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quarta-feira, 14 de julho de 2021

Revolução, violência, razão e Cristianismo.

Poucos temas há, tão polêmicos quanto o tema da violência.

Tema em que se vai da rejeição absoluta ou do pacifismo crasso a aceitação absoluta assim ao odinismo, entre os quais há toda uma série de gradações.

No Evangelho damos ora com Jesus Cristo mandando Pedro embainhar sua espada ora com o próprio Jesus expulsando os fariseus do tempo com um chicote. 

Textos que tem dado o que falar e sido empregados por pacifistas como Tolstoi e por odinistas como Sorel.

De modo geral a Igreja Antiga ou dos padres, ao menos no plano da fé, repudiou decididamente o apoio da força ou da violência. Outro o caso das relações pessoais, onde predominou igualmente o pacifismo, alias crasso. E por fim outro o caso das relações sociais, havendo cristãos pacifistas, cristãos revolucionários e cristãos equilibrados ou partidários do emprego a violência circunstancial ou contida.

Agora por que o mesmo Jesus que empunha o chicote aqui repreende Pedro acolá, mormente quando ele Pedro exercita a defesa enquanto que ele Jesus ataca?

Há quem diga, equivocadamente, que Jesus aqui procede como Deus enquanto que Pedro ali procede como mero homem. Não aprecio todavia esse tipo de interpretação, a qual me sabe a monofisita. Evidentemente que quando perdoa Jesus os pecadores sabemos que tal ação tem seu motor primário na natureza eterna e divina. Agora quando exerce certa violência ou força contra os mercadores sacrílegos não temos como saber com exatidão qual seja o motor primário ou mais remoto de tal atitude. 

Direi então que o motor mais provável dessa ação Cristológica executada pela natureza humana seja a natureza divina, embora não possamos demonstra-la. 

Todavia meu ponto de vista e bem outro e consiste em distinguir que faz Jesus do que faz Pedro. Pois Pedro empunha uma espada que fere e mata. Enquanto Jesus emprega um feixe de cordas (Ev de João 2,15).

Insistirei resolutamente quanto a esta distinção, a ponto de apresenta-la como fundamental: Pedro não empunha um feixe de cordas e Jesus não utiliza uma espada. Pois os partidários de que a violência é sancionada por Deus quanto as coisas profanas costumam alegar que dá no mesmo Jesus ter empregado uma feixe de cordas ou chicote, uma espada, uma lança, uma metralhadora ou uma bomba. Advirto porém que o texto em questão não diz respeito ao emprego da violência no plano social, e sim ao suposto emprego da violência no plano religioso ou da fé, o que acaba por chocar-se contra o conjunto dos ensinamentos de Jesus. O qual a um tempo condenou radicalmente o emprego da violência no plano do ideal e a outro jamais imiscuiu-se em questões formais de sociologia ou política, as quais são indiferentes ao Evangelho.

Ora, justamente por tal narrativa estar vinculada a piedade religiosa não cabe recurso a violência ou mesmo a força. 

Segundo a narrativa sumária de S Mateus Jesus expulsou ou teria expulsado os vendedores, derrubando suas mesas e cadeiras. Agora como fez isto? Onde Mateus silencia S João completa: Valeu-se dum feixe de cordas a guiza de chicote. Donde concluem alguns que teria batido nos cambistas. A narrativa todavia indica que com o chicote espantou os animais que ali se achavam. De que resultou terem as mesas, cadeiras e moedas caído pelo chão (Outras foram derrubadas pelo próprio Jesus) e a fuga de ao menos alguns mercadores devido a surpresa e ao pavor, afinal aquele tipo de ataque era algo atípico e inesperado. 

Teria o Senhor ao menos batido nos animais que ali se achavam com o objetivo de espanta-los?

Também isto tenho por demasiado improvável.

É coisa a respeito de que a letra do Evangelho igualmente silencia e o Redentor sempre poderia ter feito girar e zunir aquele chicote com cordas, bem como bater com ele no chão e nas mesas e cadeiras para assustar os animais po-los em fuga e causar todo aquele tumulto assombroso.

Nada no Evangelho impõem a crença ou ensinamento de que chicoteou Jesus os pobres animais e menos ainda que tenha surrado a sacerdotes e cambistas, e isto sempre será ultrapassar a letra, profanar a divina Revelação e simplificar as coisas.

Nem pode aquilo que sequer se equipara a um chicote ser equiparado a lanças, espadas, machados, revólveres, metralhas e bombas... E apenas alguns cérebros doentios poderiam concebe-lo. Ademais o quanto teríamos aqui seria a aprovação quanto ao emprego da violência no âmbito da fé ou da religião. Sendo assim por que os primeiros Cristãos não partiram para o ataque e conquistaram o império romano recorrendo a guerra e a espada? Deixando-se inclusive condenar injustamente sem esboçar resistência? Acaso não compreenderam o sentido 'oculto' do Evangelho?

Admitia essa versão nada teríamos em Jesus além de um outro Moisés ou Maomé, alias, neste caso Zwinglio e Calvino o teriam compreendido melhor do que quaisquer outros. Tal a versão odinista do Jesus fascista e do Jesus fascista uma vez que os Comunistas ao menos não se importam com ele a ponto de distorcer seu caráter e ensinamentos.

Implica essa constatação admitir que o emprego da violência quanto as relações sociais e políticas não é norteado pela Lei religiosa e ética de Jesus Cristo - A qual obviamente remove-o das relações ou do convívio pessoal. - mas pela experiencialidade e sobretudo pela reflexão. 

Apesar disso há algo desse espírito evangélico que se estande remotamente as relações sociais, como que a guiza de inspiração. Trata-se aqui da condenação do primeiro motor do odinismo ou daqueles que estimulam a agressividade e a conquista associadas a violência. Então a violência para ser lícita deve romper com o paradigma anti Cristão da belicosidade ou da conquista. E circunscrever-se a esfera da defesa. O uso político e social da violência na perspectiva Cristã estará sempre a serviço da defesa, jamais da agressão ou da conquista.

Não pode portanto a violência, no sentido Cristão, servir ao assim chamado imperialismo seja qual for ele.

Tal a única baliza ou exigência ética.

Para além disto temos de conceder que é a violência um fenômeno tão instrumental quanto a estrutura política formal de nossa democracia. O qual por isso mesmo deve servir a algum propósito ideal ou ético. Quero dizer que a violência não pode ser avaliada em si mesma como algo bom (Como fazem os odinistas) ou mau (Como faz o pacifismo crasso.) mas sim quanto a seu fim ou objetivo. Então a pergunta a ser feita é se esse fenômeno pode estar a serviço de algo digno como o bem, a justiça ou a virtude, ainda que circunstancialmente.

Pois não pensamos como os revolucionários i é em acionar qualquer gatilho social por meio dela e assim criar novo homem ou nova humanidade. Eis o que não se pode ou deve esperar da violência, engendrando veleidades místicas. Podemos dizer sim a violência, mas não a sua mística. Não posso ver como a violência em si mesma ou mesmo enquanto meio possa entusiasmar o homem reflexivo.

Nem entusiasmar nem demonizar mas apenas avaliar até que medida podemos usa-la vinculando-a a uma boa causa.

Claro que ao utilizarmos a violência em benefício das crianças, dos idosos, das mulheres, dos deficientes, dos injustiçados, da natureza, etc estaremos fazendo um bom uso dela. 

Importa saber que a violência precisa ser administrada pela razão e assim sempre planejada, contida, limitada, etc 

Nem podemos conceber (Ao modo dos odinistas) a violência ou a força física como as diversas culturas de morte afirmam o mercado, a fé, a política, a ciência, etc i é como algo fora do controle da ética ou acima dela. Simples assim: A estância da Ética deve predominar em todos os setores da existência humana. Daí não estarmos de acordo com um uso irracionalista, cego ou voluntarista da violência.

