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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

O excesso de trabalho segundo Nietzsche leva ao indiferentismo religioso e "educa" para o ateísmo


 


Eu estou lendo Nietzsche, para ser exato, estou lendo Além do Bem e do Mal, quando ele escreveu esse livro já não gozava de plena sanidade mental pois o livro é de 1885, 15 anos de sua morte. Em seu livro ele repete os ataques à Platão e ao cristianismo e a outros sistemas filosóficos, começa a esboçar sua doutrina de vontade de poder que nada mais é do que nos deixar guiarmos por nossos instintos e o cristianismo é inimigos dos instintos, principalmente os ascetas que são inimigos da natureza. Até aqui nada de novo, marquês de Sade foi muito mais genial e inteligente. 


O que me chamou a atenção foi um texto de Nietzsche sobre o trabalho excessivo que brutaliza os seres humanos e essa é a diferença entre as sociedades protestantes que glorificam o trabalho enquanto as sociedades antigas católicas prezam o ócio. Nietzsche escreve  que uma sociedade em que as pessoas trabalham muito elas tendem a abandonar a religião ou ficar indiferentes à elas porque é preciso tempo para rezar, é preciso ócio, passo ao texto de Nietzsche, deixem depois os seus comentários, considerações e reflexões.


Parágrafo 58. "Já se observou o quanto uma autêntica vida religiosa (tanto seu trabalho favorito de auto-análise microscópica quanto essa suave compostura que se chama "oração" , que é uma contínua disposição para a "vinda de Deus" -) requer o ócio ou meio-ócio exterior,  quero dizer, o ócio com boa consciência, de longa data, de sangue,  ao qual não é totalmente estranho ao sentimento aristocrático de que o trabalho desonra - torna a alma e o corpo vulgares? E que,  por consequência, a laboriosidade moderna, barulhenta, consumidora de tempo, orgulhosa de si, estupidamente orgulhosa, mais que qualquer coisa educa  e prepara justamente para a "descrença"? 


NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal, parágrafo 58 página 55, Companhia das letras, 2009

segunda-feira, 2 de março de 2020

Nótulas sobre o pensamento atual

- Resta declarar, quanto ao século XIX, que há muita coisa boa: Maine de Biran, Damiron, Jouffroy, Victor Cousin, Mme De Stael, e muita coisa excelente: F A Trendelemburg, Franz Brentano, R Eucken, Dilthey, Nartorp, Brochard, Windelband, H Rickert, Deat, Zeller, Mauss, Simmel, Weber, L Bloy, Pe Thiago Sinibaldi, o próprio Lênin (Nos domínios da gnoseologia cf "Materialismo e empiro criticismo"),etc a par de muita porcaria, como os já citados Fichte, Schelling, Feuerbach, Stirner, Nietzsche, Mach, Avenarius, Guyau, etc O século seguinte (XX) escolheu e valorizou o que havia de pior e mergulhou de cabeça no irracionalismo, digo, no absurdo nihilista.

Tivemos ainda alguma coisa boa - M Buber, M Scheler, Berdiaeff, Maritain, Sciacca, Mondolfo, Mounier, K Jaspers, G Marcel, Dawson, Butterfield, Voeglin, etc Todavia, de modo geral, predominou a herança irracionalista ou anti metafísica alardeada por Kant e o kantismo conheceu o status de dogma. Após Kant reinaram Marinetti, Gattari, Deleuze, Foulcault, Barthés, Lyotard, Baudrillard, todos herdeiros de F Nietzsche, para o qual há apenas discurso, jamais verdade. E a Filosofia, que a partir dos positivistas tornara-se analítica, converteu-se agora em exercício de hermenêutica ou em Semiótica ou semiologia com Pierce e Saussure. A busca agora é pelo significado, não pela realidade concreta ou pela verdade. Após a fé, razão e percepção foram postas de lado, restando apenas o nada ou o vácuo absoluto. O pós modernismo ou o irracionalismo retirou-nos tudo e não ofereceu coisa alguma em troca, pois ele sequer ousa afirmar-se como verdade, a exemplo de seu irmão gêmeo, o ceticismo.

- Dentre os principais teóricos irracionalistas temos:
Jacobi, Goethe, Fichte, Schelling, Stirner, Nietzsche, Wallas, MacDougall, Bergson, Heiddeger, Sartre... além dos pós modernistas acima citados, os quais em sua maioria são céticos. Os demais tomaram por critério o sentimento, a vontade, o ego, o inconsciente, a intuição, além é claro da fé, critério como vimos já adotado por Montaigne.

- Firmado nos EUA o pós modernismo tratou logo de forjar um vocabulário próprio: Lugar de fala, apropriação cultural, etc invadindo é claro as esferas da História e da Sociologia e arrebatando a esquerda fanfarram ou carnavalesca, especialmente no Brasil, onde até os Comunistas abandonaram o sóbrio realismo gnoseológico de Lênin e aderiram a moda. Claro que os pivôs ou as pontas de lança desta corrente espúria foram os anarquistas, os quais do plano político - Onde tinham alguma razão de ser - passaram ao Filosófico ou gnoseológico, criando - A partir de Fayerabend - o anarquismo epistemológico ou gnoseológico. Segundo esta corrente ideológica ou metafísica todos estavam errados desde Descartes, inclusive Comte, e Marx e sobretudo o velho Aristóteles... Nada de Método experiencial, de Lógica ou de Dialética, pois o conhecimento dispensa quaisquer métodos.

- Ao refugo acima esta ligado o relativismo, seja epistemológico ou cultural, e os pós modernistas fazem grande bulha a respeito disto. Quanto ao primeiro sentido querem dizer que tudo é verdade, pelo que não existe verdade ou erro que se lhe oponha. Se as verdades são todas relativas não pode haver qualquer verdade absoluta... Assim pensam eles. E sendo tudo mera produção subjetiva da consciência nada há de objetivo. Forjamos nossas experiências, como forjamos nossa lógica e produzimos o que chamamos de conhecimento objetivo, projetando-o nos objetos. Tudo no entanto é produto nosso - Da imaginação, da fantasia, do inconsciente, do ego... E vivemos apenas de ilusões ou aparências.

