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quarta-feira, 29 de julho de 2026

O terror que produz horror ou a história da censura a indústria do terror nos EUA

 Via de regra, quando pensamos nas inquisições 'made in EUA' ou na dita terra do liberalismo (Nem sempre tão liberal quanto pintam) o que nos vem aos miolos são bruxas de Salem, lei seca ou MaCartismo.

Houve no entanto diversos tipos de repressões naquele país do Norte. Não apenas quanto o sexo, as drogas e a bebida, o que até seria compreensível, mas até mesmo contra o terror ou a produção artística que envolve o sobrenatural, e considero sua contemplação e compreensão como algo mínimo curioso, talvez por comportar um elemento metafísico que as demais formas de repressão não comportam, ao menos de uma forma tão explícita.

De fato havia a tentativa de manter a fantasia do terror em limites cristãos ou piedosos.

Assim esses códigos auto restritivos, que entraram com o MaCartismo até meados dos anos 60 determinavam que as crenças religiosas fossem respeitadas, que o clero não pudesse ser criticado, que o nome de Deus não fosse citado levianamente e sobretudo que o bem sempre triunfasse do mal... Era todo um vies levemente providencial que aponta já para a fonte do problema.

Efetivamente há algo de distinto entre o terror clássico que partindo de Walpolle com 'O castelo de Otranto' chega ao mestre supremo M R James, passando por Le Fanu ou mesmo Stocker. 

Poe é um dos poucos, e o primeiro, a afastar-se do modelo gótico ou da receita de bolo, em que o mal é sempre contido no final, dando espaço a um desfecho quase sempre feliz.

Em Poe há morbidez, na qual os males humanos se agravam até destruir a vida presente. Ao menos na imanência o epílogo nem sempre é feliz. Em Poe se percebe já um desconfortável realismo, que se choca com o paradigma romântico tradicional.

Apesar disto inexiste qualquer especulação sobre uma providência genérica ou sobre o mundo espiritual ou invisível. Aqui Poe apenas é omisso em seu recorte. Não parecer haver uma pretensão de totalidade nas obras de Poe ou uma metafísica pessimista, caótica ou anti providencialista. Dir-se-ia no máximo que para esse autor o mal triunfa, episódios ou frequentemente, neste mundo e que o resto, o resto é mistério. Então Poe, silencia, caso pensasse doutro modo.

Mesmo no possível telemita Bram Stoker, o caçador de vampiros, Dr Von Helsing, logra destruir o conde Drácula e assim eliminar o mal.

De modo geral um novo modelo de terror parece inaugurado, de fato, pelo estado unidense incrédulo ou ateu, H P Lovecraft. H P Lovecraft inicia sua produção cerca de 1917, com pouco mais de 25 anos de idade e produz cerca de setenta narrativas até cerca de 37, quando vem a óbito com cerca de 47 anos ou seja bastante precocemente. Produziu terror por cerca de duas décadas portanto e mais, com ele temos não apenas uma ruptura porém o início de uma tradição, a qual haverá de refletir-se no cinema inclusive, com 'O bebê de Rosemary' e 'O exorcista' película em que o Pe Mallony, creio eu, termina pessimamente. E há também o exorcismo de Emily Rose...

Bem, o mal começa a triunfar de modo totalizante com o pai de Chtullu... E é exatamente esse aspecto que trara preocupações a Cristandade despreocupada com a fome ou com a justiça, e preocupações não de todo inverossimeis ou fantasiosas. Pois a algo de perturbador, para as mentes mal formadas, nas obras de Lovecraft e seus continuadores.

Digo, para as almas vulgares e despreparadas ou massificadas. Afinal A Derleth, seu amigo e imitador, era um apostólico romano devoto e, eu mesmo, apesar de Ortodoxo, já li com gosto metade de suas obras em diversos idiomas. E revelo já o segredo, que é não as considerar seriamente ou encara-las como produto da imaginação, pois fantasia é o que são e sua metafísica não cristã pura bobagem.

Digo isto porque ele Lovecraft subjaz todo um panorama ideológico ou uma metafísica bastante bem delineada. 

Aqui não há um bom Deus ou qualquer vestígio de providencia amorosa. Salvo se havendo Deus produziu ele o universo e entregou-o a outros poderes que o substituíram - Conforme o esquema do Deísmo crasso. E sequer poderíamos avaliar tal ser como bom, uma vez que aqueles que tomaram o poder não são nada bons.

Ao que parece esses poderes em conflito sucedem uns aos outros como dinastias... Ou que comandam distintos setores da realidade ou distintos universos. O que nós levaria a uma multiplicidade caótica em termos de tempo e espaço. 

Pela narrativa de Conan, o Bárbaro e seu universo hiboriano, somos informados sobre as linhagens dos deuses antigos. Por meio de algo semelhante aos arquivos de Churchward... E retrocedemos a Atlântida, a Mu e a Lemúria.

Por sinal, apesar dos cataclismos que destruíram tais civilizações, ao que parece os representantes dessas tradições místicas, lograram escapar a aniquilação, conseguindo transmitir esse tipo de conhecimento, que seria a feitiçaria sangrenta ou os ritos bárbaros que abrem portais invisíveis e possibilitam a comunicação com tais entidades. O que nos lembra o Telema ou a Goetia.

Existiria portanto uma continuação ou tradição, quase que uma sucessão apostólica, em termos de magia ou misticismo negro, que não obra de Lovecraft está vinculada ao Necronomicon, do árabe insano Abdul Alhazred. Um desses entes, procedentes das estrelas seria Chtullu, o qual está a receber um corpo produzido pelos magos e a criar uma nova humanidade ou uma nova Era.

E essa última parte da narrativa nós levaria aos deuses astronautas ou anúncios do recém falecido Daniken, de Vilekovsky, de Sitchin e outros.

Aliás, só para constar, há a projeção futura do Conan ou de um Conan pós apocalíptico, que é Thundarr (Sabor Mad Max) e no qual os deuses retomam o controle e a magia recupera seu prestígio. 

Portanto existe certo encadeamento entre tais narrativas a ponto de produzir uma visão totalizante ou um panorama total de caráter caótico e povoado por deuses sanguinários que combatem entre si e sucedem uns aos outros por algum tempo. 

Nesse quadro sinistro restaria aos mortais, conectar, alimentar e servir tais seres com o objetivo de obter sua proteção e, obviamente, poder. A partir daí segue o insano, com efusão de sangue, tortura, estupro, sadismo, etc a parte que, com certa razão foi condenada pelo código Hays, por ser, admitimos nós, carga um tanto pesada para mentes simples e já atormentadas.

A partir da queda do código Hays, da rebelião e da assim chamada contra cultura, teremos outros temperos adicionados a este universo irracionalista como o sexo e as drogas, os quais vão se fazendo presentes em doses cada vez maiores. 

E, a exemplo de certas correntes da assim chamada arte moderna, vão confluindo para este terreno certos ideais anarquistas como a libertação do inconsciente e do mundo onírico, em cujo plano o caos se torna não apenas hiper monstruoso porém absoluto. Pelo que chegamos, no final dos anos 80, salvo engano meu, a Sandman (N Gaiman - Vertigo) e com ele aos domínios do bizarro. 

Veja que os próprios deuses aqui são gerados no ato de sonhar ou produtos do sonho, como para Buda, caso existissem, não escapavam a roda e para os primitivos aedos gregos eram subordinados ao fado ou ao destino. Portanto esses deuses não são seres ilimitados e onipotentes, porém criaturas tão problemáticas quanto nós, embora tanto mais poderosas. Bem, considere ser caprichosamente controlado por uma chusma de entidades problemáticas... Num seleto repertório de que fazem parte: o Destino, a morte, a destruição, a angústia, a insanidade, etc 

A meu ver este aflorar do onírico, com Morpheus, representa o ápice da tradição inaugurada por Lovecraft setenta anos antes. 

Contrário a censura ou a qualquer tipo de controle exercido por fanáticos religiosos devo admitir não somente a existência de um forte conteúdo ideológico ou metafísico anti Cristão em tais narrativas, como seu aspecto geral potencialmente fecundo quanto a produção de angústia e desespero... 

Penso serem narrativas voltadas para um público adulto e não gostaria que meus filhos ou que qualquer criança ou adolescente as folheasse. É, penso eu, coisa para gente madura e esclarecida, que sabe já distinguir perfeitamente a fantasia da realidade, obtendo distração. N Mailer foi curto e grosso: São narrativas para intelectuais e não para o vulgo. Para intelectuais mentalmente estáveis e mais ou menos equilibrados e portanto para um público seleto ou restrito.

Remédios controlados também fazem parte da realidade e são necessários para algumas pessoas. Porém nem todo remédio pode ser consumido por todos os por qualquer um.

Mesmo sendo totalmente contra todo e qualquer controle externo e formal quanto a produção desse tipo de literatura, sou favorável sim a um controle externo, social, democrático e parcial, quanto as faixas etárias do consumo e sobretudo a uma orientação cerrada por parte dos pais, responsáveis e educadores.

De fato sequer conhecemos perfeitamente os efeitos ou consequências dos jogos eletrônicos que envolvem efusão de violência, sangria e carnificina nas mentes em formação, que se dirá então de narrativas totalizantes em torno de uma metafísica caótica que conduz ao desespero?

Me parece enfim que o resultado do consumo dependa sempre da qualidade da pessoa e que a chave para uma leitura saudável de tais produções esteja em não considera-las como realidade e sim como o que de fato são: Fantasia, segundo o mesmo esquema que aplicamos a mitologia grega ou aos contos de fada... Ficção e nada além de ficção.

As mentes sensíveis se afastem e as almas impresionaveis evitem.




segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Meira Penna e sua opção preferencial pelos ricos a barra do Evangelho ou Evangelho e riqueza.

Inicio este artigo reproduzindo o que havia já escrito em meu 'Manual de Ética Cristã Ortodoxa': Se com relação a seus mistérios ou os dogmas da fé, foi Jesus enfático e terminante, esgotando necessariamente o assunto e prendendo-nos a literalidade de suas palavras - Sem que possamos fazer inferências ou especulações... quanto a moralidade, forneceu-nos apenas alguns princípios genéricos, sumários e elementares ou seja, alguns fundamentos éticos, a partir dos quais devemos aduzir, por meio de especulações e inferências, as soluções para quaisquer casos futuros. 

Isto porque é a moralidade dinâmica. 

Pelo simples fato de sempre toparmos com novos questionamentos ou problemas causados pelas novas circunstâncias i é pelas mudanças sociais ou pelo avanço geral da técnica. Como Deus Onisciente - Senhor do Tempo e da eternidade. - bem poderia, nosso Jesus, ter escrito ele mesmo uma enciclopédia elencando todos esses problemas que iriam surgir e oferecendo as melhores soluções.

Não foi o que ele fez ou quis fazer - Optando por oferecer alguns princípios bastante sumários as nossas consciências. De modo que através do princípio operatório das razão, possamos sacar as consequência. 

Tais as questões em torno, por exemplo, do fumo, do transplante de órgãos, da fertilização in vitro, do racismo, e de diversos aspectos do capitalismo, tais como: A proteção ao trabalho, o salário, os meios de produção, etc Quanto a estes últimos tópicos, partindo da tradição, do Evangelho e mesmo da Filosofia clássica a igreja romana formulou um corpo de doutrina social face ao qual a Ortodoxia, de modo geral, nada pode objetar mas que, pelo contrário, deve validar.