Ao contrário dos Revolucionários, que imaginam a violência como gatilho ou motor primário da mudança, o quanto pretendemos é usa-la em algumas situações sociais circunstanciais, apenas com o objetivo de substituir umas pessoas por outras, assim as más, egoístas e injustas por outras que sejam éticas e tanto mais dignas. Não pretendemos tocar as estruturas, crendo que tenham elas seu fluxo, e que virão a ser alteradas pelas pessoas dignas e conscientes através dos meios educativos, políticos e sociais. Nós acreditamos na evolução orgânica das estruturas ou em sua transformação interna através do acúmulo de reformas acionadas pela formação ética dos cidadãos. É coisa de cultura não de murros, pontapés e bombas.

É por isso mesmo que não atribuímos as situações de violências, guerras, batalhas e conflitos a solução de todos os nossos problemas. Pois de fato nada resolverão. Limitando-se a criar novas possibilidades de ação, conforme delas resulte a troca dos quadros. É recurso destinado a arejar as estruturas e não passe de mágica que as altere radicalmente e a partir delas a sociedade como um todo. Toda essa mecânica social imaginada pelos metafísicos anarquistas, comunistas, nazistas, fascistas, etc é furada e assim as idéias de revolução e contra revolução.

Continua











quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Entendendo o filme Frantz (2016)


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Quem deseja assistir bom filme cuja fotografia e o cenário sejam relativamente perfeitos e acuidade psicológica esmerada tem em Frantz (2016) de François Ozon uma excelente pedida.

A atuação da maior parte dos atores é muito boa, a de Marie Gruber, como Magda é excelente e a de Paula Beer, a Anna, noiva do falecido Frantz, impecável. Se Beer não fez jus ao troféu Matroianni não posso imaginar quem pudesse fazê-lo.

Ocioso dizer que a paisagem de Quedlimburgo é deliciosa. Alias trata-se de uma das mais belas cidades históricas alemãs, a ponto de rivalizar com a paradisíaca Nuremberg. As cruzes de madeira do cemitério são típicas da época a que evocam.

A atmosfera social de ambos os lados, com as exasperações patrióticas, foi bastante bem captada. Os alemães bebendo cerveja por cada jovem francês que tombava do 'outro lado' e os franceses bebendo vinho por cada jovem alemão que tombava do 'outro lado'... as propagandas públicas de cada um dos países pintando os cidadãos do país vizinho como monstros...

Claro que não podemos ignorar a crença alemã, assaz comum em alguns círculos alemães, a respeito do espaço vital e de toda essa cultura de superioridade racial ou nacional cujas raízes remontam a malfadada reforma protestante. Alias outra não foi a origem da doutrina do destino manifesto entre os iankees, igualmente protestantes só que calvinistas...

Sucede no entanto que dificilmente a cultura torna-se absolutamente uniforme... também na Alemanha, em seus piores momentos, haviam dissidentes, pessoas com visão mais ampla e humana, pacifistas, socialistas, artistas, etc Almas nobres que fogem a vulgaridade dominante.

Assim nosso Frantz, jovem cultivado e de tendências pacifistas, que por vontade do velho Dr Hoffmeister, o pai; foi enviado as trincheiras, quiçá para que após a vitória da Alemanha, tornasse a pátria com o peito coalhado de medalhas... Tais as possíveis esperanças do velho clínico.

Frantz no entanto, a exemplo de tantos e tantos outros jovens românticos e idealistas, acabou por ser colhido pela morte, ficando sepultado campos de batalha. Resultando disto apenas um cinotafilo visitado diariamente pela mãe e pela ex noiva e um pai destruído por dentro.

Aqui começam as excursões psicológicas do filme.

Pois se aqueles que perderam um dentre diversos filhos, sejam alemães ou franceses, continuam repousando suas frontes sobre a ilusão dourada do patriotismo, aqueles que como o Dr Hoffmeister conduziram a morte seus únicos rebentos, tiveram todas as esperanças aniquiladas e já não nutriam quaisquer esperanças ou ilusões a respeito da Alemanha, da França ou do patriotismo. Afinal nada lhes restara... E não teriam netos, bisnetos ou descendentes que comemorassem as glórias da França ou da Alemanha.

É pois peculiar a sorte daquele que perdeu seu único filho em tais circunstâncias e ele já não nutre nem ilusões, nem esperanças.

Frantz no entanto é mais profundo e vai além. Tocando a questão, interessantíssima, das neuroses de guerra.

Guerras produzem neuróticos, sabe-mo-lo muito bem desde a Guerra da Secessão nos EUA e mais ainda após a primeira grande guerra quando batalhões de psicólogos e psicanalistas foram mobilizados com o objetivo de diagnosticar, avaliar e tratar milhares de ex soldados psicologicamente afetados pelo conflito. Basta dizer que Freud distorceu o sentido de afirmação - descrito por Adler alguns anos antes da hecatombe - apresentando como sentido de morte ou destruição, influenciado por ele...

Todo um ideal de racionalidade e de experiencialidade sossobraram fragosamente após 1914... Os derradeiros vestígios do iluminismo, as falsas promessas do liberalismo econômico, a mística positivista, etc Foi todo um mundo que entrou em colapso e veio abaixo, desabando e sepultando multidões de homens vivos.

A guerra devastou corações e mentes e assistiu a afirmação do psicologismo, dos sentimentalismos, dos emocionalismos e de todos os arroubos do irracionalismo pós moderno. Da perda total do sentido e do nihilismo. Da angústia, do desespero, do pessimismo - Potencializados ainda mais pela reabilitação do capitalismo apoiado pelos EUA - da quebra da magia, do desencanto, da alienação, da superstição, do recurso desesperado a droga... das culturas de morte e de tudo quanto vivenciamos hoje.

Frantz focaliza os primeiros passos dessa trágica caminhada, posto que situado no ano de 1919. E explora como já dissemos o campo ou domínio, muito pouco explorado das neuroses provocadas pelo contato com a morte, seja a própria ou a alheia. E há esquisitice ou algo de exótico nisto...

É um filme interessante porque ajuda-nos a compreender porque o soldado enviado ao front ou a frente de batalha deve ser sempre um anônimo ou desconhecido.

Ao contrário dos SUD ele não trás consigo uma plaquinha com identificação ou dados pessoais sobre o peito. Tomba sem nome e assim é sepultado.

Conhecer é identificar-se...

Mas...

O soldado deve odiar e não identificar-se. O outro não é humano, deve ser pintado como um monstro, despersonalizado, desumanizado...

Daí não ter direito a um nome, a um endereço ou a quaisquer referências.

Tirar a vida do outro sob um pretexto fútil pode acarretar uma forte carga de culpa e tornar a consciência pesarosa.

Já a consciência pesarosa tende a impor-se uma série de sacrifícios buscando reparar aquilo que fez.

Daí a sugestão comum a quem involuntariamente tirou a vida de um inocente, de assumir o lugar ou a vida daquela pessoa.

Essa possibilidade, insólita de modo geral, se torna real para Adrien pelo simples fato de ter encontrado no bolso de Frantz, uma carta com detalhes sobre sua vida pessoal, e, seu endereço.

Terminada a guerra o jovem ex combatente francês, após surtar, toma caminho de Quedlimburgo com o propósito de chorar sobre a tumba daquele cuja vida ceifará e de pedir perdão os pais e a ex noiva dele.

A partir daí a presença do francês na cidade natal de Frantz deflagará uma série de sentimentos numa trama que envolverá de encenações a uma tentativa de suicídio, culminando com uma longa viagem e encerrando-se de modo realisticamente patético, tal e qual a vida apenas sabe encerras as Histórias grandiosas e as Histórias triviais.

Por isso e muito mais a obra de Ozon merece ser assistida num destes dias frios e chuvosos, de preferência com uma taça de vinho entre os dedos e em boa companhia. O 'inimigo' alemão beba cerveja caso ache melhor rsrsrsrsrs

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Repressão sexual, civilização, barbárie e sexualidade - Ensaios sobre Freud




Uma das abordagens mais interessantes de Freud diz respeito certamente a relação existente entre repressão ou limitação do prazer e Civilização ou cultura.

Conforme teoriza ele a criação da Sociedade Civilizada só foi possível a partir da limitação do prazer. Inclusive do prazer sexual, dentre outros. Não nos esqueçamos de que o próprio ócio é um prazer.

