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sexta-feira, 17 de março de 2023

Psicologia, psicanálise, Freud e a questão da multiplicidade de existências - Reflexões sobre a obra de Hermínio C Miranda 'A memória e o tempo' Edicel 1984 - Parte V

 

A reencarnação, o espiritismo prático e o espiritismo doutrinal ou Kardecismo.


            Que pensar e dizer sobre a Reencarnação ou a pluralidade de existência.

             É algo que devemos analisar ou concluir por nós mesmos, uma vez que os espíritos de um e do outro lado da Mancha não estão de acordo - Sendo os espíritos anglo saxões pela negativa...

              Ademais, como declara o sr Hermínio C Miranda - A página 55 da obra em questão - que 'Há tantos neuróticos e psicóticos no mundo póstumo quanto neste de matéria densa.' - E mais adiante (p 56) refere aos traumas, complexos, bloqueios, etc dos desencarnados... Pelo que mesmo sem desejar mentir podem fantasiar ou imaginar, no caso 'vidas passadas' exatamente como nós ou nosso inconsciente. 

             Tornaremos, no capítulo subsequente, a examinar a ideia de uma 'Revelação' comunicada por espíritos desencarnados. 

              Quanto a fé - Cristã, Católica e Ortodoxa - discordamos por completo da opinião descabida segundo a qual a Reencarnação ou pluralidade de existências se choca com a Ressurreição dos mortos ou com o Resgate dos mortais.

               Afinal podemos admitir que todos os humanos ressuscitarão em seu derradeiro ou último corpo ou ainda que todos os humanos obterão um corpo. Outro o caso da Redenção simplista nos termos de um Agostinho, de Lutero ou dos protestantes, que é uma redenção confortável, fácil, amoral e anti Ética. Outro o caso da Redenção Católica ou Ortodoxa posta pelos padres da Igreja e inseparável da crença na reparação do mal.

                No entanto é necessário reconhecer que mesmo estando presente no Evangelho - Segundo as palavras de S Cirilo citadas pelo Pe Maldonado SJ nos Comentários a S Juan: "Os apóstolos lhe fizeram tal pergunta porque acreditavam na doutrina da transmigração." e esporadicamente (Como uma Hipótese) num ou noutro padre da Igreja > Como Agostinho, no prólogo das Confissões, a doutrina da pluralidade de existência não faz parte do que Cognominamos Revelação ou da auto comunicação divina dada por Jesus Cristo. 

                  Forçoso reconhecer que a Reencarnação não faz parte da essencialidade da fé ou da doutrina Cristã - Passando inclusive bem longe do restante do antigo testamento, como declara Jean Prieur no  'Mistério do eterno retorno', o qual, por obra e graça de um judaísmo mais tosco assume a unicidade da vida. 

                   E no entanto concordamos com o Dr R N Champlinn - É a opinião favorável a pluralidade de vidas - SEPARADA DA ÍNFAME DOUTRINA DO KARMA OU DA SAMSARA. (ESTA sim um absurdo monstruoso!) - excelente ferramenta teológica posta a serviço a Divina Revelação assente no Evangelho, tornando-a mais lúcida inclusive, se é que podemos dizer. Afinal por meio dela podemos admitir que todos os seres humanos que viveram nos incontáveis séculos anteriores a Encarnação do Verbo Jesus Cristo e a manifestação da Lei Evangélica, tem ora a chance de ter contato com essa Lei divina e de progredir nos domínios do espírito. Digo o mesmo das pequeninas crianças que morreram demasiado cedo, especialmente as não batizadas ou incorporadas a nosso abençoado Redentor. Posso ainda supor que outros tantos desejam voltar a este mundo sublunar para exercer missões e encaminhar seus irmãos a Jesus Cristo - E EM TODAS ESSAS SITUAÇÕES A PLURALIDADE DE EXISTÊNCIAS NÃO CORRESPONDERIA A UMA GRAÇA OU ACESSO A JESUS CRISTO...

                 No entanto, como disse acima, não pertencem a Reencarnação a fé ou a instrução divina.

                 Excluída qualquer tipo de certeza empírica ou revelada (Credal) só nos resta avaliar a hipótese da Reencarnação (Sempre desvinculada do Karma igualmente postulado pelos Hindus!) do ponto de vista meramente racional, tal e qual examinamos a existência de Deus e a sobrevivência da alma por ser assunto próximo, congênere ou co relato.

                  Que pensar sobre a reencarnação desvinculada de qualquer elemento religioso ou credal...

                  A mim me parece plausível que, admitido o valor da vida como experiência enriquecedora para o espírito, ter a vida ceifada aos dois, cinco, dez ou mesmo vinte anos - E portando na infância ou na juventude! - equivalha a uma desgraça ou infortúnio, inúmeras vezes causado por um acidente ou golpe de azar. 

                   Suponho portanto que em tais casos seja digno da sapiísssima Providência celestial permitir que essas almas vazias retornem a este nosso mundo e adquiram outros corpos com o intuíto de conviver com outros humanos, de obter novas experiências e por meio delas aprender ou adquirir conhecimento. 

                   Há em seguida o caso daqueles que por pura sorte ou azar recebem um corpo físico deficiente, o qual serve de obstáculo a experiência e ao aprendizado - Assim os que nasceram com paralisia cerebral e outros tipos de deficiência. Também me parece justo e digno que renasçam em posse de melhores corpos, de modo a completar seu aprendizado.

                    E há por fim aqueles que por causas de natureza diversa, como a escravidão ou o excesso de trabalho, extrema necessidade, avitaminose, o analfabetismo, etc não progridem no aprendizado, partindo quase como chegaram a este mundo ou ainda num grau assustador de ignorância/alienação. Também a esses me parece acertado que obtenham outras vidas.

                      De modo geral - E posso dize-lo como professor ou educador! -  uma única vida em condições médias ou normais já me parece insuficiente tendo em vista tudo quanto devamos aprender e conhecer. Parece-me portanto bastante plausível que haja pluralidade de vidas e que esta economia natural preceda a economia da graça ou da Redenção, devendo está inserir-se nela e dela servir-se, como já disse como uma graça. 

                        Não vejo portanto a pluralidade de vidas como os hindus, budistas e espíritas ou seja como uma punição pós pecado, e sim como uma ordem natural das coisas. Episodicamente pode e deve servir para reparar - Na comunhão e Lei de Jesus Cristo e sob o termo de 'Penitência. No entanto não parece ser essa sua função primária. Nascemos, morremos e renascemos, pelo menos a maior parte de nós, os medíocres para progredir em conhecimento e virtude. 

                         Portanto os mesmos raciocínios metafísicos ou especulações que me levam a afirmar a existência de uma Consciência Suprema, dum Ser imperecível, dum Espírito Eterno, de uma Lei Universal e de uma Alma do Mundo, bem como da sobrevivência da alma humana após a dissolução do corpo físico, os mesmos e exatos raciocínios me levam a postular a pluralidade de existências. Não a fé Cristã ou a divina revelação e menos ainda a comunicação de espíritos humanos, mas repito, a pura e simples reflexão.

                          Então qual o problema dos espíritas doutrinários ou kardecistas, assim do sr Hermínio C de Miranda... Onde é que nos separamos e por que nos separamos...