No plano da cultura isto significa que o próprio conceito de progresso ou evolução histórica, social e cultural é falacioso. A contrapartida é simples: Não há cultura melhor ou pior, superior ou inferior, mais ou menos evoluída... Todas são absolutamente iguais, dos Bosquimanos e Ianomamis a Grécia antiga ou a França do século XVII, passando pela Suméria, pela Índia e pela China antigas. Nada é melhor ou mais valioso e se você ousar discordar deles gritarão dizendo que és racista, posto que confundem maliciosamente o conceito de cultura com o de raça ou etnia. No momento seguinte, caso o amigo leitor ouse afirmar que entre a cultura do antigo israel e a cultura assirio/babilônica vai um abismo ou que a cultura clássica produzida na hélade é superior a qualquer coisa produzida na floresta herciniana de então, classificar-lhe-ão como fascista... E por força de rotular seus opositores, os dogmatizadores do pós modernismo vão espalhando o terror aqui e ali. Se você discorda quanto a teoria monstruosa e grotesca do relativismo cultural eles te impõem o ferrete de racista ou fascista... E com que sanha.

- Aos poucos tais aberrações, já dizia R Barthés, vão destruindo um projeto educativo multi secular e impregnando nossa vida cultural, desde o nível superior ao fundamental, posto que penetram o currículo e impõem a versão do igualitarismo cultural absoluto ou do relativismo cultural. No Brasil a moda consiste não em apresentar nossos diversos núcleos de cultura como uma amalgama - muitas vezes sincrética - de elementos indígenas, africanos e europeus, de informar objetivamente sobre as culturas ameríndia e africana. Não nos opomos ao estudo da cultura indígena pré cabralina ou da História africana. É benefício conhecer a pluralidade das culturas justamente para poder julgar livremente seu processo formativo, ao invés de repetir-se automaticamente dogmas pós modernistas... Não somos contra a presença destes estudos e culturas no currículo, mas sim contra a forma - relativista - como tais conteúdos são apresentados. Temos o direito de discordar e de assumir uma perspectiva evolutiva ou progressivista, avaliando as diversas culturas a partir de determinados critérios e julgando que umas são mais avançadas ou melhores do que outras. Importa saber onde surgiram a Filosofia ou a Ciência ou onde foram concebidas e produzidas determinadas regras em torno das artes ou ainda determinada normatividade Ética... Onde o teatro veio a luz ou o direito foi sistematizado... Se tudo isto é irrelevante ou deve ser desconsiderado admito nada ter compreendido em termos de História... O próprio comunismo e mesmo o anarquismo surgiram num contesto histórico e social bem definido, não em outro...

Apesar disto os profetas do pós modernismo amam viver entre nós, em meio a nossa Civilização tóxica (A qual afetam odiar) e mais particularmente ainda amam pontificar nas cátedras da Sorbonna ou de Oxford, receber comendas, medalhas, menções honrosas, 'honoris causa', etc Caso aconselhe-mo-los a trocar o terno ou o paletó por uma tanga e banquetear-se com larvas no meio da floresta, viram a tromba e recebem tal conselho como tipo de insulto. Eles que vivem publicando as glórias das culturas tribais sejam africanas ou ameríndias... Mas viver estas culturas e assumi-las verdadeiramente não querem, e vivem longe da 'praxis'... Limitam-se a forjar um discurso pomposo destinado a agradar a opinião pública. Caso acreditassem no que ensinam teriam abandonado a muito o padrão cultural que tanto criticam e se exilado nos desertos, campos e florestas, distantes das grandes metrópoles... Não é o que se observa ou vê. De minha parte tendo e desconfiar daqueles que não vivem seus próprios ensinamentos...

Como T S Elliot e Eric Voeglin, dentre outros, deploro não apenas o anarquismo epistemológico quanto o relativismo cultural, elementos pertencentes a mesma salada ou sopa pós modernista e indigesta.

- Não temos pensamento atual mas quase que total ausência de pesamento. Por isso estamos em crise e a merce de tantos fundamentalismo religiosos. Ao destruírem nossa confiança na percepção e na razão os pós modernistas desarmaram-nos face aos sectarismos e extremismos religiosos. Abriram um alçapão e os homens caíram no abismo da fé cega. Urge reabilitar imediatamente a razão e a percepção, assim a boa Filosofia, com metafísica e a uma Ciência que não seja cientificista.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Observações sobre um Artigo - Apreciação sobre o artigo a respeito de T S Eliot publicado no Blog "Arcana coelestia universalia"


Resultado de imagem para T S Eliot


Ao contrário do articulista amigo - do 'Arcana coelestia...' - nós não apreciamos o estro poético de T S Eliot. Nossos canones, sendo clássicos, são mais rígidos.

Nos domínios da arte ou da estética, oh céus eternos, estamos de acordo com Hitler.

Personagem com que não estamos de acordo em qualquer outro domínio.

Em termos de poesia brasileira subscrevemos o Credo ou 'Símbolo' de Bilac. 

E de pronto concordamos com a apreciação de nosso doutro interlocutor: Ser revolucionário num plano não significa - Exceto para alguns revolucionários místicos ou metafísicos, sejam anarquistas ou comunistas - ser revolucionário em todos os setores da atividade ou da existência humana. Assim ser reacionário num ponto não significa se-lo de modo geral.

Sou reacionário (Não conservador porque a estética atual é predominantemente moderna ou pós moderna) quando a estética, e assim quanto a arte, a literatura, a poesia, etc E absolutamente adepto do formalismo estético... Objetivista/realista, não subjetivista ou psicologista.

Por outro lado quanto ao que chamam de moral (Práticas costumeiras ou costumes - Não confundam com a Ética, i é princípios e valores, domínio em que represento o essencialismo/objetivismo socrático) sou absolutamente Revolucionário (Ao menos quanto a apreciação predominante, profana, vulgar ou popular) quando na verdade, sou profundamente reacionário na medida em que meus referências estão postos na cultura clássica (Greco romana) e jamais no judaísmo.