No entanto este mesmo homem também se via ameaçado pela decadência de seu próprio corpo que é a velhice, pela enfermidade, pela dor, pelos movimentos arbitrários da natureza e, o que é pior, pelo convívio com seus próprios semelhantes. De modo que as ocasiões de sofrimento não eram poucas.

Diante disto concebeu e implementou o ambicioso plano de alterar, até onde fosse possível, as forças da natureza, tendo em vista reduzir ao máximo as ocasiões acima elencadas. A partir daí foi que surgiu a técnica e posteriormente a ciência, as quais ao menos por um tempo tornaram sua vida mais amena.

O espaço em que a técnica surgiu e em que a vida tornou-se mais amena foi o espaço urbano das primeiras cidades. Com a expansão da vida urbana é assumido um ideal de civilização ou de desenvolvimento.

Tudo isto já o sabemos...

Há no entanto muita coisa de interessante nas entrelinhas a par de algumas possíveis deduções apressadas que poderiam ser feitas. É este aspecto embutido na teoria freudiana de Sociedade que queremos abordar.

A dar a limitação do prazer e a restrição da sexualidade por impulso em termos de civilização e as civilizações por mais ou menos desenvolvidas a primeira conclusão a ser sacada é que quanto mais notável é uma civilização tanto mais repressora é. A dar tal inferência por exata seriamos forçados a concluir que as civilizações egípcia e sumeriana, grega e romana, chinesa e indiana foram acentuadamente maniqueístas, puritanas e repressoras.

Ao que parece a hipótese do Dr Freud, em termos de uma repressão meramente funcional i é relacionada com a disciplina do trabalho. As civilizações ou melhor o esforço dispendido tendo em vista a elaboração delas, teve por consequência uma redução, relacionada ao menos com o montante de tempo gasto com a obtenção de certos prazeres sensíveis, dentre os quais o sexo. Caso aqueles homens primitivos tivessem optado por estar dormindo ou fazendo sexo durante a maior parte do tempo disponível por um lado o trabalho coletivo seria impossível de ser realizado e por outro chegariam ao esgotamento. O tempo teve de ser ordenado e a fruição do prazer, do lazer ou do ócio relegada a um determinado período. Além disto, na mesma medida em que o esforço fosse tanto mais intenso e o gasto de energia maior, a própria fruição do prazer devia ser restringida.

Houve uma restrição em termos de prazer, não todavia em termos absolutos, senão em termos relativos e funcionais. Nos períodos em que não estavam trabalhando e nas horas do dia em que não estavam trabalhando aqueles homens deviam ter livre acesso ao prazer. Outro aspecto tanto mais importante e digno de ser considerado é que a restrição dos prazeres em tais sociedades, as mais avançadas, deu-se prioritariamente em termos de quantidade, jamais ou quase nunca de qualidade ou forma. Necessário ressaltar este aspecto. Quero dizer que em nenhuma das civilizações acima apontadas topamos por exemplo com a condenação de alguma forma de fruição sexual em si mesma. Assim a prostituição, assim a masturbação, assim a homoafetividade... jamais chegaram a ser questionadas em si mesmas. Restrita quanto ao acesso em termos de tempo, a sexualidade chinesa, indiana, egípcia, sumeriana ou greco romana permanece aberta, indeterminada e rica quanto as formas.

Como não pretendo escrever uma História do sexo na antiguidade ou nas antigas civilizações, digo das mais desenvolvidas e, graças as escavações em Pompéia estamos bastante bem informados sobre a presença do sexo na vida dos antigos romanos, limitar-me-ei em abordar, de passagem apenas, a sexualidade no antigo Egito. Nada ali era tabu uma vez que Ramsés, o grande Faraó, contraiu matrimônio com sua própria filha Meritamon. De fato o sexo estava difuso em toda civilização Egípcia, a começar pelo universo religioso. Aton, o deus primordial, masturba-se com o objetivo de produzir os primeiros seres divinos. Chu e Tefnut transam produzindo Geb e Nut, os quais dão origem aos primeiros reis divinos. Crianças assistiam a realização do ato sexual feito por seus pais. Noutras circunstâncias Geb pratica a auto felação. Amiúde os deuses são representados com o falo ereto, ejaculando. O próprio Faraó masturbava-se publicamente no Nilo, uma vez por ano, com o objetivo de fecundar a colheita. Segundo um mito já clássico Isis após recompor o corpo do falecido Osiris recria seu falo por meio da magia. Cenas de caça são pintadas nos túmulos significando veladamente a sexualidade. Havia um deus da líbido, da dança, da embriagues, do sexo; o qual era Bes. O papiro erótico de Turim, representando a vida quotidiana num bordel de Tebas, expõem aos leitores cenas explicitas de masturbação feminina, etc Preciso mencionar a saga do padeiro Panet? E mencionar que sequer foi castigado ou punido pela lei? Nem preciso dizer que os antigos egípcios não tinham maiores problemas com seus corpos ou com a nudez; que meninos e escravos andavam praticamente nus enquanto que as mulheres da elite limitavam-se a cobri-se sumariamente com um pano de linho fino. Nada mais comum em Deir el Medinat do que desenhos de natureza sensual ou erótica. O matrimônio era flexível, o divórcio comum, a poligamia e a semi poligamia amplamente disseminadas e a mística da virgindade ignorada. Mesmo a homo afetividade era originalmente tolerada desde que não houvesse subjugação forçada. Além disto os egípcios drogavam-se usando flores de lótus, embriagavam-se com cerveja, etc, etc, etc Prazer ali não parece ter sido tabu.

Trabalhavam, e refiro-me aos trabalhadores livres, no entanto esses egípcios dez dias durante a semana. Sendo assim como encontravam energias ou forças para praticar sexo? Acaso não estaria o sexo apenas na imaginação ou na fantasia de tais pessoas??? Algumas pinturas e representações parecem indicar-nos que a vetusta civilização do Nilo conhecia já o que chamamos de excitantes ou melhor dizendo substâncias afrodisíacas. Certamente não faziam sexo a todo tempo mas quando o faziam faziam intensamente. E no entanto apesar da fruição do prazer, seja por meio do sexo, da cerveja, dos narcóticos ou da dança, a civilização Egípcia foi o que foi. Não sobrecarregou ao extremo seu povo com tabus sexuais, os quais sequer existiam.

Quanto aos antigos indianos limitar-me-ei a mencionar que são os autores do Kama Sutra...  Diga-se o mesmo do Tantra.

Outro é o caso da sexualidade na Mesopotâmia, pelo simples fato de que achasse esta região de par com as 'terras santas' do islã e do judaísmo, e devido a presença da cultura semita. Claro que tomamos por base aqui a cultura original sumeriana ou de matriz sumeriano/asiânica, atendo-nos especialmente ao Sul desta região, ocupado posteriormente pela cultura babilônica, em oposição ao Norte assírio muito mais bem mais semitizado. Tenha-se em mente que os acádios são um povo sêmita.

Compreende-se portanto porque o tema foi relegado ao silêncio e porque a sexualidade dos mesopotâmicos foi ocultada ou mesmo negada desde os bons tempos da 'santa' rainha Vitória... Apesar disto salta a vista de todo e qualquer sumerólogo o aspecto positivo com que os antigos babilônicos não apenas encaravam mas representavam, comumente, o sexo. Basta dizer que a Epopéia de Gilgamesh refere-se ao sexo como um dos principais prazeres de que os mortais devem desfrutar enquanto passam pela vida. O texto de Shumma âlu CIV, 1,14 refere-se explicitamente ao sexo anal sem adicionar qualquer juízo depreciativo. O mesmo texto acima citado refere-se positivamente a prática homossexual desde que levada a cabo com um 'assinnu' ou prostituto profissional, excluindo a coação (outra era a postura dos assírios). Já foi sugerido alias que havia certo conteúdo homo afetivo entre Gilgamesh e Enkidu. A prostituição por fim era tida em conta de sagrada e em algumas regiões deviam as moças prostituir-se em honra a deusa do amor Astarte. O incesto no entanto é tido em conta de Tabu e a mulher goza de muito menos liberdade do que no Egito. Não se pode no entanto sustentar que a primitiva Sociedade mesopotâmico/sumeriana fosse demasiado repressora ou mesmo repressora em termos de sexualidade ou de prazer. Tornou-se no entanto cada vez mais limitada e policiadora na medida em que o elemento sêmita se foi tornando preponderante, especialmente ao Norte, entre os assírios.

