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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A luta anti manicomial e a vida vivida.

A abordagem de hoje diz respeito a luta anti manicomial.

O que sugestionou-nos a escrever este artigo foi a morte recente do 'poeta' (não aprecio arte moderna.) Ferreira Goulart. 

Cerca de seis ou sete anos lemos uma entrevista concedida por ele em que tecia críticas a alguns partidários da luta anti manicomial.

Até então éramos totalmente simpáticos a esta luta e ainda o somos atualmente só que de modo crítico ou com restrições fundamentadas na realidade brasileira.

Aqui seria mesmo o caso de dizer: Não estamos na Escandinávia ou na Bélgica ou ainda na Suíça ou na França...

Brasil é Brasil e não 'merry England'... e as coisas aqui frequentemente azedam, especialmente sob a perspectiva do trabalho.

Sei que há muito acadêmico, militante, idealista; gente de 'gabinete' enfim, envolvida nessa luta e isso francamente me assusta.

Pois é muito fácil para qualquer um, mesmo em nome de uma ideologia mais humanitária, clamar pelo que julga ser mais conveniente ou mais correto sem ouvir a outra parte, alias a parte diretamente afetada pelo problema...

Quero dizer que a opinião de pessoas eruditas e estudadas que não são cuidadoras ou que não teem parentes enfermos não me parece lá muito relevante.

Claro que tais pessoas devem ser ouvidas. No entanto existe uma outra parte, uma parte que convive com o problema, que tem contato direto, vivência ou experiencialidade. E essas pessoas, os familiares dos enfermos, não tem recebido a atenção que merecem.

Então vamos começar a ouvir e a colocar-nos no lugar do outro?

Pois é muito mas muito fácil e comodo julgar situações reais a partir do próprio gabinete ou como costumamos dizer, da platéia.

Daí insistir sobre o tipo de contato que você tem com a doença mental... seu contato a prático ou meramente teórico???

Voltando ao F G consta ter tido ele três filhos, todos atingidos em maior ou menor medida pela doença mental.

Nem podemos ignorar que o 'poeta' sendo famoso e consagrado tivesse recursos para 'em tese' manter os filhos em casa consigo.

E no entanto foi justamente este F G que veio a público defender a existência de instituições destinadas ao tratamento de doentes mentais, os famigerados manicômios.

O histórico dos manicômios conhece-mo-lo muito bem e sabemos ser, via de regra, um histórico de terror!

Durante décadas a fio os nomes 'Anchieta' e 'Juqueri' representaram o que há de pior possível em termos de qualidade de vida e sofrimento humano.

Sem fiscalização efetiva os alienados mentais, quase sempre indefesos, eram submetidos - pelos médicos, enfermeiros e funcionários - a toda sorte de castigos, mal tratos e humilhações. Havia o choque, sob pretexto terapêutico, havia a camisa de força, o quartinho de isolamento, os banhos de água gelada, etc Isto ainda muito tempo depois de Pinel e Esquirol terem clamado por um tratamento mais humanitário lá na França...

Segundo o imaginário popular ou o folclore os alienados eram submetidos a testes e experiências escabrosas. As mulheres e moças estupradas... E alguns dos pacientes assassinados inclusive!

Isto para não falarmos no descuido e na sujeira, que eram igualmente proverbiais!

Era todo um sub mundo de horror a que poucos, muito poucos tinham acesso pois as curas e altas era coisa demasiado rara.

Compreenda-se portanto que semelhante estado de coisas acabaria por inspirar o movimento anti manicomial. Movimento que preconiza o tratamento do paciente em seu próprio lar em companhia de seus familiares.

Nada mais louvável que a reinserção de um alienado no recôndito de seu lar. Opor-se a isto, já dissemos, é opor-se aos mais elementares princípios de humanidade. Ademais concedemos também certo valor terapêutico ao convívio familiar. Afeto, amor e carinho são certamente fatores que favorecem a recuperação do enfermo.

O ideal de reinserir a maior parte dos alienados em seu lar merece total apoio da Sociedade e o P Público. E dele precisa.