Como os antigos pagãos sou infenso a qualquer tipo de controle externo, individual ou social, a respeito do quanto seja prioritariamente humano; assim a alimentação, o vestuário, a sexualidade, o gosto musical, etc Neste sentido sou personalista, atribuindo tais decisões ou opções a pessoa ou a esfera do privado e de modo algum a esfera comum do político.

Nem mesmo a assembléia dos cidadãos livres ou a Pólis tem o direito de invadir o setor pessoal ou provado de existência e legislar sobre ele -

Toda e qualquer tentativa no sentido contrário parte da mentalidade teocrática dos antigos sêmitas.

Alias como Cristão Católico - E portanto pautado não numa 'Bíblia' ou na cultura judaica, mas apenas e não somente no Evangelho ou nas palavras do Verno Encarnado Jesus Cristo - sinto-me perfeitamente livre para defender este ponto de vista. Pelo simples fato de Jesus jamais ter fixado leis, normas ou regulamentos de caráter dietético, sexual, musical, etc E ter sido suplicado e morto por pessoas que cultivavam este ponto de vista: Os fariseus. Estes sim cultivavam uma religião puramente externa, cujo objetivo era oprimir o ser humano, destituindo-lhe de sua liberdade pessoal.

Seja como for sou 'Revolucionário' quanto a moral, e certamente quanto a política (Na medida em que não encaro a democracia representativa como o fim da História ou um tabu, mas como mero estádio ou passagem para um modelo mais eficiente, a democracia direta segundo o modelo da Pólis grega), e ainda quanto a organização social, na medida em que oponho ao sistema vigente, o capitalismo.

Certamente sou anti conservador se se pretende conservar o que temos atualmente em 2017: Moralismo/puritanismo, democracia representativa, capitalismo, etc No máximo podemos tolerar a contragosto tais instituições, jamais aceita-las.

Sou assim revolucionário/reacionário.

Expressão antitética ou contraditória?

Não caso atribuamos a expressão Revolucionário, o sentido de querer DESTRUIR o que temos hoje e de substitui-lo por qualquer outra coisa. O que temos em 2017 e desde alguns séculos, não merece ser conservado.

Não caso consideremos que ao contrário dos anarquistas e parte dos comunistas, não aspiro substituir o que temos hoje por algo completamente novo e desconhecido, como se aqueles que tivessem vivido antes jamais tivessem existido ou pensado. Desejo substituir o que existe hoje por entidades que já existiram, colocando meus referenciais no passado (Daí o sentido reacionário) já na antiguidade clássica (Quanto a moral 'imoral', já quanto a Ética essencialista, já quanto ao ideal da policracia), já na antiguidade Cristã (Quanto a org social justicionista/socialista), já na Idade Média (Enquanto teologia escolástica), etc

Neste sentido sou revolucionário - reacionário, de um modo ou de outro sempre anti conservador.

Todos somos a um tempo progressivos e regressivos... Pois muitas vezes progredir é regredir, no sentido de que as vezes progredir social ou eticamente poderá ser regredir temporalmente e reassumir um modelo vigente no passado.

Por isso já me adianto e declaro encarar a psicanalise e sobretudo a obra freudiana de modo geral (E não os abusos e distorções de que tem sido alvo sistemático) como essencialmente positiva, humanista e civilizatória. Não que seja freudiano no sentido ortodoxo ou estanque (Só sou ortodoxo quanto a religião porque divina e revelada, quanto ao mais 'assistemático' e heterodoxo), mas sim no sentido lato que considera e acolhe as contribuições de Reich, Jung, Rank, Stekwel, Adler, Kleine, Horney, etc Sem nem por isto desprezar as de um Skinner e menos ainda as de um Kohler, de um Kofka ou mesmo as críticas atrabiliárias de um Eysenk. 

Quanto ao 'materialismo' marxista, evidentemente que o materialismo é, sob quaisquer pretextos inaceitável e indefensável. Compreendido como metafísica fechada ou como sistema ortodoxo o marxismo - Em que pesem suas decantadas petições de cientificidade (Alias tomadas ao velho positivismo) - é pífio. Quanto projeção do futuro, quanto a seu objeto e sua linha de ação, há que se dar razão ao liberal K Popper, o marxismo nada tem de científico. O que para os positivistas cientificistas equivale a uma condenação a morte... Não para nós, pois o marxismo pode conter além de uma parcela objetiva e científica, um forte sentido ético (Alias tomado ao Cristianismo Católico).

Quanto a parcela objetiva e científica, apontamos a análise da estrutura do Capitalismo, o qual define-se a si mesmo como naturalista e na prática como materialista. Qualquer outro tipo de análise imaterial ou psicológica e portanto mais aprofundada do fenômeno capitalista, seria considerada inviável pelos positivistas e rechaçada por eles. O naturalismo é algo que já esta ali presente no capitalismo e no positivismo e que é legado a Marx e a seus colaboradores. De certo modo tinha ele de adequar-se a este clima mesquinho e reducionista até oferecer-lhe uma análise até certo ponto aceitável.

De modo que se compreendemos o capitalismo como entidade materialista, a análise materialista de Marx, em que pese sua superficialidade e limitação (É sem dúvida uma análise parcial) não deixa de ter certo valor. Aqui o materialismo é usado como simples ferramenta metodológica, como o ceticismo havia sido usado pelo grande Católico Descartes, jamais assumido em seu sentido absoluto ou metafísico. Ainda hoje, num cenário que não se desprendeu por completo do positivismo com seu materialismo não marxista, a análise marxista não deixa de ser interessante ou produtiva, cabendo no entanto ao pensador realista ou Católico aprofunda-la examinando as fontes da personalidade (Freud) e da cultura (Weber).

Há portanto que se repudiar o materialismo metafisico do marxismo, mas não a colaboração marxista ou a contribuição dos marxismos heterodoxos (Aqui Tragtenberg) para a compreensão de tão complexo problema quanto o capitalismo e sua gênese formativa.

Quanto a Nietzsche temos uma compreensão mais aproximada.