Após termos passado em revista a sexualidade em tais civilizações, a saber as mais desenvolvidas e ricas da antiguidade, podemos estabelecer que mesmo admitindo-se como certa aquela redução quantitativa em termos de prazer necessária a produção da cultura, a forma por assim dizer do contato sexual jamais tornou-se objeto de tabu ou policiamento, e que inexiste por assim dizer uma relação proporcional entre restrição ao prazer ou melhor dizendo entre preconceitos de natureza sexual e grau de desenvolvimento cultural. O desenvolvimento da cultura ou o florescimento da civilização antiga não parece estar na dependência do que podemos classificar como comportamento moralista, maniqueísta ou puritano em termos de negação consciente do corpo ou do orgasmo. Tal tipo de relação é o que não se constata. Eis a primeira relação a que chegamos.

O que nos leva a um problema ou a uma pergunta.

E a existência das culturas maniqueístas implica algum tipo de relação em termos de sentido ou organização social.

Quanto a esta pergunta talvez nos seja possível sugerir um caminho novo ou diferente.

Não precisarei ser erudito ou onerar o leitor com outra aula de História com o objetivo de sugerir uma certa relação existente entre a repressão sexual, os tabus, a negação do corpo ou o maniqueísmo e o espírito agressivo ou a belicosidade de algumas culturas.

Chegado a este ponto devemos esperar pelos protestos de alguns. Os quais dirão que todos os povos e culturas da antiguidade eram agressivos e belicosos na mesma proporção. Este tipo de afirmação se me parece arbitrário e artificial, gratuito enfim. Típico daquela gente simplória que diz para si mesma: Como todas as culturas são iguais todas devem estar em posse das mesmas qualidades e dos mesmos defeitos. Aqui tudo muito apriorístico.

No entanto ousarei perguntar a toda essa boa gente relativista por que não damos com as mesmas cenas de empalamento, esfolamento, tortura, etc representadas nos painéis dos palácios assírios no contesto da antiga China? Por que no Egito temos um Akhenaton abolindo os sacrifícios sangrentos e cogitando sobre a igualdade existente entre todos os homens enquanto o rei da Assíria declara estimar tanto a boa leitura quanto o hábito de cortar as orelhas e narizes de seus prisioneiros de guerra? Por que os Egípcios após terem tomado uma cidade limitavam-se a matar ou escravizar os combatentes enquanto que o 'povo eleito de jao' i é os antigos israelitas massacravam sem piedade até mesmo as crianças, os idosos e os animais que habitavam as vilas tomadas por eles? Por que os indianos ou mesmo os egípcios não saíram pelo mundo afora gritando 'Converte ou morre'? Então pelo amor de Zeus não venham dizer-me que a violência estava presente com a mesma intensidade na antiga China e na Assíria. Na antiga Índia e no antigo Israel. Na cultura islâmica e no antigo Egito.

Indianos, Egípcios e Chineses mal saíram de seus domínios com o intuito de conquistar outros povos ou de submeter outras culturas e mesmo quando foram levados a faze-lo (no caso do Egito após as invasões dos Amu) fizeram-no muito a contragosto e obedecendo determinados padrões de humanidade. Sumerianos e mesmo os Babilônicos, durante certo tempo, tampouco fugiram a estes padrões. Outro é o caso dos Assírios, dos antigos hebreus e dos árabes cujas façanhas todos nós conhecemos muito bem. Assírios pilhavam e aterrorizavam outros povos. Os hebreus promoveram ao que parece o primeiro genocídio de que temos notícia na História e os muçulmanos, a princípio árabes em sua totalidade, buscaram levar sua jihad aos confins da terra. Do que resultou uma quantidade de agressões, mortes, derramamentos de sangue e destruição apenas comparáveis as futuras guerras dos cem anos, dos trinta anos e mundiais...

Certamente que algum estudioso tanto mais realista fará questão de apontar-me os determinantes geográficos ou climáticos, o que vem sendo apontado desde os tempos de Ibn Khaldun e foi assumido entre os nossos, pela primeira vez, por Montesquieu. Os povos do deserto - e estamos diante de três culturas sêmitas - tendem a ser mais rudimentares, agressivos e belicosos do que os povos agrícolas das planícies ou cidades, em função de suas vicissitudes como o nomadismo ou a falta de recursos. Longe de mim questionar que tais fatores possam também eles cooperar quanto a gênese deste espírito belicoso. Suspeito no entanto que neste terreno qualquer enfoque monocausal seja improcedente, e que devamos tal caráter a uma convergência de fatores, assim em parte ao clima ou ao solo, mas não somente a ele.

Há aqui algum ou alguns fatores a mais e nós acreditamos poder identificar um deles com a negação do corpo e a restrição da sexualidade intencionalmente decretadas pelo legislador com o objetivo de potencializar ou de aumentar ao máximo esta alegada agressividade já favorecida pelo meio. Que a cultura semita se tenha esforçado - muito provavelmente mais do que quaisquer outras culturas - no sentido de ocultar o corpo humano e em nega-lo se me parece indubitável. Que tenha adotado igualmente uma série de tabus com relação a fruição do prazer sexual não me parece menos evidente. Tal o escopo - a princípio - do machismo e da homofobia, e posteriormente - já no contesto judaico 'cristão' da modernidade - da monogamia, da indissolubilidade matrimonial, etc Até a formação de um super ego estritamente moralista, em conexão com uma cultura moralista, a qual impôs o recalque dos desejos como sinônimo da virtude ou ideal a ser alcançado por todo homem piedoso.

Certamente resultaria de tais medidas uma epidemia de neuroses a ponto destas assumirem um caráter coletivo, isto caso as religiões de Assur, Javé e Ala, não canalizassem toda a agressividade latente produzida pelo recalque sexual para os domínios da guerra religiosa, tornando tais povos mais agressivos do que já eram ou belicosos no mais alto grau. Pelo que vinculamos essa produção intencional de agressividade e violência a afirmação desse padrão cultural maniqueísta ou puritano e a revolta instintiva latente nesta multidão de recalcados. Em certo sentido a negação da sexualidade chegou a produzir um sentido de Tanatos, um certo desprezo pela vida e uma certa tendência para morte decorrente da infelicidade e da frustração. Não é sem menos razão que podemos relacionar a mística revolucionária assumida por certas pessoas com problemas, desajustes ou disfunções de caráter sexual a apresentar ao menos alguns revolucionários fanáticos como não realizados sexualmente e portanto como seres amargurados. A frigidez, a impotência e a impossibilidade do orgasmo tirou de tais pessoas a vontade de viver a ponto de converte-las em suicidas inconscientes. Guerras, sedições, conflitos, etc dependem de eunucos ou de meios eunucos, enfim de gente que não goza... Assim é que se formam os exércitos e multidões de incendiários revoltosos, os quais ligam muito pouco valor a suas próprias vidas.

A Idade média tinha de ser combativa. Grécia e Roma tiveram de ser combativas; pois havia toda um conjuntura externa que favorecia a combatividade. As idades moderna e contemporânea não conheceram semelhante conjuntura, e no entanto foram ainda mais belicosas. Desde o século XVI ao XIX o número de guerras e conflitos recrudesceu, declinando apenas a partir de meados do século XIX. Durante todo este tempo que vai da reforma ao período vitoriano os ideais maniqueístas e puritanos embutidos na sociedade Cristã pela cultura judaica não cessaram de consolidar-se. O que não pode ter deixado de aumentar ainda mais a pressão do recalque e portanto a produção da agressividade e o desejo inconsciente pela destruição. Desejo que originalmente inexiste, sendo produzido, bom dize-lo, pela cultura da repressão. Seja como for, durante quase trezentos anos este desejo alimentou um sem número de guerras e conflitos estimulados e sancionados pelo fanatismo religioso. Esta relação - Repressão, agressividade, conflito e Religião, marcou toda uma Era, até os idos de 1830 ou 48. Desde então assistimos, sem que o puritanismo saísse de cena (afinal estamos em sua Idade dourada que o período vitoriano), uma redução do número das guerras e dos conflitos ( a qual se prolonga até o surgimento da primeira grande guerra mundial). Neste caso que foi feito de toda esta agressividade?

