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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

A Escola e o Terror da Reprovação...

Não sei porque pegou na Escola o gosto pela aprovação automática ou por meio de decretos políticos que fixam o número dos alunos que podem ser reprovados por sala, turno ou unidade... Alias assim fica fácil para o mesmo governo alegar que a educação esta dando excelentes resultados, uma vez que, por decreto, determina a aprovação dos que não estão aptos a serem promovidos.

Agora quanto os motivos, creio serem de natureza diversa. Há é claro o bônus pago pelo Estado ou pelas prefeituras com base nos resultados educacionais ou no número dos alunos aprovados. E quem desejará reter se é pago para promover... 

Mas há também outros fatores.

Pois há quem acredite e afirme que reprovação seja sinônimo de Evasão e portanto que é necessário aprovar o dito cujo ou a dita cuja para que não deixe a escola e fique nas ruas... Melhor o aluno na escola, bagunçando, fingindo que aprende, enrolando ou sendo promovido sem saber, do que nas ruas, a mercê das drogas ou da violência.

Por essa altura a escola cesso de ser escola ou instituição suja precípua função é instruir e educar. E virou já abrigo, ou hospedaria, ou qualquer outra coisa.

Reconheço o problema mas não posso admitir que passar o aluno sem nada saber seja a solução.

E quando esse aluno chegar aos anos finais e deixar a escola sem conteúdo algum... Que será dele em tais circunstâncias...

E caso não saiba ler bem e obtiver um serviço em que a leitura seja indispensável para o bom desempenho de suas tarefas...

Há quem opine que o aluno X não possa ser retido porque tem determinadas limitações (Não laudadas.) e jamais obteve assistência especializada na escola. 

Me permitam então fazer um aparte sobre o aluno devidamente laudado que nem sem obtém a devida assistência.

Seja porque seus pais ou responsáveis cobraram o poder público... 

Os pais eram omissos...

Neste caso que fez o serviço pedagógico da Unidade escolar... 

Não há orientador naquela rede. - De fato o caso é grave.

Afinal para que serve o Conselho tutelar... 

Se é apenas para amolar professores e gestores, recambiando as escolas e salas os alunos problema, ouso te-lo em conta de inútil. Útil seria caso observa-se as redes de ensino, fiscaliza-se as unidades, denuncia-se as prefeituras e fizessem que a inclusão fosse de fato inclusão e não enrolação ou abandono criminoso. Reparem para que de fato cada aluno especial, em qualquer sentido, tenha um auxiliar, de preferencia com formação pedagógica - Pois assim tal clientela adquiriria ao menos os conteúdos que é capaz de adquirir!

Abandonar a criança ou as crianças numa sala superlotada sob a regência de um professor sobrecarregado e não qualificado é ato criminoso, pois implica descumprimento efetivo da lei. A criança deve sim, estar no meio natural, porém, sendo assistida por um monitor habilitado. 

Neste caso todos: Pais, professores, gestores e conselheiros deveriam acorrer ao poder público e a seus órgãos com o objetivo de prover a criança da assistência a que faz jus. É o caso de reivindicar ou cobrar antes de aprovar.

Este aluno no entanto, justamente por ter suas possibilidades limitadas, será promovido - Havendo amparo legal para isso. 

Já quanto ao aluno não laudado, deve a Orientação pedagógica, a equipe gestora ou o Conselho tutelar, solicitar aos pais ou responsáveis a ida ao médico, a realização de exames, etc sob pena de responsabilidade ou abandono. 

Agora enquanto não obtiver laudo ou a conclusão do médico for negativa, inexistindo qualquer problema físico ou mental, seja tratado como responsável, punido e se necessário reprovado.

Similar o caso do aluno materialmente necessitado ou cuja família seja problemática.

Insumos, como uniforme, merenda, material, etc ele efetivamente deve receber e recebe.

Neste caso esforce-se o mestre ou a mestra por ser receptivo, carinhoso, atento, cuidadoso, tolerante - Até onde se possa, etc 

Que se lhe ofereçam atividades de reforço ou complementares.

Satisfeitos, quanto possível for, tais demandas, seja esse aluno cobrado> Em termos de educação (Atitudinal) ou responsabilidade (Produção) tal e qual os demais.

Quando os pais e responsáveis se esquivam, o que todo esse povo > Professor, orientação, coordenação, gestão, conselho, etc deve fazer é trabalhar e colocar esses alunos em condições para serem devidamente cobrados e não ficar de braços cruzados para chegando fim do ano letivo alegar que tais alunos, por omissão da parte do poder público, fazem jus a aprovação - Quando por vezes absolutamente nada fizeram. E há meios porque possa ser o poder público cobrado e responsabilizado. 

Há quem alegue enfim, que a reprovação é sempre um ato subjetivo de rancor ou vingança por parte do professor, e devo dizer que é um argumento reducionista e miserável.

Claro que há professores que fazem mau uso da reprovação. Como o assassino faz mau uso de uma faca... E... nem por isso deixamos de usar a faca

Como diziam os antigos romanos: O Mau uso ou abuso não tolhe o uso.

Destarte se é execrável o uso da reprovação a guisa de vingança, outro o caso quando corretamente empregada, tendo em vista certos norteamentos pedagógicos, como um grau ou nível elementar de aproveitamento.

Injusto seria aprovar um aluno que não apenas nada aprendeu como não buscou aprender ou nada fez para aprender, e promove-lo nas mesmas condições que um aluno aplicado e responsável. 

Promover aquele que se esforçou ao máximo para adquirir o conteúdo mínimo exigido e reprovar aquele que pouco o nada fez para adquirir esse conteúdo é algo perfeitamente justo, desde que garantidos a todos os alunos as condições mínimas em termos de insumos e assistência.

Promover em massa ou como rebanho os que se aplicaram e os que não mostraram qualquer interesse é desestimular os primeiros ou sugerir-lhes que tanto dá estudar como não estudar.

Por isso tenho dito que não há ensino sem reprovação, como não existe educação sem punições ou castigos (Claro que não estou me referindo a castigos físicos ou a agressão!!!). Educar é sempre restringir. Ensinar é sempre considerar a retenção de determinados conteúdos, até que sejam eles atingidos. Aquele que em condições de igualdade com os demais e que tendo recebido a assistência a que faz jus, não atingiu o nível estipulado para cada conteúdo - Mesmo após diversas tentativas de recuperação! - permaneça no mesmo ano até atingir o nível estipulado. 

Mas professor, nesse caso o aluninho se sentiria humilhado...

Melhor a sala inteira se sentir injustiçada não é mesmo...

