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terça-feira, 13 de julho de 2021

Há como ser carnívoro sem ser assassino? - Continuando a discutir com carnivoristas e vegetarianos 'ortodoxos' (Fazendo justiça aos vegetarianos e refletindo sobre a doença da Vaca louca!)

Mencionaram as batatas ou las papas.

Pois é manifesto que sejam bastante nutritivas.

Para quem não sabe é a batata de origem americana. Quer dizer isto que não fazia parte da dietas dos egípcios, mesopotâmicos (Sumérios, assírios, babilônicos, etc), persas, gregos, romanos, indianos, chineses, etc Não, para eles nada de batatas...

E temos diante de nós um tubérculo tão americano quanto o tomate, o milho, o cacau (Chocolate), o amendoim e a mandioca, os quais, a exceção da última tampouco são tubérculos.

Nada mais estranho terem o macarrão, da China; se unido a um molho feito com os tomates do Novo mundo, na Itália.

Geografia e cultura teem dessas...

No entanto o tomate, antes de virar molho, lá pelos idos do século XVIII, debutou como um fruto destinado apenas e tão somente a enfeitar o ambiente e não a ser consumido. O mesmo deu-se com as batatas, as quais por mais de século foram cultivadas por causa de suas flores. Isto porque tanto as folhas do tomateiro quanto as folhas da batata passam por venenosas, embora o sumo da batata, topicamente usado, sirva como anestésico. 

Todavia quando a fome apertou tiveram os europeus de se servirem do tubérculo andino. O qual além de ter salvo milhares de irlandeses no começo do século XIX, incorporou-se muito rapidamente a cultura gastronômica de diversos países como a Suécia, a Dinamarca, a Inglaterra, França, Portugal, Espanha... a ponto de aqui ser consumida com arrenque e manteiga, ali compor o delicioso molho Rouille e mais além fazer parte da tradicional bacalhoada. 

A impressão é que a batata faça parte do cardápio europeu há milênios, quando foi incorporada há apenas alguns poucos séculos, após ter atravessado o Atlântico.

Tal o roteiro da batata. 

Comedores de batata são mais os peruanos que os irlandeses, posto que na Irlanda não há 3.200  variedades de batatas além do magnífico chuño, o qual não encontramos deste lado dos andes e menos ainda no velho mundo.

Enfim vamos as batatas, ao vencedor as batatas -

De fato as batatas pouca diferença sabem quanto os demais vegetais, embora sejam de fato mais saborosas que o comum. No entanto a maior parte das pessoas costumam aprimorar ainda mais o sabor desse tubérculo servindo-o frito ou em forma de purê - E em nossa cultura batata já é sinônimo de fritura ou purê.

O problema da fritura é simples: Rende pouco, saindo cara e é, caso seja consumida frequentemente, insalubre ou prejudicial a saúde, pelo que temos dois embaraços: Um econômico e outro dietético. 

O purê de batatas, penso eu, é um dos grandes trunfos do vegetarianismo contra o veganismo. Pois essa combinação de batata, manteiga, leite e por vezes queijo ralado e cheiros, além de ser extremamente apetitosa e nutritiva, rende. Tornando-se um dos poucos pratos capazes de de fato concorrer com a carne e de substitui-la. Adicione alguns cogumelos ou pimentos refogados a um bom purê de batata, associe ao arroz e ao feijão e a refeição completa esta pronta, e sequer os frutos do mar fazem falta.

Os veganos no entanto não podem contar com ele por recusarem-se a consumir manteiga, leite e queijo, e ovos; pois o purê e eventualmente - Para quem tem condições medianas - a batata frita com uns ovos mexidos, estralados ou omeletados (sic), é outro prato completo e saboroso. 

A batata se frita ou sob a forma de purê transcende a simples batata cozida. 

Como o quilo da batata sai atualmente por uns cinco ou seis reais, fica pela metade caso comparada com os cortês de frango ou o franco processado. 

Basta portanto reduzir o número da população e melhorar a condição social dos operários para então preconizar a substituição da carne vermelha pelo purê e pela batata frita. 

Temos aqui, nas batatas, um princípio de realismo, não para o veganismo mas certamente para o vegetarianismo aberto ou suave e para a dieta ética.