                          Nos separamos pontuadamente quanto a memórias de tais vidas na vida presente ou quanto a recordação ou ainda memórias das vidas passadas, mormente quando obtidas artificialmente por meio de Hipnose ou regressão. Pois consideramos tudo isso uma bizarrice monstruosa.

                          Tornamos já a essa temática tão cara $$$ a indústria de romances espiríticos Gasparetto S/A...

                           De nossa parte embora admitamos que, muito provavelmente, a maior parte dos humanos corresponda mais de uma existência, julgamos que quando assumimos uma nova vida a memória ou lembrança das vidas anteriores seja bloqueada por disposição divina tornando-se, via de regra, inacessível - Ao menos a tentativas artificiais no sentido de recobra-las. 

                           Qual o objetivo desse bloqueio... Acaso seria ele arbitrário ou caprichoso... De modo algum. Nós acreditamos que as memórias das ações realizadas numa existência anterior fiquem bloqueadas para evitar situações ou melhor confusões semelhantes aos casos de múltipla personalidade (Tal o caso Sybil). 

                            Naturalmente que tais almas que passaram por outras existências podem portar e portanto trazer para uma nova existência traumas, complexos, hábitos, tendências, etc mas não a memória de ações particulares. 

                             No entanto é perfeitamente compreensível e admissível que entre uma existência e outra, estando isentas de corpo ou desencarnadas, recobrem as memórias de cada existência porque passaram. 

                             Manifesto o engodo de todas essas ridículas tentativas de recuperar tais memórias por meio do que chamam regressão. Isto porque como tem sido cabalmente demonstrado pelos psicólogos é próprio do inconsciente fantasiar, de modo a satisfazer seus desejos. Portanto, caso acalente alguma crença - Como a reencarnação. - tentará o inconsciente dramatizar em torno dela com o intento de justifica-la. 

                               Bom salientar que Freud abandonou a Hipnose justamente por isso, pelo fato do inconsciente fantasiar com demasiada facilidade. Muito antes de Freud, ao tempo de Charcot e da Salpetrière, os críticos de Nancy já o haviam observado, declarando que frequentemente o próprio hipnotizador, Charcot, introduzia a histeria nas pacientes elaborando um enredo a que elas davam seguimento. 

                                Há inclusive diversas produções cinematográficas que apresentam o inconsciente fantasiando ou assumindo o papel de diabos, espíritos, deuses, etc até que se descobre que era tudo humano e demasiado humano, fruto da fantasia. 

                                 Eis porque na maioria quase que absoluta dessas regressões e relatos, raramente alguém foi pobre, obscuro ou feio na vida anterior e quase todos foram princesas, príncipes, reis, nobres, milionários, artistas, atores, enfim; gente bem sucedida e feliz. Tudo Césares, Cleópatras, Teodoras, Carlos V, Maria Antonieta, Carmem Miranda, Edith Piaf... Poucos os mendigos, pedintes, escravos... Pois todo esse enredo é forjado pelo ego tendo em vista a satisfação dos desejos ou a criação de uma vida dos sonhos...

                                  Caso houvesse em tais regressões alguma evidência de prova seria antes de tudo o aflorar de tais memórias numa pessoa que jamais ouviu falar em pluralidade de vidas, num ateu, num materialista ou num fanático religioso totalmente cético quanto a reencarnação. Jamais passou por minhas mãos sequer um relato desse tipo... Inútil mencionar protestantes, romanos, ortodoxos, judeus, etc em tese alheios ou infensos a reencarnação, pois bem podem no fundo simpatizar com ela ou mesmo acreditar, ainda que ocultamente... mencionar espiritas, esotéricos ou ocultistas então é pura deslealdade, afinal por que apenas os que admitem a reencarnação teriam memórias de outras vidas.

                                     O segundo tipo de evidência diz respeito as provas materiais e objetivas - Semelhantes as que os Historiadores e Arqueólogos manejam ao reconstituírem o passado. - que porventura confirmassem um desses relatos de regressão. 

                                     Explico - Quanto as viagens astrais ou melhor dizendo, quanto a pan cognição, temos na literatura metapsiquica ou parapsicológica, relatos controlados e circunstanciais (Provenientes de psicólogos como Freud e Jung dentre outros.) de pessoas que declaram ter abandonado seus corpos, ido durante o sono a lugares distantes e descrito tais locais, como o quarto de uma estalagem. Seria apenas mais um relato qualquer, provavelmente fantasioso, caso o autor da pesquisa não se tivesse dado ao trabalho de contatar as pessoas que estavam naquele local no mesmo momento e constatar que a descrição feita pelo sensitivo correspondia a cena até os mínimos detalhes: Disposição do ambiente, móveis, objetos, pessoas, animais e mesmo as cores das roupas... Isso a ponto de eliminar, estatisticamente, qualquer alegação em torno de coincidências.

                                       Até onde me é dado saber relato algum de vidas passadas obtido por regressão descobriu qualquer coisa de inédita em termos de conhecimento histórico que mais tarde tenha sido confirmado. Tampouco dilucidou qualquer mistério ou enigma importante... E nem sequer uma tumba perdida, como a de Alexandre ou a de Cleópatra foi descoberta graças ao relato de algum Alexandre ou de alguma Cleópatra regredidos...

                                        Repito, nos registros sobre pesquisas psíquicas que envolvem espíritos, fantasmas, assombrações, profecias ou paranormais, por vezes topamos com tais indicações ou evidências concretas que certificam-lhes a veracidade. - Pois contra fatos não há argumentos. Já nos inúmeros relatos sobre regressão não encontramos tais dados ou evidências materiais e tudo não passa de uma narrativa, mesmo quando isenta de contradição, o que por sinal nada prova uma vez que o Inconsciente é esperto.

                                        Quanto ao caso Bridey Murphy, obstinadamente citado pelos espíritas, após termos lido diversos livros e artigos sobre ele, podemos asseverar que há diversas incongruências histórias - Para além disso damos a público o seguinte fragmento:

"
Em Chicago o Rev. Wally White, pastor de um templo que Virgínia Tighe outrora frequentava, aplicou-se à análise cuidadosa das circunstâncias da juventude dessa paciente, conseguindo finalmente atingir as fontes de suas «revelações»…

Verificou, sim, que Virgínia, por muito tempo a partir dos seus sete anos de idade, habitara em Chicago, do outro lado da mesma rua em que residia uma senhora irlandesa denominada Bridie (não Bridey) Murphy Corkell; a jovem frequentava assiduamente a casa dessa pessoa, que oferecia ambiente tipicamente irlandês, onde Virgínia dançava a «jiga» e declamava poesias regionais da Irlanda, reproduzindo até mesmo a pronúncia e as expressões linguísticas dos habitantes desse país; Virgínia aos poucos tornou-se mais e mais interessada por quanto via e ouvia nesse meio irlandês, já que entrou em namoro com o filho de Bridie Murphy Corkell, chamado João (Sean, em irlandês regional); no seu pretenso enredo de encarnação anterior, «Bridey Murphy» chegava a dizer que se casara com Sean MacCarthy! … Ficou outrossim averiguado que aos sete anos de idade Virgínia raspara realmente a pintura de sua cama, e em consequência fora severamente punida (o que lhe causara, por certo, profunda impressão). Os peritos reconheceram igualmente que muitos nomes de pessoas e lugares da Irlanda, assim como certos episódios da vida na Irlanda descritos por Bridey Murphy no seu enredo, haviam sido manifestados a Virgínia pelo contato assíduo que a jovem tinha com a colônia irlandesa frequentadora da casa de Bridie Murphy Corkell. Assim puderam os estudiosos chegar à conclusão de que os pormenores, por vezes tão vivos e realistas, da «pre-vida» de Virgínia Tighe nada mais eram do que noções adquiridas pela paciente no decorrer mesmo da vida atual, tornando-se então inútil e arbitrária a explicação reencarnacionista."