E assim caminha a humanidade por seus tortuosos caminhos. 


terça-feira, 10 de outubro de 2023

O cerco contra a educação


Os primeiros esforços significativos em prol da educação no Brasil remontam a assim chamada era Vargas e foram, em sua maior parte, implementados pelo então ministro Gustavo Capanema.


Antes disso, já em 1932, foram estabelecidas as aulas de 'Canto orfeônico'.

De 1932 a 1971, i é, por quase quatro décadas ou ao cabo de quarenta anos, obtivemos amplos resultados por parte desse esforço educativo.

Desde então, 1971, principiaram os ataques, a desconstrução, o sucateamento, etc a princípio tímido, e em seguida vertiginoso e voraz - A ponto de podermos falar numa Cruzada massificadora.

De fato nos últimos cinquenta anos os esforços do poder constituído traduziram-se em massificação, com o Estado de São Paulo a frente desse processo vergonhoso.

E quero deixar bem claro que o empenho em produzir massas alienadas e acríticas é intencional e consciente. 

Desarticulado porém, partiu de diversos setores da sociedade brasileira - Cada qual com um propósito ou motivo peculiar...

Para começo de conversa quero citar os 'bondadosos' militares, endeusados por tantos e tantos imbecis - E aqui a conversa é velha pois o papo remonta a Sócrates e seus detratores Anito, Licon e Meleto. e toda a essência da Filosofia ou do pensamento crítico.

Começaram os ditadores, em 1971 (LDBN) abolindo as aulas de música e diluindo esse conteúdo no curso de arte. E desde de então, pelo espaço se meio século, não temos tido aulas de música ou formação musical de qualidade. 

Oportuno indagar sobre as causas da ascensão do pagode, do sambão (Não estou falando no Samba bahiano dos Caymmi ou dos Demônios da garoa.) e enfim do rock pauleira, do Funk e do gospel... E mais ainda dos ideólogos que se empenham em defender a estética elevada do Funk ou do pagode em suas investigações 'sociológicas' - Pobre Sociologia pessimamente normativa...

Em São Paulo a educação musical permaneceu no Currículo até cerca de 1986, quando foi cancelada pelo PMDB i é pela vanguarda democrática das Diretas já e quanto a isso podemos adiantar que neste estado ou província a nova democracia foi ainda mais insidiosa que os milicos no sentido de tornar a escola em algo absolutamente inócuo, até converte-la em mero depósito de jovens que pouco ou nada aprendem. Enfim a pá de cal lançada na Escola pública do estado de S Paulo foi o Novo ensino médio - Do golpista temeroso, e isso foi um desígnio...

A questão dos militares é que receiam quanto a formação do ser humano integral e quanto a implementação de uma cultura humanista. Como Cálicles e Trasímaco eles acreditam, quiçá honestamente, no padrão da força bruta e consequentemente da obediência cega, o que de modo algum se ajusta com a racionalidade, a capacidade reflexiva, o pensamento crítico, etc que eles encaram como ameaçador e subversivo. 

Por isso Sócrates, ao questionar os mitos, a arbitrariedade das definições - Inclusive da justiça... e tantas outras coisas tornou-se perigoso, e teve de beber cicuta. Já antes dele Pitágoras, Zenon, Anaxágoras, etc  e depois dele Aristóteles, Epicteto, etc envolveram-se em tais conflitos e levaram a pior... 

O dilema continua até os dias de hoje - Pois de modo geral policiais e militares tendem a assumir esse padrão de cultura irracionalista e autoritário, e a desconfiar dos professores e dos filósofos. 

Isso se reflete inclusive na dinâmica da violência, porquanto os autoritários e seus aliados tendem a apoiar toda sorte de abusos e excessos como perfeitamente naturais, enquanto que os cidadãos éticos e críticos encaram-nos sempre como violação de direitos.

Há no entanto outros atores sociais nesse cenário anti educativo ou deseducativo, uns e outros já representados na trama histórica do Areópago - Pois além do chefe militar ali estão, não menos firmes, o demagogo político, o fanático religioso e o capitalista, patrão ou investidor... Cada um mais ou menos delineados.

Ali, cerca de 399 a C, assassinaram Sócrates... Hoje impedem que Sócrates renasça ou 'reencarne' em cada cidadão - Pois teem medo dele e receiam da liberdade.

Outros diriam que o ódio é potencializado pelas atitudes daqueles que cultivando a autonomia, despertam a inveja e o rancor nos submissos e os submissos são rancorosos mesmo... 

Tornemos porém aos personagens - O Demagogo... Inserido no sistema democrático!

O demagogo chega a ser pior do que o déspota ou que o tirano.

Ao menos no Brasil ou em S Paulo foi e tem sido.

O demagogo concluiu que a ignorância propicia o acesso ao poder, através dos sufrágios oferecidos por toda gente massificada.

Pão e circo é seu lema e ele depende de que hajam consumidores de churrasco e cerveja - Ou cachaça... - Potenciais vendedores ou traficantes de voto. É necessário reproduzir esse tipo de pessoa ou personagem... O que só é possível fazer destruindo o que chamamos instrução, pois o fim da instrução ou da educação é produzir um cidadão consciente, que participe, que denuncie, que mobilize; e que jamais se venda ou venda seu voto.

Para que hajam corruptores ou vendedores de voto é necessário que o ensino ou a escola falhem miseravelmente e por isso o demagogo encara todo e qualquer sucesso educativo como perigoso.

Naturalmente que a imposição do voto obrigatório é um dos fatores mais tóxicos.

No entanto é absolutamente necessário que o eleitor constrangido seja perfeito idiota, porque se for consciente e tiver mínima ideia sobre a importância de militar e mobilizar, além de votar... O perigo será o mesmo.

Urge portanto converter a escola pública numa fábrica de zumbis, de palermas, de otários, de tontos, de imbecis, de idiotas, etc E lamentavelmente tal tem sido feito em âmbito institucional.

Todas as vezes que me deparo com a propaganda babosenta do PSDB na televisão e com o esforço heroico em desprender-se da Hidra bolsonarista ou da canalha anti democrática, quase me urino de tanto rir. Pois sei que essa Horda liberticida sendo composta por mentes massificadas ou vazias, alimenta-se de ignorância... Agora, quem fabricou a ignorância com que se banquetearam...

Reportemos a inditosa ou desditosa memória do governador PSDBesta Mário Covas... O mesmo governante que desmantelou o investimento mais do que secular, de nossas Ferrovias públicas, que acabaram sucateadas - Do que resultou a tirania dos caminhoneiros, a rede dos pedágios, o aumento do custo dos alimentos e de tantos outros produtos, etc 

Mário Covas fez algo muito pior e superou a si mesmo ao desmontar as bem estruturadas escolas padrão do estado de S Paulo, outro investimento de cinco anos destinado a recuperar a qualidade das escolas deste estado. As salas ambiente foram desfeitas, os laboratórios desativados e todo aquele material disperso, uma calamidade. Era o ano de 1995. 