Pois como disse esse tubérculo versátil sempre que combinado com ovos, queijo, natas ou leite surpreende. 

Ponho minhas esperanças nas batatas. Ponto pacífico.

Outra a questão de quem insiste em consumir carne e sente dores na consciência, solicitando uma solução, tipo: Como comer carne sem cometer assassinato ou crime.

Após ter refletido por anos a fio sobre o problema e ter ouvido sucessivamente a carga da crítica, as vezes não tão respeitosa, creio estar a altura de responder a tão grave questão.

Quem deseja consumir a carne e pagar tributo ao sabor sem violar a consciência e sentir-se culpado - Pois é, insisto questão de Ética apenas e não de dieta! - que consuma a carne dos animais após terem morrido naturalmente, seja de doença ou de velhice. 

É a única solução mas é uma solução e satisfaz rigorosamente uma demanda que procede da consciência sem jamais molestar a saúde.

Disse sem molestar a saúde porque a primeira e costumeira objeção que ouvimos ao propor aos carnívoros o consumo de animais não assassinados é que faria mal a nossa saúde.

Portanto para que se saiba que podemos ser carnívoros e éticos, o que por muitos é tido como utópico ou ilusório, vou impugnar essa objeção falaciosa.

Para facilitar o entendimento do leitor vamos dividir a matéria e abordar parte por parte.

01) Imaginemos um mundo em que criemos as galinhas apenas para produzir ovos.

02) Mesmo que não nos quiséssemos, por medo, servir-nos da carne de animais que tenham morrido por qualquer tipo de moléstia ou enfermidade, animais há que morrem naturalmente, de velhice ou por sincope cardíaca e animais que sofrem acidentes. Ora as carnes destes últimos, em tese, não oferecem risco algum ao consumidor humano.

03) Já quanto aos animais que tenham morrido vitimados por qualquer enfermidade - Ao menos quanto a maior parte delas! - também suas carnes poderiam ser consumidas bastando para tanto que não fossem comidas cruas, ou mal passadas mas muito bem cozidas.

Não, não estou contando lorota. Mesmo as carnes de animais vitimados pela ampla maioria das doenças conhecidas poderiam ser aproveitadas caso estivessem de fato mortas i é muito bem assadas ou cozidas. Porquanto, e tornamos a questão já posta pelo vegetarianismo e pelo veganismo, não é a carne absolutamente venenosa ou prejudicial mas apenas relativamente prejudicial, quando preparada erradamente. E vegetais há que não transcendem a regra: Jamais coma mandioca brava, folhas de mandioca (Maniçoba), folhas de tomate, caruru, etc sem aferventar diversas vezes ou cozer, pois crus são nefastos, mas cozidos tornam-se nutritivos. Conclusão: O problema da carne é o preparo e o consumo da carne crua ou mal passado sempre arriscado. Já o consumo da carne bem assada ou cozida é sempre seguro ou inócuo, mesmo quando os animais tenham sido vitimados por algum tipo de enfermidade.

- Devo porém, quanto a este assunto fazer uma séria advertência.

O quanto acima escrevi vale para as aves e suínos de modo geral - Caso alguém deseje adquirir para consumo o cadáver de algum desses animais com um produtor. Pois aves e suínos não desenvolvem a fatídica doença da Vaca louca ou de Creutzfeldt Jakob. Outro o caso dos ovinos e caprinos, cujo consumo da carne oriunda de um animal vitimado pela enfermidade ou pela velhice só seria seguro em condições orgânicas, uma vez que o trato intensivo em que porventura entrasse ração contaminada por prions sempre poderia contamina-los.

É por isso que não se pode consumir a carne bovina mesmo bem cozida ou bem assada, pois os príons são indissolúveis e inumes mesmo a altas temperaturas. 