Seguindo esta linha, buscaremos examinar os principais textos evangélicos alusivos a riqueza e a partir deles confrontar o apologista brasileiro Meira Penna, principal defensor do éthos capitalista em nosso país.

Para tanto devemos examinar em primeiro lugar a questão da Propriedade e seu status face a fé Cristã.

É isto de suma necessidade para que os materialistas ocultos ou não assumidos não aleguem que estamos nós condenando toda posse ou propriedade como legítima, tal qual os anarquistas e comunistas - Pois não é este nosso ponto de vista. 

Com efeito, se a um lado, não podemos subscrever a tese de Proudhon, segundo a qual todo tipo de propriedade corresponde a um roubo, tampouco podemos deifica-la, associando-a a Deus, como fazem os proprietaristas desorientados. Nem divina, quanto a sua totalidade, e tampouco sinônimo de roubo.


Então o que...

Reconhecem os Cristãos a propriedade pessoal (O local em que alguém reside com sua família ou que é usado por uma dada família.) enquanto fruto do trabalho honesto, como algo sagrado, firmado numa Lei natural.

Portanto é, esse tipo de propriedade (Pessoal\laboral). legítima e inalienável. Caindo, todo aquele que dela toma posse por meio da força, sob a condenação inexorável do mandamento divino: Não roubarás e portanto pecando gravemente. Do que temos exemplo já no testamento velho quanto a vinha de Nabot, sancionando esse registro com uma chancela Cristã, posto que contém tal sentido.

Portanto não caí sob a proteção da Lei divina aquele excedente de propriedade que não é habitado ou usado (Como espaço laboral) pelo 'proprierário' e menos ainda o que foi desonesta e pecaminosamente adquirido por quaisquer meios ilícitos. Podendo ela, em todos esses casos, ser expropriada pelo legislador sem maiores preocupações.

Outro o caso dos monopólios ou corporações (Grandes indústrias) que detém meios de produções. Tampouco estes caem sob a proteção da Lei divina, sendo sua expropriação questão alheia a religião ou ao Evangelho, a qual, consequentemente, deve ser avaliada e decidida pelo grupo social em questão tendo em vista o Bem comum. 

Até aqui a propriedade.

Passamos agora a examinar a questão da riqueza ou do acumulo de coisas materiais face ao Evangelho ou as puras palavras de Cristo nosso Deus. 

Todavia convém que antes de iniciar esse exame consideremos que para nós Cristãos, nicenos, atanasianos, Católicos, Apostólicos, Ortodoxos, crentes, submissos e reverentes é Jesus Cristo Deus encarnado e verdadeiro Deus Onisciente, Legislador Todo Poderoso, Mestre infalível, Instrutor perfeito, etc, etc, etc Pelo que, conhecido o teor de suas palavras, não é lícito debater com ele, argumentar, levantar 'razões', etc Nós pura e simplesmente recebemos ou aceitamos os decretos de Jesus Cristo como indiscutíveis e inapeláveis. Por fim nós repudiamos o Livre exame ou a mania de atribuir um sentido arbitrário (Interpretar) como irreverente, e avaliamos essa estratégia ou tática subjetivista como uma fuga do Evangelho.

Então o que...

Examinamos as acepções literais do texto grego e nos conformamos com o sentido, para em seguida sacar as conclusões.

Comecemos então pelo emblemático texto da corda ou camelo (Os fariseus e escribas daquele tempo diziam 'elefante') - o que dá no mesmo pois nem elefante, nem camelo e tampouco corda podem passar pelo fundo de uma agulha. De fato os apóstolos compreenderam perfeitamente a mensagem, e replicaram: Sendo assim, quem se salvará... Posto que na perspectiva da natureza tais palavras implicam impossibilidade irredutível. 

Replica e responde Nosso Senhor e Mestre> É impossível aos homens.

Donde se percebe muito claramente, que ao menos neste texto e contexto, não temos nós a condenação absoluta dos ricos.

Pois do explícito: É impossível aos homens, devemos aduzir: Nada há de impossível para o Santo e Bom Deus e sua divina graça.

E já podemos por a questão noutros termos: Quem é este homem para o qual é impossível salvar-se na riqueza e como pode Deus salvar o homem rico...

Ao que parece a impossibilidade se refere ao homem natural alheio as exortações do Evangelho. Ao que tudo indica o rico não se pode salvar fora da fé no Cristo do Evangelho ou da Revelação divina. Tal o poder devastador da riqueza.

Porém no contexto Cristão, isto é abraçando sinceramente a fé, pode o rico obter e conservar a salvação. Neste caso será salvo dá riqueza ou na riqueza... 

Ouso dizer, que aparentemente autorizou Nosso Senhor que aquele que herdou dos ricos i é que recebeu herança de pais judeus ou pagãos, conservasse sua posse desde que a fosse distribuindo aos pobre ou as obras assistenciais da Igreja, ao cabo de sua vida ou ao cabo de algumas gerações. 

Não serve para impugnar este ponto de vista o exemplo de Zaqueu, uma vez que a origem de suas riquezas é dada por desonesta. Aferida a desonestidade da herança fica impugnada sua legitimidade e decretada a necessidade da reparação, devendo o titular, se Cristão, desfazer-se dela de imediato, doando-a aos pobres, segundo o exemplo de Zaqueu. Portanto estamos nos referindo as riquezas de origem desonesta.

Já quanto ao Cristão que nasceu nesta condição, parece que o direcionamento é doutra espécie: Não junteis tesouros neste mundo, onde a traça destrói e a ferrugem come, de modo que o acúmulo desmedido de bens materiais é proibido. Como é proibida a avareza ou cupidez: Bem aventurados os pobres em espírito i é os que não tem apego as coisas e objetos materiais... 

Terá você a audácia de dizer que aquele que, tendo, como Sócrates, o suficiente para viver com conforto, dignidade e decência; e, sem embargo disso, concentre todas as suas energias para obter mais coisas é desapegado... Ousarás tu alegar que aquele que consagra suas forças em juntar, acumular e enriquecer - Como aquele que disse: Hei de aumentar meus celeiros... é um desapegado... Acaso insistirás que aquele que se aplica freneticamente em obter imensa fortuna é um desapegado. Pois bem, se não és bem aventurado, perseguindo riquezas que Jesus Cristo declara falsas ou ilusórias, é certamente um mal aventurado.

A esse homem avaro, que ambiciona além do necessário e lança sua cobiça para além do que necessita, diz o mesmo Jesus Cristo: Não pode alguém servir a Deus e ao Dinheiro, ou seja, concentrar seu afeto nas falsas riquezas. Devendo conformar-se com a vida sóbria e equilibrada ou com algo próximo do Ariston metron dos antigos gregos ou com a 'Aurea mediocritas' dos antigos romanos. Agora em que consiste essa vida sóbria ou moderada: Já nos referimos a ela pouco acima, dizendo que consiste em conformar-se com uma condição confortável e digna, tendo o que comer, o que vestir, onde habitar e até mesmo algo para distrair... Não uma multidão de terras, casas, celeiros, carros, etc 

É este tipo de atitude - A busca incessante de riquezas pelo Cristão.  - que se refere o apóstolo quando diz: A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. A concentração da mente e das energias em obter o máximo possíveis de coisas materiais e perecíveis ou o poder. Não devemos nós juntar o que não possamos nesta curta existência gastar. Pois em caso de morte não levaremos tais 'bens' junto conosco para a verdadeira vida. Por isso declara Nosso Senhor com acento religioso: Junteis tesouros no céu. Como distribuindo os excedentes com os irmãos, batizados, membros de Jesus Cristo. Servindo e beneficiando a comunidade. Praticando obras de virtude. Sendo solidários, fraternos, amorosos, bondadosos, etc Assim é que se acumula tesouros perpétuos e imperecíveis nos céus e tal é ou deve ser o investimento daquele que nasceu de Cristo e nele está.

Devemos buscar juros não na Bolsa de valores ou nos bancos porém no mundo imaterial e invisível, i é, nos céus, fazendo render a graça de Deus por meio de nossos excedentes financeiros. É nos irmãos, no próximo, no semelhante, no outro... que devemos investir. Então nosso lucro está no além túmulo ou na vida eterna e não neste mundo que passará. 

Quanto aos avarentos, apegados ou buscadores de ouro, prata, pedras preciosas, etc segundo o primo do Senhor, estão já julgados: Porque vossas arcas estão atulhadas... enquanto os pobres choram, após esta vida vós é que haveis de chorar em meio a grande sofrimento. Como aquele Finéias, que buscando riquezas e sendo inferente a sorte do miserável Lázaro foi lançado na Geena de fogo...

Quanto aquele administrador infiel que distribuía os excedentes com os clientes do empório, não nos diz o Senhor que era Cristão ou se era hebreu ou ainda pagão. Pois não distribuiu de imediato porém no decurso da vida as riquezas que eram iniquas. Ganhou amigos nos céus e foi digno de suas intercessões, porém, de modo algum chegou a perfeição a que somos convocados - Pois ao jovem rico foi dito: Vende teus bens e dá aos pobres. É nesta passagem, dois versos mais adiantes que Nosso Senhor classifica toda riqueza como falsa ou ilusória. A do administrador apenas declarou iniquas (Não todas as riquezas de modo absoluto porém apenas as do administrador.) porquanto obtidas com fraude e dolo. A riqueza, de modo absoluto, como falsa ou ilusória.

Acaso devemos buscar o que é falso ou ilusório... 

Caso viéssemos faze-lo quão miserável seria nossa meta!

Devemos buscar o que é verdadeiro i é, o que a traça e a ferrugem não podem destruir, o imperecível, o eterno, o duradouro, a imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele desapego, aquela sobriedade, aquela moderação, aquela temperança, etc que são sinais de vida espiritual. De modo algum a avareza, a cupidez, a ambição desmedida, o acúmulo ilimitado de bens, a riqueza, a grande fortuna, etc pois em nada disto vai o Reino de Deus.

Quanto ao Cristão é terminantemente proibido buscar aumentar as falsas riquezas, concentrar-se na fortuna, juntar sem medida, etc Poderá no entanto, sendo descendente de milionários judeus ou pagãos administrar generosamente tais bens, como fizeram os teoforos Basílio e Gregório de Nazianzo, ou ainda os piedosos citados nas cartas de Jerônimo. O que, advirto, deve ser feito com extrema lisura e cuidado, no sentido de não dissipar tais bens consigo próprio ou viver no luxo enquanto os Santos morrem de fome nas sarjetas. Esse excedente de bens fica na mãos dos Cristãos para ser administrado em benefício Santos e não para o deboche. 

Tal a doutrina pura tomada literalmente ao Evangelho, sem distorção, interpretação ou Livre exame. Pois encaramos com sumo respeito as palavras de Cristo nosso Deus. E por elas contatamos que não pode aquele que nasceu de novo concentrar-se na busca de riquezas ou acumular ilimitadamente. E que esse afã pelo poder e pela glória é pecaminoso.

O que nosso Senhor por benevolência concede aos Cristãos é que herdem riquezas acumuladas já por judeus e pagãos e administrem-na em favor da irmandade, partindo e distribuindo ao cabo da vida ou das gerações. Isto quando tais riquezas não sejam notadamente más ou iniquas, como as de Zaqueu ou as do administrador infiel, as quais, neste caso, devem ser distribuídas em sua totalidade e de imediato, pelo simples fato de constituírem roubo e pecado contra a Lei divina.

