ação dos Catolicismos abre brecha para a produção de um novo tipo de cultura, a qual não dirige (Indiretamente ou por orientação Ética) mas com a qual colabora ativamente. O protestantismo aceita colaborar com o novo espírito do liberalismo econômico, a batiza-lo, a crisma-lo e a servi-lo, sancionado-o no plano da cultura. E assim se integra a ele como elemento da nova construção cultural, iniciada na terra 'Virgem' (De herança clássica ou católica) dos EUA. O resultado disto é a produção de um novo tipo de consciência - o mais recente - a consciência ou cultura americanista, fundamentada no Capitalismo, porém, como já foi dito, com a colaboração ativa do protestantismo, num segundo plano, e de alguns outros elementos. O protestantismo tomou parte na construção deste novo padrão de consciência e dele faz parte, ainda que subordinadamente.

O social Catolicismo, surgido no século XIX, apesar de deitar raízes no século anterior e de representar enfim toda tradição anterior, antiga e medieval, bem como a própria consciência e cultura do passado não logrou afirmar-se entre os neo Católicos luteranizados. Falhou quanto a contagia-los, eletriza-los e mesmo em constituir-se como grupo majoritário destinado a comanda-los. Contou com as melhores e mais nobres almas, chegou a antecipar o justo clamor dos comunistas, mas não impos-se e não vingou como consciência ou forma de cultura, isto a ponto de, no tempo presente, a grande massa de neo Católicos ignorar a Doutrina social ou não leva-la a sério, pelo simples fato da hierarquia religiosa não te-la tornado rigorosamente impositiva, a exemplo das moralidades privadas e inúteis. A maior parte do clero não conheceu e menos aina valorizou esta corrente que é essencial.
A resistência dos neo Católicos foi insuficiente, de modo que o americanismo ou a consciência capitalista ultrapassou suas fronteiras, invadiu nossas sociedades e instalou-se nelas, nem sempre nos lombos do sectarismo protestante, mas, as vezes nas espaldas dos liberalismos ou do positivismo acrítico.

Disto resulta a puerilidade de criticar um simples partido como o PT por não ter produzido cultura nos governos Lula e Dilma, limitando-se a criar consumidores e a promover melhoramentos gerais. Devemos no entanto deplorar que sequer tenha tentado faze-lo, demonstrando vergonhoso conformismo e admitindo alianças nem sempre recomendáveis, assim com os próprios fundamentalistas como o Crivella. Tampouco é Bolsonaro fascista, nacionalista ou qualquer coisa tanto mais profunda do que um pires, no sentido de possuir ideologia, cultura ou consciência. Imaginar Bolsonaro como homem de espírito é não ter espírito... Limita-se ele, por necessidades práticas e instigação dos a aderir ao modelo vigente nos EUA. Não passando de imbecil útil, a favor de uma cultura exógena.

Então onde e quando essa integração cultural, Mimesis ou ascensão Ética verificou-se na História humana. Sem a ascensão Ética, recentemente, lá nos EUA, sob os auspícios de um economicismo ocultado pela religião morta.

Com ascensão Ética e brilho em apenas três oportunidades: No Extremo Oriente por meio do Budismo e do Confucionismo. E esta Constelação manteve-se, ao menos em parte, até meados do século XIX, com a Rebelião dos Samurais e a morte da imperatriz Tsu Hsi. Basta dizer que estes sistemas plasmaram as sociedades do Japão e da China conferindo-lhes por séculos a fio uma coesão e estabilidade que mais para o Ocidente identificamos somente no Antigo Egito. A coesão e estabilidade do antigo Egito giravam em torno de um princípio mais simples: Uma religiosidade essencialmente conservadora, reforçada por uma territorialidade fechada, ou vice versa, como quer Weber. Ali no entanto houve continuidade de algo cujas origens se perdem nos tempos e não a produção de algo que podemos acompanhar historicamente, como no caso do extremo Oriente.

A segunda construção é de matriz racional ou metafísica e naturalista. Diz respeito a antiga Grécia, relaciona-se com a afirmação do conhecimento filosófico e atinge ou conquista o Império romano (E com ele todo circuíto do Mediterrâneo). Inda que a princípio variada esta construção acabou consolidando-se em torno das figuras de Sócrates, Platão, Aristóteles e do legado Humanista transmitido por eles. Prevaleceu ela por quase mil anos, até a queda do Império romano, embora para muitos jamais tenha saído de cena mas sido assumida pelo Catolicismo ou pelo Cristianismo antigo, já na construção da Teologia, já quanto a afirmação de certos postulados Éticos, pelo que poderíamos postular certa continuidade em torno de objetivos como a superação da fragmentariedade e a busca por uma unidade essencial. Para alguns analistas este devaneio grego ainda estaria em marcha através de sistemas ideológicos progressivistas ou escatológicos que não passariam de um Cristianismo secularizado, do que resultaria a possibilidade de um paraíso aqui na terra resultando ele quer da posse dos meios de produção pelo proletariado, do progresso técnico científico, do poder do Estado\lider, do Mercado, da eugenia ou purificação da raça, etc...