O que queremos dizer é que a carne bovina apenas não deveria ser consumida de qualquer forma, seja  de animais abatidos ou vitimados por alguma doença, seja crua, mal passada, assada ou bem cozida. Pois a doença da vaca louca continua sendo sempre transmissível, sem que haja qualquer maneira de evita-la, exceto é claro a recusa em consumir esse determinado tipo de carne, tendo em conta o risco, que os grandes produtores classificam como uma espécie de loteria invertida. De fato aqueles que desenvolverão, por quaisquer vias, a doença da vaca louca em nosso pais não passaram de algumas centenas ao cabo de alguns anos. O que para muitos é reconfortante, pois podem consumir confortavelmente seu bife sem maiores problemas. No entanto tanto a loteria da sorte quanto a do azar tem seus contemplados e tenho certeza que a maior parte das pessoas, se bem informadas sobre essa terrível moléstia, prefeririam não correr o risco.

Repito e pontuo, caso a doença de Creutzfeldt Jacob fosse melhor conhecida em todos os sentidos esse grande e lucrativo setor do agro negócio, representado pela produção da carne bovina, sofreria um grande baque. 

A maior parte de nós sabe que a doença da Vaca Louca existe e que é transmitida pelo consumo de carne bovina, sem que haja qualquer meio seguro com que evita-la. É uma doença latente, que fica latente no animal por muito tempo. Bem podendo ser ele abatido e consumido antes de manifestar os sintomas - Simples assim. 

No entanto a maior parte dos que sabem algo sobre a doença priônica não sabem tudo ou não sabem o que deveriam saber, e é está uma ignorância que não apenas mata mas que faz sofre intensamente. Não é o caso do infarte que te fulmina, não, nada disto, aqui o buraco é bem mais embaixo. Portanto informem-se.

Todavia para que cheguemos ao fundo do abismo devemos dizer que mesmo os relativamente bem informados sobre a existência e características da doença da vaca louca, acreditam erroneamente (Por isso se sentem seguros e continuam consumindo a carne bovina!) no quanto disse eu ser válido para a maior parte das doenças que porventura vitimem um animal i é que basta assar ou cozinhar muito bem a carne para impedir a contaminação pelos príons. 

Afinal não é assim com a solitária e a cisticercose?

Sim, mas não com a doença da Vaca louca.

Daí repetir eu o que acima já registrei: Os príons são indissolúveis e invulneráveis as mais altas temperaturas. Portanto não há como evitar essa doença ou considerar-se seguro enquanto se consome a carne bovina. Por mais que você a cozinhe permanecerá contaminada e nefasta.

Portanto o consumo da carne bovina - E não da carne vermelha - é sempre inseguro e arriscado.

Claro que correr ou não o risco ou expor-se é sempre consideração de ordem pessoal.

São no entanto decisões que devem ser avaliadas a luz dos fatos.

Resta dizer que não há evidência alguma de que o leite e seus derivados transmitam a horrenda moléstia.

É portanto questão que circunscreve-se a carne bovina cozida ou não.

04) No caso das demais carnes ou das carnes seguras, equina, suína, ovina, caprina e aviária além do cozimento tornar seguro o consumo dos animais vitimados pela idade, por moléstia ou por possíveis acidentes, caso as pessoas sintam-se porventura amedrontadas sempre poderiam demandar dos cientistas uma solução para o problema e não é para duvidar que a Ciência lograsse desenvolver técnicas ou insumos capazes de tornar essa carne absolutamente segura. Basta que a ConsCIÊNCIA das pessoas o demanda-se de forma peremptória a CIÊNCIA. Basta que a Sociedade o exigisse, como uma espécie de meta. Nada que a Ciência não poderia fazer caso quisesse e se não o faz é apenas porque nós humanos, continuamos a assassinar os demais mamíferos e a justifica-lo miseravelmente por meio de sofismas. Nada faz a ciência porque nos conformamos em matar, porque negamos o crime. Tudo, como já tivemos ocasião de observar, porque podemos e queremos, devido a nossa insensibilidade.

Daí a ciência, que jamais nos dará pingo de consciência, continuar servindo, como lacaia, o carnivorismo assassino. 





Claro que toda essa questão em torno do consumo de animais mortos por obra da enfermidade ou da velhice, como era comumente praticado pelos pobres da Idade Média no caso das vacas leiteiras ou das galinhas poedeiras, continuam girando - Como paliativo que é - em torno de outros problemas e pautas como a contenção da natalidade e do crescimento populacional, a implementação da justiça social (Com a atribuição de uma pedaço de terra a cada pessoa ou família.) e a produção de vegetais e animais saudáveis, ou seja, orgânicos, para consumo próprio; assim a instrução e as técnicas de preparo. Por isso temos diante de nós todo um mundo a ser considerado.