Por fim devo questionar até que ponto um sistema de Crenças em que a Encarnação de Deus não se dá num palácio ou entre uma família rica e poderosa. Em que o personagem central foi um humilde carpinteiro e não um nababo ou próspero empreendedor. Em que o supremo referencial não dispunha de propriedade pessoal. Em que o foco da fé é supliciado numa Cruz. Cuja lei insiste repetidamente sobre o desapego e sobre a insensatez de perseguir falsas riquezas. Cuja meta é concentrar-se na graça de Deus e na justiça. Cujo ideal de perfeição consiste em desfazer-se de tudo quanto acumulado foi. E cuja hierarquia eclesiástica foi entregue a Rahibes com voto de ascetismo - Poderia compor-se com a busca frenética por bens materiais...

Tudo quanto posso ver aqui é a mais cerrada oposição. Cerrada oposição e antagonismo inconciliável. 

Agora o próprio Meira Pena, admite que o sistema capitalista depende da cupidez ou que é estimulado pela cobiça. Como discorre sobre o desapego e sobre a administração dos falsos bens... Agora como pode negar que constitua avareza a concentração da mente no acúmulo excessivo de falsos bens ou essa dedicação intensa a economia... Como negar que a busca pelo excesso seja avareza ou que a busca pelo desnecessário seja consumismo e consequentemente sinal de vazio interior ou de materialismo...

Como conciliar uma busca frenética sem apego... E como conciliar o Cristianismo ou a bem aventurança com o desapego...


Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc



sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Reflexões ecológicas - O Capitalismo e o meio natural... Para onde nos encaminha o sistema vigente ou a 'desordem' estabelecida...

Já me referi ao discurso dos Aristotélicos sobre o planeta como sistema fechado e recursos necessariamente finitos ou limitados. E também ao genial J S Mill e a doutrina da economia estacionária.

Decerto que o liberalismo econômico partilha do mesmo otimismo presente no positivismo\cientificismo, e que segundo E Troeltsch A C Grayling, não passa de resíduo secularizado do Cristianismo. O que por sinal devemos ao iluminista francês Condorcet.

Condorcet porém, ao contrário de Malthus, não parece lá se ter impressionado muito com a finitude do mundo... Dando largas a imaginação e a fantasia. Para ele o progresso seria linear, continuo e infinito. 

Temo portanto que bilhões de pessoas com aspirações ambiciosas ilimitadas não estejam em sintonia com a finitude dos recursos naturais. Pois aspirações sem controle ou regulação, aspirações demasiado amplas e livres, convertem-se bastante fácil em explotação descontrolada.

E enfim, a explotação descontrolada - resultante do excesso de população e da disputa pelo espaço com um meio natural quase sempre incapaz de defender-se, conduziu-nos a beira do abismo ou da sexta extinção em massa, a qual será antrópica ou provocada pelo único animal que ousa fazer alarde de sua racionalidade.

Estamos falando portanto no suicídio da espécie, uma vez que a meta posta pelo capitalismo: O máximo possível de acúmulo, por parte de uma multidão de seres humano, num cenário de livre disputa ou concorrência, é absolutamente irracional, inda que os meios sejam perfeitamente racionais. O fim ou a meta continua sendo clamorosamente irracional num sistema fechado e finito. 

Nada de catastrofista e muito menos de utópico - Pois sucedeu-se já, se bem que em escala menor, na América, entre os Maias, os quais para erguer e decorar suas soberbas pirâmides escalonadas, esgotaram seu entorno > A cal dependia das fogueiras, as quais dependiam das madeiras, as quais dependiam da floresta, assim as plantações... Eliminadas as florestas cessaram as chuvas e, consequentemente a produção de alimentos, advindo a fome, as epidemias, as guerras e o fim desta tão avançada civilização.

Sucede, no entanto que os Maias não tinham a mínima ideia sobre o ciclo da água ou sobre a dinâmica da natureza, sendo portanto incapazes de prever, planejar e evitar. Nós no entanto estamos a par até mesmo da extensão e do peso da terra... Sendo perfeitamente capazes de prever as consequências de nossas ações.

Está nossa realidade posta de modo bastante claro: Um sistema individualista, materialista e irracionalista (Pelo que temos reproduzido aqui dois aspectos do protestantismo: O individualismo e o irracionalismo.) está conduzindo a espécie humana a extinção. 

Ao estimular a multiplicação da espécie que satura já o planeta e a satisfação das ambições desmesuradas de cada representante seu, protestantismo e capitalismo decretam a destruição do mundo natural i é a eliminação da fauna e da flora, das matas, florestas, bosques e daqueles que os povoam. 

A tendência levada a cabo pelo economicismo é cobrir o espaço como um todo i é todo solo do planeta com uma camada artificial composta por cimento e pedra, alumínio e vidro, plástico e borracha. A qual partindo do centro de cada cidade se vai estendendo, até conectar-se no que chamamos de megalópoles ou conurbações. A acelerar-se um tal ritmo em mais alguns milênios não mais restará palmo descoberto de terra em nosso planeta, ficando ele completamente encerrado numa capa fabricada por nós.

A bem da verdade, antes que tal designío seja consumado, teríamos também nós encontrado a morte certa em meio aos resíduos de nossa atividade ou dessa poluição que contamina águas, terra e ar, envenenando e, no devido tempo, matando. Pois como haveremos de respirar um ar empesteado por CO2... beber água misturada com mercúrio... ou pisar uma terra encharcada por nossos próprios dejetos... É de fato uma perspectiva terrível.

Porém os conspiracionistas não se abalam e as aspirações do liberalismo econômico se apresentam irredutíveis e inconciliáveis. 

Cada qual julgue esta dada situação a partir de seus princípios e valores e, eu, tenho os meus muito bem pontuados, oriundos já da Filosofia socrático\aristotélica, já do Evangelho de Cristo (Não dessa 'coisa' chamada bíblia.), já do Cristianismo antigo, histórico, apostólico... e coordenados pela razão, na qual com toda segurança confio.

E meu juízo é um juízo negativo e condenatório.

Não vejo como a crença em que Deus se fez carne ou assumiu nossa condição. De que Deus tenha querido encarnar-se neste mundo natural e material. De que Deus tenha santificado este mísero grão de pó com a intensidade de sua presença e que estejamos a depreda-lo. 

Poderia acrescentar ainda que malbaratar milhões de espécies viva, de animais e vegetais - Enquanto resultados de um processo evolutivo que toca centenas de milhões ou mesmo um bilhão de anos é uma atrocidade. Dada a singularidade, a utilidade e provável beleza de muitos destes seres.

Consiste por um lado em destruir as expressões ou manifestações da mente divina e por outro em extinguir um espaço visitado e santificado por aquele que chamou-as a existência por meio da Evolução. Autêntico sacrilégio.

Tendo em vista que cada ser existente é um projeto da mente divina e que nosso Deus assumiu uma condição material neste mundo é grave dever nosso respeitar essa mãe natureza e respeita-la como se um santuário fosse. Ao invés, de guiados pela cobiça converte-la numa imunda carcaça - Fazendo o papel nojento de vermes pululando sobre ela...

Ademais um ser não merece respeito apenas por ser racional ou livre, ou mesmo inteligente e sim porque o ser racional é capaz de perceber a totalidade das coisas, avaliar as conexões e atribuir-lhe importância segundo a posição que ocupa no conjunto. Posto que tais seres formam uma cadeia ou teia na qual estamos inseridos e a qual pertencemos.

Ainda utilitária ou pragmaticamente, tendo em vista a função voltada para o conjunto, tais seres precisam ser respeitados e nossa continuidade enquanto espécie depende sim dessa atitude ética que é o respeito. Assim aqueles que explotam ao máximo essa mesma natureza, ultrapassando os limites da prudência e visando apenas o lucro sórdido ou o vil metal, prestam um deserviço a espécie e colocam-na em risco.

É uma profanação absurda, decorrente de nossa miséria e insaciedade interior. De fato apenas o Sagrado ou o plano espiritual é capaz de satisfazer plenamente nossas aspirações, de saciar nossa sede, de preencher nosso interior, de completar nosso ser e de conduzir-nos a uma sóbria serenidade ou temperança. Somente a partir de um tal estado de espírito é que nossa consciência assoma as alturas para que foi posta, impondo equilíbrio e moderação em nosso trato com o mundo externo ou com as coisas.

Tentar substituir a fonte do ser enquanto posse do ser jamais deu ou dará certo. Nem poderia a posse de todo este universo limitado substituir a posse do ilimitado e infinito porque aspiramos ou suprir nossa vacuidade interior. O materialismo associado ao ateísmo será sempre incapaz de aliviar nossa inquietude, inquietude que nos dispersa entre os objetos materiais com a ânsia de acumular.

Todo esse burburinho em torno da acumulação ilimitada, ainda que potencializado ou mesmo ativado pela cultura, parte em última análise de nossa condição, de nosso interior ou de nós mesmos e acaba sendo alimentado pelo ateísmo, pelo materialismo, pela negação da espiritualidade, pelo fetichismo, pela ignorância e pela miséria... Tudo isso estimula nosso apetite insaciável pelo mundo e se opõe a vida média.

Deve assim o Cristão, por o dedo no fundo da chaga purulenta e condenar a totalidade deste movimento em cada uma de suas expressões.

Não podemos aceitar, batizar e abençoar um sistema como esse: Que por tirar proveito do ateísmo e da irreligiosidade, promove-os sorrateiramente por meio da mídia - Objetivando, como já foi dito, estimular ainda mais o consumo. Nobre leitor, desculpa a rude franqueza mas é o consumismo irrefletido, num mundo finito, muito mais perigoso do que o comunismo ou que o fantasma do comunismo e, é esse consumismo vulgar e grosseiro, esse desejo pelo supérfluo, esse gosto pelo excedente que está a destruir o planeta.

Não me contentando em declarar com Henry George, que o delírio em torno do consumo, e, em seguida, o excesso é que produz a carência, o desequilíbrio, a desigualdade, a injustiça e a miséria; direi que esse delírio está já a fazer buracos no mundo como vermes fazem furos num queijo.

Então não mais podemos aceitar esse estado de coisas engendrado pelo capitalismo e tributário, em última análise, do individualismo protestante.

Seremos nesse caso comunistas ou bolchevistas, como afirma essa corja de pastores protestantes 'made in EUA'... 

Julgue o leitor sensível e inteligente as nossas palavras: Precisamos transcender o individualismo, precisamos vencer o ateísmo, precisamos questionar o materialismo e seu papel, precisamos refletir sobre o consumismo e a necessidade, precisamos nos reencontrar, precisamos analisar sem preconceitos o nosso passado e as nossas tradições, precisamos cultivar uma ética não especista ou holística em torno do respeito. E avalie se semelhante pauta faz parte da ideologia comunista e quais possam ser suas fontes.

É honesto desafio que faço a cada um de vocês.

Pois sequer estamos nós em tempos de socialismo ou de malthusionismo puro porém de ecologia e ecologismo. 

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  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
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Outros aspectos do capitalismo...

Tendo sublinhado já alguns aspectos bastante discutíveis do liberalismo econômico face a crítica Cristã tradicional, devo acrescentar alguns outros não menos problemáticos, como a guerra - E já apresentamos o testemunho de W Sombart. - e a indústria armamentista, e a ainda a destruição do mundo natural.