Ali o militar, aqui o demagogo... produtor da oclocracia.

Dois adversários implacáveis do ensino ou da escola pública de qualidade.

Não os únicos - Pois temos ainda o Mercado, os patrões ou os investidores, os quais atacam a escola por motivos de diversa monta. Os patrões, a exemplo dos milicos, desejam que seus servidores, os operários, sejam totalmente submissos ou dedicados. Querem que se dediquem ou consagrem a uma causa que não é deles > O enriquecimento alheio a custa do lucro. Quanto mais idiota ou estúpido for o operário melhor: Bom que saiba ler, soletrar, calcular, puxar umas alavancas, etc Importa que ele jamais questione a realidade que lhe é dada ou imposta... Um operário demasiado crítico ou questionador jamais é bem visto, pois poderia recusar a ser o que é ou a contentar-se com o pouco que tem, chegando inclusive a fazer greve, o 'pecado original' dos proletários.

Tal a perspectiva dos patrões... Que temem a escolarização ou a produção de cidadãos conscientes.

Há no entanto algo ainda mais soturno nesse setor do liberalismo econômico.

Tais os potenciais investidores, com suas reservas e o desejo de investigar em alguma coisa.

Agora não basta que tal coisa seja monetarizada ou precificável... Deve ser algo lucrativo, logo algo privado. 

É o ideal funesto das privatizações ou da tal desestatização, o qual deve ser bastante ponderado a luz da História. Pois quando nossos ilustres ancestrais, atacaram a ferro e fogo, com ferocidade e violência, a Igreja antiga, o objetivo foi sequestrar uma série de serviços, como a saúde e a educação, com o intuito de que, desvinculados da fé, se tornassem acessíveis a todos os homens e mulheres. Os ideais norteadores, ao menos da maioria dos teóricos, parece ter sido melhorar a acessibilidade e a qualidade de tais serviços, no caso gerenciados por um Estado (Como parte do que chamamos bem comum.) mais ou menos democrático.

Paulatinamente a ideia, até certo ponto saudável, de concorrência, introduziu a iniciativa privada em quase todos esses setores. Desde então apareceu e tomou corpo, toda uma rede de serviços privados, no acesso dos que pudessem pagar e fora do acesso dos que não podem arcar com os custos. Isso em nada prejudicou o atendimento dessa clientela, incapaz de pagar, pois sempre puderam recorrer aos serviço público e gratuito. 

E as redes de serviço pública e privada floresciam lado a lado, a primeira mantida pelo Estado (A custo de impostos.) tendo em vista a clientela mais simples ou humilde, composta por sinal, pela grande maioria dos trabalhadores pertencentes ao setor privado. 

Até que cerca de 1989, por meio do Consenso de Washington, os EUA, visando fortalecer seu poderio ou império financeiro, impuseram aos países Latino Americanos uma série de medidas inspiradas no modelo capitalista - Dentre as medidas preconizadas estavam o assim chamado controle fiscal, compreendido como teto de gastos e redução de investimentos em áreas não consideradas como essenciais, o que atingiu de cheio inúmeros programas sociais. 

Num primeiro momento Educação e Saúde foram excetuadas, agora a tendência - Vigente no governo Bolsonaro. - é incorpora-las, expondo os mais vulneráveis a morte e a indignidade inclusive, como assistimos durante a epidemia de Covid. O resultado desse tipo de política economicista, desumana e cruel foi suficientemente exposto nos documentários de Michael Moore como Sicko ou SOS saúde. 

Em seguida vinha a cereja do bolo i é as Privatizações ou desestatizações i é a passagem dos serviços públicos e gratuitos, tomados a Igreja pelos jacobinos, ao setor privado ou ao Mercado, com a necessária monetarização... Sem que subsista qualquer nicho público e gratuito a que os mais humildes possam recorrer, donde resultam - Por pressão econômica em situação de doença ou impossibilidade. - uma série de abusos repelentes como empréstimos a juros exorbitantes, hipotecas, etc E no final do túnel quem lucra, a custa da dor e do sofrimentos alheio, são as grandes instituições financeiras. E aqui, não nos enganemos, por meio de tais medidas (Como a bela desestatização.), os interesses individuais (O lucro ou ganho) sobrepõem-se ao ideal precipuamente ético e político de BEM COMUM, o qual sai de cena... Tal e qual a fé religiosa, como relíquia do passado.

Tolerável que haja alguma privatização em alguns setores periféricos, sempre calculada, dirigida e fiscalizada. Outro o caso dessa mística da privatização que aspira devorar a Educação e a Saúde, direitos primários e essenciais de todos os cidadãos brasileiros senão de todos os seres humanos. Do contrário porque tirar os serviços essenciais a Igreja velha... Para passar as mãos dos particulares ou de indivíduos ambiciosos, movidos por interesses meramente financeiros... Caso tenha sido essa a intencionalidade reconheçamos com o Mestre Garrett, que cometemos um erro fatal. Então temos que evitar o abismo e manter a todo custo o serviço público, de caráter universal, aberto e gratuito> O SUS e a escola pública, principal alvo do desmantelamento.

Não nos enganemos. 

Não nos iludamos.

Não nos enredemos.

É necessário remover a qualidade da Escola pública ou impedir que seja eficiente para que se possa argumentar a favor da gestão privada. E isso é intencional.

Políticos há, postados a favor do grande capital e do capital estrangeiro ou estado unidense, que sabotam a educação e a saúde públicas. Aspiram desmonta-las com o objetivo final de vender ou leiloar em hasta pública a quem mais oferecer... E esperam colocar toda essa grana nos bolsos, pois são vendilhões...

Pugnam os interesses privados contra a qualidade da Escola pública - Pois há milionários ou afortunados que desejam converter hospitais e escolas em empresas, querem investir, dizem eles. Desconfio que queiram lucrar... Saúde e Educação até podem ser economicamente exploradas, desde que haja um espaço reservado para o poder público - Ao que se opõem o Consenso de Washington com a ideologia da desestatização, alias em grau absoluto ou com abertura para o que chamam capital internacional > E o ideal aqui é que as empresas Norte Americanas comprem todas essas estruturas a preço de bananas com o propósito extrair imensas fortunas, transferidas em parte para a grande República anglo saxã. 