No entanto precisamos admitir - e aqui cumpre como sempre por totalmente de lado o idealismo, o romantismo e a ingenuidade - que nem todos os pacientes podem ser reinseridos e que isto depende da enfermidade, do grau da enfermidade e da resposta aos tratamentos. Pacientes há que são demasiado agressivos e agitados, oferecendo perigo tanto para si mesmo quanto para os seus. Pacientes há que de nada se recordam e que tendem a fuga! Pacientes há que precisam tomar tais e tais medicamentos de tantas em tantas horas! Pacientes há que precisam receber os cuidados básicos, inclusive sendo acompanhados ao banheiro e alimentados!

É aqui que as palavras do citado escritor vem a calhar: "Pai algum deseja internar seu próprio filho. Então quando um pai roga para que seu filho seja internado é porque a situação tornou-se insustentável."

Julgo que tais palavras dispensem qualquer comentário.

Situações há que pedem cuidados intensivos. Cuidados que em mesmo alguém bem situado como o poeta é capaz de oferecer...

Ademais como poderia uma mulher ou mesmo homem idoso imobilizar seu próprio filho surtado quando num manicômio ou hospital três ou quatro enfermeiros não dão conta dele???

Implica o pai, a mãe ou mesmo um irmão mais velho aplicar-lhe injeções de Thorazine, o que é absurdo!

Aqui o problema adquire a mesma conotação que a dita 'preservação' da estrutura familiar ou da participação dos pais na vida escolar dos filhos que são outras tantas lutas mantidas por outros tantos grupos sociais e muitas vezes inutilmente.

Tanto os conservadores e moralistas (que dizem lutar pela manutenção da estrutura familiar tradicional), quando os pedagogos otimistas e os militantes da luta anti manicomial parecem ignorar uma das características ou aspectos mais marcantes da realidade contemporânea: o contesto capitalista. Referi-mo-nos ao mercado, ao mundo do trabalho e a suas exigências.

Na Sociedade contemporânea o contato e as relações humanas tem sido amplamente dificultados pelas exigências advindas do trabalho e sua jornada. Os diversos modelos familiares ( e compreendo família como um agrupamento de pessoas que se amam e se cuidam, e vivem juntas sem preocupar-me com a forma) estão todos expostos a esta influência desagregadora e por isso a família tradicional tomba vitimada. Devido a falta de tempo e a falta de convivência. Outro não é o problema da interação da família com a escola; os pais ou responsáveis não acompanham a vida escolar de seus filhos porque consagram praticamente todas as energias ao mundo do trabalho. Chegam cansados em casa e dispõem de tempo apenas para tomar banho, alimentar-se e descansar ou dormir. Parte deles faz hora extra, trabalha nos fins de semana ou leva trabalho para casa... E os filhos ficam mesmo abandonados ou a ver navios...

A educação das crianças foi relegada as escolas e isto parece ser irreversível ao menos que revejamos a organização do trabalho ou promovamos melhorias sociais em termos de aumento de renda. O lar foi igualmente abandonado e até mesmo as relações pessoais de amizade. As pessoas estão cada vez mais isoladas e estranhado-se mais mesmo quanto vivendo juntas! E tudo isto decorrer do mundo do trabalho de suas exigências. Dir-se-ia que o capital absorveu todas as esferas, inclusive as mais primárias, da existência humana levando-as ao colapso e a dissolução.

Diante disto como reinserir os alienados no lar se a maior parte dos lares esta a desagregar-se? Como reinseri-los no seio do lar se o lar não esta no lar mas fora dele ganhando o pão? Como inseri-los num meio em que ficarão abandonados e sem receber os cuidados necessários a manutenção da vida???

Certamente que não estamos falando nos lares dos trabalhadores e das famílias de baixa renda...

Espaços e ambientes saturados de stress, de angústia, de dor e de sofrimento em que as doenças mentais deitam e rolam por assim dizer...

Quanta vez a enfermidade mental não tem sua gênese no conflito familiar, no deterioramento da convivência, na pressão econômica, nos desencontros pessoais, na solidão acompanhada, na rejeição, etc

Tudo isto, digo a reinserção dos alienados, no seio familiar das famílias mais humildes, supõem a existência de uma estrutura de apoio que não pode ser criada 'a posteriori' mas 'a priori'. Aqui a ordem das coisas foi invertida pois o principal objetivo da luta anti manicomial deveria ser acionar e cobrar o P Público no sentido de investir e criar organismos destinados a auxiliar e apoiar as famílias e não lançar os enfermos no seio da família para depois criar os organismos de apoio.