Negar que as duas últimas grandes guerras tenham sido provocadas e manejadas por questões relativas ao 'mercado' ou ao mundo financeiro se me parece tendencioso em demasia. Creio ter sido nas obras de Upton Beall Sinclair - Talvez em Word's end ou em Lanny Budd não sei ao certo que durante a primeira ou a segunda grande guerra tanto a Alemanha quanto a França evitavam geralmente bombardear os grande conglomerados econômicos de ambas as nações ou as grandes multinacionais nelas presentes embora não tivesse mínimo escrúpulo quanto a bombardear escolas, hospitais, asilos, orfanatos e templos religiosos... Creio que tais atitudes tenham algum significado e nos digam algo sobre o que de fato está em jogo ou sobre quem dá as cartas.

No frigir dos ovos a busca pela riqueza esteve por trás das guerras e conflitos desde as mais remotas eras da História e me ocorre terem Umma e Lagash combatido por terras fronteiriças cultiváveis no tempo em que tais terras - Por equivalerem a suprimentos. - eram a riqueza. Se me ocorre ainda a luta pluri secular dos Assírios para atravessarem os estados tampões da Palestina e chegarem a Tebas, antiga capital do novo Reino egípcio e repositório de uma quantidade assombrosa de riquezas. Do mesmo modo Roma atraiu os homens de Alarico pelo mesmo motivo - A imensa quantidade de riquezas nela acumuladas. E Constantinopla para as hordas comandadas por Maomé IV...

Quanto a isto: Novidade alguma debaixo do sol...

Ali eram as guerras movidas por líderes ambiciosos e exércitos ávidos. Desde meados do século XIX passaram a ser movidas por mercados em colisão. 

Parece que agora, no entanto, há um ingrediente a mais, ao menos quanto a articulação.

Refiro-me não apenas a guerra enquanto tal mas a atmosfera de insegurança e medo adrede calculada pela indústria armamentista.

Hoje, talvez mais do que nunca, tendo em vista a tecnologia, são as armas bélicas bastante caras.

De modo que sua negociação ou venda se traduz, quase sempre, em portentosos lucros para aqueles que as fabricam.

Veja que durante as duas grandes guerras os EUA, até determinado momento, venderam armas e munições para ambos os lados, auferindo uma colossal fortuna. Pois num modelo capitalista influenciado pelo positivismo, patriotismo e ética saem de cena quando se trata de lucrar. 

Pouco se dá que duas nações ou povos se ataquem furiosamente um ao outro com o saldo de milhões de mortos se um tal evento possibilita a venda de armas e a aquisição de proventos econômicos. Que de danem as vidas e venha ao nosso bolso ou cofre o dinheiro. Tal o pensamento atual face a guerra - Pois a Guerra de fato produz uma ocasião favorável aos negócios.

Portanto quando as guerras não surgem é necessário causa-las, especialmente quanto sucede algum tipo de crise econômica e o sistema chega a beira do colapso. Em tais situações torna-se a guerra vantajosa... Uma vez que cria um mercado para as armas.

É de fato algo que deve ser pensado e passar pelo crivo da reflexão ponderada. Pois enquanto os parentes de algum político ou general está lucrando com a venda de armas para ambos os lados, um jovem filho de mão viúva é levado a crer que deva morrer ou assassinar outro jovem de mãe viúva a que jamais viu, por amor a sua pátria...

E no entanto me parece que para os grandes industriais - Que tem suas indústrias poupadas pelos dois lados. - o exercício desse amor se torna muito mais fácil. E que os fabricantes de armas e munições não foram ensinados a amar a pátria. Afinal enquanto nossos jovens são induzidos a sacrificar suas vidas ainda na flor da idade, os senhores da indústria bélica, mesmo quando não negociam com o outro lado, jamais distribuem armas a munições, graciosamente ou por amor, a querida pátria.

Então que amor ou dedicação unilateral é essa: Que gera ônus para uma parte > O jovem ingênuo que abre mão de sua vida, e lucro para outra > O nababo proprietário da indústria bélica.

Um aspecto apenas. 

Há outros e igualmente danosos.

Assim até ao menos a primeira grande guerra, este ser que se diz racional, ao invés de suster suas guerras sozinhos, não hesitou em nelas empregar diversas espécies de animais inocentes: Em especial os cavalos, porém também camelos e até mesmo gatos; os quais sacrificou e impôs, na mais larga escala imaginável, horrendos sofrimentos. 

Sem contar que entre os assediados, assaltados pelo terror da fome, não poucas vezes os pets converteram-se em repasto. 

Também a cultura superior sofreu grande dano por parte das guerras. Tomada Cartago por Cipião, foram seus arquivos e bibliotecas transformados em pó. Assediada Alexandria por Júlio César, veio a perder parte da grande biblioteca. Da mesma maneira, quando mais tarde foi Roma conquistada por Alarico e Odoacro pereceram dezenas de bibliotecas, a primeira das quais havia sido criada sob Otaviano César por Asínio Pollio. Da primeira jihad islâmica resultou a perda total da grande biblioteca de Alexandria (Por Amru) e da Biblioteca Cristã de Cesaréia marítima. Posteriormente, foi a Casa da sabedoria de Bagdad lançada as águas do Tigre pelos ferozes mongóis (1258). Em 1525 os alemães saquearam Roma e fizeram perecer nas chamas um imenso número de raros incunábulos. Alguns anos depois foi St Gall atacadas por um grupo de protestantes fanatizados. A própria revolução francesa - Na esteira da reforma protestante. - não foi inocente quanto a destruição de livros e monumentos. Enfim d
urante a primeira grande guerra pereceu a grande biblioteca de Louvain um bombardeio...

Tragicamente todos pudemos testemunhar o estrago incalculável da invasão Yankee ao Iraque, com o bombardeio do Museu e da biblioteca. E a destruição das ruínas de Nínive e Tadmor (Palmira) pelos bárbaros jihadistas do Estado islâmico.

Em termos de conhecimento humano, literário, histórico, etc é a guerra uma calamidade sem atenuantes.

E no entanto, hoje, para muitos - Países - não passa de estimulante negócio... A economia estremece, a crise bate a porte, a moeda desvaloriza, as divisas faltam, a oferta de emprego diminui, etc bora atacar algum país que tenha petróleo, mesmo que o custo, em termos de vidas humanas ou quiçá de cultura, seja elevado. Pois vivemos num mundo materialista economicista que uma determinada fé ou religião, a princípio demasiado transcendente ou celestial, trouxe a luz...

Pois outro aspecto monstruoso da questão é que, tendo sido o protestantismo completamente absorvido pela questão da salvação no além, abandonou e descuidou por completo deste mundo material e natural no qual o Deus Cristão encarnou-se, nasceu, viveu, morreu e ressuscitou... Pois bem, esse mundo, repito, em que quis o Deus Cristão habitar, foi em um determinado momento entregue a si mesmo e posto de lado pela nova fé descarnada. A ponto do próprio romanismo ter dispersado suas energias, com o intuito de frear a nova fé, e se afastado, também ele, em parte da imanência... 

A nós nos parece que essa fervorosa reforma abriu uma brecha para o naturalismo e para o materialismo no mundo cristão, a qual foi ocupada e alargada, mais e mais, por atividades econômicas descontroladas... Sabido é como o próprio absolutismo régio foi enredado e usado por tais poderes - até ser apunhalado pelos costas... Tal o momento em que o Liberalismo econômico, dispensando as muletas do protestantismo e do absolutismo, afirma-se como entidade ou poder autônomo, nos EUA (1776). 

Certo é, no entanto, que se o romanismo não esboçou, face a esse poder, a resistência e a oposição que deveria ter esboçado, o protestantismo, indo além, colaborou ativamente com ele. Material, a princípio, não tardou para o capitalismo tornar-se materialista. E isto numa Era em que as gentes jamais haviam sonhado com o bolchevismo\comunismo - O qual recebeu este vício monstruoso do liberalismo econômico. 

Pois na perspectiva Cristã a acepção materialista não implica apenas na negação do mundo espiritual mas também na supervalorização do mundo material. Na prática reduzir a esfera da religiosidade e colocar em primeiro plano os interesses de ordem econômica é também materialismo e materialismo prático. 

Alias (Segundo o embaixador José Osvaldo de Meira Penna in 'Opção preferencial pela riqueza p 45) foi o ex papa Ratzinger, ao responder o questionamento feito a um jornalista declarou em alto e bom som: "Comunismo e capitalismo são materialistas." - O que entre nós já fora dito diversas vezes por Plínio Salgado, mas que, deriva da percepção Católica francesa: De Calvez, Maritain, Maurras, etc Concepção trivial - Da equivalência entre capitalismo e comunismo - que o sr Meira Penna, partindo (É claro) de autores protestantes, forceja corrigir ...

O mesmo Meira Penna, aludindo a postura da Igreja romana assim se exprime: "... eis que, desde os primórdios da Revolução industrial na Inglaterra, em fins do século XVIII, foi combatida tanto do lado dos conservadores, entusiastas do medievalismo "idílico", quanto da esquerda jacobina e socialista." p 47

E dá enfim suas razões (Por sinal bastante sólidas e consistentes.):

"
Uma outra linha de pensamento, porém, herdeira da filosofia de Platão e de Aristóteles, e da teologia de São Paulo e de Santo Tomás, seguiu seu curso conservador, primeiro nos países da Contra-Reforma e, depois, no movimento de secularização empreendido através das ideologias coletivistas, o solidarismo
 romântico, o nacionalismo e o socialismo." pg 48 sgs

Até onde podemos ver temos nos catolicismos ou no padrão apostólico uma linha de coerência e uma continuidade histórica que vai do solidarismo ao Tomismo e do tomismo a aristotelismo e ao paulinismo, aqui, segundo cremos, em perfeita sintonia com o Evangelho. Pois bem, partindo do Evangelho jamais chegamos ao individualismo ou ao capitalismo porém ao solidarismo ou a algo próximo, i é, fraternalismo, comunitarismo, distributivismo, DSI, etc O que conduziu o ocidente ao liberalismo econômico e ao americanismo foi o protestantismo, e ao faze-lo removeu nossa civilização de suas bases históricas e tradicionais. 

Foi o protestantismo que jogou nossas raízes clássicas e apostólicas no lixo, produzindo o mundo contraditório e estranho em que nos achamos presos. 

Consequentemente, o protestantismo, de modo geral, colabora ativamente, até o tempo presente, com esse sistema materialista que tem diminuído mais e mais o espaço da fé. Assim, de uma revolução religiosa, brotou, paradoxalmente um sistema materialista responsável pelo recuo ou mesmo pela negação da vida religiosa. E falhou devido a inabilidade do protestantismo para substituir a igreja papa e regular a ordem das coisas no mundo moderno. Nominal e até espalhafatosamente cristão, o protestantismo jamais esteve a altura da missão que para si reivindicou, vindo a falhar miseravelmente e a permitir a afirmação do Capitalismo e suas decorrências. Entregou o protestantismo, o cetro ou o comando do mundo contemporâneo ao capitalismo e aplaudiu quanto as bolsas de valores substituíram o vaticano, quando as agências bancárias substituíram as catedrais e sobretudo quando os shoppings centers substituíram os santuários. Desde então cessou a Cristandade de acumular tesouros no céu e ganhar amigos com riquezas imundas para investir em ações e títulos de papel - Isto enquanto parte dos membros de Jesus apodrecem na imundice das sarjetas...