                              Em suma tudo quanto temos aqui é uma elaboração fantasiosa do Inconsciente servindo-se da memória. O que explica os ligeiros equívocos - Tudo muito humano e demasiado humano. 

                               Como ignoro qualquer narrativa de regressão da qual não façam parte ao menos alguns equívocos em matéria de História, Geografia, etc não vou entrar aqui no mérito da questão que planteia a possibilidade de uma narrativa sem equívocos ser produzida pelo inconsciente com base em dados obtidos por meio de capacidades paranormais como a precognição. No entanto caso a pessoa em questão fosse comprovadamente paranormal e partidária da pluralidade de existência temo que a demonstração ficaria comprometida.

                                Resta-nos dizer algo sobre as alegadas memórias de vidas passadas que afloram espontaneamente durante o sono ou nos sonhos. Quanto a estas quero ser tanto mais comedido, mesmo quando sei que o mundo onírico é domínio da vida inconsciente. E no entanto há sonhos que envolvem clarividência rigorosamente comprovados. Diante disso surge a questão: Poderiam os sonhos funcionar como janelas e desbloquear tais memórias... Caso assim fosse deveríamos exigir as mesmas evidências que exigimos quanto as pretensas regressões. São neste caso os sonhos que envolvem supostas cenas do passado mais felizes... Definitivamente não! Pois não tenho que qualquer ponto ou vírgula tenha sido adicionado ao conhecimento histórico por meio de sonhos recordatórios - Ainda aqui nenhum mistério ou enigma resolvido, apenas puerilidades VAGAS E GENÉRICAS.

                                  Por isso digo aos teimosos e obstinados que insistem na tese da recordação: Ofereçam-nos um material menos genérico ou vago, um material tanto mais concreto, sólido e consistente, como a descoberta de um templo, de uma tumba ou de alguma ruína. Caso me ofereçam algo assim tornarei a examinar o assunto com a devida atenção e carinho. Por hora todavia devo dizer que mesmo admitindo a multiplicidade de existências nego que, por quaisquer vias, tenhamos acesso as lembranças relativas a tais existências. 

                                   Por isso, recorrendo como Freud a Mitologia grega, digo que os que renascem são como tivessem bebido as águas do Léthes no reino de Hades. 


                              

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Notulas sobre o pensamento moderno

- Gostando ou não é o pensamento moderno é, ao menos em parte, filho da Teologia Escolástica ou uma secularização daquela Teologia. Como é igualmente filho da cultura bizantina, representada por Gemistos Phleton e demais emigrados. E filho em parte de um Renascimento literário autóctone. Claro que estas correntes nem sempre estiveram em sintonia.

- A meu ver o primeiro pensador moderno ou filósofo propriamente dito foi Pietro Pomponazzi, já por ter iniciado a crítica das fontes aristotélicas, buscando separar o elemento medieval do elemento original, já por ter examinado a questão da imortalidade da alma de um ponto de vista puramente natural e separado da fé religiosa. Situaria Telesio em segundo lugar pelo simples fato de Erasmo ter sido mais um literato e teólogo do que um filósofo propriamente dito. Ao tempo de Pomponazzi ou mesmo Telesio a reflexão Filosófica ainda não fizera sua aparição na França, que dizer então sobre a Inglaterra ou a Alemanha?

- Mesmo Maquiavel e Morus estão mais relacionados com a ciência política e a organização social do que com o exercício metafísico ou a abordagem propriamente Filosófica.

- Sobre Bacon se diz ter escrito sobre ciência sem ter feito ciência. Em geral os Filósofos da Ciência ou da Natureza não são cientistas, como os críticos não são literatos. Nem Descartes foge a esta regra. Isto coloca Da Vinci, Vesalius, Galileu, Harvey e Kepler a frente dele, mas não anula seus méritos ou os de Descartes. Dilthey, Kuhn e Medawar foram geniais, mas não se equiparam a um Darwin ou a um Einstein.

- Nem Spinoza nem Descartes foram Luteros ou mesmo Copérnicos da Filosofia, posto que não a demitiram até os alicerces ou buscaram reforma-la por completo. Descartes limitou -se a indicar os caminhos a serem seguidos pela Filosofia natural, proclamando em alto e bom som que eram distintos da Metafísica tradicional. Concedeu espaço a pesquisa científica moderna com seu método próprio, porém jamais repudiou formalmente a Metafísica. Spinoza e Descartes jamais negaram a importância da Metafísica ou disseram que não se deveria fazer Metafísica, o que aliás demonstra a genialidade de ambos.

- Montaigne, como Pirro após a fragmentação do Império de Alexandre e Agostinho após a queda do Império Romano, foi filho de sua época, época em que a França e o resto da Europa eram convulcionadas pela reforma protestante é as guerras religiosas. Daí seu desencanto face a razão e seu ceticismo, aliás incompleto ou fideista e tributário de Agostinho. Ceticismo e ideário dos tempos de crise, em que os homens deixam de confiar em si mesmos ou de acreditar em suas possibilidades. Daí sua ascensão em tempos de pós guerras e guerra fria, assim de colapso ecológico. O fim ou desagregação dos grandes impérios foi substituído pela reforma protestante e pelo capitalismo enquanto desafios a nossa racionalidade.

Pirro, Agostinho, Al Gasali e Montaigne eram ambos conservadores e quase certamente vim nos ideais éticos alimentados pela racionalidade ou pelo racionalismo socrático/platônico os elementos responsáveis pela fragmentação e conflitos sociais que tanto aborrecia-os. Eis porque conformavam se com a realidade dada, abdicando dos ideais, fossem quais fossem, em benefício da estabilidade politico/social. Preferiam o paradigma da Paz injusta ao da Justiça 'caótica'. Jean Bodin pensava exatamente assim...

- Leibnitz foi quem impulsionou remotamente o idealismo alemão pelo simples fato de especular desbragadamente, e fazer com que Kant enjoasse e vomitasse no século seguinte.

- Para muitos Locke remontaria a uma tradição empirista própria da Inglaterra, a qual remontaria aos tempos de Roger Bacon, Buridan, Bradwardin, etc Ele retomou a lição da 'tábua rasa' formulada por Aristóteles, não a inventou mas, contestou o inatismo dominante. NÃO nos esqueçamos que o inatismo de Chomsky é puramente estrutural e não formal. O empirismo se bem entendido diz respeito apenas as informações arquivadas na memória ou ao conteúdo, não as operações ou relações mentais.