Quero ressaltar no entanto que não faltava razão ao iconoclasta alemão para fulminar o moralismo pseudo Cristão e conformista tomado por Paulo aos rabinos estúpidos. A moral maniqueísta ou farisaica nada tem de Cristã, é no máximo paulinista (Cf Benthan "Yes Jesus, not Paul") e neste sentido contra revolucionária por opor-se a grande revolução moral e ética posta em movimento pelo Verbo divino e pelos santos Evangelhos.

Por outro lado não temos como deixar de concordar quanto ao papel negativo exercido por este pensador na medida em que denuncia igualmente o socratismo - Repudiando a doutrina do essencialismo/objetivismo ético - e apresenta cada individuo como lei suprema para si mesmo, lançando as bases do atual relativismo, um dos fatores responsável pela crise porque passamos no momento presente. Ademais o pensador de Silz Marei também é cético e o ceticismo outro fator responsável pela agonia da civilização.

Como sistema ou corrente, o nietzschismo representa, sem sombra de dúvida um componente bastante sinistro. Aqui estamos de acordo com T S Eliot. Caso analisemos a relação custo benefício não sei até que ponto as opiniões do bigodudo produziram mais males do que vantagens.

Impossível discordar do autor das 'Notas' quanto a crise de civilização porque passamos devido ao abandono daquilo que há de essencial e perene na Civilização e que nos foi legado já pelos antigos gregos, já pelo Catolicismo. Assim as noções de liberdade, justiça, caridade; bem como a sacralidade da vida humana. Mas também o conceito de verdade e beleza em termos objetivos ou essenciais.

A percepção da crise é comum a diversos pensadores, assim: Bloy, Ferrero, Belloc, Whyndan Lewis, Barres, Huizinga, Toynbee, Crocce, Christopher Dawson, Butterfield, Sciacca, Jollivet, etc

E a ideia de que a crise é antes de tudo cultural ou ideal em termos de certos princípios, de essencialidade, realidade, objetividade, ética, etc prevalece.

O materialismo metafísico implica mutilação do ser, ateísmo, relativismo e ceticismo um mergulho no nada absoluto. Evidentemente que a civilização não pode suportar-se sobre o vácuo...

Construída sobre realidades essenciais como o Bem, a Verdade e a Beleza, despojada de seus fundamentos ontológicos ou metafísicos a civilização tende a desabar fragosamente.

As relações em termos de natureza e produção material tendem a fragmenta-la cada vez mais e fomentar conflitos até a pulverização. Os homens e sociedades não devem esperar qualquer união a partir de estruturas econômicas ou da satisfação individual.

Embora, as vezes, tenhamos de considerar o pragmatismo ou cultivar um sentido prático da realidade, nem por isto podemos tomar este critério - Como queiram Mill e Bentham - por fundamento do edifício ético ou por seu fundamento mais remoto, de modo que exclua princípios e valores estáveis, objetivos e essenciais. Tal posicionamento conduz necessariamente ao relativismo, ao individualismo e por fim ao conflito de interesses e a guerra de todos contra todos.

Se cada homem é lei absoluta e superior para si mesmo nada resta de comum entre os homens. Leis se chocam contra leis e cada qual visa impor-se como lei suprema...

E por ai se chega ao inferno de Hobbes.

Não aprecio nem um pouco a palavra ascese, embora saiba que os poetas inclinem-se ao recurso da licença. Remete-me sempre a algo essencialmente semita, como mortificação do corpo, jejuns, etc e portanto ao veneno maniqueísta. Optaria por declarar que o homem precisa recuperar seu sentido ou sua dimensão espiritual, resgatando assim sua integralidade e fugindo a mutilação do ser.

O homem certamente acha-se vazio e entediado, atormentado pela angústia do nada que criou... Por isso precisa reconciliar-se com a transcendência, não no entanto com a transcendência descarnada e absoluta do judaísmo, do islã ou do protestantismo mas com a transcendência encarnada - e reconciliada com a imanência - do Catolicismo.

Em sentido diverso (enquanto base para uma espiritualidade autentica e intensa) temos de repetir com o velho Guizot: O mundo precisa de Catolicismo, de mais Catolicismo. E num momento em que a crise atingiu o próprio Catolicismo (o romano) fazendo-o abandonar a si mesmo! Implica dizer que o remédio esta em falta e que precisamos recuperar a fórmula e tornar a produzi-lo.

Precisamos tornar a fabricar a vacina e salvar o catolicismo em suma plenitude (inclusive litúrgica), purificando-o dos elementos protestantes, para salvar a civilização.

Talvez seja melhor buscar a solução noutro setor do Catolicismo como a Ortodoxia. No entanto ela também tem seus problemas como o palamismo que o 'agostinianismo' do oriente; TAIS AS DUAS CABEÇAS DO NEO PLATONISMO - Em Agostinho, em Palamas, em Zwinglio damos sempre com o mesmo veneno neo platônico, cujo fim a diluir o sentido da Encarnação até obscurece-lo por completo e converter o catolicismo numa seita judaizante ou saída de escape para o islã, o que já aconteceu com o protestantismo em especial sob a forma pentecostal.

Quanto a posição medievalista do autor, discordo marcadamente dela.

Há na Idade Média muita coisa de nobre, boa e excelente, particularmente quando a comparamos com o período subsequente, da modernidade, ao menos em parte envenenada pelo sentido protestante.

No  entanto do nosso ponto de vista ela mesma implica um afastamento o legítimo ideal Católico e um princípio de corrupção.

Assim o tribunal de inquisição, assim a ideia de ordens religiosas militares (Nada temos contra as Cruzadas, pelo contrário encara-mo-las como algo essencialmente positivo, ressaltando no entanto que os guerreiros devam ser sempre leigos jamais clérigos porque as sagradas Constituições Apostólicas, lei irrevogável da igreja, vedam aos clérigos a posse de armas), o apego supersticioso a monarquia (Tomado aos livros dos judeus), a ideia de um poder temporal atribuído aos clérigos (Aos quais cabe exclusivamente o poder espiritual e a autoridade ética, que é muito superior) e ao papa de roma, etc

Tais elementos para nós nada tem de Católicos mas de anti Católicos.