Porém quanto a este problema - Que para mim pouco significa mas que para muitos é crucial. - da justiça, da compaixão, da consciência e da vontade de consumir a carne vermelha ou a carne das aves, oferecemos uma solução bastante realista: A exceção da carne bovina, cujo consumo deve ser urgentemente abandonado devido a doença da Vaca louca! - os que possuam um sitiozinho lá com seus animais criados num ambiente saudável sempre poderão consumi-los depois de terem morrido, bastando para tanto prepara-los com o devido rigor, i é cozinhando-os ou assando-os muito bem. Aos que não se sentem seguros e continuam a comer a carne bovino considerem o perigo da doença priônica, e pressionem a ciência para que seus dignos representantes empenhem-se em descontaminar tais carnes, tornando-as inócuas e seguras. Julgo que tal solução corresponda ao único caminho possível para um carnivorismo ético. Afinal não adianta ficar batendo doentiamente na tecla da Ética e sem seguida trai-la de modo tão leviano, adotando o padrão da força e minimizando nossas ações criminosas ou irrefletidas. Deve a Ética ser integral e direcionada a todos os seres de modo a contagiar a humanidade como um todo e restaura-la em seus fundamentos.


 








segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas I




Resultado de imagem para altruismo




Discordar pressupõem variação, e parece indicar complexidade, indeterminação e quiçá liberdade



Discordar é uma atitude rica de significados.

Como há um sem número de ideologias e pontos de vistas diferentes, a variedade parece indicar que de fato não somos comandados ou determinados por genes. A menos que os genes além de tencionados e por consequências conscientes (Ed Husserl) sejam também pensadores ou ideólogos...

A tabela periódica possui uns cento e poucos elementos. Portanto a variação é mínima... Nossas ideias, opiniões, crenças, teorias e visões de mundo, etc superam muito provavelmente o número de nossos genes, afinal são bilhões de seres humanos e não menos de dezenas ou centenas de milhões de seres humanos 'conscientes' experimentando e julgando criticamente o mundo i é produzindo concepções e doutrinas que se cruzam e produzem outras tantas, algumas que materializam -se outras que não se materializam, o que, como diz C G Jung é absolutamente irrelevante.



Um ser que elabora perguntas inoportunas



Veja uma obra de arte por exemplo, seu valor consiste justamente em não ter utilidade alguma, é pragmaticamente um mistério que Steven Pinker, o grande mago, esqueceu de alistar entre seus imponderáveis (a respeito dos quais os gregos tanto ponderaram e tantos homens ilustres ponderam ainda.) Produtos da mesma hipertrofia evolutiva que concedeu-nos um cérebro ou um aparelho cognitivo capaz de elaborar questões que os cientistas - materialistas e neo darwinistas é claro - dizem ser inoportunas ou irrespondíveis. É o que diz Pinker (com Kant) em seu livro 'Como funciona a mente' creio que a pag 256 ou segs onde declara que nosso aparelho cognitivo não foi feito para a verdade (Então como ele sabe que não esta equivocado???)...

A riqueza da cultura é mais ampla do que a riqueza genética.


Após esta digressão o que quis dizer é que nosso universo ou variedade cultural parece bem mais amplo do que nossos genes ou nosso universo genético, assemelhando-se a um turbilhão. Claro que se trata apenas duma hipótese a ser verificada no momento em que todas as ideias ou teorias e concepções humanas venham a ser matematicamente contabilizadas. Mas, como Pascal, faço já a aposta na transcendência da cultura face ao número dos genes. Agora se genes de algum modo produzem ideias (não creio nessa xaropada metafísica chamada memética, cujos devaneios, a contento, revelaremos - A gênese e forma da cultura é totalmente outra) são entidades pensantes, além de possuírem intencionalidade e consciência; e estamos já no reino da Carochinha...