A Terceira grande Mimesis ou produção, em larga escala, duma consciência comum, deve-se ao Cristianismo, como continuador ou substituto do Socratismo ou da cultura clássica. Tendo prevalecido com sucesso, por mil anos, em Bizâncio, formação político cultural importantíssima e que deveria se estudada com maior atenção pelos ocidentais e no Ocidente europeu até o fim da Idade Média ou o século XV. Claro que aqui se trata duma reconstrução após a derrocada do grande projeto romano, a qual jamais foi satisfatoriamente realizada devido a sombra do Islã e que por fim foi por completo frustrada pelo advento da reforma protestante, ocasião em que uma Europa totalmente convulsionada sai dos trilhos e entra numa crise interminável (Que se prolonga até hoje). E por ter surgido, a par das diversas culturas de morte ou ideologias, uma nova forma de consciência (Rival da antiga) na América, acentuou-se ainda mais o conflito. Resta concluir que das Idades antiga e média, a partir delas, não houve um desenvolvimento orgânico mas uma drástica ruptura, e que os elementos, princípios e valores tradicionais, ali presentes e comunicados pelo passado foram abortados. O projeto Cristão Católico, desfigurado em parte pela brutalidade medieval, legado pelo socratismo permanece até hoje inacabado. O trágico é que ele representa a expansão da Encarnação do Verbo - desta vez a nível social! - ou a Encarnação de sua palavra (O Evangelho) sob os auspícios do Espírito Santo, sempre em comunhão com a vontade dos homens bons.

Nós, os amigos de Sócrates, acreditamos na retomada deste projeto.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Breve ensaio sobre os escombros...

Certa vez ousou Nietzsche declarar que a cultura de seu tempo assemelhava-se a um grande campo juncado por ruínas... E já aludi a esta visão a um tempo feérica e a outro melancólica ou mesmo patética diversas vezes.

Jamais me esqueci de uma ilustração vista numa Enciclopédia ainda quando garoto - A qual mostrava Goethe com o olhar perdido diante das ruínas do fórum romano.

E no entanto Goethe contemplando o passado longevo e glorioso dos Césares e memorando os feitos de Scevolla, Furius, Cincinato, Cléia, Cornélia, etc sabe a um Homero, pois tem grandiosidade Épica.

Outro o caso de Nietzsche, o qual possuído pelo espírito dionisíaco assemelhava-se mais aquele profeta judeu que aspirava tudo arrancar pelas raízes para depois replantar; tudo abater para em seguida reconstruir, começando pelos fundamentos. São homens que empunham o camartelo e estilhaçam o belo mármore sem derramar uma lágrima sequer... Tais os iconoclastas. Os iconoclastas - Recicladores de ideais.

Tal nossa civilização - Campo em ruínas ou cemitério de ideologias putrefatas?

Desde que o Catolicismo, a ortodoxia ou a fé apostólica foi imobilizada e lançada por terra após ter imperado soberana por milênio e meio é possível parafrasear os Atos dos apóstolos e dizer a respeito de cada um dos sistemas que o sucederam: "Onde a pouco caiu teu esposo hás de cair tu também, e eis que os coveiros já se acham as portas."

Efêmero foi o triunfo do protestantismo, com seu furor bíblico e altas pretensões - Pois pelos idos de 1700 era já a intelectualidade inglesa descrita como incrédula pelos habitantes do outro lado da mancha. Que dizer então do outro lado do Reno, onde um Reymarus declarava que apodreceu o corpo de Jesus em alguma cova ignorada após ter sido roubado pelos apóstolos com o objetivo de simular sua ressurreição. Sem mencionarmos o imenso enxame de seitas descrito por Voltaire nas "Cartas da Inglaterra" e a sucessiva falencia do projeto totalitário calvinista...

Substituiu-o efetivamente a ordem materialista do liberalismo econômico ou do capitalismo, a qual, desde então, tem o protestantismo servido como um lacaio.

Entrementes veio o convívio democrático a triunfar num cenário, ainda maior: A França. Assim, em menos de século e meio as ruínas do protestantismo foram adicionadas as ruínas do antigo regime.

Resta-nos mencionar as contradições internas do capitalismo. As quais, como registrou Marx,  não tardaram a produzir miséria ou pauperização e, por consequencia a suscitar uma oposição socialista e por fim o advento do comunismo. E se o liberalismo econômico triunfara na Inglaterra de 1643, com a revolução Inglesa; seu antípoda viria a triunfar na Rússia de 1917 com a Revolução russa

Assim, cerca de 1917 as ruínas do protestantismo, do antigo regine e do capitalismo atulhavam o horizonte da civilização e prenunciavam seu ocaso. 