Desde 1830, com a consolidação do modelo de produção liberal ou capitalista nos moldes clássicos, foi a agressividade canalizada para outros fins, assim para o mundo do trabalho, tornando sua relação com a própria sexualidade ambivalente. Até que Freud apareceu em cena, e após ele os contraceptivos e as Revoluções sexual e feminina, dispondo todas estas relações doutro modo.



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Riqueza, conforto e miséria; luxo, sobriedade (temperança) e ascese.

Também este artigo tem em vista distinguir certos estados ou regimes de vida que o vulgo tende a confundir. Implica definir cada coisa com exatidão, fixar os limites e apontar as diferenças. O que tende a facilitar o diálogo e o esclarecimento.

Por riqueza definimos o acumulo exagerado de bens. O rico possuindo além do que é necessário tendo em vista a sobrevivência e dignidade detém o supérfluo.

Por conforto definimos o uso moderado dos bens. O confortável contenta-se em reter para si apenas o que é necessário a sobrevivência e a dignidade, abrindo mão do que é supérfluo.

Por miséria definimos a carência do quanto seja necessário a sobrevivência e a dignidade.

O supérfluo pode ser igualmente relacionado com o luxo ou a suntuosidade. O conforto com a sobriedade ou a temperança e a miséria ou a ascese.

Importa não confundir sobriedade ou temperança com ascese.

Sócrates, Jesus, Buda e Confúcio; sem condenar a ascese, não foram ascetas e jamais recomendaram ascese mas a sobriedade. A respeito de Sócrates contamos com o testemunho de Ésquines de Aesfeatum, o qual no "Telauges" apresenta o Filósofo a reprovar tanto os excessos de ascetismo de Telauges quanto a vã ostentação ou luxo de Critóbulo filho de Criton e argumentando a favor da vida sóbria ou moderada.

Antes porém recordemos o que cada um destes grandes mestres ensinou a respeito da riqueza, da fortuna, do acúmulo irrestrito de bens, do supérfluo, do luxo, da suntuosidade...

Sócrates num de seus diálogos transmitidos por Xenofonte (Memorabilia) refere que "Sabes assim que o ouro e a prata não tornam os homens melhores do que são, ao passo que as sentenças dos sábios tornam mesmo o pobre rico em virtude." já Platão memora o passeio de Sócrates pelo Mercado de Atenas e seus comentários sobre as inutilidades ali dispostas... e noutro passo declarou que a única utilidade das riquezas era a possibilidade de serem divididas com os amigos possibilitando o convívio ameno entre os amantes da virtude.

Quanto a Jesus foi ainda mais insidioso a ponto de declarar que era impossível cultuar a Deus e as riquezas, de fechar os ricos as portas do reino celestial e de aconselhar seus seguidores a juntarem tesouros imateriais ou espirituais no mundo celestial e não coisas materiais destinadas a corrupção.

Paulo, aqui fiel interprete seu, conjecturou com propriedade que a raiz de todos os males humanos estava no amor ao dinheiro, no desejo pelo lucro, na cupidez ou na avareza. Que a igreja antiga classificou como um dos grandes pecados.

A respeito de Sidarta Gautama conhecido também por Çakia Muni, Buda ou Tatagata é sabido que tendo nascido filho de Régulo (Sudodana era o nome de seu pai) imensamente rico, abriu mão de todas as riquezas para viver moderadamente e que impôs voto de sobriedade aos membros da sanga.

Os budistas de modo algum - e isto vale para os Católicos - fazem apologia da MISÉRIA ou da POBREZA, mas do contentamento ou contenção dos desejos, o que podemos traduzir sem medo de errar por conforto ou sobriedade.

Importa saber que ele também condenou tacitamente o acumulo ilimitado e o apego aos bens materiais.

Ele considera o monge ou o laico que se contenta com o necessário para viver dignamente como um pássaro que voa e toma a direção que deseja, sendo por isso mesmo livre.

Faz recordar Sócrates quando declarou que o homem apegado as riquezas ou escravizado pelos apetites sensoriais era inferior a um escravo porquanto escravo dos apetites, dos desejos ou do corpo. Para Sócrates era livre apenas aquele que fosse capaz de controlar seus apetites e desejos.

Limitar-me-ei por tomar esta citação: "Uma é a senda que conduz as riquezas, outra a que conduz ao Nirvana." 

Outro não é o parecer do grande Mestre da China, Confúcio:

"O homem vulgar só cuida de comprar e vender." 

Nenhum deles mostrou-se simpático ao acumulo ilimitado de bens materiais, 'nuvem conquistada por meios injustos.' id Mas também não inclinaram-se para o ascetismo - Jesus, Buda e Confúcio sem condena-lo jamais abraçaram-no ou recomendaram-no a seus seguidores - enquanto busca pelo sofrimento ou por situações desconfortáveis.

Sócrates apenas parece ter recomendado uma dose mínima dele e por uma razão bastante compreensível, a frequência das guerras, o exemplo dado pela sociedade militar e ascética formada pelos espartanos - guerreiros invencíveis - e a decorrente necessidade de conte-los. Efetivamente o ascetismo afirma-se no tempo de Sócrates mais por via militar do que por via filosófica ou religiosa. O ascetismo foi até certo ponto sancionado por Sócrates devido a sua relação com a disciplina.

Posteriormente, durante as perseguições promovidas pelo Império romano, também a igreja Católica recomendou o ascetismo, por uma questão de funcionalidade. Posteriormente no entanto, graças a teoria herética do maniqueísmo, logrou o ascetismo fixar-se ontologicamente no seio da comunidade Cristã, embora o clero sempre tenha invocado razões funcionais ou de natureza prática com que justifica-lo.

Nem podemos fugir totalmente a tais razões caso concebamos os Bispos e padres como homens destinados a múltiplas e dificeis tarefas como: ministrar os sacramentos, sustentar o direito dos pobres, instruir os broncos, evangelizar os infiéis, dar exemplo de abnegação e virtude, etc Ora toda esta vida de dedicação e disponibilidade implica disciplina rigorosa, o que de algum modo nos conduz ao ascetismo ou a certa familiaridade com o desconforto, como diria Sócrates.

Cuidava Sócrates que uma certa medida de ascetismo ou de contato esporádico com o sofrimento, funcionava como uma espécie de vacina ou contraveneno predispondo o homem a enfrentar futuras situações de desconforto ou sofrimento com maior firmeza de alma. Daí a necessidade de eventualmente, o soldado, passar por uma experiência de sofrimento, como ainda hoje nossos jovens aspirantes realizam testes de sobrevivência.

As fileiras do clero Cristão ou das hierarquias Católicas tomaram por exemplo ou norma de vida, a disciplina do exército ou um regime espartano. Constituindo o exército espiritual de Cristo ou milícia Cristã. Daí a afirmação do ascetismo entre o clero e os religiosos, porquanto favorecia a disciplina ou a vida regular. Aos fiéis no entanto foi sempre permitido levar uma vida morigerada, sóbria, temperante, equilibrada ou mediana.

Não enriquecer no sentido contemporâneo ou acumular riquezas ilimitadamente, que isto sempre foi visto pelos elderes e doutores do passado como pecado de avareza ou materialismo. A antiguidade Cristã jamais abençoou ou sancionou o regime de vida contemporâneo cultivado pelos ocidentais. Como jamais fez apologia da miséria, mas da vida sóbria ou morigerada nos mesmíssimos termos que Buda, Confúcio, Sócrates, Epicuro, Bion, etc

Julgo que a confusão efetuada no período moderno, entra vida sóbria e ascetismo foi artificialmente criada e promovida com o intuito de batizar e crisma o que os antigos sempre classificara como avareza. A Cristianização de Mamon ou seja das riquezas fundamenta-se amiúde neste falso dualismo tecido em torno de dois extremos: o da riqueza e o da miséria. Inconsciente ou conscientemente houve sempre certo emprenho em eliminar uma possível terceira via construída em torno da sobriedade, vida média, caminho do meio, etc

A justificativa do materialismo economicista em termos Cristãos não pode apartar-se deste padrão de pensamento superficial e binário em torno do acumulo ilimitado ou da privação, e tem se mostrado sempre incapaz de postular uma posse limitada ou relacionada com a satisfação das necessidades pessoais/familiares.