Por ódio a direção espiritual que as igrejas Ortodoxa e Romana imprimiram as sociedades Cristãs nos tempos antigos os líderes protestantes se associaram a banqueiros e entregaram aos materialistas a direção da comunidade - Naturalmente que tudo isso só poderia resultar futuramente em mais materialismo, ateísmo e revoluções sem fim. Foi o protestantismo, a partir do individualismo e do materialismo prático que abriu as portas do inferno para a Sociedade Ocidental. E foi ele a Revolução primogênita que mesmo sem acionar a revolução Francesa, acionou a R Inglesa e por reação a R Russa. Dele partiu por desenvolvimento, o Anarquismo individualista e o ANCAP e por oposição o Comunismo, a quem legou, indiretamente ou por mediação do capitalismo, o materialismo - E está ele, envolvido até o pescoço, com todas as Revoluções, ideologias e distúrbios subsequentes.

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A Gênese da 'sifilização' ou cultura Yankee (Americanista) - Relações entre protestantismo e maçonaria

Dado sobre o qual não deve pairar mínima dúvida em nossas mentes é sobre ser a cultura americanista epifenômeno, produção ou construto da fé protestante ou do protestantismo.

Do que resulta um conflito ou choque irredutível face a Cosmovisão Cristã tradicional: Ortodoxa, Católica, Apostólica ou apostólica romana.

Pois seja derivada de um ambiente agrário\campesino, ou, como temos e cremos nós, derivada do mundo espiritual e invisível (Por meio daquele que nasceu numa manjedoura, não num palácio e recomendou que juntassemos tesouros no Reino dos céus.) é ela gregária, solidária, comunitária, fraterna... e totalmente avessa ao individualismo.

Basta dizer que P G F Le Play localizou a gênese do éthos individualista nas organizações sociais da Escandinavia medieval e
 não da judéia do século I d C ou em algo remotamente próximo do nosso Novo Testamento.

No entanto, o protestantismo assume, já em seus primórdios, esse éthos e se concentra em torno do que ele mesmo convencionou chamar 'salvação pessoal' - Uma noção individualista de redenção em que se perde de vista a dimensão fraternal ou comunitária do mistério, sempre afirmada pela Igreja antiga e fundamentada no amor, no exercício da bondade, no serviço, no convívio... Como por sinal lemos no livro de Atos: Caminhavam juntos como se um só coração tivessem e tudo tinham em comum.

Tal o preço pago pelo protestantismo ao minimizar as obras mesmo enquanto evidência externa de salvação e afirmar a possibilidade de uma salvação sem quaisquer obras, bem como uma salvação no pecado, uma meia redenção que a sobrevivência do homem velho, enfim a presença de uma graça fraca que não destrói por completo o mal ou pecado. Dessa noção anti ética de salvação sem fruto ou alteração de comportamento, derivou a ideia de que a Redenção é algo que se dá exclusivamente entre o individuo e Cristo, e que de modo algum envolve o próximo, a comunidade, a humanidade, a espécie... Excluindo-os.

Segundo a concepção anti nomiasta o próximo ou nosso convívio com ele jamais se aproxima ou toca o evento de nossa libertação. É algo que não passa pelo semelhante e que de modo algum depende do outro, mesmo a posteriori - Sequer somos salvos ou remidos por Cristo PARA o próximo. 

Perdemos assim toda e qualquer conexão com o outro e dele nos alienamos para isolar-nos em nós mesmos, como numa ilha de conforto e sem qualquer compromisso - Pois se trata de uma redenção descompromissada e fácil, que perde por completo o próximo de vista. E nossas preocupações incidem apenas sobre nós mesmos...

De modo que o amor pelo outro cessa de ser concreto, dinâmico e ativo para se converter em algo abstrato ou teórico, numa ficção ou num discurso sem maiores responsabilidades. Aqui a solidariedade ou o convívio se converte em questão irreligiosa, em torno da etiqueta ou das boas maneiras e cessa de fazer parte de nossa vida espiritual ou da religião como um preceito divino derivado do Evangelho. Não é algo que devemos atribuir a Lutero ou creditar a Calvino mas que se fez cada vez mais presente no universo protestante e na consciência de seus adeptos a partir do anabatismo.

Ao fim deste processo podemos conceber o remido como alguém que encontrou-se com Deus em seu quarto fechado e que ali permaneceu fechado sem qualquer contato com seus irmãos batizados membros da grande família de Cristo. Pode-se já ser filho único ou sem irmandade...

É o insuspeito embaixador Meira Penna (Opção preferencial pelos ricos. p 119) quem nos diz que "A fé e não o amor ocupou o centro do pensamento protestante." e cita Tillich, explicando que a ênfase formal na Lei (Dos judeus por sinal) impediu Calvino e Zwinglio de formularem uma Teologia em torno do amor. 

Amor que é por assim dizer o centro e fundamento do Evangelho!!!

O leitor que interrompa a leitura e tire suas conclusões!

A pedra ou a avalanche vai rolando nessa direção. 

E na vida prática vai-se afastando do outro cada vez mais.

E mesmo sem que Calvino tenha responsabilidade o calvinismo muito contribui para agravar a situação. Pois se conforme a doutrina da fé não podemos distinguir os réprobos dos remidos nesta vida, na prática os remidos são os nossos e os réprobos os membros das diversas outras seitas cujos membros, rejeitados por Deus, não estamos obrigados a amar ou a servir...

Eis o protestante concentrado apenas em sua salvação e desconectado do mundo ou da comunidade. E estamos já num individualismo crasso - O qual, grosso modo, não passa de puro e simples egoísmo.- associado a espiritualidade ou a fé religiosa...

Seja por abuso, quanto a doutrina enunciada por Lutero (De que obras não salvam, embora sejam ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIAS, ENQUANTO FRUTO DA FÉ OU DA SALVAÇÃO.) ou por desenvolvimento, chegou o protestantismo a tais termos: Do salvo isolado em sua torre de Cristo ou do indivíduo a sós com seu Deus... Coisa que jamais se virá na História do Cristianismo. E tal foi o sabor - Individualista ou egoísta, desse Cristianismo que passou a Inglaterra e passou aos EUA.

E já na Inglaterra, expandiu-se ou ampliou-se este vício abominável do egoísmo. Passando aos demais setores ou esferas da vida humana, e tudo contaminando.

De fato passou o individualismo da fé protestante a economia; com o capitalismo ou liberalismo econômico e a Filosofia; com o anarco individualismo de Stirner (Isto na Alemanha). Pois se pode o ser humano salvar-se isoladamente, pode do mesmo modo fazer riqueza desconectado de seus semelhantes, como poderia prescindir de um corpo político ou mesmo da sociedade e viver só, como uma ilha.

Perceba o leitor como foi o individualismo, através da fé protestante ampliando seu raio de ação - Dando origem a outras tantas ideologias noutros setores, embora afirmando-se como fundamento de cada uma dessas expressões - Meras manifestações suas em diferentes campos.

E de fato podemos apontar o individualismo como a 'afinidade eletiva' ou lastro comum responsável por conectar protestantismo, capitalismo e anarco individualismo - Até chegarmos ao ANCAP.

Desde então a 'sifilização' norte americana tem girado em torno dessas três expressões de matriz individualista: Protestantismo, Capitalismo e uma democracia meramente formal que parece tender ao ANCAP... Aqui a busca pela salvação individual, ali a busca pelo enriquecimento individual, ao fim a demolição do ente político voltado para o bem comum e a atomização do corpo social ou sua destruição. Tal o éthos, o espírito, a consciência coletiva, o imaginário 'social' ou a cultura prevalecente naquele país.

Já Viana Moog respondia a seus críticos dizendo que era imprudente e equivocado negar que duas fés religiosas diferentes jamais poderiam imprimir sentidos ou rumos diferentes a duas dadas sociedades - E o que dizia, reportava, com absoluta razão, a Werber.

Que tem isso de Cristo ou de Cristianismo tradicional, de catolicismo, de Ortodoxia ou de apostolicidade... Absolutamente nada. Tudo aqui partiu do protestantismo, com sua ideia de salvação isolada ou alheia ao corpo místico de Cristo, que é a Igreja.

Foi o protestantismo que, intencionalmente, desarraigou o homem da fraternidade eclesiástica visível para fazer dele mero membro da igreja celestial, unido ao Cristo somente, mas não a túnica mística e indivisível da Cristandade. Foi a reforma que criou esta 'esta' célula isolada sem tecido ou corpo... 

Tal a força da fé e das coisas religiosas que essa concepção não tardou a migrar para os demais nichos da humana existência, até produzir uma série de expressões congêneres e subjugar a totalidade da vida. O que veio a ocorrer nos Estados Unidos, no momento em que o protestantismo associou-se ao liberalismo econômico e a democracia policial. 

O que nos autoriza a identificar o protestantismo como matriz ou elemento plasmador dessa cultura. 

Ainda que alguns papistas e ortodoxos - Os cristãos infiéis e culturalmente protestantizados e dependentes de fontes protestantes como Roberto Campos, Meira Penna, Kogos, etc - empreguem todos os recursos possíveis com o propósito de objetar, uma relação que é manifesta. (A ponto de ensaiarem refutar Comte, Tocqueville, Maurras, Weber, Moog, etc)

(A única direção coerente por parte daqueles que encaram o liberalismo econômico ou capitalismo como um bem ou melhor como uma fonte de progresso, seria se fazerem protestantes ou buscar introduzir o protestantismo nas sociedades em que vivem, o que por si só - supondo que essas pessoas fossem romanas ou Ortodoxos - seria abominável!)

De fato alguns papistas e ortodoxos 'incoerentes' buscam relacionar a formação da cultura que tanto lhes agrada coma maçonaria. Sem considerar a um lado a oposição existente entre ela e os Cristianismo apostólicos e a outro o vínculo existente entre ela e o protestantismo Norte americano.

Ocorre-me ''O jardim das aflições" de Olavo de Carvalho - O qual parece insistir demais no conteúdo esotérico da organização (O qual num contexto calvinista - Em que o deus 'cristão' era pintado como mau - teve alguma relevância.) e em seu papel, enquanto suposta plasmadora da cultura.

Antes de tudo devemos esclarecer que, embora nós ibéricos, costumemos chamar a maçonaria de franco maçonaria, certo é que chegou ela a França, vinda da Inglaterra, a qual é seu primitivo lugar de origem.

Em seguida devemos ter em mente que o Histórico de relações entre protestantismo e maçonaria nos EUA não é uniforme mas, marcado por oscilações e recomposições sucessivas. 

Por fim, devemos considerar que a maçonaria entrou em conflito irredutível com a Ortodoxia ou a igreja romana em seus respectivos domínios porque era já não apenas portadora dos elementos da cultura por nós assinalados, mas de fato aliada das organizações protestantes.

Desde o princípio houver certo gráu de proximidade ou amizade entre maçonaria e protestantismo, ainda quando os ideais maçônicos fossem um tanto vagos e os elementos da cultura protestante estivessem já formados. E para tanto devo observar que a primeira constituição ou livro de ordem maçônico foi escrito por um clérigo presbiteriano escocês. 