Em que pese outros colossos terem sido erguidos sobre elas - Ao lado do edifício um tanto combalido, mas ainda sólido, da igreja antiga. Assim o Comunismo, a democracia formal e o Positivismo (Sucessor da fé e da Filosofia) enquanto outros como o Fascismo e o Nazismo estavam a ser edificados, sendo aparentemente promissora a arquitetura do século XX...

E no entanto, abalo após abalo, todas estas construções portentosas estremeceram e vieram abaixo com grande estrondo... Até que não sobrou pedra sobre pedra.

O positivismo, que como sereia augurava as novas gerações um paraíso sobre a terra, começo a ruir pelos idos de 1918, até perder quase que todo seu encanto após a segunda grande guerra. A abominação nazista veio abaixo em 1945 juntamente com o Fascismo. Já o todo poderoso Comunismo resistiu por cerca de setenta anos, esboroando-se em 1990.

E no entanto, o desabamento mais fragoso no entanto deu-se em 1962 - a partir do Vaticano II - com a queda da igreja romana, assediada pela maçonaria, comprada pelo americanismo, flagelada pelo ecumenismo, contaminada pelo protestantismo (Protestantizada) apartada de suas tradições e privada de sua identidade... e reduzida a quase nada > Em comparação com o que fora cinco séculos antes.

E tudo quanto restou de grandioso (Junto com o livre arbítrio - Posto na mira dos ateístas e materialistas) foi a crença infantil e leviana nessa democracia meramente formal ou sem espírito, a qual é mais cria do positivismo do que herança legada pelos antigos gregos. Embora haja quem ouse apresenta-la como algo pronto, acabo e incapaz de ser aperfeiçoado, isto é, como o 'fim da História' ou o Capitalismo de Fukuyama - Pasme o leitor inteligente...

Ora, uma coisa é admitir que corresponda ela, hoje, ao melhor do quanto nos tenha restado (Refiro-me apenas a democracia ou ao liberalismo político, de modo algum ao capitalismo) e outra que não possa ou deva ser aprimorada i é ampliada, aprofundada, etc tornando-se mais funcional, eficaz, direta e popular.

Pois o palpite capitalista, segundo a qual, nossa democracia sem consciencia, se sustentará tal e qual é, ou seja, com suas limitações, vícios e defeitos, demanda uma profissão de fé bastante ousada. A qual não me disponho a fazer.

Alias - Quantos e quantos já não escreveram sobre os seríssimos problemas que envolvem nossa democracia mecanica e sem vida? Revel, Sartori, Bobbio, Ameal, Maurras, Huntington, Lucáks, Poulantzas, Gramsci, Cahn, Lindsay, Moss, Tocqueville, etc 

Há portanto chances bastante concretas de que mais e mais ruínas acumulem-se sobre a seara do velho mundo ao cabo deste século... 

Do capitalismo, que parece recuperar-se, nada devemos esperar, exceto que esgote todos os recursos naturais disponíveis, fabrique mais massas desmioladas paras serem manipuladas, incentive o crescimento irresponsável da população e conduza a humanidade a destruição, caso não entre em colapso.

O irracionalismo reinante todavia, serve-lhe de couraça impenetrável. 

Mesmo considerando que as fontes do Capitalismo ou sua causa eficiente, encontram-se dentro do próprio ser humano ou na esfera da vontade, ainda que a razão estivesse em seu zenite teria de despender considerável esforço para 'conte-lo'. Que dizer então sobre o nosso tempo ou a era do pós modernismo...

Suas contradições internas, ou fazem-no entrar em colapso ou levam nossa espécie a extinção, para a sorte das espécies que não chegamos a extinguir e que talvez sejam contempladas com uma nova chance. Salvo se a disputa pelos tais mercados conduzirem-nos a uma terceira grande guerra nuclear...

Caso o edifício da democracia formal, entre em colapso e venha abaixo, antes de converter-se numa democracia popular, real ou direta as perspectivas me parecem bastante sombrias. Na medida em que virá ela a ser substituída por novos totalitarismos - quiçá religiosos (Teocracia) - ou pelo anarco individualismo, compreendido como dissolução do que chamamos convívio social (O sonho de Max Stirner e Ayn Rand) e aqui temos algo que sequer podemos conceber, uma vez que não podemos imaginar o que jamais existiu.

Mesmo esta democracia precária, e que precisa ser ultrapassada, nos tem de fato beneficiado pelo simples fato de preservar--nos desses dois extremos perigosos representados pela tirania, o despotismo ou a ditadura de um lado e a anomia do outro.