De comboio no controle fiscal, na privatização e na abertura ao poder econômico imperialista ou estrangeiro; temos ainda a proposta de uma Reforma fiscal destinada a desonerar os mais ricos - E consequentemente de desamparar o Estado ético ou humanista de Bem estar social (Bem comum) e por fim a desregularização do mundo do Trabalho i é um decidido retorno a maravilhosa Inglaterra liberal anterior a 1870. Eis todo o pacote de malignidades, etiquetadas com os rótulos de econômicas.

Após o Militar, o Demagogo e o Capitalista ou Patrão tem a escola e quiçá o Hospital, um outro grande inimigo. Não o homem ou a mulher religiosos, que cultivam uma espiritualidade qualquer. Nem, julgo eu, o rabino, o bonzo, o médium ou mesmo o padre romano. Porém o pastor protestante, fundamentalista, bíblico, sectário, etc nos exatos moldes do 'made in EUA' - Não menos que o Ulemá sunita > É o mesmo espírito tacanho e farinha do mesmo saco...

Charlatães, cobram por curas pseudo miraculosas que de modo algum realizaram, e depreciam os verdadeiros heróis: Médicos, enfermeiros, etc assim tratamentos, hospitais, etc E já foi dito que se existissem curas divinas ou miraculosas, a sra economia nos mandaria investir em pastores ou pagar dízimos... 

Tanto pior o caso das Escolas, da instrução, da formação racional, do pensamento crítico, etc 

Basta lembrar o processo do macaco, nos EUA, sofrido pelo heroico prof Th Scopes. 

Tanto a presença de primitivos mitos no Antigo testamento quanto a crença continuísta na existência de milagres no tempo presente - E portanto um éthos mágico fetichista. - fazem com que os pastores sejam os mais denodados amigos da ignorância e adversários do pensamento reflexivo.

Não podendo dominar e usar a escola numa perspectiva confessional o pastor aposta em sua perda de qualidade. É outro personagem que, como o militar e o demagogo, aposta na ignorância humana, na imbecilidade e na massificação para tirar proveito próprio. Talvez, mais do que todos os outros o pastor dependa da falência da escola ou do sistema educacional.

Outro aspecto danoso a ser considerado com relação a este último personagem é o moralismo (A simples moralidade mecânico formal.) ou o puritanismo em oposição ao pluralismo escolar e o consequente liberalismo moral que tanto exaspera os bíblicos. Para eles a escola pública e laicista é uma aberração por não aderir a moralidade tosca do pentateuco ou mesmo os preconceitos legados pelo paulinismo. O fanático não sabe conviver com a liberdade e aquele todo aquele que escapa ao sistema de opressão do qual ele faz parte converte-se numa ameaça, ou, como dizem num mau exemplo - Daí desejar ele o insucesso da escola. 

Eis porque jamais houve medida destinada a sucatear a educação pública ou a prejudica-la que não contasse com o decidido apoio da sinistra Bancada Evangélica. 


Continua





terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Paulo Freire, o positivismo, o catolicismo e a neutralidade do ensino





Como tenho acompanhado de perto a recente polêmica suscitada pelos liberais e conservadores em torno dos pressupostos pedagógicos enunciados por Paulo Freire a respeito do dogma positivista da neutralidade do ensino e, simultaneamente repassado algumas leituras como o 'Manual de Pedagogia Moderna' de Everardo Backheuser (Globo 1941), o "Tratado de Pedagogia" de Mons Pedro Anísio (Civilização Brasileira 1935) e os compêndio do 'Tio Baldo' e de Amaral Fontoura dentre outros; aproveitei a oportunidade para escrevinhar algumas coisinhas.

Segue um fragmento de nossa reflexão:

De tudo quanto expusemos até aqui a respeito da objetividade material e da instrução formal, extraem os positivistas seu derradeiro dogma, o do ensino neutro, imparcial ou não ideológico e expurgado de todo conteúdo subjetivo ou individual.

Segundo declaram a Instrução técnico científica ministrada por eles tem por único fim e objetivo levar o educando a conhecer a realidade externa a si sendo por isso mesmo comum e isento. Afinal, não se trata aqui de julgar a realidade externa a partir que qualquer conteúdo interno de consciência ou de determinar arbitrariamente o que ela deveria vir a ser, mas apenas de perceber, registrar, descrever e compreender.

Por isso que o ensino positivista, sendo descritivo nada tem ou pode ter de crítico. Trata-se dum ensino comodista, cuja tônica não é questionar. Ao aluno resta a solução de inserir-se na realidade externa, de adaptar-se, acomodar-se e não de altera-la, isto sequer vem ao caso...

Assim o positivismo abdica de formar o homem todo ou de falar a sua vontade e da-se por satisfeito com o informar ou encher o intelecto.

Como já dissemos sua tônica é instruir e não educar.

E como em tese todos deverão receber as mesmas informações ou conteúdos determinados pelo currículo temos um ensino sem contaminação ideológico/subjetiva ou como dizem neutro.

Aqui como sempre contempla-nos o positivismo com um aluvião de palavras bonitas e propostas atraentes e, no entanto tudo isto não passa de pura falácia.

E para demonstra-lo basta-nos tomar o caminho do velho Sócrates (com seu 'Só sei que nada sei') e considerar que o tempo que gastarmos em qualquer estabelecimento de Ensino jamais será suficiente para informar-nos a respeito de tudo quanto se pode e deve aprender sobre o mundo. Mesmo que permanecessemos matriculados por um século numa escola de período integral não conseguiríamos obter a soma de informações necessárias a vida e ainda ficaria faltando muita, mas muita coisa.

O leitor certamente esta já a xingar-me por estar discursando sobre o obvio.

No entanto faço questão de assentar a existência de mais informações face ao tempo de que dispomos para adquiri-las para determinar que, diante disto, uma das tarefas do ensino formal ou informal, diz respeito a selecionar as informações ou fatos que serão ensinados aos educandos. Uma vez que não se pode nem cogita ensinar tudo faz-se mister escolher e é justamente aqui que a suposta neutralidade do ensino vai pelo ralo abaixo.

Consideremos no entanto, antes de tudo, as instâncias de escolha ou seleção de conteúdos: O currículo elaborado a nível nacional, o PPP elaborado em nossas UEs e o Plano de Ensino confeccionado por cada docente no início do ano letivo. Imaginemos assim um conteúdo que passa por no mínimo três peneiras sucessivas e uma mais fina do que a outra. E no fim temos apenas alguns resíduos, recortes ou fragmentos da realidade...

Agora cuidará você leitor inteligente que cada uma destas múltiplas seleções realizadas por homens e mulheres de carne e osso e vinculados a esta ou aquela instituição carece de intencionalidade ou de conotações ideológicas???

Seria o caso de tais pessoas ou organizações alienarem-se de seus próprios princípios e valores???