Certamente que haviam ocasionais atritos, produzidos pelos protestantes mais fanáticos, devido justamente ao conteúdo místico\ocultista da maçonaria, o qual é até hoje seu disfarce. No entanto, repito, habitualmente tais relações era bastante cordiais.

A primeira ruptura sucedeu pelos idos de 1776 quando, ao desligar-se da Inglaterra a elite maçônica yankee, fixou a separação entre a esfera religiosa e o Estado. Para a apática igreja anglicana, mancomunada com Dna Inglaterra não foi algo assim tão significativo... Agora para os calvinistas e até mesmo para alguns batistas foi um duro golpe - Veja que os 'bible belt' ainda encaram tal tipo de organização política> Laicista, como atéia e maligna. 

No entanto, passado o auge da crise, houve uma rápida conciliação de interesses em torno de princípios. Inaugurando-se um período de mútua e íntima colaboração ou simbiose, período em que a maçonaria assumiu com ainda mais fervor os elementos da cultura Yankee como a democracia policial, o capitalismo e 'para os países romanos e ortodoxos' o laicismo... 

E de tal modo deu certo essa parceira que sequer podemos saber com perfeita nitidez quem dá as cartaz no Império. Putin assevera que as coisas partem do pentágono e 'vem' pela maçonaria ou que a maçonaria (Como a ONU e o papado pós Vaticano II) constitui um braço político dos EUA (Presente em quase todos os países do mundo.) e os EUA o centro de comando dessa sociedade secreta.

Seja como forem tais relações hierárquicas uma coisa é certa: É a maçonaria mero vetor ou veículo de uma cultura que de fato não produziu, vindo a encontrar já pronta, enquanto desenvolvimento do protestantismo. É continente e não criadora de conteúdo.

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sábado, 25 de novembro de 2023

Reflexões sobre a perspectiva alegórica da inspiração linear. (Carta)

 Ao nobre e excelente W. R.

Graça, paz e bem no amoroso Redentor nosso Jesus Cristo.

Li com a devida atenção e o devido carinho as reflexões que tu publicaste na Comunidade X. Porém como minha resposta respeitosa foi truculentamente apaga por a reproduzi-la-ei aqui.
A meu ver o ponto de vista é equivocado.

Embora a tua perspectiva pessoal - Sobre o alegorismo. - esteja dentro da perspectiva Ortodoxa ou patrística, como uma theologumena ou opinião, é bem verdade que desde o século XIX tem sido ela, utilizada pelos companheiros e sucessores de Droysen, como uma explicação puramente naturalista sobre as origens do nosso Cristianismo, beneficiando portanto um erro fatal.
De fato muitos Historiadores helenistas alemães afirmaram que nosso Cristianismo, ao invés de ser revelado, nada tem de sobrenatural, correspondendo a uma evolução ou progresso apresentado pelo Cristianismo alexandrino. E o quanto teríamos aqui seria um judaismo helenizado ou helenizante, forjado por Aristobulos, Filon e outros.
Noutras palavras, nosso Cristianismo não passaria de uma releitura, de uma reformulação, de uma reconstrução, de uma reelaboração do judaísmo ora alegorizado. Seria um judaísmo mais refinado ou aprofundado. Mas sempre um judaísmo ou uma facção ou corrente judaica. E não há como fugir a semelhante conclusão.
E de fato caso concedamos que todos os mistérios do nosso Cristianismo se encontram simbolicamente presentes na mikra, temos de nos perguntar se não é o Cristianismo a kabalah original e se, por acaso, contém o Cristianismo histórico algo de próprio ou de original...
E temos de nos perguntar igualmente sobre que fica sendo de Jesus Cristo, e de sua condição, de seu sentido e de seu papel.. Qual a missão atribuída a nosso Jesus...
Quanto a isto devo dizer-lhe que meu pensamento Teológico é visceralmente niceno ou atanasiano, noutras palavras: Rigorosamente encarnacionista. Um sistema articulado e orgânico em que cada artigo de fé parte desse mistério central e que pretende ser uma espécie de mergulho numa Cristologia profunda.
Alias julgo cumprir um desígnio: Recuperar ou resgatar a consciência cristã não apenas face aos recuos do papismo e do Anglicanismo, a vulnerabilidade da Ortodoxia oriental e a alienação protestante, mas sobretudo face ao islamismo.
Diante disto, a mim me parece, sumamente duvidosa, a existência de uma Revelação parcial ou de elementos da Revelação Cristã anteriores à Encarnação do Verbo e que dela não procedam. Já a simples sugestão de uma Revelação integral do nosso Cristianismo, literal ou simbólica, anterior a esse mistério me parece impensável e não posso crer nela.
Nom possumus.

Nom credidimus.

Pois que ficaria sendo nosso Jesus, o Verbo encarnado?
Como poderíamos supor nosso Jesus mero porta voz de Abraão, Moisés, Caleb, Finéias, Salomão, etc... Me parece repugnante apresentar o Instrutor de todos como mero intérprete de quem quer quer seja ou como comentarista de quaisquer textos...

Não, não posso conceber o Mestre como alguém que se limita a fixar sentidos sem dizer nada de propriamente seu.

Não, não consigo nem posso ver Jesus assim, como o tipo de um exegeta que parte de textos ou livros. Tampouco posso encarar nosso abençoado Redentor como repetidor ou transmissor.
De minha parte acredito que o Cristianismo, ao contrário do judaísmo e do islamismo, parte de uma pessoa viva ou de um homem Deus. Julgo honestamente que a instituição Cristã corresponda a auto comunicação de Deus. Creio e confesso que este caminho equivale a uma intervenção direta de Deus na História dos homens. Que corresponda a manifestação do Deus vivo e portanto que corresponda não a algo antigo, velho ou trivial e sim a algo novo, único, singular ou distinto de tudo quanto existira antes. DO CONTRÁRIO NÃO SERIA VINHO NOVO OU CABERIA NOS ODRES VELHOS, porém ele nos advertiu que esse vinho não cabia naqueles odres. Não desejo salvar os odres, a Torá, a Tanak, a Mikra, etc por amor a uma opinião exótica - Da inspiração linear... E se para salvar o livro de papel devo abater ou rebaixar o homem Deus > Pereça o livro! Basta a bibliolatria! Chega de fetichismo!
Creio portanto que Nosso Senhor Jesus Cristo não se tenha manifestado para repetir lições velhas a e sabidas, mas que se tenha manifestado como Mestre e Instrutor supremo, o qual fala com autoridade própria, tudo quanto teria ouvido 'In sinu patris' i é o que trouxe dos céus.
Alias me parece bastante estranho que aqueles rudes personagens tenham enunciado os elevados mistérios do nosso Cristianismo numa linguagem alegórica tanto mais sofisticada. Parece que nesse caso seriam mestres melhores do que aquele que repetiu, em tempo futuro, as mesmas doutrinas, com expressões literais e palavras chãs. Seria o judaísmo um Cristianismo mais refinado... Não posso admiti-lo.
Creio que o Cristianismo proceda do Cristo e que nosso Cristo imutável jamais tenha orientado a moralidade baixa e vulgar da mikra. Entre a moralidade ou ética evangélica e a moralidade da Tanak vai abismo colossal e imenso.
Nem posso crer que deixaria o Verbo Jesus de corrigir, advertir e instruir os que supostamente acompanhava, e isto sob pena de omissão.
Quanto ao sentido das Sagradas Escrituras: 'Não me manifestei para cumprir a Lei.' já foi dado e fixado pelos legítimos intérpretes, os padres da igreja, e diz respeito a Lei divina e celestial do Decálogo ou dos dez mandamentos, que gravados nas tábuas de pedras foram colocados dentro da arca do pacto. Não a taurat. Não ao Pentateuco. Não a mikra. Não a Tanak como um todo. Não a totalidade do antigo testamento, como julgam as massas de protestantes iletrados, fundamentalistas e fanáticos mas apenas e tão somente ao Decálogo divino.
Por isso todas as outras partes da mikra ou tanak não é que tenham sido propriamente abolidas. Foram declaradas inválidas ou puramente humanas pelo Verbo encarnado Jesus Cristo fonte da vida.
Tanto que na parte mais nobre ou no coração mesmo do Evangelho disse nosso Jesus: 'Ouviste o que dito (Porque os judeus atribuíam a Torá uma origem oral vinculada ais anjos.) aos ancestrais... EU PORÉM VOS DIGO.'
E simplesmente negava o que era puramente natural ou resíduo da cultura.
Jamais apresentou como tal o que nunca fora sagrado ou divino.
Só os protestantes cegos são capazes de supor que Jesus Cristo revogara ou alterara instituições divinas pelo simples fato de ser Deus, posto que Deus é imutável e sem sombra de variação - Pelo simples fato de ter sua vontade perpetuamente fixada no bem ou naquilo que é perfeito. Quer dizer isto que caso uma lei seja de fato divina jamais poderá ser alterada, consertada, reformada, etc Se é Lei divina é Lei perpétua e inalteravelmente fixa pelos séculos dos séculos - TAL A LEI DO EVANGELHO!
Dedico a ti estas minhas reflexões, as quais espero que te sejam úteis. Abraço fraternal.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Revolução, violência, razão e Cristianismo.

Poucos temas há, tão polêmicos quanto o tema da violência.

Tema em que se vai da rejeição absoluta ou do pacifismo crasso a aceitação absoluta assim ao odinismo, entre os quais há toda uma série de gradações.

No Evangelho damos ora com Jesus Cristo mandando Pedro embainhar sua espada ora com o próprio Jesus expulsando os fariseus do tempo com um chicote. 

Textos que tem dado o que falar e sido empregados por pacifistas como Tolstoi e por odinistas como Sorel.

De modo geral a Igreja Antiga ou dos padres, ao menos no plano da fé, repudiou decididamente o apoio da força ou da violência. Outro o caso das relações pessoais, onde predominou igualmente o pacifismo, alias crasso. E por fim outro o caso das relações sociais, havendo cristãos pacifistas, cristãos revolucionários e cristãos equilibrados ou partidários do emprego a violência circunstancial ou contida.

Agora por que o mesmo Jesus que empunha o chicote aqui repreende Pedro acolá, mormente quando ele Pedro exercita a defesa enquanto que ele Jesus ataca?

Há quem diga, equivocadamente, que Jesus aqui procede como Deus enquanto que Pedro ali procede como mero homem. Não aprecio todavia esse tipo de interpretação, a qual me sabe a monofisita. Evidentemente que quando perdoa Jesus os pecadores sabemos que tal ação tem seu motor primário na natureza eterna e divina. Agora quando exerce certa violência ou força contra os mercadores sacrílegos não temos como saber com exatidão qual seja o motor primário ou mais remoto de tal atitude. 

Direi então que o motor mais provável dessa ação Cristológica executada pela natureza humana seja a natureza divina, embora não possamos demonstra-la. 

Todavia meu ponto de vista e bem outro e consiste em distinguir que faz Jesus do que faz Pedro. Pois Pedro empunha uma espada que fere e mata. Enquanto Jesus emprega um feixe de cordas (Ev de João 2,15).