Necessário entender que a democracia, para adquirir vitalidade, deve deixar de ser simples forma ou casca para atuar como espírito ou mentalidade na dimensão da cultura. Deve a liberdade, ao invés de ser negada pelos neuro cientistas levianos e irresponsáveis, converter-se em um valor significativo, em nome do qual as pessoas aceitem viver ou desejem morrer caso preciso for. Caso ela não produza conquistas significativas, caso não desperte amor, lealdade e coragem, caso não melhore as vidas das pessoas, correrá o risco de tornar-se indesejável e inútil.

Já as relações humanas, dentre elas a produção de bens ou seja o setor da economia, devem ajustar-se, acima de tudo as exigências da justiça. Não é o Mercado, porém a necessidade humana que deve determinar o salário, impedido assim a afirmação da miséria e evitando que a divisão social aumente até o conflito entre as classes. Tudo isto implica que a economia reconheça o primado da Ética. Me parece que não há melhor caminho que a liberdade no plano da política e restrição ou contenção Ética no plano da economia.

Resta-nos então alguma esperança?

Sim, certamente há alguma esperança, como também parece haver um poderoso obstáculo

Pois se o positivismo desabou como sistema fechado há no mínimo oitenta anos, permanece ainda vivo e pujante no plano da cultura, a partir de seus elementos dispersos ou dos escombros reaproveitáveis.

Mas qual será o problema do positivismo? Perguntará o católico ou o ortodoxo estúpido que só tem olhos para o comunismo, para o anarquismo e quem sabe para o capitalismo...

Cumpre dizer em primeiro lugar, que este modelo, pautado nas ciências exatas e biológicas, tudo envenenou e desvirtuou ao inserir-se nos domínios das ciências humanas, questão examinada com propriedade de Dilthey a Poincaré (Convencionalista) ao cabo de décadas. Mas quem hoje lê Dilthey ou presta atenção a Poincaré ou a seu cunhado Boutrou...

Observemos de passagem os estragos que causou apenas nos campos da Psicologia e da Sociologia. Quanto ao primeiro deu ele origem a toda uma corrente espúria chamada Behaviorismo - Uma análise superficial do Behaviorismo encontra-se no livro de Marilynne Robinson 'Além da razão' ed Nova Fronteira 2011 capítulo I pg 17. Já no campo da Sociologia a diversos sistemas, todos materialistas e mecanicistas, como os de Marx e de W Pareto.

Alegadamente é o positivismo (Mesmo o francês, herdeiro do iluminismo e portanto destemperado desde o berço!) enquanto filho do criticismo kantiano e do ceticismo Humeano, uma forma de agnosticismo. 

O que deveria força-lo - A respeito de tudo quanto ultrapasse da demarcação imediata dos sentidos (A empiria) - a restrição e ao silêncio, como enfatizaram os ingleses Huxley, Mill e Spencer.

Apesar disto, foi o positivismo de Litreé (Alegadamente anti metafísico) sob a forma cientificista, endossando cada vez mais abertamente o materialismo, até vende-lo como científico, enquanto que a ciência, sendo estritamente empírica, é por assim dizer agnóstica face a tudo quanto ultrapasse a simples materialidade. 

Dado por inverificável o quanto esteja para além dos sentidos, fica inviabilizado ou impugnado o discurso materialista. Uma coisa é declarar que o campo da investigação científica restringe-se ao campo da materialidade ou que a ciência seja material e outra, totalmente distinta, é assegurar que não exista qualquer coisa para além da matéria - O que justamente não se pode investigar por meio dos sentidos ou da percepção. Pois dado que existisse algo para além da matéria jamais poderia ser percebido.

É coisa de simples entendimento - Sucede todavia que nem todos os cientistas são versados em Gnoseologia ou Epistemologia...

Diante disto, ao cabo de todo século XX o positivismo, sob a forma acintosa do cientificismo, tornou-se porta voz do materialismo. 

Nada contra os materialistas que tem a lealdade de fugir ao positivismo ou ao kantismo e de apresentarem-se como metafísicos.

Obviamente que tal não é o caso dos positivistas - Os quais aspiram promover a ideologia ou a elaboração mental\conceitual do materialismo como 'ciência' ou dado empiricamente constatado... Aqui há quem pretenda inclusive ser cético (rsrsrs) e ateu, cético e materialista, cético e positivista... 

No plano da cultura o quanto foi dito a respeito do ceticismo por Victor Brochard, em sua extensa monografia sobre os céticos gregos foi reproduzido em gênero, número e grau pelo insuspeito G Sorel.

O qual também pode verificar que é o materialismo - E ainda mais o ceticismo - uma ideologia 'de crise', a qual ele vinculou ao fim do mundo antigo... Antes do mundo antigo ter se lançado aos braços do mitracismo, do gnosticismo e do Cristianismo havia se lançado nos braços do ceticismo e do materialismo. 