O que desejo salientar é que o aluno terá de aprender o que foi selecionado por outros com base em suas próprias crenças, opiniões, gostos, princípios e valores, consciente ou inconscientemente afirmados. É como já dissemos conteúdo parcial, fragmentado, recortado e este recorte não pode deixar de corresponder a determinada intencionalidade.

Não há como fugir a este dilema: Para instruir faz-se mistes escolher e para escolher partirá de seus princípios e valores, de um ideal de educação e de homem implantado em si. Diante de uma multidão de fatos o 'educador' haverá de selecionar alguns apenas e estes serão aqueles que melhor corresponderem a lição que pretenda inculcar segundo o critério da relevância. Os demais conteúdos ou lições permanecerão na penumbra ou receberão menos atenção pelo simples fato do professor encara-las como menos importantes. Ora este juízo sobre a importância dos fatos é sempre subjetivo e ideológico.

Quando você julga os conteúdos e decide o que haverá de ensinar a alguém e consequentemente o que este alguém irá aprender e saber apela ao critério da relevância e jamais poderá demonstrar que aquilo que é relevante para si é objetivamente relevante para todos.

É objetivamente relevante para o Mercado, mas não para a literatura, a estética, a religião, etc

Supor que nossos interesses correspondem ao interesse geral parece ser um erro fatal.

Eis porque o ato de decidir sobre o que haverá de ser aprendido pelos outros, enquanto ato eminentemente subjetivo e até arbitrário contamina a tão decantada neutralidade positivista. Mesmo quando tais conteúdos são amplamente discutidos por uma sociedade numa perspectiva democrática (o que ainda é raro) não podemos dizer que contemplam todas as necessidades e interesses ou que possuem um valor mais extenso que o daquela sociedade. Tanto pior quando realizada por um poder político arbitrário que aspira produzir determinado tipo de homem segundo suas necessidades e dispondo-se a oprimir a pessoa humana.

É evidente que todas estas iniciativas tenderão a afetar objetividade e neutralidade. No entanto elas supõem direção, ideal, projeto, tipo, etc Intencionalidade, princípios, valores e subjetividade.

Passemos agora da doutrina ao exemplo.

Para tanto tome-se um exemplar qualquer desses compêndios e publicações escolares inspiradas pelo ideário positivista e vejamos com que nos deparamos nelas.

Nada além de sucessivos sermões ou catequeses a respeito do papel exponencial e remidor da ciência, da fé no progresso da civilização moderna e enfim no amor abstrato a humanidade, a pátria e ao trabalho ou Mercado. A isto é que chamam neutralidade ou isenção... Uma reprodução ou decalque perfeito do ideal de sociedade positivista vigente na última quadra do século XIX.

Reforça-se aqui, mais uma vez, o que já havíamos dito: A obstinação em narrar ou descrever apenas e a marcada recusa em criticar, opor ou questionar não passa ela mesma de ideologia destinada a contemplar as exigências de um poder que aspira perpetuar-se ou a cimentar as pretensões conservadoras de certos setores da Sociedade. Por favor contemple apenas mas não toque em nada! Tais as exortações do positivismo.

Nada mais refinadamente ideológico do que esta afetação de neutralidade por um sistema que folga permanecer impassível face a miséria, a dor e aos sofrimentos humanos. Como no caso do antigo estoicismo acha-mo-nos diante duma imparcialidade criminosa ou duma omissão deplorável.

O positivismo, sejamos francos, com sua ciência abstrata e fria jamais se posta em favor do homem concreto e esta quase sempre pelo Mercado.

Passemos agora ao segundo exemplo não menos eloquente.

Temos um certo professor de História positivista, cientificista, liberal... e esta conta com cerca de sessenta horas aulas para gastar com a Idade Média. Diante disto ele toma o currículo ou o PPP e começa a dividir aquele mínimo saldo de aulas entre tão vasto conteúdo.

E como nosso mesmo Mestre que morre de amores pelo liberalismo econômico vive de ódio a Igreja romana opta por gastar no mínimo doze aulas (senão mais) dissertando minuciosamente sobre os horrores da Inquisição espanhola. Feito isto escolherá alguns outros temas do gênero: Cruzadas, bruxaria, peste negra, etc todos destinados a confirmar a velha ideia segundo a qual a Idade Média não passou duma Idade de trevas! Agora sobre a Civilização Cristã Bizantina, a teologia Escolástica, os feriados e dias santos em que o povo costumava descansar nada dirá, silenciando por completo.

Posteriormente, por falta de informação, nenhum daqueles alunos estará apto para questionar o jargão liberal segundo o qual o fim de semana ou repouso dominical teria sido gentilmente concedido aos trabalhadores modernos pelos bondosos patrões no decorres do século XIX. Tampouco quando interpelados pelos comunistas serão capazes de estabelecer que o primeiro modelo efetivo de serviço social em escala verdadeiramente ampla foi implementado pelo Império Cristão bizantino.

Pois nosso Mestre selecionador de fatos não considerou importante a abordagem de tais temas.

Diante disto com que propriedade se afirma ser a seleção de conteúdos neutra ou imparcial???

Se eu julgo e determino o que você deve perceber, saber, ver ou aprender os critérios são certamente meus e não seus e portanto ditados por meus gostos, inclinações, disposições, princípios e valores, o que basta para lançar fora a tal neutralidade. Consciente ou inconscientemente todos temos um ideal bem definido de homem (h positivista, h liberal, h individualista, h fascista, h nazista, h anarquista, h teocrático, etc) e de sociedade.

Então é bom que assumamos sem termos nosso ideal humanista de homem e justicionista de sociedade em oposição a todos os outros e implante-mo-lo no terreno da ética ou da lei natural




EDUCAR SEM MEDO!


Tecidas as considerações acima resta-nos admitir sem maiores rodeios o caráter normativo da Ciência pedagógica posto para um ideal bem definido de homem, o homem Ético, o homem humanizado, humanitário e humano.
Assumamos intrepidamente o ônus de educar ou de conduzir o menino ou o jovem a virtude, de moldar-lhe o caráter e de corrigir-lhe a vontade encaminhando-a para o bem, para o dever, para a identificação e a alteridade.

Educar é dirigir para um determinado fim, é guiar, é orientar. Educação supõem sempre uma diretividade. É plano, é projeto, é meta intencionalmente elaborada.

Meta sublime que visa a passagem da potência para o ato, o desenvolvimento das capacidades, a aquisição de habilidades, o exercitamento das qualidades, a realização das aspirações, a percepção de um sentido para a vida e enfim a conquista da felicidade. Pois é impossível que o homem em posse da virtude ou do bem seja infeliz.