Pinker vs Pinker


Agora veja meu bom amigo, o sr Pinker pronunciando-se categoricamente sobre o que acabara de alistar entre seus imponderáveis, uma vez que tal questão, sobre a possibilidade do conhecimento, é metafísica - qualquer doutrina sobre a validade do conhecimento, ultrapassando a empiria, como o empirismo, é metafisica - e epistemológica. É sempre possível que Pinker, no fim das contas repudie ao princípio de contradição de Parmenides, não o sei. Mas sei que responde a uma questão que alista entre seus imponderáveis... E responde-a da pior maneira possível, com Kant.


Hume e Kant (Jamais saímos disto!)


Kant é uma personagem chave a respeito de tudo quanto discutimos. E citado frequentemente por todos os modernistas como uma espécie de oráculo - 'Magister dixit'. David Hume, de cuja honestidade não podemos duvidar, também declarou que o aparelho cognitivo humano não estava posto para a verdade e por isso repudiou a religião, a filosofia e é claro a ciência, uma vez que a empiria parte dos sentidos. Já antes dele Pirro, Timon, Arcesilas, Carneades, Enesidemo, Montaigne, Vayer, Agripa e outros haviam esposado a mesma tese, que é a do ceticismo. O Ceticismo, nobre amigo, tem uma vantagem, não é arbitrário ou parcial, pois não precisa de um papa ou de uma autoridade dogmática a qual caiba definir a extensão ou o terreno de nossos conhecimentos.

Kant - que era luterano e trazia por baixo de sua epistemologia negativa uma antropologia (Toda Epist pressupõem uma Antropol segundo Ed Husserl) negativa - como declarou Mme de Stael sobre os reformadores, pretendeu ter atingido as colunas de Hércules da epistemologia e pôde dizer a posteridade - Daqui não passarás! Querendo com isso definir a extensão do conhecimento humano ou até onde era possível saber. Pupilo de Lutero ele identificou a razão com a imaginação ou a fantasia, condenando tudo quanto fosse demasiado especulativo, racional ou sutil; (A exemplo das modernas TEORIAS 'científicas'), enfim a metafísica, identificada, mui apressadamente com a ontologia e a teodiceia. No entanto o próprio uso de Metaphisika era ambiguo e isto a ponto de Schoepenhauer descrever o homem como um ser ou animal metafísico.

Chegando a Comte - Seu projeto ético



Comte; o francês, foi quem concluiu pela vaidade do exercício ou da reflexão filosófica de modo geral. E no entanto este homem genial não podia deixar de preocupar-se com o 'para que', com os valores, princípios, critérios e padrões que regem o convívio humano, insistindo dramaticamente sobre a necessidade de se manter ou criar uma Ética. Em certo sentido Comte e Freud são muito parecidos por suas contradições... Seja como for, foi Emílio Litreé, segundo papa positivista, que declarou a Ética ociosa ou desnecessária (por aquela época já não se falava em Estética). Os positivistas herdaram o aborto mas a humanidade clamou e clama por uma ética, e não por qualquer ética.


As promessas de Litreé...


Litreé é quem assume a teoria segundo a qual a Ciência deveria substituir a Filosofia tal e qual esta já havia substituido a religião. A compreensão no entanto era bem distinta da de Pinker. Pinker ora nos revela que devemos aceitar um certo estado de ignorância sobre o imponderável, assim a Ética - a qual sendo imponderável continua sendo ociosa! - e a Epistemologia... e nem preciso falar em Estética, afinal não poucos cientificistas admitirão sem maiores problemas que também ela é produto de uma hipertrofia evolutiva e quiçá algo tão dispensável quanto a espiritualidade. Litreé, como diz Grayling, não abre mão de uma escatologia Cristã otimista, mas secularizada (nos mesmos termos que Marx) e assevera que a ciência fornecerá ao homem todas as respostas e desvendará todos os mistérios produzindo uma nova visão de mundo.

Demandando por Ética!


Husserl julga que tais promessas são pretensiosas e mesmo venenosas, uma vez que nosso conhecimento sempre será fragmentário e limitado, como ora parece admitir Pinker, numa perspectiva mais realista, mas não menos dramática uma vez que seus imponderáveis são por assim dizer 'vitais' e não meramente acessórios dispensáveis sem os quais podemos passar muito bem... Com efeito não pode o homem viver sem perguntar a si mesmo 'Para que?' e todos se perguntam sobre isto algumas vezes ao menos na vida. Impulsos genéticos que pretendemos recalcar ou demandas psíquicas a respeito das quais a ciência empírica não é capaz de responder, mas que suscitam outros tipo de reflexão e outras formas de conhecimento.