Não passou em sua totalidade da razão a fé ou ao fanatismo, mas, a partir da segunda metade do século III d C do irracionalismo ao misticismo (No qual o próprio neo platonismo se havia transformado) e enfim as crenças; sendo recuperado para a razão ou a teologia, por um Cristianismo (A Ortodoxia oriental a partir do século VI d C) que havia incorporado Aristóteles e que viria dar origem as diversas escolásticas. 

Embora alguns digam que este homem antigo fartou-se da razão, parece que foram mais propriamente as condições sociais adversas que fizeram este homem dela desconfiar até a negação ou ainda que a dúvida insuperável e pessimista foi potencializada pela situação externa do mundo, (Assim por calamidades naturais, conflitos bélicos, epidemias, miséria, etc) a qual parece ter repercutido negativamente nos domínios do intelecto, fazendo com que muitos passassem a desconfiar até mesmo de si próprios.

Assim o homem de hoje é precipitado pela crise do tempo presente nos braços das ideologias negativas que reforçam essa mesma crise. 

O homem angustiado ou neurótico da Sociedade do capital - Que trocou a família pelo culto ao trabalho e a viu sucumbir. - chegou a duvidar seriamente de sua capacidade e a sentir-se de todo incapaz ou inábil. 

Isso a um tal ponto que bastou a falsa religião apresenta-lo como culpado, impuro, corrupto e isento de qualquer qualidade para ele acreditar e encarar a si mesmo dessa forma.

Desde então a própria sociedade, enquanto convívio dos homens, não encontra regeneração... Uma vez que a partir do nada ou do vazio não se constrói coisa alguma. Uma vez que o nada o torna ainda mais frustrado. Uma vez que a impotência produz apenas decepção. 

Mesmo antes de ter tirado sua máscara e assumido aquele viés materialista que haveria de caracteriza-lo posteriormente, o positivismo, desde os tempos de Litreé, tendo declarado guerra a metafísica ousou repudiar a viabilidade da Ética enquanto valor universal e unificador. 

Já Brochard, em sua já citada obra, havia registrado que os antigos céticos costumavam ficar exasperados quando seus contraditores embrenhavam-se pelo caminho da ética, uma vez que nada tinham a oferecer e eram levados a admitir que absolutamente tudo era permitido... 

O que evidentemente assombrava seus contraditores, embora de modo algum assombre o homem leviano do século XXI. 

Mason acaba de morrer e esse Mason que acaba de morrer, foi quem urdiu o assassinato de Sharon Tate, seu filhinho e seus hóspedes, alegando que 'Tudo era permitido' uma vez que ele e seus seguidores não admitiam que assassinar, roubar, etc era errado... E como nada de externo ou de objetivo ao individuo além da sociedade falível... Como não há uma Ética transcendente, universal e unificadora... Com que direito podemos nós, a partir de nossos princípios e valores individuais, subjetivos e relativos julgar um Mason, um Streicher ou um Maníaco do parque e com que direito os podemos julgar e punir...

O que nos faz julgar e punir, com absoluta propriedade, tanto um Hitler quanto um Goebels ou um Himler é uma lei natural, essencial e comum que transcende a cada individuo e é fonte de direitos inerentes para todos os seres humanos. É sobre este conceito ou noção que se assentam os fundamentos mais remotos de nossos aparelhos judiciários.

Eliminado esta lei natural e estes direitos inerentes, como querem Kelsen e Ross, apenas a instância social ou o poder político sobrepõe-se a pessoa.

Aparentemente semelhante doutrina não parece apenas inofensiva mas até sensata... 

E no entanto quantos não foram os crimes cometidos pelas sociedades, estados e organizações políticas ao cabo da história... A escravidão negra nos EUA, o Apartheid na África do Sul, os Campos de concentração nazistas na Alemanha, etc 

Daí Thoureau ter elaborado a doutrina da desobediência civil, embasada na consciência pessoal, a qual é tão digna e nobre quanto o poder político o é. 

Assim se Ross e Kelsen personificam Creonte, Antígona é feita valer pelo autor de Walden. Importa que hajam valores objetivos, comuns e essenciais acima de Antígona, Creonte, Ross, Kelsen, Hitler ou Mason... Aos quais se possam reportar todas as pessoas e sociedades.

O positivismo, todavia - E por questão de crenças ou de metafísica. - não o pode admitir...

Afinal Justiça e Liberdade são conceitos puros, que não podem ser experimentados, vistos, pesados, medidos, contados, etc E, sendo assim não existem apenas nos diferentes indivíduos, porém de diferentes formas. E o que é liberdade para um já não o é para outro... Nada de objetivo e externo aqui. 

Caso a justiça exista externamente e tenha uma forma comum, terá de existir e de subsistir imaterialmente... 

O que o positivismo não pode admitir. 