Henry George no entanto demonstrou cabalmente que ainda aqui os extremos continuam a tocar-se e que do luxo procede a miséria, da riqueza a pobreza, do acumulo a falta, da suntuosidade a indigência... Diante disto só nos restar inclinar-se diante daquela sabedoria ancestral que recomendou a vida média, sóbria ou confortável face aos que vivem do supérfluo e aqueles aos quais é negado o necessário a manutenção da vida....

Nós no entanto nos acostumamos a viver entres extremos e aprendemos a tolerar tanto situações de esbanjamento, quanto situações de privação ou carência.

E assim nos fizemos traidores de Sócrates, de Jesus Cristo, de Buda, de Confúcio, os quais com os lábios reverenciamos mas que de modo algum estamos dispostos a imitar reformulando nosso modo de vida materialista, insensível e cruel.

Não sei em que o ascetismo nos transformaria nem posso sabe-lo. Mas sei que a avareza tornou-nos vulgares, grosseiros e cruéis; degeneramos porque inclinando nossos corações as riquezas perecíveis e ilusórias e acumulando ouro, prata, jóias, dolares, ações, etc não melhoramos em nada deixando de acumular as riquezas verdadeiras, imateriais e incorruptíveis, em termos de princípios e valores, méritos, hábitos saudáveis, conhecimento, instrução, educação...

Não sou partidário do ascetismo em termos essencialistas ou ontológicos, o que a meu ver não passa de maniqueísmo. Compreendo no entanto seu papel funcional em determinadas conjunturas sociais. O ascetismo é uma espécie de treino ou adestramento que produz determinados hábitos para a vida, como a disciplina ou a regularidade e mesmo a resistência a dor ou ao desconforto, o que em certas situações sociais é extremamente vantajoso.

A riqueza ou a suntuosidade, como apontou já Agostinho na 'Civita Dei', tende a tornar os homens escravos dos apetites, a amolecer os corpos, a indispor para o trabalho, a malquistar com o esforço e o sacrifício; isto em tempos em que as guerras e batalhas eram decididas mais por homens do que por máquinas. E nem preciso dizer quem é que em estado de guerra levaria vantagem... Segundo o já citado Agostinho, seguido por Ibn Khaldun quando um povo qualquer acumulava riquezas em excesso, olvidando por completo a vida sóbria ou ascética dos ancestrais, tornava-se mole e prestes a ser dominado por qualquer outro povo mais rude, grosseiro, sóbrio, resistente e valoroso.

Em termos de antiguidade e i Média tal explicação parece conter certa parcela de verdade.

Naqueles tempos belicosos o ascetismo agrade-nos ou não parecia contemplar uma função social.

Sócrates, Agostinho, Kaldhum e muitos outros parecem ter tido esta percepção.

Os sábios, como já dissemos, permaneceram equidistantes tanto do acumulo irrestrito de bens, quanto do ascetismo ou da miséria, amiúde fruto da opressão. Face a ambos os extremos recomendaram as massas o exercício da vida sóbria ou moderada, definida por Buda como caminho do meio.

Nós nos desviamos por outras sendas e caminhos.

Apenas não tivemos sinceridade suficiente para classificar Sócrates, Jesus, Buda ou Confúcio como tolos.


domingo, 20 de setembro de 2015

A propósito do avanço do islamismo e seu significado

Quando penso no abandono do ideal Católico pela civilização ocorre-me quase que de pronto a seguinte passagem do Evangelho: "Quando um espírito mau é expulso de um corpo... instalam-se sete espírito ainda piores."

Era mau o espírito do Catolicismo?

Muitos gritarão que sim e baterão seus pés.

De fato, sob a forma do romanismo e mesmo do anglicanismo no Ocidente, conteve impurezas e imperfeições.

Foram no entanto os outros espíritos superiores a ele ou melhores?

Foram o protestantismo, o capitalismo, o comunismo, o anarco individualismo, o positivismo, o fascismo ou o nazismo melhores do que ele? Foram menos ferozes e agressivos? Foram menos cruéis e desumanos?

Absteve-se cada uma das ideologias acima de provocar guerras, golpes e rebeliões? De derramar sangue? De torturar e oprimir???

Ocorrem-me de passagem apenas:

  • O massacre dos camponeses - P
  • O saque de Roma
  • A guerra dos nobres
  • A extinção dos mosteiros e fim do 'serviço social'
  • A execução de Miguel Servet
  • As guerras da França
  • A guerra dos trinta anos
  • A institucionalização da pirataria
  • A eliminação dos índios Norte Americanos
  • A KKK
  • A doutrina do destino manifesto
  • O Belt Bible criacionista
  • O Apartheid - P
  • O terror durante a Revolução Francesa - Cap
  • A fome e miséria presentes na Inglaterra vitoriana
  • As duas grandes guerras mundiais
  • O colonialismo
  • O neo colonialismo - Cap
  • A Revolução russa - Com
  • Os expurgos de Stalin
  • O Holomodor
  • O regime do Kmer vermelho
  • O index vermelho
  • A eliminação dos judeus na URSS - Com
  • Os atentados a Bomba - A I
  • A servidão dos cientistas para com os governos e empresas - P
  • A invenção e fabricação de armas de destruição maciça
  • Experimentações médicas sem o consentimento ou mesmo conhecimento dos pacientes - P
  • Os campos de concentração - N

Leiam e releiam esta lista meus amigos e fiquem cientes de que 90% das instituições ou eventos acima fizeram correr mais sangue do que a Inquisição papista em toda sua História.

Todas as ideologias responsáveis por sustentar as instituições ou inspirar os eventos acima, tem um telhado de vidro muito fino, embora apreciem lançar pedras contra o telhado da igreja romana!

Todas, todas tem o rabo demasiado sujo, embora apontem para o rabo da igreja papal.

Critique a Igreja romana quem puder: os humanistas, pacifistas, zoroastrianos, budistas, espíritas, etc Aqueles que jamais fizeram apologia da violência ou da guerra sob qualquer pretexto. Estes tem pleno direito de denunciar os erros do Cristianismo.

Agora que direito tem o protestantismo, o capitalismo, o comunismo, o nazismo, o fascismo e para além de tudo o islã.

Fácil é para o Islã acusar o protestantismo Norte Americano por ter perpetrado - apoiando ativamente - o maior genocídio de todos os tempos (cf Dee Bronw 'Enterrem meu coração na curva do rio') que é o extermínio dos povos indígenas. No entanto alguém que conheça bem a História do Islã pode assegurar-nos de que ele procederia de modo diverso, isto é, com suma delicadeza e doçura permitindo que os peles vermelhas continuassem a cultuar pacificamente seus deuses???? De fato a acusação procede e é grave. No entanto será honesto o denunciante???

O protestantismo fez. Sim.

Agora que faria o islã com sua sharia???

Acusar é sempre fácil, pois a lingua humana não conhece qualquer barreira além dos dentes. Dificil é ser coerente e deixar de cometer os mesmos erros.

Por isso digo que em comparação com o papismo, seus pretensos sucessores cometeram muito mais erros. Continuaram a trilhar as veredas obscuras do anti humanismo, e por isso não tenho suas críticas em conta de sinceras.

Ao ver tantas pessoas gritando: inquisição, Torquemada, 'Fora Papa', etc e silenciando a respeito dos crimes do protestantismo, do capitalismo ou do comunismo, sinto-me enojado. E os crimes cometidos em nome da Bíblia, do lucro, do partido, do Estado nacional, da raça... onde é que ficam??? Ousareis dizer-me que o papado apenas soube inspirar crimes hediondos??? Direi que ignorais por completo a História. Direis que defendo a Igreja romana. Direi que busco fazer justiça a quem quer quer seja!

Pois até o diabo, caso existisse, mereceria ser julgado com toda equidade. Justiça é coisa que nunca vai mal e ódio coisa que jamais deveria tomar o seu lugar.

O fanatismo pela justiça arrasta-me a tais causas, tão pouco gloriosas.