Imaginar que as famílias em dissolução que sequer teem tempo para acompanhar os estudos dos filhos haverão de rebelar-se e de cobrar ativamente o P Público é a suprema das utopias. Mais fácil elas acorrentarem seus familiares enfermos em porões insalubres do que exercer cidadania... Cultura não se produz sob pressão mas apenas por via educacional.

Aqui a visita do médico de família a casa deve ser assídua, o acesso a mediação rápido e efetivo, o fornecimento de insumos igualmente rápido, o acesso ao serviço psicológico franqueado a toda família, etc Aqui o mínimo que se haveria de esperar e sabemos o quanto estamos muito longe disto. Agora como manter um alienado mental em casa sem acompanhamento médico efetivo? Sem orientação e formação? Se acesso imediato aos medicamentos??? Sem o fornecimento de insumos vitais ao paciente???

Perdoem-me os lutadores de boa fé mas aqui mandar o enfermo de volta a casa equivale a abandona-lo ou a joga-lo na sarjeta sem qualquer assistência.

Cadê a atuação complementar do P Público atuando eficazmente junto a essas famílias???

A propósito não seria ocioso propor a criação de uma bolsa ou estipêndio financeiro para tais pessoas. Sei que já existem alguns programas neste sentido. Precisam no entanto funcionar melhor, contemplar a todos e fornecer uma quantidade maior de insumos.

Isto quanto aqueles quadros em que a reinserção seja possível.

Agora devemos considerar, como disse F Goulart, os quadros em que a reinserção não é possível ou viável por colocar em risco a segurança do paciente ou da comunidade. Quadros que exigem internação no mínimo provisória e portanto a existência de manicômios ou se preferirem de instituições especializadas, clínicas ou hospitais.

Penso que se trate de um aspecto da realidade que não possa ser ignorado ou disfarçado, e que precisamos lidar com isto.

Não adianta fingir que não existe e tentar convencer a pobre família, muitas vezes completamente esgotada, a permanecer com o doente em casa. Em determinados casos é desumano...

A menos que o pobre enfermo agitado tivesse de ser dopado em dose máxima e posto em coma!

Nestes casos melhor dopa-lo o menos possível e imobiliza-lo ou isola-lo provisoriamente numa cela. Uma vez que a longo prazo o excesso de medicamentos poderia prejudicar-lhe seriamente a saúde.

Então entre encher uma pessoa de hipnóticos para disfarçar-lhe os sintomas ou suavizar-lhe a agressividade melhor seria mante-la o mais lúcida possível num recinto acolchoado, ao menos até que o acesso parasse.

Em casa terão de dopa-la ou de induzi-la ao sono ou ao topor e eu não penso que seja a medida mais acertada.

O que nos leva ao velho ideal proposto por Pinel e Esquirol a humanização do regime manicomial, uma vigilância efetiva por parte do P Público e dos coletivos sociais, a tentativa de fazer com que a família mantenha contato com o paciente por meio de visitas periódicas, e consequentemente a manutenção ou criação ao menos de alguns institutos de isolamento destinados a internação de pacientes em estado de crise.

Isto como já dissemos a par da implantação de uma estrutura de apoio destinada a orientar e auxiliar as famílias que estiverem dispostas a manter os pacientes mais estáveis ou menos graves em suas residências. Enquanto as famílias, já pressionadas pelo mundo do trabalho e cobradas pela organização escolar, não receberem este tipo de apoio julgo que a luta anti manicomial continuara sendo utópica. Para ser realista precisa antes de tudo oferecer soluções práticas as famílias e aos cuidadores e não sufocar suas vozes e clamores ou deixar se ouvi-los. Sim, o ponto de vista e opinião dos familiares precisam ser levados em conta.

Sei que este artigo não agradará a muita gente e que os intelectuais e ideólogos de gabinete ficarão injuriados, mas é o mínimo que se pode fazer no que tange a condição das famílias, especialmente das mais humildes.







quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Psiquiatria e Psicologia - A busca pela Interação

Durante as aulas de teoria é bastante comum nossos alunos formulares a seguinte questão: Professor, qual a diferença existente entre a Psiquiatria e a Psicologia?