Sendo assim todo essencialismo ético, todo universo socrático/platônico é fundamentalmente abalado pelo positivismo. Pois é metafisico duma metafisica imaterialista ou espiritualista sem a qual a solução ética formulada pelo filho de Fenarete vem abaixo e desabada fragosamente. Enquanto ali, ao lado, diante dele, está Trasímaco, partidário de Creonte ou da força, do poder arbitrário.

Lamento te-lo de repetir pela milésima vez neste tempo em que se fala, tanto e tão levianamente, sobre ética. 

Afinal o grande mérito do pós modernismo anti positivista foi dar razão aos Católicos e reabilitar o tema da ética. Sem no entanto saber ou poder soluciona-lo, pela via do irracionalismo. Posto que por via do irracionalismo nada se soluciona ou conclui. 

Seja como for do positivismo jamais partiu qualquer sistema de ética, e ele jamais ocupou-se da ética mesmo quanto não chegou a nega-la honestamente com Litreé... O máximo a que seus profitentes chegaram foi a identificar a ética ou os valores com uma dada cultura humana, o que nos leva, não apenas ao relativismo, mas, como já foi dito, a instância da sociedade, como sendo o padrão com que nos deveríamos conformar. 

Ao postular o relativismo Etico ou cultural Durkheim, Levy Bruhl e os seus, ao menos remotamente, forneceram um suporte perfeito para Kelsen e este um suporte perfeito para a estatolatria e conformismo típicos do ceticismo enquanto negação de um modelo ideal. 

Foi assim com Pirro na antiga Grécia, e, ninguém mais conformista e conservador do que ele, dirá o citado Brochard... e não poderia ter sido diferente, pois como assevera Recaséns Sichens, não há crítica ou resistência, ou oposição possível a um dado concreto sem que haja uma instancia ideal. 

Negando doentiamente essa instância ideal e portanto, na mesma medida, a correção ou mudança, ceticismo e positivismo (Um Ceticismo ametafísico ético e estético.) tendem a ser conformar com o que é e a fazer com que nos submetamos docilmente a um veredito social que nem sempre é certo.

Remova a ética no entanto e que nos restará: O racismo, o escravismo, a tortura, o machismo, a pedofilia, a guerra, a matança de animais, etc

Irrelevante ou mesmo ocioso condenar tais monstruosidades em nome do individuo, da autoridade ou do grupo social. Pois alguém mais atilado, como um Mason, percebendo o logro, sempre poderá classificar tal condenação como mera opinião e discordar. 

É necessário condenar o machismo, o racismo, o odinismo, o adultismo, o especismo, o escravismo, etc em nome de um princípio objetivo, comum e superior a todos. De modo que a condenação seja categórica e o castigo justo.

É necessário fulminar tais vícios com uma condenação absoluta e  irretorquível. 

A qual independa da anuência ou da vontade dos indivíduos. 

Em nome de uma lei a que eles não poderão furtar-se porquanto sob quaisquer alegações.

O que sempre nos levará ao conceito de Lei natural, digo de que a Etica corresponde a uma Lei natural tão impositiva quanto a Lei física ou a Lei biológica.

O materialismo jamais ultrapassara o utilitarismo crasso i é aquele de Benthan, o da pior espécie... Mesmo porque Benthan, por questão de princípios jamais poderia considerar algo de unificador num universo puramente material. O quanto podia ele ver eram apenas elementos dispersos: Arvores, animais, casas, grupos sociais, culturas, opiniões, pontos de vista, etc sem qualquer mínima conexão ontológica.

Todos estão fartos de saber que o utilitarismo original, concebido por Benthan a partir do ateísmo ou do materialismo foi um utilitarismo individualista capaz de justificar Mason, Hitler, Tamerlão, etc

O que forçou J S Mill inserir naquele sistema o elemento da alteridade ou da empatia, o qual ele disse ter tomado ao catecismo ou ao Evangelho. Que os ateus, materialistas e positivistas (Não me refiro a bíblia ou antigo testamento e nem mesmo as cartas dos apóstolos porém as lições de Jesus ou a suas palavras assentes nos quatro Evangelhos - Quero deixar isto bem claro.) encaram como uma produção grosseira.

Solidariedade ou empatia empiricamente falando nada é. 

Por via do materialismo somos seres separados uns dos outros e não podemos jamais fugir ao individualismo com todas as suas funestas decorrências. 

Mas temos os mesmos corpos! 

Não, não temos os mesmos corpos. O que temos são corpos semelhantes quanto a forma ou a constituição, mas diversos quanto a extensão e por isso a dor sentida por um não jamais se propaga ao corpo do outro... 

Mas eu talvez venha a passar pela mesma situação... Isto continua sendo sempre uma mera suposição, a qual, rigorosamente falando não nos obriga a coisa alguma. 