Tenho em mentes estas respeitáveis meninas defensores dos direitos da mulher que tiram suas roupas diante do Papa Francisco, que queimam quadros religioso, quebram crucifixos, depredam e profanam os símbolos do Cristianismo, xingam os padres e religiosos, e... BATEM PALMAS PARA OS 'REFUGIADOS' MUCULMANOS que nem mesmo os países árabes quiseram acolher!!! E batem palmas para os adoradores de Allá e seguidores de Maomé. E acolhem de braços abertos o Islamismo. A única religião da face da terra que ousa sustentar, em nome de deus, a inferioridade essencial da mulher.

Vai o papa romano visitar suas ovelhas em qualquer canto deste planetoide. E logo assoma uma hoste ou horda de neo amazonas com o objetivo de lançar-lhe pedras, tomates, ovos, esterco ou sei lá eu mais o que. Congregam-se centenas de muçulmanos na Paris de Voltaire com o objetivo de discutir sobre como as esposas devem ser surradas, e apenas duas ou três feministas sinceras aparecem lá para protestar. Após o que são surradas pelos bons muçulmanos e levadas a delegacia! Sem que apareçam imensas hordas de neo amazonas com o objetivo de sustentar tão nobre causa!!!

O Pr Marcos Felicianus declara que o lugar da mulher é na cozinha e... intifada feminista alguma é proclamada. Ele e mais outra ovelha, sua uma vereadora nordestina, sustentam em alto e bom som que a mulher deve obedecer o marido e que é inferior a ele e as valentes feministas não soltam um peido!!!

O papa romano solta uma leve ventrada e elas gritam!!!

Diga-se o mesmo a respeito da maior parte dos comunistóides e anarcóides que neste exato momento estão recebendo de braços abertos os emigrados sírios em sua maior parte islamitas e portanto fundamentalistas em sua totalidade. Bárbaros, grosseiros, vulgares, intolerantes, violentos, arrogantes... não por serem sírios ou árabes - pois não se trata duma questão racial - mas apenas e tão somente por serem muçulmanos e como tais partidários da universalização da Umma, da implantação compulsória da Sharia, da abolição da democracia, da supressão das liberdades, garantias e direitos, da arabização da cultura e da erradicação dos infiéis.

Já estou ouvindo nossos comunistas, anarquistas, extremistas liberais, feministas, etc replicando que nem todos os muçulmanos são fundamentalistas e que tudo quanto esta acontecendo é culpa dos Estados Unidos. De fato não podemos eximir esta nação capitalista e protestantes de suas culpas. De fato muita coisa é mesmo culpa dos Estados Unidos. De fato a situação não teria chegado onde chegou sem as intervenções oportunistas e desastrosas daquela República... No entanto, é forçoso reconhecer que nem tudo é culpa dos EUA ou mesmo do estado de Israel.

Pois séculos antes de existir Estados Unidos ou da América ter sido descoberta já os muçulmanos capitaneados por Tamerlão exterminavam os infiéis da Índia ao Mediterrâneo, especialmente os Cristãos e particularmente os Ortodoxos. Digam-no os Armênios, cujos padres e monges foram enterrados vivos as centenas ainda que jamais tivessem recorrido a violência contra a dominação islâmica. Digam-nos os infelizes assírios crucificados as portas de Bagdad. Digam-nos enfim os siríacos cujas cabeças foram empilhadas junto as muralhas de Allab (Alepo).

E séculos antes de Tamerlão vir a luz o Califa Al Hakim não proclamou a conversão compulsória de todos os Cristãos Ortodoxos do Egito, os quais compunham mais da metade da população? Não decretou a demolição do Santo Sepulcro? E autorizou o linchamentos dos dissidentes??? Isto cerca do ano 1000...

Passemos agora a Era dourada do Islã e contemplemos o fundador deste sistema religioso sentando num torno, com a pequenina Aiesha (com cerca de doze anos de Idade) em Madinat al Nabi assistindo a execução de oitocentos hebreus responsáveis pelo 'abominável' crime de recusarem-se a admiti-lo como profeta de deus!!! Pelo que foram todos decapitados segundo o decreto sagrado de Alla! E como a esposa e mãe de alguns dos condenados tivesse perdido o juízo e começado a gritar, mandou o vigário de alla que também ela fosse decapitada! A outros tantos judeus que recusavam-se a islamizar Maomé declarou terem sido transformados em ratos, porcos e cães pelo seu deus!!! 

Chegando a proclamar que antes do dia do juízo, o resto dos judeus haveriam de esconder-se detrás das árvores. As quais inclinariam suas copas e gritariam: Fiéis, eis um judeu; assassinai-o! 

Ainda sobre os infelizes judeus temos os seguintes testemunhos:

 "Na manhã seguinte ao assassinato de Ashraf, o Profeta declarou: 'Mate qualquer judeu que caia sob o seu poder." 

"Logo após isso, Masud saltou sobre Sunayna, um dos comerciantes judeus com quem sua família tinha relações sociais e comerciais, e o matou. O irmão do muçulmano reclamou, dizendo: 'Por que você o matou? Você tem muita gordura na sua barriga em função da sua caridade.' Masud respondeu: "Por Alá, se Maomé tivesse me mandado matá-lo, meu irmão, eu teria cortado a sua cabeça." No que o irmão disse: "Qualquer religião que pode levá-lo a isso é realmente maravilhosa!"
É que registram At Tabari e Ibn Ishak!

Além dos oitocentos judeus:

  • Al Nadr ibn al-Harith (Março 624) 
  • Khalid ibn Sufyan (625) 
  • Abdullah bin Khatal (Janeiro 630, durante a conquista de Meca)
  • Fartana  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Quraybah (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca)
  • Huwayrith ibn Nafidh (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Ka'b ibn Zuhayr ibn Abi Sulama  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Al-Harith bin al-Talatil  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Abdullah ibn Zib'ari  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca) 
  • Hubayrah  (Janeiro 630, durante/depois a conquista de Meca)
  • Ocba
  • Sallan Ibn Abul Huqaiq
  • Kab ibn Ashraf
Também estes foram assassinados por terem ousado criticar o ditador espiritual dos ismaelitas

Tudo isto esta muito bem escrito nas crônicas compostas pelos cadis e ulemás, nos sahis ortodoxos e no Corão.

No entanto você me diz: Nem todos os muçulmanos são fundamentalistas.

E como não posso crer que esteja mentindo só posso concluir que você não conhece o islã, que jamais estudou sua História, leu o Corão, estudou a sunah e os hadits ou sabe que é a sharia. Tantos quantos ousam dizer que nem todo o bom muçulmano é fanático e intolerante fala sem conhecimento de causa! Jamais foi muçulmano! Jamais viveu na companhia deles ou cercado por eles! E por isso idealiza o islã.

É o mesmo que ocorre com os Católicos e Espíritas ingênuos e idealistas que teem a maioria dos protestantes em conta de tolerantes. Eu fui criado no seio do protestantismo, eu fui protestante, eu tenho experiencialidade e por isso posso dizer que não é assim! Então, quem deseja conhecer de fato o carater do islã pergunte a um Armênio, a um Assírio ou a um Grego do Ponto!

Pois foram milhões de Cristãos Ortodoxos Armênicos, meio milhão de Cristãos Ortodoxos Assírios e siríacos e outros tantos milhões de gregos do Ponto torturados e massacrados pelos misericordiosos e pacíficos muçulmanos da Turquia em 1914! No primeiro genocídio perpetrado no século XX, por questões de ordem confessional! Os padres e monges armênios foram mais uma vez enterrados vivos, as mulheres crucificadas, as crianças pequenas lançadas aos rios e os homens fuzilados, decapitados ou mesmo queimados vivos! Tudo mimos do islã não só autorizados mas recomendados pelo Al Corão: 

1 –E quando vos enfrentardes com os incrédulos, (em batalha), golpeai-lhes os pescoços, até que os tenhais dominado, e tomai (os sobreviventes) como prisioneiros. - Alcorão 47:4

2- "Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. ... E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos." - Alcorão 2:191,193

3 -  "Está-vos prescrita a luta (pela causa de Deus), embora o repudieis. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial" - Alcorão 2:216 

O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo. Alcorão 5: 33

5 - "Eu instilarei terror nos corações dos infiéis, golpeai-os acima dos seus pescoços e arrancai todas as pontas dos seus dedos. Não fostes vós quem os matastes; foi Deus [Alah]" Alcorão 8:13-17

6 - "Mas quanto os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho."