Trata-se dum projeto de homem total e de educação integral que considera o corpo físico enquanto objeto de uma educação física e cuidados especiais, o intelecto ou a mente a ser treinada por meio da lógica e enfim da vontade a ser direcionada para o bem na mais larga escala possível. Assim teremos as idealidades da Beleza, da Verdade e do Bem incorporadas pelo menino, o jovem, o adulto e desenvolvidas até o fim da existência.

Segundo este projeto conteúdo algum é posto de lado. Pois todas as partes são nobres e todas as áreas precisam ser preenchidas e cultivadas, e estimuladas sob pena de mutilarmos o ser. Procedimental, Teórico/conceitual e Atitudinal associam-se num conjunto equilibrado para formar um todo perfeito e constituir uma personalidade completa e fascinante. Fugimos assim ao vício do intelectualismo artificioso que toca apenas a memória e a verbalização. E ao ensino mecânico ou adestramento.

Lutemos por resgatar a dignidade tantas vezes negada (pelo maniqueismo e puritanismo) do corpo humano e por integra-la a educação sem no entanto cairmos no extremo oposto abandonando a formação da vontade e relegando-a a ação individual extra escolar. Pelo contrário façamos da escola um santuário vivo da Ética e das aula de Filosofia um nicho para a discussão de tais problemas.

Por fim implica este projeto de homem um projeto de Sociedade, pois estão interligados. Do ponto de vista da ética humanista não podemos compreender a Sociedade senão como um organismo colaborativo regido pelos imperativos da alteridade, da solidariedade, da fraternidade, da igualdade, da liberdade, da justiça, da tolerância e da paz; o que nos remete no mínimo a um estado de bem esta social ou de social democracia. Eu não temeria falar em socialismo, trabalhismo, solidarismo, personalismo, desde que as pessoas mal intencionadas não compreendessem comunismo ou 'socialismo' totalitário.

O ideal no entanto é de justiça, bem comum, integração social, apoio mútuo; como já preconizavam Sócrates, Platão e Aristóteles. Não de rivalidade, concorrência, mercado; voltado para necessidades humanas e não financeiras. Claro que a Sociedade que preconizamos tende a restaurar o primado do SER sobre o TER e a fugir desta nêmesis materialista economicista.

Nem podería haver ideal verdadeiramente humanista de homem artificialmente justaposto a uma estrutura social capitalista. Isto sequer se discute. Portanto nosso ideal de homem e sociedade é a um tempo antigo e a outro novo e de nosso baú tiramos coisas novas e velhos para tudo corrigir e consertar.

Por fim gostaria de me dirigir aos professores e mestres que me acompanharam até aqui e dizer que aprendam cada vez mais a educar com a vida, por meio do exemplo, pois são os exemplos que arrebatam a juventude. Palavras comovem mas somente os exemplos arrebatam e promovem a imitação e a assimilação efetivas. Tornem-se assim modelos para seus alunos.

Só seremos educadores eficientes na medida em que soubermos que nosso trato pessoal é tão importante quanto os conteúdos curriculares e pedagógicos. Nossa ação só será fecunda e permanente na medida em que criarmos laços de afeto e carinho, em que amarmos e respeitarmos os nossos alunos. A partir daí o aluno transferirá a carga afetiva para os conteúdos e será levado a esforçar-se mais para assimila-lo. Foi Wallon quem fez esta constatação.

Não, não nos acomodemos nem deixemos de os conteúdos específicos de nossas disciplinas, não. Os alunos como ressalta Saviani precisam desses conteúdos para seguir em frente e conquistar um espaço. Conteúdos são instrumentos de emancipação, pois no mundo atual saber é poder e estar bem informado faz toda diferença. No entanto antes de tudo e acima de tudo ensinemos nossos meninos e meninas a bem viver, porque bem viver é o segredo da felicidade e mais vale um pedreiro infeliz do que um empresário amargurado (Domênico de Massi).

Com este ensaio dou razão a Paulo Freire e registro que muito antes dele o Pe Pedro Anísio (opus cit) em suas polêmicas contra liberais e positivistas já assentava o caráter intencional, diretivo e não neutro da educação. Desmontando com sucesso o espantalho da neutralidade que agora as nulidades do tempo querem ressuscitar.

Boa tarde queridos e queridas porque a proposta utópica de uma escola sem ideologia já é ela mesmo ideológica!!!



Profo Domingos Pardal Braz, de São Vicente SP

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! I

Nada mais desagradável do que um ambiente hostil. Nada mais desagradável do que ter de dizer verdades duras a uma platéia que não deseja ouvi-las. Nada mais desagradável do que ter de dialogar com fanáticos e sectários.

São coisas que ninguém gosta de fazer.

Mas que no entanto precisam ser feitas, devem ser feitas.

Poucos de nós gostam de passar suas próprias roupas ou de lava-las ou ainda de preparar a própria refeição. No entanto caso não possuamos os recursos necessários teremos de faze-lo e pronto. É algo necessário, que se deve fazer...

No curso da vida sempre nos depararemos com coisas que não gostamos de fazer.

Mas que precisarão ser feitas.

No curso da vida não desejaremos fazer muitas coisas.

Mas deveremos faze-las.

Afinal não são nossos gostos que definem a realidade ou fixam as leis.

Quantas vezes somos incapazes de satisfazer nossos gostos e desejos...

Menos mal...

Coisas há no entanto as quais não nos podemos furtar.

É imperativo categórico, dever, necessidade.

Assim construir um mundo melhor, assim lançar os fundamentos duma sociedade mais tolerante, assim redirecionar o que esteja mal direcionado, assim auxiliar as pessoas a redefinir seus valores, e por ai vai.

Nem sempre poderemos passar a mão da cabeça das pessoas e declarar que estão agindo corretamente.

Nem sempre poderás concordar, aprovar e aplaudir.

Nem sempre poderás ignorar e desculpar.

As vezes terás de ter coragem suficiente para afrontar, denunciar, corrigir, resistir, discordar...

Terás de ter ousadia. A ousadia de contrariar ou ser do contra.

Especialmente no ambiente escolar.

Onde temos mentes e carácteres sendo formados.

Onde temos de educar em termos de reorientar, redirecionar e corrigir.

Onde temos de afirmar certos princípios.

Mas o que tem tudo isto a ver com o ensino do evolucionismo.

No momento presente, em que mais e mais um certo ideário religioso importado dos EUA, consolida-se entre nós, tudo. No momento em que as religiões de caráter mágico fetichista tornam a expandir-se em níveis nacionais e globais, tudo. No momento em que o criacionismo passa da defensiva ao ataque em nossas escolas públicas, tudo!