Todo e qualquer sistema de ética que parta do materialismo jamais conseguirá opor-se com sucesso ao individualismo. Serão individuos buscando suas vantagens, bem a gosto do darwinismo social, o primo cientificista do utilitarismo benthaniano por sinal.

Considere o leitor o caso de tais indivíduos terem que matar, roubar, mentir, trair, etc 
para obterem os resultados a que aspiram, se realizarem e assim conquistar a felicidade? 

Fará voce um belo sermão dizendo que cada um deles deve abrir mão da própria felicidade ou imolar-se... Com base em que experiencia ou constatação empírica... Só se for com base nos romances da Bárbara Cartland...

Dirás que o direito deles termina onde começa o do outro... Que devem se colocar no lugar do outro... Que é errado... Etc

Pois bem, onde e por que modo são tais afirmações comprovadas pela ciencia.

Pelo contrário> O que mais vemos nesse curioso mundo são cientistas de tendencia darwiniana (Pobre Darwin) ou darwinistas sociais, publicando livros nos quais declaram que a traição, a mentira, etc corresponderam a mecanismos ou a estratégias evolutivas...

Teme ao menos - O criminoso, dirá voce. - ser apanhado pela justiça, ser descoberto, ser preso, ser punido, etc

O conselho até seria bom caso não deixa-se implícito que um crime não descoberto ou punido nada significa. 

Aqui, o quanto nosso defensor da 'Teoria pura' esta fazendo é, na prática, estimular o crime perfeito, por parte dos que se acham habilitados. Provavelmente voce responderá dizendo que não existe o crime perfeito - Ao que posso objetar: Alguns crimes são de fato tão perfeitos a ponto de voce, ignorando-os poder negar confortavelmente sua existencia. Direi no entanto que antes do DNA inumeros crimes foram 'relativamente' perfeitos e que outros só foram descobertos décadas após as mortes de seus autores, os quais de fato jamais responderam por eles ou receberam punições conseguindo burlar a justiça humana.

Naturalmente que se alguns conseguiram, alguns outros que tem perfeito conhecimento dos fatos e que se julgam competentes - Já dizia Cecília Meirelles Nada mais comum do que alguém atribuir a si mesmo excessivo valor... 

Sendo assim, ao menos para algumas pessoas pretenciosas a  impunidade por si só, face as autoridades humanas, equivaleria sempre a um estímulo ou a uma permissão, para que cometessem crimes.

Senso assim a doutrina utilitarista individualista corresponde, sob todos os aspectos possíveis a um fiasco completo.

Hume merece certamente ser aplaudido por sua honestidade e franqueza, quando partindo de seu ceticismo inveterado, teve de concluir que o assassinato não constitui um mal em si mesmo e que a única coisa que o transforma em crime é a lei baixada pela sociedade. 

Portanto não havendo punição ou lei externa não haveria crime.

Tortura e estupro tampouco seriam males condenáveis em si mesmos, exceto se condenados pela sociedade. 

Agora imaginem uma Sociedade que aprovasse a tortura, como a Comunista, a Fascista, a Nazista - ou uma outra, como a islâmica, onde estupro de vulnerável ou de infiel fosse autorizado... 

Eis para onde nos levam Hume e o querido ceticismo...

Agora reflitamos sobre o que sucederia caso as pessoas, em especial as massas ouvissem-no e o levassem a sério.

Reflita! 

Imagine uma Sociedade em que o sistema de Mill fosse adotado sem os atavios tomados ao Cristianismo (Tornando a ser o de Benthan) com sua ética revelada... Sim, pois o outro nome do utilitarismo individualista é darwinismo social; amiguinho Benthan e amiguinho Spencer estão de mãos dadas... E nessa sociedade regida por princípios egoístas; compaixão, amor, justiça, etc não apenas carecem de todo sentido ou são meros nomes como representam desvantagens em conflito com as investigações científicas.

Agora veja um clamoroso exemplo ou reflexão que tomo Peter Singer - Por que raios continuamos a torturar e matar animais inteligentes, como cobaias, ratos, macacos, cavalos, cães, gatos, etc com as bençãos dos cientistas positivistas e dos patrões ou empresários apenas para emprega-los em 'experiencias' (Torturas escabrosas, repito) e ter uns sabonetes, perfumes, xampus e desodorantes, e medicamentos, melhores ou ainda para adquirir uns certos conhecimentos... Por que continuamos a fazer isso após sabermos que tais seres não apenas são sensíveis, como auto conscientes, resistentes a morte e sobretudo inteligentes...

Trasímaco responde: Fazemos isso primeiramente porque podemos ou temos força, armas, etc e em segundo lugar porque obtemos vantagens ou benefícios> Eis ai o belo utilitarismo produzindo seus frutos podres i é uma autentica hecatombe! E os cientistas acríticos e negadores da Etica e de lei natural, executam, aplaudem e defendem tudo isso, para depois criticarem os religiosos ignorantes e iletrados que sacrificam animais a seus deuses... Eis a estirpe dos evoluídos positivistas...