E tenho para mim que não seja pergunta de pouca importância.

Como de costume partiremos das raízes gregas para formular a resposta.

Psiquiatria é expressão de origem grega formada por duas palavras: Psique compreendida como alma ou mente e iatria ou medicina. Temos então medicina da alma.

Psicologia também é expressão de origem grega formada por duas palavras: Psique e Logia ou estudo e temos então 'estudo da alma'.

Aparentemente seria tudo a mesma coisa uma vez que não podemos curar a mente sem antes estuda-la e conhece-la muito bem.

Nada mais distante ou afastado da verdade pois em termos atuais estamos diante de duas abordagens, ideologias ou visões de mundo que aspiram ser bastante diferentes uma da outra ou mesmo rivais.

O psiquiatra assume quase sempre uma postura materialista.

No sentido de que todo e qualquer problema mental ou neurológico possui uma origem somática, física, material, orgânica ou corporal.

Segundo esta corrente todos os estados anormais da mente humana são causados ou provocados por algum defeito ou dano relativo a estrutura cerebral ou ainda por carência ou excesso de determinados hormônios.

E não pode haver enfermidade e sintoma sem que haja mal conformação dos órgãos ou disfunção hormonal.

Consequentemente - se a causa do problema esta no corpo - o psiquiatra recorrerá invariavelmente a uma terapêutica material ou seja a intervenções cirúrgicas, choques, drogas, etc

Já o Psicólogo considera que ao menos algumas doenças ou parte delas não são causados pelo corpo físico mas pela própria mente ou por sua parte inconsciente. 

No caso o corpo físico estaria perfeitamente bem e isento de qualquer defeito estrutural. Tendo a enfermidade sua origem na mente.

Segundo algumas estimativas 70% das doenças que afligem a pobre humanidade seriam psico somáticas.

Evidentemente que admitido tal pressuposto a terapêutica sofre alteração.

Convertendo-se no que chamamos de terapia ou analise.

Terapias existem várias: laborterapia, arteterapia, pet terapia, psicodrama, etc

Análise corresponde abordagem característica do psicólogo i é a conversa, ao diálogo, ao desabafo... a partir do qual ele elabora o diagnóstico e recomenda a terapia.

Isto de modo geral.

Feita tal distinção, segue-se a segunda pergunta:

Qual das duas estaria certa professor?

Minha resposta: Como somos dotados de mente e corpo penso que ambas estejam corretas.

Explico: Há enfermidades cuja causa encontra-se certamente no corpo físico e todos conhecemos muito bem o exemplo de Phineas Gage . E enfermidades cuja causa encontra-se na mente, como as que eram 'curadas' por F A Mesmer e estudadas mais tarde por J M Charcot, Bernheim e pelo grande Liébeault. 

Do que resulta a necessidade de uma ação coordenada entre o psiquiatra e o psicólogo, ou ao menos de um diálogo entre estes dois profissionais. O que por preconceito ideológico infelizmente não se dá. Arcando os enfermos com o prejuízo, que é imenso.

Evidentemente que nos referimos a realidade brasileira, em que ainda predomina a rivalidade.

Basta dizer que entre nós o número de psicólogos ainda é exíguo, e o acesso em termos financeiros dispendioso. Isto a ponto do SUS contar com pouquíssimos psicólogos e mesmo psiquiatras.

É também questão de cultura e já foi dito que o brasileiro investe mais nos dentes do que no cérebro.

Outro aspecto da cultura predominante é que psiquiatra e psicólogos são médicos de louco, do que decorre certo receio, certa distância e não poucas situações de preconceito.

Para algumas pessoas cogitar em procurar o psiquiatra ou o psicólogo já é um drama...

Por isso que fecham-se em si mesmas e ficam amargando seus problemas até o suicídio. 

Agora quando a pessoa procura algum destes profissionais muitas vezes o faz porque já se considera louca!

Via de regra a pessoa costuma procurar um psiquiatra, o que esta certo. Pois somente após a avaliação física por meio de exames é que se pode excluir a causalidade orgânica e postular uma causalidade psíquica.

Diante disto qual deveria ser a atitude comum a nossos psiquiatras?