Nada no entanto se compara, nem mesmo de longe, a ideologia Agostiniana, a respeito da graça, enquanto negação do livre arbítrio. Da qual resultaram inúmeros conflitos teológicos desonrosos para a igreja latina: Agostino X Juliano de Aeclanum, Fulgêncio de Ruspa X Fausto de Riez, Próspero de Aquitânia X Vicente de Lerins, Gotheschalk X Himcmar de Reims, Bernardo de Clairvoux X Pedro Lombardo, Wicliff X Walden, Huss X Gerson e Pedro de Ailly... Até a afirmação do protestantismo que é a 'igreja' agostiniana por excelência e que canonizou-lhe e desenvolveu-lhe os princípios por meio de Lutero e Calvino. Isto sem falar nos Jansenistas, que eram romanistas agostinianos post tridentinos, e que também vieram a formar uma seita na Holanda.

Por estes e outros motivos tomamos por modelo de Igreja e Sociedade Cristãs a Era dos Padres, ou seja, o século IV desta Era, e de modo mais lato a porção oriental da Cristandade nos séculos subsequentes (V a X) i é o Império Bizantino, organização social muito pouco estudada e compreendida no Ocidente ainda hoje.

Em que pese os desenvolvimentos teológicos e mesmo filosóficos, relacionados com a Escolástica latina - Que tanto estimamos - num contexto mais geral e social, nossa preferencia decidida é pelo século IV a idade dos Padres ou da Patrística. Nada semelhante ou superior a Era dos grandes Bispos Ortodoxos como Atanásio, Hilário, Gregório de Nissa, Basílio, Teodoro, Crisóstomo, Ambrório, etc Os homens mais nobres e excelentes de que se tem notícia após a Atenas de Sócrates, Platão e Aristóteles. 
Quanto a possibilidade de reconstruir tais estruturas 'in totum', evidente que nada se reconstrói 'in totum' após a História ter feito seu giro e percurso. Concordo portanto com a ideia segundo a qual temos de restituir antes de tudo o Espírito, a consciência e a cultura, para em seguida tomar o que temos e adapta-lo até onde possível for, fazendo com que o espírito restaure e reforma as estruturas conformando-as com um ideal de Ética.

Neste sentido discordamos quanto a apreciação do socialismo fabiano, o qual encaramos como um retorno positivo a nossas raízes e ideal pretérito, em oposição aos avanços materialistas do liberalismo econômico.

A bem da verdade encaramos todos os socialismos materialistas como solução de improviso. Reconhecemos a precariedade não só de tudo quanto não esteja fundamentado nos conceitos de Deus e Imortalidade, como avançamos julgando precário tudo quanto prescinda do Evangelho e não seja inspirado por ele. De fato a base mais excelente para a justiça social e o bem comum só pode ser a fé Católica.

Nem por isso desprezamos, menosprezamos ou condenamos os esforços de tantos quantos, ainda que equivocadamente, abracem a causa da justiça social ou do trabalhismo. Sempre que há esforço sincero para identificar-se com o outro detectamos um valor.

Sobretudo quando a própria igreja ou parte dela, tendo mergulhado num comodismo já solifideista, já místico e sempre neo platônico, ainda não realizou sua tarefa social, fazendo com que a Cidade de Deus se realize e encarne neste mundo por meio da virtude. Uma vez que a Igreja, ainda não cumpriu com sua função social que é demolir implacavelmente o materialismo economicista, representado sobretudo e antes de tudo pelo capitalismo, não me sinto no direito de condenar os esforços materialistas e naturalistas neste sentido.

Creio porém que apenas o Catolicismo com sua força e poder espiritual será bem sucedido quanto a este fim.

Por isso que o Catolicismo precisa voltar-se para sua doutrina social, estuda-la, conhece-la, estima-la e mais ainda para o estudo dos grandes padres da Igreja com sua proposta social fundamentada numa Ética intransigente e cujas raízes mergulham na eternidade.

Quanto a imensa fealdade do Capitalismo, sua banalidade, sua vulgaridade... Quanto ao ter profanado a natureza, poluído o mundo, exterminado a beleza, produzido o desencanto... Quanto a abusar da fé, manipular a religiosidade, brincar com a ignorância, semear a miséria... Quanto a produzir angústia no mais alto grau, alimentar o desespero, encaminha a loucura... Quanto a ser sumamente detestável e odioso... Nós e os autores acima citados, estamos todos de acordo, e nem poderia ser doutra forma se somos Católicos honestos e conscientes.

Não apenas o Comunismo é pecado pecado maior é o pecado ancestral do Capitalismo, mormente se o compreendemos, não como a estrutura material definida por Marx ou como relações formais de produção, mas segundo a definição magistral de W Sombart ou seja como 'geist' como espírito, como forma de consciência, como AVAREZA.

Certamente Capitalismo - espiritualmente compreendido - é o grande pecado, o pecado supremo e nosso pecado original!

Fica a pergunta - Acompanharemos o nobre sociólogo e pensador em seu pessimismo face a possibilidade de recuperação desta Sociedade enferma e da restituição do espírito em termos de fé ancestral???

Decididamente não o acompanho, tenho firme fé e esperança.

Seja como for a restauração não se dará via a qualquer entente cordial, ecumênica, heterogênea, sincrética... de cariz Político/ Econômico...

Admitido conteúdos culturais do judaismo antigo, do islamismo, do neo platonismo e sobretudo do protestantismo essa mixórdia degenerará infalivelmente.