Raro o professor - de ciências, biologia ou mesmo de história, geografia ou filosofia - que já não foi rudemente questionado ou mesmo atacado por algum aluno em nome da tal inerrância bíblica e do criacionismo??? Quem de nós já não ouviu frases como esta:

"Nossa professor, o senhor acha mesmo que o homem veio do macaco?"

ou

"Quer dizer que o senhor prefere acreditar nesse tal de Darwin a acreditar na Bíblia?"

ou ainda:

"Esse negócio de evolução é uma teoria de origem humana."

Etc, etc, etc

Não poucas vezes a abordagem dos pequeninos chega a ser insidiosa.

Diante disto não poucos professores optam por silenciar.

Tendo em vista uma falsa compreensão da liberdade religiosa.

Outros até chegam a concordar, o que é pior ainda.

Já ouvi professor acuado declamar: Cada um tem sua verdade, para mim é a ciência ou a evolução, para você a fé ou a Bíblia; e cada um fica com a sua!!!

Nada mais especioso, nada mais venenoso...

Diante de tantos desfalques decidimos fornecer ao educador crítico, reflexivo; que não pretende nem se omitir nem concordar, uma série de estratégias pedagógicas destinadas a ensinar a teoria da evolução em sala de aula dirimindo todas as possíveis objeções levantadas pelo fundamentalismo.

1 - Se seu aluno perguntar: E se desejar crer na Bíblia e rejeitar a doutrina da evolução?

De fato você pode escolher acreditar no que quiser: numa vaca voadora, no coelhinho da páscoa, no drácula, etc e nem por isso muda a realidade.

Pode negar a existência do Sol e ele não deixará de brilhar. Sua opinião ou sua crença não incomoda o universo nem o comove.

Milhões de pessoas creem na existência de Ganesha, mesmo assim você nega a existência desta entidade e percebe que não existe. Pois as crenças não alteram a realidade do mundo.

Claro que você pode crer que existe um conteúdo científico na sua Bíblia, isto no entanto não torna sua crença verdadeira. E posso sempre insistir que sua fé esta equivocada!

Clado que pode crer no mito judaico da criação, o que lhe dará um visão de mundo cientificamente inexata.

O que você precisa fazer é investigar as coisas detidamente e sem preconceitos.

Investigar primeiro e julgar depois.

Assim se estudar detidamente a teoria da evolução e depois chegar a conclusão de que esta errada, merecerá ao menos o título de homem honesto!

2 - Meu pastor disse que a evolução não é verdadeira.

Resposta: Será que seu pastor já leu algum livro sobre evolucionismo?

Se leu será que compreendeu?

Ou será que limita-se a ensinar o que ouviu de outros pastores?

Será que ele investigou o assunto?

Do contrário a opinião dele valeria tanto quanto a de um boato.

Fulano disse, que disse, que disse e ninguém investiga nada... vai ver e o boato é falso. Oh coisa feia.

Para dizer que uma coisa é verdadeira ou falsa deve-se antes de tudo conhece-la.

Se quiser poderá acrescentar: eu li diversas partes do antigo testamento e cheguei a conclusão de que aquilo não poderia ter sido real. Pode citar o exemplo dos anjos tendo relacionamento com as filhas dos homens, o dilúvio, a morte de Golias por três personagens diferentes, a fábula da burra de Balaão, a narrativa de Jonas no ventre de um peixe, etc


CONTÍNUA

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A Mulher e a educação



Emancipar o homem não é 
emancipar a humanidade.
Emancipai a mulher e tereis 
emancipado a humanidade.


Sempre se nos diz que a inferioridade mental é um fato, que a nossa debilidade é manifesta. E, baseados neste sofismático argumento, pesa sobre nós a tirania masculina, mais pesada ainda que o jugo da escravidão, arrastada pelas servas da Idade Média.
Embora seja  um fato consumado a nossa debilidade, não é menos verdade que a nossa educação e instrução sempre se tem descuidado, causa essa que justifica a inferioridade intelectual da mulher no presente momento. 
Eis a razão dessa debilidade trivial no sexo feminino.
Mais isso não demonstra que a nossa massa encefálica seja mais reduzida que a do homem, pois demasiadamente sabemos que as opiniões mais autorizadas de célebres fisiólogos e antropólogos, são contrárias a estas ranças teorias dos inimigos da emancipação da mulher.
Se a ciência, a literatura, as artes contam nas suas fileiras com pequeno número de mulheres, é porque só ao homem se lhe tem facilitado um meio superior ao da mulher. Essa diferença de meio determina a inferioridade.
De nenhum modo equivale afirmar que o cérebro feminino tenha menos aptidão para abarcar os domínios da ciência. Fazendo a antítese do que até hoje se tem feito, pondo em idênticas condições de meio ambos os sexos, essa inferioridade injustamente atribuída à mulher desparecerá e, conjuntamente a hegemonia e o jugo masculino que nos faz escravas. 
Enquanto mais se ponham obstáculos à instrução e à educação da mulher, mais demorará, e fará com isso a impossibilidade de implantar a Sociedade Livre que tanto anelamos, objeto de nossos amores e sacrifícios.
Tratemos, pois, de realizar o que tão acertadamente indicou Gondorci:
Quando se instrui um menino, se prepara um homem instruído; mas quando se instrui uma menina, se elabora a instrução de uma família, e nada há mais lógico que isto, sendo a mulher a que cultiva a educação dos seus filhos.
Se quisermos, em verdade, que a felicidade seja uma realidade a tirania termine, o baluarte dos zangões caia aniquilado. 
Emancipai a mulher, arrancando essa venda primitivista que perverte os seus sentimentos morais. Rasgai o véu fatídico do fanatismo religioso que a idiotiza, e tereis quebrado os pontos que equilibra esta sociedade de crime.

Artigo de Isolina Borques em A Voz da União Ano 01 - Nº10 - São Paulo-SP 01.01.1923
O texto se encontra:
NASCIMENTO, Rogério(Org.) Educação anarquista, saberes, ideias, concepções. Imprensa Marginal, SP, 2012.




segunda-feira, 31 de maio de 2010

A escola dá tudo exceto educação

A escola pública hoje dá material escolar, mochilas e algumas até uniforme! Muito pais acham isso maravilhoso, mas eu não quero escola que dê material escolar, quero escola que dê educação de qualidade e isso a escola não dá, por isso a escola pública mascara isso dando quinquilharias e os alunos e seus pais ficam boquiabertos com a "generosidade" do sr. governador e/ou do sr. prefeito, tal como outrora os portugueses davam miçangas e espelhos aos índios que ficavam estupefatos com esses objetos comuns, e trocavam essas porcarias por pau-brasil.