- Hume aderiu com atraso a um pirronismo já assumido por La Mothe Vayer, Bayle e outros modernos (cf Luciene Febvre "A origem da incredulidade no décimo sétimo século") mas celebrizou se por atacar o paradigma da causalidade, já posto em dúvida por Arcesilas ou em todo caso pela terceira academia três séculos antes desta Era ( cf V Brochard 'Os céticos gregos'). Repetiu quase tudo quanto os céticos gregos haviam dito quiçá ignorando a réplica elaborada por Antioco de Ascalon. Foi em que disse desejar lançar ao fogo todas as obras obras Teológicas da Idade Media, por odio a Filosofia escolástica, acho isto bem pouco filosófico...

- Th Reid foi uma grande luz em meio as trevas modernas e contemporâneas.

- Os franceses do século XVIII criaram uma metafísica materialista mecanicista de fundo empirista que se antecipou ao positivismo. Essa construção, que muito influenciou o jovem Marx, é bastante discutível. Quiçá tentando demonstra-la La Mettrie morreu literalmente empanturrado ou de indigestão. De modo geral os iluministas, como Diderot, Voltaire, Rousseau, etc eram deistas e aborreciam o ateísmo. De Holbach, Helvetius e o citado La Mettrie no entanto parecem ter sido ateus declarados. Deste meio saiu Condorcet, o qual secularizando a escatologia Cristã concebeu um progresso infinito e um Paraíso terrestre viabilizados pelo conhecimento científico. Não podemos substimar este deslocamento enquanto ideologia.






quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Notulas sobre o pensamento medieval

- Após as invasões germano/árabes, as simples escolas e instituições educativas clássicas desapareceram. Que dizer então de uma Filosofia agonizante? Doravante a reflexão Filosófica será posta a serviço da Teologia Católica ou Ortodoxa, enquanto tentativa de se compreender racionalmente os elementos da fé Cristã. Enquanto atividade autônoma, iniciada mil anos antes pelos gregos a Filosofia chega ao fim.

- Julgo jamais ter existido uma Filosofia escolástica. No entanto diversos problemas de ordem filosófica foram postos e examinados no contesto da Teologia escolástica, sem que a profundidade da reflexão ficasse comprometida.

- O primeiro teólogo Cristão a servir se largamente da Filosofia clássica foi S Clemente de Alexandria, a quem devemos a transcrição de cerca de trezentos fragmentos clássicos, doutro modo perdidos. Seu exemplo foi seguido por Orígenes, famoso escolarca alexandrino, por Eusébio de Cesárea e outros, até S João Damasceno, primeiro expositor a fazer uso de Aristóteles e guia, por assim dizer de Tomás de Aquino.

- Parte dos cristãos ocidentais ou latinos, mais afeitos a gramática ou a arte retórica bem como as instituições do direito romano, chegou a nutrir sérios preconceitos contra o manejo da Filosofia pelos crentes, do que temis exemplo no 'anti teológico' Tertuliano.

- A principio Agostinho assimilou o pensamento Oriental, chegando a compor uma obra contra os académicos, há muito comprometidos com o ceticismo. Posteriormente no entanto, toda sua concepção de mundo é sua teologia foram afetadas pela queda do Império Romano ou pela Invasão de Roma por Alarico. Desde então assumiu ele uma posição maniqueísta, deturpando o conceito de pecado ancestral, negando o livre arbítrio, afirmando a predestinação e construindo um sistema próprio chamado agostinianismo ou grafismo o qual serviu de base ao luteranismo e ao protestantismo de modo geral. Tal sistema é pessimista da antropologia a epistemologia, havendo alguma evidência disto ja nas Confissões. Com efeito está a Agostinho nas bases de - Al Achari, Al Gasali, Ockhan, Lutero, Montaigne, Jansenio, Pascal, dos 'tradicionalistas', de grande parte dos neo conservadores e de outros tantos irracionalistas.

- Devemos ao Cristianismo histórico, Católico, Ortodoxo, tradicional ou episcopal, em termos de literatura a conservação de parte significativa da produção clássica compilada pelos monges da Assíria a Irlanda. Em termos de Ética a retomada ou conservação do ideário humanista/reformista proposto por Sócrates e Platão, o que foi constatado tanto por um Nietzsche quanto por um Werner Jaeger. Em termos de gnoseologia realista um certo apego  velha tradição aristotélica bem como a metafísica grega tradicional. É o quanto nos liga ao mundo antigo, enquanto elemento de continuidade. Neste sentido a Igreja histórica ou antiga é como que um cordão umbilical que ainda nos liga a Cultura clássica.

- O falacioso conceito agostiniano de pecado original, com toda sua carga de pessimismo, remete nos a queda ou a morte do Homem grego romano enquanto ideal/padrão posto pela cultura, assim ao trauma ou impacto produzido por esta queda. A falência dos projetos Socrático e Aristotélica, ao cabo de quase mil anos, não podiam deixar de repercutir no ideário dos Cristãos iletrados do Ocidente produzindo um paradigma negativo.

- Não poderia nem pode o islã produzir qualquer contribuição ao pensamento Filosófico. No entanto, a princípio - Tal e qual os judeus a partir de Aristóbulo e Filon - Continuados no decorrer da Idade Média por Avicebrom e Maimonida - e os já citados padres Cristãos - não podiam os muçulmanos, instalados na orla do Mediterrâneo ou nos domínios do Império Persa, permanecer impermeáveis ao patrimônio cultural clássico. Ali instalados quase que de pronto foi o pensamento Filosófico introduzido por convertidos Cristãos (Ou mesmo por clérigos Assírios, Siríacos, Coptas e Bizantinos) ou Zoroastrianos resultando em duas vertentes rivais: A Mutakallim ou Alh al Kalãm e a Mutazila. A primeira, representada por Al Isfaraini 'Ostad' fazia uso da Filosofia com o objetivo de compreender ou justificar o sentido tradicional dos elementos da fé. A segunda, representada por Ibn Ubayd e pelo próprio Averróis (Ibn Rodh), adotou um posicionamento mais crítico, buscando soluções de compromisso bastante ousadas.

Ao cabo de três séculos foi a Mutazila condenada pelos líderes religiosos e teólogos ortodoxos do islã como uma contaminação ou poluição grega e classificada como heresia. Por fim no século XI, Al Achari e Gazali, usando de material grego fornecido pelo ceticismo ou pelo agostinianismo - E antecipando Ockhan, Lutero e Kant - atacaram já a percepção, já a razão em benefício da fé cega, assim dos livros e profetas. O que se seguiu após eles foi uma inquisição feroz... O remanescente dos Mutazilas refugiou-se em Al Andaluz junto aos últimos Umayas, onde em pouco tempo veio a extinguir-se cedendo espaço a estreita ortodoxia sunita. E como diz Reilly o pensamento racional e livre jamais tornou a renascer no seio do Islã, prova de que era de fato um elemento exógeno, em oposição a cultura árabe ou semita. Possivelmente Averróis foi o único Filósofo situado no contesto islâmico.

- A Teologia escolástica de modo geral não sufocou o exercício Filosófico, antes estimulou o mesmo quando o fazia convergir para outro fim e o subordinada à outra área do saber. Penso na Escolástica como um período de gestação ou ventre, em que foi gestada a Filofosia moderna, novamente senhora de si.  O próprio Descartes não foi capaz de romper por completo com esta tradição, embora como Filósofo da Natureza ou epistemologo científico buscasse já por um.novo critério ou padrão.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Reconsiderando o 'conceito tradicional' de deidade II

Fenômeno imensamente curioso este - Os Catolicismos ou a Ortodoxia Cristã produziu uma teologia sistemática coerente e consistente partindo da Encarnação do Verbo, mas jamais arvorou criar uma teodicea 'Cristã' em sintonia com o mistério central de nossa fé, permanecendo sempre atrelado a uma teodicea judaica ou melhor rabínica, muito próxima da teodicea - se assim podemos dizer - islâmica (claro que me refiro a extinta Mutazzila) e impermeável ao sentido da imanência.