Apenas o Catolicismo restaurado e reposto em suas bases originais e patrísticas, e tradicionais dos primeiros séculos. Apenas um Catolicismo cem por cento coerente e consciente... Apenas aquele Catolicismo integral que serviu de base a civilização poderá salva-la; pois continha uma proposta social concreta para o mundo, proposta que ele mesmo deve resgatar. Do contrário nossa civilização continuará a esboroar-se e a converter-se em pó...






terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Esquisitices - Esquerdices

Se o historiador Eric Hobsbawn fosse vivo eu recomendaria que escrevesse um novo livro: A era do mi mi mi. Sim, leitor(a), A era do mi mi mi, porque a esquerda tem umas idiossincracias que eu nunca vou entender. Eu não sei se é a esquerda do Brasil ou se isso é mundial, acho que é mundial, porque certa vez George Bernard Shaw escreveu: "Só não temos o socialismo ainda por culpa dos socialistas". Chego à conclusão que a esquerda é burra! Sim, leitor(a), a esquerda é burra, idiota, estúpida mesmo! E, olha que me considero progressista e até mesmo libertário... Mas a verdade é que a maioria dos "revolucionários" marxistas nunca leu as obras de Marx nem mesmo as obras mais curtas e fáceis e a maioria dos anarquistas que gostam de citar Bakunin pra cima e pra baixo nunca leu um livro sequer deste autor.

Mas o que espanta-me na esquerda brasileira é que eles defendem o indefensável, e ofendem-se com meras opiniões. Se você apoia o Charlie Hebdo já é motivo para esquerda emotiva e os anarco-emotivos ficarem ofendidinhos e isso é também motivo para que lhe chamem de islamófobo(a). Não se pode criticar o islã, os mulçumanos são uns coitadinhos perseguidos pelo ocidente capitalista e mau. Essa esquerda confunde religião e práticas religiosas com povo. Islã não é povo, islã é religião, assim como o budismo, o cristianismo e tantas outras religiões. Como essa esquerda doentia não quer que eu critique o islã, se vejo que o Boko Haram matou duas mil pessoas na Nigéria, se vejo o Estado islâmico praticando suas barbaridades e se vi a milícia talebã levar o Afeganistão para o século 10 antes de Cristo? E toda essa sujeira veio do islã, não veio do budismo, não veio do catolicismo, não veio do hinduísmo... Mas eles continuarão justificando o injustificável, como diz a sabedoria popular: "o pior cego é aquele que não quer ver". 

Também tive oportunidade de ver no facebook uma página dedicada a defender o pensamento negro criticando mulheres negras que desejam casar com brancos, para essa gente doente, uma mulher negra deve casar com negros, para deixar a "raça" mais pura, ao menos é o que a página dá a entender.



Uma moça negra não gostou do conteúdo da página e o(a) administrador(a) da página no anonimato chama a moça de negropeia.



Então de acordo com essa gente uma mulher negra tem que casar com um homem negro? Se ela casa com um branco, ela é racista? De quem é a vida? Não é da mulher negra? E se ela quiser casar com um branco o que essa página tem haver com isso? Agora querem obrigar as mulheres negras a casarem com negros e as que não fazem isso são racistas e traidoras a ponto de serem chamadas de negropeias. A mim não importa quais motivos levam uma mulher negra a se casar com um branco, isso diz respeito apenas à ela e a ninguém mais.

Tanto comunistas, como socialistas e também anarquistas em geral tem o péssimo gosto de cultivar o feio, alegando que o feio é popular e se alguém desdenha uma arte feia, desdenha o povo pobre. De modo que para ser "comunista autêntico", "socialista de verdade" e "anarquista verdadeiro" é preciso gostar do que o povo gosta, é preciso ser como o povo, se o camarada  ou companheiro não gosta do que gosta o povo então ele é considerado como pequeno-burguês e preconceituoso.

Ontem, eu coloquei uma charge onde Nietzsche opinou sobre o funk carioca, foi o quanto bastou para um debate acalorado e emotivo.



Algumas pessoas começaram a questionar-me porque o funk não era música e eu expliquei porque não tinha ritmo, nem harmonia e que os "cantores" nada cantam, tem vozes horríveis e suas letras são machistas isso quando não reproduzem os valores do capitalismo.

Aí um "libertário" que deve também ser analfabeto funcional escreveu que eu afirmei que funk não é cultura, o que é uma inverdade. Funk é sim cultura, tudo o que é produzido pelo ser humano e que é transmissível é cultura, isso não significa que essa cultura seja bela, boa e verdadeira, segundo a tríade de Platão.

Evidentemente que o "punk" nas entrelinhas disse que sou preconceituoso porque não gosto de funk e porque não considero funk como música, disse-lhe que  gosto de rap, porque como diz a abreviação em inglês, rap é ritmo e poesia, que surgiu na Jamaica na segunda metade do século passado. Disse-lhe que o rap é popular e belo porque bem construído, diferente do funk carioca. Não contente com minhas opiniões o "libertário", o "punk", o "anarquista" deletou-me e bloqueou-me do seu círculo de amizades. Já tive oportunidade de conversar uma ou duas vezes com o sujeito que é pós-modernista, daqueles que negam toda a verdade e toda objetividade. Ele não crê que exista a verdade a não ser aquela verdade de que a verdade não existe. Se nada tem valor absoluto, se nada é absolutamente verdadeiro por que exasperou-se? Por que bloqueou-me? A discussão para mim não foi de preconceito, mas de questão estética, nada mais que isso. Não sou obrigado a gostar de uma coisa artisticamente feia só porque é do "gueto", das comunidades. Não, mil vezes não. Isso nada tem haver com racismo ou preconceito como querem um grande número de idiotas da esquerda seja marxista, seja libertária.

Da mesma forma que eu não gosto de funk, também não gosto da arquitetura modernista (Oscar Niemayer), não gosto da literatura moderna, cito como exemplo de poeta detestável e de mau gosto, Carlos Drumond de Andrade que tem uma "poesia" que diz mais ou menos assim: "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...". Isso não é poesia nem aqui nem na China, não tem poesia, não tem significado e não provoca a catarse.  Também detesto as pinturas modernistas, detesto as esculturas modernistas que nada significam porque significam tudo, pois o que vale na contemplação não é o que o artista quis mostrar mas a subjetividade de cada um. Será que os esquerdistas acusar-me-ão de ser anti-povo agora? Mas Niemayer era proletário? Sei que era comunista, proletário nunca foi, até porque proletário não fazia arquitetura na época em que ele estudou. Será que Carlos Drumond de Andrade nasceu e viveu na periferia?