Insistirei resolutamente quanto a esta distinção, a ponto de apresenta-la como fundamental: Pedro não empunha um feixe de cordas e Jesus não utiliza uma espada. Pois os partidários de que a violência é sancionada por Deus quanto as coisas profanas costumam alegar que dá no mesmo Jesus ter empregado uma feixe de cordas ou chicote, uma espada, uma lança, uma metralhadora ou uma bomba. Advirto porém que o texto em questão não diz respeito ao emprego da violência no plano social, e sim ao suposto emprego da violência no plano religioso ou da fé, o que acaba por chocar-se contra o conjunto dos ensinamentos de Jesus. O qual a um tempo condenou radicalmente o emprego da violência no plano do ideal e a outro jamais imiscuiu-se em questões formais de sociologia ou política, as quais são indiferentes ao Evangelho.

Ora, justamente por tal narrativa estar vinculada a piedade religiosa não cabe recurso a violência ou mesmo a força. 

Segundo a narrativa sumária de S Mateus Jesus expulsou ou teria expulsado os vendedores, derrubando suas mesas e cadeiras. Agora como fez isto? Onde Mateus silencia S João completa: Valeu-se dum feixe de cordas a guiza de chicote. Donde concluem alguns que teria batido nos cambistas. A narrativa todavia indica que com o chicote espantou os animais que ali se achavam. De que resultou terem as mesas, cadeiras e moedas caído pelo chão (Outras foram derrubadas pelo próprio Jesus) e a fuga de ao menos alguns mercadores devido a surpresa e ao pavor, afinal aquele tipo de ataque era algo atípico e inesperado. 

Teria o Senhor ao menos batido nos animais que ali se achavam com o objetivo de espanta-los?

Também isto tenho por demasiado improvável.

É coisa a respeito de que a letra do Evangelho igualmente silencia e o Redentor sempre poderia ter feito girar e zunir aquele chicote com cordas, bem como bater com ele no chão e nas mesas e cadeiras para assustar os animais po-los em fuga e causar todo aquele tumulto assombroso.

Nada no Evangelho impõem a crença ou ensinamento de que chicoteou Jesus os pobres animais e menos ainda que tenha surrado a sacerdotes e cambistas, e isto sempre será ultrapassar a letra, profanar a divina Revelação e simplificar as coisas.

Nem pode aquilo que sequer se equipara a um chicote ser equiparado a lanças, espadas, machados, revólveres, metralhas e bombas... E apenas alguns cérebros doentios poderiam concebe-lo. Ademais o quanto teríamos aqui seria a aprovação quanto ao emprego da violência no âmbito da fé ou da religião. Sendo assim por que os primeiros Cristãos não partiram para o ataque e conquistaram o império romano recorrendo a guerra e a espada? Deixando-se inclusive condenar injustamente sem esboçar resistência? Acaso não compreenderam o sentido 'oculto' do Evangelho?

Admitia essa versão nada teríamos em Jesus além de um outro Moisés ou Maomé, alias, neste caso Zwinglio e Calvino o teriam compreendido melhor do que quaisquer outros. Tal a versão odinista do Jesus fascista e do Jesus fascista uma vez que os Comunistas ao menos não se importam com ele a ponto de distorcer seu caráter e ensinamentos.

Implica essa constatação admitir que o emprego da violência quanto as relações sociais e políticas não é norteado pela Lei religiosa e ética de Jesus Cristo - A qual obviamente remove-o das relações ou do convívio pessoal. - mas pela experiencialidade e sobretudo pela reflexão. 

Apesar disso há algo desse espírito evangélico que se estande remotamente as relações sociais, como que a guiza de inspiração. Trata-se aqui da condenação do primeiro motor do odinismo ou daqueles que estimulam a agressividade e a conquista associadas a violência. Então a violência para ser lícita deve romper com o paradigma anti Cristão da belicosidade ou da conquista. E circunscrever-se a esfera da defesa. O uso político e social da violência na perspectiva Cristã estará sempre a serviço da defesa, jamais da agressão ou da conquista.

Não pode portanto a violência, no sentido Cristão, servir ao assim chamado imperialismo seja qual for ele.

Tal a única baliza ou exigência ética.

Para além disto temos de conceder que é a violência um fenômeno tão instrumental quanto a estrutura política formal de nossa democracia. O qual por isso mesmo deve servir a algum propósito ideal ou ético. Quero dizer que a violência não pode ser avaliada em si mesma como algo bom (Como fazem os odinistas) ou mau (Como faz o pacifismo crasso.) mas sim quanto a seu fim ou objetivo. Então a pergunta a ser feita é se esse fenômeno pode estar a serviço de algo digno como o bem, a justiça ou a virtude, ainda que circunstancialmente.

Pois não pensamos como os revolucionários i é em acionar qualquer gatilho social por meio dela e assim criar novo homem ou nova humanidade. Eis o que não se pode ou deve esperar da violência, engendrando veleidades místicas. Podemos dizer sim a violência, mas não a sua mística. Não posso ver como a violência em si mesma ou mesmo enquanto meio possa entusiasmar o homem reflexivo.

Nem entusiasmar nem demonizar mas apenas avaliar até que medida podemos usa-la vinculando-a a uma boa causa.

Claro que ao utilizarmos a violência em benefício das crianças, dos idosos, das mulheres, dos deficientes, dos injustiçados, da natureza, etc estaremos fazendo um bom uso dela. 

Importa saber que a violência precisa ser administrada pela razão e assim sempre planejada, contida, limitada, etc 

Nem podemos conceber (Ao modo dos odinistas) a violência ou a força física como as diversas culturas de morte afirmam o mercado, a fé, a política, a ciência, etc i é como algo fora do controle da ética ou acima dela. Simples assim: A estância da Ética deve predominar em todos os setores da existência humana. Daí não estarmos de acordo com um uso irracionalista, cego ou voluntarista da violência.

Ao contrário dos Revolucionários, que imaginam a violência como gatilho ou motor primário da mudança, o quanto pretendemos é usa-la em algumas situações sociais circunstanciais, apenas com o objetivo de substituir umas pessoas por outras, assim as más, egoístas e injustas por outras que sejam éticas e tanto mais dignas. Não pretendemos tocar as estruturas, crendo que tenham elas seu fluxo, e que virão a ser alteradas pelas pessoas dignas e conscientes através dos meios educativos, políticos e sociais. Nós acreditamos na evolução orgânica das estruturas ou em sua transformação interna através do acúmulo de reformas acionadas pela formação ética dos cidadãos. É coisa de cultura não de murros, pontapés e bombas.

É por isso mesmo que não atribuímos as situações de violências, guerras, batalhas e conflitos a solução de todos os nossos problemas. Pois de fato nada resolverão. Limitando-se a criar novas possibilidades de ação, conforme delas resulte a troca dos quadros. É recurso destinado a arejar as estruturas e não passe de mágica que as altere radicalmente e a partir delas a sociedade como um todo. Toda essa mecânica social imaginada pelos metafísicos anarquistas, comunistas, nazistas, fascistas, etc é furada e assim as idéias de revolução e contra revolução.

Continua











sábado, 26 de junho de 2021

Ser Racional ou Predador sem consciência?



Há dois milênios e meio, a sombra dos propileus do Hecatompedon, Sócrates, Platão e Aristóteles, especialmente este último, afirmaram um novo ideal de Homem, o Homem Racional, capaz de pensar, de refletir, de tomar decisões judiciosas e de planejar seu próprio destino.

A sombra de suas Stoas, há cerca de vinte e cinco séculos, alguns gregos conceberam um ideal harmonioso e bem ordenado em oposição ao caos. 

E antes dos albores da Era Cristã esboçaram um ideal grandioso de civilização, de que faziam parte o Canon de Polikleitos, o princípio de contradição, o Teorema de Pitágoras, Pinacotecas, Museus, Universidades - Enfim todo um universo de dourados sonhos, há muito anuviados pela bruma do passado... 

Poucos como Hume, Freud, Marx, Darwin... ousaram desconfiar da proposta grega, supondo-a falaciosa. 

De fato não somos apenas razão, tal nossa cruz e caldeirinha. 

E operam em nós outras forças, poderes e princípios que nos estão conduzindo, como espécie, ao fim.

De fato a vida racional, consciente e ética jamais passou de um projeto, do qual dependerá não somente nossa sobrevivência, caso haja tempo. Projeto grandioso, nobre, belo e excelente, porém projeto e projeto ameaçado. 

Já o sabia Aristóteles como Confúcio. Como o sabiam Buda, Sócrates, Jesus, Paulo, Basílio, e mais tarde: Mably, Morelly, Bouchez, Bloy, Berdiaeff, Maritain, etc - Os quais de um modo ou outro teceram críticas mais ou menos duras a nosso costume de acumular coisas, acumuladores que somos de riquezas inúteis, as quais não poderemos carregar para onde iremos ou levar a tumba.

Ao menos se fossemos egípcios ao modo dos que viveram antes de Cristo, poderíamos acumular para levar a tumba, onde após termos ressuscitado, viveríamos eternamente comendo, bebendo, jogando, etc 

Nós no entanto ousamos dizer que cremos no primado do espírito! Belo primado...

Não me surpreende a incoerência dos ateus e materialistas que denunciam o acúmulo exagerado de bens. Antes surpreende-me muito mais as dissertações com que uma hoste de 'cristãos' defendem este pernicioso vício que faz sangrar a natureza... Quando o Mestre de todos disse em alto em bom som: Não acumuleis tesouros neste mundo! Parte de seus seguidores no entanto não pensa outra coisa senão acumular fortuna ou enriquecer... E quando os denunciamos com o Evangelho nas mãos, principiam a gritar: Comunista! Comunista!

É o que está acontecendo exatamente agora neste país enfermo que a propósito de tudo imita a cultura podre dos Estados Unidos da América do Norte, envenenada pelo individualismo protestante.

E no entanto, apesar de reconhecermos a importância de Marx e a justeza de suas críticas a um sistema que está, efetivamente, conduzindo nossa espécie a um suicídio certo, não precisamos dele ou reconhecemos sua necessidade. Aristóteles foi mais profundo, Freud mais agudo, Scott Nearing mais coerente e nosso Jesus, ah nosso Jesus, foi bem mais insidioso ao dizer que tal como a corda não passa pelo fundo da agulha rico algum entrará em seu reino. 

Reino Comunista?

Respondendo com Paul Valery e com Julien Benda, direi: Não, reino do Espírito, reino da excelência, da beleza, da profundidade do Ser.

Tornemos a Confúcio: O que só se preocupa em comprar e vender, ou seja, em lucrar, é um ser vulgar que não entende coisa alguma.

O materialismo está muito mais no sentido rasteiro da avareza do que nas teorias sofisticadas do judeu alemão, o qual, como disseram alguns 'padres', limitou-se toma-lo ao liberalismo econômico ou ao positivismo. Marx apenas assumiu o materialismo reinante que ainda ai está e que nada tem de socrático ou de aristotélico e menos ainda de Cristão.

Torno a Aristóteles, o qual muito antes de Freud já havia enunciado a tolice que é acumular ilimitadamente num sistema que já se sabia finito, e que, fora da ficção científica ainda o é.

Uma hora chegaríamos a exaurir a mãe natureza...

Esse belo sistema, que partindo de uma falaciosa dicotomia, é apresentado como nosso melhor face ao tenebroso comunismo.

Muita treva há no Comunismo, no Nazismo, no Fascismo, no Anarquismo... Não há menos treva porém oculta por trás de um sistema que estimula ao máximo um princípio que todos os Mestres da Ética, unanimemente, apresentaram como um veneno, a avareza... Assim a beldade a que chamamos capitalismo.