E no entanto a concepção Cristã ou Católica de Deus é algo totalmente distinta da concepção semítica, pois aqui a transcendência esta drasticamente apartada do mundo material dos fenômenos e ali em comunhão com ele ou inserida. O deus judaico/muçulmano é ente descarnado, imaterial, puramente espiritual, simples, invisível e separado do mundo que produziu. O Deus Cristão se fez homem de carne e osso ou Emanuel, entrou no mundo material, assumiu-o e incorporou-o.

Eis duas ideias ou concepções diametralmente distintas - ali um deus separado de sua criação e aqui um Deus presente em sua criação. Diante disto a pergunta que se faz é: Por que a teodicea não acompanhou a teologia Cristã fazendo o mesmo percurso? Por que permaneceu a teologia Cristã acoplada a um teodicea não Cristã ou judaica? Afinal será que os Cristãos não tem o direito de rever 'sua' teodicea a luz da Teologia da Encarnação, produzindo uma teodicea Cristã? Por que esta parcela do vinho Novo deve permanecer enfiada nos odres velhos do rabinismo?

Por que ainda não estouramos os odres velhos do rabinismo para dar larga expansão ao vinho novo do Evangelho comunicado pelos céus?

Se um dia a teologia acompanhar a teodicea acabaremos nos braços do unitarismo como parte das seitas protestantes/judaizantes. O outro caminho a ser feito é no sentido da teologia do processo ou do panenteismo.

Lamentavelmente parte dos Católicos tem sido impedida de chegar a estes termos por três palavrinhas contidas no Santo Evangelho e muito pessimamente compreendidas -

Pneuma O Theos
Espírito é Deus
Deus é espírito Jo 4,24

Diante desta passagem da Inspiração, não poucos tem lido:

"Deus é PURO espírito ou espírito PURO." querendo dizer que é apenas espírito e que nada contém de material. O que nos levaria a transcendência absoluta.

De fato a igreja em diversas publicações, inclusive em catecismos, bem como os kardecistas e os protestantes, tem descrito Deus como 'Espírito puríssimo'

Atentemos porém que este Jesus, que sempre exprimiu-se tão bem e tão claramente não diz  que Deus é 'apenas' ou 'somente' espírito. Do contrário teria dito com a igreja: É Deus puríssimo espírito. Poderia te-lo dito, mas... Não o disse?

Teria sido pois a igreja mais exata e mais prudente do que seu divino fundador e Nosso Mestre Jesus Cristo? Aqui, por mais que amemos a Santa Igreja, temos de responder que não, afinal não poderia ela ser superior a seu fundador e arquiteto que lançou-lhe os fundamentos.

Destarte, se não definiu a Deidade como espírito puro é porque sabia que este universo e a matéria estão presentes nesse espírito como meios dispostos a ação ou que a dimensão da materialidade coexiste eternamente com Deus sem ser Deus ou confundir-se com ele. Com Tertuliano, Orígenes, Lactâncio e Arnóbio podemos nos referir impropriamente a este meio ou aspecto da divindade como a um corpo. A expressão no entanto é inexata e simbólica porquanto é a deidade incorpórea, embora haja nela um elemento material, com o qual se relaciona e vivifica. Do contrário teria dito com Zenão de Citium 'Nous O Theos' i é 'Deus é a mente' St Epifânio 'Adv Haeres' 3.2.9 - 1.146 tendo por implícita sua corporalidade.

Atribuir outro sentido a este texto é transformar o divino Mestre em neo platônico. Você sempre poderá definir o rio, o mar ou os oceanos como água - O Mar é água ou é líquido, sem com isso negar os peixes, as algas e muito menos o sal, pois prevalece a água. O deserto sempre poderá ser definido como uma extensão de areia, sem que excluamos espinheiros, cipós e insetos e mesmo lagartos. Uma porta de madeira compõe-se de pregos e não poucas vezes de um visor feito com vidros. Uma roupa de tecido contém botões e um sapato de couro cadarços de pano.

Muito mais significativo para nós é o que Jesus podendo ter dito não disse:  "Deus é PURO espírito' querendo significar que é espírito incorpóreo, mas não 'puro' como querem os neo platônicos e transcendentalistas.

A própria igreja Ortodoxa presume um sentido pré existente e eterno na Encarnação do Senhor, o qual não se restringe a sua vontade ou a seus planos, o que nos remete as relações Espírito matéria enquanto sombra ou ensaio desta Encarnação ulterior sucedida no tempo e no espaço.

sábado, 6 de maio de 2017

Da correta doutrina de Deus, a necessidade e a liberdade

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Ao nobre amigo S C 'Ab imo pectis'

"Nem os homens, nem os anjos são livre, apenas Deus é livre." tais as palavras escritas pelo 'deformador' protestante M Lutero há quase quinhentos anos. Quiçá uma das frases mais idiotas que tive a oportunidade de ler durante toda vida.

Deus não pode ser livre. Nada mais absurdo e ridículo do que a ideia de um Deus livre.

E no entanto para Agostinho, Maomé, Lutero, Calvino e muitos outros até hoje, Deus fica sendo livre. Pois sua onipotência implica a possibilidade de fazer o mal, prevaricar e pecar; embora o Prologo de S João seja absolutamente claro:

"Deus é luz e nele não há treva alguma."

Não há nem pode haver e por isso foi referido a respeito de sua natureza humana e livre:

"Em tudo semelhante a nós, menos no pecado."

Nem se compreende, nessa teologia rudo, grosseira e imbecil, que possa Deus ser princípio do mal e do pecado e sua natureza humana deva se abster de pecar. Caso Deus tenha liberdade para fazer o mal, Jesus bem poderia ter pecado.

E no entanto, como vimos, nega a Escritura canônica que o Mestre amado tenha pecado, e por que? Porque parte doutro princípio, a doutrina da santidade, segundo a qual - Em que pese a Onipotência divina - é impossível que Deus peque.

De fato a piedade nos obriga a crer que é impossível que Deus faça o mal e ao mesmo tempo que é onipotente. Algum mistério insolúvel e ocioso aqui? Alguma paralogia irracionalista ou contradição de termos?

De modo algum...

Mas como?

A questão até pode ser mais simples do que parece.

Judeus, pagãos, agostinianos, maometanos, luteranos, germânicos, calvinistas e outros tendem a encarar a divindade como um Poder ou reduzir Deus a uma força cega. Mutilam a Natureza e precipitam-se no abismo de um reducionismo irrefletido. Nós sem desconsiderar a força ou poder da divindade consideramos as qualidades ou capacidades divinas em seu conjunto e hierarquicamente. E portanto consideramos sua bondade, amabilidade, generosidade, inteligência, perfeição, etc

Não é Deus mero poder ou poder cego como creem os povos bárbaros ou primitivos. É acima de tudo e antes de tudo uma mente, uma consciência ou um Logos racional. Uma mente ou consciência que comanda e administra um poder.