Como o(a) leitor(a) pode perceber não é o preconceito que move-me mas o amor dos cânones da boa escrita, da boa pintura, da boa escultura, da boa arquitetura... Uma arte pode ser bela ou não e isso independe de ser ou não popular. Uma arte pode ser bela ou feia independente de ter sido feita por burgueses. Em arte não se leva em questão o economicismo dos marxistas e nem o emancipacionismo das artes.

O que eu desejo ardentemente é que as classes populares tenham acesso a um teatro de qualidade, que possam ir à orquestras sinfônicas, que possam frequentar pinacotecas, museus, etc... Que essas coisas deixem de ser monopólio dos ricos e sejam patrimônio de todo o povo, mas para isso é preciso que o povo tenha educação de qualidade e não fazer o jogo da burguesia como faz essa esquerda doentia, ensinando-lhes que a cultura do gueto é a cultura do pobre e música clássica é um lixo e tem que ser detestada porque foi criada por burgueses. Quando a esquerda faz isso, priva o povo sofrido das melhores coisas já produzidas pela humanidade. Se isso é ser esquerda, então eu não sou esquerda, se ter um discurso demagógico é ser esquerda então não comungo das ideias dessa esquerda. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Em defesa de Marx






Não, eu não sou marxista da mesma forma que Marx também não o era. Esta defesa tem por objetivo mostrar que os ataques à Marx não são ataques as suas ideias.

Li uma vez num livro de Fulton Sheen que ele disse que Marx nunca trabalhou, que vivia às custas de Engels, etc..., discurso muito comum entre os católicos romanos das vertentes conservadoras, e pensam que assim refutam o "socialismo científico", menos mal, os protestantes por sua vez vão mais longe e dizem que Marx era satanista, logo, inferem eles, o comunismo é demoníaco. Tenho muitos amigos reais e virtuais que dizem que Marx era um vagabundo, que nunca trabalhou, que viveu às custas de Engels, que deixou sua família passar fome, etc..., sendo assim não tem moral nenhuma para falar do socialismo/comunismo, pois se ele defendia o comunismo é porque não gostava de trabalhar.

Vejamos se esses argumentos se sustentam. "Marx nunca trabalhou, vivia às custas de Engels". Como assim nunca trabalhou? Ele trabalhou como jornalista na gazeta Renana e depois foi editor-chefe do jornal e teve que sair do país porque criticou o governo prussiano tendo que se dirigir à Paris onde dirigiu os Anais Franco-Alemães.  Além disso, Marx passou muito tempo no museu britânico lendo e pequisando livros de economistas ingleses, então como não dizer que não trabalhava? Acaso trabalho intelectual já deixou de ser trabalho? Quer dizer então que pessoas que fazem mestrado, doutorado ou que realizam pesquisas são parasitas? Vagabundas? Claro que não, pois sendo assim todos os filósofos seriam vagabundos, assim como todos os pensadores não empiristas. Todos os livros de Marx são frutos de pesquisas de vários anos, frutos de reflexões, enfim trabalho e trabalho desgastante. Então todo o dinheiro que Engels lhe dava e também seus aliados nada mais era que uma espécie de salário pela contribuição intelectual que legou ao proletariado ou melhor, a toda humanidade. Ainda assim,  Marx trabalhou como correspondente do jornal  norte-americano New York Daily Tribune, entre 1856 e 1862, quando estava morando na Inglaterra. Então afirmar que Marx era vagabundo é uma grossa mentira, uma calúnia, pois se formos levar esse argumento de que Marx nunca trabalhou até as últimas consequências, chegaremos à conclusão de que todos que trabalham com o intelecto são vagabundos, parasitas.

Os protestantes fundamentalistas afirmam que Marx era satanista mas não apresentam nenhuma evidência a não ser uma poesia, Marx se declarava materialista ateu, ou seja, negava a existência de Deus e de todo o mundo espiritual, anjos, demônios, duendes e gnomos, como Marx poderia adorar aquilo que ele mesmo negava a existência?

Desmentidos esses argumentos resta demonstrar que ainda que  fossem verídicos em nada prejudicariam as ideias, os pensamentos e os livros de Marx, parafraseando Nietzsche: uma coisa é a vida de um homem e outra suas ideias e seus livros. Se Marx fosse satanista o comunismo seria errado? Não. Porque o ponto em discussão não é esse, o ponto é saber se Marx estava certo ou errado, se o seu sistema funciona ou não fuinciona, o bom argumentador apontaria os erros de suas teorias, de seu sistema e demonstraria seus erros, nada mais. Se Marx fosse vagabundo e parasita isso tornaria o comunismo falso? Não. O que torna o comunismo falso ou verdadeiro é a demonstração de que Marx errou ou acertou em seu sistema, nada mais. Afirmar que Marx era vagabundo ou satanista não desmonta seus argumentos, não os refuta, isso é desonestidade de quem não leu Marx ou de quem não consegue refutar suas ideias. Isso se chama de argumento ad hominem que segundo a Wikipédia é:

"Um Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo. Um argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.
A falácia ocorre pois conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo, o que é absurdo.
O argumento contra a pessoa é uma das falácias caracterizadas pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através da introdução, dentro do contexto da discussão, de um elemento que não tem relevância para isso, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição".

Então não interessa quem Marx foi ou deixou de ser o que importa é se suas ideias são válidas ou não, então quem deseja refutar o pensamento marxiano deve estudar suas obras e apontar seus erros ao invés de acusar sua pessoa como se isso invalidasse suas teses. O bom argumentador discute ideias e não pessoas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Relativismo moral




É difícil fazer uma abordagem acerca da moral por vários motivos e entre esses, o que mais influi: a cosmovisão.

Os teístas, como eu, afirmam que a moral não é relativa, mas absoluta, os ateus via de regra são relativistas, principalmente os seguidores de Max Stirner e Friedrich Nietzsche.
Se a moral é absoluta então é válida para todas as épocas e lugares, porque foi deus que a implantou na mente do homem.