Contesto mais uma vez que o acesso a este tipo de conhecimento, vital a nosso convívio, desenvolvimento, sobrevivência e felicidade possa ser arbitrariamente negado por um Kant, um Pinker, um Litreé ou outro qualquer. Não é um medo infantil como aquele de que foram presas um Comte ou um Freud com toda sua ciência positiva. Só não vê a crise civilizacional porque passamos quem não quer... E só aqueles que não tem um mínimo de empatia - e que certamente fariam do egoísmo genético sua praça forte - fugiriam a esta preocupação, uma vez que somos todos humanos!







A questão esbatida do altruísmo


Claro que eu bem sei e sei bem que falar em identificação, a alteridade, empatia, abnegação ou altruísmo com um biologista é tabu desde os tempos de Darwin. Hamilton em suas 'equações' já havia restringido o altruísmo a família ou a ligações genéticas, introduzindo o elemento do egoísmo... Tudo isto faz parte da ideologia positivista, a qual serve-se de enormes fórmulas matemáticas com o objetivo de intimidar a platéia. Carrel no entanto, que fora nobel e empirista de primeira linha, já dizia não trocar uma tonelada de demonstrações matemáticas por um único e singelo fato. Mesmo Comte, tão afeito a cálculos, teve de admitir esta bela verdade - Contra fatos não há argumentos...

No entanto exemplos de altruísmo desvinculado de ligações genéticas não são raros já na História, já no naturalismo e indiquei uma obra notável pelo senso de realismo e observação característicos da verdadeira ciência, assim o 'Auxílio mútuo' de Piotr Kropotkin.

É o humanismo um especismo vulgar?


"Soa como um desejo de ser mais do que felinos ou outras formas de vida... e para muitos expressaria uma forma de arrogância." diz meu amigo.

Certamente não somos superiores nos termos do sectarismo religioso ou do gênesis, segundo os quais os animais são propriedade nossa ou nos pertencem. Mesmo quando criamos animais deveríamos faze-lo segundo os princípios de uma Ética. No entanto adotar uma ética quanto ao convívio com os demais animais parece característico do homem. Pois se há homens sem consciência, que atuando como os demais animais, extinguem outras formas de vida, também há um significativo número de seres humanos que questionam a destruição de tais formas de vida apelando a conceitos como a justiça ou a alteridade, uma vez que somos todos sensíveis a dor. Veja o grupo Green Peace por exemplo.


Temos uma Ética que as demais formas de vida não tem!



Agora que leão ou jiboia ou urso após alimentar-se de um humano viria a refletir a ponto de deplorar seus hábitos alimentares e altera-los? Absurdo impensável. Mas nós temos veganos! Temos valores que alteram comportamentos... Estou esperando demonstrarem que os animais são capazes de fazer o mesmo. Nada nos indica que carnívoros façam reflexões de natureza ética determinativas com relação a seus objetos alimentares, ao menos em larga escala.

Neste sentido, de poder avaliar, com base em certos princípios, nossa relação com o que seria nossa comida ou nosso alimento, parece inovador e distintivo. Certamente que o advento da cultura vegetariana entre humanos é absolutamente rico e sugestivo; e não preciso ser vegano ou vegetariano para chegar a esta conclusão. Basta-me preferir a fome a consumir a carne dos grande mamíferos sensíveis a dor...

Os animais não produzem ciência, o homem...


Passemos a outro aspecto da polêmica. Caso sejamos absolutamente iguais aos outros animais e em nada nos destaquemos deles por que raios formigas, baratas, ratos, felinos, cães e elefantes não produzem ciência? Por que não tem seus laboratórios onde fazem pesquisas e experiências? Por que não tem suas universidades e escolas em que produzem o saber? Por que não transformam radicalmente o meio em que vivem como temos feito?