Resulta disto ser a divindade um 'ser' coerente e não polimorfo, tenso, dividido, conflituoso, confuso, contraditório, mutável, sujeito a variação...

"É assim Deus imutável e sem sombra de variação." segundo a pena apostólica.

Nada arbitrário ou caprichoso...

Um deus mutável não pode existir.

Ressalta de tudo isto que é Deus regra imutável e inflexível de vontade para si mesmo. A coerência é Lei interna, eterna e divina presente na Natureza.

É bom insistir nisto porque 'cristãos' houveram que atreveram-se a poluir a divindade atribuindo-lhe dupla vontade, uma manifesta e outra oculta, como há aqueles que atribuiram vontades contraditórias as pessoas da Santa Trindade, plasmando três deuses e tornando-se politeístas ou triteístas. Assim aqueles cegos que sustenta ter deus matado deus para aplacar deus...

E no entanto a vontade da Santa e Divina Trindade é Una e comum, como coerente e imutavelmente fixa no Bem.

Não falta a divindade força e poder para fazer o mal ou para pecar.

De modo que teoricamente deus até pode fazer o mal...

O problema aqui esta situado no plano da volitividade: É Deus livre? Pode Deus querer o mal?

Aqui nossa resposta é negativa.

Deus, sendo imutável e sem sombra de variação, absolutamente perfeito e lei de si mesmo não pode oscilar e querer o mal. Não pode Deus querer ou desejar pecar. Em seu íntimo o Deus Bom e Santo ODEIA ou mal e o pecado e não pode fazer aquilo que odeia.

Então por que o mal existe?

Por que Deus permitiu o surgimento o manifestação do mal?

Por que esse Deus santo não impediu a manifestação do mal?

Por que o Deus Bom não aniquilou ou exterminou o mal?

Estas perguntas não são novas e já foram feitas pelo sábio pagão Epicuro.

Não elimina o mal do mundo porque o mal no mundo é obstáculo provisório e não definitivo ou perpétuo posto por si com determinado objetivo. Já o veremos.

Assim o que constitui a perfeição na Santa Divindade, que é não ser livre, já não constitui a perfeição nos seres criados.

A perfeição nos seres criados procede justamente da indeterminação, da oscilação, da mutabilidade, da variação ou do livre arbítrio. Ser perfeito enquanto ser criado e contingente implica ser livre.

Foi a natureza criada concebida como passagem livre e meritória da imperfeição para a perfeição. Foi criada imperfeita para tornar-se perfeita.

Agora como se torna perfeita?

Deve, pelo uso da racionalidade, o ser livre, passar voluntariamente do mal ao bem ou do vício a virtude. Deve repudiar livre e conscientemente o pecado e abraçar a lei eterna e imutável do amor.

Perceba portanto, caro leitor, que a existência PROVISÓRIA, do mal e do pecado existem em função do mérito. Só o ato ou opção livre é meritório.

Logo qual o motivo porque existe o mal no mundo?

Imaginemos uma corrida de obstáculos. Os obstáculos tendem a tornar a corrida mais difícil e aquilatar a competência dos atletas. E por isto são postos na pista enquanto dura a corrida. Encerrada a corrida e iniciada a premiação são os obstáculos removidos e não ficam postos na pista ou na rua para sempre. São elementos provisórios, pois sua função se esgota com a corrida.

Assim a presença do mal no mundo é provisória tendo em vista a educação do ser racional e a obtenção do mérito. Não se trata de evento cósmico ou eterno que a divindade deva suportar para sempre ou que não se vá extinguir. A luz da fé Cristã, Católica e Ortodoxa - na perspectiva do Evangelho e do grande Expositor alexandrino - estamos plenamente convencidos de que o mal haverá de extinguir-se por completo quando todas as criaturas racionais compuserem-se livremente com a vontade divina que é a lei, norma e regra do bem, do amor, da justiça, da verdade e da beleza. Quando todos forem atraídos a cruz e reconciliados com Cristo e pelo Cristo o mal - Enquanto puro se simples desvio da vontade ou fenômeno Ético - cessará de existir. É a está extinção ou aniquilação do mal e do pecado que parte do exemplo oferecido por Cristo Jesus, que cognominamos redenção, embora possamos chama-la de evolução ou educação.

Implica saber que na economia Cristã o mal cessará de existir pois: "Todas as coisas ficam reconciliadas por ele e sua cruz." Todas as coisas, não algumas ou parte delas. Mesmo porque a vontade de Deus consiste em que "Todos os homens sejam salvos e passem a luz da verdade." todos, não alguns, poucos ou uma parcela. Deus não lida com parcelar ou individualidades e por isso seu plano ou projeto consiste na redenção da espécie ou gênero humano, sem acepção de pessoas, pois é impossível que Deus, amando a todos aqueles que criou, faça acepção de pessoas. Sendo Pai perfeito ama igualmente todos os filhos...

Portanto não é Deus livre para fazer as coisas totalmente diferentes?

Ser livre implica decidir entre o bem e o mal.

Ora Deus é o Sumo Bem... Como pode ser livre?

Ser livre implica escolher entre o perfeito e o imperfeito (Em sentido absoluto). Como pode aquele que é perfeito amar a imperfeição e escolhe-la?

Ser livre consiste em optar entre superior e inferior. Mas como pode Deus desejar agir com inferioridade?

Bem se vê que todas as hipóteses acima sejam monstruosamente aberrantes e que só se sustentem a partir da perspectiva irracionalista. Ficando nossa esperança louca e totalmente desamparada pela razão.

A piedade nos obriga a proclamar que Deus, por sua condição ou natureza, é obrigado ou constrangido a fazer sempre o melhor e a optar sempre e NECESSARIAMENTE pelo mais perfeito. Pelo simples fato de ser absolutamente perfeito e inteligência infinita.

Pode de fato estabelecer algumas situações de imperfeição nos seres criados. Desde que estejam postas para aquisição da perfeição, numa perspectiva evolutiva, de aprimoramento paulatino. Não estabelecer situações definitivas e insuperáveis de imperfeição, sem com isso tornar-se contraditório, confuso, problemático, etc Aquilo que é perfeito, perfeitamente deve agir.