O que adianta dar livros, cadernos, canetas, estojos, mochilas, uniformes se não se dá uma educação de qualidade? Os alunos sabem gramática? Sabem escrever de acordo com a norma culta da língua? Sabem ao menos as quatro operações? Sabem ler um mapa? Não, não sabem nada dessas coisas e os pais tampouco se importam. O que importa é que eles não precisam gastar mais com material escolar, e isso é bom.

Há escolas que há classes com 40 alunos ou mais, há escolas que o aluno pode infernizar a vida do professor e este não pode ser posto para fora da sala de aula, porque isso é um constrangimento e a ECA ( é a eca mesmo e não o eca) defende o direito do aluno bagunceiro ficar dentro da sala de aula, infernizando o professor e os colegas que querem aprender. O aluno não pode ser suspenso, não pode ser transferido, nada. A única coisa que a diretora de tais sistemas de ensino podem fazer é tentar convencer as mães com que mudem seus filhos de escola, mas se elas não quiserem, então nada feito!

Pois é, os pais ficam embasbacados com o material escolar gratuito tal como os tupiniquins diante de miçangas. Os pais dos alunos não veem que com esses sistemas degenerados seus filhos nada aprenderão, pois a escola lhes dá não liberdade, mas a licenciosidade para fazerem ou não fazerem o que bem entenderem. E o professor, como fica? Se o aluno vai mal nos estudos, é culpa do professor!!!

Mas é isso que o governo burguês quer, enquanto a burguesia põe seus filhos nas melhores escolas, escolas essas onde há disciplina, a escola para os menos abastados e carentes é uma escola onde reina a indisciplina para que assim a burguesia possa ter no futuro mão de obra barata. Mas poucos enxergam essa triste realidade. Hoje liberdade sem limites, amanhã a pior das escravidões!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os fundamentalistas e o cursos de letras

Como professor tenho constatado coisas muito estranhas no universo da educação. Hoje vou falar de uma delas. Hoje em dia muitos protestantes fundamentalistas fazem curso universitário e nada perdem de suas superstições, continuam tão ignorantes quanto eram antes de seus cursos, com uma diferença: são idiotas diplomados.

Os protestantes fundamentalistas tem uma grande predileção pelo curso de letras, e isso tem uma razão de ser. Letras trabalha com literatura, literatura ==> livros = Bíblia. Não há nada melhor para se conhecer e defender melhor a Bíblia que o curso de letras. Um beletrista pode defender a Bíblia como literatura, até porque a Bíblia é um clássico quer queiramos quer não.

Conheço muitos professores de língua portuguesa e em sua maioria são protestantes fundamentalistas. Triste coisa, saber que o curso de letras está infectado por fanáticos, que desejam fazer da literatura um escudo para o livro preto. Não se vê tantos protestantes e fundamentalistas nos cursos de história, geografia, biologia, matemática, sociologia, filosofia, etc...

Se o curso de letras ainda tivesse a possibilidade de solapar não digo a fé, mas as superstições desses fanáticos, seria ótimo. Mas pelo que tenho visto e ouvido, os fundamentalistas ou nada aprenderam ou o curso de letras é inócuo. Prefiro acreditar que os fundamentalistas nada ou quase nada aprenderam.

Como eu gosto muito de literatura (por pouco não cursei letras) procuro sempre conversar com os professores de literatura. Mas que ingrata surpresa, nada sabem de literatura e se por acaso sabem algo é porque aprenderam no curso de letras. Esses fundamentalistas não leram a obra machadiana, não leram Lima Barreto, José de Alencar, Padre Vieira, Aloísio Azevedo entre outros. Nem vou falar na literatura universal senão vai dar merda o negócio vai feder.

Conversei com um professor de literatura, muito falador, bom de papo, que parecia ser culto e inteligente, até porque não havia tocado nem na Bíblia nem em religião. Um dia perco 90 minutos do meu sacratíssimo tempo ao entabular conversação com o supracitado cidadão. Conversa vai conversa vem falamos sobre literatura, sobre os grandes teóricos da pedagogia, da linguística, etc... Tudo ia bem, quando o "professor" falou que Piaget, Chomsky, Bakhitin e outros basearam suas teorias na Bíblia. Imaginem a minha reação. Fiquei branco, gago e de olhos esbugalhados como se tivesse vendo o diabo ou coisa parecida. O sujeito ainda teve a audácia de continuar seu discurso desavergonhado afirmando que o profeta Daniel tinha dado a ciência à Babilônia. Mui educadamente discordei do meu opositor e dei a conversa por encerrada, porque meus ouvidos não são privadas.

Ainda num outro dia o professor profeta, quis me convencer de que a Bíblia é um livro científico, o que me fez rir de sua ingenuidade. Ele pediu-me meia hora de meu tempo para provar sua tese. Acessou a internet na sala dos professores e mostrou um texto do profeta vetero-testamentário Daniel. Foi um texto sobre as 70 semanas e/ou 1260 dias. Aí o cidadão para me explicar o texto fez uma mistureba com história e bíblia e como não podia deixar de ser, falou besteiras. Disse que a tal profecia se concretizou com a fundação da Igreja Católica Apostólica Romana em 476. Pedi referências de historiadores, disse que referências não importavam, o que importava era a concretização da profecia. Só que a dita profecia não se realizou nem em 476 nem em quaisquer outras épocas. Mostrei para ele que no primeiro milênio só existia a Igreja Ortodoxa e que o papado como liderença suprema e inquestionável é uma instituição tardia. O professorzinho continuou a insistir em seu erro, e eu continuei a pedir referências e pedi para que não falseasse a história. Disse-lhe ainda que se ele quisesse me provar que a Bíblia era um livro científico, ele deveria usar um método científico para comprovar tais dados, e para isso a primeira coisa era mostrar-me uma bibliografia de historiadores insuspeitos para que eu pudesse conferir. Pedi-lhe que mostrasse um único historiador que afirmasse que a Igreja Católica Romana foi fundada em 476. Sabe que o professorzinho falou? Pesquise você na internet. Retruquei: O ônus da prova cabe ao afirmante, é você quem afirma que a Igreja do papa romano foi fundada em 476 e não eu. Enfim continuou a advogar a cientificidade da Bíblia sem método científico, ou seja, a emenda saiu pior do que o soneto. Para findar a conversa eu disse: Belo discurso mas sem provas, tudo o que você disse não passa de palavras.

Sabe de que religião é o "fessorzin?". Adventista do sétimo dia. A escola pública está uma merda! Professores fundamentalistas ensinando mitos bíblicos aos nossos alunos. Os fanáticos fizeram letras, mas continuam iletrados, isso é fato.

Proh Pudor!!!