Se o capitalismo é o que temos de melhor, melhor perder toda esperança de redenção, aceitar a destruição inevitável e cruel da espécie e adiantar-se a ela.

Deixe-me dizer em alto e bom som: É feio, é feio, e feio porque mais do que o comunismo, o anarquismo, o fascismo e mesmo o nazismo conduziu-nos todos as portas da destruição. 

Enquanto escrevo estas despretensiosas linhas prepara-se a ONU para editar (Em 2022) um relatório em que descreve com vivas tintas as condições a que o lindo capitalismo conduziu nosso Planeta.

Será algo semelhante a Filme de terror, em que as vítimas serão as diversas espécies de animais e vegetais que a evolução tem demorado centenas de milhões de anos para produzir, o que cognominamos 'Extinção em massa'. 

Torno a Aristóteles: Não é possível explotar ilimitadamente um sistema finito, exaure-se. 

A flora e fauna exaurem-se...

A constatação é da ONU... 

Não do PC soviético!

Face a tal estado de coisas escora-se a cultura Norte Americana no fundamentalismo protestante, instilando a baba pútrida do conspiracionismo por toda parte... Tendo ela se convertido em dilúvio no Brasil...

Para os empresários e seus fiéis escudeiros, os pastores, transformou-se a ONU em valhacouto do Comunismo...

E comunistas são José Bonifácio, Vargas, o Papa romano, etc tudo quanto não se solidariza com o liberalismo econômico ou apoia-o ativamente. 

Critica-lo então equivale a formar fileiras com Marx e Engels, como se as palavras de Jesus tivessem sido proferidas por eles, o Evangelho escrito por eles ou o sentido oposto ao que costumamos ler.

É vezo do livre exame.

Os protestantes leem o Evangelho e atribuem o sentido que querem ou o que mais lhes agrada.

E fica Jesus sendo mega empresário, banqueiro, milionário... como poderia ficar sendo até um pizza.

Pouca seriedade, respeito e sacralidade...

Enfim vozes que destoem desta mediocridade são imediatamente condenadas.

Bem, ainda que não tivesse o Capitalismo, conduzido-nos a borda do precipício, nos teria indubitavelmente - Dirá um conservador desanimado do mundo como T S Elliot, um poeta como Valery, um prosador como Hermann Hesse, etc - ao reino da vulgaridade ou aos confins dessa coisa sinistra chamada arte moderna, assim a rasteira cultura das massas.

Antes de converter-se em algoz da espécie humana foi o liberalismo econômico, como não podia deixar de ser - Por ser materialista e utilitário - algoz da excelência ou da cultura refinada.

Resta dizer que nada há de racional em acumular riquezas ou bens materiais. 

E que não passa de um impulso irracional advindo das zonas obscuras que Freud analisou.

Não sei exatamente porque Scott Nearing pôs fim a sua vida. 

Alguns dizem que suicidou-se por ter 'descoberto' em que esse impulso nefando transformou aquele ser racional idealizado pelos antigos gregos há dois mil anos e meio, e em que esta metamorfose transformou nosso planeta...

Sei no entanto que numa de suas obras relacionou a febre ou delírio consumista de que padecemos com o medo da morte. Da vida nada levamos em termos materiais, privando-nos a morte de tudo... Para negar a morte apega-mo-nos aos objetos ou as coisas, e passamos a junta-los, como se garantissem nossa permanência definitiva por aqui...

Pelo temor da morte o ter chegou a triunfar do ser. 

Combateu-se a metafísica do ser, e criou-se uma nova metafísica, uma falsa escolástica, uma outra mística - A do lucro, a do capital, a do dinheiro, a da riqueza, a da fortuna a do acúmulo.

Curioso - Caso você acumule gravatas é acumulador e neurótico ou doido, caso acumule dinheiro, como o tio Patinhas em sua Caixa forte, é são e não apenas são mas modelo de empreendedor.

Desde que deu com tal fator na gênese psicológica do acúmulo Nearing passou a cultivar na mais alta intensidade o desapego, por meio de uma vida sóbria. E como se tal não bastasse decidiu ele mesmo desfazer-se da vida, quando lhe parecesse conveniente. E a natureza colaborou, fazendo com que atingisse cem anos.

Nearing pode enfim desprender-se ou suicidar-se. Pois teve uma vida longa e digna. Havia combatido o bom combate ou semeado o bem. Havia pugnado pela Ética e se colocado ao lado da justiça. Um homem assim bem pode sair da existência quando quiser, pois pagou seu tributo a civilização ideal ou república de Santos e Filósofos.

Cada qual tem sua consciência e conhece seus límites. 

Quero morrer como o comandante daquele navio holandês que enfrentou e venceu a fúria do Kakratoa, com suas ondas de cem metros! Morrer amarrado ao Timão do Barco e resistir até a derradeira gota de sangue pelo combate da civilização ideal, da civilização Ética... Em comunhão com a fauna e com a flora... em sintonia com a mãe natureza.

Enquanto houver capitalismo tal será impossível.

Pois devorador algum pode ser sustentável.

Por outro lado se deve ser limitado ou contido, lamento, não é mais liberalismo econômico ou capitalismo. O capitalismo pleiteia total ausência de controle ou liberdade absoluta para as atividades econômicas. É xipofago do cientificismo positivista e irredutível a um controle Ético/ideal, o qual coloque sobre si e acima de si direitos inalienáveis a pessoa humana. 

Daí economicismo, cientificismo, etc e não humanismo.

Resta-nos descrever que espectro Nearing teria antevisto, ao menos segundo alguns críticos.

 Ao que parece anteviu ele justamente aquilo que o citado relatório da ONU reserva a nossos olhos e que com tão vivas tintas pintou... 

Em que nos transformou esse pecado (Pois o Evangelho e toda Tradição Cristã - Abandonada pelo Protestantismo - apresentam-no assim), o pecado da avareza? - Que é a alma do capitalismo...

A comparação é chocante...

Porém não é obra da fantasia cavoucar o homem a terra em busca de minérios abrindo-lhe uns túneis ou fístulas e furando o ventre que nos trouxe a luz...

E tampouco deixa de ser verdade que, ao menos nos grandes centros urbanos (Em que impera o capitalismo) nos movemos num ritmo que chega ser alucinante - Ocorreu-me agora o delicioso Playtime de Jacques Tati. da casa ao trabalho e do trabalho a casa ou as lojas...

E também nos nutrimos da fauna e criamos para abater, e introduzimos mudanças mais do que discutíveis nas teias alimentares ou no mundo natural. 

Bem, por tudo isto e mais um pouco (Pois há muito mais e há quem queira torturar animais em laboratórios ou caçar baleias!) Nearing tería dito a sua esposa que este mundo não passa de uma Carniça infecta ou nauseabunda e que nós, os seres racionais do estagirita e caniços pensantes de pascal, não passamos de uns vermes ou larvas a pulular sobre a carniça...

Após testemunhar pessoalmente a especulação imobiliária exercida no local em que vivo - De que resultou a quase total destruição do mundo natural! (Isto para não falar na sacrílega destruição de nossa memória representada pelo Patrimônio Histórico.) A destruição do Pantanal. O tráfico de madeiras nobres na Amazônia. O envenenamento de onças... etc, etc, etc seria temerário duvidar de Nearing...

Parece que o impulso do acúmulo - Deflagrado pelo medo da morte ou pela pobreza interior do ser. - a que chamamos avareza transformou muitos de nós ou mesmo a maioria de nós em vermes ou gusanos... Aos quais não restou pingo de alma ou espírito. A ponto de usarem o Natal e a Páscoa, com o pretexto de comprar coisas, de consumir, etc exaurindo mais e mais a mãe natureza e acelerando a destruição de tantas e tantas espécies que vieram a luz ao cabo dos séculos... A isto chamam aquecer o Mercado, uma população que se tendo tornado irracional ou mesmo louca, não cessa de se multiplicar...

Quanto aos remédios amargos de que ainda dispomos o primeiro deles corresponderia, já o dissemos, num rigoroso controle populacional em termos de limitação de natalidade. Projeto sempre sabotado pelas grandes religiões com sua sede de poder... quem conta com dezenas de milhões de adeptos ou contribuintes ou dizimista mais quer que suas ovelhas façam sexo irresponsável e se multipliquem...

Do outro remédio Nearing mesmo tomou: Trata-se de um decidido retorno a vida simples e natural, em que os objetos sejam degradáveis ou recicláveis. Não dá mais para tanta gente continuar fazendo uso de alumínio ou plástico... Há que se voltar a madeira, ao barro e outros elementos do tipo. 

Outra atitude a que a mãe natureza daria boas vindas seria o vegetarianismo ou melhor dizendo o semi vegetarianismo, em que há espaço para o consumo de mel, ovos, leite e moluscos, isto é, de quaisquer seres vivos desprovidos de sensibilidade neuronal e consciência. 

O que todavia ficaria sempre na dependência da redução da natalidade. Do contrário jamais haveria espaço para tanta plantação de cereais e árvores bem como para a conservação das florestas. Por mais que reflitamos topamos sempre com a necessidade de planejar a família e reduzir a natalidade, e isto sim deveria ser estimulado pela ONU, com a recusa de quaisquer programas de ajuda ou benefícios sociais aos países que fugissem a esta regra ditada pela necessidade.

Para que retomemos um ritmo saudável de vida, no qual cada família possa ter seu pomar, sua horta, seu quintal, seus bichos, bem como um pedaço de mata por perto é imperativo reduzir a população humana. Para que a população seja humana e viva humanamente terá de ser menor ou reduzir-se.

O que chamamos de progresso não passa de escatologia Cristã secularizada. Não nos levará ao paraíso na terra mas a destruição da terra, ao único e verdadeiro inferno que nos espera e aos mais acerbos sofrimentos numa planeta seco, sujo e sem água limpa. 

Caso seja isto que você deseja para seus filhos, netos e descendentes meus parabéns!

Sinta-se um arquiteto ou construtor do inferno.

Pois o sistema que você defende com unhas e dentes continua a estimular, através das religiões sem consciência, a propagação irresponsável da espécie, apenas para manter um exército de reserva e controlar o preço do trabalho. 

Aqui a ambição e o fanatismo associam-se para lançar mais uma pá de cal no cadáver fedorento da mãe terra...

Não. Eu nem me desespero, nem me sinto ou me assumo como um destes vermes. Pois tenho tomado por regra de vida as autênticas e fiéis lições do Evangelho, de  Sócrates, de Buda, de Confúcio, de Francisco de Assis e sobretudo deste novo Francisco de Assis que foi Scott Nearing. Pois decididamente não acredito na explotação infinita de um sistema finito, na mística furada de um progresso técnico incessante, em regras imanentes ao Mercado, em milagres ou na necessidade de uma catástrofe que facilite a segunda vinda de Jesus... O qual a meu ver impos-nos o dever de criar um mundo melhor e de lutar por isso com unhas e dentes. 

Sem compactuar com os erros do Comunismo e demais culturas de morte tampouco direi que está tudo bem ou que estamos em posse do melhor sistema social em termos de possibilidade. Não, não me conformo. Sou dos oponentes ou dos críticos os quais acreditam num tipo ideal, mais humano, mais racional e mais excelente. Sou dos que apostam em algo Ético, assim superior a ciência, a técnica e ao mercado... Em meio a tantos vermes rastejantes tento caminhar com Cristo e manter-me humano.