Ora esta ideia suscita algumas reflexões no mínimo interessantes que buscarei expor com máxima brevidade:

  • A produção de criaturas ou o processo Criador não é livre mas absolutamente necessário. Corresponde a uma necessidade que deriva da própria Natureza divina. Não poderia Deus ser Amor ou Bondade infinitas caso não aspirasse partilhar sua felicidade infinita com uma multidão de seres criados. Nem poderia ser benevolente, generoso, filantropo, magnânimo, etc sem faze-lo. Sendo 'amor' foi Deus levado a partir e a repartir-se por meio da criação. A conceber seres capazes de comportarem o dom da bem aventurança ou de serem sumamente afortunados. Foi eternamente constrangido por seu amor a criar. Por isso o ato criador ou processo evolutivo é continuo e eterno, e disto resulta necessariamente um enobrecimento do próprio Deus. O qual concebeu processo tão complexo e viabilizou com competência absoluta.
  • O ato de ENCARNAÇÃO é absolutamente necessário, Deus não poderia ter deixado de fazer-se homem entre os homens encarnado-se neste planeta. Admitindo a manifestação livre do mal e do pecado neste mundo, sabida desde toda eternidade por Deus; temos de admitir a necessidade da Encarnação como melhor modo ou maneira (A mais perfeita e portanto a única digna de Deus) para recuperar ou reeducar este mundo e dispo-lo a retomada de sua evolução. Nem poderia Deus existir e ser concebido - Num mundo como o nosso - sem que sua manifestação na carne fosse absolutamente necessária, pelo simples fato de manifestar sua solidariedade e enquanto tentativa (Feliz e bem sucedida) de conquistar este homem para si.
  • O momento da Encarnação não foi escolhido aleatoriamente, mas determinado e rigorosamente determinado desde todas eternidade tendo em vista uma conjuntura espacial e temporal ou geográfica e histórica singular. Deus só poderia ter se encarnado na Judeia ao tempo de Augusto César de modo que seu desígnio neste mundo fosse perfeitamente realizado. Entrando sua manifestação e sua Igreja no curso da História não de modo improvisado mas calculado. Disto resulta ter Deus escolhido o cenário da cultura judaica daquele tempo pelo simples fato de desejar ser julgado, torturado e morto como foi. Esta condição não decorreu da maldade dos antigos judeus nem implica qualquer tipo de desonra para os atuais judeus, mas da cultura. Este choque entre visões e concepções culturais distintas ou entre as massas fanáticas enfurecidas e o genial revolucionário divino era absolutamente necessário para que ele perecesse nas circunstâncias em que desejou perecer. Assim os antigos hebreus, mesmo inconscientemente realizaram um projeto divino. Pois Deus devia mesmo sofrer e morrer para manifestar sua solidariedade aos mortais e mostrar-se companheiro. Aos judeus não resta culpa alguma. Os antigos realizaram a única coisa que poderia ser feita... Os de hoje são inocentes e livres. Todavia o propósito de Deus ter se encarnado ou manifestado na judeia foi ser supliciado na Cruz e os antigos judeus foram escolhidos exatamente para isto, não porque fossem de condição superior, melhor ou mais civilizada (Como supõem os sionistas com a aberrante doutrina do 'povo eleito) mas justamente porque eram de condição mais rude, grosseira e incivilizada. Esta característica é que predispôs tal povo a seu excelente desígnio. A Cristandade irracionalista e estúpida é que tem oscilado, se Deus de fato quis ser torturado e morto e os judeus colaboraram com ele, os judeus são mesmo nossos benfeitores, benfeitores da humanidade.



    No próximo artigo, examinaremos o único modo ou maneira porque o Deus Perfeito podería ter experimentado a Liberdade e já adianto que só poderia tornar-se livre fazendo-se homem ou encarnando-se entre os homens deste mundo. Eis porque a Encarnação se torna ainda aqui necessária. Mais uma vez.

domingo, 25 de outubro de 2015

A miséria do neo catolicismo ou desencontros do tradicionalismo, do progressismo e da RCC

A miséria do neo Catolicismo


De todas as religiões e crenças nenhuma mais evoluída que o Cristianismo Católico, sobretudo sob as formas Ortodoxa e romana.

Nem é por acaso que certo número de incrédulos ilustres a exemplo de G Santayana, Whydan Lewis, O Wilde, Ch Maurras, A Comte, E Littré, S Weil,  B Russel, etc simpatizaram com ele e reconheceram-lhe as excelências. Fenômeno bastante comum até os anos 60.

Desde então, com a derrocada do papismo, deístas, agnósticos e ateus, adquiriram um argumento a mais e tomaram a dianteira.

Pelo simples fato da igreja romana ter se afastado a idealidade eterna constituída em torno do belo, do verdadeiro e do bom, mergulhando de cabeça no mundo da modernidade e associando-se as forças tenebrosas do biblismo ou melhor dizendo do protestantismo.

Abandonou sua magnífica liturgia e ritual elaborado a meio milênio. Aderiu a mentira do subjetivismo e do relativismo rompendo com o padrão Aristotélico incorporado por S João Damasceno e Tomas de Aquino e chegou ao fundo do poço perdendo por completo a noção de santidade concreta pautada no amor ao próximo e serviço fraterno até tombar no fideísmo luterânico e proclamar um novo modelo, fácil e falso, de redenção.

Aproximou-se além disto da superstição Biblista e repugnante doutrina na inspiração plenária do livro, retomou os mitos e fábulas do judaismo antigo, indispôs-se com a ciência e tombou no fetichismo crasso!

Esta infecção mística atingiu até mesmo aqueles que não se deixaram influenciar diretamente pelo protestantismo e pelo modernismo, como os tradicionalistas. Este no entanto aderiram ao neo marianismo aparicionista e estabeleceram compromisso não menos nefasto com o liberalismo econômico. De modo que parcela alguma da igreja romana ficou a salvo desta conflagração terrível e todas as suas partes apodreceram.

Quanto aos modernistas devo dizer que os progressistas adeptos da Teologia da Libertação aderiram em parte a heresia modernista ou a crítica iniciada pelos protestantes liberais em torno dos mistérios do Cristianismo, chegando a inclusive a repudiar o dogma da Encarnação ( i é ao padrão niceno atanasiano), a doutrina da presença real do Senhor no Sacramento, a fé na virgindade perpétua de Maria Santíssima, etc confinando com o materialismo e com o ateísmo; além de terem adotado um linguajar técnico de origem marxista a que os fiéis não estavam afeitos impossibilitando um diálogo verdadeiro. E também se mostraram partidários decididos da demolição litúrgica.

Não é para admirar, de que, apesar de seus objetivos precipuamente Cristãos, pautados inclusive na consciência da Igreja, no Evangelho da verdade e na tradição pura, tenha a Teologia da Libertação falhado miseravelmente devido a sua ruptura quase que total com o dogma eclesiástico e a linguagem comum ao Catolicismo. Grosso modo podemos afirmar que não precisamos de uma terminologia marxista ou técnica para denunciar as mazelas do liberalismo econômico, pois contamos com o testemunho eclesiástico dos antigos padres e com a palavra perfeita do Evangelho.

Longe de nós repudiar a crítica científica elaborada por Karl Marx em torno do modo de produção capitalista (Referi-mo-nos aqui não ao manifesto comunista mas ao 'Capital'), coisa que todo pastor de almas ou fiel instruído deveria conhecer. Nossa crítica aqui incide principalmente sobre o emprego de uma terminologia marxista 'empolada' ou de um vocabulário sociológico (sociologuês) com que o povo católico não estava afeito. Não precisamos falar como Marxistas mas exprimir as críticas justas elaboradas por Marx em termos Católicos fornecidos pela piedade.

Nem precisamos abjurar de nossa fé ancestral ou demolir as formas litúrgicas para denunciar as injustiças e clamar contra a exploração do homem pelo homem. É perfeitamente possível proclamar a libertação integral do homem, professar a fé imaculada, manter o brilho do culto litúrgico e manter-se nos limites da comunhão histórica. Neste sentido o progressivismo esquerdista assumiu posicionamentos iconoclásticos que drenou a fonte de suas forças e comprometeu suas bases. É para deplorar esta incompreensão...