Caso a ciência produzida unicamente pelo homo sapiens tenha este valor tão grandioso - não negamos seu grande valor. O que questionamos é a atitude do cientista que se nega a pensar sobre o fim da técnica numa perspectiva ética - o quadro da vida propriamente animal comporta alguma limitação. Se a ciência produzida pelo homem tem algum valor, não há como deixar de concluir pela superioridade relativa ou intelectual de seu produtor. Agora se dissermos que é tudo uma só e mesma coisa temos de negar o valor desse fenômeno especificamente humano que é a produção científica. Elevar a ciência as alturas e abater o homem até as termitas, que não produzem ciência, é uma atitude absolutamente contraditória e incoerente.

A espiritualidade e a reflexão filosófica como fenômenos  tipicamente humanos


Mesmo sabendo que os cientificistas e positivistas negam o valor objetivo da religiosidade humana, aqueles que estão habituados a estudar o fenômeno humano não podem deixar de considera-la. Ao menos no plano da cultura temos de considerar o aspecto religioso como uma construção humana não só característica e relevante, inclusive, mas até, em certas circunstâncias como elemento positivo e favorável a evolução de determinada sociedade.

Diga-se o mesmo e mais ainda da reflexão filosófica. E o ateu Bertrand Russel foi quem declarou ser o 'deus dos filósofos' a mais refinada abstração concebida pelo homem e ao menos no plano natural, algo não menos grandioso que as pirâmides ou as grandes catedrais. Mas eu não percebo que os animais, claro que isto poderá vir a ser demonstrado, possuam uma vida espiritual e menos ainda que coloquem para si mesmos questões sobre os primeiros princípios e fins últimos do homem ou da natureza, do ser, do destino e da dor, na feliz expressão de Leon Denis. Os animais não parecem contestar a realidade dada que os cerca. Não parecem possuir um belo ideal face a vida e ainda aqui, os positivistas - que mutilam a condição humana - furtando-se a dimensão ética da vida, é que parecem espelhar-se nos animais, rebaixando-se.

A Estética ou a arte...


Temos ainda a arte, cujo fim é valorizar o que não é útil ou que não tem qualquer valor prático (Theophilo Gauthier). O homem entrega-se a este ofício inútil e desperdiça energias a toa, cerca de quarenta mil anos! Afinal para que serviriam algumas linhas e cores impressas num jarro??? ou uns sinais postos a lâmina de uma lança??? Bem, o Partenom e as Catedrais da idade média são a culminância deste exercício típico do homem e que não vemos nas alimárias que nos cercam. Ou já vistes um cão encenar uma peça ou um porco tocar uma flauta???

Por fim o homem, no dizer de Pascal, Kierkegaard, Heidegger, Marcel, Jaspers,e outros 'tolos' é um ser inquieto, que coloca-se diante do tempo, do espaço, da vida, da morte, do ser, da finitude, etc Segundo Platão ele possui um Thymos ou programa vital... segundo Romain Rolland possui um sentimento oceânico... segundo Henri Bergson possui uma intuição das coisas... segundo Husserl tende ao eidético, etc Não percebo essa inquietação, esse incomodo ou angústia nos animais. Não percebo esta sede. Não percebo esta busca ou demanda...

UM SER QUE SE AUTO MUTILA...


Claro que UM OU OUTRO SER HUMANO sempre pode mutilar-se, restringir-se e descer de nível. Outra coisa é o animal ascender ao humano, posto que lhe falta todo um aparato cultural. O esforço dos biologistas e metafísicos cientificistas consiste em eliminar ou minimizar justamente o que é propriamente humano E POR ISSO SÃO COM PROPRIEDADE CLASSIFICADOS COMO REDUCIONISTAS.


Eles pura e simplesmente desconsideram ou menosprezam a espiritualidade, a Ética, a Estética, a curiosidade ou a busca pelo sentido. As quais para eles são irrelevantes, EMBORA SEJAM RELEVANTES EM TERMOS DE ESPÉCIE E CULTURA. Más eles, os auto imunes, encaram a si mesmos como os arbítrios do universo e porta vozes da ciência, a qual sem embargo diariamente atraiçoam e profanam, publicando e divulgando metafísicas, escolásticas, especulações, sutilezas e ideologias em seu nome!!!