7 - "Combatei-os [os não muçulmanos] e Deus [Alah] os punirá através das vossas mão, cobri-os de vergonha" Alcorão 9:14

Quando quero de fato conhecer o carater de qualquer instituição não é a este ou aquele fiel que devo reportar-me mas a seus estatutos. No caso das religiões a seus livros sagrados. Então se desejo saber se o islã é pacífico ou não é a seus livros, ao Corão e aos sahis que devo recorrer!!! Ao Corão, a Sunah, aos Hadiths e a Sharia! Tomai o Corão e lá vos deparareis com inumeras alusões a jihad ou guerra santa contra os infiéis. Foi feita duas ou três vezes pelos de Madinat contra os de Macca e em nenhuma delas correspondeu a um esforço de natureza interna ou espiritual.

Quase nunca significa. Quase sempre trata-se de batalhas violentas como as de Uhud e Badr! Após as quais seguiam-se as conversões ou os massacres! Como o assassinato da anciã Umm Qirfa cujos membros foram atados as caudas de quatro cavalos até ficar desmembrada! Tal a descrição fornecida por Ibn Ishak. Já Abu Afak por ter se compadecido dos judeus executados e ousado repreender o apóstolo numa de suas sátiras foi morto a facadas por um de seus seguidores embora contasse já com 120 anos de idade.

"O profeta recitou a Surat an-Najm (103) em Meca e prostrou-se enquanto recitava. O mesmo foi feito por todos aqueles que estavam presentes excepto um idoso que pegou em algumas pedras e levantou-as até à sua testa e disse, "Isto é suficiente para mim." Mais tarde eu vi-o a ser morto como um descrente." ajunta Bukahri apud 'Sahi' XIX 173

Asma Bint Marwanid, poetisa e mãe de cinco filhos deu mostra de descontentamento pelo assassinato de Abua Afak foi esfaqueada durante a noite, após o filhinho de dois anos ser-lhe retirado do peito!

Confirma-se pelo Corão e a Sunah o veredito emitido há quase trezentos anos por Pascal em seus "Pensamentos" o Cristãos conquistaram o mundo antigo morrendo, i é sendo mártires, o islã fez todas as suas conquistas espirituais a ponta da espada, matando!!!  É glorioso morrer pela fé, repugnante matar por ela.
No entanto, no islã recebe o título de mártir quem perece destruindo outras vidas humanas em nome da fé e o paraíso é prometido a assassinos, carniceiros e vertedores de sangue humano.

A bem da verdade os mandamentos sangrentos divulgados pelo islã tem por alvo primário os politeístas e Judeus e que no Alcorão 5:85 Maomé tributa sincero elogio aos Cristãos. O que de per si serviria para impugnar qualquer tipo de tentativa de perseguição aos filhos da Igreja. Sucede no entanto que boa parte dos interpretes ou comentaristas, tomando por base a crença Cristã na Trindade, tem inserido os Cristandade no grupo dos politeístas! Autorizando assim o recurso a perseguição.

Destarte as massas incultas que jamais prestaram atenção aquele pequenino fragmento acabam acatando as exortações de seus líderes e exercendo violência contra os Cristãos.

Continua




sábado, 16 de maio de 2015

Impressões sobre o novo filme Mad Max

                                           Imagem retirado do site www.metacritic.com


ADVERTÊNCIA AO LEITOR À LEITORA: Esta postagem contém spoiler.


O  filme de Mad Max a  estrada da fúria chegou em boa hora, filme de excelente qualidade, adrenalina do começo ao fim. Max é um homem perturbado e por isso assombrado tanto pelos vivos como pelos mortos, é um homem que tem remorsos por ter perdido sua filha parentes e amigos.

Max logo no começo do filme é capturado por guerreiros e levado para uma cidadela como prisioneiro de guerra, lá ele luta para fugir mas é preso, torna-se bolsa de sangue para um guerreiro que tem uma doença terminal. O cenário do filme como nos anteriores é um grande deserto com um pequeno oásis.

O filme tem abordagens sociológicas muito interessante, a Cidadela é lugar militarizado e religioso, faz uma clara menção aos terroristas do ISIS, Boko Haram e outros grupos mulçumanos extremistas que são ao mesmo tempo militarizados e fanáticos. Os soldados tal e qual os mulçumanos quando estão prestes a morrer gritam: Testemunhem! Outra clara alusão aos grupos extremistas mulçumanos que lançam-se à morte para que tornem-se mártires, isto é, testemunha de allah e do profeta. É interessante notar que o militarismo sempre vem acompanhado do fervor religioso e do nacionalismo. Os soldados não pensam, não questionam, aceitam tudo e quando um soldado começa a pensar por si mesmo ele aos poucos deixa de ser soldado e torna-se desertor.

O líder Immortan Joe apresenta-se como o redentor do povo, como messias, o povo em sua maioria civis vivem praticamente na miséria e de quando em quando Immortan Joe abre os dutos de água para que o povo tenha um pouco de água e o povo lá embaixo briga por essa preciosidade que é a água, luta por sua sobrevivência, agredindo uns aos outros por causa da água, é o darwinismo-social em seu pleno desenvolvimento.

Uma das líderes do exército a imperatriz Furiosa enganou Immortan Joe  e saiu com as máquinas de guerras (carros) e levou às escondidas as esposas do tirano que eram consideradas como propriedades suas, assim como os filhos que elas carregavam em seus ventres. A imperatriz quis libertá-las da escravidão e as escondeu para que ficassem protegidas.

Quando vê-se ludibriado Immortan Joe convoca o seu exército para perseguir a "traidora" e "resgatar" suas esposas propriedades. Um dos guerreiros em fase terminal que usa Max como bolsa de sangue faz questão de ir para a guerra e prepara o carro e a bolsa de sangue - assim é que Max é chamado - que é pendurada num poste improvisado na frente do carro. Estando acorrentado e com uma máscara de aço no rosto.

Após um acidente, o soldado está desmaiado e Max tenta livrar-se da corrente mas não consegue, então é obrigado a levar o soldado no colo até que no meio do deserto encontra a imperatriz Furiosa e as concubinas de Immortan Joe, ele está com uma arma e as ameaça, pede água e pede para uma delas quebrar as correntes. Depois há uma luta feroz entre ele e a Furiosa e na sequência ele consegue fugir com o carro de guerra dela, mas a Furiosa programou para o carro funcionasse a partir de uma programação feita por ela, então ela não vai longe. Após isso, ele é obrigado a aceitar - muito a contragosto - a companhia das mulheres, enquanto está desesperado para livrar-se da máscara de aço.

Aquele soldado que tem doença terminal ao que tudo indica câncer ele é encontrado pelo grupo do Immortan Joe  e volta para seu cargo e vão ao encalce dos fugitivos, depois de certas frustrações o soldado começou a pensar por si mesmo e mudou de ideias e de lado.

A imperatriz furiosa quer voltar para sua terra e para seu povo e quando chega ao local vê uma mulher presa no alto de uma torre, Max adverte que pode ser uma armadilha, ela pede que todos fiquem no carro e anuncia quem é, ela é reconhecida então aparecem algumas mulheres de seu povo e ela faz perguntas e diz que todo o povo dela sumiu só restaram algumas mulheres guerreiras, ela entra em desespero, então Max tem a ideia de voltar para a Cidadela e tomá-la para lá começarem uma nova vida, no retorno para o lugar de origem enfrentam a ira do Immortan Joe que é morto pela Furiosa.  Ela é gravemente ferida durante as batalhas e Max faz uma transfusão de sangue para salvar a vida dela. Quando apenas um carro chega à Cidadela o mito do deus vencedor, do messias desfaz-se e não tem mais razão de ser e o povo oprimido festeja a morte do tirano.

Enfim, o filme vale a pena não só pela adrenalina mas pelas questões políticas e sociológicas que apresenta.