Nem posso compreender como aqueles que porfiaram manter o brilho do culto e a imutabilidade dos dogmas foram seduzidos pelo delírio materialista economicista do liberalismo (capitalismo), enquanto que aqueles que aproximaram-se dum conceito elevado de justiça, abjuraram miseravelmente da fé ancestral, romperam com a verdade e sacrificaram a beleza simbólica da hierurgia. Após o Vaticano II consumaram-se tais rupturas e desacertos e instaurou-se o Caos da igreja latina.

Mas não o 'Caos' absoluto.

Não nos enganemos pois não havia a igreja romana, presa do fatimismo ou do marxismo, chegado ao fundo do abismo e miséria suprema; a qual converteu-a em espantalho face a intelectualidade universal!

Tal missão estava reservada ao que chamamos RCC.

Esta mais do que o tradicionalismo incoerente amancebado com o liberalismo e mais do que a teologia da libertação amancebada com o comunismo, manchou a reputação desta igreja até então e sob certos aspectos venerável. Com a RCC pomos nosso dedo no fundo da chaga, da ferida ou do câncer que devora insidiosamente a consciência das massas católicas.

Nada de mais alienígena, nada de mais espúrio, nada de mais alheio, nada de mais oposto ao espírito do Catolicismo do que a alienação ou a abominação Carismática.

Epifenômeno do pentecostalismo introduzido no papismo por um grupo de 'fiéis' americanizados ou americanizantes... cujas almas certamente eram já protestantes e que haviam bebido nesta cultura denunciada não só por Ch Maurras mas por Vailant, Dandier, Aron e outros tantos. Nem podemos deixar de concluir que esta conjuração capaz de corroer a consciência Católica e destruir sua cultura até os fundamentos foi ali forjada e arquitetada com fins claramente políticos, a saber, fazer frente a teologia da libertação e se possível obscurecer o sentido da doutrina social da Igreja!

Antes de romper com a igreja romana -  a qual havia passado após abandonar o protestantismo em que fora criado - e fazer-me Católico Ortodoxo, tive a ocasião e oportunidade de conhecer de perto a RCC e de conviver com seus adeptos. Posso dizer com pleno conhecimento de causa que jamais conheci um deles sequer que estivesse familiarizado com a doutrina social da Igreja... Nem se trata de crítica-la superficialmente como fazem os tradicionalistas, mas de ignora-la por completo. Parte considerável dos fregueses carismáticos sequer sabe que existe uma doutrina social elaborada por sua igreja.

Uma condição assustadora.

Devo dizer todavia que ainda não tocamos ao fundo do abismo!

Antes do vaticano II ou do advento da RCC tinhamos padres cientistas. Sacerdotes familiarizados com as diversas escolas e correntes da alta filosofia, com os estudos psicológicos, com os intrincados arcanos da sociologia, com a experiencialidade pedagógica, etc, etc, etc Basta-me citar um G Mendel, um G Le Maitre, um Teilhard de Chardin...

Hoje que temos???

Padres saltadores, malabaristas, feiticeiros, xamãs, pajés, charlatães, animadores de auditório, 'cantores' (sic)... cópia suja e mal lavada de mediocridade protestante. Um bando de alarves repetidores de versículos e contadores de 'estórias' sem graça tomadas ao antigo testamento. Adversários do conhecimento científico! Supersticiosos! Toscos! Beócios! Criacionistas! Puritanos!

Pela RCC plagiou o romanismo o que há de mais abjeto no pentecostalismo! Reproduziu o que há de mais viciado, corrompido e nocivo no protestantismo! Copiou o que há de mais vulgar e grosseiro na espiritualidade norte americana! Abjurou de seus ideais, inverteu seu caráter, minou as bases de sua cultura e tornou-se desprezível!

A RCC converteu a igreja romana numa ruína desoladora, numa assolação!

Que os protestantes tenham chegado a tal ponto levando adiante os princípios e enunciados por seus pioneiros, os reformadores é perfeitamente compreensível e até desculpável. Que a igreja romana tenha incorporado a si uma série de elementos opostos a sua consciência, a sua tradição e sua cultura é o cúmulo do absurdo!

Basta dizer que ao genial Pe Leonel Franca, a um Bastos Dávila, a um Julio Maria (do Rio de Janeiro), a um Senna Freitas... sucederam o Jonas Abib e o Marcelo Rossi, elementos notáveis pela imperícia e falta de conhecimentos no campo da sagrada teologia para não falarmos no campo das ciência humanas.

Diante disto como admirar-se de que a intelectualidade, antes atraída por esta igreja, torne-se mais incrédula, azeda e indiferente dia após dia e que avolumem-se os contingentes do deísmo e do agnosticismo???

Que esperar duma igreja que perdeu seu rumo, rompeu com suas fontes e raízes e desamparou seus filhos e admiradores mais ilustres?

Se a igreja romana chegou aos confins do fetichismo e da magia renovando a falsa crença nos milagres e convertendo-se numa espécie de 'bazar', que esperança podemos ter?

Não ousem portanto os neo papistas a ministrar-nos qualquer tipo de lição!

Não receberemos calados qualquer lição ou reprimenda de quem recusa-se a levar as últimas consequências os princípios e valores afirmados por sua religião.

Não pouparemos de modo algum a esses neo romanistas que creem poder viver a moda protestante, assimilando princípios e valores de origem luterânica ou calvinista.

Não levaremos a sério estes homens estúpidos que não levam a sério suas próprias crenças.

Admiramos em espírito o espírito do Catolicismo e portanto do romanismo ANTERIOR A REVOLUÇÃO do vaticano II. Período em que os papistas estavam ainda unidos em torno dos três princípios: o Belo, o Verdadeiro e o Bom.

Quanto a este neo papismo fatimista/liberal, comunista ou pentecostal só nos resta deplorar sua infinita miséria!

Nós no entanto mantemos não só nossa autonomia mas franca oposição a todos estes venenos modernos: da economia de mercado ao bolchevismo passando pelo neo marianismo aparicionista, pelo misticismo desbragado e pela heresia protestante; de todas estas ideologias nos afastamos e mantemos prudente distância como de uma infecção.

Oxalá os Católicos de boa fé investigassem suas tradições e valorizassem o que é seu.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um exemplo de cientista e de cristão



O Padre George Coyne é um verdadeiro exemplo de homem equilibrado, mesmo sendo religioso defende a Teoria da Evolução e diz que a ciência não tem como provar a existência de Deus e essa mesma ciência também não pode dizer que Deus não existe. Pois o objeto da ciência é a matéria, e se Deus existe ele não pode ser verificado justamente por ser imaterial.

O padre Coyne tem admiradores até mesmo entre os ateus e céticos tal a seriedade de sua postura como cientista e religioso. O padre Coyne demonstrou que não existe conflito entre a fé e a ciência. Ele é (o padre Coyne) um tapa na cara dos criacionistas e um tapa na cara dos ateus que dizem que cristãos evolucionistas são incoerentes ou que são todos burros e fanáticos. (Não são todos os ateus que dizem isso, mas há quem afirme.)

Leia a entrevista que o padre George Coyne concedeu à Folha de São Paulo aqui. E outra entrevista pode ser lida aqui.

Caso queira ler mais entre a relação cristianismo e evolucionismo sugiro os seguintes links, publicados aqui mesmo: O Cristianismo e a Teoria da Evolução e
Cristianismo e Teoria da Evolução II .