No caso dos ateus, eles negam que exista deus/deuses, não há um absoluto fora do universo. Logo não há uma lei moral a qual obedecer. Os anarquistas individualistas ateus como Stirner e Nietzsche dão um valor sem medidas ao "eu", tornando o outro um nada. Eles reeeditaram no século XIX Protágoras que afirmou há 24 séculos que "o homem é a medida de todas as coisas".
Nietzsche e outros ateus partem do princípio que em moral não existe nem o certo nem o errado, o certo e o errado foram criados pelos fracos que desejavam dominar todos os indivíduos, principalmente através da religião com seus códigos morais. Os seguidores de Nietzsche e Stirner se convenceram que a moral é uma criação dos homens, portanto sem valor algum. Segundo eles, cada pessoa deve criar sua própria moral e viver conforme bem entender, deve viver de acordo com seus instintos.

Se não existe o certo e o errado, nem bem nem mal, então ajudar alguém ou prejudicar dá na mesma, posto que não tem valor em si mesmo. Tanto faz estuprar, roubar, matar como cuidar de enfermos, órfãos e dos carentes. Mas se eu crio meus próprios valores, e eles são válidos para mim, ninguém no mundo pode me contestar, não posso ser julgado por nenhum tribunal, nem mesmo por deus, uma vez que não existe.

Mas os anarquistas nitzscheanos que não tem coerência, dizem que temos que ajudar as pessoas e até perguntam você não se sente melhor ajudando as pessoas do que prejudicando-as? A única diferença é que você faz por livre e espontânea vontade, não há mandamentos, deus ou qualquer autoridade que lhe obrigue a a fazer o bem.

Sinceramente, um ser humano que se ache a medida de todas as coisas poderá amar alguém? Duvido. Nós somos 7 bilhões de seres humanos, então imagina se cada um tiver seus próprios valores... De acordo com esses relativistas já não existe justiça nem direito, nem certo nem errado. Mas mesmo eles absolutizando seu relativismo, sabem que existe bem e mal, pois pregam que se possa fazer o bem, ajudar, cooperar. Então como dizem que não existe nem bem nem mal? Acaso se eu quiser dar um soco por pura vontade na cara de um anarquista nietzscheano/stinereano, ele vai aceitar, só porque senti vontade ou ficará indignado?

Uma coisa é a moral e outras são tabus e tabus devem ser derrubados, porque não são válidos para todos os povos nem para todos os tempos, antes são localizados no tempo e no espaço. Agora, prejudicar o semelhante seja roubando, traindo, matando isso é imoral em todas as épocas. Da mesma forma que amar e querer bem ao outro é moral e louvável em todas as épocas. A moral, a verdadeira moral é aquela que  se refere no que toca ao outro: se ajudo, faço o bem; se prejudico, faço o mal, nada mais do que isso. Questões como homossexualismo, roupas, vocabulário que uma pessoa usa, não pertence ao domínio da moral mas do puritanismo, logo da hipocrisia.

Se a moral é relativa, se não há certo e errado por que dizem esses anarquistas que toda autoridade é má? Por que dizem que o capitalismo é mal? Onde está sua coerência?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Nietzsche revisitado

Infelizmente, eu também tenho os meus preconceitos e não é fácil se desvincilhar deles. Ano passado procurei estudar um pouco sobre Nietzsche para escrever contra ele, neste artigo aqui. Eu fiz isso não tanto por causa de Nietzsche mas por causa de seus sectários, que fazem de sua obra uma espécie de "Bíblia Sagrada". Quando eu participava ativamente das comunidades de filosofia no Orkut, eu discutia muito com os nietzscheanos. Alguns deles eram arrogantes e não sabiam debater, partindo para ad hominem e outras falácias. Vendo que seus seguidores eram arrogantes, prepotentes, que sofriam de vitimismo agudo eu associei essas características à Nietzsche.

Comecei a odiar Nietzsche há muito tempo e nessa época eu odiava a Marx também. Mas o meu ódio por Nietzsche começou a aumentar por esses comportamentos agressivos e dissimulados desses que se dizem discípulos seus.

Então imaginei que deveria ler alguma coisa sobre Nietzsche e detoná-lo, foi o que fiz. Li algumas obras sobre o pensador e alguns textos seus de compreensão difícil.

Mas depois eu decidi a pesquisar mais sobre o assunto para não cometer injustiças com o filósofo alemão. E li muito sobre o Nietszsche e tenho comprado suas obras. Depois ter lido sobre sua vida e obra, Nietzsche já não se me assoma como um demônio, um espírito das trevas, etc...

Hoje bem sei que Nietzsche tem seu valor como pensador. Uma coisa é Nietzsche e outra coisa são seus seguidores. Não posso julgar um homem por seus discípulos. Seria a mesma coisa dizer que Cristo era um mercenário, egoísta e malvado porque os seus discípulos são assim.

Nietzsche criticou o cristianismo por causa dos cristãos que dicotomizaram o mundo. O que não é do bem é do mal. Desse modo a religião aprisionou os homens, tornando-os infelizes. E nesse sentido tenho que concordar com o filósofo alemão.

Nietzsche falou da transvaloração dos valores que seria uma mudança dos valores, pois os valores não são eternos nem universais. Os valores foram criados pelos homens e o homem deve criar novos valores para que possa superar a si enquanto homem e tornar-se o além do homem. Por exemplo valores que hoje estão sofrendo mudança: a família monogâmica heterossexual. Hoje parcela da sociedade já aceita o amor homossexual e até o reconhece em alguns países. Isso é uma transvaloração de valor que pode criar o novo homem que é chamado por Nietzsche de o além do homem.

Outra ideia de Nietzsche é o Eterno Retorno, mas não o eterno retorno enquanto metafísica, mas aqui nesse mundo. Todo momento que vivemos deve ser eternizado e devemos ter o amor pela vida em quaisquer circunstâncias, pois elas podem se repetir.

O Eterno retorno me permite errar e errando posso acertar quando tal evento se repetir e quando eu acertar é um passo para eu me tornar o além do homem. Exemplo: Quando eu ficar doente, não devo me desesperar, mas viver o momento com plenitude e quando eu voltar a ter saúde viver plenamente o outro momento e quando voltar a adoecer, poderei lembrar que já fiquei doente e tranquilizar-me e que isso é o meu destino e o de todos os seres humanos, o amor fati.