Observem mais uma vez este trágico quadro - Utilitarismo, Individualismo e Darwinismo social... 

E reflitam sobre de que maneira poderiam tais doutrinas servir de anteparo as culturas de morte do Anarco individualismo, do Fascismo, do Nazismo e do Comunismo... 

O positivismo, o cientificismo, o ceticismo, o materialismo e sobretudo o ateísmo jamais poderão servir de fundamento a qualquer sistema de Etica nimiamente humanista i é capaz de proteger, valorizar e promover o ser humano face aos clamores das culturas de morte acima citadas! Que dizer então sobre uma Etica supra especista capaz de vindicar os direitos dos animais acima citados!

Afinal sempre serão sistemas estruturais ou funcionalistas a que sempre se poderá escapar. 

Não cogitam em eles em liberdade ou justiça e por isso jamais serão capazes de inserir vida em nossa democracia semi morta ou de reformar as instituições econômicas produzindo uma sociedade mais solidária e fraterna. 

Não devemos esperar qualquer redenção do positivismo ou de seus tentáculos, tampouco do empirismo e do ceticismo e enfim do pós modernismo. Desse balaio não saí Etica alguma. 

Assim enquanto mais e mais escombros vão caindo sobre nossas cabeças (E diante do cenário feérico que é este imenso campo, coberto por ruínas monumentais.) só nos resta ir bater a outras portas...

Seremos capazes de reconstruir alguma coisa??? Não sei, não sei, não sei; mas certamente devemos tentar...

Poderemos aproveitar algum material?

Mármores e pórfiros sempre podem ser reaproveitados com sucesso...

Reciclagem é sinal de inteligência...

Algo há que possa ser recuperado?

Veremos, veremos...

Precisamos porém de um elemento coordenador...


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Porque sou a favor das cotas raciais




Na semana passada vi muita polêmica ao redor das cotas para negros nas universidades no facebook, infelizmente má polêmica, de gente que argumenta mal. Vi também fotos digitais com dizeres contra as cotas, isso me assustou a tal ponto que me perguntei: que país é esse?

Eu sou a favor sim das cotas raciais e imagino que o leitor queira saber por quê? Sou a favor das cotas não porque os negros sejam incapazes de competir com os brancos, não mil vezes não! Mesmo porque não existem raças humanas, o que nos diferencia são apenas fatores superficiais, mas graças à esse fatores os negros foram escravizados, humilhados, desprezados e colocados à margem da sociedade. 

Os negros foram escravos no Brasil por cerca de 300 anos e a abolição da escravatura foi uma palhaçada, pura jogada política, posto que a Inglaterra já estava pressionando o Brasil fazia algum tempo, pois o modo de produção já tinha sofrido significativos avanços. A abolição da escravatura porque aquela princesa de alma generosa alforriava os negros mas simultaneamente os deixava sem trabalho, sem abrigo, sem comida e sem indenização. A partir daí começa uma nova história para os negros, uma história de novos sofrimentos e de exclusão. 

Hoje, em 2012, gente branca, mestiça e mesmo negros que desconhecem história, direito e o que seja justiça vão às redes sociais e falar a primeira merda besteira que assoma à cabeça contra as cotas raciais, chegam ao absurdo de escrever pérolas como essa: "as cotas são uma nova forma de racismo porque põe os negros como inferiores". Não percebem ou não querem perceber o óbvio que a maioria do Brasil hoje é composta de negros e que os negros sofreram e sofrem diversos tipos de discriminações. E a questão das cotas não é "privilegiar os negros" como andam distorcendo certas pessoas que fisolofam bem e filosofam mal.  

A questão das cotas não é ter dó dos negros mas uma correção de uma injustiça histórica, os negros foram escravos por 300 anos, os primeiros negros do Brasil foram aqueles que foram tirados à força de seus países no continente africano. Essa injustiça deve ser corrigida e a forma mais viável foram as cotas. Então não me venham com essa conversa mole para boi dormir, que as cotas não devem existir, porque seria uma forma de racismo. Aliás, um racismo ao contrário não? Um racismo que pretende nivelar negros e brancos. 
Também não me venham com aquela conversa fiada: "conheço negros que cursaram uma federal sem a ajuda de cotas". Ótimo, se você conhece parabéns, mas a exceção não elimina a regra e o fato de um negro não querer ser ajudado pelas cotas de modo algum isso apaga o fato de que os negros devem ser indenizados por tudo o que sofreram no Brasil. Por trás desses discursos está escondida a ideologia da classe dominante, que não quer reparar seus erros. Agora, o que muito me admira é que gente que diz entender de filosofia entenda mesmo é de fascismo!