Interrogar o enfermo sobre o estado geral do corpo, algum possível acidente, pancada, etc e solicitar exames de RMN, tomografia, Raio X, sangue, etc

Disto resultará a existência ou não de algum defeito ou disfunção orgânica.

Comprovada a existência do defeito em questão, segue-se o diagnóstico e o tratamento segundo a praxe psiquiátrica. Dispondo-se o caso a cura ou ao menos a eliminação dos sintomas.

Verificada a inexistência de qualquer defeito ou disfunção orgânica seguir-se-ia o encaminhamento ao psicólogo...

Tal o roteiro a ser seguido.

Pelo que chegamos a terceira e última pergunta: Procedem assim os nossos psiquiatras, digo, a maior parte deles???

Escusado responder que não.

E por que?

Primeiramente por que alguns psiquiatras, dominados pelo preconceitos materialistas, não admitem a existência de enfermidades psico somáticas e tampouco que a psicologia seja uma Ciência.

Evidentemente que para tais profissionais toda e qualquer enfermidade mental esta relacionada com algum problema estrutural ou hormonal em termos físicos, devendo resolver-se em seus consultórios.

E quando após a realização de todos os exames a causa física não é encontrada?

Neste caso supõem sempre que exista embora permaneça desconhecida e inacessível devido a precariedade do aparato tecnológico...

Neste caso que fazem eles?

Receitam invariavelmente algum hipnótico com que dopam o paciente 'suprimindo' os sintomas ou parte deles. E desde então fica ele lento ou lerdo como dizem... E sem perspectiva de cura. Tais os casos perdidos da psiquiatria e não são poucos.

Outro problema não menos sério diz respeito aos exames, que sendo bastante complexos são igualmente custosos e em alguns casos não cobertos pelo convênio...

Aqui é que conhecimento geral que boa parte dos psiquiatras não solicitam os tais exames da cabeça ou os tais exames hormonais, como seria de esperar-se...

Talvez por sofrer pressão por parte dos planos de saúde...

E damos ainda aqui, mais uma vez, com os hipnóticos ou com a sedação.

Na maior parte dos casos ir ao psiquiatra equivale a ser sedado...

Pouquíssimos dentre eles após terem percorrido o roteiro indicado e realizado todos os exames - em caso de não terem detectado qualquer causa somática - encaminham parte de seus pacientes a algum psicólogos. No entanto os que assim procedem é que estão salvando vidas e cumprindo com sua função!

Isto porque tanto no caso de possíveis causas somáticas não detectadas devido a não solicitação de exames, quanto no caso de prováveis causas psíquicas o recurso sistemático a hipnóticos ou sedação implica ocultação das causas por eliminação ou atenuação dos sintomas e consequentemente a permanência da enfermidade que deveria ser extirpada. Tanto do ponto de vista médico quanto do ponto de vista Ético estamos diante de problema muito sério.

Pois ocultar atenuar sintomas com o objetivo de ocultar enfermidades jamais será curar. Ademais a enfermidade permanecendo latente e e não tratada tende a evoluir e a tornar-se ainda mais resistente na medida em que vai minando as estruturas do corpo ou da mente. E de curável pode até vir a tornar-se crônica e quem o sabe... até letal.

Isto devido aos preconceitos, a incúria ou a subserviência de determinado profissional...

Evidentemente que não estou a generalizar ou a acusar 'todos' condenando toda uma categoria de profissionais. 

No entanto é manifesto que hajam abordagens deste tipo.

E prejuízos ou danos que só Deus sabe...

Em termos de Brasil urge aproximar dos dois profissionais, psiquiatra e psicólogo, desde a formação. Possibilitando que trabalhem juntos, colaborem e dialoguem desde o 'campus' universitário. É uma questão de formação e o mínimo que se espera do poder público é que examine o problema e busque reeducar a ambos os profissionais, i é, não só psiquiatra mas também o psicólogo. Assim cabe o psicólogo remeter ao psiquiatra todo o enfermo que não foi examinado por ele... Aqui o único caminho a ser seguido é o da interação na perspectiva do homem global!

Pelo visto não são poucos os obstáculos financeiros, logísticos, profissionais e educativos a serem superados. Mas temos de dar os primeiros passos, pois já estamos em 2016 e mais do que na hora de começar a cuida do cérebro, sem deixar de cuidar dos dentes é claro...